Relatório_Acidentes Mortais em GIFs 2013.pdf

pyro1973

Relatório encomendado pelo Ministério da Administração Interna (MAI) ao Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais - ADAI/LAETA do
Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade de Coimbra, com o fim de apurar as causas que levaram aos acidentes que provocaram a morte a 9 bombeiros.

Universidade de Coimbra Os Incêndios Florestais de 2013

proteger as edificações existentes, nomeadamente o aviário e uma casa de habitação em zona de herbáceas

muito secas. Havia um meio aéreo no local que, por razões de autonomia, teve de abandonar a área, não

podendo dar apoio às operações de primeira intervenção. À medida que a frente que contornava a vila

progredia, os meios que iam chegando iam montando uma linha periférica de proteção, enquanto a outra

frente, que progredia rapidamente, ia sendo negligenciada porque os meios não eram suficientes para

proteger as duas frentes. Foi relatado que quando a frente de chamas ultrapassou a linha de interface entre

a zona de herbáceas, na base, e a zona de pinhal, na encosta, ganhou tal intensidade que provocou uma clara

interação entre as duas frentes. Na linha de cumeada existia uma faixa de gestão de combustível,

pertencente à rede primária, que apresentava um leito de herbáceas muito secas com cerca de 40cm de

altura. Esta faixa foi ultrapassada pelo fogo por volta das 13h00, passando para a encosta a noroeste, no

Concelho de Oliveira de Frades, em direção à povoação de Varzielas, complicando largamente a tática de

combate e levando posteriormente a um grande aumento da área do incêndio e a que toda a encosta

acabasse por ser queimada. Poderá ver‐se na Figura 77 que a língua de fogo que ultrapassou a linha de

cumeada tinha uma área relativamente reduzida no entanto, o relevo acentuado, a irregularidade do terreno

e a carga de combustível dificultavam as ações de combate nesta zona complicando a penetração de meios

terrestres. Devido às condições do terreno, à carga de combustíveis finos e em virtude das notícias dos

acidentes mortais ocorridos anteriormente, os bombeiros apresentavam alguma apreensão no combate

nesta zona. Foram feitas algumas descargas de água através dos meios aéreos mas que foram insuficientes,

uma vez que não era feita a devida consolidação com meios terrestres. Talvez uma sucessão de descargas

aéreas continuadas nesta zona pudesse ter levado a um desfecho mais favorável.

Durante toda a tarde, o incêndio progrediu lentamente na encosta do Concelho de Oliveira de Frades, e

com intensidade na encosta voltada para a Vila do Caramulo. A linha periférica de combate junto ao Caramulo

continuava a acompanhar a progressão do incêndio. Por volta das 20h00, quando o flanco esquerdo da frente

na encosta voltada para a Vila do Caramulo começava a perder força, em virtude de uma redução da

velocidade do vento durante a parte da tarde, deu‐se um novo aumento de intensidade do vento de nordeste

e a frente da encosta do concelho de Oliveira de Frades, a noroeste, começou a ganhar mais energia. Decidese

então efetuar uma manobra de fogo tático junto à estrada nacional N230‐3 seguindo dois sentidos opostos

(legendado como fogo tático 1 e fogo tático 2 na Figura 77). Devido às condições existentes, foram dadas

indicações para que esta manobra fosse conduzida de forma muito lenta e com todos os cuidados, para que

o fogo não ultrapassasse a estrada. Pelas 21h22 iniciou‐se a manobra de fogo tático 1, no sentido noroeste,

em direção à povoação de Bezerreira, e pelas 21h40 iniciou‐se a outra manobra. Pretendia‐se fazer o fogo

tático na base a noroeste da elevação montanhosa que estava protegida dos ventos de nordeste. A noroeste

da montanha, depois da aldeia de Bezerreira, o combate seria efetuado com utilização de água. Estas

manobras são apresentadas na Figura 77. Nesta altura, o vento de nordeste já apresentava uma velocidade

média horária de cerca de 50km/h e rajadas que chegavam a 60km/h. A dada altura começou a verificar‐se

que no vale entre Paredes e Ceidão o fogo estava a ganhar muita intensidade, o que poderia complicar as

manobras de fogo tático, havendo igualmente o risco de projeções em virtude dos ventos de noroeste que

poderiam provocar focos secundários a jusante da estrada nacional N230‐3. Pelas 01h50 do dia 29 confirmouse

que junto a esta zona, se estavam a efetuar ações pontuais de fogo tático (Figura 77), as quais o COS

mandou interromper de imediato, visto não estarem a ser coordenadas com as duas primeiras manobras.

Pouco depois, por volta das 02h00, no local assinalado na Figura 77, surgiram dois focos secundários que de

imediato se alastraram com uma velocidade incontrolável. Não se pode concluir quanto à origem destas

projeções mas três hipóteses aparecem como possíveis: (1) manobras de fogo tático a sul, o que será difícil

porque estavam a ser realizadas de forma muito lenta e sobre forte vigilância; (2) manobras pontuais de fogo

tático entre Paredes e Ceidão, o que também parece ser difícil, dada a distância e a orografia do terreno

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