Defesa - GPER

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Defesa - GPER

Agradecimentos:

Prof. Dr. Sérgio Junqueira;

Profª Drª Pura Lúcia Oliver Martins;

Prof. Dr. Leonardo Boff;

Iris Boff Serbena;

Dom Moacir Vitti;

Pastor Jorge Shiefferdeker, equipe da ASSINTEC, da

SEED e SME;

Bailarinos: Ynaê Narayani Moreira da Silva, Ivanilda

Maria Manfron.


“NÃO BASTA ABRIR AS JANELAS”

O simbólico na formação do professor


Prof. Dr. Orientador da Pesquisa: Sérgio Rogério

Azevedo Junqueira

Autora: Emerli Schlögl

Pontifícia Universidade Católica do Paraná


Objeto de Pesquisa: A simbologia no Ensino Religioso.


Problema de Pesquisa: Partindo da concepção atual de

Ensino Religioso (proposta pelos PCNER) qual é a

conceituação, características e estruturação da simbologia,

que poderão vir a subsidiar coerentemente a capacitação

docente para o curso de Ciências da Religião (Licenciatura

em Ensino Religioso), e portanto, vir a contribuir para a

formação da capacidade de realizar múltiplas leituras

simbólicas do mundo, ampliando e captando sentidos,

portanto, interagindo no mundo de forma crítica, sensível e

ética.


Método adotado: Fenomenológico

Técnicas não quantitativas, optou-se pelo questionário

semi-estruturado no qual professores responderam a duas

questões:

Para você símbolo é...

Para você simbologia no Ensino Religioso é...

Os professores também foram convidados a uma

composição escrita livre e metafórica, na qual as imagens

exteriores se fundiam às imagens da própria interioridade.

Privilegiou-se o estudo teórico e a análise de documentos

e textos.

O objeto de pesquisa deste trabalho se relaciona

diretamente com o psiquismo humano, o que inclui a

categoria dos sentimentos.


Procurou-se no processo de pesquisa, ancorado na

abordagem fenomenológica, a abstenção de processos de

julgamento que poderiam impedir a percepção do fato tal

qual se mostra.


Não basta abrir a janela

Para ver os campos e o rio.

Não é bastante não ser cego

Para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.

Há só cada um de nós, como uma cave.

Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;

E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,

Que nunca é o que se vê quando se abre a janela

(PESSOA, 1974, p. 169).


A primeira fase da pesquisa constituiu-se no levantamento de dados

sobre a história da ASSINTEC, enfatizando a utilização dos

símbolos na formação dos professores, nos seus mais de trinta anos

de existência.

Identificou-se a influência exercida pelo Mosteiro da Anunciação

na década de sessenta (1960) em pessoas que vieram a fazer parte

da ASSINTEC.

Sementes de uma experiência macro-ecumênica.

A ASSINTEC, desde o seu surgimento em 1973, passa por três

fases distintas.


A primeira fase do Ensino Religioso Cristão (interconfessional)

de 1973 até por volta de 1990.

Neste período a formação do professor cabia à

ASSINTEC.


- Professor: símbolo vivo da palavra de Cristo em suas

escolas;

- Trabalho pautado nos programas de rádio , nos roteiros

e nas apostilas “Crescer em Cristo”;

- Enfoque bíblico, cristão.


A segunda fase privilegia um Ensino Religioso pautado

em valores humanos. De 1990 até por volta de 1997.


Nesta fase a formação continuada do professor se

pautava em:

- Valores humanos (valores mutáveis e imutáveis);

- Dinâmicas corporais, ênfase na psicologia de Reich e

na bionergética de Lowen;

- “experiência como fenômeno do corpo”;

- maior abertura à pluralidade religiosa;

- Em fins da década de oitenta (1980) e começo da

década de noventa o curso “Especialização em Pedagogia

para o Ensino Religioso”.


A terceira fase consistindo em um Ensino Religioso com

enfoque inter-religioso (fenomenológico).

A formação continuada do professor pautando-se em:

- conhecimento do fenômeno religioso;

- estudo e pesquisa sobre as diferentes manifestações do

sagrado;

- multiculturalidade;

- diálogo inter-religioso.


O segundo capítulo da dissertação enfocou a teoria do

símbolo.

Símbolos enquanto espelhos multifacetados.


Teoria da psicologia analítica de Jung.

Diferenciação entre símbolo e sinal.

Sinal de Trânsito


Símbolo do amor, vida, taça que

recolhe o sangue de Cristo. Para

os Rosa Cruzes a rosa aparece no

centro da cruz, no lugar do

coração de Cristo. Sangue

derramado como renascimento

místico. Para os Alquimista se

relaciona à Grande Obra. A rosa

era entre os gregos uma flor

branca, mas, quando Adonis,

protegido de Afrodite, foi ferido

de morte, a deusa correu para

socorrê-lo, se picou num espinho,

e o sangue coloriu as rosas que

lhe eram consagradas”.

(Chevalier; Gheerbrant, 2005, p.

789).


“Qualquer coisa pode funcionar como veiculo de uma

concepção” (SANDNER, 1997).


Os diferentes universos simbólicos: cores, sons, cheiros,

sabores, gestos, indumentária, texto oral, escrito...


Símbolos no ocidente e no oriente.


Teoria do inconsciente e do funcionamento psíquico.

A permanente face oculta dos símbolos.


O simbólico feminino na concepção da criação,

divindades.


Sugere-se, portanto, para o processo de formação do

professor em Ensino Religioso:

- o estudo dos símbolos na composição de suas múltiplas

perspectivas;

- a simbologia religiosa como uma das chaves que

possibilitam o entendimento do fenômeno e permitem a

relativização de conceitos;

- a compreensão do símbolo enquanto veículo de

concepções e o entendimento de que estes, em muitos

casos, se tornam veículos de poderes. Ex: o escapulário,

o pentagrana, os mudrás no Yoga...


- a profunda ligação entre os símbolos e os sentimentos

das pessoas, advindo daí a necessidade de respeito e

sensibilidade no trato com os códigos simbólicos alheios

e próprios;

- A inclusão da perspectiva do feminino no estudo do

fenômeno religioso;

- A percepção da vida antagônica dos significados

simbólicos, a contradição como condição natural dos

símbolos;

- A importância dos símbolos para a sustentação,

manutenção e progressão das diferentes culturas.


“O papel dos símbolos religiosos é dar significação

à vida do homem. Os índios pueblos acreditam que

são os filhos do pai Sol, e esta crença dá a suas vidas

uma perspectiva (e um objetivo) que ultrapassa a

sua limitada existência: abre-lhes espaço para um

maior desdobramento de suas personalidades e

permite-lhes uma vida plena como seres humanos”

(JUNG, 1997, p. 89).


O terceiro capítulo tratou da Formação do professor de

Ensino Religioso.

A pesquisa de campo ocorreu em Faxinal do Céu, no

Simpósio de Ensino Religioso organizado pela Secretaria

Estadual de Educação, para professores dos diferentes

municípios que atuam na disciplina com as quintas séries.


Desafio que a simbologia apresenta para os professores

em seu processo formativo: por conhecer os diversos

códigos simbólicos das diferentes culturas religiosas a

fim de compreender as diversas manifestações, inclusive

os ritos e os mitos destas culturas.


Identidade pessoal religiosa X identidade profissional

Autores utilizados: Rubem Alves, Paulo Freire, Santomé

e Leonardo Boff.

Ponto focal: a linguagem simbólica que orienta e

estrutura o fenômeno religioso.


Os professores pesquisados, setenta e dois (72),

escreveram livremente suas metáforas nas quais a

natureza circundante se transformou em uma extensão de

si mesmos e de seus sentimentos.

Rodin


Escreveu determinada professora: “A igreja lembra

infância... No Domingo, após o almoço a família reunida

cantava e escutava os “causos” que o pai contava, que a

avó contava. Quanta mensagem, quanta simbologia...o

diálogo familiar”.

Albert Camus dizia que “só se pensa por imagens”. Amo

as imagens, mas elas me amedrontam. Imagens são

entidades incontroláveis que freqüentemente produzem

associações que o autor não autorizou. Os conceitos, ao

contrário, são bem comportados, pássaros engaiolados.

As imagens são pássaros em vôo... Daí seu fascínio e

perigo (ALVES, 2000, p. 67).


Os professores relataram diversos sentimentos, até mesmo

para os mesmos símbolos, como por exemplo: pedras e

árvores, que para alguns poderiam mobilizar sentimentos

cálidos e para outros angústias.


Quanto ao questionário respondido, para a primeira

questão:

- Para você símbolo é... verificou-se que os professores

possuem compreensão fragmentada sobre o universo

simbólico. Símbolos enquanto representações, objetos,

expressão de uma cultura, algo concreto e cotidiano, ligados

ao sagrado, sinal significativo, forma de guardar

conhecimento...

- Para a segunda questão, para você simbologia no Ensino

Religioso é... verificou-se que as respostas apontam para o

tratamento das representações do sagrado, leitura dos

símbolos que expressam o sagrado, estudo específico dos

símbolos religiosos, adoração de imagens, permitindo a

relação entre os indivíduos e o transcendente.


Os professores reconhecem a importância da questão

simbólica para o Ensino Religioso e apontam diferentes

facetas para esta instância. Porém, são apontamentos que

se unidos formam um conjunto estrutural bastante

complexo, apontando para direções de aprofundamento.

Mas, se tomados isoladamente, na escrita de cada um,

denotam compreensão incipiente da temática.

Fator importante foi a percepção clara da necessidade do

estudo da questão da multiculturalidade para o Ensino

Religioso.


“A diversidade religiosa na

escola não diz respeito apenas

aos interesses das religiões,

mas manifesta-se também

como uma questão de

cidadania. Enquanto a

sociedade não for de fato

pluralista, a escola também

não o será. Ressalto que o

contexto social é refletido na

escola, embora esta tenha uma

contribuição importante a dar

para a transformação da

comunidade

local”

(JUNQUEIRA, 2002, p. 17)


Problemas e limitações da pesquisa:

- a rotatividade dos professores e a falta de um curso de

Licenciatura no Estado do Paraná;

- falta de literatura específica para esta área do

conhecimento;

- os cursos de formação continuada do professor

precedem os cursos de Licenciatura (que no momento

não existem no Estado);

- a amplitude do objeto de pesquisa;

- a fragilidade na construção do terceiro capítulo, a falta

de autores;


- a complexidade política que orienta e determina as

condições para o Ensino Religioso, nas diversas

mudanças de perspectivas das Secretarias de Educação;

- a densidade da pesquisa e o detalhamento tornaram-na

cansativa para o leitor;

- a necessidade de aprofundar a discussão no processo de

profissionalização do professor a partir do universo

simbólico.


Evidenciou-se:

- a necessidade da educação dos sentidos.


- A linguagem interdisciplinar como condição básica

para o tratamento do Ensino Religioso:

“As religiões constróem edifícios teóricos – as doutrinas,

- práticos - as morais -, festivos e simbólicos – as

liturgias e os ritos. Mas constrói também edifícios

artísticos, grandes templos e catedrais. Vejam os

fantásticos templos levantados pelo hinduísmo na Índia.

Ou as grandes catedrais medievais, verdadeiras sumas

teológicas em pedra e em vitrais. Através da arte em

geral, da música sacra e das artes plásticas, as religiões

nos elevaram a Deus. Houve sempre um casamento fiel e

feliz entre a arte e a religião”. ( BOFF, 2001, p. 25 – 26)


- A superação do modo de ler o mundo simbólico

religioso que se sustenta nas experiências pessoais

particulares.

- A superação da leitura religiosa unipolarizada no

universo patriarcal.


Para abrir as janelas e ver paisagens, talvez seja preciso

também, um olhar “nítido como um girassol”.


O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo... (Caeiro, 1974, p. 137).


Agradecimentos:

Prof. Dr. Sérgio Junqueira;

Profª Drª Pura Lúcia Oliver Martins;

Prof. Dr. Leonardo Boff;

Iris Boff Serbena;

Dom Moacir Vitti;

Pastor Jorge Shiefferdeker, equipe da ASSINTEC, da

SEED e SME;

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