O jornalismo radical de Raimundo Rodrigues Pereira

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O jornalismo radical de Raimundo Rodrigues Pereira

O periódico teve três edições apreendidas, 2.250 matérias vetadas e 2.700

ilustrações proibidas. Os três números previamente censurados que não puderam ir para

as bancas tratavam do trabalho da mulher brasileira, de uma denúncia relativa a

contratos de risco na área de exploração do petróleo, e a defesa da anistia, liberdade e

instalação da Assembléia Constituinte.

A censura prévia ao jornal somente foi suspensa em junho de 1978. Tratou-se de

um dos últimos periódicos a deixar de conviver com essa restrição. Quando finalmente

ficou livre da censura prévia, Movimento publicou na capa da edição número 155, de 19

de junho de 1978, o título: “Primeira edição totalmente planejada e executada sem

censura”.

A redação pôde escrever exatamente da maneira que pensava e as vendas do

jornal começaram a crescer. Sentindo a necessidade de uma publicação mais popular,

devido à abertura política, o alternativo lançou o suplemento Assuntos, que reunia

mensalmente artigos escritos por líderes do movimento popular. Ao todo, foram

vendidas de mão em mão sete edições, de abril a outubro de 1978 (PEREIRA In:

FESTA; SILVA, 1986, p. 67).

Movimento cresceu no período inicial da abertura, de forma estupenda.

Elevou em 250% suas vendas em banca e aumentou o número de assinaturas,

chegando a uma vendagem próxima de 30 mil exemplares. Depois caiu em

patamares sucessivos, até que os atentados terroristas de meados de 80 lhe

assestaram o golpe fatal, ao qual sobreviveu por poucos meses, já em agonia.

(PEREIRA In: FESTA; SILVA, 1986, p. 72)

No final de 1977 foi criado o jornal Em Tempo, também em São Paulo, com o

objetivo de abrigar jornalistas e colaboradores que já não concordavam com a linha

seguida por Movimento. Formaram-se dois grupos dentro do jornal, os que rejeitavam a

autoridade do PC do B e os que defendiam a necessidade dessa união. O articulador

desse novo projeto foi o jornalista Bernardo Kucinski.

Além dos desentendimentos internos, uma das principais razões para o fim de

Movimento, em 23 de novembro de 1981, foram os atentados às bancas que vendiam o

alternativo, assim como outros periódicos que ainda incomodavam os militares. Com os

ataques, o jornal perdeu assinantes e as vendas avulsas caíram pela metade.

Com os atentados e as mudanças políticas, que culminaram em sucessivas crises

dentro do alternativo, Movimento não teve mais forças para continuar.

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