SOVIPA: A força do Voluntariado - Jornalismo da UFV

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SOVIPA: A força do Voluntariado - Jornalismo da UFV

MARCO TÚLIO PENA CÂMARA

ElosQuentes por trás das cortinas

Um videodocumentário sobre a produção de um grupo teatral

Viçosa – MG

Abril 2013


MARCO TÚLIO PENA CÂMARA

ElosQuentes por trás das cortinas

Um videodocumentário sobre a produção de um grupo teatral

Projeto experimental apresentado ao curso

de Comunicação Social/ Jornalismo da

Universidade Federal de Viçosa, como

requisito parcial para obtenção do título de

Bacharel em Jornalismo.

Orientadora: Mariana Ramalho Procópio

Xavier

Viçosa – MG

Abril 2013

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Dedico esse trabalho à minha família sanguínea e a

que eu escolhi em Viçosa: meus queridos Elos,

pelo companheirismo, cumplicidade, amizade,

conforto e todo o bem que me fazem.

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AGRADECIMENTOS

Quando me diziam que o TCC era a etapa mais desgastante do curso, não

acreditava que seria tanto. Mas tudo fica amenizado quando se trabalha com o que ama

e ao lado de pessoas tão competentes e dedicadas.

Primeiramente, agradeço ao meus melhores elos feitos em Viçosa. Usar o

ElosQuentes como tema do meu trabalho só me fez ficar ainda mais fã e ter a certeza

que participo do melhor grupo de teatro que existe, com todos os nossos ensaios, peças,

brigas e misturações. Obviamente, esse trabalho não existiria sem vocês, e eu também

não me imagino mais sem esses elos cada vez mais quentes e fortes. Espero ter

conseguido representar a imensa importância que tem na minha vida e o grande talento

que possuem!

Mas a minha melhor escolha foi, sem dúvida, no quesito orientação. Paciência,

sabedoria, elegância e competência são algumas características evidentes. Mariana,

muito obrigado por cada correção, cada conselho, opinião e, principalmente, por me

fazer acreditar que eu era capaz, mesmo quando eu pensava em desistir. Bendita hora

em que você voltou ao corpo docente da UFV e tive o privilégio de ser seu orientando!

Se, no final das contas, tudo ocorreu dentro dos prazos e do esperado, você teve grande

contribuição nisso!

Realizar um trabalho tão elaborado como o de conclusão de curso requer

renúncias e certo afastamento do mundo. Agradeço aos meus pais e irmão, por me

tranquilizar em relação aos problemas familiares que passamos nesse tempo e pela

compreensão da minha ausência corporal. Foi para ver o sorriso de vocês ao final dessa

jornada que me mantive forte e seguro! À Luciana, pelos colos, palavras de incentivo,

confiança, apoio nas últimas filmagens e por entender a minha preocupação e dedicação

a esse trabalho. Ao Diego, por todo o apoio nas filmagens, simpatia com o grupo, ajuda

na produção e por aceitar entrar nessa comigo. Ao Giu, pela imensa ajuda na edição,

dando uma cara nova ao meu trabalho. À CCS, por me proporcionar a experiência e

reafirmar meu amor pelo jornalismo. Aos meus amigos de Viçosa, que não me

abandonaram mesmo com tanta ausência e o assunto único e aos de Ipatinga, por

tranqüilizar minhas noites de trabalho, não me deixando enlouquecer ou endurecer.

Esse trabalho não teria saído se não fosse a contribuição e força de cada um de vocês,

independente da forma que tenha sido.

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“Ainda bem que vocês vivem comigo, porque senão, como

seria essa vida? Sei lá, sei lá...”

(Vanessa da Mata)

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RESUMO

Este vídeo documentário, realizado como Trabalho de Conclusão de Curso de

Comunicação Social/ Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa, pretende mostrar

as dificuldades de se fazer teatro na cidade e os bastidores dessa arte, a partir da

experiência vivida pelo grupo ElosQuentes. O documentário apresenta cenas de

ensaios, bastidores, a história do grupo e conta com depoimentos dos integrantes e de

quem faz teatro na cidade há mais de 20 anos. Como reflexão teórica que sustentasse o

nosso pensar e a nossa produção documental, recorremos às contribuições dos autores

Lucena, Nichols e Da-rin.

PALAVRAS-CHAVE:

Documentário; Teatro; ElosQuentes.

ABSTRACT

This video documentary, produced as a final project of the course in Social

Communication / Journalism from the Federal University of Viçosa from the Federal

University of Viçosa, aims to show the difficulties of making theater in the city and the

backstage of the art, from the experience by ElosQuentes group, created in December

2011 . The documentary shows scenes of rehearsals, backstage, history of the group and

has testimonials from members and who does theater in the city for over 20 years. As a

theoretical reflection that sustain our thinking and our document production, we turn to

the contributions of authors Lucena, Nichols and Da-rin.

KEYWORDS:

Documentary; Theater; ElosQuentes.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO................................................................................................... 8

1- TEATRO: A ARTE DA REPRESENTAÇÃO................................................... 12

1.1 As organizações teatrais...................................................................... 15

1.2 O ElosQuentes.................................................................................. 17

2- O DOCUMENTÁRIO E A MALEABILIDADE DA LINGUAGEM

AUDIOVISUAL...................................................................................... 19

2.1 A ficção e o documentário.................................................................. 21

2.2 O Roteiro........................................................................................... 24

3- RELATÓRIO TÉCNICO................................................................................ 26

3.1 Pré-produção...................................................................................... 26

3.2 Produção........................................................................................... 27

3.3 Pós-produção..................................................................................... 31

CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................... 33

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................. 34

ANEXOS.......................................................................................................... 35

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INTRODUÇÃO

Em uma cidade de interior, como Viçosa, produção teatral é rara. Seja por falta

de interesse do público ou de lugares para as apresentações, montar uma produção

grande de teatro é algo difícil. Tomemos como exemplo a realidade viçosense. Na

cidade, o único local possível para apresentações de grande porte é o Espaço Acadêmico

Fernando Sabino. Todavia, ele não pode ser considerado um teatro, mas sim um

auditório, tendo em vista sua configuração acústica, iluminação e o planejamento

arquitetônico. Muitas peças lá apresentadas chegam a ter seu valor estético prejudicado.

Além disso, tal espaço é muito utilizado pela Universidade Federal de Viçosa para

eventos acadêmicos, e para se conseguir alguma data boa disponível, é preciso marcar

com mais de seis meses de antecedência, o que dificulta a produção teatral local.

Todas essas dificuldades foram e são experimentadas pelo grupo Elosquentes.

Idealizado no fim de 2011, o grupo foi inicialmente formado por seis atores saídos da

oficina de teatro da UFV de 2009 e 2010. A proposta do Elosquentes é fazer

intervenções artísticas em diversos eventos, além de montar peças de teatro para a

cidade de Viçosa e festivais em todo o estado. Desde a sua criação, o grupo procura

cumprir o seu ideal de diversificar o fazer teatral: já animou festa de casamento e festa

infantil, interpretou poesias com ou sem música, participou de festivais de destaque,

produziu peça teatral de longa duração e desenvolveu parceria com outros grupos.

A história do grupo se confunde com os trabalhos realizados por ele. O primeiro

trabalho do ElosQuentes foi uma intervenção artística em uma festa de casamento, em

janeiro de 2012. Uma integrante do grupo, que ainda estava em formação, foi convidada

para produzir uma atração diferente para os convidados do casamento. A partir desse

convite, o grupo se solidificou com o nome e integrantes fixos, priorizando intervenções

e cenas curtas, como forma de diversificar as apresentações teatrais da cidade. A partir

daí, o grupo manteve um ritmo intenso de apresentações.

Com a divulgação do grupo na internet, entre conhecidos dos integrantes, surgiu

o convite para apresentação de uma cena no encerramento da semana do calouro do

curso de Comunicação Social da UFV, organizada pelo centro acadêmico CAJor,

realizado no Galpão da Divisão de Assuntos Culturais, no campus universitário. Com

apresentação marcada, o grupo realizou ensaios nas próprias casas dos integrantes, já

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que não tinha espaço próprio destinado a isso, principalmente no período de férias. A

cena escolhida para apresentação foi a Fica, vai ter bolo!, escrita por mim e encenada

pelos seis atores da formação original do grupo. Além da apresentação na DAC, ela foi

reapresentada no Grito Rock, organizado pelo Coletivo 103¹ 1 e realizado no bar Flor e

Cultura, reafirmando o ideal do grupo de levar o teatro a espaços não destinados a ele.

Ela foi apresentada, ainda, na 2ª Mostra de Cenas Curtas da Universidade Federal de

São João Del Rey, realizada pelo curso de Artes Cênicas da referida instituição.

Em seguida, surgiram convites para interpretação de poesias no projeto Café

com Livros, uma parceria do Coletivo 103 e o Departamento de Ciências Sociais da

UFV. Foram três dias seguidos de apresentações, nas quais os poemas escolhidos

foram: Poema de sete faces, de Carlos Drummond de Andrade Vou-me embora pra

Pasárgada e O bicho, de Manuel Bandeira. Ainda em parceria com o Coletivo, o grupo

foi convidado a apresentar outra poesia na praça Silviano Brandão, no centro da cidade.

Dessa vez, o escolhido foi o Infância, de Carlos Drummond de Andrade. Com essas

apresentações em espaços públicos, o grupo alcançou seu objetivo de proximidade com

o público, a fim de despertar maior interação e familiaridade da população com o teatro,

distanciando-se da forma convencional de palco.

Mas foi em maio de 2012 que o grupo realizou o seu maior projeto, a peça O

santo e a porca, de Ariano Suassuna, com releitura do grupo. Ela foi considerada a

maior produção do ElosQuentes por ter contado com a adaptação do grupo, com a visão

dele sobre a peça. O figurino era original, com roupas pensadas exclusivamente para a

peça, tomando como base figurinos de outras apresentações da mesma, feitas a partir de

retalhos de panos, costuras manuais e peças encontradas em brechós da cidade. O

cenário foi feito artesanalmente, com caixas de madeira, bambus, feno e até cama de

madeira, que serviu como a base das portas. A maquiagem também foi idealizada e

realizada pelos próprios integrantes do grupo. A trilha sonora foi tocada ao vivo, por

músicos parceiros do grupo que fizeram uma música exclusiva para a peça. Com o

sucesso do espetáculo, ele foi reapresentado em novembro, época de filmagem deste

documentário. Vale dizer que em junho, o grupo já havia levado a peça ao Nepopó

1 Grupo integrante do Circuito Fora do Eixo, que promove debates e atrações culturais em todo o Brasil,

dando destaque a produções locais e independentes.

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Féstivao, festival nacional de teatro amador realizado em São João Nepomuceno (MG),

conquistando três prêmios.

A dinâmica dos encontros bem como o trabalho de preparação das produções

acontece conforme o surgimento dos trabalhos. O grupo realiza os ensaios e reuniões no

antigo Museu Histórico da UFV, quando o mesmo está disponível. Não há regularidade

nos encontros, já que os integrantes se reúnem de acordo com a demanda de

apresentações. Quando há um convite ou um festival no qual o grupo deseja participar,

marca-se a reunião para acertar os detalhes e dividir as tarefas. O principal meio de

comunicação entre os integrantes é o grupo fechado no Facebook, e com o público é a

página na mesma rede social, onde são feitos os contatos e convites para apresentações.

Todas as apresentações que o grupo realiza são autorais ou adaptações de textos

conhecidos. Todavia, a falta de patrocínio e as barreiras burocráticas dificultam a

regularidade do trabalho do ElosQuentes.

A fim de registrar a história desse grupo de teatro, bem como de apresentar as

dificuldades de se fazer teatro no interior, é que se constitui o documentário

ElosQuentes por trás das cortinas. Procuramos não só mostrar o trabalho desenvolvido

pelo ElosQuentes, mas também as etapas de produção teatral, envolvendo o processo da

montagem de uma peça, desde os ensaios até o pós-espetáculo.

A opção pelo gênero documentário se justifica em função da própria constituição

do teatro: ele necessita da imagem e muitas vezes do som para se fazer compreensível.

A linguagem audiovisual torna-se, então, uma maneira fidedigna de retratar a realidade

na qual o teatro está inserida, utilizando recursos imagéticos e estéticos, fortes

características dessa arte milenar.

Em síntese, é possível dizer que objetivo do projeto é fazer um documentário

jornalístico mostrando como é fazer teatro independente em uma cidade do interior,

como Viçosa, acompanhando a montagem de uma peça, com ensaios, aquecimento e

bastidores, contemplando, ainda, a história do grupo, as dificuldades de fazer teatro na

cidade, além de explorar o significado de teatro e do grupo para os próprios integrantes.

Com isso, espera-se maior visibilidade e valorização não só ao grupo em questão, mas

também a essa arte que vem encantando cada vez mais um público maior, que enxerga

semelhança à sua realidade, não sendo algo tão elitista como observado em épocas

passadas.

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Para elaborar a parte teórica do memorial, procurei autores clássicos sobre o

gênero, como Nichols, Da-Rin e Lins. Na fundamentação da etapa prática, utilizei

manuais de como fazer documentário, exemplos de roteiros e dicas para a produção.

Paralela à pesquisa bibliográfica, o documentário foi sendo elaborado, como detalhado

mais adiante no capítulo 3. A adoção de um pré-roteiro foi fundamental nessa etapa do

trabalho, para que houvesse o encadeamento das imagens feitas, seguindo a proposta

inicial do projeto.

No capítulo 1, Teatro, a arte da representação, é apresentado o arcabouço

teórico acerca do teatro, com parte da história dele no mundo, além de explicitar a teoria

por trás da montagem de grupos, com a apresentação de alguns deles como exemplos.

No capítulo 2 - O documentário e a maleabilidade da linguagem audiovisual, a reflexão

teórica encontrada é sobre o gênero documentário. Nele, encontra-se a definição de

documentário, a linguagem utilizada, diferença entre ficção e documentário, além de

formulações de base teórica para a elaboração do roteiro. O capítulo 3, Relatório

Técnico, é a descrição de todo o processo do trabalho, dividido em pré-produção,

produção e pós-produção. As considerações finais, com as perspectivas do autor sobre o

produto, finalizam o memorial, seguidas das referências bibliográficas e anexos,

contendo o roteiro final.

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1 – TEATRO: A ARTE DA REPRESENTAÇÃO

De modo geral, quando pensamos em teatro, logo recorremos a duas definições:

a arte e o espaço, simultaneamente. É praticamente inconcebível falar de um em

detrimento do outro. Assim sendo, justificamos de antemão o entrelaçamento desses

dois componentes da definição de teatro em nosso trabalho. As relações entre a arte e o

espaço serão aqui tratadas de modo variado, e irão ressonar quando relatarmos sobre os

cenários das filmagens, sobre o campo de atuação ou a respeito da relação de amor de

quem pratica a arte e faz do espaço o lugar de convivência com os amigos.

O teatro surgiu na Grécia Antiga, ao final do século VI a.C, com as tragédias e

comédias em honra a Dionísio, rei das festas e do vinho. O texto era sempre enunciado

por um líder denominado corifeu. Thespis era um deles e, certa vez, teria assumido o

papel do deus grego e discursou em primeira pessoa, tornando-se o primeiro ator,

palavra cujo significado é “o que age”. Nascia, então, a primeira ideia do que é teatro,

como representação de um personagem. Ao longo do tempo, novas características foram

atribuídas a essa arte, como instauração e representação de locais, diálogos e ações.

Heliodora (2008, p. 16) afirma que “o teatro só nasceu quando alguém teve a ideia de

usar todos aqueles mesmos recursos a fim de expressar uma ideia nova, ou olhar de um

novo modo uma coisa já conhecida”.

O teatro só era apresentado em festivais, poucas vezes durante o ano. Com novos

locais para as apresentações (templos, encosta de colina ou montanha, por exemplo), o

teatro foi se expandindo e conquistando novos adeptos e admiradores. Nesses novos

espetáculos, os atores utilizavam máscaras como forma de representação de outra

pessoa, o personagem o qual estava interpretando.

Durante a Idade Média, a Igreja figurou como responsável pela arte teatral, com

as representações em datas santas e festividades religiosas. No entanto, como nessa

época havia várias tribos, grupos e feudos com línguas diferentes, o fazer teatral ficou

prejudicado, quase desaparecido, devido a essa dificuldade na comunicação. Além

disso, a arte era elitizada, excluindo os servos e analfabetos. Com o passar do tempo e a

descentralização da Igreja, além da diversificação linguística, o teatro foi sendo

disseminado pela Europa em suas línguas locais, passando a inserir elementos não

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íblicos. Dessa forma, o teatro medieval passou aproximar-se do teatro grego, em

relação à representação do comportamento humano.

Na Idade Moderna é que o teatro ganhou a visibilidade, importância e objetivo

mais próximos da realidade atual. Com a disseminação do teatro na Europa, cada país

teve sua especificidade em relação ao modo de realização da arte, além de se afastar da

Igreja. A principal contribuição da Itália para o teatro foi a construção de novos espaços

para a realização das peças, graças a seu potencial arquitetônico. Além disso, foi em

territórios italianos que surgiu o fenômeno teatral commedia dell’arte, apresentado nas

ruas, com grande teor de improviso, onde os mesmos personagens viviam situações

constrangedoras e engraçadas, investindo na expressão corporal. A Inglaterra também

teve importante contribuição para o que conhecemos como teatro. O principal motivo é

que a arte era totalmente separada da Igreja, possibilitando narrativas trágicas e maior

aproximação com o comportamento humano. O nome central nessa nova fase teatral é

William Shakespeare, autor de consagradas peças que são encenadas até hoje em todo o

mundo, por se tratar de situações atemporais e comuns a todas as civilizações e relações

humanas.

Tendo em vista os principais marcos históricos do teatro, é possível observar sua

importância e influência na realidade política na qual está inserida. Na União Soviética,

por exemplo, o teatro sofreu fortes censuras, sendo obrigado a elogiar o sistema em seus

espetáculos. O teatro figurou como uma forma de divulgação ideológica, como

observado na Alemanha com as peças do diretor Erwin Piscator, por exemplo, que

misturava discursos verdadeiros com uso de fotografias e filmes, como maneira de

criticar a política vigente no país (HELIODORA, 2008). Como representação da

realidade vivida, o teatro teve também fundamental importância no período pós-guerras,

exaltando o sentimento de cada país, integrando a reconstrução de cada um deles.

No Brasil, o teatro surgiu com a colonização dos portugueses. Com o objetivo de

impor a religião e a cultura portuguesas sobre os nativos brasileiros, Padre Anchieta

realizou peças teatrais para demonstrar aos índios como os europeus se comportavam.

Os jesuítas utilizavam a arte como instrumento de ensino e imposição da catequese,

fazendo com que os índios vivessem os preceitos da Igreja Católica trazida da Europa.

Como Colônia, o Brasil não teve expressivos avanços na arte, já que ela era

condicionada pela Metrópole. Só com a Independência é que o país começou a produzir

seus próprios espetáculos, seguindo tendências e estilos europeus.

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A semana de Arte Moderna, realizada em 1922, foi o marco da produção de

artes no Brasil, principalmente na literatura e artes plásticas, porque foi nessa época que

o país conquistou certa independência de características européias. No entanto, o teatro

não ganhou destaque na Semana, tendo em vista os poucos grupos de teatro atuantes em

São Paulo e a carência de produções teatrais em todo o país. Mesmo com essa pouca

visibilidade do teatro, o Brasil conquistou autonomia e liberdade na criação da arte.

Com isso, mais tarde e impulsionadas pela revolução artística da Semana de Arte

Moderna de 1922, as novas peças brasileiras se voltavam mais à realidade local.

O período da segunda guerra foi de fundamental importância para a reafirmação

do teatro brasileiro. Com a dificuldade de trazer grupos estrangeiros, a arte nacional

passou a ser mais valorizada, conduzindo a uma busca maior de recursos locais para a

realização dessas atividades artísticas. Nessas circunstâncias que surgia um dos

principais nomes da dramaturgia brasileira, o jornalista Nelson Rodrigues, considerado

o primeiro autor teatral moderno do Brasil. A principal contribuição de Nelson foi a

brasilidade de sua linguagem, aproximando a obra do público.

A partir disso, na década de 1950, observou-se uma descentralização das

produções teatrais, com obras que tratam de outros aspectos do país além dos

anteriormente retratados. Exemplos de autores dessa época são João Cabral de Melo

Neto e Ariano Suassuna, que trouxeram para o Sudeste a realidade e identidade

nordestina, sem o estereótipo de caipira, comumente representado em outras obras.

Com essa descentralização, o teatro foi ganhando novas leituras e possibilidades

de atuação e representação da realidade, promovendo o advento do teatro político e

social. No entanto, foi repreendido pouco tempo depois pela censura militar. Nas

ditaduras brasileiras, o teatro exerceu o papel de resistência e apelo democrático, tendo

várias obras impedidas de serem apresentadas devido ao seu forte teor político e crítico

à realidade. Com a censura, o público diminuiu, levando quase ao fim das produções

nacionais. “Em 1980 o teatro brasileiro estava arrasado (...). O resultado é que o teatro

se viu praticamente voltando à estaca zero” (HELIODORA, 2008, p. 177). Passada a

ditadura militar, o teatro brasileiro teve sua nova fase voltada no eixo Rio-São Paulo,

investindo em produções de comédia, a fim de atrair mais público para a retomada da

importância do teatro no país, gerando a criação de muitos novos grupos, já no final do

século XX.

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No que se refere ao contexto local, vários grupos amadores surgiram dentro da

Universidade Federal de Viçosa. Tais organizações eram informais e duraram por pouco

tempo, já que a maioria dos estudantes integrantes desses grupos saía da cidade após

concluir a graduação na Instituição. Com isso, não há registros oficiais de grupos

criados em Viçosa e dos respectivos trabalhos realizados na cidade.

1.1 – As organizações teatrais

Janiaski (2008) considera a liberdade criativa como aspecto fundamental na

criação de grupos teatrais e uma das características do teatro moderno. Ela afirma,

ainda, que um grupo é formado por convergências ideológicas e desejo de realizações

em longo prazo, não peças específicas. E, para isso, ela acredita ser primordial a

sintonia entre todos os integrantes.

O teatro de grupo tem uma estrutura de auto-gestão na qual mescla

elementos de identificação afetiva e técnica, no desejo de resistir a um

referente hegemônico comercial. Este teatro que prima pela liberdade

de criação firma posição frente à indústria cultural e na maioria das

vezes busca formas de se manter fora deste sistema comercial. É

possível afirmar que o teatro de grupo se apresenta para o os grupos

como uma forma de realizar uma reflexão constante, além de propiciar

a construção de métodos de formação do ator. (JANIASKI, 2008, p.

38)

Tal definição e característica vem ao encontro com a proposta do ElosQuentes:

reunir amigos amantes da arte em prol de um teatro independente e de qualidade,

mesmo que sem apoio e enfrentando as dificuldades que encontra que não são poucas.

Além disso, a autora explica que o trabalho deve ser voltado para a integração de toda a

equipe e desenvolvimento do ator, tanto enquanto profissão, quanto pessoa. A principal

diferença entre grupos assim dos outros existentes é que aquele não se molda ao

mercado, não estão inseridos em uma demanda político-econômica. Sendo assim,

possuem mais liberdade ao mesmo tempo em que encontra dificuldades por falta de

apoio e recursos financeiros.

15


Montar um grupo teatral não é tarefa fácil. No entanto, no Brasil, não é raro

encontrar grupos independentes que cresceram e conseguiram prestígio e fortes

patrocinadores que apóiam a arte e ajudam no custeio das produções e divulgação.

Como exemplos recentes, temos o grupo LUME (Laboratório Unicamp de Movimento e

Expressão), de Campinas e, mais próximo à nossa realidade, o grupo Galpão, de Belo

Horizonte.

O grupo LUME nasceu em 1985, como grupo de pesquisa teatral, em áreas de

conhecimento corporal, expressão do ator, entre outras linhas relacionadas a essa arte,

com a realização de intercâmbios culturais e de conhecimento técnico e teórico com

estudiosos da Europa, Ásia e América. Mas foi só em 1994, com o apoio da

Universidade, que o grupo conseguiu uma sede, consolidando o trabalho no campo da

pesquisa e da experimentação, tornando-se referência nacional nestas áreas. Hoje, o

grupo viaja por todo o país com suas peças, sempre apostando no diferencial de

pesquisa e experimentação no trabalho do ator como compositor dos personagens e seus

históricos, valorizando o intérprete e colocando-o, também, como pesquisador da

própria obra, função e texto (BURNIER, 1994).

Já o grupo Galpão teve uma trajetória diferente, visto que não é ligado a nenhum

centro de ensino superior. O grupo surgiu no final de 1982, quando quatro atores

participaram de uma oficina ministrada por membros do Teatro Livre de Munique, onde

aperfeiçoaram técnicas corporais em teatro. A partir desse contato, eles notaram o

desejo comum de organizar um grupo de trabalho na área. Em uma conversa informal,

assumiram a iniciativa de criar, juridicamente, um grupo de teatro. Nascia aí o grupo

Galpão. As principais apresentações dele foram, a princípio, com o teatro de rua. A

primeira peça, E a Noiva não quer casar, foi apresentada na Praça Sete, no Centro de

Belo Horizonte, em novembro de 1982. Segundo Janiaski (2008, p.71), o teatro de rua

foi também estratégico para o grupo, já que “eliminava os custos de aluguel de espaço,

além de aproximar ainda mais do público, que contribuía financeiramente na hora de

„passar o chapéu‟ para a manutenção da trupe”.

A partir daí, o grupo foi crescendo e desenvolvendo novas produções, cada vez

mais elaboradas. Já com fama regional, o Galpão alcançou reconhecimento nacional

quando apresentou a adaptação para teatro de rua da consagrada peça Romeu e Julieta,

de Shakespeare, tendo sua primeira apresentação em setembro de 1992 em Ouro Preto.

O grupo viajou com a peça pelas capitais do sudeste, ganhando fama em todo o país

16


pela mídia, recebendo prêmios nacionais. Romeu e Julieta ainda foi apresentada em

outros países, como Inglaterra e Espanha.

A principal característica do grupo é a coletividade. Essencialmente formado por

atores, o Galpão não tem um diretor fixo, variando a função entre os integrantes ou

convidando profissionais de fora. O diretor russo Jurij Alschitz, no livro Teatro sem

diretor (2012), define o teatro como uma atividade coletiva e a força do movimento

independente. Na referida obra, o autor defende a liberdade de criação que um grupo

deve ter, principalmente se formado por jovens. Para ele, a figura do diretor assemelhase

à imagem de um ditador, já que impõe o que deseja ser feito, cobrando mais

resultados e não sendo muito aberto a novas idéias, sugestões ou críticas. Essa

liberdade, a descentralização do “poder” e a generalização de funções (todos exercem

quase todos os papeis), segundo Alschitz (2012), são características do teatro moderno.

Além disso, a liberdade criativa causa maior prazer ao trabalhar, refletido nos palcos e

na platéia, que se envolve ainda mais com a história e os atores.

1.2 – O ElosQuentes

A criação do ElosQuentes se baseia nos conceitos e exemplos acima citados.

Vasconcellos (1976) informa que o grupo teatral em construção deve ter contato com a

cultura na qual está inserida. Especificamente, o caso do ElosQuentes se enquadra na

definição de Vasconcellos (1976, p. 20) sobre teatro armador universitário,

caracterizado como “sem fins lucrativos, livre e deve se preocupar com a cultura

nacional”, ou seja, trazendo aspectos brasileiros, sem clara alusão a estrangeirismos,

visto que a cultura nacional é de qualidade e extensa.

Nesse contexto, a produção desses grupos independentes deve ser criativa e

totalmente inserida na equipe, compartilhando anseios e ideologias, enfrentando o

desafio da dicotomia entre mercado e criatividade livre. A resposta varia de grupo para

grupo, como cada um pensa e se objetivou a criação. Janiaski (2008) também concorda

com Vasconcellos (1976) no que tange à realidade brasileira no quesito (falta de) apoio

cultural, observando que eles existem para benefício da empresa patrocinadora.

17


Os últimos vinte anos nos mostram um Brasil neoliberal que não

compreende como dever do Estado gerenciar a cultura, ou mesmo

promover alternativas culturais para a população, delegando as Leis de

Fomento a função de direcionar recursos públicos por meio de

empresas para a classe cultural, tornando o mecenato como parte das

estratégias de marketing das empresas. Como conseqüência há um

deslocamento do valor da cultura, que desta forma, passa a estar no

produto, o que importa é qual o resultado este ou aquele produto

cultural pode alcançar para a imagem da empresa, o processo e a

pesquisa ficam sempre em segundo plano. (JANIASKI, 2008, p. 73)

Tais dificuldades relatadas acima são sentidas pelo ElosQuentes, ainda mais se

tratando de uma cidade do interior de Minas Gerais. Apesar de estar inserido em um

contexto universitário, o grupo enfrenta problemas estruturais e financeiros, como

retratado no documentário. Exemplos disso são a falta de espaço para ensaios e

apresentações, além do escasso apoio monetário para a realização dos espetáculos.

Viçosa não possui teatro. Dentro da Universidade Federal de Viçosa, o Espaço

Acadêmico Cultural Fernando Sabino funciona como espaço cênico, apesar de ser um

auditório. A diferença é notória, principalmente em relação à acústica do local e a

iluminação, que sofre interferência externa, o que pode comprometer a qualidade dos

espetáculos ali representados.

A falta de apoio financeiro advém da dificuldade em conseguir patrocinadores

que investem na produção teatral da cidade, dando preferência para outras atividades

culturais ou de entretenimento. Apesar de todos esses obstáculos, o grupo ainda executa

produções teatrais na cidade, acreditando no potencial cultural dela.

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2 – O DOCUMENTÁRIO E A MALEABILIDADE DA LINGUAGEM

AUDIOVISUAL

O documentário utiliza da linguagem audiovisual para melhor retratar a

realidade ao qual ele se propôs exibir. Definir estritamente o que é documentário não é

tarefa fácil, sendo fruto de longas discussões para sua caracterização, como veremos

agora. Grienson (1932), um dos primeiros estudiosos do assunto, propõe uma definição

básica, atual e comumente utilizada: “documentário é o tratamento criativo da

realidade” (GRIENSON, 1932, p. 146). Ele afirma, ainda, que o cineasta é quem deve

desenvolver esse tratamento. Tal definição exprime bem o papel de um documentário,

que é retratar algo real. No entanto, para fornecer o “tratamento criativo” é preciso,

além dos equipamentos necessários (como câmeras, luzes e microfones, por exemplo),

inserir a visão crítica do autor sobre o assunto na obra, contemplando todas as possíveis

vertentes do tema em questão.

A técnica documental é antiga, passa pela fotografia dos irmãos Lumiére,

quando registraram movimentos a partir de fotos sequenciais. Anteriormente, as

imagens eram fixas e, na invenção do cinema, a imagem ganhou movimento com a

transmissão de fotos exibidas na sequência do acontecimento, aproximando a arte da

realidade. Tal fato foi de suma importância para o cinema e a característica principal do

documentário de retratar algo que esteja ocorrendo à frente das lentes.

A definição do que é um documentário perpassa também pelas técnicas

utilizadas, linguagens e o objetivo dele. Dentre as muitas afirmações acerca do

significado do documentário, a que mais se aproxima do presente trabalho é dada por

Luiz Carlos Lucena:

O documentário é a edição (ou não) de um conteúdo audiovisual

captado por dispositivos variados e distintos (câmera, filmadora,

celular), que reflete a perspectiva pessoal do realizador, envolvendo

informações colhidas no mundo histórico, ambientações quase sempre

realistas e personagens na maioria das vezes autodeterminantes (que

falam de si ou desse mundo), roteiro final definido e não

necessariamente com fins comerciais, com o objetivo de atrair nossa

atenção (LUCENA, 2012, p. 16)

19


Tal definição se aproxima do presente trabalho pois ele mostra a perspectiva do

autor, com envolvimento pessoal, ambientação natural à realidade, ou seja, as filmagens

ocorreram onde realmente acontecem os ensaios, reuniões e apresentações, além de ser

um projeto experimental de trabalho de conclusão de curso, sem fins comerciais, apenas

acadêmicos.

Com base na definição acima, o documentário pode ser classificado como uma

forma de se retratar a realidade, representando o mundo ao qual se escolheu descrever e

mostrar. Além disso, uma característica importante do gênero é a visão pessoal do autor

sobre aquilo que ele escolheu retratar. Anterior a Lucena, Nichols (2005), já defendia

essa maior relação do produtor inserido no contexto, pois acreditava que

os documentários podem representar o mundo da mesma forma que

um advogado representa os interesses de um cliente (...) Nesse

sentido, os documentários não defendem simplesmente os outros,

representando-os de maneiras que eles próprios não poderiam; os

documentários intervêm mais ativamente, afirmam qual é a natureza

de um assunto, para conquistar consentimento ou influenciar opiniões.

(NICHOLS, 2005, p. 30)

Um dos objetivos da realização deste documentário é divulgar o trabalho do

grupo ElosQuentes. Isso vem ao encontro com o que acredita Santaella (2003), pois “na

produção cultural, os meios de comunicação também desempenham a função de meios

de difusão, já que produzem e divulgam tal produto”.

No que se refere à inserção do documentarista no documentário, no caso do

presente documentário ela é justificável. Além da óbvia relação entre autor e produto,

na classificação de documentários feita por Nichols, há a vertente de “documentário

interativo”, no qual o autor se insere no contexto do documentário, mostrando, assim,

tudo aquilo que ele consegue ver, passando isso para o espectador, que “toma os olhos”

do documentarista para si. O modo interativo foi inspirado no cinema-verdade,

defendendo “a intervenção antes, durante e depois da filmagem como elemento ativo no

processo de produção do filme” (LINS, 2007, p. 231)

Para dar esse caráter testemunhal ao produto, aproximando-se cada vez mais da

realidade, um recurso técnico importante é a utilização da voz over, que é a voz do

produtor do documentário sobre a imagem, fazendo o papel do off no telejornalismo.

Defendida por Nichols (2005, p. 40) como “narrador com voz de Deus”, ela dá maior

20


credibilidade ao filme, contando as características e detalhes que podem passar

despercebidas ao olhar do espectador.

Essa voz anônima e substitua surgiu na década de 1930, como forma

conveniente de descrever uma situação ou problema, apresentar um

argumento, propor uma solução e, às vezes, evocar um tom ou estado

de ânimo poético (...) A voz de Deus e a correspondente voz da

autoridade – alguém que vemos e ouvimos, que fala em nome do

filme – persistem como característica dominante do documentário (e

também dos noticiários televisivos). (NICHOLS, 2005, p. 40)

Além dessa modalidade enunciativa constituinte da linguagem do documentário,

o autor ainda cita a possibilidade da aparição do próprio realizador audiovisual como

personagem do produto. Tal recurso aproxima o documentário do fazer jornalístico, no

qual o repórter aparece como produtor de sua reportagem.

Nichols (op. cit.) apresenta ainda, no que se refere ao discurso do documentário,

a existência da relação entre o cineasta, o tema e os atores sociais. A retórica é utilizada

para persuadir o espectador sobre o assunto tratado, sendo característica fundamental de

um documentário. Dentre as alternativas apresentadas pelo autor, a configuração

enunciativa usada no presente produto é, como ele mesmo denomina, “Eu falo – ou nós

falamos – de nós para você”, pois, como apresentado anteriormente, o autor está

totalmente inserido no contexto do que está retratando. Nichols (2005, p. 45) justifica

que “o cineasta e aqueles que representam seu tema pertencem ao mesmo grupo. No

cinema antropológico, a mudança para essa formulação recebe o nome de „autoetnografia”.

A auto-etnografia remete ao cinema-verdade, citado acima. Este pode ser

considerado um estilo de documentário, visto que se caracteriza pela objetividade e

interação. Por se tratar de uma realidade ao qual o cineasta está inserido, estabelece-se

um grau de intimidade com o produto e, consequentemente, com o público, buscando

instaurar diferentes efeitos de ordem emocional.

2.1 – A ficção e o documentário

21


A definição de documentário, pertencente à Lucena e apresentada no início deste

capítulo, remete à discussão de outro ponto importante na delimitação do que é o

documentário: a diferença entre a ficção e o documental. Lucena (2012) simplifica a

diferença entre esses dois tipos de documentários com base no objetivo final de cada um

deles. A ficção visa ao entretenimento do espectador, através das sensações causadas

pelos atores que o encenam. Já o documentário tem a função primordial de informar,

retratar a realidade à qual foi atraída, mesmo que faça uso de elementos ficcionais.

Além da diferença entre o fato e a encenação, existem outros pontos distintos

entre a ficção e o documentário que ajudam na compreensão e definição deste gênero e

na diferenciação dos seus formatos. Leon Hirszman (1999) diferencia os formatos pela

criação do produto, através da sensibilidade. A ficção é resultado da imaginação, sendo,

portanto, um olhar para dentro; já o documentário procura registrar o que é observado,

baseada, então, no olhar para fora. Embora haja essa separação, também existe a

possibilidade de esses conceitos convergirem. A partir dessa diferenciação, também

surgem outras formas de distinção, como a tão discutida subjetividade e objetividade.

Mas como as linguagens estão convergindo, também ocorre nessa classificação, já que o

simples ato de reproduzir a realidade já é um comportamento subjetivo e de construção

do real. Mesmo acreditando que o documentário seja mais objetivo, não

desconsideramos a presença de marcas de subjetividade nesse gênero, assim como

acontece com o atual produto. Em nosso caso, a perspectiva do idealizador do

documentário está imbricada com a perspectiva do ator e do componente do grupo de

teatro. É inegável, pois, a presença de marcas de subjetividade no produto produzido.

Mesmo com a convergência, Escorel expõe o pensamento de Leon Hirszman,

que acredite que

Embora a ficção e o documentário tivessem demonstrado que havia

uma área comum em que a subjetividade, própria da ficção, coexistia

com a objetividade, própria do documentário, Leon (Hirszman) não

deixaria de distinguir o que é singular e específico a cada um dos dois

gêneros. Saberia que um se realiza no campo da subjetividade,

enquanto o outro traz, de origem, um ideal de objetividade; que a

ficção é norteada por uma opção estética, o documentário por um

imperativo ético. Ele teria aprendido com Jung que “pintar aquilo que

vemos diante de nós é uma arte diferente de pintar o que vemos dentro

de nós”. (ESCOREL, 2005, p. 268)

22


É preciso dizer que, nas primeiras produções audiovisuais, era mais notável a

diferença entre o documentário e a obra ficcional, não havia tanta interferência de um

sobre o outro. A ficção era declarada, seja por movimentos da câmera ou a simples

atuação e enredo da história. Mas foi na década de 1920 que houve certa convergência

de estilos. Ao realizar o documentário Nanook do Norte, o cineasta Robert Flaherty

utilizou as duas linguagens. Através do que observou sobre esquimós em uma viagem,

produziu um filme de ficção que retratava essa realidade observada. O filme foi

inovador, já que misturava esses dois estilos que eram tão distintos. A convergência deu

tão certo que serviu com molde para futuros documentários e o cinema realista. Além

disso, muitos espectadores não sabiam que aquela obra era de ficção, tomando tudo que

ali foi representado como sendo o real, observado pelo autor.

Segundo Silvio Da-Rin (2006, p. 46), o filme inovava “ao colocar os fatos que

testemunhou em uma perspectiva dramática”, ou seja, dava uma sequência

cinematográfica à realidade que buscava retratar. Com isso, criavam-se momentos de

suspense e tensão, com o objetivo de prender a atenção do espectador, baseados em

alguns fatos observados por Flaherty. Além disso, o filme retratava a vida da

comunidade, sem a presença do cineasta, comumente presente em documentários,

resultando em abordagem descritiva, muitas vezes sem o encadeamento de idéias.

A contribuição original de Flaherty é no sentido de criar um método

de pesquisa, filmagem e montagem que inaugura uma „narrativa

documentária‟; e o fato de que este método não seria possível sem a

„sintaxe narrativa‟ do modo de representação que recentemente se

instituíra. (...) Neste sentido, tornou-se o protótipo de um novo gênero

e pode ser considerado o fechamento definitivo do período Lumière.

(DA-RIN, 2006, p. 53)

Tendo em vista os exemplos e explicações acima, os autores concordam em um

aspecto fundamental na representação do real, que é o objetivo e a função do

documentário: nada é perfeitamente natural em frente às câmeras. A partir do momento

que começa o registro daquela realidade, de certa forma, ela se molda ao que o cineasta

deseja ou ao que pode ser melhor aceito pelos espectadores. Com isso, muitos críticos

acreditam que todo documentário tem um pouco de ficção (salvas raras exceções de

flagrantes de emoções repentinas), visto que segue um roteiro pré-determinado pelo

diretor e a não espontaneidade das fontes quando estão sendo filmadas.

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Por mais que não exista a espontaneidade completa no documentário, o filme de

ficção explora mais a interpretação do ator que representa o papel em frente às câmeras.

O cenário das gravações de ficção, na maioria dos casos, não é o lugar onde os fatos

ocorreram, sendo uma representação da realidade. É claro que muitas produções passam

a idéia do real, mas é exatamente essa a função do ator: convencer o público de que

aquilo que está encenando é a verdade propriamente dita. Já no documentário, a locação

é exatamente o cenário real onde o fato ocorre.

A naturalidade completa de frente a uma câmera é, de fato, difícil. Mas a forma

como a entrevista é conduzida é determinante para que o entrevistado se sinta à vontade

e converse naturalmente com o entrevistador. Quando existe o vínculo entre os dois,

essa veracidade é facilitada, o que gera um produto mais fidedigno e realista. Em

relação ao roteiro, no documentário, ele funciona como uma espécie de pauta

jornalística, onde o cineasta encontra algumas perguntas a serem feitas e possíveis

angulações do assunto central, não se limitando a apenas isso. Ademais, o documentário

vai expressar o ponto de vista do autor, a direção que ele pretende dar ao tema e, para

tanto, faz-se necessário a realização de um pré-roteiro adaptável às possíveis

descobertas e desdobramentos no decorrer das entrevistas.

2.2 – O Roteiro

Tanto na ficção quanto no documentário, o roteiro é necessário para dar um

direcionamento ao produtor sobre o objetivo final do produto. Ele é uma simulação de

como o filme vai ser visualmente, contendo informações de cenário, personagens e

falas.

Mesmo presente nos dois formatos, o roteiro é outro ponto importante na

diferenciação entre a ficção e o documentário. Isso porque naquela, o roteiro é muito

definido, e seguido com mais precisão, já que objetiva contar uma história coesa com a

atuação dos atores e diálogos e cenas previamente pensadas. Já nesse formato, existe a

elaboração do pré-roteiro, mas ele pode sofrer interferências, como a mudança repentina

do cenário ou, principalmente, informações novas que podem mudar o rumo da

24


discussão. Além disso, na ficção são utilizadas mais sequências dramáticas e truques

narrativos a fim de causar sensações no espectador.

No documentário, o roteiro pode ser um argumento amplo, porque, ao

contrário dos filmes de ficção, em que o roteiro é a origem e a matriz

do filme, nele tudo pode mudar conforme o desenvolvimento do tema

e das filmagens. De qualquer maneira, o roteiro deve ser produzido

com a preocupação de manter o público interessado ao longo do filme,

precisando, por isso, ser bem estruturado e contar com um início, meio

e fim. (LUCENA, 2012, p. 39-40)

O roteiro deve conter informações indicativas, principalmente, à edição do

documentário, com a descrição fiel de como foi feito, com os cortes, imagens e

decupagens das sonoras. Ele é estruturado em uma lauda dividida em duas partes

verticais. À esquerda, ficam as informações técnicas como arte, vinheta e trilha sonora.

As sonoras, off’s e passagens decupados ficam à direita, indicando os cortes e frames.

Além da fundamental importância de se tentar manter a coesão do documentário,

o roteiro também tem o papel de guiar a edição do produto, com informações que

facilitem o trabalho do editor, como características dos entrevistados e locais das

entrevistas. Deve-se tomar cuidado, também, com a narração utilizada em off, pois ela

não pode simplesmente descrever a cena, que já está exposta aos olhos do espectador,

mas sim complementar aquela informação passada pela imagem.

Sendo assim, a elaboração de um pré-roteiro é fundamental para nortear a

produção e a execução do documentário, além de ser a base para o roteiro final,

encontrado nos anexos do trabalho, utilizado na edição. No entanto, o realizador do

produto não deve se ater a ele, já que retrata algo real, passível de mudanças repentinas

e suscetíveis ao acaso.

25


3 – RELATÓRIO TÉCNICO

Esse capítulo é um relato de como o documentário ElosQuentes por trás das

cortinas foi produzido. A metodologia do trabalho foi dividida e será apresentada em

três partes: pré-produção, produção e pós-produção.

3.1 – Pré-produção

Desde há alguns períodos, eu já planejava realizar projeto experimental como

trabalho de conclusão de curso (TCC), mesmo sem ter ainda tema e formato definidos.

Já era de meu conhecimento a necessidade de tempo e dedicação que os TCC‟s

demandam e, por isso, escolhi um tema pelo qual não me esgotaria, que eu estivesse

plenamente envolvido e que seria certo alívio estudar e trabalhar com ele. Ciente disso,

optei por um objeto no qual estou inserido e envolvido: o meu grupo de teatro, o

ElosQuentes. Escolhido o tema, faltava definir o gênero e o formato. A decisão veio

quase como exigência: falar sobre teatro sem usar a imagem é praticamente impossível

e, assim, eu optei pelo documentário.

Como não temos, na grade curricular obrigatória do curso, a disciplina de

documentário, procurei textos sobre o formato, para me dar embasamento teórico para a

realização do trabalho. Essa pesquisa bibliográfica, indicada pela minha orientadora, foi

fundamental para a confirmação do tema e do formato escolhidos, dando início à

pesquisa teórica e os primeiros contatos para começar a parte prática. Os encontros com

a orientadora e a procura por outros textos foram fundamentais para afunilar o que seria

escrito e tratado no referido trabalho.

A fim de promover uma maior interação entre o tema e o formato, optei por

fazer uma mescla da linguagem dos dois no produto. Essa mistura está presente na

divisão do documentário, em atos e cenas. Por convenção, muitas peças teatrais são

divididas em três atos. Cada ato possui cenas, com número indeterminado e cada cena é

dividida em ações. A idealização do produto dessa forma facilitou na captação de

imagens e na elaboração do pré-roteiro, já que os atos estavam divididos por tema

26


abordado. Assim, a elaboração do pré-roteiro se deu anterior à captação das imagens e

das entrevistas, delimitando quem seriam os entrevistados e de que forma cada um

contribuiria para o enriquecimento do trabalho.

Como o objetivo do trabalho é retratar as dificuldades e bastidores do teatro a

partir do ElosQuentes, as primeiras fontes pensadas foram, logicamente, os integrantes

do grupo e, além deles, personagens importantes na história teatral de Viçosa e da UFV.

Com isso, pensou-se em duas pessoas ativas no teatro local até hoje: Jeane Doucas,

diretora teatral da cidade, que oferece oficinas regularmente, além de oferecer a própria

casa para manifestações artísticas e eventos culturais; e Luciano Cintra, jornalista e ator,

que trabalha na Divisão de Assuntos Culturais da Universidade, sendo o diretor de

teatro da UFV, responsável pelas apresentações teatrais realizadas no campus. As

perguntas para ambos seriam as mesmas: “como é fazer teatro em Viçosa?”. A partir

dela, poderia prolongar o assunto para que eles dissessem as principais dificuldades da

profissão aqui na cidade, principalmente em relação a espaços concedidos para ensaios

e apresentações.

A intenção inicial era entrevistar todos os integrantes do grupo, mas tendo em

vista o tempo limitado, achou-se melhor usar depoimentos apenas de alguns deles. A

divisão das perguntas se deu de forma natural, de acordo com o tema e o entrevistado

mais adequado para respondê-lo. Ao final de todas as entrevistas, eles responderiam as

mesmas perguntas “o que é teatro para você?” e “o que é o ElosQuentes para você?”,

para finalizar o documentário com conotação sentimental sobre a arte e o grupo, marca

registrada dos praticantes de teatro, especificamente dos integrantes do ElosQuentes.

3.2 – Produção

Com o documentário esquematizado na cabeça e no pré-roteiro, começamos a

fase de produção. Com isso, gravei cenas variadas que envolvessem o cotidiano do

grupo e que apresentassem as dificuldades encontradas por ele (como a falta de espaço

próprio para ensaios, por exemplo). Nessa etapa, foram feitas as filmagens dos ensaios,

aquecimentos, montagem do cenário e, principalmente, o nervosismo pré-peça, as

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filmagens começaram na primeira semana de novembro de 2012, já que a peça O Santo

e a Porca foi apresentada no dia 10/11/2012.

Concomitante aos ensaios da peça, o grupo ensaiou a cena “Fica, vai ter bolo!”,

apresentada no dia 01/11 na Casa da Mãe Jeane, localizada no bairro Violeira. As

imagens do ensaio da cena e da apresentação foram usadas no documentário, quando se

fala os trabalhos realizados pelo grupo. Como eu sou ator da cena, pedi a uma integrante

da produção do ElosQuentes, Bárbara Pacheco, para executar a filmagem dos ensaios e

da apresentação da cena, bem como os bastidores da mesma. Essa etapa não foi tão

intensa de filmagens, já que elas seriam usadas em poucos momentos no produto final.

Passada a apresentação da cena, as atenções do grupo ficaram voltadas

exclusivamente à peça de Ariano Suassuna. Os ensaios e reuniões para a montagem de

O Santo e a Porca foram realizados no Museu Histórico da UFV, localizado na casa 53

da Vila Giannetti, sempre na parte da noite (a partir das 22:00h), já que é o único

horário em comum do grupo. Como a peça já tinha sido apresentada em Maio, não foi

possível coletar imagens da leitura inicial do texto e a maior elaboração e construção

dos personagens. Mas, mesmo assim, muitos atores não lembravam mais todas as falas

e marcações, sendo possível filmar correções do diretor e momentos de distração e

esquecimento dos atores.

A semana de filmagens foi intensa, com prioridade no registro de ensaios e

reuniões, não os depoimentos e entrevistas. Com encontros diários, foi preciso comprar

mais uma fita para a coleta das imagens necessárias, para captar melhores momentos de

ensaios e reuniões com os músicos e a produção. No primeiro dia de filmagem, os

atores ficaram um pouco tímidos com a câmera, mas logo se acostumaram e esqueceram

que eu estava documentando tudo. Isso foi de fundamental importância para pegar todos

os momentos espontâneos e usuais do grupo, como brincadeiras com o texto e com os

próprios integrantes, demonstrando o forte laço sentimental existente no grupo. Nesse

dia, como era o primeiro encontro para tratar exclusivamente da peça, não teve ensaio.

A reunião tratou de assuntos estruturais, como o cenário, e serviu também para montar

um pequeno cronograma da semana, conferindo horários em comum para marcar

ensaios e possíveis reuniões extras.

Participei de todos os encontros tanto como integrante, quanto como produtor do

documentário. Como o meu papel na peça é, de certa forma, independente (com falas

que antecedem os atos e só há integração com o público, e não com os atores), não

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precisei de ajuda de terceiros para a realização das filmagens, já que não participava

ativamente dos ensaios. Sendo assim, filmei todos os ensaios e reuniões que

aconteceram na semana, com o intuito de registrar momentos de correções e falhas, a

fim de mostrar como são os ensaios e como tudo é preparado lentamente para levar a

peça aos palcos.

O dia da apresentação, 10/11, foi o mais trabalhoso. Como eu também sou

integrante do grupo e, consequentemente, participo da peça, filmar só com uma câmera

tudo que eu desejava não era possível. Convidei o também formando em Comunicação,

Diego Abreu, para me auxiliar nessa tarefa desde a manhã do dia 10, quando fomos para

o Espaço Acadêmico Fernando Sabino fazer a montagem do cenário, reconhecimento

de palco e teste de iluminação. Diego ficou responsável por ajudar a filmar os

bastidores, como o aquecimento vocal e corporal, assim como a vestimenta do figurino

e finalização da montagem do cenário, além de captar imagens da peça sob o olhar do

ator que está na coxia. Era preciso, também, filmar a peça toda, não só para o

documentário, mas também para arquivamento do grupo. Para isso, convidei a estudante

Camila Calixto, em nome da Empresa Junior de Comunicação Social da UFV,

Intermídia, que fez a filmagem completa da peça, com fitas próprias e equipamentos do

curso (tripé e câmera).

Passada essa etapa, me dediquei mais às capturas das fitas, realizadas no

laboratório do curso e na TV Viçosa. Restavam, então, as entrevistas com os integrantes

do grupo e as outras fontes.

As entrevistas com alguns integrantes do grupo foram realizadas na última

semana de janeiro deste ano. Quatro pessoas foram escolhidas, de acordo com o tema

abordado no documentário: Nubya Guimarães, atriz que recebeu o convite para o

primeiro trabalho do grupo, para contar a história dele; Andreia Martins, para falar

sobre as dificuldades enfrentadas pelo grupo, como a falta de espaço para ensaios e

apresentações, além de contar como foram feitos alguns trabalhos apresentados ao ar

livre; Marcelo Augusto, que comentou se vale à pena fazer teatro, apesar de todas as

dificuldades; Matheus Felipe Braga, responsável pelo cenário da peça, explicou como é

o processo de montagem dele, principalmente da barraca feita de bambu, que é a etapa

mais demorada; e como integrante do grupo, eu falei sobre a cena de minha autoria,

Fica, vai ter bolo!, além de contar o porquê de fazer teatro e o significado do grupo pra

mim. Esses dois últimos comentários foram feitos por todos, exceto Matheus, com o

29


intuito de dar um fim mais sentimental ao documentário, mostrando o real motivo que

move o grupo, superando as dificuldades e impulsionando a continuidade do trabalho. A

captura dessa fita foi feita na semana seguinte, na TV Viçosa.

A segunda etapa de entrevistas, com Jeane Doucas e Luciano Cintra, sobre as

dificuldades de fazer teatro em Viçosa, foi realizada no dia 14/02/2013. A entrevista

estava marcada para às 14:30h, chegamos lá no horário e fomos para o segundo andar

da casa, onde tem um piano e funciona como uma espécie de palco para apresentações

artísticas convidadas (como a cena que apresentamos em novembro de 2012). As

perguntas para ela giravam em torno do fazer teatral aqui na cidade, carente de recursos,

apoios e, principalmente, espaços. Como diretora profissional de teatro, ela tem uma

visão muito crítica e bem fundamentada sobre a questão local. Reconhece as

dificuldades que o grupo passa e sente falta, principalmente, de profissionais

capacitados e espaços para as atrações culturais. Ela comentou, ainda, que o teatro é a

arte menos valorizada na cidade, que prioriza a música, além da falta de união entre

todos os artistas para mudar o panorama atual. Ela foi escolhida para ser entrevistada

por promover oficinas, cursos e ter uma vivência teatral maior, com produções

cinematográficas e espetáculos realizados internacionalmente, além de ter iniciado a

relação com a arte também na UFV, no final da década de 1980, quando ainda era

estudante de Engenharia Florestal. A entrevista durou cerca de 30 minutos, de forma

descontraída, leve e natural.

No mesmo dia, realizei a entrevista com Luciano Cintra, diretor teatral da

Universidade, na Divisão de Assuntos Culturais (DAC), casa 3 da Vila Giannetti, para.

A entrevista teve o mesmo tema da anterior, mas voltada, principalmente, para o espaço

universitário. Luciano, que está prestes a aposentar do cargo, criticou bastante a

administração da Universidade, por não destinar espaços para manifestações artísticas,

principalmente teatrais, além do descaso com projetos de festivais feitos por ele durante

o tempo em que esteve à frente do teatro da DAC. A falta de espaços dentro da UFV

para o teatro é evidente: todas as apresentações acontecem no Espaço Acadêmico

Cultural Fernando Sabino, que, na verdade, é um auditório, e não um teatro. Além

disso, não há espaço para ensaios e realização das oficinas de teatro, sendo esses

realizados no galpão da DAC ou no Museu Histórico, espaços também não apropriados

para o exercício da arte. A entrevista com ele foi um pouco mais breve, com cerca de 20

minutos, pois as perguntas e respostas foram mais diretas e incisivas.

30


Saindo da DAC, fomos à Divisão de Eventos para pedir o Espaço Fernando

Sabino para que eu gravasse a passagem que dá início ao documentário. Prontamente

conseguimos autorização e fomos ao local, onde tínhamos um tempo limite para a

gravação. Posicionei a câmera no tripé e pedi ajuda para que o meu enquadramento

desse certo. Como só éramos duas pessoas, minha ajudante, Luciana Lelis, ficou

responsável por colocar a câmera para gravar e abrir as cortinas, o que demandou mais

tempo que imaginávamos. Ajustes feitos, gravei a passagem e voltamos ao laboratório

do curso para a devolução do equipamento. A captura da fita de entrevistas foi feita logo

na semana seguinte, também no laboratório.

Com todo o material audiovisual pronto, dediquei-me à elaboração do memorial,

com textos anteriormente lidos, além de outros novos indicados pela orientadora.

Seguimos o cronograma e a entrega do capítulo 2 foi feita no dia 22/02 para a correção

da orientadora. Para escrever o capítulo 1, sobre o teatro, contei com a indicação de

textos por parte de um estudante de Artes Cênicas da Universidade Federal de São João

Del Rei, Kaike Brato, que me passou alguns artigos, sites e livros que me deram

embasamento teórico sobre formação de grupos teatrais, além de outras técnicas e

teorias que me aproximaram ainda mais do tema estudado. A entrega desse material se

deu no dia 08/03, para a correção da orientadora.

Concomitante a essa produção textual, realizei algumas etapas da edição, como

relatarei agora.

3.3 – Pós-produção

Inicialmente, assisti todas as imagens capturadas e pré-selecionei aquelas que

seriam usadas no documentário, anotando o tempo em que elas aparecem e as deixas

das sonoras. Isso foi feito enquanto escrevia a parte teórica do trabalho.

Na primeira semana de março, usei o laboratório do curso para fazer a edição

seca do material, com o corte das sonoras e seleção de algumas imagens. Depois do dia

13/03, realizei a edição mais elaborada, baseada no pré-roteiro mais completo, com

indicação de imagens para cobrir off’s e sonoras. Somente depois do documentário

editado, elaborei o roteiro final, disponível nos anexos.

31


O programa utilizado para a edição foi o Edius 6.0. Os efeitos de transição e

fontes de letras utilizadas na denominação dos atos e cenas foram encontrados no

próprio programa. A trilha sonora escolhida para a vinheta foi a música Kids, da banda

M.G.M.T., também presente durante o documentário, quando o grupo está aquecendo

para a peça. Ela foi escolhida por identificação com o tema e o grupo, já que ela é

sempre utilizada antes dos espetáculos e é selecionada por unanimidade no grupo para

isso. Os sinais das campainhas do teatro, indicando que a peça vai começar, foram

utilizados nas passagens de cenas e atos, proporcionando maior interlocução do formato

com o tema.

Para me auxiliar na edição, convidei o estudante Giuliano Sales, que me deu

algumas dicas e, gentilmente, ajudou a fazer a vinheta e a inserir alguns efeitos no

documentário. Essa edição final foi feita durante todo o dia 18/03, data final de

apresentação do documentário editado para a orientadora.Com algumas observações da

orientadora, a reedição foi feita no dia 20/03.

A capa do DVD foi feita no programa Corel Draw, e também contou com a

ajuda de Giuliano Sales. A foto da capa é um frame do início do documentário, das

cortinas fechadas, contendo o nome do trabalho e do autor do mesmo. Na contracapa

apresentamos a sinopse do produto, com a foto de agradecimento após uma

apresentação ao fundo, retratada pela fotógrafa Roberta Monteiro. O material usado

para as filmagens, bem como orçamento, cronograma, ficha técnica e roteiro encontramse

anexados.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Produzir um documentário foi uma tarefa árdua e inédita para mim. Antes de

começar a executá-lo, foi preciso estudar com mais afinco as particularidades do gênero

e dos formatos audiovisual, com suas especificidades e diferenças em relação ao que

estamos acostumados em relação ao jornalismo diário. Vale destacar que a bibliografia

utilizada foi de suma importância para a compreensão do formato e do tema abordado, o

teatro, para que suas principais características fossem abordadas.

O grande interesse pelo tema e o fato de eu ser participante do grupo facilitaram

a produção do documentário. Com a proximidade do tema e do objeto de estudo, o

processo de gravação das imagens se deu tranquilamente, com muita naturalidade, o que

contribuiu para o caráter documental e verdadeiro do produto.

Certamente, enfrentar as dificuldades de produzir um documentário sozinho fez

com que eu crescesse profissionalmente. Participar de ensaios e reuniões de forma

diferente, pensando em como tal ocasião ficaria no vídeo, elaborar pré-roteiros que se

moldam à realidade mutável, vencer falhas técnicas e saber contornar a situação são

características que todo jornalista devia ter e viver, já que contribui para o ritmo do

jornalismo e para a vivência do próprio jornalista.

Em síntese, posso dizer que minhas expectativas foram atendidas. O

documentário trata de todos os assuntos pensados anteriormente às filmagens, com

leveza, informação e sentimento, assim como os atores e pessoas envolvidas com teatro,

em sua maioria, são. Espero ter conseguido despertar o maior interesse pela arte e,

principalmente, maior visibilidade e valorização, já que ser ator é uma profissão e

merece ser respeitada e tratada como todas as outras mais clássicas e historicamente

mais valorizadas. Além disso, espero também que o próprio grupo ElosQuentes sinta-se

agraciado com o documentário, que se identifiquem, emocionem e aprovem.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALSCHITZ, Jurij. Teatro sem diretor. Edições CPMT, 2012.

BENTES, Ivana (ORG.). Ecos do cinema: de Lumière ao digital. Editora UFRJ, 2007

CARREIRA, André Luiz Antunes Netto. O ator periférico: a busca pela identidade.

(Dissertação de Mestrado): Florianópolis, SC. PPGT/UDESC, 1998.

DA-RIN, Sílvio. Espelho partido: tradição e transformação do documentário. 3. Ed.

Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2006.

FERNANDES, Sílvia. A criação coletiva do teatro. In: Urdimento: Revista de estudos

em artes cênicas número 2/1998. p. 13 – 21

HELIODORA, Bárbara. O teatro explicado aos meus filhos. Rio de Janeiro: Agir,

2008

JANIASKI, Flávia. Produção e gestão no teatro de grupo como projeto de

construção de autonomia. (Dissertação de Mestrado). Florianópolis,SC 2008

PPGT/UDESC.

JANIASKI, Flávia. O produtor e o produto no teatro de grupo. In: Urdimento: Revista

de estudos em artes cênicas vol. 1 n° 11. Florianópolis: UDESC, 2008. p. 67 – 77

LUCENA, Luiz Carlos. Como fazer documentários: conceito, linguagem e prática

de produção. São Paulo: Summus, 2012.

MIGLIORIN, Cezar (ORG.). Ensaios no real. Rio de Janeiro, 2010

MOURÃO, Maria Dora; LABAKI, Amir (ORG.). O cinema do real. São Paulo, 2005

NICHOLS, BILL. Introdução ao documentário. Campinas, 2005

http://www.lumeteatro.com.br/ (acessado em 07/03, às 22h17)

34


ANEXOS

Captura, edição e finalização (softwares)

Adobe Premiere CS3

Adobe After Effects CS3

Edius 6.0

Material:

Câmera de Vídeo Sony HVR-ZT HDV

Tripé Panasonic para câmera de vídeo

Microfone de lapela

Baterias de lítio

HD externo Samsung 500 gb

Orçamento

Descrição

Valor

5 fitas MiniDV R$ 50,00

Papelaria R$ 35,00

DVDs e capas R$ 8,00

TOTAL R$ 93,00

Cronograma

Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março

Pesquisa x x x x

Bibliográfica

Projeto x x x

Préprodução

x x

Produção x x x x

Pósprodução

x x

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Revisão x x

Ficha técnica

Imagens:

Marco Túlio Câmara

Apoio:

Bárbara Pacheco

Camila Calixto

Diego Abreu

Giuliano Sales

Edição:

Giuliano Sales

Marco Túlio Câmara

Produção/ Direção/ Roteiro

Marco Túlio Câmara

Orientação

Mariana Procópio

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ROTEIRO

CORTINAS FECHADAS, SOM DA

CAMPAINHA DE TEATRO

ARTE: “ELOSQUENTES POR TRÁS DAS

CORTINAS”

PASSAGEM

AS CORTINAS SE ABREM E COMEÇA A

MAGIA DO TEATRO! NESSE

DOCUMENTÁRIO, VOCÊ VAI CONHECER O

GRUPO ELOSQUENTES. A HISTÓRIA, AS

DIFICULDADES E OS BASTIDORES DESSE

GRUPO QUE NASCEU EM DEZEMBRO DE

2011.

VINHETA: IMAGENS ACELERADAS DOS

BASTIDORES COM A MÚSICA “KIDS”, DA

BANDA M.G.M.T

CORTA PARA IMAGEM DAS CORTINAS

FECHADAS, SOM DA PRIMEIRA

CAMPAINHA E ARTE ESCRITO “1º ATO

CENA 1: HISTÓRIA”

OFF COM IMAGENS DE ENSAIOS,

BASTIDORES E DO PRIMEIRO TRABALHO

OITO AMIGOS E UM AMOR EM COMUM:

O TEATRO. ASSIM SURGIU O

ELOSQUENTES. IDEIA PRONTA, SÓ

FALTAVA UMA OPORTUNIDADE DE

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APRESENTAÇÃO. FOI AÍ QUE SURGIU UM

CONVITE INESPERADO E DIFERENTE:

FAZER UMA INTERVENÇÃO ARTÍSTICA EM

UMA FESTA DE CASAMENTO.

SONORA NÚBYA GUIMARÃES, ATRIZ

IMAGEM DA CENA APRESENTADA NA

FESTA DE CASAMENTO

ACREDITO QUE A PROPOSTA DO

PRIMEIRO TRABALHO DA GENTE, O

CASAMENTO, TENHA SIDO UM

EMPURRÃOZINHO PRO GRUPO MESMO

PORQUE, ASSIM, EU RECEBI ESSE

CONVITE, QUE NA VERDADE NÃO FOI

BEM UM CONVITE, FOI UMA PROPOSTA.

EU TAVA NO ANIVERSÁRIO DE UM PRIMO

MEU NÉ E TINHA UM CASAL DE AMIGO

MEU LÁ NESSA FESTA E NESSA FESTA

TAVA TENDO UMA ATRAÇÃO, ASSIM, UM

MÁGICO. DAÍ ELE VEIO CONVERSAR

COMIGO E FALOU ASSIM QUE SABIA QUE

EU TINHA UM GRUPO DE TEATRO NÉ E

PERGUNTOU COMO A GENTE

TRABALHAVA, SE A GENTE FAZIA ESSE

TIPO DE ATRAÇÃO E EU FALEI ASSIM: A

GENTE TRABALHA NÉ, COM ESSE TIPO DE

COISA SIM, EM FESTA. NA VERDADE, EU

MESMA NUNCA TINHA FEITO ESSE TIPO

DE TRABALHO, QUE ERA FAZER ALGUM

TIPO DE APRESENTAÇÃO EM FESTA OU

QUALQUER COISA, MAS PELO MEU

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GRUPO, PELAS PESSOAS QUE EU TINHA

INTENÇÃO DE TRABALHAR, EU JÁ PENSEI

ASSIM, VOU ACEITAR. ENTÃO ELE FALOU

ASSIM “AH, EU QUERIA UM GRUPO PRA

FAZER UMA COISA INOVADORA NO MEU

CASAMENTO, UMA ATRAÇÃO NOVA,

VOCÊS FAZEM ESSE TIPO DE TRABALHO?”

E EU FALEI ASSIM “FAZEMOS”, SEM

SABER A OPINIÃO DO GRUPO NÉ, DAS

PESSOAS EM QUE EU PENSAVA EM

TRABALHAR. AÍ EU FUI TENDO CONTATO

COM UNS PRIMEIRO QUE COM OUTROS,

PORQUE O PESSOAL TAVA EM FÉRIAS E

TAL, DAÍ TODO MUNDO CLARO QUE

ACEITOU.

CORTA PARA IMAGEM DAS CORTINAS

FECHADAS, TOQUE DE DUAS

CAMPAINHAS E ARTE ESCRITO “CENA 2

TRABALHOS”

SONORA NÚBYA GUIMARÃES

FOI SURGINDO... AÍ VEIO O CASAMENTO.

O CASAMENTO FOI UMA CENA CURTA

QUE A GENTE FEZ. AÍ, DEPOIS DO

CASAMENTO, COMO A GENTE TEVE A

IDEIA DE, A GENTE JÁ FOI DE UMA VEZ

COM O NOME, COM TUDO PREPARADO,

NÓS JÁ FOMOS DIVULGANDO NA

INTERNET PROS NOSSOS AMIGOS E

QUANDO A GENTE MONTOU O “FICA, VAI

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TER BOLO” QUE É UM PROJETO DE UM

INTEGRANTE DO GRUPO, AS PESSOAS JÁ

FICARAM SABENDO.

SONORA MARCO TÚLIO CÂMARA, ATOR

O BOLO É TIPO UM FILHO MEU, ASSIM. O

BOLO, A CENA “FICA, VAI TER BOLO”, EU

QUE ESCREVI E ERA UM TEXTO QUE JÁ

TAVA PRONTO HÁ MAIS DE UM ANO,

MAS É UM TEXTO QUE EU FIZ SEM

PRETENSÃO DE VIRAR UMA CENA

MESMO, DE ENCENAR MESMO, DE

ATUAR.

SOBE SOM DA CENA “FICA, VAI TER

BOLO!”

SONORA MARCO TÚLIO, AINDA COM

IMAGENS DA CENA

E FOI MUITO DIFERENTE PRA MIM, PRA

EU TRABALHAR UM... EU NUNCA TINHA

FEITO ISSO, DE ESCREVER E ATUAR. E FOI

MUITO DIFERENTE, MUITO PRAZEROSO,

PORQUE EU SENTIA QUE AO VER AS

PESSOAS EMOCIONADAS NA PLATÉIA, EU

SENTIA QUE O MEU TEXTO TOCAVA

AQUELA PESSOA, A MINHA ATUAÇÃO

TAMBÉM TAVA TOCANDO AQUELA

PESSOA. ENTÃO, ESSE PRA MIM FOI A

MELHOR FORMA DE RECONHECIMENTO

40


QUE EU TIVE.

OFF COM IMAGENS DE ENSAIOS,

APRESENTAÇÕES E FOTOS DE ALGUNS

ESPETÁCULOS

DEPOIS DO “FICA, VAI TER BOLO”, NOVOS

CONVITES PARA CENAS CURTAS FORAM

APARECENDO. O GRUPO APRESENTOU

INTERPRETAÇÃO DE POEMAS EM

ESPAÇOS PÚBLICOS NA CIDADE.

SONORA ANDREIA MARTINS, ATRIZ

MUITAS VEZES A GENTE SURPREENDE

PESSOAS QUE NÃO TERIAM ACESSO AO

TEATRO, MUITAS VEZES JÁ, ALGUMAS

SENHORAS ALI NA PRAÇA MESMO, JÁ

CHEGARAM PRA GENTE E FALARAM QUE

ELAS NUNCA TERIAM ACESSO AQUILO,

QUE AQUILO FOI MUITO IMPORTANTE,

QUE ELAS SE DIVERTIRAM. ENTÃO ESSE É

O LADO BOM DE ESTAR APRESENTANDO

NESSES ESPAÇOS.

OFF COM FOTOS DA APRESENTAÇÃO

UM DESSES POEMAS FOI O INFÂNCIA, DE

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

O INFÂNCIA, PRIMEIRO A GENTE

SONORA ANDREIA MARTINS

SELECIONOU ESSE POEMA PORQUE A

GENTE QUERIA DAR UMA IDEIA ASSIM,

QUE A GENTE FEZ UM FIGURINO DE

PALHAÇO, ENTÃO A GENTE QUERIA DAR

41


IDEIA ASSIM DE INFÂNCIA. E POR SER NA

PRAÇA, COMO A GENTE PERCEBEU QUE O

PÚBLICO GERALMENTE SÃO MAIS OS

IDOSOS QUE FICAM LÁ SENTADOS, O

INFÂNCIA TRAZ UMA SAUDADE DA

INFÂNCIA, ENTÃO A GENTE QUIS ATINGIR

ELES DESSA FORMA. ENTÃO, ASSIM, A

GENTE PEGOU O TEXTO PRONTO, QUE É

DO CARLOS DRUMMOND, E EU E

MARCELO DESENVOLVEMOS ASSIM A

PARTE DE DIREÇÃO, A GENTE MESMO

ENSAIANDO SE DESENVOLVEU, QUE É O

QUE A GENTE GERALMENTE FAZ NO

GRUPO E ATÉ NOS OUTROS POEMAS

MESMO, QUE FOI A MESMA SITUAÇÃO.

CORTA PARA IMAGEM DAS CORTINAS

FECHADAS, SOM DE DUAS CAMPAINHAS

E ARTE ESCRITO “2º ATO DIFICULDADES”

NA VERDADE, NÃO É FAZER TEATRO, NÃO

SONORA JEANE DOUCAS, ATRIZ E

DIRETORA TEATRAL

EXISTE FAZER TEATRO DA MANEIRA

COMO EU ENTENDO PELO FATO DE EU

SER UMA PROFISSIONAL DO TEATRO NÉ

NÃO TEMOS ESPAÇO PARA ENSAIAR,

42


SONORA LUCIANO CINTRA, DIRETOR DE

TEATRO DA UFV

PORQUE NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS, NÓS

FOMOS JOGADOS PRA LÁ E PRA CÁ, O

PESSOAL QUE FORMOU NO ANO

PASSADO É BEM TESTEMUNHA DISSO NÉ,

QUE FORAM TRÊS OU QUATRO LUGARES

NÉ, QUE A GENTE FICA MENDIGANDO

ESPAÇO DENTRO DA UNIVERSIDADE.

SONORA ANDREIA MARTINS

A GENTE ENCONTRA BASTANTE

DIFICULDADE NÉ, PORQUE,

PRINCIPALMENTE NESSA QUESTÃO DO

ESPAÇO, PORQUE GERALMENTE A GENTE

TA CADA HORA EM UM LUGAR, ÀS VEZES

É DIFÍCIL ADAPTAR UMA PEÇA, UMA

CENA PRAQUELE LUGAR E DEPOIS LEVAR

PRA OUTRO. SÓ QUE EU ACHO QUE,

APESAR DE TUDO, VIÇOSA AINDA

RETRIBUI DE FORMA BASTANTE

CARINHOSA COM O TRABALHO DA GENTE

SONORA JEANE DOUCAS

EXISTE UM TEATRO SÓ, QUE NÃO É BEM

UM TEATRO NA VERDADE É MAIS UM

AUDITÓRIO, SIGNIFICA O QUE? SIGNIFICA

QUE O NOSSO PODER PÚBLICO NÃO ESTÁ

NEM UM POUCO INTERESSADO EM

APOIAR OU FAZER COM QUE AS COISAS

ACONTEÇAM. ENTÃO COMEÇA POR AÍ, SE

VOCÊ CONSIDERA QUE EXISTE SÓ ESSE

ESPAÇO, QUE NÃO É BEM UM ESPAÇO

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DESTINADO A ESPETÁCULOS TEATRAIS E

NÃO EXISTE NA CIDADE NENHUM

ESPAÇO, ENTÃO VOCÊ VÊ POR AÍ O QUE,

DAS POLÍTICAS PÚBLICAS, QUE NÃO TEM

O MÍNIMO INTERESSE. ENTÃO, ASSIM, O

APOIO É DE TODOS OS NÍVEIS NÉ, DESDE

UMA CESSÃO DE UM ESPAÇO PRA VOCÊ

ENSAIAR, QUE VOCÊ NÃO CONSEGUE.. A

UNIVERSIDADE TA CHEIA DE ESPAÇOS E

MESMO ASSIM TEM UMA BUROCRACIA,

UMA SÉRIE DE ENTRAVES, UMA SÉRIE DE

NÃO QUERERES NÉ, FALTA DE VONTADES

E MÁ VONTADES E POR AÍ VAI..

DIFICULDADE TODOS OS GRUPOS

SONORA ANDREIA MARTINS

ENFRENTAM, DE DANÇA, OS MAIORES

GRUPOS DE TEATRO JÁ ENFRENTARAM

DIFICULDADES. E AÍ O QUE EU ACHO QUE

MOVE, QUE MOTIVA MESMO A SUPERAR

UM ESPAÇO QUE A GENTE NÃO TEM, É

ALGUÉM FALAR “NÃO GENTE, VOCÊS

TEM QUE CONSEGUIR, QUE É MUITO

BACANA E AÍ A GENTE FAZ NA SALA DA

GENTE, A GENTE DÁ UM JEITO E FAZ”

SONORA LUCIANO CINTRA

A GARRA, NÉ, É GRANDE PORQUE A

GENTE PERCEBE QUEM FAZ TEATRO, FAZ

PORQUE TEM MUITA GARRA, PORQUE

COM ESSA FALTA DE APOIO, A

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DISPOSIÇÃO, EMBORA A FALTA DE

APOIO, A DISPOSIÇÃO É GRANDE NÉ.

CORTA PARA IMAGEM DAS CORTINAS

FECHADAS, SOM DE TRÊS CAMPAINHAS E

ARTE ESCRITO “3º ATO O SANTO E A

PORCA CENA 1 ENSAIOS”

OFF COM IMAGENS DOS ENSAIOS E

BASTIDORES DA PEÇA

A MAIOR PEÇA APRESENTADA PELO

ELOSQUENTES FOI “O SANTO E A

PORCA”, DE ARIANO SUASSUNA. PARA OS

ENSAIOS, O GRUPO SE ENCONTRAVA NO

MUSEU HISTÓRICO DA UFV. A PRIMEIRA

APRESENTAÇÃO FOI EM MAIO DE 2012,

SENDO REAPRESENTADA EM NOVEMBRO

DO MESMO ANO. A RELEITURA FEITA

PELO GRUPO CONTOU COM ALGUMAS

INOVAÇÕES: ALÉM DA TRILHA SONORA

FEITA AO VIVO, UM PERSONAGEM

INTERAGIA COM O PÚBLICO NOS

INTERVALOS DOS ATOS. A COMÉDIA

CONTA A HISTÓRIA DE EURICO ARÁBE,

DEVOTO DE SANTO ANTÔNIO QUE

GUARDA DINHEIRO EM UMA PORCA. A

PEÇA FOI SUCESSO DE PÚBLICO NAS

DUAS APRESENTAÇÕES EM VIÇOSA,

REALIZADAS NO ESPAÇO ACADÊMICO

CULTURAL FERNANDO SABINO.

45


IMAGENS DOS ENSAIOS COM SOM

AMBIENTE

CORTA PARA IMAGEM DAS CORTINAS

FECHADAS, SOM DE DUAS CAMPAINHAS

E ARTE ESCRITO “CENA 2 BASTIDORES”

OFF COM IMAGENS DOS ENSAIOS,

BASTIDORES E DA APRESENTAÇÃO DA

PEÇA

E É O PRÓPRIO GRUPO QUE FAZ TUDO:

MONTAGEM DO CENÁRIO, MAQUIAGEM,

FIGURINO, DIREÇÃO E ATÉ PREPARO

VOCAL.

IMAGEM DO AQUECIMENTO VOCAL COM

SOM AMBIENTE

SONORA MATHEUS FELIPE BRAGA,

CENÓGRAFO

NO DIA DA PEÇA, A GENTE SE PREPARA

MUITO PRA MONTAR O CENÁRIO E

ILUMINAÇÃO. A PRODUÇÃO CUIDA, DE

UM CENÁRIO TODO ARTESANAL COMO

ESSE, REQUER UMA SÉRIE DE CUIDADOS

A MAIS, PRINCIPALMENTE COM A

BARRACA QUE É DIFÍCIL DE SER

MONTADA E DEMORA TEMPO. ENTÃO, A

BARRACA FICOU AÍ UMAS TRÊS HORAS

PRA SER MONTADA NO DIA DA PEÇA,

46


ENTÃO ALGO MUITO TRABALHOSO.

IMAGENS DOS BASTIDORES COM SOM

AMBIENTE

SONORA BEATRIZ GOMES, ATRIZ

EU ESPERO VERDADEIRAMENTE QUE

ONDE O ARIANO SUASSUNA ESTEJA, ELE

POSSA SENTIR NOSSA ENERGIA, NOSSA

FORÇA PORQUE NÓS ESTAMOS FAZENDO

ESSA PEÇA COM MUITO CARINHO, NOSSA

TERCEIRA REAPRESENTAÇÃO E QUE

REALMENTE NÓS POSSAMOS NOS DOAR

PARA NOSSOS PERSONAGENS AGORA.

COMO LIMA DUARTE MESMO DISSE NÉ,

QUEM RECEBE OS APLAUSOS É O

PERSONAGEM, NÃO SOMOS NÓS NÃO, A

GENTE ESTÁ EMPRESTANDO O CORPO

PRA ELES AQUI AGORA.

SONORA ANDREIA MARTINS

SONORA NÚBYA GUIMARÃES

EU ESPERO QUE TODO O CARINHO QUE

EU TENHO PELA CAROBA POSSA SER

MOSTRADO PRO PÚBLICO, SENTIDO PELO

PÚBLICO E QUE TUDO DÊ CERTO PRA

GENTE, PELO NOSSO EMPENHO E PELO

TANTO QUE A GENTE GOSTA DESSA

PEÇA.

É... NUM SEI! VONTADE DE IR AO

BANHEIRO, VONTADE DE FAZER O

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MELHOR TRABALHO POSSÍVEL, VONTADE

DE CORRESPONDER A EXPECTATIVA DO

PÚBLICO, DA GENTE DEIXAR UMA

LEMBRANÇA MUITO BOA, ENTENDEU, DA

PEÇA.

CORTA PARA IMAGEM DAS CORTINAS

FECHADAS, SOM DE TRÊS CAMPAINHAS E

ARTE ESCRITO “DESFECHO EU-TEATRO”

SONORA NÚBYA GUIMARÃES

É DIFÍCIL DE FALAR, PORQUE O TEATRO É

MINHA VIDA. EU NÃO SEI O QUE SERIA

DE MIM SEM O TEATRO ESSE TEMPO

TODO

SONORA ANDREIA MARTINS

EU ME ENCONTREI QUANDO EU FIZ

TEATRO, EU CONSEGUI EXTRAIR DE MIM

TUDO, EXPULSAR PRA FORA TUDO QUE

SALTAVA DENTRO DE MIM E EU NÃO

CONSEGUIA MOSTRAR ANTES

SONORA MARCO TÚLIO CÂMARA

O TEATRO PRA MIM COMEÇOU COMO

UMA VÁLVULA DE ESCAPE E AINDA É

ESSA VÁLVULA DE ESCAPE, MAS COM UM

LAÇO MUITO MAIS FORTE. NÃO É SÓ “EU

QUERO FUGIR DO MUNDO, VOU ENTRAR

PRO TEATRO”, NÃO. EU TO NO MUNDO,

EU TO NO TEATRO E O TEATRO SE TORNA

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O MEU MUNDO. TEATRO É A LIBERDADE.

SONORA MARCELO AUGUSTO, ATOR

VALE MUITO À PENA, PORQUE TODA VEZ

QUE A GENTE TRABALHA E A GENTE VÊ O

RETORNO NÃO SÓ DO PÚBLICO, MAS DAS

PESSOAS QUE NOS APOIARAM EM TODO

O PROCESSO É MUITO GRATIFICANTE, É

MUITO BOM.

SONORA ANDREIA MARTINS

ELOSQUENTES É UMA MISTURAÇÃO DE

COISAS.

SONORA MARCO TÚLIO

EU ACHO QUE O DIFERENCIAL DO GRUPO

É QUE ELE NASCEU DE AMIGOS

SONORA NÚBYA GUIMARÃES

OS ELOSQUENTES SÃO OS MEUS

AMIGOS. QUANDO A GENTE FALA EM

TRABALHO RELACIONADO AOS

ELOSQUENTES, EU FALO TRABALHO

PORQUE A GENTE LEVA A SÉRIO. MAS

TUDO QUE A GENTE FAZ COM MUITO

AMOR, E COM AS PESSOAS QUE VOCÊ

GOSTA DO SEU LADO, EU NÃO ACHO QUE

A GENTE POSSA CONSIDERAR UM

TRABALHO. OS ELOSQUENTES FOI A

MAIOR REALIZAÇÃO QUE EU TIVE DO

TEATRO E COMO ATRIZ ATÉ HOJE.

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SONORA MARCO TÚLIO

ELOSQUENTES É UMA FAMÍLIA ASSIM.

PORQUE É NOS ELOSQUENTES QUE A

GENTE TEM O APOIO QUE A GENTE

PRECISA, É NOS ELOSQUENTES QUE A

GENTE TEM O COMPANHEIRISMO

MESMO, A COMPANHIA, A FORÇA QUE A

GENTE TEM QUE TER PRA CONTINUAR O

NOSSO DIA-A-DIA

IMAGEM DO GRUPO ABRAÇADO, SOM

AMBIENTE

CRÉDITOS FINAIS COM A MÚSICA “KIDS”,

DA BANDA M.G.M.T

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LISTA DE FIGURAS

Andreia Martins – estudante de Administração e atriz. Está no grupo desde a sua

fundação

Beatriz Gomes – estudante de Pedagogia e atriz profissional. Está no grupo desde a sua

fundação

Jeane Doucas – engenheira florestal e atriz e diretora teatral

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Luciano Cintra – jornalista, ator e diretor de teatro da UFV

Marcelo Augusto – estudante de Matemática e ator. Está no grupo desde a sua fundação

Matheus Felipe Braga – estudante de Engenharia de Produção, cenógrafo e produtor.

Está no grupo desde a sua fundação

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Núbya Guimarães – atriz profissional. Está no grupo desde a sua fundação

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