Ed. 104 - NewsLab

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Ed. 104 - NewsLab

Editorial

A

Nossa Capa desta edição mostra como a Beckman

Coulter chegou à dianteira do desenvolvimento

de produtos que simplificam, automatizam e inovam

os processos diagnósticos. Consolidada a posição nos

grandes volumes e nos clientes referência em todo o Brasil,

a Beckman Coulter se prepara agora para uma nova fase no

Brasil, com o início da atuação direta em outros estados e

também nos institutos públicos, onde até o momento não

havia uma atuação consistente.

Também nesse número da NewsLab você vai conhecer

o investimento que foi feito pela Secretaria de Ciência e

Tecnologia e Insumos Estratégicos, da Coordenação-Geral

de Sangue e Hemoderivados e a Hemobrás, para que Bio-

Manguinhos pudesse obter, em dezembro de 2010, o registro

do kit de Teste de Acido Nucleico (NAT) para HIV e HCV.

Nossa coluna Texto Jurídico aborda um assunto de fundamental

interesse para os laboratórios: A Política Nacional de

Resíduos Sólidos. E quem fala sobre esse assunto é a Dra.

Teodora Tavares, advogada especializada em Direito Ambiental

– Destinação de Resíduos Sólidos. A partir de agora,

os estabelecimentos geradores de resíduos dos serviços de

saúde estão sujeitos a maiores penalidades caso não cuidem

adequadamente de seu lixo. A primeira delas é a obrigatoriedade

da elaboração de um plano de gerenciamento dos

resíduos gerados e sua implantação.

A nossa coluna Analogias em Medicina, escrita pelo patologista

José de Souza Andrade Filho, traz nesta edição

o assunto Filé de Surubim, numa alusão aos linfonodos

acometidos por linfomas que podem fundir-se e formar massas

relativamente volumosas e que, ao serem seccionados,

apresentam superfície brancacenta ou branco-acinzentada,

homogênea, lembrando carne de peixe crua.

Entre os artigos científicos, temas que elucidam desde o diagnóstico

de carcinoma medular de tireoide, até a prevalência

dos agentes etiológicos das vulvovaginites através de

resultados de exames citopatológicos e a identificação

sorológica do antígeno RhD fraco.

Isso e muito mais você só encontra aqui, na NewsLab.

Boa leitura!

Diretor Executivo: Sylvain Kernbaum - (11) 8357-9857 - (revista@newslab.com.br) • Editora: Andrea Manograsso (Mtb 18.120) - (11) 8357-9850 - (redacao@newslab.

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Conselho Editorial:

Luiz Euribel Prestes Carneiro, farmacêutico-bioquímico, Depto. de Imunologia e de Pós-graduação da Universidade do Oeste Paulista, Mestre e Doutor

em Imunologia pela USP/SP • Prof. Dr. Carlos A. C. Sannazzaro - Professor Doutor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP • Dr. Amadeo Saéz-

Alquézar - Farmacêutico-Bioquímico • Dr. Marco Antonio Abrahão – Biomédico e Presidente do Conselho Regional de Biomedicina em São Paulo – CRBM

- 1ª Região • Prof. Dr. Antenor Henrique Pedrazzi - Prof. Titular e Vice-Diretor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto - USP • Prof.

Dr. Morton Scheinberg - PHD em Imunologia pela Universidade de Boston e Livre Docente em Imunologia pela Universidade de São Paulo • Prof. Dr. José

Carlos Barbério - Professor Titular da USP (aposentado) • Dr. Silvano Wendel - Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês • Dr. Paulo C. Cardoso de

Almeida - Doutor em Patologia pela Faculdade de Medicina da USP • Dr. Jacques Elkis - Médico Patologista, Mestre em Análises Clínicas - USP • Dr. Zan

Mustacchi - Prof. Adjunto de Genética da Faculdade Objetivo - UNIP • Dr. José Pascoal Simonetti - Biomédico, Pesquisador Titular do Depto de Virologia

do Instituto Oswaldo Cruz - FIOCRUZ - RJ • Dr. Sérgio Cimerman - Médico-Assistente do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e Responsável Técnico pelo

Laboratório Cimerman de Análises Clínicas • Dra. Suely Aparecida Corrêa Antonialli - Farmacêutica-bioquímica-sanitarista. Mestre em Saúde Coletiva • Dra.

Gilza Bastos dos Santos - Farmacêutica-bioquímica • Dra. Leda Bassit - Biomédica do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa da Fundação Pró-Sangue

Colaboraram nesta edição:

José de Souza Andrade Filho, Teodora Tavares, Felipe Rocha da Costa, André Luíz Cavalcanti Santos, Bruna Rios de Larrazábal, Gislaine Alves da Silva, Ana

Elita de Brito, Maria Amélia Batista Neves, Cíntia Gonsalves de Faria Machado, Maria Clerya Alvino Leite, Sônia Maria Josino dos Santos, Ednaldo Queiroga

de Lima, Onaldo Guedes Rodrigues, Ednaldo Queiroga Filho, José Firmino Nogueira Neto, Antonio Carlos Macedo de Sá, Vania Penha Pinto, Ana Maria Bastos

Coutinho, Jorge João dos Santos Castro Filho, Bárbara Antonina Dávila, Cristiane Maria Steffen, Letícia Bohrer Habigzang, Mariana Ribeiro de Freitas, Saiomara

Trento da Silva, Claudia Cristina Palma, Alexandre Luiz Affonso Fonseca, Luciana Zambeli Caputto, Ligia Ajaime Azzalis, Enny Fernandes Silva, Fernando

Luiz Affonso Fonseca, Manuela Bellin, Neiva Aparecida Grazziotin, Suanny Silva, Hedilane da Luz, Nahon de Sá Galeno, Ártemis Socorro do Nascimento

Rodrigues, Maria de Lourdes Pires Nascimento, Joice Nedel Ott, Marilei Uecker Pletsch, Geny Aparecida Cantos, Marcos Galvão, Jivago Linécio

Impressão: Prol Gráfica

Editoração: Fmais

NewsLab

A revista do laboratório moderno

ANO XVIII - Nº 104

(fevereiro/março 2011)

Redação e administração:

Av. Paulista, 2.073

Ed. Horsa I - Cj. 2315.

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ISSN 0104-8384

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A Revista NewsLab é uma publicação bimestral

da Editora Eskalab, com distribuição

dirigida a laboratórios, hemocentros e universidades

de todo o país. Os artigos assinados

são de responsabilidade de seus autores e

não representam a opinião da revista. Da

mesma forma, os Informes Publicitários são

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Filiado à Anatec


04 Editorial

06 Índice

10 Notícias

44 Nossa Capa - Beckman Coulter

50 Informe de Mercado

76 Texto Jurídico - A Política Nacional de Resíduos Sólidos e suas

implicações para os laboratórios de análises clínicas,

por Teodora Tavares

78 Analogias em Medicina – Filé de surubim,

por José de Souza Andrade Filho,

82 Identificação de Antígenos Aberrantes na Leucemia Linfoide Aguda:

Frequência e Perfil do Hemograma - Felipe Rocha da Costa, André

Luíz Cavalcanti Santos, Bruna Rios de Larrazábal, Gislaine Alves da

Silva, Ana Elita de Brito, Maria Amélia Batista Neves, Cíntia Gonsalves

de Faria Machado

86 Prevalência dos agentes etiológicos das vulvovaginites através de

resultados de exames citopatológicos: um estudo na Unidade de

Saúde da Família em Patos, PB - Maria Clerya Alvino Leite, Sônia

Maria Josino dos Santos, Ednaldo Queiroga de Lima, Onaldo Guedes

Rodrigues, Ednaldo Queiroga Filho

100 Análise Comparativa de Metodologias para Determinação de

Hematócritos em Ratos Realizados no Laboratório de Lípides,

LabLip - José Firmino Nogueira Neto, Antonio Carlos Macedo de Sá,

Vania Penha Pinto, Ana Maria Bastos Coutinho, Jorge João dos Santos

Castro Filho

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ano 13 número 1 fevereiro/março 2011

Leia ainda na Roche News:

Edição Especial

II Fórum Latino-americano

Diagnóstico In Vitro

Este material foi produzido pela Roche Diagnóstica Brasil.

As opiniõe sobre os temas apresentado são de responsabilidade de cada palestrante.

Parte integrante da Revista Newslab - edição 104

A vida faz as perguntas, nós buscamos as respostas.

Edição

Especial

Saiba o que profissionais

do Brasil, EUA, Canadá,

Argentina, Panamá e

Espanha disseram sobre

tendências e a realidade

da medicina diagnóstica

no mundo.

104 Carcinoma Medular de Tireoide - Bárbara Antonina Dávila, Cristiane Maria Steffen,

Letícia Bohrer Habigzang, Mariana Ribeiro de Freitas, Saiomara Trento da Silva

110 A Importância da Prevenção de Pseudomonas aeruginosa em Pacientes Portadores de

Fibrose Cística - Claudia Cristina Palma, Alexandre Luiz Affonso Fonseca,

Luciana Zambeli Caputto, Ligia Ajaime Azzalis, Enny Fernandes Silva,

Fernando Luiz Affonso Fonseca

116 Prevalência de Parasitos Intestinais no Município de Sananduva, RS - Manuela Bellin,

Neiva Aparecida Grazziotin

124 Identificação Sorológica do Antígeno RhD Fraco no Município de Macapá, AP -

Suanny Silva, Hedilane da Luz, Nahon de Sá Galeno, Ártemis Socorro do Nascimento

Rodrigues

130 Infância e Valores Normais para a Hemoglobina no Diagnóstico Precoce das

Deficiências de Ferro Através do Eritrograma e Reticulocitograma - Maria de Lourdes

Pires Nascimento

148 Farmacêutico: Profissional da Saúde e Gestor do Laboratório de Análises Clínicas -

Joice Nedel Ott, Marilei Uecker Pletsch

160 Comparação de Métodos Parasitológicos tendo como Referencial o Método de Faust

para a Pesquisa de Cistos de Protozoários - Geny Aparecida Cantos, Marcos Galvão,

Jivago Linécio

168 Agenda

170 Biblioteca NewsLab

174 Classificados

175 Endereços dos Anunciantes


Biomanguinhos recebe registro para o Teste NAT

O investimento significativo e o apoio irrestrito do Ministério

da Saúde (MS), por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia

e Insumos Estratégicos, da Coordenação-Geral de Sangue e

Hemoderivados e a Hemobrás, entre outros setores, foram

de fundamental importância para Bio-Manguinhos obter, em

dezembro de 2010, o registro do kit de Teste de Acido Nucleico

(NAT) para HIV e HCV.

O desenvolvimento do projeto, em uma parceria técnicacientífica

com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná

(IBMP) e com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),

envolveu na unidade pelo menos 20 setores e 40 colaboradores,

diretamente.

Segundo Antonio Gomes Ferreira, gerente do Programa

de Desenvolvimento de Reativos de Bio-Manguinhos, o NAT,

que será produzido pela unidade com alguns insumos vindos

do IBMP e outros parceiros tecnológicos, complementará os

testes sorológicos que são oferecidos nos hemocentros do

país, ampliando a segurança transfusional.

O novo produto detecta os vírus da aids e da hepatite

C nas bolsas de sangue e custa três a quatro vezes menos

que os produtos similares comercializados por empresas privadas

multinacionais. Atualmente, um estudo multicêntrico

está em fase final com mais de 120 mil amostras testadas

em quatro hemocentros do país que já dispõem do Teste

NAT nacional implantado. “Com o registro, ampliaremos a

rede para até 15 hemocentros ao longo de 2011 permitindo

realizar o teste nas 3,5 milhões de doações de sangue da

hemorrede pública brasileira”, afirma Antonio.

O processo para alcançar a marca é bem complexo, uma

vez que prevê não só a produção do kit, como também visitas

aos hemocentros, avaliação das suas condições para receber

os equipamentos necessários, orientações para eventuais

adequações do local, instalação e validação das máquinas,

treinamento dos profissionais, acompanhamento das rotinas

iniciais. E não termina aí. “Depois disso, acompanhamos de

longe, mas com um SAC bem estabelecido para resolver qualquer

problema, seja nos equipamentos ou nos insumos, em

até 24 horas. Temos que atuar de forma eficiente para que

tudo funcione perfeitamente”, finaliza o gerente.

Professora da FCMSCSP recebe o prêmio Scopus

A professora Luisa Lina Villa é uma das mais importantes pesquisadoras do papilomavírus

A professora da Faculdade de Ciências Médicas da

Santa Casa de São Paulo – FCMSCSP, coordenadora do

Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do HPV, que

fica na instituição, Luisa Lina Villa, que também é pesquisadora

do Instituto Ludwig, recebeu o prêmio Scopus

Brasil 2010, uma iniciativa da editora holandesa Elsevier,

juntamente com a CAPES.

Todos os anos, a editora homenageia os cientistas que

mais publicaram artigos de sua autoria ou foram citados

em outras publicações também científicas. Fundada em

1880, a Elsevier publica estudos acadêmicos em centenas

de países. Na América Latina, já premiou cientistas do

Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México.

A professora Luisa Lina Villa é uma das mais importantes

pesquisadoras do papilomavírus, tendo colaborado

para o desenvolvimento da primeira vacina para combater

o HPV. A professora tem mais de 180 trabalhos publicados

sobre o tema nas mais conceituadas revistas científicas

internacionais. Foi eleita, recentemente, como uma das

cem maiores personalidades brasileiras e recebeu, do expresidente

Luiz Inácio Lula da Silva, a Comenda Nacional

do Mérito Científico.

“É o reconhecimento ao talento e à dedicação da professora

e um orgulho para nós da Faculdade de Ciências Médicas

da Santa Casa de São Paulo, que temos Luisa Lina Villa entre

os docentes”, comentou o diretor da FCMSCSP, Ernani Rolim.

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Pesquisa Datafolha: médicos denunciam

interferências de planos de saúde prejudiciais aos pacientes

Estudo encomendado por APM e AMB demonstra ainda

que avaliação das empresas da área suplementar é baixa de norte a sul do país

Em todo o Brasil, as pressões dos planos de saúde

sobre os médicos são enormes, conforme aponta

pesquisa Datafolha inédita, encomendada pela Associação

Paulista de Medicina (APM) e pela Associação

Médica Brasileira (AMB). A maioria absoluta dos

profissionais, de norte a sul, denuncia interferências

das empresas para reduzir solicitação de exames,

para reduzir internações, além de inúmeros outros

ataques ao livre exercício da medicina.

O levantamento tem o intuito de conhecer a opinião

dos médicos do Brasil sobre a atuação das empresas de

saúde suplementar. Foram entrevistados profissionais

cadastrados no Conselho Federal de Medicina (CFM),

da ativa, que atendam a planos ou seguros de saúde

particulares e tenham trabalhado com, no mínimo,

três planos ou seguros saúde atualmente e/ou nos

últimos cinco anos.

Foram realizadas 2.184 entrevistas finais, contemplando

os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal.

O campo ocorreu entre os dias 23 de junho e 24 de agosto de

2010. A margem de erro máxima, para mais ou para menos,

considerando um nível de confiança de 95%, é de 5 pontos

percentuais.

Diante dos resultados apresentados, José Luiz Gomes do

Amaral, presidente da AMB, disse que na atenção à saúde privada

falta transparência. “O paciente não tem ideia do que se

faz na gestão de um plano de saúde. Após a regulamentação

do setor por meio da lei 9656/1999, as operadoras voltaram-se

contra os médicos. A matemática é perversa e aplicada com

finalidade de reduzir custos. Um dos exemplos é o pagamento de

bônus para médicos que não pedirem exames complementares”.

Principais números

O médico brasileiro que trabalha com planos ou seguros

saúde atribui, em média, nota 5 para as operadoras, em escala

de zero a dez. Os profissionais que atuam nas regiões sudeste

e centro-oeste (+GO e DF) são mais críticos. Nas regiões

norte (AP e AM) e sul (+RS) a média fica um pouco acima da

verificada para o Brasil.

Preocupante é que 92% dos médicos afirmam que os

planos de saúde interferem em sua autonomia técnica. Aliás,

é possível afirmar que a percepção sobre a interferência dos

planos ou seguros na autonomia técnica profissional é um

consenso entre todas as regiões do país, com índices que

variam entre 90% – 95%.

Entre os tipos de interferências praticadas pelas ope-

radoras de planos ou seguros saúde, os médicos apontam

principalmente as glosas de procedimentos ou medidas

terapêuticas (78%) e a interferência no número de exames

e procedimento (75%).

Considerando os quatro principais tipos de interferência

mencionados, nota-se as seguintes tendências por região

do país:

- Glosas de procedimentos ou medidas terapêuticas – maior

no centro-oeste

- Número de exames ou procedimentos – maior no centrooeste

e norte

- Restrições a doenças preexistentes – maior no nordeste e norte

- Atos diagnósticos e terapêuticos mediante designação de

auditores – maior no centro-oeste

Ainda segundo o Datafolha, considerando o tipo de

interferência por operadora, Cassi é destacadamente o

plano se saúde que mais interfere na autonomia técnica do

médico. Amil, mencionada em cinco aspectos, é a segunda

marca com maior presença. Bradesco é lembrado entre

os planos que mais interferem em período de internação

pré-operatório, restrições para doenças preexistentes e

atos diagnósticos e terapêuticos mediante a designação de

auditores, enquanto, SulAmérica está na primeira posição

em glosas de procedimentos e medidas terapêuticas, juntamente

com Cassi e Amil.

Para saber mais:

www.amb.org.br

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Hospital Sírio-Libanês amplia atuação na área de oncologia

Iniciativa inclui nova unidade em Brasília e projetos de cooperação mútua com o

Memorial Sloan-Kattering Cancer Center, dos Estados Unidos

O Hospital Sírio-Libanês iniciou um amplo programa

para consolidar a sua posição como uma das principais

referências internacionais em Oncologia. O primeiro passo

foi dado no ano passado, quando a instituição recebeu a

visita de Murray F. Brennan, vice-presidente de Programas

Internacionais do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center,

de Nova York, para discutir projetos de cooperação mútua

nas áreas de educação e treinamento.

Além disso, o HSL vai inaugurar, no primeiro trimestre

deste ano, uma nova unidade em Brasília, dedicada apenas ao

tratamento da doença. O edifício de três andares, localizado na

Asa Sul da Capital Federal, abrigará 12 suítes para aplicação

de quimioterapia e seis consultórios, em uma área total de

2,4 mil metros quadrados.

Com investimento de R$ 6 milhões na remodelação e

preparação das instalações do prédio, o objetivo, nesse primeiro

momento, é oferecer tratamento clínico em oncologia,

com capacidade de realizar 800 consultas e 600 aplicações

de quimioterapia por mês. Posteriormente, serão iniciados

os serviços de radioterapia.

“Brasília apresenta um crescimento muito forte, com a

maior renda per capita do Brasil. A escolha, portanto, foi

uma decisão natural”, afirma Paulo Hoff, Diretor do Centro de

Oncologia do Hospital Sírio-Libanês.

De acordo com o Paulo Chapchap, Superintendente de Estratégia

Corporativa do Hospital Sírio-Libanês, o atendimento

em Oncologia é um dos pilares da instituição, daí a opção por

esta área para a entrada na Capital Federal.

Cooperação internacional — Os projetos de cooperação

mútua a serem estabelecidos entre o Centro de Oncologia

do HSL e o Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, um dos

principais centros mundiais de pesquisa e tratamento da doença,

tem o objetivo de desenvolver programas colaborativos

de educação e treinamento, incluindo simpósios conjuntos.

O foco inicial são as áreas de oncologia clínica e radioterapia.

Para um futuro breve, também estão previstos projetos de

pesquisa. Antes disso, no entanto, serão dados passos preliminares

para o alinhamento de sistemas de registro de dados e

procedimentos. Justamente por isso, uma das áreas abordadas

nessa colaboração será a de tecnologia de informação.

As conversações fazem parte de uma revisão que o Memorial

Sloan-Kettering Cancer Center está fazendo nas relações

com centros médicos ao redor do mundo. Na América Latina,

o Hospital Sírio-Libanês foi identificado como a instituição mais

indicada para uma relação próxima e de longo prazo.

O alinhamento das filosofias, os objetivos comuns e a disposição

da diretoria do HSL em estabelecer relacionamentos

duradouros com instituições internacionais foram essenciais

para o início da cooperação. Além disso, as instalações da

instituição brasileira, que incluem o Instituto Sírio-Libanês de

Ensino e Pesquisa (IEP) tiveram peso expressivo na intenção

de prosseguir com as negociações.

Grupo Fleury e SulAmérica são vencedoras do Prêmio de Governança Corporativa do IBGC

Resultado demonstra preocupação das empresas do setor com as melhores práticas

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)

premiou no final do ano passado as vencedoras da 6ª

edição do Prêmio de Governança Corporativa. A iniciativa

contemplou as categorias Empresas Listadas, Inovação

e Evolução. “Percebemos nesta edição algumas ações de

maior adesão às boas práticas de Governança, como uma

crescente distinção entre os cargos de diretor-presidente

e presidente do conselho, assim como redução no número

de conselheiros internos”, comenta Heloisa Bedicks, superintendente

geral do IBGC.

Vencedora em 2007 pela categoria Empresas Não-Listadas,

nesta edição o Grupo Fleury conquistou a categoria Empresas

Listadas. Entre as ações que motivaram a premiação,

destacam-se as rígidas restrições para transações com partes

relacionadas e o sistema de avaliação dos executivos e colaboradores

de todos os níveis, além dos planos bem elaborados de

remuneração variável e de ações. A empresa facilitou, ainda,

a participação dos acionistas nas assembleias, ofereceu manuais

aos envolvidos e formou um Conselho de Administração

focado em estratégia.

Já a SulAmérica é a vencedora na categoria Inovação, premiação

conquistada pela criação e implantação do programa

“Conselho na SulAmérica”. A ação, que promove a introdução

dos novos conselheiros, conta com abordagem inovadora na

integração dos conselheiros com a companhia. Os profissionais

são incentivados a vivenciar o cotidiano da organização por

meio de participação em eventos para investidores, além de

contemplar o contato direto e anônimo com clientes, fornecedores

e demais stakeholders.

Para saber mais:

www.ibgc.org.br

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Nova regra da Anvisa reflete preocupação com problemas nos

produtos colocados no mercado sem acompanhamento e controle

RDC 67 entra em vigor em dezembro e empresas precisam se reestruturar para cumpri-la

Em dezembro de 2010 entrou em vigor a RDC nº 67, da

Anvisa. A nova regra estabelece normas de tecnovigilância para

os detentores de registro de produtos para a saúde no Brasil.

De acordo com Evaristo Araújo, sócio de Gandelman

Advogados e diretor da Associação Brasileira de Empresas

Certificadas (ABEC), a RDC nº 67 reflete a preocupação da

Anvisa com o pós-registro, “principalmente com relação a

problemas encontrados em produtos colocados no mercado

sem o devido acompanhamento e controle por parte de

seus responsáveis.”

Ele observa que dentre os dispositivos encampados pela

norma criada, alguns impactam de forma relevante na estrutura

operacional das empresas detentoras de registro. “Também

demonstram uma tendência da Agência em aumentar a

fiscalização e o controle junto às `incubadoras de registro´,

empresas com quase nenhuma estrutura, que detêm inúmeros

registros de produtos para a saúde e são utilizadas como apoio

para empresas estrangeiras interessadas em disponibilizar

seus produtos no mercado brasileiro”, afirma

“Na prática, a RDC nº 67/2009 obriga as empresas detentoras

de registros a se adaptarem às novas regras e alterarem

a sua estrutura de funcionamento”, avisa Evaristo. Ele cita

que, entre as obrigações das empresas impostas pela RDC

67/2009, estão:

1. Designar um profissional com formação superior, registrado em

conselho de classe, como responsável pela sua área técnica

2. Apresentar recursos para o cumprimento da resolução

3. Garantir o cumprimento dos dispositivos de tecnovigilância

4. Prover o gerenciamento de riscos dos produtos registrados

5. Criar regras de condutas dos profissionais envolvidos

6. Disponibilizar treinamento aos profissionais

7. Manter relatórios de tecnovigilância e controle sobre

reclamações e problemas técnicos de seus produtos

registrados

8. Investigar ocorrências e notificar a SNVS sobre elas

9. Prover a rastreabilidade

10. Manter arquivo minucioso de problemas técnicos fundamentando

em relatório a conclusão de sua investigação

e providências para reparação de problemas

“Todas essas ações devem ser mantidas pela empresa ao

longo do prazo de vida útil dos produtos, não inferior a dois

anos”, lembra o advogado.

Em sua opinião a RDC nº 67/2009 se constitui num avanço

e as empresas estruturadas terão vantagem competitiva

frente aquelas que mantêm registros de terceiros apenas “pró

forma”. “Ou seja, empresas certificadas com boas práticas de

fabricação, armazenamento e distribuição, independentemente

da classe de risco de seus produtos, saem na frente, visto que

seus níveis de controle em tecnovigilância, em função da certificação,

atendem de forma quase que integral aos dispositivos

previstos na norma”, finaliza Evaristo Araujo.

Hermes Pardini inaugura Núcleo de Provas Funcionais

São mais de 50 protocolos de avaliação da função dinâmica de glândulas endócrinas

O Hermes Pardini acaba de inaugurar, em Belo Horizonte,

seu Núcleo de Provas Funcionais (NUPROF). A

empresa optou por concentrar os exames de alta complexidade

em um único espaço, com o objetivo de oferecer,

aos pacientes, mais segurança e rigor na execução dos

procedimentos. Ao todo, o Hermes Pardini possui mais de

50 protocolos que permitem avaliação da função dinâmica

de várias glândulas endócrinas (hipófise, adrenais, tireóide,

paratireóides, gônadas, pâncreas endócrino) e, entre os

que serão realizados no novo Núcleo, estão os testes de

estímulo do hormônio do crescimento, testes de supressão

da aldosterona com soro fisiológico e teste de restrição

hídrica para diagnóstico do Diabetes Insipidus.

Além da concentração da maior parte das análises

em um único espaço, o diferencial do Núcleo de Provas

Funcionais fica por conta do atendimento médico durante

todo o horário de funcionamento do setor. “Esta medida

é de extrema importância, uma vez que alguns exames

podem gerar algum tipo de mal-estar no paciente, em

função da administração de medicamentos no organismo”,

explica o médico William Pedrosa, assessor científico

da empresa.

O Hermes Pardini é um dos maiores laboratórios mineiros

em volume de exames realizados na área de provas funcionais,

como são chamados os testes que exigem algum

tipo de procedimento antes da coleta das amostras. Mais

comuns nas áreas de Endocrinologia e Gatroenterologia,

os exames são realizados a partir de protocolos devidamente

delineados pela equipe médica segundo a literatura

científica pertinente.

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Abbott se une à CHAI - Clinton Health Access Initiative

para intensificar o diagnóstico de crianças com HIV na África

A Abbott e a CHAI - Clinton Health Access Initiative estão

unindo suas forças para intensificar a testagem de crianças com

HIV em todos os países que têm parceria com a entidade. A

principal área deste esforço conjunto será a África subsaariana,

região que Organização Mundial de Saúde estima concentrar 90

por cento de todas as infecções por HIV em crianças no mundo.

Pelo acordo, a Abbott irá fornecer seus kits RealTime

HIV-1 Qualitative para postos de assistência à saúde. O teste

está disponível, no momento, somente para fins de pesquisa e

espera-se que receba a certificação para comercialização em

meados de janeiro de 2011. A Abbott irá também contribuir

com seu conhecimento em coletar e processar amostras usando

pontos de sangue seco (DBS – Dry Blood Spots). O uso de DBS

elimina a necessidade de refrigeração do material coletado.

Além do fornecimento dos testes e da coleta de amostras

DBS para fins de pesquisa, a Abbott colabora com a CHAI

para desenvolver um programa de laboratório “pronto para

uso”, incluindo protocolos de treinamento em instrumentos,

que serão usados para montar centros completos de diagnóstico

molecular em regiões onde este tipo de instalação

ainda não existe.

“Estamos muito satisfeitos em colaborar com a CHAI em

suas iniciativas de aplicar testes diagnósticos em crianças de

países em desenvolvimento,” afirmou Stafford O’Kelly, chefe da

unidade de Diagnósticos Moleculares da Abbott. “Testes precisos

e acessíveis para HIV, particularmente para o diagnóstico de

HIV/AIDS em crianças menores do que 18 meses de idade, são

fundamentais para o melhor controle e tratamento da doença.”

Cai a transmissão de HIV da mãe para o filho. Em jovens, tende a crescer

Ministério da Saúde divulga números da doença no Brasil

Resultado do Boletim Epidemiológico Aids/DST 2010, divulgado

em dezembro pelo Ministério da Saúde, reforça tendência

de queda na incidência de casos de aids em crianças menores

de cinco anos. Comparando-se os anos de 1999 e 2009, a

redução chegou a 44,4%. O resultado confirma a eficácia da

política de redução da transmissão vertical do HIV (da mãe

para o bebê). Mas, em relação aos jovens, pesquisa inédita

aponta que, embora eles tenham elevado conhecimento sobre

prevenção da aids e outras doenças sexualmente transmissíveis,

há tendência de crescimento do HIV.

O levantamento feito entre jovens, realizado com mais de 35

mil meninos de 17 a 20 anos de idade, indica que, em cinco anos, a

prevalência do HIV nessa população passou de 0,09% para 0,12%.

Para Dirceu Greco, diretor do departamento de DST, Aids e

Hepatites Virais, a pesquisa traz um alerta aos jovens que não

se veem em risco. “O jovem precisa perceber que a prevenção

é uma decisão pessoal e que ele não estará seguro se não se

conscientizar e usar o preservativo”, enfatiza.

A Saúde também atua na ampliação do diagnóstico do

HIV/aids – que é uma medida de prevenção, já que as pessoas

que conhecem a sua sorologia podem se tratar para

evitar novas infecções. Em quatro anos (2005 a 2009), o

número de testes de HIV distribuídos e pagos pelo Sistema

Único de Saúde (SUS) mais que dobrou: de 3,3 milhões para

8,9 milhões de unidades. Da mesma forma, o percentual de

jovens sexualmente ativos que fizeram o exame aumentou

– de 22,6%, em 2004, para 30,1%, em 2008.

Aids no Brasil – Os novos números da aids (doença já

manifesta) no Brasil, atualizados até junho de 2010, contabilizam

592.914 casos registrados desde 1980. A epidemia

continua estável. A taxa de incidência oscila em torno de 20

casos de aids por 100 mil habitantes. Em 2009, foram notificados

38.538 casos da doença.

Observando-se a epidemia por região em um período de

10 anos – 1999 a 2009 – a taxa de incidência no sudeste caiu

(de 24,9 para 20,4 casos por 100 mil habitantes). Nas outras

regiões, cresceu: 22,6 para 32,4 no sul; 11,6 para 18,0 no

centro-oeste; 6,4 para 13,9 no nordeste e 6,7 para 20,1 no

norte. Vale lembrar que o maior número de casos acumulados

está concentrado na região sudeste (58%).

Atualmente, ainda há mais casos da doença entre os

homens do que entre as mulheres, mas essa diferença vem

diminuindo ao longo dos anos. Em 1989, a razão de sexos

era de cerca de 6 casos de aids no sexo masculino para cada

1 caso no sexo feminino. Em 2009, chegou a 1,6 caso em

homens para cada 1 em mulheres.

A faixa etária em que a aids é mais incidente, em ambos os

sexos, é a de 20 a 59 anos de idade. Chama atenção a análise

da razão de sexos em jovens de 13 a 19 anos. Essa é a única

faixa etária em que o número de casos de aids é maior entre

as mulheres. A inversão apresenta-se desde 1998, com oito

casos em meninos para cada 10 em meninas.

Em relação à forma de transmissão entre os maiores de 13

anos de idade prevalece a sexual. Nas mulheres, 94,9% dos casos

registrados em 2009 decorreram de relações heterossexuais

com pessoas infectadas pelo HIV. Entre os homens, 42,9% foram

por relações heterossexuais, 19,7% homossexuais e 7,8%

bissexuais. O restante foi por transmissão sanguínea e vertical.

O coeficiente de mortalidade vem-se mantendo estável no

país, a partir de 1998 (em torno de 6 óbitos por 100 mil habitantes).

Observa-se queda no Sudeste, estabilização no Centro-Oeste

e Sul. Norte e Nordeste registram queda no número de óbitos.

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NewsLab - edição 104 - 2011


Câncer de colo de útero é o que mais mata no Brasil

Uma mulher morre a cada dois minutos vítima

da doença, a mais letal entre todos os tipos de câncer

O câncer de colo de útero é o mais letal entre as mulheres

brasileiras na faixa etária de 15 a 44 anos. Os dados são

da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2009. Cerca

de 70% dos casos de câncer de colo do útero são causados

pelos tipos 16 e 18 do papilomavírus humano (HPV), que

é a principal doença viral transmitida pelo sexo – atinge

mais de 630 milhões de pessoas no mundo.

Todos os anos, ao redor do planeta, 500 mil mulheres

são diagnosticadas com câncer de colo do útero e cerca

de 250 mil morrem vítimas da doença. Estima-se que os

tipos 16 e 18 do vírus causem também de 40% a 50% dos

cânceres vulvares e 70% dos cânceres vaginais, bem como

85% dos casos de câncer anal. E os homens não estão

isentos desse risco. A infecção pelo HPV está relacionada a

cerca de 40% do câncer de pênis e de 30 a 40% do câncer

anal em homens. Para se ter uma ideia, oito em cada dez

indivíduos sexualmente ativos entrarão em contato com

o vírus no decorrer de suas vidas.

“É importante lembrar que o HPV pode permanecer no

organismo sem qualquer sintoma por meses e até anos. Os

tumores malignos, por exemplo, podem demorar de 10 a

20 anos para se desenvolver. A probabilidade de contágio

do HPV é alta, varia de 50% a 80%, e o vírus pode ser

transmitido mesmo que esteja latente (sem manifestação

visível). A maioria dos tipos de HPV não causa nenhum

tipo de sintoma e desaparece espontaneamente sem tratamento,

o que significa que muitas pessoas não sabem que

são portadoras. No entanto, se houver muitas ocasiões de

contato, além de fatores de risco, como falha no sistema

imune, por exemplo, as lesões podem instalar-se”, explica

a pesquisadora do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o

Câncer, Luisa Lina Villa.

Ao longo da vida, mulheres e homens de todas as idades

ficam continuamente expostos ao risco de contrair infecções

e doenças relacionadas ao HPV. O perigo está no fato de que

o papilomavírus humano leva de dois a oito meses após o

contágio para se manifestar, mas podem passar diversos

anos antes do diagnóstico de uma lesão e é impossível

determinar exatamente quando um indivíduo foi infectado.

Acima de 25 anos, observa-se avanço da infecção pelo

HPV, além de aumentarem as chances de contrair infecção

persistente pelos vários tipos do vírus. “O tratamento

das lesões precursoras de câncer é invasivo, podendo

interferir na fertilidade da mulher e, no caso do câncer

de colo do útero, pode levá-la à morte”, ressalta a Dra.

Luisa, uma das maiores especialistas em HPV do mundo.

Estudos sugerem que os anticorpos gerados durante

a infecção natural podem não fornecer proteção completa

com o passar do tempo e que a resposta imune à vacina

previne a reinfecção ou reativação da doença pelos tipos

de HPV 6, 11, 16 e 18.

Prevenção

O uso de preservativo diminui a possibilidade de

transmissão do HPV na relação sexual, mas não evita

totalmente o contágio, que é feito pelo contato da pele.

Exames de rotina feitos por ginecologistas e urologistas e

atenção redobrada ao surgimento de verrugas e coceiras

nos órgãos genitais podem ajudar a acelerar o processo

de diagnóstico de doenças relacionadas.

A abordagem combinada de vacinação e exames regulares

de Papanicolaou é a melhor maneira de garantir,

por exemplo, que o câncer cervical possa ser controlado. O

Papanicolaou constitui uma forma de prevenção secundária

de câncer do colo do útero, pois não evita seu aparecimento,

apenas detecta lesões pré-câncer. Por outro lado,

a vacina é uma forma de prevenção primária, pois evita

o aparecimento do câncer do colo do útero. O impacto da

vacinação em termos de saúde coletiva se dá pela vacinação

de um grande número de mulheres em todo o mundo,

com a ‘imunidade de grupo’, ou seja, diminui a transmissão

entre as pessoas. O papilomavírus humano também causa

lesões mutilantes das genitálias feminina e masculina. Os

tipos 6 e 11 de HPV causam 90% das verrugas genitais e

cerca de 10% das lesões iniciais do colo do útero.

A vacina quadrivalente contra o HPV é a única que

protege contra o câncer de colo de útero, vagina, vulva,

causados pelos tipos 16 e 18 do papilomavírus humano e

as verrugas genitais, que são provocadas pelo HPV tipos 6 e

11. Uma proporção significativa das lesões pré-cancerosas

são causadas pelos tipos 6, 11, 16 e 18.

Recentemente, a Agência Europeia de Medicamentos

(EMA) ampliou a indicação da vacina quadrivalente HPV

para mulheres a partir dos nove anos de idade, em

todas as faixas etárias, ao longo da vida. No Brasil, a

vacina quadrivalente é indicada para meninas e mulheres

de 9 anos a 26 anos. Estudos têm mostrado alta eficácia

da vacina em mulheres de até 45 anos e homens até 26

anos. A ampliação da indicação da vacina para mulheres

adultas e homens está sendo avaliada pela Anvisa.

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NewsLab - edição 104 - 2011


Teste do Pezinho com pesquisa de Fibrose Cística

A partir de 2010, todas as maternidades do Estado

de São Paulo já incluíram na triagem neonatal, também

conhecida como teste do pezinho, o rastreamento da

fibrose cística (FC).

A inclusão do exame traz mais qualidade de vida ao

portador de FC, permitindo o início do tratamento de forma

precoce. Isso porque, esta doença hereditária acomete

todos os sistemas com glândulas exócrinas, principalmente

o pulmão, o intestino e a produção do suor salgado.

“O diagnóstico precoce é fundamental para melhorar o

prognóstico e aumentar a sobrevida”, explica a Dra. Sonia

Mayumi Chiba, médica-assistente do Setor de Pneumologia

Pediátrica, responsável pelo Ambulatório de Fibrose

Cística da UNIFESP.

“Cerca de 80% a 85% dos portadores têm acometimento

do pâncreas e a doença manifesta-se clinicamente com má

digestão de gorduras e proteínas, com fezes gordurosas e odor

fétido, diarreia crônica e desnutrição. O pulmão é a principal

causa de complicação (morbidade) e mortalidade, e cursa com

tosse crônica e infecções pulmonares de repetição”.

O teste do pezinho - A triagem neonatal para FC é

feita com a dosagem da tripsina imunorreativa (TIR) sérica.

A confirmação é feita com teste do suor ou teste genético,

explica a especialista.

O exame, continua a Dra. Sonia, acusa o aumento de

tripsina imunorreativa, enzima precursora da enzima pancreática,

que está (é) de 2 a 3 vezes maior nos recém-nascidos

fibrocísticos no primeiro mês vida.

O resultado positivo leva o médico a solicitar uma segunda

amostra, que deverá ser coletada após 15 a 30 dias. Se ambos

os valores forem positivos, a confirmação do diagnóstico de

FC é realizada com teste do suor ou genético.

O recém-nascido com um primeiro teste de triagem positivo

deve ser encaminhado para avaliação e os pais orientados

sobre a possibilidade de resultados falsos-positivos gerados

por conta de estresse ou falta de oxigênio ao nascimento,

algumas síndromes e infecções congênitas.

Se o segundo teste der negativo, não há necessidade

de fazer o teste do suor e o recém-nascido deverá manter

o acompanhamento regular com o pediatra. O diagnóstico

precoce da FC é fundamental para possibilitar um tratamento

adequado e um futuro melhor para os pacientes.

Dr. Ghelfond Diagnóstico Médico implanta centro de logística em São Paulo

Local será utilizado como centro de apoio médico e administrativo para a rede

O Dr. Ghelfond Diagnóstico Médico (www.ghelfond.

com.br) está implantando um centro de logística na região

central de São Paulo. A iniciativa visa a suprir a demanda

originada pelo plano de expansão da rede, que conta com

seis unidades distribuídas em diversas regiões de São

Paulo – Capital e Região Metropolitana.

Conforme André Ângelo Sisti, diretor comercial da rede,

“A criação do novo espaço é decorrente da ampliação dos

serviços e do crescimento do Dr. Ghelfond no mercado”.

Além disso, o executivo também enfatiza que a iniciativa

visa a ampliar a capacidade da estrutura de apoio operacional

da rede.

Dotado de total infraestrutura, o local - com área de

mais de 750 metros - armazenará insumos hospitalares,

medicamentos e material de apoio. “O centro de logística

disponibilizará retaguarda tanto para o corpo médico,

quanto para a equipe administrativa da rede, que passará

a contar com maior capacidade de atendimento às demandas

decorrentes do aumento do volume de atendimentos

registrados pelas unidades em 2010”.

Sisti revela: “O número de atendimentos realizado

mensalmente nas unidades registrou um aumento de 5,5%

de 2009 para 2010. Com isso, desenvolvemos novas soluções

para acompanhar o ritmo de crescimento”.

Ainda de acordo com o diretor, o bom desempenho da

rede Ghelfond está atrelado à ampliação de serviços como

Radiologia Digital, por exemplo. Recentemente um aporte

de mais de US$ 1 milhão foi feito para instalar um dos mais

eficientes sistemas da atualidade. A solução permite disponibilizar

online os resultados dos exames, minimizando

o volume de material descartado e os impactos ambientais

decorrentes da utilização Raio-X convencional.

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Biológico exporta antígeno para diagnóstico da brucelose animal

A primeira exportação brasileira de antígeno acidificado

tamponado (AAT) foi realizada no final do mês de novembro

pelo Instituto Biológico (IB-APTA), órgão vinculado a

Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de

São Paulo. A exportação foi autorizada pelo Ministério da

Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) através do

expediente número 020/2010, expedido pela Coordenação

de Fiscalização de Produtos Veterinários (CPV).

Foram 36.640 doses adquiridas pelo Servicio Nacional

de Sanidad Agraria – Ministerio de Agricultura – Republica

del Peru, com vistas a atender ao Programa de Controle e

Erradicação da Tuberculose e Brucelose Bovina desenvolvido

naquele País.

O antígeno adquirido é específico para o diagnóstico da

brucelose que é uma zoonose ocasionada por uma bactéria

denominada Brucella abortus. É uma doença infectocontagiosa

de maior destaque na esfera reprodutiva e tem como

principal via de contaminação a digestiva, por meio da água,

alimentos, pastos contaminados por abortamentos e partos

de vacas e novilhas brucélicas.

Os prejuízos resultantes dessa doença para a pecuária

bovina são significativos, pois, economicamente, o avanço

da brucelose significa baixas no rebanho, já que os animais

infectados precisam ser sacrificados. A doença pode provocar

abortamento em até 80% das fêmeas de primeira cria,

principalmente no terço final da gestação.

Ao longo dos anos, o Instituto Biológico conquistou a

confiança do setor agropecuário, que buscou nos produtos

imunobiológicos referência e padrão de qualidade em níveis

internacionais. A recente modernização do Laboratório de

Produção de Imunobiológicos foi fundamental para a certificação

de seus processos e expansão do fornecimento desses

insumos estratégicos para outros estados da federação. Essa

certificação também foi conquistada pelo Núcleo de Negócios

Tecnológicos, Unidade encarregada de comercializar os

imunobiológicos e outros produtos institucionais.

Fórum de Transfusão de Sangue HCor define diretrizes para pacientes

que se negam a fazer o procedimento por motivos religiosos

Fórum trouxe a discussão sobre como proceder em uma transfusão de sangue em religiosos, e defende o

procedimento médico em casos de urgências e risco de morte iminente

No último dia 04 de dezembro o HCor – Hospital do

Coração em São Paulo foi sede do Fórum sobre “Transfusão

de Sangue: O Conflito entre a Ciência e a Religião”, com a

participação de membros do Comitê de Bioética da Instituição,

representantes do Conselho Regional de Medicina do

Estado de São Paulo (CREMESP), da Comissão de Biotecnologia

e Estudos sobre a Vida da Ordem dos Advogados

de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Hematologia e

Hemoterapia. O evento teve como objetivo discutir as recomendações,

procedimentos e posicionamentos médicos

a serem tomados com pacientes que se recusam a receber

uma transfusão sanguínea por motivos religiosos.

Na ocasião foi apresentado um documento disciplinar

- preparado pelas quatro Instituições, com informações

sobre as considerações feitas durante o Fórum que alega,

por meio de embasamento no Código de Ética Médica, que

o profissional da saúde deve realizar a transfusão de sangue

e tratamentos com componentes e seus derivados em

pacientes que se recusam a receber tal procedimento por

motivos religiosos. A decisão está amparada nos preceitos

fundamentais do exercício da prática médica que define a

inviolabilidade do direito à vida como um dos princípios universais,

e em alguns casos (como a Transfusão de Sangue)

fica em primeiro plano durante a conduta médica.

De acordo com o Dr. Antônio Cantero Gimenes, responsável

pelo Comitê de Bioética do HCor, a legislação prevê

acima de tudo o direito à vida, antes mesmo de qualquer

crença ou religião, porém muitos médicos durante a prática

clínica encontram dificuldades para aplicar tal preceito.

“Muitos médicos ao se depararem com uma transfusão de

sangue a um religioso têm dificuldades de exercer o procedimento,

pois não podem infligir o direito do paciente,

bem como não deve deixar de prestar o atendimento em

casos de emergência e sob risco de morte iminente. Por

isso esse documento foi elaborado para esclarecer possíveis

dúvidas sobre a prática clínica em casos de transfusão

sanguínea, para que o médico se certifique qual posicionamento

deve ser efetuado, mesmo sem a autorização da

vítima e familiares e com o objetivo universal de se salvar

vidas”, afirma o especialista.

Essa diretriz também é válida para crianças e adolescentes

e defendida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente,

de acordo com os preceitos de dever de proteção à vida e a

integridade na infância e adolescência. O médico que, vendo a

gravidade do paciente e o risco de morte iminente, não realizar

o atendimento arcará com a responsabilidade sobre o paciente

e pode ser autuado como omissão de incapaz e negligência

médica. Tal decisão pode ser revertida com a apresentação

de ordem judicial expressa e específica, em favor ao paciente,

que impeça a realização da transfusão de sangue.

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Grupo Fleury anuncia Memorando de Entendimentos para aquisição do Labs D’Or

A concretização da aquisição fortalecerá Grupo Fleury no Rio de Janeiro

O Grupo Fleury e o Labs D’Or anunciam que firmaram em

15 de dezembro Memorando de Entendimentos por meio do

qual Fleury S.A. passará a deter 100% do controle societário

do Labs D’Or e a prestar serviços de medicina diagnóstica em

19 hospitais da Rede D’Or/São Luiz.

O Labs D’Or, empresa com destacada presença no setor de

medicina diagnóstica do País, com oferta completa de exames

laboratoriais, de imagem e de outras especialidades diagnósticas,

possui forte presença no Rio de Janeiro por meio de 56

Unidades de Atendimento, contando, ainda, com uma Unidade

em Curitiba. Além disso, oferece serviços em 19 hospitais no Rio

de Janeiro, em São Paulo, no ABC Paulista e em Pernambuco

(17 da Rede D’Or/São Luiz e dois hospitais sob sua gestão).

Com essa operação, a receita líquida anual estimada do

Grupo Fleury ultrapassará a marca de R$ 1,25 bilhão, uma

vez que Labs D’Or possui uma receita líquida anual estimada

de R$ 415 milhões e receita líquida anual do Grupo Fleury,

apurada no 3T10, atingiu a marca de R$ 856 milhões.

O EBITDA do Labs D’Or é estimado em R$ 100 milhões por

ano, o que representa uma margem de 24%, alinhado com

o nível atual das margens do Grupo Fleury e que, em virtude

do processo de sinergias decorrentes da integração das duas

estruturas que será buscada, deve ser ampliada.

Na avaliação de Mauro Figueiredo, Presidente do Grupo

Fleury, essa transação reforça a trajetória de forte expansão

do Grupo por meio da oferta de serviços diferenciados. “O Labs

D’Or é uma das maiores e mais respeitadas prestadoras de

serviços de medicina diagnóstica do País, com uma operação

sólida, estratégica e financeiramente, que ampliará expressivamente

nossa presença no Rio de Janeiro e em hospitais”,

afirma o executivo. “Adicionalmente, vale salientar que além

da aquisição do Labs D’Or, a aliança estratégica que estabelecemos

para atender aos hospitais da Rede D’Or/São Luiz traz

perspectivas muito positivas”, complementa.

Caso a transação se efetive após cumpridos os trâmites

burocráticos e legais (incluindo due dilligence e aprovação de

órgãos de defesa da concorrência), a presença do Grupo Fleury

será expressivamente ampliada no Rio de Janeiro, uma vez que

passa a contar com 85 Unidades de Atendimento, assim como

complementa a oferta de serviços com exames de imagem que

correspondem a aproximadamente a 71% da receita líquida

do Labs D’Or. Igualmente relevante é a expansão da presença

do Grupo Fleury em operações hospitalares, passando de 8

para 27 hospitais atendidos.

De acordo com Jorge Moll, Presidente da Rede D’Or/São

Luiz, um dos principais aspectos para viabilização da operação

foi a convergência de valores, princípios e visão da prática de

prestação de serviços médicos que as duas instituições têm

em comum. “A medicina diagnóstica deu origem à Rede D’Or/

São Luiz e é um elemento fundamental para a excelência em

serviços hospitalares. A associação entre a Rede D’Or/São Luiz

e o Grupo Fleury só foi possível graças aos altos padrões de

qualidade compartilhados pelas duas empresas. A união das

expertises do corpo clínico de ambas as instituições propiciará

uma nova dimensão para os serviços de medicina diagnóstica

oferecidos à população brasileira”.

O valor da aquisição foi estimado em R$ 1,04 bilhão, cujo

pagamento será 50% em dinheiro e 50% em ações de Fleury

S.A. (FLRY3). Dessa forma, os acionistas do Labs D’Or passarão

a deter aproximadamente 15% das ações de Fleury S.A..

Os valores base para o acordo, bem como os valores finais,

são sujeitos a confirmação após finalizada a due dilligence,

da mesma forma que a assinatura está sujeita à aprovação

da Assembleia de Acionistas.

Dois novos professores receberam a titularidade na FCMSCSP

A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São

Paulo – FCMSCSP deu posse a dois novos Professores Titulares.

A cerimônia foi no Auditório Emílio Athiê, que fica na

instituição. Os docentes Osmar Monte, que é vice-diretor do

Curso de Medicina, e Wilma Carvalho Neves Forte, do Departamento

de Ciências Patológicas, prestaram concurso e

foram aprovados por Comissão Julgadora e ratificados pela

Congregação da FCMSCSP.

Wilma Carvalho Neves Forte é graduada pela Faculdade de

Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, tem mestrado e

doutorado pela USP e Título de Especialista em Alergia e Imunologia

pela Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia, e em

Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Atualmente é

coordenadora da Disciplina de Imunologia do Departamento de

Ciências Patológicas da FCMSCSP e responsável pelo Setor de

Alergia e Imunodeficiências do Departamento de Pediatria da

Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Foi premiada

como médica que contribuiu com a Imunologia no século

20, durante o Congresso Brasileiro de Alergia e Imunopatologia.

Osmar Monte possui graduação e doutorado em Medicina

pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São

Paulo. Atualmente é vice-diretor do Curso de Medicina da

FCMSCSP. Tem experiência na área médica, com ênfase em Endocrinologia.

É também professor do Curso de Pós-Graduação

em Ciências da Saúde da Faculdade de Ciências Médicas da

Santa Casa de São Paulo.

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Hospital Nossa Sra. de Lourdes renova acreditação nível 3 com excelência

Como resultado da dedicação ao longo do ano todo e comprometimento

de sua equipe, o Hospital Nossa Senhora de

Lourdes acaba de conquistar a renovação do seu Certificado

de Acreditação com Excelência, em nível 3, o mais elevado

concedido pela ONA - Organização Nacional de Acreditação. A

auditoria foi realizada entre 17 e 20 de janeiro por profissionais

da DNV, entidade autorizada pela ONA a emitir o certificado.

No País todo há apenas 51 hospitais no nível 3, de Excelência.

“Saímos desta visita de renovação plenamente convencidos

do certificado que concedemos ao Hospital”, diz Eliana Quintão,

auditora da DNV. A avaliação foi ampla e rigorosa, mas o relatório

final dos auditores traz uma lista de observações, que irão

ajudar a direcionar os esforços de desenvolvimento da qualidade

até a próxima visita de auditoria da Acreditação, em 2012.

“O Hospital encerra mais um ciclo de Acreditação”, observa

Eduardo Ramos Ferraz, auditor da DNV, “e nós percebemos

que o sistema de gestão da qualidade amadureceu ao longo

do tempo e agora tem um sistema efetivamente implantado,

com foco na assistência e na segurança do paciente”.

“A manutenção do certificado de Acreditação é um desafio

tão importante quanto a própria certificação, porque significa

um novo ciclo de melhorias e de evolução”, afirma Rita Costa,

gerente de Qualidade. “A visita dos auditores é uma grande

oportunidade de aprendizagem para nós, pois eles sempre

trazem novidades focadas na melhoria dos processos”, observa

Rita.

A renovação do Certificado é particularmente importante

para o Hospital Nossa Sra. de Lourdes neste momento, pois a

entidade acaba de passar por um amplo processo de profissionalização

na administração e durante todo o período manteve

seu comprometimento com a qualidade dos serviços prestados,

o que traz segurança para pacientes, médicos e colaboradores.

Exame traça perfil genético de crianças

Amostras colhidas no consultório podem indicar se a criança tem tendências

à obesidade, à doença celíaca ou intolerância à lactose

Atualmente, os testes genéticos que isolam e analisam

mutações de DNA a partir de uma pequena amostra biológica

fazem cada vez mais parte do arsenal de análises clínicas

que permitem rastrear ou comprovar determinadas doenças.

“Quando validados pela comunidade científica, os

testes genéticos permitem identificar de maneira precoce,

confirmar a suspeita clínica ou descartar o diagnóstico de

diversas doenças, com possibilidade de prevenir ou mudar

o seu curso através de uma intervenção terapêutica mais

individualizada”, informa Claudia Moreira, gerente científica

da EoCyte Pharma Care.

Algumas dessas doenças estão ligadas à nutrição, como

por exemplo, sobrepeso e obesidade, doença celíaca ou intolerância

à lactose, e os testes genéticos concentrados na

área nutrigenômica, partem do princípio de que podem existir

relações entre alguns genes específicos do nosso corpo e o

que comemos, e que assim se relacionam no desenvolvimento

de certas doenças.

“Doenças que se relacionam com a nutrição são frequentes

e complexas de se tratar. Isso ocorre devido ao fato de não

serem ligadas a um fator específico, vírus e bactérias, mas

sim ao próprio estilo de vida do paciente, como por exemplo,

o que ele come. Os testes genéticos são de grande ajuda porque

podem ser usados para prever e gerenciar doenças com

foco e precisão, qualquer seja a idade ou a dieta do paciente”,

afirma o pediatra e neonatologista do Hospital Albert Eisten e

do Instituto Saúde Plena, Dr. Jorge Huberman.

Na detecção da intolerância à lactose, o exame demonstra

eficácia em 93% dos casos, sendo um método menos invasivo

e que não causa desconforto ao paciente.

“Um exame que traça o perfil genético da criança colabora

em praticamente 100% nos cuidados que devem ser

tomados quando o paciente descobre ser portador da doença

celíaca, que normalmente demoraria 10 anos para ser

diagnosticada devido à intolerância ao glúten. Além disso,

se a criança já tem predisposição à obesidade, podemos

controlar a dieta do paciente desde pequeno, evitando que

os sintomas apareçam”, conclui Dr. Huberman.

Os testes foram desenvolvidos para serem fáceis de usar

e pouco invasivos, uma vez que utilizam apenas amostras de

saliva ou gotas de sangue capilar. O resultado é obtido em um

prazo de 20 dias após o envio da amostra biológica.

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Pesquisadores descobrem gene que protege pessoas com alto risco de contrair demência

Equipe liderada por pesquisadores da Clínica Mayo descobriu fator genético que

protege contra o distúrbio nos portadores da mutação da progranulina

Neurocientistas sempre acreditaram que uma

mutação no gene progranulina, que produz a proteína

progranulina e dá suporte aos neurônios do

cérebro, era a responsável pelo desenvolvimento de

um tipo de demência conhecido como Degeneração

Lobar Frontotemporal (DLFT). Mas, recentemente,

uma equipe internacional de cientistas, liderada

por pesquisadores da Clínica Mayo de Jacksonville,

Flórida, descobriu um outro fator genético que, segundo

eles, parece proteger contra esse distúrbio

nos portadores da mutação da progranulina.

Em um artigo publicado na edição de 22 de

dezembro no jornal Neurologia, publicação médica

da Academia Americana de Neurologia, os

pesquisadores relatam que pessoas com um gene

progranulina mutado, que também herdaram duas

cópias de uma variante específica do gene TMEM106B,

são significativamente menos propensos a desenvolver

a DLFT ou, pelo menos, o desenvolvimento da doença

será retardado.

“Essa foi uma descoberta inesperada, mas muito

estimulante, porque ela sugere que, se viermos a entender

o que é o gene TMEM106B e como ele e suas

variantes funcionam, será grande a probabilidade de

desenvolvermos um agente que protege contra a DLFT”,

declara a principal autora do estudo, a neurocientista

Rosa Rademakers, Ph.D.

Esse estudo foi uma sequência de outro, de associação

ampla do genoma, liderado por pesquisadores

da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia,

que incluiu 45 centros de diversas partes do mundo e

foi publicado na edição de março de 2010 da Nature

Genetics. Nesse estudo, foram usados tecidos cerebrais

pós-morte para localizar com precisão variações no gene

TMEM106B, como fatores de risco para o desenvolvimento

da DLFT. O que todos os pacientes tinham em

comum era o fato de terem lesões de proteínas TDP-43

mal dobradas dentro dos neurônios do cérebro. Os pesquisadores

descobriram que as variantes do TMEM106B

também tinham uma participação na DLFT de pacientes

com uma mutação da progranulina – eles, invariavelmente,

tinham essas lesões no cérebro.

“Essa pesquisa foi projetada para confirmar as descobertas

do estudo anterior e ampliá-lo, com o objetivo

de verificar se o TMEM106B poderia regular os níveis de

progranulina”, diz Rosa Rademakers. Para fazer isso, os

pesquisadores investigaram as variantes do TMEM106B em

um novo grupo de pacientes, incluindo 82 pacientes

com DLFT, com mutações da progranulina, 562

pacientes com DLFT, sem mutações, além de um

grupo de controle com 822 pessoas saudáveis.

No grupo como um todo, eles não verificaram

uma associação significativa com o

TMEM106B, mas havia uma associação bastante

significativa entre variantes do TMEM106B e

o desenvolvimento da DLFT em pessoas com

mutações da progranulina.

Os pesquisadores descobriram que pessoas

com uma mutação da progranulina, que também

herdaram duas cópias do alelo protetor

TMEM106B, não desenvolveram a DLFT ou a

desenvolveram apenas em uma idade bem

mais avançada do que é o normal – geralmente

em torno dos 60 anos, explica a neurocientista. “Como

os portadores da mutação da progranulina produzem

50% menos a proteína progranulina, acreditamos que

o TMEM106B pode afetar os níveis de progranulina e,

portanto, funcionar especificamente em pessoas com

mutações de progranulina”, ela diz.

Em suporte a suas hipóteses, eles descobriram que

pessoas portadoras do alelo protetor TMEM106B têm mais

progranulina em seu plasma sanguíneo, o que sugere que

o alelo TMEM106B exerce a função de aumentar os níveis

da proteína progranulina.

“A forma protetora do TMEM106B causa o aumento dos

níveis de progranulina no sangue. Se ela também aumenta

os níveis de progranulina no cérebro é uma questão ainda

a ser estudada e será o foco de nossa próxima pesquisa”,

afirma Rosa Rademakers.

O alelo TMEM106B benéfico pode ser a base para o

desenvolvimento de uma nova terapia para pacientes

com uma mutação de progranulina e, além disso, pode

ajudar outras pessoas na faixa de risco de demência, ela

afirma. “Mudanças sutis nos níveis de progranulina têm

sido associadas a um risco maior de desenvolvimento da

DLFT, de forma que, agora, temos uma pista interessante

para investigar”, ela declara.

O estudo foi financiado pelos Institutos Nacionais

de Saúde e pelo Consórcio para Pesquisa de Demência

Frontotemporal. Os autores declaram não haver qualquer

conflito de interesse.

Para saber mais:

intl.mcj@mayo.edu

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NewsLab - edição 104 - 2011


Novo diretor do Instituto Butantan quer acelerar integração

entre pesquisa e produção de vacina

Jorge Kalil também pretende investir em tecnologia de

equipamentos de laboratório e novas instalações para áreas técnicas

O novo diretor do Instituto Butantan,

o médico imunologista Jorge Kalil,

empossado em fevereiro, definiu como

prioridade em sua gestão a integração

rápida entre pesquisa científica e a

produção de soros e vacinas, que já

corresponde a 80% de toda a produção

nacional. Kalil substitui a Otavio Mercadante,

que ficou oito anos no cargo.

De formação acadêmica e atualmente

professor titular da Faculdade de Medicina da USP (Universidade

de São Paulo), Kalil pretende ampliar a variedade

e a quantidade de vacinas produzidas. Hoje, o Instituto

domina a tecnologia para produção de sete tipos de vacinas

e outros 12 tipos de soros.

Neste ano o Butantan, instituição ligada à Secretaria

de Estado da Saúde, completou o processo de desenvolvimento

da tecnologia para produzir vacina contra o vírus

Influenza, causador de vários dos tipos de gripe. Pela

primeira vez, ele vai produzir exemplares 100% nacionais

do produto para reforçar a campanha anual de vacinação,

encabeçada pelo Ministério da Saúde.

“Posso dizer que estou no lugar certo para fazer o

que sempre sonhei, que é aliar a ciência, que sempre

fez parte da minha vida, à produção

prática de produtos que possam melhorar

diretamente a saúde da população.

A vacina é o meio médico mais eficaz

que existe e vamos focar nisso”, disse.

No campo científico, o Butantan produz

mais de 200 trabalhos por ano, com

publicações nas mais renomadas publicações

específicas do mundo. Uma das

prioridades para 2011 é iniciar a testagem

da vacina para combate a dengue, cujo desenvolvimento

se deu em parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos

Estados Unidos (NIH).

O novo diretor também pretende investir em tecnologia

de equipamentos de laboratório e novas instalações para

áreas técnicas. “A intenção é transformar alguns prédios

antigos em patrimônio histórico e construir outros novos”,

afirmou.

Jorge Kalil foi empossado em cerimônia que aconteceu

no auditório do Museu Biológico e recebeu as boas vindas

do secretário de Estado da Saúde, Giovanni Guido Cerri.

Entre os presentes estiveram representantes das esferas

do poder público e alguns dos principais nomes da área

médica e de pesquisa científica.

Estudo indica que o biomarcador NGAL ajuda a prognosticar

função retardada do órgão enxertado

Um teste diagnóstico para a detecção precoce de lesão

renal aguda pode ajudar no prognóstico de ocorrência de DGF

(delayed graft function – função retardada do enxerto) em

pacientes com rim transplantado, segundo um estudo finlandês

publicado na Kidney International, publicação da Sociedade

Internacional de Nefrologia. DGF e DGF prolongado (14 dias ou

mais) podem causar rejeição aguda do órgão, levar o paciente

a necessitar de diálise, prolongar o período de hospitalização

pós-transplante e aumentar os custos pós-operatórios. De

acordo com os autores do estudo, a medicina necessita um

teste diagnóstico eficaz para ajudar a prognosticar a função

tardia do enxerto depois do transplante, o que poderá contribuir

para o desenvolvimento de intervenções terapêuticas

para evitar a DGF.

O principal objetivo do estudo, liderado pela médica Maria

Hollmen, do Helsinki University Hospital, foi o de avaliar como as

concentrações séricas do biomarcador urinário NGAL (neutrophil

gelatinase-associated lipocalin) se alteram, com o passar do

tempo, após transplantes de rins e se as concentrações de NGAL

na urina podem prognosticar o surgimento da função tardia

do órgão enxertado ou o prolongamento desta função tardia.

"No dia um o biomarcador urinário NGAL detectou a DGF

mesmo quando não era clinicamente previsto precocemente e,

mais importante, detectou DGF prolongada que levou a uma

piora da sobrevida do enxerto”, segundo Dr. Hollmen.

No estudo, foram avaliados 176 pacientes com transplante

renal. As amostras de urina foram coletadas antes e por vários

dias depois do transplante. Setenta pacientes apresentaram

DGF e 26 apresentaram DGF prolongada.

Os pacientes que desenvolveram DGF tiveram uma diminuição

mais lenta das concentrações de NGAL urinária

em comparação àqueles sem DGF. Os níveis de NGAL na

urina medidos um dia pós o transplante prognosticaram DGF

prolongada, com piora basta significativa um mês depois da

sobrevivência do enxerto (73%), em comparação com aqueles

que apresentaram DGF mais curta (100%).

No estudo, os pesquisadores concluíram que as medidas de

NGAL na urina podem prognosticar DGF prolongada e identificar

pacientes com lesão renal grave e com menor tempo de

sobrevivência do órgão enxertado. Acrescentaram ainda que

o teste também oferece um método simples de quantificar a

recuperação de uma lesão renal. A Abbott lançou um ensaio

automatizado de NGAL Urinária na Europa, na plataforma

Architect, o principal sistema de instrumentos da companhia.

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NewsLab - edição 104 - 2011


Dia Mundial do Câncer: 120 países se mobilizam pela prevenção contra tumores,

diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias

Essas doenças respondem por mais de 70% dos gastos assistenciais do SUS

e por 67% de todas as mortes registradas no Brasil

O Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro,

teve este ano uma pauta ampla: mobilizar as 400 organizações

espalhadas em 120 países, representados na

União Internacional para o Controle do Câncer (UICC, na

sigla em inglês), entre os quais o Brasil, a adotarem campanhas

sistemáticas de prevenção. O objetivo é combater

o efeito considerado “catastrófico” das doenças crônicas

não-transmissíveis sobre as populações e os sistemas

públicos de saúde.

No país, o câncer, a diabetes, as doenças cardiovasculares

e respiratórias consomem mais de 70% dos

gastos assistenciais do Sistema Único de Saúde (SUS) e

respondem por 67% das mortes registradas no país. Os

dados são do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional

de Câncer (INCA).

Os efeitos dessas doenças sobre as populações e os

sistemas públicos de saúde são tão devastadores que a

Organização das Nações Unidas (ONU) incluiu na pauta da

sua Assembleia Geral, marcada para setembro, em Nova

Iorque, uma discussão sobre o tema.

“O objetivo é chamar a atenção dos países e dos gestores

da saúde em todo o mundo para a necessidade urgente

de se adotar medidas de prevenção e controle dessas doenças”,

afirma o diretor-geral do INCA, Luiz Antonio Santini,

porta-voz da UICC para a América Latina. Segundo a OMS,

as doenças crônicas não-transmissíveis são responsáveis

por 58,5% de todas as mortes ocorridas no mundo. A UICC

afirma que são 35 milhões de mortes por ano sendo que 9

milhões poderiam ser evitadas.

No Brasil, até a primeira metade do século 20, as Doenças

Infecciosas Transmissíveis, caso da tuberculose e do

sarampo, eram as causas mais frequentes de morte. A partir

dos anos 60, uma série de fatores combinados potencializou

as doenças crônico-degenerativas: o envelhecimento da

população, a redução das taxas de desnutrição, a queda nas

taxas de natalidade, o excesso de pessoas com sobrepeso

e obesas são alguns desses fatores.

Câncer - Entre as doenças crônicas não-transmissíveis,

o câncer é a segunda causa de morte, atrás apenas das

cardiovasculares. A cada ano no Brasil há 500 mil novos

casos de câncer, segundo dados do INCA. Entre 2000 e

2007, os investimentos do Ministério da Saúde com a doença

aumentaram em 20% ao ano, passando de R$ 200 mil

para R$ 1,4 bilhão, em 2007. Anualmente, são internados

cerca de meio milhão de pacientes em todo o país. Todos

os meses, 235 mil procuram os ambulatórios para fazer

quimioterapia; 100 mil para fazer radioterapia.

O câncer do colo do útero é o segundo tumor mais frequente

na população feminina, atrás apenas do câncer de

mama, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer

no Brasil. Por ano, faz 4.800 vítimas fatais e apresenta

18.430 novos casos. Prova de que o país avançou na sua

capacidade de realizar diagnóstico precoce é que na década

de 1990, 70% dos casos diagnosticados eram da doença

invasiva. Ou seja: o estágio mais agressivo da doença. Atualmente

44% dos casos são de lesão precursora do câncer,

chamada in situ. Esse tipo de lesão é localizada. Mulheres

diagnosticadas precocemente, se tratadas adequadamente,

têm praticamente 100% de chance de cura.

Em relação ao câncer de mama, nos últimos oito anos,

o Brasil aumentou em 118% a oferta de mamografias e

em 73% as ultrassonografias das mamas. A queda na

mortalidade em cidades, como São Paulo e Porto Alegre,

que lideram as estatísticas de novos casos, indica que o

país está no caminho certo. Mesmo assim, no Dia Mundial

do Câncer, a UICC alerta que é necessário intensificar as

medidas de controle.

Segundo a UICC, o câncer custou US$ 1 trilhão à economia

global em mortes prematuras e invalidez, sem considerar

os custos médicos. O impacto econômico da doença

é 20% maior do que o das cardiovasculares. Estudo da ONG

American Cancer Society, maior porta-voz da sociedade

civil norte-americana para assuntos relativos a câncer, os

tumores custam mais em produtividade do que a Aids, a

malária, a gripe e outras doenças infecciosas.

Controle - Apesar da tendência de declínio das mortes

decorrentes das doenças crônicas no país (17% entre 1996

e 2007), as mortes por diabetes apresentaram aumento

de 10% no mesmo período (Saúde Brasil, 2009- SVS). Os

principais fatores de risco para o desenvolvimento do tipo 2

da diabetes em adultos é o histórico familiar e a obesidade.

Segundo dados do Ministério da Saúde, 33 milhões de

brasileiros são hipertensos. Destes, 80%, aproximadamente

26 milhões de pacientes, são atendidos na rede pública de

saúde. Segundo as mesmas fontes, há no país 7,5 milhões

de pessoas diagnosticados com diabetes.

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NewsLab - edição 104 - 2011


DASA apresenta diagnóstico definitivo da superbactéria KPC

O teste já está disponível para hospitais e centros de saúde

A DASA, maior empresa de medicina diagnóstica na

América Latina e quarta maior deste segmento no mundo,

disponibiliza ao mercado de saúde o teste confirmatório para

detecção da bactéria produtora de KPC - Klebsiella pneumoniae

produtora de carbapenemase. Ideal para instituições de saúde,

o exame contribui, significativamente, na detecção precoce

das bactérias produtoras de KPC e auxilia diretamente na vigilância

e controle de surtos ocasionados por estes agentes,

já que concede resultados precisos por meio de caracterização

molecular e dispensa outros testes confirmatórios.

Segundo o coordenador do Laboratório de Biologia Molecular

da DASA e especialista na área, Dr. Nelson Gaburo Junior,

a nova metodologia por análise molecular, quer seja por PCR

e enzimas de restrição ou PCR seguido se sequenciamento

automático de DNA, permite identificar a KPC e possibilita a

caracterização de diferentes clones desses microrganismos.

“É importante ressaltarmos que esses procedimentos auxiliam

na implementação de medidas de controle mais efetivas por

parte das instituições de saúde”, acrescenta Dr. Gaburo.

Os testes mais comuns empregados no rastreamento da

KPC são diversificados, podendo utilizar o método de cultivo

de células ou identificação. A identificação da bactéria é

complementada pela realização de teste de sensibilidade aos

antibióticos e outros testes confirmatórios, o que demanda

tempo para o diagnóstico definitivo. “Em casos de surtos de

bactérias superresistentes, como o caso do Brasil diante da

KPC, a eficácia e agilidade dos laudos é um agente bastante

importante no controle e erradicação destes micro-organismos.

Além disso, o teste molecular permite traçar o caminho da

disseminação da bactéria no Hospital e auxiliar no seu controle”,

completa o especialista.

Com o novo serviço, a DASA contribui efetivamente com

as instituições de saúde no combate ao surto de infecções

causadas por estas bactérias resistentes a diversas classes de

antimicrobianos – as chamadas “superbactérias”.

Em São Paulo, as marcas Delboni Auriemo e Lavoisier já

estão realizando o teste da superbactéria KPC em suas unidades

hospitalares.

A KPC - A KPC, responsável por infecções em humanos,

principalmente em ambiente hospitalar, foi descrita pela primeira

vez na Carolina do Norte (Estados Unidos) em 1996.

Desde então, houve disseminação deste agente para outras

regiões dos Estados Unidos e posteriormente outros continentes,

como Europa (principalmente Grécia), Ásia e América

do Sul. No Brasil, o primeiro relato ocorreu em Recife no ano

de 2007. Atualmente, encontra-se disseminada em diversas

regiões brasileiras e recentemente foi responsável por grandes

surtos em diversos hospitais brasileiros.

Geralmente, estes isolados apresentam resistência concomitante

a quase todos os agentes antimicrobianos testados e

estão associadas a altas taxas de mortalidade, particularmente

entre pacientes muito debilitados, expostos a procedimentos

invasivos e com tempo de hospitalização prolongado (CDC

2009).

Uma importante particularidade destes agentes é que o

gene que codifica a produção desta enzima (carbapenemase)

está inserido em um plasmídio (gene bla KPC

), elemento genético

móvel que pode se disseminar facilmente tanto para bactérias

da mesma espécie como para bactérias de espécies diferentes.

Para saber mais:

www.dasa.com.br

www.delboniauriemo.com.br

www.lavoisier.com.br

VIII Curso de Aperfeiçoamento em Laboratório Clínico e Hemoterapia 2011

O Centro de Hematologia de São Paulo e o Banco de

Sangue de São Paulo darão início à 8 a edição do Curso

de Aperfeiçoamento em Laboratório Clínico/Hemoterapia

no próximo dia 2 de maio de 2011.

O curso conta com seis vagas e tem duração de 360 horas.

Os participantes têm a oportunidade de compartilhar

e aprender com aulas teóricas ministradas por técnicos

especializados e médicos, assuntos atuais nas áreas de

Hematologia e Hemoterapia.

Na sequência aplicam a teoria nas bancadas do Laboratório

(Hematologia, Bioquímica, Eletroforese, Sorologia,

Triagem de Materiais) e do Banco de Sangue (Triagem e

Coleta de Doadores, Processamento de Hemocomponentes,

Controle de Qualidade, Imunohematologia e Transfusão

de Hemocomponentes).

Para saber mais:

(11) 3372-6603 com Adriana Helena

Inscrições: www.chsp.org.br

(até o dia 4 de abril)

40

NewsLab - edição 104 - 2011


Grupo busca sistemas moleculares contra doença de Chagas

No Instituto de Física de São Carlos

(IFSC) da USP, o grupo de pesquisa coordenado

pelo professor Adriano Andricopulo

estuda sistemas moleculares que são

preparados para atuar contra alvos vitais

de sobrevivência do parasita da doença de

Chagas. No momento, o grupo procura definir

o composto que irá passar por testes

clínicos para verificar sua eficácia contra

a doença. As pesquisas têm o apoio da

Organização Mundial de Saúde (OMS), que

coordena uma rede internacional de cientistas sobre o tema.

Os pesquisadores trabalham com algumas proteínas-alvo

do Trypanosoma cruzi, o agente causador da doença, isolando

tais proteínas para, posteriormente, produzi-la e encontrar

pequenas moléculas que possam inibir sua atividade, causando

uma condição letal à sobrevivência e desenvolvimento do

parasita. “Por meio de ensaios in vitro fazemos os testes com

moléculas candidatas a fármaco que irão inibir as enzimas

responsáveis pela sobrevivência do parasita”, conta o cientista.

A pesquisa conta com especialistas de diversas áreas,

como parasitologia, química medicinal e biologia molecular

e estrutural. “A OMS desenvolve um sistema de projetos, do

tipo empresa farmacêutica, muito detalhado e estabelecido.

Dessa rede, participam universidades importantes do mundo

todo”, diz o professor. “Há também a participação de diversas

indústrias farmacêuticas.” O grupo conta ainda com a colaboração

dos professores Otavio Thiemann, Rafael Guido e

Glaucius Oliva, do IFSC, e Luiz Carlos Dias, da Universidade

de Campinas (Unicamp).

Atualmente, uma média de 300 compostos foi sintetizada,

com moléculas que já foram confirmadas como inibidoras.

A próxima fase será trabalhar as propriedades

fármaco-cinéticas, ou seja, a

melhoria para percorrer todo o “caminho”

num organismo infectado. “Precisamos

observar diversas propriedades como

absorção do composto, solubilidade, biodisponibilidade.

Esse trabalho é conjunto

e cada um dos grupos que faz parte da

rede da OMS presta auxílio, cada um na

parte que lhe cabe”, diz o professor.

Testes - Adriano Andricopulo explica que a fase final (fase

clínica), quando empresas farmacêuticas irão financiar testes

em seres humanos, dos possíveis candidatos a fármaco, deve

ser acelerada. Segundo o professor do IFSC, o maior desafio

atualmente é encontrar um candidato clínico, ou seja, o composto

que a indústria farmacêutica irá escolher para realizar

testes em humanos.

O grupo de pesquisa do IFSC desenvolve estudos in vitro e

in vivo, e a relação com a OMS e com os grupos da rede tem

sido importante e fundamental para a evolução dos estudos.

“A OMS consegue coordenar toda essa rede e fazê-la funcionar

corretamente”, ressalta.

O grupo disponibiliza a primeira base de dados da América

Latina, PK/DB, para acesso e acompanhamento de outros estudiosos

do assunto. “A capacidade de trabalhar com moléculas

sintéticas e fazer ensaios biológicos é algo difícil de encontrar

e isso tem nos trazido credibilidade de grupos externos, onde

se inclui a OMS”.

Para saber mais:

www.usp.br

Definido tema central dos congressos ClasSaúde 2011

“Saúde e os Desafios Econômicos, Humanos e Ambientais”.

Esse é o tema central dos seis congressos que compõem o

ClasSaúde 2011, que será realizado de 25 a 27 de maio, no

Expo Center Norte, em São Paulo, durante a Hospitalar 2011.

Promovido pela Confederação Nacional de Saúde (CNS), Federação

Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde

(Fenaess), Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do

Estado de São Paulo (SINDHOSP) e Hospitalar Feira + Fórum, o

ClasSaúde já se consolidou como palco das principais discussões

que norteiam o setor. “Esse ano a questão ambiental entra em

discussão. Assim, é possível tratar da sustentabilidade de forma

geral, abrangendo também os aspectos econômicos e humanos”,

afirma o presidente da Fenaess e do 16º Congresso Latino-

Americano de Serviços de Saúde, Humberto Gomes de Melo.

O Congresso Latino-Americano é o evento internacional do

ClasSaúde e está dividido em três módulos: Sistema de Saúde

Público-Privado (25 de maio); Saúde Suplementar (26 de maio);

e Capacitação Profissional (27 de maio). Além dele, compõem

o portfólio ClasSaúde: o 6º Congresso Brasileiro de Gestão

em Clínicas de Serviços de Saúde; 5º Congresso Brasileiro de

Gestão em Laboratórios Clínicos (evento realizado em conjunto

com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial

- SBPC/ML); 4º Congresso Brasileiro de Tecnologias da

Informação e Comunicação em Saúde; 2º Congresso Brasileiro

de Aspectos Legais para Gestores e Advogados da Saúde; e 2º

Congresso de Gestão e Políticas em Saúde Mental.

Os programas dos eventos são definidos por comissões

científicas formadas por profissionais renomados no mercado.

“É importante envolver profissionais de perfis e atuações diferenciadas

para que o temário seja o mais abrangente possível.

Só assim é possível contemplar todas as necessidades”, acredita

o presidente do SINDHOSP, Dante Montagnana.

O site do ClasSaúde (www.classaude.com.br) trará os

programas dos eventos, composição das comissões científicas,

valores das inscrições, pacotes de viagem, notícias e demais

informações sobre os eventos.

42

NewsLab - edição 104 - 2011


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NewsLab - edição 101 104 - 2010


Com sua matriz localizada

na cidade de Brea, na

Califórnia (EUA), a Beckman

Coulter Inc. emprega

mais de 12.000 funcionários em

todo o mundo e possui mais de 15

fábricas espalhadas ao redor do

globo. Em seus 75 anos de existência,

já instalou mais de 200.000

equipamentos em 180 países.

Sua atuação está concentrada

em três grandes áreas: Diagnóstico

In Vitro (hematologia, imunohormônios,

bioquímica, nefelometria,

citometria de fluxo); Pesquisa

Científica e Clínica (centrífugas de

alta performance, sequenciadores

de DNA, eletroforese capilar); Indústria

(contadores de partícula).

No caso de automação e hematologia,

tem sido reconhecida por

seis anos consecutivos como “Top

of Class” por uma publicação independente

nos EUA.

Com um faturamento anual

girando em torno da casa dos US$

4 bilhões, a empresa investe 20%

desse volume em pesquisa e desenvolvimento

de novos produtos.

Também faz parte da estratégia

de crescimento do grupo adquirir

frequentemente empresas de

tecnologia de ponta para incrementar

a linha de produtos, como

aconteceu com a incorporação da

Olympus em 2009.

A história de sucesso e inovação

da empresa começou com a

solução criada pelo Dr. Arnold O.

Beckman para determinar a medição

precisa do pH no suco de limão,

o acidímetro, ou o mais popularmente

conhecido pHmetro. Para

alcançar a liderança de mercado

entre os anos 1950 até 1970, a

Beckman criava, em média, uma

nova patente por mês.

Da pequena atividade iniciada

em uma garagem em Pasadena,

Califórnia, ao reconhecimento

como líder mundial em diagnóstico

clínico e pesquisas em life science,

a Beckman Coulter deve seu

sucesso a três homens cuja visão

revolucionou a ciência e a medicina:

Arnold O. Beckman e os irmãos

Wallace e Joseph Coulter.

Beckman Coulter Brasil

Desde a Compra da Coulter pela

Beckman em 1997, a empresa começou

a se organizar para assumir

a operação em todos os países

onde somente existia operação da

Coulter, como era o caso do Brasil.

Com escritório central no Rio de

Janeiro e filial em São Paulo, Wagner

Rodrigues, Gerente Geral da empresa

no Brasil, foi contratado em

maio de 2000 para iniciar o processo

de transição e implementação da

nova filosofia de trabalho da agora

chamada Beckman Coulter. “Foi um

processo difícil, pois havia diferenças

de cultura entre a filosofia Coulter,

que era uma empresa de dois donos,

e a Beckman que já era uma

empresa com ações na bolsa de

valores. Estas mudanças incluíram

o fechamento da fábrica de reativos

de hematologia no Rio de Janeiro e

a transferência da matriz para São

Paulo. Este processo levou mais de

dois anos até que já tivéssemos um

time formado com a nova filosofia,

sendo que muitos destes já pertenciam

ao quadro da agora antiga

Coulter”, explica Wagner.

Após quatro anos, a operação já

estava consolidada e era chegada a

hora de retomar o espaço perdido

no mercado devido à fusão e uma

Wagner Rodrigues,

Gerente Geral da

Beckman Coulter

no Brasil

série de problemas contratuais e

comerciais inerentes à união de

duas gigantes: à época, a Coulter

era líder mundial em hematologia

e a Beckman era líder mundial em

bioquímica.

De acordo com Wagner Rodrigues,

esta retomada de mercado

exigiu um plano audacioso e muito

bem planejado, pois não envolvia

o crescimento como busca indiscriminada

de market share e sim

conquistar clientes com as linhas

de hematologia, imunologia, nefelometria,

bioquímica e citometria

de fluxo. Esses clientes deveriam

ser atendidos com um diferencial

em relação à concorrência. “Este

fato nos levou a atuar diretamente

em um número pequeno de

clientes focados nas áreas onde

possuímos escritórios com serviço

técnico, como São Paulo, Rio

de Janeiro e Minas Gerais. Este

objetivo e atendimento diferenciado

nos permitiu rapidamente

conquistar os maiores volumes de

clientes privados nestas regiões e

com uma participação de mercado

significativa em outros estados

graças a nossa rede de distribuidores

que passaram por um processo

de treinamento técnico e científico

dentro de cada linha de produto

por eles distribuída”, complementa

o gerente geral da empresa.

Este projeto certamente deu resultado.

Quando, em 2000, surgiu

uma dúvida sobre o fechamento

NewsLab - edição 104 - 2011

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Samuel Gê

Parte da

equipe

Beckman

Coulter

Brasil

ou não da filial Brasil, a empresa

passou a ser a subsidiária com

maior destaque entre Ásia Pacífico

e América Latina, com crescimento

médio anual de 2005 e até hoje,

em torno de 28%.

Mesmo com todo esse crescimento,

a Beckman Coulter mantém

sua equipe focada em um

atendimento diferenciado, onde

alguns clientes são atendidos com

um técnico de serviço dedicado

em todos os dias de trabalho.

Consolidação pela automação

Em 2010 a posição da Beckman

Coulter foi consolidada no mercado

dos grandes volumes, com

a instalação do mais avançado

sistema de automação na América

Latina. Este sistema foi desenhado

exclusivamente para atender

O novo Núcleo Técnico Operacional do Pardini opera pelo sistema Total Lab Automation

à grande demanda e volume de

tubos movimentados diariamente

pelo Laboratório Hermes Pardini,

em Belo Horizonte.

Graças à expertise desenvolvida

pela liderança mundial em automação

que envolve centrifugação,

a empresa conseguiu projetar e

instalar um sistema totalmente

automatizado que atendesse à

demanda de um processo tão

complexo quanto o do Pardini, em

função do recebimento de tubos

dos mais variados tipos e de todos

os cantos do Brasil.

O novo Núcleo Técnico Operacional

(NTO) do laboratório ocupa

uma área total de 100 mil metros

quadrados e foi concebido de acordo

com o moderno conceito de

horizontalização e uniformização

das plataformas da produção, integração

e consolidação plena dos

processos produtivos. Com esses

novos investimentos, a sua capacidade

produtiva será de mais de

três milhões de exames por mês.

A integração e automação das

fases pré-analítica, analítica e pósanalítica,

sistema conhecido como

TLA (Total Lab Automation), é a

tecnologia mais moderna na realização

de exames laboratoriais, pois

reduz a manipulação de amostras,

aumenta a produtividade e agrega

maior segurança à produção, pilares

que representam o diferencial

da automação.

Nova fase

Consolidada a posição nos grandes

volumes e nos clientes referência

em todo o Brasil, a Beckman

Coulter se prepara agora para uma

nova fase no Brasil, com o início da

atuação direta em outros estados

e também nos institutos públicos,

onde até o momento não havia

uma atuação consistente.

Para esta nova fase, além da

atuação em São Paulo, Rio de Janeiro

e Minas Gerais, 2011 inicia

com a implantação do escritório de

Santa Catarina, de onde a empresa

pretende consolidar sua presença

na região sul do Brasil.

“Nós contamos atualmente com

uma estrutura onde 50% de nossos

funcionários são focados no

atendimento ao cliente. Embora

complexo e custoso, mantemos

três meses de estoque regulador

de produtos, que se faz necessário

devido à alta complexidade dos

processos de importação no Brasil,

bem como à necessidade de nossos

clientes poderem concentrar

em nossa empresa a maioria dos

testes que podemos disponibilizar”,

enfatiza Wagner Rodrigues,

complementando: “nos orgulhamos

que mesmo durante greves

e crises dos órgãos envolvidos na

46 NewsLab - edição 104 - 2011


importação e liberação de produtos

nunca ficamos sem produto

para atender nossos clientes”.

Ainda com o objetivo de um

atendimento diferenciado, a empresa

mantém estoque de peças

em todos os escritórios, evitando

assim a parada dos equipamentos

por períodos prolongados.

E com a recente aquisição da

Olympus, a Beckman Coulter partiu

para uma nova realidade de mercado

onde poderá oferecer soluções

em bioquímica também para os

laboratórios de grande volume.

Ainda na bioquímica, para

médias rotinas, ela é a única empresa

que possui um equipamento

onde não é necessário retirar a

tampa do tubo.

O constante crescimento da linha

com novos parâmetros e novas

aquisições coloca a Beckman Coulter

como uma das únicas empresas

a oferecer aos clientes soluções

completas e integradas, desde o

pré-analítico até o armazenamento

automatizado do tubo em geladeiras.

“Devido ao grande número de

fusões e aquisições no mercado

diagnóstico brasileiro e à grande

pressão por redução de custos,

os laboratórios cada vez mais irão

buscar soluções integradas, não

somente uma automação, pois o

mais importante de uma automação

é a capacidade de adaptação

às necessidades individuais dos

clientes e não que o cliente tenha

que adaptar ao que a automação

oferece”, esclarece Wagner.

Neste sentido, a Beckman Coulter

encontra-se em uma posição

privilegiada, de liderança, pois oferece

desde um simples destapador

de tubos e sorting, até um sistema

completo de processamento de

tubos e amostras que contempla

desde a chegada do tubo de coleta

até a emissão do resultado final baseado

nos softwares de MidleWare e

LIS. Eles podem ser oferecidos como

parte da solução para automatização

personalizada que pode também

incluir a conexão de equipamentos

de concorrentes em seu sistema

de transporte de amostras (Power

Processor). “Por isso afirmamos

que automação não é um sorter ou

um transportador de tubos e sim

uma solução capaz de agilizar todo

o processo garantindo redução de

tempo de entrega dos resultados

com aumento significativo da segurança

e padronização durante todo

o processo”, elucida o empresário.

Processo de expansão

O ano de 2011 mal começou e a

Beckman Coulter já deu início a um

importante processo de expansão.

Dentro de seus planos está o crescimento

de 25 a 28% por ano durante

os próximos cinco anos no setor de

diagnóstico clínico, a consolidação

da marca no segmento de pesquisa

científica e industrial, sendo o foco

principal a citometria de fluxo e

Power Processor: equipamento

para automação do pré-analítico

equipamentos e tecnologias ligadas

à genética e centrifugação.

Para atingir esses objetivos, o

ano começou com a formação de

uma equipe focada somente na

área de life science, para a qual a

empresa possui uma gama de produtos

de altíssima tecnologia que

lhe garante a liderança em vários

segmentos deste mercado.

No setor de diagnóstico clínico,

seu portfólio inclui equipamentos

de imuno-hormônios de 100 testes

por hora, até o DXI 800 que é capaz

de processar até 400 testes por

hora. Na bioquímica, oferece desde

400 testes por hora até 8.000 testes

por hora com o AU 5800.

O grande lançamento para o

setor de hematologia ainda neste

ano será o DXH 300 para volumes

menores e o DXH 1500 (automação

em hematologia) para os grandes

volumes.

Com isto, a Beckman Coulter

estará alinhando sua filosofia de

atendimento diferenciado ao portfólio

de produtos e equipamentos

desenhados para atender às mais

variadas necessidades do mercado

brasileiro.

DXH 300*,

ideal para

menores

volumes

AU 5400*: rapidez em bioquímica

* em fase de registro

NewsLab - edição 104 - 2011

47


PCR ultrassensível na prevenção de doença cardiovascular

A proteína C-reativa (PCR) é um marcador

de processos agudos que se eleva

especialmente em processos inflamatórios e

infecciosos. No início da década de 1990, o

conceito de que inflamação era componente

integrante da aterotrombose era altamente

controverso e baseado quase inteiramente

em observações. Entretanto, estudos pioneiros

de alguns autores demonstraram

que biomarcadores de inflamação, incluindo

PCR, foram indicativos de alto risco cardiovascular

entre fumantes ou pacientes com

isquemia aguda ou crônica.

Concentrações de PCR e outros marcadores

de fase aguda aumentam após

isquemia e estão diretamente relacionadas

ao hábito de fumar, entretanto, estudos

nestas populações não podem excluir a

probabilidade deste aumento de PCR ser

consequência deste processo em vez de um

início de doença.

Muitos estudos tratam a respeito da

utilidade dos biomarcadores em geral, e

do PCR-ultrassensível (PCR-US) em particular,

na prevenção de risco cardiovascular

em vários homens e mulheres saudáveis

assintomáticos. Estudos recentes mostram

que mesmo um discreto aumento da PCR-

US é um fator de risco cardiovascular além

de outros já conhecidos, como os níveis de

colesterol total e frações, apolipoproteína

B-100 e homocisteína. Na avaliação de risco

de doença cardiovascular, valores de PCR-

US inferiores a 3 mg/L são considerados

satisfatórios, enquanto que níveis elevados

se associam a maior risco cardiovascular.

Em um trabalho de Ridker, P.M. e cols,

foi avaliado um painel de 12 biomarcadores

vasculares que incluiu fração de lipídeos e

apolipoproteínas, homocisteína, lipoproteína

(A) e quatro biomarcadores inflamatórios,

dentre eles o PCR-US, como determinantes

potenciais de eventos vasculares futuros

entre mulheres americanas saudáveis. Dos

12 marcadores medidos no início do estudo,

PCR-US foi o mais forte preditor de risco. Foi

efetivo na predição de eventos vasculares

mesmo quando as concentrações de LDL

colesterol estavam baixas e foi único marcador

notório que acrescentou informação

prognóstica dos fatores de risco, bem como

a taxa de colesterol total/colesterol HDL.

Em 2009, em uma revisão global dos

marcadores de risco emergentes pela National

Academy of Clinical Biochemistry, “somente

o PCR-US preenchia todos os critérios

estabelecidos como um biomarcador para

avaliação de risco na prevenção primária” e

em 2010, baseado em estudos prospectivos,

o PCR-US foi reconhecido como um marcador

de risco independente, para doenças cardiovasculares,

com uma magnitude de efeito

pelo menos tão grande quanto a do colesterol

ou da pressão arterial. O que ainda é incerto

é se reduzir diretamente a inflamação pode

reduzir os eventos vasculares.

Como parâmetro que melhora a predição

do risco coronariano, pode-se demonstrar

o uso associado da PCR-US com dosagem

de colesterol e, em especial, com a relação

colesterol total/colesterol HDL. A dosagem

da PCR por método ultrassensível pode

contribuir tanto para a identificação de indivíduos

assintomáticos com risco de doença

cardiovascular por aterosclerose, como para

o acompanhamento de pacientes que já

tenham doença cardiovascular.

Com essa finalidade, a Biotécnica oferece

ao mercado o kit de PCR Ultrassensível

– CAT.BT 20.017.00 – com metodologia turbidimétrica.

O produto se destaca dentre os

demais, pois além da tradicional qualidade

Biotécnica, é o único do mercado que possui

controle incluso para que o laboratório

possa realizar as medições de Controle de

Qualidade do ensaio.

: (35) 3214-4646

: sac@biotecnicaltda.com.br

: www.biotecnica.ind.br

Lançamento Abbott Laboratórios para Diabetes

Com o lançamento de toda a família Architect, a Abbott

fornece a solução para laboratórios de pequeno, médio e grande

portes. A empresa desenvolve o menu completo para o painel

de diabetes, utilizando a tecnologia de quimioluminescência

acoplada às micropartículas.

Agora com o lançamento do Architect Peptídeo C, o menu

ficou completo. Este ensaio é utilizado como um teste da função

da célula beta em humanos em uma variedade de condições:

• Diferencia o diabetes tipo 1 e tipo 2

• Dosa os níveis de Peptídeo C em pacientes; injetando insulina

pode-se determinar a quantidade de insulina natural que esses

pacientes ainda produzem

• Checa quando um tumor de pâncreas (insulinoma) foi completamente

removido

• Avalia a resistência de insulina na síndrome de ovários policísticos

• Determina a excreção urinária de 24 horas do Peptídeo C como

opção adicional para monitorar a secreção média de insulina

da célula beta

• Determina a causa de pequena quantidade de açúcar no sangue

A Abbott Laboratórios oferece seus produtos com excelente

sensibilidade e precisão, fornecendo aos pacientes resultados exatos.

Todos os reagentes, calibradores e controles são prontos para uso.

Menu: Imunoensaios - insulina e Peptídeo C; Bioquímica

- glicose, HbA1c, microalbumina, frutosamina e painel lipídico

(LDL, HDL & triglicerídeos).

: brazil_add_marketing@abbott.com

ARCHITECT ® i 1000sr

RMS : 10055311134

ARCHITECT ® i 2000sr

RMS : 10055311134

ARCHITECT ® ci 8200

RMS : 10055311134

50

NewsLab - edição 104 - 2011


Chega ao mercado a nova tira Uriquest Plus

Desde que foi lançada, a tira de urina

Labtest vem conquistando a preferência de

laboratórios em todo país e se consolidando

como marca forte nos exames de uroanálise.

Em apenas oito anos o produto chegou

ao terceiro lugar no mercado e sua evolução

está ligada a dois importantes fatores: a sua

qualidade e a confiança dos laboratórios na

marca Labtest.

O desempenho do Uriquest Plus foi

comparado à marca líder de mercado e os

resultados foram equivalentes, o que denota

a tecnologia de ponta utilizada no seu

desenvolvimento. Projetada para aplicação

manual e automática, a tira determina

semiquantitativamente 11 parâmetros na

urina e a escala de cor no frasco corresponde

exatamente às cores presentes na

reação, o que facilita a interpretação e

avaliação dos resultados, assegurando um

diagnóstico confiável.

A novidade no Uriquest Plus é a proteção

contra a influência do ácido ascórbico. As

áreas reagentes para avaliação de glicose e

sangue sofrem grande interferência dessa

substância, por isso, foram protegidas contra

sua ação antioxidante. A vantagem da

nova tecnologia é a redução na frequência

de resultados falsos-negativos e a necessidade

de se obter nova amostra.

Características:

• Apresentação: 100 e 150 tiras

• Parâmetros: bilirrubina, urobilinogênio,

cetonas, ácido ascórbico, glicose, proteína,

sangue, pH, nitrito, leucócitos e densidade

• Escala de cor impressa no rótulo equivalente

às cores das áreas reagentes

• Leitura rápida e simultânea de todas as

zonas reativas em 60 e 120 segundos

• Haste suficientemente longa para facilitar

a leitura e reduzir o risco de contato do

operador com a amostra

Para a Labtest, tão importante quanto

inovar nos produtos e serviços, é estar cada

vez mais comprometida com os melhores

resultados para os seus clientes.

Suporte Científico: 0800 0313411

: www.labtest.com.br

Kits Bioeasy para detecção de dengue

A dengue, principalmente a hemorrágica, é um dos mais

graves problemas de saúde pública das áreas tropicais e subtropicais

do mundo. O monitoramento das infecções pelo vírus

da dengue é um componente importante na avaliação do risco

para os seres humanos.

A maioria dos testes disponíveis no mercado detecta somente

a presença de anticorpos contra o vírus do dengue, mas

já existem os dispositivos para identificação do antígeno e até

mesmo os testes que combinam antígenos e anticorpos.

O Dengue Duo Test Bioeasy (MS n° 10374660111) é um

ensaio imunocromatográfico rápido para a detecção simultânea

do antígeno NS1 e dos anticorpos IgG e IgM da Dengue viral

humana.

Melhor custo benefício:

• detecta após o primeiro dia da infecção

• detecção simultânea e diferencial do antígeno ns1

e dos anticorpos igg e igm da dengue viral humana

• diferenciação entre dengue primária e secundária

• armazenagem a temperatura ambiente

• sangue total, soro ou plasma

• kit acompanha pipetas

• não necessita de instrumentação

• interpretação visual através de linhas coloridas

no dispositivo de teste

• resultados em 20 minutos

• reduz custos de retornos dos pacientes

Dengue Chikungunya - No Brasil identificou-se pela primeira

vez em seu território o vírus Chikungunya. Presente principalmente

na África e no Sudeste Asiático, ele é transmitido pelo

mesmo mosquito da dengue, o Aedes aegypti. A doença causada

pelo Chikungunya é caracterizada por febre e, principalmente,

por fortes dores nas articulações que duram até seis meses.

A Bioeasy tem com exclusividade no mercado o Dengue/

Chikungunya ACE, um kit baseado em PCR, desenvolvido

para detecção do vírus da Dengue e o vírus Chinkungunya.

É um sistema multiplex, no qual detecta os dois vírus

com uma única extração e PCR. O kit apresenta uma alta

sensibilidade e especificidade, por utilizar um novo conceito

em oligos, o Dual Primer Oligonucleotideo (DPO).

Essa é uma das grandes vantagens do Dengue/Chikungunya

ACE sobre a técnica in-house para detecção, pois o

sistema impede a amplificação de fragmentos inespecíficos

durante a reação de PCR, o que faz com que tenha resultados

mais precisos e específicos.

A técnica in-house ainda é muito utilizada, porém tem

uma padronização mais trabalhosa e dispendiosa, gastando

meses para apenas um patógeno, pois não há um sistema de

bloqueio de fragmentos inespecíficos durante a PCR, o que

dificulta a leitura dos resultados, assim como a dificuldade

em achar controles positivos. Sendo diferente no caso de um

kit completo com todos os reagentes.

: www.bioeasy.com.br

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NewsLab - edição 104 - 2011


Laboratório Oswaldo Cruz adota o Labmaster

O Laboratório Oswaldo Cruz de Campo Grande, MS, de propriedade

das Farmacêuticas Bioquímicas Dra. Lenilde Brandão

Arão e Dra. Anamélia Wanderley Xavier, foi fundado em 1974 e

tem uma tradição de bons serviços prestados à cidade e região.

Professoras aposentadas da Universidade Federal de Mato Grosso

do Sul, primam pela qualidade e bom atendimento.

Clientes da Hotsoft desde 1999, resolveram migrar do

Labplus para o Labmaster em meados de 2010 em virtude do

aumento do volume de exames.

Alguns benefícios do novo sistema, relatados pela equipe de

informática do laboratório, são: impressão direta nos postos de

coleta, melhoria na rastreabilidade das amostras, envio de resultados

para a internet de forma automática, aprovação eletrônica,

integração com os aparelhos de bioquímica e hematologia,

facilidade em consultar os cadastros dos pacientes, integração

com o Laboratório de Apoio Hermes Pardini, simplificação das

pesquisas com o auxílio dos filtros, registro da entrega dos

laudos, possibilidade de visualização dos resultados a serem

digitados e aprovados conforme data de entrega, envio total ou

parcial para um segundo médico, possibilidade de utilizar dois

convênios em um mesmo cadastro.

Segundo a Dra. Lenilde, houve melhora expressiva também

nos controles financeiros e gerenciais. As entradas e saídas do

caixa são monitoradas com precisão e há uma série de relatórios

para acompanhamento de clientes, número de exames,

produtividade dos colaboradores etc.

Para o Dr. Arão, “o Labmaster é um sistema amadurecido e

testado e com um suporte muito eficiente. O mais importante,

contudo, é termos a nosso serviço uma empresa especializada

em software laboratorial e que nos transmita confiança. Nesses

anos todos, a Hotsoft sempre esteve ao nosso lado”.

: (44) 3302-4455

: www.hotsoft.com.br

Horiba apoia projetos de universidades que levam saúde às comunidades carentes

A Horiba, multinacional japonesa especializada em alta tecnologia

para medição e análise e líder no segmento de hematologia no Brasil,

apoia projetos de duas grandes universidades paulistas com o objetivo

de melhorar a qualidade da saúde de comunidades carentes do país.

O primeiro projeto apoiado pela Horiba é a ação social realizada

por meio de uma parceria entre a Pontifícia Universidade Católica

(PUC-SP), Universidade Metodista de São Paulo e Faculdade de

Medicina do ABC, cujo objetivo é levar saúde às cidades menos

favorecidas do Brasil. O projeto Rondon Regional, realizado pelos

profissionais e alunos das faculdades ligadas à área de saúde

dessas instituições, permaneceu na cidade de Vargem (interior

paulista), entre os dias 10 e 21 de janeiro. A meta inicial foi traçar

um panorama da saúde da população local. A equipe ainda voltará

à cidade nos próximos três semestres para reforçar esta primeira

etapa, monitorando o quadro de saúde da população e capacitando

agentes multiplicadores.

A primeira atividade atendeu 350 pessoas. A Horiba forneceu

o equipamento Micros 60 e reagentes para realização de até 500

hemogramas, essenciais para a análise das condições de saúde

da população. Este é o quinto ano consecutivo em que a Horiba

apoia projetos como este. “Ficamos muito felizes de ver o resultado

dessas iniciativas. Pela nossa experiência anterior, temos certeza

de que este tipo de ação realmente melhora as condições de vida

das pessoas que vivem nessas comunidades alvo”, diz Ana Paula

Carrieries, gerente comercial e de marketing da Horiba.

“A Horiba já participou de outros projetos conosco e esta

parceria é fundamental para o andamento da ação. Além disso, é

uma excelente oportunidade para que os nossos alunos apliquem,

na prática, todos os conceitos estudados em sala de aula”, explica

o coordenador de projetos de extensão do Instituto Metodista de

Ensino Superior, professor Vitor Hugo Bigoli.

Nesta primeira triagem foram realizados exames de aferição de

pressão arterial, de glicemia, medição de índice de massa corpórea,

frequência cardíaca e circunferência abdominal. Depois, as pessoas

que necessitaram de diagnóstico mais preciso foram encaminhadas

para exames laboratoriais como urina tipo I e hemograma completo.

Finalizada esta primeira etapa, a equipe analisa os resultados

para averiguar as principais necessidades locais para que, quando

retornarem em julho, já consigam atuar mais forte junto às principais

questões para melhorar a saúde local.

Projeto de extensão da USP - O segundo projeto apoiado

é idealizado pelos alunos e professores da USP. A equipe esteve

entre os dias 10 e 26 de janeiro na cidade de Córrego Fundo

(sul de Minas Gerais), para realizar a quarta e última etapa do

atendimento à população. O projeto consiste em conscientizar os

habitantes sobre o uso correto de medicamentos, como ter uma

alimentação adequada, hábitos de higiene, saúde e realização de

exames clínicos. Hoje, o município não possui nenhum local que

realize exames parasitológicos.

A empresa disponibilizou o Micros 60 e reagentes para a realização

de 700 hemogramas para monitorar as condições de saúde da

população infantil. Este é o quarto ano que a equipe de estudantes

atua na cidade e as melhoras foram significativas. A cidade não

tinha nenhum tipo de tratamento de água e esgoto e depois da

atuação da universidade, o poder público já tomou providências

para melhorar o saneamento.

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NewsLab - edição 104 - 2011


Analisadores de eletrólitos e gasometrias usados e revisados para venda e locação

A Medmax está comercializando, fazendo

locação e comodato de analisadores

de eletrólitos e gasometrias de várias

marcas e modelos. Os preços e condições de

pagamento para venda são ótimos, assim

como os planos para locação ou comodato.

A Medmax é importadora direta de

reagentes da linha Maxline para várias

marcas e modelos de equipamentos. Em

função disto, oferece preços competitivos,

possibilitando baixo custo por exames na locação

e no comodato. Também comercializa

reagentes para aplicação em analisadores

de íons seletivos, unidades de íons seletivos

de analisadores de bioquímica (Dade

Dimension, Roche Cobas Mira, Hitachi

entre outros) e gasometrias de várias

marcas e modelos. A empresa também

atua com peças e acessórios para gasometrias

e analisadores de íons seletivos

nacionais e importados.

: (11) 4191-0170

: vendas@medmaxnet.com.br

: www.medmaxnet.com.br

: www.gasometria.com.br

: medmax_vendas / medmax_comercial

Medmax lança pacote

para analisadores de eletrólitos

A Medmax apresenta

a nova linha de pacote de

reagentes Maxline para

uso em analisadores de

eletrólitos de fabricação

da empresa Mission/Diamond

dos Estados Unidos

e para os analisadores de

eletrólitos série 9100 fabricados

pela Roche/AVL

modelos 9180 e 9181.

Os novos pacotes de

reagentes Maxline possuem

a exata forma física

para acoplamento nos equipamentos da linha Mission/Diamond,

bem como nos analisadores série 9100. Fabricados

segundo as normas das Boas Práticas de Fabricação e Controle

da Anvisa, com ótimo preço e desempenho, são a nova opção

em preço e qualidade para o mercado.

Além dos pacotes de reagentes, a Medmax possui uma

linha completa de produtos, tais como soluções, calibradores,

controles externos, limpadores enzimáticos, tubulações, papéis

térmicos, entre outros. Todos os produtos são específicos

para analisadores de gases sanguíneos e eletrólitos de várias

marcas e modelos.

Com uma equipe que soma mais de 15 anos de experiência

no mercado de gasometria e eletrólitos, a Medmax oferece

os melhores produtos para estes equipamentos.

: (11) 4191-0170

: vendas@medmaxnet.com.br

: www.medmaxnet.com.br

: www.gasometria.com.br

: Skype: medmax_vendas / medmax_comercial

Kit Gold Elisa HTLV I/II

Estima-se que dois milhões de brasileiros vivam com o

HTLV (vírus linfotrópico para células T humanas). Até 5%

dessas pessoas desenvolvem complicações como leucemia,

paralisia ou inflamações oculares.

Os vírus linfotrópicos de linfócitos T humanos I e II (HTLV-

I e HTLV-II) são retrovírus humanos, cuja transmissão pode

se dar por contato sexual, transfusão de hemocomponentes

celulares, compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas,

ou através de uma mãe infectada para o seu filho

durante o período pré-natal ou através do aleitamento.

A triagem sorólogica dos vírus HTLV I e II é obrigatória

em todo sangue doado no Brasil desde 1993. Desde então, as

empresas de biotecnologia vêm desenvolvendo e aprimorando

os ensaios para que a detecção de anticorpos contra esses

vírus se torne cada vez mais precisa.

Consciente de seu compromisso com a segurança transfusional,

a REM, há quase 30 anos dedicada ao mercado

brasileiro de diagnóstico e banco de sangue, desenvolveu o kit

Gold Elisa HTLV I/II, um ensaio em microplacas que emprega

na fase sólida uma combinação de antígenos recombinantes

dos vírus HTLV-I e HTLV-II.

O kit foi desenvolvido utilizando o método sanduíche

(antígeno - anticorpo - antígeno conjugado), que permite

detectar anticorpos das classes IgG, IgM e IgA anti-HTLV-I

e/ou anti-HTLV-II em soro ou plasma humano.

O Gold Elisa HTLV I/II já está registrado no Ministério da

Saúde e foi validado nos mais conceituados hemocentros do

país onde apresentou excelente performance com superior

sensibilidade e especificidade.

O kit Gold Elisa HTLV I/II é mais um produto desenvolvido

e fabricado no Brasil pela REM para a triagem sorológica em

banco de sangue.

Reg. Anvisa/MS Nº 10365340454

: (11) 3377-9922

: www.rem.ind.br

: labo.comercial@rem.ind.br

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NewsLab - edição 104 - 2011


MicroLab STAR Plataforma

Automática de Pipetagem

A plataforma Hamilton STAR de manipulação de líquidos

oferece um desempenho inigualável de pipetagem para todos os

seus ensaios e/ou preparação de amostras. Com até 16 canais

independentes ou com 96 ou 384 cabeças de pipetagem, a plataforma

STAR é flexível e garante o rendimento necessário para

todas as aplicações laboratoriais.

A Hamilton é detentora da

patente CO-RE (Compressed

O-Ring Expansion), uma tecnologia

que facilita a fixação da

ponteira de forma hermética,

permitindo precisão de posicionamento

de 0,1 mm em

todos os eixos. É considerada

Visão geral dos canais de pipetagem

de 5 ml expansivos e independentes essencial para trabalhos com

placas de 384 poços e aplicativos

como o MALDI, que exigem transferência de amostra de

forma precisa e reprodutível.

A tecnologia CO-RE garante que aerossóis potencialmente

perigosos ou contaminantes não sejam produzidos durante o

processo. Este mecanismo também permite o uso de raques

empilháveis para protocolos que demandam grandes quantidades

de ponteiras.

A plataforma STAR utiliza tecnologia de deslocamento de ar para

pipetagem, conferindo precisão de pipetagem superior, com volumes

variando de 0,5 µl a 5 ml. Esta tecnologia permite tanto a detecção

por condutividade como a detecção de nível por variação na pressão

de líquidos. Isto permite a pipetagem de líquidos orgânicos e voláteis

sem gotejamento. Além disso, a pipetagem por deslocamento

de ar permite o uso de TADM (Monitoramento Total de Aspiração e

Dispensação), propriedade exclusiva da Hamilton. Neste processo o

software monitora e registra todas as etapas de pipetagem.

A reunião de todas as tecnologias empregadas no desenvolvimento

desta plataforma proporciona uma variedade de opções

integradas e intuitivas, com software de fácil uso, tudo associado

à renomada assistência da Hamilton e de seu parceiro no Brasil, a

REM Indústria e Comércio.

Plataforma STAR

da Hamilton

Robotics

Gerenciamento obrigatório dos resíduos

dos serviços de saúde (RSS)

Os estabelecimentos geradores de resíduos dos serviços

de saúde eram obrigados por resoluções do Conama e da

Anvisa, e agora por lei, a gerenciar, adequadamente, esses

resíduos.

A lei nº 12.305, de agosto de 2010, ao definir a Política

Nacional dos Resíduos Sólidos, convalidou as exigências contidas

nas referidas resoluções, sujeitando o não cumprimento

a penalidades cominadas na referida lei.

O gerenciamento dos RSS envolve a adequada manipulação

das diversas categorias de resíduos e sua separação para

destinação específica. Além da separação o estabelecimento

terá que reservar áreas apropriadas para a guarda desses

resíduos, até o descarte para uma coletora especializada.

Em alguns municípios, como São Paulo, esse serviço de

coleta especializada foi assumido pela Prefeitura Municipal,

tendo como contrapartida a cobrança de uma taxa de lixo,

que está sub judice. Em outros municípios, o serviço é privado

e dependerá de contratos diretos entre o gerador e o

coletor. Cabe ressaltar que o gerador é corresponsável pela

destinação final dada pelo coletor. Isso o obriga a selecionar

adequadamente a empresa coletora, exigindo dela todas as

certificações ambientais e a comprovação da destinação final.

O gerenciamento deve ser precedido pelo planejamento,

com a elaboração de um plano, que deverá ser apresentado

anualmente aos organismos de controle de saúde e ambiental,

e é ainda uma condição essencial para as eventuais ampliações

do estabelecimento.

A implantação do gerenciamento envolve um treinamento

específico dos funcionários do estabelecimento, pois serão

esses os responsáveis diretos pela manipulação, separação

e descarte dos resíduos.

Considerando essas exigências públicas, um grupo de

consultores se reuniu para ajudar os estabelecimentos geradores

de RSS, principalmente os de porte micro e médio,

para elaborarem o seu plano de gerenciamento, organizar a

estruturar os procedimentos internos, treinar o seu pessoal

e acordar com a empresa especializada a coleta regular dos

resíduos.

Esse grupo é formado pelo consultor Jorge Hori, que

agrega quase 50 anos na consultoria de planejamento e

organizacional, e Teodora Tavares, advogada especializada

em Direito Ambiental – Destinação de Resíduos Sólidos. “Nós

entendemos que podemos usar essa experiência para a melhoria

efetiva das condições ambientais, dando um tratamento

adequado para os resíduos sólidos, particularmente, aos dos

serviços de saúde”, explica Hori.

: (11) 3377-9922

: joseluis.avanzo@hamiltoncompany.com

: www.hamiltonrobotics.com.br / : www.rem.ind.br

: (11) 7197-5646

: (11) 8357-9857

: rss@newslab.com.br

: teodoratavares@gmail.com

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NewsLab - edição 104 - 2011


Elementos refrigerantes para cadeia fria

Um dos grandes desafios do transporte de produtos de cadeia

fria é manter a temperatura ideal nas embalagens térmicas, como

por exemplo, em caixas de poliestireno expandido (EPS), pelo tempo

necessário para entregas em todo o Brasil.

Os elementos refrigerantes que compõem a embalagem térmica

são peças fundamentais para o desempenho do conjunto. São eles

que vão fornecer calor em quantidade suficiente para a manutenção

térmica da embalagem.

Atualmente, no Brasil, existem diferentes tipos de elementos

refrigerantes: gelo água, gelo em gel (solução de carboximetilcelulose)

em frascos de polietileno rígido ou em sacos plásticos, gelo

em gel (solução de carboximetilcelulose) em espuma de poliuretano

expandido e gelo tipo espuma termofixa. Este último é o único produto

que apresenta patente requerida no mercado nacional com o

nome de Ice Foam ® . Fornecido pela empresa Polar Técnica, possui

um desempenho térmico superior aos demais.

Os elementos refrigerantes possuem características diferentes,

conforme descrito na tabela.

O elemento refrigerante tipo espuma termofixa (Ice Foam ® )

é o mais utilizado na indústria farmacêutica e diagnóstica devido

às suas características relacionadas ao excelente desempenho

térmico. O gelo em água é pouquíssimo utilizado e, quando isso

acontece, geralmente é na indústria para produtos veterinários. O

gelo em gel ainda é bastante utilizado devido ao baixo custo, mas

deve-se avaliar se suas características são compatíveis com as do

produto transportado (por exemplo, se a temperatura pode atingir

picos negativos).

Para decidir qual gelo utilizar nas embalagens para transporte,

é necessário avaliar as condições em que o produto deve ser

transportado e o custo/benefício que cada tipo de gelo oferece. O

manuseio, os riscos envolvidos no uso e, principalmente, o desempenho

térmico, são fatores decisivos na escolha.

Para a adequação da quantidade ideal de elementos refrigerantes

nas embalagens térmicas, bem como o posicionamento

dos mesmos, são necessários estudos de qualificação térmica. Os

estudos permitem adequar as necessidades dos produtos de cadeia

fria, preservando suas características e sua estabilidade.

A escolha correta do elemento refrigerante e da embalagem

para o transporte de produtos de cadeia fria é tão importante

quanto toda a preocupação que há dentro das indústrias durante

a etapa de produção.

Para atender à necessidade do mercado, há dez anos a Polar

Técnica desenvolve elementos refrigerantes de alta qualidade e

excelente performance térmica, capaz de solucionar as dificuldade

encontradas na cadeia fria.

: (11) 4341-8600 / : info@polartecnica.com.br

: www.polartecnica.com.br

Tabela. Características dos elementos refrigerantes

Gelo água

Gelo em gel (frasco rígido

ou saco plástico)

Gelo em gel (espuma

poliuretano ou poliéster)

Gelo tipo espuma fenólica

(Ice Foam ® )

Preservação da

estrutura durante

congelamento

Sacos podem deformar

Os frascos não

Sacos podem deformar

Os frascos não

Podem deformar

Apresenta pouca ou nenhuma

deformação

Vazamento

Sacos podem vazar facilmente

Frascos são mais resistentes

Sacos podem vazar facilmente

Frascos são mais resistentes

Sacos podem vazar facilmente

Baixa frequência Embalagem

mais resistente

Performance

térmica

Alta incidência de picos negativos

de temperatura, curto tempo de

manutenção térmica

Alta incidência de picos negativos

de temperatura, podendo-se

obter tempo de manutenção

térmica satisfatória

Alta incidência de picos negativos

de temperatura, podendo-se obter

tempo de manutenção térmica

satisfatória

Baixa incidência de picos

negativos de temperatura, longo

tempo de manutenção térmica

Acido ascórbico pode interferir no resultado do exame de urina

A vitamina C faz parte de uma dieta balanceada. Sua presença é natural em laranjas e algumas frutas, ervas e vegetais. Também é

amplamente utilizada na indústria de alimentos e bebidas como um conservante ou inibidor da despigmentação, estando presente nos

alimentos desde cereais até sopas. De fato, a produção global de acido ascórbico aumentou cerca de 50% desde 1980 – refletindo tanto

o rápido crescimento da demanda comercial como o consumo individual no mundo todo.

Mas a vitamina C presente na dieta diária pode interferir no resultado de urina do paciente.

Como consequência do maior consumo de ácido ascórbico pela população, tem sido maior também a sua presença nas amostras de

urina em concentrações iguais ou superiores a 40 mg/dL (1). Sabe-se também que a presença de vitamina C na urina pode produzir

resultados falsos-negativos através da interferência nas reações de detecção de glicose e sangue nas tiras de urina comumente utilizadas.

Doenças graves e progressivas como a diabete mellitus, glomerulonefrites e tumores de bexiga podem passar desapercebidas quando

utilizada uma tira de urina que sofre interferência da vitamina C.

Algumas tiras de urina disponíveis no mercado possuem áreas de reação indicativas da presença de ácido ascórbico, entretanto,

não oferecem solução real para eliminar ou reduzir a interferência. Nesse caso em geral é recomendado que o paciente volte para casa,

evite a ingestão de vitamina C e cerca de dois a três dias depois retorne ao laboratório para novo teste.

Estudos recentes demonstraram a alta resistência das tiras Combur ® com relação a outros modelos disponíveis no mercado (1). A

tecnologia utilizada pela Roche nas tiras de urina Combur ® reduz significativamente os efeitos da interferência do ácido ascórbico na

reação final, pois utiliza uma malha ou camada superior impregnada com iodo. A mesma tecnologia é também empregada nas tiras de

reação ou cassetes utilizadas no equipamento Urisys ® 2400.

1. Nagel et al. Investigations of ascorbic acid interference in urine test strips. Clin lab, 52: 149-153, 2006

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PNCQ disponibiliza amostras-controle para o controle interno nos laboratórios clínicos

O Programa Nacional de Controle

de Qualidade (PNCQ), patrocinado

pela Sociedade Brasileira de Análises

Clínicas (SBAC), alcançou em 2010 a

autossuficiência na produção de amostras-controle

usados nos testes dos

ensaios de proficiência dos laboratórios

clínicos. A partir de agora, o Programa

passa também a oferecer a seus laboratórios

participantes, a preço de custo,

uma série de amostras-controle para

controle interno.

Com um investimento considerável,

o Programa adquiriu um liofilizador e

uma envasadora de frascos, passando

a produzir em sua nova sede as amostras-controle

necessárias para usar no

Programa de controle externo da qualidade

destinado aos seus mais de 3.700

participantes. Assim, nacionalizou a

produção e deixou de gastar com importação

cerca de US$ 2 milhões por ano.

Portanto, estão também disponíveis

para o controle interno e externo da

qualidade dos laboratórios clínicos, um

rol de amostras-controle liofilizadas, de

excelente qualidade, com estabilidade e

homogeneidade comprovadas, conforme

relação abaixo:

1. Amostra-controle de soro liofilizado,

nível normal e elevado, frasco de 5

ml, para bioquímica

2. Amostra-controle de soro liofilizado destinado

ao controle interno da imunologia

avançada I, frasco com 3 ml

3. Amostra-controle de soro liofilizado,

destinado ao controle interno de hormônios,

drogas terapêuticas e marcadores

tumorais, em nível normal e elevado,

frasco com 5 ml

4. Amostra-controle de plasma liofilizado,

destinado ao controle interno de coagulação

em nível baixo, normal e elevado,

frasco com 1,0 ml

5. Amostra-controle de soro liofilizado,

destinado ao controle interno de autoimunidade,

frasco de 1,0 ml

6. Amostra-controle de soro liofilizado,

destinado ao controle interno de dengue,

frasco de 1,0 ml

7. Amostra-controle de urina liofilizada,

destinado ao controle interno da química

de urina, frasco de 10,0 ml

8. Amostra-controle de urina liofilizada,

destinado ao controle interno de

microalbuminúria, frasco de 1,0 ml

9. Amostra-controle de sangue liofilizado,

destinado ao controle interno

de hemoglobina glicolisada, frasco

de 1,0 ml

10. Amostras-controle de soro, liofilizada,

destinada ao controle interno,

obrigatório, de sorologia para bancos

de sangue e hemocentros

E ainda, amostra-controle de urina,

líquida destinada ao controle interno

das fitas de urina para Urinálises, nível

normal e elevado, frasco com 10 ml.

Os laboratórios clínicos que desejarem

adquirir tais amostras-controle

devem entrar em contato com o PNCQ.

: (21) 2569-6867 / : pncq@pncq.org.br

: www.pncq.org.br

Estereomicroscópios Tecnival

A microscopia é uma técnica importante e amplamente utilizada, a qual desde seu invento possibilitou aos pesquisadores

observar detalhes dos objetos de estudo dificilmente vistos a olho nu.

Os estereomicroscópios fornecem imagens tridimensionais da amostra observada. Através deles é possível distinguir características

morfológicas do material como: cor, transparência, brilho, partições, texturas, além de ser muito utilizado na área de

reprodução e diagnósticos.

Suas principais vantagens incluem grandes campos para acomodação e ampla distância de trabalho, o que possibilita ao usuário

o manuseio da amostra durante sua observação.

Alguns equipamentos ainda possuem aumento através de zoom, iluminação própria para vários tipos de material, sistema de

vídeo para documentação e outros acessórios que permitem explorar cada tipo de amostra e suas particularidades.

Ao longo dos anos e a necessidade crescente do mercado, os estereomicroscópios sofreram inovações e desenvolveram alta

tecnologia e eficiência para um perfeito desenvolvimento dos trabalhos laboratoriais.

Devido a esta necessidade, a Tecnival conta com uma linha de estereomicroscópios com e sem zoom para diversas aplicações,

como: eletrônica, embriologia, reprodução, botânica, biotecnologia entre outros.

A marca alia inovação, conforto e confiabilidade proporcionando imagens de qualidade para as observações e manuseio de

amostras.

: www.tecnival.com.br

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Diagnóstico molecular - novos rumos para a Medivax

Atualmente, a biologia molecular

tem mudado de forma significativa as

oportunidades para a realização de

exames diagnósticos ainda mais rápidos,

sensíveis e específicos. E dentre os

métodos utilizados, a Reação em Cadeia

da Polimerase (PCR) se destaca.

A Medivax, em parceria com a Vircell,

apresenta ao mercado brasileiro

o Speed-oligo ® . O kit Speed-oligo ®

oferece a vantagem da associação do

PCR ao método dipstick, que consiste

de tiras para detecção por oligocro-

Linha Vircell de Biologia Molecular

Multitestes

Speed-oligo ® Mycobacteria

Speed-oligo ® Direct Mycobacterium

Speed-oligo ® Bacterial Meningitis

matografia. O método fornece resultados

qualitativos, rápidos, econômicos e de

fácil interpretação: a leitura é feita a

olho nu, fazendo-se uma comparação

com os controles positivos e negativos

permitindo resultados imediatos com alta

sensibilidade e especificidade.

Nos dias de hoje, os métodos diagnósticos

tendem a usar novas técnicas mais

sensíveis para a detecção de antígenos e

pesquisa de ácidos nucleicos a fim de se

obter um diagnóstico mais rápido. Essa

tendência leva ao desenvolvimento de tratamentos

mais eficazes e, por isso, a identificação

de patógenos de modo rápido,

com alta sensibilidade e especificidade,

torna-se uma necessidade. Além disso,

métodos para diagnósticos mais rápidos

certamente auxiliarão a vigilância epidemiológica,

pois doenças infecciosas que

apresentem consequências significantes

para a saúde pública poderão ser eficientemente

controladas se identificadas

precocemente. 1

: (21) 2283-2833

: medivax@medivax.com.br

: www.medivax.com.br

Testes simples

Speed-oligo ® Clamydophila pneumoniae

Speed-oligo ® Legionella pneumophila

Speed-oligo ® Mycoplasma pneumoniae

1

Cavalcanti M. P. et al. Rev. Patol. Trop. Vol. 37 (1): 1-14, 2008.

J. Moraes e o ano de 2010

O ano de 2010 foi de muito trabalho para a J. Moraes

Solução em Logística Internacional. Uma das ações que

fizeram com que a empresa despontasse no segmento

logístico, com crescimento de 17%, foi a reformulação do

site (www.jmoraes.com.br) que se apresenta com mais

conteúdo, atendendo assim, as demandas de seus clientes.

Em setembro, o diretor da empresa, João Moraes, que

é coordenador do Grupo de Trabalho de Portos, Aeroportos

e Fronteiras da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial

– CBDL, articulou novas ações para dar início às

atividades que melhor equacionem os trâmites relacionados

ao comércio exterior.

Mas foi no final de 2010 que as ações se avolumaram, pois

em novembro João Moraes integrou uma comitiva formada

por 13 empresários de Guarulhos que viajaram a Avellaneda

(Buenos Aires) para missão oficial do Centro das Indústrias

do Estado de São Paulo – CIESP, Regional Guarulhos. Formada

pelo prefeito Guarulhense, Sebastião Almeida, pelo

secretário de Desenvolvimento Econômico, Antonio Carlos de

Almeida e pelo diretor titular do CIESP Guarulhos, Daniele

Pestelli, a comitiva participou da assinatura de um Protocolo

de Intenções junto com o Intendente (prefeito) Municipal

de Avellaneda, Jorge Ferraresi, que pressupõe o status de

Cidades Irmãs aos dois municípios.

Também em novembro, o empresário foi nomeado diretor

de Comércio Exterior da Associação dos Empresários de

Cumbica – Asec. A entidade criou a diretoria de Comércio

Exterior para esclarecer ao empresariado local os melhores

meios para realizar trocas internacionais.

Fechando 2010, João Moraes participou da festa comemorativa

aos 60 anos do Sindicato dos Despachantes

Aduaneiros de São Paulo – Sindasp. Acompanhado pelo

deputado estadual Alencar Santana; pelo vereador eleito por

Guarulhos, Wagner Freitas, e pelo presidente do Clube AD

Guarulhos, Ricardo Agea, prestigiou o Jubileu de Diamante

do sindicato junto a seu presidente Valdir Santos.

A J. Moraes inicia 2011 participando, em abril, da Intermodal

South America (C-29) e, em maio, da 8ª Rodada de

Negócios, em Guarulhos (Point 19), e da Hospitalar (Rua 06).

: www.jmoraes.com.br

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NewsLab - edição 104 - 2011


Mudança para um sistema tecnológico melhor vale a pena

Muitas empresas são resistentes à

substituição de sistemas tecnológicos

em uso por modelos mais modernos por

temerem as dificuldades de adaptação.

O caso do Laboratório DLE, do Rio de

Janeiro (RJ), mostra, no entanto, que os

benefícios de curto, médio e longo prazos

resultantes da implantação de sistemas

totalmente adequados às suas necessidades

e objetivos estratégicos justificam

qualquer investimento de energia adicional

por parte dos usuários.

O DLE migrou, em novembro de 2006,

os dados do sistema existente para o

software da Shift, umas das marcas mais

renomadas em soluções tecnológicas para

laboratórios clínicos. Qualquer incômodo

gerado no processo de mudança foi pontual

e, rapidamente, compensado. De imediato,

o sistema trouxe mais independência para

cada setor, que passou a resolver a maior

parte das suas demandas sem ter de recorrer

ao setor de informática. E uma das

maiores vantagens foi notada recentemente,

com a inauguração de uma unidade DLE

em São Paulo (SP), e pode ser resumida em

uma palavra: integração.

O DLE mantinha há mais de 15 anos

um escritório na capital paulista, mas ali

não havia atendimento ao cliente direto.

Na nova unidade, o Laboratório passou a

oferecer, dentre outros, o serviço de coleta,

mas o setor técnico continuou na sede, no

Rio de Janeiro. “Antes de usarmos o sistema

da Shift em São Paulo, as amostras

coletadas por laboratórios parceiros eram

cadastradas somente quando chegavam ao

Rio de Janeiro, para depois serem submetidas

às análises clínicas”, lembra a assessora

científica do DLE, Albertina Brito Dias. “Com

a integração, ganhamos agilidade, já que

a amostra chega ao setor técnico do DLE

já cadastrada, indo direto para análise, e a

impressão do resultado pode ser feita na

própria unidade de São Paulo”.

O auxiliar de informática Rafael Marinho,

que acompanhou a instalação do sistema

Shift na nova unidade, relata que o processo

foi bem simples: “Tivemos apenas

que configurar a ferramenta para funcionar

em São Paulo também”. O responsável

pela supervisão dessa tarefa por parte da

Shift, o analista de suporte e implantação

Heverton Alexandre Francischi, esclarece

que a facilidade na instalação de novos

postos se dá pela não necessidade de usar

um novo servidor.

“Contar com o sistema da Shift certamente

nos deu mais agilidade, facilitando o

processo de expansão da empresa”, declara

a coordenadora técnica Marta Aragão Rocha

Faria, destacando que, independentemente

de onde o DLE venha a ter unidades, sempre

terá total controle das informações.

: www.shift.com.br

Bioclin comemora 34 anos de contínua inovação

A Bioclin, ao comemorar seu 34º aniversário, lança novos

produtos para facilitar a rotina laboratorial. Mantendo o foco

na qualidade e buscando sempre atender aos anseios de seus

clientes, a Bioclin desenvolveu os kits Dengue Bio (método imunocromatográfico),

Biolisa HCV (método de Elisa) e Transferrina

(método imunoturbidimétrico).

Apesar dos esforços do governo na prevenção e combate à

dengue, o Brasil ainda sofre com os constantes casos da doença.

Recentemente lançado no mercado, o kit Dengue Bio auxilia no

seu diagnóstico através da detecção qualitativa de anticorpos

IgM e IgG para o vírus da dengue por imunocromatografia.

Trata-se de um teste de triagem que permite ao profissional

da saúde obter uma resposta diagnóstica mais rápida e segura,

tornando o tratamento do paciente mais eficaz.

Características Dengue Bio:

• Detecção de anticorpos IgM e IgG contra o vírus

da dengue (tipo I, II, III, IV)

• Amostras: sangue total, soro ou plasma

• Tempo de leitura: de 15 a 20 minutos

• Sensibilidade clínica de 95,8%

• Especificidade de 100%

: (31) 3439-5454

: vendas@bioclin.com.br

: www.bioclin.com.br

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Formato Clínico inicia seus cursos de atualização e divulga a agenda do 1º semestre

Alinhada com as principais tendências do setor de Medicina

Diagnóstica e preocupada com a educação continuada dos profissionais

na área da saúde, a Formato Clínico disponibiliza sua

agenda de Cursos de Atualização.

No primeiro semestre do ano, serão realizados 11 cursos

em diferentes áreas, como atendimento ao cliente, coleta,

gestão de pessoas, qualidade, e exames laboratoriais que

suscitam dúvidas diagnósticas, como o exame de urina e

eletroforese de proteínas.

Veja a relação dos cursos de fevereiro a junho:

Nome do Curso Professor Data

Atendimento ao Cliente da Área de Saúde Cristina Khawali 15/02

Interpretação da Norma ISO 9001:2008 em Serviços de Medicina Diagnóstica Cláudia Meira 17/02

Coleta de Materiais Biológicos para Exames Laboratoriais Cristina Khawali 16/03

Gestão de Pessoas no Laboratório Clínico Carmen Oplustil 23/03

Microbiologia em Pediatria Carmen Oplustil 13/04

Marcadores Tumorais Adagmar Andriolo 14/04

Gestão de Risco em Saúde Cláudia Meira 11/05

Diagnóstico Pré-Natal e Síndromes Pediátricos Lorena Faro 12/05

Pesquisa, desenvolvimento e inovação farmacêutica e biotecnológica no Brasil Rodrigo Spricigo 18/05

Eletroforese de proteínas e imunoeletroforese Adagmar Andriolo 08/06

Exame de urina de rotina e calculose urinária Adagmar Andriolo 16/06

: (11) 3512-6910 / : cursos@formatoclinico.com.br / : www.formatoclinico.com.br

EasyCooler 36L, a mais

completa caixa do mercado

Pensando em facilitar o transporte das amostras sem

perder a eficiência, a EasyPath apresenta o seu mais recente

lançamento da família EasyCooler. Trata-se de uma caixa

com capacidade interna de 36L, corpo rígido em polietileno

de alta densidade e isolamento térmico em poliuretano,

inclusive na tampa.

Esta, sem dúvida, é a caixa mais completa do mercado,

com rodas de borracha maciça, extremamente silenciosas

e duráveis, bandeja interna para o acondicionamento de

bobinas de gelo, abertura parcial da tampa, para o acesso

rápido sem choques térmicos, abertura da tampa para os dois

lados, alças laterais e alça estendida

para facilitar o transporte.

: (11) 5034-2227

: www.erviegas.com.br

Horiba anuncia a chegada de novo

gerente para o segmento científico

A Horiba acaba de contratar Philippe Ayasse como novo

gerente regional da Horiba Scientific no Brasil. Ayasse, que

assumiu o cargo em janeiro deste ano, tem origem francesa

e chega ao Brasil com planos para expandir a atuação do

segmento no país. A empresa visa o aumento da participação

no mercado de medição e análises devido ao bom momento

vivido pelas empresas sediadas na região e ao potencial demonstrado

por indústrias como a farmacêutica, de alimentos,

energia, entre outras.

“O Brasil vive uma fase bastante interessante para este

mercado. Acreditamos na evolução da tecnologia brasileira e,

por isso, investimos em nossos distribuidores e na ampliação

do nosso portfólio de equipamentos”, avalia Ayasse.

Para o presidente da companhia, Hamilton Ibanes,

a chegada do executivo é uma grande conquista para a

Horiba Brasil. “Com a vinda do Ayasse iremos expandir

ainda mais a nossa atuação no Brasil e em toda a América

Latina”, conclui o executivo.

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Troponina I Test Biocon: diagnóstico

rápido do infarto agudo do miocárdio

A Troponina I Cardíaca (cTnI) é uma proteína encontrada no

músculo cardíaco com um peso molecular de 22,5 kDa. A Troponina

I é parte de um complexo de três subunidades que incluem

a Troponina T e a Troponina C. Junto com a tropomiosina, este

complexo estrutural forma o componente principal que regula a

sensibilidade do cálcio e a atividade da actomiosina ATPase no esqueleto

estriado e no músculo cardíaco. Depois de ocorrer o dano

cardíaco, a Troponina é liberada dentro da corrente sanguínea de

4-6 horas depois do início da dor.

A liberação padrão de cTnI é igual a CK-MB, mas enquanto os

níveis de CK-MB voltam ao normal depois de 72 horas, a Troponina

I permanece elevada por até 6-10 dias, proporcionando assim uma

janela de detecção maior para o dano cardíaco. A alta especificidade

das medidas de cTnI para a identificação do dano do miocárdio tem

sido demonstrada em condições como o período perioperativo após

a execução de uma maratona ou corrida e trauma direto do tórax.

A cTnI liberada tem sido também documentada em outras

condições cardíacas além do infarto agudo do miocárdio (AMI),

tais como angina instável, defeito de coração congestivo e dano

isquêmico devido a ponte de safena da artéria coronária. Por causa

de sua a alta sensibilidade e especificidade no tecido do miocárdio,

a Troponina I tem se tornado recentemente o marcador biológico

preferido do infarto do miocárdio.

O Troponina Test Biocon é um imunoensaio cromatográfico

rápido para a detecção qualitativa da Troponina I cardíaca humana

em sangue total, soro ou plasma para auxiliar no diagnóstico do

infarto do miocárdio (MI). O Teste é simples, utiliza uma combinação

de partículas cobertas de anticorpos de anti-cTnI e captura

reagentes para detectar cTnI.

Características do produto:

• Kit completo para execução do teste

• Leitura visual, fácil de interpretar os resultados

• Armazenagem a temperatura ambiente

• Resultado do teste em até 15 minutos

• Amostras: sangue total, soro ou plasma

• Sensibilidade: sensibilidade relativa: 98,5%

• Especificidade: especificidade relativa: 98,4%

• Apresentação: cassete-kit com/30 testes

Registro Anvisa

80638720001

: (31) 2552 8384

: comercial@biocondiagnosticos.com.br

: www.biocondiagnosticos.com.br

Kit detecta sete drogas

de abuso em um único passo

A Bio Advance lançou um

kit de Multi Drogas que detecta

em um único teste sete

drogas de abuso [AMP, BAR,

COC, MET, MOR300,THC

e MDMA (XTC)] da marca

Instant View ® , da empresa

americana Alfa Scientific

Designs, INC.

O produto fornece uma alternativa simples, rápida e confiável

para detecção qualitativa do uso de drogas de abuso,

proporcionando um teste analítico preliminar.

Usando a metodologia de teste imunocromatográfico, o

kit Multi Drogas M7 Instant View ® é realizado em amostras

de urina em um único passo e segue as recomendações do

Serviço de Administração de Saúde Mental e Drogas de Abuso

(SAMHSA) com aprovação no FDA e CE.

AMP - Anfetamina 1000 ng/ml

BAR - Barbitúricos 200 ng/ml

COC - Cocaína 300 ng/ml

MET - Metanfetamina 500 ng/ml

MOR - Morfina 300 ng/ml

THC - Marijuana/Haxixe 50 ng/ml

XTC - MDMA ou Ecstasy. 500 ng/ml

: (11) 3445-5418

: contato@bioadvancediag.com.br

: www.bioadvancediag.com.br

Nova de linha de controles externos Maxline

A Medmax apresenta

a nova linha de controles

externos Maxline para analisadores

de eletrólitos e gasometrias

de várias marcas e

modelos. Os novos controles

externos Maxline trazem na

bula valores de referência de

várias marcas e modelos de

analisadores de eletrólitos e

de gases sanguíneos.

A Medmax possui uma linha completa de produtos, tais

como soluções, calibradores, limpadores enzimáticos, tubulações,

papéis térmicos entre outros, específicos para analisadores

de gases sanguíneos e eletrólitos.

Com equipe que soma mais de 15 anos de experiência no

mercado de gasometria e eletrólitos, a Medmax oferece os

melhores produtos para estes equipamentos.

: (11) 4191-0170

: vendas@medmaxnet.com.br

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NewsLab - edição 104 - 2011


Siemens recebe aprovação do FDA para o teste

Innovance D-Dimer para exclusão da trombose

venosa profunda e embolia pulmonar

A Siemens, empresa líder mundial em Hemostasia,

anuncia que o teste sanguíneo Innovance ® D-Dimer recebeu

aprovação do FDA para Exclusão de Trombose Venosa

Profunda (TVP) e Embolia Pulmonar (EP), em pacientes de

médio e baixo risco para tromboembolismo venoso de acordo

com a Avaliação Clínica de Probabilidade Pré-teste (PTP).

A expansão da abrangência de uso do Innovance D-Dimer

aliada à rapidez do resultado, menos de 15 minutos, auxilia

os clínicos na tomada de decisão dentro do departamento

de emergência.

TVP e EP são condições médicas sérias, afetando milhões

de pessoas no mundo. A Trombose Venosa Profunda é

causada pela formação de um trombo sanguíneo nas veias

profundas da perna, pélvis ou extremidades superiores, levando

a um bloqueio total ou parcial da circulação. A embolia

pulmonar ocorre quando um pequeno trombo é levado pela

circulação até as artérias pulmonares. Ambas as situações

podem causar morte se não diagnosticadas e tratadas adequadamente.

O teste D-Dimer totalmente automatizado da Siemens,

realizado na família de equipamentos de coagulação Sysmex ®

e BCS ® , beneficia laboratórios clínicos e hospitais de todos

os tipos e tamanhos podendo ser usado na rotina laboratorial

e nos laboratórios de emergência.

Além do teste sanguíneo de D-dimer, a Siemens oferece

imagem de ultrassom para detectar e monitorar TVP, beneficiando

médicos e pacientes com um método rápido e não

invasivo para exames de avaliação inicial e monitoramento.

A empresa também mantém um completo portfólio de tomografia

computadorizada, a modalidade padrão por imagem

para a detecção e monitoramento da Embolia Pulmonar.

“A Siemens oferece agora mais opções para a avaliação

e monitoramento da presença de trombos sanguíneos em

pacientes para auxiliar o clínico a iniciar rápido e adequado

tratamento quando necessário”, disse Michael Noeh, Vice-Presidente

de Marketing Global para Hemostasia e Hematologia

da Siemens Healthcare Diagnostics. “É especialmente importante

oferecermos aos clínicos opções para uso em situações

de alto risco e emergência, ajudando a salvar vidas e reduzir

custos relacionados a testes e tratamentos desnecessários”.

Autoimunidade - informação e

conhecimento ao alcance de todos

Em 2010 a Alka teve um grande destaque no cenário nacional,

tornando-se a mais importante empresa dedicada ao fornecimento

de kits diagnósticos para doenças autoimunes.

A confiança dos clientes nos serviços e nos produtos de marcas

representadas foram os pilares de sustentação deste sucesso.

Para a Orgentec (representada no Brasil exclusivamente pela

Alka), que é uma das mais conceituadas empresas de biotecnologia

reconhecida mundialmente, não basta apenas produzir e

comercializar os melhores produtos, mas também disponibilizar

informações técnico-científicas e ferramentas que possam ajudar

com conhecimento e informações que se traduzam em aperfeiçoamento

diagnóstico, visando à completa satisfação dos clientes.

Alka e Orgentec passam a disponibilizar as seguintes ferramentas:

• Livro de autoimunidade Rheumatology Top Ten escrito pelo

Dr. Graham Hughes e colaboradores do The London Rheumatology

Centre*. Este livro traz de uma maneira muito clara e simples um

resumo das características clínicas e do diagnóstico laboratorial das

10 principais doenças autoimunes sistêmicas.

• Autoantibodies in Systemic

Autoimmune Diseases - A Diagnostic

Reference, escrito por Karsten

Conrad, Marvin J. Fritzler et al.

Uma verdadeira obra-prima e referência

literária com 281 páginas

ricamente ilustradas. Uma exclusividade

aos clientes do produto ANA

HEP-2000 ® .

• Site com o mais completo

conteúdo técnico-científico. Para

acessá-lo, basta clicar em http://

www.chemgapedia.de/vsengine/

cpindustry/en/index.html para se

conectar a um universo de informações

que certamente ajudarão no enriquecimento do conhecimento.

As informações estão dispostas em um menu interativo e de fácil

compreensão.

• Net Companion: um verdadeiro guia para o esclarecimento de

eventuais dúvidas e questões sobre os produtos da empresa. Para

acessar esta ferramenta, basta solicitar uma senha de usuário para

também desfrutar de um atendimento personalizado.

*Exemplares disponíveis somente para clientes, a quantidade

é limitada.

: siemenshealthcare.br@siemens.com

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74

NewsLab - edição 104 - 2011


A Política Nacional de Resíduos Sólidos e suas

implicações para os laboratórios de análises clínicas

Os estabelecimentos geradores

de resíduos dos serviços

de saúde agora estão

sujeitos a maiores penalidades caso

não cuidem adequadamente de seu

lixo. A primeira delas é a obrigatoriedade

da elaboração de um plano

de gerenciamento dos resíduos

gerados e sua implantação.

Em agosto de 2010 foi instituída

a Política Nacional de Resíduos

Sólidos (Lei 12.305), que entre

outras coisas, dispõe sobre o gerenciamento

ambientalmente correto

dos resíduos sólidos e sobre as responsabilidades

de seus geradores,

cuja regulamentação aconteceu em

dezembro, também de 2010.

Logo que foi sancionada pelo

então presidente Lula, perguntavase

se essa lei “pegaria ou não”.

Mas com todas essas catástrofes,

resultantes do aquecimento global,

com milhares de vítimas em todo

o planeta, mais a pressão dos ambientalistas

somadas ao custo de

recuperação dessas áreas, alocação

de desabrigados, entre outros,

fizeram com que a lei “pegasse”,

ou seja, ela está vigendo e não há

mais como fugir de suas exigências

sem sofrer as cominações legais

que ela impõe.

Obviamente, haverá um período

para que pessoas jurídicas que,

direta ou indiretamente, geram

resíduos sólidos, sujeitas às observâncias

dessa lei, se adequem a

ela. Mas tratar-se-á apenas de uma

tolerância porque a lei já está em

vigor e todas as suas penalidades

já podem ser aplicadas.

Tanto as pessoas jurídicas de

direito público, quanto de direito

privado estão obrigadas a se adequar

a essa nova legislação e, com

isso, obrigadas a elaborar um plano

de gerenciamento de resíduos sólidos.

Especialmente aquelas que

geram resíduos qualificados como

resíduos especiais, assim definidos

os gerados em indústrias ou em

serviços de saúde, como hospitais,

laboratórios de análises clínicas,

ambulatórios, farmácias e clínicas

que, pelo perigo que representam à

saúde pública e ao meio ambiente

e exigem maiores cuidados no seu

acondicionamento, transporte,

tratamento e destino final. Sendo

essa exigência tanto da Política

Nacional de Resíduos Sólidos e seu

decreto regulador, quanto da Resolução

Conama 358/2005 e RDC nº

306/04 da Anvisa.

A nova lei define as obrigações

dos geradores que já estavam

em Resoluções do Conama e da

Anvisa. Isso quer dizer que não

há obrigações adicionais, mas as

já existentes agora passam a ser

respaldas por lei federal.

Essa Resolução Conama, em seu

artigo 6º., exige que os geradores

de resíduos de serviços de saúde

devem apresentar até 31 de março

de cada ano, declaração referente

ao ano civil anterior, subscrita pelo

administrador principal da empresa

e pelo responsável técnico devidamente

habilitado, acompanhada da

respectiva ART, relatando o cumprimento

das exigências previstas

nesta Resolução.

Entendemos que seria esse o

prazo ideal para as empresas de

serviços de saúde apresentarem seu

plano de gerenciamento de resíduos

sólidos, porque a partir dessa data a

fiscalização passará a agir com mais

rigor em relação à apresentação

desse plano de gerenciamento de

resíduos, uma vez que cidades como

São Paulo, por exemplo, já estão

exigindo legalmente essa responsabilidade

dos grandes geradores,

com aplicação de duras penalidades

para quem descumpri-las.

Assim, para se prevenirem

de notificações de cobranças de

adequação ou de pesadas multas

pela falta de adequação, faz-se

necessário que as empresas de

serviços de saúde tenham seus

PGRSS, tendo em conta que o serviço

de consultoria especializado

englobe a proposição de tratamento

dos seus resíduos, considerando

seus volumes e características; as

possibilidades e conveniência de

reuso de alguns dos materiais; a

conveniência de separação para

reciclagem; as ofertas do mercado

para a coleta, transporte e processamentos;

a estruturação organizacional

do gerador para cuidar do

manejo dos resíduos; a proposição

de normas e procedimentos internos;

plano de investimentos em

equipamentos, tecnologias e instalações

para seu manejo interno,

antes do seu descarte externo e o

gerenciamento, incluindo o projeto

interno e procurement dos equipamentos

e instalações, se for o caso.

Por Teodora Tavares,

a d vogada e s p e c i a l i z a d a e m

Direito Ambiental – Destinação

de Resíduos Sólidos

teodoratavares@gmail.com

76

NewsLab - edição 104 - 2011


ESPECIAL Especial

Especial

ESPECIAL

Especial

ESPECIAL

Especial ESPECIAL

ESPECIALEspecial

Filé de surubim. A palavra surubim origina-se do tupi

suru’wi: espécie de peixe.

Denominação científica: Pseudoplatystoma corruscans.

Forma histórica: Circa 1594 çurubi Dicionário Houaiss.

Local de Origem: Bacias dos rios São Francisco, Prata e

Paraguai, embora outras espécies sejam encontradas na

Bacia Amazônica.

O surubim é também conhecido como pintado, loango, moleque,

dentre outros e ocorre exclusivamente na América do

Sul. Apresenta cabeça achatada e volumosa tomando boa

parte do corpo. A coloração é cinza-parda no dorso, ventre

claro e pequenas manchas ou pintas pretas arredondadas

na extensão do corpo, inclusive nas nadadeiras. É de couro,

piscívoro e de hábitos noturnos, sendo encontrado geralmente

nas partes mais profundas dos rios. Alimenta-se de

pequenos peixes como piaus, curimbatás e mandis. É uma

das maiores espécies de peixes fluviais, podendo atingir até

1,50m de comprimento e 70kg de peso. Mas há registros

de exemplares com mais de 2m, pesando 100kg. Não se

pode considerar o surubim como um peixe predador, pois

ele não ataca indiscriminadamente, apenas para matar.

Sua predileção abrange os pequenos peixes vivos ou em

pedaços frescos.

Nosso país possui 8,5 milhões de km² e a maior bacia

hidrográfica do mundo, com destaque para as bacias

Amazônica, do Paraguai, do Prata e a do São Francisco.

O surubim é encontrado em todas elas e, devido a essa

imensidão demográfica através da qual a família está

distribuída, ele sofre mutações no formato de seu corpo e

nos desenhos em sua pele. As variações ocorrem especialmente

no padrão das pintas e listras. Esse fator propicia

uma família numerosa, com várias nomenclaturas científicas

e, regionalmente, recebendo nomes populares diferentes.

O surubim ou surubi – aceitam-se as duas formas, segundo

o professor de português Helinho, BH/MG – é o peixe

de água doce de maior valor comercial em nosso país e

preferido na maioria dos estados. Entre os mais variados

tipos de comercialização, pode ser encontrado sem cabeça

e eviscerado e sob a forma de filé e postas. É considerado

produto nobre e de marketing já estabelecido naturalmente

a nível nacional. Apresenta carne de coloração clara e

textura firme com sabor pouco acentuado e baixo teor de

gordura. Um aspecto peculiar da sua anatomia é a ausência

de espinhos intramusculares. Este conjunto torna a sua carne

adequada aos mais variados usos e preparos, agradando

ao mais exigente e requintado paladar.

Muitas neoplasias, em geral malignas, que acometem o

ser humano e também os animais superiores, apresentam

cor esbranquiçada, branco-pérola ou branco-acinzentada

e consistência firme. Este aspecto resulta,

sobretudo, da grande celularidade e da arquitetura compacta

do tecido tumoral.

Linfonodos acometidos por linfomas podem fundir-se e

formar massas relativamente volumosas, de consistência semelhante

à da borracha. Ao serem seccionados, apresentam

superfície brancacenta ou branco-acinzentada, homogênea,

lembrando carne de peixe crua (Ingl. raw fish-flesh) ou filé de

surubim, conforme sugestão de minha esposa Zaíra. Vários

outros tumores “carnosos”, hipercelulares, especialmente os

sarcomas de tecidos moles, bem como o neuroblastoma,

o tumor de Wilms (nefroblastoma), o seminoma, o tumor

filoide da mama e alguns tumores epiteliais, mostram a

mesma característica. Portanto, o aspecto de “carne de

peixe” ou de “filé de surubim”, observado a olho nu pelo

cirurgião – médico, odontólogo ou veterinário – com as

devidas limitações, é útil como indicador de neoplasia

maligna. Obviamente, o “padrão-ouro” para o diagnóstico

definitivo é o exame anatomopatológico.

(Texto baseado em várias fontes e em Pena, GP, Andrade-

Filho, JS. Analogies in medicine: valuable for learning, reasoning,

remembering and naming. Adv in Health Sci Educ

[2010] 15:609-619 DOI: 10.1007/s10459-008-9126-2).

José de Souza Andrade Filho - Patologista, membro da Academia

Mineira de Medicina e professor de anatomia patológica

da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

78

NewsLab - edição 104 - 2011


Artigo

Identificação de Antígenos Aberrantes na Leucemia Linfoide

Aguda: Frequência e Perfil do Hemograma

Felipe Rocha da Costa 1,2 , André Luíz Cavalcanti Santos 2 , Bruna Rios de Larrazábal 2 , Gislaine Alves da Silva 2 ,

Ana Elita de Brito 2 , Maria Amélia Batista Neves 2 , Cíntia Gonsalves de Faria Machado 2,3

1 - Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do

Estado de Pernambuco/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – PIBIC – FACEPE/ CNPq

2 - Laboratório de Imunofenotipagem – Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco – HEMOPE

3 - Docente da Universidade de Pernambuco – UPE

Resumo

Summary

Identificação de antígenos aberrantes na leucemia

linfoide aguda: Frequência e perfil do hemograma

A expressão de antígenos aberrantes (AA) na leucemia linfoide

aguda (LLA) apresenta frequência elevada e apesar de aparentemente

não representar uma variável prognóstica, é uma ferramenta

importante para a avaliação de doença residual mínima (DRM)

durante o curso das leucemias agudas. O objetivo deste trabalho

foi determinar a frequência e o tipo de AA nas LLAs diagnosticadas

na Fundação Hemope e verificar se há relação entre a presença

dos antígenos e os índices hematimétricos. Sessenta e um casos

foram analisados, de ambos os sexos e de quaisquer faixas etárias.

Os índices hematimétricos foram avaliados em Coulter-TK890. A

imunofenotipagem utilizou amostras de sangue periférico e/ou

medula óssea, com análise realizada em citômetro de fluxo tipo

FACSCalibur (Becton-Dickinson) através do software CellQuest. Um

amplo painel de anticorpos monoclonais, permitindo a identificação

de diferentes linhagens celulares, foi aplicado, tornando possível

a definição de LLA com expressão de antígenos aberrantes. A

análise estatística foi realizadas através do software BioEstat V5.0

considerando-se significativo p0,05)

entre as contagens de hemácias, leucócitos e plaquetas nos casos

com expressão aberrante. Conclui-se que a frequência de AA nos

casos de LLA diagnosticados na Fundação Hemope corrobora os

dados da literatura, podendo, portanto, ser empregada em estudos

futuros de DRM e que a análise dos valores de hemácias, leucócitos

e plaquetas do hemograma não é aplicável como uma ferramenta

sinalizadora para a expressão de AA na LLA.

Palavras-chave: Antígenos aberrantes, doença residual

mínima, leucemia linfoide aguda

Aberrant immunophenotype in acute lymphoblastic

leukemia: Frequency and blood cell features

Aberrant antigen (AA) expression in the acute lymphoid leukemia

(ALL) exhibits high frequency, and despite of not representing

a prognostic variable, it is a tool used in the evaluation of the

minimum residual disease (MRD) during leukemia evolution. The

objective of this study was to determine the frequency, characterize

the types of AAs in the ALLs diagnosticated in Hemope Foundation,

and verify whether there is a relation between the presence of the

antigen and the blood cell count. Sixty-one cases were analyzed, in

both genders and in any age. The blood cell count was evaluated

in Coulter-TK890. The immunofenotyping used samples from peripheral

blood and/or bone marrow, the analysis being performed

in a FACSCalibur (Becton-Dickinson)-type flow cytometer, through

CellQuest software. A wide panel of monoclonal antibodies,

allowing the identification of different cell lineages, was applied,

possibiliting the definition of the ALL with the aberrant antigen

expression. The statistics analysis was performed through the Bio-

Estat V5.0 software, considering a significant p0,05) between

the erythrocyte, leukocyte and platelet counts in cases presenting

aberrant expression. It is concluded that the frequency of AA in

ALL cases diagnosticated in the Hemope Foundation sustains to the

literature data, being able, therefore, to be employed in future MRD

studies, and that the erythrocytes, leukocytes and platelet values

from the blood cell count are not useful as a signalizing tool for the

expression of AA in the ALL.

Keywords: Aberrant immunophenotype, minimal residual

disease, acute lymphoblastic leukemia

82

NewsLab - edição 104 - 2011


Introdução

A

leucemia linfoide aguda

(LLA) é uma neoplasia dos

precursores linfoides que

atinge os linfoblastos B ou T. Os

blastos linfoides são células de citoplasma

escasso, cromatina moderadamente

condensada, esboço de

nucléolo, comprometendo a medula

óssea (MO), o sangue periférico (SP)

e ocasionalmente outros tecidos (1).

Para diagnosticar a LLA são utilizados

métodos citomorfológicos,

citoquímicos e imunofenotípicos

em amostras principalmente de

MO e SP (2). A imunofenotipagem

desempenha papel crucial na identificação

antigênica dos clones malignos

de pacientes com LLA, uma

vez que eles podem expressar variada

combinação de antígenos de

superfície que são encontrados em

precursores linfoides nos estágios

iniciais de maturação.

Dessa forma, suspeita-se que os

clones leucêmicos de pacientes com

LLA sejam oriundos de um progenitor

linfoide normal cuja falha tenha ocorrido

precocemente durante a ontogenia

dos linfócitos B ou T (3).

Diversos estudos demonstram

que os linfoblastos na LLA podem

exibir imunofenótipos diferentes da

diferenciação linfoide normal, além

de exibir imunofenótipos aberrantes.

Desta forma, linfoblastos da LLA-B

podem possuir antígenos tanto de

células T quanto de linhagem mieloide,

bem como blastos da LLA-T

podem exibir antígenos de linhagens

B ou mieloide (4).

Apesar dos grandes avanços no

diagnóstico e tratamento da LLA, cerca

de 20% das crianças com LLA recaem

e a falha terapêutica é a principal causa.

A recaída ocorre devido à presença

de clones leucêmicos que resistiram à

quimioterapia. A presença de células

malignas entre células normais é conhecida

como doença residual mínima

(DRM) e a sua detecção precoce tem

comprovado impacto prognóstico na

LLA infantil (5, 6).

Portanto, este trabalho tem como

objetivo determinar a frequência de

AA nos casos de LLA diagnosticados

na Fundação Hemope e verificar se há

relação entre os AA e as variáveis do

hemograma (contagem de hemácias,

leucócitos e plaquetas).

Materiais e Métodos

O estudo foi retrospectivo, do tipo

série de casos, constando da análise

dos prontuários de pacientes diagnosticados

com LLA para a identificação

dos AA, as características de gênero

e idade e os valores do hemograma.

No estudo foram incluídos indivíduos

de ambos os sexos e de qualquer faixa

etária que foram diagnosticados com

LLA B/T no período de janeiro de 2007

a julho de 2009 na Fundação Hemope.

O estudo dos antígenos celulares

foi feito tanto em SP como em MO,

utilizando um amplo painel de anticorpos

monoclonais que identificam

diferentes linhagens, e utilizou como

instrumento o citômetro de fluxo do

tipo FACS-Calibur, da Becton-Dickinson

(S. Jose, CA) através do software

Cell Quest.

A metodologia qualitativa e semiquantitativa

da citometria de fluxo

permitiu a avaliação imunofenotípica

dos blastos na LLA, identificando

assim os diferentes antígenos e a

percentagem de células afetadas,

sendo estabelecido um cut-off de 20%

de positividade para cada antígeno

pesquisado.

As comparações de distribuição

entre variáveis contínuas foram realizadas

através do teste não paramétrico

de Mann-Whitney, considerando um

valor de p menor que 0,05 significativo.

Para a análise estatística foram

utilizados os programas Microsoft â

Excel (Microsoft Corporation ã ) e Bioestat

V. 5.0.

O projeto foi submetido ao Comitê

de Ética em Pesquisa da Fundação

Hemope e aprovado para execução

de acordo com o parecer nº 010/08.

Resultados e Discussão

No período de estudo foram diagnosticados

61 casos de LLA na Fundação

Hemope, cuja distribuição pode

ser observada no Gráfico 1.

A LLA-B é o tipo de LLA mais comum

e de acordo com a Organização

Mundial da Saúde corresponde, em

média, por 75% dos casos de LLA

diagnosticadas.

Portanto, era esperado esse tipo de

LLA com predomínio de casos diagnosticados

na instituição.

A relação entre a expressão de AA

e o subtipo de LLA é o observado na

Tabela 1.

Relatos da literatura mostram

que a frequência de LLA com AA é de

aproximadamente 46% dos casos,

como relatado por Emerenciano &

Cols.(6). Por outro lado, estudo realizado

em apenas 25 casos identificou

uma frequência de 92% de AA (7). Já

em estudo realizado no Morrocos foi

observada frequência de 52% de AA

na LLA (9). As diferenças observadas

devem-se provavelmente ao critério

usado para definir o percentual de positividade

de cada antígeno estudado,

portanto, os resultados obtidos nesse

estudo mostram-se compatíveis com

os da literatura.

Os AA mais observados estão listados

na Tabela 2.

NewsLab - edição 104 - 2011

83


Os antígenos CD33 e CD13, tanto

para a LLA-B quanto para a LLA-T,

são os AA mais comuns. Os estudos

realizados por Emerenciano e cols.

(6), Zhu & Cols. (8) e Bachir & Cols.

33%

(9) encontraram frequências elevadas

para a expressão dos antígenos citados,

corroborando com os resultados

encontrados nesse estudo.

Finalmente, para avaliar se havia

LLA-B

LLA-T

67%

relação entre a expressão de AA e a

contagem de hemácias, leucócitos e

plaquetas no hemograma foi aplicado

o teste não-paramétrico de Mann-

Whitney considerando-se significativo

p


Referências Bibliográficas

1. Swerdlow SH, Campo E, Harris NL, Jaffe ES, Pileri SA, Stein H, Thiele J, Vardiman JW. (Eds): WHO Classification of Tumours of Haematopoietic

and Lymphoid Tissues. IARC: Lyon 2008.

2. Zago MA, Falcão RP, Pasquini R. Classificação das Leucemias Agudas: Citologia, Citoquímica e Imunofenotipagem. In: Hematologia –

Fundamentos e Prática. São Paulo: Editora Atheneu, cap. 42, p.433-446, 2004.

3. Uckun FM et al. Biology and Treatment of Childhood T-Lineage Acute Lymphoblastic Leukemia – Blood. 91: 735-746. 1998.

4. Kurec AS et al. Significance of Aberrant Immunophenotypes in Childhood Acute Limphoid Leukemia – Cancer. 67(12): 3081-3086. 1991.

5. Jólkowska J, Derwich K, Dawidowska M. Methods of minimal residual disease (MRD) detection in childhood haematological malignancies

– J Appl Genet. 48(1): 77-83. 2007.

6. Emerenciano M et al. Frequência de imunofenótipos aberrantes em leucemias agudas. Rev. Bras. de Cancerol. 50(3): 183-189. 2004.

7. Garcia JA et al. Aberrant Immunophenotypes detected by flow cytometry in acute lymphoblastic leukemia - Journal Leukemia and

Lymphoma. 36(3/4): 275-284. 2000.

8. Zhu H et al. Immunophenotype of acute leukemia and its clinical significance. Hua Xi Yi Ke Da Xue Bao. 33 (1): 118-20. 2002.

9. Bachir F et al. Characterization of acute lymphoblastic leukemia subtypes in Moroccan children – International Journal of Pediatrics.

Vol. 2009, 7 pages.

NewsLab - edição 104 - 2011

85


Artigo

Prevalência dos agentes etiológicos das vulvovaginites

através de resultados de exames citopatológicos: um

estudo na Unidade de Saúde da Família em Patos - PB

Maria Clerya Alvino Leite 1 , Sônia Maria Josino dos Santos 2 , Ednaldo Queiroga de Lima 3 ,

Onaldo Guedes Rodrigues 3 , Ednaldo Queiroga Filho 4

1 - Acadêmica de Bacharelado em Enfermagem das Faculdades Integradas de Patos – FIP

2 - Professora MSc das Faculdades Integradas de Patos – FIP

3 - Professor DSc. Unidade Acadêmica de Ciências Biológicas – CSTR – Universidade

Federal de Campina Grande. Farmacêutico-Bioquímico

4 - Acadêmico de Medicina - FAMENE

Resumo

Summary

Prevalência dos agentes etiológicos das vulvovaginites

através de resultados de exames citopatológicos: um

estudo na Unidade de Saúde da Família em Patos - PB

As vulvovaginites constituem um problema comum no atendimento

rotineiro de ginecologia, correspondendo a cerca de 70%

das queixas em consultas médicas. O estudo teve como objetivo

investigar a prevalência dos agentes etiológicos das vulvovaginites

na Unidade Básica de Saúde Ernani Sátyro na cidade de Patos,

Paraíba. Foi realizado um estudo descritivo retrospectivo, utilizando

o livro de protocolo de entrega de resultados de exames citopatológicos

cervicovaginais na referida unidade, sendo revisados 321

dados no período de janeiro de 2005 a junho de 2007. Destes,

foram coletados os resultados das pacientes com algum agente

etiológico das vulvovaginites (n=195). O banco de dados foi tratado

no Excel e analisado estatisticamente no programa Epi-Info,

versão 3.3.2. Observou-se uma variação de casos positivos para

o fungo Candida sp (22,4%), a bactéria G. vaginalis (19,6%), o

protozoário T. vaginalis (11,5%) e a bactéria Mobiluncus sp (7,2%).

A ocorrência de Candida sp é elevada em mulheres na faixa etária

de 25-29 anos, destacando esta vulvovaginite como a mais frequente

infecção do trato genital feminino, na população estudada.

Palavras-chave: Vulvovaginites, Gardnerella vaginalis,

Candida sp, Trichomonas vaginalis

Prevalence of etiologic agents of vulvovaginitis

through the results of cytopathologic exams: a study in

UBS in Patos - PB

The vulvovaginitis constitutes a common problem in the routine

attendance of gynecology, corresponding to 70% of the complaints

in medical consultations. The study had as objective to investigate

the prevalence of etiologic agents of vulvovaginitis in the Basic Unit

of Health Ernani Sátyro in the city of Patos, Paraíba. A retrospective

descriptive study was accomplished using the protocol book

of delivered results of cytopathologic cervicovaginal exams in the

referred unit. 321 data were revised in the period of January 2005

to June 2007. The patients’ data were collected with some etiologic

agent of vulvovaginitis (n=195). The database was treated in Excel

and statistically analyzed in the Epi-info program, version 3.3.2. A

positive variation of cases was observed for Candida sp (22,4%),

the bacteria G. vaginalis (19,6%), the protozoan T. vaginalis

(11,5%) and the bacteria Mobiluncus sp (7,2%). The occurrence of

Candida sp is elevated in women in the 25-29 year-old age group,

detaching this vulvovaginitis as the most frequent infection of the

feminine genital treatment, in the studied population.

Keywords: Vulvovaginitis, Gardnerella vaginalis, Candida

sp, Trichomonas vaginalis

86

NewsLab - edição 104 - 2011


Introdução

As vulvovaginites constituem

um dos problemas ginecológicos

mais comuns e

incomodativos que afetam a saúde

da mulher, correspondendo por cerca

de 70% das queixas em consultas

médicas. Estima-se que 10 milhões

de consultas por ano sejam decorrentes

de sintomas relacionados às

vulvovaginites (35).

Além do desconforto da usuária,

os autores citados assinalam a importância

do estudo das vulvovaginites

devido às repercussões ligadas

à infecção, como a ascensão dos

agentes para o trato genital superior,

ocasionando a doença inflamatória

pélvica; esterilidade e infertilidade;

complicações no pós-operatório e

aumento da morbidade perinatal.

Outro aspecto relevante descrito em

um estudo (4) é que as vulvovaginites

apresentam alta taxa de recidiva,

constituindo problema para a mulher

e para o profissional.

As vulvovaginites podem ser

causadas por bactérias (vaginose

bacteriana), por fungos (vulvovaginite

fúngica), por protozoários

(tricomoníase) e por associações de

micro-organismos (vulvovaginites

mistas) (4), sendo os três primeiros

os processos infecciosos vaginais mais

frequentes (23).

A VB é atualmente a infecção

vaginal mais frequente em mulheres

em idade reprodutiva e sexualmente

ativas (21, 29,). É caracterizada

por um desequilíbrio da microbiota

vaginal, com o crescimento anormal

de bactérias anaeróbias associada a

uma ausência ou redução acentuada

dos lactobacilos acidófilos, que são

os agentes predominantes na vaginal

normal.

Os micro-organismos envolvidos

incluem Gardnerella vaginalis, Mycoplasma

hominis, Ureaplasma ureolyticum,

Bacteróides sp, Mobiluncus

sp, Peptostreptococcus, espécies de

Prevotella e outros anaeróbios (35,

5, 20, 3, 18, 8, 26). A G. vaginalis é

um minúsculo bacilo ou microbacilo

gram-negativo que está presente no

trato urogenital normal de 20 a 40%

das mulheres saudáveis (6).

A VB não é considerada uma doença

sexualmente transmissível (28, 8),

uma vez que o tratamento do parceiro,

embora seja recomendado, parece

não trazer benfeitoria para a usuária

(20, 21). Por outro lado, outros autores

ressaltam que a incidência da

infecção pode estar relacionada ao

número de parceiros sexuais e história

pregressa de doença sexualmente

transmissível (23).

Cerca de 50% das pacientes

portadores de VB não apresentam

manifestações clínicas (35, 20), mas

quando ocorrem, estas manifestações

caracterizam-se por um corrimento

vaginal delgado, homogêneo, branco-

Trichomonas vaginallis Candida sp. Candida sp.

Gardnerella vaginalis Mycoplasma hominis Ureoplasma ureolyticum

NewsLab - edição 104 - 2011

87


acinzentado, algumas vezes bolhoso,

com odor fétido, mais acentuado após

as relações sexuais e durante o período

menstrual (3, 8).

Prurido, disúria e dispareunia ocorrem

com menor frequência, exceto

quando associados com a candidíase

(23, 20, 21).

O diagnóstico da VB baseia-se no

encontro de pelos menos três dos

quatro critérios clínicos propostos

por Amsel: leucorreia homogênea,

fluida, cinza ou branca e de quantidade

variável; pH vaginal maior

que 4,5; teste de Whiff 1 (teste do

KOH 10%) positivo; presença de

pelo menos 20% de “clue cells” 2 ou

células-alvo na bacterioscopia (exame

a fresco ou esfregaço corado pelo

Gram) (21, 8).

Além dos critérios descritos,

confirma-se a quase ausência de

lactobacilos e de leucócitos. A exacerbada

microbiota bacteriana está

representada por cocos e microbacilos

(37).

O propósito do tratamento é

aliviar os sintomas, restaurar a

microbiota vaginal fisiológica e erradicar

ou diminuir o número das

bactérias patogênicas. O tratamento

farmacológico consiste em derivados

imidazólicos, que têm boa atividade

contra as bactérias anaeróbias sem

atingir os lactobacilos, facilitando a

posterior recolonização da vagina

pela microbiota endógena (4, 35, 6).

A candidíase vulvovaginal (CVV)

é uma das infecções mais comuns

na prática diária em ginecologia.

Sua incidência tem aumentando nos

últimos anos, tornando-se a segunda

infecção genital mais frequente nos

Estados Unidos e no Brasil, precedida

apenas pela vaginose bacteriana

(2, 23, 1), descrevendo 20 a 25%

dos corrimentos genitais de caráter

infeccioso.

A CVV é uma infecção causada

por um fungo comensal, dimórfico,

que habita a mucosa vaginal

e digestiva, que cresce quando o

meio torna-se favorável para o seu

desenvolvimento, tornando-se patogênico

(5, 8).

Cerca de 80 a 90% dos casos são

causados pela Candida albicans e de

10 a 20% a outras espécies denominadas

não-albicans: C. tropicalis, C.

glabrata, C. parapsilosis, C. krusei,

C. guilliermondi (23, 8). Embora a

C. albicans seja a espécie de maior

importância na etiologia da candidíase,

a incidência de leveduras nãoalbicans

tem revelado expressivo

aumento nos últimos anos (2, 18).

O problema consiste no fato de

que essas outras espécies geralmente

tendem a ser mais resistentes aos

antifúngicos e de serem crônicas ou

recorrentes (17, 39).

A CVV não é considerada uma

doença sexualmente transmissível

(DST), mas uma infecção endógena

(8). No entanto, alguns autores

afirmam que a CVV é continuamente

descrita em mulheres com outras

DSTs que apresentam corrimento

vaginal (16).

Estima-se que 75% de todas

as mulheres têm, pelo menos, um

episódio de vaginite fúngica em sua

vida, sendo que 40 a 50% destas

vivenciam novos surtos e 5% sofrem

casos recorrentes (23, 39).

Os sinais e sintomas da CVV in-

cluem: prurido vulvar intenso (principal

sintoma); corrimento branco,

grumoso, inodoro e com aspecto

caseoso; disúria, ardor à micção;

dispareunia; edema e eritema vulvar

e placas esbranquiçadas ou amareladas

aderidas à mucosa (30, 5, 28,

36, 38, 8, 27).

O diagnóstico é estabelecido

da história da usuária e do exame

microscópico a fresco, que mostra

a presença de hifas birrefringentes

e/ou esporos; o pH apresenta-se

normal (4 a 4,5) e o teste de Whiff

negativo. O tratamento geralmente

consiste da aplicação tópica de drogas

antifúngicas, como o clotrimazol

e o miconazol (39).

O Trichomonas vaginalis, protozoário

móvel flagelado, é o agente

etiológico da tricomoníase, a doença

sexualmente transmissível (DST)

não viral mais comum no mundo.

Segundo a OMS a prevalência mundial

anual da tricomoníase é de 170

milhões, com a maioria (92%) ocorrendo

em mulheres (11).

Esse parasito tem por hábitat o

sistema geniturinário do homem e

da mulher e sua transmissão se dá

principalmente através da relação

sexual (11, 3, 8).

Os dados mundiais e os do Brasil

registram valores que oscilam entre

20 a 40% das usuárias examinadas

e entre as que apresentam corrimento

vaginal, a proporção pode

chegar a 70% (31). A prevalência

da infecção depende de vários fatores,

como idade, atividade sexual,

número de parceiros, outras DSTs,

fase do ciclo menstrual, técnicas de

diagnóstico, padrão educacional,

1 - Também conhecido como teste das aminas ou do “cheiro” – consiste na adição de uma ou duas gotas de solução de hidróxido de potássio (KOH) a 10%

na secreção vaginal coletada, sendo positivo se houver o aparecimento imediato de um odor desagradável causado pela volatilização das bases aminadas.

2 - São células do epitélio vaginal, cuja superfície é recoberta por bactérias, adquirindo o citoplasma aspecto granulado e escuro.

88

NewsLab - edição 104 - 2011


higiene pessoal e condição socioeconômica

e cultural (5, 11).

A incidência é elevada entre os

grupos de nível socioeconômico

baixo, entre as pacientes de clínicas

ginecológicas, pré-natais e em serviços

de DST (10, 24).

Apesar da tricomoníase (T) ser

geralmente assintomática no homem,

na mulher pode variar desde

discreta à severa vaginite (10, 24).

Suas características clínicas são:

corrimento abundante, amarelado

ou amarelo-esverdeado, bolhoso,

com odor fétido; prurido e/ou irritação

vulvar; disúria; polaciúria;

dispareunia; colpite difusa e/ou local

com aspecto de framboesa (4, 20,

30, 10, 28, 9, 8).

O diagnóstico definitivo é feito

pela demonstração da presença do

parasito no exame a fresco com solução

fisiológica, onde se identifica

sua motilidade (31). Complementando,

autores lembram que a investigação

laboratorial é necessária

e essencial no diagnóstico dessa

infecção, uma vez que leva ao tratamento

adequado e facilita o controle

da infecção (11).

A terapia da tricomoníase tornase

eficaz somente quando os parceiros

sexuais são tratados simultaneamente,

caso contrário, a reinfecção é

regra (31, 22, 27). O fármaco eleito

no tratamento da tricomoníase é o

metronidazol na dose única de 2g,

via oral (21).

Sendo assim, o presente estudo

objetivou avaliar os agentes etiológicos

das vulvovaginites nos resultados

de exames citopatológicos

de mulheres atendidas na Unidade

Básica de Saúde Ernani Sátyro na

cidade de Patos – PB, para, através

deste, saber qual a infecção vaginal

mais frequente para trabalhar no

combate desta.

Material e Métodos

A pesquisa foi realizada por

meio de um estudo descritivo retrospectivo,

de corte transversal e

abordagem quantitativa em 321 resultados

de exames citopatológicos

cervicovaginais, constantes no livro

de protocolo onde ficam registrados

os resultados dos respectivos

exames, logo quando estes chegam

na Unidade de Saúde. Esses dados

foram coletados na Unidade Básica

de Saúde Ernani Sátyro na cidade

de Patos, Paraíba, Brasil, no período

de janeiro de 2005 a junho de 2007.

A pesquisa teve como critério de

inclusão resultados referentes aos

agentes etiológicos das vulvovaginites

(n=195), independentemente

da idade. No processo de revisão dos

resultados, foram coletadas apenas

as idades das usuárias, pois as

demais informações constantes no

livro de protocolo não se enquadraram

no objeto da pesquisa. Os dados

foram agrupados nas faixas etárias

de 14 a 19 anos, 20 a 24 anos, 25 a

29 anos, 30 a 34 anos, 35 a 39 anos,

40 a 44 anos, 45 a 49 anos, 50 a 54

anos e de 55 a 59 anos.

Os dados foram organizados e revisados

em uma ficha clínica elaborada

pelos pesquisadores de forma

a dar confiabilidade aos resultados

obtidos. Os dados foram organizados

em gerenciador de banco de

dados no programa Excel e posteriormente

processados e analisados

empregando-se o programa de Epidemiologia

e Estatística (Epi-Info,

versão 3.3.2) (Centers for Disease

Control and Prevention, Atlanta,

Geórgia, EUA). Este estudo obteve

parecer favorável da Comissão de

Ética em Pesquisa da Universidade

Federal de Campina (UFCG), (Cadastro

57/2007).

Resultados

Dos 321 resultados de exames citopatológicos

nos quais pesquisaramse

os agentes etiológicos das vulvovaginites

o objetivo foi obtido em 195

pacientes, que corresponde a 60,7%

dos casos (Gráfico 1).

Gráfico 1. Prevalência dos agentes causais de vulvovaginites, nas mulheres atendidas na

UBS Ernani Sátyro de acordo com os resultados de exames citopatológicos. Patos – Paraíba,

Brasil, janeiro de 2005 a junho de 2007

90

NewsLab - edição 104 - 2011


No Gráfico 2, observa-se a

presença de G. vaginalis (19,6%),

T. vaginalis (11,5%), Candida sp

(22,4%) e Mobiluncus sp (7,2%).

A Tabela 1 representa a distribuição

dos agentes etiológicos

das vulvovaginites conforme as

faixas etárias.

Gráfico 2. Distribuição percentual dos agentes etiológicos das vulvovaginites nos resultados

de exames citopatológicos, na Unidade Básica de Saúde Ernani Sátyro. Patos, Paraíba, Brasil,

janeiro de 2005 a junho de 2007

Tabela 1. Distribuição dos agentes etiológicos das vulvovaginites constantes no livro de protocolo

de entrega de exames citopatológicos segundo a idade. Patos, Paraíba, Brasil, janeiro de

2005 a junho de 2007

Faixa etária G. vaginalis T. vaginalis Candida sp Mobiluncus sp

Nº (%) Nº (%) Nº (%) Nº (%)

14-19 11 (17,5%) 11 (29,7%) 7 (9,7%) 3 (13%)

20-24 8 (12,7%) 3 (8,1%) 10 (13,9%) 4 (17,4%)

25-29 14 (22,2%) 8 (21,6%) 18 (25,0%) 3 (13%)

30-34 12 (19,0%) 4 (10,8%) 12 (16,7%) 3 (13%)

35-39 7 (11,1%) 2 (5,4%) 10 (13,9%) 4 (17,4%)

40-44 6 (9,5%) 4 (10,8%) 9 (12,5%) 5 (21,8%)

45-49 1 (1,6%) 2 (5,4%) 2 (2,8%) 0 (0,0%)

50-54 3 (4,8%) 3 (8,1%) 4 (5,5%) 0 (0,0%)

55-59 1 (1,6%) 0 (0,0%) 0 (0,0%) 1 (4,4%)

Total 63 (100%) 37 (99,9%) 72 (100%) 23 (100%)

Discussão

A VB juntamente com a CVV e a

T correspondem a 90% dos casos

de infecções vaginais, sendo que a

VB ocorre em 35-50% dos casos,

enquanto a CVV ocorre em 20-40%

e a T em 10-30% (29). O Mobiluncus

sp, um dos agentes etiológicos

da VB, são bacilos curvos, de movimentos

rápidos em espiral, do tipo

saca-rolhas, e de curta duração (37).

Neste estudo, a infecção por Candida

sp apresentou-se como a mais

prevalente, incidindo em 22,4% dos

casos, G. vaginalis em 19,6%, T.

vaginalis em 11,5%, e Mobiluncus

sp em 7,2%.

Em um trabalho realizado no

ambulatório de Ginecologia e Obstetrícia

da Faculdade de Medicina

do Triângulo Mineiro em quatro diferentes

décadas (1), com o objetivo

de investigarem a frequência de T.

vaginalis, Candida sp e G. vaginalis,

obtiveram os seguintes resultados:

1968 (10%), 1978 (17,3%), 1988

(9,8%), 1998 (3,4%), 1968 (0,5%),

1978 (5,1%), 1988 (8,1%), 1998

(22,5%), 1988 (19,8%) e 1998

(15,9%), respectivamente.

Conforme visto, a infecção por G.

vaginalis só pôde ser avaliada nas

duas últimas décadas. Este estudo

demonstrou também que todas as

infecções foram mais frequentes nas

usuárias mais jovens, especialmente

abaixo de 20 anos, em todas as décadas

e, ao contrário, menos comuns

em usuárias com 50 anos ou mais.

Em trabalho realizado em Brasília

com crianças e adolescentes com

queixas vulvovaginais (31), foram

encontrados os seguintes percentuais:

para Candida sp (9,5%), G. vaginalis

(6,7%) e T. vaginalis (0,5%).

Estudando a prevalência de

vaginites infecciosas em laudos

NewsLab - edição 104 - 2011

91


citológicos no Piauí, encontraramse

os seguintes dados: Candida sp

(10,27%), G. vaginalis (5,09%),

Trichomonas sp (3,66%) e Lactobacilos

(1,42%) (29). Outro estudo

realizado observou a presença de

bacilos curvos sugestivos de Mobiluncus

sp em 54% dos casos de VB

(15). Porém, em outro estudo, os

bacilos curvos estiveram presentes

em 51,7% e 46,8% de pacientes com

VB, nos esfregaços de Papanicolaou

e nos esfregaços de Gram, respectivamente

(14).

Em Lima, Peru, foi obtida uma

frequência de 23,24% para VB,

16,2% para CVV e 7,8% para T (25).

As discordâncias entre os dados

achados por cada autor podem ser

atribuídas não só às diferenças metodológicas

utilizadas, como também

aos testes diagnósticos empregados.

No Gráfico 2 foi observada uma

maior prevalência de Candida sp

(22,4%) em relação à G. vaginalis

(19,6%), embora o achado de maior

prevalência, também encontrado por

vários autores, seja a G. vaginalis,

discordando dessa forma, da literatura

vigente.

O maior achado de Candida sp,

no presente estudo, fortalece com

um estudo que mostra que dependendo

da faixa etária, localização

geográfica e nível socioeconômico,

mais de 40% das mulheres podem

apresentar uma ou mais espécies de

Candida, como constituinte da microbiota

vaginal normal, sem apresentar

sintomas (2).

O Ministério da Saúde (8) descreve

que a Candida sp pode fazer parte

da microbiota endógena em até 50%

das mulheres assintomáticas.

Analisando-se os dados obtidos

referentes à idade das usuárias,

observa-se que mulheres de praticamente

todas as idades avaliadas

(14-59 anos) são infectadas pelas

vulvovaginites, predominando como

29,7% e 21,8% dos casos aquelas

que se encontram na faixa etária de

14-19 e 40-44 anos para T. vaginalis

e Mobiluncus sp, respectivamente.

A faixa etária de 25-29 anos foi

a predominante para G. vaginalis e

Candida sp, em 22,2% e 25% dos

casos, respectivamente. Porém,

observam-se certas variações em

diferentes pesquisas.

Foi encontrada também a predominância

da faixa etária de 26-30

anos para T. vaginalis em estudo

realizado na Universidade Estadual

de Maringá (13). Já outra pesquisa

(29) descreve como predominante a

idade de 15-34 anos.

Quando analisada a frequência de

G. vaginalis em mulheres histerectomizadas

e não histerectomizadas,

observou-se que, no primeiro grupo,

essa bactéria predominou em mulheres

entre 41 e 50 anos, enquanto

que, no segundo grupo, prevaleceu

em usuárias abaixo de 40 anos (26).

Porém, os autores verificaram que

em ambas as faixas etárias houve um

decréscimo nas pacientes acima de

51 anos, que ocorreu de forma mais

acentuada naquelas não histerectomizadas.

Outros autores, entretanto,

encontraram a faixa de 15 a 34 anos

como a mais prevalente (29).

Verificando-se agora a infecção

por Candida sp, o mesmo achado

foi referido em outro trabalho (2),

que observou a faixa etária de 25-

29 anos como a mais acometida em

27,8% dos casos em uma pesquisa

realizada em Minas Gerais, em 1996.

Índices de incidência nas faixas

de 25-29 e 30-34 anos foram

verificados nos casos onde exame

micológico direto e a cultura foram

positivos, o que correspondeu a 11

ocorrências para cada grupo etário

(7). Ao contrário desses autores e

do nosso estudo, outro trabalho demonstrou

uma maior proporção de

CVV nas pacientes de 36-45, predominando

em 44,7% dos casos (12).

Que este estudo fortaleça o interesse

para um aprofundamento

em novos estudos sobre os agentes

causais das vulvovaginites, visto que

pode acometer muitas mulheres,

principalmente as mais jovens, como

foi visto neste trabalho e, assim, promover

ações em todos os níveis de

atenção, especialmente na atenção

básica, no que diz respeito a estratégias

de prevenção e controle da

tricomoníase, que é uma DST, assim

como também informações sobre

fatores de risco e o autocuidado para

aquelas usuárias acometidas pelas

infecções endógenas (VB e CVV).

Conclusão

De acordo com os dados analisados,

o presente estudo permite

concluir que: o agente etiológico das

vulvovaginites mais frequente foi a

Candida sp, sendo mais incidente

em mulheres na faixa etária de 25

a 29 anos, comportando-se como a

mais prevalente infecção vaginal do

sistema genital feminino na população

estudada.

O estudo trará sem dúvida implicações

para o ensino, a extensão e a

pesquisa, bem como para a melhoria

da assistência em saúde coletiva para

as populações de faixa etária mais

jovem, principalmente.

Correspondências para:

Prof. Ednaldo Queiroga de Lima

equeiroga.lima@gmail.com

92

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Artigo

Análise Comparativa de Metodologias para

Determinação de Hematócritos em Ratos Realizados

no Laboratório de Lípides – LabLip

José Firmino Nogueira Neto 1 , Antonio Carlos Macedo de Sá 2 , Vania Penha Pinto 3 ,

Ana Maria Bastos Coutinho 4 , Jorge João dos Santos Castro Filho 5

1 - Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Médicas – UERJ, Departamento de Patologia

e Laboratórios, Coordenador da Disciplina de Patologia Clínica e do LabLip

2 - Farmacêutico-Bioquímico LabLip

3 - Bióloga Pós-Graduada em Análises Clínicas pela UFRJ

4 - Graduanda do Curso de Farmácia da Unigranrio

5 - Acadêmico do Curso Médico da Unigranrio, bolsista IC FAPERJ

Trabalho realizado no Laboratório de Lípides (LabLip) – Policlínica Piquet Carneiro/UERJ

Resumo

Summary

Análise comparativa de metodologias para

determinação de hematócritos em ratos realizados no

Laboratório de Lípides – LabLip

O hematócrito (Ht) é o resultado da proporção entre o volume

dos eritrócitos e do sangue total. Este trabalho objetivou comparar

duas metodologias empregadas na determinação de hematócrito,

uma automatizada com aparelho modelo KX-21N (Sysmex Corporation

® , Japão) e outra centrífuga para Microhematócrito modelo

Eureka I (Bio Eng ® , Brasil). Foram estudadas 512 amostras de

ratos de projetos realizados no Laboratório de Lípides – LabLip. A

comparação dos resultados obtidos nas duas metodologias pelo

coeficiente de determinação mostrou que as metodologias guardam

uma relação significativa (p < 0.0001) e positiva entre si, com r

= 0,73, próximo de 1, o que garante a sua confiabilidade. Desta

forma, ambas as metodologias podem ser utilizadas na determinação

do hematócrito. A metodologia automatizada apresenta como

vantagens melhor tempo de execução e praticidade.

Comparative analysis of methodologies for

hematocrit determination in mice accomplished at the

Laboratorio de Lípides – LabLip

The hematocrit (Ht) is the reason among the erythrocytes volume

in relation to the total blood. This work aimed to compare two

methodologies used in the hematocrit determination, one automated

with equipment model KX-21N (Sysmex Corporation ® , Japan) and

other with centrifuge for microhematocrit model Eureka I (Bio Eng ® ,

Brazil). The rats samples (512) of projects accomplished at the

Laboratorio de Lípides – LabLip were studied. The comparison of

the results obtained in the two methodologies by the determination

coefficient showed that the methodologies keep a significant

relationship (p


dos (microhematócritos), macrométodos

(Wintrobe), ou método indireto

utilizando aparelhos automatizados

como o produto da multiplicação do

Volume Corpuscular Médio (VCM)

pela contagem de eritrócitos (1, 3).

Ele representa um dos mais importantes

exames da série vermelha.

É um exame rápido, de boa reprodutibilidade

e preciso, que exige

pequena quantidade de sangue para

seu processamento. Ele é um indicador

chave do estado de hidratação,

anemia ou perda grave de sangue

do corpo, bem como da capacidade

do corpo para transportar oxigênio.

Uma redução do hematócrito

pode dever-se a uma sobrehidratação,

que resulta no aumento

do volume de plasma, ou a uma

diminuição do número de glóbulos

vermelhos provocada por anemias

ou perda de sangue.

Por outro lado, um aumento do

hematócrito pode dever-se à perda

de fluidos como, por exemplo, em

caso de desidratação, tratamento

diurético e queimaduras, ou a uma

subida dos glóbulos vermelhos como

no caso de distúrbios cardiovasculares,

renais (2), policitemia (9),

DPOC e tabagismo (4).

Materiais e Métodos

O estudo comparativo utilizou as

amostras dos seguintes projetos realizados

em colaboração com o LabLip:

a) Efeito do uso de dietas com alto

teor de gordura trans nos níveis de

lipídios plasmáticos em ratos submetidos

à esplenectomia total isolada ou

combinada com autoimplante esplênico,

com a orientação do Prof. Ruy

Garcia Marques e Mestranda Fernanda

Correia Simões. Animais utilizados:

ratos Wistar machos adultos.

b) Aterogênese coronariana com

ácidos graxos predominantemente

insaturados (óleo de soja), de autoria

do Prof. Antonio Luiz de Araújo.

Animais utilizados: ratos Wistar

machos adultos.

c) Suplementação dietética com

probióticos na resposta à pancreatite

aguda, com a orientação do Prof. Ruy

Garcia Marques e Mestranda Bianca

D’Elia Matzke. Animais utilizados: ratos

Sprague-Dawley machos adultos.

d) Perfil lipídico de ratos submetidos

ao uso de dieta com alto teor

de gordura saturada após esplenectomia

total isolada ou combinada

com auto-implante esplênico, com

a orientação do Prof. Ruy Garcia

Marques e Mestranda: Ana Paula

Gonçalves Dinis. Animais utilizados:

ratos Wistar machos adultos.

Os projetos acima obtiveram parecer

favorável do Comitê de Ética

em Pesquisa Animal do Instituto de

Biologia Roberto Alcântara Gomes da

Universidade do Estado do Rio de Janeiro,

UERJ. Todos os procedimentos

seguiram, rigorosamente, a regulamentação

existente sobre experimentação

com animais (7, 8).

Todos os animais são provenientes

do Biotério do Laboratório de Cirurgia

Experimental da Faculdade de Ciências

Médicas da UERJ e receberam ração

apropriada para ratos e água ad libitum

até atingirem o peso ideal para o

início do experimento.

As amostras de sangue total

foram coletadas por punção cardíaca,

sob anestesia com tiopental

sódico, no início dos experimentos

e nos períodos pré-estabelecidos

por cada projeto. Foram utilizados

tubos com EDTA para acondicionar

as amostras e o aparelho modelo

AP 22 (Phoenix ® , Brasil) para homogeneizar

os tubos.

Realizaram-se análises pareadas

de cada amostra por duas metodologias

distintas para determinação

do hematócrito. A metodologia para

quantificação do hematócrito realizada

na centrífuga para Microhematócrito

modelo Eureka I (Bio Eng ® , Brasil)

está descrita a seguir: o sangue foi

colhido em tubo com anticoagulante

apropriado, homogeneizado e repassado

para o tubo capilar simples

por uma das extremidades e até que

faltasse um cm para encher completamente

e fechado com massa.

Após esse processo, o tubo capilar

foi colocado na microcentrífuga com a

extremidade fechada voltada para o

círculo externo, centrifugado a 11.000

r.p.m. durante 5 minutos. A coluna de

glóbulos vermelhos foi lida no gráfico

que acompanha a microcentrífuga com

a parte fechada voltada para baixo.

O resultado foi expresso em porcentagem.

A metodologia automatizada

para quantificação do hematócrito

no aparelho modelo KX-21N (Sysmex

Corporation ® , Japão) usa os reagentes

Cellpack e Stromatolyser-WH consiste

na multiplicação do volume corpuscular

médio (VCM) x concentração de

células vermelhas.

Na câmara de detecção das hemácias

é determinado o tamanho

e a quantidade de eritrócitos e de

trombócitos, através do método de

medição de resistência, nos projetos

em questão foram configurados o

modo de análise sangue total em que

é aspirado e analisado o sangue não

diluído. É necessária uma amostra de

pelo menos 50 μL.

Resultados e Discussão

Neste estudo, duas metodologias

para determinação de hematócrito

foram comparadas, a por centrifugação

através de micrométodos (microhematócrito)

e a automatizada,

conforme a Tabela 1, em amostras de

ratos (n=512).

Os valores de referência de hematócrito

de ratos são entre 37-46% (7).

Nos resultados dos projetos analisados

NewsLab - edição 104 - 2011

101


Tabela 1. Valores de hematócrito das amostras

Método Média ± DP

Microhematócrito 40.7 ± 4

KX-21N 42.6 ± 5

automatizado, entretanto o método

automatizado tem melhor tempo de

execução e praticidade.

obtivemos uma média de hematócrito

compatível com os valores de referência

em ambas às metodologias.

Os resultados foram analisados

para se verificar a existência ou não

de correlação entre ambas as metodologias.

A Figura 1 mostra que as

metodologias guardam uma relação

significativa (p < 0.0001) e positiva

entre si, com r = 0,73, próximo de 1,

o que garante a sua confiabilidade.

As médias obtidas foram 40,7 e

42,6 referente às metodologias microhematócrito

e KX-21N respectivamente,

o que confirma que são comparáveis

e tiveram desvios padrões

semelhantes, confirmando a igualdade

quanto ao resultado.

O estudo comparativo de duas

metodologias distintas, mas que

tem a mesma finalidade no laboratório

de análises clínicas, revela

as vantagens e desvantagens de

cada metodologia, além de dados

como sensibilidade, especificidade

e custo-benefício, proporcionando a

otimização no resultado obtido (5).

Outros critérios considerados na

rotina laboratorial incluem o custo

e o tempo de execução (6). A metodologia

do microhematócrito tem

baixo custo em relação ao método

Conclusão

Ambas as metodologias mostraram-se

eficientes na determinação

do hematócrito dos ratos Wistar e

Sprague-Dawley. Houve correlação

significativa e positiva entre as duas

metodologias, pode-se escolher a metodologia

automatizada, pois dentre

outras vantagens, minimiza o tempo

de execução do teste, otimizando, portanto,

os procedimentos laboratoriais.

Agradecimentos

Agradecemos aos professores Ruy

Garcia Marques e Antonio Luiz de

Araújo por nos permitir a utilização dos

achados laboratoriais neste trabalho.

Ao Laboratório de Cirurgia Experimental

da Faculdade de Ciências Médicas,

UERJ, por manter os animais em condições

apropriadas para o experimento.

Ao setor de hematologia do Laboratório

de Lípides – LabLip por nos conceder

o material biológico através do qual

chegamos a estas conclusões.

Figura 1. Correlação entre as duas metodologias, segundo o coeficiente de determinação de Pearson.

Correspondências para:

Prof. José Firmino Nogueira Neto

lablipuerj@gmail.com

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102

NewsLab - edição 104 - 2011


Artigo

Carcinoma Medular de Tireoide

Bárbara Antonina Dávila 1 , Cristiane Maria Steffen 2 , Letícia Bohrer Habigzang 1 ,

Mariana Ribeiro de Freitas 1 , Saiomara Trento da Silva 1

1 - Universidade Feevale

2 - Biomédica formada pela Universidade Feevale

Resumo

Summary

Carcinoma medular de tireoide

A glândula tireoide é formada por dois tipos de células: as

foliculares, responsáveis pela formação dos hormônios tireoidianos,

e as parafoliculares ou células C, produtoras da calcitonina. O

Carcinoma Medular de Tireoide (CMT) proveniente das células C,

é muito raro e possui pior prognóstico do que os carcinomas bem

diferenciados. Pode ocorrer de forma esporádica, não hereditária

ou como uma doença hereditária autossômica dominante. O CMT

se apresenta clinicamente com nódulos tireoidianos, disfalgia, estridor,

dispneia e possíveis nódulos cervicais provindos de metástases.

O diagnóstico é realizado por histologia, punção aspirativa por

agulha fina (PAAF) ou por técnicas de imuno-histoquímica, marcadores

tumorais, técnicas moleculares e auxílio diagnóstico como

ultrassonografia de alta resolução.

Palavras-chave: Glândula tireoide, Carcinoma medular

de tireoide

Medullary Thyroid Carcinoma

The thyroid gland is formed by two types of cells, the

follicle responsible for the formation of thyroid hormones

and the parafollicular or C cells, which produce calcitonin.

The Medullary Thyroid Carcinoma (MTC) from cell C is very

rare and has a worse prognosis than well differentiated

carcinomas can occur sporadically, or not inherited as an

autosomal dominant disease. CMT presents clinically with

thyroid nodules, disfalgia, stridor, dyspnea and possible

cervical nodes coming from metastases. The diagnosis

is made by histology, needle aspiration biopsy (FNAB)

or by immunohistochemical techniques, tumor markers,

molecular techniques and aid diagnosis and ultrasound high

resolution.

Keywords: Thyroid gland, Medullary thyroid

carcinoma

Introdução e

Epidemiologia

A glândula tireoide é formada por

dois tipos de células: as foliculares,

responsáveis pela formação dos

hormônios tireoidianos, e as parafoliculares

ou células C, produtoras da

calcitonina (1).

O Carcinoma Medular de Tireoide

(CMT) é o carcinoma proveniente

das células C, muito raro e com pior

prognóstico do que os carcinomas

bem diferenciados (2). Pode ocorrer

de forma esporádica, não hereditária

ou como uma doença hereditária

autossômica dominante (1).

Na forma esporádica, acomete

principalmente adultos, com média

de idade por volta dos 45 anos, enquanto

que na doença hereditária

acomete pacientes mais jovens, com

média de idade de 35 anos (3).

Cerca de 75% dos casos de CMT

são da forma esporádica, enquanto

a forma hereditária ocorre em 25%

dos casos, totalizando um valor de 5

a 8% de todos os casos de carcinoma

de tireoide (4).

O CMT se apresenta clinicamente

com nódulos tireoidianos, disfalgia,

estridor, dispneia e possíveis nódulos

cervicais provindos de metástases (1).

O diagnóstico pode ser feito por

histologia, padrão-ouro para o diagnóstico

de lesões de tireoide. A punção

aspirativa por agulha fina (PAAF)

é outro método que pode ser empregado,

pois possui alta sensibilidade e

especificidade (5), com baixo custo

e pouco invasivo (6) e técnicas de

imuno-histoquímica, marcadores

tumorais e técnicas moleculares (7).

O principal tratamento para carcinomas

de tireoide é a tireoidectomia

total, retirada de toda glândula ou

tireoidectomia subtotal, retirada

parcial da glândula. Em casos de

metástases em linfonodos é indicado

o esvaziamento cervical. O uso de

iodo radioativo também pode ser

104

NewsLab - edição 104 - 2011


feito, como tratamento complementar,

mas é mais utilizado em casos

de risco de recidiva ou morte (8).

Classificação de Carcinoma

Medular de Tireoide

O Carcinoma Medular de Tireoide

(CMT), neoplasia das células C ou parafoliculares

da tireoide pode apresentar-se

na forma esporádica (75-80%)

ou hereditária (20-25%) (9).

No carcinoma medular da forma

esporádico, se apresenta como um

tumor unifocal e unilateral, cujo

diagnóstico ocorre na quinta ou

sexta décadas de vida (10). Clinicamente,

o tumor se caracteriza como

nódulo único ou massa tireoidiana

associada à linfadenopatia cervical

ou a outros sintomas locais.

Raramente pode estar associado à

diarreia, rubor ou doença metastática

(10, 11). O CMT hereditário é componente

das síndromes genéticas de

neoplasia endócrina múltipla (NEM)

2A, 2B ou CMT Familiar (CMTF) ou

outras formas hereditárias (12).

Das formas hereditárias, a MEN2

é uma síndrome neoplásica rara caracterizada

pela transmissão autossômica

dominante com penetrância e

expressividade variáveis entre as famílias

já descritas até hoje (13, 14).

Das formas hereditárias, a NEM

2A é a mais comum, representando

mais de 90% dos casos de NEM do

tipo 2. Nesta síndrome, o CMT ocorre

em 90-95% dos pacientes e está

associado com feocromocitoma em

30 a 50% dos casos e com hiperparatireoidismo

em 10 a 30% dos

pacientes. (15; 16).

A síndrome NEM 2A é ainda subdivida

em três subtipos fenotípicos

(13,14):

a) NEM 2A(9), indivíduos que

apresentam os três componentes

da síndrome

b) NEM 2A(12), indivíduos com

CMT e feocromocitoma

c) NEM 2A(13), indivíduos com

CMT e hiperparatireoidismo

Outras associações raras com

NEM 2A incluem a presença de líquen

amiloide cutâneo (CLA) (15) ou doença

de Hirschsprung (16).

Na NEM 2B, a qual corresponde

a 5% dos casos de NEM do tipo 2, o

CMT ocorre em 90% dos pacientes

e está associado ao feocromocitoma

em 45% dos casos, hábito

marfanoide em 65% dos indivíduos

e ganglioneuromatose múltipla

envolvendo lábios, olhos, língua e

trato gastrointestinal em 100% dos

pacientes, sem que haja evidências

de doença paratireoidiana. (17, 18)

As fácies características são precocemente

reconhecidas durante a

infância (neuromas da mucosa). O

envolvimento gastrointestinal pode

causar diarreia e constipação intermitente,

dor abdominal, megacólon

e, ocasionalmente, obstrução intestinal.

Outro aspecto fenotípico da

NEM 2B é o hábito marfanoide com

dedos e extremidades longas, hiperextensão

de articulações e anormalidades

epifisárias (17, 18, 19).

Já a síndrome CMTF é caracterizada

pela ocorrência de CMT isolado,

sem qualquer outra manifestação de

NEM, em quatro ou mais indivíduos

da mesma família (19).

Quadro clínico CMT

As manifestações clínicas do Carcinoma

Medular de Tireoide variam

de acordo com o tipo histológico da

neoplasia. O quadro clínico pode

variar desde assintomático até hiperplasia

de glândula, neuromas de

mucosa e comprometimento do trato

gastrointestinal.

Na forma esporádica, o CMT se

apresenta como um tumor unifocal

e unilateral, cujo diagnóstico ocorre

na quinta ou sexta décadas de vida.

Clinicamente, o tumor se caracteriza

como nódulo único ou massa tireoideana

associada à linfadenopatia

cervical ou a outros sintomas locais

(4). Também se manifesta como nódulo

cervical, porém de crescimento

mais rápido (8). Raramente pode

estar associado à diarréia, rubor ou

doença metastática (4).

O Carcinoma Medular de Tireoide

hereditário normalmente é precedido

por hiperplasia celular e, na

maioria dos casos, exibe uma forma

multicêntrica e multifocal. A forma

NEM 2A ocorre em maior quantidade

durante a terceira e quarta décadas

de vida.

A forma familiar pode estar associada

às Neoplasias Endócrinas

Múltiplas do tipo IIA (descrita por

Sipple, em 1961) onde a alteração

do cromossomo 10 ocasiona, além

do câncer medular, feocromocitoma

e hiperparatireoidismo (8).

O Carcinoma Medular de Tireoide

Familiar é caracterizado por

isolamento de CMT em, no mínimo,

quatro membros de uma mesma

família. Outras formas de CMT hereditário

baseiam-se na presença

de dois ou três membros da mesma

família acometidos por CMT, excluída

a presença de feocromocitoma ou

hiperparatireoidismo.

O CMT hereditário manifesta-se

clinicamente como um nódulo ou

massa cervical e, frequentemente,

os pacientes já apresentam comprometimento

em linfonodos cervicais

ao diagnóstico (4).

Nas fases mais tardias da doença

ocorrem sintomas paraneoplásicos

e metástases à distância.

A síndrome genética NEM 2A se

caracteriza por CMT (95%), feocromocitoma

(30–50%) e hiperpa-

NewsLab - edição 104 - 2011

105


atireoidismo (10-20%).

O hiperparatireoidismo acomete

geralmente todas as glândulas paratireoides.

A lesão histológica mais

comumente observada nos estágios

iniciais da doença é a hiperplasia

da glândula, porém, se a doença é

diagnosticada mais tardiamente, a

lesão adenomatosa se superpõe à

hiperplasia (4).

NEM 2A também apresenta certas

associações raras que incluem lesão

pruriginosa da região escapular com

deposição de amiloide chamada

(Líquen Amiloide Cutâneo), e a doença

de Hirschsprung, ou Megacólon

Congênito, que se caracteriza pela

ausência de células ganglionares em

certas partes do intestino levando a

obstrução intestinal em neonatos e

megacólon em crianças e adultos.

Estudos descreveram pancreatite

aguda severa como a primeira manifestação

de Hiperparatireoidismo

Primário.

Isto provavelmente pode ser

explicado pelo fato de que HPTP em

NEM2A é normalmente brando, se

desenvolve devagar e, na maioria

dos casos, é assintomático (20).

O carcinoma medular é muito

mais agressivo em seu tipo NEM2B.

É relacionado com neuromas de mucosa,

feocromocitoma e ainda com o

aspecto marfanoide que o paciente

apresenta, com dedos e extremidades

longas, hiperextensão de articulações

e anormalidades epifisárias.

A síndrome NEM2B caracteriza-se

por CMT (90%), feocromocitoma

(45%), ganglioneuromatose (100%)

e hábitos marfanoides (65%). Essa

síndrome caracteriza-se por um fenótipo

único, que inclui ganglioneuromatose

difusa da língua, lábios,

olhos e do trato gastrointestinal.

As fácies características são

precocemente reconhecidas du-

rante a infância (neuromas da

mucosa). O envolvimento gastrointestinal

pode causar diarreia

e constipação intermitente, dor

abdominal, megacólon e, ocasionalmente,

obstrução intestinal (8).

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito por

histologia, padrão-ouro para o diagnóstico

de lesões de tireoide, porém

a punção aspirativa por agulha fina

(PAAF) constitui um método de

alta sensibilidade e especificidade

(5), ou por técnicas de imunohistoquímica,

marcadores tumorais,

técnicas moleculares e auxílio diagnóstico

como a ultrassonografia de

alta resolução (7, 21).

A calcitonina, principal produto

secretório das células C, é considerada

o marcador bioquímico para diagnóstico

e seguimento pós-operatório

dos pacientes com CMT (22-23).

No entanto, a dosagem basal de

calcitonina sérica não apresenta boa

sensibilidade no rastreamento de indivíduos

portadores de CMT que não

apresentam tumor palpável, pois sua

concentração pode ser normal na

fase de hiperplasia de células C (24).

Nestes casos, testes de estimulação

da secreção de calcitonina podem

mostrar a hiperresponsividade das

células anômalas, possibilitando o

diagnóstico (23, 24, 25).

As células tumorais do CMT

produzem ainda várias outras

substâncias, entre elas o antígeno

carcinoembrionário (CEA). Assim

como a calcitonina, o CEA plasmático

basal pode estar elevado nos

pacientes com CMT, sendo que uma

concentração sérica de calcitonina

maior do que 1.000pg/ml associada

com uma elevação da concentração

sérica de CEA confirma o diagnóstico

de CMT (26,27).

O diagnóstico do CMT pode ser

realizado pela análise citológica das

amostras de tecido tireoidiano obtidas

por punção-biópsia aspirativa

por agulha fina, a qual evidencia

células parafoliculares agrupadas ou

isoladas, amiloide, necrose, células

inflamatórias e componentes papilares

(24,28). A imunocitoquímica

para calcitonina pode ser utilizada e

tende a aumentar a acurácia diagnóstica

(29).

A investigação inicial por imagem

deve ser feita através da ultrassonografia

cervical que, apesar de

inespecífica para o diagnóstico etiológico

do nódulo tireoidiano, pode

auxiliar na detecção de metástases

ganglionares não palpáveis. Como

o CMT capta metaiodobenzilguanidina

(131I-MIBG), a cintilografia

com esta substância pode ser usada

não só para se obter mais um dado

diagnóstico, mas também na procura

de metástases em pesquisa de corpo

inteiro (PCI).

No entanto, deve ser salientado

que, apesar da PCI com 131I-MIBG

apresentar alta especificidade,

é um exame que apresenta uma

sensibilidade baixa, em torno de

30-40% (30,31).

A demonstração de que a grande

maioria dos pacientes com as formas

hereditárias de CMT apresenta mutações

no proto-oncogene RET tornou

possível a utilização do rastreamento

deste gene como teste diagnóstico.

O rastreamento genético na procura

de mutações no proto-oncogene

RET causa um mínimo desconforto

para o indivíduo, é relativamente

simples de ser realizado, e com relação

custo-benefício menor que os

rastreamentos bioquímicos, podendo

ser realizado independentemente

da idade, até mesmo logo após o

nascimento. Além disso, quando as

106

NewsLab - edição 104 - 2011


técnicas laboratoriais são realizadas

de forma adequada, a acurácia deste

tipo de teste diagnóstico é próxima

de 98-100% (32, 33).

Tratamento

Cerca de um quarto de todos os

tipos de Câncer Medular de Tireoide

é de causa genética, devido a uma

mutação no proto-oncogene RET.

Abordagens terapêuticas para pacientes

com risco para o desenvolvimento

da CMT, identificados por

programas de triagem familiar, variam

de tireoidectomia total à tireoidectomia

total com linfadenectomia

de todos os quatro compartimentos

sendo suficiente como tratamento

profilático para portadores desta

mutação.

A linfadenectomia cervicolateral é

indicada se a calcitonina permanece

elevada após a cirurgia primária. A

tireoidectomia profilática deve ser

realizada antes do desenvolvimento

de metástases linfonodais (34).

Em um estudo realizado, houve

evidências de que a terapia imunológica,

baseada em estratégias de

vacinação com células dendríticas,

fora eficaz na redução da massa

tumoral em um pequeno número de

pacientes. A identificação de CMT

com antígenos específicos do tumor

e uma melhor compreensão dos epítopos

específicos nestes antígenos

pode levar à melhoria das taxas de

resposta (35).

A administração de motesanib,

vandetanib, axitinib (inibidores da

tirosina quinase) e XL184 (inibidor

multiquinase) indicaram uma

resposta parcial ou estabilizaram o

estado metastático do CMT. Sunitinib

e sorafenib, (inibidores da tirosina

quinase) também podem ser administrados

em pacientes com este tipo

de carcinoma.

No entanto, estes medicamentos

são curativos e não melhoram

a taxa de sobrevivência. Somente

radioimunoterapia com o antígeno

carcinoembrionário-I à base de iodo

melhorou a sobrevivência de um

subgrupo de pacientes com um tipo

muito agressivo de CMT.

Outras drogas atualmente estão

disponíveis para o uso de tratamento

deste carcinoma que incluem:

bortezomib (inibidor proteasome),

ácido valproico (inibidor da histona

deacetilase), capecitabina (pródroga

5-fluorouracil) e indometacina

(NSAID). Hormônios natriuréticos

cardíacos e um extrato da planta

Cautleya gracilis seriam novos agentes

que estão sendo estudados para

CMT (36).

Considerações Finais

Apesar da forma esporádica ocorrer

por volta dos 45 anos e a forma

hereditária ocorrer em torno dos

35 anos, podemos considerar que

ocorrem em pessoas ainda jovens.

Ambos se manifestam de maneira

assintomática ou não, associadas a

outras doenças e como consequências

a outras doenças.

O diagnóstico considerado padrão-ouro

é a histologia, mas outras

técnicas são também utilizadas como

imagem, marcadores tumorais, dosagem

de calcitonina entre outros.

Tratamentos variam de tireoidectomia

total à tireoidectomia total

com linfadenectomia, uso de medicamentos

e terapia imunológica.

A partir dos dados já descritos

e resumidos podemos concluir que

muitos estudos ainda deverão ser

realizados para melhor compreensão

do CMT; importante salientar que é

uma doença ainda pouco identificada

e reconhecida pela população.

Correspondências para:

Bárbara Antonina Dávila

barbara.davila@globo.com

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108

NewsLab - edição 104 - 2011


Artigo

A Importância da Prevenção de Pseudomonas aeruginosa em

Pacientes Portadores de Fibrose Cística

Claudia Cristina Palma 1 , Alexandre Luiz Affonso Fonseca 2,4 , Luciana Zambeli Caputto 2,4 , Ligia Ajaime Azzalis 3 , Enny Fernandes

Silva 4 2, 3, 5

, Fernando Luiz Affonso Fonseca

1 - Especialista em Análises Clínicas pelo IPESSP

2 - Professores do Curso de Especialização Lato Sensu em Análises Clínicas do IPESSP

3 - Professores do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp - Diadema

4 - Professores do Curso de Farmácia e Bioquímica da Universidade Paulista - SP

5 - Laboratório de Análises Clínicas da Faculdade de Medicina do ABC

Resumo

Summary

A importância da prevenção de Pseudomonas aeruginosa

em pacientes portadores de fibrose cística

A fibrose cística, também conhecida como mucovicidose, é uma

doença genética crônica, com manifestação sistêmica, que compromete

vários sistemas. Os pacientes com fibrose cística têm uma

disfunção das glândulas de secreção exógena e devido ao aumento

da viscosidade das secreções, a tendência da doença é evoluir para

quadros infecciosos crônicos. A Pseudomonas aeruginosa, bacilo

Gram negativo não fermentador de glicose, é uma bactéria própria

da microbiota humana e tem se mostrado um agente infeccioso de

grande potencialidade em pacientes com baixa barreira física ou

imunossuprimidos. Sua importância clínica se dá devido à difícil

erradicação, por ser uma bactéria de ampla expressão de fatores

de virulência, assim como a resistência natural e adquirida. A Pseudomonas

é um fator complicador no quadro clínico de pacientes

fibrocísticos, pois pode evoluir rapidamente o quadro para uma

fase crônica de infecção, principalmente pulmonar.

Palavras-chave: Infecção pulmonar, bacilos gram-negativos,

bactéria patogênica

The importance of preventing Pseudomonas

aeruginosa in patients with cystic fibrosis

The cystic fibrosis, also known as mucovicidose, is a chronic

genetic illness with systemic manifestation that compromises

many systems. The patients who carries this illness have a

dysfunction in secretion glands, and because of the increase

of secretions viscosity the trend of the illness is to evolute for

chronic infectious. The Pseudomonas aeruginosa is a typical

bacterium of human being macrobiotic, and it has shown an

infectious agent of great potentiality in patients with low physical

barrier or immunosupressed. Its importance is due to the difficult

eradication, for being a bacterium of large expression of

virulence factors, as well as the natural and acquired resistance.

The Pseudomonas is a complication factor in the approach

clinical of fibrocystic patients; therefore the picture for a chronic

phase of infection, mainly pulmonary can evolve quickly.

Keywords: Lung infection, gram-negative bacilli, pathogenic

bacteria

Introdução

A

f ibrose cística (FC) é uma

doença genética autossômica

recessiva, crônica, com manifestação

sistêmica, que compromete

principalmente os sistemas respiratório,

digestivo e aparelho reprodutor.

Ocorre por uma disfunção das glândulas

de secreção exócrina. A FC é

a doença genética letal mais comum

entre a população branca e a causa

mais frequente de doença pulmonar

crônica progressiva e insuficiência

pancreática na infância (1).

A incidência da FC é variável de

acordo com as etnias, variando de

1/2.000 a 1/5.000 caucasianos nascidos

vivos na Europa, nos Estados

Unidos e no Canadá, 1/15.000 negros

americanos e 1/40.000 na Finlândia.

No Brasil, a incidência estimada para

a região sul é mais próxima da população

caucasiana centro-europeia,

enquanto que, para outras regiões,

diminui para cerca de 1/10.000 nascidos

vivos (1, 2).

110

NewsLab - edição 104 - 2011


As manifestações clínicas da doença

são muito variáveis e costumam

comprometer vários órgãos e sistemas.

A tríade de doença pulmonar

obstrutiva crônica, insuficiência pancreática

exócrina e eletrólitos elevados

no suor, está presente na grande

maioria dos pacientes (3, 4, 5).

O diagnóstico precoce tem se

mostrado um fator determinante na

eficácia do tratamento, contribuindo

para melhoria da qualidade de vida e

a sobrevida do paciente. O diagnóstico

da FC se baseia em achados clínicos

clássicos, ou seja, manifestações pulmonares

e/ou gastrintestinais típicas,

história de casos de FC na família e

demonstrações de níveis elevados de

sódio e de cloro no suor (TS) consistem

na estimulação da produção do

suor pela pilocarpina, que é colocado

sobre a pele ou diretamente nas

glândulas sudoríparas, usando-se um

gradiente de potencial (iontoforese) e

análise de concentração dos íons de

sódio e cloro (6, 7, 8).

O diagnóstico molecular se baseia

na análise das mutações Delta F508,

sendo esta a mais frequente. Delta

siguinifica ausência e “F” fenilalanina,

ou seja, ausência do aminoácido finilalanina

na posição 508 (6).

O gene da FC localiza-se no braço

longo do cromossomo 7, no lócus q

31, que é formado por 250 quilobases

de DNA com 27 exons, e tem a

propriedade do codificar um RNAm de

6,5 quilobases, que transcreve uma

proteína transmembrana, reguladora

de transporte iônico, composta por

1.480 aminoácidos, conhecido como

CFTR (Cystic Fibrosis Transmembrane

Conductonce Reguletor). A CFTR é

essencial para o transporte de íons

através da membrana celular, estando

envolvida no fluxo de Cl, Na e água (6).

A presença de dois alelos com

mutação no gene da FC provoca

ausência da atividade, ou funcionamento

parcial da CFTR, causando

a redução na secreção do cloro e

aumentando a eletronegatividade intracelular,

resultando em maior fluxo

de Na e água para equilíbrio celular.

Com a desidratação da secreção, há

um aumento na viscosidade, o que

favorece a obstrução de ductos e posteriormente

inflamações e processo

de fibrose (6, 8).

A grande maioria dos pacientes

fibrocísticos sofre com as doenças

pulmonares. A doença pulmonar se

caracteriza pela colonização e infecção

respiratória por bactérias que levam

a danos tissulares irreversíveis. Os

micro-organismos que podem aparecer

em um quadro clínico de pacientes

com problemas respiratórios são os

Staphilococus aureus, Haemophilus

influenzae, Pseudomonas aeruginosa,

P. aeruginosa mucoide, Pseudomonas

cepacea e Burkholderia cepacia (9).

Os fibrocísticos não apresentam

defeitos imunes, nem infecções de

repetição em outros órgãos, que não

o do trato respiratório. Apesar de se

conhecer a genética básica da FC,

ainda não se sabe a real razão da

doença das vias aéreas. A colonização

por Pseudomonas aeruginosa (P.

aeruginosa) é muito comum, apesar

de se apresentar na fase tardia da

doença. A P. aeruginosa é muito difícil

de ser erradicada, mesmo com o uso

de antibióticos. A infecção crônica

é a principal causa de morbidade e

mortalidade entre os pacientes com

FC (10, 11).

Pseudomonas aeruginosa e a

Fibrose Cística

Pseudomonas aeruginosa, bacilo

Gram negativo não fermentador de

glicose, bactéria ubiquitária que faz

parte da microbiota humana, raramente

se torna a causa de infecções

comunitárias em indivíduos saudáveis.

No entanto, em ambientes hospitalares,

esta bactéria torna-se um

agente infeccioso, principalmente em

pacientes que apresentam queda na

barreira física e imunossupressão (12).

Sua importância clínica está baseada

na difícil erradicação da infecção

e contínuos fracassos terapêuticos,

consequência da ampla expressão de

fatores de virulência, assim como a

resistência natural e adquirida de muitos

antibióticos e desinfetantes (13).

Por ser uma bactéria que causa

infecções em diversos órgãos, a P.

aeruginosa possui vários componentes

estruturais que participam da sua

patogenicidade. A membrana externa

da P. aeruginosa é composta de proteínas,

fosfolípides e lipopolissacarídeos

(LPS). O LPS pode funcionar como

um fator de virulência conferindo

atividades imunoestimulante, assim

como promover a adesão da bactéria

ao tecido pulmonar e a córnea. Neste

tecido, o receptor para o LPS é uma

proteína de bomba de cloro conhecida

como CFTR (12, 13).

Outros fatores envolvidos na

patogenicidade da bactéria estão o

alginato, um fator de adesão e antifagocitário,

além de conferir uma alta

tolerância aos anticorpos e impedir

a difusão dos antimicrobianos. O

alginato forma um gel em torno da

célula e esta cápsula que se forma

possibilita a aderência à superfície

mucosa normal (13).

As exoenzimas S e exoenzimas U

atuam como defesa para a bactéria. A

ExoS é altamente tóxica para os neutrófilos

e a ExoU, para os macrófagos.

As proteases, que são responsáveis

pelas lesões nos tecidos em geral,

agem em conjunto na degradação da

elastina e, com a danificação do tecido

do pulmão, fica fácil da disseminação

da bactéria (12).

A fosfolipase C e Ramnolipídeo

agem sinergicamente, no sentido de

destruir o surfactante pulmonar. Os

pigmentos fenazínicos inibem tanto

a proliferação da epiderme humana e

os linfócitos, quanto a proliferação de

112

NewsLab - edição 104 - 2011


outras entidades bacterianas. Neste

pigmento conhecido clinicamente

como pus azul, a função mais provável

é o bloqueio de transporte de elétron

pela cadeia respiratória (14).

O Biofilme por sua vez confere a

proteção contra o sistema de defesa

do hospedeiro. A formação do biofilme

dificulta a difusão de antimicrobianos

e desinfetantes, conferindo menor

suscetibilidade. A maior ou a menor

participação destas estruturas depende

do local de infecção (12, 13, 14).

A patogênese pode ser resumida

em três etapas: adesão bacteriana e

colonização, invasão local e infecção

sistêmica disseminada. Em cada uma

dessas etapas, existe a participação

de um fator de virulência, caracterizando

os sinais e sintomas apresentados

no transcurso da infecção.

A primeira fase da infecção corresponde

à colonização do epitélio alterado,

pela adesão da bactéria mediada

pela fimbria do tipo 4. Outra estrutura

celular que pode fazer parte do processo

de adesão é o flagelo. Seguem-se

à colonização os processos de infecção

aguda, onde elastases e proteases

extracelulares contribuem para a destruição

do tecido no local da infecção

facilitando a disseminação (13).

As adesinas não fimbriadas e o

alginato podem ser importantes na

infecção pulmonar dos pacientes com

fibrose cística. Excepcionalmente, o

paciente com fibrose cística, após a

etapa de colonização, desenvolve uma

infecção aguda, que pode evoluir para

uma infecção crônica (13).

A resistência às drogas antimicrobianas

se dá pela produção de

β-lactamase cromossomal, a impermeabilidade

da membrana bacteriana,

a capacidade de colonizar

superfícies em forma de biofilme,

a presença de bomba de efluxo e

também à aquisição de plasmídios de

resistência transferidos por processo

de transdução e conjugação, que

fazem com que poucos antibióticos

sejam efetivos (13, 14, 15).

O metabolismo e a taxa de clearence

de alguns medicamentos podem ser

alterados em pacientes com fibrose

cística, sendo, portanto, necessárias

altas concentrações plasmáticas e,

consequentemente, altas doses desses

antibióticos, quando comparados

a pacientes não portadores da doença.

O uso de antibacterianos inalátorios

pode ser uma boa alternativa para

minimizar os riscos de desenvolver

toxidade relacionada à terapia, já que

possibilita vetorizar o efeito farmacológico

alcançando altas concentrações

plasmáticas e reduzir a absorção sistêmica

e potencial toxidade associada

ao tratamento (15).

O diagnóstico microbiológico para

P. aeruginosa é feito a partir do isolamento

e identificação por teste em

meios sólidos e líquidos, inclusive o

meio seletivo como o agar MacConkey

(12, 15).

O gênero P. aeruginosa se caracteriza

pela coloração azul-esverdeada

formada pelas colônias devido à produção

de piocianinas. A P. aeruginosa,

em cultura, pode exibir múltiplos tipos

de colônias. Em pacientes fibrocísticos,

as colônias se apresentam em

forma mucoide, que ocorre devido

à grande produção do alginato, com

coloração azul-esverdeada devido à

piocianinas (1, 12, 13).

O meio seletivo MacCon-key é um

meio específico para bacilos gramnegativos.

Quando apresentado

crescimento, deve-se observar em

primeiro momento os aspectos das colônias.

As colônias de P. aeruginosa se

apresentam como colônias de tamanhos

médios a grandes; sua coloração

varia de cor - de incolor a esverdeada,

fosca com bordas irregulares e odor

adocicado (13).

Colônias com tons amarelados ou

incolores são lactose negativa, como

é o caso da P. aeruginosa. Neste caso,

deve-se realizar o teste da oxidase,

que no caso da P. aeruginosa é positiva.

Esta espécie microscopicamente

apresenta-se como bastonetes, podendo

ser observadas células isoladas,

aos pares ou em cadeia curta, e são

bacilos suavemente curvos não esporulados

(12, 13).

Para identificação da P. aeruginosa

deve-se utilizar também o teste de

caracterização do grupo fluoscente,

constituído basicamente pelas provas

de Piocianina P, Pioverdina*F, Crescimento

a 42 0 C, gelatina, canamicina e

carbenicilina (12, 13, 14).

Discussão

A importância de se estudar a relação

entre a FC e a P. aeruginosa está

relacionada à prevenção da infecção

pelo patógeno e à evolução dos quadros

clínico dos pacientes portadores

da doença para um quadro de infecções

agudas e, assim, proporcionar

aos pacientes uma melhor sobrevida.

As principais repercussões clínicas

decorrem do envolvimento das

glândulas exócrinas pulmonares, que

geram secreção espessa e pegajosa.

Calcula-se que cerca de 90% dos pacientes

morrem devido à progressão

da doença pulmonar (3).

A produção descontrolada de

muco promove o entupimento das

vias aéreas e consequentemente

ocorre a multiplicação de bactérias,

ocasionando infecções respiratórias. A

repetição ou a manutenção de infecções

contribuem para a destruição da

mucosa e posteriormente às perdas

dos brônquios (3, 4).

A prevenção da colonização deve

ser feita através do uso de esquemas

de antibióticos de maneira intensiva a

fim de melhorar a sobrevida dos pacientes.

A antibioticoterapia ideal para

o tratamento varia de paciente para

paciente. Porém, o controle das infecções

pulmonares é parte importante

NewsLab - edição 104 - 2011

113


do conjunto de cuidados, assim como

a melhora da clearance da secreção

brônquica e o suporte nutricional.

A P. aeruginosa é um aspecto

crítico da doença, pois esta bactéria

leva à diminuição da função pulmonar

e tem a capacidade de desenvolver

resistência aos antibióticos, sendo

extremamente importante controlar

a sua multiplicação (15).

O tratamento medicamentoso

pode ser administrado por via oral,

intravenosa ou inalatória. Seu uso

é direcionado sobre de profilaxia ou

manutenção. Por ser uma doença

ainda pouco conhecida, não existe tratamento

especÍfico para os portadores

de FC, por tanto sem cura definida. É

uma doença multissistemica e crônica

e, uma vez diagnosticada, deve-se

dar início ao tratamento, buscando

por centros de referência, com profissionais

especializados e com equipes

multidisciplinares. Lembrando que o

tratamento é basicamente preventivo,

exige uma atenção redobrada do

estado nutricional do paciente, das

funções pulmonares e do tratamento

da doença (16).

A intervenção nutricional na fibrose

cística é de grande importância.

Primeiramente, está associada com

o melhor crescimento e melhor ou

estabilização da função pulmonar.

Em segundo lugar, a desnutrição tem

muitos efeitos na função pulmonar,

incluído diminuição da ventilação,

na função muscular, na tolerância

a exercícios e alterando e resposta

imunológica pulmonar. Por fim, uma

dieta rica em energia e gordura está

associada a um melhor crescimento e

melhor sobrevida (16).

A fisioterapia respiratória é outro

fator importantíssimo tanto para o

bem-estar do fibroscístico quanto para

a prevenção da infecção pulmonar,

pois a fisioterapia tem como objetivo

auxiliar a eliminação do muco formado

nos pulmões. É uma terapia que deve

ser realizada diariamente evitando o

acúmulo de secreção e, assim, a proliferação

da bactéria (10).

Correspondências para:

Fernando Luiz Affonso Fonseca

fon_fonseca@yahoo.com.br

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114

NewsLab - edição 104 - 2011


Artigo

Prevalência de Parasitos Intestinais

no Município de Sananduva/RS

Manuela Bellin 1 , Neiva Aparecida Grazziotin 2

1 - Acadêmica do Curso de Farmácia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Campus de Erechim, RS

2 - Msc. em Ciências Biológicas, Professora do Curso de Farmácia da URI – Campus de Erechim

Resumo

Summary

Prevalência de Parasitos Intestinais no Município de

Sananduva/RS

A parasitologia estuda os organismos que vivem no interior

ou exterior de outro hospedeiro, sendo que esta associação nem

sempre é nociva ao hospedeiro. A ação dos parasitos inicia com

mecanismos que permitem invadir e ocupar um nicho ecológico no

organismo do hospedeiro. A frequência de parasitoses é elevada,

sofrendo variações quanto à região, condições de saneamento básico

e nível socioeconômico. O presente trabalho teve como objetivo

avaliar a prevalência de enteroparasitoses através da análise de

exames parasitológicos de fezes realizados em um laboratório de

análises clínicas do município de Sananduva, RS, demonstrando

a importante variação de parasitos, além de compará-la com a

literatura. Dos 546 exames analisados, 8,1% foram positivos. Os

parasitos mais frequentes, entre os protozoários, foram o Endolimax

nana (44,4%), seguido da Entamoeba coli (24,4%) e Giardia

lamblia (15,6%); entre os helmintos o Ascaris lumbricoides (8,9%)

teve maior prevalência. A baixa prevalência de enteroparasitoses

encontrada neste estudo demonstra que a prevenção deste problema

de saúde pública é possível, juntamente com a melhoria do

saneamento básico bem como a educação sanitária.

Prevalence of intestinal parasites of Sananduva

city, RS

Parasitology studies the organisms that live inside or outside

a host, and this association is not always noxious to the host. The

action of the parasites begins with mechanisms which allow them

to invade and to occupy an ecological niche in the organism of the

host. The frequency of parasites is elevated, suffering variations

according to the area, the conditions of basic sanitation and socioeconomic

level. The present work had as objective to evaluate

the prevalence of enteric parasites through the analysis of parasitize

exams accomplished in a laboratory of clinical analyses in

the city of Sananduva - RS, demonstrating the important variation

of parasites, and also comparing it with the literature. From the

546 analyzed exams, 8.1% presented positive result. The most

frequent parasites among the protozoa were Endolimax nana

(44.4%), followed by the Entamoeba coli (24.4%) and Giardia

lamblia (15.6%); among the helmintos, Ascaris lumbricoides

(8.9%) had larger prevalence. Low enteroparasitose prevalence

found in this study shows that the prevention of this problem of

public health is possible, together with the improvement of the

basic sanitation and the sanitary education as well.

Palavras-chave: Enteroparasitoses, helmintos, parasitos

intestinais

Keywords: Enteric parasites, helmintos, intestine parasites

Introdução

As parasitoses intestinais

constituem um grave problema

de saúde pública no

Brasil, principalmente por estarem

relacionadas com a desnutrição das

populações, fatores de ordem ambiental

e sociocultural (6).

O parasitismo é um reflexo da luta

parasito–hospedeiro, que vai depender

da resultante das forças em ação,

dos mecanismos de agressão do parasito

e da defesa do hospedeiro (4).

A manifestação da doença parasitária

depende de alguns fatores, como

idade, imunidade, alimentação, usos

e costumes, tensão emocional, entre

outros. A condição do parasitismo

pode acarretar em um prejuízo maior

ou menor ao hospedeiro (11).

116

NewsLab - edição 104 - 2011


As doenças parasitárias são

mais frequentes em regiões menos

desenvolvidas, de baixo nível socioeconômico.

Apresentam variações

inter e intrarregionais e diferem

devido a alguns fatores, tais como

constituição do solo; população;

condições sociais; sanitárias e educacionais;

presença de animais no

peridomicílio; condições de uso e de

contaminação do solo, da água e dos

alimentos e, consequentemente, da

capacidade de evolução das larvas

e ovos dos helmintos e de cistos de

protozoários (3).

A transmissão das parasitoses

geralmente é oro-fecal, isto é, pela

ingestão de ovos de helmintos e

cistos de protozoários presentes

em alimentos, água ou até mesmo

por algum objeto contaminado com

fezes (9). Indivíduos assintomáticos

que estão em contato direto com

alimentos podem tornar-se fonte

potencial de contaminação de vários

patógenos, principalmente os

enteroparasitos (1).

As manifestações clínicas mais

comuns, causadas pelos parasitos

intestinais no hospedeiro, são diarreia,

sangramento gastrointestinal,

anemia, perda de peso, dores abdominais,

ansiedade, nervosismo,

inquietação e, em situações críticas,

morte (1). O sintoma mais comum

causado pelas parasitoses intestinais,

principalmente em crianças

menores de seis anos de idade, é

a diarreia, o que contribui, consideravelmente,

com altas taxas de

desnutrição (17).

Em nosso país a frequência de

parasitoses é elevada, sofrendo

variações quanto à região e às condições

de saneamento básico, grau

de escolaridade, idade e hábitos de

higiene, entre outras variáveis.

De acordo com a OMS (Organização

Mundial de Saúde), de

cada quatro habitantes, um está

parasitado. Os parasitas mais comuns

são Ascaris lumbricoides e

Trichuris trichiura, principalmente

na população pediátrica. As infecções

parasitárias são responsáveis

por altos índices de morbidade,

principalmente pelo fato das condições

de vida não acompanharem o

crescimento populacional (1).

Medidas preventivas, para impedir

a transmissão de enteroparasitoses,

podem ser adotadas. A prevenção

primária tem como meta impedir que

a pessoa adoeça, controlando assim,

fatores de risco. Na prevenção secundária,

a doença já está instalada, seu

objetivo consiste em impedir que a

doença se desenvolva para estágios

mais graves. Nesta medida inclui-se

o diagnóstico e o tratamento.

Por fim, na prevenção terciária,

o objetivo consiste em impedir

a incapacidade total, através da

reabilitação, reeducação, terapia

ocupacional de qualquer sequela

ocasionada pela doença (13).

Assim, são necessárias ações

combinadas de terapêutica, saneamento

básico e conscientização sanitária.

A associação destas medidas

possibilita uma possível melhora das

condições de vida da comunidade,

diminuindo, assim, a evolução para

a forma mais grave da doença (2).

O presente estudo teve como

objetivo avaliar a prevalência de

enteroparasitoses no município de

Sananduva, RS, demonstrando a importante

variação de parasitos, além

de compará-la com a literatura.

Materiais e Métodos

Os dados referentes aos parasitos

intestinais foram coletados de 546

resultados de exames parasitológicos

de fezes realizados em um Laboratório

de Análises Clínicas, que atende à

população de Sananduva, RS e região.

Os exames analisados referem-se ao

período de janeiro de 2006 a dezembro

de 2007.

Os métodos utilizados pelo Laboratório

foram o exame direto a fresco

e o Método de Blagg ou MIFC (13).

Estes métodos permitem observar trofozoítos

e cistos de protozoários, bem

como ovos e larvas de helmintos (10).

O método de Blagg (MIFC) baseiase

na sedimentação por centrifugação.

As amostras foram examinadas ao

microscópio em aumento de 100X e

400X.

O presente trabalho foi aprovado

pela Comissão de Ética e Biossegurança

da Universidade Regional Integrada

do Alto Uruguai e das Missões URI-

Campus de Erechim.

Resultados

Foram analisados os resultados de

546 Exames Parasitológicos de Fezes

(EPFs). Destes, 44 (8,1%) foram

positivos para parasitos intestinais e

502 (91,9%) apresentaram resultados

negativos.

A Tabela 1 (Figura 1) mostra a

frequência de parasitos intestinais em

relação ao sexo. O sexo masculino,

com 250 exames, obteve 21 (8,4%)

casos de positividade e o sexo feminino,

com 296 exames, obteve 23

(7,8%) casos positivos.

A Tabela 2 (Figura 2) apresenta

118

NewsLab - edição 104 - 2011


Tabela 1. Frequência de parasitos intestinais, segundo o sexo, no período de janeiro de

2006 a dezembro de 2007, em Sananduva/RS

Sexo Negativo Positivo Total Frequência

Masculino 229 21 250 8,40%

Feminino 273 23 296 7,80%

Figura 1. Frequência de enteroparasitoses, segundo o sexo

Tabela 2. Prevalência de enteroparasitos em exames parasitológicos de fezes realizados no

município de Sananduva/RS, no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007

Parasitos intestinais Total Frequência (%)

Ascaris lumbricoides 4 8,9

Endolimax nana 20 44,4

Entamoeba coli 11 24,4

Enterobius vermiculares 3 6,7

Giardia lamblia 7 15,6

Total 45 100

Figura 2. Prevalência de enteroparasitoses

a prevalência de enteroparasitos

em exames positivos realizados

no município de Sananduva,

RS. Apenas uma amostra

apresentou biparasitismo, associação

de Endolimax nana e

Giardia lamblia. Assim, foram

diagnosticados 45 parasitos em

44 indivíduos.

O parasito prevalente foi o

Endolimax nana com 44,4%

(20/45), seguido da Entamoeba

coli com 24,4% (11/45). No entanto,

estes dois parasitos não

são considerados patogênicos ao

homem e sim, comensais.

Os parasitos patogênicos prevalentes

foram a Giardia lamblia

com 15,6% (7/45), seguido de

Ascaris lumbricoides com 8,9%

(4/45) e Enterobius vermiculares

com 6,7% (3/45).

A Tabela 3 mostra a prevalência

de parasitismo por helmintos

e/ou protozoários, por faixa

etária. Os helmintos estavam

presentes em 7/546 (1,3%) indivíduos,

enquanto os protozoários

apresentavam-se em 37/546

(6,8%).

A prevalência de parasitos

intestinais foi encontrada na faixa

etária de 55 a 60 anos, com 3/9

(33,3%) de indivíduos parasitados,

seguido pelas faixas etárias

de 60 a 65 anos e de 50 a 55

anos com, respectivamente, 4/13

(30,7%) e 3/13 (23%) indivíduos

com exames positivos.

Entre 10 e 50 anos de idade,

a positividade foi de 21/224

(9,4%). Nas faixas etárias de 0 a

5 anos e de 5 a 10 anos, a positividade

foi, respectivamente, de

6/151 (4,0%) e de 7/119 (5,9%).

NewsLab - edição 104 - 2011

119


Tabela 3. Prevalência de helmintos e protozoários por faixa etária

Idade Pessoas Helmintos Protozoários

0 a 5 151 - 6

5 a 10 119 1 6

10 a 15 68 2 5

15 a 20 25 1 3

20 a 25 29 1 -

25 a 30 20 - 1

30 a 35 13 1 1

35 a 40 22 - 3

40 a 45 27 - 1

45 a 50 20 - 2

50 a 55 13 1 2

55 a 60 9 - 3

60 a 65 13 - 4

65 a 70 6 - -

70 a 75 6 - -

75 a 80 5 - -

Total 546 7 37

Discussão

A prevalência de enteroparasitoses

encontrada neste estudo foi de 8,1%,

índice considerado baixo quando comparado

com dados de estudos encontrados

na literatura. No município de

Concórdia, SC, o índice de prevalência

foi de 12,6% (10) e, 11,5%, no estudo

de Ferreira e Andrade (6). Por outro

lado, elevada positividade foi observada

por Saturnino et al. (18) e Pereira

e Santos (15) que encontraram, respectivamente,

84,9% e 85,3%.

Neste estudo, os protozoários

foram responsáveis por 6,8% das

parasitoses intestinais diagnosticadas

e, os helmintos, por 1,3%. O

protozoário comensal prevalente foi

o Endolimax nana e o protozoário

patogênico foi a Giardia lamblia,

resultado semelhante ao encontrado

por Abraham et al. (1).

No homem, a infecção por protozoários

ocorre através da ingestão

de cistos maduros. A transmissão é

por meio da água contaminada ou

tratamento precário desta; alimentos

contaminados por fezes ou por

cistos veiculados por moscas e baratas;

também pode se dar através

de pessoa para pessoa, por mãos

contaminadas, principalmente em

locais de aglomeração humana (13).

Endolimax nana e Entamoeba

coli, assim como Giardia lamblia,

têm o mesmo mecanismo de transmissão,

podendo servir como um

indicador das condições sociossanitárias

(16), condições precárias de

higiene e ainda contaminação fecal.

A Giardia lamblia encontra-se mais

frequentemente em locais onde existe

aglomerado de pessoas, sendo frequente

a transmissão oral (12). Seus

cistos são infectantes no momento de

eliminação das fezes, o que permite a

transmissão interpessoal mesmo em

locais saneados (5).

Dentre os helmintos, o Ascaris

lumbricoides teve uma maior prevalência.

Este dado condiz com o

resultado encontrado por Barreto

(2). A baixa ocorrência de Ascaris

lumbricoides pode ser explicada,

pois os ovos deste parasito precisam

de um período de maturação,

em torno de três semanas em solo

úmido e sombreado para se tornarem

infectantes (5).

Em relação à idade, a maioria

dos exames (270/546) foi de crianças

de zero a 10 anos de idade, as

quais apresentaram 4,8% (13/270)

de enteroparasitoses. Entretanto,

maior atenção deve ser dada às

pessoas com idade entre 50 e 65

anos, que apresentaram prevalência

de parasitoses intestinais de 28,6%

(10/35), em poucos exames realizados

(35/546).

Agradecimentos

À Farmacêutica Bioquímica Graciela

Caron, responsável pelo Laboratório

de Análises Clínicas da cidade de Sananduva,

RS, pelos dados fornecidos

para a realização deste trabalho.

Correspondências para:

Profa. Neiva Aparecida Grazziotin

neivagra@uri.com.br

120

NewsLab - edição 104 - 2011


Referências Bibliográficas

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(2): 85-87, 2005.

122

NewsLab - edição 104 - 2011


Artigo

Identificação Sorológica do Antígeno RhD Fraco

no Município de Macapá - AP

Suanny Silva 1 , Hedilane da Luz 1 , Nahon de Sá Galeno 2 , Ártemis Socorro do Nascimento Rodrigues 2

1 - Acadêmica do Curso de Biomedicina da Faculdade SEAMA

2 - Professores da Disciplina de Hematologia do Curso de Biomedicina da Faculdade SEAMA

Trabalho realizado no laboratório de Hematologia do Centro Clínico SEAMA de Análises Clínicas – Macapá, AP

Resumo

Summary

Identificação sorológica do antígeno RhD fraco no

Município de Macapá, AP

O sistema Rh tornou-se o sistema de grupo sanguíneo com

maior grau de polimorfismo entre os marcadores conhecidos da

membrana eritrocitária. O antígeno RhD é considerado o mais

imunogênico do sistema Rh e apresenta diversas variantes. As

hemácias com fenótipo RhD fraco diferem quantitativamente das

células RhD normais, por serem definidas historicamente como

tendo todos os epítopos RhD presentes, mas com uma redução dos

níveis de antígeno RhD, apresentando assim fraca expressão do

antígeno RhD e, dependendo do antissoro antiD utilizado, reage

apenas pelo teste da antiglobulina humana. O significado clínico

do antígeno RhD fraco é que as transfusões com essas hemácias

em indivíduos RhD negativo poderão induzir a uma aloimunização.

Nosso objetivo foi identificar sorologicamente a presença do antígeno

RhD fraco no Município de Macapá e avaliar a importância

na identificação deste nas transfusões sanguíneas. Foram coletadas

80 amostras de sangue total aleatoriamente de voluntários e 20

amostras de sangue de indivíduos sorologicamente RhD positivo no

mês de julho de 2009. Foi utilizada a técnica de tipagem sanguínea

RhD direta em tubo e o teste da Antiglobulina Humana para

identificação do antígeno RhD fraco. Das 80 amostras estudadas,

51 (63,7%) foram identificadas como RhD normal, 25 (31,2%)

como RhD fraco e 4 (5%) como RhD negativo. Recomendamos

a utilização de antissoros monoclonais antiD IgG e de antissoros

monoclonais antiD IgM de alta afinidade em conjunto com o teste

da antiglobulina humana na fenotipagem RhD fraco de todos os

doadores de sangue e pacientes.

Palavras-Chave: Antígeno RhD fraco, sorologia, Macapá

Serological identification of the weak D antigen in

Macapá, AP

The Rh system became the sanguineous group system with

the biggest degree of polymorphism among the known markers

of the eritrocyte membrane. The RhD antigen is considered the

most immunogenic of the Rh system and presents many variants.

The red blood cells with phenotype weak RhD differ quantitatively

from the normal RhD cells, for being defined historically as

having all the epitopes RhD, but with a reduction of levels of RhD

antigen, thus presenting weak expression of the RhD antigen and,

depending on the anti-serum anti-D used, reacts only for the test of

the antiglobulin human being. The clinical meaning of weak RhD

antigen is that transfusions with these red blood cells in negative

RhD individuals can induce to a alloimmunization. The objective

is to identify the presence of weak the RhD antigen in the City of

Macapá, to identify the types of weak RhD and to evaluate the

importance in the identification of this in the sanguineous transfusions.

They were collected randomly 80 samples of total blood of

volunteers and 20 samples of blood of individuals serologically

RhD positive in the month of July 2009. It was used the technique

of sanguineous direct RhD in pipe, and the test of the Antiglobulin

Human being for identification of weak the RhD antigen. Of the

80 studied samples, 51 (63,7%) had been identified as normal

RhD, 25 (31,2%) as weak RhD and 4 (5%) as negative RhD. We

recommend the use of monoclonal anti-serum anti-D IgG and

monoclonal anti-serum anti-D IgM of high affinity in set with the

test of the human antiglobulin being in the fenotipe weak RhD of

all blood donors and patients.

Keywords: Weak D antigen, serologic, Macapá

124

NewsLab - edição 104 - 2011


Introdução

O

antígeno RhD é altamente

imunogênico e, se hemácias

RhD positiva forem transfundidas

em um receptor RhD negativo, o

receptor provavelmente desenvolverá

aloanticorpos antiD e posteriormente

não poderá ser transfundido com sangue

RhD positivo. Além disso, se uma

mulher RhD negativo for sensibilizada

e conceber um feto RhD positivo, a

passagem de anticorpos antiD através

da placenta durante a gestação resultará

em Doença Hemolítica Perinatal

(DHPN) (5).

O antígeno RhD fraco surgiu como

uma consequência de mutações de

ponto missenses em diferentes éxons

do gene RHD (2). Mais de 30 alelos

RHD são conhecidos por expressar

fenótipos D fracos (6).

Em níveis moleculares, as substituições

dos aminoácidos dos diferentes

tipos de RhD fraco estão localizadas

nos segmentos transmembranares e

intracelulares da proteína RhD. Este

fato explica a fraca expressão do antígeno

RhD na membrana da hemácia,

bem como a ausência de aloanticorpo

anti-D na maioria dos indivíduos RhD

fracos (7). O mecanismo relacionado

com a expressão reduzida do antígeno

RhD fraco não está totalmente esclarecido

e sua expressão difere dependendo

do tipo presente na membrana

da hemácia (2).

No início de 1990, os reagentes comerciais

antiD monoclonais começaram

a ser amplamente utilizados. Desde

então, diferenças entre a reatividade

de vários reagentes, especialmente na

detecção de Rh D fraco e Rh D parcial,

têm criado uma discussão sobre o teste

e reagente adequado para doadores

de sangue, pacientes e receptores (8).

Antissoros monoclonais antiD IgG

e IgM têm sido amplamente produzidos

para substituir os policlonais na

determinação do antígeno Rh D (2).

Vários indivíduos formalmente classificados

como Rh D fraco têm sido

reclassificados, pois apresentam forte

aglutinação com os atuais reagentes

antiD monoclonais. Por esse motivo,

têm ocorrido mudanças na estratégia

da fenotipagem do antígeno Rh D (6).

O significado clínico do antígeno Rh

D fraco é que transfusões com essas

hemácias em indivíduos Rh D negativo

pode induzir a uma aloimunização. Alguns

autores defendem que indivíduos

Rh D fraco, especialmente mulheres

em idade gestacional, poderiam ser

tratadas como Rh D positivo quando

forem doadoras e Rh D negativo quando

forem receptoras (5).

A partir dos dados literários, nossa

proposta foi determinar a presença

do antígeno RhD fraco no município

de Macapá, uma vez que se trata de

uma população miscigenada.

Material e Método

Amostras

No período de 01 a 20 de julho de

2009, foram coletadas 80 amostras de

sangue periférico no Centro Clínico de

Análises Clínicas da Faculdade SEAMA.

Todos os participantes assinaram o

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido,

após a aprovação do estudo

pelo CEP/SEAMA.

Método

Todas as amostras foram analisadas

com dois tipos de antissoro antiD

monoclonais de diferentes fabricantes

(clone MS26-IgG, fabricante Smart Kit

e Clone MS201-IgM, fabricante Asem-

NPBI) e seu respectivo soro controle

quanto a capacidade para detecção

dos antígenos RhD fraco de alta e

baixa antigenicidade.

Fenotipagem RhD

A fenotipagem RhD foi determinada

pelo teste de hemaglutinação

clássico em tubo utilizando-se 50ul do

antissoro antiD e 50ul de suspensão

de hemácias a 3% em salina.

O antiD IgM foi analisado pela reatividade

de aglutinação à temperatura

ambiente, enquanto o antiD IgG foi

analisado pela reatividade pelo teste

da antiglobulina humana.

Resultado

Identificação sorológica do

antígeno RhD

Das 80 amostras estudadas, 51

(63,7%) foram identificadas como

RhD normal, 25 (31,2%) RhD fraco e

4 (5%) RhD negativo.

Os resultados obtidos encontramse

no Gráfico 1 e foram interpretados

de acordo com a intensidade de aglutinação

visualizada.

4%

31,2%

63,7%

Gráfico 1. Resultados de RhD fraco,

RhD normal e RhD negativo

NewsLab - edição 104 - 2011

125


Discussão

A presença ou ausência do antígeno

D na tipagem sanguínea Rh define

se o indivíduo é Rh-positivo (normal)

ou Rh-negativo. Diferentemente do

sistema ABO, um indivíduo RhDnegativo

só produzirá um anticorpo

antiD por meio de imunização prévia

com hemácias RhD-positivo.

Os anticorpos específicos para

os antígenos Rh estão normalmente

envolvidos em reações transfusionais

graves e em casos de doença hemolítica

perinatal (DHPN), tornando esse

sistema, do ponto de vista da prática

transfusional, o segundo mais importante,

após o sistema ABO (9).

A análise molecular das variantes

do antígeno RhD mostrou que a perda

de expressão de certos epítopos de

RhD está associada a mutações de

ponto no gene RHD ou a rearranjos

gênicos entre os genes RhD e RHCE.

As variantes D II , D IIIa , D IVa , D VII ,

DMH, DNU, DHR, DHMi, DFW, R 0Har ,

DAR e DAU ocorrem pela presença

de mutações de ponto no gene RhD,

enquanto as variantes D IIIb , D IIIc , D Iva ,

D VI , DFR, DBT e DCS ocorrem pela

formação de genes híbridos, em que

um fragmento do gene RhD é substituído

por um fragmento genômico do

gene RHCE (2).

Outra variante do antígeno RhD, o

antígeno RhD fraco, apresenta fraca

expressão do antígeno RhD e, dependendo

do antissoro utilizado, reage

apenas pelo teste da antiglobulina

humana. O antígeno RhD fraco surgiu

como uma consequência de mutações

de ponto missenses em diferentes

exons do gene RHD (9).

O reconhecimento de amostras

com fraca expressão do antígeno RhD

depende do método e da qualidade

do reagente antiD empregado. A utilização

de antiD monoclonal de baixa

afinidade e a dificuldade na obtenção

de antiD policlonal de boa qualidade

têm causado discrepâncias entre os

resultados da fenotipagem RhD e

algumas vezes deixado de detectar

antígenos RhD fraco com baixa densidade

antigênica (2).

Com a finalidade de identificação

do fenótipo RhD fraco, foram estudadas

80 amostras de sangue aleatórias

de voluntários, no município de

Macapá, e 20 amostras de sangue

de indivíduos caracterizados sorologicamente

como RhD positivo, como

amostras controle.

Das 80 amostras estudadas,

51(63,7%) foram identificadas como

RhD normal, 25 (31,2%) RhD fraco e

4 (5%) RhD negativo (Gráfico 1). A

literatura brasileira apresenta poucos

estudos que se assemelham a este,

pois, para todos os efeitos transfusionais,

todo indivíduo RhD fraco é transfundido

com sangue RhD negativo.

Poucos autores estudaram a

frequência do antígeno RhD fraco

em nossas populações, podendo-se

citar como pioneiros os trabalhos

de OLIVEIRA et.al (1983) sobre a

população da região metropolitana

do Recife, PE e de BARRETO et al

(1983) sobre caucasoides e negroides

de Santo André, SP. OLIVEIRA

et al verificaram que o antígeno

RhD fraco ocorre em 0,52% dentre

28.037 indivíduos e estimaram a

frequência do RhD fraco na população

do Recife em 0,0082. Os dados

de BARRETO et al, 1983, por sua

vez, obtidos em uma amostra de

1.198 doadores de sangue, permitem

estimar a frequência do alelo D

fraco em 0,0099 entre os caucasoides

e em 0,0193 entre os negroides.

Segundo URBUNIAK et al. (1981), a

incidência de RhD fraco pode variar

de acordo com a população e atinge

cerca de 0,2% a 1% dos indivíduos

caucasianos.

Todos os antígenos RhD fraco

encontrados em nosso estudo foram

associados aos graus de aglutinação

obtidos à temperatura ambiente

e a 37 0 C com o antissoro monoclonal

antiD IgM e, pelo teste da

AGH, como o antiD monoclonal IgG

(clone MS26-IgG, fabricante Smart

Kit e Clone MS201-IgM, fabricante

Asem-NPBI).

Diante destes fatos, recomendamos

a utilização de métodos de

fenotipagem mais eficientes e sensíveis,

tais como o teste da antiglobulina

humana em combinação com

reagentes antiD mais potentes e de

boa qualidade, com alta afinidade,

que detectem antígeno RhD com

baixa densidade antigênica tanto

em doadores quanto em pacientes.

Este foi o primeiro estudo realizado

na cidade de Macapá com a finalidade

de identificarmos a presença do

antígeno RhD fraco nos habitantes

desta cidade.

Sabemos que, para um melhor

resultado, deveríamos ter utilizado

juntamente com a sorologia a genotipagem,

porém não disponibilizamos

deste recurso, por isso que diante da

falta em dispor de recursos moleculares,

recomendamos a utilização de

reagentes de boa qualidade e procedência

para a realização da fenotipagem

antígeno RhD fraco.

Conclusão

Baseados nos dados obtidos em

nosso estudo, na importância da

126

NewsLab - edição 104 - 2011


determinação do antígeno RhD fraco

na medicina transfusional e em

critérios deduzidos cientificamente,

concluímos:

- É de extrema importância a utilização

de antissoros monoclonais da

classe IgM e IgG de boa qualidade,

juntamente com o teste da antiglobulina

humana, para a identificação

do antígeno RhD fraco em doadores

e receptores de sangue.

- Recomendamos a importância

em se caracterizar molecularmente

o antígeno RhD fraco, uma vez que

é impossível distinguir sorologicamente

o antígeno RhD fraco de

alguns antígenos RhD parcial e não

conseguir determinar o tipo de RhD

fraco presente na amostra.

- Este foi o primeiro estudo realizado

em Macapá para a identificação dos

antígenos RhD fraco na população.

Correspondências para:

Profa. Dra. Ártemis Rodrigues

artemis@seama.edu.br

Referências Bibliográficas

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Tese (Doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas.

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2008. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista.

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NewsLab - edição 104 - 2011


Artigo

Infância e Valores Normais para a Hemoglobina no

Diagnóstico Precoce das Deficiências de Ferro Através do

Eritrograma e Reticulocitograma

Maria de Lourdes Pires Nascimento

Médica, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Resumo

Summary

Infância e valores normais para a hemoglobina no

diagnóstico precoce das deficiências de ferro através

do eritrograma e reticulocitograma

No diagnóstico das deficiências de ferro na infância, têm sido

questionados os limites para os valores normais da hemoglobina

(Hb a partir de 11 g/dl) e da ferritina (a partir de 20 ng/dl). Existem

casos que com estes valores de Hb e de ferritina apresentam

microcitose (VGM abaixo de 80 uu 3 ). Através de eritrogramas e

reticulocitogramas por automação, foram analisadas 226 crianças

(1 a 10 anos), todos os casos com ferritina abaixo de 59.6 g/dl,

confrontando-se um grupo Teste, N = 95 (Hb acima de 11 g/dl e

microcitose) com dois outros grupos: Normo, N = 110 (Hb acima

de 11 g/dl e normocitose) e Anemia, N = 21 (Hb abaixo de 11

g/dl e microcitose). Principais Resultados Laboratoriais: Hb g/

dl: Normo = 12.6, Teste = 12.4 (± 0.8) e Anemia = 9.9 (± 0.9);

VGM uu 3 : Normo = 82.1 (± 1.3), Teste = 77.4 (± 1.4) e Anemia =

77.0 (± 1.4); RDW: Normo = 14.1 (± 1.7), Teste = 15.1 (± 1.5) e

Anemia = 15.3 (± 2.4); Ferritina ng/dl: Normo = 35.9 (± 16.4),

Teste = 28.1 (± 14.4) e Anemia = 24.9 (± 13.1); Reticulócitos com

maior maturidade ou RETL %: Normo = 91.8 (± 5.1), Teste = 93.0

(± 3.7) e Anemia = 76.6 (± 13.9). Os resultados do grupo Teste

são intermediários entre os grupos Normo e Anemia porque: a) o

grupo Teste é semelhante ao grupo Normo em relação ao valor da

Hb (acima de 11 g/dl) e a qualidade do tipo de reticulócito com

maior maturidade (RETL); b) o grupo Teste é diferente do grupo

Normo porque apresenta microcitose (VGM) e anisocitose (RDW)

e menor valor para Ferritina; c) o grupo Teste é semelhante ao

grupo Anemia porque apresenta microcitose (VGM) e anisocitose

(RDW) e valores semelhantes para a ferritina; d) o grupo Teste é

diferente do grupo Anemia porque apresenta no sangue circulante

maior percentagem de reticulócitos maturos (RETL). Sugere-se que

em triagens iniciais, casos com valores de Hb a partir de 11 g/dl

associados a VGM inferior a 80 uu 3 , mesmo com valores de ferritina

acima de 20 ng/dl, sejam considerados casos com anemia por

deficiência de ferro latente ou em estágios iniciais.

Palavras-Chave: Infância, hemoglobina, volume globular

médio, ferritina

Normal values for hemoglobin in the early diagnosis

of iron deficiencies through erythrogram and reticulocytogram

screens in childhood

In the diagnosis of iron deficiencies in childhood the limits for

hemoglobin (Hb at 11g/dl) and ferritin (at 20 ng/dl) normal values

have been discussed. There have been cases in which microcytosis

(MCV below 80 µµ 3 ) is present, when values for ferritin and hemoglobin

bear such figures. Through automated erythrogram and reticulocytogram

screens 226 children (age 1 through 10) were analyzed

and the following procedures were carried out, such as, all cases that

presented ferritin with figures below 59.6 g/dl were compared to a

test group N = 95 (Hb above 11g/d plus microcytosis) and other two

groups, Normo group, N = 110 (Hb 11g/dl and normocytosis) and

anemia group, N = 21 (Hb below 11g/d plus microcytosis). Main

lab results: Hb g/dl: Normo group = 12.6, Test group = 12.4 (±

0.8) and Anemia group = 9.9 (± 0.9); MCV uu 3 : Normo group =

82.1 (± 1.3), Teste group = 77.4 (± 1.4) and Anemia group = 77.0

(± 1.4); RDW: Normo group = 14.1 (± 1.7), Teste group = 15.1

(± 1.5) and Anemia group = 15.3 (± 2.4); Ferritin ng/dl: Normo

group = 35.9 (± 16.4), Test group = 28.1 (± 14.4) and Anemia group

= 24.9 (± 13.1); highly mature reticulocyte RETL %: Normo group =

91.8 (± 5.1), Test group = 93.0 (± 3.7) and Anemia group = 76.6

(± 13.9). Test group results are interposed between Anemia group

and Normo group because: a) Test group is similar to Normo group

in regard to Hb value (above 11g/dl) and the mature reticulocyte

type quality (RETL); b) the Test group is different from Normo group

because it presents microcytosis (VCM) and anisocytosis (RDW) and

lower value for ferritin; c) the Test group is similar to the Anemia group

because it presents microcytosis (MCV) an anisocytosis (RDW) and

similar values to ferritin; d) the Test group is different from the Anemia

group because it presents a higher percentage of mature reticulocyte

(RETL) in the blood steam. We suggest that in early screenings, whenever

cases of with Hb values up to 11g/dl or higher associated to

MCV lower than 80 µµ 3 are found, even if they present ferritin values

above 20 g/dl, they should be considered latent anemia cases due

to iron deficiency in early stages.

Keywords: Childhood, hemoglobin, mean corpuscular volume,

ferritin

130

NewsLab - edição 104 - 2011


Introdução

A

deficiência de ferro talvez

seja um dos temas para o

qual existem muitos trabalhos

científicos, sendo que a grande

maioria deles se refere à infância. Em

termos laboratoriais, quando se faz as

triagens iniciais procurando identificar

estas deficiências, o exame do eritrograma

mais utilizado ainda é o valor

da dosagem de hemoglobina, vindo a

seguir o valor da ferritina (2, 9, 18,

23, 42, 60). Entretanto, os valores do

ponto de corte para estes exames têm

sido o objetivo de alguns trabalhos (3,

19, 32, 45, 48, 55), pois casos que

já apresentam deficiência de ferro

podem não ser identificados.

Infância e os valores de corte

para os limites normais da hemoglobina

O critério laboratorial mais comumente

utilizado para se diagnosticar

anemias é a dosagem de hemoglobina

(Hb g/dl), que nas crianças deve apresentar

um valor abaixo de 11 g/dl (72).

Vários trabalhos têm evidenciado

que a dosagem de hemoglobina,

quando interpretada isoladamente,

não é o melhor indicador das anemias,

principalmente nas fases iniciais, nem

também para avaliar o estado nutricional

do ferro, porque o seu valor pode

estar igual e ou acima de 11 g/dl (3,

19, 32, 45, 48, 50).

Em diversas condições patológicas,

além das deficiências de ferro, que

cursam com anemias, os valores da

hemoglobina também nem sempre

são fidedignos para identificá-las,

entre estas patologias temos: desnutrição

proteico-calórica, processos infecciosos

e inflamatórios, hemorragias

etc. (6, 17, 50). Acrescentando-se

ao fato de que existe uma limitação

diagnóstica do exame físico na identifi-

Na infância (1 a 10 anos), várias

referências sobre os limites inferiores

considerados normais para o volume

globular médio incluem valores que

são iguais e ou abaixo de 80uu 3 ,

como pode ser visto em algumas

referências:

· Becker, AK (7): VGM 85 uu 3 (± 7)

· Pereira, JPM et al (57): VGM 80 uu 3

(± 5)

· Children’s Medical Center (13): VGM

de 76 uu 3 a 90 uu 3

· Pereira, AB (58): VGM de 76.5 uu 3

a 90.6 uu 3

· Pardini, H (56): VGM de 75 uu 3 a

95 uu 3

· Ciriades, PGJ (14): VGM de 74 uu 3

a 92 uu 3

Isto significa que através destas

referências, crianças com valores de

VGM abaixo de 80 uu 3 possuem hemácias

com valores médios microcíticos

e serão consideradas normais.

Hipocromia, volume globular

médio e índice de variação dos

volumes eritrocitários

Geralmente, independente e ou

associadas às microcitoses, também

existem as hipocromias (32) – que

é a diminuição da quantidade de hemoglobina

no interior das hemácias

(HCMyy) – e estas não são exclusividades

das anemias ferroprivas, estando

presentes em outras anemias, tais

como: na talassemia alfa, que existe

em raça negra (31, 36, 66), na beta

talassemia que é mais frequente em

povos do Mediterrâneo e nas anemias

das infecções e processos inflamatórios

crônicos.

Com o avanço tecnológico através

das metodologias por automação,

alguns exames do eritrograma (MCV

e HCM) passaram a ser mais fidedignos

no diagnóstico das microcitoses,

macrocitoses e hipocromias, principalmente

quando existem interpretacação

de sintomas clínicos em crianças

com anemias quando estão nas fases

iniciais (26, 64, 73).

Infância e os valores limites para

o volume globular médio eritrocitário

A presença de microcitose – ou a

diminuição do volume da hemácia –

em qualquer situação é uma evidência

da deficiência de oxigenação tecidual,

que por sua vez é sinônimo da presença

de anemias, e entre estas temos

as anemias por deficiência de ferro.

As hemácias microcíticas além

de possuírem menor quantidade de

hemoglobina no seu interior, também

apresentam alterações na sua deformabilidade,

o que dificulta a sua

circulação em capilares de até 3μm

de diâmetro (63).

Em 1996 Mach-Pascual et al (38)

já referiram que as microcitoses

são as condições mais prevalentes

nos exames hematológicos. Em 417

casos de uma amostra de população

de baixo poder socioeconômico (52),

através do estudo morfológico das

hemácias, 32,1% dos casos apresentaram

microcitoses.

Sobre a relação do valor da hemoglobina

e a presença de microcitose,

alguns autores já referiram que: os

diagnósticos de anemias microcíticas

carenciais só são elaborados quando

já ocorreram diminuições significativas

no valor da hemoglobina (8);

que o aparecimento da anemia com

microcitose é o último estágio da

deficiência de ferro (27, 28, 62, 65);

que é necessário a existência de limites

entre as anemias latentes e as

anemias declaradas (68).

Para a identificação das microcitoses,

o valor de corte comumente

referido para o volume globular médio

(VGM uu 3 ) é abaixo de 80 uu 3 (32,

39, 59, 69).

NewsLab - edição 104 - 2011

131


ções associadas a um novo índice – a

amplitude de variação dos volumes

eritrocitários ou o RDW (red cell distribution

width).

Nos indivíduos normais, em relação

à capacidade de oxigenação –

todas as hemácias não têm o mesmo

tamanho, porém existe um limite para

a variação destes tamanhos. O RDW

é um índice que informa sobre estas

variações. Quando o valor do RDW

começa a aumentar, significa que

estão existindo muitas variações nos

volumes eritrocitários e que isto já

não é compatível com as necessidades

fisiológicas de uma boa oxigenação.

Desde 1987 diversos trabalhos

científicos, em várias partes do mundo,

vêm mostrando que a interpretação

em conjunto do VCM, HCM e RDW

é mais sensível para evidenciar as

deficiências de ferro nas fases iniciais

e as diferenças entre outras anemias

que também são microcíticas e hipocrômicas

(4, 5, 12, 20, 22, 24, 34, 37,

39, 40, 59, 61, 66, 69).

Reticulócitos e o

reticulocitograma

O reticulocitograma é um conjunto

de avaliações dos reticulócitos que são

executadas através das metodologias

por automação.

Os reticulócitos que estão no

sangue circulante são hemácias

jovens, se caracterizam por apresentar

granulações intrarreticulocitárias,

possuem volumes ± 20%

maiores do que as hemácias, estando

na etapa de maturação imediatamente

antes de se transformar

em hemácias. O valor da quantidade

de granulações intrarreticulocitárias

caracteriza o grau de maturidade

dos reticulócitos. Isto significa que

os mais imaturos são aqueles com

maior quantidade de granulações

intrarreticulocitárias.

Através do reticulocitograma existem

as seguintes avaliações (1, 21, 25):

A) Contagem corrigida de 30.000 reticulócitos

(CRC %), gerando uma contagem

reticulocitária mais fidedigna

B) Avaliação dos volumes destes

30.000 reticulócitos, dando origem

ao valor do volume reticulocitário

médio (VRM uu 3 )

C) Através da quantidade de granulações

intrarreticulocitárias, existe a

identificação e separação dos reticulócitos

que estão no sangue circulante,

em três tipos:

· Maturos (RETL %) - com poucas

granulações intrarreticulocitárias

· Média imaturidade (RETM %) - a

quantidade de granulações é intermediária

entre os imaturos e os maturos

· Imaturos (RETH %) - com grande

quantidade de granulações intrarreticulocitarias

D) No reticulocitograma também

temos a soma das quantidades das

granulações (IMF %) presentes nos

reticulócitos imaturos (RETM + RETH).

Em condições normais, no sangue

circulante, sempre existe maior

quantidade dos reticulócitos maturos

(RETL %), pois os outros estão na medula

eritropoiética completando o seu

amadurecimento. A presença de maior

quantidade de reticulócitos imaturos

(RETM % e RETH %) significa que, no

mínimo, já existe alguma alteração

medular relacionada com a produção

e o amadurecimento eritrocitário.

Os resultados das avaliações relacionadas

com a qualidade dos reticulócitos

circulantes informam sobre

o tipo de atividade eritropoiética da

medula óssea. Quando os exames do

reticulocitograma são analisados em

conjunto com os exames do eritrograma,

a principal importância é que as

alterações presentes nos reticulócitos

nos informam, com antecedência,

sobre que alterações posteriormente

(± após uma semana) existirão nos

eritrogramas (21, 25, 33, 49).

Deficiências de ferro e valores da

ferritina

O valor comumente considerado

limite de corte inferior para se considerar

ferritina diminuída no soro é

abaixo de 20 ng/dl (70).

Em trabalhos anteriores (45, 53)

evidenciamos que: a) em crianças

com valores de hemoglobina acima

de 11g/dl existiram hemácias com

valores de VGM microcíticos; b) em

resultados com valores de ferritina

abaixo de 59.6 ng/ml os valores do

RDW já mostram maiores variações

nos volumes eritrocitários.

Questão

Em crianças (1 a 10 anos) com

valores de ferritina abaixo de 59.6 ng/

ml, que têm valores de hemoglobina

iguais e ou acima de 11 g/dl, quando

apresentam valores médios limítrofes

para a microcitose e a normocitose

(VGM ± 80uu 3 ), quais são os seus

resultados em relação aos outros

exames do eritrograma e do reticulocitograma?

Objetivo

Em crianças com ferritina abaixo

de 59.6 ng/ml em um grupo que apresente

valores de hemoglobina iguais

e/ou acima de 11 g/dl e presença

de microcitose, comparar os valores

médios dos exames do eritrograma e

do reticulocitograma, com dois outros

grupos que apresentem: a) normocitose

e hemoglobina igual e ou acima

de 11 g/dl; b) anemia microcítica

explícita, isto é com valores de hemoglobina

abaixo de 11 g/dl.

132

NewsLab - edição 104 - 2011


Metodologia

A amostra deste estudo foi constituída

de 226 crianças (1 a 10 anos)

da classe social de baixo poder socioeconômico,

selecionadas do Arquivo de

Dados de Programas para Diagnóstico

e Assistência às Anemias, realizados

em Salvador, Bahia.

As variáveis selecionadas foram:

procedência, sexo, idade, valores

de ferritina abaixo de 59.6 ng/ml,

exames do eritrograma, sendo que

os valores do volume globular médio

tinham que estar nos limites entre

75uu 3 a 84 uu 3 , e exames do reticulocitograma.

Procedência significou casos da

classe de baixo poder socioeconômico,

cuja origem foi: comunidades (coletas

feitas em subúrbios da cidade de Salvador),

creche pública de uma cidade do

interior da Bahia e ambulatório de pediatria

de hospital público de Salvador.

As dosagens de ferritina foram

feitas em soro através de método

por quimioluminescência em equipamento

Acess Immunoassay System

(Imunosystems).

Os eritrogramas e reticulocitogramas

foram executados em sangue

com anticoagulante (EDTA) em contador

hematológico automático Pentra

120 Retic Horiba/ABX.

Os exames do eritrograma analisados

foram: contagem de hemácias

(Hem/mm 3 ), dosagem de hemoglobina

(Hb g/dl), hematócrito (Hct %), volume

globular médio (VGM uu 3 ), hemoglobina

corpuscular média (HCM yy), concentração

de hemoglobina corpuscular

média (CHCM %) e índice de variação

dos volumes eritrocitários (RDW).

Somente 135 casos tiveram exames

para o reticulocitograma, sendo

estes os exames analisados: contagem

corrigida de reticulócitos (CRC

%), volume reticulocitário médio (VRM

uu 3 ), reticulócitos de alta maturidade

(RETL %), reticulócitos de média imaturidade

(RETM %), reticulócitos imaturos

(RETH %) e média da frequência

de granulações intrarreticulocitárias

dos reticulócitos imaturos RETM +

RETH (IMF %).

Foram utilizados os resultados da

contagem corrigida de reticulócitos

(CRC %) porque ela está indicada

nos casos com anemia, por ser mais

fidedigna para identificar os casos com

presença de anemias e as alterações

das reticulocitopenias (30, 47, 51).

Com os resultados dos valores do

volume globular médio e da dosagem

de hemoglobina, os casos foram separados,

constituindo os seguintes três

grupos de estudo:

· Normo: VGM de 80uu 3 a 84 uu 3

e Hb a partir de 11 g/dl

· Teste: VGM de 75uu 3 a 79uu 3 e

Hb igual ou acima de 11 g/dl

· Anemia: VGM de 75uu 3 a 79uu 3

e Hb no máximo até 10.9 g/dl

As análises e discussões dos resultados

do eritrograma e do reticulocitograma

obedeceram à seguinte

sequência:

1. Normo versus Anemia

2. Teste versus Grupo Normo

3. Teste versus Anemia

As análises estatísticas foram

feitas em programa Epi-Info, testes

de Qui-quadrado, Mantel-Haensel e

Kruskal-Wallis H, sendo o nível de

significância p


Tabela 2. Procedência e sexos dos grupos Normo, Teste e Anemia: frequência de casos e significâncias entre os grupos

Procedência / Sexo

Normo Teste Anemia Total

f % f % f % f %

Procedência

Creche 18 16.4 10 10.5 2 9.5 30 13.3

Comunidades 90 81.8 82 86.3 7 33.3 179 79.2

Ambulatório 2 1.8 3 3.2 12 57.2 17 7.5

Total 110 100.0 95 100.0 21 100.0 226 100.0

Sexos

Masculino 50 45.5 46 48.4 13 61.9 109 48.2

Feminino 60 54.5 49 51.6 8 38.1 117 51.8

Total 110 100.0 95 100.0 21 100.0 226 100.0

Significâncias (p


Tabela 5. Grupos Normo, Teste e Anemia: valores médios e D.P dos exames do reticulocitograma

Exames do

reticulocitograma

Normo

(N = 66)

Teste

(N = 56)

Anemia

(N = 13)

CRC % 0.9 (± 0.3) 0.9 (± 0.3) 1.1 (± 0.6)

VRM uu3 98.3 (± 5.2) 92.0 (± 4.6) 94.9 (± 7.5)

RETL% 91.8 (± 5.1) 93.0 (± 3.7) 76.6 (± 13.9)

RETM % 6.9 (± 4.0) 6.0 (± 3.2) 16.3 (± 7.9)

RETH % 1.2 (± 1.1) 1.0 (± 0.9) 7.1 (± 6.2)

IMF % 11.4 (± 3.0) 10.5 (± 2.4) 20.6 (± 8.6)

Tabela 6. Significâncias (p


- RDW: Anemia = 15.3 (± 2.4) e

Normo = 14.1 (± 1.7)

O limite normal para o RDW (1, 3,

46) vai até 14.5, logo o grupo Anemia

tem anisocitose porque o seu valor

médio está acima do valor de referência

para RDW.

Merece destaque no grupo Anemia

o valor mais baixo para Hem/mm 3 , porque

é uma característica das anemias

ferroprivas microcícitcas hipocrômicas

maior valor para este exame: Hem/

mm 3 : Anemia = 3.820.000 (± 404.000)

e Normo = 4.548.000 (± 326.000).

O grupo Anemia tem maior número

de casos com procedência

do Ambulatório. é provável que

existam outras patologias nestes

casos e estas também são responsáveis

por anemias microcíticas

hipocrômicas, mas que nem sempre

cursam com valores aumentados

de Hem, entre elas: anemias de

doenças crônicas (são processos

inflamatórios, infecciosos), doenças

genéticas da hemoglobina (talassemias,

hemoglobinas variantes), intoxicações

por metais, deficiências

nutricionais combinadas etc. (10,

11, 15, 16, 41, 44, 54, 71).

Ferritina (Tabelas 3 e 4): O grupo

Anemia apresentou valor médio menor

(significante) do que o grupo Normo:

- Ferritina ng/ dl: Anemia = 24.9

(± 13.1) e Normo = 35.9 (± 16.4)

Merece destaque nos dois grupos o

fato de que ambos apresentam valores

acima de 20 ng/dl que é um valor considerado

limite normal inferior (70),

sendo o que comumente se espera

nas deficiências de ferro. Porém, em

trabalho anterior observamos que o

RDW começa a ter valores de anisocitose

quando a ferritina está abaixo

de 59.6 ng/dl (45, 53).

Reticulocitograma (Tabelas 4

e 5): O grupo Anemia apresenta

comprometimento na eritropoiese,

em que a medula lança na circulação

sanguínea maior percentagem

de reticulócitos imaturos (RETM e

RETH), tendo como consequência

maior frequência de granulações

reticulocitárias (MFI ) e menor

número dos reticulócitos mais maturos

(RETL):

- RETH %: Anemia = 7.1 (± 6.2)

e Normo = 1.2 (± 1.1)

- RETM %: Anemia = 16.3 (± 7.9)

e Normo = 6.9 (± 4.0)

- MFI %: Anemia = 20.6 % (± 8.6)

e Normo = 11.4 (± 3.0)

- RETL %: Anemia = 76.6 (± 13.9)

e Normo = 91.8 (± 5.1)

Através dos resultados para a percentagem

dos reticulócitos imaturos

(RETM e RETH), observa-se que no

grupo Anemia existe uma deficiência

na qualidade de amadurecimento das

células eritropoiéticas, não deixando

que os reticulócitos completem o seu

amadurecimento e que sejam lançados

precocemente, isto é, imaturos na

circulação sanguínea.

Entretanto, observa-se que em

relação ao número e ao tamanho das

células lançadas na corrente sanguínea

não existe alteração porque: a)

não houve aumento nem diminuição

do número dos reticulócitos no

sangue periférico (CRC %); b) nem

diminuição do volume reticulocitário

médio (VRM), pois os valores destes

dois exames foram semelhantes (não

significante) entre os dois grupos e

estão dentro dos limites considerados

normais (1, 51) que são CRC

% de 0.75 a 2.30 e VRM uu 3 de 89

a 109:

- CRC %: Anemia = 1.1 (± 0.6) e

Normo = 0.9 (± 0.3)

- VRM uu 3 : Anemia = 94.9 (± 7.5)

e Normo = 98.3 (± 5.2)

Grupos Teste versus Normo

(Tabelas 3, 4, 5 e 6)

Eritrograma (Tabelas 3 e 4):

Em relação ao grupo Normo, o grupo

Teste apresenta os seguintes resultados

com diferenças significantes: a)

menores valores para Hb, Hct, HCM,

sendo que o menor valor do VGM já

é característico de microcitose; b)

presença de anisocitose que pode ser

evidenciada através do maior valor

(acima do normal) para RDW; c) maior

valor para Hem:

- Hb g/dl: Teste = 12.4 (± 0.8) e

Normo = 12.6 (± 0.9)

- Hct %: Teste = 36.6 (± 2.3) e

Normo = 37.3 (± 2.6)

- HCM yy: Teste = 26.1 (± 0.8) e

Normo = 27.8 (± 0.7)

- VGM uu 3 : Teste = 77.4 (± 1.4) e

Normo = 82.1 (± 1.3)

- RDW: Teste = 15.1 (± 1.5) e

Normo = 14.1 (± 1.7)

- Hem/mm 3 : Teste = 4.734.000

(± 326.000) e Normo = 4.734.000

(± 300.000)

Ferritina (Tabelas 3 e 4): O grupo

Teste apresenta menor valor (significante)

quando comparado com o

grupo Normo:

- Ferritina ng/dl: Teste = 28.1 (±

14.4) e Normo = 35.9 (± 16.4)

Reticulocitograma (Tabelas 6 e

6): No grupo Teste o único exame que

apresentou diferença de valor médio

significante foi para o menor valor do

volume reticulocitário médio (MRV):

- VRM uu 3 : Teste = 92.0 (± 4.6) e

Normo = 98.3 (± 5.2)

Sabe-se que nas microcitoses

por deficiência de ferro a diminuição

do volume reticulocitário antecede a

diminuição do volume eritrocitário.

Na sequência de maturação durante

a eritropoiese o reticulócito é etapa

anterior à hemácia. Apesar do menor

do valor do VRM para o grupo Teste,

mas os valores dos VRMs dos dois

grupos (Normo e Teste) estão dentro

dos limites considerados normais que

138

NewsLab - edição 104 - 2011


são de 89uu 3 a 109uu 3 (1, 51).

O grupo Teste tem características

laboratoriais que são encontradas

nas anemias ferroprivas, entretanto,

excluindo-se o valor do VGM cujos

valores já são explicitamente microcícitos,

os outros resultados têm valores

diminuídos “discretos”. As anemias

ferroprivas se caracterizam pela presença

de menores valores para Hb,

Hct, HCM, VGM, ferritina e valores

mais elevados para Hem. Todos estes

resultados são encontrados no grupo

Teste quando se compara com o grupo

Normo.

É provável que os casos do grupo

Teste devem ser aqueles com deficiência

de ferro latente, isto é casos

com anemias ferroprivas iniciais ou

precoces.

Grupos Teste versus Anemia

(Tabelas 3, 4, 5 e 6)

Eritrograma (Tabelas 3 e 4): Em

relação ao grupo Anemia, o grupo Teste

apresenta valores médios maiores

e significantes para Hb, Hct e Hem:

- Hb g/dl: Teste = 12.4 (± 0.8) e

Anemia = 9.9 (± 0.9)

- Hct %: Teste = 36.6 (± 2.3) e

Anemia = 29.4 (± 3.0)

- Hem/mm 3 : Teste = 4.734.000

(± 326.000) e Anemia = 3.820.000

(± 404.000)

Entretanto, para os outros exames

do eritrograma (VGM, HCM, CHCM

e RDW), o grupo Teste tem valores

semelhantes (não significantes) em

relação ao grupo Anemia:

- VGM uu 3 : Teste = 77.4 (± 1.4) e

Anemia = 77.0 (± 1.4)

- HCM yy: Teste = 26.1 (± 0.8) e

Anemia = 25.8 (± 0.8)

- RDW: Teste = 15.1 (± 1.5) e

Normo = 14.1 (± 1.7)

Ou seja, o grupo Teste tem em

comum com o grupo Anemia a microcitose

(VGM), a hipocromia (HCM) e

anisocitose (RDW).

Ferritina (Tabelas 3 e 4): O grupo

Teste também tem valores médios

semelhantes (não significantes) em

relação ao grupo Anemia:

- Ferritina ng/dl: Teste = 28.1 (±

14.4) e Anemia = 24.9 (± 13.1)

Reticulocitograma (Tabelas 5 e

6): Em relação ao grupo Anemia, o

grupo Teste apresenta diferenças na

qualidade dos seus reticulócitos circulantes,

porque tem: a) maior valor

(significante) para o reticulócito com

maior grau de maturidade (RETL); b)

menores valores médios (significantes)

para os reticulócitos imaturos

(RETM e RETH) e para as quantidades

de granulações nestes reticulócitos

imaturos (MFI):

- RETL %: Teste = 93.0 (± 3.7) e

Anemia = 76.6 (± 13.9)

- RETM %: Teste = 6.0 (± 3.2) e

Anemia = 16.3 (± 7.9)

- RETH %: Teste = 1.0 (± 0.9) e

Anemia = 7.1 (± 6.2)

- MFI %: Teste = 10.5 % (± 2.4)

e Anemia = 20.6 (± 8.6)

Isto significa que no grupo Teste

ainda não foi comprometida a qualidade

da maturação eritropoiética.

O valor normal do volume reticulocitário

médio é VRM de 89uu 3 a 109uu 3

(1, 51). O grupo Teste apresenta para

este exame um valor que está dentro

dos limites normais – Teste VRM =

92.0 uu 3 (± 4.6). Sabe-se que quando

existe hemácia microcítica (que foi o

caso do grupo Teste), os reticulócitos

podem anteceder a hemácia também

sendo microcíticos (que não foi o caso

do grupo Teste). Entretanto, os reticulócitos

normais são ± 20 % maiores

do que as hemácias e quando lançados

na circulação sanguínea, em torno de

24 a 48 horas diminuem de tamanho

(25, 30, 33).

Então na circulação periférica pode

existir a possibilidade de que reticulócitos

quando se transformem em

hemácias, ao diminuir de volume, se

transformem em hemácias com volumes

microcíticos e que estes tenham

valores limiares aos das hemácias normocíticas

(em torno de 80 uu 3 ), como

é o caso do grupo Teste, cujo valor de

VGM foi 77.4 (± 1.4). Este fato reforça

a evidência de que o grupo Teste são

casos que estão na fase inicial de uma

anemia ferropriva.

Conclusões

O Teste é um grupo intermediário

entre os grupos Normo e Anemia

porque:

1) Para o eritrograma e as hemácias

que estão circulando:

a) O grupo Teste é diferente do

grupo Normo (Tabelas 3 e 4) em relação

ao valor médio do VGM (apresenta

microcitose), da hipocromia (menor

valor para o HCM) e da anisocitose

(maior valor para o RDW).

b) O grupo Teste é semelhante

ao grupo Anemia porque apresenta

microcitose (o valor médio do VGM),

da hipocromia (valores médios semelhantes

e não significantes para o

HCM) e da anisocitose (valores médios

do RDW acima de 14.5).

2) Para a ferritina, ou seja o valor

dos depósitos de ferro do organismo,

o grupo Teste é semelhante ao grupo

Anemia, porque entre estes dois

grupos os valores da ferritina foram

semelhantes, isto é, não são significantes

(Tabelas 3 e 4).

3) Para o reticulocitograma que

informa sobre o tipo de atividade eritropoiética

da medula, o grupo Teste

é semelhante ao grupo Normo, porque

os reticulócitos que estão sendo lançados

na circulação sanguínea em maior

percentagem, são os que têm maior

140

NewsLab - edição 104 - 2011


maturidade, isto é, os RETL. Este fato

não é observado no grupo Anemia.

Devemos lembrar que a maioria

dos casos do grupo Teste (86,3%) foi

procedente de comunidades, não sendo

crianças de ambulatórios hospitalares.

Isto significa que estas crianças

estão mais propensas a adquirir outras

doenças por causa da sua deficiência

de oxigenação. Deverá ser mais fácil

e de menor custo a intervenção nos

casos que são semelhantes aos do

grupo Teste.

Sugestões

A partir das evidências encontradas

para o grupo Teste, sugerimos que em

triagens iniciais para anemias devase

identificar e analisar inicialmente

através da associação dos valores de

hemoglobina a partir de 11 g/dl, porém

sempre associados aos valores dos

volumes globulares médios. Quando

o VGM apresentar valor inferior a 80

uu 3 e valores de ferritina inferiores a

59.6 ng/ml, que sejam estes casos

considerados com anemia latente para

a deficiência de ferro ou em estágios

iniciais das anemias ferroprivas.

Agradecimentos

À Maria Auxiliadora L. Dias, professora

de inglês da UFBA, por ter

transcrito o resumo para o inglês.

Correspondências para:

Maria de Lourdes Pires Nascimento

mlpnascimento@uol.com.br

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146

NewsLab - edição 104 - 2011


Artigo

Farmacêutico: Profissional da Saúde e

Gestor do Laboratório de Análises Clínicas

Joice Nedel Ott 1 , Marilei Uecker Pletsch 2

1 - Farmacêutica, Curso de Farmácia, Habilitação Farmacêutico-Bioquímico em Análises Clínicas da Unijuí

2 - Professora do Componente Curricular Estágio em Análises Clínicas, do DCSa, da Unijuí

Artigo do Componente Curricular Estágio em Análises Clínicas, do Curso de Farmácia, Habilitação Farmacêutico Bioquímico em

Análises Clínicas, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijuí

Resumo

Summary

Farmacêutico: profissional da saúde e gestor do

laboratório de análises clínicas

Os laboratórios de análises clínicas vêm passando por uma

infinidade de modificações nas últimas décadas, seja para

acompanhar a evolução tecnológica marcante do século 20,

seja para firmar-se num mercado cada vez mais exigente e mais

competitivo. A inovação da ciência trouxe consigo a necessidade

de métodos diagnósticos cada vez mais sensíveis, mais precisos

e de maior custo. Além disso, paralelamente como outras instituições

de saúde, os laboratórios têm sofrido impactos profundos em

função das mudanças no quadro econômico e político do nosso

país. Passaram a sofrer as pressões do mercado e o estresse das

oscilações financeiras, o que vem desafiando a todos na busca

por um aprendizado dos fundamentos da gestão de custos. Nesse

meio, inclui-se o farmacêutico, um profissional preocupado antes,

exclusivamente, com a promoção da saúde, e que hoje busca

constantemente se adequar às novas regras econômicas, de gerenciamento

e organizacionais do laboratório de análises clínicas, que

se tornou, além de um serviço a saúde, uma verdadeira empresa,

com necessidades administrativas e financeiras. O objetivo deste

artigo é verificar o impacto dessas transformações em uma área

de serviços específica no segmento da saúde, além de observar

a atuação dos farmacêuticos, agora gestores nos laboratórios de

análises clínicas, focando o processo de adaptação e investimentos,

visando assegurar a competência na força de trabalho, com novas

estratégias, a fim de se manter e/ou conquistar novos mercados,

priorizando sempre a qualidade do serviço.

Palavras-chaves: Laboratório de análises clínicas, farmacêutico,

gestão, informática em saúde, garantia da qualidade

Pharmacist: health professional and manager of

clinical laboratory analysis

The clinical laboratory analysis are going by an infinity of

modifications in the last decades, be to accompany the outstanding

technological evolution of the century XX, be to firm at a market more

and more demanding and more competitive. The innovation of the

science brought more and more with itself the need of diagnostic

methods sensitive, more necessary and of larger cost. Besides,

parallel as other institutions of health, the laboratories have been

suffering deep impacts in function of the changes in the economical

and political picture of our country. They started to suffer the

pressures of the market and the stress of the financial oscillations,

the one that comes challenging to all in the search for a learning

of the foundations of the administration of costs. In that middle, the

pharmacist, a concerned professional is included before, exclusively,

with the promotion of the health, and that today constantly

looks for if it adapts the new economical rules, of administration

and organizational of the laboratory of clinical analyses, that if it

turned, besides a service the health, a true company, with administrative

and financial needs. The objective of this article is to verify

the impact of those transformations in a specific area of services

in the segment of the health, besides observing the performance

of the pharmacists, now managers in the laboratories of clinical

analyses, focusing the adaptation process and investments, seeking

to assure the competence in the workforce, with new strategies, in

order to stay and/or to conquer new markets, always prioritizing

the quality of the service.

Keywords: Clinical laboratory analysis, pharmacist, administration,

computer science in health, quality

148

NewsLab - edição 104 - 2011


Introdução

O

século 20, marcado por

grandes avanços científicos

e tecnológicos, revolucionou

não apenas produtos e serviços, como

também sociedades. A transformação

dos processos produtivos levou as

organizações a repensarem as estruturas

de negócios para se adequar à

nova era, visando maior participação

de mercado e personalização, pressionadas

pela estrutura competitiva (1).

O impacto das inovações é verificado,

também, no segmento da

saúde, mais especificamente nos

laboratórios de análises clínicas. Vale

ressaltar que, da descoberta da célula

ao desenvolvimento das técnicas

de DNA recombinante, muito aconteceu

para tornar o laboratório clínico

um centro de apoio diagnóstico e de

tratamento de grande importância.

Foram e continuam sendo implantadas

modernas técnicas e tecnologias,

fazendo deste universo uma realidade

dinâmica. Assim, a necessidade

de adaptação às novas exigências

também passou a ser uma constante,

tanto nos aspectos técnicos quanto

administrativo-comerciais (2).

Atualmente, o laboratório deixou

de ser apenas um anexo diagnóstico

dos serviços de saúde. A partir do

momento em que se tornou necessário

incorporar aos conceitos técnicos uma

visão administrativa e gerencial, o laboratório

passou a existir como uma

empresa real, que possui responsabilidades

e necessidades equivalentes a

outras estruturas comerciais (2).

Consequentemente, o farmacêutico,

muitas vezes dono de sua própria

empresa, torna-se um profissional

com atribuições de liderança em

laboratórios clínicos. A preocupação

gira em torno da formação profissional

que muitas vezes o habilita apenas

para as finalidades diagnósticas, de

monitorização, prevenção e controle

da saúde como um todo, não destacando

conhecimentos sobre gestão

(3). Assim, quando passa a buscar

o aprimoramento necessário à absorção

das novas funções, deixa de

ser puramente técnico para se tornar

também gestor.

A falta de consistência administrativa

e a pouca familiaridade com

conteúdos especializados prejudicam,

em muitos laboratórios, a transição

de uma gestão amadora para uma

profissional. Sem experiência, principalmente

em face de mutações que

permeiam a macroeconomia globalizada,

os farmacêuticos administradores

laboratoriais estarão à mercê da

insegurança, do descontrole e, como

consequência negativa, do fracasso

econômico. Tornam-se caçadores

ansiosos por dados e informações

gerenciais e por ferramentas capazes

de fornecer subsídios para a tomada

de decisões com maior índice de aceite

e segurança (2).

Mas, felizmente, os laboratórios de

análises clínicas hoje têm consigo um

grande aliado, a tecnologia da informação,

pois, munidos de um sistema

de informática que operacionaliza suas

rotinas e atua como um importante

arquivo de dados e informações, o

farmacêutico possui uma ferramenta

de grande utilidade para o cálculo e

a gestão do custo real dos exames e

demais procedimentos que realiza (2).

Este artigo, de revisão bibliográfica,

tem o propósito de analisar o

universo de transformações e avanços

tecnológicos no qual se inserem os

laboratórios de análises clínicas. Neste

contexto, analisar-se-á a importância

da informática, uma ciência que visa o

tratamento das informações pelo uso

de equipamentos e procedimentos da

área de processamento de dados (4)

que tem se mostrado extremamente

útil em processos organizacionais

de cálculos e custos nos serviços de

saúde. O profissional farmacêutico

será analisado enquanto gestor, encarregado

de funções administrativas

e econômicas, sem minimizar a responsabilidade

em garantir a qualidade

dos serviços gerados.

Inovações e avanços nos laboratórios

de saúde e o papel do

farmacêutico gestor

Antigamente os laboratórios de

saúde, públicos ou privados, preocupavam-se

apenas em determinar

a etiologia das enfermidades que

afetavam a comunidade, identificando

as causas diretas e indiretas que

provocavam sua ocorrência, além

de fornecer informações precisas e

fidedignas para que os profissionais

superiores pudessem adotar as medidas

necessárias (5). Isso porque a

finalidade exclusiva dos laboratórios

em saúde eram atividades que cumprissem

os objetivos e funções da

medicina preventiva e curativa (6).

No entanto, atualmente, os objetivos

de muitos destes laboratórios

vão muito além. Ao acompanharem as

transformações e as exigências para

continuarem no mercado, tornaramse

verdadeiras empresas e passaram

a visar lucro, sem deixar de lado, é

claro, a preocupação com a saúde da

população, tanto no plano individual

como coletivo.

Salienta-se que os laboratórios

de saúde pública, órgãos integrantes

do serviço nacional ou estadual

de saúde, conforme citado por Carvalho

(6), têm ainda como função

primordial contribuir para o estudo

e a solução de todos os problemas

importantes de saúde apresentados,

fornecendo informações precisas

para que os médicos atuem o mais

NewsLab - edição 104 - 2011

149


ápido possível, sem visar qualquer

tipo de retorno financeiro.

Mas os laboratórios de análises

clínicas privados, ou seja, autônomos,

sofreram visíveis transformações nas

últimas décadas, como consequências

diretas de um aumento da população,

do aumento paralelo da produção de

profissionais e técnicos de laboratórios

e da crescente demanda de serviços

(3). A estes fatos associa-se o rápido

avanço tecnológico atual, que conduziu

os laboratórios à mecanização e

depois à automação, sendo grande

nos dias de hoje a utilização desses

recursos na simplificação de certas

análises e trabalhos.

Segundo Seki e seus colaboradores

(3), antigamente os laboratórios

orientavam-se pela perspectiva de

dentro (empresa) para fora (mercado);

hoje, uma maneira equivocada.

Para obter alguma diferenciação, os

prestadores de serviços concentravam

os seus esforços na oferta de serviços

(exames) realizados com exclusividade

ou em melhores condições técnicas

que a concorrência. No entanto, os

mercados tradicionais deste segmento

profissional foram substituídos por um

ambiente empresarial permeado pelas

transformações nas áreas sociais,

políticas, econômicas e tecnológicas,

o que fez com que os laboratórios clínicos

mantidos em regime de gestão

familiar enfrentassem as difíceis leis

do livre mercado.

Apesar disso, acredita-se que os

profissionais farmacêuticos absorveram

favoravelmente as influências

adicionais que permitiram ampliar

e diversificar a forma de trabalho,

o que repercutiu na modernização

dos laboratórios e na capacidade de

atender os seus “clientes”, que, a

partir daí, começaram a fazer prevalecer

seu direito de escolha para os

serviços de saúde. Mais exigente, o

serviços, que hoje já incluem uma

gama facilidades, como os cartões de

créditos, convênios ou cooperativas

médicas, tudo a fim de facilitar a busca

pelo laboratório, tornando-o primeira

opção para o cliente.

Acredita-se que atualmente os

laboratórios devem assumir gestão

moderna voltada ao mercado, para

oferecer diferenciais aos clientes, que

possam traduzir-se em vantagens

competitivas. O farmacêutico gestor

precisa se concentrar no preparo

científico e técnico, associado a um

suporte administrativo adequado para

atender às necessidades laboratoriais,

preocupado tanto a com a prevenção

de erros, quanto ao crescimento dos

custos dessa assistência à saúde do

paciente. Assim, segundo Seki et al

(3), a cultura de inovação dos valores

deve concentrar-se, principalmente,

nos recursos humanos, incluindo

processos de seleção e recrutamento,

treinamentos periódicos e métodos

adequados de avaliação, onde o

farmacêutico deve estar atento às

constantes transformações setoriais,

buscando continuada renovação nas

áreas da saúde, focando também

evoluções nos métodos de gestão,

capacitação e administração, talvez

até do seu próprio negócio.

Tecnologia da informação a serviço

do farmacêutico gestor

No final dos anos 1950, o computador

já aparecia nos laboratórios

de análises clínicas incorporado aos

equipamentos, visando à economia

de tempo na execução dos processos

analíticos. Além disso, favorecia

análises mais homogêneas, menos

sujeitas às variáveis decorrentes da

intervenção humana e trazia consigo

a esperança da redução de custos,

principalmente com mão-de-obra (2).

Por volta de 1960 surgiu o conceiperfil

da clientela passou a valorizar

o atendimento prestado em telefonia,

recepção, coleta e pós-venda, tanto

quanto a confiança que os médicos

depositavam nos laboratórios de sua

preferência (3).

Com essa nova realidade, técnicas

mercadológicas foram acrescentadas

nas práticas laboratoriais, orientadas

numa perspectiva de fora para dentro.

Foi preciso agregar valores aos serviços

para conquistar os clientes e, ao

atender suas percepções e expectativas,

fidelizá-los (3). Etapa, esta, que

promove benefícios de custos e de

qualidade ao laboratório, capazes de

impulsionar os objetivos de longo prazo,

como lucratividade e crescimento.

Isso quer dizer que o farmacêutico,

como administrador e gestor da

empresa, deve também se preocupar

com aspectos diferenciais a serem

adotados na rotina do laboratório,

sem esquecer, jamais, a parte técnica

e responsável da análise dos resultados

e exames. Valores adotados na

rotina dos laboratórios, como coleta

domiciliar, fornecimento de lanches,

participação nos Programas de Excelência

e Certificação em Sistemas da

Qualidade (ISO), estão sendo incorporados

como requisitos essenciais nos

laboratórios (3).

Além disso, a percepção de qualidade

por parte dos clientes está cada

vez mais atenta ao local de atendimento,

onde cuidados devem ser

dispensados para a conservação das

instalações físicas, que podem incluir

reforma dos ambientes da recepção,

das salas de espera ou de coletas

especializadas, por exemplo, em

crianças (3). Para tanto, o gestor deve

ter clareza dos diferentes tipos de

clientela: ambulatorial ou hospitalar;

sistema público ou privado de saúde.

Outro aspecto relevante nesse sentido

são as condições de pagamento dos

150

NewsLab - edição 104 - 2011


to de laboratory information system

(LIS), traduzido como “sistema de

informática laboratorial” e descrito

como sendo um sistema composto

por um ou mais softwares, ligados

direta ou indiretamente, que visam

gerenciar informações dentro de um

laboratório de análises clínicas, sejam

estas de cunho técnico, operacional,

administrativo, gerencial ou de uma

mescla destes (2).

Verifica-se que, aos poucos, a

informática passou a fazer parte dos

processos operacionais e de apoio

ao laboratório como um todo, da

recepção do cliente à entrega dos

resultados, tornando-se uma forma

inteligente de armazenamento, consulta

e administração de dados. Hoje,

surge incorporada a conceitos de eficiência,

eficácia e agilidade (2), uma vez

que, com o aumento de informação

disponível, as organizações e os profissionais

foram compelidos a prestar

melhores serviços que atendessem às

necessidades do consumidor, aferindo

indicadores de produtividade e lucratividade

(1).

Segundo esses autores, na área de

saúde a demanda por acesso a serviços

de melhor qualidade obrigou a

reorganização dos processos de trabalho,

das relações dos profissionais de

saúde com a população e do emprego

de novas tecnologias. Apesar de ser

um setor altamente regulamentado

por entidades de classe e autoridades

governamentais, os profissionais de

saúde tiveram que se adaptar à era

da informação.

A prática médica, por exemplo,

concentrou-se na medicina tecnológica,

com subsequente e intermitente

divisão do trabalho, orbitando os

avanços em torno do eixo de grandes

instituições de saúde e do surgimento

de muitas subespecialidades médicas,

principalmente voltadas para o uso da

imagem nas tecnologias bioquímicas

de diagnóstico-terapia. Neste espectro,

encontram-se os profissionais com

funções exclusivamente analíticas e

descritivas, como é o caso dos médicos

patologistas, radiologistas e dos

farmacêuticos bioquímicos (1), agora

também gestores dos laboratórios de

análises clínicas.

Segundo Mugnol e Ferraz (2), a

automação laboratorial faz parte de

um conjunto, o laboratory automation

system (LAS), que engloba as atividades

de gerenciamento de processos

envolvidos no controle de equipamentos

e instrumentos laboratoriais,

controle de amostras e processos

analíticos. Portanto, a automação e

informatização são fatores que por si

só alteraram o ambiente laboratorial,

tornando-o mais produtivo, mais eficiente,

mais controlado. Atualmente,

verifica-se a necessidade de empregálos

em um maior conhecimento dos

custos envolvidos no processo produtivo,

mais pontualmente, do custo

dos exames.

O cálculo do custo real de um exame

laboratorial é bastante complexo

e envolve uma gama enorme de variáveis,

tais como o tipo de atividade

desenvolvida, a estrutura em que o

laboratório está instalado, o tipo e o

grau de complexidade dos exames que

realiza, a clientela atendida, o perfil

dos profissionais que lá trabalham ou

utilizam dos serviços, além do caráter

técnico assumido, do nível de automação

presente e das regras estabelecidas

pela legislação vigente (2).

São custos diretos e indiretos,

fixos e variáveis, todos influenciando

o custo final de um procedimento. Na

fase analítica, por exemplo, é preciso

considerar o nível de repetições necessárias

à liberação de um resultado,

os testes consumidos para calibração

do equipamento e para o controle

do analito (2). As perdas inerentes

à própria metodologia empregada e

às possíveis falhas dos instrumentos

empregados, agregados ao custo da

mão-de-obra envolvida em todas as

fases do processo e dos demais insumos

utilizados também fazem parte

da somatória dos custos.

Considera-se, ainda, neste cálculo

as perdas inerentes à pouca estabilidade

ou curta validade de alguns

reagentes que, muitas vezes são descartados

sem que sejam utilizados em

sua totalidade; os custos adicionais

vinculados à urgência na realização

de alguns testes, o que quebra as

regras estabelecidas para o melhor

aproveitamento dos insumos; as perdas

resultantes da depreciação dos

equipamentos e da baixa demanda

em determinados períodos do ano; os

custos com a manutenção preventiva

e corretiva destes equipamentos e

assim por diante (2).

A fidelidade do cálculo do custo

real de um exame torna o gestor seguro

na tomada de decisões, sejam

elas simples, como a modificação de

rotinas de trabalho e a terceirização

de análises, ou decisões de maior

grau de complexidade, como a aquisição

de novos equipamentos e até

da mudança do perfil da empresa. A

gestão dos custos é o que proporciona

ao laboratório a oportunidade de promover

de forma eficiente e efetiva a

utilização dos recursos disponíveis, o

que reforça ainda mais a necessidade

de ferramentas que permitam o seu

aproveitamento ao máximo. É preciso

avaliar de forma simultânea a produtividade,

a qualidade e os custos, não

sendo mais aceitável que seja dada

prioridade apenas aos dois primeiros

sem levar o terceiro em conta (2).

O atual estágio da tecnologia permitiu

que a informação fosse tratada

de forma eficaz, rápida e precisa,

152

NewsLab - edição 104 - 2011


otimizando a complexa teia de dados

à disposição dos gestores, os quais

necessitam de uma abordagem mercadológica,

para que decisões sejam

tomadas seguramente, a partir de

informações relevantes. Isso porque

é crucial que as organizações saibam

utilizar as ferramentas oriundas da

informática, a fim de se obter o melhor

resultado no relacionamento com

clientes diretos e indiretos (1).

Os serviços não apenas precisam

ser ajustados à eficácia gerencial

dos processos, como devem estar

comprometidos com a inovação constante.

Todavia, a inovação extrapola

a simples automação de processos

administrativos. Segundo Almeida e

Mello (1), a empresa deve possuir um

projeto, a longo prazo, para o uso da

tecnologia na organização, pois, sem

ele o processo de criação de valor

para o consumidor é ineficaz, revelando

um desconhecimento da função

instrumental da informática por parte

da organização.

O conceito de inteligência de negócio

nos serviços prestados na área

de saúde vai além do viés técnicocomercial,

da gestão de preferências

e necessidades do cliente. Numa

sociedade onde comportamentos e

valores estão em contínua e acelerada

transformação, a tecnologia torna-se

instrumento básico das organizações

no planejamento, desenvolvimento e

adoção de ajustes sistemáticos na estratégia

empresarial de forma rápida e

instantânea para obter, por exemplo,

vantagens competitivas em relação à

concorrência (1).

No entanto, quanto ao poder

da influência da tecnologia sobre a

prática do setor de serviços deve-se

considerar que há singularidades.

Analisando diferentes pontos de vista

a respeito dos avanços tecnológicos

na área da saúde, verifica-se que

para o paciente, a competência do

profissional está condicionada ao conhecimento

e à prescrição dos mais

modernos exames diagnósticos, relegando

a uma instância secundária

os tradicionais procedimentos para

identificar patologias. Já o desejo dos

profissionais de saúde em si, seja ele

médico ou farmacêutico, é não agregar

tecnologia unicamente, mas obter

precisão e rapidez nos resultados,

gerando o mínimo de desconforto para

o paciente, o que possibilita a adesão

imediata à terapêutica e o sucesso do

tratamento (1).

Neste sentido, será discutida a garantia

da qualidade dos serviços prestados

pelos laboratórios de análises

clínicas. O profissional farmacêutico,

apesar de ter clareza que a busca de

redução de custos contribui para que

a gestão dos negócios esteja, cada

vez mais, centrada na ótima gestão

dos recursos, não pode deslocar a

total atenção que deve ser dada ao

paciente apenas para o custo do atendimento.

Para que estes dois aspectos

andem juntos, surge a “visão seis

sigma” como índice de desempenho

dos processos técnicos no laboratório,

proporcionando a padronização de

um sistema de controle de qualidade

custo-efetivo, ou seja, alinhando

qualidade e metas de custo, com foco

na satisfação dos clientes e na saúde

financeira da organização (7).

Garantia da qualidade e custos:

Visão Seis Sigma

Entende-se por qualidade em análises

clínicas a excelência dos serviços

prestados, que segundo Almeida e

Mello (1), dependem diretamente de

investimentos na estrutura de negócio,

seja ela em compras de novos

aparelhos ou implantação de sistemas

atualizados, como também na

capacitação de pessoal ou certificação

ISO 9002, um complexo sistema de

responsabilidade profissional.

O que importa é que a meta permanente

no gerenciamento de processos,

técnicos ou administrativos,

também em laboratórios clínicos, seja

a perfeita adequação entre qualidade

e custos. Neste sentido, destaca-se a

visão Seis Sigma da qualidade, que

constitui uma nova ferramenta para

conjugar qualidade de desempenho

de processos à gestão de custos (7).

A filosofia Seis Sigma propõe a

existência de uma correlação direta

entre o número de “produtos” com

defeitos, percentual do faturamento

desperdiçado com esses defeitos

(perdas), e o nível de satisfação do

cliente com o produto ou serviço. Isto

é, com a elevação da métrica sigma

do processo, aumenta a eficiência e a

eficácia deste, com consequente queda

dos custos operacionais e elevação

do nível de satisfação dos clientes (7).

A estratégia Seis Sigma é monitorar

o processo, mantendo-o sob estabilidade

e controle efetivo, atuando

sobre suas causas de variações, com o

objetivo de reduzir o número de defeitos

nos produtos finais do processo até

valores próximos de zero. A métrica

sigma, dessa forma, demonstra o grau

no qual qualquer processo se desvia

de sua meta, isto é, a capacidade do

processo em gerar produtos dentro

das especificações pré-definidas. Um

processo Seis Sigma é aquele que não

produz mais que 3 ou 4 defeitos por

milhão de oportunidades, onde defeito

é definido como qualquer característica

do produto fora das especificações

percebidas pelo cliente (7).

Pensando em um laboratório de

análises clínicas, em específico, nos

processos técnicos laboratoriais,

produtos defeituosos podem ser

traduzidos por resultados fora das

especificações, ou seja, fora da va-

154

NewsLab - edição 104 - 2011


iação máxima preconizada para a

análise laboratorial em questão e,

conseqüentemente, sem correlação

com a situação real apresentada pela

amostra analisada para o parâmetro

em estudo (7).

Dessa forma, o produto de um

laboratório de análises clínicas é o

resultado da análise laboratorial processada

e que, basicamente, duas características

nesse produto são percebidas

pelo cliente: resultados corretos

e tempo de liberação do laudo.

Segundo os autores Berlitz e Haussen

(7) realiza-se o cálculo para a

métrica sigma, onde se considera, por

exemplo, a característica exatidão dos

resultados. Determinam-se, assim, as

variáveis para essa característica em

questão, como por exemplo, especificação

de desempenho (erro total

máximo que pode ser aceito para o

procedimento), inexatidão e imprecisão

do método analítico (Coeficiente

de Variação – CV%). Ao analisar outra

característica do produto no laboratório

clínico como, por exemplo, o tempo

de liberação do laudo, a métrica sigma

seria determinada através dos defeitos

no processo, ou seja, o número de resultados

liberados fora do prazo-meta

estipulado.

De forma geral, a métrica sigma

permite determinar o nível de qualidade

no qual os processos, procedimentos

e equipamentos operam, além

de estimar os custos da não-qualidade

envolvidos nessas operações. Os

custos da não-qualidade podem ser

considerados como custos associados

à impossibilidade de projetar, produzir

e entregar 100% dos produtos e/ou

serviços corretos aos clientes (7).

Os autores concluem que a utilização

da métrica sigma na avaliação

da qualidade de performance de processos

técnicos permite otimização

e eficácia na gestão do laboratório

clínico, favorecendo a padronização de

um sistema de controle de qualidade

custo-efetivo, alinhando qualidade

e metas de custo, sempre com foco

na satisfação dos clientes e na saúde

financeira da organização.

Discussão

A Constituição Federal de 1988

criou o Sistema Único de Saúde e

definiu, entre suas atribuições, incrementar

em sua área de atuação o

desenvolvimento científico e tecnológico.

De outro lado, a Lei n o 8.080, de

19/09/1990, dispõe sobre os diversos

campos que compõem o SUS. Pode-se

dizer que o SUS possui dois grandes

campos de atuação, o da saúde individual

(preventiva e curativa) e o da

saúde coletiva ou populacional (saúde

pública) (8).

Nestes dois campos inserem-se

laboratórios de análises clínicas, que

possuem o profissional farmacêutico

como responsável em promover ações

de saúde a nível de diagnóstico, preventiva

ou curativamente, com capacidade

de intervir de maneira crítica ou

científica sobre os problemas de saúde

e sobre o sistema de saúde, além de

ter total competência para promover

a integralidade da atenção à saúde,

de forma ética e interdisciplinar (9).

Para qualificar esses serviços de

saúde, necessariamente, deve-se contar

com profissionais adequadamente

formados e preparados para gerenciar

o serviço e as pessoas, inovar, integrar

e cuidar, com base em critérios

científicos e éticos para a consolidação

dos princípios de saúde. Portanto, a

questão da qualificação profissional, e

em especial do farmacêutico, é fundamental

para a estruturação de serviços

em todos os níveis de gestão (9).

É importante salientar que o desenvolvimento

do laboratório, muitas

vezes, é condicionado à organização

dos serviços de saúde a que pertence.

Entretanto, há certos requisitos

mínimos que devem ser satisfeitos,

como possuir pessoal devidamente

treinado, equipamentos adequados e

avançados cientificamente que permitam

a realização de corretas análises

indispensáveis à saúde (5).

Assim, o profissional de laboratório

deve possuir alta formação, integridade,

consciência e um elevado senso de

responsabilidade. Seu trabalho não só

é importante como freqüentemente

vital. De um modo geral o laboratório

necessita de muitos anos para adquirir

uma alta reputação, mas poderá

perdê-la em minutos. Isso porque,

o elemento “humano” do serviço é

o fator determinante da qualidade

do trabalho realizado. As instalações

materiais, por mais perfeitas que sejam,

não podem substituir em nenhum

caso a um bom pessoal de laboratório:

nunca será demasiado dizer-se que a

eficiência do serviço depende sobretudo

da qualidade do pessoal (6).

Frisa-se nesse caso, a importância

da garantia da qualidade dos serviços

prestados. Para isso e para corresponder

às expectativas dos clientes

em relação a estes serviços, é indispensável

inovar valores. É preciso

entender que a inovação pode surgir

no processo, na maneira de abordar o

mercado, na gestão, e não apenas na

oferta de serviços, os exames, no caso

do laboratório de análises clínicas em

específico. A inovação de valor é um

processo criativo que se opõe à lógica

convencional e procura concentrar-se

nos elementos comuns das características

mais valorizadas, e não nas

diferenças entre os clientes (3).

Métodos inovadores, como gerenciamento

de relacionamentos, podem

diminuir a distância entre clientes e

156

NewsLab - edição 104 - 2011


profissionais e, assim, amenizar impactos

negativos das excessivas – embora

inevitáveis – tecnicalidade e burocracia

administrativa. Um relacionamento

mais humano pode ser implementado

através de informações extraídas em

pesquisas de mercado, formatadas em

um banco de dados atualizado. Hoje,

mais do que nunca, é preciso saber

perscrutar, antecipar expectativas e

relacionar-se com os clientes para

conquistar sua lealdade (3).

Diante das particularidades do

laboratório de análises clínicas, verificou-se

que o desenvolvimento de

sistemas de informática, avançados

e destinados a tal finalidade, pode

requerer o envolvimento de um profissional

que seja multidisciplinar e

que conheça a fundo a atividade laboratorial

e os pontos relacionados à

gestão de serviços de saúde, tendo em

mente uma visão técnica sem perder,

entretanto, o foco empresarial (2).

Em suma, observa-se que o profissional

farmacêutico atualmente

tem-se mostrado disposto a buscar

novos conhecimentos e valores, que

possam ajudá-lo na administração

econômica e financeira, como gestor

dos laboratórios de análises clínicas.

Além disso, demonstra a consciência

em garantir a qualidade dos serviços

prestados, colocando os pacientes,

agora seus clientes, sempre em

primeiro lugar.

Correspondências para:

Joice Nedel Ott

joice_nott@yahoo.com.br

Referências Bibliográficas

1. Almeida GW, Mello RC. Uso de novas tecnologias de informação por profissionais da área da saúde na Bahia. Rev. adm. contemp.,

Curitiba, 8(3). 2004. Disponível em . Acesso em: 03 out. 2009.

2. Mugnol KCU, Ferraz MB. Sistema de informação como ferramenta de cálculo e gestão de custos em laboratórios de análises clínicas. J. Bras.

Patol. Med. Lab., 42(2). 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-24442006000200006&ln

g=pt&nrm=iso. Acesso em: 07 julh. 2009.

3. Seki M. A inovação de valores nos laboratórios clínicos. J. Bras. Patol. Med. Lab., Rio de Janeiro, 39(3). 2003. Disponível em . Acesso em: 03 out. 2009.

4. Alves SL, Ogushi Q. A importância do sistema de informática na administração financeira em laboratórios clínicos. J. Bras. Patol. Med. Lab.,

Rio de Janeiro, 42(2). 2006. Disponível em: . Acessos em: 03 out. 2009.

5. Carvalho JPP. A organização dos laboratórios de saúde pública do Brasil. Rev. Saúde Pública, São Paulo, 10(4). 1976b. Disponível em:

. Acesso em: 08 nov. 2009.

6. ___________. Os laboratórios de saúde pública nos programas de saúde. Rev. Saúde Pública, São Paulo, 10(2). 1976a. Disponível em:

. Acesso em: 11 nov. 2009.

7. Berlitz FA, Haussen ML. Seis sigma no laboratório clínico: impacto na gestão de performance analítica dos processos técnicos. J.

Bras. Patol. Med. Lab., Rio de Janeiro, 41(5). 2005. Disponível em . Acesso em: 05 nov. 2009.

8. Buss PM, Gadelha P. Fundação Oswaldo Cruz: experiência centenária em biologia e saúde pública. São Paulo Perspec., São Paulo,

16(4). 2002. Disponível em: . Acesso em: 05 nov. 2009.

9. Leite SN. I Fórum Nacional de Educação Farmacêutica: o farmacêutico que o Brasil necessita. Interface (Botucatu), Botucatu, 12(25).

2008. Disponível em: .

158

NewsLab - edição 104 - 2011


Artigo

Comparação de Métodos Parasitológicos tendo como Referencial

o Método de Faust para a Pesquisa de Cistos de Protozoários

Geny Aparecida Cantos 1 , Marcos Galvão 2 , Jivago Linécio 2

1 - Profa. do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de

Santa Catarina (UFSC) - Departamento de Análises Clínicas

2 - Alunos da graduação do curso de Farmácia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Resumo

Summary

Comparação de métodos parasitológicos tendo como

referencial o Método de Faust para a pesquisa de cistos

de protozoários

Os métodos parasitológicos devem ser realizados de maneira

apropriada, buscando uma maior sensibilidade e especificidade na

detecção dos parasitas intestinais. Em um laboratório de rotina é

importante fazer mais de um método de concentração para detectar

as formas parasitárias, principalmente quando há baixa carga parasitária.

Neste trabalho realizou-se um estudo comparativo para avaliar

a sensibilidade dos métodos de Ritchie, Lutz e Faust para detecção

de enteroparasitas de amostras oriundas do Hospital Universitário

do município de Florianópolis-SC, as quais foram processadas e

analisadas pelos referidos métodos no Laboratório de Parasitologia

Clínica da Universidade Federal de Santa Catarina. De um total de

310 amostras processadas e analisadas pelos referidos métodos,

28% foram positivas. Pelos resultados obtidos, o método de Faust

apresentou uma sensibilidade nitidamente superior aos métodos de

Lutz e Ritchie para a pesquisa de cistos de protozoários, havendo

diferença significativa entre Faust e Lutz para cistos de protozoários,

especialmente para Entamoeba hartmanii (p


nóstico de estruturas menores como

os cistos de protozoários.

Por outro lado, apesar dessa técnica

dispensar centrifugação e reagentes,

o uso da água fria não propicia

uma boa migração das larvas, exceto

em casos de infecção maciça, sendo,

portanto, ineficaz para diagnóstico de

larvas de helmintos em casos de baixa

parasitemia (16).

Para a pesquisa específica de larvas

de helmintos,além dos métodos de

Baermann e Rugai, outros mais sensíveis

têm sido relatados e sugeridos na

literatura, como por exemplo o método

de placa em ágar (3, 10, 13). Contudo,

este último método tem a desvantagem

de ser mais trabalhoso e ter um maior

custo e provavelmente por isso não tem

sido utilizado nos laboratórios clínicos.

O método de Faust é uma técnica

rápida e prática e utiliza pouco

espaço na bancada por usar apenas

tubos de ensaio. Tem a desvantagem

e a inadequação para amostras fecais

que contenham grande quantidade de

gorduras, sendo especialmente útil

no diagnóstico de cistos de protozoários

e ovos leves de helmintos, pois

separa esses elementos do excesso

de detritos (9, 11, 29), podendo ser

aplicado também com amostras de

fezes conservadas (7).

Por outro lado, ovos de maior

densidade geralmente são pouco observados

neste método (7).

As diferenças encontradas nos

diversos trabalhos da literatura podem

também estar relacionadas a

uma não padronização do método,

principalmente ao que se refere à

densidade da solução flutuadora.

Alguns cuidados devem ser tomados

para que o método seja realizado corretamente,

como: a lâmina deve ser

preparada em 15 minutos, para que

não haja decantação das estruturas

parasitárias; deve-se evitar manipular

bruscamente o tubo; a solução das

fezes deve ser homogeneizada; a alça

a ser utilizada deve ser padronizada e

de boa qualidade.

Por outro lado, a solução de sulfato

de zinco, dentro das especificações já

mencionadas, leva a flutuação de formas

parasitárias menos densas, ao mesmo

tempo em que os resíduos das fezes sedimentam

no fundo do tubo, permitindo

desta forma recuperar a maioria dos

cistos. Porém, o material deve ser examinado

imediatamente, pois o contato

com a solução de sulfato de zinco pode

deformar cistos de protozoários ou ovos

de helmintos de casca fina (22).

A película superficial deve ser

removida em 5 minutos após a centrifugação,

pois quanto mais tempo

o organismo permanecer em contato

com o sulfato de zinco, maior a distorção

das estruturas (11), levando

profissionais menos experientes a

cometerem erros, muitas vezes não

conseguindo identificá-las.

Machado et al, (14) considera que

a instabilidade de formas parasitárias

como da G. lamblia nas fezes proporciona

redução do percentual de detecção

deste protozoário pelos métodos

microscópicos e que o método de

Faust melhora os resultados para este

protozoário. Segundo esses autores,

este método continua sendo uma boa

escolha para o diagnóstico da giardíase,

uma vez que em seus estudos

os resultados encontrados para este

parasita foi similar à técnica de Elisa.

Em relação ao método de Ritchie,

os resultados dos espécimes fecais

obtidos por este método são consideravelmente

melhores em relação à técnica

de Lutz (3, 11). Este método é empregado

clinicamente na investigação

de ovos de helmintos, larvas e cistos de

protozoários e possui uma vantagem

em relação ao método de Faust, porque

permite um diagnóstico mais acertivo

para ovos pesados. Entretanto, o uso

do éter, reagente necessário para a

execução da técnica, utilizado para

a retirada de gordura da amostra, é

uma substância explosiva e altamente

tóxica para o sistema respiratório, que,

em caso de intoxicação, pode causar

depressão cardiovascular (20).

Outro método que alguns laboratórios

vêm utilizando é Coprotest ® , que é

um método comercial, vendido na forma

de kits, consistindo em uma modificação

do método de Ritchie. Tem sido

também usado na detecção de ovos e

larvas de helmintos, cistos e oocistos

de protozoários (18). Contudo, este

método tem a limitação na detecção

de ovos helmintos, em amostras de

indivíduos com baixa carga parasitária,

podendo levar a uma determinação

subestimada da prevalência real das

parasitoses, quando diagnosticadas.

Desta forma, não é aconselhável usá-lo

como único método de concentração

em uma rotina laboratorial quando as

cargas parasitárias são baixas (18).

Outros métodos ainda destacamse

na prática clínica por serem sensíveis

e específicos em função da

suspeita clínica, como o método de

Willis para ancilostomídeos e Trichuris

trichiura (7) e o método da fita adesiva

para Enterobius vermicularis (23).

Pelo exposto percebe-se que a

realização de diferentes métodos

parasitológicos torna-se necessária,

tendo em vista a variabilidade morfológica

e biológica apresentada pelos

parasitas (18).

Contudo, o que se percebe é que

a maioria dos laboratórios de análises

clínicas, principalmente os laboratórios

públicos, utiliza somente o método

de Lutz como rotina, pelo fato de

ser um método econômico e dispensar

a centrifugação (4). A literatura é

clara quando salienta a importância

de se realizar mais de um método de

concentração para detectar formas

parasitárias de cistos de protozoários,

de ovos e larvas de helmintos, principalmente

quando há uma baixa carga

parasitária (7).

Assim, este trabalho tem como

enfoque esclarecer vantagens inerentes

de se utilizar simultaneamente o

método de Faust (para detecção de

protozoários) com outras metodologias,

de forma que se possam reduzir

os falsos negativos e se obter maior

segurança e confiabilidade nos resultados

dos exames parasitológicos.

Materiais e Métodos

Amostra

O presente trabalho foi realizado

com 310 amostras de fezes oriundas

NewsLab - edição 104 - 2011

161


do Hospital Universitário no município

de Florianópolis, Estado de Santa Catarina,

no período de agosto de 2005

a dezembro de 2007. Essas amostras

não tinham nenhuma indicação quanto

a sua origem, ou seja, as mesmas

foram identificadas por um número, independente

de serem positivas ou não.

Foram analisadas apenas fezes

formadas, evitando o uso de fezes

diarreicas e mucosas para se obter

uma melhor homogeneidade, assim

como uma maior concentração (18).

Exame parasitológico de fezes

As fezes colhidas foram processadas

pelas técnicas de Lutz, Faust

e Ritchie (7). Para a realização das

técnicas, aproximadamente 1 grama

de fezes foi diluído em 50 mL de água,

sendo esta filtrada para um cálice de

sedimentação.

Parte da suspensão filtrada foi

colocada em dois diferentes tubos de

ensaio, tubos cônicos para realização

dos métodos de Faust e Ritchie. Na

outra parte da suspensão adicionouse

mais 150 mL de água para a realização

do método de Lutz. Para cada

método foi examinada uma lâmina do

mesmo material.

Foram analisadas as frequências

de parasitas nas 310 amostras pelas

diferentes técnicas e realizada também

uma comparação entre as amostras

positivas quanto ao número de

cistos de protozoários, ovos e larvas

de helmintos.

Para a análise estatística foi usado

o teste exato de Fisher no programa

Prism 4, para verificar a relação entre

os métodos para cada parasita, assim

como a sensibilidade, com um intervalo

de confiança de 95% e o valor de

p


Tabela 2. Resultados dos testes coprológicos em relação ao total de amostras positivas de cada parasita

Lutz Faust Ritchie Total de parasitas

Parasitas

encontrados

n % n % n %

(n =114)

Protozoários

Endolimax nana 13 68,42 19* 100 15 78,95 19

Entamoeba coli 18 94,74 19 100 18 94,74 19

Blastocystis hominis 14 87,5 16 100 16 100 16

Giardia lamblia 7 58,33 12 100 11 91,67 12

Entamoeba histolytica

6 66,67 9 100 6 66,67 9

Entamoeba dispar

Entamoeba hartmannni 2 25 8** 100 5 62,5 8

Iodamoeba butschlii 2 33,33 6 100 3 50 6

Total de protozoários 62 69,66 89 100 74 83,15 89

Helmintos

Ascaris lumbricoides 5 100 4 80 5 100 5

Strongyloides stercortaris 4 80 4 80 5 100 5

Enterobius vermicularis 4 100 4 100 4 100 4

Ancilostomideos 0 0 3 100 1 33,33 3

Taenia sp 3 100 0 0 3 100 3

Trichuris trichiura 1 33,33 3 100 2 66,67 3

Hymenolepis nana 2 100 2 100 2 100 2

Total de helmintos 19 76 20 80 22 88 25

Teste exato de Fisher, quando comparado o método de Faust em relação ao método de Lutz (*p


pelos resultados apresentados, o

método de Faust foi o que apresentou

melhor escolha para o diagnóstico das

protozooses intestinais.

A sensibilidade entre os métodos

foi avaliada pelo teste de Qui-Quadrado

(X 2 ), considerando um intervalo de

confiança de 95%. Em situações nas

quais a frequência observada foi baixa,

foi utilizado o teste exato de Fisher.

A Tabela 4 mostra que o método de

Faust apresentou uma sensibilidade

(positividade) nitidamente superior

aos métodos de Lutz e Ritchie para

a pesquisa de cistos de protozoários.

Assim, esses resultados reforçam que

o método de Faust é a melhor escolha

no diagnóstico de cistos de protozoários,

pois além de ser método barato

Referências Bibliográficas

e de rápida e fácil execução, permite a

melhor visualização dessas estruturas

parasitárias.

A Tabela 5 mostra que para ovos

e larvas de helmintos não houve diferença

significativa entre eles. Os

grandes intervalos de confiança para

a sensibilidade, especialmente em helmintos,

se devem ao fato do número

de amostras positivas ser pequeno e,

assim, quanto menor o número de

amostras maior a margem de erro.

Conclusão

O método de Faust foi superior ao

método de Ritchie e Lutz para diagnóstico

de protozoários intestinais.

Dado sua eficiência, simplicidade e

rapidez de execução recomenda-se

que o mesmo seja utilizado na rotina

clínica nos laboratórios que realizam

exames parasitológicos.

Entretanto, para que tenhamos

um resultado mais preciso, em relação

a outros enteroparasitas, é

importante que haja combinações

de métodos de concentração, a fim

de aumentar o número de casos

positivos.

Correspondências para:

Profa. Dra. Geny Aparecida Cantos

geny@ccs.ufsc.br

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NewsLab - edição 104 - 2011

165


AGENDA 2 0 1 1

XIX Simpósio Internacional

de Hematologia e Hemoterapia

Evento científico do Hospital

Israelita Albert Einstein

Data: 25 e 26 de março

Informações: www.einstein.br

XI Workshop de Resistência

Bacteriana e atualizações

do CLSI 2011

Data: 2 de abril

Local: Hotel Blue Tree Towers

Morumbi. São Paulo. SP

Informações: www.saudetotal.

com.br/microbiologia /

consultoriamd@uol.com.br

Fone: (11) 5505-2480

ISLH 2001

Congresso da Sociedade

Internacional de Hematologia

Laboratorial

Data: 6 a 8 de maio

Local: Marriot New Orleans, EUA

Informações: www.islh.org

IFCC-WorldLab Berlin 2011

21st International Congress

of Clinical Chemistry and

Laboratory Medicine

Data: 15 a 19 de maio

Local: Berlim. Alemanha

Informações: www.berlin2011.org

Hospitalar 2011

18ª Feira Internacional de

Produtos, Equipamentos,

Serviços e Tecnologia para

Hospitais, Laboratórios,

Farmácias, Clínicas e

Consultórios

Data: 24 a 27 de maio

Local: Pavilhões do Expo Center

Norte, São Paulo. SP

Informações: www.hospitalar.com

38° Congresso Brasileiro

de Análises Clínicas e 11°

Congresso Brasileiro de

Citologia Clínica

Data: 26 a 29 de junho

Local: Expo Unimed, Curitiba. PR

Informações: www.sbac.org.br

AACC Annual Meeting and

Clinical Lab Expo

Data: 24 a 28 de julho

Local: Atlanta. EUA

Informações: www.aacc.org

45º Congresso Brasileiro de

Patologia Clínica/Medicina

Laboratorial

Data: 16 a 19 de agosto

Local: Florianópolis. SC

Informações: www.sbpc.org.br

XXII Congresso Brasileira de

Parasitologia

Data: 24 a 27 de agosto

Local: Centro de Convenções

Rebouças, São Paulo

Info.: www.qeeventos.com.br

57º Congresso Brasileiro de

Genética

Data: 30 de agosto a 2 de

setembro

Local: Centro de Convenções do

Hotel Monte Real Resort. Águas

de Lindóia. SP

Informações: www.sbg.org.br

ANALITICA LATIN

AMERICA

Data: 20 a 22 de setembro

Local: Transamérica Expo Center,

São Paulo. SP

Informações: www.analiticanet.

com.br

XXXVI Brazilian Congress

of Immunology

Data: 15 a 19 de outubro

Local: Foz do Iguaçu. PR

Info.: www.sbicongressos.com

CURSOS

Cursos de Pós-Graduação

Academia de Ciência e Tecnologia

Análises Clínicas: início em junho

Hormônios: início em agosto

Banco de Sangue e Hematologia:

início em setembro

Biomolecular e Imunologia: início

em setembro de 2011

Informações: www.ciencianews.

com.br

168

NewsLab - edição 104 - 2011


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que estão todos muito felizes. Por quê?

Porque eles sabem que com o negócio

de laboratório de análises clínicas

pode-se obter lucratividade, desde que

haja uma gestão financeira profissional.

O meu respeito pelo Dr. Humberto

continua crescendo pela forma como

ele se coloca sempre disponível e dar

a seu profissionalismo a uma humanidade

marcada e tratar seu interlocutor

com profundo respeito.

Na Assembléia Francesa uma vez me

deparei com esta frase: “Os homens

procuram a luz em um jardim frágil,

onde fervilham as cores”.

Desejo que Dr. Humberto traga a luz

para que alguns possam encontrar sua

própria luz...

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