Ler, escrever e viver - Secretaria da Educação

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Ler, escrever e viver - Secretaria da Educação

ENOSSA

scola

Informativo da Secretaria da Educação do Estado da Bahia Ano III Nº10 Dezembro de 2010

Ler, escrever e viver

A Bahia é o Estado campeão de alfabetização do país. Em três anos, 751 mil

pessoas foram alfabetizadas pelo programa Todos pela Alfabetização (Topa).

Mais 185.260 estão em sala de aula. A Bahia vai seguir nesse caminho. Já estão

abertas as matrículas para mais 300 mil pessoas. O Topa atende a jovens

acima de 15 anos, adultos e idosos, com a perspectiva de que a

alfabetização é um direito que não prescreve com a idade.

Nossa Escola - Boletim Informativo da Secretaria da Educação Do Estado da Bahia


Expediente

Prêmio Cosme de Farias

A segunda edição do Prêmio Cosme

de Farias contou com 97 experiências

inscritas por educadores, prefeituras

e instituições parceiras do Topa. A premiação

reconhece aqueles que mais

se destacaram durante a execução

do programa, em cinco categorias:

Município, Entidade da Sociedade Civil,

Alfabetizador, Coordenador de Turma

e Tradutor-intérprete da Linguagem

Brasileira de Sinais (Libras).

Os primeiros colocados de cada

uma delas recebem, respectivamente,

R$ 40 mil, R$ 20 mil, R$ 10 mil, R$ 5 mil

e R$ 5 mil. A escolha foi feita pelo Comitê

do Programa Topa – Todos pela

Alfabetização, formado por 15 representantes

da sociedade civil.

A experiência premiada na categoria

Alfabetizador foi de Iracy dos

Santos Silva, que fez um trabalho na

comunidade de Jiribatuba, no município

de Vera Cruz, para reduzir a

evasão dos seus alunos. “Propus dar

aulas nas suas residências para facilitar

o acesso, já que os alunos são pescadores,

marisqueiras, catadores de

piaçavas e extrativistas, que trabalham

e muitas vezes estão cansados na hora

de irem para a aula”, explicou.

Na categoria

Tradutor-Intérprete

de Libras, o vencedor

foi Márcio Araújo de

Oliveira, de Conceição

do Jacuípe. Em oito

meses, ele alfabetizou

cerca de oito surdos

em Libras, além disso,

fomentou o uso da

linguagem nas turmas

do Topa em 2008. Na

categoria Coordenador

de Turmas, o prêmio

foi para Charlene Ribeiro de Souza,

de Santa Cruz Cabrália. Já a Entidade

premiada foi o Sindicato dos Trabalhadores

Rurais de Euclides da Cunha. A

entidade firmou parceria com a Direc

e deu total apoio aos coordenadores,

alfabetizadores e alfabetizandos. E,

por último, na categoria Municípios, o

vencedor foi Barra do Choça.

HOMENAGEM - O Prêmio faz uma

homenagem a um nome reconhecido

por lutar em causas populares, sobretudo

no combate ao analfabetismo.

Entre os trabalhos desenvolvidos por

Cosme de Farias, está a criação, em

1892, da Campanha do ABC, distribuindo

milhares de cartilhas no País,

quando ainda tinha 14 anos. Já em

1915, criou a Liga contra o Analfabetismo,

e criou e manteve, durante mais

de 60 anos, quase 200 escolas para

alfabetização de jovens e adultos.

Informativo produzido pela Assessoria de Comunicação da Secretaria da Educação da Bahia.

Contato: (71) 3115-9026 | nossaescola@educacao.ba.gov.br

Coordenação: Shirley Pinheiro (DRT 836) | Editoração: Marvin Kennedy, Juliana Serva

Textos: Claudia Lessa, Eduardo Vieira, Perla Ribeiro | Edição: Silvia Costa, Marvin Kennedy

Revisão de textos: Lucília Coimbra | Fotografias: Arquivos SEC, Agecom

Matrícula

A meta da Secretaria da Educação é de

matricular 300 mil pessoas na quarta etapa

do Topa. As matrículas foram abertas em

outubro e prossegue até janeiro. Os interessados

devem se dirigir às secretarias municipais

de Educação ou às Diretorias Regionais

de Educação (Direc) para garantir a vaga. As

aulas estão previstas para começar

em março de 2011.

Saúde em Movimento

Mais de 98 mil alfabetizandos do Topa já

foram beneficiados com a distribuição de

óculos pelo programa Saúde em Movimento,

desenvolvido em parceria entre as secretarias

da Educação e da Saúde. O projeto de atenção

oftalmológica oferece consultas, óculos

e encaminha os alfabetizandos para intervenções

cirúrgicas. Criado em 2008, o Saúde em

Movimento visa oferecer condições de saúde

ocular e, consequentemente, melhoria da

aprendizagem dos alfabetizandos do Topa e

redução das taxas de evasão.

Formação

Não é por acaso que o Topa destaca-se, nacionalmente,

entre os programas de alfabetização.

Por meio de uma parceria com as quatro

universidades estaduais, uma federal e mais

quatro faculdades privadas, 28.965 profissionais

passaram por um processo de formação

antes de atuarem em sala de aula. Foram capacitados

25.565 alfabetizadores, 3.388 coordenadores

de turmas e 112 tradutores- intérpretes

da Língua Brasileira de Sinais (Libra).

Escuta aberta

Para integrar e socializar as diretrizes e concepção

do Topa, foram realizados 32 encontros

regionais – “Escuta Aberta”, envolvendo

567 representantes dos movimentos

sociais e sindicais, unidades formadoras,

Territórios de Identidade, dirigentes das Diretorias

Regionais de Educação (Direc), secretários

municipais de Educação, prefeitos

e representantes da sociedade em geral.

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presidente Lula participa, juntamente

O com o governador Jaques Wagner, da

cerimônia de certificação de 291 mil pessoas

na terceira etapa do programa Todos pela

Alfabetização (Topa). Na plateia mil alfabetizados

representam todos os Territórios

de Identidade do Estado. Nas três primeiras

etapas, o Topa já alfabetizou 751 mil baianos

e outros 185.260 estão em sala de aula.

Os números fazem da Bahia o estado

campeão de alfabetização do País. A trabalhadora

doméstica Eloisa Santos da Silva,

de 59 anos, de Salvador, oradora do evento,

é um exemplo da oportunidade propor-

Cante com o Topa

Topa ensinar

Topa aprender

E Topa a

E Topa b

E Topa ser

Alguém melhor

pronto pra crescer

Alguém melhor

Livre pra escrever

Livro para ler

Livre para ser

Alguém melhor

Pronto pra crescer

Alguém melhor

Que Topa ajudar

Que Topa ensinar

Que Topa aprender

(Gilberto Gil)

cionada pelo Topa. Eloisa é a mais velha de

cinco irmãos e assumiu a responsabilidade da

família aos nove anos de idade. Segundo ela,

o pouco tempo que tinha fora do trabalho

usava para brincar, por isso ficou fora da

escola. “O Topa foi uma bênção em minha

vida. Eu aprendi muito, até a falar melhor.

Quero aprender mais e vou dar continuidade

aos estudos”.

Criado em 2007, dentro do programa Brasil

Alfabetizado, do Governo Federal, o Topa

atende a jovens acima de 15 anos, adultos e idosos,

com a perspectiva de que a alfabetização é

um direito que não prescreve com a idade.

Inclusão

O Topa promove a inclusão social de milhares de

baianos. O programa leva alfabetização aos povos

indígenas, quilombolas, população carcerária,

ciganos e pessoas com deficiência, como é o caso

de Fábio Novaes Santos, 27 anos, de Salvador. Ele

é surdo-mudo e, graças ao Topa, hoje é “outra

pessoa”. Segundo sua mãe, dona Creusa dos

Santos, a comunicação dele mudou depois que

aprendeu a escrever nas aulas do programa. “Foi

muito importante porque, antes, ele estava sem

estudar, sem estímulo. E agora ele aparenta estar

mais animado e não quer mais parar”.

Homenagem

O repentista João Fernandes, 74 anos, de

Carinhanha, fazendo versos acompanhado

de sua sanfona, homenageia o presidente

Lula e o governador Jaques Wagner. Ele, que

hoje sabe ler e escrever graças ao Topa, fala

da importância do programa para resgatar a

autoestima dos idosos. “O Topa deu vista para

muitos idosos que estavam dormindo e acordaram.

Agora, já estão escrevendo seus nomes

e lendo com muito carinho e amor. Agradeço

a escola do Topa em que estou estudando já

com idade avançada”, diz o repentista.

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Leitura para Todos leva o universo

da literatura para alfabetizados

“Eu sabia ler uma besteira. Foi no

Topa que me desenvolvi. Os livros

que recebi foram bem interessantes.

Tem um que fala da escravidão de

uma moça. Gostei de ler e entender

tudo. Me senti forte. Estou muito

feliz”. O depoimento de Cândida Silva

Oliveira, de 44 anos, do município de

Jequié, retrata o programa Leitura

para Todos, que tem a proposta de

incentivar o hábito de leitura nos

jovens, adultos e idosos egressos do

Topa.

Na primeira remessa, a Secretaria

da Educação do Estado da Bahia

enviou pelos Correios mais de 30 mil

livros diretamente para a residência

dos alfabetizados, junto com uma

carta-resposta.

Após a leitura da obra, o alfabetizado

escreve as suas impressões e

envia a carta-resposta para a Secretaria.

A cada carta respondida, será

enviado um novo exemplar. Ao todo,

o programa vai disponibilizar dez volumes

de obras literárias, envolvendo

diversos gêneros como crônica, poesia,

novela e conto.

O programa parte da filosofia de

que ler é indispensável para o crescimento

intelectual e cultural, para o

enriquecimento do vocabulário, para

os momentos de lazer e para o exercício

da cidadania.


Antes de entrar no Topa, sabia

ler pouca coisa e mal assinava

meu nome. Hoje, não passo mais

vergonha na hora de identificar as

correspondências que chegam em

minha casa. Pra mim, o Topa foi

a melhor coisa que esse governo

fez. Na carta-resposta do projeto

Leitura para Todos, respondi que

o Topa foi muito importante na

minha vida e aproveitei para agradecer

a oportunidade que tive de

me sentir mais gente. Eu passei

boa parte da minha vida lutando,

trabalhando muito como manicure

e cabeleireira para criar meus dois

filhos, que hoje são meu orgulho.

Um é administrador financeiro e a

outra é advogada. Eles que me incentivaram

a estudar e agora ficam

brincando comigo, dizendo que

estou muito sabida, que tudo que

é livro que eu vejo na minha frente

saio lendo. Estou continuando os

estudos à noite, no Colégio Estadual

Antonio Carlos Magalhães,

na Vasco da Gama. Vou ser professora,

se Deus quiser”.

Derlinda Catarina Bacelar

55 anos, Salvador-BA.


Eu sabia ler bem pouquinho. Hoje já leio tudo, principalmente a Bíblia.

Antes do Topa eu não podia fazer isso. Li o livro que recebi pelos Correios

e gostei muito. Também gosto muito de escrever, mas tem hora que dá

preguiça. Mas na escola, não tenho preguiça. Agora posso pegar um ônibus

sozinho, sem depender de ninguém para ir pros lugares”.

Anísio Ferreira Santos

64 anos, Vitória da Conquista-BA.

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