Cavaquistas querem que Vítor Gaspar saia - Europa

eesc.europa.eu

Cavaquistas querem que Vítor Gaspar saia - Europa

Dom 29 Janeiro Edição Lisboa

Domingo, 29 de Janeiro de 2012, Ano XXII, n.º 7965, 1,60€

Directora: Bárbara Reis

Directores adjuntos: Nuno Pacheco, Manuel Carvalho e Miguel Gaspar

Directora executiva Online: Simone Duarte; Directora de Arte: Sónia Matos

www.publico.pt

Mania dos cupões

A crise transformou

os portugueses em

caçadores de negócios e

de promoções Pública

Teresa de Sousa diz que chegou o momento

de dizer que o rei vai nu Vasco Pulido Valente

fala da esperança de um milagre improvável

Cavaquistas querem

que Vítor Gaspar saia

Proeminentes cavaquistas vêem ministro como “um ultraliberal”

a destruir o modelo social e económico construído após o 25 de

Abril a Críticas centram-se nas medidas de austeridade Pág. 17

Tudo vale menos: a hora de trabalho, os produtos e os serviços

Grandes empresas investiram

menos 23% em 2011 Págs. 4 a 9 e Editorial

Novo ciclo Sobrinho Simões Elísio Estanque

Novo líder

da CGTP

promete luta

Pág. 18/19

Para manter

o SNS há que

‘racionar’

Págs. 12/14

Internacional Internacional

“A classe média

está em risco

de implosão”

Págs. 22/23

RUI GAUDÊNCIO


2 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Caras da semana

Frases

“A lengalenga da

esquerda (…) sobre

a austeridade e

o crescimento

económico não

inclui (…) o corte do

Estado, do seu peso

e da percentagem da

riqueza nacional que

gasta todos os anos

para continuar gordo,

anafado, burocrático,

corrupto.”

António Ribeiro

Ferreira

i

“Se têm dúvidas sobre

como se faz, basta

apanharem um voo

para Roma e falarem

durante umas horas

com Mario Monti.”

Idem

Ibidem

“Não parece arriscado

dizer que Carvalho da

Silva se preparou bem

de mais para agora

se realizar apenas

como investigador

académico ou

comentador e autor

de livros.”

João Marcelino

Diário de Notícias

O seguro

PM não precisa “nem de mais

tempo, nem de mais dinheiro”

Pedro Passos Coelho Jorge Silva Carvalho

a Passos Coelho é um primeiro-ministro

cheio de autoconfi ança. Num

momento em que na Europa e até no

mundo ocidental ninguém tem certezas

sobre o que vai ser o futuro e

sobre como vai ser superada a crise

económico-social, Passos Coelho assumiu

publicamente que está certo

de que vai cumprir todos os objectivos

que a agenda de austeridade da

troika lhe exige e que não irá precisar

de ajuda fi nanceira extra, nem de renogociar

os prazos de cumprimento

dos objectivos. Resta saber se Passos

Coelho tem excesso de autoconfi ança

ou se é dono de uma bola de cristal.

Quem os viu e quem os vê Barack Obama

2004

a Em Julho de 2004, no último

dia da Convenção do Partido

Democrata que escolheu John

Kerry para tentar impedir a

reeleição de George W. Bush, a

América tomou conhecimento

do “fenómeno Obama”. Coube

ao jovem e quase desconhecido

senador do Illinois o discurso

principal. Fora escolhido quase

por acaso. Haveria de render

a sala ao poder extraordinário

das suas palavras. Três anos e

meio mais tarde, numa tarde

cinzenta e gélida do Iowa,

iniciava uma inesperada

caminhada que o levaria à

Casa Branca, numa campanha

eleitoral que mobilizou o

mundo. Parafraseando Chris

Patten, “hoje já sabemos que

não caminha sobre as águas”.

O mundo em desordem que

herdou revelou-se muito mais

difícil de ordenar. A economia

americana mostra-se resistente

a todos os estímulos. A política

de Washington, que prometeu

regenerar, transformou-se numa

arena em que vale quase tudo.

O Presidente que desencadeou

todas as esperanças enfrenta

hoje todas as desilusões. No dia

24 de Janeiro, à noite, perante

um Congresso mais dividido do

que nunca, Obama iniciou nove

meses de campanha eleitoral

com um discurso sobre o estado

da União cujo primeiro objectivo

foi separar as águas. Elegeu

O precavido

O isolamento como arma

de defesa

a No fi nal da semana passada, o exespião

saiu da maçonaria e da polémica

loja Mozart. Dias depois, demitiu-se

de todos os cargos que ocupava

na Ongoing, grupo liderado por Nuno

Vasconcelos. Silva Carvalho, ex-director

do serviço de informações estratégicas

de Defesa, é acusado de ter

usado informações recolhidas pelos

serviços secretos para benefício da

Ongoing. Silva Carvalho está no centro

de todas as investigações e todas

estas passam pelo Departamento de

Investigação e Acção Penal. Antes que

as ondas de choque façam baixas, o

ex-espião afasta-se.

o combate às desigualdades

económicas como o seu tema.

A mensagem: não há economia

forte sem uma classe média forte.

A partir de agora, os bail-out são

para as pessoas e não para os

banqueiros. “Podemos optar por

um país em que um número cada

vez mais pequeno de pessoas

estão muito bem, enquanto um

número crescente de americanos

mal consegue chegar ao fi m do

mês; ou podemos restaurar uma

economia em que cada um tem a

sua oportunidade, faz a sua parte

e em que todos vivem segundo

as mesmas regras”. O guião para

uma campanha que será difícil

mas que está longe de estar

perdida. Teresa de Sousa

FRANK POLICH/REUTERS


O corajoso

Explicação do nome anterior

com duas linhas

Editorial

O país em saldos

Se o túnel europeu é longo e sinuoso,

o túnel português está às escuras. O

optimismo do primeiro-ministro, que esta

semana insistiu não precisar “nem de mais

tempo nem de mais dinheiro” para tirar o

país da crise, esbarra diariamente na realidade.

Do Nobel da Paz Muhammad Yunus em Davos,

Mario Monti em Itália, Barack Obama nos EUA

ou o círculo de proeminentes cavaquistas em

Portugal, aumenta a passos rápidos o clube dos

que defendem que a austeridade, sozinha, não

é a solução para a crise; que o mundo não pode

continuar obcecado com o défi ce, a cortar e a

aplicar severos programas de austeridade; que

este caminho vai levar a uma desestruturação da

economia e a uma espiral económica negativa de

efeitos imprevisíveis; que temos que começar a

pensar a sério no crescimento, no investimento e na

criação de emprego. Finalmente, este é o tema da

próxima cimeira europeia, amanhã em Bruxelas.

Mas de Melgaço a Silves, o túnel está escuro.

Pessoas perdem o emprego, os que têm trabalho

aceitaram ou vão aceitar receber menos dinheiro

pelo mesmo trabalho — ou por mais trabalho —, as

empresas fecham, e as que não fecham fornecem

os seus produtos e serviços por menos. Portugal

está a poupar, mas não para criar uma base sólida

de estabilidade e segurança. Está a poupar para

fi car mais pobre. Os cortes atravessam tudo e todos,

das empresas públicas, que têm de cortar em 15%

os custos de pessoal e fornecimentos externos, às

privadas, que seguem agora o mesmo caminho.

Como é que a economia vai crescer assim? Onde

nos levará este empobrecimento?

A crise tem alguns resultados positivos. Há novas

ideias. Mario Monti, por exemplo, propôs em Itália

uma maior fl exibilização na lei laboral, mas não

isolada. Ao mesmo tempo, quer aumentar o valor

do trabalho dos assalariados precários. Muitos

portugueses estão a sair do país, resolvendo três

problemas num só gesto (o seu, o de Portugal e o

do país que os recebe). Um outro resultado positivo

é que há hoje, como nunca, uma vigilância das

contas públicas e uma atenção ao desperdício.

Basta pensar nas novas ideias sobre aproveitamento

das sobras dos restaurantes ou ver o blog Má

Público Domingo 29 Janeiro 2012 3

Mario Monti Carvalho da Silva Vasco Graça Moura

a O primeiro-ministro italiano Mario

Monti está a sacudir a Itália. Não deu

prioridade às privatizações e, em vez

disso, iniciou esta semana um ataque

às “corporações” e aos privilégios.

Taxistas, advogados, notários, farmacêuticos

e outras profi ssões já anunciaram

protestos e greves. Fala em

mais fl exibilidade e maior equidade,

e tem ideias concretas — e originais —

para levar à prática esse apelo. Não

quer que alguns trabalhadores sejam

“excessivamente protegidos” à custa

dos que são “privados de protecção”.

Como? Em Itália, o trabalho precário

passará a ser mais caro.

O desejado

Fecha 25 anos à frente da CGTP

e sai pela porta grande

a Líder da CGTP durante 25 anos,

Carvalho da Silva tem hoje uma imagem

e uma credibilidade pública muito

diferente da que tinha quando começou

a ser coordenador da central,

em 1986, ou quando, em 1999, passou

a usar o título de “secretário-geral”.

Sai pela porta grande. Com um prestígio

que o coloca como uma fi gura

de referência à esquerda, mas não só.

É olhado como um homem que ainda

pode vir a desempenhar funções

públicas e ter iniciativa cívica e política

com destaque, sobretudo num

momento em que a perspectiva da

tensão social está na ordem do dia.

O entalado

O poeta começa uma nova vida

no CCB de mãos na cabeça

a Graça Moura é senhor de uma cultura

considerável e um dos poucos

intelectuais de prestígio que aceita

fazer política em Portugal, tem gerido

a sua carreira pessoal e política sem

ceder à tentação mediática e sem se

deixar envolver nos jogos de bastidores

do poder. É por isso que Graça

Moura não merecia ser exposto da

forma como foi na trapalhada que o

Governo criou para substituir Mega

Ferreira à frente do Centro Cultural

de Belém. É que convidar Mega e depois

desconvidar, para então chamar

Graça Moura, dá a este uma imerecida

imagem de comissário político.

A pergunta de Alberto Costa para Pedro Passos Coelho

Como se explica a incoerência territorial

demonstrada nas mudanças anunciadas pelos

ministros da Administração Interna (fim dos

governos civis) e da Justiça (criação de tribunais

distritais)?

Respondendo ao desafio do PÚBLICO, Alberto Costa, ex-ministro da Administração Interna e da Justiça de governos PS, questiona o primeiro-ministro

As empresas do PSI-20 investiram no ano passado menos 23% do que em 2010. Sem investimento, não há crescimento

Despesa Pública, no qual, e correndo o risco de

algum populismo, são denunciados gastos como

a construção de três ligações numa auto-estrada

separadas por dez quilómetros.

Mas mais do que a desvalorização real do país, o

que angustia são os sinais de que o túnel, em vez

de ter no fi m uma luz, ainda que ténue, tem um

muro. Até Setembro, os investimentos das maiores

empresas portuguesas cotadas em bolsa recuaram

23%. Metade investiu 1700 milhões de euros menos

do que em 2010.

Isto signifi ca que a inovação passará a ser um luxo

asiático, que as ideias novas fi cam por testar e que

as ideias boas já aprovadas são transformadas…

para pior. Os exemplos sucedem-se. A renovação

das escolas públicas vai ter um corte de 65 milhões;

a Reboleira não vai afi nal ter uma estação de metro;

no centro histórico de Lisboa vai afi nal nascer

um silo para automóveis em altura, porque a

construção em subsolo é cara.

Estamos num ciclo vicioso. O país está em saldos

e a época da nova colecção foi adiada. Não sabemos

por quantos anos.


4 Público Domingo 29 Janeiro 2012

O país mais pobre

De corte em corte,

à procura da

competitividade,

mas em risco de cair

numa espiral

Em todo o país, Estado, bancos, empresas e famílias

olham para o orçamento e reajustam a despesa. O

efeito é o de uma bola de neve de cortes, poupanças e

desemprego. Será que o país vai sair assim da crise?

Por Sérgio Aníbal (texto) e Rui Gaudêncio (fotografi as)

Nos meios académicos chamamlhe

vários nomes que poucos reconhecem:

é a desvalorização real, a

desalavancagem ou o ajustamento

competitivo. Mas, com esses ou outros

nomes, o que é certo é que a

generalidade dos portugueses já

está a sentir na pele, de forma muito

clara, os efeitos da nova e triste

realidade da economia portuguesa

para os próximos anos. Todos poupam,

todos cortam custos e, como

consequência, todos perdem negócios

e todos vêem reduzidos os seus

rendimentos. É um efeito dominó

sem um fi m óbvio à vista, que alguns

consideram ser a única forma de o

país sair da sua crise de sobreendividamento

e reconquistar competitividade

externa, e que outros vêem

como o caminho para uma espiral

económica negativa com efeitos políticos

e sociais imprevisíveis.

Tudo começou, é claro, com o

endividamento do Estado, das empresas

e das famílias. Depois de terem

estado durante uma década a

emprestar grandes quantidades de

dinheiro a juros baixos, os mercados

externos descobriram, depois

da crise fi nanceira internacional e

das revisões sucessivas dos défi ces

gregos, que afi nal pode existir um

risco grande nos empréstimos feitos

a Portugal.

A torneira do crédito externo fechou

abruptamente para o Estado,

para os bancos e para as grandes empresas

nacionais. O Estado teve de

recorrer aos parceiros da zona euro

e ao FMI, que garantiram três anos

de fi nanciamento a troco de uma redução

do défi ce próxima de 15 mil

milhões de euros no mesmo espaço

de tempo. Os bancos encontraram

salvação no BCE, mas tiveram de

limitar a concessão de crédito aos

seus clientes (empresas e famílias)

e apostar antes em receber depósitos.

A partir daqui começa a formarse

a bola de neve que conduz a uma

contracção da economia que se prevê

constitua um recorde das últimas

décadas em Portugal.

Estado dá o mote

A nova pressa de poupar e de cortar

do Estado (cuja despesa representa

quase metade do PIB português) tem

um impacto quase generalizado no

país. O consumo público diminuiu

3,2% em 2011 e deverá cair, de acordo

com a Comissão Europeia, 6,2% em

2012. Para se ter uma ideia da dimensão

deste corte, nas últimas quatro

décadas em Portugal apenas mais um

ano em que o consumo público diminuiu,

em 2006, e foi apenas 0,7%.

Cada vez que o Estado poupa,

alguém sofre uma baixa no rendimento.

As empresas fornecedoras,

as construtoras mais dependentes

das obras públicas e os benefi ciários

dos apoios sociais vêem o seu rendimento

baixar imediatamente.

Depois há os salários. O Estado

cortou em 2011 os salários dos funcionários

públicos em 5%. Este ano,

o corte será maior, através da suspensão

dos subsídios de férias e Natal.

Estes cortes, além de levarem as empresas

privadas a fazerem o mesmo,

retiram do bolso de uma quantidade

signifi cativa da população (há mais

de 700 mil funcionários públicos)

uma parte do seu rendimento.

Dentro do universo Estado, há

ainda que levar em conta os cortes

forçados nos orçamentos das

empresas públicas. No ano passado

e neste, a redução da des-


pesa tem de ascender aos 15%.

Com este encolhimento do Estado,

surgem uma série de efeitos secundários.

As empresas que têm o Estado

como cliente têm, para equilibrar as

contas, de fazer as suas próprias poupanças

e, em muitos casos, despedem

parte do pessoal. Este aumento

do desemprego (para além de criar

uma despesa) retira rendimentos às

famílias afectadas.

Consumo cai a pique

Ao mesmo tempo, os funcionários

públicos que vêem o salário diminuir

e os benefi ciários da segurança

social que perdem rendimento

adaptam os seus orçamentos à nova

realidade.

O resultado óbvio é uma queda

5,9% Corte

previsto

no consumo

privado durante

o próximo ano,

o pior resultado

de que há registo

em Portugal

acentuada do consumo privado.

Em 2011, já diminui 4,2%, o pior resultado

de que há registo. Mas em

2012, será ainda pior: 5,9% de acordo

com a Comissão Europeia. Em

1983, da última vez que o FMI esteve

em Portugal, a queda tinha sido de

“apenas” 0,3%.

A bola de neve não pára aqui, naturalmente.

Esta quebra do consumo

faz com que muitas lojas, indústrias,

fornecedores de serviços e o próprio

Estado sintam uma perda abrupta

das suas receitas. O resultado é, no

sector privado, mais cortes no investimento,

mais trabalhadores colocados

no desemprego e mais empresas

a declararem falência. Tudo fenóme-

nos que tendem a autoalimentar-se e

a tornar a tarefa inicial do Estado de

cortar o défi ce mais difícil e, quem

sabe, a exigir ainda mais medidas de

austeridade.

Qual é o fi nal da história?

Quem defende esta estratégia económica

de ajustamento abrupto das

contas públicas e do endividamento

externo do país — um grupo onde se

incluem para além da troika, o Governo

e o Banco de Portugal — considera-a

inevitável, uma vez que os

credores internacionais perderam

a confi ança no país e, sendo assim,

torna-se impossível continuar a pedir

dinheiro emprestado. E vêem um

fi nal feliz para esta história difícil.

Com as empresas a reduzirem os

seus custos, Portugal vai conseguir

substituir o antigo crescimento baseado

no consumo por um crescimento

mais saudável baseado num

excedente comercial, que reduza o

nosso crecimento.

Quem não acredita num fi nal feliz

apresenta a Grécia e a Argentina como

exemplos e afi rma que estes processos

de reduções de custos consecutivas

não são controláveis e podem

colocar a economia numa espiral

defl acionista muito perigosa. Além

disso, assinalam que a aposta nas exportações

só pode funcionar se no

exterior estiver alguém que não está

a poupar. Algo que agora não acontece,

por exemplo, em Espanha ou

na Alemanha, os principais destinos

das exportações nacionais.

A resposta a estas visões tão diferentes

do rumo que a economia portuguesa

está a tomar deverá surgir

nos próximos dois anos e dela depende,

em larga medida, a manutenção

do país no projecto do euro.

Público Domingo 29 Janeiro 2012 5

Plano de contenção iniciou-se em Setembro

Alterações nas obras da Parque Escolar

permitem poupor 64,5 milhões de euros

a O Ministério da Educação espera

poupar 64,5 milhões de euros com

a reavaliação dos projectos aprovados

para as 69 escolas que a empresa

pública Parque Escolar ainda tem

em obras.

Em resposta a questões do PÚBLI-

CO, o gabinete de imprensa do ministério

precisou que a redução de

custos resulta de mudanças já identifi

cadas, que passam por alteração de

materiais e equipamentos e pela reavaliação

dos programas funcionais

das escolas, designadamente no que

respeita às projecções do número e

tipo de turmas e os seus impactos

nos espaços necessários.

Segundo o Ministério da Educação

e Ciência, a reavaliação dos programas

funcionais incidirá, em particular,

nos projectos respeitantes às

turmas dos cursos profi ssionais, uma

vez que são aquelas “em que o número

de alunos é mais variável”. Em

2010, os alunos no início do ensino

secundário que estavam inscritos

nestes cursos representavam cerca

de 49% do total.

A Parque Escolar (PE) foi criada

em 2007 para gerir as obras de transformação

das escolas públicas com

ensino secundário. Das 205 escolas

que faziam parte do programa inicial

(a empresa pretendia chegar a

370), 103 têm as obras concluídas,

o que representou um investimento

de 1,3 mil milhões de euros, dos

quais cerca de 70% proveniente de

empréstimos. As intervenções por

escola têm custado, em médio, 15

milhões de euros.

Em Setembro, o ministro da Educação,

Nuno Crato, pediu à Inspecção-Geral

de Finanças uma auditoria

à empresa, que está em curso.

Também está a ser auditada pelo Tribunal

de Contas. Crato suspendeu

ainda os projectos de intervenção

em 125 escolas, que representavam

mais 1,3 milhões de euros de investimento.

Para as 69 que continuam em

obra, Crato intimou a PE a reduzir

os custos das intervenções.

As mudanças

incluem

alterações

de materiais

e equipamentos

e a reavaliação

dos espaços

projectados

A assessora de imprensa da empresa

indicou que o plano de contenção

começou a ser avaliado em

Setembro, num processo que envolveu

as direcções das escolas, as direcções

regionais de educação e os

projectistas. No portal dos contratos

públicos entregues por ajuste directo

só existem, por enquanto, dois

referentes a alterações aos projectos

de arquitectura. Entre as mudanças

propostas pelas direcções das escolas

fi guram, por exemplo, a substituição

de produtos estrangeiros por

nacionais, nomeadamente no que

respeita ao material eléctrico. Nalguns

casos, isto signifi ca passar de

400 para 40 euros por peça.

Também se está a optar mais pelo

betão em detrimento das grandes

superfícies de vidro estanques que

são uma das marcas das intervenções

da PE.

Nas escolas em que as obras já estão

concluídas, o consumo energético

mais do que triplicou devido à

omnipresença do ar condicionado.

Recentemente, Nuno Crato alertou,

no Parlamento, que se deixada

“em roda-viva, a dívida da Parque

Escolar seria de 3 mil milhões em

2015”. Já ultrapassou os mil milhões.

Desde Setembro, já com o actual plano

de contenção em vigor, a empresa

gastou mais de 4 milhões de euros

em contratos celebrados por ajuste

directo. Clara Viana


6 Público Domingo 29 Janeiro 2012

O país mais pobre

Tendência para reduzir custos salariais

no sector privado acentua-se em 2012

A partir do momento em que o Governo cortou os salários da função pública, as empresas

privadas começaram a tentar replicar o modelo. Em algumas já houve acordo

Raquel Martins

a Empresas de consultoria, arquitectura,

engenharia, media, restauração,

hotelaria e cultura. Muitos trabalhadores

estão a ser confrontados com propostas

de redução de salários, cortes

na isenção de horário e outras regalias.

Esta é uma tendência que se tem

afi rmado no sector privado, a partir do

momento em que o Governo decidiu

cortar os salários no sector público,

mas que é difícil de quantifi car.

Nas situações relatadas ao PÚBLICO

por advogados da área laboral, os cortes

salariais são apresentados como a

alternativa ao desemprego, ao lay off

ou ao encerramento da empresa. Em

muitos casos, os trabalhadores acabam

por aceitar.

Foi o que aconteceu com João (nome

fi ctício), engenheiro numa pequena

empresa que viu mais de metade dos

colegas sair ao longo dos últimos dois

anos, devido às quebras na actividade.

No último trimestre do ano passado, e

perante as difi culdades perspectivadas

para 2012, a empresa propôs um corte

salarial de 15% aos que fi caram. O

acordo foi assinado pela maioria, com

o compromisso de a empresa rever a

situação ao fi m de seis meses.

Nos escritórios de advogados desde

fi nais do ano passado que se sucedem

os pedidos de informações por parte

de empresas e trabalhadores. As primeiras

querem saber como reduzir

os custos salariais. Os segundos como

reagir às propostas de cortes.

António Garcia Pereira dá conta de

pelo menos oito pedidos de informação

recebidos este mês. São sobretudo

casos de empresas “do sector terciário

onde a taxa de sindicalização é muito

baixa e onde muitos trabalhadores estão

com contratos a termo”.

Sem concretizar, o advogado fala

em empresas prestadoras de serviços,

como auditoria e consultoria, e órgãos

de comunicação social de pequena dimensão.

E aponta como principal causa

para estas propostas o corte salarial

feito no ano passado aos funcionários

públicos “que o Tribunal Constitucional

validou”. “Generaliza-se a ideia de

que vale tudo”, alerta.

Mas, destaca o advogado, nem tudo

é permitido. Antes de mais, a empresa

não pode decidir unilateralmente e

é preciso demonstrar que a isenção

de horário de trabalho decorre da

actividade da empresa e “não é uma

forma de compor o salário”. E mesmo

assim Garcia Pereira entende que

“não há hipóteses de o empregador

alterar essa situação sem o acordo do

trabalhador”.

Também o advogado Fausto Leite

tem recebido pedidos de trabalhadores

para avaliar propostas das empresas.

Os ateliers de arquitectura, a restauração,

o imobiliário e o sector das

artes são alguns dos casos que tem em

mãos. A pressão para os trabalhadores

aceitarem, diz, “é muito mais fácil nas

micro-empresas”. “A situação é quase

sempre a mesma: ou há redução dos

custos salariais ou a empresa ameaça

avançar para o lay off ou despedimentos”.

Embora rejeite à partida medidas

que levem à redução dos salários,

Fausto Leite admite que em alguns

casos é a única alternativa: “A redução

unilateral é ilegal. Mas não me repugna

se for demonstrado que é a única

via para evitar o encerramento.”

Filipe Fraústo da Silva, advogado

da Uría Menéndez-Proença de Carvalho,

os pedidos de informação de

empresas chegaram depois de se confi

rmarem os cortes salariais no sector

público. “Muitas empresas abordamnos

para saber se é possível fazer algo

semelhante no privado”, relata. E há

também quem queira saber como reti-

rar isenção de horário de trabalho ou

pergunte se é possível despedir para

depois readmitir o mesmo trabalhador

por um salário mais baixo, uma

situação ilegal.

No caso da isenção, Fraústo da Silva

lembra queque ter em conta

os contratos colectivos do sector e o

contrato do trabalhador em causa. “A

maior parte dos acordos de isenção

de horário são omissos quanto às circunstâncias

em que a empresa pode

retirar a isenção.” E nesse caso, o advogado

entende que a empresa deve

poder retirá-la, embora os tribunais

do trabalho entendam que a decisão

não pode ser unilateral. Uma vez que

o Código do Trabalho prevê a irredutibilidade

do salário, “as empresas de

maior dimensão preferem não arriscar”,

diz.

Nos escritórios

de advogados

sucedem-se

os pedidos

de informação

Os sindicatos não negam as pressões

para os trabalhadores do privado

aceitarem reduzir salários, mas

garantem que a maioria não se concretizou.

Ou porque as negociações

estão a decorrer ou porque fi caram

pelo caminho devido à intervenção

do próprio sindicato.

José Manuel Oliveira, coordenador

da FECTRANS, diz que no sector privado

as reduções de custos têm sido

feitas sobretudo à custa do corte nas

ajudas de custo. O mesmo diz Sérgio

Monte, do SITRA, que aponta para os

cortes que se avizinham no pagamento

do trabalho suplementar, que nos

transportes privados de passageiros

representa 30 a 40% da remuneração

que o motorista leva para casa. No sector

têxtil ou do calçado, a pressão é

sobretudo para aceitar fl exibilidades

de horários, enquanto na indústria

química, farmacêutica e no sector da

propaganda médica, as empresas têm

optado por reduções de pessoal, como

precisaram ao PÚBLICO dirigentes

sindicais.

Na área da comunicação social, pelo

menos dois jornais, o PÚBLICO e o i

optaram por reduzir custos salariais,

mas segundo Garcia Pereira há outros

na calha.


Os números de um país a poupar e a renegociar tudo

Estado e empresas limitam salários...

Salários reais - Variação anual (%)

-1,2

0,6 0,5

5,9

e equilibram contas…

Variação anual (%)

Áreas já identificadas para uma poupança total prevista

de 1500 milhões de euros

Hospitais EPE, do sector público

administrativo e unidades de saúde

cortam mais nos custos com pessoal

0

-3,3 -5

CGD

Fontes: Comissão Europeia; ACSS-Administração Central do Sistema de Saúde; Empresas; PÚBLICO

4

0

-4

-8

-12

-159,4

Investimento

Águas Portugal

-122,8

Consumo final do Estado

-6,2

-9,4

CTT

-117,1

…o resultado é uma queda do consumo

e da economia…

Variação anual (%)

CP

-63,9

RTP

-44,2

Consumo privado

Metro Lisboa

-40,5

Público Domingo 29 Janeiro 2012 7

…mas o défice externo é reduzido

Défice externo - em % do PIB

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

Empresas

Metade do PSI 20 cortou custos e perdeu-se 1,7 mil milhões de investimento

Variação:

Custos (%)

Investimento (%)

Corte de 623 milhões nas

despesas de dez empresas

do Estado

Redução de 15% nos custos

(em milhões de euros)

64,5

milhões de

euros

Zon Sonae

com

PT* Altri Cimpor Semapa Portucel Brisa Mota-

-Engil

Cortes dos subsídios

de Natal e de férias

na educação

644

milhões de euros

3

0

-3

-6

J.

Martins

-35,5 -24,5 -6 -39 n.d. n.d. -49,7 n.d. -23,4 -22,1 -31 -54 11,8 n.d. n.d. n.d. -6,5 n.d. n.d. -15,5

PIB

-5,9

-3

10,8

EDP EDP R REN BES** BCP BPI*** Galp Sonae

Ind.

REFER

-33,7

10,2

12,6

ANA

-17,2

10,8

9,7

7,6

Estradas

Portugal

Metro Porto

-16,7

-7,5

5

Banif Sonae

-4,9 -8,7 -10,8 13,3 4 11 15,6 6,2 4,7 10,9 -2,7 17 -3,3 -4,8 -5,4 -2,5 19 4,4 -2,7 -0,4

*Excluíndo impacto da consolidação da Oi e da Contax; **Excluindo impacto da consolidação das novas unidades internacionais e custos decorrentes da integração dos colaboradores na Segurança Social ; ***Excluíndo custos com reformas antecipadas

Educação

Reanálise de projectos

de obras e alteração de

materiais em 69 escolas

da Parque Escolar ainda

em obra

Saúde

Novembro de 2011

Valor em milhões de euros var. homóloga

Custos operacionais 3943

Material Consumo

Clínico 275

Produtos

Farmacêuticos 860

Fornecimentos e

Serviços Externos (FSE) 662

Custos ajustados

com Pessoal 2101

dos quais:

Custos com horas

extraordinárias e

suplementos, 279

dos quais:

- Médicas 169

- Enfermagem 71

- outro Pessoal 38

-4,4%

-2,11%

0,89%

-6,3%

-6,56%

-11,87%

-13,44%

-9,44%

-9,13%

milhões

de euros

Encargos do SNS

Comparticipações

1328

milhões

de euros

Jan.-Dez. 2011

Consumo

nos hospitais

Jan.-

Nov.

2011

937

milhões

de euros

Variação

homóloga

2,4%

Variação

homóloga

-19%

Despesa do Estado com

medicamentos sobe

nos hospitais

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8 Público Domingo 29 Janeiro 2012

O país mais pobre

Grandes

empresas

investiram

menos 1700

milhões em 2011

Além da pressão para reduzir custos,

com consequências directas para os

fornecedores, as empresas públicas

e privadas colocaram um travão

sério ao crescimento a longo prazo

Raquel Almeida Correia

a Há uma contenção de custos generalizada

nas empresas públicas e

privadas. Um esforço para reagir com

poupança aos males da crise, que afecta

fornecedores, trabalhadores e até

o desenvolvimento das regiões onde

estão instaladas. Mas mais do que estes

cortes imediatos, há um bloqueio

em relação ao futuro.

Até Setembro, os investimentos das

maiores empresas cotadas portuguesas

recuaram quase 23%. Nas empresas

do Estado, crescer deixou de ser

uma hipótese.

Os resultados mais recentes das

20 empresas que compõem o índice

PSI 20, relativos aos primeiros nove

meses de 2011, mostram que metade

cortou no investimento, o que resultou

numa perda de 1700 milhões de

euros. Este recuo segue a tendência já

verifi cada desde o início do ano, mas

que se intensifi cou no terceiro trimestre.

Entre Janeiro e Junho, tinha-se

registado uma queda de 900 milhões

de euros, que agora se agravou.

Olhando para o sector privado, nos

mais variados sectores de actividade,

os tempos têm sido de emagrecer,

de pôr ideias na prateleira e não

de investir. Um dos casos que mais

poeira levantou foi o da Nissan, que

anunciou em Dezembro a suspensão

da unidade industrial que tinha planeado

construir em Cacia, Aveiro. O

projecto foi anunciado em 2009, com

um investimento associado de 250

milhões de euros.

Estes recuos não podem ser dissociados

da instabilidade que o país e o

mundo atravessam, provocando, no

caso da indústria automóvel, quebras

fortes no consumo que obrigam as

empresas a repensar os planos.

O mesmo se passa no sector público,

onde, além do mercado, as

empresas têm sobre si outro peso: a

obrigação de respeitar as directrizes

do accionista Estado — sob pressão de

um programa de ajustamento económico

que têm de cumprir.

Ordem para recuar

No sector empresarial do Estado

(SEE) as indicações são claras: só

há novos projectos para quem os

conseguir pagar. O Governo impôs

tectos máximos de endividamento

às empresas públicas, impedindo-as

de aumentarem o passivo fi nanceiro

e, com isso, de desequilibrarem as

contas do Estado. Mas, mesmo assim,

as previsões apontam para derrapagens.

E, por isso, o futuro está hoje a

ser gerido em marcha-atrás.

Ainda esta semana soube-se que foi

suspensa a construção da estação de

metro da Reboleira (Amadora), que

iria funcionar como um interface da

CP e da Metro de Lisboa com capaci-

O Ministério da Saúde ainda não

sabe quando vai poder começar

a pagar as dívidas em atraso

aos seus fornecedores. A ideia

era começar a utilizar a verba

de 1500 milhões de euros, que

resultou da integração no Estado

do Fundo de Pensões da Banca,

em Fevereiro, mas o atraso na

aprovação e entrada em vigor da

nova Lei dos Compromissos está

a impedir a disponibilização do

dinheiro. O assessor de imprensa

do ministro da Saúde, Miguel

Vieira, confirmou ao PÚBLICO

que ainda “não há previsão para

começar a pagar” uma vez que a

troika exige “um compromisso do

Governo para criar um conjunto

dade para servir milhares de pessoas.

A obra foi anunciada em 2008, ainda

com Ana Paula Vitorino na Secretaria

de Estado dos Transportes e tinha

um custo inicialmente previsto de

58 milhões de euros, que derrapou.

Contava-se que fi casse concluída no

segundo semestre deste ano.

Na área dos transportes públicos,

não faltam freios. Até porque todo o

sector está em profunda reestruturação,

que culminará, dew acordo com

os planos do Governo, em fusões de

empresas em Lisboa e no Porto, na suspensão

de linhas e serviços e em milhares

de rescisões com trabalhadores.

Este travão não é, porém, um exclusivo

das empresas de transportes. Outras

companhias do Estado estão a inverter

a marcha: os CTT, por exemplo, avançaram

em 2011 com o encerramento de

cerca de 100 estações de correios.

Tanto no sector público, como no

privado, teme-se que estes recuos co-

Na Saúde, há áreas em que se poupa mas o problem

de procedimentos de forma a

evitar nova dívida”.

“Além do compromisso de

que os hospitais só podem

encomendar produtos aos

fornecedores com dinheiro em

caixa, o ministério está a preparar

vários procedimentos” para evitar

a contracção de nova dívida,

acrescentou.

O ministro das Finanças admite

riscos na execução orçamental do

Ministério da Saúde, que mostra

estar a poupar nos custos com

pessoal e comparticipações dos

medicamentos, mas não consegue

travar o aumento do valor das

dívidas aos fornecedores do

Serviço Nacional de Saúde


loquem em risco o crescimento a longo

prazo. Manuel Reis Campos, presidente

da Associação dos Industriais

da Construção Civil e Obras Públicas,

diz que há “um empobrecimento que

não traz nada de bom à economia”.

A ausência de novas obras, que tem

levado o sector à fragilidade, signifi -

ca também que “há uma degradação

mais geral, que impede a criação de

postos de trabalho, ganhos para fornecedores

e até o desenvolvimento

do território”.

Tesouradas de curto prazo

Mas os efeitos desta tendência também

se sentem no curto prazo, com

a vaga de redução de custos que as

empresas parecem ter assumido como

regra número um do manual para

sobreviver à crise. No PSI 20, metade

das empresas cortaram nas despesas,

de acordo com os resultados até Setembro

de 2011. Além dos gastos com

a é pagar o que deve

(SNS), nomeadamente na área do

medicamento hospitalar.

De acordo com os números

mais recentes disponibilizados

ao PÚBLICO pelas associações

dos dois principais fornecedores

do sector, a dívida aos

laboratórios farmacêuticos

e empresas de dispositivos

médicos ultrapassou os dois mil

milhões de euros no final de 2011.

Ou seja, mesmo que o ministério

pagasse agora a totalidade da

verba que vai ser libertada pelas

Finanças, ainda ficaria a dever

500 milhões só a estes dois

grupos de empresas.

Dados provisórios da

Associação Portuguesa da

pessoal, aplicam tesouradas em serviços

básicos, seja electricidade, papel

ou transportes.

Também têm feito pressão sobre

fornecedores de ideias, cortando tudo

o que vêem como menos indispensável.

Neste fi ltro, uma das primeiras

vítimas é o marketing. “Para conseguirem

melhorar os seus resultados,

[as empresas] hipotecam o futuro”,

admite Sofi a Barros, secretária-geral

da Associação Portuguesa de Empresas

de Publicidade. “Fornecedores e

clientes estão no mesmo barco e deveriam,

em conjunto, atacar a ‘doença’”,

conclui.

No sector público, nem sequer há

escolha. As empresas têm de cortar

em 15% os custos de pessoal e fornecimentos

externos. Tendo em conta

os gastos de 10 das maiores empresas

do SEE, como a Refer ou a CGD, esta

regra deverá ter signifi cado uma perda

de 623 milhões de euros em 2011.

Indústria farmacêutica indicam

que, no final de Dezembro, a

dívida global atingiu o novo

recorde histórico de 1270 milhões

de euros, dos quais mil milhões a

mais de 90 dias, o que representa

um agravamento de 29% e 42%,

respectivamente, face a Janeiro.

O prazo médio de pagamento

disparou 104 dias para 476.

De acordo com a Associação

Portuguesa das Empresas de

Dispositivos Médicos (Apormed),

o valor da dívida cresceu 206

milhões ao longo do ano passado

e fechou o ano nos 778 milhões

de euros. O prazo médio de

pagamento agravou-se em 12 dias

para 455. João d’Espiney

Público Domingo 29 Janeiro 2012 9


10 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Reportagem

Este país

gasta muito

dinheiro

mal gasto

São dois Ruis e uma Bárbara, todos

na casa dos 30 anos e a viver em

Lisboa. Recusam a lógica do não

se meter e dizer mal “deles” nas

conversas de café. Criaram um

blogue para denunciar os gastos

despropositados da administração

pública. Estão cheios de trabalho.

Luís Francisco (texto)

e Rita Chantre (fotografi a)

a Estes três juntos podiam

constituir um daqueles painéis

de comentadores políticos

em que as nossas televisões e

a blogosfera são férteis. Dois

homens e uma mulher, três áreas

diferentes de especialização, mas

complementares para analisar

a temática que se propuseram

abordar. Segundo as suas próprias

palavras, cada um votou num

partido diferente nas últimas

eleições. Mas Bárbara Rosa, Rui

Abreu e Rui Oliveira Marques

não são um painel. Aliás, eles

abominam tal coisa. O que eles

fazem não é opinar. Eles investigam

e denunciam. Há nove meses,

criaram um blogue para expor

casos de gastos desnecessários ou

escandalosos na administração

pública.

Chamaram-lhe Má Despesa

Pública. Porque “tinha de ser”: “O

nome é óbvio. Ainda pensámos

noutros, mais bonitos, mais

artísticos, apelativos. Mas este é

que é o nome certo!” Bárbara,

jurista, 32 anos; Rui Abreu, 34 anos,

arquitecto; Rui Marques, 32 anos,

jornalista. Ela é de Viseu, eles de

Lisboa (o primeiro) e de Braga (o

segundo). Todos vivem e trabalham

na capital, embora dois deles em

regime free-lance.

Decidiram aplicar o seu tempo

a praticar o “dever cívico” de

escrutinar as despesas dos

organismos públicos. Vasculham

o portal onde são publicados os

contratos por ajuste directo e

descobrem “pérolas” como os

1,25 milhões de euros pagos pela

Câmara Municipal de Oeiras por

uma escultura de Pedro Cabrita

Reis ou os cinco mil euros pagos

pelo presidente do Inatel, Vítor

Ramalho, para ser entrevistado

pela revista País Positivo, que por

acaso até é distribuída como encarte

publicitário pelo PÚBLICO.

Como é que surgiu esta ideia? Rui

Marques é o primeiro a explicar: “Já

nem nos lembrávamos… Estivemos

a falar nisso antes da entrevista.

Teve que ver com uma notícia sobre

a renovação da frota da Carris, há

menos de um ano. Percebemos

que faltava um projecto on-line

que congregasse tudo o que se vai

escrevendo na imprensa, mas que

fi ca esquecido logo dois dias depois.

E rapidamente descobrimos que

havia muitos exemplos que não

vinham na imprensa e que nós

podíamos dar a conhecer.”

Isso foi, portanto, há menos de

um ano… “O blogue foi criado a 1 de

Abril, o Dia das Mentiras. E muitas

das coisas que lá vêm parecem

mentira…”, especifi ca Bárbara. Rui

Abreu puxa a conversa para um tom

mais sério: “A ideia fundamental

é que isto, ao contrário do que

sempre se ouve nas conversas de

café, não é ‘nós’ e ‘eles’. ‘Eles’ são

quem gasta o nosso dinheiro!”

O “governante gastador”

Não será difícil aos menos

desatentos formar a convicção de

que os nossos titulares de cargos

Os prémios anuais do blogue Má Despesa Pública

Findo 2011, era altura de fazer

balanços. E, assim, o Má Despesa

Pública atribuiu os seus prémios e

explica as escolhas.

Personalidade do Ano Alberto

João Jardim Antes de ser

conhecido o buraco orçamental

da Madeira, o Má Despesa

escreveu à troika para denunciar o

despesismo do Governo Regional.

Jardim fica na história de 2011

pelas piores razões. Em 2012, cabe

aos madeirenses pagar a conta.

Autarquia do Ano Oeiras

As despesas vão de esculturas a

1,2 milhões de euros até livros com

discursos do presidente Isaltino

Morais pagos pelos contribuintes.

Instituto Público do Ano (exaequo)

Agência Nacional para

a Qualificação e Instituto de

Financiamento da Agricultura

e Pescas Aqui encontram-se

exemplos de como o dinheiro

público serve para pagar corridas,

banda desenhada e até palácios.

Prenda do Ano Relógios de ouro

As melhores prendas são as da

Câmara Municipal de Almada,

que oferece relógios de ouro aos

seus funcionários. O caso foi

denunciado pelo Má Despesa e

chegou à imprensa.

Compra do Ano Estádio do

Leixões e do Leça As autarquias

parecem ter sempre dinheiro

que sobra para ajudar os clubes

da terra. A compra da Câmara

de Matosinhos dos estádios do

Leixões e do Leça por 6,3 milhões

de euros é exemplar.

Momento de Propaganda do Ano

Presidente do Inatel pagou para

ser entrevistado

Não só foi confirmado pelo próprio

como garantiu que voltaria a fazêlo.

Depois de denunciado pelo Má

Despesa foi notícia nos jornais.

Denúncia de Má Despesa do

Ano Carta dos Trabalhadores do

Inatel Um documento chocante

com todos os pormenores sobre

os favorecimentos, indícios de

corrupção e má gestão no Inatel.

Passagem de Ano do Ano

Madeira Em pleno Verão, o Má

Despesa denunciou o luxo que

seriam as festas de passagem de

ano da Madeira. Escreveram até

à troika. Passado uns meses o

assunto chegou às televisões.

Festa do Ano Açores A Festa

Açores, realizada pelo Governo

Regional quando da Bolsa de

Turismo de Lisboa, custou quase

150 mil euros.

Luxo do Ano Cadeiras de Serpa

Serpa pagou 891,50 euros por cada

uma das 43 cadeiras dos Paços de

Concelho.

Boy do Ano André Wilson da

Luz Viola O motorista de 21 anos

que ganha 1600 euros.

Mistério do Ano O

financiamento do BPP à

Presidência da República

O caso foi apresentado aqui,

mereceu contactos do Má Despesa

para o Palácio de Belém, mas

ninguém nos respondeu. O

Museu da Presidência tem como

financiador o falido BPP.

Portugal no Seu Melhor (exaequo)

Aqui foi impossível

escolher apenas um. Escolhemos

o caso das três ligações em

auto-estrada separadas por dez

quilómetros e os dois museus

de arte contemporânea que

estão a ser construídos a poucos

quilómetros de distância em S.

Miguel.

Bom Exemplo do Ano Câmara

de Montalegre Montalegre é um

dos concelhos mais pobres e com

maior superfície do país. Mesmo

assim tem a dívida a zero e com

dinheiro em caixa para o ano

seguinte.


públicos têm demonstrado uma

notável capacidade para gastar o

dinheiro que não lhes pertence

de forma que muitas vezes roça a

completa irresponsabilidade. Mas

o que hoje se diz amanhã já foi

esquecido, na voragem incessante

da informação. E os portugueses

gostam muito de comentar, mas

envolver-se… dá trabalho. Fora dos

aparelhos partidários há um claro

défi ce de cidadania.

Foi assim que estes três jovens

urbanos olharam para a situação.

E não se resignaram. Decidiram

agir. “É o nosso dever cívico”, diz

Bárbara. “Participar na vida do

Estado é um dever. A cidadania não

é só ir votar de quatro em quatro

anos, ou de dois em dois!” Para eles,

tornou-se óbvio que era preciso

fazer mais. “O que é estranho é

não haver mais gente a fazer isto.

Os partidos, os media… gasta-se

muito tempo e espaço, e caracteres,

no bate-boca da Assembleia da

República, por exemplo, e faz-se

pouca investigação”, acusa Rui

Marques.

O outro Rui gosta de abordar

as coisas num tom mais global. É

ele quem avança a seguir com a

ideia de que, em Portugal, o que

temos é “o governante gastador,

em vez do governante gestor”. E

isso explica que “ninguém calcule

quanto vai custar a manutenção

da infra-estrutura que se mandou

construir, ou faça planos sobre a

sua futura utilização”. É como se a

inauguração fosse “o último acto e

não o primeiro”. Como eles andam

sempre com as mãos nesta massa,

Rui avança logo com um exemplo:

“A Parque Escolar, por exemplo. As

novas escolas têm ar condicionado,

mas os aparelhos estão desligados e

as salas de portas abertas. Porquê?

Porque o ar condicionado ligado faz

disparar as contas da electricidade

e as escolas não têm dinheiro para

sustentar essa despesa…”

O retrato do país que obtemos

no blogue fi ca, muitas vezes,

perigosamente perto do surreal. Por

estes dias, os três vigilantes do Má

Despesa Pública viraram-se para o

Banco de Portugal. E revelaram, por

exemplo, que o nosso banco central

decidiu gastar 245 mil euros em

serviços de consultoria fi nanceira

durante dois meses e há outros 190

mil destinados a consultoria em

matéria de gestão geral. “Algo de

errado se passa na capacidade da

equipa do banco”, concluem.

Denúncias que dão notícia

Esta ironia, garante Bárbara, é

muitas vezes a única maneira de

lidar com assuntos dolorosos,

quanto mais não seja para a nossa

carteira. “É rir para não chorar…”

Mas eles não querem opinar. Para

isso já há para aí muita gente.

“Damos a notícia. Divulgamos

informação que é pública, mas com

uma triagem. Tentamos ser o mais

crus possível, só dar atenção aos

factos. Acho mesmo que a parte

mais dura do trabalho é tentar

guardar para nós as nossas opiniões

sobre despesas que falam por si.”

Uma forma de encontrarem esse

equilíbrio é fi ltrarem o trabalho

em conjunto. “Toda a gente ‘pesca’

[vasculha os contratos], mas só

se publica depois de debatermos

e chegarmos a um consenso”,

explica Rui Abreu. Embora sem

entrar em detalhes, ele é o único

que assume já ter sido prejudicado

devido à forma como toma posições

públicas de denúncia. Mais do que

recusarem o medo de poderem vir a

pagar pela sua irreverência, o que os

caracteriza é mesmo a sensação de

que não pensam, sequer, nisso.

“O senhor de Santa Comba já

morreu há muito tempo”, ironiza

Bárbara. E, embora tenha deixado

“muita herança”, diz Rui Abreu,

nenhum deles concebe que, “em

democracia”, falar abertamente

sobre o que o poder anda a fazer

com o nosso dinheiro possa ser uma

actividade com riscos envolvidos.

Para mais, esta é a primeira vez que

dão a cara. Os textos do blogue não

são assinados, não porque algum

deles tivesse receio de assumir o

que escreve, mas porque a intenção

era não assumir protagonismo.

“Nunca foi essa a ideia”, assegura

Rui Marques.

Seja como for, a sua actividade

começou a dar nas vistas. O blogue

tem cerca de 130 mil visualizações

e há 1300 seguidores no Facebook.

Alguns deles serão jornalistas… “O

impacto do que escrevemos só pode

ser maior se houver notícias dos

casos que relatamos”, assumem. E

já houve. Algumas até sem citarem a

fonte, o que os deixa aborrecidos.

“Nós queremos

promover o debate.

E, curiosamente,

quanto mais

pequeno é o lugar

ou instituição que

denunciamos mais

facilmente obtemos

reacções”

Rui Abreu

Mas eles sabem que estão a ser

ouvidos. Quando denunciaram os

planos de construção de um parque

de estacionamento subterrâneo em

Baião, receberam esclarecimentos,

“de grande nível”, da autarquia e do

gabinete de arquitectos envolvido.

Uma leitora do blogue escreveu ao

presidente da Câmara de Cascais

sobre a intenção da autarquia de

gastar 120 mil euros em estudos

para aquilatar da opinião dos

munícipes sobre o desempenho dos

autarcas e foi-lhe comunicado que o

projecto fora cancelado…

O regabofe de 2009

Serão excepções. Tal como a

generalidade dos portugueses, os

poderes públicos não gostam de

ser questionados. Azar deles. “Nós

queremos promover o debate.

E, curiosamente, quanto mais

pequeno é o lugar ou instituição

que denunciamos mais facilmente

obtemos reacções”, explica Rui

Abreu. “Acreditamos que as pessoas

podem reagir e pressionar os

poderes”, completa Bárbara.

De fora do seu raio de acção

ainda fi ca muita coisa. As regalias

dos titulares de cargos e postos

de topo, por exemplo. “É muita

burocracia para obter respostas.

Não está à distância de um clique e

isso impede-nos de ir mais longe”,

explica Bárbara. Pior ainda é o

caso das fundações, que não estão

obrigadas por lei a publicar os seus

contratos.

Mas eles porfi am. E vão revelando

contas estranhas da Madeira

(dois meses depois descobriu-se

o buraco orçamental), a estranha

paixão dos organismos públicos

Público Domingo 29 Janeiro 2012 11

por agendas e calendários,

a dimensão das despesas da

Presidência da República, as

empresas pagas para prestarem

serviços que não aparecem feitos, as

extravagâncias de alguns autarcas,

as irresponsabilidades de outros, a

aparente inimputabilidade de quase

todos.

Fazem-no sem qualquer bandeira

que não “a cidadania”, ao contrário

de outros grupos — contra as

portagens, os recibos verdes, as

propinas —, que têm uma causa,

uma agenda própria. Numa altura

em que as pessoas se mostram

receptivas a denúncias, eles

admitem que os melhores casos de

gastos estapafúrdios podem estar

no passado (2009, ano de duas

eleições, foi fértil), uma vez que a

austeridade limita a capacidade de

gastar mal.

Mas eles encontram sempre

alguma coisa. E pegam, irritando

muita gente e incomodando ainda

mais. Rui Marques recorda uma: “O

presidente do Inatel chegou a dizer

que a nossa denúncia tinha por trás

interesses de privatização ao serviço

de determinado grupo económico…

Parece uma coisa de Hollywood:

procura-se uma grande conspiração

e afi nal são só três tipos que não

vêem novelas.”

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12 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Entrevista

Manuel Sobrinho Simões

“A sustentabilidade do

Serviço Nacional de Saúde

exige que racionemos”

Planifi car, separar o essencial do acessório e racionar. Três coisas que não

podemos evitar fazer no Serviço Nacional de Saúde para o conseguirmos

manter, diz o professor universitário e cientista Manuel Sobrinho Simões.

Ficam os avisos: Não vai haver dinheiro para tudo mas não se pode admitir

que a medicina privada viva de desnatar a medicina pública.

Alexandra Campos e Andrea Cunha Freitas (texto) Manuel Roberto (fotos)

a O médico apresenta soluções

para manter o Serviço Nacional

de Saúde (SNS) em tempo de

cortes “brutais” e dá exemplos de

racionamento, como limitar a dois

o número de ecografi as durante a

gravidez. O professor universitário

fala em fechar universidades e

cursos para melhorar o ensino.

O investigador pede um reforço

e classifi ca de “indecente” a

possibilidade de o Governo

aproveitar a crise para destruir o

tecido institucional público. E o

avô está assustado com o futuro

mais difícil que se adivinha. Todas

as vozes numa só pessoa: Manuel

Sobrinho Simões. Aos 64 anos,

o rosto do Instituto de Patologia

e Imunologia Molecular da

Universidade do Porto (Ipatimup)

está longe de pensar na reforma,

ao contrário de muitos colegas de

profi ssão.

Recentemente, num programa

de televisão, falou na

necessidade de racionar no

Serviço Nacional de Saúde. O

que queria dizer com isso?

Primeiro ponto: é difícil arranjar

alguém que seja mais a favor do SNS

do que eu. Farei tudo que estiver

ao meu alcance para que o SNS se

mantenha vivo e saudável. Segundo

ponto: O caso da saúde é uma

história de sucesso extraordinária.

Nos países em que foi mudado o

sistema no sentido da iniciativa

privada a saúde piorou e fi cou

mais cara. Os EUA têm um sistema

de saúde pior do que o nosso

em todos os indicadores e muito

mais caro. Portanto, não acho que

em nenhuma circunstância seja

defensável pensar em acabar com

SNS ou sequer fragilizá-lo. Agora,

o SNS não se aguenta como está e

aí aparecem palavras e os verbos é

que não são fáceis. O verbo racionar

é infelicíssimo porque está muito

ligado afectivamente à guerra.

Queria dizer racionar ou

racionalizar?

As duas coisas. Infelizmente vai

ser preciso racionar. Mas antes

disso há medidas a tomar que são

relativamente menos dolorosas,

como planifi car e separar o

essencial do acessório. Odeio

a palavra racionar, tem uma

componente afectiva que não pode

ser pior, mas a sustentabilidade do

SNS exige que nós planifi quemos,

separemos o essencial do acessório

e racionemos. Três coisas que não

podemos evitar.

Isso é tudo muito abstracto….

Dou-lhe um exemplo. Temos que

decidir se vamos investir mais

no diagnóstico pré-natal e na

Os cuidados

paliativos podem

ser resolvidos com

associações, com

amizade, com

ternura, não são

caros do ponto de

vista médico. (...)

Temos que

recuperar

rapidamente o

nosso capital nas

Misericórdias a sério

fertilização in vitro ou mais no

tratamento das pessoas idosas.

Os recursos são fi nitos, não há

dinheiro para tudo. Bater-me-ei até

ao fi m para ter um SNS sustentável,

para isso precisamos de poupar,

depois discutimos o racionamento,

que tem de ser sempre encarado

como a última solução.

O ministro da Saúde está

pressionado para reduzir a

despesa. Acha que o que se está a

fazer são cortes cegos?

Não sei. Que são cortes brutais

são, que seguramente não são

inteligentes, não são. Também não

faço a mínima ideia se é possível

atingir este nível de poupança com

medidas inteligentes. Temos uma

literacia mínima, portanto as nossas

discussões são sempre inquinadas

por meia dúzia de bandeiras. Outro

exemplo: se diminuir a quantidade

de doentes que chegam ao

Hospital de S. João [no Porto] e não

precisavam de chegar, a qualidade

melhora. Nesta altura, e isso é

estúpido, os hospitais são pagos por

acto médico, portanto o S. João não

se importa de ter uma quantidade

enorme de doentes nas consultas

que, na sua maioria, deviam ter

fi cado nos centros de saúde ou nos

hospitais periféricos. Quem perde

são os doentes mais graves.

Mas indo ao concreto. Entre

a procriação medicamente

assistida e cuidar dos idosos?

Aí se não houver dinheiro já põe

um problema seriíssimo. Não sei.

Portugal é um país muito

envelhecido...

Não, não. Nós não temos é

crianças. O que somos é um país

de doentes ou pelo menos de

pessoas que se julgam doentes. Nós

queixamo-nos mais porque somos

periféricos, pequenos, pobres e

assustados. Há uma negociação

nossa com a fragilidade que é fruto

da nossa experiência comercial. Na

nossa cultura é quase malcriado

dizer estou bem nunca estive tão

bem na vida. A vitimização cria

empatia, como temos uma vaga

inspiração religiosa, não gostamos

de desafi ar Deus. Isso difi culta

muito, de novo, a planifi cação de

saúde, porque a valorização das

queixas é muito difícil de fazer de

uma forma objectiva. Vamos ter

muita difi culdade em planifi car.

Mas planifi ca melhor a medicina de

proximidade do que a de hospital

central, melhor os enfermeiros que

vão a casa do que o médico que

o doente de tempos a tempos.

No tal programa de televisão, foi

dado o exemplo da hemodiálise

como algo que poderia ser pago


pelos doentes com mais de

70 anos. Foi muito polémico.

Concorda?

É um disparate. Não existe em

nenhuma parte do mundo. Vamos

ter que decidir outras coisas,

como por exemplo quando

interrompemos tratamentos. A

nossa civilização acha que a morte

é opcional e não é. Se calhar é

mesmo melhor morrer em paz,

com a família, não podemos

continuar a prolongar tratamentos

indefi nidamente, fi ca caríssimo.

Para isso é preciso mais cuidados

paliativos...

Os cuidados paliativos podem ser

resolvidos com associações, com

amizade, com ternura, não são

caros do ponto de vista médico. E

aí continuo a pensar que temos que

recuperar rapidamente o nosso

capital nas Misericórdias a sério.

Concorda com a devolução dos

hospitais às Misericórdias?

Sim. Mas as Misericórdias não têm

capacidade para gerir grandes

hospitais. Falo de hospitais como o

de Arouca, Vila Nova de Cerveira,

Valença, Caminha, hospitais

de cuidados continuados, de

recuperação e reabilitação.

Dê-nos mais exemplos de

racionamento

O racionamento que para mim é

óbvio é o do número de ecografi as

durante a gravidez. Na Inglaterra

fazem-se duas. Um bom médico faz

só duas ecografi as e é sufi ciente.

Mais?

Sou contra a taxa de médicos por

habitante que em Portugal é maior

do que na maior parte dos países

europeus. Temos um problema

de distribuição. Não acho que

a solução seja fazer faculdades

de medicina privada, já temos

faculdades em excesso.

Em Portugal há hospitais a mais?

Há, isso é indiscutível. Aí é que

é preciso também racionar. Nos

medicamentos temos igualemente

que fazer contas. Se não houver

dinheiro para todos, temos

que decidir os que vamos usar.

Outra questão é, por exemplo, o

problema das bandas gástricas

para a obesidade. A pessoa que

não quer fazer regime deve ter o

mesmo direito a ter uma banda

gástrica do que a pessoa que quer

fazer regime? Se os recursos são

fi nitos, tem que se decidir quanto

do dinheiro público vai ser gasto

em bandas gástricas e qual é a

contrapartida que se pede aos

cidadãos para terem acesso a isso.

Não vale a pena as pessoas poremse

na posição de que tem que haver

dinheiro para isso, porque não vai

haver dinheiro para tudo.

As pessoas respondem que para

a saúde tem de haver sempre

dinheiro...

Mas não vai haver dinheiro para a

saúde. E não é só cá em Portugal.

Já não está a haver em parte

nenhuma civilizada do mundo.

A sociedade tem de ser capaz de

aumentar a sustentabilidade do

SNS à custa de mecanismos de

prevenção e planifi cação.

Concorda com o co-pagamento?

Acha que as pessoas que ganham

mais deviam pagar mais? Ou o

fi nanciamento devia fazer-se só

pela via dos impostos?

Não sei comparar as duas coisas.

Até porque há muita fuga aos

impostos em Portugal e portanto

isso é o que me assusta mais. Seria

a favor do co-pagamento para

assegurar a sustentabilidade do

SNS. Se a pessoa pode pagar... Uma

coisa que quero que fi que bem

claro: sou totalmente a favor da

existência de medicina privada.

Mas acho que a medicina pública e

o SNS são muito mais importantes

para o país. Deve haver regras

muito claras de articulação da

medicina privada com a pública,

não se pode admitir que a

medicina privada viva de desnatar

a medicina pública.

Sou a favor que nas

regiões fronteiriças

se usem os tratados

europeus e, se

houver bons

hospitais em

Espanha, devemos

ir a Espanha.

Há um custo de

localização, que

não se resolve

aumentando oferta

sem qualidade

Público Domingo 29 Janeiro 2012 13

É isso que tem acontecido em

Portugal?

É. Vamos a outra questão de

racionamento, desta vez da

privada. Acho muito bem que as

pessoas que queiram escolham

hospitais privados para ter as

crianças. Agora, tinha de existir

um acordo com os hospitais

privados onde há partos e, quando

as coisas dão para torto e elas vão

parar às maternidades e hospitais

centrais, parte do dinheiro que as

pessoas tinham pago revertia para

o público. Às tantas, temos tudo o

que é rendível nos privados e tudo

o que dá despesa é pago por todos

nós.

Quando me fala destas escolhas e

decisões difíceis entre o essencial

e o acessório... Lembra-se do que

aconteceu com as maternidades

[foram fechadas várias, por entre

os protestos da população]?

Isso das maternidades foi muito

infeliz porque o ministro Correia

de Campos tinha toda a razão. Foi

uma medida inteligentíssima.

Mas acha que este “povo

pequeno, assustado, pobre”

(como lhe chamou) é capaz de

aceitar estas decisões?

Não sei. As maternidades ou o

tratamento de cancro são bons

exemplos. Mas atenção: percebo

que, para a pessoa que está em

tratamento com quimioterapia

ou radioterapia, a deslocação seja

um sofrimento muito grande.

Era preciso arranjar formas de

deslocação que fossem o menos

incómodas possível.

Está a falar da rede de

referenciação do cancro. Mas

ainda não avançou...

Não sei porque não avança. Mas

tenho a certeza é que a ideia que as

pessoas têm de que é muito bom

ter um hospital ao pé de casa é

uma estupidez. É uma estupidez

daquelas!

Mas temos de levar os doentes

aos sítios onde podem ser

tratados.

Temos de racionalizar os

transportes de forma a optimizar

o transporte de doentes que

não tenham possibilidade de se

deslocar de outra maneira. Por

exemplo, se há quatro doentes

que vêm num transporte só se

deve fazer um pagamento. Não um

por cada doente. Se a pessoa tem

possibilidade de andar, não é só

porque está doente que deve vir

de ambulância. Nesse caso paga, é

mais barato, e vem de comboio ou

de autocarro.

Mas aí a pessoa está a ser

penalizada por estar longe do

centro de tratamento.

Como está longe de uma escola

ou de um tribunal. Esse é um

problema menor num país como

o nosso. É um problema social

gravíssimo do ponto de vista da

desertifi cação do interior... mas

não é o problema das pessoas. O

problema das pessoas é solúvel,

até porque não são muitas. De

resto, eu também sou a favor

que nas regiões fronteiriças se

usem os tratados europeus e,

se houver bons hospitais em


14 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Entrevista

Espanha, devemos ir a Espanha.

Há um custo de localização, de

pouca sorte, que não se resolve

aumentando uma oferta sem

qualidade. E isso também é

racionar. Não pode haver tantos

hospitais a tratar cancro como há.

Porque quem trata poucos cancros

por ano, trata mal. Se me diz... ah,

mas o povo não quer, paciência.

Ou manda o ministro

embora como fez no caso das

maternidades com o Correia de

Campos.

Atenção que o Correia de Campos

foi um excelente ministro da

Saúde.

E o que diz do actual?

Não digo. Não conheço. Se querem

que diga algo positivo, foi a

recondução dos directores do S.

João e IPO que tanto quanto sei

não são próximos do partido do

Governo. São excelentes gestores.

E aqui dou outra ideia. Este tipo

de efi ciência de gestão pode

ser usado como exemplo para

hospitais semelhantes (cuidado,

não se pode comparar coisas que

são diferentes). O São João pode

ser comparado com o Hospital da

Universidade de Coimbra e com

o Santa Maria (em Lisboa). Seria

sempre a favor de usar exemplos

concretos, em vez dos tais cortes

cegos. Que também é muito raro

na nossa cultura, que é muito

retórica. As pessoas gostam dos

tipos que falam, falam... Quando

alguém faz muito coloca os pares

em cheque e fere um maior

número de interesses instalados.

São mudanças difíceis...

A grande resistência da sociedade

portuguesa à transformação está

na iliteracia. Continuamos a não

saber o que nos interessa. Além

disso, temos uma sociedade com

corporações muito instaladas.

Aí, as resistências são múltiplas.

Nós podemos poupar imenso sem

racionar. O que é uma estupidez é

as pessoas começarem a chatear

toda a gente se o velhinho de 70

anos vai ou não fazer hemodiálise

quando podemos é diminuir

imenso as pessoas que precisam de

hemodiálise.

Acha que vamos conseguir sair

da crise?

Acho que sim, apesar de tudo

temos condições razoáveis. Temos

um desenvolvimento muito

grande da ciência e educação.

Tivemos. Somos muito sensíveis

ao estrangeirado, é uma das

características do Portugal. Mas,

se repararmos, estamos a reagir de

uma forma muito mais organizada

do que, por exemplo, os gregos, os

espanhóis e italianos.

Temos mais espírito de sacrifício

ou somos mais conformados?

Temos mais espírito de sacrifi co.

E, está bem, estamos mais calados

mas isso é bom em termos de

concertação social. Um dos

grandes problemas para nós

seria se, de repente, caíssemos

num desespero tal que levasse,

por exemplo, a um aumento da

violência urbana.

Acha que isso não pode ainda vir

a acontecer? Ainda estamos no

A nossa ciência está

muito dependente

do privado. Mas eu

prefiro que exista

a Champalimaud

e a Gulbenkian

do que não os ter.

Não resolvo o meu

problema com

inveja. Ao menos

que venham eles.

Por outro lado,

acho uma estupidez

esta ideia de que é

melhor emigrar

início...

É verdade. E estou muito

assustado. Mas a minha fuga é

sempre para a frente, é fazendo.

Mesmo aqui no Ipatimup, onde

estamos a passar uma fase difícil.

O Governo cortou de uma forma

estúpida, a universidade cortou e

as pessoas não nos pagam.

Que corte tiveram no orçamento?

Tínhamos um contrato com

a Fundação para a Ciência e

Tecnologia de 1,6 milhões de

euros por ano e reduziram-nos

para o valor de 2005, 1,2 milhões.

Este ano vamos aguentar com

o dinheiro que tínhamos no

banco. Mais dois anos assim

e ou despedimos pessoas ou

desligamos o aquecimento...

ainda temos também o problema

das prestações de serviços aos

hospitais que também não estão a

pagar.

A investigação está ser afectada

pela crise?

Está muito bem porque ainda

está com o lanço que teve com

o ministro Mariano Gago. Está

a ser afectada, mas apesar de

tudo este ministro [Nuno Crato] é

inteligente e a secretária de Estado

[Leonor Parreira] é muito sensível

à investigação. Esta decisão de

passar para o orçamento de 2005 é

do ano anterior, estes responsáveis

mantiveram mas não diminuíram

ainda mais. O futuro é assustador.

Mas não estou tão preocupado

com a ciência porque a ciência é

internacional.

Somos premiados e respeitados,

mas somos apoiados?

A nossa ciência está muito

dependente do privado. Mas eu

prefi ro que exista a Champalimaud

e a Gulbenkian do que não os ter.

Não resolvo o meu problema com

inveja. Ao menos que venham

eles. Por outro lado, acho uma

estupidez esta ideia de que é

melhor emigrar.

Há fuga de cérebros?

Há muita gente que está a sair.

O país ganha em criar condições

para que muitos dos bons fi quem.

Não é preciso que fi quem todos.

Voltamos à saúde e ao ensino. No

ensino também temos de racionar.

Não podemos ter o número de

universidades e politécnicos que

temos. Temos dezenas de cursos

de arquitectura, de psicologia...

e os miúdos vão quase todos

para o desemprego. Num país

que está fragilizado, por razões

circunstanciais e estruturais, o

truque não é apostar em pessoas

e fait-divers, é apostar em

instituições. Mas os políticos não

gostam de escolher instituições.

Perdem votos.

Nem gostam de fechar

universidades ou hospitais...

Exacto. O grande obstáculo, além

das corporações, são os próprios

políticos. Os políticos vivem

das corporações por interposta

pessoa.

E, ainda assim, acha que vamos

conseguir sair disto?

Acho porque não temos

alternativa.

Vamos sair disto diferentes?

Já estamos um bocadinho

diferentes. Aumentámos as

exportações... não vamos

continuar a fazer auto-estradas...

acho que nós, como povo,

somos bons em situações de

grande aperto, em catástrofes.

Despertamos solidariedade,

generosidade. Não somos bons é

na manutenção.

O problema é que tudo indica

que esta catástrofe é de longa

duração...

Vamos ter de aguentar porque

não temos alternativa. Não sei até

que ponto vamos mudar os nossos

comportamentos sociais. Se isto

fi zesse com que houvesse menos

hospitais e melhores, com redes de

referenciação, menos e melhores

universidades, menos cursos,

menos e melhores instituições de

ciência, tínhamos dado um passo

de reforço do tecido social. O que

acho indecente é se o Governo

aproveitar esta oportunidade para

destruir o tecido institucional

público.

Há esse risco?

Tenho medo. Sou totalmente a

favor de reforçar o público, no

ensino, na investigação e saúde.

Se for preciso aparando as arestas,

mas reforçá-lo. Não fragilizá-lo.

Continuo a achar que é criminoso

acreditar que a medicina privada e

a privatização é melhor. É pior em

custos e em efi ciência e qualidade.

Está a falar das PPP [parcerias

público-privadas]?

Estou a falar de hospitais

universitários e IPO que é o que

conheço melhor. Seria mortal

que fossem transformados em

empresas semiprivadas. Se

quisermos dar cabo do SNS a

melhor maneira é acabar com

os hospitais universitários e IPO.

São estas as instituições que

dão esqueleto ao sistema. Sou

totalmente contra a privatização

da saúde. Não tenho nada contra

a existência de áreas da saúde

que, com regras claras, estejam

privatizadas. Mas privatizar o

SNS de uma forma disfarçada

com a ideia de que os privados

gerem melhor que o público? Não.

Conheço públicos e privados que

são horrorosamente geridos. Todos

nós já chamamos canalizadores a

casa! Todos nós já recorremos a

serviços privados que são muito

maus.

Disse recentemente numa

entrevista que acabou o

tempo das mordomias. Temos

mordomias?

Tínhamos. O dinheiro europeu

para a nossa escala era muito e

barato. Não nos apercebemos que

estávamos a comprar chatices para

o futuro. Estávamos a criar um

mundo cada vez mais desigual.

Além das catástrofes naturais (da

água e da energia), o que mais me

assusta é a desigualdade. Por que

está a aumentar de uma maneira

obscena. Como sociedade, fomos

apanhados de surpresa. E é

verdade que não desenvolvemos

riqueza. Acabámos com a pesca,

agricultura, têxtil... o dinheiro

da Europa veio contribuir para

que isso fosse defi nhando e,

em contrapartida, não criamos

alternativas além do turismo e

umas coisas muito incipientes e

que não são muito empregadoras.

O têxtil e o calçado estão agora

a recuperar. Mas estou muito

assustado.

É o avô que está assustado?

O avô, o pai, o colega... a falta

de segurança para desenhar um

futuro profi ssional. Eu vivi melhor

do que os meus pais. Acho que

os nossos fi lhos vão ter mais

difi culdades do que nós. E é a

primeira vez que isso acontece.


Público Domingo 29 Janeiro 2012 15

Divulgação A crise financeira do final do século XIX

O iate real Amélia

esteve no centro da

contestação por causa

dos gastos da Casa Real

O rei doava mas recebia adiantado

e o país republicano opôs-se

D. Carlos doava 20% da sua dotação e sugeriu a Oliveira Martins a criação

de um bilhete de identidade para obter mais receitas. O país vivia sob

novas e violentas medidas de saneamento fi nanceiro

Fernanda Rollo

O governo, invocando a necessidade

de medidas de salvação pública,

procura aplicar apenas leis que

são odiosas, porque constituem

excepções, porque muita coisa

havia a fazer e se não fez, e porque

as medidas fi nanceiras não foram

acompanhadas das indispensáveis

medidas políticas que toda a gente

esperava. Tinha-se prometido a

moralização da administração,

que os cortes atingiriam todos os

abusos, e que viriam de cima para

baixo. E afi nal? As propostas de

fazenda são o que já toda a gente

sabe, e sob o pretexto de se extinguir

o defi cit, arranja-se uma verba que

vai, em grande parte, ser arrancada

a quem não tem culpa do estado a

que chegaram as coisas da fi nança,

sem que, no entanto, a situação

mude, preparando-se apenas um

futuro de permanentes agonias

para quem trabalha para viver!

“As propostas do sr. Oliveira

Martins” in O Século, 1 de Fevereiro

de 1892, p. 1.

O fi nal do século XIX conheceu em

Portugal uma crise generalizada, em

que se salientou, a par das profundas

perturbações verifi cadas no plano

político, uma crise fi nanceira que se

revestiu de particular impacto e dramatismo.

No seu conjunto, a crise,

multifacetada, instalou-se, marcando

inexoravelmente o processo que em

breve conduziria ao colapso da Monarquia

constitucional e à implantação

da República.

O cenário afi rmar-se-ia de crise global,

sem esquecer o contágio externo

ou diminuir os efeitos das perturbações

registadas à escala internacional,

que ganharam dimensão e impacto

aproveitando as circunstâncias e vulnerabilidades

de um país que tardava

em modernizar-se e se mantinha entre

os mais atrasados da Europa, gerando-se

uma vertiginosa combinação

negativa da qual parecia impossível

escapar.

A par da instante crise política, o

generalizado mal-estar social, a crise

económica e a derrocada fi nanceira,

compuseram esse quadro de catástrofe

que os escritores fi nisseculares

pressentiam e denunciavam impiedosamente.

Tempo de passagem do

século, tom propício à dramatização

da ideia de crise e decadência, tal como

fi cou imortalizada na fi cção de Eça

de Queirós, que morreu precisamente

em 1900, Teixeira de Queirós e Fialho

de Almeida, ou na poesia de Guerra

Era do mar e não da corte que D. Carlos gostava

Junqueiro e António Nobre (também

morto em 1900). Retratos do país, feitos

de testemunhos de desencanto,

manifestos do espírito descrente e pessimista

que entristeceu a pátria. A par

do tom negativista e derrotista, surgia,

de forma cada vez mais estridente, a

crítica incisiva da sociedade burguesa

que Abel Botelho denunciava em

Amanhã (1901) ou, noutro palco, a caracterização

feita por Oliveira Martins

em Portugal Contemporâneo.

Combinando com o tom de pessimismo

decadentista, o contexto

era propício ao descrédito, indelevelmente

marcado pelo Ultimatum

apresentado em Janeiro de 1890 pelo

Governo inglês de lorde Salisbury,

fazendo jus à sonoridade trágica de

A Portuguesa ou, entre outros textos,

ao ritmo comovente de Finis Patriae

de Junqueiro.

Tudo isso animava a vontade regeneradora

e as aspirações republicanas,

procurando a interrupção e a

alternativa ao percurso decadentista a

FOTOS: CORTESIA JOAQUIM VIEIRA/CÍRCULO DE LEITORES

que a Monarquia surgia indissociada.

Ao recém-criado Partido Republicano

Português (1876), entre os demais

defensores de uma solução política

republicana, aliavam-se cada vez mais

descontentes, engrossando as fi leiras

do movimento, num tom de crescente

nacionalismo, aglutinando um conjunto

alargado de pretensões, almejando,

entre outras, a libertação da

tutela estrangeira, a democratização

política, a generalização do sistema

escolar, a modernização económica

e social.

Na realidade, para lá do impasse político,

o modelo de desenvolvimento

económico da Regeneração revelava

sinais de esgotamento, desembocando

na profunda crise económica

e fi nanceira que assolou o país em

1890/1891. O modelo económico da

Regeneração, face às limitações do

seu próprio enunciado, confrontavase

com as hesitações e as inércias da

actividade económica de um país que,

afi nal, tardava em dar resposta aos de-

safi os e às possibilidades da moderna

expansão industrial e, em comparação

com a situação internacional,

entrara claramente em derrapagem.

Portugal debatia-se à procura do seu

ressurgimento, confrontado com as

expectativas falhadas e sob o trauma

e a ameaça da bancarrota.

O dinamismo que a política fontista

imprimiu à construção de grandes

infra-estruturas, embora tendo efeitos

positivos, mas insufi cientes até para

a unifi cação do mercado interno, foi

feito em grande medida através do recurso

constante ao aumento da dívida

pública interna e externa e ao défi ce

orçamental, o que, associando-se à

defi citária balança comercial portuguesa,

acabou por arrastar a economia

para uma difícil situação fi nanceira,

colocando-a sob a perspectiva

de uma falência generalizada. É certo,

porém, que o período que antecedeu

a Primeira Guerra Mundial registou

um crescimento razoável do sector

industrial, tal como aconteceu com

a maioria das economias europeias

mais atrasadas, mas circunscrito e longe

de conseguir catapultar Portugal

para o nível dos países desenvolvidos

da Europa. Globalmente, o país falhou

o início do seu processo de industrialização

e modernização económica e

social, mantendo taxas de crescimento

muitíssimo modestas, ao nível das

mais baixas registadas pelos países

europeus ao longo de todo o período

entre 1870 e 1913.

A verdade é que os vários governos

da fase fi nal da Monarquia, a braços

com sucessivas crises políticas e fi nanceiras,

estavam praticamente paralisados:

incapazes de impor uma estratégia

de desenvolvimento económico

nacional, ou de reunir os recursos indispensáveis

à sua concretização.

O fi nal de oitocentos mostraria os limites

do percurso desenhado. A difícil

situação fi nanceira em que o fontismo

tinha deixado o país agravou-se num

cenário de crise a que não foi estranha

a situação internacional e, em particular,

a crise cambial brasileira e a decorrente

contracção das remessas dos

emigrantes que permitiam compensar

signifi cativamente o defi ce das trocas

portuguesas e, assim, ajudar a compor

a situação fi nanceira do país. O Estado

começou a sentir terríveis embaraços

para acudir ao défi ce orçamental, para

honrar os encargos da dívida e para

socorrer alguns bancos e companhias

(ferroviárias e coloniais) que andavam

à beira da falência.

Ultrapassada a fase mais crítica do

confl ito inglês, ressurgia a ‘questão

da fazenda’, ou muito simplesmente


16 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Divulgação A crise financeira do final do século XIX

o agravamento das despesas face ao

rendimento de um país cuja produção,

além do mais, se mantinha muito

aquém de satisfazer as suas próprias

necessidades e era manifestamente

incapaz de compensar a sua dependência

externa. Foi em vão que o governo

procurou encontrar recursos

a partir da venda do monopólio do

tabaco. Grassava, intenso, o clima de

desconfi ança e descrédito. Por fi m, em

Maio de 1891 foi decretada a suspensão

da convertibilidade, a que, em breve,

em Junho, se seguiu o abandono do

padrão-ouro. Falou-se de bancarrota

e o público reagiu em pânico: entre

Maio e Setembro de 1891 acorreu aos

depósitos bancários e à conversão de

notas. O Banco de Portugal fi cou sem

reservas e outros bancos acabaram

por suspender pagamentos.

Não exagerei o terror pelo estado

das coisas cá: isto nem forças tem

para se sublevar. O cáustico dos

impostos e deduções quase que

foi recebido com bênçãos. Somos

um povo excelente cujo fundo é a

fraqueza bondosa e uma grande

passividade. Estas qualidades são a

origem dos nossos defeitos.

Carta de Joaquim Pedro Oliveira

Martins a Eça de Queiroz em 1892

Acabou por ser a Oliveira Martins, que

em múltiplas ocasiões se manifestara

profundamente crítico relativamente

à política fontista, sobretudo pela sua

repercussão no desequilíbrio das contas

do Estado, que o rei D. Carlos, a

partir de Janeiro de 1892, entregou a

pasta da Fazenda e o encargo de ultrapassar

os problemas mais instantes da

crise. O novo ministro das Finanças,

confrontado com um défi ce de 10 000

contos (c. 25% das receitas) e uma

dívida fl utuante de 23 000 contos,

lançou imediatamente as primeiras

medidas de saneamento fi nanceiro:

uma taxa entre 5 e 20 por cento sobre

os ordenados, soldos e pensões;

uma taxa de 30 por cento sobre os

rendimentos da dívida pública interna;

uma proposta de renegociação da

vida externa; e a instauração de novas

pautas alfandegárias. Também aboliu

o subsídio ao teatro da ópera de São

Carlos e suspendeu as admissões na

função pública.

D. Carlos, por sua vez, quis fazer

parte da solução, abdicou de 20% da

sua dotação e ainda sugeriu a Oliveira

Martins a ideia inovadora de encontrar

novas fontes de receita através da

instituição de uma espécie de bilhete

de identidade.

Nos anos de 1890 e 1891, a crise

fi nanceira e monetária foi acompanhada

por quebras signifi cativas de

actividade em quase todos os sectores

económicos. A crise, porém, não

terá, segundo vários autores, originado

um período de abrandamento

do crescimento económico, dados

os efeitos positivos das medidas de

acréscimo do proteccionismo e de

desvalorização monetária que, entre

outras medidas, integraram a acção

de Oliveira Martins e do seu sucessor,

Dias Ferreira.

Os tempos eram de acentuada instabilidade

e de grande agitação política e

social. As tentativas de regeneração do

regime monárquico, as humilhações

O rei nas Cortes em Junho de 1906, a 10 meses da dissolução do Parlamento

Cento e

vinte anos

depois e,

respeitando

proporções,

o país

encontrase

de novo

numa

situação

muito

semelhante

à que a

epígrafe de

O Século

fazia

referência

externas e, sobretudo, a bancarrota

do Estado constituíam o prenúncio

da queda inexorável do regime. A tendência

revolucionária instalara-se, na

sequência da primeira revolta armada

contra a Monarquia, em 31 de Janeiro

de 1891, no Porto.

Os anos seguintes foram de acentuada

agitação política e crispação social.

O país viveu então, entre 1893 e 1907,

um último ciclo rotativismo político

entre os dois principais partidos monárquicos,

sendo governado, alternadamente,

por Hintze Ribeiro, chefe

dos regeneradores, e Luciano de Castro,

líder dos progressistas (que quando

não estavam na chefi a do Governo

alternavam também a direcção do Crédito

Predial). Por junto, contaram-se

oito ministérios, provando afi nal que

o rotativismo estava longe de proporcionar

a almejada estabilidade política.

A incapacidade de regeneração

e superação dos sucessivos impasses

políticos do campo monárquico, que

entretanto conhecerá várias cisões e

dissensões, fez-se acompanhar do uso

de expedientes e soluções erráticas no

campo eleitoral e do recurso a medidas

políticas e sociais crescentemente

contestadas e contestáveis, criando

um clima favorável à afi rmação das

forças republicanas, apesar do agravamento

do quadro repressivo. Não é

portanto de estranhar a intensifi cação

de manifestações de mal-estar social,

refl ectindo difi culdades e descontentamentos,

como a que fi cou conhecida

pela “revolta do grelo”, em 1903.

As manifestações populares contra

a Monarquia, e a repressão que tiveram

como resposta, prosseguiriam e

aumentariam em particular durante

o governo chefi ado, a partir de Maio

de 1906, pelo regenerador dissidente

João Franco, sobretudo desde que, em

Abril de 1907, D. Manuel lhe concedeu

a ditadura que recusara a Luciano de

Castro e a Hintze Ribeiro.

Nesses anos, embora ultrapassada

a fase mais dramática da crise fi nanceira,

a história das fi nanças públicas

e da política nacional fi caria marcada

pela presença de duas questões, dois

escândalos, devidamente explorados

pela propaganda republicana e que

ganharam grande espectacularidade

nas páginas dos jornais, entre a opinião

pública e nos debates parlamentares.

Desde logo, a velha questão dos

tabacos, a propósito do concurso para

a renovação da exploração dos tabacos

em regime de monopólio, cujas

implicações políticas envolveram a

queda de dois governos e a dissidência

do Partido Progressista – a questão

só fi cou resolvida no governo de João

Franco, que concedeu o exclusivo à

Companhia dos Tabacos pela renda

anual de 6520 contos.

Erários separados

A outra questão foi a dos adiantamentos

à Casa Real, chegada à imprensa

republicana em 1905, que João Franco

também viria a resolver, já em ditadura,

através do decreto de 30 de Agosto

de 1907, que concedia um aumento

indirecto à “lista civil” para cobrir tais

adiantamentos.

A questão dos adiantamentos recuava

ao tempo da revolução liberal

de 1820, quando, separando o erário

público do erário régio, se criara uma

Lista Civil para custear as despesas

dos Braganças. Ora, como a dotação

à coroa não era revista desde 1834,

a coroa, desde o tempo do rei D. Luís,

vinha recebendo adiantamentos

à margem do disposto na Lista Civil

e no Orçamento Geral do Estado. A

questão, em si já sufi cientemente

sensível, ganhava expressão à luz

dos empréstimos que entretanto a

corte contraíra e, sobretudo, atendendo

aos gastos em que a família real

incorria. Não é de estranhar a violência

da crítica dirigida à situação,

sobretudo pela ilegalidade de que se

revestia, evidentemente empolada

a partir da oposição republicana.

Estava Franco no poder quando

a questão, em 20 de Novembro de

1906, assomou ao Parlamento. Afonso

Costa não perdeu a oportunidade;

feita a denúncia, criticada a situação,

termina desferindo um golpe de certeira

e histórica virulência: “Por muito

menos crimes que os cometidos

por D. Carlos I, rolou no cadafalso

em França, a cabeça de Luís XVI”.

A sessão terminou com a expulsão

de Afonso Costa. Ânimos exaltados,

dentro de fora do Parlamento, caracterizaram

os tempos seguintes.

João Franco, isolado e contestado,

contaria ainda com o incondicional

apoio régio, para, em Abril de 1907,

dissolver o Parlamento. Foi então

que, em Agosto, Franco fez publicar

a resolução por decreto ditatorial dos

adiantamentos à Casa Real, que anteriormente

tinha prometido levar à

deliberação do Parlamento. Determinava

o decreto que o montante dos

adiantamentos seria saldado através

da privação perpétua das rendas dos

prédios da coroa dados de arrendamento

ao Estado e pela entrega do

iate real Amélia ao Ministério da Marinha.

Além disso, a Lista Civil era

aumentada em 160 contos anuais.

Difi cilmente o decreto poderia ter

suscitado maior contestação... por

tudo, e até pelo embuste que procurava

fazer vingar, uma vez que, não

só os referidos prédios já estavam

desafectados da posse do rei, como

o iate já sido doado à nação.

Sensível à tensão instalada, entre o

desgaste e o desprestígio da coroa e do

sistema, atenta a contestação política

e o desânimo popular, é de então a célebre

expressão de Júlio Vilhena, novo

chefe do Partido Regenerador: “Isto

termina fatalmente por um crime ou

por uma revolução”.

Pois, como é sabido, as duas coisas

aconteceram. No dia 1 de Fevereiro de

1908, em Lisboa, deu-se o atentado à

família real, tendo sido mortos o rei D.

Carlos e o príncipe herdeiro, D. Luís

Filipe. D. Manuel II tinha apenas 18

anos quando recebeu a coroa; procurou

o apoio de todos os partidos

monárquicos, mas foi-lhe impossível

travar a onda republicana, até porque

os próprios partidos monárquicos difi

cilmente se entendiam, enquanto os

republicanos se uniam e conspiravam

contra o rei e pelo derrube da Monarquia.

Na manhã do dia 5 de Outubro

de 1910 foi proclamada a República

em Portugal, a segunda na Europa, e

anunciado o Governo Provisório das

varandas da Câmara Municipal de Lisboa

pela voz de José Relvas.

Com a República vinha a miragem,

não concretizada, da democracia e do

progresso económico e social. Cento

e vinte anos depois e, salvaguardando

distâncias proporções, o país encontra-se

de novo numa situação muito

semelhante à que a epígrafe de O Século

fazia referência. Historiadora

Este artigo

é financiado no

âmbito do projecto to

Público Mais

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Portugal

O Presidente tem o olhar crítico sobre a política do Governo

Cavaquistas defendem saída

de Vítor Gaspar do Governo

A rota de colisão entre Cavaco e Passos acelerou-se. E os cavaquistas não

escondem as divergências profundas em relação à política do Governo

São José Almeida

a É absoluta a discordância de algumas

das mais proeminentes personalidades

do cavaquismo e do próprio

Presidente da República sobre

a condução da política orçamental e

as prioridades para a organização das

fi nanças públicas, que têm sido adoptadas

pelo Governo. O PÚBLICO sabe

que, dentro deste grupo de personalidades

que apoiam Cavaco Silva, há

quem defenda já que o Governo deve

substituir o ministro das Finanças, Vítor

Gaspar, que vêem como “um ultraliberal”

que está a “dar cabo” do modelo

social e económico construído

após o 25 de Abril e no qual, frisam,

os três governos de Cavaco (1985-1995)

tiveram um papel crucial.

A questão de fundo — que tem

criado tensão entre o Governo e o

Presidente, cuja existência o Expresso

ontem noticiou — passa pelo

facto de que estas personalidades, a

maioria das quais com conhecimento

e refl exão precisamente na área

económica, quando não mesmo em

fi nanças públicas, como é o caso do

próprio Cavaco Silva, verem como errado

que as medidas de austeridade

que são impostas pela crise da dívida

pública sejam concretizadas com

um enquadramento que vai conduzir,

acreditam, à destruição da classe média

e, consequentemente, do tecido

económico português, que assenta

em pequenas e médias empresas, que

vivem do consumo.

É notório, nas conversas com as

personalidades do cavaquismo, o

crescendo de preocupação sobre o

que vêem como a “desestruturação

da economia”, pela ausência de investimento.

Isso é transparente em

vésperas de mais uma cimeira europeia,

que decorrerá amanhã, segunda-feira,

em Bruxelas, e em que os

responsáveis dos 27 Estados-membros

vão, pela primeira vez, discutir

a necessidade de uma agenda para o

crescimento económico e políticas de

investimento.

Cavaco, o crítico

O próprio Presidente já assumiu publicamente

a sua discordância com

o Governo. E as críticas de Cavaco

Silva estenderam-se mesmo aos líderes

da União Europeia, no discurso

que fez a 12 de Outubro, no Instituto

Universitário Europeu, Florença, Itália,

quando defendeu que o problema

não era do euro, mas das opções

políticas dos Estados-membros e da

falta de solidariedade e de políticas

comuns conducentes à recuperação

dos países em crise.

A posição de crítica de Cavaco foi

assumida internamente, dias depois,

ao intervir no Congresso dos Economistas,

em Lisboa, a 19 de Outubro,

onde afi rmou explicitamente que era

necessário “justiça na repartição dos

sacrifícios” e combater “que se instale

a ideia de que não se faz tudo o

que podia ser feito para dinamizar a

economia e combater o desemprego”.

E, à saída da sala do congresso,

declarou aos jornalistas que considerava

que o Orçamento do Estado

para 2012 não tinha políticas de

investimento nem de dinamização

do investimento, bem como que

considerava contrário ao princípio

constitucional da equidade fi scal a

confi scação fi scal dos subsídios de

DANIEL ROCHA

férias e de Natal da função pública.

É assim conhecido o posicionamento

crítico de Cavaco Silva à política

económica e orçamental do

Governo. E entre as personalidades

O próprio

Presidente

já assumiu

publicamente a

sua discordância

com o Governo

em relação ao

Orçamento do

Estado e criticou

mesmo os líderes

da União Europeia

Público Domingo 29 Janeiro 2012 17

cavaquistas são apontadas soluções

governativas alternativas às do Governo

de Passos Coelho e não subsidiarias

de uma lógica neoliberal, mas

sim de defesa do Estado-providência

dentro das concepções que caracterizam

o modelo social europeu e o

papel social do Estado.

As alternativas do Presidente

E se há quem frise que as preocupações

sociais do actual Presidente

sempre foram patentes na sua governação,

quem lembre que, em privado,

quando era primeiro-ministro,

Cavaco comentava que não se revia

na comparação que era então feita

pelos que o alcunhavam de “Thatcher

português”, precisamente porque se

distanciava da visão neoliberal do papel

social do Estado.

Uma das questões em que a divergência

entre Cavaco e as políticas gizadas

por Vítor Gaspar é profunda

é o tratamento dado aos pensionistas.

Entre as personalidades do cavaquismo

é clara a condenação de o

Governo estar a mexer nas pensões

de reforma e sobrevivência, quando

estas são o resultado de uma vida de

trabalho e de descontos que as pessoas

fi zeram, pelo que são direitos

adquiridos.

Outra linha de crítica do Presidente

a Vitor Gaspar tem que ver com a

equidade fi scal. O facto de os impostos

extraordinários caírem quase exclusivamente

sobre o rendimento do

trabalho, bem como o facto de o corte

de despesa ter sido feito sobre a massa

salarial dos funcionários públicos e

não sobre as “gorduras” e “avenças”

e “consultadorias” que se instalaram

e “sugam” os dinheiros públicos, é

outro pomo de discórdia. Ao que o

PÚBLICO sabe, quer o Presidente

quer as personalidades cavaquistas

consideram que a política fi scal

não podia deixar de fora e poupar

as empresas e os mais ricos. Ou seja,

mais concretamente, que o aumento

fi scal devia incidir no IVA e no IRS,

mas também no IRC e na criação, por

exemplo, de impostos sobre produtos

de luxo e sobre os mais ricos.

Outro exemplo de discordância,

é a lei das rendas. Há mesmo quem

classifi que o esta lei de “disparate”

e quem se lhe tenha referido como

“uma lei inútil”. E explicam que, num

momento de crise e quando a maior

parte das rendas já estão a valores

de mercado, bem como são quase só

idosos que têm rendas antigas, pelo

que estão protegidos, aumentar as

rendas de habitação vai criar um problema

social suplementar ao Estado,

pois haverá pessoas que irão precisar

de ser apoiadas com subsídios, o que

aumenta a despesa social.

E no domínio do aumento social

do Estado, há personalidades do cavaquismo

que frisam o aumento de

despesa que o crescer do desemprego

vai trazer. O aumento de desemprego,

aliás, e o aumento de falências

de pequenas e médias empresas, por

causa da perda de poder de compra

da população portuguesa é um dos

aspecto que mais preocupa o Presidente

e por isso ele tem sido tão insistente

nas declarações públicas sobre

a necessidade de criar condições de

investimento.


18 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Portugal Sindicalismo

Novo líder da CGTP

diz que “jamais

lançará a toalha ao

chão e abandonará

a luta”

O Governo dos direitos, as medidas da troika e os

responsáveis pela crise são os alvos que Arménio Carlos

identifi cou para o combate dos próximos quatro anos

Raquel Martins

a Arménio Carlos, o novo secretário-geral

da CGTP, afastou ontem os

receios de que central sindical se torne

menos plural e refém da imagem

de uma só pessoa. No discurso de

encerramento do XII Congresso da

Intersindical, o homem que sucede

a Carvalho da Silva deixou claro que

este é “um projecto de todos e para

todos” e identifi cou bem os alvos do

combate dos próximos quatro anos:

o Governo de direitos, as medidas da

troika e os responsáveis pela crise.

“Há um compromisso que todos

os delegados e todos os membros

do conselho nacional assumiram

que é o aprofundamento do projecto

da CGTP”, frisou debaixo de fortes

aplausos, num auditório “pintado” de

bandeiras vermelhas.

Numa intervenção parcialmente

improvisada, o novo líder respondeu

aos receios das tendências minoritárias

da CGTP, que lhe deram voto em

branco na eleição, e prometeu trabalhar

com todos. Por diversas vezes fez

questão de frisar que a central é um

“projecto colectivo” e que por detrás

dos rostos mais mediáticos “há um

trabalho de formiguinha”, desenvolvido

pelos que “estão todos os dias

nos locais de trabalho”.

O novo secretário-geral da CGTP

apelou ainda a todos os trabalhadores

“independentemente da sua fi liação”

para que juntem esforços no combate

ao “desastre económico e social que

espolia os que menos têm e favorece

aqueles que são responsáveis pela cri-

se” e a que o Governo de direita está

a conduzir o país.

Num discurso parcialmente improvisado,

Arménio Carlos deixou claro

que os sindicatos da CGTP continuam

disponíveis para colaborar nas empresas

e no terreno com outras estruturas

independentemente da sua

fi liação. Uma hora antes tinha sido

aprovada uma moção em que a CG-

TP se compromete a angariar 100 mil

novos fi liados em quatro anos.

Os aplausos, as palavras de ordem

e as bandeiras com o logotipo da CG-

TP agitaram-se sempre que Arménio

Carlos falou na necessidade de melhorar

os rendimentos, reivindicou o aumento

do salário mínimo para os 600

euros, o aumento das pensões e a melhoria

das prestações de desemprego.

O líder acusou o Governo de “destruir

a economia”, “subverter os princípios

constitucionais”, “sacrifi car os

direitos dos trabalhadores” e “esvaziar

o Estado Social”. Uma crítica que

estendeu também ao presidente da

República quando se diz “preocupado

com o aumento da pobreza” e

depois nada faz . “O que é que estão

lá a fazer?”, questionou.

Criticou ainda os ministros “de

bandeira portuguesa na lapela” a

entregar as empresas públicas “por

tuta e meia”.

O novo secretário-geral considerou

ainda o acordo assinado na concertação

social “inadmissível e “uma demonstração

da mostruosidade económica

e social” que está por detrás das

ideias do Governo e da troika.

E destacou: “Este acordo não é lei.

Temos que o combater no terreno antes

que seja aprovado”.

Numa intervenção dura e pautada

por alguma ironia, Arménio Carlos

admite que a central tem pela frente

“muito trabalho” para “responder às

ofensivas que estão em curso”.

E deixou um mote para o que se

avizinha: “A CGTP jamais lançará a

toalha ao chão e abandonará a luta

pelos direitos dos trabalhadores”.

Dar lugar aos mais novos

Após dois dias de discussões e ataques

ao Governo, ao rumo que a União Europeia

está a tomar e às medidas de

austeridade impostas pela troika e

subscritas pelo Governo, Arménio

Carlos encerrou o congresso que fi -

cou marcado pela saída de Manuel

Carvalho da Silva, fi gura que esteve

à frente dos destinos da central nos

últimos 25 anos.

O XII Congresso fi cou marcado por

um rejuvenescimento nos órgãos da

central. Do conselho nacional saem

mais de um terço dos dirigentes, porque

estão perto da idade da reforma

ou foram substituídos à frente das

estruturas.

Arménio Carlos elogiou ainda o

“desapego ao poder” dos dirigentes

que agora saem por terem atingido o

limite de idade e por terem ajudado

a encontrar soluções para o “rejuvenescimento”

da central.

O novo Conselho Nacional foi eleito

com 94,83 por cento dos votos. Cumprindo

o objectivo de rejuvenescer a

central, a média etária dos 147 membros

é agora inferior a 48 anos.


No auditório pintado de

bandeiras vermelhas,

Arménio Carlos é aplaudido,

cumprimentado pelo

antecessor, Carvalho da Silva,

e é eleito como novo dirigente

FOTOS DE RUI GAUDÊNCIO

Arménio Carlos

“Existe medo e muita

intimidação”

Entrevista

Raquel Martins

a Arménio Carlos, o novo líder da

CGTP, garante que os receios de

que a CGTP passará a ser menos

plural porque tem à frente um

membro do comité central do PCP

são infundados. A entrevista foi

feita em conjunto ao PÚBLICO e

ao Diário de Notícias.

Como lê os resultados da

votação que o elegeu e que teve

28 votos em branco. É uma

tentativa de marcar posição

por parte das tendências

minoritárias? Os receios em

relação ao seu mandato têm

fundamento?

Admito que seja uma posição de

demarcação relativamente às

perspectivas de futuro que alguns

camaradas tenham. Se porventura

estão receosos, o tempo vai

demonstrar que estão enganados.

Garante que irá trabalhar com

todos, independentemente das

posições que tomaram durante

o congresso?

É evidente. Nunca deixei de

trabalhar com todos e com todos

continuarei a trabalhar. Os 147

dirigentes que foram eleitos para o

conselho nacional assumiram um

compromisso muito importante

para dar continuidade ao projecto

da CGTP.

Que pontes vai estabelecer no

futuro com essas tendências e

com a UGT?

Em relação às sensibilidades

internas, nós não

funcionamos num contexto de

parlamentarização, funcionamos

num contexto de intervenção

sindical. Cada dirigente que está

na CGTP tem responsabilidades

ao nível de união, de federação ou

de sindicato e tem que responder

aos problemas concretos dos

trabalhadores. Quando se

procura encontrar grandes

divergências elas não existem.

Porque quando discutimos os

problemas concretos - as questões

do emprego, do estado social, dos

serviços públicos, das condições

de vida dos trabalhadores e da

população - não há divergências.

E em relação à UGT?

Há uma divergência de fundo, que

resulta não só de um projecto que

é diferente do nosso, mas também

de atitudes e posicionamentos que

consideramos que não defendem

os interesses dos trabalhadores. O

último dos quais foi a assinatura

do compromisso [com o Governo

e os patrões].

No actual contexto, as duas

centrais só teriam a ganhar se

se juntassem em determinadas

situações. Continua aberta a

porta para essa colaboração?

A CGTP fará todas as diligências

no sentido de concretizar a

unidade da acção para responder

a problemas concretos dos

trabalhadores. Mas essas

diligências não são feitas ao

nível das direcções, resultam da

disponibilidade e da vontade dos

trabalhadores no terreno. No dia

2 de Fevereiro vamos ter uma luta

em várias empresas do sector

dos transportes onde vão estar

envolvidos alguns sindicatos da

UGT.

A CGTP mantém-se disponível

para ir à concertação social? Ou

é uma perda de tempo?

Não abdicamos de intervir em

nenhum espaço, seja ele qual for.

É possível que em Portugal se

atinjam níveis de tensão social

semelhantes aos da Grécia?

Não defendemos a violência,

mas também não admitimos que

os direitos dos trabalhadores

não sejam efectivados nos locais

de trabalho e que dentro das

empresas não haja a liberdade

para que os trabalhadores digam

o que pensam e exijam aquilo a

que têm direito.. Essa é a maior

violência que nos agride do ponto

de vista fi nanceiro, físico e mental.

É um crime o que se passa em

muitos locais de trabalho.

Novo líder

diz que

CGTP tem

uma divergência

de fundo

com a UGT

É também esse “crime” que

afasta as pessoas dos sindicatos

ou as impede de participar?

Existe medo e sobretudo muita

intimidação e muita repressão,

mas perante isso temos que

transmitir esperança e confi ança.

Mais do que ceder ao medo,

exige-se uma intervenção para

defendermos a nossa dignidade.

É isso que apelamos aos

trabalhadores: defendam a vossa

dignidade.

Não sente uma responsabilidade

acrescida de substituir alguém

que esteve à frente da CGTP 25

anos?

É uma responsabilidade pesadita.

Mas isto faz-se com o colectivo

Como é que vê a ideia de que é

um ortodoxo que passa a liderar

a CGTP?

Dá-me gozo. Há pessoas que falam

do que não sabem e sobretudo das

pessoas que não conhecem, pode

ser que se enganem.

Mas isso tem a ver com o facto

de fazer parte do comité central

do PCP.

Tem a ver acima de tudo com o

preconceito anti-comunista.

Público Domingo 29 Janeiro 2012 19

O mais novo

João Almeida, 25 anos, é o mais

jovem membro do conselho

nacional da CGTP. Empenhado

em fazer a diferença, este

jovem pescador deixa um

apelo aos jovens precários

ou no desemprego para que

se envolvam: “Temos nas

mãos as armas para impedir

o retrocesso social”.A entrada

no mundo do sindicalismo fazse

cedo, quando aos 18 anos

começou a trabalhar. Membro

do Sindicato dos Trabalhadores

da Pesca do

Norte foi nos

últimos três

anos que

passou a

participar mais activamente na

estrutura.

O discurso está alinhado com

o de outros dirigentes mais

velhos. E quando questionado

sobre os esforços que a central

tem que fazer para convencer

os mais jovens a sindicalizar-se

é pronto na resposta: “Não é o

movimento sindical que tem

que mudar, os trabalhadores

é que têm que ter consciência

do ataque aos direitos básicos

e consciencializar-se de que

podem lutar”.E acrescenta

ainda: “A CGTP sempre se

soube adaptar e não vai ter

dificuldades em chegar a

todos”.R.M.

O mais velho

Habituado a ser o mais novo

“em tudo”, o destino faz com

que seja agora o mais velho

dos 147 membros do conselho

nacional eleitos na noite de

sexta-feira. José Guerreiro, 61

anos, diz que deve muito do

que é ao sindicalismo. Defensor

da renovação dos órgãos

da central

sindical, tem

um discurso

positivo

e de raro

reconhecimento da capacidade

dos mais jovens levarem a

CGTP a bom porto.

“Este congresso marca

uma viragem de gerações.

Definitivamente, a geração do 25

de Abril entrega o poder a outra

geração mais nova e mais bem

preparada”, realça o homem

que está à frente do sindicato

do comércio e que milita nos

sindicatos desde 1970.

E quando questionado

sobre as dificuldades que o

sindicalismo enfrenta, alerta

para o “retrocesso social” que

se traduz no medo das pessoas

participarem. “Vivemos um

tempo muito exigente para os

trabalhadores e também para

os dirigentes sindicais, mas

tenho muita confiança nos

novos dirigentes”, realça. R.M.


20 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Portugal Governo

Menos tribunais e mais mobilidade

dos juízes para melhorar a Justiça

O projecto para uma nova reforma do mapa judiciário já foi entregue

à troika e as alterações estarão em debate até Setembro

Paula Torres de Carvalho

a Em vez de 308 passam a existir

20 tribunais judiciais “com secções

dispersas pela área geográfi ca do

respectivo distrito ou região autónoma”

do país, caso a proposta do

Ministério da Justiça para o novo

mapa judiciário seja aprovada no

Parlamento no próximo mês de Setembro.

Esta proposta defende também

o encerramento de 47 tribunais/

juízos com menos de 250 processos

entrados.

O projecto de reorganização judiciária

elaborado pela Direcção-Geral da

Administração da Justiça (DGAJ) já foi

entregue à troika e está agora aberto

à discussão entre os parceiros até ser

posta em debate na Assembleia da

República.

De forma a reorganizar os tribunais

em 20 comarcas judiciais, defende-se

a criação de uma instância central

por comarca que pode ser desdobrada

em secção cível e criminal e que

tratará principalmente dos processos

“de maior valor e da competência

do tribunal colectivo ou de júri e em

secções de competência especializada”.

É também proposta a criação

de instâncias locais, com secções de

competência genérica consoante o

movimento processual. Essas instâncias

serão integradas no mesmo

tribunal distrital “que passa a ter um

único orçamento e mapa de pessoal

para os funcionários de justiça, integrados

numa única secretaria, que

funcionará em diversos pontos da

comarca”, refere a proposta, segundo

a qual o trabalho dos magistrados

passa poder a ser prestado “em mais

do que um ponto da comarca”.

Assim, prevê-se a possibilidade de

serem colocados cerca de 300 magistrados

judiciais, 80 magistrados

do Ministério Público e cerca de 400

funcionários judiciais em “equipas de

recuperação de processos pendentes

em atraso, a trabalhar em diversos

pontos do território nacional, o que

contribuirá para uma resposta mais

adequada a esta situação”.

Desta forma, procura-se “atingir

uma maior mobilidade na afectação

de recursos, reconhecidamente apontada

como um entrave à melhoria da

Ministra defende reforma como uma prioridade deste Governo

resposta do sistema judicial”, lê-se

na proposta.

Observa-se ainda uma ruptura relativamente

ao “isolamento de cada

pequena estrutura judiciária, que

passa a integrar-se numa estrutura

mais ampla, presidida por um juiz”,

cujo papel passa também a ser muito

mais alargado, competindo-lhe a

defi nição de “objectivos processuais

para a comarca” e reafectar os processos.

Quanto à decisão de encerrar determinados

serviços, foram considerados

os critérios de um volume

inferior a 250 processos entrados, a

distância entre o tribunal a encerrar

e o que vai receber o processo (passível

de percorrer em cerca de uma

hora) e a qualidade das instalações.

Para trás fi ca o modelo da reforma

do mapa judiciário aprovada em

2008 pelo anterior Governo que foi

posto em prática apenas em três comarcas-piloto:

Baixo Vouga, Grande

Lisboa-Noroeste e Alentejo Litoral.

Segundo esta organização judiciária,

as 231 comarcas seriam transformadas

em 39, tendo como referência

as NUT (Nomenclatura de Unidade

Territorial) usadas para objectivos

estatísticos.

Esta mudança na forma como estão

organizados os tribunais em todo

o país, o que determina o seu modo

de gestão e de funcionamento, foi

uma das imposições da troika, tendo

sobretudo em vista a celeridade e

a desburocratização da Justiça para

que esta se torne mais efi caz e não

afugente as perspectivas do investimento

estrangeiro em Portugal.

Para a ministra da Justiça, é uma

condição imprescindível para restaurar

a credibilidade e a confi ança

dos cidadãos no sistema de justiça,

tornando-a mais acessível. Já na cerimónia

de abertura do ano judicial,

em Março do ano passado, Paula Teixeira

da Cruz defendeu, no seu discurso,

a reforma do mapa judiciário

como uma prioridade deste Governo.

E frisou que a redução das comarcas

“não deve ser (...) permeável a certos

discursos anacrónicos que pretendam

defender corporativamente

um status quo que nenhum português

compreende ou deseja”.

NUNO FERREIRA SANTOS

Serviços secretos

PS e BE

questionam

Governo sobre

reestruturação

Nuno Ribeiro

a O PS e o BE questionaram ontem

o primeiro-ministro sobre se está

ou não a ser seguido o plano de reestruturação

das secretas elaborado

em 2011 por Jorge Silva Carvalho, exdirector

do Serviço de Informações

Estratégicas de Defesa (SIED) que esta

semana renunciou aos seus cargos na

Ongoing.

Como o PÚBLICO revelou na edição

de ontem, Silva Carvalho, então já a

trabalhar na Ongoing, entregou no

ano passado ao Executivo um plano de

reforma dos serviços de informação,

numa altura em que foi sondado para

assumir o cargo de secretário-geral do

Sistema de Informações da República

Portuguesa (SIRP).

O gabinete do primeiro-minisro negou

ao PÚBLICO esta colaboração,

mas ontem, em comunicado, o PS fez

duas perguntas: “É ou não verdade

que um alto quadro da empresa Ongoing

entregou ao Governo uma proposta

de reestruturação dos serviços

secretos portuguesas?” e “É ou não

verdade que os serviços de informação

estão a ser reestruturados sobre

essa base?”. Os socialistas sublinham

que, “mais uma vez, surgem notícias

que indiciam relações de natureza não

formal com implicações directas na

organização destes serviços em clara

violação da lei”. Pelo que instam o

primeiro-ministro, responsável pelos

serviços secretos, a um esclarecimento

público. Também o BE, através da

deputada Cecília Honório, quer saber,

caso o plano tenha sido solicitado pelo

Governo, qual o “impacto” do mesmo

sobre a reforma em curso. Notando

que Passos Coelho terá de ser “célere

no esclarecimento das dúvidas”, os

bloquistas sublinham que é necessário

“saber, com urgência” se Passos ou

“algum membro do Governo” pediu

ou não um projecto a Silva Carvalho.

O ministro dos Assuntos Parlamentares,

Miguel Relvas, disse ontem à Lusa

ser “falso” que Silva Carvalho tenha

dado ao Governo qualquer documento

para a reforma nas secretas. E lembrou

que o gabinete de Passos negara

na véspera, ao PÚBLICO, a existência

de qualquer espécie de colaboração

entre o ex-chefe do SIED e os responsáveis

pelas alterações nos serviços.

O PÚBLICO apurou que o plano de

Silva Carvalho previa um aumento do

orçamento para a área operacional

e contemplava a fusão do Serviço de

Informações de Segurança (SIS) com

o SIED. Embora esta fusão constasse

do programa de Governo do PSD, para

qual Silva Carvalho colaborou, o CDS e

o PS sempre a recusaram. No entanto,

está prevista a concentração dos serviços

nas mesmas instalações, transitando

o SIED para a sede do SIS, no Forte

D. Carlos I, na Ameixoeira.


22 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Portugal Estudo

Classe média

em risco

de implosão

Num ensaio que esta semana chega às bancas, o

sociólogo Elísio Estanque analisa a ascensão e declínio

dos segmentos sociais que hoje estão rotulados como

“os novos pobres”. Fala de quadros que roçam a

patologia social, bem conhecidos de quem, no terreno,

lida com a pobreza envergonhada

Pessoas mantêm aparência de estilo de vida que já não consegem pagar

Graça Barbosa Ribeiro

a Quando entram no Gabinete de

Apoio ao Sobreendividado da Deco,

a primeira pergunta que as pessoas

fazem é: “Esta conversa fi ca só mesmo

entre nós?” A resposta — “sim”

— é essencial para o prosseguimento

do diálogo. Algumas têm os vencimentos

penhorados e já cortam na

própria alimentação, mas fora daquelas

quatro paredes agem como

se nada tivesse mudado, mesmo

junto de familiares e de amigos.

Fazem parte de uma classe média

“doente” e “em declínio”, tema do

ensaio do sociólogo Elísio Estanque

que avisa que “os poderes políticos

deviam estar mais preocupados com

a possível implosão deste grupo do

que com a sua eventual manifestação

nas ruas”.

No seu escritório, na Faculdade

de Economia da Universidade de

Coimbra, o investigador do Centro

de Estudos Sociais folheia um jornal.

Pode ser o do dia, o da véspera

ou o da semana anterior, “não interessa”,

diz — “Todos os dias há algo

de novo: o acordo de concertação

social, o anúncio de uma nova vaga

de excedentários na função pública,

o abandono da universidade

pelos estudantes, as novas vagas de

desemprego, o aumento das taxas

moderadoras, a desmontagem do

Estado Social — está tudo a acontecer

de uma forma extraordinariamente

rápida e intensa”, comenta. Aponta

o livro editado pela Fundação Francisco

Manuel dos Santos, que este

fi m-de-semana chega às bancas com

o título A Classe Média: Ascensão e

Declínio, e admite: “Se fosse hoje,

provavelmente trocaria o termo ‘declínio’

por ‘queda’”.

ERIC THAYER/REUTERS

No ensaio, Elísio Estanque vai para

além da sistematização teórica. A

segunda parte do livro é dedicada às

particularidades do caso português,

no que respeita “à célere e pouco

sustentada ascensão da classe média”

e também à forma como ela

“agora se desmorona, de maneira

igualmente rápida e abrupta, na sequência

do ‘empurrão’ da crise e das

medidas de austeridade”.

O ponto de chegada do sociólogo é

uma classe média “ fraca e ameaçada

de ‘proletarização’”; o ponto de

partida de uma sociedade “que em

escassas dezenas de anos passou de

predominantemente rural a marcadamente

urbana”. Os dados são objectivos:

a população activa no sector

primário encolheu de 43,6 por cento

em 1960 para 11,2 em 1991 e a do

sector terciário cresceu, no mesmo

período, de 27,5 para 51,3 por cento.

Com o desemprego em alta, já há mais pessoas do

Mais de 40% dos sobreendividados que procuram ajuda

Falências decretadas nos tribunais

Em percentagem do total

79,2

19,3

2007

Empresas

Singulares

2008

Sobreendividamento

de singulares na Deco

Número de processos

152 241

Número de processos

Por delegação da Deco

Não estão a ser

devidamente

avaliados os custos,

a médio prazo,

de uma sociedade

doente, incapaz

de responder

às necessidades

do país

2009

2010

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

Lisboa

1661

79,4

19,9

379 515 573

V. Castelo

114

Coimbra

355

Santarém

223

Évora

Algarve

405

Norte

1292

238

Fonte: Ministério da Justiça, Deco e Pordata

72,0

27,6

737 905

65,4

Sobreendividados

por faixa etária

Sobreendividados

por escolaridade

34,4 45,1%

1976 2034

20-30 anos 6,8%

31-50

51-70

>70

1.º Ciclo

2.º Ciclo

3.º Ciclo

E. Secundário

E. Superior

1,2%

2011

2812 2837

31%

14%

14,5%

13,2%

54,7%

4288

61%

26,3%

32%

O peso da classe média — “que até

1974 era absolutamente residual”,

nota o investigador — resulta, na

sua perspectiva, de vários factores

conjugados. Refere-se à progressiva

generalização da frequência do

ensino superior que se refl ectiu na

proliferação das profi ssões liberais;

e também ao crescimento do sector

público, que vê como o principal canal

de mobilidade ascendente para

as classes trabalhadoras, graças às

políticas centradas em áreas como

a Educação, a Saúde, a Justiça ou a

Administração Pública.

A afi rmação do Estado Social e os

fenómenos de litoralização do país

e de concentração urbana são outros

dos factores que na sua óptica

“se viriam a mostrar decisivos quando,

após a instabilidade dos anos

80, Portugal entrou numa espécie

de euforia política e económica”,


que empresas a abrir falência

na Deco acumulam quatro ou mais créditos

Desempregados inscritos nos centros de emprego

Em milhares

1995

451,8

1985

355,5 1990

304,2

+ de 100

mil euros

2009

1990

Causas para o sobreendividamento

Em percentagem do total

Agravamento do

Custo de Crédito

5,9

Divórcio/ Separação

10,3

Outro

10,5

Desemprego

31,4

Morte de Elemento

Agregado Familiar

3,8

Deterioração das

Condições Laborais

21,7

Doença

16,4

2000

326

Número de créditos por famílias

sobreendividadas

4-7

8-10

33%

2005

479,4

Agregados familiares, por escalões de rendimento bruto anual, em milhares de euros

50-

100

40-

50

32,5

-40

3,5% 5,7%

>10 créditos

6% 3%

1-3

58%

2010

541,8

2011

605,1

27,5-

32,5 19-27,5 13,5-19 10-13,5 5-10 Até 5000 euros

8,1%

acentuada pela entrada de fundos

da Comunidade Europeia.

Despido da fundamentação teórica,

o retrato é quase caricatural.

Elísio Estanque fala dos grupos instalados

nas periferias urbanas que

alimentam a ambição de ascensão

social tendo como termo de comparação

o mundo rural, contingente

e precário da geração dos pais.

Considera que aqueles grupos, ao

conquistarem empregos ‘limpos’,

que imaginavam estáveis e seguros,

acreditaram estar, “desde logo, confortavelmente

instalados na classe

média”. É neste contexto, analisa,

que se dá o “casamento” que o investigador

considera “fatal”: a ânsia

daqueles grupos de adoptarem padrões

de vida europeus, modernos

e urbanos coincide com o fl orescer

do mercado do crédito.

“Não responsabilizo especialmen-

12,2% 14,6% 14,2% 28,8% 12,9%

31,7%

te as pessoas, do ponto de vista individual.

Não tenho dúvidas de que se

tratou de um programa de facilitação

do crédito estrategicamente montado,

planeado e orientado por parte

da própria banca”, comenta Elísio

Estanque. Considera que as consequências,

que hoje estão à vista”,

“foram agravadas, por um discurso

político que, ao invés de ter um teor

pedagógico e preventivo, instigou

ao consumo e ao progressivo endividamento”.

São inúmeras as testemunhas directas

dos acontecimentos de que

fala o investigador, algumas delas

colocadas em postos de observação

privilegiados. É o caso de Natália

Nunes, responsável pelo Gabinete

de Apoio ao Sobreendividado (GAS)

desde que aquele foi constituído, em

2000. Recorda-se de que os primeiros

consumidores a pedirem auxílio

48,7%

As pessoas pedem

ajuda sob a

condição de total

confidencialidade.

Escondem a sua

situação dos

vizinhos e até

dos familiares

à DECO tinham recorrido ao crédito

para comprar casa, carro, mobílias,

computadores ou electrodomésticos”.

Hoje a situação é diferente: de

uma forma genérica, diz, as pessoas

não conseguem identifi car o que

as levou a pedir empréstimos. Por

uma razão simples: “A maior parte

das famílias tem cinco ou mais créditos,

sendo que os mais recentes

são contraídos para fazer face aos

antigos…”, explica Natália Nunes.

Em 11 anos multiplicaram-se os

pedidos de apoio ao GAS, que em

2000 deram origem à abertura de

152 processos, em 2010, a perto de

três mil, e no ano passado a 4288. E

Natália Nunes não hesita em situar as

pessoas que hoje vivem as situações

mais graves no grupo estudado por

Elísio Estanque, a classe média. Do

total de consumidores apoiados, 61

por cento têm idades compreendidas

entre os 30 e os 50 anos; 45 por

cento concluíram o ensino secundário

ou universitário e a maior parte

tem rendimentos superiores a 1500

euros por mês. São pessoas reais,

que aparecem diluídas no ensaio de

Elísio Estanque, enquanto membros

de um segmento social que se tornou

vítima da “progressiva redução dos

direitos sociais e laborais, do consequente

aumento da insegurança,

do desemprego e das medidas de

austeridade”.

No livro, o investigador fala desta

classe média atribuindo-lhe “vivências

de carácter bipolar”, em que

“um quotidiano depressivo se conjuga

com técnicas de dissimulação e

disfarce”. Estanque chega a afi rmar

que o quadro roça “a patologia social”,

que um grupo continua “a

negar a todo o custo uma realidade,

mesmo quando já mergulhou nela

até ao pescoço”.

A descrição corresponde ao mundo

em que se move, diariamente, o

presidente da Caritas, Eugénio Fonseca.

“As pessoas recusam-se a assumir

a perda de status, aguentam

muito para além do limite do razoável,

procurando manter a aparência

de um estilo de vida que já não são

capazes de pagar. E quando fi nalmente

nos procuram, a gravidade

das situações é tal que ultrapassa,

em muito, a nossa capacidade de

intervenção”, lamenta.

Natália Duarte lida com o mesmo

tipo de comportamento: “As pessoas

pedem ajuda sob a condição de total

confi dencialidade. Escondem a sua

situação dos vizinhos e até dos familiares

que, temem, se afastariam se

dela tivessem conhecimento”, afi rma.

O presidente da Confederação

Nacional das Instituições Particulares

de Solidariedade Social (CNIPE),

o padre Lino Maia, confronta-se com

os mesmos problemas, mas sublinha

que as pessoas sobreendividadas

“preocupam-se, principalmente,

com a iminência de as difi culdades

afectarem os fi lhos, aos quais procuram

proporcionar o mesmo estilo

de vida que tinham antes, ainda que

eles próprios estejam, já, a cortar na

sua alimentação”.

As próprias instituições de apoio

social têm vindo a ajustar protocolos

para acolher estas pessoas,

que na necessidade de ajuda e na

Público Domingo 29 Janeiro 2012 23

situação de pobreza se somam aos

sem-abrigo, mas têm um perfi l muito

diferente.

“São professores, juristas, arquitectos,

engenheiros”, enumera Eugénio

Fonseca. E não procuram apenas

o que comer: “Pedem ajuda para pagar

a renda, a água, a luz, as propinas

dos fi lhos”, completa Lino Maia.

Deram origem a um novo conceito, o

de pobreza envergonhada, e começaram

há dois ou três anos a aparecer

nos noticiários sob a designação

de ‘novos pobres’, falando sempre

sob anonimato, com a voz distorcida,

fi lmados ou fotografados de costas

ou em contraluz. “Nesse aspecto,

a situação piorou: hoje difi cilmente

se consegue que estas pessoas falem,

mesmo nessas condições”, diz Lino

Maia. O que aconteceu? “As pessoas

estão deprimidas”, diagnostica o

presidente da Caritas.

Elísio Estanque hesita em falar

de um grupo social ‘doente’. Mas

acaba por assumir a expressão, para

designar “o estado de segmentos

da população que em duas décadas

alimentaram expectativas fortíssimas

e legítimas de mobilidade social

ascendente e que agora caem

na pobreza, sem perspectivas de retornar,

sequer, à posição anterior”.

“É doentia”, considera, a forma “envergonhada,

calada e silenciosa” como

esta frustração está a ser vivida

por aqueles que ao mesmo tempo

“encenam uma normalidade que

não existe”.

“Quando falam dos perigos da

confl itualidade social, os agentes

políticos só pensam nas manifestações

de rua. Esquecem que esta forma

de sofrimento é uma outra forma

de confl itualidade, muito mais corrosiva,

muito mais destruidora da

afi rmação do sujeito na sua relação

com os outros”, alerta o sociólogo.

Elísio Estanque considera que “não

estão a ser devidamente avaliados os

custos, a médio prazo, de uma sociedade

doente, incapaz de responder

às necessidades do país”. Eugénio

Fonseca, da Caritas, recorre à experiência

de contacto com estes grupos,

no terreno, para avisar que, “só do

ponto de vista da saúde pública, os

custos já serão tremendos”. “Não há

dados, não há estudos, ainda está tudo

a acontecer. Mas temo bem, devido a

alguns casos concretos que conheço,

que estes ‘novos pobres’, com qualifi -

cações superiores e sem perspectivas

de recuperar o estatuto social perdido,

sejam os responsáveis pelo engrossar

das estatísticas do consumo de ansiolíticos

e até de suicídios”, avisa o presidente

da Caritas.

O próprio Elísio Estanque prepara

um trabalho académico nesta área,

centrado nestes segmentos “que caíram

um ou dois degraus na pirâmide

social”. Afi rma que não quer ser dramático

e que “confi a na capacidade da

sociedade de se regenerar”, mas em

relação à forma como tal acontecerá

não arrisca qualquer hipótese. Tem

“poucas ou nenhumas dúvidas”, no

entanto, “de que as consequências

serão gravíssimas no que respeita ao

acentuar das desigualdades entre ricos

e pobres” — “Nesse aspecto, não

sei como é que se pode evitar um retrocesso”.


24 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Economia

Banqueiros

chegaram este

ano a Davos

mais humildes

e mais pequenos

Há um ano, pensavam que podiam sair da crise,

crescendo. Agora, já assumem que a única saída é

encolher. O objectivo da fi nança mundial presente em

Davos é recuperar a confi ança perdida

Christine Harper

a Os líderes dos maiores bancos

mundiais vieram ao Fórum Económico

Mundial em Davos elogiar as

virtudes da austeridade – para eles

próprios, não apenas para os estados

endividados.

Muitos chegaram aos Alpes suíços

a seguir a um ano de receitas fracas,

acções em queda e cortes nos empregos

e nos salários. E o sector bancário

e fi nanceiro continua a ser o “menos

credível” pelo segundo ano consecutivo,

de acordo com um inquérito

realizado em 20 países pela empresa

de relações públicas Edelman e publicado

no início da semana passada.

“No ano passado, quando estiveram

no Fórum, todos os bancos

pensavam que podiam escapar aos

problemas, crescendo”, lembra no intervalo

entre duas sessões em Davos

Huw van Steenis, analista do Morgan

Stanley em Londres. “Agora, aperceberam-se

que têm de encolher para

escapar aos problemas”, diz.

As empresas do sector fi nanceiro,

principalmente na Europa Ocidental

e nos Estados Unidos, anunciaram

mais de 238 mil despedimentos desde

o encontro de Davos do ano passado.

Vários bancos, incluindo o Bank of

America, o Deutsche Bank e o HSBC

venderam activos e emagreceram

para se adaptarem às exigências de

capital aprovadas pelo Comité de Basel,

às novas regulações nacionais e

ao abrandamento na economia europeia.

“É um tempo com grandes desafi

os para a indústria dos serviços fi -

nanceiros, por isso é difícil não ser

cauteloso”, reconhece numa entrevista

à Bloomberg Television, Anshu

Jain, que assumiu o cargo de co-CEO

do Deutsche Bank em Maio. Está a

ser feita e continuará a ser feita uma

ponderosa consolidação na nossa indústria”,

afi rma. O Deutsche Bank, o

maior credor alemão, está a ponderar

a venda da sua unidade de gestão de

activos, à medida que procura capital

para se adaptar às regras de Basel. O

banco sedeado em Frankfurt está a

reduzir os custos globalmente e anunciou

em Outubro que iria despedir

500 funcionários das suas unidades

de banca corporativa e de acções até

ao dia 31 de Março.

Há um ano, os banqueiros tentaram

em Davos convencer os reguladores

a a exigir menos na nova regulação,

argumentando que instituições

fi nanceiras com menos capital

e sujeitas a menos restrições seriam

uma ajuda ao crescimento económico.

Esses argumentos não foram bem

sucedidos, afi rma Robert Diamond,

CEO do Barclays numa entrevista realizada

antes de um encontro a portas

fechadas realizado entre os líderes

fi nanceiros presentes em Davos. O

Barclays anunciou 422 despedimentos

no início deste mês.

“Em 2011, quando saímos de Davos,

havia optimismo de que seria

possível fazer progressos sérios ao

nível do ambiente de regulação. Mas

na procura de um balanço entre um

sistema fi nanceiro mais seguro e saudável

e o crescimento económico e

dos empregos, o progresso foi mais

feito no seguro e saudável”, afi rma.

A preocupação em relação à capacidade

dos políticos europeus para

reduzir a dívida pública é a discussão

que domina o encontro de Davos deste

ano. Embora a maior parte dos banqueiros,

incluindo Jain e Diamond,

tenham dito que estavam confortados

com a decisão do Banco Central

Europeu de conceder empréstimos

a três anos para os bancos da região,

ninguém garantiu ter a certeza sobre

o que irá acontecer a seguir.

“A ressaca europeia é real, e embora

o sentimento tenha melhorado

bastante, ainda está connosco. Vamos

ter de ser muito cautelosos”, afi rma

Vikram Pandit, CEO do Citigroup.

James Gorman, CEO do Morgan

Stanley, está este ano pela primeira

vez no encontro de Davos e diz que

os banqueiros são “ingénuos” se não

compreenderem que o sector vai ter

de pagar menos aos seus empregados.

“O sector bancário passou por

uma mudança profunda e temos de

nos adaptar. Quando sairmos disto e

começarmos a melhorar o desempenho,

obviamente que os vencimentos

vão refl ectir essa nova realidade. Até

esse momento, temos de respeitar o

facto de os accionistas terem de ser

pagos também”, afi rma.

Os bancos têm de reconquistar a

confi ança do público, servindo os

clientes, não a si próprios, afi rmou

Pandit na passada quarta-feira, na

conferência de imprensa de abertura

do encontro de Davos.

O Citigroup, o terceiro banco dos

EUA com mais activos, anunciou na

semana passada que iria eliminar

1200 empregos para poupar 600

milhões de dólares este ano. Os despedimentos

já tinham começado no

ano passado e deverão chegar aos

5000. São cerca de 1,9% dos 266 mil

funcionários do banco.

Os comentários de Pandit surgem

ao mesmo tempo que a consultora

Oliver Wyman revela os resultados de

uma sondagem que mostra que 63%

das pessoas numa amostra à escala

mundial não confi am em ninguém a

não ser nelas próprias para gerir as

suas poupanças para a reforma. Os

bancos recebem a confi ança de menos

de 8% dos inquiridos nos EUA e

no Reino Unido, revela o estudo.

Para reconquistar a confi ança, os

bancos vão ter de oferecer produtos

Banqueiros presentes no

encontro de Davos deste ano

reconheceram que não é tempo

para pensar em salários altos Nos últimos quatro dias, o

presidente executivo da Galp

simples que aparentem oferecer valor

a quem investe, diz o mesmo estudo.

E, para fazer isso, os bancos e

as seguradoras terão provavelmente

de cortar um quarto dos seus custos

durante os próximos oito anos, vendendo

os seus produtos online, por

exemplo.

Outra das conclusões da consultora

é a de que a instituições fi nanceiras

que não são bancos – incluindo seguradoras

e hedge funds – podem estar

melhor preparadas para conceder

crédito de longo prazo às empresas

e aos particulares. A sondagem da

Oliver Wyman revela que, nos EUA

e no Reino Unido, há mais pessoas a

confi ar mais em gestores de activos

do que em bancos para entregar as

suas poupanças para reforma.

Isso pode explicar a escolha de música

para o fi nal de um encontro privado

para investidores, que incluiu

Daniel Loeb, CEO do hedge fund

Third Point, e Louis Bacon, CEO da

Moore Capital Management. O grupo,

que esteve reunido na quintafeira

durante quatro horas e ouviu

os conselhos de Timothy Geithner e

de Axel Weber, concluiu a sessão ao

som de “Rehab”, de Amy Winehouse.

Bloomberg News

“Ir a Davos é como encont

Energia, Manuel Ferreira de

Oliveira, praticamente não falou

português. É uma das escassas

presenças nacionais no Fórum

Económico Mundial, que termina

hoje em Davos, na Suíça. Na lista

de 2600 participantes, só ele e o

CEO da Jerónimo Martins, Pedro

Soares dos Santos, representam

o país, além de António Guterres,

enquanto alto-comissário

das Nações Unidas para os

Refugiados. Talvez por isso não

seja surpreendente que, com

Portugal a meio de um resgate

financeiro, Ferreira de Oliveira

tenha sido alvo de um “teste” com

origem no nosso principal credor,

a Alemanha.

Depois de uma amena

conversa com o líder de uma

grande empresa alemã, o

presidente da Galp foi brindado

com uma pergunta incómoda:

“O senhor tem algum plano

preparado, na sua empresa,

para a implosão do euro ou da

Europa?”. Ferreira de Oliveira

devolveu a pergunta. “Ele riu-se

e disse que não, porque achava

impossível que houvesse um

colapso do euro ou da Europa”,


armo-nos com o mundo”, diz o estreante Ferreira de Oliveira

conta, salientando que, “mesmo

no olho do furacão, na Alemanha”,

essa hipótese não é considerada.

Desde Outubro do ano passado

que o presidente da Galp Energia

está a preparar a sua ida ao

Fórum de Davos. Marcou com

antecedência quase duas dezenas

de reuniões na estância de ski nos

Alpes suíços. Os encontros iam

de 10 minutos a uma hora e meia.

Reuniu-se com os presidentes de

outras grandes empresas do sector,

com clientes internacionais, com

fornecedores e com parceiros de

negócio. O líder da brasileira

Petrobras, José Grabrielli de

Azevedo, é um dos parceiros

da petrolífera nacional que

também esteve em

Davos. “Se tivesse

de me deslocar aos

países das pessoas

com quem queria

falar ou conhecer, iria

perder necessariamente

um mês”, explica,

salientando, contudo, que

não foi ao Fórum para

fazer negócios. “É um

ambiente para trocar

ideias e actualizar

informação”, afirma.

Para conseguir fazer

muito em tão pouco tempo, os dias

foram aproveitados ao minuto.

Às 8h da manhã, Ferreira de

Oliveira já estava em encontros.

Todo o tempo livre pelo meio ia

para os eventos – mais de 280

oficiais, entre debates, workshops

e painéis, sem contar com os

privados. “A primeira sensação é

de frustração, porque gostaria de

ser capaz de me multiplicar por

vários”, revela. Os dias terminavam

às 10h da noite e, mesmo assim,

pareciam não dar para tudo.

Para Ferreira de Oliveira, tratase

de uma estreia no palco onde,

todos os anos, se encontram

os líderes mundiais

para discutir as grandes

tendências e as preocupações

internacionais. “É como

se saíssemos de

Portugal e fôssemos

para um sítio onde

nos encontramos com

o mundo; atropelamonos

uns aos outros”,

explica o presidente

da Galp Energia. Com

representantes do poder

político, económico

e social em todas as

esquinas, Ferreira

de Oliveira diz que,

REUTERS/CHRISTIAN HARTMANN

“em cada sítio onde se pára, temse

uma experiência nova, como

conversar com um professor da

melhor universidade dos Estados

Unidos ou falar com o líder de uma

empresa chinesa ou norueguesa”.

Quanto às preocupações, são

diferentes consoante a origem

geográfica. As intervenções

e as conversas com os líderes

dos países do hemisfério Norte

denotam grande preocupação com

o emprego. Segundo Ferreira de

Oliveira, as atenções estão aqui

voltadas para o drama da criação

de emprego, de dar oportunidades

à geração jovem e para o acentuar

das desigualdades sociais. No

hemisfério Sul, os problemas são

outros: como gerir o crescimento,

como evitar a saída para o Norte da

riqueza aí acumulada, impedindo a

“endogeneização do crescimento”,

como lhe chama.

No meio de todas as

preocupações mundiais, “a crise

da dívida na zona euro é um

tema, mas não é o tema”, salienta

o presidente da Galp. Mesmo que

seja esta mesma crise a trazer o

risco de colapso do euro para o

meio da conversa entre dois líderes

empresariais, um português e

outro alemão. Ana Rita Faria

Público Domingo 29 Janeiro 2012 25

Tranferência de soberania orçamental

Alemanha propõe retirar

poder ao Governo grego

Sérgio Aníbal

a Nas vésperas de uma cimeira europeia

em que as novas regras orçamentais

da zona euro vão ser discutidas,

a Alemanha propôs aos seus

parceiros uma transferência inédita

de soberania orçamental dos países

a benefi ciar de um pacote de apoio

fi nanceiro e que não cumpram para

os ministros das fi nanças dos outros

países da zona euro.

A notícia foi publicada ontem pelo

Financial Times e dá conta de uma

proposta enviada pelo Governo alemão

aos ministros das fi nanças da

zona euro com o objectivo de impedir

que um país que esteja a receber

empréstimos da troika, não adopte

de forma persistente as medidas acordadas.

O visado imediato é naturalmente

a Grécia.

A proposta, a ser aprovada, levaria

à transferência de soberania em

questões orçamentais do governo

grego para um novo “comissário orçamental”,

nomeado pelos ministros

das Finanças da zona euro. Este poderia,

por exemplo, vetar decisões

tomadas pelo Executivo grego que

conduzissem ao incumprimento de

metas estabelecidas. E assumiria uma

função apertada de fi scalização em

relação às principais componentes

da despesa pública.

A Grécia, de acordo com estas novas

regras, fi caria também obrigada

a, antes de qualquer outra despesa

(incluindo salários e pensões), cumprir

os seus compromissos de dívida

pública. Deste modo, dizem os autores

da proposta, os mercados poderiam

ter a certeza de que não haveria

um default do Estado grego.

O documento, cita o Financial Times,

argumenta que “dada o cumprimento

desapontador até agora, a

Grécia tem de aceitar transferir soberania

orçamental para o nível europeu

por um determinado período

de tempo”.

As agências noticiosas Reuters e

Bloomberg também noticiaram ontem,

citando responsáveis políticos

da zona euro não identifi cados, que

estava a ser discutida a possibilidade

da troika constituída pela Comissão

Europeia, FMI e BCE fi car com maior

poder de intervenção na política orçamental

dos países onde está a ser

implementado um programa de ajustamento.

A troika poderia, de acordo

com algumas propostas, com poder

para impor medidas que tenham sido

acordadas previamente entre as

partes.

O Governo alemão não fez, durante

o dia de ontem, qualquer comentário

à notícia publicada pelo Financial

Times. A Grécia, através de

um porta-voz do Governo, recusou

liminarmente a hipótese de perda

de soberania orçamental do país. A

Comissão Europeia também reagiu.

Amadeu Altafaj, o porta-voz do co-

missário europeu para os Assuntos

Económicos e Financeiros, garantiu

que as tarefas executivas “se mantém

nos ombros” do Governo grego e que

“é lá que devem fi car”. Afi rma apenas

que “a Comissão está decidida a

reforçar a sua capacidade de monitorização

e continua a reforçar a sua

capacidade no terreno”.

O surgimento destas propostas são

uma demonstração do descontentamento

crescente entre os principais

credores da Grécia em relação à forma

como o Governo grego, agora liderado

por Lucas Papademos, está

a executar as medidas previstas no

programa de apoio fi nanceiro. Os

elementos da troika vêem poucos

avanços na adopção das medidas

que julgam ser necessárias para cortar

o défi ce.

Entretanto, continuam as negociações

em Atenas. Lucas Papademos

teve ontem mais um dia agitado. o

primeiro-ministro grego começou por

se reunir com os elementos da troika,

para discutir os detalhes do desejado

segundo pacote de apoio fi nanceiro

Angela Merkel

está descontente

com o

incumprimento

grego e quer uma

transferência

da soberania

orçamental

e das medidas que o Governo terá de

adoptar para garantir o cumprimento

dos objectivos orçamentais.

A proposta apresentada pela troika

a Atenas inclui, também de acordo

com o Financial Times, uma lista de

medidas que o Governo terá de tomar

ainda antes do novo pacote de ajuda

ser aprovado. Entre estas medidas está

uma redução adicional do número

de funcionários públicos. O bjectivo

exigido é uma diminuição de 150 mil

efectivos no espaço de três anos.

A troika exige igualmente cortes

substanciais nos sectores da Defesa

e da Saúde, para além do fecho de

diversos organismos da Administração

Pública. Em cima da mesa está

também um corte no valor do salário

mínimo e a eliminação dos subsídios

para o trabalhadores do sector privado,

algo que o Governo grego não

parece disposto a aceitar.

A seguir, Papademos voltou a encontrar-se

com os representantes do

Instituto de Finanças Internacional

(IIF), para acertar a reestruturação

da dívida grega detida por privados.

Um acordo com os credores privados

também é exigido pela troika para

aprovar o novo pacote de ajuda.

Os líderes europeus têm afi rmado

estar à espera da obtenção de um

acordo ainda antes do início da cimeira

que começa amanhã. Contudo,

ontem, o IIF comunicou que apesar

de estar próximo, o acordo deverá

ser concluído apenas na próxima

semana.


26 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Economia A semana

As 5 mais

REN Portucel Papel Sonae BCP Galp

2,180

2,135

2,090

2,07

2,000

20

23

24

Valor das acções em euros

25

Var.

0,72%

26

2,085

Cumpra-se ou não nas estatísticas,

este é certamente um dos adágios

financeiros em que os investidores

perderão uns minutos a matutar:

como correrem os mercados em

Janeiro, assim correrá o ano.

Na leitura que é possível

fazer das primeiras semanas

de 2012 não se encontra uma

tendência clara de como está a ir

o mercado: por um lado, alimentase

um regresso do optimismo

moderado, por outro, alguns sinais

de nervosismo na zona euro e,

As 5 menos

27

1,900

1,875

1,850

2,545

1,800

20

23

24

Valor das acções em euros

25

Var.

0,87%

26

2,62

27

0,50

0,48

0,46

0,452

0,42

20

23

24

Valor das acções em euros

25

26

0,457

27

0,145

0,139

0,135

0,130

20

23

24

Valor das acções em euros

PT EDP BPI BRISA Banif

4,250

4,18

4,125

4,000

3,875

3,750

20

23

24

Valor das acções em euros

25

26

Var.

-5,0%

3,971

27

2,3750

2,2500

2,1875

2,1250

A figura Nuno Amado

Nuno Amado, o homem que vai

substituir Carlos Santos Ferreira

à frente do BCP, é, naturalmente, a

figura da semana. Ninguém sabe

se vai tirar uns dias nos Alpes

para se preparar para a missão.

Mas se o puder fazer não seria

propriamente má ideia, porque

a tarefa que tem pela frente não

será seguramente fácil e uns bons

dias de descanso no local que lhe

aporta aquela dose suplementar

de tranquilidade interior poderiam

funcionar como um excelente

tónico para os tempos difíceis que

terá seguramente pela frente.

Nuno Amado não é um

banqueiro mediático, mas todos

dizem que é um grande banqueiro.

Cultiva uma discrição que faz com

que se olhe mais para o que faz

do que, propriamente, para o que

diz. E fez muito num banco onde

teve que substituir alguém que

acabou por ser recrutado para a

liderança do histórico Lloyd’s. O

Santander Totta ficou sem Horta

Osório, mas não ficou órfão de

comando. Nuno Amado consolidou

a base estabelecida e prosseguiu o

caminho da expansão.

no caso da bolsa portuguesa,

uma trajectória descendente

nem sempre acompanhando as

principais praças europeias.

Nas últimas cinco sessões,

o PSI-20 regressou a terreno

negativo, ao acumular uma

queda de 0,93%, com 11 cotadas a

encerrarem com perdas. Desde o

início do ano, o PSI-20 perdeu (até

à última sexta-feira) 1,08% do seu

valor.

Peso-pesado do índice

português, a Galp foi, na última

2,3125

2,29

20

Valor das acções em euros

23

24

25

Var.

-3,10%

26

2,219

27

É, por isso, uma boa escolha.

Chega ao BCP pelo lado da

competência que demonstrou ao

longo de décadas na banca. E não

como corolário de uma batalha

de poder que deixou cicatrizes

difíceis de fechar no maior banco

privado português.

Não é fácil a tarefa. Herda um

banco que viveu muitos anos

orientado para as clientelas e

não tanto para os clientes. Um

banco que se derreteu em bolsa

até aos 10 cêntimos por título

e que perdeu vários milhares

de milhões de euros em

capitalização bolsista. Um

banco que perdeu um dos

activos fundamentais que

tinha em posse: o de ser

considerado uma fortaleza

inexpugnável.

Amado tem uma tarefa

ciclópica pela frente. A

urgência de recapitalizar a

instituição, a crescente fome

de influência do seu maior

accionista, a Sonangol. E a

mais que provável entrada

de um novo investidor de

referência no capital do BCP,

Var.

1,11%

semana, a cotada que registou a

maior valorização, tendo chegado

a cotar-se a 12,88 euros no fecho

a meio da semana. Pelo contrário,

entre as maiores perdas ficaram

outras duas empresas com grande

peso no índice: a PT, ao tombar 5%,

e a EDP, que cedeu mais de 3%.

A banca contou com duas

cotadas entre as maiores descidas

(BPI e Banif). Mas ao conseguir

crescer no final da semana, o BCP

conseguiu valorizar 1,44%, depois

de serem notícia as mudanças

0,560

0,545

0,530

0,500

20

23

24

Valor das acções em euros

25

Var.

-3,04%

0,527 0,511

26

27

PSI-20

Índice em pontos

7000

6000 5992,54

5000

4000

27 Out

2,750

2,625

2,549

2,500

2,375

2,250

20

23

24

Var.

1,44%

25

Última semana

26

0,141

27

Valor das acções em euros

25

Var.

-0,93%

5434,89

26

27 Jan

Var.

-2,94%

2,474

desta feita com pronúncia chinesa.

Nuno Amado gosta de desafios.

É um homem atento às mudanças

que se estão a operar no sistema

bancário. Trabalhou integrado

num grupo, o Santander, que é

dos maiores do mundo. Dispõe

das ferramentas para reconstruir

o edifício. Mas tem que mostrar

que as expectativas não sairão

furadas como um balão que

rebenta no seu caminho para

o infinito.

O primeiro teste

será o da composição

da equipa dirigente.

Sobrepor aos apetites

accionistas uma lógica de

competência e capacidade

de desempenho,

nomedamente no pelouro

financeiro, será um dos

primeiros desafios de

Amado e dará, certamente,

para perceber se o novo

presidente executivo é

capaz de fazer vingar a

lógica do profissionalismo

em detrimento dos

interesses grupais. José

Manuel Rocha

27

13,500

13,125

12,750

12,42

12,000

0,32

0,31

0,29

20

0,306

20

23

23

Var.

2,74%

24

24

Valor das acções em euros

25

26

12,76

de governação no maior banco

privado português.

Nos mercados de dívida, a

tensão diminuiu no caso de Itália

e Espanha, mas acentuou-se sobre

Portugal e a Grécia.

A semana terminou com um

novo corte de rating, da agência

Fitch, na zona euro, a penalizar

em especial Itália e Espanha

e a reflectir os receios sobre a

economia da zona euro, para quem

o FMI prevê agora uma recessão

de 0,5%. Pedro Crisóstomo

O número

60

27

Valor das acções em euros

25

Var.

-1,96%

26

0,3

27

Valor estimado, em milhares

de milhões de euros, dos

títulos de dívida pública

grega detidos actualmente

pelo Banco Central Europeu.

Com as conversações entre

os credores privados e o

Governo de Atenas para o

perdão de parte da dívida

ainda a decorrerem, a entidade

liderada por Mario Draghi

está a ser cada vez mais

pressionada a ajudar ainda

mais a Grécia, aceitando

também perdas nos seus

títulos obrigacionistas. Um

passo pedido esta semana

pelo FMI e mesmo por alguns

responsáveis políticos

europeus e que o BCE se

recusa determinantemente

a dar. O receio em Frankfurt

é o de que o banco central

possa ser a vítima seguinte no

contágio da crise do euro.


Economia Gestão

Aposta na variedade de mercados

reforça lucros da Auto Sueco

Apesar da crise em Portugal, facturação cresce 20%, com o Brasil a pesar

quase metade nas receitas. Angola, Turquia e EUA também crescem

Inês Sequeira

a É costume dizer-se que não se devem

pôr todos os ovos no mesmo

cesto. Ora, o que se aplica às pessoas

serve também para as empresas,

como demonstra o exemplo da Auto

Sueco. Num ano de crise em Portugal

e Espanha, a presença em mercados

como o Brasil levou a uma subida de

20% no volume de negócios para o

valor mais alto de sempre, de 1,2 mil

milhões de euros.

O “ovo” do Brasil foi o mais importante,

e terá tendência a crescer ainda

mais durante os próximos anos,

indicou em entrevista ao PÚBLICO o

presidente executivo, Tomás Jervell.

O resultado deverá ser um lucro recorde

superior a 30 milhões de euros,

superior entre 60 a 70% a 2010 (o que

se confi rmará apenas no fi nal de Fevereiro,

com o fecho do exercício), e

um EBITDA de 90 milhões de euros

(tinha sido de 66 milhões no exercício

anterior).

A Auto Sueco começou no maior

país da América Latina apenas em

2007, como concessionária de pe-

sados da Volvo em Mato Grosso,

seguindo-se a entrada no estado de

São Paulo em 2010. Agora, passados

quatro anos, este é um mercado que

“já representa 40,8% da facturação”

e que subiu 23% em 2011, para 500

milhões de euros, sublinha o responsável

máximo do grupo nortenho.

A estratégia passa por “um plano

de investimentos bastante agressivo,

de crescimento orgânico”, que prevê

a abertura de várias instalações

durante os próximos anos e poderá

estender-se à compra de outras empresas

dentro e fora do sector, revela

Tomás Jervell. O objectivo é passar

a liderar o mercado de pesados em

São Paulo ainda em 2012 (são agora

segundos). E “até por uma questão

demográfi ca”, o Brasil deverá representar

mais de metade da facturação

da Auto Sueco até 2015, acredita.

A prova de que o outro lado do

Atlântico é relevante para este grupo

que iniciou actividade no Norte

de Portugal em 1933, pela mão de

Luiz Oscar Jervell – foi a abertura de

um centro corporativo em São Paulo,

no início do Verão passado. “Temos

Holanda representa “estabilidade fiscal”

Não foi recentemente que a Auto

Sueco criou uma holding na

Holanda, onde tem parqueadas

todas as operações internacionais,

mas sim há já 10 anos. Tomás

Jervell prefere não comentar a

polémica recente ligada ao grupo

Jerónimo Martins, mas sempre vai

indicando que a razão principal

para a escolha da Auto Sueco

“tem a ver com estabilidade

fiscal”. Por outro lado, “é o país

com o maior número de acordos

de dupla tributação”, um aspecto

importante, uma vez que nenhuma

empresa gosta de pagar impostos

a dobrar.

No entanto, para o gestor, o

mais importante é mesmo o facto

de as regras ali não estarem

constamente a mudar. “É um país

amigo do investidor nesse sentido,

não tanto pelas vantagens fiscais

que retiramos a longo prazo, que

até podem ser algumas, mas

PEDRO CUNHA

que no imediato não existem”. A

estratégia de diversificação dos

últimos anos estende-se também

ao mercado do crédito. “O que

temos feito, desde que entrámos

no Brasil, foi dispersar bastante o

nosso portfolio de financiamento”,

indica. “Temos hoje núcleos de

financiamento importantes quer

no Brasil quer em Angola”.

Já o investimento em Portugal

continua a estar parqueado em

bancos nacionais e sente o peso do

encarecimento do crédito, “mas é

um volume estável”. O investimento

português mais importante este

ano será de sete milhões de euros,

numa nova fábrica mais moderna

de reciclagem de pneus ligada à

Biosafe, empresa do grupo. Quanto

ao número de trabalhadores, o

grupo fechou o ano passado com

4200 pessoas a nível global, mais

5,7% que em 2010 – principalmente à

custa do Brasil.

Público Domingo 29 Janeiro 2012 27

aí cerca de 30 pessoas que apoiam

e controlam os negócios no Brasil

e detectam novas oportunidades”,

indica o descendente do fundador.

[Luiz Oscar Jervell criou ofi cialmente

a Auto Sueco em 1949, juntamente

com Ingvar Poppe Jensen].

No entanto, nem apenas deste país

se faz a actividade do grupo, nem

só da representação dos camiões e

autocarros da marca sueca. Além de

Portugal, a partir de onde controlam

várias actividades no estrangeiro, o

terceiro centro corporativo fi ca em

Angola – o primeiro país para onde a

Auto Sueco se expandiu já há 20 anos,

a convite da Volvo. Neste país, onde

o grupo vende máquinas de construção

civil e pesados, um crescimento

de 45% para 164 milhões de euros,

em 2011, acabou por compensar um

desempenho mais fraco no ano anterior

– quando a falta de pagamentos

do Estado angolano às construtoras

se refl ectiu numa descida de mais de

50% do volume de negócios naquele

mercado.

Tomás Jervell reconhece que a actividade

económica no país “tem vindo

a normalizar-se” e acredita que 2012

será mais um ano de crescimento

importante, ainda para mais face a

novos investimentos – como a construção

de um aldeamento para trabalhadores

expatriados e colaboradores

e de um novo escritório, “num dos

edifícios de escritórios mais importantes

em Luanda”. Mas ainda assim,

feitas as contas, o peso dos negócios

em Angola na facturação total da Auto

Sueco, que subiu de 11 para 13% no

último ano, ainda está longe dos 37%

que este mercado representava há

pouco tempo atrás.

O ritmo de crescimento dos Estados

Unidos e da Turquia foi também

importante, sublinha. Nestes dois

países, o grupo vende máquinas de

construção civil, através da participada

Auto Sueco Coimbra, e a actividade

tem ganho forças. Namíbia,

Botswana, Quénia e Tanzânia, ainda

com um peso conjunto de 0,4%, são

outros mercados que estão a subir.

Aguentar o barco

Em contrapartida, Portugal é um

mercado que continua a cair. “Estamos

a passar por um período menos

feliz e com desempenhos menos conseguidos

em Portugal, mas as coisas

estão razoavelmente estabilizadas.

Temos uma estrutura muito afi nada

e estamos preparados para aguentar

dois ou três anos mais difíceis”, assegura

Tomás Jervell.

O facto de 75% da actividade deste

grupo nortenho passar hoje pela venda

de equipamentos pesados, máquinas

e camiões, a que se juntam outros

6% da comercialização de ligeiros,

afectou fortemente o negócio devido

à retracção deste sector. “O mercado

de camiões em Portugal costumava

andar à volta de 4500 unidades, mas

este ano fechou com 2664.” O resultado

foi a queda da facturação de

330 para 303 milhões, com o país a

representar 25% das receitas totais,

quando em 2010 tinha um peso de

35%. Já a Espanha, onde o grupo vende

máquinas de construção através

da Auto Sueco Coimbra, é hoje quase

insignifi cante (cerca de 3%).


28 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Grande plano

a A semana passada foi

marcada pelo tiro de

abertura da campanha para

a reeleição do Presidente

norte-americano, Barack

Obama, no seu discurso do

Estado da União, e por mais

um (mais precisamente o 19º)

debate entre os candidatos

republicanos, em vésperas

das primárias na Florida.

As presidenciais americanas

são só em Novembro, mas a

campanha está já em marcha

e não é só nos discursos

políticos dos protagonistas

analisados ao pormenor nos

media.

Da Florida ao Michigan,

republicanos apoiantes de

Mitt Romney ou de Newt

Gingrich, ou democratas que

vão votar Barack Obama,

sejam mais novos ou mais

velhos, vão encontrando

diferentes modos de ir ver ao

vivo os seus ídolos políticos e

de mostrar o seu apoio.

BRIAN SNYDER/REUTERS

BRIAN SNYDER/REUTERS


STEVE NESIUS/REUTERS

JASON REED/REUTERS

JOE RAEDLE/AFP

Público Domingo 29 Janeiro 2012 29

JOE RAEDLE/AFP

BRIAN SNYDER/REUTERS BRIAN SNYDER/REUTERS


30 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Mundo

Aumento da violência leva Liga

Árabe a suspender missão na Síria

A oposição vai fornecer armas às milícias armadas. O regime intensifi ca

os ataques. Para ambos os lados, o confl ito torna-se cada mais desesperado

Ana Gomes Ferreira

a A Liga Árabe admitiu ontem que

uma escalada de violência na Síria e

suspendeu a sua missão de observadores

naquele país. Ao mesmo tempo,

o Conselho Nacional Sírio, um dos

maiores grupos da oposição, anunciou

que vai pedir às Nações Unidas

“protecção” para os civis que estão

a ser atacados pelas forças governamentais.

Na sexta-feira à noite, o chefe da

missão árabe na Síria, o general sudanês

Mohamed al-Dabi — que quando

chegou a Homs, no fi nal de Dezembro,

disse não existirem “situações

preocupantes” —, informou a Liga

de um “forte incremento da violência”,

sobretudo nas cidades de Hama,

Homs e Idlib, relata a AFP.

Receando pela segurança dos delegados

ou por outra razão não expressa,

a Liga interrompeu a missão.

Na noite de quinta para sexta-feira,

os corpos de 17 opositores de Hama,

que tinham sido detidos pelas forças

governamentais, foram encontrados

espalhados por ruas da cidade.

Meninos com armas de brincar

em Hula, perto de Homs, na Síria

Membros do Conselho Nacional

Sírio na Turquia: Muti al Buteyin,

Semir Nesar, Muhammet Faruk

Tayfur

BULENT KILIC/AFP

Tinham buracos de bala na cabeça,

indicando execuções. “Há um homem

na casa dos 60 anos, outro na dos 40

e a maior parte estaria nos 20 anos”,

disse, por telefone, uma fonte da Reuters

na cidade.

Hama, disse a fonte, era ontem uma

cidade deserta, depois de três dias de

intensos bombardeamentos. “Há pos-

REUTERS

tos de controlo a isolar os bairros uns

dos outros e a cidade está fortemente

militarizada”.

A mais de 200 quilómetros de Damasco

(a capital), esta é uma das cidades

mais activas na rebelião contra

o regime do Presidente Bashar

al-Assad, que recorreu às forças de

segurança para reprimir a revolta que

começou em Março do ano passado.

Está conotada com a oposição e com

a violência: na década de 1980, Hafez

Assad, o pai do actual chefe de

Estado, esmagou uma revolta da Irmandade

Muçulmana. Milhares de

pessoas morreram.

Aqui, como em Homs, Idlib e nos

subúrbios de Damasco, registou-se

nos últimos meses uma intensa actividade

das forças armadas da oposição

— grupos coordenados pelo Exército

de Libertação da Síria e outros que

actuam isoladamente. Perante a perda

de controlo de partes substanciais

do país, o regime de Bashar al-Assad

ordenou às forças governamentais para

atacarem, neutralizando os grupos

armados da oposição e as comunidades

que os abrigam.

A espiral de violência — na sextafeira

morreram mais de 100 pessoas —

levou o Conselho Nacional Sírio (CNS)

a decidir pedir protecção para a população

às Nações Unidas. O presidente

do CNS, Bourhan Ghalioun, chefi a a

equipa que, hoje, será recebida por

membros do Conselho de Segurança,

em Nova Iorque.

Este começa amanhã a debater

uma proposta árabe e europeia para

a resolução do confl ito na Síria que

preconiza o afastamento de Assad e

a criação de um governo de unidade

nacional. A Rússia anunciou que vetará

qualquer documento que exclua

Assad do poder. “Já dissemos claramente

que a Rússia não considera

esse texto como uma base para um

acordo”, disse o embaixador russo

nas Nações Unidas, Vitali Churkin,

citado pela AFP.

Na terça-feira, é a vez de os enviados

da Liga Árabe à ONU (o secretário-geral

Nabil el-Araby e o primeiroministro

do Qatar, Hamad al-Thani)

defenderem as suas opções em Nova

Iorque. E só no fi nal deste processo

se saberá se a resolução vai a votação.

Dependerá do acordo que os diplomatas

conseguirem alcançar para evitarem

o veto da Rússia, que confi rmou

estar em negociações com o Governo

de Damasco para encontrarem a sua

própria solução para o confl ito.

Não será fácil todas estas partes

chegarem a um compromisso. O

que, considera a oposição síria, dará

mais tempo a Assad para adensar a

violência.

Via militar

Talvez por isso, um elemento do Conselho

Nacional Sírio, Louay Safi , tenha

dito ontem à estação de televisão Al-

Jazira que o Exército de Libertação da

Síria tem que ser “parte da solução”

para o confl ito em curso.

No início de Janeiro, este exército

e o CNS uniram-se contra o regime.

Na base deste entendimento estava a

convicção — agora assumida por Louay

Safi — de que a via militar poderia

ser essencial à revolta contra Assad.

A oposição viu a sangrenta guerra civil

líbia e a instabilidade gerada pela

militarização da oposição. Mas viu,

também, que os protestos não passaram

disso até à entrada dos militares

nas revoltas. Tudo indica que estão

dispostos a arriscar.

“Estamos a referenciar os grupos

que estão no terreno”, disse uma

porta-voz do CNS, Bassma Kodmani,

de forma a pô-los sob um só comando.

Acrescentou que o Conselho está

pronto a fornecer armas e dinheiro

aos grupos espalhados pela Síria. E

há cada vez mais civis a juntarem-se

às milícias. “Temos o direito de pegar

em armas. Não vamos voltar as costas

a essa solução”, disse Omar, um residente

de Homs, à Al-Jazira.

“À medida que o confl ito se torna

mais desesperado e feio, mais pessoas

terão uma morte violenta. Não há

solução visível para esta luta entre

um regime determinado a manter o

poder, e uma revolta que há muito

entrou no ponto de não retorno”,

sentenciou o jornalista Jim Muir, ao

escrever na BBC online sobre um confl

ito a que ainda não há quem chame

guerra civil.


Mundo Breves

Senegal Eleições francesas

Violência após rejeição de

candidatura de Youssou N’Dour

a A rejeição da candidatura do cantor Youssou N’Dour pelas

autoridades do Senegal e a autorização, por outro lado,

para que o actual Presidente Abdoulaye Wade (85 anos, no

cargo desde 2000) possa concorrer a um terceiro mandato

nas eleições de Fevereiro, levaram muitos senegaleses a

protestar violentamente em várias cidades. Na capital,

Dacar, morreu um polícia em confrontos, envolvendo

pedras e gás lacrimogéneo, com manifestantes.

Brasil

Detido importante

traficante do Rio

a A polícia brasileira deteve um dos

trafi cantes de droga mais procurados

do Rio de Janeiro, Fabiano Atanázio

da Silva, que era tido como o chefe

do tráfi co nas favelas do Complexo do

Alemão. O trafi cante, mais conhecido

por FB, foi detido no estado de São

Paulo, na sexta-feira à noite, e transferido

para o Rio. Acusado de tráfi co de

drogas, homicídios, sequestro, etc,

FB tinha sido detido em 2002, mas

fugiu da prisão por um túnel. Mais

tarde, conseguiu escapar da operação

de “pacifi cação” da favela em

2010.

Viena

Le Pen brilha no baile

da extrema-direita

a Marine Le Pen, a líder da Frente

Nacional francesa, foi a convidada

de honra do baile anual da extrema

direita europeia que se realizou sextafeira

em Viena, no palácio imperial

de Hofburg. Este ano, o baile a que se

juntam organizações de estudantes e

intelectuais próximas do FPÖ —partido

austríaco de extrema-direita, a que

as sondagens dão 28% das intenções

voto, o mesmo que aos social-democratas

— foi ainda mais polémico, pois

coincidiu com o 67º aniversário da

libertação de Auschwitz.

Merkel vai fazer campanha por

Sarkozy nas presidenciais

a A chanceler alemã Angela Merkel deverá participar em

eventos de campanha eleitoral do Presidente francês Nicolas

Sarkozy na Primavera, diz a AFP, citando o discurso

que o secretário-geral da CDU, o partido de Merkel, fez

ontem em Paris. Hermann Gröhe foi dizer no conselho

nacional da UMP, o partido de Sarkozy — ambos da direita

conservadora — estar persuadida de que o Presidente

francês é “a pessoa certa para estar no Eliseu.”

Público Domingo 29 Janeiro 2012 31

Costa Concordia Inspectores nucleares chegam amanhã a Teerão

Cuidados médicos

Mau tempo impede

retirar combustível

a As operações para retirar o combustível

do navio Costa Concordia,

que encalhou junto à ilha italiana de

Giglio no dia 13, foram suspensas ontem

devido ao mau tempo. Mais um

corpo foi, entretanto, encontrado,

sendo 17 os mortos e 15 os desaparecidos.

A decisão de parar os trabalhos

para evitar um desastre ecológico na

zona foi tomada pelos técnicos da empresa

holandesa Smit e da italiana Neri,

que querem bombear 2400 toneladas

de combustível. Os serviços de

meteorologia dizem que só na terçafeira

as condições do mar permitirão

o regresso ao trabalho.

Irão ameaça cortar já exportações de

petróleo aos países da União Europeia

Maria João Guimarães

a O Irão vai discutir amanhã se vai

antecipar-se a sanções ao seu petróleo

pelos países da União Europeia, na

altura em que uma equipa de altos

responsáveis da Agência Internacional

de Energia Atómica (AIEA), a organização

da ONU para o nuclear, chega

a Teerão para “esclarecer as dúvidas

que restam sobre o programa nuclear”.

A agência aponta ter indícios de

a Quatro actuais e antigos jornalistas

de topo do tablóide britânico The Sun

e um polícia foram ontem detidos no

âmbito de uma investigação da Scotland

Yard à corrupção policial.

O diário britânico The Guardian

afi rma que os quatro elementos do

Sun são dois antigos editores, um

actual editor executivo e um outro

elemento da redacção. O agente detido,

suspeito de receber dinheiro, é

um polícia de 29 anos.

A investigação está ligada a outra

se destinar a obter uma bomba atómica,

algo que o Irão nega.

O Parlamento do Irão vai discutir

hoje (o domingo é o primeiro dia útil

da semana naquele país) o corte de

exportações de petróleo aos países

europeus que decidiram na semana

passada, após meses de discussão, decretar

um embargo ao petróleo iraniano,

a ser aplicado progressivamente

nos próximos seis meses.

Dois países europeus, a Grécia e

DIETER NAGL/AFP

Herman Nackaerts, o inspector-chefe da AIEA, ao partir para Teerão

Grupo de Rupert Murdoch

Detidos quatro jornalistas do Sun

e um polícia por suspeita de corrupção

operação que continua em curso sobre

o agora encerrado tablóide News

of the World, que pertence, tal como o

Sun, ao grupo de media News International,

de Rupert Murdoch.

A acção deste sábado incluiu buscas

policiais aos escritórios de Londres

do grupo News International,

para além das casas dos detidos. A

polícia estava “interessada em tudo,

desde blocos de notas, emails, postits”,

contou uma fonte ao Guardian.

A operação resultou de informa-

Itália, compram bastante petróleo ao

Irão, e uma interrupção abrupta que

os fi zesse pagar petróleo mais cara seria

especialmente difícil, dado a crise

que atravessam. Por outro lado, analistas

dizem que outros países árabes

poderiam aumentar a produção, compensando

a falta de crude iraniano.

“A decisão apressada de usar o petróleo

como ferramenta política terá

um impacto negativo (...) nas economias

europeias em recuperação”,

dizia o Ministério do Petróleo após

a decisão da UE na semana passada.

Os media iranianos garantem que os

compradores europeus (destino de

18 por cento do crude do país) serão

substituídos pela Índia e China.

Antes da visita, não eram esperados

grandes avanços nas negociações. Mas

diplomatas ocidentais viram tímidos

sinais de alguma disposição do Irão

em colaborar com a AIEA, citando a

aceitação, sem grandes objecções, de

dois peritos em armamento, o francês

Jacques Baute e o sul-africano Neville

Whiting, diz o Washington Post.

Por outro lado, antes de chegar a

Teerão, o inspector-chefe da AIEA

Herman Nackaerts usou um raro tom,

declarando: “Esperamos o início de

um diálogo, um diálogo que devia ter

começado há muito”, um diálogo que

esclareça “todas as questões.”

ções que a polícia recebeu na sequência

do inquérito parlamentar

ao escândalo das escutas ilegais nos

jornais do grupo de Murdoch, mas

tem a ver apenas com corrupção.

Depois de ontem foram já detidas

um total de 12 pessoas no âmbito da

operação que investiga as alegações

de que jornalistas pagavam a polícias

em troca de informação — uma das

três investigações criminais às práticas

de recolha de informação do

News of the World.

Presidente do Iémen

partiu para os EUA

a O deposto Presidente do Iémen Ali

Abdullah Saleh partiu ontem para os

Estados Unidos, para receber cuidados

médicos, indicou ontem o site

do Ministério da Defesa iemenita. O

seu voo, vindo de Omã, onde estava

há uma semana, fez escala no Reino

Unido, em Stansted, nos arredores

de Londres. Já esteve hospitalizado

na Arábia Saudita após um atentado

ao palácio, em Junho, na sequência

de contestação popular. Washington

tem tentado afastá-lo de Sanaa, mas

não lhe quer dar asilo, embora tenha

sustentado antes o seu regime, como

bastião na luta contra a Al-Qaeda.

Ano Novo chinês

Alerta para poluição

do fogo de artifício

a O Governo de Pequim começou a

informar a população para os riscos

de poluição do fogo de artifício que

irá ser usado esta noite para celebrar

a passagem do ano chinês — a China

entra amanhã no Ano do Dragão. Por

tradição, o céu da cidade enche-se de

partículas brilhantes, com milhões

de habitantes a lançarem foguetes

e fogos. As autoridades sublinham

que os engenhos pirotécnicos têm o

mesmo efeito no ar, e na saúde, que

o fumo dos escapes ou as chaminés

das fábricas — doenças coronárias,

de pulmões e demência.


32 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Mundo O que faz a geração que ocupou a Praça Tahrir

O ano da revolução

vivido por três

jovens egípcios

Mona Shahien deu trabalho a seis pessoas, lançou um

projecto ambicioso e fi cou noiva. Mohamed Mohsen

cantou novas canções e passou muitas horas na Praça

Tahrir. Nahla Soliman decidiu-se a dar os primeiros

passos para cumprir o sonho de chegar à ONU

Sofia Lorena

a Há um ano começavam a acreditar

que tudo era possível. Entretanto,

muito aconteceu no Egipto e nas suas

vidas. Mais ou menos optimistas, ainda

não desistiram do protesto como

arma, mas experimentaram outras

formas de se manifestar, de dizer o

que querem e de trabalhar para o

conseguir.

No ano passado por esta altura, como

milhares de outros jovens egípcios,

estavam acampados na Praça

Tahrir ou passavam lá todo o tempo

que podiam, sem saber que contribuíam

para fazer cair um ditador. Mona

Shahien esteve ali em permanência,

descrevendo o que se passava no

Facebook até ser anunciado o afastamento

de Hosni Mubarak, a 11 de

Fevereiro. Mohamed Mohsen também

acampou na Tahrir, logo no início, a

25 de Janeiro. Com outros músicos, foi

cantando a revolução enquanto ela se

desenrolava. Nahla Soliman, fi lha de

um militar, manifestava-se no fi m do

dia de trabalho, sem a família saber.

Nos últimos dias todos voltaram

a passar pela praça que os activistas

egípcios tratam como uma espécie de

segunda casa, onde se sentem bem

e encontram sempre família e amigos.

Festejaram a queda da ditadura,

mas também protestaram contra os

generais no poder, as detenções de

activistas que têm sido ordenadas, a

violência com que reprimiram os protestos

em Novembro e Dezembro, a

sua recusa em transferir a autoridade

para um conselho civil, como os revolucionários

pedem há meses.

“A revolução continua. Ainda temos

muito para fazer”, diz o músico

Mohamed Mohsen.

Nahla Soliman

Ganhar coragem

para abrir horizontes

Aos 23 anos, a sorridente Nahla Soliman

já tem o futuro bem pensado: “O

meu sonho é chegar à ONU. Estudei

Espanhol, julgo que o meu Inglês é

bom. Mas não chega, pedem sempre

muita experiência. Por isso vou continuar

no instituto onde estou e procurar

outras coisas. Quero trabalhar

para as Nações Unidas no meu país,

fazer alguma coisa pelo Egipto”.

Desde a universidade, onde estudou

Literatura Espanhola, que Nahla

queria saber mais sobre a sociedade

civil, o trabalho nas organizações não

governamentais”. Mas só dois anos

depois de acabar o curso — passados a

trabalhar no departamento de media

do Instituto Cervantes do Cairo — e

uma revolução depois é que a jovem

ganhou coragem e deu os primeiros

passos. “Queria fazer o curso de Verão

do Instituto do Cairo para os Direitos

Humanos, mas deixava sempre passar

o prazo.” Até Julho de 2011. Feita a

introdução, fi cou como estagiária no

departamento de educação do instituto,

fundado há 20 anos.

“Estou a gostar muito, aprendi, conheci

muitas coisas que não faziam

parte da minha vida. Agora, tenho

amigos muito diferentes uns dos outros,

conheço homossexuais e aceito

completamente a sua diferença”, diz

Nahla. “Agora aceito a diferença entre

as pessoas, não vejo tudo pelo meu

ponto de vista, como antes.”

Filha de um militar e de uma dona

de casa, Nahla não tinha qualquer experiência

de activismo ou protesto

antes de Janeiro de 2011. Há um ano,

viu a revolução começar e quis juntar-

se. “Não acampei na Tahrir porque a

minha família não me deixou. Mas ia

trabalhar de manhã e quando saía, em

vez de ir para casa, ia para a praça,

sem dizer ao meu pai. Eu sabia que

o regime era corrupto e estive com

a revolução desde o início”, explica.

“Apoio a revolução”, acrescenta, em

espanhol.

Entre a mãe, que fi cou em casa “a

ver tudo em frente da televisão”, e o

pai, que “não pensa que a revolução

seja boa para nós”, havia ainda o irmão

três anos mais velho, que “esteve

na Tahrir” até Mubarak sair do poder,

a 11 de Fevereiro.

Um ano depois, a jovem está preocupada

com o futuro. “Tenho medo

do peso dos salafi stas [que obtiveram

24% nas eleições legislativas]. Não sabem

nada de política, não têm experiência,

não percebo o que querem”,

afi rma. “Está tudo tão confuso que

tenho medo que a certa altura os

egípcios lutem entre si. Não islamistas

contra cristãos, isso não acredito, mas

islamistas contra liberais e reformistas...

Revolucionários contra os que

estiveram calados até agora e um dia

vão começar a falar...”

Agora que ganhou asas fora de casa,

a jovem também arranjou coragem

para desafi ar mais o pai, um esforço

que tem dado frutos. Em Abril, por

exemplo, quando os generais no poder

organizaram um referendo a uma

série de emendas constitucionais,

Nahla convenceu-o a votar “não”, “a

mudar de ideias”. “Ainda estou a trabalhar

com ele noutros pontos.” Já

nas legislativas, que começaram em

Novembro e se prolongaram até Janeiro,

não foi tão bem-sucedida. Seria

complicado convencer um militar a

votar na coligação de jovens revolu-

cionários, “todos activistas, com experiência

na sociedade civil”, à qual

Nahla escolheu dar o seu voto.

Mona Shahien

Ajudar a “construir

a cidadania”

Estudou jornalismo e fez de tudo um

pouco, do ensino à diplomacia. Depois

da revolução, quis fazer mais.

Assim nasceu o Tahrir Lounge, um

projecto com sede física no Instituto

Goethe do Cairo, a dois minutos da

Praça Tahrir, com fi nanciamento do

Ministério dos Negócios Estrangeiros

alemão e um objectivo: “Educar para

a cidadania, para uma participação

activa na sociedade”.

“Durante a revolução fui co-fundadora

do Revolution Youth Union, um

grupo que [nasceu nos protestos da

Tahrir e] reuniu 45 partidos políticos,

movimentos, artistas. Depois dessa

experiência posso dizer que o trabalho

do novo Parlamento vai ser muito

difícil. É preciso aprender a dialogar,

a fazer concessões, essa é a essência

do sistema político”, diz. “Depois

senti que não era sufi ciente e tinha

de fazer algo mais concreto. Pensava

sempre em educação, em preparar as

pessoas para as mudanças.”

Visitámos o Lounge no Dia Internacional

da Tolerância e vimos Mona

Shahien ainda a fazer de tudo um

pouco. A coordenar a disposição de

bancas de diferentes organizações

não governamentais (ONG) no bonito

pátio do Goethe, a desenhar cartazes,

a atender telefonemas, a dar entrevistas,

a decidir que já era hora de sair

para a rua para a primeira iniciativa

da tarde.

“É importante sairmos daqui, darmo-nos

a mostrar. Mas não vamos

parar o trânsito, não queremos ser

presos”, brincou a jovem no caminho

até à Praça Talat Harb, ponto de

passagem e de encontro habitual, a

quatro quarteirões da Tahrir.

Munidos de cartazes com frases sobre

a tolerância, Mona, os outros seis

jovens que o Lounge emprega, mem-


“Para a juventude,

a revolução

continua viva.

Mas os militares

não nos deixaram

expressar ideias”

Mohamed Mohsen

bros de diferentes ONG e egípcios de

todas as idades que se tornaram frequentadores

das suas actividades rodearam

a estátua no passeio central

da rotunda da Talat Harb e deixaram-

se fi car por ali, de cartazes em punho.

A ideia era provocar reacções

e resultou — houve quem decidisse

juntar-se-lhes, quem desenhasse os

seus slogans, e também quem entrasse

em debate, para defender que os

membros do antigo regime não merecem

“tolerância nem perdão”.

A tarde ainda ia a meio e havia de

entrar pela noite, quando mais de 150

pessoas encheram o pátio do Goethe

para assistir a intervenções de activistas

e a um concerto. Uns de pé,

outros sentados nas cadeiras, outros

espalhados pelo chão, apoiados em

grandes almofadas de amarelo e vermelho

vivo.

A principal actividade do Tahrir

Lounge, a funcionar desde Abril,

é a organização de conferências e

workshops: treino para monitorizar

as eleições (“Ensinámos as pessoas

a identifi car fraudes e a perceberem

que têm de reagir, que ser cidadão é

não se calar”), formação a jornalistas

e bloggers, por exemplo. Também

convidam muitos políticos e líderes

AFP/KHALED DESOUKI

partidários e põem as pessoas a fazerlhes

perguntas. “Trouxemos muita

gente para falar de política, coisas

simples, como a própria terminologia,

saber o que é o salafi smo, o comunismo,

o liberalismo.”

“Levamos este projecto a sério,

dedicamo-nos todos muito. Mas depois

fazemos tudo de uma maneira

diferente. Organizamos sessões de desenho,

concertos, passagens de modelos.

É política, mas apresentada de

forma apelativa, principalmente aos

jovens. A ideia é atrair as pessoas e

depois interessá-las no que fazemos”,

explica Mona.

Mona tem muitos projectos para

o Lounge. Para além de continuar as

actividades habituais, quer começar

projectos sobre o papel da mulher na

sociedade: “É muito delicado, estou

a trabalhar nisso, mas ainda não estamos

preparados”. Quer também

continuar a expandir o projecto ao

resto do país, e já abriu um segundo

Lounge na zona do Delta.

Os últimos 12 meses trouxeram

Nahla Soliman

Mona Shahien

Mohamed Mohsen

outras mudanças à sua vida: viajou

muito, convidada a falar da revolução

(em Novembro participou no Fórum

Lisboa do Centro Norte-Sul), e fi cou

noiva.

No Lounge, o principal vai manterse.

“Estamos a tentar construir cidadania,

ninguém pode saber o que está

errado se não for orientado antes, se

ninguém lhe disser o que está errado.

Isso é o mais importante para um país

em transição.”

Mohamed Mohsen

Ainda a mesma cantiga

Primeiro, ouvimo-lo cantar. Voz límpida,

a cappella, letras sobre “o nosso

país”, “os nossos jovens”, uma canção

dedicada a Mina Daniels, o activista

cristão copta que morreu a 9 de Outubro

em Maspero, com outras 26 pessoas,

quando uma marcha pacífi ca foi

reprimida pelo Exército na marginal

do Cairo. Depois, começou a entrevista

e Mohamed Mohsen confi rmou o

que se adivinhava: “95% das minhas

Público Domingo 29 Janeiro 2012 33

canções são de intervenção social”.

Aos 25 anos, Mohamed vive da música

e do teatro, apesar de ter estudado

Engenharia. “Comecei o curso há

seis anos e entrei logo para a banda da

universidade, depois fui para a Ópera

do Cairo e dois anos depois saí para

formar uma pequena banda independente.

Continuo a cantar até agora.”

Mohamed compõe algumas canções,

tem letras escritas por amigos e

trabalha a obra de compositores como

Sayed Darwish, que morreu em 1923 e

é considerado o pai da música popular

egípcia, dando-lhes “novas melodias”.

É o caso da canção dedicada a Mina

Daniels, que “fala do poder das autoridades

para nos levarem um fi lho”.

Como aconteceu a Nadia Faltas Beshara,

a mãe de Daniels, que na última

quarta-feira, um ano depois do início

da revolução, voltou à Praça Tahrir.

“Se eu quisesse, seria muito fácil

cantar sobre amor, habibi, habibi…

[“meu querido” ou “querida”, de “habib”

ou amado]”, diz Mohamed. “Mas

é melhor cantar pelo meu povo, pelo

meu país, refl ectir o que pensam os

egípcios, que expectativas têm”, continua,

garantindo que sempre cantou

o que quis, mesmo com Hosni Mubarak

no poder. “Há seis anos já cantava

contra o Governo e em defesa da liberdade.

Houve muitas rusgas nos meus

concertos mas nunca fui preso.”

Ou melhor, Mohamed nunca tinha

sido preso até 28 de Janeiro de 2011.

“Quando a revolução começou, estive

desde o primeiro dia na Tahrir, a

cantar com outros músicos amigos. Só

nessa altura é que fui preso, levaramme

e interrogaram-me durante dois

dias, mas depois libertaram-me.”

No último ano, Mohamed continuou

a cantar e a percorrer os dez

minutos que distam da sua casa até à

praça da Libertação que todos tratam

por “praça da revolução”. Ao mesmo

tempo, aceita convites para debates

e associa-se a iniciativas de organizações

que tenham por alvo a “consciencialização

social e política” ou sirvam

para discutir uma das suas maiores

preocupações: “A religião é um grande

problema. Os egípcios dão demasiada

importância à religião e misturaramna

com política e com a vida pública.

Temos de nos organizar para fazer as

pessoas perceberem que as diferenças

estão só na cabeça delas”.

“Para a juventude, para nós, a revolução

continua viva. Mas o Conselho

Militar das Forças Armadas [no

poder desde a queda do ditador] não

nos deu nenhuma oportunidade de

expressar as nossas ideias”, afi rma o

músico, que por não considerar as recentes

legislativas eleições realmente

livres optou pelo boicote.

Mohamed gostava que mais pessoas

continuassem a manifestar-se na

Tahrir, mas pensa que “a maioria dos

egípcios não tem educação sufi ciente

para perceber que há problemas”.

Por isso, “cabe aos jovens lembrar o

resto das pessoas da revolução, temos

muito trabalho”.

Quando “a revolução começou, não

sabíamos para onde ia, não sabíamos

que o regime ia cair”, diz Mohamed.

“Agora tenho a certeza de que virá de

novo. Uma grande parte da sociedade

continua a ferver, vai ter de acontecer

alguma coisa.”


34 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Local

Quem disse

que as lojas novas

são melhores

do que estas?

Todas as semanas a Arqueolojista publica no seu

blogue mais um “achado arqueolójico”. Esta é uma

viagem pelas lojas-avós, as lojas da Lisboa antiga

Cláudia Sobral

a Tudo começou com Mami Pereira

a distribuir castanhas assadas na

Baixa de Lisboa. O senhor David, sócio

de uma loja de pijamas e lingerie

da Praça da Figueira, disse-lhe que

passasse por lá, que lhe oferecia um

copo de água-pé para ajudar a empurrar

as castanhas. Ela lá foi. Mal

sabia que a sua vida nunca mais seria

a mesma depois daquela conversa.

Hoje diz que foi aí que se apaixonou

pelas “lojas antigas” e teve vontade

de fazer “alguma coisa”.

Por isso, a jornalista e fotógrafa

agora é também Mami, a arqueolojista

que é o mesmo que dizer

“pessoa apaixonada por lojas antigas

que se dedica à caça, descoberta e

catalogação dos achados do comércio

tradicional”, como a própria faz

questão de explicar no blogue A Arqueolojista,

onde conta as histórias

destes estabelecimentos que têm vindo

a desaparecer.

Este projecto “não é lá qualquer

coisa”, esclarece Mami ao “freguês”

que tropece na página do Facebook:

é um blogue “dedicado às lojas avós,

também chamadas antigas” e aos seus

“reclames vintage, ao bric-a-brac, aos

fregueses, às etiquetas do tempo da

monarquia, aos sorrisos de quem está

atrás do balcão, aos galhardetes, ao

granel, ao fi ado”. O comércio tradicional

pode já não ser o que era, mas

as “lojas com barbas” ainda existem.

E isso vê-se pelos achados que a arqueolojista

colecciona na sua página.

Por uma tarde, Mami faz de guia por

algumas das suas “descobertas arqueolójicas”,

por aquelas lojas que ainda

têm tudo atrás dos balcões. “Antigamente

estava tudo atrás do balcão”,

diz. “Hoje em dia não, porque o que

as pessoas menos querem é meter

conversa com quem está na loja.”

Até os sapos fumavam

Mas há as lojas que resistem à mudança

e é dessas que a arqueolojista

anda à procura. Como a Tabacaria

Mónaco, no Rossio. Desde a remodelação

que se fez em 1894 pela mão

de artistas portugueses como Rafael

Bordallo Pinheiro e António Ramalho,

pouco mudou, resume Carlos

Oliveira, o sócio maioritário.

Tirou-se a cabine telefónica, “uma

das primeiras cabines públicas de Lisboa”

e a bilha em barro com a água

de Caneças, “onde as pessoas vinham

beber de um copinho” — deixou de

fazer sentido com o avançar dos tempos.

Por toda a galeria, continuam

os painéis de Bordallo Pinheiro, com

os sapos que fumam, lêem jornais e

bebem água de Caneças, e, no tecto

o fresco de António Ramalho, com as

famosas andorinhas.

“Às vezes custa falar disto”, começa.

Há 41 anos entrava por aquela

porta como marçano, para fazer o

que fosse preciso. E assim fi cou, até

acabar por tomar conta do negócio,

deixado em testamento pela patroa.

Na Mónaco, uma publicação de número

único editada a propósito da

inauguração da tabacaria depois da

remodelação, o escritor Fialho de

Almeida chamou-lhe “capela de S.

João Baptista dos charutos”. “Eu já

lhe mostro o jornal”, insiste.

“Naquela altura tínhamos uma saída

para a rua de trás, como o Nicola”,

paredes meias com a tabacaria. “E

antes de a Bertrand importar revistas

a Mónaco já tinha revistas inglesas”,

frisa Carlos Oliveira. “A Baixa era

muito melhor antes de aparecerem

os centros comerciais”, lamenta Tomé

Repas, que trabalha na Mónaco

e trabalhou noutras tabacarias que

entretanto desapareceram para dar

lugar a lojas novas.

Sobre a Mónaco, Mami já escreveu,

mas muitas das lojas que já visitou e

fotografou não estão ainda no blogue,

que todas as semanas é actualizado,

mas com apenas uma ou duas

“descobertas arqueolójicas”, para “as

pessoas terem tempo de passar por

lá”. A mais recente é o Franco Gravador,

na Rua da Vitória, uma loja


FOTOS: DARIO CRUZ

A loja Ferragens Guedes

abriu em 1922, na Rua das

Portas de Santo Antão.

Fernando Silva é um

dos empregados que, no

armazém, encontra tudo

o que é preciso, entre

caixinhas e embrulhinhos

Higino David é hoje um

dos donos de uma loja

de lingerie centenária,

na Praça da Figueira.

Foi ali que Mami Pereira

descobriu o mundo das

lojas antigas

Na Casa das Sementes,

junto à Praça da Figueira,

Vitor Folgado vende

sementes de plantas que

muita gente nem sequer

sabe que existem

de “plaquinhas e emblemas, sinetes

para lacre, medalhas e todo o tipo

de carimbos”.

A arte de “bem servir”

A loja onde começou a – ainda curta

– história da arqueolojista é a Alberto

Ferreira dos Santos, Lda. e Higino

David, que se cruzou com Mami enquanto

oferecia castanhas, numa acção

de promoção de uma empresa,

é um dos dois proprietários. A loja é

a sua vida. E também a de Fernando

Laranjeira, o seu sócio. “Temos gosto

na vida que temos”, sublinha o segundo,

que ali começou a trabalhar aos 14

anos. “Era a esta loja, hoje centenária,

que chegavam muitos clientes da

província, não só à procura da última

moda mas sobretudo das últimas notícias

da capital, locais para trabalhar

ou, simplesmente, novas amizades”,

lê-se no texto da arqueolojista sobre a

Alberto Ferreira dos Santos.

Hoje, enumera, compram-se aqui

“um grande sortido de malhas quentinhas”,

pijamas e camisolas interiores,

“combinações vaidosas”, roupa para

bebé, “lenços de cache-nez, aventais

para o serviço, xailes-de-avó”, cuecas

e culotes (que, conta o senhor David,

se vendia muito para a apanha do arroz)

e ainda barretes de campino.

A boa disposição dos dois amigos

tráz-lhe à memória um sketch dos Ma-

lucos do Riso: “Servir bem, bem servir,

dá saúde e faz sorrir.” Não é preciso explicar

porquê, basta entrar e ouvi-los a

falar, sorriso sempre rasgado, beijinhos

a pretexto de tudo. “Eles eram miúdos

que vinham para cá da província, novinhos,

que varriam o chão, faziam

recados, tudo, e às vezes acabavam

por viver também com a família dos

patrões”, conta Mami. “Depois eles

acabam por lhes deixar isto.”

Quanto às castanhas que a fi zeram

descobrir esta loja, eram da “tia Lila”,

uma das vendedoras mais conhecidas

por estas bandas, que também tem

um espaço na página da arqueolojista,

onde se encontram “sítios chiques que

já vestiram janotas e madames”, também

“tascas para grandes patuscadas,

tabernas para a boa da pândega”, ou

ainda “românticas fl oristas, cheirosas

drogarias, curiosas tabacarias, luvarias,

retrosarias, livrarias, leitarias e

barbearias”.

Ervilhas telefone

Diferente de tudo isto ainda é a Soares

& Rebelo – Hortelão, a loja de sementes

da Rua do Amparo. Quase só sementes,

explica Vítor Folgado (“só de nome”,

diz ele). E sementes de tudo – até

daquilo que muitos nunca terão imaginado

que existe. Um exemplo, mesmo

junto à porta: a ervilha maravilha, a ervilha

torta, a ervilha telefone. Ou uma

prateleira que quase atravessa a loja

de ponta a ponta só para sementes de

diferentes variedades de alface.

Não longe dali, na Rua das Portas

de Santo Antão, fi ca a Ferragens Guedes.

Dá ideia de ser mais uma loja de

fechaduras e puxadores. Mas só até

Fernando Silva chegar e, sem serem

precisas perguntas, começa a contar:

“A história da loja... é uma loja que

abriu em 1922.” E depois de elencar

– quase de cor – os nomes de todos

os sócios que saíram e entraram ao

Mami Pereira

apaixonouse

pelas lojas

antigas de

Lisboa e quer dálas

a conhecer a

quem tem olhos

mas não vê

longo de 90 anos, solta um desabafo,

que resume a história do fi m de muitas

destas lojas: “Entretanto fi cou Guedes

só. O último. O fi lho dele não irá seguir,

está noutra área diferente, mas

vamos lá ver.” “Eu que estou aqui há

43 anos é que tenho sido a mola disto.

Faço tudo, tudo, tudo.”

Vai andando por todas as caves e

sub-caves, que são armazéns, também

pela ofi cina, com um certo orgulho.

São salas de caixinhas e embrulhinhos

até ao tecto. Fernando mostra

o puxador das portas laterais do Te-

Público Domingo 29 Janeiro 2012 35

atro Nacional D. Maria II, outro que

fi zeram para o Éden, ainda mais um

do Colégio Militar. Mami vai tirando

mais fotografi as. Aos pormenores. Ela

gosta dos pormenores. Sobre esta loja

ainda não escreveu, mas já avisou no

Facebook que “daqui a uns dias” vai

revelar onde se compram “as famosas

mãozinhas”, que noutros tempos faziam

a vez das campainhas.

Sorte diferente destas lojas têm tido

outras. É o caso da famosíssima

alfaiataria Picadilly, da Rua Garrett,

no Chiado, que deu lugar a uma casa

de sandes. “Estavam a ter imensa

pressão para sair dali”, lamenta Mami.

Os clientes passaram a ser atendidos

num atelier no primeiro andar de um

edifício próximo. “Estas lojas é que

chamam turistas, estas lojas é que tem

interesse manter e o que estamos a fazer

é um bocado o contrário. Daqui a

uns anos as pessoas vão ter é saudades

destas lojinhas.”

A arqueolojista tenta remar contra

a maré. Passa o tempo à procura

de lojas, em conversas com donos e

empregados, máquina fotográfi ca e

caneta atrás. E já tem várias ideias –

mais ambiciosas – em mente. Um dia,

quando tiver reunido mais lojas, ainda

haverá roteiros arqueolójicos em Lisboa.

Para já, os “achados” vão sendo

coleccionados no blogue www.arqueolojista.com.


36 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Local Ao domingo

O que mudava

em Lisboa?

Luís Gardete,

Assoc. Protectora

dos Diabéticos

de Portugal

Consolemo-nos com

os lisboetas afáveis

Tendo estado recentemente

envolvido na organização de

um importante congresso

médico realizado em Lisboa, no

qual participaram milhares de

estrangeiros, dei comigo a pensar

que gostaria que a minha cidade se

apresentasse aos visitantes como

uma cidade em que valesse a pena

viver. Não foi difícil encontrar as

suas belezas naturais, a riqueza

cultural e arquitectónica, mas fui

logo invadido por uma imensa

vontade de alterar o muito que está

por fazer. A nossa cidade não se

apresenta suficientemente limpa,

salvo algumas honrosas excepções.

Os pavimentos representam

uma verdadeira gincana para as

pessoas de idade. Naturalmente,

não são só as autarquias que têm

responsabilidades. O nível de

educação cívica de muitos também

não é exemplar. Estou a pensar,

por exemplo, nos automóveis

estacionados em segunda fila, ou

no parqueamento nos passeios.

Mas podemos consolar-nos com

os lisboetas afáveis, simpáticos

e sempre prontos a dar uma

ajuda a quem precisa. Não é

muito frequente lá fora! Foi ao

que assistimos na campanha de

angariação de sócios da APDP que

está a decorrer.

Antes & Agora A Casa dos Bicos está pronta a receber Saramago

Cascais Lisboa Portimão

Carreiras candidato

à concelhia do PSD

a O presidente da Câmara de Cascais,

Carlos Carreiras, anunciou ontem

que se vai candidatar à concelhia

local do PSD, com eleições em Março,

para submeter aos militantes a sua

candidatura em 2013 à autarquia de

Cascais. Carreiras assumiu a presidência

da câmara em Fevereiro de 2011,

um mês depois de António Capucho

ter anunciado a suspensão de funções,

alegando motivos de saúde. Capucho

comunicou na reunião da Assembleia

Municipal, segunda-feira, que renunciava

defi nitivamente ao cargo.

Coimbra

Morreu criança ferida

por queda de baliza

a O rapaz de 12 anos internado quartafeira

no Hospital Pediátrico de Coimbra

devido a ferimentos provocados

pela queda de uma baliza, no campo

desportivo de um centro recreativo,

em Brasfemes, faleceu ao início da madrugada

de ontem, disse fonte hospitalar

citada pela Lusa. A criança tinha

sido admitida nos cuidados intensivos

com traumatismos crânio-encefálico

e facial graves, tendo sido sujeita a intervenção

de emergência e segundo o

boletim clínico de quinta-feira mantinha-se

em coma profundo.

Cancelado projecto

do Bairro da Boavista

a O projecto do designado eco-bairro

da Boavista, em Lisboa, deixou de ser

viável economicamente e a câmara

decidiu não avançar com a construção

dos quase mil fogos previstos e

a demolição do bairo ali existente,

disse na quarta-feira, em reunião camarária,

a vereadora da Habitação,

Helena Roseta. O município anunciou

que vai manter as intervenções no

edifi cado, na infra-estrutura e no espaço

público, num valor elegível de

6,6 milhões de euros, através de candidatura

a fundos comunitários.

ARTUR PASTOR/ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA/ARQUIVO FOTOGRÁFICO

DARIO CRUZ

a Durante muito tempo

chamaram Casa dos Diamantes

àquela que será inaugurada

na Primavera como sede da

Fundação José Saramago. E a

imaginação popular não lhe deu

tréguas: que havia sido erguida

por um ricaço que tencionava

cravar diamantes nas pontas

dos bicos em cantaria; que ali

esteve hospedada, no tempo

de D. Manuel I, uma rainha

africana que trazia consigo

muitos diamantes. Certo é que

o terramoto de 1755 deitou por

terra dois dos quatro andares do

edifício quinhentista mandado

fazer pelo fi lho bastardo de

Afonso de Albuquerque, um

homem que chegou a ser

presidente do Senado de Lisboa.

E foi preciso esperar dois séculos,

pela XVII Exposição Europeia

de Arte, Ciência e Cultura, para

a Casa dos Bicos voltar a ser

notícia. A reconstrução dos dois

pisos em falta e a introdução

nas traseiras do monumento

nacional de uma espécie de

megamarquise fi zeram então

cair o Carmo e a Trindade.

Houve quem falasse em crime

lesa-património, mas como

havia que cumprir os prazos

para a Casa dos Bicos acolher

um pólo da mostra dedicada

aos Descobrimentos, a polémica

morreu. No Verão passado foi

plantada uma oliveira frente ao

edifício, para evocar a memória

do Nobel da Literatura, cuja vida

não esperou pelas delongas da

adaptação da Casa dos Bicos a

Fundação José Saramago. Disse

um dia o escritor que iria gostar

de se sentar à janela, a ver o

Tejo e os barcos a passar. Vinda

do Ribatejo, da aldeia natal do

escritor, a árvore não se deu bem

com a viagem nem com os ares da

cidade e tem defi nhado. Resta-lhe

encontrar inspiração nas cinzas

do escritor, que foram sepultadas

debaixo dela. E esperar por

melhores dias. Ana Henriques

Colisão de motociclos

provoca duas mortes

a Dois jovens, de 17 e 19 anos, morreram

na madrugada de ontem, na zona

do cais de Portimão, na sequência de

uma colisão frontal dos motociclos

que conduziam. O acidente ocorreu

por volta da meia-noite num local habitualmente

frequentado por motociclistas.

Um dos jovens seguiria em

contramão e foi embater frontalmente

na outra mota que deixava a zona do

porto, na sua faixa, e que não conseguiu

desviar-se. O INEM foi chamado

ao local, mas os médicos limitaram-se

a confi rmar os óbitos.


Taxas portuários em causa

Navio Armas abandonou a ligação da

Madeira por falta de apoio do Governo

Tolentino de Nóbrega

a Com palmas e um buzinão, centenas

de madeirenses despediram-se

ontem de manhã do navio Armas que

abandona a ligação entre a Madeira e

o Continente, a única existente para

o transporte regular de passageiros.

O protesto contra o governo regional,

por não proporcionar ao armador espanhol

condições para continuidade

da linha Funchal/Portimão/Canárias,

foi seguido com invulgares medidas

de segurança.

O representante do armador espanhol

Naviera Armas, Javier Garcia,

afi rmou que a importância deste serviço

regular “nunca foi reconhecida

pelas autoridades” regionais, que têm

sido acusadas por associações empresariais

e pela oposição de protegerem

o grupo Sousa, concessionário das

operações portuárias do arquipélago

Alverca

Jovens detidos a grafitar um comboio

a A CP avalia em 12 mil euros os prejuízos

causados pelas pinturas que

um grupo de três jovens terá feito,

no passado dia 24, nas carruagens de

um comboio que estava estacionado

na estação de Alverca.

Alertada por uma chamada telefónica,

a Polícia de Segurança Pública

deslocou-se ao local, conseguindo

interceptar dois dos três suspeitos de

danifi car as carruagens. De acordo

com uma fonte policial foram-lhes

apreendidas onze latas de tinta que

terão sido utilizadas na execução dos

e da ligação marítima entre a Madeira

e o Porto Santo.

Ao fazer o balanço dos custos da

operação, o armador espanhol concluiu

que “não era possível prosseguir

com o serviço”. Javier Garcia adiantou

que a sua continuidade dependia

de dois factores fundamentais: aumento

das tarifas e diminuição dos

custos portuários.

Se, por um lado, houve receptividade

de empresas exportadores e importadoras

para aceitar um aumento

das tarifas no transporte de produtos,

sobretudo perecíveis, feito a custos

inferiores aos praticados por outros

armadores para a Madeira, a mesma

abertura não surgiu da parte do governo

regional no sentido de baixar

os custos operacionais no porto do

Funchal que, garantiu Garcia, “pratica

as taxas portuárias mais altas dos

portos europeus”.

O Armas fez a ligação entre Portimão e o Funchal durante seis anos

graffi ti. Os dois jovens, com 15 e 24

anos, foram identifi cados pelos agendes

da PSP e notifi cados para comparecerem

na quarta-feira no Tribunal

de Vila Franca de Xira.

Os agentes da Esquadra de Investigação

da Divisão de Vila Franca de

Xira da PSP apreenderam, também,

duas máquinas fotográfi cas digitais,

alegadamente usadas pelos jovens para

“documentarem” as pinturas feitos

na composição ferroviária.

Um representante da CP apresentou,

entretanto, queixa contra os três

DR

Por exemplo, carregar ou descarregar

um reboque no porto do Funchal

“custa aproximadamente 140 a 150

euros, enquanto nas Canárias custa

50”, referiu Javier Garcia. O representante

do armador salientou que, no

ano passado, a Naviera Armas pagou

um milhão de euros em taxas portuárias

na Madeira.

A secretaria regional do Turismo e

Transportes considerou, em comunicado,

que a pretensão do armador

“não tem qualquer razoabilidade”

e contraria os compromissos internacionais

assumidos para o resgate

fi nanceiro de Portugal. “A isenção de

taxas portuárias pretendida contraria

os compromissos assumidos pelo

governo regional relativamente ao

Governo central e à troika, compromissos

esses que estipulam o congelamento

de todos os benefícios fi scais

e impedem a introdução de novos benefícios

ou o alargamento dos existentes”,

justifi cou o executivo.

Milhares de cidadãos que subscreveram

uma petição pública na

Internet pela continuidade do único

navio de transporte de regular de

passageiros, mercadorias e automóveis,

entendem que os madeirenses

“sairão muito prejudicados, a todos

os níveis, se este deixar de operar”.

Vai aumentar o custo de vida, a taxa

de desemprego e o isolamento.

A companhia de navegação espanhola

Naviera Armas iniciou durante

o ano de 2006 a linha entre a Madeira,

Portimão e as Canárias, colmatando

uma lacuna de 23 anos no transporte

marítimo regular de passageiros entre

a região e o continente.

Depois do início da ligações aéreas,

aos poucos, desde a década de 70 do

séc. XX, os madeirenses assistiram

ao progressivo abate dos navios da

marinha mercante portuguesa. Entre

eles avultavam navios como o Infante

Dom Henrique, o Santa Maria, o Vera

Cruz, ou o Príncipe Perfeito, da extinta

Companhia Colonial de Navegação.

O Funchal foi o último a assegurar a

carreira.

jovens e avaliou os danos causados

pelas pinturas em cerca de 12 mil euros.

No passado mês de Outubro, a

CP revelou ao PÚBLICO que só nos

primeiros oito meses de 2011 gastou

cerca de 236 mil euros em trabalhos

de limpeza de grafi ti pintados nos

seus comboios.

O jovem de 24 anos agora detido

pela PSP saiu em liberdade depois de

identifi cado e notifi cado para comparecer

em tribunal, enquando que o

menor que o acompanhava foi entregue

à família. Jorge Talixa

O valor do Metro

Opinião

João Seixas

a O metropolitano de Lisboa

mostra muito do país que somos.

É bonito, mas pequeno. Veloz,

mas retorcido. Parece da cidade,

mas quem manda nele não é a

cidade. É também muito nosso

na forma como cresceu, como

não cresceu, e sem dúvida no

eterno debate entre quanto custa

e quanto vale. E quem paga.

Serviço público por excelência,

demorou a chegar: em 1959,

quase 100 anos depois do

primeiro (Londres, 1863). Lisboa

tinha quase um milhão de

habitantes e enormes exigências

de mobilidade. Mas lá chegou,

primeiro estranhou-se e depois

entranhou-se. Tornou-se um

símbolo da nossa modernidade.

Pequenina. Durante décadas teve

apenas uma linha, linha e meia,

de Alvalade a Sete Rios passando

pelo Rossio, e uma perninha do

Marquês a Entre Campos. As

estações eram português suave,

todas iguais, aquela pedrinha

cinzento-verde. O metropolitano

era, simplesmente, ‘o metro’,

epíteto mais que correcto. Entre

1972 e 1995 abriu em média uma

estação em cada 4,6 anos, registo

exemplar para a modernidade

portuguesa. As suas estratégias

eram (e continuam a ser) da

total incompreensão do pobre

e incauto cidadão, simples

utilizador. Não ia ao aeroporto.

Não chegava a Santa Apolónia.

Não parecia preocupar-se com

os crescentes subúrbios. Nem

tampouco em construir uma

estrutura radial, como outras

cidades obviamente fi zeram.

E assim se manteve, singelo e

discreto, mas muito nosso. Mais

de dez anos depois do início

da democracia, lá chegava à

universidade.

Vem então a Europa, os fundos,

o cavaquismo, o guterrismo.

E a Expo 98. Alegremente

adolescentes, partimos para a

valente festa, a Oriente. Uma

linha totalmente nova saía

agora da Alameda e, dobrando

boas esperanças (em Chelas?),

chegava à pós-modernidade. As

linhas ganhavam nomes de gesta:

Oriente, Caravela, Gaivota. A

ressaca é grande, mas isso é outra

história. O metro, entretanto,

procurava ser metropolitano!

Dirigindo-se para os ‘subúrbios’:

primeiro uma ponta na Pontinha;

depois Odivelas e Amadora. O

lisboeta lia nos mapas estações

chamadas Senhor Roubado e

Público Domingo 29 Janeiro 2012 37

Alfornelos, antigos poisos saloios

agora plenos de urbanidade, e

de gente. E conectando-se com

os comboios, atingindo enfi m

Santa Apolónia e o Cais do Sodré.

De aeroporto, ainda nada. Nem

de outros locais importantes da

cidade, as Amoreiras, Alcântara,

a via onde mais lisboetas

residem, a estrada de Benfi ca. O

metropolitano mantinha-se semicosmopolita.

Como o país.

Mas com grande arte.

Em todo o mundo é difícil

encontrar estações mais belas.

Talvez as de Moscovo. As de

Lisboa são magnífi cas obras de

artistas como Maria Keil, Siza

Vieira, Vieira da Silva, Júlio

Pomar, José de Guimarães.

Verdadeiros palácios ao lado

(ou por baixo) do frenesim das

nossas mundanidades. Palácios

contemporâneos, do povo e para

o povo, as estações do metro de

Lisboa têm tudo para ser dos

maiores orgulhos da cidade. Um

orgulho caro: cada uma destas

magnífi cas estações deve ter

custado mais do que três ou

quatro estações, decerto feias, de

Londres, Madrid ou Paris. Mas

assim somos.

Hoje, o belo e

semimetropolitano metro

tornou-se completamente

democrático. Só não vê quem não

anda nele. Grande catalisador da

vida urbana, gentes de todas as

classes e idades – cerca de 500

mil passageiros/dia, e poderia

ser muito mais – movimentamse

hoje nas suas belas estações.

É um prazer ver o movimento

no Marquês, na Baixa-Chiado,

em Sete Rios. E este ano, c’os

diabos, o metro chegará enfi m ao

Aeroporto! Confi rmando assim a

‘opção Portela’. E reconfi rmando,

portanto, a nossa condição

semicosmopolita.

Uma condição que, para

dizer o mínimo, seria bom que

houvesse na política. Mas não. A

mobilidade pública é altamente

defi citária, dizem agora. Muitos

milhões de euros de defi cit.

Como se não fosse um serviço

público. Pela quarta vez num

ano, as tarifas irão aumentar

para os incautos, até 21%. Até

os passes escolares sobem, em

enorme insensibilidade social

e em total ausência de sinais

para a sociedade e seu futuro.

Ora, a mobilidade colectiva

é um dos maiores bens de

uma sociedade. É altamente

superavitária. O metropolitano,

tal como os autocarros, eléctricos

e cacilheiros, tornou-se central

para a nossa identidade e futuro,

como cidade, como colectivo.

Não vejo prejuízo nisto, muito

pelo contrário. É para isto que

serve o Estado, que servem

os impostos. Para dar valor

colectivo à sociedade. E o metro

tem um enorme valor. É parte de

nós. Geógrafo


38 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Classifi cados

€4

MINIATURA

DE JOSÉ

MOURINHO

ID: 11701381

até

01/02/2012

NECROLOGIA DIVERSOS

ANTÓNIO FERNANDO

MARTINS DA COSTA

Agradecimento e missa de 7.º dia

A família, na impossibilidade de o fazer

pessoalmente, vem por este meio expressar a sua

indelével gratidão a todos quantos estiveram presentes

no funeral do seu ente querido ou que de qualquer

outro modo lhes manifestaram a sua amizade.

A missa de 7.º dia será celebrada amanhã,

segunda-feira, pelas 19.00 horas, na igreja de Cristo-

Rei (à Avenida Marechal Gomes da Costa) - Porto.

Fun.ª Condominhas * Casa António Pereira, Ld.ª

CAMISOLA CHELSEA 2012

ID: 11801747 até 01/02/2012

JOSÉ CASTELO-BRANCO

Solicitador de Execução

Cédula 3103

PE-901/2010 1337/07.3TCSNT

Comarca da Grande Lisboa - Noroeste

- Sintra - Juízo de Execução - Juiz 1

39.067,66 €

SPORTING DVD

ID: 11836481 até 05/02/2012

EDITAL

PE-129/2004 2955/04.7TBALM

Almada - Tribunal Judicial - 3.º Juízo

Competência Cível

105.888,52 €

Exequente: BANIF - Banco Internacional do Funchal, S.A.

Mandatária: Ana Duarte Esteves

Executado: António Manuel Guardado dos Santos Casaca e outros

José Castelo Branco, Solicitador de Execução, nos autos acima identifi cados, com escritório

na Rua Professor Veiga Ferreira, 5-A, 1600-802 Lisboa, faz saber que foi designado o dia 3

de Fevereiro de 2012, pelas 9h15m, no Tribunal Judicial Almada - 3.º Juízo Competência

Cível - para abertura de propostas em carta fechada, que sejam entregues até à hora acima

mencionada, na Secretaria deste Tribunal, pelos interessados na compra do seguinte bem:

BEM A VENDER:

Tipo de Bem: Imóvel

Bem Penhorado em: 05-05-2010

Registo da Conservatória: 1146 - descrito na 1.ª CRP de ALMADA

Descrição do Prédio: Prédio Urbano em regime de propriedade horizontal sito na Praceta

Vale do Linhoso, n.º 4 e 4.ª, Cave, 2815-722 Sobreda, fracção A, descrito na CRP de Almada

com o n.º 1146 e inscrito com o artigo matricial nº 1675 da freguesia da Sobreda.

Bem penhorado a:

Executado: Antonio Manuel Guardado dos Santos Casaca e Maria Antónia Guerreiro C.

Guardado.

Valor-Base de Venda: 50.000,00 euros

Valor mínimo das propostas: 35.000,00 euros

É Fiel Depositária: A GERENTE DO SOLAR DO CAFÉ - CÁTIA SOFIA CASACA GUARDADO

Modalidade da Venda: Venda mediante proposta em carta fechada.

Consigna-se que as propostas a apresentar deverão especifi car no exterior do envelope a

referência ao processo a que se destinam, bem como a indicação ou menção de se tratar de

uma proposta para venda e no interior do envelope deverá vir uma fotocópia do Bilhete de

Identidade e Contribuinte do Proponente (caso se tratar de pessoa singular) ou de cópia do

cartão de pessoa colectiva (no caso de se tratar de empresa), os proponentes devem juntar

à sua proposta, como caução, um cheque visado, à ordem do Agente de Execução no montante

correspondente a 5% do valor-base dos bens ou garantia bancária no mesmo valor.

Nos termos do n.º 5 do artigo 890.º do CPC, não se encontra pendente nenhuma oposição

à execução ou à penhora.

Para constar, se lavra o presente edital e outros de igual teor que vão ser afi xados nos

locais determinados por Lei.

O Agente de Execução - José Castelo-Branco

R. Prof. Veiga Ferreira, 5A, Apartado 42012 - 1600-802 Lisboa

Telf.: 218 480 749 - Fax: 217 579 664 - E-mail: 3103@solicitador.net

Horário de atendimento das 18h às 20h (sob marcação prévia)

Público, 29/01/2012 - 2.ª Pub.

Tel. 21 011 10 10/20 Fax 21 011 10 30

De segunda a sexta das 09H00 às 19H00

€12 €7 €37

€1,75

Exequente: BANCO POPULAR

PORTUGAL, S.A.

Mandatário: José António Silva e Sousa

Executado: LUÍS ALBERTO DA NAZARÉ

CORREIA

Executado: Eurocacém - Transportes

Lda. e Outros

CAMISOLA FC PORTO

2011/2012

ID: 11791708 até 30/01/2012

JOSÉ CASTELO-BRANCO

Solicitador de Execução

Cédula 3103

PE-901/2010 1337/07.3TCSNT

Comarca da Grande Lisboa - Noroeste

- Sintra - Juízo de Execução - Juiz 1

39.067,66 €

Exequente: BANCO POPULAR PORTU-

GAL, S.A.

Mandatário: José António Silva e Sousa

Executado: LUÍS ALBERTO DA NAZARÉ

CORREIA

Executado: Eurocacém - Transportes,

Lda. e Outros

EDITAL

CITAÇÃO DE AUSENTE EM PARTE INCERTA

(ART.ºS 248.º E 249.º DO C.P.C.)

OBJECTO E FUNDAMENTO DA CITAÇÃO

Nos termos e para os efeitos do disposto no art.º 248.º do Código Processo

Civil (CPC), correm éditos de 30 (trinta) dias, contados da data da

publicação do anúncio citando a ausente ELISA DE FÁTIMA CARREIRA

CARVALHO CORREIA com última morada conhecida na Av. MARCH.

HUMBERTO DELGADO, LT. 6, 1.º DTO., RIO MAIOR, para no prazo de

20 (vinte) dias, decorrido que seja o dos éditos, pagar ou deduzir oposição

à execução supra-referenciada, nos termos do art.º 812.º n.º 6 e

813.º n.º 1 do CPC.

O duplicado do requerimento executivo e a cópia dos documentos

encontram-se à disposição do citando na Secretaria do Tribunal supraidentifi

cado.

MEIOS DE OPOSIÇÃO

Nos termos do disposto no artigo 60.º do C.P.C. e tendo em consideração

o valor do processo, para se opor a execução, (que terá de ser

apresentada no Tribunal supra-identifi cado) é obrigatória a constituição

de Advogado.

COMINAÇÃO EM CASO DE REVELIA

Caso não se oponha à execução e/ou à penhora no prazo supra-indicado

e não pague ou caucione a quantia exequenda, seguem-se os termos

do art.º 832.º do C.P.C., sendo promovida venda dos bens penhorados

necessários para garantir o pagamento da quantia exequenda, acrescido

de 10%, nos termos do disposto no n.º 3 do art.º 821.º do C.P.C.

PAGAMENTO, DESPESAS E HONORÁRIOS

Poderá efectuar o pagamento da quantia exequenda, acrescida de juros

e despesas previsíveis nos termos do artigo 821.º do Código Processo

Civil, no escritório do signatário em dinheiro ou cheque visado.

Este edital foi afi xado no dia 27/01/2012

O Solicitador de Execução - José Castelo-Branco

Rua Professor Veiga Ferreira, 5 A, 1600-802 Lisboa.

Telf.: 218 480 749 - Fax: 217 579 664 - E-mail: 3103@solicitador.net

Público, 29/01/2012 - 2.ª Pub.

POSTAL

AUTOGRAFADO

JANKAUSKAS

ID: 11845228

até

07/02/2012

“Deus é o silêncio do universo,

e o homem o grito que dá sentido a esse silêncio.”

Rua Viriato, 13

1069-315 Lisboa

pequenosa@publico.pt

Para mais informações

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Metro Baixa Chiado. Saída pela Rua do Crucifi xo.

Colecção Saramago - Cadernos de Lanzarote

Segunda-feira, 30 de Janeiro, Diário III,

por apenas mais 5,50€ com o Público.

Colecção de 5 livros. PVP unitário 5,50€. Preço Total da colecção: 27,50€. Periodicidade Semanal (Segundas-feiras). De 16 de Janeiro a 13 de Fevereiro de 2012. A aquisição do produto implica a compra do jornal. Limitado ao stock existente.


DIVERSOS

ORDEM DOS ADVOGADOS

CONSELHO DE DEONTOLOGIA DO PORTO

EDITAL

RUI FREITAS RODRIGUES, Presidente do Conselho de

Deontologia do Porto da Ordem dos Advogados Portugueses,

em cumprimento do disposto nos artigos n.ºs 137.º e 169.º do

Estatuto da Ordem dos Advogados, aprovado pela Lei 15/2005,

de 26 de janeiro;

Faz saber publicamente que, por Acórdão do Conselho de

Deontologia do Porto de 30 de junho de 2006, confi rmado por

Acórdão da 1.ª Secção do Conselho Superior de 05 de junho de

2009, foi aplicada ao Sr. Dr. Alfredo Manuel de Faria da Cunha

Lima, que profi ssionalmente usa o nome abreviado de Manuel

Cunha Lima, com escritório na comarca do Porto, portador da

cédula profi ssional n.º 2638-P, a pena disciplinar de suspensão

do exercício da advocacia pelo período de 2 (dois) anos, por

violação dos deveres previstos nos artigos 76.º, n.º 1, e 53.º do

Estatuto da Ordem dos Advogados em vigor à prática dos factos

– Lei 80/2001, de 20 de julho.

O cumprimento da presente pena teve o seu início em 12 de

outubro de 2011, dia em que o aludido Acórdão do Conselho de

Deontologia formou caso resolvido na ordem jurídica interna da

Ordem dos Advogados.

Porto, 24 de janeiro de 2012

Rui Freitas Rodrigues, Presidente do Conselho de Deontologia

DF de Faro

Serviço de Finanças

de Faro-1058

Adelaide Maria Baúto

Agente de Execução

Cédula 1563

Adelaide Maria Baúto, Agente de

Execução, com escritório na Av. Dr.

Álvaro de Vasconcelos, 8, 3.º C, em

Sintra, faz saber que nos autos acima

indicados, encontra-se designado o

dia 16 de Fevereiro de 2012, pelas

14.00 horas, no Tribunal Judicial da

Moita - 2.º Juízo, para abertura de

propostas.

BEM A VENDER: Fracção autónoma

designada pela letra “D”, correspondente

ao 1.º andar esquerdo, destinada

a habitação do prédio urbano

em regime de Propriedade Horizontal,

sito na Rua Manuel da Fonseca

N.º 9 - 9 A, Urbanização Novo Rumo,

freguesia da Moita, descrito na Conservatória

do Registo Predial da Moita

sob o n.º 1411 e inscrito na respectiva

matriz sob o artigo 4938.

Valor-base: 70.011,92 euros.

Será aceite a proposta de melhor

preço acima do valor de 49.008,34

Largo Dr. Francisco Sá Carneiro - Mercado Municipal de Faro - Piso 1, 8000-151 Faro

ÉDITOS DE 30 DIAS, ANÚNCIO PARA

VENDA JUDICIAL POR MEIO DE LEILÃO

ELECTRÓNICO E CITAÇÃO DE CREDORES

Processo de Execução Fiscal n.º 1058200901108921

e Apensos

LUÍS ALBERTO DIAS OSÓRIO, Chefe do Serviço de Finanças de FARO.

Faz público que por este Serviço de Finanças correm éditos de trinta dias, citando o executado,

Rassol - Indústria e Comércio Agrícolas, Lda., NIF 501 627 901, que teve a sua sede

na Rua General Teófi lo Trindade, 41 - FARO e actualmente com morada desconhecida,

executado no Processo de Execução Fiscal n.º 1058200901108921 e Apensos, deste Serviço de

Finanças, por dívida de IVA e IMI, dos anos 2008 e 2009, no montante de € 5.095,08 (cinco

mil e noventa e cinco euros e oito cêntimos), ao qual acrescem os juros de mora e custas a

contar nos termos da Lei, para no prazo de 30 (trinta) dias, imediatamente após os trinta dias

do presente édito, e contados a partir da última publicação, pagar na Secção de Cobrança

deste Serviço de Finanças, mediante guias a solicitar neste Serviço de Finanças, a dívida acima

mencionada. Mais fi ca citado que, para garantir o pagamento da dívida em questão, foi

penhorado ao executado “Rassol - Indústria e Comércio Agrícolas, Lda.”, acima identifi cado,

o bem que se identifi ca em seguida e que se não pagar a referida dívida dentro daquele prazo

ou deduzir oposição, procederá este Serviço de Finanças à sua venda judicial por meio de

“Leilão Electrónico”, nos termos do artigo 248.º do Código de Procedimento e de Processo

Tributário, para o que já se encontra designado o dia 11 de Maio de 2012, pelas 10.00 horas,

neste Serviço de Finanças. Venda n.º 1058.2012.18.

BEM PENHORADO

Prédio urbano, Afectação (armazéns e actividade industrial), composto por: R/C e 1.º andar

destinado a silos de matérias-primas, armazém e escritórios. Ao nível do R/C: composto de 1

divisão provisoriamente utilizada a ofi cina, 1 divisão para matérias-primas, 5 silos para matérias-primas.

Ao nível do 1.º andar: composto de instalações para escritório compreendendo

6 divisões e 2 sanitários, armazém de matérias-primas, em 4 patamares sobre os silos e casa

de báscula. Sito em Chiqueda, Aljubarrota (Prazeres), inscrito na respectiva matriz predial

da freguesia de Aljubarrota (Prazeres), Concelho de Alcobaça, sob o art.º 1431 e descrito na

Conservatória do Registo Predial de Alcobaça sob o registo 18/19850118.

O valor-base a anunciar para a venda é de € 109.354,00 (cento e nove mil trezentos e cinquenta

e quatro euros) de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 250.º do Código de

Procedimento e de Processo Tributário, que corresponde a 70% do valor fi xado nos termos

do n.º 1 do mesmo artigo.

É fi el depositário do mencionado bem “Rassol - Indústria e Comércio Agrícolas, Lda”.

São, assim, convidadas todas as pessoas interessadas a apresentarem as suas propostas via

internet, mediante acesso ao “Portal das Finanças”, e autenticação enquanto utilizador

registado, em www.portaldasfi nancas.gov.pt na opção “Venda de bens penhorados”, ou seguindo

consecutivamente as opções “Cidadãos”, “Outros Serviços”, “Venda Electrónica de

Bens” e “Leilão Electrónico”. A licitação a apresentar deve ser de valor igual ou superior ao

valor-base da venda e superior a qualquer das licitações anteriormente apresentadas para

essa venda.

O prazo para licitação tem início no dia 2012-04-26, pelas 10.00 horas, e termina no dia

2012-05-11 às 10.00 horas. As propostas, uma vez submetidas não podem ser retiradas, salvo

disposição legal em contrário.

No dia e hora designados para o termo do leilão, o Chefe de Finanças decide sobre a adjudicação

do bem (artigo 6.º da Portaria n.º 219/2011).

A totalidade do preço deverá ser depositada, à ordem do órgão de execução fi scal, no prazo

de 15 dias, a contar da decisão de adjudicação, mediante guia a solicitar junto do órgão de

execução fi scal, sob pena das sanções previstas legalmente (256.º /1/e) CPPT).

No caso de montante superior a 500 unidades de conta, e mediante requerimento fundamentado,

entregue no prazo máximo de 5 dias, a contar da decisão de adjudicação, poderá ser

autorizado o depósito, no prazo mencionado no parágrafo anterior, de apenas uma parte do

preço, não inferior a um terço, e o restante no prazo máximo de 8 meses (256.º/1/f) CPPT).

O(a) adquirente do bem fi ca sujeito(a) ao pagamento do Imposto Municipal sobre Transmissões

Onerosas de Imóveis, à taxa prevista na alínea c) do n.º 1 do artigo 17.º do C.I.M.T.,

caso não benefi cie de isenção da mesma; e ao Imposto do Selo, à taxa de 0,8%, pela aquisição

- verba 1, da Tabela Geral do Imposto do Selo, nos termos do n.º 1 do art.º 1.º do Código do

Imposto do Selo, aprovado pela Lei n.º 150/99, de 11 de Setembro.

Ficam por este meio citados, de harmonia com o disposto no n.º 2 do artigo 239.º do Código

de Procedimento e de Processo Tributário, quaisquer credores desconhecidos que gozem de

garantia real sobre o bem penhorado, bem como os sucessores dos credores preferentes, para

reclamarem os seus créditos no prazo de 15 (quinze) dias, fi ndos os 20 (vinte) dias a contar da

2.ª publicação do presente anúncio.

E, para constar, se passou o presente Edital - Anúncio e outros de igual teor que vão ser

afi xados nos lugares indicados por Lei.

Serviço de Finanças de Faro, 26 de Janeiro de 2012

O Chefe de Finanças - Luís Alberto Dias Osório

Público, 29/01/2012 - 2.ª Pub.

N.º do Processo: 1405/09.7TBMTA

Moita - Tribunal Judicial - 2.º Juízo

Exequente: BANCO ESPÍRITO SANTO, SA

Executado(s): NEUSA RAQUEL ROLDÃO MENDES

e outros

Valor: 81.797,24 €

Referência interna: PE/510/2009

ANÚNCIO

Venda judicial de Bem Imóvel mediante propostas em Carta Fechada

(Art.º 890.º do C.P.C.)

euros, que corresponde a 70% do

valor-base, não podendo ser consideradas

propostas de valor inferior.

Nos termos do artigo 897.º n.º 1 do

C.P.C., os proponentes devem juntar

à sua proposta, como caução, cheque

visado à ordem do Agente de

Execução, no montante correspondente

a 5% do valor-base do bem, ou

garantia bancária no mesmo valor.

O bem pertence à executada Neusa

Raquel Roldão Mendes, com residência

na Rua Manuel da Fonseca

N.º 9 - 1.º Esq.º, freguesia da Moita,

fi el depositária do imóvel, que o

deve mostrar a pedido de qualquer

interessado.

A Agente de Execução

Adelaide Maria Baúto

Av.ª Dr. Álvaro de Vasconcelos, n.º 8 - 3.º C

2710-420 Sintra e.mail: 1563@solicitador.net

Telf. 219233364 - Fax 219105158

Público, 29/01/2012 - 2.ª Pub.

MARIA LEONOR COSME

Agente de Execução

Cédula 1389

EDITAL

CITAÇÃO DE AUSENTE

EM PARTE INCERTA

(Artigos 244.º e 248.º do CPC)

A CITAR: Carla de La Salete Fonseca Rodrigues

Alves

Tribunal da Comarca da Grande Lisboa - Noroeste

- Sintra - Juiz 1

Processo n.º 6370/08.5TMSNT

Pagamento de Quantia Certa

Valor: 414,00 €

Exequente: Administração do Prédio sito na

Rua Cidade de Faro, n.º 9, em Algueirão

Executada: CARLA DE LA SALETE FONSECA

RODRIGUES ALVES, com última morada conhecida

na Rua Cidade de Faro, n.º 9, 1.º A,

Algueirão, freguesia de Algueirão - Mem Martins,

Concelho de Sintra.

OBJECTO E FUNDAMENTO DA CITAÇÃO:

Nos termos e para os efeitos do artigo 248.º e

seguintes do Código do Processo Civil (CPC),

correm éditos de 30 (trinta) dias, contados da

data da segunda e última publicação do anúncio,

citando a executada CARLA DE LA SALETE

FONSECA RODRIGUES ALVES, com última

morada conhecida na Rua Cidade de Faro,

n.º 9, 1.º A, Algueirão, freguesia de Algueirão -

Mem Martins, Concelho de Sintra, para no prazo

de 20 (vinte) dias, decorrido que seja o dos

éditos, para pagar ou para se opor à execução

e, o mesmo prazo à penhora, nos termos do n.º

1 e 2 do artigo 813.º e 864.º do C.P.C. (o duplicado

do requerimento executivo e a cópia dos

documentos e do auto de penhora encontra-se

à disposição do citando na secretaria do Tribunal

acima referido).

Mais fi ca informado que no prazo da oposição

e sob pena de condenação como litigante de

má-fé, nos termos gerais, deve indicar os direitos,

ónus e encargos não registáveis que

recaiam sobre a(s) penhora(s) ou a substituição

da penhora por caução, nas condições dos

termos da alíneas a) do n.º 3 do n.º 5 do artigo

834.º do C.P.C.

MEIOS DE OPOSIÇÃO:

Nos termos do disposto do artigo 60.º do

C.P.C. e tendo em consideração o valor do processo,

para se opor à execução e/ou à penhora

é obrigatória a constituição de Advogado.

COMINAÇÃO EM CASO DE REVELIA:

Caso não se oponha à execução consideramse

confessados os factos constantes no requerimento

executivo, seguindo-se os anteriores

termos do processo.

PAGAMENTO, DESPESAS E HONORÁRIOS:

Poderá efectuar o pagamento da quantia exequenda,

acrescida de juros e despesas previsíveis

nos termos do artigo 821.º do C.P.C., no

escritório do signatário (dias e horas constantes

do rodapé) em dinheiro ou cheque visado. Após

a realização da penhora o valor dos honorários

do Agente de Execução sofrerá agravamento,

de acordo com a tabela publicada em anexo à

Portaria n.º 708/2003 de 04/08.

Este Edital encontra-se afi xado na porta do último

domicílio conhecido do citando, na Junta de

Freguesia respectiva e no Tribunal Judicial da

Comarca da última residência do citando. São

também publicados dois anúncios consecutivos

no jornal “Público”. Os prazos começam a

contar-se da publicação do último anúncio.

A Agente de Execução

Maria Leonor Cosme

Rua José Bento Costa n.º 9, R/C Dt.º - Portela

de Sintra - 2710-428 Sintra

Telef. 219106820 - Fax 219106829

e.mail: 1389@solicitador.net

Horário de atendimento: Todos os dias úteis

das 15.00h às 17.00h

Público, 29/01/2012 - 2.ª Pub.

Tribunal Judicial de Alenquer

Processo: 1389/05.0TBALQ - 2.º Juízo

Execução Comum - Pagamento de quantia certa

Exequente: Banif - Banco Internacional do Funchal, S.A.

Executado: Alfredo Eduardo Teixeira de Carvalho e Deolinda Moreira

Rocha Carvalho

FAZ-SE SABER que nos autos acima identifi cados, encontra-se

designado o dia 23 de Fevereiro de 2012 pelas 9.30 horas, no

Tribunal Judicial de Alenquer, para a abertura de propostas, que

sejam entregues até esse momento, na secretaria do tribunal, pelos

interessados na compra do seguinte bem:

Fracção autónoma designada pela letra “D”, correspondente ao

PRIMEIRO ANDAR ESQUERDO para habitação do prédio em

regime de propriedade horizontal sito na Rua Vasco da Gama,

Lote 113, Urbanização da Barrada, na freguesia do Carregado e

concelho de Alenquer, inscrito na respectiva matriz sob o artigo

883.º daquela freguesia e descrito na Conservatória do Registo

Predial de Alenquer sob o número 0079/Carregado.

Valor-base: 98.000,00 € (noventa e oito mil euros).

Será aceite a proposta de melhor preço acima do valor de

68.600,00 € (sessenta e oito mil e seiscentos euros), correspondente

a 70% do valor-base.

É fi el depositário, que o deve mostrar a pedido, os executados

Alfredo Eduardo Teixeira de Carvalho e Deolinda Moreira Rocha

Carvalho.

Arruda dos Vinhos, 24 de Janeiro de 2012

A Agente de Execução - Ana Rucha

Público, 29/01/2012 - 2.ª Pub.

LILITA ANTUNES

MARTINS

Agente de Execução

Cédula 2860

ANÚNCIO

Citação de Ausente em Parte Incerta

(Art.ºs 244.º, 248.º e 249.º do CPC)

Portimão - Tribunal Trabalho - Único

Juízo

Processo n.º 57/06.0TTPTM-A

EXECUÇÃO PARA PAGAMENTO DE

QUANTIA CERTA

Exequente: Myron Cherepushchak

Executado: Aurélio Manuel Ferreira

Relvão

Valor: 19.999,99

Nos autos acima identifi cados correm

éditos de 30 (trinta) dias, contados da

data da segunda e última publicação

do anúncio, citando o executado acima

identifi cados, com última residência

conhecida na Quinta dos Dragoeiros,

8600-110 Ferrel - Lagos, para no prazo

de 20 (vinte) dias, decorrido que seja o

dos éditos, pagar ou deduzir oposição

à execução supra-mencionada, nos

termos do n.º 1 do art.º 813 e do n.º

6 do art.º 812.º do CPC, sob pena de

não o fazendo, seguirem-se os termos

do art.º 832.º do CPC, sendo promovida

a penhora dos bens necessários

para garantir o pagamento da quantia

exequenda no montante de 19.999,99

€ (dezanove mil, novecentos e noventa

e nove euros e noventa e nove cêntimos),

acrescida de 10% nos termos do

disposto no n.º 3 do art.º 821 do CPC,

da taxa de justiça inicial no montante

de 24,00€ (vinte e quatro euros) e,

honorários e despesas de solicitador,

que nesta data ascendem a 1.000,00€

(mil euros), juros calculados nos termos

do pedido, sendo ainda responsável

por todas as despesas indispensáveis,

inerentes à presente execução. Nos

termos do disposto no art.º 60.º do

CPC e tendo em consideração o valor

do processo, para se opor à execução

é obrigatória a constituição de advogado.

Os duplicados do requerimento

executivo e cópia dos requerimentos

encontram-se à disposição do citando,

no escritório da Solicitadora de Execução.

Poderá efectuar o pagamento da

quantia exequenda e demais despesas,

no escritório do signatário em dinheiro

ou cheque visado. Após a realização da

penhora, o valor de honorários e despesas

sofrerá um agravamento de acordo

com a tabela publicada em anexo à

Portaria n.º 708/2003, de 1/8.

A Agente de Execução

Lilita Antunes Martins

Largo Alves Roçadas, 1.º Esq.º

- Apartado 388 - 8401-904 Lagoa

Telf.: 282 352 319 - Fax: 282 342 682

E.mail 2860@solicitador.net

Público, 29/01/2012 - 2.ª Pub.

ANA MARIA SILVA RUCHA

Agente de Execução

Cédula 2769

ANÚNCIO

CÉSAR BELCHIOR

Agente de Execução

Céd. Prof. 2822

ANÚNCIO

Citação de ausente em parte incerta

Comarca da Grande Lisboa-Noroeste

- Juízo de Execução de Sintra - Juiz 1

Processo n.º 2546/08.3TMSNT

Execução para pagamento de quantia

certa

Valor: 14.506,26 €

Exequente: Banco Espírito Santo S.A.

Executado: Jodisonho - Administração de

Propriedades, Lda e outro

OBJECTO E FUNDAMENTO DA CI-

TAÇÃO

Nos termos e para os efeitos do disposto

no art.º 248.º e ss. do Código de Processo

Civil correm éditos de 30 (trinta) dias,

contados da data da segunda e última

publicação do anúncio, citando o ausente

Joaquim Pires Barreiro, na qualidade de

representante legal da executada Jodisonho

- Administração de Propriedades,

Lda., com última morada conhecida na

Praceta D. Mécia n.º 13 - 5.º esq.º, 2605-

247 Belas, para no prazo de 20 (vinte)

dias, decorrido que seja o dos éditos,

pagar ou deduzir oposição à execução

supra-referenciada, nos termos do art.º

812.º n.º 6 do Código de Processo Civil.

Os duplicados do requerimento executivo

e cópia dos documentos anexos encontram-se

à disposição do citando na secretaria

do Tribunal de Comarca da Grande

Lisboa-Noroeste - Juízo de Execução de

Sintra - Juiz 1.

MEIOS DE OPOSIÇÃO

Nos termos do disposto no art.º 60 do

CPC, é obrigatória a constituição de Advogado

quando o valor da execução seja

superior à alçada do tribunal de primeira

instância.

COMINAÇÃO EM CASO DE REVELIA

Caso não se oponha à execução consideram-se

confessados os factos constantes

do requerimento executivo, seguindo-se

os ulteriores termos do processo.

PAGAMENTO, DESPESAS E HONO-

RÁRIOS

Poderá efectuar o pagamento da quantia

exequenda no escritório do signatário

(dias e horas constantes do rodapé) em

dinheiro ou cheque visado.

A quantia exequenda acrescem as despesas

previsíveis da execução (n.º 3 do

artigo 821.º do CPC), além dos juros

calculados nos termos do pedido, a taxa

de justiça e os honorários e despesas do

Agente de Execução.

Após a realização da penhora o valor

dos honorários e despesas sofrerá agravamento,

de acordo com a tabela publicada

em anexo à Portaria n.º 708/2003,

de 04/08.

O Agente de Execução - César Belchior

Av. do Brasil, 192 B - Escritório 1 - 1700-078 Lisboa

Tel: 214 923 039 - Fax: 214 934 222

E-mail: 2822@solicitador.net

Horário de atendimento: Dias úteis das 10h30

às 12h30

Público, 29/01/2012 - 2.ª Pub.

CÉSAR BELCHIOR

Agente de Execução

Céd. Prof. 2822

ANÚNCIO

Citação de ausente em parte incerta

Comarca da Grande Lisboa-Noroeste

- Juízo de Execução de Sintra - Juiz 1

Processo n.º 10788/06.0TMSNT

Execução para pagamento de quantia

certa

Valor: 4.916,52 €

Exequente: Banco Espírito Santo S.A.

Executado: Gordalinas & Ferreiras, Lda

e outro

OBJECTO E FUNDAMENTO DA CI-

TAÇÃO

Nos termos e para os efeitos do disposto

no art.º 248.º e ss. do Código de Processo

Civil correm éditos de 30 (trinta) dias,

contados da data da segunda e última

publicação do anúncio, citando o ausente

Joaquim Pires Barreiro, na qualidade de

representante legal da executada Jodisonho

- Administração de Propriedades,

Lda., com última morada conhecida na

Praceta D. Mécia, n.º 13 - 5.º esq.º, 2605-

247 Belas, para no prazo de 20 (vinte)

dias, decorrido que seja o dos éditos,

pagar ou deduzir oposição à execução

supra-referenciada, nos termos art.º 812.º

n.º 6 do Código de Processo Civil.

Os duplicados do requerimento executivo

e cópia dos documentos anexos encontram-se

à disposição do citando na secretaria

do Tribunal de Comarca da Grande

Lisboa-Noroeste - Juízo de Execução de

Sintra - Juiz 1.

MEIOS DE OPOSIÇÃO

Nos termos do disposto no art.º 60 do

CPC, é obrigatória a constituição de Advogado

quando o valor da execução seja

superior à alçada do tribunal de primeira

instância.

COMINAÇÃO EM CASO DE REVELIA

Caso não se oponha à execução consideram-se

confessados os factos constantes

do requerimento executivo, seguindo-se

os ulteriores termos do processo.

PAGAMENTO, DESPESAS E HONO-

RÁRIOS

Poderá efectuar o pagamento da quantia

exequenda no escritório do signatário

(dias e horas constantes do rodapé) em

dinheiro ou cheque visado.

À quantia exequenda acrescem as despesas

previsíveis da execução (n.º 3 do

artigo 821.º do CPC), além dos juros

calculados nos termos do pedido, a taxa

de justiça e os honorários e despesas do

Agente de Execução.

Após a realização da penhora o valor

dos honorários e despesas sofrerá agravamento,

de acordo com a tabela publicada

em anexo à Portaria n.º 708/2003,

de 04/08.

O Agente de Execução - César Belchior

Av. do Brasil, 192 B - Escritório 1 - 1700-078 Lisboa

Tel: 214 923 039 - Fax: 214 934 222

E-mail: 2822@solicitador.net

Horário de atendimento: Dias úteis das 10h30

às 12h30

Público, 29/01/2012 - 2.ª Pub.

Público Domingo 29 Janeiro 2012 39

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Sintra - Juízo Grande Inst. Cível

2.ª Secção - Juiz 4

Processo n.º 1299/08.0TCSNT

ANÚNCIO

Divisão de Coisa Comum

Requerente: João Alexandre Monteiro

Parreira

Requerida: Ana Cláudia Freire de Andrade

Manso

Nos autos acima identifi cados foi designado

o dia 14-02-2012, pelas 10.00 horas,

neste Tribunal, para a abertura de propostas,

que sejam entregues até esse momento,

na Secretaria deste Tribunal, pelos interessados

na compra do seguinte bem:

Fracção autónoma sita na R. de S. José

Brandão de Almeida, 8, 8 A e 8 B, 4.º andar

direito, Mem Martins, na 1.ª Conservatória

do Registo Predial de Sintra sob o n.º 1925

L, da freguesia de Algueirão - Mem Martins

e inscrito na matriz predial urbana sob o

artigo 7976 da mesma freguesia.

Valor-base: € 80.000,00.

Valor a anunciar para venda (70% do valorbase):

€ 56.000,00.

Requerente: João Alexandre Monteiro

Parreira, residente na Estrada de Mem

Martins n.º 104 - Cave Dt.ª - 2725-216

Mem Martins.

Requerida: Ana Cláudia Freire de Andrade

Manso residente na Praceta Alves Redol,

n.º 10, 2.º Dt.º - 2725-216 Mem Martins.

Credora Reclamante: Caixa Geral de Depósitos

S.A.

Nota: No caso de venda mediante proposta

em carta fechada, os proponentes devem

juntar à sua proposta, como caução, um

cheque visado, à ordem da secretaria,

no montante correspondente a 20% do

valor-base dos bens ou garantia bancária

no mesmo valor (n.º 1 ao art.º 897.º do

CPC).

N/Referência: 15200871

Sintra, 25-01-2012

A Juíza de Direito

Dr.ª Laurinda Gemas

A Ofi cial de Justiça

Maria João André Morgado

Público, 29/01/2012 - 2.ª Pub.

TRIBUNAL JUDICIAL

DO BOMBARRAL

Secção Única

Processo: 367/10.2TBBBR

ANÚNCIO

Acção de Processo Ordinário

Autor: Leirinveste - Sociedade de

Construção Civil, S.A.

Réu: Crisafi l - Mobiliário, Lda. e

outro(s)...

Nos autos acima identifi cados, correm

éditos de 30 dias, contados da

data da segunda e última publicação

do anúncio, citando a:

Ré: Crisafi l - Mobiliário, Lda., NIF -

507884000, com sede no Parque

Industrial JS, sito no Vale do Leito -

2540 Bombarral, na pessoa do seu

Legal Representante Cristiano Alves

Filipe, estado civil: Solteiro, nascido

em 05-12-1988, nacional de Portugal,

NIF - 227006720, BI - 13231001, com

última residência conhecida no Vale

do Leito - 2540 Bombarral, para, no

prazo de 30 dias, decorrido que seja

o dos éditos, contestar, querendo, a

acção, com a cominação de que a

falta de contestação importa a confi

ssão dos factos articulados pelo(s)

autor(es) e que em substância o

pedido consiste em condenar-se as

Rés a restituírem a área aproximada

3937 m2 que ilicitamente é ocupado,

entregando-lhe livre de pessoas e

bens, e ainda, a sua condenação

nas custas, procuradoria condigna e

demais encargos legais, tudo como

melhor consta do duplicado da petição

inicial que se encontra nesta Secretaria,

à disposição do citando.

O prazo acima indicado suspendese,

no entanto, nas férias judiciais.

Fica advertido de que é obrigatória a

constituição de mandatário judicial.

N/ Referência: 609617

Bombarral, 24-01-2012

A Juíza de Direito

Dr.ª Andreia Valadares Ferra

O Ofi cial de Justiça

José Júlio Celas Fernandes

Público, 29/01/2012 - 2.ª Pub.

A ALZHEIMER PORTUGAL é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, sendo a única organização em Portugal constituída

para promover a qualidade de vida das pessoas com demência e dos seus familiares e cuidadores.

A ALZHEIMER PORTUGAL apoia as Pessoas com Demência e as suas Famílias através de uma equipa multidisciplinar de profi ssionais,

com experiência na doença de Alzheimer.

Os serviços prestados pela ALZHEIMER PORTUGAL incluem Informação sobre a doença, Formação para cuidadores formais e informais,

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www.alzheimerportugal.org

Contactos

Sede: Av. de Ceuta Norte, Lote 15, Piso 3 - Quinta do Loureiro, 1300-125 Lisboa - Tel.: 213 610 460/8 - Fax: 213 610 469 - E-mail: geral@alzheimerportugal.org

Delegação do Norte: Centro de Dia “Memória de Mim” - Rua do Farol Nascente, n.º 47-A, R/C - 4455-301 Lavra - Tel.: 229 260 912 / 226 066 863 - E-mail: geral.norte@alzheimerportugal.org

Delegação do Centro: Rua Marechal António Spínola, Loja 26 (Galerias do Intermarché) - Pombal, 3100-389 Pombal - Tel.: 236 219 469 - E-mail: geral.centro@alzheimerportugal.org

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Desporto

Varela, do Feirense, marcou dois golos e fez um penálti

A infelicidade de Varela

foi a sorte do Benfi ca

MIGUEL VIDAL/REUTERS

Os “encarnados” sofreram para vencer no renovado estádio do Feirense.

Uma vitória feliz que permite manter a equipa da Luz na liderança da Liga

Crónica de jogo

Manuel Mendes

a Há jogadores que têm exibições

positivas, mas acabam por cometer

um ou outro erro que deitam por

terra o trabalho da equipa. Foi o

caso, ontem, de Varela. O central

abriu o marcador da sua equipa,

mas depois fez um autogolo e uma

grande penalidade que permitiram

a vitória do Benfi ca frente a um

Feirense que mostrou ser uma

equipa com bons jogadores e lutou

até ao último minuto. E ainda se

pode queixar do árbitro lhe ter

anulado mal um golo.

No relvado mais curto da Liga,

Jorge Jesus apostou num “onze”

vocacionado para jogar pelo centro

do terreno, voltando a manter a

tradição de não repetir a mesma

equipa. E o Benfi ca sentiu muitas

difi culdades para coordenar o seu

jogo e para fazer as devidas ligações

entre a defesa e o ataque.

Numa espécie de colete de

forças, os “encarnados” viram o

adversário jogar sempre de forma

desinibida e tirar partido também

da boa exibição de jogadores com

velocidade, como são os casos

de Ludovic, Diogo Cunha e das

movimentações de Buval. A isto

somou a capacidade física dos dois

centrais Varela e Luciano que tanto

se mostraram seguros a defender

como a subir nos lances de bola

parada.

O técnico do Benfi ca teve mesmo

de retocar a sua estratégia a partir

da meia-hora. Encostou Witsel à

direita, Javi García fi cou como único

pivot e Aimar passou a recuar mais

para recuperar jogo, oferecendo

outra liberdade a Rodrigo. O

espanhol passou fi nalmente a

mostrar verdadeiros sinais de

perigo, respondendo a lances que

tinham preocupado Artur. Primeiro,

aos 4’, com Luciano a cabecear por

cima depois de um livre de Hélder

Castro. E, aos 13’, quando Diogo

Cunha fugiu a Javi García e enviou a

bola à barra.

Mas a partir daquele momento

tudo se alterou. Passou a ver-se

mais do Benfi ca, que até esse

Feirense 1

Benfica 2

Jogo no Estádio Marcolino da Costa, em Santa Maria

da Feira. Assistência Cerca de 5.000 espectadores.

Feirense Paulo Lopes, Luciano, Pedro Queirós, Mika

(André Fontes, 86’), Fernando Varela, Stopira, Diogo

Cunha, Ludovic, Thiago (Miguel Pedro, 77’), Hélder

Castro (Cris, 65’) e Bastien. Treinador Quim Machado.

Benfica Artur Moraes, Emerson, Luisão, Maxi Pereira,

Garay, Javi García, Bruno César (Gaitán, 61’), Aimar

(Nolito, 60’), Witsel, Cardozo (Matic, 90’+1’) e Rodrigo.

Treinador Jorge Jesus.

Árbitro Rui Costa, do Porto. Amarelos Thiago (6’),

Javi García (36’), Artur Moraes (57’), Fernando Varela

(72’), Ludovic (72’) e Maxi Pereira (82’).

Golos 1-0, por Fernando Varela, aos 50’; 1-1, por

Fernando Varela (p.b.), aos 54’; 1-2, por Cardozo (g.p.),

73’.

momento só tinha mostrado um

momento mágico de Aimar, aos

16’, que deixou Rodrigo na cara

de Paulo Lopes que realizou uma

grande defesa. Foi a primeira do

guarda-redes de 33 anos formado

no Benfi ca. Cardozo teve também

um momento notável quando Witsel

arrancou um cruzamento para

um cabeceamento espectacular

de Rodrigo, o melhor jogador dos

homens da Luz.

Na segunda parte, o Benfi ca

entrou novamente adormecido.

Logo no primeiro minuto só um

disparate enorme do árbitro

da partida evitou o pior para

os homens de Jesus. Rui Costa

assinalou um fora de jogo

inexistente a Ludovic que tinha

acabado de bater Artur. Mas,

aos 49’, Varela teve uma entrada

fulgurante, depois de um canto de

Hélder Castro. Artur nada podia

fazer. O defesa central acabou

também por dar uma ajuda ao

Benfi ca, aos 53’, quando desviou de

cabeça para o fundo da sua própria

baliza um lançamento de Maxi

Pereira. Sem fazer muito por isso o

líder da Liga chegou ao empate.

Mas o protagonismo de Varela

aumentaria aos 70’, quando

permitiu que Rodrigo chegasse

primeiro à bola e cometeu um

penálti que Cardozo converteu,

passando a somar seis jogos

seguidos a marcar. Estava

consumada a reviravolta do

marcador e garantida mais uma

semana de liderança isolada na Liga.

Público Domingo 29 Janeiro 2012 41

Positivo|Negativo

Thiago Freitas

O médio anulou por completo

Aimar e lançou os ataques

da sua equipa. Foi um dos

responsáveis pelas dificuldades

do Benfica.

Paulo Lopes

Teve um punhado de defesas

de grande qualidade e evitou

lances de golo.

Rodrigo

Foi uma das poucas

agradáveis exibições do

Benfica. Deu velocidade ao jogo,

movimentou-se bem e esteve nas

jogadas mais perigosas da equipa.

Bruno César

Passou ao lado do jogo.

Encostado à linha foi um

elemento a menos. Saiu na

segunda parte, mas deveria ter

sido substituído mais cedo.

Aimar e Emerson

O primeiro nunca se libertou

da marcação de Thiago

Freitas e mal se viu. Não deu

criatividade, nem capacidade

ofensiva à equipa. Emerson

defendeu mal e nunca deu apoio

ofensivo ao seu flanco.

Reacções

“Somos uma boa equipa”

Quim Machado

“Enfrentámos

um adversário

difícil. Sabíamos

que jogando em

casa tínhamos

as nossas possibilidades.

Não conseguimos chegar à

igualdade, mas demonstrámos

que somos uma boa equipa,

com bons jogadores, e que

independentemente do

adversário podemos conquistar

mais pontos.”

“Criámos muitas oportunidades”

Jorge Jesus

“O facto de

o campo do

Feirense não ter

as dimensões

máximas

não serve de desculpa. Foi um

adversário que se bateu muito

bem e complicou ao máximo.

Mas fazendo uma análise fria

do jogo, só o Rodrigo teve três

oportunidades claras de golo.

Criámos muitas oportunidades

mas não as concretizámos, o

que não acontece normalmente.

Sofremos um golo que nos obrigou

a lançar jogadores mais criativos

que poderiam fazer a diferença.

Na última meia hora tivemos

várias oportunidades para matar

o jogo. Os campeões fazem-se

também com sofrimento.”


42 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Desporto Futebol

Paulo Alves diz que o Benfica está melhor

do que um FC Porto que está em crescimento

Manuel Mendes

O FC Porto visita hoje

Barcelos, onde o Benfica já

empatou. O técnico portista

quer um FC Porto adulto

e Paulo Alves pede a sorte

que lhe faltou na Luz

a O treinador do Gil Vicente não tem

dúvidas de que hoje terá pela frente

uma equipa muito forte. Paulo Alves

disse ontem que os seus jogadores

têm de estar num “dia excelente”

para conquistar pontos na recepção

ao FC Porto, tal como aconteceu no

empate frente ao Benfi ca na abertura

da Liga.

“Para conquistar pontos temos de

estar num dia excelente, ao nosso melhor

nível e ter uma pontinha de sorte.

Não a tivemos a semana passada, na

Luz, mas espero que agora ela nos possa

sorrir”, afi rmou ontem Paulo Alves,

em conferência de imprensa, referindo

que os dois primeiros classifi cados

do campeonato “são adversários semelhantes

na sua dimensão, embora

o Benfi ca, neste momento, esteja um

pouco acima em termos exibicionais”.

O técnico dos gilistas reconheceu, contudo,

que “o FC Porto está num período

de crescimento, após uma fase em

que não foi tão consistente”.

Paulo Alves disse ainda ter fi cado

satisfeito com a prestação da sua equipa

na última jornada no Estádio da

Luz, salientando que a vitória só não

ocorreu por manifesta falta de sorte e

pela grande exibição do guarda-redes

adversário. “Espero que a equipa perceba

o porquê dessa exibição, possa

agarrá-la e materializá-la neste e nos

jogos seguintes. Mas, se possível, com

Est. José Alvalade, Lisboa 17h SP-TV1

Sporting 4-3-3

João

Pereira

Jeffren

Rui Patrício

Onyewu Polga Insúa

Matías

Renato Neto

Ribas

Elias

Árbitro: Duarte Gomes (Lisboa)

Capel

Douglas

Serginho Zhang

Joãozinho

Nildo Artur

Nuno Coelho

Yohan

Tavares

Jonas

Hugo

Pedro

Moreira

Beira-Mar 4-3-3

Estádio Cidade de Barcelos 19h15 SP-TV1

Gil Vicente 4-2-3-1

Daniel

Rodrigo

Galo

Pedro

Adriano

Cláudio Halisson

André

Cunha

Hugo Vieira

Helton

Luís Manuel

Rolando Otamendi

Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal)

Junior

Caiçara

Richard

Kléber

Varela James

Álvaro

Pereira

Defour João Moutinho

Souza

Maicon

FC Porto 4-3-3

a conquista de pontos, que nesta fase

são muito importantes”, frisou.

O treinador do FC Porto também

elogiou o adversário de hoje e falou

numa deslocação complicada. Ausentes

da equipa portista estarão

Guarín, Alex Sandro, Hulk, Sapunaru,

Emídio Rafael e Djalma, mas Vítor

Pereira mantém a fasquia alta: “Quero

um FC Porto consistente, rigoroso, a

fazer um jogo sério e de qualidade,

para nos exibirmos ao nível dos últimos

jogos.”

Longe das quatro linhas, os portistas

continuam a movimentar-se no

mercado de transferências. Depois

de terem visto Fucile sair para o Santos,

o presidente do clube brasileiro

confi rmou ontem que os “dragões”

apresentaram uma proposta de 8

milhões de euros pelo médio Ganso.

Uma oferta considerada “cómica” por

Luís Ribeiro.

“O que dá jeito à equipa é ganhar”, afirma Domingos

Tiago Pimentel

a O início de 2012 está a revelar-se

muito duro para o Sporting. Os “leões”

ainda não ganharam qualquer

jogo (cinco empates e uma derrota),

e na classifi cação da Liga perderam

o terceiro lugar para o Sporting de

Braga. Por isso, o treinador Domingos

Paciência sublinhou que uma vitória

frente ao Beira-Mar, hoje, “será

importante para tirar a ansiedade e

dar confi ança à equipa”.

Os três jogos do campeonato que o

Sporting disputou em 2012 saldaramse

por dois empates e uma derrota,

tendo os “leões” marcado apenas um

golo. “Queremos acabar com esta série

de empates e resultados negativos.

Empatar é negativo para nós. Temos

consciência que teremos de fazer muito

mais para ganhar amanhã [hoje]”,

apontou Domingos, acrescentando

que a abordagem ao jogo “terá de ser

vigorosa e de grande concentração”.

“Estivemos no oito, fomos para o

80, e agora não estamos no oito, mas

também não estamos no equilíbrio”,

resumiu o técnico sobre a época dos

“leões”.

Depois de cumprir castigo, Elias está

de volta às opções de Domingos. Pelo

contrário, o técnico não pode contar

com o lesionado Schaars, nem com

Izmailov e Rinaudo, que já se treinam

mas ainda não têm ritmo. Bojinov, suspenso

pelo clube, também fi cou de

fora da convocatória.

“Têm acontecido várias lesões e a

maior parte, tirando uma, foram todas

em jogo. Temos consciência do que

são os problemas. O trabalho está a

ser feito no sentido de que não haja

tantas lesões”, admitiu Domingos, que

recusou a hipótese de chegar mais algum

jogador no mercado de Inverno:

Rio Ave e Académica sem poder de fogo

a Rio Ave e Académica de Coimbra

não conseguiram ontem mais que

o empate a zero, em partida da 17.ª

jornada da Liga, um resultado que

castiga a falta de efi cácia das duas

equipas. Numa partida que, praticamente,

só ganhou emoção nos

instantes fi nais, os dois conjuntos

mostraram muita displicência na fi -

nalização, acabando por justifi car a

divisão de pontos.

Com este desfecho, o Rio Ave não

conseguiu descolar da parte inferior

da tabela, passando a somar 15 pontos

no 13.ª lugar, enquanto a Académica,

que cumpriu o seu quinto

jogo consecutivo na Liga sem ganhar,

manteve o sétimo posto, agora com

20 pontos.

Pouco futebol se viu na primeira

parte, com as duas equipas a embrulharem-se

em inconsequentes batalhas

no meio-campo, em que a maior

pressão dos visitantes e os contraataques

dos vila-condenses raramente

criavam perigo nas áreas.

Na “Briosa”, Éder mostrava-se o

mais esforçado, esboçando um par

de remates para defesa de Huanderson,

enquanto do lado do Rio Ave,

João Tomás desperdiçava a melhor

oportunidade quando, isolado, permitiu

a defesa de Peiser.

O segundo tempo espelhou, novamente,

duas equipas com difi culdades

em penetrar nas áreas. Diogo Va-

Rio Ave 0

Académica 0

Jogo no Estádio do Rio Ave FC, em Vila do Conde.

Assistência Cerca de 2500 espectadores.

Rio Ave Huanderson, Jean Sony, Gaspar, Éder,

Tiago Pinto, Wires, Vítor Gomes, Braga (Kelvin,

63’), Christian (Mendes, 71’), João Tomás e Yazalde.

Treinador Carlos Brito.

Académica Peiser, Cedric, Ferreira, Abdoulaye,

Hélder Cabral, Diogo Melo, Adrien Silva (Danilo, 58’),

Hugo Morais, Marinho (David Simão, 72’), Éder (Fábio

Luís, 64’) e Diogo Valente. Treinador Pedro Emanuel.

Árbitro André Gralha, de Santarém. Amarelos

Hugo Morais (36’), Yazalde (55’), Hélder Cabral (67’),

Abdoulaye (82’), David Simão (86’), Cedric (90’+3’).

Vermelho directo Flávio (80’).

“O plantel está fechado, não vamos

buscar mais jogador nenhum, temos

jogadores sufi cientes para os objectivos

do clube.”

Apesar dos indícios, o treinador do

Beira-Mar, Rui Bento, não acredita que

o adversário desta tarde esteja debilitado.

“Pensar que o Sporting vai estar

fragilizado, é pensar mal”, avisou o

técnico, que na primeira volta do campeonato,

em Aveiro, travou os “leões”

(0-0). “Quem for mais competente é

que vai fi car com os pontos. Esperamos

um adversário forte e não queremos

ser apanhados de surpresa”,

acrescentou Rui Bento.

Os aveirenses vêm de três derrotas

consecutivas, mas o objectivo para o

encontro desta tarde, em Alvalade,

passa por pontuar: “Cada jogo tem a

sua história e tudo pode acontecer. Se

não conseguirmos ganhar, o empate

seria bom resultado.” com Lusa

lente rubricou a excepção, quando

surgiu isolado frente a Huanderson,

mas rematou por cima.

A emoção que faltou até então

acabou por surgir nos últimos dez

minutos, altura em que a Académica

fi cou reduzida a dez elementos, com

expulsão de Flávio, depois de travar

João Tomás quando este seguia para

a baliza em posição privilegiada.

Nesta fase, o Rio Ave cresceu, operou

o “assalto fi nal” à baliza da formação

de Coimbra, mas confi rmouse

que a noite não era de inspiração

para os atacantes, com Mendes, Kelvin

e João Tomás a desperdiçarem as

oportunidades criadas e a confi rmar

nulo fi nal.

Classificações

I Liga

Jornada 17

V. Guimarães-Nacional 1-0

Rio Ave-Académica 0-0

Feirense-Benfica 1-2

U. Leiria-P. Ferreira hoje, 16h

V. Setúbal-Olhanense hoje, 16h

Sporting-Beira-Mar hoje, 17h, SP-TV1

Gil Vicente-FC Porto hoje, 19h15, SP-TV1

Marítimo-Sp. Braga amanhã, 20h15, SP-TV1

J V E D M-S P

Benfica 17 14 3 0 43-14 45

FC Porto 16 12 4 0 37-9 40

Sp. Braga 16 10 4 2 30-15 34

Sporting 16 8 5 3 27-14 29

Marítimo 16 8 5 3 23-19 29

V. Guimarães 17 7 2 8 23-19 23

Académica 17 5 5 7 18-20 20

Nacional 17 5 4 8 16-27 19

Olhanense 16 4 6 6 17-20 18

Beira-Mar 16 4 4 8 14-14 16

Gil Vicente 16 3 7 6 14-26 16

Rio Ave 17 4 3 10 14-23 15

Feirense 17 3 6 8 12-24 15

U. Leiria 16 4 2 10 16-29 14

V. Setúbal 16 3 5 8 12-26 14

P. Ferreira 16 3 3 10 16-33 12

Próxima jornada P. Ferreira-Feirense, Benfica-

Nacional, Marítimo-Sporting, Olhanense-Rio Ave, Sp.

Braga-V. Setúbal, FC Porto-U. Leiria, Académica-Gil

Vicente e Beira-Mar-V. Guimarães.

II Liga

Jornada 17

Estoril-Atlético 5-0

U. Madeira-Sp. Covilhã hoje, 11h15

Oliveirense-Desp. Aves hoje, 11h15, SP-TV1

Trofense-Freamunde hoje, 15h

Belenenses-Penafiel hoje, 15h

Moreirense-Arouca hoje, 16h

Santa Clara-Leixões hoje, 16h

Naval-Portimonense hoje, 16h30

J V E D M-S P

Estoril 17 10 5 2 24-9 35

Moreirense 16 9 3 4 27-18 30

Desp. Aves 16 7 6 3 23-16 27

Atlético 17 7 5 5 18-20 26

Leixões 16 7 3 6 21-19 24

Naval 16 6 6 4 18-16 24

Penafiel 16 6 5 5 21-19 23

Arouca 16 4 8 4 16-17 20

Oliveirense 16 5 5 6 20-23 20

Santa Clara 16 5 4 7 17-20 19

Sp. Covilhã 16 5 4 7 9-13 19

Freamunde 16 4 6 6 20-19 18

Belenenses 16 4 6 6 15-17 18

U. Madeira 16 4 5 7 16-21 17

Trofense 16 4 4 8 15-25 16

Portimonense 16 3 3 10 16-24 12

Próxima jornada

Atlético-Santa Clara, Leixões-Arouca, Oliveirense-

Trofense, Penafiel-U. Madeira, Desp. Aves-Belenenses,

Portimonense-Estoril, Sp. Covilhã-Naval e

Freamunde-Moreirense.

Marcadores

I Liga

13 golos Cardozo (Benfica)

10 golos Baba (Marítimo)

9 golos Lima (Sp. Braga) e Edgar (V. Guimarães)

8 golos Nolito (Benfica) e James Rodríguez (FC

Porto)

7 golos Hulk (FC Porto) e Wolfswinkel (Sporting)

6 golos Rodrigo (Benfica), Kléber (FC Porto) e

Melgarejo (P. Ferreira)

II Liga

9 golos Licá (Estoril) e Bock (Freamunde)

8 golos Pires (Desp. Aves), Adriano (Oliveirense)

e Manoel (Penafiel)

7 golos Joeano (Arouca)

6 golos Tiago Caeiro (Atlético) e Fábio Espinho

(Moreirense)


Desporto Futebol Internacional

Público Domingo 29 Janeiro 2012 43

Real Madrid governa a Liga à sua vontade

Vitória fácil sobre o Saragoça com um golo de Ronaldo antes de um mês sabático. O empate do

Barcelona em Villarreal aumentou para sete a vantagem que goza agora Mourinho

Filipe Escobar de Lima

a Foi um sábado como outro qualquer.

Nos jogos em casa, o Real Madrid

aborrece pela previsibilidade do

resultado — excepto quando defronta

o Barcelona, responsável pela única

derrota (e únicos pontos perdidos) no

Bernabéu. Ontem, o Saragoça, último

classifi cado, saiu de Madrid como entrou,

derrotado (3-1) e longe do topo,

a 40 pontos do primeiro lugar.

Com este triunfo, Mourinho continua

a governar a Liga à sua vontade,

antes de entrar para um mês sabático:

os seus próximos quatro encontros

são de grau fácil com Getafe,

Levante, Racing e Rayo Vallecano. É

o mês para cimentar a liderança e colocar

o Barcelona em respeito. A Liga

espanhola é um objectivo primordial

para a vida do treinador português

em Madrid.

Com esta vitória, o Real iguala o

melhor arranque na Liga da sua história

(depois de 20 jogos), que datava

de 1961. O que mostra que esta equipa

tem fôlego e parece ter voltado tudo

ao normal.

Depois da eliminação em Camp

Nou ante o Barcelona para a Taça de

Espanha com um empate (2-2) que

encheu de orgulho os madridistas,

após a derrota em casa uma semana

antes (1-2) que atirou por terra o

amor-próprio dos merengues, a normalidade

está reposta — graças também

ao Saragoça.

Desta vez, o Real escolheu o mesmo

caminho de sempre, com suspense

como tem feito até aqui — foi

o décimo jogo consecutivo com

Casillas a sofrer golos no Santiago

Bernabéu.

Desde que defrontou no passado

23 de Outubro de 2011 o Villarreal, a

equipa de Mourinho encaixou sempre

golos na Liga, Champions ou Taça

de Espanha.

Agora foram Kaká, Cristiano (fez

o 2-1 e chegou aos 24 golos na prova)

e Özil a responder ao golo incial do

Cristiano Ronaldo marcou um dos golos do Real Madrid

Taça das Nações Africanas

Gana venceu Mali e Guiné estraçalhou Botswana

E ao sétimo dia, a Taça das

Nações Africanas assistiu à maior

goleada até ao momento. A Guiné

cilindrou ontem o Botswana por

6-1, tornando-se a terceira equipa

na história da prova a marcar

seis golos num jogo. Um feito

alcançado pelo Egipto em 1963

(6-3 frente à Nigéria) e pela Costa

do Marfim em 1970 (6-1 sobre a

Etiópia). Nada correu bem ao

Botswana, que viu terminar mais

cedo esta primeira participação

na CAN. Os “Zebras” cumprem

calendário no jogo de quarta-feira,

diante do Mali. Também ontem,

a selecção maliana foi derrotada

(0-2) pelo Gana, que se isolou na

liderança do Grupo D. Os ganeses

têm seis pontos, mais três que

Mali e Guiné. As três equipas

podem seguir em frente, sendo

que Gana e Guiné se encontram

na última jornada. Hoje realizamse

os dois jogos que fecham

o Grupo A: Guiné Equatorial-

Zâmbia (18h, Eurosport) e Líbia-

Senegal (18h, Eurosport 2). T.P.

PEDRO ARMESTRE/AFP

Saragoça, mas com tanta facilidade

que ninguém no estádio pareceu assustado

quando Lafi ta festejou logo

aos 10 minutos.

Este Real é assim, insultuoso. Sofre

primeiro, aprecia o drama e responde

depois para gáudio dos adeptos.

Barcelona empata e atrasa-se

Esta parece ser a única prova em que

o Real pode vencer sem ter de ganhar

ao Barcelona em campo. E isso faz

sofrer os catalães. A desvantagem de

5 pontos aumentou ontem para 7 em

Villarreal. O empate (0-0) parece ter

entregado a Liga aos madridistas.

É muita vantagem para um Real

cheio de fome, que só parece ter

Camp Nou antes de chegar ao título.

Taça de Inglaterra

O Liverpool assumiu o papel de carrasco da cidade de Manchester

a Os dois maiores clubes de Inglaterra,

Manchester United e Liverpool,

encontraram-se em Anfi eld. Há mais

de meio século que assumiram o papel

de inimigos intímos. Há um ano, Ferguson

conquistou o 19.º campeonato

para os red devils e tornou a equipa

de Manchester a mais laureada da

prova, ultrapassando os reds, que estagnaram

nos 18 títulos em 1990. Aí,

iniciaram uma travessia no deserto

que já leva mais de duas décadas. Ontem,

foi a vez de puxar pelo orgulho

e o Liverpool eliminou o United nos

16 avos-de-fi nal da Taça de Inglaterra

com uma vitória por 2-1 alcançada a

três minutos do fi m.

Também na Taça o United leva vantagem

sobre o Liverpool (11-7). É na Europa

que o clube de Anfi eld ganha ao

de Old Traff ord (5-3 em Taça/Ligas dos

Campeões). É tudo uma questão de

egos. E ambos estão em baixo na autoestima.

O Liverpool passa despercebido

na Premier League (sétimo) e está

fora da Europa, enquanto o United

Resultados

Watford-Tottenham 0-1

Everton-Fulham 2-1

QPR-Chelsea 0-1

Liverpool-M. United 2-1

Derby County-Stoke City 0-2

Stevenage-Notts County 1-0

Blackpool-Sheffield Wednesday 1-1

WBA-Norwich 1-2

Hull-Crawley Town 0-1

Sheffield United-Birmingham 0-4

Leicester-Swindon 2-0

Millwall-Southampton 1-1

Bolton-Swansea 2-1

Brighton-Newcastle 1-0

saiu da Champions, da Taça da Liga

e luta pelo campeonato, embora esta

época já tenha sido humilhado pelo

rival City na sua própria casa (1-6).

Ontem, o Liverpool ofi cializou o seu

estatuto de carrrasco das equipas da

cidade de Manchester. A meio da semana

eliminou o City das meias-fi nais

da Taça da Liga (2-2 depois da vitória

no primeiro jogo 0-1). Ontem, escorraçou

o United da Taça de Inglaterra.

Kuyt, o holandês que na época

passada havia marcado um hat-trick

Classificações

Espanha

Jornada 21

Villarreal-Barcelona 0-0

Real Madrid-Saragoça 3-1

Espanyol-Maiorca 1-0

Rayo Vallecano-Athl. Bilbau 2-3

Bétis-Granada hoje, 11h, SP-TV2

Real Sociedad-Sp. Gijón hoje, 15h

Levante-Getafe hoje, 15h

Racing Santander-Valência hoje, 17h, SP-TV2

Málaga-Sevilha hoje, 20h30, SP-TV2

Osasuna-Atl. Madrid amanhã, 20h, SP-TV2

J V E D M-S P

Real Madrid 20 17 1 2 70-19 52

Barcelona 20 13 6 1 59-12 45

Valência 19 10 5 4 29-20 35

Levante 19 9 4 6 25-22 31

Espanyol 20 9 4 7 22-21 31

Athl. Bilbau 20 7 8 5 30-25 29

Osasuna 19 6 9 4 22-31 27

Atl. Madrid 19 7 5 7 30-27 26

Sevilha 19 6 8 5 20-20 26

Málaga 19 7 4 8 22-28 25

Getafe 19 6 6 7 20-25 24

Bétis 19 7 2 10 22-27 23

Maiorca 20 5 7 8 17-25 22

Rayo Vallecano 20 6 4 10 23-31 22

Real Sociedad 19 5 6 8 17-27 21

Racing Santander 19 4 8 7 15-23 20

Villarreal 20 4 8 8 18-28 20

Granada 19 5 4 10 12-26 19

Sp. Gijón 19 5 3 11 18-33 18

Saragoça 20 2 6 12 15-36 12

Alemanha

Jornada 19

Colónia-Schalke 04 1-4

Augsburgo-Kaiserslautern 2-2

Bayern Munique-Wolfsburgo 2-0

Hertha Berlim-Hamburgo 1-2

Hannover-Nuremberga 1-0

Werder Bremen-Bayer Leverkusen 1-1

B. Dortmund-Hoffenheim 3-1

Mainz 05-Friburgo hoje, 14h30

Estugarda-B. Monchengladbach hoje, 16h30

J V E D M-S P

B. Dortmund 19 12 4 3 43-14 40

Bayern Munique 19 13 1 5 46-13 40

Schalke 04 19 13 1 5 45-24 40

B. Monchengladbach 18 11 3 4 28-12 36

Werder Bremen 19 9 4 6 31-32 31

Bayer Leverkusen 19 8 6 5 26-25 30

Hannover 19 6 9 4 21-24 27

Hoffenheim 19 6 5 8 20-22 23

Wolfsburgo 19 7 2 10 24-36 23

Hamburgo 19 5 7 7 24-33 22

Estugarda 18 6 4 8 24-23 22

Nuremberga 19 6 3 10 19-29 21

Colónia 19 6 3 10 28-40 21

Hertha Berlim 19 4 8 7 25-30 20

Kaiserslautern 19 3 9 7 15-23 18

Mainz 05 18 4 6 8 24-32 18

Friburgo 18 4 4 10 22-39 16

Augsburgo 19 3 7 9 17-31 16

ao United, apontou o golo da vitória

perto do fi nal (2-1) — os reds marcaram

primeiro por Agger, mas Park empatou.

O jogo foi ainda atravessado por

uma polémica: Suárez não pôde jogar

pelo Liverpool devido ao incidente

com Evra (o uruguaio foi acusado de

racismo pelo francês, suspenso por

oito jogos e ontem foi assobiado toda

a partida).

Horas antes, Juan Mata tinha marcado

o golo do Chelsea sobre o Queens

Park Rangers, de penálti. F.E.L.


44 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Desporto Breves

Ciclismo Andebol

Evans diz que irmãos Schleck são

os seus grandes rivais no Tour

a O ciclista australiano Cadel Evans, vencedor da última

edição da Volta à França, apontou ontem os irmãos Andy

e Frank Schleck como os grandes rivais para a revalidação

do título na 99.ª edição da prova francesa, que se disputa

em Julho. Motivado pelas aquisições de peso da sua equipa,

a BMC — o todo-terreno Philippe Gilbert e Thor Hushovd,

campeão mundial de 2010 —, o vencedor do Tour assumiu

que a meta é repetir o resultado do ano passado.

Basquetebol

Benfica e FC Porto

não desarmam

a A liderança na Liga continua repartida

entre Benfi ca e FC Porto, que

venceram as partidas frente a Ginásio

Figueirense e Lusitânia, respectivamente.

As duas equipas somam 27

pontos. Na visita ao Ginásio Figueirense,

último classifi cado, os “encarnados”

impuseram-se por 94-61, com

João Gomes (19 pontos, oito ressaltos

e cinco assistências) em destaque. A

jogar em casa, o FC Porto bateu o Lusitânia

por 72-51. Robert Johnson foi

o melhor elemento dos “dragões”,

com 15 pontos, sete ressaltos e quatro

assistências. Apesar da derrota, o Lusitânia

mantém o sexto lugar.

Râguebi

Portugal vence

os England Students

a A selecção nacional de râguebi derrotou

ontem, no Estádio Universitário

de Lisboa, os England Students, uma

equipa composta por jogadores universitários

ingleses, por 31-28, no último

jogo de preparação antes do início

do Torneio Europeu das Nações.

Este foi o terceiro ano consecutivo

que as duas equipas se defrontaram e

Portugal triunfou sempre por menos

de cinco pontos. No próximo sábado,

a selecção nacional vai deslocar-se a

Bucareste onde defronta a Roménia,

em partida da primeira jornada do

Torneio Europeu das Nações.

Atletismo

Sporting sobe ao segundo lugar,

FC Porto segue em frente na Taça

a O Sporting venceu (25-21) o Águas Santas, em partida

antecipada da 19.ª jornada do campeonato, subindo ao

segundo lugar da classifi cação. Noutro jogo antecipado,

o Benfi ca bateu o ISMAI por 30-19. Também ontem, o Madeira

SAD bateu (34-24) o Xico Andebol, numa partida em

atraso da 15.ª jornada. No jogo que fechou os quartos-defi

nal da Taça, o FC Porto carimbou a passagem às “meias”

ao vencer no terreno do São Bernardo por 33-22.

Fortes arranca recorde nacional no peso

Luís Lopes

a Marco Fortes teve um início de

temporada em grande, este fi m-desemana,

em Chemnitz, na Alemanha.

O lançador de peso do Benfi ca participou

numa prova de elevada qualidade,

que foi ganha pelo americano

Reese Hoff a com 21,87m — a melhor

marca mundial do ano — alcançando

um novo máximo nacional em pista

coberta, com 20,57m, obtidos no sexto

e derradeiro ensaio do concurso.

Com este resultado o português

subiu em 23 centímetros o anterior

máximo português indoor (o de ar

livre detém-no com 20,89m), que

ele próprio estabelecera a 4 de Março

do ano passado, em Paris, durante

a qualifi cação dos campeonatos

europeus.

Fortes teve uma prova em acentuado

crescendo, abrindo com 19,15m no

primeiro ensaio para passar os 20m,

com 20,04m, na quarta tentativa. A

que fez a seguir rendeu um primeiro

recorde nacional de 20,38m, mas, no

último ensaio conseguiu aproximarse,

inclusive, do campeão mundial

alemão David Storl, que terminou em

segundo com 20,75m.

Ainda em Chemnitz, mas nos

1500m, registou-se outra melhor marca

mundial do ano, desta feita obtida

pelo marroquino Abdelaati Iguider,

com 3m37,40s.

Ao mesmo tempo, em Dresden,

a Tendo terminado a época de 2011

com a sua primeira vitória em mais

de dois anos, Tiger Woods dispõe hoje

de uma excelente oportunidade

para começar a de 2012 com outra.

Graças a uma terceira volta de 66 pancadas

no Abu Dhabi Championship,

o californiano descolou do sexteto

de quartos classifi cados assumindo a

co-liderança, a par do inglês Robert

Rock, que fechou com dois birdies,

igualando aquela marca.

Foi um dia electrizante, com 24

Marco Fortes bateu o recorde nacional de lançamento do peso indoor

também no leste da Alemanha, Maria

Eleonor Tavares esteve na prova

do salto com vara e acabou em sexta,

com 4,22m, tendo ganho a checa Jirina

Ptacníkova, com 4,62m.

Ontem, em Glasgow, disputou-se

o tradicional encontro das cinco nações,

envolvendo a Grã-Bretanha,

vencedora com 60p, Rússia e Alemanha,

que fi caram a seguir ambas

com 53p, uma equipa da Commonwealth

(47p) e outra dos Estados Unidos

(41p).

O antigo campeão mundial júnior

russo Konstatin Shabanov brilhou

jogadores a passarem pelo topo da

tabela e havendo, a dada altura, oito

a partilhar o comando.

Somando 205 pancadas, 11 abaixo

do Par 72 do campo do Abu Dhabi

Golf Club, os líderes levam dois shots

à melhor sobre um quarteto em que

se destacam três jogadores que fi zeram

parte da última selecção da Europa

na Ryder Cup — o norte-irlandês

Rory McIlroy (68), o dinamarquês

Peter Hanson (64), que fez a melhor

volta do dia, e o italiano Francesco

PETER PARKS/AFP

nos 60m barreiras ao igualar a melhor

marca mundial do ano, com

7,54s, e outro registo de topo obteve

a queniana Hellen Obiri nos 3000m

femininos, com 8m42,59s.

A campeã europeia indoor russa

Darya Klishina venceu no comprimento

com 6,75m, mas o grande momento

da tarde foi, na perspectiva

dos anfi triões, o triunfo do campeão

mundial dos 5000m Mo Farah, desta

vez na prova de 1500m, ao derrotar

um dos melhores especialistas da actualidade,

o queniano Augustine Chege,

com 3m39,03s contra 3m39,14s.

Golfe

Tiger Woods já lidera nos Emirados e está

muito perto de voltar ao top-10 mundial

Molinari (66) —, além do escocês Paul

Lawrie (68).

Foi uma prestação de grande nível

de Tiger Woods, que reentrará no

top-10 mundial em caso de vitória.

Sobretudo pela sua habilidade para

não acertar fairways, desafi ar os

buracos de Par 5 e meter putts delicados.

“Não fi z muitas coisas certas,

mas também não fi z coisas erradas.

Foi uma volta consistente, mantendome

longe de apuros”, analisou. Rodrigo

Cordoeiro

quei em patins

“Dragões” invictos

após 12.º triunfo

a Também não foi a Oliveirense a

equipa que colocou um ponto fi nal

na invencibilidade do FC Porto. Os

“dragões” venceram por 5-2 na visita

a Oliveira de Azeméis e alcançaram a

12.ª vitória no campeonato. No duelo

entre segundo e terceiro classifi cados,

o Benfi ca chegou ao intervalo a

perder com o Candelária, mas uma

boa segunda parte deu o triunfo (7-4)

aos “encarnados”. Com este resultado,

o Benfi ca segue a dois pontos

do FC Porto e aumentou para sete os

pontos de vantagem sobre o Candelária.

Na próxima jornada os “encarnados”

visitam o FC Porto.

Voleibol

Pavilhão da Luz viu

16.º triunfo seguido

a O Benfi ca recebeu e venceu a Académica

de Espinho por 3-1, obtendo

a 16.ª vitória em outros tantos encontros

para o campeonato. A equipa de

José Jardim impôs-se pelos parciais

de 25-13, 23-25, 25-17 e 25-20 e segue

isolada na liderança da classifi cação,

com 48 pontos. Antes, o Sporting de

Espinho, segundo na tabela a cinco

pontos do Benfi ca (e com um jogo

a mais que os “encarnados”), tinha

ganho por 3-0 na visita ao Vitória de

Guimarães. A formação orientada por

Hugo Silva triunfou pelos parciais de

30-28, 25-18 e 25-22.

Xadrez

Aronian a um empate

do triunfo na Holanda

a O arménio Levon Aronian voltou a

vencer na 12.ª e penúltima jornada de

Wijk aan Zee, Holanda, e bastar-lhe-á

um empate hoje para garantir matematicamente

o triunfo na primeira

prova do Grand Slam do ano. A vítima

foi o aspirante ao título mundial

Boris Gelfand e como nenhum dos

seus perseguidores venceu — Magnus

Carlsen empatou com Kamsky,

Radjabov com Ivanchuk e Caruana

com Navara — o arménio aumentou

para um ponto a vantagem sobre os

segundos classifi cados.


Desporto Modalidades

Ténis

Victoria Azarenka gritou mais alto

Pedro Keul

Como bónus pelo triunfo

no Open da Austrália,

a bielorrussa vai ocupar

o primeiro lugar do ranking

a Há um ano, Victoria Azarenka deixou

Melbourne frustrada por ter perdido

nos oitavos-de-fi nal. De regresso

a casa, em Minsk, a jogadora pôs de

lado a ideia de tirar umas semanas

de férias após uma conversa com a

avó, que lhe fez ver a sorte que tinha

em ser tenista. Ao colocar a carreira,

e a sua vida, em perspectiva, a bielorrussa

de 22 anos tornou-se uma

pessoa mais madura e essa mudança

confi rmou-se ontem no court. Na fi nal

mais ruidosa do Open da Austrália,

Azarenka arrasou Maria Sharapova,

por 6-3, 6-0.

“A minha avó é incrível, trabalhou

toda a vida até aos 71 anos. É espantoso

ver o quanto as pessoas trabalham

e nós aqui a jogar ténis e, às vezes, a

queixarmo-nos de pequenas coisas.

Perdi um encontro e então? Temos

que ver as coisas como um todo. Agora,

estou sempre contente no court,

divirto-me muito mais”, confessou

Azarenka, que, ontem, viveu o dia

mais feliz da carreira.

Na fi nal entre as duas jogadoras que

mais decibéis atingem quando batem

na bola, Azarenka entrou nervosa e

depressa se viu a 0-2, mas depois de

uma fantástico winner de direita ao

longo do corredor, com que fechou

o terceiro jogo, não olhou mais para

trás. Sólida do fundo do court, Azarenka

foi inteligente em mover a sua

adversária e corajosa o sufi ciente para,

por várias vezes, ir à rede concluir

o ponto. E só perdeu mais um jogo.

Embora apenas tenha acumulado

três duplas-faltas, Sharapova pode

queixar-se da falta de efi cácia do serviço.

Sofreu cinco breaks, só ganhou três

pontos em 17 disputados com o seu

segundo serviço e, na segunda partida,

só quatro dos 12 pontos ganhos

foram a servir. No primeiro match-

Hoje falamos de coisas sérias

Opinião

José Manuel Meirim

a 1. Desengane-se o leitor, pois

não vamos escrever sobre as

dívidas dos clubes de futebol ao

fi sco e as (aparentes) palavras

duras do ministro Relvas —

somente para o povo ouvir

— e das mais do que possíveis

medidas frágeis do mesmo sobre

essa questão.

2. O Decreto-Lei n.º 100/2003,

de 23 de Maio, aprovou o

regulamento das condições

técnicas e de segurança a

observar na concepção,

instalação e manutenção das

balizas de futebol, andebol,

quei e de pólo aquático e dos

equipamentos de basquetebol

existentes nas instalações

desportivas de uso público.

Este diploma foi alterado pelo

Decreto-Lei n.º 82/2004, de 14 de

Abril. Depois, temos a Portaria

n.º 369/2004, de 12 de Abril,

que veio estabelecer o regime

de intervenção das entidades

acreditadas em acções ligadas

ao processo de verifi cação

das condições técnicas e de

segurança a observar na

instalação e manutenção

das balizas de futebol, de

andebol, de hóquei e de pólo

aquático e dos equipamentos

de basquetebol existentes nas

instalações desportivas de uso

público. E ainda a Portaria n.º

1049/2004, de 19 de Agosto,

que fi xou normas relativamente

às condições técnicas e de

segurança a observar na

concepção, instalação e

manutenção das balizas de

futebol, de andebol, de hóquei

e de pólo aquático e dos

equipamentos de basquetebol

existentes nas instalações

desportivas de uso público. E

temos a ASAE desportiva para

fi scalizar.

3. Na quarta-feira, uma criança

de 12 anos — como o Zé Pedro lá

de casa — foi atingido por uma

baliza que caiu e, conduzido ao

Hospital Pediátrico de Coimbra,

entrou em coma profundo.

De acordo com o noticiado, o

acidente ocorreu em Brasfemes,

quando a criança brincava com

amigos no campo desportivo

de um centro recreativo desta

Na quarta-feira,

uma criança de 12

anos foi atingida

por uma baliza que

caiu e entrou em

coma profundo

Azarenka incrédula após ganhar a final do Open da Austrália

point, Azarenka bateu forte na bola

até que Sharapova colocou a bola na

rede, o seu 30.º erro não forçado. A

vencedora não queria acreditar.

“Logo após a vitória, não conseguia

freguesia. Ainda e sempre de

acordo com essas fontes, o

rapaz ter-se-á pendurado no

equipamento que acabou por lhe

cair em cima.

4. Para o presidente Centro

de Recreio e Animação Cultural

(CRAC) de Brasfemes, o acidente

no polidesportivo gerido pela

instituição ter-se-á devido

a “utilização anormal” do

campo. O jovem terá removido

a segurança da baliza, presa por

arames (?) à vedação do campo, e

depois terá arrastado a estrutura

para o centro do polidesportivo,

pendurando-se nela e fi cando

ferido quando ela tombou. “Foi

alertado pelos colegas para

não o fazer”, acrescentou. O

presidente do CRAC adiantou

ainda que “era costume miúdos

furarem a rede para entrarem

no campo” e que a própria

fechadura “estava estragada”,

adiantando que estas situações

vão ser reparadas mas não

adiantando em que prazo.

5. São diversas as questões

jurídicas que este acidente

coloca, fundamentalmente no

domínio do apuramento de

responsabilidades, impossíveis

de receber resposta segura neste

espaço e com os elementos de

que se dispõe. Mas que fi que

claro, pelo menos, uma coisa:

está-se longe de imputar uma

culpa (ou responsabilidade)

exclusiva à criança, mesmo

tendo em conta a sua idade.

6. O Diogo faleceu ontem.

josemeirim@gmail.com

TOBY MELVILLE/REUTERS

perceber o que se estava a passar e

não queria acreditar que o torneio

tivesse acabado. Tenho sonhado e trabalhado

tanto para ganhar um Grand

Slam e ser número um é um belo bó-

Público Domingo 29 Janeiro 2012 45

nus”, disse Azarenka, já depois de receber

a Daphne Akhurst Memorial

Cup das mãos de Martina Hingis.

Para quem tinha a fama de, emocionalmente,

descontrolar-se ao ponto

de partir raquetas, Azarenka mostrou

ao longo dos últimos 12 meses

uma maturidade que confi rmou estar

pronta para chegar ao topo. Orientada

pelo experiente Samuel Sumyk, a

bielorrussa protagonizou um 2011 de

grande nível, em que conquistou três

títulos e disputou a primeira meiafi

nal num Grand Slam em Wimbledon,

terminando no terceiro lugar

da tabela WTA.

Amanhã, Azarenka será a 21.ª jogadora

a subir ao topo do ranking, mas

apenas a terceira a fazê-lo logo após

a conquista do seu primeiro título no

Grand Slam. Aliás esta é a primeira

vez que as detentoras dos títulos femininos

dos quatro torneios do Grand

Slam são todas estreantes.

Esta manhã, Novak Djokovic e Rafael

Nadal disputavam a fi nal masculina.


46 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Sair

Cinema

Lisboa

Castello Lopes - Londres

Av. Roma, 7A. T. 707220220

J. Edgar M12. Sala 1 - 13h15, 16h, 18h45,

21h30; Os Descendentes M12. Sala 2 - 14h,

16h30, 19h, 21h45

CinemaCity C. Pequeno Praça de Touros

C. Lazer do Campo Pequeno. T. 217981420

Um Homem no Limite M12. Sala 1 -

11h45, 13h45, 15h45, 17h45, 19h45, 21h45,

23h45; Happy Feet 2 M6. Sala 2 - 11h40

(V.Port.); J. Edgar M12. Sala 2 - 13h50,

16h25, 19h10, 21h50, 00h30; Arthur

Christmas M6. Sala 3 - 11h40 (V.Port.);

Os Descendentes M12. Sala 3 - 13h45,

16h, 18h40, 21h30, 24h; As Aventuras

de Tintin: O Segredo do Licorne M6.

Sala 4 - 11h50 (V.Port.); Millennium 1: Os

Homens Que Odeiam as Mulheres M16.

Sala 4 - 15h25, 18h25, 21h25, 00h25; Missão

Impossível: Operação Fantasma M12.

Sala 5 - 21h40; Moneyball - Jogada de

Risco M12. Sala 5 - 18h35; A Hora mais

Negra M12. Sala 5 - 13h35, 00h25; Nos

Idos de Março M12. Sala 6 - 20h; Drive -

Risco Duplo M16. Sala 6 - 00h15; Alvin

e os Esquilos 3: Naufragados M6.

Sala 6 - 11h35, 13h30, 15h30, 17h30

(V.Port.); Ano Novo, Vida Nova! Sala

6 - 22h; Sherlock Holmes: Jogo de

Sombras M12. Sala 7 - 13h40, 16h20, 19h,

21h35, 00h20; Um Método Perigoso M16.

Sala 8 - 13h35, 15h35, 21h55; O Rei Leão

3D M6. Sala 8 - 11h35, 13h35 (V.Port.); O

Deus da Carnificina M12. Sala 8 - 17h35,

23h55; Niko - Na Terra do Pai Natal M6.

Sala 8 - 15h35 (V.Port.); A Minha Semana

Com Marilyn M12. Sala 8 - 19h35

CinemaCity Classic Alvalade

Avª de Roma, nº 100, Lisboa. T. 218413045

Niko - Na Terra do Pai Natal M6. Sala 1 -

11h40 (V.Port.); Os Descendentes M12. Sala

1 - 13h45, 16h, 18h30, 21h40; Polissia M12.

Sala 2 - 13h40, 16h20, 18h55, 21h30; J.

Edgar M12. Sala 3 - 13h30, 169h15, 19h,

21h45; Habemus Papam - Temos

Papa M12. Sala 4 - 11h35, 19h35; Sherlock

Holmes: Jogo de Sombras M12. Sala

4 - 15h45, 21h35; Martha Marcy May

Marlene M16. Sala 4 - 13h35

Medeia Fonte Nova

Est. Benfica, 503. T. 217145088

Millennium 1: Os Homens Que Odeiam

as Mulheres M16. Sala 1 - 14h45, 18h15,

21h30; O Gato das Botas M6. Sala 2 - 14h30

(V.Port.); Sherlock Holmes: Jogo de

Sombras M12. Sala 2 - 17h, 19h30, 22h;

Os Descendentes M12. Sala 3 - 14h15,

16h45, 19h15, 21h45

Medeia King

Av. Frei Miguel Contreiras, 52A. T. 218480808

Attenberg M16. Sala 1 - 13h45, 15h45,

17h45, 19h45, 21h45; Apollonide -

Memórias de Um Bordel M16. Sala

2 - 14h30, 17h, 19h30, 22h; O Miúdo

da Bicicleta M12. Sala 3 - 19h; Uma

Separação M12. Sala 3 - 14h, 16h30, 21h30

Medeia Monumental

Av. Praia da Vitória, 72. T. 213142223

J. Edgar M12. Sala 4 - Cine Teatro - 13h30,

16h10, 18h50, 21h30, 00h30; Chovem

Almôndegas M6. Sala 1 - 11h30 (V.Port.); Os

Descendentes M12. Sala 1 - 14h15, 16h45,

19h15, 21h45, 00h15; Millennium 1: Os

Homens Que Odeiam as Mulheres M16.

Sala 2 - 13h, 16h, 19h, 22h; Moneyball

- Jogada de Risco M12. Sala 3 - 19h,

00h15; Apollonide - Memórias de Um

Bordel M16. Sala 3 - 14h, 16h30, 21h50

Nimas

Av. 5 Outubro, 42B. T. 213574362

Million Dollar Baby - Sonhos

Vencidos M16. Sala 1 - 18h30; Invictus M12.

Sala 1 - 21h30

UCI Cinemas - El Corte Inglés

Av. Ant. Aug. Aguiar, 31. T. 707232221

Alvin e os Esquilos 3: Naufragados M6.

Sala 1 - 11h30, 14h10, 16h15 (V.Port.); Missão

Impossível: Operação Fantasma M12.

Sala 1 - 21h35, 00h20; Uma

Separação M12. Sala 1 - 18h30; Moneyball

- Jogada de Risco M12. Sala 2 - 11h30, 15h15,

18h15, 21h30, 00h20; As Serviçais M12.

Sala 3 - 19h; A Toupeira M12. Sala 3 - 11h30,

14h, 16h30, 21h55, 00h25; Um Método

Perigoso M16. Sala 4 - 19h05; O Gato das

Botas M6. Sala 4 - 11h30, 14h05, 16h35

(V.Port.); Ano Novo, Vida Nova! Sala

4 - 21h35, 00h15; Sherlock Holmes: Jogo

de Sombras M12. Sala 5 - 13h55, 16h30,

19h10, 21h50, 00h30; Um Homem no

Limite M12. Sala 6 - 11h30, 14h10, 16h50,

19h15, 21h40, 00h05; A Minha Semana

Com Marilyn M12. Sala 7 - 11h30, 14h15,

16h40, 19h05, 21h40; Martha Marcy May

Marlene M16. Sala 7 - 00h05; Habemus

Papam - Temos Papa M12. Sala 8 - 11h30,

14h10, 16h30; Melancolia M12. Sala 8

- 19h; Um Coração Dividido M12. Sala

8 - 21h45, 00h30; Os Descendentes M12.

Sala 9 - 11h30, 14h10, 16h40, 19h10, 21h45,

00h25; Três Vezes 20 Anos M12. Sala 10 -

11h30, 14h, 16h, 18h, 20h, 22h, 24h; O Deus

da Carnificina M12. Sala 11 - 11h30, 14h25,

17h, 19h30, 22h; O Diário a Rum M12. Sala

11 - 23h55; J. Edgar M12. Sala 12 - 11h30,

15h20, 18h20, 21h30, 00h15; Millennium

1: Os Homens Que Odeiam as

Mulheres M16. Sala 13 - 11h30, 14h30, 18h,

21h15, 00h20; Polissia M12. Sala 14 - 14h10,

16h35, 19h15, 21h50, 00h30

ZON Lusomundo Alvaláxia

Estádio José Alvalade. T. 707 CINEMA

Missão Impossível: Operação

Fantasma M12. 13h55, 17h10, 21h15,

00h30; Os Descendentes M12. 13h35,

16h10, 18h45, 21h40, 00h20; Um

Homem no Limite M12. 13h40, 16h30,

18h55, 21h30, 23h55; O Idiota do Nosso

Irmão M16. 13h45, 16h, 18h15, 21h20,

23h40; Underworld: O Despertar M12.

13h20, 15h30, 17h40, 19h45, 21h55,

00h10; O Rei Leão 3D M6. 11h, 14h, 16h30

(V.Port.); O Gato das Botas M6. 11h15,

13h50, 16h20 (V.Port.); Warrior - Combate

Entre Irmãos M16. 21h; O Espião

Fantasma M12. 18h35, 21h35, 23h50; Alvin

e os Esquilos 3: Naufragados M6. 11h,

13h20, 15h30 (V.Port.); Ano Novo, Vida

Nova! 18h25, 21h45; Sherlock Holmes:

Jogo de Sombras M12. 13h40, 16h40,

21h25, 00h15; A Minha Semana Com

Marilyn M12. 19h20; Millennium 1: Os

Homens Que Odeiam as Mulheres M16.

13h25, 17h, 20h45, 00h05; J. Edgar M12.

13h50, 16h50, 21h10, 00h25; País do

Desejo M12. 14h10, 17h20, 21h50

ZON Lusomundo Amoreiras

Av. Eng. Duarte Pacheco. T. 707 CINEMA

O Deus da Carnificina M12. 14h10, 16h40,

21h10, 23h10; Imperdoáveis M16. 13h20,

19h20; Os Descendentes M12. 13h, 15h40,

18h30, 21h40, 00h30; Millennium 1: Os

Homens Que Odeiam as Mulheres M16.

13h20, 17h, 20h50, 24h; Uma Pequena

Zona de Turbulência M12. 16h20, 21h50,

00h20; J. Edgar M12. 14h, 17h30, 21h10,

00h15; A Gruta dos Sonhos Perdidos

(3D) M6. 19h; Polissia M12. 13h10, 16h,

18h40, 21h30, 00h10; A Minha Semana

Com Marilyn M12. 18h20; Moneyball -

Jogada de Risco M12. 12h50, 15h30, 20h40,

23h30

ZON Lusomundo Colombo

Av. Lusíada. T. 707 CINEMA

O Rebelde Salvador 17h50, 21h05,

00h10; Alvin e os Esquilos 3:

Naufragados M6. 10h55, 13h05,

15h15 (V.Port.); Underworld: O

Despertar M12. 13h15, 15h50, 18h, 21h35,

23h55 ; Missão Impossível: Operação

Fantasma M12. 12h40, 15h35, 18h25, 21h20,

00h20; Millennium 1: Os Homens Que

Odeiam as Mulheres M16. 13h30, 17h,

21h, 00h25; Um Homem no Limite M12.

13h, 15h45, 18h15, 21h15, 23h45; O

Gato das Botas M6. 11h, 13h10, 15h20

(V.Port.); Sherlock Holmes: Jogo de

Sombras M12. 12h45, 15h40, 18h35, 21h25,

00h15; O Idiota do Nosso Irmão M16.

13h20, 16h, 21h40, 24h; Warrior - Combate

Entre Irmãos M16. 17h40, 20h55,

00h05; Moneyball - Jogada de Risco M12.

18h40; Os Descendentes M12. 12h50,

15h25, 18h05, 21h10, 23h50; J. Edgar M12.

12h35, 15h30, 18h30, 21h30, 00h30

ZON Lusomundo Vasco da Gama

Parque das Nações. T. 707 CINEMA

Millennium 1: Os Homens Que

Odeiam as Mulheres M16. 13h20, 17h,

21h, 00h15; O Gato das Botas M6. 11h,

13h30, 16h (V.Port.); Missão Impossível:

Operação Fantasma M12. 18h10, 21h10,

As estrelas do Público

Jorge

Mourinha

Luís M.

Oliveira

Vasco

Câmara

Apollonide - Memórias de um Bordel mmmmn mmmnn mmmnn

Attenberg mmmnn nnnnn nnnnn

Os Descendentes mmmnn mmnnn mmnnn

J. Edgar mmnnn nnnnn mnnnn

A Minha Semana com Marilyn mmnnn nnnnn mnnnn

Marta Marcy May Marlene nnnnn mmmnn mmmmn

Millennium 1-Os Homens que... mmmnn mmnnn mnnnn

País do Desejo a nnnnn nnnnn

Políssia mmmnn mmnnn mmnnn

Uma Separação mmmmn mmmnn mmmnn

a Mau mnnnn Medíocre mmnnn Razoável mmmnn Bom mmmmn Muito Bom mmmmm Excelente

00h10; Sherlock Holmes: Jogo de Sombras

M12. 12h45, 15h50, 18h50, 21h50, 00h30; Os

Descendentes M12. 13h10, 15h40, 18h40,

21h40, 00h20; Um Homem no Limite M12.

13h, 15h20, 18h20, 21h20, 23h50; J. Edgar

M12. 12h40, 15h30, 18h30, 21h30, 00h25

Almada

ZON Lusomundo Almada Fórum

Estr. Caminho Municipal. T. 707 CINEMA

Sherlock Holmes: Jogo de Sombras M12.

12h50, 15h45, 18h40, 21h30, 00h25; Os

Descendentes M12. 13h, 15h40, 18h25,

21h05, 23h45; Millennium 1: Os Homens

Que Odeiam as Mulheres M16. 13h10, 17h,

20h40, 00h05; Um Homem no Limite M12.

13h20, 16h, 18h30, 21h30, 24h; O Espião

Fantasma M12. 21h25, 23h55; Alvin e os

Esquilos 3: Naufragados M6. 11h, 13h25,

15h50, 18h10 (V.Port.); Moneyball - Jogada

de Risco M12. 12h35, 15h30, 18h25, 21h20,

00h15; Underworld: O Despertar M12.

13h05, 15h40, 18h, 21h10, 23h45; Warrior

- Combate Entre Irmãos M16. 13h, 16h10,

20h50, 00h05; O Gato das Botas M6.

11h, 13h20, 16h, 18h35 (V.Port.); O Idiota

do Nosso Irmão M16. 12h50, 15h10,

17h30, 19h40, 21h55, 00h15; Ano Novo,

Vida Nova! 12h45, 15h35, 18h25, 21h10,

24h; Missão Impossível: Operação

Fantasma M12. 12h30, 15h25, 18h20, 21h20,

00h20; Justiça M12. 21h15, 23h50; Três

Vezes 20 Anos M12. 13h15, 16h05, 18h20,

21h20, 23h40; J. Edgar M12. 13h30, 17h10,

21h, 00h10

Amadora

CinemaCity Alegro Alfragide

C.C. Alegro Alfragide. T. 214221030

J. Edgar M12. Cinemax - 13h30, 16h05,

18h40, 21h30, 00h05; Os Descendentes

M12. Sala 2 - 13h45, 16h, 18h30, 21h50,

00h15; O Rei Leão 3D M6. Sala 3 - 11h40,

16h20 (V.Port.); Moneyball - Jogada de

Risco M12. Sala 3 - 13h40, 19h, 21h40;

A Hora mais Negra M12. Sala 3 - 00h25;

Missão Impossível: Operação Fantasma

M12. Sala 4 - 21h50, 00h30; Niko - Na Terra

do Pai Natal M6. Sala 4 - 11h45 (V.Port.);

Sherlock Holmes: Jogo de Sombras M12.

Sala 4 - 13h35, 16h15, 18h55; Bruna

Surfistinha - O Doce Veneno do

Escorpião M18. Sala 5 - 18h45; Warrior

- Combate Entre Irmãos M16. Sala 5 -

15h50, 21h35, 00h25; A Minha Semana

Com Marilyn M12. Sala 5 - 13h50; Alvin e

os Esquilos 3: Naufragados M6. Sala 6 -

11h35, 13h35, 15h35, 17h35, 19h35 (V.Port.);

Sherlock Holmes: Jogo de Sombras M12.

Sala 6 - 21h35, 00h20; Millennium 1: Os

Homens Que Odeiam as Mulheres M16.

Sala 7 - 15h10, 18h20, 21h25, 00h30; Happy

Feet 2 M6. Sala 8 - 11h30 (V.Port.); Um

Homem no Limite M12. Sala 8 - 13h40,

15h45, 17h45, 19h45, 21h45, 23h45;

Underworld: O Despertar M12. Sala 9 -

13h45, 15h30, 17h30, 19h20, 21h40, 24h;

Imortais M12. Sala 10 - 00h10; O Gato

das Botas M6. Sala 10 - 11h30, 15h45

(V.Port.); Happy Feet 2 M6. Sala 10 - 13h30

(V.Port.); Ano Novo, Vida Nova! Sala 10

- 17h45, 21h55; Tucker e Dale Contra o

Mal M16. Sala 10 - 20h

UCI Dolce Vita Tejo

C.C. da Amadora, EN 249/1. T. 707232221

Alvin e os Esquilos 3: Naufragados M6.

Sala 10 - 11h30, 13h55, 15h55, 18h45, 21h15

(V.Port.); A Saga Twilight: Amanhecer

- Parte I M12. Sala 11 - 19h10; Missão

Impossível: Operação Fantasma M12.

Sala 11 - 11h30, 13h50, 16h30, 21h50

Barreiro

Castello Lopes - Fórum Barreiro

Campo das Cordoarias. T. 707220220

Millennium 1: Os Homens Que Odeiam

as Mulheres M16. Sala 1 - 15h, 18h10,

21h20; Os Descendentes M12. Sala 2 -

12h50, 15h30, 18h30, 21h30; O Espião

Fantasma M12. Sala 3 - 21h40; Alvin e os

Esquilos 3: Naufragados M6. Sala 3 - 13h,

15h20, 17h30, 19h40 (V.Port.); Sherlock

Holmes: Jogo de Sombras M12. Sala 4 -

12h45, 15h40, 18h15, 21h10

Cascais

Castello Lopes - Cascais Villa

Avenida Marginal. T. 707220220

Os Descendentes M12. Sala 1 - 13h20,

15h50, 18h20, 21h10; Sherlock Holmes:

Jogo de Sombras M12. Sala 2 - 13h,

15h10, 18h30, 21h; Moneyball - Jogada

de Risco M12. Sala 3 - 13h10, 16h, 18h50,

21h30; Millennium 1: Os Homens Que

Odeiam as Mulheres M16. Sala 4 - 15h,

18h10, 21h20; Uma Separação M12. Sala 5 -

12h50, 15h30, 18h, 21h40

ZON Lusomundo CascaiShopping

EN 9, Alcabideche. T. 707 CINEMA

Sherlock Holmes: Jogo de Sombras M12.

12h35, 15h20, 21h10, 23h55; Moneyball

- Jogada de Risco M12. 18h10; Os

Descendentes M12. 12h40, 15h30, 18h30,

21h20, 24h; Millennium 1: Os Homens

Que Odeiam as Mulheres M16. 13h, 17h,

20h50, 00h10; Um Homem no Limite M12.

12h50, 15h40, 18h20, 21h, 23h40; J.

Edgar M12. 12h55, 15h50, 18h40, 21h30,

00h20; O Gato das Botas M6. 11h, 13h10

(V.Port.); O Idiota do Nosso Irmão M16.

17h50, 21h40, 23h50; Alvin e os Esquilos

3: Naufragados M6. 11h, 13h20, 15h45

(V.Port.); Underworld: O Despertar M12.

15h25, 18h, 21h15, 23h20

Caldas da Rainha

Vivacine - Caldas da Rainha

C.C. Vivaci. T. 262840197

Os Descendentes M12. Sala 1 - 13h10, 15h45,

18h30, 21h30, 00h05; Millennium 1: Os

Homens Que Odeiam as Mulheres M16.

Sala 2 - 13h40, 17h, 21h, 00h10; Um Homem

no Limite M12. Sala 3 - 13h30, 15h55, 18h20,

21h20, 23h45; Sherlock Holmes: Jogo

de Sombras M12. Sala 4 - 12h50, 15h35,

18h25, 21h15, 00h05; Alvin e os Esquilos

3: Naufragados M6. Sala 5 - 13h30, 15h50,

18h05 (V.Port.); Missão Impossível:

Operação Fantasma M12. Sala 5 - 21h,

23h50

Carcavelos

Atlântida-Cine

Centro Comercial Carcavelos. T. 214565653

Os Descendentes M12. Sala 1 - 15h30,

18h15, 21h30; Sherlock Holmes: Jogo de

Sombras M12. Sala 2 - 15h45, 18h30, 21h45

Sintra

CinemaCity Beloura Shopping

Est. Nac. nº 9 - Qta Beloura. T. 219247643

J. Edgar M12. Cinemax - 13h30, 16h05,

18h40, 21h30; Happy Feet 2 M6. Sala 1 -

11h50 (V.Port.); Millennium 1: Os Homens

Que Odeiam as Mulheres M16. Sala 1 -

15h10, 18h20, 21h25; Os Descendentes M12.

Sala 2 - 13h40, 15h55, 18h35, 21h45; Niko

- Na Terra do Pai Natal M6. Sala 3 - 11h45

(V.Port.); Um Homem no Limite M12. Sala

3 - 13h35, 15h35, 17h35, 19h35, 21h35;

O Gato das Botas M6. Sala 4 - 11h40, 15h45,

17h45 (V.Port.); Niko - Na Terra do Pai

Natal M6. Sala 4 - 13h50 (V.Port.); Sherlock

Holmes: Jogo de Sombras M12. Sala

4 - 21h45; A Hora mais Negra M12.

Sala 4 - 19h45; Alvin e os Esquilos 3:

Naufragados M6. Sala 5 - 11h35, 13h35,

15h30, 17h50, 19h45; Moneyball - Jogada

de Risco M12. Sala 5 - 18h50, 21h40; O Rei

Leão 3D M6. Sala 6 - 11h30, 15h40, 19h50

(V.Port.); Happy Feet 2 M6. Sala 6 - 13h30,

17h40 (V.Port.); Missão Impossível:

Operação Fantasma M12. Sala 6 - 21h50

Castello Lopes - Fórum Sintra

Loja 2.21 - Alto do Forte. T. 707220220

J. Edgar M12. Sala 1 - 12h45, 15h35, 18h25,

21h30; Os Descendentes M12. Sala 2 - 13h,

15h50, 18h10, 21h15; O Gato das Botas M6.

Sala 3 - 13h10 (V.Port.); Sherlock Holmes:

Jogo de Sombras M12. Sala 3 - 16h, 18h20,

21h10; Underworld: O Despertar M12.

Sala 4 - 13h30, 15h40, 18h40, 21h40; Um

Homem no Limite M12. Sala 5 - 13h20,

16h05, 18h30, 21h20; Alvin e os Esquilos

3: Naufragados M6. Sala 6 - 12h50, 15h10,

17h10, 19h10 (V.Port.); Missão Impossível:

Operação Fantasma M12. Sala 6 -

21h45; Millennium 1: Os Homens Que

Odeiam as Mulheres M16. Sala 7 - 15h05,

18h15, 21h25

Loures

Castello Lopes - Loures Shopping

Quinta do Infantado. T. 707220220

Um Homem no Limite M12. Sala 1 - 13h10,

16h20, 18h30, 21h10; Sherlock Holmes:

Jogo de Sombras M12. Sala 2 - 13h20,

16h, 21h15; Moneyball - Jogada de

Risco M12. Sala 2 - 18h35; Millennium

1: Os Homens Que Odeiam as

Mulheres M16. Sala 3 - 15h, 18h10,

21h20; Os Descendentes M12. Sala 4 -

13h30, 16h10, 18h50, 21h40; Underworld:

O Despertar M12. Sala 5 - 13h40, 16h30,

19h, 21h50; J. Edgar M12. Sala 6 - 13h,

15h50, 18h40, 21h30; Alvin e os Esquilos

3: Naufragados M6. Sala 7 - 12h50, 14h50,

16h50, 19h10 (V.Port.); Missão Impossível:

Operação Fantasma M12. Sala 7 - 21h

Montijo

ZON Lusomundo Fórum Montijo

C. C. Fórum Montijo. T. 707 CINEMA

Um Homem no Limite M12. 13h20, 16h20,

18h40, 21h30, 23h45; O Gato das Botas M6.

11h10, 13h30, 15h45 (V.Port.); Alvin e os

Esquilos 3: Naufragados M6. 11h, 13h,

15h10, 17h20, 19h20 (V.Port.); Missão

Impossível: Operação Fantasma M12.

21h20, 00h05; Sherlock Holmes: Jogo de

Sombras M12. 12h50, 15h35, 18h20, 21h10,

23h55; Os Descendentes M12. 13h10, 16h,

18h30, 21h40, 00h20; Millennium 1: Os

Homens Que Odeiam as Mulheres M16.

17h50, 21h, 00h10; Underworld:

O Despertar M12. 13h40, 15h55, 18h10,

20h55, 23h20


Odivelas

ZON Lusomundo Odivelas Parque

C. C. Odivelasparque. T. 707 CINEMA

Millennium 1: Os Homens Que Odeiam

as Mulheres M16. 15h, 18h30, 21h50; Um

Homem no Limite M12. 13h20, 15h50,

18h10, 21h40

Oeiras

ZON Lusomundo Oeiras Parque

C. C. Oeirashopping. T. 707 CINEMA

Moneyball - Jogada de Risco M12.

12h55, 15h50, 22h; Warrior - Combate

Entre Irmãos M16. 18h50; O Deus da

Carnificina M12. 19h;

Os Descendentes M12. 13h05, 15h40,

18h20, 21h20, 24h; Um Homem no

Limite M12. 13h10, 15h45, 18h15, 21h40,

00h15; J. Edgar M12. 12h30, 15h30, 18h30,

21h30, 00h30; Alvin e os Esquilos

3: Naufragados M6. 10h50, 13h,

15h20 (V.Port.); Missão Impossível:

Operação Fantasma M12. 18h05, 21h05,

00h10; Millennium 1: Os Homens Que

Odeiam as Mulheres M16. 13h20, 16h50,

21h, 00h20

Miraflores

ZON Lusomundo Dolce Vita Miraflores

Av. das Túlipas. T. 707 CINEMA

Alvin e os Esquilos 3: Naufragados M6.

11h, 15h, 18h (V.Port.); Os Descendentes

M12. 15h20, 18h20, 21h20; Millennium 1: Os

Homens Que Odeiam as Mulheres M16.

15h, 18h30, 22h; J. Edgar M12. 15h30, 18h30,

21h30

Pombal

Pombalcine

Pombal Shopping, R. Santa Luzia.

T. 236218801

O Diário a Rum M12. Sala 1 - 16h, 21h

Torres Novas

Castello Lopes - TorreShopping

Bairro Nicho - Ponte Nova. T. 707220220

Millennium 1: Os Homens Que

Odeiam as Mulheres M16. Sala 1 - 15h,

18h10, 21h20; Alvin e os Esquilos

3: Naufragados M6. Sala 2 - 13h10

(V.Port.); Sherlock Holmes: Jogo de

Sombras M12. Sala 2 - 15h20, 18h20,

21h10; Os Descendentes M12. Sala 3 - 13h,

15h30, 18h, 21h30

Torres Vedras

ZON Lusomundo Torres Vedras

C.C. Arena Shopping. T. 707 CINEMA

Sherlock Holmes: Jogo de Sombras M12.

14h, 18h, 21h05, 00h05;

Os Descendentes M12. 13h15, 16h15, 18h50,

21h45, 00h25 ; J. Edgar M12. 13h45, 17h45,

21h15, 00h20; Alvin e os Esquilos 3:

Naufragados M6. 11h, 13h30, 15h45, 18h15

(V.Port.); Millennium 1: Os Homens Que

Odeiam as Mulheres M16. 21h, 00h15 ; Um

Homem no Limite M12. 13h, 16h, 18h30,

21h25, 23h55

Torre da Marinha

Castello Lopes - Rio Sul Shopping

Quinta Nova do Rio Judeu, Loja A1.027.

T. 707220220

Underworld: O Despertar M12. Sala 1 -

13h20, 15h50, 18h40, 21h40; J. Edgar M12.

Sala 2 - 12h40, 15h35, 18h30, 21h30;

Os Descendentes M12. Sala 3 - 13h10,

15h40, 18h20, 21h25; Um Homem no

Limite M12. Sala 4 - 13h30, 16h, 18h50,

21h50; O Gato das Botas M6. Sala 5 -

13h (V.Port.); Sherlock Holmes: Jogo

de Sombras M12. Sala 5 - 15h20, 18h,

21h; Millennium 1: Os Homens Que

Odeiam as Mulheres M16. Sala 6 - 15h,

18h10, 21h20; Alvin e os Esquilos 3:

Frida Kahlo no Museu da Cidade

Último dia para ver, no Museu da Cidade,

em Lisboa (Campo Grande, 245), a exposição

Frida Kahlo – As Suas Fotografias. Uma mostra

organizada pela Casa da América Latina e com

curadoria de Pablo Ortiz Monasterio, fotógrafo

e historiador da fotografia no México, que

Em estreia

Attenberg

De Athina Rachel Tsangari.

Com Ariane Labed, Vangelis

Mourikis, Evangelia Randou,

Yorgos Lanthimos. GRE. 2010.

96m. Drama. M16.

Marina não é uma rapariga como

as outras. Aos 23 anos, vive em

quase reclusão, tendo apenas por

companhia o pai, um arquitecto

sorumbático, e Bella, a melhor

amiga. A sua vida passa-se entre

os documentários de David

Attenborough, a música dos

Suicide e Françoise Hardy e os

ensinamentos de Bella sobre a vida

sexual, que aprende de maneira

pouco ortodoxa. Até ao dia em que

chega à sua pequena cidade um

homem que lhe mostrará outras

maneiras de viver.

Medeia King

J. Edgar

De Clint Eastwood. Com

Leonardo DiCaprio, Naomi

Watts, Judi Dench, Armie

Hammer. EUA. 2011. 137m.

Drama, Biografia. M12.

Realizado por Clint Eastwood, a

história de um dos maiores e mais

controversos ícones do século

XX: John Edgar Hoover. Um dos

principais responsáveis pela criação

do FBI, que chefiou durante quase

meio século, tornou-se num dos

homens mais poderosos e temidos

dos EUA. Porém, apesar do sucesso

da sua carreira, a sua vida privada

mantida secreta, deu azo a todo o

tipo de especulações, entre elas a

alegada relação homossexual com

Clyde Tolson, seu braço direito.

apresenta uma selecção de 257 fotografias das

6.500 que constituem o acervo da Casa Azul/

Museu Frida Kahlo. Os Pais: Guillermo e Matilde,

A Casa Azul, O Corpo Acidentado (Frida Khalo

sofreu, aos 18 anos, um grave acidente, quando

um eléctrico embateu no autocarro onde

Polissia

De Maïwenn. Com Karin Viard,

Joey Starr, Marina Foïs, Frédéric

Pierrot. FRA. 2011. 127m.

Drama, Crime. M12.

Os membros da Brigada para a

Protecção de Menores lutam contra

inúmeras vicissitudes sofridas

por crianças de todos os estratos

sociais: pedofilia, abuso infantil,

delitos que incluem adolescentes ou

prostituição. Cada um deles, à sua

maneira, tenta encontrar estratégias

de distanciamento nas suas vidas

pessoais. Quando uma jovem

fotógrafa é enviada pelo Ministério

da Administração Interna para

retratar a vida daquela unidade,

algo vai alterar a dinâmica do grupo.

CinemaCity Classic Alvalade, UCI

Cinemas - El Corte Inglés, ZON

Lusomundo Amoreiras

Três Vezes 20 Anos

De Julie Gavras. Com William

Hurt, Isabella Rossellini, Doreen

Mantle. GB/FRA/BEL. 2011.

107m. Drama. M12.

Em plena crise de meia-idade, Mary

e Adam formam um casal com

algumas dificuldades em sobreviver

às mudanças que o tempo e a idade

lhes foram trazendo, e cada um

opta por trilhar caminhos distintos.

Inevitavelmente surgem problemas

de relacionamento que vão pôr em

causa tudo o que viveram até aí...

UCI Cinemas - El Corte Inglés, ZON

Lusomundo Almada Fórum

Um Homem no Limite

De Asger Leth. Com Sam

Worthington, Elizabeth Banks,

Jamie Bell, Ed Harris. EUA. 2012.

País do Desejo

102m. Thriller, Crime. M12.

De Paulo Caldas. Com Fábio bio

Assunção, Maria Padilha, a,

Gabriel Braga Nunes, Nicolau colau

Breyner. POR/BRA. 2011. 85m.

Drama. M12.

José é o dedicado pároco de e uma

pequena vila brasileira. A sua ua fé,

até então inabalável, será posta osta

em causa quando se depara a com

a decisão de um arcebispo em

excomungar a mãe e o médico dico

que realizou um aborto a

uma menina de 11 anos,

violada pelo próprio tio. À

medida que o fosso entre ele le

e a própria Igreja se alarga,

mais ele se sente próximo

de Roberta, cujo encontro

vai abrir caminho a um

amor inesperado.

ZON Lusomundo Alvaláxia

Três Vezes 20 Anos

Naufragados M6. Sala 7 - 12h50, 15h10,

17h10, 19h10 (V.Port.); Missão Impossível:

Operação Fantasma M12. Sala 7 - 15h10,

18h20, 21h10

Santarém

Castello Lopes - Santarém

Largo Cândido dos Reis. T. 707220220

Sherlock Holmes: Jogo de

Sombras M12. Sala 1 - 13h, 15h50, 18h30,

21h20; Underworld: O Despertar M12.

Sala 2 - 13h30, 15h30, 18h20, 21h; Os

Descendentes M12. Sala 3 - 13h20,

16h10, 19h, 21h50; Alvin e os Esquilos

3: Naufragados M6. Sala 4 - 13h10, 16h,

18h50 (V.Port.); Missão Impossível:

Operação Fantasma M12. Sala 4 -

21h40; Millennium 1: Os Homens Que

Odeiam as Mulheres M16. Sala 5 - 15h,

18h10, 21h15; J. Edgar M12. Sala 6 - 12h50,

15h40, 18h40, 21h30

Setúbal

Auditório Charlot

Avenida Dr. António Manuel Gamito, 11.

T. 265522446

Nick Cassidy é um homem no

limite. Com uma carreira ao serviço

da lei, foi condenado por um crime

que não cometeu. Quando, por fim,

consegue escapar da prisão, decide

dar um último passo para provar

a sua inocência: do parapeito de

um dos mais luxuosos hotéis de

Nova Iorque, ameaça o suicídio.

À medida que uma multidão

inquieta se junta à volta da área, a

polícia acede ao seu pedido para

falar com Lydia Anderson, uma

negociadora experiente. Porém,

o que parece ser algo resultante

de puro desespero de um homem

que nada tem a perder, depressa se

comprova ser um plano complexo

e calculado.

Uma Pequena Zona

de Turbulência

De Alfred Lot. Com Michel Blanc,

Miou-Miou, Mélanie Doutey.

FRA. 2009. 108m. Comédia. M12.

Chegado à idade da reforma,

Jean-Pierre Muret tem a vida

virada do avesso: para além da

sua hipocondria, descobre que a

mulher o trai com um ex-colega de

trabalho; que a filha, divorciada,

decide casar com o último homem

que ele queria para genro; e

que está prestes a conhecer o

namorado do filho homossexual,

cuja condição ele não aceita de

modo algum. Quando julga que

nada pode piorar, descobre que

tem um eczema numular que,

mesmo com todos à sua volta a

desdramatizar, está convicto que

o arrastará a uma morte lenta e

dolorosa.

ZON Lusomundo Amoreiras

Underworld: O

Despertar

De D Måns Mårlind, Mårlin Björn Stein.

Com Co C m Kate Beckinsale, Beck Michael

Ealy, India Ei Eisley. EUA. 2012.

88m. 88 8 m. Acção,

Fantasia. M12.

Após Ap A ós consegu conseguir escapar de

um cativeiro dde

12 anos, a

vampira Selen Selene depara-se com

uma realidade realidad inesperada:

descobertos descobertos ppelos

humanos, os

clãs de vampiros vampi e lobisomens

são perseguidos perseguid e caçados

como animais an selvagens.

Agora, Agora para salvar ambas

as as eespécies,

Selena

vai va ter de fazê-los

compreender c

que

a solução reside na

superação s das suas

diferenças d e na

união de todos.

O Miúdo da Bicicleta M12. Sala 1 - 16h,

21h30

Castello Lopes - Setúbal

Centro Comercial Jumbo, Loja 50.

T. 707220220

Os Descendentes M12. Sala 1 - 13h20,

15h40, 18h, 21h30; Millennium 1: Os

Homens Que Odeiam as Mulheres M16.

Sala 2 - 15h, 18h10, 21h20; Alvin e

os Esquilos 3: Naufragados M6.

Sala 3 - 13h10, 15h20, 17h30, 19h20

(V.Port.); O Diário a Rum M12. Sala

3 - 21h40; Sherlock Holmes: Jogo de

Sombras M12. Sala 4 - 13h, 15h30, 18h20,

21h10

Público Domingo 29 Janeiro 2012 47

viajava), Os Amores de Frida (com destaque

para a conturbada relação com Diego Rivera),

A Fotografia e a Luta Política são os núcleos

em que se divide esta exposição, que ilustra a

importância da fotografia na vida da pintora.

Das 10h às 13h e 14h às 18h. Bilhetes a 3 euros.

Tomar

Cine-Teatro Paraíso - Tomar

Rua Infantaria, 15. T. 249329190

Missão Impossível: Operação

Fantasma M12. Sala 1 - 15h30, 21h30

Faro

SBC-International Cinemas

C. C. Fórum Algarve. T. 289887212

Um Homem no Limite M12. Sala 1 -

14h55, 17h20, 19h40, 22h; Alvin e os

Esquilos 3: Naufragados M6. Sala

2 - 11h10, 13h45 (V.Port.); Ano Novo,

Vida Nova! Sala 2 - 18h40; Moneyball

- Jogada de Risco M12. Sala 2 - 15h50,

21h20; Sherlock Holmes: Jogo de

Sombras M12. Sala 3 - 13h15, 16h, 18h45,

21h30; O Rei Leão 3D M6. Sala 4 - 13h,

15h, 17h (V.Port.); Happy Feet 2 M6.

Sala 4 - 10h35 (V.Port.); Um Coração

Dividido M12. Sala 4 - 19h; A Hora mais

Negra M12. Sala 4 - 21h50; O Gato das

Botas M6. Sala 5 - 10h30, 12h40, 14h45

(V.Port.); Um Coração Dividido M12. Sala

5 - 16h50; Underworld: O Despertar M12.

Sala 5 - 19h35, 21h40; Millennium 1: Os

Homens Que Odeiam as Mulheres M16.

Sala 6 - 11h25, 14h40, 17h55, 21h10; Os

Descendentes M12. Sala 7 - 11h05, 14h40,

17h55, 21h10; Warrior - Combate Entre

Irmãos M16. Sala 8 - 21h20; Missão

Impossível: Operação Fantasma M12.

Sala 8 - 12h50, 15h40, 18h30; J. Edgar

M12. Sala 9 - 12h15, 15h10, 18h05, 21h

Olhão

Algarcine - Cinemas de Olhão

C.C. Ria Shopping. T. 289703332

Niko - Na Terra do Pai Natal M6. Sala

1 - 14h, 15h45, 20h (V.Port.); Underworld:

O Despertar M12. Sala 1 - 18h15, 21h45; O

Diário a Rum M12. Sala 2 - 15h30, 18h30,

21h30; O Gato das Botas M6. Sala 3 - 10h45,

15h30, 17h30 (V.Port.); Justiça M12. Sala

3 - 21h20

Portimão

Algarcine - Cinemas de Portimão

Av. Miguel Bombarda.

T. 282411888

Os Descendentes M12. Sala 1 - 15h30,

18h, 21h30; Niko - Na Terra do Pai

Natal M6. Sala 2 - 14h, 15h45, 20h

(V.Port.); Underworld: O Despertar M12.

Sala 2 - 18h15, 21h45

Castello Lopes - Portimão

Quinta da Malata, Lote 1 - Centro Comercial

Continente. T. 707220220

Os Descendentes M12. Sala 1 - 13h20, 16h,

18h50, 21h50; J. Edgar M12. Sala 2 - 13h,

15h50, 18h40, 21h30; Sherlock Holmes:

Jogo de Sombras M12. Sala 3 - 12h50,

15h30, 18h20, 21h10; Alvin e os Esquilos

3: Naufragados M6. Sala 4 - 13h10, 15h15,

17h20, 19h30 (V.Port.); A Hora mais

Negra M12. Sala 4 - 22h; Millennium 1: Os

Homens Que Odeiam as Mulheres M16.

Sala 5 - 15h, 18h10, 21h20; Moneyball -

Jogada de Risco M12. Sala 6 - 12h55, 15h40,

18h30, 21h40

Tavira

Cine-Teatro António Pinheiro

R. D. Marcelino Franco, 10.

T. 281324880

Nos Idos de Março M12. Sala 1 - 21h30

Zon Lusomundo Tavira

C.C. Gran-Plaza, Loja Nº324, R. Almirante

Cândido dos Reis. T. 707 CINEMA

Sherlock Holmes: Jogo de Sombras M12.

13h20, 16h, 18h40, 21h25; Os

Descendentes M12. 13h10, 15h40, 18h20,

21h30; Um Homem no Limite M12. 13h30,

15h55, 18h30, 21h20; Alvin e os Esquilos 3:

Naufragados M6. 11h, 13h40, 15h50, 18h10

(V.Port.); Missão Impossível: Operação

Fantasma M12. 21h10; Millennium 1: Os

Homens Que Odeiam as Mulheres M16.

13h, 17h40, 21h


48 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Sair

Teatro

Lisboa

A Barraca - Teatro Cinearte

Largo de Santos, 2. T. 213965360

D. Maria, A Louca De Antônio Cunha

(texto). Enc. Maria do Céu Guerra. Com

Maria do Céu Guerra, Adérito Lopes.

De 8/9 a 29/1. Quinta a sábado às 21h30.

Domingo às 16h30. M/12. Rumor De Mário

de Carvalho. Enc. Maria do Céu Guerra.

Com João D´Ávila, Jorge Gomes Ribeiro,

Paula Guedes, Rita Fernandes, Rúben

Garcia, Sérgio Moras, Vânia Naia. De 30/11

a 26/2. Quinta a sábado às 21h30. Domingo

às 16h00. M/12.

Chapitô

R. Costa do Castelo, 1/7. T. 218855550

Édipo Comp.: Companhia do Chapitô.

Enc. John Mowat. Com Jorge Cruz, Marta

Cerqueira, Tiago Viegas. De 19/1 a 11/3.

Quinta a domingo às 22h00 (na Tenda).

M/12.

Galeria Zé dos Bois

Rua da Barroca, 59 - Bairro Alto.

T. 213430205

Drifting / Em Deriva De António Pedro

Lopes, Gustavo Ciriaco. Com Ana Eliseu,

Andrea Brandão, Bruno Caracol, Clara

Kuntner, Cristina Zabalaga, Eduardo

Frazão, Marta Rema, Paolo Andreoni, Rita

Sousa Mendes, Vânia Rovisco. De 26/1 a

29/1. Quinta a domingo às 21h30.

Lavadouro de Carnide

Estrada da Correia. T. 217121330

Rua Maria Brown De Maria Gil. Grupo:

Teatro do Silêncio. Com Maria Gil. De 28/1 a

29/1. Sábado e domingo das 18h00 às 23h00

(marcação prévia). M/12. Duração: 30m.

Teatro da Comuna

Pç. Espanha. T. 217221770

3 Actores à Procura de um Papel De

Joaquim Paulo Nogueira (texto). Enc.

Joaquim Paulo Nogueira, Jorge António.

Com Oceana Basílio, Ângelo Torres, João

Cabral. De 19/1 a 29/1. Quinta a sábado às

21h30. Domingo às 16h00 (na Sala Novas

Tendências). M/16. Design for Living De

Noël Coward (a partir de). Enc. Álvaro

Correia. Com Carlos Paulo, Carlos Vieira,

Hugo Franco, João Tempera, Maria Jorge

Marques, Mia Farr, Rita Calçada Bastos.

De 8/12 a 5/2. Quarta a sábado às 21h30.

Domingo às 16h00. M/12. La Mudanza De

Célia Nadal, Javier Manzanera. Grupo:

Companhia de Teatro Perigallo. Enc. João

Mota. Com Célia Nadal, Javier Manzanera.

De 19/1 a 26/2. Quarta a sábado às 21h30.

Domingo às 16h00.

Tempo para hoje

Marés

Porto de Leixões

Preia-mar: 06h25 2,9

Baixa-mar:

18h47

00h10

2,8

1,0

12h32 1,0

Porto de Cascais

Preia-mar: 06h03 3,0

Baixa-mar:

18h26

12h08

2,8

1,2

- -

Porto de Faro/Olhão

Preia-mar: 06h06 2,9

Baixa-mar:

18h26

11h57

2,7

1,1

- -

Sol

Lua

Amanhã

Nascente: 07h46

Poente: 17h54

Crescente:

31/01 - 04h10

Açores

Grupo Ocidental

11˚ 15˚

Grupo Central

11˚ 15˚

2m

17˚

Grupo Oriental

13˚17˚

Madeira

1m

19˚

2m

17˚

13˚ 19˚

2-3m

17˚

12˚16˚

P. Santo

13˚ 18˚

1-2m

16˚

Teatro da Cornucópia - Bairro Alto

R. Tenente Raúl Cascais 1A. T. 213961515

Morte de Judas De Paul Claudel. Enc.

Dinarte Branco, Luís Miguel Cintra,

Cristina Reis. Com Dinarte Branco, Luís

Miguel Cintra. De 19/1 a 29/1. Terça a

sábado às 21h30. Domingo às 16h00.

Teatro Nacional D. Maria II

Pç. D. Pedro IV. T. 213250835

A Paixão Segundo Eurico De Alexandre

Herculano (a partir de). Com Cristina

Carvalhal, Inês Rosado, Sara Carinhas.

De 1/12 a 29/1. Quarta a sábado às 21h15.

Domingo às 16h15 (na Sala Estúdio). Quem

tem Medo de Virginia Woolf? De Edward

Albee. Com Filipe Raposo (música). Enc.

Ana Luísa Guimarães. Com Maria João

Luís, Romeu Costa, Sandra Faleiro, Virgílio

Castelo. De 26/11 a 29/1. Quarta a sábado às

21h00. Domingo às 16h00 (na Sala Garrett).

M/12.

Teatro Politeama

R. Portas de Santo Antão, 109.

T. 213405700

Judy Garland - O Fim do Arco-Íris De

Peter Quilter. Enc. Filipe La Féria. Com

Hugo Rendas, Vanessa, Carlos Quintas.

A partir de 25/1. Quinta e sexta às 21h30.

Sábado às 17h00 e 21h30. Domingo às

17h00. Pinóquio De Filipe La Féria. Enc.

Filipe La Féria. Com Ana Rita Dionisio,

Joel Branco, Sara Cabeleira, Sérgio

Lucas, Bruna Andrade, Hugo Goepp,

Inês Herédia, Tiago Isidro. Coreog. Inna

Lisniak. A partir de 19/11. Terça a sexta às

11h00 e 14h00 (escolas). Sábado e domingo

às 15h00 (público).

V. Castelo

2˚ 13˚Braga Bragança

-3˚ 9˚

-1˚ 15˚

2-2,5m

Porto

3˚ 14˚

Vila Real

-1˚ 9˚

14˚

Aveiro

3˚ 14˚

Viseu

1˚ 11˚ Guarda

0˚ 6˚

Leiria

0˚ 15˚

Santarém

3˚ 15˚

Lisboa

5˚ 15˚

Setúbal

3˚ 16˚

Sines

2-2,5m

5˚ 15˚

14˚

Sagres

6˚ 16˚

0,5-1m

16˚

Coimbra

2˚ 13˚

Évora

1˚ 14˚

Beja

3˚ 15˚

Faro

7˚ 16˚

Roberto Zucco: última apresentação no Teatro

Municipal Mirita Casimiro. em Cascais

C. Branco

3˚ 13˚

Portalegre

3˚ 12˚

FONTE: www.AccuWeather.com

Almada

Teatro Municipal de Almada

Avenida Professor Egas Moniz.

T. 212739360

O Carteiro de Neruda Comp.: Companhia

de Teatro de Almada. Enc. Joaquim Benite.

De 26/1 a 5/2. Quarta a sábado às 21h30.

Domingo às 16h00. M/12.

Cascais

Teatro Municipal Mirita Casimiro

Avenida Fausto Figueiredo - Monte Estoril.

T. 214670320

Roberto Zucco De Bernard Marie Koltès.

Grupo: Teatro Experimental de Cascais.

Enc. Carlos Avillez. Com Tomás Alves,

João Vasco, Anna Paula, António Marques,

Carlos Santos, Fernanda Neves, Gláucia

Noemi, Luís Rizo, Maria Camões, Renato

Pino, entre outros. De 4/1 a 29/1. Quarta a

domingo às 21h30. M/16.

Tomar

Convento de Cristo

T. 249313481

Corto Maltese, Concerto em Ó menor

para Harpa e Nitroglicerina De Hugo

Pratt (a partir). Comp.: Companhia

de Teatro Fatias de Cá. Enc. Carlos

Carvalheiro. De 15/1 a 19/2. Dom. às 15h15.

Reservas: 960303991. Duração: 213m.

Farmácias

Lisboa

Serviço Permanente

Barros Gouveia (Vale Formoso - Poço do Bispo) -

Rua do Vale Formoso de Cima, 79 - B - Tel. 218595180

Branquinho (Sapadores) - Rua de Sapadores, 87-89

- Tel. 218142725 Ducal (Duque de Loulé) - Av. Duque

do Loulé, 1 - E - Tel. 213110027 Estados Unidos (Av.

E. U. A. - Av. do Aeroporto) - Av. Estados Unidos da

América, 16 - B - Tel. 218471589 Geny (Luz - Parque

dos Principes) - Rua Fernando Namora 44 - C - Tel.

217111730 Gouveia (Benfica - Bairro Pedralvas)

- R. Augusto Costa (Costinha), 6 - Tel. 217607500

Mendes Gomes (Ajuda) - Calçada da Ajuda, 222 - Tel.

213610197 Oliveira (Campolide) - Rua D. Pedro V, 123

- Tel. 213427880 União (Prazeres) - Rua Saraiva de

Carvalho, 145 - F - Tel. 213963643

Outras Localidades

Serviço Permanente

Abrantes - Ondalux Alandroal - Alandroalense

Albufeira - Piedade Alcácer do Sal - Alcacerense

Alcanena - Ramalho Alcobaça - Nova, Campeão

Alcochete - Cavaquinha Alcoutim - Caimoto

Alenquer - Matos Coelho Aljezur - Furtado,

Odeceixense (Odeceixe) Aljustrel - Pereira

Almada - Chai (Costa da Caparica), Atlântico (Cova

da Piedade), Moderna (Laranjeiro) Almeirim -

Mendonça Almodôvar - Ramos Alpiarça - Aguiar

Alter do Chão - Alter Alvaiázere - Ferreira da Gama

Alvito - Nobre Sobrinho Amadora - Carenque,

Remédios, Nunes (Ermesinde) Amareleja -

Portugal Arraiolos - Vieira Arronches - Esperança

(Esperança/Arronches) Arruda dos Vinhos - Da

Misericórdia Avis - Nova de Aviz Azambuja - Nova

Barrancos - Barraquense Barreiro - Pimenta,

Parreira (Lavradio), Marques Cavaco (Stº Antº

da Charneca) Batalha - Ferraz Beja - Palma

Belmonte - Costa Benavente - Central (Samora

Exposições

Lisboa

Museu Colecção Berardo

Centro Cultural de Belém. T. 213612878

A Arte da Guerra - Propaganda da II

Guerra Mundial De 19/10 a 4/3. Todos

os dias das 10h00 às 19h00 (última

admissão às 18h30). Documental, Vídeo,

Outros. Exposição permanente do

Museu Coleção Berardo (1900-1960) De

Alexander Calder, Lourdes Castro, Joseph

Cornell, Giorgio de Chirico, Paul Delvaux,

Walter Dexel, Jim Dine, Jean Dubuffet,

Equipo 57, Salavador Dalí. De 4/7 a 8/11.

Todos os dias das 10h00 às 19h00 (última

admissão às 18h30). De 4/7 a 19/2. Todos os

dias das 10h00 às 19h00 (última admissão

às 18h30). Pintura, Outros. Exposição

Permanente do Museu Colecção Berardo

(1960-2010) De Vito Acconci, Carl Andre,

Alan Charlton, Louise Bourgeois, José

Pedro Croft, Antony Gormley, Jeff Koons,

Allan McCollum, Gerhard Richter, Cindy

Sherman, William Wegman, entre outros.

A partir de 9/11. Todos os dias das 10h00 às

19h00 (última admissão às 18h30). Pintura,

Outros. VIK De Vik Muniz. De 21/9 a 29/1.

Todos os dias das 10h00 às 19h00 (última

entrada às 18h30). Fotografia, Outros.

Museu da Electricidade

Avenida Brasília. T. 210028190

Ilustrarte 2012 - V Bienal Internacional

de Ilustração para a Infância De Valerio

Vidali, Nina Werhle, Simone Rea, Alicia

Baladan, Beatriz Martin, Daphné Gerhard,

Emmanuelle Bastien, Oscar Sabini,

Stefania Lusini, entre outros. De 12/1 a

8/4. Terça a domingo das 10h00 às 18h00.

Pintura, Desenho, Ilustração. Marginália

ou o Epílogo De Ana Luísa Ribeiro. De

5/1 a 18/3. Terça a domingo das 10h00 às

18h00. Pintura. Sala Cinzeiro 8.

Museu Nacional de Arte Antiga

Rua das Janelas Verdes. T. 213912800

Cuerpos de Dolor - A Imagem do

Sagrado na Escultura Espanhola (1500-

1750) De 14/11 a 25/3. Terça das 14h00 às

18h00. Quarta a domingo das 10h00 às

18h00. Escultura Revelações. O Presépio

de Santa Teresa de Carnide De 10/12 a

26/2. Terça das 14h00 às 18h00. Quarta a

domingo das 10h00 às 18h00. Escultura.

Museu Nacional de Etnologia

Avenida Ilha da Madeira. T. 213041160

O Pintor que Esculpia Histórias De

António Peralta. De 19/1 a 31/1. Terça das

14h00 às 18h00. Quarta a domingo das

10h00 às 18h00. Pintura, Escultura.

Correia) Bombarral - Hipodermia Borba - Central

Cadaval - Misericórdia Caldas da Rainha -

Perdigão Câmara de Lobos - Popular Campo

Maior - campo Maior Cartaxo - Abílio Guerra

Cascais - Cascais, Grincho (Parede) Castanheira

de Pera - Dinis Carvalho (Castanheira) Castelo

Branco - Ferrer Castelo de Vide - Roque Castro

Marim - Moderna Castro Verde - Alentejana

Chamusca - Joaquim Maria Cabeça Constância

- Baptista Coruche - Frazão Covilhã - Moderna,

Santana (Boidobra) Crato - Saramago Pais Cuba

- Da Misericórdia Elvas - Europa Entroncamento

- Carvalho Estremoz - Costa Évora - Rebocho

Pais Faro - Pereira Gago Ferreira do Alentejo

- Salgado Ferreira do Zêzere - Soeiro Figueiró

dos Vinhos - Vidigal Fronteira - Vaz (Cabeço

de Vide) Fundão - Avenida Gavião - Pimentel

Golegã - Moderna (Azinhaga), Salgado Grândola

- Costa Idanha-a-Nova - Andrade (Idanha A Nova)

Lagoa - Sousa Pires Lagos - Neves Leiria - Beatriz

Godinho (Maceira), Tomaz (Pousos) Loulé -

Pinheiro, Maria Paula (Quarteira), Paula (Salir)

Loures - São João, Saraiva, Flores (Catujal), Sta

Bárbara (Rio Tinto), Até às 23h - Matos (Prior

Velho), Até às 22h - Rocha Santos, Sta Iria

(Santa Iria da Azoia) Lourinhã - Quintans (Foz

do Sousa) Mação - Saldanha Mafra - Ericeirense,

Costa Maximiano (Sobreiro) Marinha Grande -

Duarte Marvão - Roque Pinto Mértola - Pancada

Moita - Do Vale, Ass. Socorros Mutuos-União

Moitense Monchique - Higya Monforte - Jardim

Montemor-o-Novo - Novalentejo Montijo - Diogo

Marques Mora - Canelas Pais (Cabeção) Moura

- Faria Mourão - Mourão Nazaré - Ascenso

Nisa - Ferreira Pinto Óbidos - Oliveira Odemira

- Confiança Odivelas - Universo (Caneças),

Moserrate (Espinho), Serra da Luz (Serra da Luz),

Até às 22h - Famões, Silva Monteiro (Ponte da

Oeiras

Centro Cultural Palácio do Egipto

R. Álvaro António dos Santos. T. 915439065

In Vino Veritas De Gustavo Fernandes. De

19/1 a 18/3. Terça a domingo das 12h00 às

18h00. Pintura, Escultura.

Música

Lisboa

Teatro Municipal de S. Luiz

R. Ant. Maria Cardoso, 38-58. T. 213257650

10.º Festival da Escola Superior de

Música de Lisboa Hoje às 16h00. M/3.

Cascais

Centro Cultural de Cascais

Avenida Rei Humberto II de Itália.

T. 214848900

Moscow Piano Quartet Com Alexei

Eremine (piano), Alexei Tolpygo (violino),

Alexandre Delgado (violeta), Guenrik

Elessine (violoncelo). Hoje às 17h00 (Ciclo

Embaixadas Musicais: Alemanha).

Setúbal

Club Setubalense

Av. Luísa Todi 99, 1º. T. 265522329

Cecília Pereira e Coral Infantil de

Setúbal Com Cecília Pereira (piano). Hoje

às 17h00 (angariação de fundos para o

Fórum Municipal Luísa Todi).

Dança

Lisboa

Casino Lisboa

Parque das Nações. T. 218929070

Celtic Legends Coreog. Ger Hayes. Hoje às

17h30 e 21h30. M/12.

Almada

Teatro Municipal de Almada

Av. Professor Egas Moniz. T. 212739360

Por um Rio Com Alban Hall, Marina

Nabais, Tonan Quito. Coreog. Marina

Nabais. Hoje às 16h00. M/12.

Bica/Odivelas) Oeiras - Branco, Lealdade, Maria,

Véritas, Oeiras, Sacoor, Até às 22h - Nova Oleiros

- Martins Gonçalves (Estreito - Oleiros) Olhão

- Progresso Ourém - Iriense, Leitão Ourique -

Ouriquense Palmela - Galeano Pedrógão Grande -

Baeta Rebelo Penamacor - Melo Peniche - Proença

Pombal - Santa Maria (Albergaria dos Doze), Barros

Ponte de Sor - Varela Dias Portalegre - Esteves

Abreu Portel - Misericordia Portimão - Pedra

Mourinha Porto de Mós - Central (MIRA DE AIRE),

Lopes Unipessoal Proença-a-Nova - Daniel de

Matos (Sobreira Formosa) Redondo - Xavier de

Cunha Reguengos de Monsaraz - Paulitos Rio

Maior - Almeida Salvaterra de Magos - Carvalho

Santarém - Almeida, Flama Vitae Santiago

do Cacém - Corte Real, Fontes (Santo André)

Sardoal - Passarinho Seixal - Sousa Marques,

Fonseca (Amora), Vale Bidarra (Fernão Ferro)

Serpa - Central Sertã - Lima da Silva Sesimbra

- Bio-Latina, Santana, Leão Setúbal - Fuzeta,

Sália Silves - Algarve, Cruz de Portugal, Dias

Neves, Sousa Coelho Sines - Atlântico, Monteiro

Telhada (Porto Covo) Sintra - Pinto Leal, Tapada

das Mercês, Rodrigues Garcia (Agualva), Simões

Lopes (Queluz), Rio Mouro (Rio de Mouro),

Crespo (Varzea de Sintra), Até às 22h - Ferreira

(Belas) Sobral Monte Agraço - Costa Sousel

- Mendes Dorbio (Cano) Tavira - Maria Aboim

Tomar - Dias Costa Torres Novas - Nicolau Torres

Vedras - Quintela Vendas Novas - Ribeiro Viana

do Alentejo - Nova Vidigueira - Pulido Suc. V.

de Rei - Silva Domingos Vila do Bispo - Sagres

(Sagres), V. do Bispo V. Franca de Xira - Botto e

Sousa, Raposo, Higiénica (Póvoa de Santa Iria),

Moderna, Até às 21h - Sequeira (Sobralinho) Vila

Nova da Barquinha - Tente (Atalaia) V. Real de

Sto António - Carmo V. Velha de Rodão - Pinto V.

Viçosa - Torrinha


Ficar

Cinema

Splice – Mutante

Título original: Splice

De: Vincenzo Natali

Com: Adrien Brody, Sarah Polley,

Delphine Chanéac

CAN/EUA/FRA, 2009, 104 min.

TVC1HD, 21h00

Estreia televisiva. Clive Nicoli

(Adrien Brody) e Elsa Kast

(Sarah Polley) são dois cientistas

experientes a trabalhar numa

importante investigação que

envolve a mistura dos códigos

genéticos de diferentes espécies.

Mas quando insistem em usar

ADN humano para aprofundarem

o seu estudo, o laboratório onde

trabalham afasta-os da investigação

alegando razões éticas e legais…

Um thriller de ficção científica

realizado por Vincenzo Natali.

Contraluz [Backlight]

MOV, 20h50

Esta é a história de algumas pessoas

que, apesar da extrema descrença

em que se encontram, que as leva a

ponderar até o suicídio, vão acabar

por compreender que o mundo

não pára e que, por vezes, algo

totalmente imprevisto pode mudar,

para melhor, o curso das suas

vidas. Agora, caberá a cada um usar

isso a seu favor. Com argumento

e realização de Fernando Fragata

(Sorte Nula), o primeiro filme

português realizado em Hollywood.

No elenco, Joaquim de Almeida,

Scott Bailey e Evelina Pereira.

Em Carne Viva [Carne Trémula]

RTP1, 01h38

Quando Victor aparece em

casa de Elena, ela está

à espera de um dealer

que nunca mais chega.

Nervos, uma arma e

dois polícias que tiveram

também um mau dia,

complicam ainda mais

a situação. David, um dos

polícias, é atingido por uma bala

que o deixa paraplégico. Victor é

considerado culpado e condenado

a seis anos de prisão. É aí que

o jovem assiste ao sucesso que

David, entretanto transformado

numa estrela de basquetebol nos

jogos Paraolímpicos de Barcelona,

partilha com a sua nova mulher,

Elena. Os seus pensamentos

de vingança tornam-se uma

obsessão... Uma obra de Pedro

Almodóvar com Javier Bardem,

Francesca Neri e Liberto Rabal.

Desporto

Futebol: Sporting – Beira-Mar

SportTV1, 17h00

A crise sportinguista já não deixa

dúvidas: está instalada, a equipa já

não pode lutar pelo primeiro lugar

e tudo parece correr mal. Hoje, o

Sporting recebe um Beira-Mar que,

apesar da classificação (apenas

mais 2 pontos do que o penúltimo),

tem mostrado bons argumentos em

campo e já conquistou três vitórias

fora de casa.

Futebol: Gil Vicente – FC Porto

SportTV1, 19h00

A luta com o Benfica pelo título

está renhida e qualquer deslize

pode ser fatal para as ambições do

campeão nacional. O Porto vai a

Barcelos defrontar a equipa que,

na passada jornada, foi ao Estádio

da Luz mostrar bom futebol e

muita vontade de contrariar as

probabilidades.

Séries

Inadaptados

AXN Black, 20h30

Estreia a série inglesa vencedora de

um prémio BAFTA em 2010 para

Melhor Drama. Inadaptados segue

um grupo de pessoas com algo em

comum: todos praticaram alguma

acção ilegal e têm uma pena a

cumprir nos serviços comunitários.

E quando uma tempestade atinge

a cidade, todos vão ficar com

poderes extraordinários…

Tim em Nova Iorque

FX, 22h00

Estreia da terceira temporada da

série de animação criada por Steve

Dildarian. Tim em Nova Iorque é

a história de Tim (voz de Steve

Dildarian), um rapaz bondoso e

inseguro que faz coisas insólitas

para subir na carreira.

Magazine

Câmara Clara – Mário Soares

RTP2, 22h30

Paula Moura Pinheiro

convida Mário

Soares – que lançou

recentemente o

livro Um Político

Assume-se – para

uma conversa

sobre literatura,

maçonaria, José

Sócrates, Pedro Passos

Coelho ou Barack Obama.

Actualidade

Terreiro do Paço

TVI24, 23h00

Henrique Garcia recebe no Terreiro

do Paço o presidente da Região

Autónoma dos Açores, Carlos César,

que se encontra em fase final de

mandato, e o economista e professor

João Ferreira do Amaral, uma das

vozes mais críticas à manutenção de

Portugal na zona euro.

Reportagem

Grande Reportagem – Política

do Filho Único

SIC, no Jornal da Noite

Em duas décadas, Portugal

transformou-se num dos países

mais envelhecidos da União

Europeia, com o segundo índice

mais baixo de natalidade. E o

interior contribuiu decisivamente

para “afundar” as médias. Uma

reportagem de Pedro Coelho, com

imagem de Luís Pinto.

Diário de Sofia & C.ª

Romance juvenil de Luísa Ducla Soares – autora

com mais de 100 livros editados e vários prémios

no currículo –, recomendado pelo Plano Nacional de

Leitura para os 7.º, 8.º e 9.º anos. Diário de Sofia & C.ª

é a história de Sofia (nome de código), uma rapariga

de 15 anos que recebe um diário como prenda de

RTP1 RTP2 SIC TVI

06.30 Espaço Infantil 07.01

Brinca Comigo 08.00 Bom

Dia Portugal Fim-de-Semana

10.15 Eucaristia Dominical

11.23 Os Compadres 12.08

BBC Terra: Madagáscar, a

Ilha dos Assombros (Último)

13.00 Jornal da Tarde 14.18

Cinco Sentidos 15.25 Nikita

16.06 Filme: U.S. Marshals - A

Perseguição 18.27 Pai à Força

(2 episódios)

20.00 Telejornal

21.00 Grandes

Histórias -

Toda a Gente

Conta (inclui

o telefilme A

Princesa)

23.38 Get Smart - Olho Vivo

22.33 Hora da Sorte:

Sorteio do Joker

22.36 Estado de Graça

23.38 Filme: Get Smart -

Olho Vivo

01.38 Filme: Em Carne Viva

03.20 Cinco Sentidos 04.20

Televendas

Público Domingo 29 Janeiro 2012 49

Disney TV Cine 1 História Odisseia

15.00 Boa Sorte, Charlie!

15.25 Videoclip 15.30 Phineas

e Ferb 18.00 Patoaventuras

18.25 25 Os

Feiticeiros de Waver- Waverly

Place 18.50 Par

de Reis 19.15 Zack ack

e Cody: Todos a

Bordo 19.40 Shake ake

It Up 21.45 So

Random

19.40 Shake It t Up

07.00 Mar de Letras 07.36

África@Global 08.01

Músicas de África 09.00

Caminhos 09.25 70X7

09.52 Nós 10.33 Zig Zag

13.11 Janela Indiscreta com

Mário Augusto 13.43 Voz do

Cidadão 14.00 Desporto 2

19.00 A Conversa dos Outros

19.33 Um Dia no Museu

20.04 Low Cost

20.33 Os Simpsons

20.58 Jacques

Leonard, El Payo

Chac

22.00 Hoje

22.30 Câmara Clara

23.50 Britcom

00.54 Onda-Curta 02.15

Desporto 2

9.15 Os Mal Amados 11.00

A Colega de Quarto 12.35

A Queda 14.40 Linha Mor-

tal 16.30 Simon Simo Werner

Desapareceu 18.00

Resident Evil Ev 3 - Extin-

ção 19.35 [Rec] [R 2 21.00

Splice Spl S ice - Mutante Mu 22.45

Deixa-me Entrar 0.40

Klute 2.30 2 O Apelo

da Natureza N

4.00 4.0 Deixa-me

Entrar E 5.55

Spooky

Buddies

- Amigos

Fantasminhas

Fan

aniversário. Ideia que acha “uma seca”, até ao dia em

que decide estreá-lo. Quem sabe se no futuro não será

uma pessoa famosa e o seu diário um tesouro valioso?

Autor Luísa Ducla Soares

Editor Civilização

7,70 euros

06.35 LOL@SIC 08.30

Disney Kids 10.05 Rebelde

Way 11.20 Lua Vermelha

12.15 BBC Vida Selvagem:

Ocean´s Supermum 13.00

Primeiro Jornal 14.10 Fama

Show 14.40 Pan Am 16.00

Filme: O Guarda Fraldas

18.15 Filme: A História da

Cinderela

17.35 A Soma de Todos os Medos

20.00 Jornal da Noite 20.00 Jornal das 8

22.00 Ganha

Num Minuto

23.45 Cenas do

Casamento

00.30 Resident Evil 3 - Extinção

00.30 Filme: Resident Evil 3 -

Extinção 02.00 Investigação

Criminal 03.00 Televendas

14.30 Caça Tesouros: Ep.5

15.25 Isto É Impossível!:

Terminators 16.20 O Universo:

O Futuro Escuro

do Sol 17.15 O Universo:

Eclipse Total 18.10 Coreia

do Sul 19.10 Aeroportos no

Limite: Ep.1 20.10 Aeroportos

no Limite: Ep.2 21.00

Desafi o Abaixo de Zero:

Degelo Mortal 21.50 Desafi

o Abaixo de Zero: O Novo

Rei 22.45 Isto É Impossível!:

Terminators 23.40 O

Universo: O Futuro Escuro

do Sol 0.35 O Universo:

Eclipse Total 1.35 Coreia

do Sul

06.30 Animações 08.22

Campeões e Detectives

09.03 Inspector Max 11.10

Missa (inclui Oitavo Dia)

13.00 Jornal da Uma 13.55

Havai: Força Especial 14.53

Terra Nova 15.49 Filme:

Orange County 17.35

Filme: A Soma de

Todos os Medos

21.45 A Tua Cara Não Me

É Estranha

01.00 Mais Futebol - Jornada

01.40 Mais Futebol - Casos

02.00 Mais Futebol - Fórum

02.21 O Génio de Ted 02.41

Jardins Proibidos 04.30 Tv

Shop

14.00 Códigos Secretos:

Previsão 15.00 Islândia,

A Próxima Erupção 16.00

Prozac para Animais de

Estimação 17.00 Seitas: A

Fuga 18.00 Arte Urbana

19.00 Chips: Implantes

de Futuro 19.30 Desafi o

Vertical: A Torre Agbar

de Barcelona 20.00 Diário

de Orangotangos 21.00

Alienígenas dos Fundos

Marinhos 22.02 Salvos

Pela Música 23.00 Gémeos

0.00 Hora Zero II: O Rei da

Cocaína 1.00 Sex Mundi, A

Aventura do Sexo: O Momento

Mais Desejado


50 Público Domingo 29 Janeiro 2012

Jogos

Xadrez

Problema 7965

8

7

6

5

4

3

2

1

a b c d e f g h

V. Artsakov; M. Zinar

1986

(As brancas ganham)

Soluções

Cruzadas (9764)

HORIZONTAIS: 1. Aval. Luanda. 2. Nem.

Farrear. 3. Dragar. Mu. 4. LUZ. Garfo. 5.

SA. Reparar. 6. Flanar. Lat. 7. Fia. Dura. De.

8. ÍNDIA. Arder. 9. Faia. Nitrir. 10. Pão.

Aro. 11. Aforro. Amor.

VERTICAIS: 1. Andas. Fífia. 2. Ver. Afina.

3. Amal. Ladino. 4. Gura. Ia. 5. FAZENDA.

PR. 6. Lar. Pau. NÃO. 7. Ur. Garraio. 8.

Armar. Art. 9. Neural. Dram. 10. DA.

Fradeiro. 11. Arco. Terror.

Provérbio:

Fazenda da Índia não luz.

Cruzadas brancas

HORIZONTAIS: 1. Trono, Gabar. 2. Sova,

Mate. 3. Na, Salvaram. 4. Usa, Ver, Ri. 5.

Estacaria. 6. Auge, Mana. 7. Montesino.

8. Ir, Iso, Sob. 9. Derrocar, Se. 10. Adua,

Obus. 11. Seara, Amido.

VERTICAIS: 1. Ténue, Vidas. 2. Assa,

Rede. 3. Os, Atum, Rua. 4. Nos, Agoirar,

5. Ova, Censo. 6. Alva, Toco. 7. Verme,

Aba. 8. Amarias, Rum. 9. Bar, Anis, Si.

10. Atar, Anos. 11. Remir, Obeso.

Xadrez:

1.a5 b3!

[1...Rd6 2.Rd3 Rc7 3.Rc2 Rb7 4.Rb3 Ra6

5.Rxb4 g5 6.Rc5 Rxa5 7.Rxc6 +-]

2.Rd3 Rd6! 3.Rd2!

[3.Rc3? c5! 4.a6 cxd4+]

[3.h4? b4! 4.Rd2 Rc7 -+]

3...g5!

[3...Rc7 4.Rc3! c5 5.dxc5 Rc6 6.a6]

4.Rc1!! Rc7 5.Rb2 Rb7 6.Rxb3

[6...Ra7 7.Rb4 Ra6 8.Rc5! Rxa5 9.Rxc6

b4 10.d5 b3 11.d6 b2 12.d7 b1=D 13.d8=D+

Ra4 14.Da8+ Rb3 15.Db7+ Rc2 16.Dxb1+

Rxb1 17.Rd5 +-]

1 – 0

Diferenças

Puxador da porta; Rótulo da caixa; Caixa

redonda; Pé do roupeiro; Mais uma

gravata; Espelho; Mais gotas de suor;

Boca.

Cruzadas 7965

HORIZONTAIS: 1.

Que pertence a vós.

Título do soberano

russo no tempo do

Império. 2. Fábrica de

óleos. Preposição que

indica companhia.

3. Recitar. Semente de

uma planta da família

das Malváceas, que

cheira a âmbar e tem

aplicação em

perfumaria. 4. Possuí.

Escrever em prosa.

5. Refeição que tem

por única ou principal

iguaria leitões

assados. 6. Espectro. A

mim. 7. Tronco (parte

do corpo de pessoa ou

obra de arte que o

representa).

Textualmente (adv.).

8. Soberano. Nesse

lugar. Gravidade

inerente aos corpos. 9. Irritar. Observei. Vogal (pl.). 10. Atmosfera. Cálculo matemático.

11. Serrano. Grande desordem.

VERTICAIS: 1. Forma internacional de vóltio. Período de repouso concedido pelas

entidades patronais aos seus empregados, todos os anos. 2. Nome químico do azeite.

Nome da letra R. 3. Préstimo. 4. Sociedade Anónima (abrev.). Seguimento ou série de

coisas que estão na mesma linha ou direcção. Grande porção (pop.). 5. Interjeição que

designa dúvida ou menosprezo. Invólucro de um produto. Décima sexta letra do

alfabeto grego. 6. Que não é possível ou que é muito difícil de fazer ou de conseguir. 7.

Corda para prender uma das pontas à mão ou ao pé do boi, para evitar que fuja. Seguir

até. 8. Grupo de pessoas em círculo. Antes de Cristo (abrev.). 9. Ligada (luz). Salgueiro.

10. Caminho por mar. Incumbência. 11. Ave palmípede, menor que o pato. Eles.

Depois do problema resolvido encontre o nome de um filme com Tom Cruise (4

palavras).

Descubra as oito diferenças

Cruzadas 7965

HORIZONTAIS 1. A

soberania. Lisonjear.

2. Tareia. Lance no

jogo do xadrez. 3.

Contr. da prep. em com

o art. def. a.

Defenderam de perigo.

4. Serve-se de.

Observar. Graceja. 5.

Grande número de

estacas. 6. Apogeu.

Irmã (fam.). 7. Bravio.

8. Caminhar. Elemento

de formação de

palavras que exprime

a ideia de igual.

Debaixo de. 9.

Desmoronar. A si

mesmo. 10. Matilha de

cães a correr. Pequena

peça de artilharia

semelhante a um

morteiro comprido. 11.

Campo de cereais.

Composto

hidrocarbonato muito abundante nos vegetais, principalmente nos tubérculos, rizomas

e sementes.

VERTICAIS 1. Frágil. Modo de viver (pl.). 2. Dizia-se dos filhos de negros que eram

alvos e de cabelos louros. Tecido de arame. 3. Aqueles. Peixe da família dos

escômbridas da ordem dos acantopterígios. Caminho orlado de casas dentro de uma

povoação. 4. Contr. da prep. em com o art. def. os. Enguiçar. 5. Ovário dos peixes.

Recenseamento geral da população. 6. Alvorada. Coto. 7. Lombriga terrestre. Rebordo

do chapéu. 8. Desejarias. Aguardente de melaço. 9. Botequim. Planta apiácea

conhecida por erva-doce. Sétima nota da escala musical. 10. Amarrar. Aniversário

natalício. 11. Indemnizar. Muito gordo.

Su Doku

Problema

3970

Dificuldade:

Fácil

Solução do

problema 3968

Problema

3971

Dificuldade:

Muito difícil

Solução do

problema 3969

© Alastair Chisholm 2008 and www.indigopuzzles.com


Policiário 1069

As melhores produções e autores de 2011

Luís Pessoa

a Sabemos que ainda há muitas

questões por resolver, relativas à

época anterior, para conseguirmos

encontrar os grandes triunfadores

de 2011:

Quem são os campeões nacionais

em decifração e produção? Quem

vai erguer a Taça de Portugal?

Quem vai ser o Policiarista do Ano?

Quem será o n.º 1 do Ranking?

Todas estas questões terão resposta

muito em breve, com divulgação

em primeira mão, como é habitual,

no Crime Público, que pode ser

acedido em http://blogs.publico.pt/

policiario, onde esperamos poder

publicar, já nos próximos dias, a

tabela das pontuações.

Dentro de breve, assistiremos

a uma corrida ao blogue Crime

Público, com os corações a baterem

a um ritmo acelerado, em busca da

esperada notícia...

Assim é o nosso policiário,

um espaço de amizade, de

camaradagem e de boa disposição,

mas também de emoções fortes,

de competição cerrada, de

procura da perfeição no estudo, na

interpretação, no encadeamento

dos raciocínios, nas análises

adequadas dos factos e dos

acontecimentos. Enfi m, na correcta

avaliação de todas as parcelas que

compõem um problema policiário

e uma investigação criminal.

Campeonato Nacional de

Produção 2011

Como é do conhecimento dos

nossos confrades, o título de

campeão nacional de produção

é conquistado pelo produtor que

reunir maior número de votos

atribuídos pelos respondentes a

todos os desafi os de características

tradicionais. Nestes termos,

Desafios

solicitamos aos confrades que

tenham apresentado propostas

de solução aos 10 desafi os

tradicionais, independentemente

das pontuações obtidas, que agora

exerçam o seu direito de voto,

para que possamos consagrar o

campeão de 2011.

Para esse efeito, apenas terão que

enviar, impreterivelmente até

ao próximo dia 10 de Fevereiro,

para o endereço de e-mail

pessoa_luis@hotmail.com, a

pontuação que atribuem a cada

uma das produções. Ao desafi o

que considerem melhor deverão

atribuir 10 pontos, ao segundo

melhor, 9 pontos e assim por diante

até ao que considerarem menos

conseguido, a que atribuirão

apenas 1 ponto.

Para que os confrades possam

recordar os problemas que agora

vão votar, vamos indicá-los, por

ordem de publicação, relembrando

que os mesmos, com as respectivas

soluções, estão disponíveis na

página Clube de Detectives, do

confrade Daniel Falcão, que

pode ser acedida em http://

clubededetectives.net.

Eis a listagem dos problemas a

concurso, com a indicação dos

seus autores, um dos quais irá ser

o próximo campeão nacional de

produção:

Mistério no Paraíso, de Al-Hain;

Tempicos e a Viúva Alegre, de A.

Raposo & Lena;

Aprendiz de Criminoso, de Felizardo

Lopes;

Smaluco e o Perigoso Bombista, de

Inspector Boavida;

Gato Farrusco Morre ao Lusco-fusco,

de Onaírda;

O Massacre na Quinta da Alegria, de

Rip Kirby;

Crónica do Meu Suicídio, de Paulo;

Azul Celestial, de Daniel Falcão;

Para chegar a 2013

a Estamos todos com vontade de

chegar depressa a 2013. Então:

- Escolher uma das quatro

operações elementares.

- Usar todos os

algarismos de 0

a 9, uma e uma só

vez, para construir

dois ou mais

números.

- Com estes

números

e aquela

operação,

repetida se

necessário,

obter o resultado

pretendido: 2013.

Décadas de ouro

Estamos à porta de mais uma

época competitiva, que se

inicia precisamente no ano

em que vamos celebrar 20

anos ininterruptos da secção

Policiário no PÚBLICO. Tudo

começou no dia 1 de Julho. Por

coincidência, neste ano de 2012,

esse dia ocorre a um domingo,

o que signifi ca que vamos ter

um 20.º aniversário festejado no

dia exacto! Isso “impõe-nos” o

dever de organizar uma secção

especial, para a qual desde já

solicitamos a colaboração dos

nossos confrades e “detectives”,

para que possamos fazer algo de

diferente. Venham daí as vossas

sugestões, ideias e propostas,

que não serão demais…

Crime em Tempo de Guerra, de

Búfalos Associados;

Os Enigmas da Tribo Desaparecida,

de M. Constantino.

Problemas de Rápidas Policiárias

A época passada também foi feita

de problemas das chamadas rápidas

policiarias, ou seja de escolha

múltipla.

Estes problemas, que algumas

pessoas já apelidaram,

indevidamente, de “parentes

pobres”, não podem ser ignorados,

apesar de não serem elegíveis para

a atribuição do título de produção.

Assim, resolvemos colocá-los,

também, à votação dos nossos

confrades, para podermos encontrar

o melhor problema rápido e o

melhor autor.

A Hora dos Biscoitos

O Desafio proposto na semana

passada foi o seguinte:

“Fomos fazer uma caminhada pela

serra do Gerês.

Depois de atravessarmos a sempre

emocionante Fenda da Calcedónia,

sentámo-nos a recuperar forças e

abrimos o pacote de biscoitos que

tínhamos levado. O António tirou um

biscoito e a décima parte dos que

sobravam. A Beatriz tirou dois biscoitos

e a décima parte dos restantes. A

Catarina tirou três e a décima parte dos

que sobejavam. E assim sucessivamente

até chegar a minha vez, ficando eu

com os que ainda estavam no saco.

Curiosamente, acabámos por comer

todos a mesma quantidade de biscoitos.

Quantas pessoas tinha o grupo e

quantos biscoitos comeu cada um?”

Vejamos dois processos diferentes de

resolver o problema.

Queremos aqui deixar o testemunho

do imenso carinho e respeito que

a maioria dos confrades tem pelos

autores e pelos problemas com

estas características. Não apenas

por lhes reconhecerem a mesma

difi culdade na execução, mas

também por sentirem na própria

pele a difi culdade na sua decifração.

No fi m, acabam por verifi car que o

processo de abordagem tem de ser

o mesmo dos outros problemas: o

estudo, o trabalho de decifração,

etc., fi cando apenas mais simples

a resposta, que é com a indicação

de uma mera alínea. Mas todo o

trabalho até ali chegar, é idêntico.

Desta forma, solicitamos aos

nossos confrades que, aquando da

elaboração das pontuações para

o título de campeão nacional de

produção, dediquem alguns minutos

a classifi car as produções de

rápidas, atribuindo 10 pontos à mais

conseguida, 9 à seguinte e assim por

diante até à menos conseguida a que

atribuirão 1 ponto.

Eis a lista das produções rápidas,

também disponíveis no Clube de

Detectives:

São Pedro Resolve, de Al-Hain;

Que Estranha Pescaria, de Inspector

Boavida;

Desviaram um Auto-tanque, de Rip

Kirby;

O Mistério da Bala Transviada, de

Penedo Rachado;

Quem Tirou o Dinheiro, de Zé;

O Douro Tem Muitas Pontes, de

Paulo;

Manual der Interpretação de Sonhos,

de Búfalos Associados;

Quem Matou a Rafa(ela)?, de Daniel

Falcão;

Branca de Neve, de Branca de Neve;

O Iate Misterioso, de Malempregado.

Policiário de Bolso, um novo

blogue

1º Método

Seja B = número total de biscoitos.

O António tirou 1+(B-1)/10 ou (9+B)/10,

deixando lá B-(9+B)/10 = (9B-9)/10

biscoitos.

A Beatriz tirou 2+((9B-9)/10-2)/10 =

(9B+171)/100 biscoitos.

Como o António e a Beatriz comeram a

mesma quantidade, vem:

(9B-9)/10 = (9B+171)/100 ou

10B – 90 = 9B + 171 ou B = 81

Havia então 81 biscoitos.

Podemos agora descobrir quantos

comeu cada um e quantos eram os

amigos.

O António tirou 1 + (81-1)/10 = 1 + 8 = 9

biscoitos. Ficaram 72 no saco.

A Beatriz tirou 2 + 70/10 = 2 + 7 = 9

biscoitos. Ficaram 63 no saco.

E assim sucessivamente até ao nono

amigo, que encontra o saco com 9

biscoitos e os tira todos.

2º Método

Público Domingo 29 Janeiro 2012 51

A correspondência para esta secção deve ser enviada para

Rua Viriato, 13, 1069-315 Lisboa ou para policiário@publico.pt

Há no ciberespaço mais um motivo

para os policiaristas viajarem e,

neste caso particular, se deleitarem

com os muitos escritos de inegável

valor e interesse do mestre M.

Constantino. Pela mão da Detective

Jeremias, que nos traz mais uma

iniciativa made in Santarém, o

blogue Policiário de Bolso está a

divulgar a obra e o pensamento

do vizinho de Almeirim, M.

Constantino, e também uma espécie

de almanaque diário, em que se

fala de policial nas suas diversas

vertentes.

Não é excessivo dizermos que o

blogue é de visita obrigatória, todos

os dias e durante muito e muito

tempo, tão vasta é a obra do mestre

e pode ser encontrado em http://

policiariodebolso.blogspot.com.

Para a Detective Jeremias e para o

M. Constantino vai a nossa saudação

especial, com votos de longa vida

para o blogue, com muito e bom

policiário.

Secção Correio Policial

Também com origem em Santarém,

a nova secção policiária orientada

por Domingos Cabral, o Inspector

Aranha, prossegue a sua marcha no

Correio do Ribatejo, um jornal que se

publica desde 1891.

A publicação de problemas e contos

policiários, da autoria de grandes

mestres da arte de bem produzir e

de bem contar histórias, é uma das

suas vertentes mais interessantes,

mas há muitas ideias e projectos em

andamento.

Para que os nossos “detectives”

possam tomar contacto com

a secção, podem enviar um

e-mail para d.cabral@sapo.pt ou

escreverem para Correio do Ribatejo,

a/c Domingos Cabral, Rua Serpa

Pinto, 94, 2000-214 Santarém.

Acreditem que vale mesmo a pena!

José Paulo Viana (texto)

Cristina Sampaio (ilustração)

Eis como João Sá, resolveu o problema

sem usar equações.

Se o António tirou um biscoito e um

décimo dos restantes, então o número

inicial de biscoitos era 1 + múltiplo de

dez, ou seja, um número terminado em 1.

Como a Beatriz tirou 2 + a décima parte

dos restantes, o número de biscoitos

que tinha à sua disposição terminava

em 2.

Do mesmo modo, a Catarina tinha

diante de si um número de biscoitos

que terminava em 3. E assim

sucessivamente.

Isto quer dizer que cada um ou comeu 9

biscoitos ou um número que acaba em