BRASIL - Swisscam

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BRASIL - Swisscam

O Magazine da Câmara

de Comércio Suíço-Brasileira

The Magazine of the

Swiss-Brazilian Chamber

of Commerce

66

2011

R$ 10,00

swisscam

B R A S I L

f o c o

energia

f o c u s

energy

e s p e c i a l

SWISSCAM

completa 66 anos

s p e c i a l

SWISSCAM´s

66th anniversary

n o t í c i a s d a S W I S S C A M

Dia Nacional da Suíça

Hospitalar

FEIMAFE

c h a m b e r n e w s

Switzerland’s National Day

Hospitalar

FEIMAFE

Foto: ABB


setembro/2011

2 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


e d i t o r i a l

A experiência brasileira

com biocombustíveis

Foto: Fotolia

O transporte é um elemento integrado e essencial do estilo de vida

moderno, sendo em grande parte dependente de combustíveis à

base de petróleo, resultando em diversos impactos ambientais,

especialmente com relação às emissões de GEE.

por Suani T. Coelho, Patricia Guardabassi e Renata Grisoli

Atualmente, 13% de todas as emissões de GEE

vêm do setor de transporte 1 , que representou

29% do consumo total de energia em 2007.

Os biocombustíveis são uma das poucas alternativas

viáveis disponíveis no curto prazo aos derivados do

petróleo. Outras tecnologias, como veículos elétricos

ou híbridos, ainda estão em desenvolvimento e estarão

comercialmente disponíveis apenas em 10 a 20 anos.

Os biocombustíveis líquidos existentes comercializados

incluem o bioetanol (para substituir a gasolina) e

o biodiesel (para substituir o óleo diesel).

Até recentemente, o uso de biocombustíveis era

limitado a mercados locais e desempenhava um

papel marginal na matriz energética global. Porém,

atualmente estes adquiriram uma dimensão global,

com o potencial para ampliação e reduzidos impactos

ambientais ou sociais.

O etanol é um biocombustível que substitui aproximadamente

3% da gasolina de origem fóssil consumida

no mundo hoje. É produzido pela fermentação

de produtos agrícolas, como a cana-de-açúcar, o

milho e o trigo. A principal vantagem do etanol de

cana-de-açúcar é seu balanço energético positivo

em comparação ao etanol de milho ou com o etanol

de outros cultivos.

O etanol de cana-de-açúcar é uma alternativa atrativa

frente a gasolina 1 . É produzido a partir de produtos

agrícolas e não tem as impurezas encontradas nos

produtos derivados do petróleo, como óxidos sulfúricos,

compostos de chumbo e materiais particulados

que são as principais fontes de poluição nas áreas

metropolitanas.

Espera-se um crescimento

do comércio internacional

de biocombustíveis e/ou

matérias-primas de países em

desenvolvimento para países

desenvolvidos, com implicações

positivas significativas para o

desenvolvimento.

Cerca de 110 países cultivam cana-de-açúcar para

produção de açúcar em todo o mundo. Uma opção

interessante para esses produtores, principalmente

para países em desenvolvimento, seria a transferência

da experiência brasileira, beneficiando-se

das lições aprendidas durante mais de 30 anos 2 .

A produção de etanol de cana-de-açúcar seria não

apenas para consumo interno, mas também para

exportação. Em geral, os países em desenvolvimento

têm um potencial maior para produção de

biomassa do que os países industrializados, devido

às melhores condições climáticas e menores custos

de mão-de-obra. Assim, diante da possibilidade de

um mercado interno reduzido para biocombustíveis,

esta produção poderia representar uma oportunidade

de exportação para outros países.

Partindo deste pressuposto, espera-se um crescimento

do comércio internacional de biocombustíveis e/

ou matérias-primas de países em desenvolvimento

para países desenvolvidos, com implicações positivas

significativas para o desenvolvimento 3 .

O crescimento da produção de etanol e a adoção de

misturas obrigatórias, especialmente nos Estados

Unidos e na União Europeia, têm levantado preocupações

sobre sua sustentabilidade em relação aos

impactos ambientais e sociais, o que resultou no

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

3


desenvolvimento de critérios de sustentabilidade

visando à certificação de biocombustíveis.

Tais questões têm sido exaustivamente estudadas e

os resultados indicam que, quando utilizados procedimentos

apropriados, os biocombustíveis podem ser

produzidos de maneira sustentável, não apenas no

Brasil, mas também em outros países em desenvolvimento,

com impactos ambientais reduzidos e sem

afetar a segurança alimentar 4 .

Considerando a falta de capacitação técnica em

muitos países e a necessidade de financiamento,

seria necessário discutir uma flexibilização para a

implementação da certificação, com prazos e metas

adequados, que permitiriam que os países mais

pobres tenham tempo suficiente para cumprir tais

critérios de certificação. Esses aspectos são discutidos

em uma perspectiva detalhada em UNCTAD 5 , que

destaca o fato de que os critérios de certificação não

deveriam ser usados como uma forma de proteger os

agricultores europeus.

Considerando todas estas preocupações, há três précondições

para o desenvolvimento sustentável de um

mercado de biocombustíveis:

a) Conduzir um zoneamento agroecológico da canade-açúcar

para identificar as áreas de produção;

b) Estimular o desenvolvimento econômico e a criação

de mercados por meio de mistura obrigatória de

etanol em toda a gasolina vendida; e

c) Estimular o desenvolvimento rural, construindo

indústrias, gerando emprego e renda, para redução

da pobreza.

Referências | References

1 - Goldemberg, J., Coelho, S. T., & Guardabassi,

P. (2008). The sustainability of ethanol production

from sugarcane. Energy Policy, 36, pp.

2086-2097.

2 - Goldemberg, J., & Moreira, J. R. (1999). The alcohol

program. Energy Policy, 27, pp. 229-245.

3 - UNCTAD. (2009). The Biofuels Market: Current

Situation and Alternative Scenarios.

4 - EGESKOG, A. et al. Integrating bioenergy and

food production – A case study of combined

ethanol and dairy production in Pontal, Brazil.

Energy for Sustainable Development v. 15, p.

8-16, 2011.

5 - UNCTAD. (2008). Making Certification Work for

Sustainable Development: the Case of Biofuels.

e d i t o r i a l

Brazil’s biofuel experience

Transportation is an essential part of modern lifestyles, but is almost exclusively

dependent on petroleum-based fuels that impact the environment in many

ways, particularly GHG emissions.

b y Suani T. Coelho, Patricia Guardabassi e Renata Grisoli

Currently, 13% of all GHGs are emitted by this

sector 1 , which accounted for 29% of total energy

consumed in 2007.

Using biofuels is one of the few practical alternatives

to oil derivatives available short term. Others, such as

electric or hybrid vehicles, are still being developed

and will not be commercially available for 10-20 years.

Liquid biofuels now on the market include ethanol (replacing

gasoline) and biodiesel (replacing diesel oil).

Although biofuel has until recently been limited to

local markets, with marginal weight in the global

energy matrix, there is now potential for it to be used

on a global scale to reduce negative environmental

or social impacts.

Ethanol has now replaced approximately 3% of fossilbased

gasoline that would otherwise be consumed

worldwide. It is made by fermenting agricultural

products such as sugarcane, corn or wheat. Making

ethanol from sugarcane has a major advantage over

corn or other crops because its net energy balance is

positive, so it is an attractive alternative to gasoline 1 .

Being made from agricultural products it does not

contain impurities found in oil-based products, such

as sulphur oxides, or lead compounds and particulates

that cause most urban pollution.

Developed countries could import

more biofuels and/or feedstocks,

which would have significant positive

implications for the developing ones.

Sugarcane growers in developing countries could

benefit by transferring Brazil’s experience and the

lessons from its experience of over 30 years 2 . The 110

countries growing cane to make sugar could produce

ethanol for their own use and for export too. In general,

they have more biomass potential than industrialized

countries due to their climate and low labour costs.

Domestic demand for biofuels is low, so they could

export to industrialized countries.

Biofuels can be produced on a

sustainable basis in Brazil and

other developing countries without

seriously impacting the environment

or affecting food security as long as

proper procedures are in place.

On this basis, developed countries could import more

biofuels and/or feedstocks, which would have significant

positive implications for the developing ones 3 .

Ethanol output has risen and blending with gasoline

is being required by governments, especially in the

US and the European Union. This has raised concerns

for sustainability in relation to environmental and

social impacts, and criteria for biofuel certification

are being devised.

Exhaustive research has shown that biofuels can be

produced on a sustainable basis in Brazil and other

developing countries without seriously impacting the

environment or affecting food security 4 as long as

proper procedures are in place.

Since many countries lack technical training and funding,

a flexible approach to certification would have to

be discussed, setting targets and schedules that give

them time to meet criteria. An UNCTAD publication 5

provides a detailed discussion of this perspective and

emphasizes that criteria must not be used as a means

of protecting European farmers.

In light of all these concerns, there are three preconditions

for the sustainable development of a biofuel market:

a) Conducting agro-ecological zoning research to

identify sugarcane growing areas;

b) Stimulating economic development and building up

markets by requiring ethanol to be blended with all

gasoline sold, and

c) Stimulating rural development with new industries

generating jobs and incomes, and reducing poverty.

Suani T. Coelho é professora da Universidade de São Paulo e coordenadora do CENBIO (Centro

Nacional de Referência em Biomassa).

Suani T. Coelho, professor at Universidade de São Paulo and coordinator of CENBIO (Centro

Nacional de Referência em Biomassa).

Patricia Guardabassi é doutoranda em Energia e pesquisadora do CENBIO.

Patricia Guardabassi, doctoral program (Energy) and CENBIO researcher.

Renata Grisoli é mestre em Energia e pesquisadora do CENBIO.

Renata Grisoli, masters program (Energy) and CENBIO researcher.

4 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


O Magazine da Câmara

de Comércio Suíço-Brasileira

The Magazine of the

Swiss-Brazilian Chamber

of Commerce

f o c o : e n e r g i a

f o c u s : e n e r g y

Foto: ABB

Diretor do Magazine e de Comunicação

Magazine and Communication Director

Christian Hanssen

Coordenação Editorial

Editorial Coordination

Stephan Buser

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Denise Ortega

Projeto Gráfico

Editorial Design

Markus Steiger

6 Energia e Sustentabilidade. Energy and Sustainability.

13 A energia elétrica que vem da cana: o desafio de tirar

três Usinas Belo Monte do campo. Electricity from sugar cane:

the challenge of removing three Belo Monte dams from the

countryside.

16 Abastecimento de energia no futuro: grande potencial

para tecnologia fotovoltaica. Energy supply of the future: major

potential for PV technology.

Direção de Arte

Art Direction

Felipe Ledier

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Revisão e Tradução

Proofreading and Translation

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Denise Ortega, Hanna Weisskopf,

Stephan Buser, Melanie Klemm,

Volker Lohaus

Jornalista responsável

Journalist in charge

Ester Tambasco, MTB 48.058

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A reprodução das notícias é permitida,

contanto que seja mencionada a fonte. As

opiniões contidas nos artigos não refletem

necessariamente a posição da SWISSCAM.

The reproduction of items is permitted as

long as the source is mentioned. The opinions

contained in the articles do not necessarily

reflect the position of SWISSCAM.

20 A química da parceria. Chemistry between partners.

24 MINERGIE ® : Construir Melhor, Viver Melhor. MINERGIE®:

Building Better, Living Better.

28 Eficiência Energética da Biomassa no Brasil. Biomass

Energy Efficiency in Brazil.

32 Balanço energético e balanço ambiental: redução de

custos e promoção da imagem. Energy and environmental

balance: lowering costs while enhancing image.

e c o n o m i a e c o n o m y

10 O que a Coreia e a China têm (e nós não).

What Korea and China have (that we do not have)

s a ú d e h e a l t h

19 Viagens longas e as doenças venosas.

Long journeys and venous diseases.

c o n v i d a d o g u e s t

22 O potencial da energia eólica e solar no Brasil.

Potential for wind and solar energy in Brazil.

Câmara de Comércio Suíço-Brasileira

Swiss-Brazilian Chamber of Commerce

Schweizerisch-Brasilianische Handelskammer

Chambre de Commerce Suisse-Brésilienne

Avenida das Nações Unidas, 18.001

04795-900 São Paulo (SP) Brasil

Tel +55 (11) 5683 7447

Fax +55 (11) 5641 3306

swisscam@swisscam.com.br

www.swisscam.com.br

Presidente - President

Christian Hanssen

Vice-presidentes - Vice-Presidents

Carlos Roberto Hohl

Antonio Carlos Guimarães

A Câmara de Comércio Suíço-Brasileira,

constituída em 1945, é filiada à União das

Câmaras de Comércio Suíças no Exterior

e à Câmara de Comércio Internacional.

The Swiss-Brazilian Chamber of Commerce,

founded in 1945, is affiliated to the Swiss

Foreign Trade Chambers and the International

Chamber of Commerce.

www.swisscam.com.br

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e s p e c i a l s p e c i a l

c o m u n i d a d e b r a s i l e i r a n a S u í ç a B r a z i l i a n c o m m u n i t y i n S w i t z e r l a n d

34 Associação Raízes. Associação Raízes (Roots Association).

n o t í c i a s d a S W I S S C A M c h a m b e r n e w s

9 FEIMAFE e Hospitalar 2011. FEIMAFE and Hospitalar 2011. / 31 Dia Nacional da Suiça. Switzerland’s National

Day. / Nota de falecimento – Ernst Wepfer. Obituary – Ernst Wepfer.

26 66 anos SWISSCAM Brasil. SWISSCAM’s 66th anniversary.

Próxima edição: Tecnologia da Informação. Next edition: Information Tecnology.

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

5


f o c o : e n e r g i a

Energia e

Sustentabilidade

O mundo como um todo

ainda depende de 85% de

fontes não-renováveis de

energia, principalmente

petróleo, gás natural e carvão,

fontes fósseis de energia

que transferem o carbono

estocado durante milhões de

anos na crosta da terra para a

atmosfera e contribuem desta

maneira para o aquecimento

global. Portanto, apostar

em energias renováveis faz

sentido, é urgente e pode ser

um bom negócio.

por Ernesto Moeri

Em 2010, o mundo consumiu o equivalente

a 80 bilhões de barris de

petróleo por dia (!), e este consumo

atingirá 100 bilhões de barris por

dia até 2100. Na situação atual do

conhecimento sobre as reservas

existentes (prováveis e possíveis) de

petróleo e gás, a participação destes combustíveis

não-renováveis, principais responsáveis pelo efeito

estufa e as consequentes mudanças climáticas,

crescerá ainda até aproximadamente o ano 2050,

porém, ainda assim este aumento será menor que

a demanda. Isto significa que, desde já, a participação

de energias não convencionais e renováveis

na matriz energética global terá que aumentar de

maneira significativa e crescente.

O “peak-oil”, ou seja, o ponto de maior produção de

petróleo e gás natural deve ser atingido entre 2020 e

2050, de acordo com as previsões de especialistas

técnicos e financeiros. Este ponto de maior produção

de hidrocarbonetos já leva em consideração todas

as mais recentes descobertas de campos profundos,

como, por exemplo, o “pré-sal” brasileiro ou também

xistos betuminosos no Canadá, assim como outras

fontes não-convencionais de hidrocarbonetos ainda

a serem descobertas. Portanto, o mundo teria tempo

Enquanto um cidadão dos

EUA consome 10 litros de

combustíveis fósseis por dia,

o suíço consome 5 litros, o

brasileiro 2 e o indiano apenas

0,5 litros por dia.

suficiente para uma transição controlada para a era

dos não-hidrocarbonetos ou renováveis em uma

geração, ou seja, em 3-4 décadas. O consumo de

energia apresenta uma proporção diretamente entre

o grau de desenvolvimento de um país e a mobilidade

individual dos seus habitantes. Enquanto um cidadão

dos EUA consome 10 litros de combustíveis fósseis

por dia, o suíço consome 5 litros, o brasileiro 2 e

o indiano apenas 0,5 litros por dia. E fácil deduzir

que existe ainda uma demanda reprimida nos países

que serão responsáveis pelo crescimento contínuo

da demanda de energia (gráfico 1).

É importante lembrar que 93,5% de todo o petróleo e

gás são consumidos como fonte de energia e apenas

6,5% como matéria-prima da indústria química.

A matriz energética do Brasil (veja gráfico 2) é

excepcionalmente rica em energias renováveis

(45%), comparada tanto com os demais países

em desenvolvimento, como a China, quanto com

os países industrializados. Entre estes, a Suíça se

destaca como país cuja matriz energética apresenta

20% de energia primária renovável, principalmente

proveniente de hidroenergia.

Apesar desta vantagem competitiva em energias

renováveis, 50% da demanda brasileira em energia

ainda depende de hidrocarbonetos fósseis, com uma

participação crescente do gás natural, também nãorenovável,

na geração de energia elétrica e também

como combustível veicular.

As grandes expectativas referentes ao pré-sal são

legítimas, mas não se pode perder de vista que o

Brasil hoje mal consegue se autoabastecer mesmo

com uma produção em torno de 2 milhões de barris

por dia. O país continua importando boa parte do

diesel automotivo e, periodicamente, até gasolina.

Portanto, acreditamos que a chance do Brasil esteja

nos enormes recursos na área de energia renovável,

acima de tudo na biomassa de cana-de-açúcar e de

agro-resíduos ainda pouco aproveitados.

Estes últimos representam um grande potencial

considerando o aumento significativo da produção

agrícola e, consequentemente, dos seus resíduos e

6 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


Foto: Fotolia

Gasto futuro mundial de energia

Future world energy use

100

Petróleo e gás natural serão até 2050 as

principais fontes energéticas mundiais (>50%).

Oil and natural gas will be until 2050 the main world

energy sources (>50%).

75

da importância estratégica do Brasil na alimentação

do planeta. Estes resíduos, por exemplo, bagaço de

cana e de frutas, folhagem de cana, milho e outros

grãos, restos de frigorífi cos e de indústrias alimentícias

não são utilizados atualmente, portanto, têm

um valor econômico pequeno apesar do seu poder

energético considerável para queima, fermentação

e/ou gaseifi cação. Estima-se que existe um volume

disponível e aproveitável de mais de 300 milhões

de toneladas por ano, representando um conteúdo

energético de aproximadamente 5.000 MW como

fonte não explorada de combustíveis e/ou de energia

elétrica.

Este potencial adormecido existente no Brasil está

na mira de várias empresas que trazem tecnologia

de ponta da Europa e dos EUA para o país, no intuito

de substituir uma parte da demanda energética por

sistemas descentralizados de geração de energia e

biocombustíveis, sem necessidade de investimentos

em infraestrutura para transmissão, já que a produção

e o consumo da energia produzida fi cam no

mesmo local. Os sistemas independentes apenas

substituem uma parte do consumo energético da

própria indústria usando fontes renováveis.

Os combustíveis fósseis, o efeito estufa provocado

por sua queima e as consequentes mudanças climáticas

são hoje um problema reconhecido mundialmente.

Mesmo assim, a humanidade continua

apostando na exploração maciça destas fontes convencionais.

Ao mesmo tempo já existem tecnologias

para criar energia por fontes renováveis, e o Brasil

é um lugar privilegiado para desenvolver projetos

nesta área. Produzir energia “verde” em escala bem

maior do que atualmente é uma forma inteligente

para diminuir os efeitos prejudiciais da queima de

combustíveis fósseis e, desta maneira, contribuir

para um futuro mais sustentável do planeta.

Bilhões de barris de equivalente de petróleo

Billions of barrels of oil equivalent

GRÁFICO | CHART 1: A demanda de consumo mundial de energia depende de novas fontes. World demand for

energy consumption depends on new sources.

0%

25%

50%

75%

100%

50

25

0

Mundo

2008

EUA

2008

Renováveis

Renewables

2000 2020 2040 2060 2080 2100

Parcela de óleo e gás

Oil and gas

Matriz energética para os países selecionados

Energy carrier mix for selected countries

UE

2008

Nuclear

Nuclear

Alemanha

2008

Carvão

Coal

Outras fontes energéticas

Other energy sources

!

Rússia

2007

China

2007

Gás natural

Natural gas

Japão

2007

Suíça

2006

Petróleo

Petroleum

Brasil

2006

GRÁFICO | CHART 2: O Brasil é privilegiado para desenvolver projetos de energias renováveis. Brazil privileged

for developing renewable energy projects.

!

!

Fonte/Source: US Gov., Eurostat, Arb. Gemeirsh., Energiebilanzen, OECD, IEA, BIE.

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

7


f o c u s : e n e r g y

Energy and

Sustainability

Foto: Fotolia

The world as a whole is still 85% dependent on non-renewable sources of

energy, mainly oil, natural gas and coal, all of which are fossil-energy sources

that take carbon that has been deposited in the earth’s crust over millions of

years and transfer it to the atmosphere, thus contributing to global warming.

Therefore wagering on renewable energy makes sense. This is an urgent

issue and may be good business too.

b y Ernesto Moeri

In 2010 the world consumed the equivalent of

80 billion barrels of oil per day (!), and the total

will reach 100 billion by 2100. Given the current

state of knowledge of existing oil and gas

reserves (probable and possible), the share of

non-renewable fuels, the main causes of global

warming and consequent climate change, will continue

to grow until about 2050. Nevertheless, this increase

will still be insufficient to keep up with demand. So from

now on, the share of non-conventional and renewable

energies in the overall energy matrix will have to be

stepped up at a much faster pace.

“Peak-oil”, i.e. the point of maximum oil and natural

gas output, is likely to be reached between 2020 and

2050, based on predictions made by technical and financial

experts. This point of maximum oil production

takes into account all recent discoveries in deep-water

fields, such as Brazil’s pre-salt layer and Canada’s oil

shales, as well as other non-conventional sources of oil

yet to be discovered. Therefore, the world would have

sufficient time for a controlled transition to the age of

non-hydrocarbon or renewable sources of energy in one

generation, or 3 to 4 decades.

Energy consumption rises in direct proportion to the

level of a country’s development and the individual

mobility of its inhabitants. While a citizen of the United

States consumes 10 litres of fossil fuel per day, a Swiss

consumes 5 litres, a Brazilian 2, and an Indian only 0.5.

An obvious deduction is that there is pent-up demand in

countries that are responsible for the continuing growth

of demand for energy (chart 1).

An important point to bear in mind is that 93.5% of all oil

and gas is consumed to provide energy and only 6.5%

as raw material for the chemicals industry.

Brazil’s energy matrix (see chart 2) is exceptionally

rich in renewable energy (45%), compared with other

developing countries such as China, or the industrialized

countries. Of the latter, Switzerland stands out as a

country whose energy matrix provides 20% of renewable

primary energy, mainly from hydropower.

Despite this competitive advantage in renewable energy,

50% of energy demand in Brazil still depends on fossil

fuels, with an increasing share of natural gas, also nonrenewable,

in electricity generation and as a vehicle fuel.

The great expectations held out for the pre-salt layer are

While a citizen of the United States

consumes 10 litres of fossil fuel per

day, a Swiss consumes 5 litres, a

Brazilian 2, and an Indian only 0.5.

legitimate, but we must not forget that Brazil today is

barely self-sufficient despite producing around 2 million

barrels per day. Brazil continues to import much of its

automotive diesel and even gasoline at times. Therefore,

we believe that Brazil’s best opportunity is to develop

its enormous stock of renewable energy resources, in

particular biomass sources such as cane sugar or the

agricultural waste products that are still underutilized.

These waste products have great potential given the

significant increase in agricultural production, and the

strategic importance of Brazil as a supplier of food for

the whole planet. Waste products such as bagasse

from sugar cane or fruit, foliage from sugar cane, corn

and other grains, or those from meat packing and food

processing plants, are not used today and so have

little economic value despite their considerable energy

potential for burning, fermentation or gasification. It is

estimated that there is an available and usable volume

of over 300 million tons per year, which would provide

approximately 5,000 MW of energy that has not been

exploited as a source of fuel and/or electricity.

This dormant potential in Brazil is being targeted by

several companies aiming to import the latest technology

from Europe and the United States in order to replace

some of the energy demand by decentralizing generation

and using biofuels to obviate the need to invest

in transmission infrastructure, since production and

consumption would be in the same place. Independent

systems would only replace some of the energy used by

industry itself with renewable sources.

O consumo diário global de petróleo é de 80

milhões de barris. Esta quantia corresponde

a 40 navios petroleiros – por dia. Every day,

80 million barrels of oil, or 40 tankers, are used

worldwide.

Ernesto Moeri é presidente e CEO do Grupo Ecogeo, holding que reúne cinco

empresas atuantes nos setores de consultoria e engenharia ambiental e energias

renováveis.

Ernesto Moeri is president and CEO of Grupo Ecogeo, a holding company for

five firms operating in the environmental consulting and engineering and renewable

energy sectors.

8 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


n o t í c i a s d a s w i s s c a m

FEIMAFE e

Hospitalar 2011

2

1

Durante a 13ª edição da FEIMAFE – Feira

Internacional de Máquinas-Ferramenta e

Sistemas Integrados de Manufatura – que

ocorreu de 23 a 28 de maio de 2011, a

SWISSCAM organizou pela 3ª vez consecutiva um

estande para empresas suíças exporem seus equipamentos

de alta tecnologia, o qual foi patrocinado

pela DHL Global Forwarding.

Estiveram presentes em nosso estande as empresas:

Amsonic, BalTec, Imoberdorf, Lamina Technologies,

Precimac, Schaublin Machines e SOB

Schurter + OKW. Essas empresas foram recebidas

com um coquetel inaugural oferecido pelo Zürcher

Kantonalbank, que também apresentou os benefícios

de seu financiamento de máquinas da Suíça.

Em maio, a SWISSCAM também participou da

Hospitalar 2011, maior feira de saúde da América

Latina com as empresas Atamed, Hocoma, SOB

Schurter + OKW do Brasil, HS Bianchi e Venosan.

O pavilhão suíço, patrocinado pela O. Lisboa Despachos/Via

Mat do Brasil chamou a atenção de

muitos visitantes.

Nesta edição, recebemos a visita do diretor da plataforma

de exportação “Medtech Switzerland” que

está promovendo diferentes países para a indústria

de equipamento médico na Suíça.

3

1) Máquina de rebite da BalTec. BalTec´s riveting machine.

2) Pavilhão Suiço na FEIMAFE 2011. Swiss Pavilion at FEIMAFE 2011.

3) Pavilhão Suíço na Hospitalar 2011. Swiss Pavilion at Hospitalar 2011.

4) Yuri Szabo, SBH; Tatiana Campos, SBH; Hanna Weisskopf, SWISSCAM.

c h a m b e r n e w s

FEIMAFE and Hospitalar 2011

During the 13th edition of FEIMAFE – International

Machine Tools and Integrated Manufacturing

Systems Trade Fair – which took place

from 23rd to 28th May 2011, SWISSCAM organized

for the third consecutive time a booth for Swiss

companies to exhibit their high-tech equipment, which

was sponsored by DHL Global Forwarding.

The following companies participated in our booth:

Amsonic, BalTec, Imoberdorf, Lamina Technologies,

Precimac, Schaublin Machines and SOB Schurter +

OKW. These companies were welcomed with an opening

4

cocktail offered by Zürcher Kantonalbank, who also presented

the benefits of its financing of Swiss machines.

In May, SWISSCAM also participated at Hospitalar 2011,

major healthcare trade fair in Latin America with the

companies Atamed, Hocoma, SOB Schurter + OKW do

Brasil, HS Bianchi and Venosan. The Swiss Pavilion,

sponsored by O. Lisboa Despachos Internacionais/VIA

MAT do Brasil, drew attention of many visitors.

In this edition, we also received the director of the exportplatform

“Medtech Switzerland” who promotes various

countries to the medtech industry in Switzerland.

1º Lugar no ranking Financial Times com o

Master em Estratégia e Gestão Internacional.

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e MBA nas áreas de Administração, Economia, Direito e Ciências Sociais.

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e c o n o m y

What Korea and China have

(that we do not have)

Some say China’s economic success is due to its undervalued currency, while

South Korea’s comes from its industrial policies. This oversimplification leaves

out the complexity of the development process and the most important reasons

for the success of these two countries.

b y Mailson da Nóbrega

Talking about development is not easy. Two centuries

after the Industrial Revolution, more than two

hundred theories have attempt to probe its origins

and find out why they were in the United Kingdom rather

than France or Japan, which had similar environments.

Chinese and Korean industrial policies did play a role, but

the important factor was the strategy behind them. The

idea was to expose industry to international competition.

Brazil and Latin America took the opposite road,

i.e. measures to combat foreign competition.

While our strategy was import substitution, theirs

focused on exporting. To be competitive, Chinese and

Korean firms had to introduce the technologies and

management systems typical of the rich countries who

were their main customers. Innovation led to efficiency

and productivity gains.

In Brazil, import substitution rewarded inefficient

manufacturing and gave rise to a culture that favoured

protectionism. Many sectors of Brazilian industry were

slow to modernize until they were forced to deal with the

new situation brought about by opening up the economy.

Brazil neglected education, because it was seen as an effect

rather than a cause of development. China and Korea

did the opposite and Shanghai took first place in three

subjects covered by the Pisa 2010 tests, (reading, math

and science). Of the 65 countries tested, only Korea came

close, while Brazil trailed behind among the lowest scores.

In China, public universities are not free unless students

can prove they are unable to pay tuition. But here in Brazil,

public universities are free in general, including for children

from rich families who have been to the best schools and

so gotten more access to the most sought-after courses.

China authorized the United Kingdom’s University of

Nottingham to open a school in Ningbo, where courses

are taught in English and the degree is awarded by

Nottingham itself. It is hard to imagine anything like

that in Brazil.

The results of export-geared industrial policy rather than

import substitution were spectacular. In 1978, when

Deng Xiaoping started opening up the economy on the

road to a market system, China’s exports were worth

US$ 10 billion. By 2010, they were up to US$ 1.5 trillion.

In 1960, Korea was a poor country with lower per capita

income than Ghana or Brazil. In 1980, measured by purchasing

power parity, Brazil’s per capita income (US$

3,400) was still higher than Korea’s (US$ 2.600). But

look at the 2009 data: Korea US$ 27,200, Brazil US$

10,400 and Ghana US$ 1,500

Despite extensive literature on the failures of import

substitution, the model is still a favourite with segments

opposed to opening the economy. Brazilian

businessmen openly advocate a closed economy. A

major union confederation, Força Sindical, asked the

federal government to take protectionist measures to

slow the pace of imports.

In Brazil, import substitution

rewarded inefficient manufacturing

and gave rise to a culture that

favoured protectionism.

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e c o n o m i a

Foto: Fotolia

O que a Coreia e a

China têm (e nós não)

Há quem sustente que o êxito econômico da China se deve à moeda

desvalorizada, enquanto o da Coreia do Sul adviria de políticas

industriais. Trata-se de simplismo que desconsidera a complexidade

do processo de desenvolvimento e ignora razões mais relevantes para

explicar o sucesso desses dois países.

Despite extensive literature on

the failures of import substitution,

the model is still a favourite with

segments opposed to opening

the economy.

Hardly surprising, since import substitution benefited

businessmen chosen by the bureaucracy and favoured

workers in protected industries. Higher costs were

transferred to agriculture, other sectors of industry, and

the rest of the workforce.

We see the same thing nearby. Debora Giorgi, Argentina’s

minister for Industry, has favoured barriers to

the entry of foreign products and revived the import

substitution strategy.

China and Korea grew rich on the strength of the

conditions and policies that we have not been

accustomed to supporting. This is the case of Chinese

entrepreneurship and the incentives for innovation,

which survived the communist disaster. After all, China

was making iron around the year 200 – a thousand

years before Europe.

por Mailson da Nóbrega

Não é fácil falar sobre o desenvolvimento.

Passados dois séculos desde a Revolução

Industrial, mais de duzentas teorias buscam

provar suas origens e saber por que

ela aconteceu no Reino Unido e não na França ou

no Japão, que dispunham de ambiente semelhante.

As políticas industriais chinesas e coreanas tiveram

seu peso, mas o importante foi a estratégia por trás

delas. A ideia era expor a indústria à competição internacional.

O Brasil e a América Latina optaram pelo

inverso, isto é, medidas contra a concorrência externa.

Enquanto a nossa estratégia buscava a substituição de

importações, a deles focalizava as exportações. Para

competir, era preciso adotar tecnologias e gestão típicas

dos países ricos, principal destino de seus produtos. Ganhos

de eficiência e produtividade vinham da inovação.

A substituição de importações gerou industrialização

ineficiente e uma cultura favorável ao protecionismo.

A modernização de muitos segmentos da indústria

brasileira somente se acelerou quando se tornou

necessário enfrentar a abertura da economia.

Aqui se negligenciou a educação, pois ela seria efeito

e não causa do desenvolvimento. A China e a Coreia

fizeram o contrário. Nos testes do Pisa de 2010,

Xangai obteve o primeiro lugar nas três disciplinas

avaliadas (leitura, matemática e ciência). Nos 65

países avaliados, a Coreia ficou perto. O Brasil se

classificou entre os últimos.

Na China, a universidade pública não é gratuita, a

não ser para quem prova não ser capaz de pagar

mensalidades. Aqui, a gratuidade na universidade

pública é geral, inclusive para os filhos dos ricos, os

quais frequentam as melhores escolas e assim têm

maior acesso aos cursos mais valorizados.

Na China, a Universidade de Nottingham, do Reino

Unido, foi autorizada a funcionar em Ningbo. Seus

cursos são ministrados em inglês e o diploma é

expedido por Nottingham. Algo semelhante seria

difícil de acontecer no Brasil.

Os resultados da política industrial voltada para as

exportações e não para substituir importações foram

espetaculares. Em 1978, quando começou a abertura

de Deng Xiaoping rumo à economia de mercado, a

China exportava US$ 10 bilhões. Em 2010, as vendas

externas atingiram US$ 1,5 trilhão.

Em 1960, a Coreia era um país pobre, com renda per

capita menor do que a de Gana e do Brasil. Em 1980,

medida pela paridade do poder compra, a renda per

capita brasileira (US$ 3,4 mil), ainda era maior do

que a coreana (US$ 2,6 mil). Dados de 2009: Coreia

US$ 27,2 mil, Brasil US$ 10,4 mil e Gana US$ 1,5mil.

Apesar da ampla literatura sobre fracassos da substituição

de importações, o modelo continua favorito

de segmentos que se opõem à abertura da economia.

Empresários brasileiros defendem abertamente o

fechamento. A Força Sindical pediu ao governo federal

medidas protecionistas para reverter o ritmo

das importações.

Não surpreende. Afinal, o modelo beneficiou empresários

escolhidos pela burocracia e trabalhadores das

indústrias protegidas. O custo foi transferido à agricultura,

a outros setores e ao restante da força de trabalho.

Aqui perto é igual. A ministra da Indústria da Argentina,

Débora Giorgi, comemorou as barreiras à

entrada de produtos estrangeiros e o renascimento

da estratégia de substituição de importações.

Mailson da Nóbrega é economista e colunista da revista Veja. Foi ministro da

Fazenda (1988 a 1990) e hoje é sócio da Tendências Consultoria Integrada.

Mailson da Nóbrega is an economist and writes a column for Veja magazine.

Formerly minister of Finance (1988-1990), he is now a member of the consulting

firm Tendências Consultoria Integrada.

A China e a Coreia enriquecem na esteira de

condições e políticas nas quais não costumamos

acreditar. São os casos do empreendedorismo dos

chineses e dos estímulos à inovação, que sobreviveram

ao desastre comunista. Afinal, por volta do

ano 200 eles já produziam ferro fundido, mil anos

antes dos europeus.

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11


12 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


f o c o : e n e r g i a

A energia elétrica que

vem da cana: o desafi o

de tirar três Usinas

Belo Monte do campo

Há mais de 20 anos que se discute o aproveitamento do Complexo

Belo Monte, na Bacia do Rio Xingu. O Brasil ocupa apenas 30% do

potencial hídrico, mas o evento “Belo Monte” mostrou um ponto

interessante: como fonte a bioeletricidade da cana pode ser o

“pulmão” para usinas a fi o d’água como Belo Monte.

por Zilmar José de Souza

A

bioeletricidade pode ser defi nida como

a energia elétrica gerada por meio de

biomassa. Das fontes de biomassa para

a bioeletricidade, o bagaço e a palha da

cana-de-açúcar representam a principal, com os

resíduos da cana signifi cando quase 80% da potência

instalada no país em 2011 pela fonte biomassa.

Mas o que a usina Belo Monte tem a ver com a bioeletricidade

da cana? Estima-se que a bioeletricidade

da cana tem capacidade de produzir excedentes para

o setor elétrico da ordem de 12.200 MW médios, ou

quase três vezes a garantia física atribuída a Belo

Monte. A bioeletricidade pode ser um hedge natural

para o sistema e as usinas a fi o d’água, com geração

garantida no período seco, pois bioeletricidade depende

de combustível nacional, disponível em período regular

e crítico para o nível de reservatórios das usinas

hídricas, dando segurança de operação ao sistema.

Contudo, os desafi os são vários. Um exemplo de

desafi o foram os leilões de energia ocorridos em

17 e 18 de agosto último. No chamado “Leilão de

Energia Nova A-3” promovido no dia 17 de agosto,

a bioeletricidade foi responsável por somente 4,4%

do total da energia comercializada no certame, com

apenas quatro projetos contratados. Já no “Leilão de

Energia de Reserva” realizado no dia seguinte, 18 de

agosto, o resultado foi de 5,1% do total comercializado

para a biomassa, com seis projetos contratados.

Somados, foram somente 10 projetos aprovados para

este tipo de fonte de um total de 43 habilitados que,

se aprovados, representariam 2.750 MW.

Estima-se que a

bioeletricidade da cana tem

capacidade de produzir

excedentes para o setor

elétrico da ordem de 12.200

MW médios, ou quase três

vezes a garantia física

atribuída a Belo Monte.

No Leilão A-3, a bioeletricidade concorreu diretamente

com a fonte fóssil gás natural e a eólica. No

Leilão de Reserva, a concorrência se deu com a

fonte eólica. A competição entre fontes diferentes

busca atingir a modicidade tarifária, ou seja, o menor

preço a ser repassado nas tarifas do consumidor

fi nal. No entanto, a competição ocorre em uma licitação

pública, na qual todos disputam entre si pela

mesma demanda, mas ao fi nal assinam contratos

diferentes, com cláusulas restritivas que inibem a

participação de determinadas fontes e favorecem

outras. Os contratos são diferentes, com cláusulas

e condições bastante desfavoráveis, quebrando a

isonomia competitiva que deveria ser um princípio

fundamental de licitações publicas.

O baixo número de projetos de bioeletricidade

comercializados nos dois leilões revela que as

condições institucionais e o modelo adotado estão

afetando o desenvolvimento dessa fonte na matriz

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

13

Fotos: Fotolia


A bioeletricidade pode ser um

hedge natural para o sistema e as

usinas a fi o d’água, com geração

garantida no período seco.

energética brasileira. Mesmo a modicidade tarifária

obtida via leilões, com preços cada vez menores,

também tem que ser observada com cuidado. É

necessário avaliar as consequências no longo prazo.

A biomassa sucroenergética tem capacidade para

instalar algo como 500 a 600 MW médios ao ano,

esta é a capacidade da indústria hoje. Ano passado

contratou-se apenas 191 MW médios nos dois leilões

em que a bioeletricidade participou. Agora, em

2011, foram pouco mais de 80 MW médios no A-3

e no LER. A racionalidade econômica é implacável:

a indústria encolherá no futuro, o que já estamos

aliás observando.

Se continuarmos com a política de leilões genéricos,

não isonômicos, se amanhã precisarmos resgatar o

potencial da bioeletricidade do campo esbarraremos

na capacidade produtiva da indústria, que certamente

será menor no longo prazo. Não podemos

construir a indústria de bens de capital de uma fonte

de geração às custas da desarticulação de outra

fonte, no caso a biomassa, cuja cadeia produtiva é

genuinamente nacional.

Entendemos que os leilões no ambiente regulado

deveriam ser específi cos por fonte ou regionais,

levando-se em consideração o potencial de cada

fonte ou região. No caso da biomassa de cana, o

potencial está principalmente na Região Centro-

Sul, que é o maior centro consumidor de energia

elétrica do País.

f o c u s : e n e r g y

Electricity from sugar cane:

the challenge of removing

three Belo Monte dams

from the countryside

Discussions on using of the Belo Monte complex in the Xingu River Basin have

been going on for over 20 years. Brazil is using only 30% of its hydro potential,

but the “Belo Monte” event highlighted an interesting point: using sugar cane as a

biomass source of electricity may act as a “lung” for hydroelectric dams such as

Belo Monte.

b y Zilmar José de Souza

Bioelectricity may be defined as electricity

generated by biomass. Bagasse and straw

from sugar cane are the main sources of

biomass for bioelectricity, with sugarcane

wastes accounting for almost 80% of installed power

in Brazil in 2011 coming from biomass sources.

But what does the Belo Monte dam have to do with

sugarcane bioelectricity? It is estimated that bioelectricity

from sugarcane has the capacity to produce surpluses

for the electricity sector of around 12,200 MW,

or almost three times Belo Monte’s fallback capacity.

Bioelectricity may be used as a natural hedge for the

system’s hydro plants by generating guaranteed levels

during the dry season. Bioelectric sources use domestic

fuels that are available regularly, even at critical

periods in terms of the level of water at hydroelectric

dam reservoirs, thus ensuring a reliable grid system.

However, there are many challenges to be tackled.

Take, for example, the energy auctions held on August

It is estimated that bioelectricity

from sugarcane has the capacity

to produce surpluses for the

electricity sector of around 12,200

MW, or almost three times Belo

Monte’s fallback capacity.

17 and 18 last. At the so-called “A-3 New Energy Auction”

held on August 17, bioelectricity accounted for

only 4.4% of all electricity sold, and only four projects

were contracted. At the “Reserve Energy Auction” held

the following day (August 18), 5.1% of total sales were

biomass-sourced, with six projects contracted. Altogether,

only 10 from a total of 43 qualified biomass

projects were approved. Had all 43 been approved,

they would be generating 2,750 MW.

Moagem mensal de cana - Região Centro-Sul (safra 2008/09)

Monthly sugar cane grinding - Mid-South Region (harvest 2008/09)

Complementaridade da bioeletricidade sucroenergética

Complementarity of sugar industry bioelectricity

80.000.000 25.000

70.000.000

60.000.000

50.000.000

40.000.000

30.000.000

20.000.000

10.000.000

Fotos: Fotolia

20.000

15.000

10.000

5.000

Vazão média mensal Belo Monte (1931-2001)

Average monthly flow of Belo Monte (1931/2001)

0

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

0

Proposta: Reconhecer os benefícios da bioeletricidade

Proposal: Recognize the benefits of bioelectricity

14 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


Bioelectricity may be used as a

natural hedge for the system’s hydro

plants by generating guaranteed

levels during the dry season.

Foto: Fotolia

At the A-3 auction, bioelectricity competed directly with

fossil-sourced natural gas and with wind power. At the

Reserve Auction, the competition was wind power.

Competition between different sources is designed to

obtain the lowest tariffs possible for final consumers,

but it takes place in a public bidding procedure in which

everyone is vying to meet the same demand. Eventually

they sign different contracts with restrictive clauses

that discourage the involvement of certain sources

and favour others. These different contracts include

very unfavourable terms and conditions undermining

the fair competition that ought to be a fundamental

principle of public bidding procedures.

The small number of bioelectricity projects sold at the

two auctions shows that the institutional conditions

and model used are affecting the development of this

source for the Brazilian energy matrix. The aim of

lowering tariffs at auctions must be carefully watched

too, because the long-term consequences must be

taken into account.

Sugarcane biomass could provide something like

500 to 600 MW per annum, at the industry’s current

capacity. Last year only 191 MW were contracted at

the two auctions that involved bioelectricity. This year,

2011, there were just over 80 MW at the A-3 and LER

auctions. The economic rationale is relentless: the

industry will shrink in the future - and in fact we are

already seeing this process.

If we continue with the policy of generic auctions rather

than level playing fields, and if we have to revive our

potential of bioelectricity in the future, we will be held

back by the industry’s capacity, which will certainly be

lower in the long run. We cannot build the capital goods

industry from one generating source at the expenses

of another source, in this case biomass, which has a

genuinely Brazilian supply chain.

We believe that auctions in the regulated environment

should take into account the potential of each source or

region; they should be made source- or region-specific.

In the case of sugarcane biomass, the potential is

mainly in the Mid-South of Brazil, which consumes

more electricity than any other region.

Zilmar José de

Souza é gerente em

Bioeletricidade da UNICA

– União da Indústria de

Cana-de-Açúcar.

Zilmar José de Souza

is bioelectric manager

of União da Indústria de

Cana-de-Açúcar (UNICA).

GW médio

GW average

GW médio

GW average

120%

100%

80%

60%

40%

20%

0%

14.000

12.000

10.000

8.000

6.000

4.000

2.000

0

Complementaridade da bioeletricidade sucroenergética

Complementarity of sugar industry bioelectricity

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Energia afluente nos reservatórios

Afluent energy in reservoirs

Economia de 4% dos reservatórios para cada

1000 MW, médios de bioleletricidade no período

seco (abril-novembro).

Saving of 4% of the reservoirs for each 1000 MW,

average of bioelectricity in the dry spell

(april-november).

Novas hidrelétricas que estão chegando

New hydroelectric power stations being built

Potencial de mercado da bioeletricidade para a rede elétrica - Brasil (2010-2021)

Market potential of bioelectricity for the Brazilian electrical grid - Brazil (2010-2021)

3.358

Bioeletricidade efetivamente

ofertada à rede elétrica em 2010.

Actual bioelectricity offered to

electrical grid in 2010.

4.158

5.158

6.158

Potencial equivalente a 3 Usinas Belo Monte até 2021.

Potential equivalent to 3 Belo Monte power stations until 2021.

7.158

8.158

Bioeletricidade

Bioelectricity

2010/11 2011/12 2012/13 2013/14 2014/15 2015/16 2016/17 2017/18 2018/19 2019/20 2020/21

Safra

Harvest

9.158

10.158

11.158

12.158

13.158

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

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f o c u s : e n e r g y

Energy supply of the future:

major potential for PV technology

Securing a reliable, safe and costeffective

energy supply is the biggest

challenge emerging economies face as

they narrow their standard of living gap

with developed nations.

b y Dr. Ivan Sinicco

Globally, more than 85% of the energy produced

comes from nonrenewable energy

sources – coal, oil, natural gas and nuclear.

However, populations already stretched thin

by economic, environmental and public health stresses

understandably balk at any energy strategy that increases

natural resource depletion, waste disposal challenges

and carbon emissions. Here, renewable energy

resources become a critical and viable component of

the energy mix – as well as an important economic opportunity

for innovative industries to meet that need. In

Brazil, more than 43% of the energy produced comes

from renewable sources. However, with much of its potential

US$ 25 billion renewable energy market relying

on land-intensive generation methods like hydroelectric

or biomass, there is tremendous opportunity for growth

in the solar industry.

Solar energy is widely recognized as the foremost solution

to increasing energy demand. Photovoltaic (PV) conversion

relies on the one truly unlimited and free energy source

as its feedstock: the sun. With global population growing

at 0.8% per year, energy demand is expected to increase

1.3% each year through 2050, while electricity consumption

is expected to grow even faster at more than 2%.

Clearly, such top-heavy demand cannot be met sustainably

through a traditional fossil fuel mix alone but that need not

spell an end to economic development. Imagine the total

amount of energy that can be converted from all known

fossil fuel sources available in the planet. The sun delivers

that same amount to the earth every two years. Unlike

fossil fuels, therefore, it is not a question of where to find

energy, but merely how to harness it profitably and for

the greatest social good.

Today, there are two major families of commercial solar

PV technologies: crystalline and thin film technologies

(CdTe, CIGS, CIS and thin film silicon). Comparing their

performance under real-world conditions, thin film

silicon offers a clear advantage in sunny, hot places

as well as in diffuse (cloudy) or low-light conditions

(early morning, late afternoon). Looking to the USA as

an example, covering 6% of the state of Arizona with

thin film silicon PV modules would generate enough

electricity to meet the demand of the entire country.

Similarly, with thin film silicon, Brazil could generate

enough electricity to meet its demand with merely 1%

of the land area of the state of Goias.

Solar power holds unprecedented potential in a country

like Brazil, where an estimated 20 million people live off

the grid in rural areas. Solar power can be used for heat

and electricity. Solar thermal water heaters have been

an important focus of recent United Nations Environment

Program (UNEP) initiatives. By its very nature, PV generation

has lower transmission losses while distributed

and not concentrated in one spot. With those same rural

areas demanding a nearly 2.8 GW generation capacity,

thin film silicon is the ideal technology to supply those

populations through distributed generation or hybrid

systems (Biofuel/PV, mini grid).

Though Brazil is currently focused on innovations in

hydroelectric and wind power, the amount of total renewable

energy investments will increase in the short

term and solar stands to grow more and more important.

The government’s PAC 2 economic growth program has

set a planned growth rate of four to 6 % from 2011 to

2014. Of that nearly R$1.4 trillion planned investment

(€ 600 billion/US$ 859 billion), 48% is slated for investment

in the energy sector. PV installation is labor

intensive and by some estimates can create 28 local

jobs for every MWp of production capacity installed. A

typical fab employing 160 people can therefore generate

roughly 3,900 associated jobs. Solar technology is not

only a pathway to energy innovation, it promises growth

potential for the Brazilian energy market with positive

impacts for business and the economy as a whole.

16 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


f o c o : e n e r g i a

Abastecimento de energia no futuro: grande

potencial para tecnologia fotovoltaica

A garantia de fontes de abastecimento de energia confiáveis, seguras e econômicas é o principal

desafio enfrentado pelas maiores economias emergentes, à medida que diminuem a diferença em

relação aos padrões de vida dos países desenvolvidos.

por Dr. Ivan Sinicco

Em todo o mundo, mais de 85% da

energia produzida é proveniente de

fontes não renováveis, como carvão,

petróleo, gás natural e nuclear. Entretanto,

em sociedades estressadas por

problemas econômicos, ambientais e

de saúde pública, as pessoas estão compreensivelmente

recusando qualquer estratégia de energia que

agrave o esgotamento de recursos naturais, resulte

em problemas relacionados a descarte de resíduos

e em aumento de emissões de carbono. Aqui, os

recursos energéticos renováveis passaram a ser um

componente crítico e viável da matriz energética –

além de oportunidade econômica importante para

empresas inovadoras atenderem essa demanda.

No Brasil, mais de 43% da energia produzida é

proveniente de fontes renováveis. Entretanto, com a

maior parte do mercado potencial de US$25 bilhões

de energia renovável dependendo de métodos de

geração que demandam vastas extensões territoriais,

como geração de energia hidroelétrica ou produção

de biomassa, há uma oportunidade imensa para

crescimento na área de energia solar.

A energia solar é amplamente reconhecida como o

melhor caminho para atender a demanda crescente

de energia. A conversão fotovoltaica (PV) utiliza como

insumo a única fonte de energia realmente ilimitada

e grátis: o sol. Com a população global crescendo

0,8% ao ano, a previsão de crescimento da demanda

de energia é de mais de 1,3% por ano até

2050, enquanto para o consumo de energia elétrica

este aumento é ainda mais rápido, de mais de 2%

ao ano. Obviamente, essa demanda exagerada não

poderá ser atendida de modo sustentável apenas

pela matriz tradicional baseada em combustíveis

fósseis, mas isso não significa necessariamente o

fim do desenvolvimento econômico. Imagine a quantidade

total de energia que poderia ser convertida

a partir de todas as fontes de combustíveis fósseis

conhecidas no planeta. O sol fornece essa mesma

quantidade de energia para a Terra a cada dois anos.

Portanto, diferentemente dos combustíveis fósseis,

não é uma questão de onde encontrar energia, mas

simplesmente de como aproveitá-la de modo lucrativo

e com o maior benefício social.

Atualmente há duas grandes famílias de tecnologias

comerciais de energia PV solar: a tecnologia cristalina

e a tecnologia de película fina (CdTe, CIGS, CIS e

película fina de Silício). Comparando o desempenho

dessas tecnologias sob condições reais, a película

fina de Silício oferece vantagens claras em locais

quentes e ensolarados e também em condições

de insolação difusa (tempo nublado) ou de baixa

insolação (nascer e pôr do sol). Tomando-se os EUA

como exemplo, a cobertura de 6% do Estado do

Arizona com módulos PV de película fina de Silício

poderia gerar energia elétrica suficiente para atender

a demanda de todo o país. Da mesma forma, com

película fina de Silício o Brasil poderia gerar energia

elétrica suficiente para atender sua demanda com

apenas 1% da área do Estado de Goiás.

A energia solar tem um potencial sem precedentes

em um país como o Brasil, onde 20 milhões de pessoas

vivem em áreas rurais não conectadas à rede

de transmissão. A energia solar pode ser utilizada

para aquecimento e para geração de energia elétrica.

Aquecedores de água solares têm recebido atenção

importante de iniciativas recentes do Programa Ambiental

das Nações Unidas (United Nations Environment

Program - UNEP). Por sua natureza, a geração

PV apresenta poucas perdas de transmissão, uma

vez que é distribuída e não concentrada em um único

ponto. Com essas mesmas áreas rurais demandando

uma capacidade de geração de aproximadamente

2,8 GW, a película fina de Silício é a tecnologia ideal

para atender essa demanda por meio de sistemas

de geração distribuídos ou de sistemas híbridos

(Biocombustível/PV, minirredes de distribuição).

Embora atualmente o Brasil esteja concentrado

Com película fina de silício o Brasil

poderia gerar energia elétrica

suficiente para atender sua

demanda com apenas 1% da área

do estado de Goiás.

em inovações na área de geração hidroelétrica e

de energia eólica, o investimento total em energia

renovável aumentará a curto prazo e a energia solar

passará a ser cada vez mais importante. O Programa

de Aceleração do Crescimento - PAC2 do governo

prevê índices de crescimento da ordem de 4% a

6% entre 2011 e 2014. Do investimento planejado

de aproximadamente R$ 1,4 trilhão (€ 600 bilhões/

US$ 859 bilhões), 48% são destinados ao setor de

energia. Instalações PV requerem muita mão de

obra e, de acordo com algumas estimativas, poderão

criar 28 empregos locais para cada MWp de

capacidade instalada de produção. Portanto, uma

instalação típica empregando 160 pessoas poderá

gerar aproximadamente 3.900 empregos indiretos.

A tecnologia solar não é apenas um caminho para a

inovação em energia, é também uma promessa de

crescimento para o mercado brasileiro de energia,

com impactos positivos nos negócios e na economia

como um todo.

Dr. Ivan Sinicco é

diretor do módulo de

desenvolvimento e testes

da Oerlikon Solar.

Dr. Ivan Sinicco is

Oerlikon Solar’s head

of Module Development

and Testing.

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

17


18 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


s a ú d e

Viagens

longas e

as doenças

venosas

Mais e mais pessoas fazem

voos de longa distância e

precisam ficar sentadas durante

longos períodos.

Foto: Fotolia

por Olga Regina

QQuando a movimentação fica limitada,

a circulação sanguínea nas

pernas fica restrita. Esta situação

pode levar a graves sintomas

comuns: pernas pesadas, dor e

inchaço nos pés e tornozelos. Ficar

sentado por muito tempo também é um fator de

risco para desenvolver flebite e trombose (formação

de coágulos sanguíneos). E, às vezes, os coágulos

podem migrar para os pulmões, o que é chamado

de embolia pulmonar e pode ser fatal.

O desconforto e o risco de TVP (Trombose Venosa

Profunda) se aplicam a outros tipos de viagens longas,

como de carro, trem ou ônibus. Se permanecer

sentado sem se movimentar por mais de 5 horas, o

risco de TVP pode ser quatro vezes maior.

Usar meias de compressão é aconselhável para

prevenir a ocorrência dos sintomas e o inchaço,

diminuindo o risco de desenvolver um quadro mais

grave, como flebite, TVP ou embolia pulmonar.

Dicas para viajar!

Um cuidado a mais...

• Use roupas confortáveis.

• Mexa seus pés e tornozelos a cada 15 minutos:

10 flexões e 10 círculos.

• Dê uma caminhada curta a cada duas horas.

• Eleve seus pés.

• Use meias de compressão. Eficaz para prevenir

o aparecimento dos sintomas e inchaços.

h e a l t h

Long journeys and venous

diseases

More and more people flying long-haul routes are remaining seated for long periods.

b y Olga Regina

When movement is limited, blood circulation

in the legs is restricted. This may lead to

severe symptoms such as heavy-feeling

legs, pain and swelling in feet and ankles.

Sitting still for too long is also a risk factor for developing

phlebitis and thrombosis (blood clots). Sometimes,

clots can migrate to the lungs and cause what is called

pulmonary embolism, which may be fatal.

The discomfort and risk of Deep Vein Thrombosis (DVT)

is involved in travelling by car, train or bus too. By sitting

still for more than five hours, the risk of DVT may

be multiplied by four.

Using compression stockings is recommended to prevent

the occurrence of symptoms and swelling, thus

reducing the risk of developing a more serious condition

such as phlebitis, DVT or pulmonary embolism.

Tips for travellers!

Another precaution...

• Wear comfortable clothing;

• Move your feet and ankles every 15 minutes: 10

stretching and turning and 10 circular movements;

• Go for a short walk every two hours;

• Raise your feet;

• Wear compression stockings. Effective to prevent

the onset of symptoms and swelling.

Olga Regina é gerente de marketing da Sigvaris do Brasil – Life for Legs.

www.sigvaris.com.br – Síndrome do Viajante.

Olga Regina is marketing manager with Sigvaris do Brasil – Life for Legs.

www.sigvaris.com.br – Traveller’s Syndrome.

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

19


f o c o : e n e r g i a

A química da parceria

Os grandes desafios do setor de petróleo e gás no Brasil abrem oportunidades únicas para as

empresas da cadeia produtiva se tornarem parceiras estratégicas da indústria.

por Carlos Tooge

Sétimo maior consumidor mundial de petróleo

e um dos mercados que mais cresce

no mundo – em média 2,1% ao ano –, o

Brasil tem uma posição de destaque no

cenário energético internacional: pioneiro

na área de biocombustíveis, com uma das matrizes

energéticas mais diversificadas do planeta, é líder na

exploração offshore de petróleo e gás.

tecnológico por parte das petroleiras que estão

atuando nessa frente de exploração e produção

em águas profundas.

A principal delas é a Petrobras, oitava maior empresa

de capital aberto do mundo e a terceira de energia

no ranking PFC Energy 50, que produz mais de dois

milhões de barris de óleo por dia (89% em campos

marítimos) e 57 milhões de metros cúbicos diários

de gás natural em território brasileiro, além de atuar

em outros países.

Aproximadamente 255 mil

fornecedores diretos e indiretos

deverão ser impactados

pelo Plano de Negócios da

Petrobras, destacando o papel

da Petrobras fundamental da

cadeia de fornecedores para

atingir suas metas.

perfurar mais de mil novos poços offshore nos próximos

As grandes descobertas efetuadas na década na

chamada camada do pré-sal, que podem mais do que

dobrar as reservas brasileiras de hidrocarbonetos,

estão respaldadas nos altos investimentos em novas Com a meta de triplicar essa produção até 2020,

20 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

tecnologias, que possibilitaram ao país avançar para

novas fronteiras exploratórias.

o Plano de Negócios da companhia para o período

de 2011-2015 prevê um total de US$ 224,7 bilhões

em investimentos. Desses, US$ 127,5 bilhões (57%)

seis anos. Tanto para encontrar novas reservas

como também para agregar volumes recuperáveis

de petróleo em áreas produtoras, principalmente na

O Brasil responde por quase um terço das descobertas

de petróleo e gás offshore realizadas nos

serão alocados na exploração e produção – uma Bacia de Campos.

média de US$ 25,5 bilhões por ano, dos quais US$ A Petrobras quer consolidar essa expansão buscando

“maximizar o conteúdo local, a qualificação

últimos cinco anos – sendo que 50% das novas

1,3 bilhão em tecnologia.

jazidas de hidrocarbonetos encontradas no mundo,

tecnológica e de recursos humanos, o fomento à

nesse período, foram em águas profundas. Tais recursos visam dar respaldo a essa estratégia

micro e pequena empresa, a sustentabilidade e a

de expansão, que demandará dos parceiros tecnológicos

e fornecedores da cadeia produtiva soluções

Uma das mais importantes descobertas dos últimos

competitividade”. A própria empresa já frisou que

30 anos, o pré-sal, deverá provocar um novo salto

aproximadamente 255 mil fornecedores diretos e

inovadoras e de alto desempenho. Não somente

indiretos deverão ser impactados pelo seu Plano de

para viabilizar a exploração em cenários cada vez

Negócios, destacando o papel fundamental da cadeia

Com a meta de triplicar essa

mais complexos, como o pré-sal, mas também para

de fornecedores para atingir suas metas.

produção até 2020, o Plano de otimizar a produção de campos maduros onshore e

Entre os itens que terão uma demanda crescente – e

Negócios da Petrobras para o

offshore, que hoje respondem pela maior parte do

óleo e gás gerado no país.

em grandes volumes – estão as soluções químicas

período de 2011-2015 prevê um

utilizadas tanto nas etapas exploratórias, com inúmeras

total de US$ 224,7 bilhões em

Para atingir o objetivo de gerar mais de 6,4 milhões

sondas em atividades nos próximos cinco

de barris equivalentes de óleo e gás por dia (boed) em anos, como na fase de produção, com a instalação

investimentos.

2020 – 6 milhões boed no país –, a companhia prevê de sistemas de desenvolvimento dos campos.


Foto: Fotolia

f o c u s : e n e r g y

Chemistry between partners

With Brazil’s oil and gas industry facing major challenges, firms in the supply

chain have unique opportunities to become its strategic partners.

b y Carlos Tooge

Brazil is the world’s seventh-largest consumer

of oil and one of its fastest growing markets

- an average of 2.1% per year - with a

leading position on the international energy

scenario: a pioneer in the field of biofuels

with the planet’s most diversified energy matrix, and a

leader in offshore oil and gas.

Major discoveries were made in the previous decade.

What is called the “pre-salt” layer may more than double

Brazil’s hydrocarbon reserves with the help of heavy

investment in new technologies to enable progress on

new frontiers of exploration.

Brazil accounts for nearly a third of the offshore oil and

gas reserves discovered in the last five years - and 50%

of new hydrocarbon deposits found in the world in this

period were in deep water.

One of the most important discoveries of the past 30

years, the pre-salt oil fields are set to drive a new leap

in technology by oil companies working on deep-water

exploration and production.

The main one is Petrobras, the world’s eighth largest

Approximately 255,000 direct and

indirect suppliers will be impacted by

Petrobras´ business plan, highlighting

the crucial role its supply chain will

play in reaching its targets.

publicly traded company and third in the PFC Energy 50

ranking, which produces more than two million barrels

of oil per day (89% from offshore fields) and 57 million

cubic meters of natural gas in Brazil, in addition to its

operations in other countries.

The 2011-2015 business plan for Petrobras sets a target of

tripling production by 2020 by investing US$ 224.7 billion

of that amount, US$ 127.5 billion (57%) will be allocated

to exploration and production - an average of US$ 25.5

billion per year, of which US$ 1.3 billion for technology.

These resources will support an expansion strategy that

will require technology and supply chain partners to provide

innovative solutions and top performance. Not only

to enable exploitation in increasingly complex scenarios

such as the pre-salt layers, but also to optimize production

from the mature onshore and offshore fields that currently

account for most of the oil and gas produced in Brazil.

To reach its target of producing over 6.4 million equivalent

barrels of oil and gas (boed) per day by 2020 – of

which 6 million boed from Brazil itself - the company is

planning to drill more than 1,000 new offshore wells in

the next six years, to find new reserves and to aggregate

recoverable volumes of oil from producing areas, mainly

in the Campos Basin.

Petrobras aims to consolidate this expansion while

“maximizing local content, technology skills and human

resources, and fostering micro- and small firms,

sustainability and competitiveness.” The company itself

has stated that approximately 255,000 direct and indirect

suppliers will be impacted by its business plan,

highlighting the crucial role its supply chain will play

in reaching its targets.

Among the items for which there is growing demand –

and high volumes - are the chemical solutions used in

the exploratory stages, with numerous probes in activities

over the next five years, and in the production phase too,

with the installation of field development systems.

Carlos Tooge é doutor em

Química e vice-presidente

da Unidade de Negócios

Oil & Mining Services da

Clariant S.A..

Carlos Tooge is doctor

in Chemistry and vice

president of Clariant S.A.’s

Oil & Mining Services

Business Unit.

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

21


c o n v i d a d o

O potencial da energia

eólica e solar no Brasil

Após o último tsunami no Japão, o mundo passou a questionar

a geração de energia nuclear, e o tema ganhou ainda mais

destaque depois que a Alemanha decidiu substituir essa fonte

de energia pelas renováveis. Seguindo essa tendência, o país

inaugurou, recentemente, a primeira usina eólica offshore, com

capacidade de produção de 48,3 megawatts.

por Manfred Hattenberger

Aenergia eólica tem avançado do

domínio experimental para uma real

contribuição ao equilíbrio energético

dos países e regiões que nela investem.

A capacidade de geração mundial

aumentou de 4,8 GW em 1995

para 158 GW em 2009, e este crescimento deve

continuar. Mas, apesar das economias de escala e

da acumulação de know-how terem reduzido o preço

(por MW), bem como o risco de novas instalações, a

efi ciência de custos ainda é um aspecto importante.

No Brasil, o mercado eólico já está consolidado

e, atualmente, o país possui 44 parques em

operação com cerca de 600 MW de capacidade,

todos construídos com incentivos do Programa de

Infraestrutura (Proinfra). A expectativa é que este

crescimento continue nos próximos anos, pois o

governo brasileiro contratou a construção de 141

novos empreendimentos, com entrega prevista entre

2012 e 2013. Além disso, a Associação Brasileira de

Energia Eólica tem como objetivo instalar 10 GW de

energia eólica até 2020, sendo que um terço dessa

capacidade será instalado no Ceará. Os números

ainda são imprecisos, mas o potencial é enorme,

especialistas do mercado falam de uma capacidade

de geração superior a 300 mil MW.

Esses ventos combinados à incerteza econômica nos

mercados desenvolvidos trazem uma nova leva de

Com os sistemas atuais, uma

família média que possui um

sistema solar com armazenamento

de energia e painéis de dimensão

sufi ciente só teria que recorrer a

fontes externas de energia elétrica

em algumas horas por semana.

A Associação Brasileira de

Energia Eólica tem como

objetivo instalar 10 GW de

energia eólica até 2020, sendo

que um terço dessa capacidade

será instalado no Ceará.

investimentos para o Brasil e aceleram a vinda das

multinacionais para o país.

A ABB, por exemplo, grupo suíço-sueco, líder em

tecnologias de energia e de automação, presente

desde 1912 no país, inaugurou no início do ano em

Blumenau sua nova linha de produção de transformadores

a seco e anunciou investimentos de

US$ 200 milhões até 2014, sendo que parte deste

investimento está direcionado à ampliação da sua

fábrica em Guarulhos e à construção de uma nova

unidade em Sorocaba, em um terreno de 125 mil

metros quadrados.

Uma grande vantagem da geração eólica em relação

à matriz energética atual é que ela complementa

perfeitamente a redução na produção das hidrelétricas

na época da seca, período em que os ventos

sopram ainda mais fortes.

Seguindo a tendência de buscar fontes de energias

renováveis, está iniciando no mercado brasileiro o

desenvolvimento da energia solar. Assim como a

energia eólica, é menos agressiva ao meio ambiente,

pois não emite poluente, é uma fonte energética

renovável e existe em abundância em nosso país.

A energia solar pode ser captada de forma indireta

através de usinas em grandes áreas de captação ou

como acontece em Israel, onde 70% das residências

possuem coletores solares. No Brasil, o uso residencial

ainda está mais focado no aquecimento de água.

A possibilidade de integrar painéis solares à paisagem

com edifi cações e obras públicas permitem a

geração de energia próxima ou até no mesmo local

de consumo, reduzindo consideravelmente as perdas

na transmissão e distribuição (cerca de 40% do

total produzido) e a dependência energética. Com

os sistemas atuais, uma família média que possui

um sistema solar com armazenamento de energia e

painéis de dimensão sufi ciente só teria que recorrer

a fontes externas de energia elétrica em algumas

horas por semana. Outro bom exemplo é a utilização

de painéis solares para atendimento a comunidades

rurais e isoladas, do Programa Luz para Todos, do

Governo Federal.

Diferente da energia eólica, a solar possui uma produção

mais estável e previsível, mesmo com o céu

nublado, porém não produz nada durante a noite.

O futuro aponta para um Brasil sustentável e independente

energeticamente. Utilizando fontes de

energias renováveis e reduzindo assim o impacto

ambiental na geração, transmissão e distribuição.

Esse é o imperativo da sueca-suíça ABB, que busca

desenvolver produtos e sistemas de máximo

desempenho, ecologicamente corretos e sistemas

efi cientes para garantir o máximo desempenho das

plantas de seus clientes.

Uma sociedade sustentável é aquela que supre as

necessidades do presente sem comprometer a capacidade

das futuras gerações.

22 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


Foto: ABB

g u e s t

Potential for wind and

solar energy in Brazil

After the last tsunami in Japan, people worldwide became wary of nuclear

power, and the issue gained even more prominence after Germany decided

to replace this source of energy by renewable sources. Following this

trend, Germany recently inaugurated its first offshore wind farm, with

capacity for 48.3 megawatts.

b y Manfred Hattenberger

The Brazilian Wind Power Association

plans to install 10 GW of wind power

by 2020, and one-third of that

capacity will be installed in the state

of Ceará.

Foto: ABB

Wind power has moved on from the

experimental stage to making a real

contribution in the countries and regions

that have invested in this source. Generating

capacity worldwide grew from 4.8

GW in 1995 to 158 GW in 2009, and this growth is likely

to continue. However, although economies of scale and

accumulated know-how have reduced prices (per MW),

as well as risk for new facilities, cost effi ciency is still

an important aspect.

In Brazil, the wind-power market has already consolidated

and currently consists of 44 facilities with

capacity to produce 600 MW, all built with incentives

under the Infrastructure Program (Proinfra). We expect

this growth to continue in the coming years, since the

Brazilian government has commissioned 141 new

facilities due to be handed over in 2012-2013. In addition,

the Brazilian Wind Power Association plans to

install 10 GW of wind power by 2020, and one-third

of that capacity will be installed in the state of Ceará.

The numbers are still ballpark level, but the potential

is huge and industry experts are talking of generating

capacity of over 300,000 MW.

Economic headwinds combined with uncertainty in developed

markets are driving a new wave of investment

in Brazil and spiking the interest of the multinationals

in this country.

For example the Swiss-Swedish ABB conglomerate, a

leader in energy technologies and automation, which

has been present in Brazil since 1912, opened its new

production line for dry transformers in Blumenau earlier

this year, and announced it would be investing US$ 200

million by 2014. Part of this investment will be to expand

its Guarulhos plant and build a new one on a 125,000

m 2 site in Sorocaba.

A major advantage of wind power in relation to the

current energy matrix is that it perfectly complements

falling hydropower output in the dry season, when

winds are stronger.

Following the trend of using renewable energy sources,

the development of solar energy is starting to take off

in the Brazilian market. Like wind power, it is less aggressive

for the environment since it does not emit pollutants,

is renewable and exists in abundance in Brazil.

Solar energy may be tapped indirectly by plants in large

catchment areas or by units such as those in Israel,

Using current systems, an average

family installing a solar system with

energy storage units and panels of

suffi cient size would only have to resort

to external sources of electricity for a

few hours a week.

where 70% of homes have solar collectors. In Brazil,

residential use is still more focused on heating water.

By integrating solar panels to the landscape with buildings

and public works, energy could be generated near

consumers, or even on the same sites, considerably

reducing transmission and distribution losses (some

40% of total production) and energy dependence.

Using current systems, an average family installing

a solar system with energy storage units and panels

of suffi cient size would only have to resort to external

sources of electricity for a few hours a week. Another

good example is the use of solar panels for rural and

isolated communities under the Brazilian government’s

Light for Everybody (Luz para Todos) program.

Unlike wind power, solar production is more stable and

predictable, even in cloudy weather, but no power is

generated at night.

The future points to sustainable and self-suffi cient

energy for Brazil. Using renewable energy sources and

reducing the environmental impact of generation, transmission

and distribution. This is the imperative for the

Swiss-Swedish fi rm ABB, which is developing products

and systems for top performance, to be environmentally

friendly and effi cient while ensuring maximum performance

from clients’ plants.

A sustainable society is one that meets the needs of

the present without compromising capacity for future

generations.

Manfred Hattenberger

é gerente geral de

energia solar e eólica da

ABB Brasil.

Manfred Hattenberger

is solar and wind power

general manager of

ABB Brazil.

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

23


f o c o : e n e r g i a

Foto: Minergie

MINERGIE ® :

Construir Melhor, Viver Melhor

Entenda como funciona o

selo suíço MINERGIE ® de

construção sustentável e sua

viabilidade de implementação

por Franz Beyeler

MINERGIE

®

é um selo de qualidade

aplicável a construções novas

e reformadas, que abrange

todas as categorias de imóveis

e que prioriza o conforto dos

usuários. A energia necessária

para o aquecimento é uma ótima medida para

avaliar a qualidade da construção de um imóvel.

Além disto, MINERGIE ® estabelece limites para o

consumo de energia.

O conforto térmico é maior em imóveis com

paredes externas, pisos e tetos bem isolados e

termicamente estanques. A razão para isto: as

superfícies internas do invólucro do edifício são

mais quentes e as temperaturas do interior mais

uniformes. Estas qualidades também se fazem

sentir nos dias de calor no verão: o edifício permanece

agradavelmente fresco.

A qualidade da construção tem influência significativa

sobre o valor de um imóvel a médio e longo prazo.

De acordo com um estudo realizado pelo Zürcher

Kantonalbank, o Banco Cantonal de Zurique, após

30 anos um imóvel com selo MINERGIE ® vale 9%

mais que um imóvel convencional.

Uma melhor qualidade na construção traz consigo

custos mais elevados. Mas estes são compensados

por uma economia constante, durante décadas, no

consumo de energia. MINERGIE ® estabelece metas,

mas não determina a forma como estas metas

devem ser alcançadas. Assim, os empreiteiros e

engenheiros têm total liberdade de criação. Também

a escolha dos materiais e do tipo de aquecimento é

função dos envolvidos.

e n t r e v i s t a

Ruedi Kriesi

Já foram construídos mais de 20.000 imóveis

com certificação Minergie. Qual é a razão para

este sucesso?

Ruedi Kriesi: É um engano achar que é a eficiência

energética, como muitos podem pensar. É

bastante óbvio que casas com Minergie vendem

bem, pois oferecem conforto adicional, por terem

melhor isolamento acústico, menos entrada

de poeira, menos mofo, apenas para citar alguns

exemplos. O fato delas também consumirem

menos energia é apenas um efeito colateral

agradável para o proprietário.

O investimento mais elevado não seria a razão

para que muitos construtores optem por construir

uma casa convencional?

Sim, isto é verdade. Mas estas pessoas ainda

não entenderam algo decisivo: o valor agregado

de um imóvel destes. O Banco Cantonal de Zurique

provou que uma casa com selo Minergie

tem um valor de revenda mais alto. É indiscutível

que alguém, que hoje em dia constrói não optando

por Minergie, está cometendo um engano

em relação à melhor forma de usar seu capital.

Você assegura seu futuro com Minergie, pois

mesmo grandes aumentos futuros do custo de

energia não irão tornar proibitiva a manutenção

de sua casa.

Minergie também pode ser implementado

internacionalmente?

Sim, mas somente lentamente. Mesmo na Suíça

se passaram mais de dez anos até que pudéssemos

apresentar números aceitáveis. Este processo

tem de incluir construtores, planejadores,

arquitetos, autoridades e especialistas, e isto

automaticamente retarda o processo.

Não seria porque outros países têm outros regulamentos

e normas que regem a construção

civil, tornando difícil a introdução de construções

complexas como Minergie?

Sim, isto também é um motivo. Na Suíça tudo

começou relativamente rápido, pois já tínhamos

um padrão de construção alto, mas isto também

é o caso em países como a Alemanha e a Áustria.

Mesmo assim, na França já temos uma empresa

licenciada. Certamente, o objetivo de Minergie

é tornar-se um conceito amplamente conhecido.

Queremos disseminar nosso conhecimento

das técnicas de construção e do nosso modelo

de negócio para melhorar o aproveitamento

de energia em outras partes do mundo. Com

25% de todas as construções novas possuindo

certificado Minergie, uma considerável parte da

indústria de construção suíça acabou desenvolvendo

um know-how específico, que sem dúvida

pode ser valioso para melhorar a eficiência

energética em muitas construções mundo afora.

MINERGIE poderia ser implementado no Brasil?

Com sua definição baseada no aumento do conforto,

do valor e da eficiência energética, Minergie

faz sentido em qualquer lugar, sempre que haja

construções de alto nível sendo feitas. Obviamente,

para um clima como o brasileiro, muito diferente

do frio clima suíço, deverão ser definidos padrões

apropriados. Porém, muito da tecnologia MINERGIE

aplicada em regiões de clima frio também se aplica

a climas quentes e úmidos, e padrões MINERGIE

já foram desenvolvidos para os Emirados Árabes

Unidos e o sul do Japão. Entretanto, o sucesso da

introdução de um padrão avançado como este

exige o envolvimento de uma organização poderosa

com atuação em nível nacional, pois durante

anos haverá a necessidade de muita promoção e

de extenso treinamento técnico em todos os níveis,

com o objetivo de alterar a cultura da construção

civil existente. Na Suíça, este processo já dura

mais de dez anos.

24 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


Foto: Minergie

i n t e r v i e w

Ruedi Kriesi

Over 20.000 buildings have so far been built certified

by the Minergie standards in Switzerland. What

are the reasons for this success?

Ruedi Kriesi: It’s not primarily because of energy

efficiency, as many believe: that is a big mistake. It

is quite obvious that Minergie houses sell because

of its extra comfort, like better noise insulation, less

dust exposure and no risk of molding, for example.

The fact that it uses less energy is just a pleasant

side effect for the owner.

Aren’t the higher investment costs often the reason

why house builders often ultimately decide for a

conventional house?

Yes, that is true. But these people have not understood

something quite decisive: the added value

of such a property. The Zürich Cantonal Bank could

prove that Minergie houses have a better resale

value. It is undisputable that anyone who now builds

a house and doesn’t choose Minergie is making a

mistake with regards to the best way to use his

money. This is because you secure your future with

a Minergie house, and even massive increases in

energy prices in the future will not prohibitively

increase the running costs.

Can Minergie also be implemented internationally?

Yes, but only in slow stages. For even in Switzerland

it took over ten years until we could boast any

considerable figures. You have to include builders,

planners, architects, authorities and experts and

that automatically aggravates the process.

Is it not because there are other regulations and methods

of construction abroad, meaning that it is difficult

to implement complicated constructions like Minergie?

Yes, that also plays a role. In Switzerland everything

started more quickly, because we already had a

high building standard, but that would also be

similar in countries as Germany and Austria. Then

again, in France we already have a license holder.

By all means, it is Minergie’s aim to become better

known. We want to pass on the knowledge that we

have acquired in our building technique and business

model in order to improve efficiency elsewhere

in the world. With 25% of all new constructions

being Minergie-certified today, considerable parts

of the Swiss building industry have developed very

specific know-how, which would indeed be valuable

to improve the energy efficiency of buildings

in many other countries.

Could MINERGIE also be implemented in Brazil?

With its definition of increased comfort, value and

energy-efficiency, the brand makes sense wherever

people are building advanced houses. Obviously,

for the Brazilian climate zones, which are clearly

different from the cold Swiss weather, appropriate

standards would have to be defined. Most MINER-

GIE-technologies applied in cold weather also fit in

hot and humid areas and MINERGIE-standards have

been developed for example for the United Arab

Emirates or Southern Japan. However, introducing

such an advanced standard, a powerful and in

the construction business well positioned national

organization only could be successful, since a lot

of promotion and technical training on all levels

over many years would be required to change the

existing building culture. In Switzerland, this has

been a process of more than ten years.

f o c u s : e n e r g y

MINERGIE ® :

Building Better,

Living Better

Understand how the Swiss seal MINER-

GIE ® for sustainable building works and

its implementation feasibility.

b y Franz Beyeler

Homeowners enjoy higher levels of thermal

comfort when outer walls, floors and ceilings

are well insulated and thermally sealed. This

is so because inner surfaces of the building

envelope are warmer and inner temperatures are

more uniform. These qualities also have an effect

on hot summer days, when the building will remain

pleasantly cool.

High quality construction has a significant effect on

the price of a property in the medium and long term.

A survey conducted by Zürcher Kantonalbank showed

that a property bearing the MINERGIE ® seal was worth

9% more than a conventional building after 30 years.

Better quality construction does involve higher costs,

but they are offset by constant energy consumption

savings over decades. MINERGIE ® sets targets but

does not determine how they should be reached,

so contractors and engineers enjoy total creative

freedom. In addition, the choice of materials and

type of heating is made by those involved.

Ruedi Kriesi é o vice-presidente, líder do grupo estratégico e membro honorário

da União Minergie, além de proprietário da Kriesi Energie GmbH, uma empresa de

consultoria na área de conceitos e serviços de construção Minergie. Desde 1990, ele

mesmo vive em uma comunidade utilizando zero de energia para aquecimento.

Ruedi Kriesi is the vice president, leader of the strategy group and honorary

member of the Minergie union as well as owner of Kriesi Energie GmbH, a consulting

company for concepts and building services for Minergie constructions. He himself

has been living in a community requiring zero heat energy since 1990.

Franz Beyeler é

economista e diretor da

MINERGIE, Berna/Suíça.

Franz Beyeler Franz

Beyeler, economist and

director of MINERGIE,

Bern, Switzerland.

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

25


e s p e c i a l

ANOS

Foto: Fotolia

A

SWISSCAM completa 66 anos de existência

este ano e, para comemorar o

aniversário, apresenta na edição 66

alguns depoimentos de associados e

amigos de longa jornada que sempre apoiaram

o trabalho da SWISSCAM.

S p e c i a l

SWISSCAM’s

66th anniversary

SWISSCAM is celebrating its 66th anniversary this

year so this issue number 66 presents the testimony

of some long time members and friends

who have been constant supporters of our work.

Queremos saber a sua opinião sobre a revista.

Acesse www.swisscam.com.br/survey e

participe da nossa pesquisa. Com um pouco

de sorte você poderá viajar com a Swiss

International Air Lines!

We want to know your opinion about the magazine.

Go to www.swisscam.com.br/survey

and take part in our survey. With a little bit of

luck you may travel with Swiss International

Air Lines!

“A Sika desembarcou no Brasil em janeiro de 1934. panies supplying the construction and manufacturing

Nesses quase 80 anos de atuação no Brasil e mais industries. Today our brand is present in Brazil’s

de um século de atuação global, conquistou um papel major engineering works such as bridges, tunnels,

de destaque entre as principais empresas do país no sports facilities, large dams, industry and retailing,

mercado de produtos químicos para a construção in every case combining the latest technology with

e indústria. Hoje a marca Sika está presente em preservation of the environment. Sika has been a

grandes obras da engenharia nacional como pontes, member of SWISSCAM for more than 50 years, and

túneis, instalações esportivas, grandes hidrelétricas,

the chamber was of great importance for its growth

na indústria e varejo, sempre aliando a mais alta

and for generating new business.”

tecnologia com a preservação do meio ambiente.

Presente na SWISSCAM há mais de 50 anos, a câmara

Daniel Monteiro é

foi de grande importância para o crescimento da Sika

gerente geral da Sika

e a geração de novos negócios para a companhia.”

Brasil.

“Sika first came to Brazil in January 1934. Over a

Daniel Monteiro is

period of almost 80 years in Brazil and more than a

general manager of

century operating around the world, Sika has taken

Sika Brasil.

a leading role among the country’s chemicals com-

“Parabenizamos a SWISSCAM pelos seus 66 anos de

existência, dos quais tivemos o orgulho de fazer parte

desde o início das operações da SIG Combibloc no

Brasil, uma das principais fornecedoras mundiais de

embalagens cartonadas e máquinas de envase para

alimentos e bebidas. Estamos presentes no país há 8

anos e recentemente inauguramos a nossa primeira

fábrica de embalagens na América do Sul, localizada

em Campo Largo - PR. O forte crescimento dos nossos

negócios nos dá confi ança para continuar investindo

na região, especialmente no Brasil”.

“We congratulate SWISSCAM on its 66th anniversary

and we are proud to have been part of its history since

the first Brazilian operations of SIG Combibloc, one

of the world’s leading suppliers of carton packaging

and fi lling machines for foods and beverages. We have

been present in Brazil for eight years and recently

opened our fi rst South American packaging factory in

Campo Largo, in the state of Paraná. Our strong growth

has boosted our confi dence to continue investing in

the region, especially in Brazil.”

Félix Colas e

Ricardo Rodriguez,

respectivamente diretor

e presidente da SIG

Combibloc.

Félix Colas (director)

and Ricardo

Rodriguez (president),

SIG Combibloc.

26 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


“A nossa experiência durante os quase 18 anos de

associação à Câmara foi marcada pelo convívio com

profi ssionais extremamente bem organizados e muito

dedicados na agregação de valores e integração entre

seus associados, através de vários tipos de eventos, o

que nos permitiu estabelecer algumas parcerias que

duram até hoje.”

“We have been members of the chamber for almost

18 years and a key feature of our experience has

been interacting with extremely well organized professionals

who are highly dedicated to adding value

“A Swatch Group Brasil é membro da Swisscam

muitos anos. Aproveitamos, constantemente, as palestras

jurídicas e econômicas propiciadas por esta

prestigiosa Câmara de Comércio. Também fazemos

uso das salas de reunião e da plataforma de contatos.

Todos os funcionários e colaboradores da Swisscam

sempre se mostraram extremamente profi ssionais,

atenciosos e simpáticos. Só temos a agradecer pelo

suporte a nós prestado.”

“Swatch Group Brasil has been a member of Swisscam

for many years. We have constantly benefited

from legal and economic seminars offered by this

and organizing for integration among members by

holding different types of events, which has enabled

us to build partnerships that are still going strong.”

Alberto Gomes de

Araújo é fundador e

ex-CEO da Victorinox

do Brasil.

Alberto Gomes de

Araújo is founder and

ex-CEO of Victorinox

do Brasil.

prestigious chamber of commerce. We have also

made use of its meeting rooms and enjoyed having

a platform for contacts. All Swisscam staff and associates

have always been extremely professional,

helpful and friendly. We can only say “thank you” for

the support provided.”

Carolina Levi Rocha

é diretora geral da

Swatch Group.

Carolina Levi Rocha is

CEO of Swatch Group.

Fazer 66 anos em um período muito turbulento

e ainda fi car ativa não é para qualquer um. Eu

mesmo vivi quase metade deste tempo no Brasil.

Nascido na Suíça, com a formação concluída e

com as primeiras experiências profi ssionais lá, tive

um choque cultural e profi ssional muito forte quando

cheguei em São Paulo. Hoje estou confi ante de

que a decisão tomada foi certa, e isto em todos os

aspectos. Também acredito que o Brasil vai ocupar

a posição que lhe cabe no cenário mundial e que

a paz social poderá ser assegurada.

66 years old in a turbulent period and still be active

is not everyone’s cup of tea. I lived myself almost

half of this time in Brazil. Born in Switzerland,

with education and fi rst professional experiences

achieved there, I had a great cultural and

professional shock when I arrived in Sao Paulo.

Today I am confi dent that my decision was right,

in all aspects indeed. I also believe Brazil will take

over the position the country is entitled to in the

world scenario and social peace will be assured.

Christian Hanssen

é diretor da Helamin

Brasil.

Christian Hanssen

is director of

Helamin Brasil.

“A Elevadores Atlas Schindler S.A., associado de longa

data da SWISSCAM, é uma empresa integrante do

Grupo Schindler, que atua há mais de 130 anos em

todos os continentes. No Brasil, a empresa conta com

duas fábricas, em Londrina e São Paulo, e um parque

fabril planejado para exportação de equipamentos

de transporte vertical principalmente para a América

Latina. Com mais de 2.500 técnicos e 150 Postos

de Atendimento em todo Brasil, a empresa também

oferece serviços de modernização de equipamentos

antigos, que prevê a atualização tecnológica e estética

de elevadores, escadas ou esteiras rolantes.”

Elevadores Atlas Schindler S.A. is a long-standing

member of SWISSCAM, and part of the Schindler group

of companies, which has been doing business on every

“Que incrível potencial superando de longe as infl uências

da Ásia! Com redução de carga tributária, interferência

do governo, burocracia; adoção de uma reforma fi scal

profunda; interrupção da redistribuição de 48% do PIB;

redução da insustentável dívida interna; conscientização

de que o papel do governo é servir as pessoas e não o

contrário: o Brasil fi cará contente, será próspero e terá

taxas de crescimento regulares acima de 9%!

Feliz Aniversário, Swisscam! Continue a contribuir

da mesma maneira profi ssional e efi ciente para criar

ligações entre as economias suíça e brasileira!”

What an incredible potential exceeding by far Asia’s

powerhouses! Reduce tax burdens, government interference,

and bureaucracy; introduce far-reaching fi scal

reform; stop redistributing 48% of GDP; reduce the

continent for over 130 years. In Brazil, the company

has two factories, in Londrina and São Paulo, and our

plants were planned to export vertical transportation

equipment primarily to Latin America. With more than

2,500 technicians and 150 service stations throughout

Brazil, the company also modernizes older equipment

technologically and aesthetically enhancing elevators,

escalators or conveyers.”

José Carlos Lusquiños

é diretor de Logística

e Suprimentos da

Elevadores Atlas Schindler.

José Carlos Lusquiños

is head of Logistics and

Supplies of Elevadores

Atlas Schindler.

unsustainable internal debt; realize that government

is there to serve the people and not vice-versa: Brazil

will be happy, prosperous and regularly post growth

rates of up to nine percent!

Happy Birthday, Swisscam! Continue to contribute in

the same professional and effi cient manner by acting

as matchmaker for partners from the Swiss and the

Brazilian economies!”

Juerg Leutert é ex-

Embaixador da Suíça no

Brasil e presidente da Swiss

Brazil Consultoria Ltda.

Juerg Leutert is former

Swiss ambassador to Brazil

and president of Swiss

Brazil Consultoria Ltda.

“Ao longo de sua existência, a Swisscam prestou

relevantes serviços às relações comerciais

entre o Brasil e a Suíça, com uma trajetória

que se iniciou como uma espécie de elo social,

entre a comunidade de suíços que chegavam

em companhia das empresas de seu país que

aqui vinham se instalar; para, ao longo de seus

66 anos de existência, tornar-se indutora dos

interesses empresariais bilaterais. Hoje, caminha

para ser uma entidade cada vez mais independente

e auto sustentável, através da prestação

de serviços ligados à promoção de negócios

e como um fórum de debates, de temas de

interesse comum dos seus associados. É com

satisfação que parabenizo a Swisscam por seus

primeiros 66 anos de vida!”

“Throughout its existence, Swisscam has provided

outstanding services to trade relations

between Brazil and Switzerland. Initially, its

purpose was to provide a kind of social venue

for members of the Swiss community in Brazil,

mostly those with companies doing business

here, but in the course of its 66-year existence

it went on to help develop bilateral business

interests. Today, it is on the way to becoming an

increasingly independent and self-sustainable

entity providing business and promotional related

services and acting as a discussion forum for

subjects of common interest to its members.

We are pleased to congratulate Swisscam on

its 66th anniversary!”

Carlos Hohl é

vice-presidente de

Desenvolvimento de

Negócios e Relações

Institucionais da ABB.

Carlos Hohl is ABB’s

vice-president for

Business Development

and Institutional

Relations.

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

27


f o c o : e n e r g i a

Eficiência Energética da

Biomassa no Brasil

Uma política adequada para energia deverá permitir o equilíbrio

entre o aumento do abastecimento primário de energia (petróleo,

gás natural, hidroelétrica) e o aumento da eficiência energética.

Tradicionalmente, o primeiro tem recebido mais ênfase porque,

inter alia, a maioria das externalidades tem sido ignorada.

por Jayme Buarque de Hollanda e Pietro Erber

Esse é o caso do uso da biomassa no Brasil,

onde o etanol de cana-de-açúcar

abasteceu 19% da demanda de energia

para transporte em 2009, enquanto

madeira e carvão abasteceram 13% da

demanda de energia industrial. Juntas,

as duas fontes atenderam 30% do total da demanda

de energia primária do Brasil.

Não foi a falta de tecnologia, mas sim fatores econômicos

e culturais, somados a regulação inadequada

e falha no cumprimento da lei, que provocaram

ineficiências na produção e utilização de energia

de biomassa. Portanto, transformação e uso final

mais eficientes de cana-de-açúcar e madeira e seus

derivados reduzirão a pegada de carbono do Brasil,

que já é uma das menores do mundo.

A maior parte do carvão é

obtida através de tecnologias

que impedem a recuperação de

efluentes valiosos, que poderiam

ser utilizados para vários fins

industriais.

Os setores de cana-de-açúcar e de energia elétrica

sabem, há muito tempo, que a biomassa de cana-deaçúcar

(folhas e bagaço) pode produzir quantidades

consideráveis de energia, mas falharam em aproveitar

oportunidades porque se concentraram exclusivamente

em substituir gasolina. Subsídios para investimento

e altos preços de petróleo empurraram os preços do

etanol para níveis consideravelmente remuneradores,

de modo que o novo setor de etanol foi capaz de se

consolidar sem a receita adicional que poderia ter sido

gerada pela energia elétrica excedente.

Entretanto, na última década, mudanças no modelo

do setor de energia elétrica e nos critérios

de financiamento adotados pelo Banco Nacional

de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

A crescente demanda

internacional de pellets de

biomassa poderá fornecer

novas oportunidades para que

instalações de processamento

de cana-de-açúcar e madeira

produzam combustíveis

renováveis.

melhoraram as condições para a produção de energia

elétrica excedente e venda para o sistema de

transmissão, utilizando usinas de etanol e açúcar

novas e reformadas. Além disso, a crescente demanda

internacional de pellets de biomassa poderá

fornecer novas oportunidades para que instalações

de processamento de cana-de-açúcar e madeira

produzam combustíveis renováveis utilizando tecnologias

menos capital-intensivas.

O carvão, produzido a partir de um terço de toda a

madeira destinada à produção de energia, abastece

indústrias de ferro gusa de alto teor de carbono e

de ferroligas. Espera-se que novos regulamentos e

tecnologias tornem mais eficientes a produção e a

utilização do carvão. A maior parte do carvão é obtida

através de tecnologias que impedem a recuperação

de efluentes valiosos, que poderiam ser utilizados

para vários fins industriais. A recuperação desses

efluentes poderia enfatizar a necessidade de utilizar

instalações de carbonização mais eficientes.

Enquanto indústrias de papel e celulose e alguns

grandes produtores de gusa utilizam madeira e resíduos

provenientes de plantações, outras indústrias

utilizam madeira nativa e tecnologias primitivas e

ineficientes para produzir carvão. Embora lenha e

carvão sejam fontes significativas de energia, que

substituem fontes não renováveis como coque, óleo

combustível e gás natural, a produção, venda e utilização

de lenha e carvão não foram devidamente

regulamentadas, levando em conta a eficiência

potencial e os benefícios ambientais.

A regulamentação poderia ainda desenvolver a

produção e utilização de pellets e briquetes, uma

vez que, no Brasil, há disponibilidade de grandes

quantidades de resíduos de biomassa. Muito mais

biomassa, incluindo madeira, cana-de-açúcar e

culturas de ciclo curto e alta produção (como de

capim-elefante), poderia ser cultivada aqui e em

outras regiões com solo e insolação similares e com

disponibilidade de terra e água. Outras culturas,

como as de soja e babaçu, também poderiam ser

utilizadas para aumentar a produção de biodiesel.

O biodiesel tem sido o principal substituto brasileiro

para o diesel mineral e atualmente chega a 5% do

total do diesel utilizado.

O uso intensivo de biomassa, que tem sido a regra

em quase todo o mundo até o século XIX ou depois,

é normalmente associado ao subdesenvolvimento,

uma vez que essa fonte de energia é prontamente

disponível e aproveitada por meio de tecnologias

ineficientes. Entretanto, essa noção não deve ser

generalizada, principalmente no caso da indústria

brasileira, que tem instalações altamente eficientes

ao lado de instalações ineficientes.

Essas disparidades mostram que o aumento da

eficiência energética geral exige mudanças culturais

importantes de todos os participantes, além de

diretrizes institucionais, o que destaca o papel do

governo, dos reguladores do setor de energia e dos

critérios de financiamento.

28 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


Foto: Fotolia

f o c u s : e n e r g y

Biomass Energy Efficiency in Brazil

A sound energy policy should strike a balance between increasing the

primary supply of energy – oil, natural gas, hydro - and boosting energy

efficiency. The former has traditionally been given more emphasis because,

inter alia, most externalities were ignored.

b y Jayme Buarque de Hollanda a n d Pietro Erber

This is the case of biomass use in Brazil, where

sugar-cane ethanol supplied 19% of 2009 transportation

energy requirements while wood plus

charcoal accounted for 13% of industrial energy

consumption. The two sources together provided 30 % of

Brazil’s total primary energy supply.

Rather than any lack of appropriate technology, it has been

economic and cultural factors, in addition to inadequate

regulation and law enforcement, that have led to inefficiencies

in biomass energy production and use. Therefore,

more efficient transformation and final use of sugar cane

and wood and their derivates will reduce Brazil’s carbon

footprint, which is already one of the lowest worldwide.

The sugar-cane industry and the power sector have long

known that sugar-cane biomass (foliage and bagasse)

could produce sizable quantities of power, but they

failed to seize opportunities because they were focused

exclusively on substituting for gasoline. Investment

subsidies and high oil prices pushed ethanol prices to

considerably remunerative levels, so the new ethanol

industry was able to do without the extra revenue that

surplus electricity would have generated.

Over the last decade, however, changes in the power

sector model and in financing criteria applied by

Brazil’s Economic Development Bank (BNDES)

improved conditions for producing surplus electricity

and selling it to the grid, using new and refurbished

ethanol and sugar plants. The growing international

demand for biomass pellets may also provide new

opportunities for sugar-cane and wood processing

plants to produce renewable fuels using less capitalintensive

technologies.

Charcoal, made from about one third of all wood used

for energy purposes, supplies high-grade pig iron and

Most charcoal is obtained using

technologies that preclude the recovery

of valuable effluents that could be used

for different industrial purposes.

ferro-alloy plants. New regulations and technologies are

expected to make its production and use more efficient.

Most charcoal is obtained using technologies that preclude

the recovery of valuable effluents that could be used for

different industrial purposes. Recovering them would highlight

the need to use more efficient carbonization facilities.

Whereas pulp and paper plants and some large pig-iron

makers use wood and residues from plantations, other

industries rely on native wood and use primitive and

inefficient technologies to obtain charcoal. Although

firewood and charcoal are significant energy sources

that substitute non-renewables such as coke, fuel oil

and natural gas, their production, sale and utilization

have not been adequately regulated, considering the

potential efficiency and environmental benefits.

Regulation would also help develop production and

use of pellets and briquettes, since large quantities of

biomass residues are available in Brazil. Much more

biomass, including wood, sugar cane and short-cycle,

high yield crops, such as elephant grass could be grown

here, as well as in other regions with similar soil and

sunlight, and land and water availability. Other crops,

such as soybeans and palm oil could also be used to

boost biodiesel production. The former are Brazil’s main

substitutes for mineral diesel, presently amounting to

about 5% of total diesel used.

Intensive use of biomass, which was the rule in almost

everywhere until the 19th century or later, is normally associated

with underdevelopment, since this energy source

is readily available and has been tapped using primitive and

inefficient technologies. However, this notion must not be

generalized, particularly in the case of Brazilian industry,

which has both highly efficient and inefficient facilities.

These disparities show that raising overall energy

efficiency requires major cultural changes among all

stakeholders, along with new institutional guidelines,

thus highlighting the role of government, power sector

regulators, and financing criteria

Jayme Buarque de Hollanda é diretor-presidente do Instituto

Nacional de Eficiência Energética – INEE; Pietro Erber é diretor

do INEE.

Jayme Buarque de Hollanda is CEO of Brazil’s Energy Efficiency

Institute (Instituto Nacional de Eficiência Energética, or INEE);

Pietro Erber is director of INEE.

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

29


30 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


n o t í c i a s d a s w i s s c a m

Dia

Nacional

da Suíça

c h a m b e r n e w s

Switzerland’s

National Day

This year, Consul General Hans Hauser hosted

lunch for SWISSCAM guests and members to celebrate

Switzerland’s National Day on August 1 st .

It was a very welcoming event with plenty of traditional

eatables and guests enjoyed a fi ne social occasion.

Este ano o Cônsul Geral Hans Hauser

ofereceu aos seus convidados e associados

da SWISSCAM um almoço em

comemoração ao Dia Nacional da Suíça,

que aconteceu no 1º de agosto. Em um

ambiente muito acolhedor e repleto de comidas

típicas, os convidados tiveram uma agradável tarde

de confraternização.

Nota de falecimento –

Ernst Wepfer

A SWISSCAM lamenta o falecimento do Sr.

Ernst Wepfer, em 27/02/11, em Maceió, e

transmite à família suas condolências. Ativo

associado da SWISSCAM há muitos anos, o

Sr. Wepfer foi diretor da Winterthur Insurance,

posteriormente incorporada à XL Insurance, e

desde 2007 estava aposentado e associado

como pessoa física. Viveu mais de 25 anos

no Brasil e há dez anos estava casado com a

Sra. Cristina Wepfer.

Passed away - Mr. Ernst

Wepfer

SWISSCAM regrets to report that Mr. Ernst Wepfer

passed away in Maceió on February 27, 2011 and

we express our condolences to his family. An active

SWISSCAM member for many years, Mr. Wepfer was

formerly director of Winterthur Insurance, subsequently

absorbed by XL Insurance. After his retirement in 2007,

he remained active as an individual member. He had

been living in Brazil more than 25 years and had been

married to Mrs. Cristina Wepfer for ten years.

1 2

3

4

5

6

1) Jukka Räisänen e Ariste Maurer. Jukka Räisänen and Ariste Maurer.

2) Convidados na residência do Cônsul. Guests at Consul’s residence.

3) Cônsul Geral Hans Hauser e sua esposa Ana Hauser; Christian Hanssen, SWISSCAM. Consul General Hans

Hauser and his wife Ana Hauser; Christian Hanssen, SWISSCAM.

4) Leandro Conti, Syngenta e Xavier Gruffat, Pharmanetis. Leandro Conti, Syngenta and Xavier Gruffat, Pharmanetis.

5) Stephan Buser, SWISSCAM; Dominik Hug, Nestlé, e sua esposa Fernanda. Stephan Buser, SWISSCAM; Dominik

Hug, Nestlé, and his wife Fernanda.

6) Rodolpho Leber e sua fi lha Silvia. Rodolpho Leber and his daughter Silvia.

s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1

31


f o c o : e n e r g i a

Balanço energético e balanço ambiental:

redução de custos e promoção da imagem

As empresas devem conhecer

seu balanço energético e seu

balanço ambiental. Esses

balanços demonstram onde

e como a empresa utiliza

a energia e quais gases de

efeito estufa ela produz. A

maior efi cácia energética se

traduz em redução de custos e

o uso de fontes renováveis de

energia oferece oportunidades

de expansão comercial.

por Hans-Christian Angele

Atualmente as empresas enfrentam grandes

desafi os de longo prazo. Os custos associados

ao aumento da demanda mundial

por energia e à redução da capacidade de

abastecimento são fatores cada vez mais determinantes

para o custo operacional. As mudanças climáticas

sensibilizaram consumidores de ambos os

sexos. Eles querem ter certeza de que os produtos

não sobrecarregam o meio ambiente.

Por isso, as empresas devem conhecer os fl uxos de

energia de seus negócios e conhecer os balanços de

energia e de CO 2

de seus produtos. Somente assim

é possível otimizar. Otimizar não signifi ca apenas

reduzir os custos através de maior efi ciência, mas

também reestruturação do abastecimento energético,

por exemplo, através da produção própria

derivada do aproveitamento energético do calor,

resíduos, ou através do melhor aproveitamento das

fontes renováveis de energia.

Mas como proceder? O ponto principal é defi nir o

limite do sistema (Figura 1). O aumento da efi cácia

se concentra nos gastos diretos e nas emissões

dentro da empresa (Escopo 1). Essa abordagem

pode ser complementada pela inclusão de modelos

energéticos e ambientais relevantes (Escopo 2).

Uma análise mais abrangente também considera as

matérias-primas e os produtos auxiliares, a aplicação

do produto, os processos terceirizados e as viagens

comerciais (Escopo 3).

Determinamos a pegada de carbono para as fi liais

de uma empresa varejista global atuante no setor

alimentício. A política de responsabilidade corporativa

da empresa exige redução da emissão dos

gases causadores do efeito estufa e melhor efi ciência

energética.

Eletricidade comprada

para consumo próprio

Purchased electricity

for own use

ESCOPO 2

Indireto

SCOPE 2

Indirect

CH 4

ESCOPO 1

Direto

SCOPE 1

Direct

Frota de veículos

da empresa

Company

owned vehicles

Combustão

de combustíveis

Fuel combustion

N 2 O

CO 2 SF 6 HFC S PFC S

ESCOPO 3

Indireto

SCOPE 3

Indirect

Produção de material

comercializado

Utilização

do produto

Product use

Atividades terceirizadas

Outsourced activities

Viagens

comerciais de

funcionários

Employee business

travel

Production of purchased

material

Tratamento de resíduos

Waste disposal

Veículos dos

prestadores

de serviço

Contractor

owned vehicles

FIG. 1: Limites do sistema para balanço energético e pegada de carbono. System boundaries for energy balance

and carbon footprint.

Em relação à pegada de carbono foram levantados

os dados relativos aos gastos energéticos dos

prédios (sistema de calefação, eletricidade), perda

de agentes de refrigeração empregados para o

resfriamento de produtos e de salas, gasto de combustível

associado ao transporte de mercadorias e

ao comércio. Isso evidenciou diferenças dramáticas

entre os países.

A Figura 2 demonstra que pode haver variação de até

400% nas emissões dos gases causadores de efeito

estufa por m 2 . De um lado, essa variação se deve às

diferenças nos gastos energéticos entre as fi liais e

os centros de distribuição. Nas instalações industriais

localizadas nos EUA, Austrália e Reino Unido

há um potencial enorme para melhorar a efi ciência

energética. O melhor isolamento das construções

aliado a equipamentos mais efi cientes podem reduzir

massivamente o consumo energético. Por outro

lado, as diferentes fontes de eletricidade têm papel

importante nas grandes diferenças observadas.

Quando a eletricidade é derivada de combustíveis

fósseis as emissões de gases causadores do efeito

estufa por m 2 aumentam consideravelmente e podem

ser drasticamente reduzidas através da substituição

por fontes renováveis de energia

Os agentes de refrigeração contribuem significativamente

para a emissão dos gases causadores

do efeito estufa (Figura 3). Apesar da diminuta

emissão, os agentes de refrigeração possuem um

elevado potencial de aquecimento global, contribuindo

significantemente para o efeito estufa. Em

países com altos índices de vazamento, pode-se

obter a redução das emissões de CO 2

através de

melhorias na manutenção e através do emprego

de agentes de refrigeração menos críticos.

As empresas precisam conhecer os seus balanços

de energia e de emissão de gases de efeito estufa.

Trata-se uma expectativa do mercado e uma exigência

legal cada vez mais frequente. Esses balanços

sempre expõem potenciais de otimização concretos,

que além de contribuir para o meio ambiente

possibilitam reduzir os custos. A decisão de quais

medidas devem ser implementadas se baseia nesses

balanços associados a considerações econômicas.

Quase sempre prevalecem os ganhos de curto prazo,

isto é, medidas que favorecem um retorno rápido

sobre o investimento. Portanto, balanços de energia

e de emissão de gases causadores de efeito estufa

constituem importantes elementos no gerenciamento

de custos de uma empresa.

Fonte/Source: New Zealand Business Council for Sustainable Development.

32 s w i s s c a m m a g a z i n e 6 6 1 0 / 2 0 1 1


f o c u s : e n e r g y

Energy and environmental

balance: lowering costs while

enhancing image

Companies should be aware of their energy

and environmental balances, which show

where and how they are using energy and

which greenhouse gases they are producing.

Higher levels of energy efficiency translate

into cost savings; using renewable energy

sources offers opportunities for growing

business.

b y Hans-Christian Angele

Companies currently face major long-term

challenges. Costs associated with the world’s

higher demand for energy and its reduced

supplies are increasingly critical factors for

operational costs. Climate change has sensitized consumers

of both sexes, who would like to be sure that

products are not overloading the environment.

Therefore, companies should be aware of energy flows

in their business and should compile energy and CO 2

balances for their products. Only then can they optimize.

Optimizing is not only about cutting costs by being

more efficient. It also means restructuring energy supplies,

for example, by producing own energy from heat,

waste products, or by making better use of renewable

energy sources.

But how can we move forward with this process? The

main point is to define system boundaries (Figure 1).

Raising efficiency focuses direct costs and emissions

within a company (Scope 1). This approach may be

complemented by including energy and environmental

modelling (Scope 2). A more comprehensive analysis

also takes in raw materials and auxiliary products, how

a product is used, outsourced processes and business

travel (Scope 3).

We compiled carbon footprints for affiliates of a global

retailer operating in the food industry. The company’s

corporate responsibility policy requires less emission of

greenhouse gases and more energy efficiency.

Carbon footprint data were collected for energy costs

of buildings (heating system, electricity), losses

of cooling agents used for facilities and products,

and fuel use associated with transporting goods

and retailing. This showed dramatic differences

between countries.

Figure 2 shows that there may be variation of up to

400% in greenhouse gas emissions per m 2 . In part,

this variation is due to differences in energy expenditure

between affiliates and distribution centres.

Industrial plants in the U.S., Australia and UK have

enormous potential to improve energy efficiency.

Better insulation for buildings combined with more

efficient equipment could massively reduce energy

consumption. But using different sources for electricity

may also play an important role in the huge

differences seen above. Electricity from fossil fuels

considerably raises greenhouse gas emission per m 2 ,

which may be drastically reduced by replacing them

with renewable sources of energy.

Cooling agents account for a significant part of

100%

90%

80%

70%

60%

50%

40%

30%

20%

10%

0%

100%

90%

80%

70%

60%

50%

40%

30%

20%

10%

0%

Emissão de gases de efeito estufa de acordo com a atividade por m 2 de área de venda

Greenhouse gas emissions by activity per m 2 of sales area

Austrália

Australia

EUA

USA

Reino Unido e Irlanda

UK & Ireland

Eslovênia

Slovenia

Comércio

Trade

Transporte de mercadorias

Goods transportation

Filiais e centros de distribuição

Affiliates and distribution centres

Alemanha

Germany

Combustíveis

Fuels

Agentes de refrigeração

Cooling agents

Suíça

Switzerland

Áustria

Austria

Emissões de gases causadores de efeito estufa de acordo com combustíveis e agentes de refrigeração

em relação ao m 2 de área de comercial

Greenhouse gas emissions for fuels and cooling agents per m 2 of retail space

Austrália

Australia

EUA

USA

Reino Unido e Irlanda

UK & Ireland

greenhouse gas emissions (Figure 3). Despite low

emissions, cooling agents have major potential to

reduce global warming because they account for a

significant part of the greenhouse effect. Countries

with high leakage rates could cut back CO 2

emissions

by ensuring better maintenance and using less critical

cooling agents.

Companies have to be aware of their energy and

greenhouse gas emission balance. This is an increasingly

widespread market expectation and a legal

Eslovênia

Slovenia

Alemanha

Germany

Eletricidade

Electricity

Combustível fóssil usado

para aquecimento

Fossil fuel used for heating

Suíça

Switzerland

Áustria

Austria

requirement too. Balances of this kind always show

real optimization potential, which as well as enhancing

the environment also helps to reduce costs. Decisions

on measures to be taken are based on these balances

together with economic considerations. In most cases,

the predominant factor will be short-term gains, or

measures that show a quick return on investment.

Therefore, energy and greenhouse gas emission balances

are important elements of a company’s cost

management.

Hans-Christian Angele é sócio e membro do Conselho Diretivo da Ernst Basler +

Partner e é responsável pelo setor de recursos e de proteção ambiental (Recursos

+ Alteração Climática). Seu foco é principalmente estratégia e desenvolvimento

de projetos no segmento energético (energia renovável) e projetos associados à

alteração climática.

Hans-Christian Angele, partner and member of the board of directors of Ernst

Basler + Partner, head of its resources and environmental protection sector (Resources

+ Climate Change), focusing mainly on strategy and developing energy-sector and

climate-change related projects (renewable energy). www.ebp.ch/en

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Foto: Associação Raízes

comunidade brasileira na Suíça

Associação Raízes

Brazilian community in

Switzerland

Associação

Raízes (Roots

Association)

Since 1997, Associação Raízes (Roots Association)

has been providing Brazilian Portuguese courses for

children living in the region. The Swiss Department

of Public Instruction has accepted their eligibility as

“courses in language and culture of origin” (LCO) to be

supported and encouraged and they are mostly held in

public schools as a supplement to the regular schedule.

At present, we have 70 students aged 4 to 13 and 5

teachers, but in the medium term we hope to reach

out to more children to meet growing demand from the

Brazilian community here. The courses are precariously

funded from the proceeds of events held by the Association,

but they are no longer sufficient to cover costs.

Objectives

• Encourage the teaching of Brazil Portuguese language

for children, young people and adults;

• Gather together the Brazilian community living in

Geneva and district for cultural events and activities

related to Brazilian culture;

• Help Brazilian residents in Switzerland to integrate.

Desde 1997, a Associação Raízes oferece

cursos de português do Brasil às crianças

brasileiras residentes na região. Eles

integram o grupo dos “cursos de língua

e cultura de origem” (LCO), apoiados e incentivados

pelo Departamento de Instrução Pública suíço, e são,

em sua maioria, realizados nas escolas públicas

como complemento à escola regular.

Atualmente, acolhemos 70 alunos de 4 a 13 anos e

5 professores, sabendo-se que devemos atingir a

médio prazo um número bem maior de crianças para

atender à crescente demanda da comunidade brasileira.

Os cursos são precariamente financiados pelos

eventos da Associação, cujas receitas, atualmente,

não cobrem mais os custos de manutenção da escola.

diretório directory

Objetivos

• Promover o ensino de língua portuguesa do

Brasil para crianças, adolescentes e adultos;

• Reunir a comunidade brasileira residente em

Genebra e à proximidade, na ocasião de eventos

culturais e atividades ligadas à cultura

brasileira;

• Favorecer a integração de brasileiros residentes

na Suíça.

Contato para patrocínio e parcerias:

Contact for sponsor and partnerships:

Magnólia VIGNY

Rue des Savoises 15

1205 Genève

Tel. +41 22 779 1714 / 79 290 2190

magvigny@bluewin.ch

www.raizes.ch

Foto: Associação Raízes

Foto: Associação Raízes

Confira os endereços da comunidade

suíça no Brasil e da comunidade

brasileira na Suíça em nosso site.

Acesse www.swisscam.com.br e

clique em “Informações úteis”.

Find the addresses of the

Swiss community in Brazil

and the Brazilian community

in Switzerland on our website.

Go to www.swisscam.com.br and

click on “Useful information”.

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swisscam magazine 66 10/2011


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