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CRÍTICA

“O Pai das Minhas Filhas”: O cinema, combate de uma vida

Jean-Luc Douin

LE MONDE | 15.12.09

Cada vida tem o seu mistério. E contudo, a de Grégoire parecia límpida.

Filho de uma família de industriais, este belo homem, esplendoroso

e elegante, tinha decidido só fazer o que queria. Apaixonado pelo

cinema, tornou-se produtor, um desses produtores independentes

e cinéfilos que movem o céu e a terra para que os autores façam

filmes, ambicionando apenas saltar de um orçamento para outro,

para continuarem a financiar obras que, por vezes, têm a felicidade

de apresentar na cinemateca.

Sem o citar, Mia Hansen-LØve faz aqui o retrato de Humbert Balsan,

nos seus últimos dias de vida, antes do suicídio em 2005. Uma

fuga para a frente, dívidas que se acumulam, uma ameaça de

congelamento de contas, uma rodagem que se arrasta, parceiros

pouco fiáveis, um banco que deixa de pagar as facturas… Asfixiado,

o cavaleiro da sétima arte põe brutalmente fim aos seus dias.

O Pai das Minhas Filhas é um filme sobre o amor do cinema, a

criação colectiva, o obscuro trabalho dos que circulam nos bastidores,

o empenhamento. Vemos um homem que exerce a sua profissão

com nobreza. Contudo, o filme não se destina só aos profissionais do

cinema. É antes de mais um filme sobre a família. Grégoire deixa duas,

inconsoláveis: o clã radioso formado pela mulher e pelas filhas, que

se queixavam de o ver demasiadas vezes pendurado ao telemóvel; a

colmeia das suas colaboradoras, barulhentas e inquietas.

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