2 - Mundo Universitário

mundouniversitario.pt

2 - Mundo Universitário

[toma nota]

Queres ser delegado do Mundo

Universitário e fazer a ponte entre

o jornal e a tua faculdade? Manda

os teus contactos e nome da

tua faculdade para:

delegado@mundouniversitario.pt

[ moda ]

Pins, pins, pins

e mais pins

com fartura.

Complementos

da diferença

para usar.

P. 9

[ 7.ª Arte ]

Tubarões com

medo, lulas

cantoras e peixes

afins

estreiam esta

semana.

P. 20

[ jukebox ]

Pluto em

entrevista,

Nick Cave,

ben Harper e a

nossa agenda

de concertos .

P. 21

Director: Gonçalo Sousa Uva | Segunda-feira 27 de Setembro 2004 | N.º 4 | Quinzenal | distribuição gratuita | www.mundouniversitario.pt

Manuela Azevedo, a voz dos Clã, aqui. P. 6-7


2 | 27 SETEMBRO 2004

[ notícias ]

Estudar compensa

Em Portugal, os licenciados ganham em média mais

78% do que uma pessoa com o ensino secundário.

Segundo um relatório recente da OCDE, o nosso país

apresenta uma das mais altas taxas de rentabilidade

do Ensino Superior, ultrapassando muitos dos seus

congéneres europeus. Em Espanha, os licenciados

ganham apenas mais 29%, em França este valor não

ultrapassa os 49%. Os dados da Organização para a

Cooperação e Desenvolvimento contidos no relatório

“Education at a Glance” ilustram também o reverso da

medalha. Portugal é dos países com mais baixos níveis

de escolaridade no conjunto dos 30 que pertencem

à OCDE. 60% dos portugueses entre os 20 e os

24 anos não acabaram o ensino secundário, garantem

as estatísticas oficiais.

Mais dinheiro para

as Universidades

711 milhões de euros será o valor destinado às Universidades

no Orçamento de Estado para 2005,

mais 11 milhões de euros do que no ano passado.

Os números foram avançados recentemente pelo

Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas

e serão agora discutidos com o Governo. O

Conselho considera o reforço insuficiente dado o aumento

nominal da inflação em 1,5%.

[ intervenção ]

Canudo na mão. E agora?

Trabalhar num centro comercial é muito desgastante. O movimento das

pessoas, para cá e para lá, as músicas de fundo habituais... há sempre

tanta informação para absorver!

Estou a fazer uma campanha de solidariedade social. O meu trabalho,

basicamente, é abordar as pessoas que diariamente passam por ali,

apressadas, sem mãos suficientes para carregar as compras. Às vezes é

difícil prender-lhes a atenção, mesmo tratando-se de um problema real.

“Bom dia, já conhece a nossa nova campanha de solidariedade? É para

ajudar crianças com cancro...”, digo. “Não estou interessado” ou “Já

conheço” são algumas das respostas mais frequentes. Outras

simplesmente ignoram. Tentam escapar-se ao contacto directo e à pressão

exercida sobre o olhar.

Por outro lado, alguns rostos são sempre os mesmos. Andam por ali

sozinhos, em busca de alguém que possa falar com eles. Outros são

viciados nos centros comerciais, e não conseguem deixar de

passear por ali, mesmo que seja só uma vez por dia. Trabalhar

em locais como estes, faz-nos aprender muito sobre as

pessoas... apercebermo-nos de como os centros comerciais

podem ser um autêntico refúgio da solidão diária para muita gente.

Andreia Arenga | Ciências da Comunicação

Recuperar os desempregados

Os licenciados sem emprego vão passar a ter acesso

a cursos de especialização para a admnistração

pública. A intenção do Governo é recoverter os 40

mil licenciados desempregados, garantindo-lhes nova

formação e saídas profissionais. Em entrevista ao

Diário de Notícias, a ministra do Ensino Superior,

Graça Carvalho garantiu ainda que os novos cursos

de especialização vão também ser abertos a quem

tenha apenas concluído o secundário. A formação

durará em média pouco mais do um ano, consoante

o nível do curso.

Erasmus fora da Europa

Cinco universidades vão receber já a partir do próximo

ano alunos de todo o mundo. Nova de Lisboa,

Católica, Trás-os-Montes e Alto Douro, Aveiro e a

Universidade do Algarve, bem como o políticenico

de Tomar, estão entre as 82 instituições escolhidas

pela Comissão Europeia para participar neste programa,

com um custo avaliado de 230 milhões de

euros até 2008. Circulação de estudantes, bem como

o acesso a Masters internacionais de alta qualidade

estão entre os objectivos desta iniciativa, que

segundo a comissária europeia para o sector, Viviane

Reding, visa colocar a Europa na liderança da

cena universitária internacional.

Centro comercial, um refúgio da solidão

Painel de Ouro

“Jovens licenciados no desemprego” é já um vulgar título

de imprensa. É a realidade nua e crua com a qual nos

deparamos mal deixamos o stress diário dos horários

apertados e aulas teóricas do fantástico percurso universitário.

Os 4 anos investidos na valorização académica,

profissional e pessoal são uma aura protectora: “eu sei

que isto lá fora está negro, mas hei-de conseguir!” Mas o

sonho desmorona-se quando caímos aos trambolhões no

mercado de trabalho (eminentemente empresarial, financeiro,

agreste e competitivo).

É urgente uma melhor articulação entre o meio universitário,

os centros de emprego e as empresas. É urgente a

real concretização dos processos de estágios profissionais.

Ainformação existe. Falta “apenas” articulação entre

os diferentes sectores de responsabilidade nos processos

de emprego.

Por tudo isto, encontrar emprego na área de formação

exige uma postura activa e determinada. Elaborar um bom

Curriculum e dar-se a conhecer ao mercado de trabalho

com confiança é fundamental. Mãos à obra que encontrar

emprego é um verdadeiro “trabalho”!

Vera Martins | recém-licenciada em Ciências da Comunicação

O Mundo Universitário deve-se também ao apoio e contributo das marcas apresentadas no Painel de Ouro.

ILUSTRAÇÃO DE ANDRÉ LARANJINHA


2

3 4

1 Marylin Manson, Best of quase nas lojas. Na Jukebox

2 Surfistas da poeira em destaque no Radical

3 Fugir para longe, descobrir recantos escondidos no Fugas.

4 Tubarões para todos os gostos. Na 7.ª arte.

Agenda

Universitária

UNIVERSIDADE DO PORTO

X Congresso de Ciências do Desporto e de Educação

Física dos Países de Língua Portuguesa

De 27 de Setembro a 1 de Outubro

INSTITUTO SUPERIOR DE PSICOLOGIA APLI-

CADA – ISPA

9th International Conference on Motivation

1 de Outubro

UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES

E ALTO DOURO

Encontro de Algebristas Portugueses 2004

28 de Setembro | matemat@utad.pt

UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR

IMAGO – V Festival Internacional de Cinema e Vídeo

Jovem

4 de Outubro

1

Ficha Técnica: Título registado no I.C.S. sob o nº 124469 | Propriedade: Metro News Publicações Lda | Empresa nº 223575 | Matrícula nº 10138 da C.R.C. de Lisboa | NIPC 505434229 | Conselho de Gerência: António Stilwell Zilhão; Francisco Pinto Barbosa; Gonçalo Sousa

Uva | Chefe de redacção: Miguel Pacheco | Colaboradores: Miguel Aragão; Sara Gomes | Projecto Gráfico e Paginação: Sara del Rio | Revisão: Adriana Duarte Sá | Ilustradores: André Laranjinha, Bruno Franquet e Carlos Pontes | Sede Redacção: Rua Damião de Góis nº

48 3º E 1495-043 Algés | Tel: 21 4112300 | Fax: 21 4112302 | Tiragem: 35 000 | Periodicidade: Quinzenal | Distribuição: Gratuita | Impressão: Lisgráfica, Impressão e Artes Gráficas, S.A; Morada: Casal Sta. Leopoldina – Queluz de Baixo 2745 Barcarena


4| 27 SETEMBRO 2004

[ 5.ª dimensão ]

Regresso às aulas

Não é nas grandes superfícies, não. Não temos mochilas da Barbie nem canetas a preço da chuva. Pedimos aos fornecedores auscultadores

invisíveis, imagens holográficas, saltos quânticos para um futuro de exames realizados. Ainda nada chegou ao nosso humilde estabelecimento.

| Miguel Aragão

Sobe, sobe,

balão sobe

A pensar nas festas que, já se sabe, abundam

nesta fase inicial do ano lectivo... Pocket Breath

Analyzer... Em condições de conduzir? Contra

acidentes de viação ou apreensões de carta,

este balãozinho em miniatura – do tamanho

de aproximadamente dois dedos –

funciona de forma bem simples. Apita

quando está pronto a ser utilizado e

passados alguns segundos o resultado

dos copos aparece no visor. Só não

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Alvoraaada!

Pois é, a temporada das sonecas até

às 15h já lá vai. Para acordar com

estilo e sempre à hora certa

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Sculptural Notepad consegue ser funcional e

escultural ao mesmo tempo. Além disso, como

documenta a imagem, também serve para

não termos sempre de andar à procura do

lápis, ou da caneta. Uma pequena maravilha.

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Brilha no escuro

Relatórios para ontem? Noitadas de labuta

intensiva? Sem ser um exclusivo para

iluminados, este Eluminx promete

facilitar a tarefa dos

estudantes noctívagos,

que assim evitam

perder tempo à

procura das teclas.

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rato a condizer é de borla para

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6| 27 SETEMBRO 2004

[ ídolos ]

“ O mundo não é nada

simpático”

Amúsica sempre fez parte. Da infância, de uma

adolescência igual a tantas outras. Tocava piano, escolheu

Direito mas não gostou de ser advogada.

Preferiu realizar os seus sonhos, dar voz aos Clã, esgotar-se

em palco. Depois do álbum Rosa Carne e de

um Verão de concertos, Manuela Azevedo, aqui.

| Entrevista de Miguel Aragão e Miguel Pacheco

COMO É O DIA-A-DIALONGE DOS CON-

CERTOS? ACORDAS, vais ao café...

Eu vivo numa aldeia (perto de Vila do

Conde), de maneira que não dá para ir logo

ao café. Acordo normalmente tarde, tomo o

pequeno-almoço em casa, porque acordo

sempre esfomeada. Depois depende. Se

estamos numa altura de concertos, volto

cheia de saudades para casa, mas tenho

logo de pôr a roupa a lavar e passar a ferro

para voltar para os concertos.

Já tinhas saudades deste regresso à

calma...

Todos nós sentimos isso. A família é muito

importante, dá muita segurança. A vida de

estrada, apesar de ser muito entusiasmante

é também muito desgastante. Passas

por muitas coisas diferentes, por horários

complicados, por noites de concertos

que são bestiais quando corre tudo bem,

mas depois tens cinco horas para dormir.

Estás sempre a viver opostos, momentos

de grande euforia com momentos de grande

cansaço.

Mas há sempre hábitos que irritam...

Somos pessoas muito normais e acabamos

por ter alguma normalidade na estrada. Às

vezes há uma ou outra coisa. Muita gente

pergunta se temos rituais para entrar no

palco. Mas nós não temos nada disso.

Somos uma seca de um grupo. Não temos

manias nenhumas.

São todos grandes amigos, partilham

tudo?

O contrário seria impossível em 12 anos de

trabalho. Que implicam ensaios, estrada,

discutir o que vais fazer na carreira de um

grupo.Decisões importantes para todos como

parar e deixar de ganhar dinheiro

durante algum

tempo .Esse

tipo de

de-

Nunca te apetece desligar, abandonar

tudo?

Eu gosto muito da estrada. Divirto-me

muito com as viagens e temos gente muito

fixe connosco. Não me sinto muitas vezes

com vontade de desligar. Há alturas em

que sim, quando já estamos com muitos

concertos nas costas, muitas entrevistas.

Nunca se fartam uns dos outros?

Também, mas nós sabemos lidar com isso.

O “já estou farto de te ver, o sai daqui, baza,”

acontece. Mas também nos conhecemos

muito bem e com os anos aprendemos a ter

alguma elasticidade para lidarmos uns com

os outros. Quando um começa a ficar cansado

e com saudades, temos que ter pézinhos

de lã para que a vida seja toda melhor.


27 SETEMBRO 2004

| 7

[ ídolos ]

não à guerra do Iraque, estamos lá. Mas

não para apoiar um partido.

Voltando à música, como é que vêem o

futuro dos Clã?

O nosso objectivo é continuar a fazer disto a

nossa vida e isso implica fazer discos, concertos,

fazer cada vez melhores espectáculos,

investir sempre na nossa profissão para

podermos alargar, não só territorialmente

como artisticamente o nosso trabalho. Mas

não existe nenhuma programa, nenhuma

espécie de metas definidas de números de

discos vendidos.

cisões fazem com que nos conheçamos

muito bem. Apesar de tudo não somos

daqueles grupos que andam muito juntos.

Cada um tem o seu reduto onde os

outros não entram. Não vamos jantar, tomar

café. Há alguma distância. Nós estamos

tão juntos durante tanto tempo que é

preciso esse espaço para respirar.

Nessa tomada de decisões, há alguém

que pese mais, quando?

O Hélder é decididamente o chefe. Não no

sentido de ser mandão, mas é a pessoa que

tem ideias muito mais claras, do que deve

ser o caminho musical dos Clã, o caminho

artístico. E as decisões são sempre motivadas

por necessidades artísticas. É muitas

vezes o Hélder que coloca as questões,

aponta problemas e soluções, mas a decisão

é sempre assinada por todos.

Também é o Hélder quem escreve a maioria

das letras. Não te incomoda cantar

sem escrever?

Não, de todo. A identificação completa

não passa por achares que és aquela

criatura. Muitas vezes nem és. A coisa

porreira da interpretação é poderes fazer

da canção uma coisa tua. Isso é muito

gratificante e não vejo nenhuma dificuldade

nisso. A minha maior dificuldade

seria escrever. Acho maravilhoso, mas

não sou nada criativa.

Nunca te apetece falar sobre o que vês?

Passar uma mensagem mais crítica?

Nós já fizemos coisas dessas. O “Luso-

QualquerCoisa” é um disco muito mais contaminado

de críticas sociais, de um discurso

mais irónico sobre a realidade. O Kazoo também

tem muitas dessas coisas. Este disco

tem um universo tão pessoal, tão intimista

que não há espaço para esse tipo de discurso.

O importante na criação artística é o

que é urgente para o artista fazer e não o

mais correcto ou eticamente mais necessário.

Não acho que é por aí que a gente vá.

E o que é que te choca mais quando olhas

para fora, para o mundo?

É sempre um bocadinho doloroso olhar.

Ainda por cima tendo sido mãe há pouco

tempo, ainda me custa mais. O mundo sempre

foi muito violento, mas não estávamos

com o canal de televisão sintonizado. Apesar

de confiar no futuro, há muita coisa que

me deixa descontente, o mundo actual, o

facto de termos sido obrigados a aceitar uma

guerra contra o Iraque por razões mentirosas.

Esse tipo de impotência das pessoas e

das ideias contra o dinheiro e os poderosos

são coisas que me chocam. Em Portugal

preocupa-me imenso a mudança política

que houve com o Governo, o desinvestimento

na cultura, na educação.

Nunca sentem que precisam de dar o alerta,

de falar sobre esses temas..

Nós falamos disso em entrevistas, mas

| Muito qualidade, pouca indústria |

A música nacional está bem e recomenda-se, garante a vocalista dos Clã. “Tem gente

nova e gente velha que continua a trabalhar muito bem.” Referências da velha guarda?

Da Weasel, Sérgio Godinho e Mão Morta. Quanto aos novos, admite que não é propriamente

a pessoa mais atenta, mas lá vai desfilando alguns nomes. ”O projecto Mesa é

muito engraçado. Pluto, estou ansiosa por ouvir o disco, apesar de não se poder dizer que

sejam propriamente novatos. O Manuel Cruz e o Peixe (vejam a entrevista na Jukebox)

já têm alguma experiência. Gosto muito da voz dos Toranja, muito expressiva. Gosto da

maneira como exploram a língua”, portuguesa, entenda-se. Gomo, Sam the Kid e Dealema

completam o lote. Quanto à indústria, muda o discurso. ”Há uma grande confusão

agora com as editoras, com a crise do mercado, quebra de vendas e desinvestimento

geral em novos projectos, o que é preocupante. Temo que com a crise haja alguma diminuição

de produtos de qualidade no mercado, por não haver dinheiro para se patrocinar

ou por só se patrocinar lixo.”

nunca quisemos tomar posições políticas

associadas a partidos. Mais importante do

que estar associado a um ideário político é

falarmos das ideias certas, das coisas certas.

E acho que isso dá mais força do que

sermos militantes de um partido ou apoiarmos

uma candidatura. Em iniciativas que

tenham a ver com ideias, a gente está lá.

Se for para dizer não à despenalização do

aborto, estamos lá. Se for para dizermos

Aos 18 anos e já com vários anos de formação

musical, aparece o curso de Direito

em Coimbra. Foi uma opção consciente?

Sim, foi muito pensada. Eu era uma menina

responsável e era o que queria seguir.

Além da música, claro.

Quando é que descobriste...

Que me tinha enganado? Houve algumas

coisas que não me agradaram. Não só o

facto de algumas cadeiras serem muito

desinteressantes, mas que tínhamos de

gramar. Mesmo assim, gostei muito do

tempo que lá estive. Gostei muito de alguns

professores que encontrei. O Orlando Carvalho,

que era um terror, toda a gente temia

o homem, mas que dava aulas deliciosas.

Mas tive bons momentos, também porque

gostava muito do pensamento jurídico, do

relacionamento das coisas, de perspectivar,

de argumentar. Mas havia outras dimensões

mais chatas. O direito fiscal...

E o ambiente?

Nunca me liguei muito ao ambiente académico,

liguei-me muito mais a determinadas

pessoas. Fiz amizades muito fortes em

Coimbra.

Se a música deixasse de ser viável, o

Direito seria uma hipótese?

Acho que tentava fazer outra coisa qualquer,

trabalhar num café, sei lá. Fiquei muito traumatizada

com o estágio, com a advocacia,

com a minha falta de jeito para aquilo. Com

o choque dos meus ideais românticos com

a realidade. Custava-me ver que se fazia

Há destino certo, sons e projectos onde

querem chegar?

Nós não temos muitas preocupações com

catalogações estéticas. Porque nunca foi

isso que a gente fez. Tivemos sempre

muita liberdade nos ingredientes que utilizámos

para fazer a nossa música, o nosso

espectáculo, as nossas canções. Achamos

mesmo que a grande vantagem de

estarmos nesta profissão é podermos

exercer a liberdade para chegarmos a

boas canções, a bons espectáculos, a

boas banda sonoras. Seja o que for. É isso

que nos move. |

| “Era uma menina responsável” |

muita injustiça devido aos atrasos nos tribunais

e por advogados estagiários e sem

experiência defenderem as pessoas menos

favorecidas. Houve muita coisa ali que me

deixou desapontada. Não só o sistema de

justiça português, mas também a minha

incapacidade para exercer.

Mesmo sem o Direito, acabaste por te

concretizar na música. Não há muita

gente contrariada quando escolhe um

curso?

Hoje em dia, qualquer pessoa pode ir para

a Universidade. Agora, não é inevitável que

assim seja. Há pais que programam a vida

dos filhos, que insistem no “qualquer pessoa

para ter sucesso na vida, para ser

socialmente útil tem que ter um curso”.

E não é bem assim. Lembro-me de dizer

aos meus pais que se não entrasse em

Direito tentaria no ano seguinte. Não ia

andar a gastar dinheiro numa coisa que

não queria fazer. E isto apesar de ter tirado

um curso que afinal acabou por não me

servir para nada.

Nada mesmo?

Serviu para discutir ideias, para aprender

mais. Mas não serviu na perspectiva em que

as pessoas vêem hoje os cursos: um canudo

que vai garantir trabalho.

A realidade acaba por destruir muitos

sonhos?

Sim, eu também senti isso. A pessoa está

cheia de vontade de ir para mundo e mudar

as coisas. Mas é difícil, porque o mundo não

é nada simpático.


8| 27 SETEMBRO 2004

[ radical ]

MISTURA

EXPLOSIVA

Inventado por um australiano que o testava no seu filho de onze

anos, o Dirtsurfer procura agora adeptos em Portugal. Promete

sensações semelhantes às do surf e sem

ser preciso juntar água. | Miguel Aragão

"Tudo o que eu queria era uma máquina

que curvasse de forma fluida como no surf

ou no snowboard". Cansado de um Verão

sem ondas e de um Inverno sem neve, o

australiano Graeme Attey meteu mãos à

obra e um ano depois, em 1999, o Dirtsurfer

estava finalmente em condições de ser

comercializado. Rapidamente, espalhou-

-se pelo mundo e cerca de 4 anos após o

seu nascimento chegou a Portugal. "Vi-o

na televisão num canal brasileiro e interessei-me

logo. Depois, encomendei o meu

em Espanha".

Interessou-se de tal maneira que, além de

ter trazido a marca de Graeme – DirtSurfer

– para Portugal, Ricardo Encarnação

encontra-se actualmente empenhado na

criação da primeira associação portuguesa

da modalidade, apesar do ainda reduzido

número de praticantes. "O maior problema

é o aspecto do aparelho em si, que

assusta um pouco as pessoas", esclarece

o dirtsurfer português, "o que não deixa

de ser curioso, já que este desporto é seguro

e de aprendizagem muito rápida". Ao

contrário do snowboard, em que são necessários

alguns dias, garante que meia

hora é suficiente para se tomar o gosto a

este "surfar em seco". E entram os dados

técnicos, nomeadamente um inovador

sistema de direcção. A roda da frente está

montada num garfo oscilante suportado

por um cubo de rolamento colocado no

ponto mais baixo e dianteiro do quadro, o

que facilita as mudanças de rumo. Apelidado

nos Estados Unidos de "skateboardon-steroids",

o dirtsurfer é, acima de tudo,

uma máquina com um potencial tremendo.

Tanto pode ser utilizado no tradicional

"off-road downhill", descida em terreno

acidentado, como no "high-speed downhill

road", no asfalto e a alta velocidade, atingindo

os 105 quilómetros por hora. Até

nas superfícies planas se despende menos

energia do que num skate. Actualmente,

o recorde não oficial de longa distância

em recta pertence ao australiano

Cahn Mitchell, que percorreu 55 quilómetros

em três horas, à noite, na auto-estrada

Great Nothern-Austrália.

Outra das grandes mais valias do dirtsurfer

é a possibilidade de o conjugar com

uma vela de Windsurf ou com um kite. No

caso da vela, basta apertá-la no pequeno

orifício de 8mm situado na base do aparelho.

Com o kite, o conceito das duas grandes

rodas colocadas no mesmo eixo traduz-se

numa estabilidade e confiança

impares, garantem os especialistas. Não

falta por isso liberdade para as manobras

mais arrojadas, na terra ou no asfalto. O

céu é o limite. |

Preços e contactos

O preço de uma destas máquinas varia conforme as especificações de cada modelo. O mais

acessível DirtsurferGP custa aproximadamente €400 enquanto que o mais dispendioso, FlexiDeck

atinge os €750. Os interessados podem realizar um test-ride grátis na Serra de Sintra, cruzamento

dos Capuchos, todos os domingos a partir das 15h. Marcações pelo telemóvel 96 2303138 – Ricardo

Encarnação


27 SETEMBRO 2004 | 9

[ moda ]

O CÍRCULO

DA MODA

São redondos, pequenos e baratos. Objectos de culto nos anos 80, os

pins regressam agora como complemento essencial. | Vanessa Marques

Nos anos 90 as t-shirts com slogans deram

cartas. Hoje, para dar a conhecer o

que nos vai na alma, já não é preciso

tanto. Basta prender um pin na lapela.

Esquecidos durante algum tempo, ressurgem

dos “baús” da moda, cheios de

design e prontos a emprestar estilo ao

trapinho mais sem graça.Os pins foram

moda que teve o seu auge na década de

80, associada ao movimento punk, a

maioria utilizava-os para dar a conhecer

gostos musicais, mensagens e ideologias

políticas. Dessas características, os

pins de hoje pouco conservam. Já nao

são objectos associados a uma minoria e

passaram a reflectir os gostos de quem

os compra. E há-os para todos os tipos:

politizados, abstractos, divertidos, atrevidos

ou até feitos à medida. O único limite

é a imaginação de quem os usa.

Quem compra um pin, fá-lo essencialmente

por um motivo: porque é uma forma barata

de expressar a sua identidade. Com

preços entre 50 cêntimos e um euro e

meio, tornam-se bastante mais apelativos

do que exibir o último modelo de telémovel

ou os ténis do momento. Conscientes deste

fenómeno, são já muitas as marcas que

incluem pins nas suas colecções. Nomes

como David and Goliath, Pucca, Emilly the

Strange, Gola ou Pepe Jeans exibem-nos

orgulhosamente nas montras das suas lojas,

pregados em t-shirts, calças de ganga

e até sapatos. O objectivo é poder aceder

à identidade da marca, mas

sem rombos na carteira. Muito

procurados são também

sites como a Wear It With

Pride, que fazem destas

pequenas chapas, autênticas

obras de arte. Gerido

por Tim McKnight e Darren

Firth, este projecto tem como

fim divulgar os pins, convidando

jovens criadores a fazerem deles as

suas “telas”. A ideia já resultou em

mais de 600 criações, que podem ser adquiridas

em www.wearitwithpride.com, por

apenas 3 dólares cada.

Em termos históricos, os primeiros “pins”

conhecidos foram criados a pedido do Papa,

no séc. XII. Representavam S. Pedro e

S.Paulo e eram usados pelos peregrinos

como sinal de devoção. Desde essa época,

a história destes objectos percorreu um

longo caminho. Analisar o seu papel como

agentes da evoluçao político-social, é o objectivo

do British Museum de Londres, que

lhes dedica uma exposição que estará patente

até 16 de Janeiro de 2005 e que pode

ser “visitada” em www.thebritishmuseum.ac.uk/cm/badges/.

Seja por coleccionismo, vaidade, rebeldia

ou ideologias, a verdade é que é difícil resistir

a este verdadeiro “vício”. O círculo da

moda deu a volta por cima e este Outono

é, quase de certeza, presença indispensável

em todas as lapelas. Just Pin it! |


10 | 27 SETEMBRO 2004

[ flash ]

Bichos ao poder

???

“Eu praxo, tu praxas... eu sou praxado”. Próprio do léxico académico, o “praxar” tem sido conjugado ao longo das sucessivas gerações

estudantis. Com as mais variadas interpretações. | Raquel Louçã Silva

“SIM, ESTOU A PERCEBER. TUDO

BEM. Mas se calhar é melhor ligar daqui a

um bocadinho... quer dizer, isto agora nem

está com muito movimento, podemos falar

já”. Na azáfama da banca improvisada junto

à secretaria, o presidente do núcleo de estudantes

da Faculdade de Direito da Universidade

de Coimbra, lá acede ao pedido. Se

bem que não revele todos os segredos inerentes

ao ritual de receber o “caloiro”, alguns

“truques” sempre acabam por ser partilhados.

Na banca há panfletos para distribuir. Apadrinhamentos

a fazer. Esclarecimentos a dar

sobre as regras da praxe, a faculdade, o sistema

de ensino, a lei das propinas. “Diz-se

muita coisa a respeito das praxes. A maioria

dos caloiros vem receosa, por isso há que

começar a inseri-los no meio”, resume

Manuel Loureiro.

Com o objectivo de explicar aos caloiros o

funcionamento da instituição, do curso e do

mundo que os espera “lá fora” está prevista

uma espécie de sessão de esclarecimento.

O presidente do Conselho Directivo e um

antigo aluno da faculdade (o ano passado

foi o actual bastonário da ordem dos advogados,

José Miguel Júdice) serão os anfitriões.

Entre aulas e tertúlias, modos de acolhimento

extra, em que “integração” e “diversão”

são as palavras de ordem. É o que se

espera da semana de iniciação à vida académia.

Acabadinhos de chegar à faculdade,

os “bichos” são levados para o jardim botânico

para da cidade onde desempenham o

papel de touros na já “famosa tourada” de

início de ano. Fazer declarações de amor

aos Drs. e às Dras., “para se desinibirem”

também é da praxe. E, admite o presidente

do núcleo, “às vezes também utilizamos os

caloiros para gozar com os outros veteranos”.

Entre fados e guitarradas, copos, e a

eleição dos Mr. e Miss caloiro do 1.º ano,

prevê-se que o jantar dos recém-chegados

encerre o ritual em amena cavaqueira.

Os resistentes

Se na Faculdade de Direito de Coimbra a

tradição académica faz da praxe um costume

indispensável ao começo do ano lectivo,

na Faculdade de Ciências Sociais e

Humanas da Universidade Nova de Lisboa,

por exemplo, “não se passa grande coisa”.

Quem o diz é Andreia Reis, que vai na sua

quinta matrícula do curso de Ciências da

Comunicação. “É tudo muito calmo”. Não

fossem pequenos grupos dos cursos de línguas,

geografia e comunicação que fazem

“umas graças” e parecia o “período normal

de aulas”. Até porque, no mesmo recinto,

esses pequenos grupos convivem com elementos

do MATA– Movimento Anti Tradição

Académica -, que pintam os muros da faculdade

e distribuem panfletos, lançando reptos

contra o que apelidam de “submissão”.

Apesar de nunca ter praxado ninguém,

Andreia lembra-se de ter sido praxada logo

no primeiro dia de aulas. Conta que foram

levados, de olhos vendados, para uma escola

primária que fica perto da faculdade. Pelo

caminho, tempo suficiente para aprenderem

o hino do curso, que os havia de inspirar nos

anos subsequentes. “É orgia, é bacanal, é

comuni..., é comunicação social”, lá vai

dizendo o refrão.

Já na escola, mal puderam abrir os olhos,

repararam que estavam rodeados de miú-

| Memórias da praxe |

Costume de tempos quase imemoriais,

as tradições de praxe remontam a

Coimbra e à Universidade. Já em tempos

medievais a entrada na vida académica

coimbrã implicava o uso da capa e

batina, símbolos de uma comunidade

com regras e hábitos. No século XIX a

praxe mais típica era o “canelão”, uma

espécie de corredor da morte para os

caloiros. Duas filas de “doutores” agrupavam-se

para dar caneladas aos “bichos”,

que no meio dos protestos e das

dores entravam na Universidade. “Nesses

tempos – reza a versão oficial do Código

da Praxe – Coimbra era o terror para

“bichos” e “caloiros”. Tempos esses

em que até o “sindicato das lavadeiras

do Baixo Mondego”, constatando a existência

de matérias estranhas no centro

das cuecas das vitimas da Praxe, exigia

que se tomassem resoluções higiénicas

por uma Academia limpa e desempoeirada

sob o lema: “avante pela cueca

limpa”. Nessa altura ainda não existiam

os “dux veteranorum”, que são uma invenção

do século passado juntamente

com os Conselhos de Veteranos. A partir

de 1974, as praxes estenderam-se às outras

universidade com práticas mais ou

menos democráticas. Porto, Lisboa,

Évora, todos os pólos têm a sua, todas

as universidades praxam individualmente

ou em grupo. A capa e batina foram

substituídas pelos trajes de festa, os rolos

de papel higiénico na cabeça, as tintas

na cara. Sinais do tempos. | MP


27 SETEMBRO 2004

| 11

[ flash ]

dos com pinturas nas mãos e “prontos a atacar”.

Comandados pelos veteranos, e “em

verdadeiro delírio” foram pintando caras,

unhas e o que mais conseguiam.

Antes disso já os colegas do 2.º ano tinham

preparado uma “aula fantasma”, em que

uma rapariga “disfarçada de professora”

mencionava uma lista de bibliografia gigantesca

com manuais em grego e alemão de

leitura obrigatória. “Foi giro, foi diferente”,

lembra com um sorriso.

Do passeio no Douro às brincadeiras

Este ano vai haver o sarau – espectáculo

dos vários grupos culturais da faculdade,

para que os recém-chegados fiquem a

conhecer os núcleos onde podem inscreverse.

O rali paper – para ficarem a conhecer

a faculdade. E “estamos a pensar organizar

uma viagem de barco no rio Douro”, diz o

Dux Veteranorum da Faculdade de Engenharia

do Porto. Vítor Serralva desempenha

o cargo máximo da hierarquia académica, é

uma espécie de presidente do conselho de

veteranos.

“Para além disso também se fazem saídas

a outras faculdades”, em que os caloiros

desfilam pela cidade ecoando “cânticos e

pouco mais”. Porque, diz o Dux, “as brincadeiras”

são guardadas para as alturas em

que só os estudantes estão presentes.

Sem querer alongar-se a explicar do que

constam essas “brincadeiras”, comenta

com orgulho a antiguidade da tradição académica

naquela instituição. E garante: “é

aqui que se fazem os grandes amigos.”

“Costumes especiais e convenções usadas

pelos estudantes da Universidade de Coimbra”,

diz um velho dicionário de Língua portuguesa

a respeito de “praxe académica”.

Mas se a tradição tem raízes na academia

coimbrã, certo é que os ventos se encarregaram

de semeá-la de norte a sul do país.

Por isso, nestes dias “os capas negras” vão

andar à solta. Mais rigorosos ou a viver do

simples improviso cumpre-se a tradição e,

matrícula a matrícula, dá-se a ascensão dos

“bichos” ao poder. |

| Uns dizem mata, outros esfola |

Com uma estrutura transversal porque mão

deve haver hierarquia dentro da organização,

o MATA bate o pé às praxes há mais de

10 anos. Em nome do quê e contra quem?

Tem a palavra Tiago Gillot, do Movimento

Anti-Tradição Académica. | Miguel Aragão

O que é que vos move?

Nós aparecemos em Lisboa como reacção

ao intensificar das praxes um pouco por

todo o país, no início da década de 90. Hoje

não somos apenas um movimento antipraxe,

mas um grupo que tenta colocar a

questão da praxe como ponto de partida

para todas as outras.

Todas as outras tradições académicas?

Não só. Nós achamos que a existência das

praxes e das outras tradições académicas

têm sido uma barreira à discussão dentro

das faculdades sobre os assuntos específicos

da própria faculdade e do mundo.

Quer dizer que as energias são todas

canalizadas para o mesmo?

O que assistimos hoje na comunidade estudantil

é que se discute apenas as praxes e

outras tradições. Movem-se estudantes

por questões relativas às universidades. No

máximo, por leis que lhes dizem respeito.

A universidade deixou de ser um fórum.

E como é que actuam?

Antes concentrava-mos quase todos os

esforços no princípio do ano. Mas estamos

a tentar inverter essa tendência. Recorremos

a panfletos, participamos em debates,

nalgumas festas.Temos percorrido outros

caminhos, apelando a reflexões mais profundas

para tirar a questão do seio das universidades

e colocá-la na esfera pública.

Quais são os maiores abusos?

É tentar transmitir às pessoas ideologias,

uma moralidade. E isso é evidente no papel

transmitido do que deve ser a mulher ou

na visão conservadora sobre a sexualidade,

a obediência e a estratificação social

e cultural das pessoas. Há sempre abusos,

às vezes, violência física. E até mortes.

Há algum caso que os tenha chocado?

O que mais directamente acompanhei e

mais me chocou, foi o caso da Ana Santos,

no ano passado, em Santarém. Obrigaram-

-na durante horas a estar de pé, encheramna

de bosta e expuseram-na para que toda

a gente lhe pudesse tocar.

Não há vantagens na praxe? Como ritual

de iniciação?

Para que é que precisamos de um ritual de

iniciação à entrada para a universidade?

Quando ingressamos num emprego isso não

acontece. É a visão de quem está a entrar

no Olimpo, que é tudo aquilo que nós não

queremos. Auniversidade é um direito para

toda a gente. E pior ainda, essa iniciação

faz-se com moral, não é neutra nem sequer

espontânea. E quando alguém não gosta

dessa moral, não pode ter outra. E isso não

é normal numa escola pública.


12 | 27 SETEMBRO 2004

[ noites e copos ]

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Lisboa

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Tamariz, festa Montanha e Mar, Quiz...Não dá para fazer tudo numa noite? Pois não. Foram várias.

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14 | 27 SETEMBRO 2004

[ noites e copos ]

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Vogue afins no Porto, Remix, Tapas Bar e Vinyl em Coimbra.


27 SETEMBRO 2004

| 15

[ noites e copos ]

Coimbra


16 | 27 SETEMBRO 2004

[ fugas ]

VAMOS

EMBORA

Com poucos trocos no bolso. De Lisboa, ao Porto, dos vales do Douro,

às areias do Saara. Fugir para nunca mais estudar. | Raquel Louçã Silva

| No calor do deserto |

Um país vizinho, outro continente. Uma realidade

a poucas horas de distância, outra

cultura. É esta aparente contradição que

desperta a curiosidade e faz de Marrocos

um dos destinos mais procurados pelos portugueses.

Há o chá de menta para fazer

esquecer o calor, as compras a preços discutíveis,

quase sempre negociáveis.

E depois há o deserto para ajudar a despertar

os sentidos. Para os aventureiros,

uma viagem de carro até Marraqueche ou

Fez, é uma coisa. Entrar no Saara é outra.

A beleza do deserto pode ser traiçoeira e

por isso convém optar por viagens organizadas.

Há algumas empresas que organizam

esse tipo de percursos. A AGAPE,

por exemplo, promove expedições de jipe,

a que chama "Despertar dos Sentidos". O

| Sem vagão cama |

nome não é escolhido ao acaso. Acampar

no deserto e assistir a um pôr do sol mexe

certamente com os sentidos. Além disso, há

o convívio com o povo Berbere, a sua música,

a sua tradição. Para quem se quiser

aventurar por terras marroquinas esta pode

ser uma boa solução. Nove dias numa expedição

para descobrir o verdadeiro significado

de um conhecido provérbio Tuaregue:

"Deus criou o mar para que o Homem

pudesse viver e criou o deserto para que o

Homem pudesse descobrir a sua alma."

Últimas datas de 2004: 22 Out. a 01 de

Nov. e 25 Dez. a 04 Jan.

Preço: 880 Euros, tudo incluído | Marcações:

919 393 113 / 965 740 326 (até 3 semanas antes

da data de partida) |

Informações: www.grandeaventura.pt

agape@grandeaventura.pt

Lá por o Outono estar aí não quer dizer que os fins-

-de-semana a dois tenham obrigatoriamente de passar

pelo "juntinhos no sofá em frente ao televisor".

Não que seja mau, entenda-se. Até ao final de Outubro

ainda há tempo de fazer uma viagem ao passado,

a bordo do comboio histórico que percorre os socalcos

vinhateiros da região do Douro. A vapor ou a

diesel, estes comboios do início do séc. XX deslizam

ao longo do vale do rio Douro, no percurso Régua/

Tua, ou do Corgo, no eixo Régua/ Vila Real.

São várias as empresas que organizam estes percursos

e os programas que disponibilizam também

costumam incluir refeições a bordo, animação e venda

de produtos regionais. Se não és grande entusiasta

das velhas locomotivas, há sempre a hipótese de uma viagem de barco ou de helicóptero.

Garantido está sempre um fim-de-semana entre cenários únicos.

Programas válidos de Maio a Outubro

Preço: 60/ 90 Euros, fim-de-semana | Informações: www.cp.pt | www.cenarios.pt | www.douronet.pt

Da Sé à Ribeira, do circuito da Vitória ao circuito de Miragaia. Quatro itinerários culturais

para fazer, quatro passeios para quem quer conhecer realmente o Porto. Nas tardes de

sábado, com a companhia de especialistas em história, conhecem-se os contos, histórias

e mistérios que fazem do centro histórico património cultural da humanidade.

A Câmara do Porto organiza estas visitas há sete anos. Pode-se dizer que já fazem parte

da tradição da invicta. Preço: 5 Euros | Informações: www.portoturismo.pt | Marcações: 22 209 97 70

| De bolsos vazios |

"Descobrir a cidade das sete colinas em

dezasseis visitas guiadas". Este bem podia

ser o slogan dos vários itinerários culturais

que a Câmara Municipal de Lisboa

já promove há dois anos. São visitas guiadas

e gratuitas, mesmo que muita gente

não conheça. Todas as quartas-feiras e

sábados de manhã, duas dezenas de

pessoas percorrem as ruas da capital.

Desde a "Lisboa de Pessoa" até à "Lisboa

das vilas operárias", são muitas as rotas

| Bastam uns trocos |

possíveis. Para as tardes de Outubro fica

a "Lisboa Boémia", as tascas para aguçar

o apetite, uma ginjinha a prometer mais

noite, mais copos. Recantos esquecidos

de tempos idos, pátios perdidos de uma

Lisboa antiga, para descobrir.

Marcações: 21 356 78 00 (no primeiro dia útil de

cada mês para o mês seguinte)

Alguns itinerários:

Lisboa de Pessoa, Lisboa Romana, Lisboa

da Sétima Colina, Lisboa Moura.

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27 SETEMBRO 2004 | 17

[ escaldante ]

É VOTAR

é votar!!

Ele é caras bonitas, ele é gente gira. Sem medos nem pudores, o Mundo Universitário lança-se

na escolha das caras que fazem furor por esse país fora.

1 2 3 4 5

André Vieira, 18 anos,

CiênciaPolítica, ISCSP

David Cipriano,22 anos,

Eng. do Ambiente, Lx

Gonçalo Sitima,19 anos,

Com.Social, ISCSP, Lx

Hugo Nunes,19 anos,

Med. Veterinária, Lx

Pedro Mestre, 20 anos,

Med. Veterinária, Lx

Os prémios?

Estes telemóveis para o vencedor e vencedora. Para votar? Envia um sms para o 4478 com as iniciais MU

e o número do(a) candidata(o). Exemplo: para votares na Nádia Peixe, 20 anos, escreve "MU (espaço) 8"

Tens a mania que és giro ou gira? Queres ganhar um telemóvel?

Na próxima edição vamos eleger o(a) mais belo(a) da cidade do PORTO.

Envia a tua fotografia e dados pessoais (nome, Universidade e telefone)

para escaldante@mundouniversitario.pt. Os dados são confidenciais.

Os prémios é que não.

COM O APOIO DE

Ana Proença, 20 anos,

Medicina Vet., Lx

Francisca Lima, 19

anos, Med. Vet., Lx

Nádia Peixe, 20 anos,

Rel. Int., ISCSP, Lx

Susana Amador, 19

anos, Med. Vet., Lx

Tânia Gaspar,17 anos,

Gestão, ISCSP, Lx

6 7 8 9 10


18 | 27 SETEMBRO 2004

[ formação ]

"ESTÃO CONDENADOS

AO

DESEMPREGO"

O quadro que pinta é negro. Ambientalista de convicção, geólogo de paixão, depois de 40 anos ligado ao ensino, Galopim de Carvalho aponta

o dedo aos erros sucessivos na Educação. A opinião do "Avô dos dinossauros", director do Museu de História Natural, figura proeminente no

panorama científico nacional. | Raquel Louçã Silva

| Perfil |

Professor Galopim de Carvalho

Estávamos em 1961. Num tempo de compadrios,

apesar de não ser "sobrinho nem

afilhado de ninguém importante", António

Marcos Galopim de Carvalho foi convidado

a leccionar na Faculdade de Ciências

da Universidade de Lisboa, onde tinha

acabado de se formar em ciências geológicas.

O rapaz que no tempo de liceu não

gostava das aulas havia de estar 40 anos

ao serviço da carreira de docente. Jubilou-

-se em 2001, mas ainda hoje assume a direcção

do Museu de História Natural, com

vários projectos de investigação e a permanente

luta pela preservação das jazidas

de pegadas de dinossáurios.

Em 1993 foi condecorado com o grau de

Grande Oficial da Ordem de Santiago de

Espada, para um ano depois receber o

Prémio Bordalo para a Ciência. Mais do

que o reconhecimento no seio da comunidade

científica, o professor conquistou

o carinho do público em geral, o "Avô dos

dinossáurios", como ainda lhe chamam.

A sua extensa bibliografia oscila entre títulos

de cariz pedagógico-científco e ficcional.

Agora, por exemplo, este eborense

na casa dos 70 está a escrever um

livro a que vai chamar "Geohistórias".

Memórias "sempre com um lado muito

humano e alegre" das relações que estabeleceu

com alunos e colegas. Porque,

diz o próprio, "as histórias tristes não vale

a pena contar".

JUBILOU-SE EM

2001. Foi muito difícil

abandonar a carreira

docente?

Foi. Até porque aquele auditório

enorme da faculdade

de ciências

estava literalmente

cheio, com pessoas nos

corredores e tudo. Foi uma coisa completamente

inédita. Eu queria começar a falar,

mas tinha a voz embargada. Custoume

muito.

Em 40 anos de ensino teve contacto

com muitas gerações de alunos...

Sim, sim. No outro dia estive a fazer

umas contas e o número de alunos que tive

situa-se entre os 11 e os 13 mil.

Que diferenças notou nos estudantes

que foram chegando à sua faculdade?

Acho que o "boom" resultante da democratização

do ensino fez com que passassem

a entrar na universidade pessoas de

todos os níveis sócio-culturais, nomeadamente

de famílias sem grande interesse

pelos aspectos culturais. E isso vê-se na

maioria dos profissionais jovens de hoje.

Falta-lhes uma preparação de base, aquilo

que eu chamaria "berço cultural". É claro

que não defendo a atitude elitista de

antes, em que só as classes mais favorecidas

– mais amparadas pela cultura e

pela educação – acediam ao ensino superior.

Esta crítica aponta directamente

para o Estado que, nestes 30 anos, não

soube criar condições ao nível dos esta-

beleci-

mentos de ensino para receber

esta democratização e

compensar aquilo que alguns

estudantes não tiveram a nível familiar.

E aqui é preciso dizer que

também não houve o cuidado de

acompanhar socialmente as famílias.

Em termos de postura e interesse

nas aulas notou diferenças?

Isso mantém-se igual. Há uns tantos alunos

muito interessados, há outros muito

desligados. Mas depois depende da arte

que o docente tem de os integrar no sistema.

Quem é que procura a geologia?

Quando fiz geologia nos anos 60 chamavam-lhe

o "curso dos falhados". Era uma

espécie de último recurso para aqueles

que não conseguiam fazer as matemáticas

das licenciaturas de física e química,

por exemplo, e que procuravam a geologia

porque tinha as chamadas matemáticas

gerais em vez da álgebra.

Mas hoje o curso é muito procurado, não

só em Lisboa como nas outras universidades.

Penso que isso se deve ao barulho

que os jornais têm feito com as exposições

de minerais, de dinossáurios…

Mas estão condenados ao desemprego.

Como assim?

Até hoje, apesar de não haver resposta

suficiente relativamente ao número de licenciados

que saíam, eles acabavam por

candidatar-se ao ensino. Acontece que o

ensino está completamente afogado e

nem aí encontram trabalho.

Que alternativas existem?

Há sectores que são de certa maneira

promissores, como o ambiente. Vão aparecendo

empresas que absorvem alguns.

Mas, estupidamente, a sociedade moderna

ainda não percebeu que a geologia

está na base de toda a vida civilizacional.

É muito fácil

demonstrar que é

ao nível da geologia

que está a prospecção

e a preservação

das águas subterrâneas;

dos recursos

energéticos – carvão,

petróleo, radioactivos –;

dos recursos mineiros –

vidro, cerâmicas, cimentos,

ferro, alumínio, cobre,

aço. De maneira

que isso justificava plenamente

que toda e

qualquer autarquia tivesse

um geólogo no seu

quadro, o que dava logo

emprego a umas

centenas. Estão cheias

de arquitectos paisagistas

(alguns como não

sabem o que hão-de fazer

fazem rotundas), de economistas, juristas.

Felizmente há algumas que, pelo menos,

já têm arqueólogos.

Por que é que acha que isso acontece?

É uma questão cultural e de falta de preparação

dos nossos quadros superiores.

Salvo raras excepções, os próprios dirigentes

políticos a nível mais elevado nem

sabem o que é a geologia.

Estará o mercado europeu aberto a receber-nos?

Não sei, eles têm muitos e muito bons. Só

um português que vá daqui com uma

grande auréola de qualidade é que poderá

competir com os que lá estão. Nós é

que, infelizmente, ainda temos aquela

ideia de que se é estrangeiro é bom. Isto

é uma ilusão, o estrangeiro também está

a formar em excesso e muita mediania.

Perante este cenário, procurar uma

formação para além da licenciatura pode

ser uma solução?

Aqueles que fazem mestrado muitas vezes

confrontam-se com a ideia de que

têm habilitações a mais para aquilo que

as empresas ou as próprias universidades

querem. Agora não há dúvida nenhuma

que com esta massificação do ensino

o mestrado é um complemento muito importante.

Eu penso que uma empresa privada

prefere ter um mestre com uma certa

especialização, a ter um simples

generalista. |


20 | 27 SETEMBRO 2004

[ 7.ª Arte ]

SOPA DE

| A ESTREAR |

BARBATANA

Catwoman

Halle Berry em versão felina. As críticas

foram más nos Estados Unidos e nem a

adaptação da personagem resultou.

Predadores mafiosos, lulas dançantes e baleias com direito a lavagem automática. Depois do sucesso do

peixe-palhaço, de Hollywood chega mais um gourmet dos mares em formato comédia. Esta semana entra em

cena o "Gangue dos Tubarões". | Miguel Pacheco

A ESTE RITMO, NÃO HÁ TERROR DOS

MARES QUE resista. Depois da terapia

para tubarões em "Finding Nemo", chega

agora a versão vegetariana, tão inofensivo

como sopa chinesa, tão perigoso como

uma lula. Shark Tale, o último filme Dreamworks,

não mata o mito do grande tubarão

branco, mas quase. Trinta anos depois do

primeiro "JAWS", acabaram-se os sustos

dentro de água, as fileiras de dentes brancos,

os peixes gigantes em modelo robô,

as marés de sangue. Actores, nem vê-los.

Depois do sucesso de bilheteiras com os

dois Shrek, a produtora de Steven Spielberg

duplicou a aposta nas vozes, com sucesso

garantido. Robert de Niro é um tubarão

mafioso, Angelina Jolie um peixe com

fartura de curvas, Jack Black é um tubarão

vegetariano que tem medo do pai. No centro

de tudo, Will Smith, o herói que passa o

dia a lavar baleias e que no Festival de Veneza,

há poucas semanas, admitiu ter trabalho

durante dois anos no processo

de construção de Óscar, o

peixe. "Foi fantástico.

Moldar a voz, identificarmo-nos

com a personagem.

Até começamos

a

apaixonarmo-

-nos." Na história, Oscar

é um fala-barato com sonhos

de grandeza que ao assistir à morte

de um tubarão resolve tirar os créditos

pela proeza e tornar-se o herói

do recife. A maré só muda quando o

Don Corleone do sítio (Robert de

Niro) resolve apanhar o presunçoso

que se gaba de ter matado um

dos membros da família e fazê-lo

pagar pela imprudência. Para desespero

de Oscar, o seu patrão no stand

de lavagem de baleias (Martin Scorcese)

tenta tirar dividendos da fama do empregado,

que também atrai a perigosa Lola (Angelina

Jolie), uma peixe beta com pormenores

de femme-fatale e intenções

duvidosas. Apesar das semelhanças com

Finding Nemo e até com o

"Padrinho" de Frances

Ford Coppola???, as

críticas têm sido positivas

para uma

comédia que se

arrisca a ganhar

o Óscar

de melhor

animação.

Depois do

sucesso

com os

dois

JAWS, O "TUBARÃO"

1975, o início do mito. Steven Spielberg, o realizador

que ao bom estilo de Hitchcock impôs uma condição

antes de aceitar o filme, a de que o gigantesco tubarão

branco não poderia aparecer durante a primeira meia

hora. Richard Zanuck e David Brown, os produtores,

não tiveram outra opção senão ir mostrando aos poucos

a arma do crime. Primeiro as dentadas, depois as

vítimas e os litros de sangue. Na cena final, a enorme

boca enche o ecrã antes do tiro fatal. Seria a morte do

bicho, mas viriam mais. Quatro sequelas, quatro tubarões,

todos maiores e piores que o original.

Shrek, a Dreamworks não deixou os seus

créditos por mãos alheias e reuniu na banda

sonora nomes como Justin Timberlake,

Ludacris e Missy Elliot. Somam-se as receitas

em merchandising e percebe-se que

a animação parece ter-se tornado na galinha

dos ovos de ouro para algumas produtoras.

Como já tinha feito com

"Ants", a Dreamworks

volta a copiar um dos

sucessos da Pixar,

produtora de "Bugs

Life” e “Finding Nemo",

sem comprometer.

A julgar pelas

reacções durante o

festival de Veneza,

onde a lotação para

os vários dias esgotou

em poucas horas,

Shark Tale pode

cumprir as expectativas

e vender tantos

bilhetes como Shrek.

E como a máquina

nunca pode parar,

já há planos para

uma sequela. |

DEEP BLUE SEA

1999, os tubarões ficam inteligentes. Entre pernas comidas

e corpos trincados, os efeitos especiais eram

pobres e nem os peixes, criados por computador, pareciam

verdadeiros. À procura de uma cura para a Alzheimer,

Samuel L. Jackson e companhia decidem aumentar

o tamanho do cérebro dos tubarões. A experiência

corre mal e os animais destroem tudo na esperança de

voltar ao mar. Para além dos convencionais robôs, a

Industrial Light and Music, responsável pelos efeitos

especiais concebeu em computador gigantescos tubarões

brancos.O resultado não convence.

Vale pela acção e pouco mais.

Gang de Tubarões – Shark Tale

Mafiosos a mais, peixes a menos.

Depois de Shrek, a Dreamworks volta à

carga com piada. A não perder.

O Diário da nossa paixão

Comédia romântica de desencontros e

amores perdidos, eternamente adiados.

Vale a pena reviver o género, para quem

gosta. Realizado por Nick Cassavetes.

| TV |

Big Brother da bola

É o sonho de qualquer treinador de bancada

ou aspirante a jogador. "Campioni

il Sogno", o novo concurso televisivo da

Sky italiana promete construir uma equipa

de estrelas a preço da chuva, pegando

num clube das distritais, o modesto

Cervia, e catapultando-o para o horário

nobre da televisão .Dia após dia, treino

após treino, os amadores aspirantes a

craques são sujeitos ao escrutínio dos

telespectadores que votam na equipa

ideal através de sms. Com o plantel

sempre aberto a novas entradas, o

recrutamento é tudo menos pacífico, a

julgar pelos apelos no site www.campioniilsogno.com.

" Se te sentes em condições

de substituir um dos 24 jogadores

do Cervia, não hesites, avança”. Se a

moda pega em Portugal, não há plantel

que aguente.

| DENTADAS |

À PROCURA DE NEMO

2003, o expresso da porcelana. Depois fugir de casa e

ter ido parar a um aquário, Nemo arrisca-se agora a

sofrer o pior dos destinos: acabar numa sanita. Nesta

comédia épica que bateu recordes de bilheteira para um

filme de animação, o pai do pequeno peixe tem de

enfrentar três tubarões em tratamento psicológico, capazes

de conviver com as suas presas desde que não sintam

o cheiro de sangue. A cura dura pouco tempo e a

natureza predadora dos tubarões vem ao de cima. No

final, os três assassinos acabam o filme como começaram.

Com fome.


AgendaConcertos

LISBOA

VII Festival Internacional de Orgão em

Lisboa

São Vicente de Fora, Sé Patriarcal, Igreja de São

Roque, da Basílica da Estrela | Até 4 de Outubro

Telefone | 21 887 66 28

www.jmp.pt/festivaldeorgao/setimo/

Xutos e Pontapés, 25 anos

Pavilhão Atlântico | 8 de Outubro

Bilhetes de 16 a 26 euros

The Magnetic Fields

Aula Magna | 20 de Outubro

Bilhetes a 30 euros

Caetano Veloso & Sinfonietta de Lisboa

Pavilhão Atlântico | 24 de Outubro

Bilhetes de 25 a 60 euros

Ticketline | 21 003 63 00

Rammstein

Pavilhão Atlântico | 09 Novembro

Ticketline | 21 003 63 00

PLUTO

SEM TECLADOS, MAIS GUITARRA, De preencherem o espaço vazio deixado

MENOS ORNATOS VIOLETA, mais Pluto.

Dois anos depois do adeus, o monstro que

precisava de amigos já não é o mesmo.

Mudou de nome, tem novo álbum – “Só mais

um começo” –, mas não faltam caras conhecidas.

Manuel Cruz na voz e nas letras.

Peixe na guitarra e nas palavras que se contam

aqui. | Miguel Pacheco

pelos Ornatos Violeta?

Tentamos não sentir esse peso. Às vezes

lembramo-nos dele mas por causa das pessoas

que volta e meia falam e perguntam,

dizem que é parecido com Ornatos ou que

não tem nada a ver. É uma nova história,

com novos músicos, novas ideias na cabeça.

A estética das canções e dos arranjos é

diferente, o próprio universo é diferente.

Já tinham saudades?

Já, apesar de não ter deixado de tocar.

Quando os Ornatos acabaram comecei a

fazer outras coisas. Tenho um projecto de

jazz, editei um disco, toquei na banda do

David Fonseca e nunca cheguei a estar

afastado da estrada. Mas voltar a ter um projecto

de canções e estar na estrada sem ser

um “convidado” é algo de que tinha saudades.

E acho que o Manel também.

Vocês sentem o peso das expectativas?

Tudo é espontâneo? Ou preocupam-se

em não repetir o que está para trás?

Não, não. É espontâneo. Não há essa directriz

em não repetir o que já fizemos, nem de

repetir fórmulas. Aideia é partir para isto livremente,

como aliás já tinha sido a filosofia dos

Ornato. Nesse sentido, se calhar isso é

comum. Mas houve de facto uma preocupação

em conceber um novo universo estético,

nos arranjos, nas letras. Houve uma

certa coerência.

27 SETEMBRO 2004 | 21

[ jukebox ]

Há novas influências neste disco?

Cada um ouve música de diferentes géneros

e é difícil de dizer se há esta ou aquela

influência, até porque não há nenhuma

banda de eleição para os Pluto. Eu ouço

imenso jazz, o Manel gosta de projectos de

canções, mas ouve todo o tipo de música,

hip-hop, r&b. No fundo, nós os quatro gostamos

de música e ouvimos qualquer coisa

que nos satisfaça e nos preencha.

Já têm ideia do futuro?

Sinceramente, não pensei ainda muito

nisso. Eu tento viver esta história dos Pluto

dia-após-dia, sem fazer grandes planos

para o futuro, até porque quando os Ornatos

terminaram, apercebemo-nos que o

futuro é sempre relativo. O mais normal será

lançar o disco, fazer concertos e se houver

vontade e criatividade que o justifique, fazer

outro disco. Acaba por ser o percurso normal

das bandas.

Rammstein em Portugal

Rufus Wainwright

Aula Magna | 13 Novembro de 2004

Ticketline | 21 003 63 00

Bilhetes de 20 a 25 euros

LEIRIA E MARINHA GRANDE

Festival de Jazz da Alta Estremadura

Leiria e Marinha Grande | Até 9 de Outubro

Telefone | 24 481 39 82

| Pérolas para distraídos |

Music for TV dinners – the 60’s

Música de supermercado para os loucos

anos 60, melodias upbeat para comprar

ervilhas, pagar na caixa, levar para casa

e fazer o jantar. Lançado em 1997 pela

britânica Scamp, o excelente “Music For

Tv Dinners 60’s” é a parte dois de uma

colectânea de sons dispersos, desde “o

psicadélico tema militar para tenentes

consumidores” até ao Hollyday Commercial,

uma música para “turistas em fuga

que preferem postais aos nativos”. Numa

mistura de referências à América suburbana

desenvolvem-se 30 minutos de puro

génio, que só encontrámos à venda na

Amazon. Para os mais curiosos, o Kazaa

ou Soulseek chegam e sobram para encontrar

algumas das músicas.

A estrear

Marylin Manson

Lest we forget – Best of

Já quase nada é novo em Brian Warner. Os

cenários pós-apocalítpicos, a sexualidade reprimida,

os fetiches em palco, quase tudo parece

batido dez anos depois de ter sido novo.

O ícone de outros tempos continua o mesmo

e apesar de lhe faltar frescura, continua a

chocar sem ser chocante. Se os Best of são

quase sempre sinais de uma estável falta de

criatividade, pelo menos resumem o que

melhor ficou para trás e no caso

de Marylin Manson,

o passado é sempre

sinal de orgulho. Lest

We Forget resume

clássicos como The

Love Song, Fight

Song, as versões mais

melódicas de Sweet

Dreams e Tainted Love

e acrescenta-lhe o

novo Personal Jesus,

visão autobiográfica do

clássico dos Depeche

Mode. A edição limitada

com DVD inclui uma

curta-metragem realizada

por Manson.

Nick Cave

Abbatoir Blues / The

Lyre of Orpheus

Um baptismo duplo

para o álbum que

marca o reencontro

de Nick Cave com os

suspeitos do costume, os Bad Seeds. Abbatoir

Blues e Lyre of Orpheus são registos separados

em atmosferas alternativas. O álbum duplo,

gravado em Paris, foi fruto de um longo processo

de escrita, traduzido por um som forte e

orgânico, onde a voz do cantor é acompanhada

em alguns temas pelo coro de gospel de Londres.

O resultado promete ser um dos melhores

trabalhos de Nick Cave and the Bad Seeds.

BEM HARPER | There will be a light | Ben Harper

e os Blind Boys of Alabama num resultado

que o vocalista considerou uma das mais excitantes

experiências musicais da sua carreira.

MOONEY SUZUKI | Alive

and Amplified | Terceiro

ábum da banda de Nova

Iorque, o mesmo rock indie

com influências dos

Kinks, Rolling Stones e

outras referências kitsch

dos anos 70.

TOP

cá do sítio

1One plus One is One

Badly Drawn Boy

2Peace, Love, Metal

Eagles of Death Metal

3 4 5

Mundo Catita

Irmãos Catita

8 tracks on Red

D3o

Esquissos

Toranja


22 | 27 SETEMBRO 2004

[ cultura ]

FILMES

NUNCA

VISTOS

Durante 9 dias, Lisboa é a capital do cinema

independente. Herdeiro do trabalho desenvolvido

na Zero em Comportamento, afilhado do

Sundance, o IndieLisboa 2004 promete abanar

preconceitos cinematográficos.

AgendaCultural

teatro, dança, exposições e feiras

BRAGA

17º Encontros da Imagem

Exposições de fotografia, conferências, workshops

e projecções de vídeo em torno da "Metamorfose

do Real".

Mosteiro de Tibães, Museu da Imagem, Museu Nogueira

da Silva, Casa dos Crivos, Torre de Menagem, Bragaparque.

www.cm-braga.pt | Até 24 de Outubro.

PORTO

Playback: Robert Whitman

Primeira exposição retrospectiva do norte-americano,

pioneiro no uso das novas tecnologias

como material artístico.

Museu Serralves. Telf.- 22 615 65 84 | Até 17 de Outubro,

das 10h às 19h.

GAIA

Revista-me

Do cinema ao coleccionismo, passando pela

actualidade. Selecção de revistas para todos

os gostos.

Fnac GaiaShoping. Telf.- 22 371 91 90 | Até ao final de

Outubro.

VISEU

Concerto de Marimbra

No dia internacional da música, um espectáculo

diferente com Pedro Carneiro, vencedor de

vários prémios nacionais e internacionais.

Teatro Viriato. Telf.- 23 248 01 10 | 1 de Outubro, às

21h:30. Bilhetes entre 5 e 10 Euros.

"TRAZER AUTORES E FILMES QUE

NUNCA PASSARAM em Portugal, mas já

ganharam inúmeros prémios internacionais"

é o objectivo fundamental do Indie-

Lisboa 2004 – 1.º Festival Internacional

de Cinema Independente. Para Miguel

Valverde, da programação, esta é a resposta

natural ao facto da procura de "estilos

menos formatados ao modelo americano"

ter aumentado.

"Before Sunset", do americano Richard

Linklater, foi a aposta para a sessão de

abertura de um festival que se estende

até ao próximo dia 3, no São Jorge. Nove

anos depois, o público pode testemunhar

o desfecho da fugaz e intensa "love story"

vivida em "Before Sunrise", por um jovem

casal que se conhece num inter rail a caminho

de Viena.

Ficção, animação, experimentais ou documentários,

as 79 propostas em cartaz prometem

agradar a todos os gostos. No documentário,

por exemplo, destaque para

"Super Size Me" de Morgan Spurlock. O

relato de uma experiência em que o próprio

se dispõem a mostrar os malefícios da fastfood

e torna-se cliente assíduo do McDonald's

durante 30 dias seguidos. No terreno

da competição propriamente dita, num total

de 30 filmes, Portugal leva 5 a concurso – 1

longa e 4 curtas-metragens. A expectativa

recai em "A Cara que Mereces", primeira

longa-metragem de Miguel Gomes.

Nesta sua primeira edição o IndieLisboa

homenageia ainda um Festival – e não

uma personalidade, como é hábito em

acontecimentos do género. A secção

Herói Independente é dedicada ao Festival

de cinema independente Sundance, o

mais antigo certame americano do género,

que é também uma espécie de inspiração

ao projecto português. Com extensões

confirmadas em Faro e nas Caldas

da Rainha, o Indie Lisboa promete voltar

no próximo ano. Na última semana de

Abril, a abrir o apetite para Cannes.

Preço: 2 Euros (Cartão de Estudante e menores de 25

anos) | www.indielisboa.com

COIMBRA

“A Fala da Paixão”

Oportunidade para apreciar um dos maiores

músicos e compositores do Brasil. Egberto

Gismonti e Olivia Byington percorrem as principais

canções da sua carreira.

Teatro Académico Gil Vicente. Tel.: 23 985 56 30

Dia 4 de Outubro, às 21h30.

LISBOA

6.º Mega Feira do Disco – internacional

Edições especiais, novidades e antiguidades

em formato vinil, CD ou DVD.

Gare do Oriente, de 1 a 5 de Outubro.

Exposição de Ilustração Portuguesa

2004

Na sua 6.ª edição, "Ilustração de Imprensa" será

o tema central deste ano.

Galeria Municipal da Cordoaria Nacional. Telf.- 21 853

66 76 | De 9 de Outubro até 7 de Novembro.

| TEATRO |

Os Deuses querem

ser homens

Alcmena está só. Anfitrião, o marido, foi

para a guerra. Júpiter anda perdido de

amores por Alcmena. Desesperado, o

deus supremo, faz-se valer dos seus

poderes e disfarça-se de Anfitrião, para

conseguir a mulher desejada. O que

acontece quando os deuses passam

por mortais para gozar a luxúria terrena?.

"Anfitrião ou Júpiter e Alcmena"

estreou no passado dia 17 de Setembro,

no Teatro Nacional São João, e

mantém-se em cena até 10 de Outubro.

A peça, que subiu pela primeira vez ao

palco, em 1736, no Teatro do Bairro

Alto, é uma das obras mais importantes

do dramaturgo setecentista António

José da Silva. O encenador, Nuno Carinhas,

continua a adaptar o repertório

barroco à linguagem cénica actual – em

1996 já tinha encenado "O Grande Teatro

do Mundo", de Calderón de la Barca

e, em 1999, "A Ilusão Cómica", de Corneille

– e promete levar a peça a outros

palcos do país.

Preço: 7/ 15 Euros (desconto cartão jovem e estudante)

| www.tnsj.pt

| LIVROS |

"Boum! Isto são canhões!"

Mongol desabafa com o escaravelho que passa, o cão, o rato, mas prefere quase

sempre a amiga mosca. Das colinas que rodeiam a cidade chega o barulho medonho

dos tiros. É a guerra. Não se percebe bem, mas pode ser uma das muitas cidades

africanas onde o sinal do recolher obrigatório corta brincadeiras e esperanças aos meninos

como Mongol. "Crianças", o mais recente livro do argumentista e desenhador

belga Jean-Philippe Stassen, segue as pisadas do anterior "Déogratias" (uma história

baseada no genocídio que devastou o Ruanda, em 1994). Menos áspero, menos explícito,

Stassen continua a puxar a realidade de vidas que parecem quase perdidas

para o traço da sua ficção. O surpreendente acaba por ser a inteligência com que doseia

a dor do que retrata com a beleza do que desenha. E não é fácil porque "desde

sempre a maldade e a bondade coabitam naturalmente no espírito destas crianças".

Um álbum para ler com tempo. Edições Asa. Preço: 19,25 Euros

ESTORIL

Mercado Mundo Mix

Designers brasileiros, banda desenhada, multimédia,

espaço para os mais pequenos, workshops

gratuitos, exposições, compras e ainda o

regresso da Rádio Mix. Uma mistura a descobrir.

Espaço atrás do Casino | 2 e 3 de Outubro, das

14:00 às 23:00

ÉVORA

Festival de teatro de Amadores de Évora

– FESTAE

Perto de 20 grupos de teatro, amadores ou

mais profissionais, nacionais e espanhóis, apresentam

espectáculos para todas as idades.

www.cm-evora.pt. Até 4 de Outubro.

LAGOS

“Das Histórias nascem histórias”

Concebida por Fernanda Fragateiro, uma exposição

que recria o ambiente das histórias

“A Menina do Mar” e “Floresta” da recém desaparecida

Sophia de Mello Breyner Andersen.

Centro Cultural de Lagos. Até 16 de Outubro. Entrada

gratuita.


Pesos

pesados

Quando heróis do fantástico, gangsters a andar de bicicleta e livres

indirectos se juntam, antevê-se o que de melhor o universo dos jogos

tem para oferecer. | Miguel Aragão

"Vai ser o melhor RPG

de sempre", garante o

seu criador. Responsável

pela série Black

& White, Peter Molineux

aposta agora

numa aventura onde

cada uma das acções

levadas a cabo pelo

protagonista se reflecte

nas suas aptidões,

aparência e reputação.

O desafio é criar uma

história de vida desde

a infância até à morte,

transformar um pequeno

adolescente no ser mais poderoso do

mundo. Escolher o caminho do bem ou do

mal? "Imaginem que têm de atravessar

uma região gelada e precisam de um

casaco de peles. Podem comprá-lo, matar

um animal ou até roubá-lo. É tudo uma

questão de escolha", explicou Ian Lovett,

director de arte dos estúdios da Big Blue

Box, responsáveis pelo jogo. Comer

27 SETEMBRO 2004 | 23

[ play ]

Fable

demais provoca obesidade. Exposição ao

sol resulta em pele bronzeada. Idade significa

experiência. Batalhas – em temporeal

– infligem cicatrizes. Além disso, ficou

demostrado na E3 (Electronic Entertainment

Expo) em 2003, que graficamente

tem muito bom aspecto. Fable deve estar

disponível nas lojas a partir do final de

Setembro.

Grand Theft Auto: San Andreas

JÁ NÃO BASTA SABER MANEJAR

UM ARSENAL de diferentes armas. Nem

tão pouco conduzir na perfeição uma

vasta gama de carros e motos. Adeus, Vice

City! Em San Andreas é preciso estilo.

Não chega ser implacável, há que parecê-lo.

Andar no rigor da moda e em boa

forma física é sinónimo de respeito e pode

determinar a diferença entre a vida e a

morte. Logo, os problemas surgem quando

se assume o controlo de um personagem

com laivos de autêntico pacóvio. À

media que melhora o seu aspecto recorrendo

a boutiques, cabeleireiros e lojas

de tatuagens, CJ (Carl Jonhson) cedo se

apercebe de que o dinheiro não cresce

nas árvores. E como para um gangster

trabalhar não constitui alternativa, é preciso

roubar. O que nos leva à grande novidade

no cardápio de crimes contemplados

na série GTA: assaltos a domicílios.

A acção decorre no princípio dos anos 90

e a dimensão de San Andreas será aproximadamente

cinco vezes a de Vice City.

A inclusão de novos veículos como moto4

e bicicletas aumenta as expectativas.

Saliente-se ainda a inserção de um motor

de jogo que promete revolucionar as diferentes

experiências de condução, impondo

mais realismo. A versão PS2 de GTA

"San Andreas" chega aos escaparates a

22 de Outubro.

Pro Evolution Soccer 4

Representará "um gigantesco salto tanto

para a série como para este género de jogos",

como anuncia a KCET (Konami

Tokyo), responsável pela sua criação?

Não sabemos, mas logicamente

estamos com ganas de descobrir.

Se Figo continua a marcar presença

na selecção? É pouco provável. À

primeira vista, a aposta no realismo

reflecte-se nas principais alterações

introduzidas. Novos movimentos e

fintas. Novas técnicas na marcação

de grandes penalidades e a inclusão

de livres indirectos. Sem esquecer as

correcções na lei da vantagem e novas

equipas. Ao todo, 56 clubes de

três campeonatos licenciados – espanhol,

italiano e holandês – entre

um total de 136. E ainda as 50 selecções,

ou seja, o controlo de mais de

4500 jogadores da bola. De resto,

prevêem-se passes e cruzamentos

com mais precisão do que nunca e a

estreia do "onscreen

referee".

O árbitro

vai deixar de

aparecer apenas

quando é

preciso intervir

disciplinarmente

"Pro

Evolution Soccer

4" aterra

nas lojas em

formato 128

bits Sony em

meados de

Outubro. As

versões PC e,

pela primeira vez na historia da série,

Xbox chegam um mês depois.

Do Bom

e do Melhor

La crème de la crème. Ou as

quatro melhores razoes para

criar raízes em frente ao ecrã

e calos nas pontas dos

dedos.

SIMS 2

BURNOUT 3

DOOM 3

SILENT HILL 4

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