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O LIXO COMO ALTERNATIVA à SOCIEDADE DO DESPERDÍCIO

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O <strong>LIXO</strong> <strong>COMO</strong><br />

<strong>ALTERNATIVA</strong> à<br />

<strong>SOCIEDADE</strong> <strong>DO</strong><br />

DESPERDÍCIO<br />

Boaventura de Sousa Santos<br />

(Universidade de Coimbra)<br />

“Lixo e cidadania”<br />

Publicado na Visão, Portugal, em 27 de<br />

Setembro de 2007<br />

Sobre o 6º Festival do Lixo e Cidadania<br />

realizado em Belo Horizonte, por iniciativa do<br />

Movimento Nacional dos Catadores de<br />

Materiais Recicláveis (MNCR).


Aprendi que os seres humanos,<br />

mesmo os mais excluídos e nas<br />

condições mais indignas – aqueles<br />

para quem o nosso lixo é um luxo e<br />

o endereço é um viaduto ou uma<br />

soleira de porta – não desistem de<br />

lutar por uma vida digna, assente na<br />

reivindicação de direitos de<br />

cidadania que, apesar de<br />

impunemente desrespeitados, lhes<br />

dão notícia da sua humanidade.


<strong>SOCIEDADE</strong> DE<br />

CONSUMO<br />

OU<br />

<strong>SOCIEDADE</strong><br />

<strong>DO</strong><br />

DESPERDÍCI<br />

O<br />

DE BENS


“Aprendi que a sociedade de consumo<br />

em que vivemos – baseada na<br />

incessante fabricação de<br />

necessidades que não temos e no<br />

endividamento extremo que nos<br />

impede de satisfazer as que<br />

verdadeiramente temos – despreza o<br />

saber ecológico daqueles que<br />

transformam os restos do consumo<br />

em consumo sustentável de resto”.


O TRABALHO <strong>DO</strong><br />

RECICLA<strong>DO</strong>R<br />

“O O MNCR agrega hoje centenas de<br />

organizações e cooperativas de que<br />

são membros cerca de 300.000<br />

catadores.<br />

Uma ocupação profissional, a de<br />

"catador de material reciclável",<br />

reconhecida pelo Código Brasileiro de<br />

Ocupações sob o número 5192”.


OS RISCOS NAS<br />

CONDIÇÕES DE<br />

TRABALHO


VELLOSO, Marta Pimenta,<br />

SANTOS, Elizabeth Moreira dos and<br />

ANJOS, Luiz Antonio dos. Processo de trabalho e acidentes de trabalho em<br />

coletores de lixo domiciliar na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Cad. Saúde Pública,<br />

Oct./Dec. 1997, vol.13, no.4, p.693-700. ISSN 0102-311X.<br />

descreve o processo de trabalho da<br />

coleta de lixo domiciliar visto pelo<br />

próprio trabalhador. Entre os riscos<br />

identificados no processo da coleta de<br />

lixo, destacam-se: mecânicos (cortes,<br />

ferimentos, atropelamentos, quedas<br />

graves), ergonômicos (esforço<br />

excessivo), biológico (contato com<br />

agentes biológicos patogênicos), químico<br />

(substâncias químicas tóxicas) e sociais<br />

(falta de treinamento para o serviço).


VELLOSO, Marta Pimenta. Os catadores de lixo e o processo<br />

de emancipação social. Ciênc. saúde coletiva, , Sept./Dec. 2005,<br />

vol.10 suppl, p.49-61. ISSN 1413-8123.<br />

Focaliza, como caminho de<br />

inserção, a recriação de<br />

espaços com ambiente<br />

apropriado ao<br />

desenvolvimento da<br />

criatividade e,<br />

conseqüentemente, ao<br />

processo de emancipação<br />

social.


MEDEIROS, Luiza Ferreira Rezende de and<br />

MACE<strong>DO</strong>, Kátia Barbosa. Catador de material reciclável: uma<br />

profissão para além da sobrevivência?. Psicol. Soc.<br />

vol.18, no.2, p.62-71. ISSN 0102-7182.<br />

Psicol. Soc., , May/Aug. 2006,<br />

A catação de materiais recicláveis<br />

constitui, para muitos trabalhadores,<br />

única forma de garantir sobrevivência e<br />

possibilidade de inclusão num mercado<br />

de trabalho excludente.<br />

Os dados revelaram relações de trabalho<br />

precárias e informais entre catadores e<br />

organizações de reciclagem.<br />

Os trabalhadores são expostos à<br />

periculosidade, vítimas de preconceitos e<br />

estigmas e excluídos de alguns<br />

ambientes sociais.


TECNOLOGIAS SOCIAIS<br />

E PRODUTIVAS<br />

SISTEMAS DE<br />

MANUSEIO,<br />

TRATAMENTO E<br />

DISPOSIÇÃO <strong>DO</strong>S<br />

RESÍDUOS


CYNAMON, Szachna Eliasz and<br />

MONTEIRO, Teófilo Carlos do Nascimento. Solução para remoção<br />

de lixo nas favelas: um projeto de estudo. Cad. Saúde Pública, , Jan./Mar.<br />

1985, vol.1, no.1, p.35-40. ISSN 0102-311X.<br />

São analisadas as soluções que foram<br />

tentadas por diversas entidades do Rio<br />

de Janeiro e, finalmente, proposta uma<br />

mais realista, de baixo custo, através do<br />

uso de latões distribuídos em locais de<br />

coletas estrategicamente localizados,<br />

com a previsão de remoção dos latões<br />

por carrinhos de mão especialmente<br />

desenhados até pontos de coleta, pelos<br />

caminhões de lixo da cidade.


FERREIRA, João Alberto. Resíduos sólidos e lixo hospitalar: uma<br />

discussão ética. Cad. Saúde Pública<br />

Cad. Saúde Pública, , Apr./June 1995, vol.11, no.2, p.314-<br />

320. ISSN 0102-311X.<br />

Trata das questões específicas dos<br />

resíduos hospitalares, as<br />

interferências e imposições da<br />

"cultura" de Primeiro Mundo nos<br />

sistemas de manuseio, tratamento e<br />

disposição dos resíduos, no Brasil,<br />

procurando problematizar a questão<br />

da periculosidade (ou não) de tais<br />

resíduos.


GAZZINELLI, MARIA FLÁVIA, LOPES, ANDREIA, PEREIRA, WESLEY et al.<br />

Educação e participação dos atores sociais no desenvolvimento de modelo de<br />

gestão do lixo em zona rural em Minas Gerais. Educ. Soc., , Apr. 2001, vol.22, no.74,<br />

p.225-241. ISSN 0101-7330.<br />

O envolvimento dos atores sociais (professores,<br />

alunos e moradores) de uma localidade rural do<br />

Estado de Minas Gerais no desenvolvimento de<br />

um modelo de gestão participativa do lixo.<br />

Resultados da educação e gestão ambiental :<br />

modificações físicas ligadas à limpeza da<br />

cidade;<br />

construção de um novo referencial de relação<br />

dos professores e alunos com o conhecimento<br />

mudança de postura com relação aos<br />

ambientes.


ACSELRAD, Henri. Tecnologias sociais e sistemas locais de poluição.<br />

Horiz. antropol., , Jan./June 2006, vol.12, no.25, p.117-138. ISSN 0104-7183.<br />

O caso da reciclagem da<br />

embalagem PET (Politereftalato<br />

de Etileno).<br />

O texto apresenta resultados de<br />

uma pesquisa sobre as práticas<br />

empresariais de alocação de<br />

lixo tóxico no Estado Rio de<br />

Janeiro. No período 1992/2002,


As evidências sugerem que a<br />

eficiência alocativa empresarial<br />

constitui-se a partir da<br />

sobreposição de condições de<br />

destituição experimentadas pelas<br />

populações que residem nas áreas<br />

periféricas: baixa renda,<br />

insuficiência no acesso a serviços<br />

públicos e à infra-estrutura, assim<br />

como reduzida capacidade de<br />

influência sobre o poder<br />

regulatório e fiscalizatório.


GONCALVES-DIAS, Sylmara Lopes Francelino. Há vida após a morte: um<br />

(re)pensar estratégico para o fim da vida das embalagens. Gest. Prod.,<br />

Sept./Dec. 2006, vol.13, no.3, p.463-474. ISSN 0104-530X.<br />

Apesar de existirem avanços significativos<br />

para o volume reciclado, ainda persistem<br />

desafios:<br />

normas de regulação da cadeia reversa, às<br />

estratégias de inovação tecnológica e gerencial<br />

e, sobretudo, às interações dos atores na<br />

cadeia.<br />

É necessário um aumento do nível de<br />

informação da população, eliminação de<br />

desperdício desde a concepção,<br />

desenvolvimento de tecnologias,<br />

responsabilidades compartilhadas, reciclagem,


POSSIBILIDADES<br />

EMANCIPATÓRIAS <strong>DO</strong><br />

<strong>LIXO</strong> :<br />

PRÁTICAS DE SI


Fernando Freitas Fuão (UFRGS)<br />

- "Unidades de Triagem de Resíduos Sólidos, um estudo<br />

sobre normativas e proposições arquitetônicas" FUÃO, F. et<br />

alii. Unidades de triagem: reciclagem para a vida.<br />

ARQTEXTO (UFRGS), v. VIII, p. 101-130, 2006.<br />

avalia alguns modelos de Galpões de<br />

Triagem existentes no Brasil,<br />

Objetivo: melhorar e qualificar esses<br />

espaços mediante a criação de normas<br />

técnicas relativas a arquitetura, higiene,<br />

meio ambiente e segurança.<br />

Almeja a produtividade e melhoria das<br />

condições humanas gerando trabalho<br />

para as populações marginalizadas que<br />

fazem desse labor seu meio de<br />

subsistência.


Fernando Freitas Fuão<br />

(UFRGS)<br />

“Incorpora um processo de reavaliação<br />

da cadeia produtivo-social do lixo<br />

propondo Programas de Necessidades<br />

arquitetônicos básicos que reflitam os<br />

anseios e sonhos desses trabalhadores,<br />

superando assim o efeito produtivista<br />

capitalista.<br />

Grande parte dos Galpões são<br />

autogestionáveis e auto-sustentáveis,<br />

reciclam materiais e lixo. Acreditamos<br />

que mais do que reciclar objetos ou lixo,<br />

esse processo deve também possibilitar a<br />

reciclagem de suas próprias vidas, em<br />

cujo processo, a arquitetura desempenha<br />

um papel transformador”.


BOAVENTURA DE<br />

SOUSA SANTOS<br />

“A A economia do altruísmo, das<br />

cooperativas e das organizações<br />

econômicas populares onde a<br />

rentabilidade está ao serviço do bem<br />

estar<br />

se inclui, dentro do tempo de trabalho,<br />

o tempo de alfabetização e de<br />

formação profissional,


A ginástica para aliviar o stress muscular<br />

da especialização (separação, triagem e<br />

enfardamento de sucata)<br />

E a discussão sobre violações de direitos<br />

humanos no trabalho e em casa,<br />

nomeadamente a descriminação sexual e a<br />

violência doméstica”.<br />

“Neste domínio, há que registrar a<br />

solidariedade prestada pelos serviços de<br />

extensão de universidades públicas”.


CONCLUSÕES<br />

A NECESSÁRIA<br />

mudança do padrão do<br />

comportamento de consumo<br />

da sociedade atual<br />

(GONCALVES-DIAS,<br />

Sylmara Lopes Francelino)

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