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III Consenso Brasileiro de Ventilação Mecânica ... - Assobrafir

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<strong>III</strong> <strong>Consenso</strong> <strong>Brasileiro</strong> <strong>de</strong> Ventilação Mecânica<br />

FISIOTERAPIA NO PACIENTES SOB VENTILAÇÃO MECÂNICA<br />

Coor<strong>de</strong>nador: George Jerre<br />

Relator: Thelso <strong>de</strong> Jesus Silva<br />

Participantes: Ada Gastaldi; Claudia Kondo; Fábia Leme; Germano Forti Junior; Jeanette J. J. Lucato.<br />

Revisores: Joaquim M. Vega; Mauro R. Tucci; Marcelo A. Beraldo.<br />

1. Introdução<br />

A Fisioterapia faz parte do atendimento oferecido aos pacientes em Unida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Terapia Intensiva (UTI) em<br />

todo o país. O papel <strong>de</strong>sempenhado pelos fisioterapeutas nas unida<strong>de</strong>s é semelhante ao que ocorre em outros<br />

países 1,2 , entretanto, nos diversos centros do Brasil o atendimento fisioterapeutico possui características que se<br />

diferem <strong>de</strong> um centro para outro, <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ndo especialmente <strong>de</strong> fatores como; o número <strong>de</strong> pacientes por unida<strong>de</strong>s, o<br />

tipo <strong>de</strong> UTI (cirúrgica ou clinica), o período <strong>de</strong> atendimento (integral ou não) e principalmente do grau <strong>de</strong> integração<br />

do serviço com a equipe da UTI; na qual o fisioterapeuta participa ativamente da condução da VM invasiva e não<br />

invasiva, bem como na condução do <strong>de</strong>smame e interrupção da VM através <strong>de</strong> condutas bem <strong>de</strong>finidas <strong>de</strong><br />

atendimento 3 .<br />

No entanto, este consenso limitou suas recomendações apenas no que diz respeito aos procedimentos <strong>de</strong><br />

Fisioterapia Respiratória e Fisioterapia Motora no tratamento <strong>de</strong> pacientes sob ventilação mecânica internados na<br />

UTI.<br />

1. Clini E, Ambrosino N. Early physiotherapy in the respiratory intensive care unit. Respir Med 2005;<br />

99:1096-1104.<br />

2. Stiller K. Physiotherapy in intensive care: towards an evi<strong>de</strong>nce-based practice. Chest 2000; 118:1801-13.<br />

3. David J. Scheinhorn; David C. Chao; Meg Stearn-Hassenpflug; Wayne A. Wallace. Outcomes in Post-ICU<br />

Mechanical Ventilation. A Therapist-Implemented Weaning Protocol. Chest 2001; 119: 236- 242.<br />

2. Recomendações:<br />

2.1. O Fisioterapeuta na condução da Ventilação Mecânica<br />

RECOMENDAÇÃO: A participação do fisioterapeuta na equipe da UTI, que aten<strong>de</strong> ao paciente em ventilação<br />

mecânica, melhora a qualida<strong>de</strong> do atendimento para essa população.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: D<br />

COMENTÁRIO: A participação do Fisioterapeuta em intervenções como protocolos <strong>de</strong> <strong>de</strong>smame da ventilação<br />

mecânica , instalação <strong>de</strong> ventilação não invasiva 1 , monitoração respiratória, evi<strong>de</strong>nciam a sua importância no<br />

atendimento <strong>de</strong> pacientes sob ventilação mecânica nas UTIs.<br />

1. Durbin CG, Jr. Team mo<strong>de</strong>l: Advocating for the optimal method of care <strong>de</strong>livery in the intensive care unit.<br />

Crit Care Med 2006; 34(Suppl):S12-7.<br />

2. Stoller JK. 2000 Donald F. Egan Scientific Lecture. Are respiratory therapists effective? Assessing the<br />

evi<strong>de</strong>nce. Respir Care 2001; 46:56-66.<br />

2.2. Fisioterapia na prevenção <strong>de</strong> pneumonia associada à Ventilação Mecânica (PAV).<br />

RECOMENDAÇÃO: A fisioterapia respiratória é eficaz em prevenir a pneumonia associada à ventilação mecânica.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: B<br />

COMENTÁRIO: Complicações pulmonares incluindo retenção <strong>de</strong> secreção, atelectasias 3 e pneumonia associada à<br />

ventilação mecânica (PAV) são achados comuns em pacientes em ventilação invasiva. As evidências <strong>de</strong> que a<br />

fisioterapia previne essas complicações pulmonares neste grupo <strong>de</strong> pacientes, são até o presente momento,<br />

inconclusivas, <strong>de</strong>vido às limitações metodológicas dos estudos. 1,2 .<br />

Quanto à prevenção <strong>de</strong> PAV, um estudo controlado comparando fisioterapia respiratória (vibrocompressão<br />

e aspiração endotraqueal) com fisioterapia motora (controle – sem fisioterapia respiratória), mostrou que a<br />

fisioterapia respiratória po<strong>de</strong> prevenir a PAV 1 . No entanto, nesse estudo existem algumas limitações metodológicas<br />

na amostragem e no diagnóstico da pneumonia, limitando sua interpretação.<br />

Em relação à utilização do posicionamento na prevenção <strong>de</strong> pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV),<br />

é bastante clara a influência do posicionamento com o tórax elevado, sendo esta estratégia recomendada, associada ou<br />

não a uma rotina <strong>de</strong> aspiração subglótica e cuidados com a higiene oral 3 . O uso do <strong>de</strong>cúbito elevado (a 45°) reduziu<br />

risco <strong>de</strong> pneumonia associada à ventilação em relação ao posicionamento em supino 4 . Diversos consensos têm<br />

recomendado, na ausência <strong>de</strong> contra-indicações, o uso do <strong>de</strong>cúbito elevado entre 30 a 45° em pacientes em ventilação<br />

mecânica para prevenção <strong>de</strong> PAV 4 . Dessa forma, está indicado manter o paciente sempre nesta posição, mesmo<br />

durante a fisioterapia motora.<br />

1. Ntoumenopoulos G, Presneill JJ, McElholum M, Ca<strong>de</strong> JF. Chest physiotherapy for the prevention of<br />

ventilator-associated pneumonia. Intensive Care Med 2002; 28:850-6.<br />

2. Ntoumenopoulos G, Gild A, Cooper DJ. The effect of manual lung hyperinflation and postural drainage on<br />

pulmonary complications in mechanically ventilated trauma patients. Anaesth Intensive Care 1998; 26:492-<br />

6.<br />

3. Scolapio JS. Methods for <strong>de</strong>creasing risk of aspiration pneumonia in critically ill patients. J Parenter Enteral<br />

Nutr 2002; 26(Suppl):S58-61.<br />

4. Hess DR. Patient positioning and ventilator-associated pneumonia. Respir Care 2005; 50:892-8.<br />

2.3. Fisioterapia no tratamento da atelectasia pulmonar<br />

RECOMENDAÇÃO: A fisioterapia respiratória é eficaz no tratamento das atelectasias pulmonares em pacientes <strong>de</strong><br />

UTI.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: B<br />

COMENTÁRIO: Um ensaio clínico com 31 pacientes com diagnóstico radiológico <strong>de</strong> atelectasia,<br />

submetidos à broncoscopia mais fisioterapia versus fisioterapia respiratória isoladamente, não mostrou diferença<br />

entre os grupos, <strong>de</strong>monstrando uma eficácia semelhante na resolução das atelectasias em pacientes ventilados<br />

invasivamente 1 .<br />

1. Marini JJ, Pierson DJ, Hudson LD. Acute lobar atelectasis: a prospective comparison of fiberoptic<br />

bronchoscopy and respiratory therapy. Am Rev Respir Dis 1979; 119:971-8.<br />

2.4. Fisioterapia respiratória durante a ventilação mecânica<br />

A fisioterapia respiratória po<strong>de</strong> ser utilizada na UTI com objetivo <strong>de</strong> prevenir e/ou tratar complicações<br />

respiratórias. Para isso, geralmente é usada uma combinação <strong>de</strong> procedimentos <strong>de</strong>scritos abaixo, 1 que objetivam a


“reexpansão pulmonar” e a “remoção <strong>de</strong> secreções nas vias aéreas”. A tabela 1 <strong>de</strong>screve os procedimentos <strong>de</strong><br />

fisioterapia respiratória <strong>de</strong>scritas na literatura para a terapêutica <strong>de</strong> pacientes em ventilação mecânica.<br />

Tabela 1. Procedimentos <strong>de</strong> fisioterapia utilizados durante a ventilação mecânica.<br />

Manobra<br />

Percussão e vibração<br />

Drenagem postural<br />

Aspiração<br />

Compressão brusca do tórax<br />

Posicionamento Corporal<br />

Expansão/Reexpansão pulmonar<br />

Hiperinsuflação manual<br />

(Bag-Squezing)<br />

Terapia com PEEP<br />

Descrição<br />

Procedimento manual aplicado sobre o tórax, que busca transmitir uma onda<br />

<strong>de</strong> energia através da pare<strong>de</strong> torácica e favorecer o <strong>de</strong>slocamento <strong>de</strong> secreções.<br />

Posicionamento do corpo do paciente <strong>de</strong> modo a que o segmento pulmonar a<br />

ser drenado seja favorecido pela ação da gravida<strong>de</strong>.<br />

Retirada passiva das secreções, com técnica asséptica, por um cateter,<br />

conectado a um sistema <strong>de</strong> vácuo, introduzida na via aérea artificial.<br />

Compressão vigorosa do tórax no início da expiração espontânea ou da fase<br />

expiratória da ventilação mecânica, a fim <strong>de</strong> obter um aumento do fluxo<br />

expiratório.<br />

A<strong>de</strong>quação da posição do corpo no leito como um tratamento específico, com<br />

o objetivo <strong>de</strong> otimizar a relação ventilação/perfusão, aumentar o volume<br />

pulmonar, reduzir o trabalho ventilatório e cardíaco e <strong>de</strong> aumentar o clearance<br />

mucociliar.<br />

Uso <strong>de</strong> procedimentos que aumentem a pressão e/ou volume alveolar,<br />

promovendo expansão <strong>de</strong> unida<strong>de</strong>s alveolares colapsadas.<br />

Desconexão do paciente do ventilador seguida <strong>de</strong> insuflação pulmonar com<br />

um ressuscitador manual aplicando-se volume <strong>de</strong> ar maior do que o volume<br />

corrente utilizado. Freqüentemente, realiza-se inspiração lenta e profunda,<br />

seguida <strong>de</strong> pausa inspiratória e uma rápida liberação, a fim <strong>de</strong> obter um<br />

aumento do fluxo expiratório.<br />

Uso da técnica <strong>de</strong> pressão positiva expiratória final ou pressão positiva<br />

contínua nas vias aéreas para promover expansão <strong>de</strong> unida<strong>de</strong>s alveolares<br />

colapsadas<br />

PEEP: pressão expiratória final positiva<br />

2.4.1. Hiperinsuflação Manual (HM)<br />

RECOMENDAÇÃO: A HM está indicada em pacientes com presença <strong>de</strong> gran<strong>de</strong> quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> secreção traqueal,<br />

espessa, com risco <strong>de</strong> obstrução <strong>de</strong> cânula endotraqueal. No entanto, em pacientes com lesão pulmonar aguda e/ou<br />

síndrome do <strong>de</strong>sconforto respiratório agudo ela <strong>de</strong>ve ser evitada.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: C<br />

COMENTÁRIO: Quando aplicada a um grupo <strong>de</strong> pacientes com PAV, a HM 1 mostrou incremento significativo na<br />

complacência estática e redução da resistência das vias aéreas. Esse resultado persistiu por um período acima <strong>de</strong> 30<br />

minutos 2 . Contudo, outro estudo evi<strong>de</strong>nciou que a aplicação <strong>de</strong> hiperinsuflação manual associada ao <strong>de</strong>cúbito lateral,<br />

com posterior aspiração traqueal, em pacientes com injúria pulmonar, não promoveu diferença significativa nos<br />

valores <strong>de</strong> complacência e oxigenação após 60 minutos <strong>de</strong> aplicação do procedimento 3 .<br />

1. Denehy L. The use of manual hyperinflation in airway clearance. Eur Respir J 1999; 14:958-65.<br />

2. Choi JS, Jones AY. Effects of manual hyperinflation and suctioning in respiratory mechanics in<br />

mechanically ventilated patients with ventilator-associated pneumonia. Aust J Physiother 2005; 51(1): 25-<br />

30.<br />

3. Ntoumenopoulos G, Gild A, Cooper DJ. The effect of manual lung hyperinflation and postural drainage on<br />

pulmonary complications in mechanically ventilated trauma patients. Anaesth Intensive Care 1998; 26(5):<br />

492-6.<br />

2.4.2. Compressão brusca do tórax<br />

RECOMENDAÇÃO: Até o momento os dados da literatura não permitem conclusões bem <strong>de</strong>finidas para<br />

<strong>de</strong>terminar se a compressão torácica <strong>de</strong>ve ser realizada <strong>de</strong> rotina para otimizar a remoção <strong>de</strong> secreções em pacientes<br />

sob ventilação mecânica, o consenso recomenda que o procedimento seja realizado em pacientes com ausência ou<br />

diminuição do reflexo <strong>de</strong> tosse. Assim como em casos com dificulda<strong>de</strong> <strong>de</strong> mobilizar secreção. Especialmente em<br />

pacientes com disfunção neuromuscular.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: C<br />

COMENTÁRIO: A compressão brusca é <strong>de</strong>scrita com freqüência no tratamento <strong>de</strong> pacientes com lesão medular ou<br />

que apresentem algum tipo <strong>de</strong> fraqueza muscular 1 .<br />

Em um estudo controlado 2 , on<strong>de</strong> se comparou a aspiração endotraqueal com e sem a associação da<br />

compressão brusca do tórax (por 5 minutos), evi<strong>de</strong>nciou-se que no grupo da compressão brusca do tórax, a<br />

quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> secreção aspirada foi maior do que no grupo que recebeu apenas aspiração endotraqueal (sem diferença<br />

estatística). No entanto, o estudo selecionou uma população pequena (n=31) <strong>de</strong> pacientes clinicamente diferentes, o<br />

que limita os resultados do estudo.<br />

1. Slonimski M, Aguilera EJ. Atelectasis and mucus plugging in spinal cord injury: case report and<br />

therapeutic approaches. J Spinal Cord Med 2001; 24: 284-8.<br />

2. Unoki T, Kawasaki Y, Mizutani T, et al. Effects of expiratory rib-cage compression on oxygenation,<br />

ventilation, and airway-secretion removal in patients receiving mechanical ventilation. Respir Care 2005;<br />

50: 1430-1437.<br />

2.4.3. Drenagem postural, vibração e percussão torácica (tapotagem):<br />

RECOMENDAÇÃO: As evidências sobre a aplicação da drenagem postural, vibração e percussão torácica<br />

isoladamente ou associadas a outros procedimentos <strong>de</strong> fisioterapia respiratória (aspiração traqueal, hiperinsuflação<br />

manual e posicionamento) ainda são inconclusivas. Assim, não <strong>de</strong>ve aplicada <strong>de</strong> rotina em pacientes sob ventilação<br />

mecânica.


Grau <strong>de</strong> recomendação: D<br />

COMENTÁRIO: Embora a efetivida<strong>de</strong> da percussão em promover o transporte <strong>de</strong> secreções brônquicas tenha sido<br />

relatada em pacientes DPOC estáveis e em ventilação espontânea, não há <strong>de</strong>scrição na literatura <strong>de</strong>stes mesmos<br />

resultados em pacientes <strong>de</strong> sob ventilação artificial 1 . No entanto, um ensaio clínico controlado, com 34 pacientes<br />

mostrou que o uso <strong>de</strong> percussão associada ao ciclo ativo da respiração diminuiu o tempo <strong>de</strong> ventilação mecânica não<br />

invasiva em pacientes com insuficiência respiratória aguda hipercapnica 2 . Alguns efeitos como diminuição do shunt<br />

intrapulmonar imediatamente após drenagem postural, percussão, vibração e aspiração 3 são relatados, não se<br />

constituindo evidências expressivas.<br />

1. Hess DR. The evi<strong>de</strong>nce for secretion clearance techniques. Respir Care 2001; 46: 1276-93.<br />

2. Inal-Ince D; Savci S; Topeli A; Arikan H. Active cycle o breathing techniques in non-invasive ventilation<br />

for acute hypercapnic respiratory failure. Australian Journal of Physiotherapy 2004; 50: 67-73.<br />

3. Mackenzie CF, Shin B. Cardiorespiratory function before and after chest physiotherapy in mechanically<br />

ventilated patients with post-traumatic respiratory failure. Crit Care Med 1985; 13: 483-6.<br />

2.4.4. Uso do posicionamento corporal como recurso terapêutico<br />

RECOMENDAÇÃO: Posicionamento do paciente no leito tem implicações diretas na evolução clinica dos pacientes<br />

em VM, uma vez que; melhora a relação ventilação/perfusão (VA/Q) pulmonar, facilita drenagem <strong>de</strong> secreções<br />

pulmonares e preveni a pneumonia associada á ventilação mecânica e ulceras <strong>de</strong> <strong>de</strong>cúbito. Este consenso recomenda<br />

o a<strong>de</strong>quado posicionamento corporal dos pacientes em VM, sempre que possível.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: B<br />

COMENTÁRIO: A mudança <strong>de</strong> posição melhora a capacida<strong>de</strong> residual funcional 1,2 e promove alterações na<br />

ventilação pulmonar regional. A função do diafragma também se altera conforme as mudanças <strong>de</strong> postura,<br />

influenciando o padrão ventilatório dos pacientes.<br />

Mudanças <strong>de</strong> postura no leito (principalmente a posição prona) po<strong>de</strong>m promover a melhora das trocas<br />

gasosas nos pacientes com lesão pulmonar aguda 1 com uma baixa taxa <strong>de</strong> complicações relatadas durante a aplicação<br />

<strong>de</strong>stas, mas sem gran<strong>de</strong>s influências em relação à mortalida<strong>de</strong> <strong>de</strong>sses pacientes 3 . O uso da posição sentada também<br />

foi estudado nesse grupo <strong>de</strong> pacientes, sendo observada melhora da oxigenação em relação à postura <strong>de</strong>itada, com<br />

uma boa tolerância hemodinâmica por um período <strong>de</strong> até 12 horas 7 . A adoção <strong>de</strong>sta posição é um procedimento<br />

simples e po<strong>de</strong> ser apontado como uma rotina <strong>de</strong> baixo risco para os pacientes sob ventilação mecânica.<br />

Em pacientes com DPOC a posição prona promove uma melhora da hipoxemia, contudo foi observado um<br />

aumento significativo da taxa broncoaspiração 4,5 . Em portadores <strong>de</strong> patologia pulmonar unilateral, foi observada<br />

melhora da ventilação e relação PaO 2 /FiO 2 quando os pacientes foram posicionados com o pulmão sadio na posição<br />

<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte (pulmão afetado para cima) 6 .<br />

Em relação à utilização do posicionamento na prevenção <strong>de</strong> pneumonia associada à ventilação mecânica,<br />

têm recomendado, na ausência <strong>de</strong> contra-indicações, o uso do <strong>de</strong>cúbito elevado entre 30 a 45° 8 .<br />

1. He<strong>de</strong>nstierna G, Lattuada M. Gas exchange in the ventilated patient. Curr Opin Crit Care 2002; 8: 39-44.<br />

2. Fink JB. Positioning versus postural drainage. Respir Care 2002; 47:769-77.<br />

3. Gattinoni L, Tognoni G, Pesenti A, et al. Effect of prone positioning on the survival of patients with acute<br />

respiratory failure. N Engl J Med 2001; 345:568-73.<br />

4. Reignier J, Lejeune O, Renard B, et al. Short-term effects of prone position in chronic obstructive<br />

pulmonary disease patients with severe acute hypoxemic and hypercapnic respiratory failure. Intensive<br />

Care Med 2005; 31: 1128-31.<br />

5. Mentzelopoulos SD, Zakynthinos SG, Roussos C, Tzoufi MJ, Michalopoulos AS. Prone position improves<br />

lung mechanical behavior and enhances gas exchange efficiency in mechanically ventilated chronic<br />

obstructive pulmonary disease patients. Anesth Analg 2003; 96: 1756-67.<br />

6. Prokocimer P, Garbino J, Wolff M, Regnier B. Influence of posture on gas exchange in artificially<br />

ventilated patients with focal lung disease. Intensive Care Med 1983; 9: 69-72.<br />

7. Hoste EA, Roosens CD, Bracke S, et al. Acute effects of upright position on gas exchange in patients with<br />

acute respiratory distress syndrome. J Intensive Care Med 2005; 20: 43-9.<br />

8. Hess DR. Patient positioning and ventilator-associated pneumonia. Respir Care 2005; 50:892-8.<br />

2.5. Aspiração Traqueal – Procedimentos<br />

2.5.1. A aspiração traqueal<br />

RECOMENDAÇÃO: A aspiração somente <strong>de</strong>verá ser realizada quando necessária, isto é, quando houver sinais e<br />

sintomas sugestivos <strong>de</strong> presença <strong>de</strong> secreção (por exemplo, na presença <strong>de</strong> secreção no tubo, presença <strong>de</strong> som<br />

sugestivo na ausculta pulmonar, padrão <strong>de</strong>nteado na curva fluxo-volume observado na tela do ventilador etc.).<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: D<br />

COMENTÁRIO: A avaliação da necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> aspiração pelo fisioterapeuta <strong>de</strong>ve ser sistemática, em intervalos<br />

fixos e, também, na presença <strong>de</strong> <strong>de</strong>sconforto respiratório. A aspiração traqueal é um procedimento invasivo, bastante<br />

irritante e <strong>de</strong>sconfortável para os pacientes, e que po<strong>de</strong> promover complicações, entre as quais: tosse, broncoespasmo,<br />

hipoxemia, arritmias, danos à mucosa etc. 1 . Apesar <strong>de</strong> serem claros, na prática clínica, os benefícios da aspiração<br />

para remoção das secreções das vias aéreas, isto nunca foi estudado, sendo principalmente avaliados os efeitos<br />

colaterais associados a ela 2 . Danos à mucosa e ao sistema mucociliar geralmente estão associados à técnica do<br />

operador e à quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> pressão usada (que não <strong>de</strong>ve exce<strong>de</strong>r 150 mmHg em adultos) 3 . Aspiração intermitente,<br />

em vez <strong>de</strong> contínua, po<strong>de</strong> ser menos traumática para a mucosa, mas existe pouca evidência sobre isso 3 .<br />

1. Guglielminotti J, Alzieu M, Maury E, Gui<strong>de</strong>t B, Offenstadt G. Bedsi<strong>de</strong> <strong>de</strong>tection of retained<br />

tracheobronchial secretions in patients receiving mechanical ventilation: is it time for tracheal suctioning?<br />

Chest 2000; 118:1095-9.<br />

2. Stiller K. Physiotherapy in intensive care: towards an evi<strong>de</strong>nce-based practice. Chest 2000; 118:1801-13.<br />

3. AARC clinical practice gui<strong>de</strong>line. Endotracheal suctioning of mechanically ventilated adults and children<br />

with artificial airways. American Association for Respiratory Care. Respir Care 1993; 38: 500-504.<br />

2.5.2. Hiperoxigenação prévia à aspiração<br />

RECOMENDAÇÃO: A hiperoxigenação (FIO 2 = 1) <strong>de</strong>ve ser utilizada previamente ao procedimento <strong>de</strong> aspiração<br />

endotraqueal para minimizar a hipoxemia induzida pela aspiração traqueal.


Grau <strong>de</strong> recomendação: A<br />

COMENTÁRIO: A hiperoxigenação é a melhor técnica para prevenir a hipoxemia associada à aspiração e <strong>de</strong>ve ser<br />

sempre utilizada 1 .<br />

1. Oh H, Seo W. A meta-analysis of the effects of various interventions in preventing endotracheal suctioninduced<br />

hypoxemia. J Clin Nurs 2003; 12:912-24.<br />

2.5.3. Aspiração usando sistema aberto ou fechado<br />

RECOMENDAÇÃO: Os sistemas <strong>de</strong> aspiração aberto e fechado são igualmente eficazes na remoção <strong>de</strong> secreções.<br />

No entanto, o sistema fechado <strong>de</strong>termina menor risco <strong>de</strong> complicações (hipoxemia e arritmias) e menor risco <strong>de</strong><br />

contaminação para o paciente e <strong>de</strong>ve ser preferido, principalmente em situações nas quais são usados valores <strong>de</strong><br />

PEEP elevadas, como na lesão pulmonar aguda, on<strong>de</strong> a <strong>de</strong>sconexão para a aspiração aberta po<strong>de</strong> ser prejudicial ao<br />

paciente.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: B<br />

COMENTÁRIO: A principal vantagem do sistema fechado é que não é necessária a <strong>de</strong>sconexão do circuito<br />

respiratório para realização da aspiração, o que além <strong>de</strong> <strong>de</strong>terminar menos alterações hemodinâmicas e nas trocas<br />

gasosas, po<strong>de</strong>ria reduzir o risco <strong>de</strong> infecção. Os dados atuais não mostram menores risco <strong>de</strong> pneumonia com o<br />

sistema fechado 1 . No entanto, em pacientes com lesão pulmonar aguda o uso do sistema fechado po<strong>de</strong> reduzir o<br />

<strong>de</strong>rrecrutamento e a queda na oxigenação do paciente 2 . Esse efeito po<strong>de</strong> ser influenciado pelo modo ventilatório em<br />

uso e pelos ajustes do ventilador 3 . Uma manobra <strong>de</strong> recrutamento após a aspiração po<strong>de</strong> minimizar ainda mais os<br />

efeitos da aspiração traqueal 2 . O custo relacionado ao uso do sistema fechado po<strong>de</strong> ser reduzido com a troca a cada<br />

sete dias, em vez <strong>de</strong> diariamente, sem aumento do risco <strong>de</strong> infecção respiratória 4 .<br />

1. Lorente L, Lecuona M, Martin MM, Garcia C, Mora ML, Sierra A. Ventilator-associated pneumonia using<br />

a closed versus an open tracheal suction system. Crit Care Med 2005; 33: 115-9.<br />

2. Lasocki S, Lu Q, Sartorius A, Fouillat D, Remerand F, Rouby JJ. Open and closed-circuit endotracheal<br />

suctioning in acute lung injury: efficiency and effects on gas exchange. Anesthesiology 2006; 104:39-47.<br />

3. El Masry A, Williams PF, Chipman DW, Kratohvil JP, Kacmarek RM. The impact of closed endotracheal<br />

suctioning systems on mechanical ventilator performance. Respir Care 2005; 50: 345-53.<br />

4. Stoller JK, Orens DK, Fatica C, et al. Weekly versus daily changes of in-line suction catheters: impact on<br />

rates of ventilator-associated pneumonia and associated costs. Respir Care 2003; 48: 494-9.<br />

2.6. TREINO ESPECÍFICO DOS MÚSCULOS RESPIRATÓRIOS<br />

2.6.1. Uso da sensibilida<strong>de</strong> do ventilador como forma <strong>de</strong> treinamento<br />

RECOMENDAÇÃO: O treinamento dos músculos respiratórios por meio da redução da sensibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> disparo<br />

dos respiradores não é fisiológico e parece não representar vantagem na liberação do paciente do ventilador, não<br />

sendo recomendada por esse consenso.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: B<br />

COMENTÁRIO: a diminuição da sensibilida<strong>de</strong> para o disparo do ventilador é pouco utilizada como método <strong>de</strong><br />

treinamento muscular, pois gera dissincronia paciente-ventilador e po<strong>de</strong> aumentar o tempo <strong>de</strong> <strong>de</strong>smame 1 . Com a<br />

redução da sensibilida<strong>de</strong>, o paciente faz um esforço isométrico vigoroso <strong>de</strong> curta duração, que gera somente<br />

<strong>de</strong>sconforto respiratório e dissincronia, não impondo <strong>de</strong> fato um padrão <strong>de</strong> contração isotônica durante toda a fase<br />

inspiratória, capaz <strong>de</strong> gerar ganho <strong>de</strong> força muscular 2 . Há <strong>de</strong>scrição <strong>de</strong> somente um estudo que utilizou a<br />

sensibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> disparo para treino dos músculos inspiratórios em pacientes sob VM, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> o início da ventilação,<br />

com objetivo principal <strong>de</strong> tentar abreviar o <strong>de</strong>smame da ventilação e reduzir a taxa <strong>de</strong> reintubação 3 . Foram avaliados<br />

25 pacientes, 12 treinados 2 vezes ao dia através do ajuste da sensibilida<strong>de</strong> do ventilador e 13 controles. Não houve<br />

redução no tempo <strong>de</strong> <strong>de</strong>smame da VM e nem no índice <strong>de</strong> reintubações.<br />

1. Leung P, Jubran A, Tobin MJ. Comparison of assisted ventilator mo<strong>de</strong>s on triggering, patient effort, and<br />

dyspnea. Am J Respir Crit Care Med 1997; 155:1940-8.<br />

2. Bonmarchand G, Chevron V, Menard JF, et al. Effects of pressure ramp slope values on the work of<br />

breathing during pressure support ventilation in restrictive patients. Crit Care Med 1999; 27:715-22.<br />

3. Caruso P, Denari SD, Ruiz SA, et al. Inspiratory muscle training is ineffective in mechanically ventilated<br />

critically ill patients. Clinics 2005; 60:479-84.<br />

2.6.2. Uso <strong>de</strong> dispositivos <strong>de</strong> incremento <strong>de</strong> carga para facilitar o <strong>de</strong>smame<br />

Recomendação: Não há evidências <strong>de</strong> que o treinamento muscular, através do uso <strong>de</strong> dispositivos que proporcionam<br />

um aumento <strong>de</strong> carga (threshold), facilite o <strong>de</strong>smame <strong>de</strong> pacientes em ventilação mecânica. Sendo assim, não se<br />

recomenda essa técnica para pacientes com <strong>de</strong>smame difícil.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: D<br />

Comentário: Pacientes que falham no teste <strong>de</strong> respiração espontânea (TRE) po<strong>de</strong>m se beneficiar do treinamento da<br />

musculatura respiratória. Entretanto, o termo treinamento nem sempre significa o treinamento especifico <strong>de</strong> força,<br />

como por exemplo, através do uso <strong>de</strong> dispositivos <strong>de</strong> cargas lineares (threshold) ou alineares (dispositivos <strong>de</strong><br />

orifício). A carga imposta aos músculos respiratórios, através <strong>de</strong>sses dispositivos, seja em ventilação com pressão <strong>de</strong><br />

suporte ou Tubo T, fica sempre acima do limiar <strong>de</strong> fadiga. Portanto, o racional está em reduzir a carga durante a<br />

respiração espontânea e não aumentá-la 1 .<br />

1. Laghi F, Cattapan SE, Jubran A, et al. Is weaning failure caused by low-frequency fatigue of the diaphragm?<br />

Am J Respir Crit Care Med 2003; 167:120-7.<br />

2.7. Fisioterapia motora no paciente sob ventilação mecânica:<br />

2.7.1. Exercícios Passivos<br />

RECOMENDAÇÃO: Apesar da ausência <strong>de</strong> dados <strong>de</strong>monstram a importância da utilização do exercício passivo<br />

para evitar <strong>de</strong>formações articulares e encurtamento muscular em pacientes sob ventilação mecânica, recomendamos<br />

sua aplicação nos pacientes intubados na UTI.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: D<br />

Comentário: O imobilismo causa diversas complicações ao paciente <strong>de</strong> UTI e, portanto, <strong>de</strong>ve-se buscar preveni-las.<br />

As evidências sobre benefícios dos exercícios passivos para prevenir alterações músculos-esqueléticas nos pacientes<br />

<strong>de</strong> UTI são limitadas. Posteriormente, verificou-se que além <strong>de</strong> não ser benéfico, po<strong>de</strong>ria <strong>de</strong>terminar complicações<br />

graves em diversos sistemas orgânicos, como úlceras <strong>de</strong> <strong>de</strong>cúbito, perda <strong>de</strong> força muscular, tromboembolismo,


osteoporose e pneumonia 1,2 . Os pacientes <strong>de</strong> UTI e especialmente os idosos são consi<strong>de</strong>rados com maior risco para<br />

<strong>de</strong>senvolver as complicações da síndrome da imobilida<strong>de</strong> 3 .<br />

1. Allen C, Glasziou P, Del Mar C. Bed rest: a potentially harmful treatment needing more careful evaluation.<br />

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3. Nava S, Piaggi G, De Mattia E, Carlucci A. Muscle retraining in the ICU patients. Minerva Anestesiol<br />

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2.7.2. Exercícios Ativos<br />

RECOMENDAÇÃO: Recomendamos a realização <strong>de</strong> exercícios ativos, mesmo em pacientes em ventilação<br />

mecânica, sem contra indicações e capazes <strong>de</strong> executá-lo, com o objetivo <strong>de</strong> diminuir a sensação <strong>de</strong> dispnéia,<br />

aumentar a tolerância ao exercício, reduzir a rigi<strong>de</strong>z e dores musculares preservando a amplitu<strong>de</strong> articular.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: C<br />

Comentário: Há benefícios do uso <strong>de</strong> exercícios ativos <strong>de</strong> membros em pacientes <strong>de</strong> UTI sob <strong>de</strong>smame e recém<br />

<strong>de</strong>smamados da ventilação mecânica. Um estudo 7 realizado em pacientes em pós-operatório <strong>de</strong> cirurgias<br />

gastrointenstinais e cardiovasculares abordaram programas multiprofissionais que incorporaram a mobilização<br />

precoce como parte do tratamento. O resultado do programa resultou na diminuição da morbida<strong>de</strong> e do tempo <strong>de</strong><br />

internação.<br />

Recentemente, um estudo 3 prospectivo, controlado e randomizado avaliou em 66 <strong>de</strong> 228 pacientes<br />

admitidos 3 UTIs que tinham mais que 48h e menos que 96h <strong>de</strong> VM. Avaliou os efeitos do treino precoce em<br />

pacientes recuperando da insuficiência respiratória aguda. A intervenção consistia em treino <strong>de</strong> membros superiores e<br />

fisioterapia global comparada com somente fisioterapia global. Concluíram que o treino <strong>de</strong> membros superiores era<br />

praticavel em pacientes recentemente <strong>de</strong>smamados e que po<strong>de</strong> realçar os efeitos da fisioterapia global sendo que a<br />

funçao dos musculos inspiratorios foi relacionada com a melhora da capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> exercicios.<br />

Outro estudo mais recente 4 , porém fisiológico, prospectivo e controlado teve o objetivo <strong>de</strong> avaliar os efeitos do<br />

treino <strong>de</strong> membros superiores com e sem o suporte ventilatório em pacientes com DPOC e <strong>de</strong>smame difícil.<br />

Encontraram um aumento da tolerância do exercício quando os pacientes realizaram durante o suporte ventilatório.<br />

1. McConnell AK, Romer LM. Respiratory muscle training in healthy humans: resolving the controversy. Int<br />

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2.7.3. Decúbito elevado e Se<strong>de</strong>stação<br />

Recomendação: o <strong>de</strong>cúbito elevado (superior a 30º) po<strong>de</strong> reduzir a ocorrência <strong>de</strong> pneumonia associada à ventilação<br />

mecânica. Sentar no leito ou na poltrona po<strong>de</strong> otimizar a troca gasosa e o conforto do paciente.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: B<br />

Comentário: Sentar o paciente no leito ou na poltrona po<strong>de</strong> ser uma conduta importante e <strong>de</strong>ve ser realizado o mais<br />

precocemente possível, mesmo quando o paciente estiver em ventilação mecânica invasiva, mas em condições<br />

estáveis no período <strong>de</strong> <strong>de</strong>smame 1-3 . Um estudo comparando pré e pós-operatório <strong>de</strong> cirurgia torácica revelou que,<br />

sentar o paciente no leito a 30° melhora a troca gasosa e reduz o estado hipermetabólico ocasionado pela cirurgia 1 .<br />

Uma revisão <strong>de</strong> ensaios clínicos controlados em pacientes em pós-operatório avaliou a função pulmonar nas posturas<br />

supino, sentado, <strong>de</strong>cúbito lateral e em posição ortostática, e apontou uma melhora da função nas posições supina e<br />

sentada em comparação com a posição supina 4 .<br />

1. Brandi LS, Bertolini R, Janni A, Gioia A, Angeletti CA. Energy metabolism of thoracic surgical patients in<br />

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2.7.4. Ortostatismo<br />

Recomendação: A posição ortostática como recurso terapêutico po<strong>de</strong> ser adotada <strong>de</strong> forma ativa ou passiva para<br />

estimulação motora, melhora da troca gasosa e estado <strong>de</strong> alerta. Deve utilizada restritamente a pacientes crônicos<br />

estáveis clinicamente sob ventilação mecânica prolongada em <strong>de</strong>smame difícil.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: D<br />

Comentário: A adoção da postura ortostática com assistência da prancha ortostática é recomendada para reintroduzir<br />

os pacientes à posição vertical, quando estes são incapazes <strong>de</strong> se levantar ou mobilizar com segurança mesmo com<br />

consi<strong>de</strong>rável assistência 1 . O uso da postura ortostática na UTI tem sido encorajado como uma técnica para minimizar<br />

os efeitos adversos da imobilização prolongada, como hipotensão ortostática, consumo <strong>de</strong> oxigênio reduzido, estase<br />

venosa, redução dos volumes pulmonares, prejuízo nas trocas gasosas, atrofia muscular, contraturas musculares,<br />

a<strong>de</strong>rências articulares e úlcera <strong>de</strong> <strong>de</strong>cúbito 2 . Apesar da falta <strong>de</strong> ensaios clínicos avaliando o impacto no prognóstico<br />

dos pacientes críticos, a posição ortostática foi incluída como modalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> tratamento em recente consenso por<br />

fisioterapeutas ingleses que trabalham em UTI 3 . As hipóteses benéficas da postura ortostática incluem influências no<br />

controle autonômico do sistema cardiovascular, facilitação da ventilação e troca gasosa, facilitação do estado <strong>de</strong><br />

alerta, estimulação vestibular e facilitação da resposta postural antigravitacional 4-7 .<br />

Estudo recente revelou que a adoção da postura ortostática passiva por meio <strong>de</strong> uma prancha é utilizada pela<br />

maioria dos fisioterapeutas nas UTIs nível 3 da Austrália 4 . Os principais benefícios relatados <strong>de</strong>ssa intervenção são<br />

melhorar a função músculo-esquelética e estimular o nível <strong>de</strong> consciência. Entretanto, existem disparida<strong>de</strong>s quanto às<br />

contra-indicações para adotar a posição ortostática nos pacientes <strong>de</strong> UTI. Esse estudo apontou, ainda, para a<br />

necessida<strong>de</strong> da padronização <strong>de</strong>ssa intervenção, com o objetivo <strong>de</strong> otimizar a segurança do paciente e obter melhores


esultados. A prancha ortostática <strong>de</strong>ve ser consi<strong>de</strong>rada como mais um recurso fisioterapêutico a ser explorado em<br />

UTI, principalmente em pacientes crônicos incapazes <strong>de</strong> cooperação voluntária, mas clinicamente estáveis, com<br />

quadro <strong>de</strong> <strong>de</strong>smame difícil. Ainda não foi estudado, até o presente momento, se os benefícios fisiológicos <strong>de</strong>scritos<br />

com essa técnica po<strong>de</strong>m influenciar o prognóstico dos pacientes críticos <strong>de</strong> forma positiva.<br />

1. Webber B, Pryor J. Physiotherapy for Respiratory and Cardiac Problems. In: B W, J P, eds. Physiotherapy<br />

skills: Techniques and adjuncts. Edinburgh: Churchill Livingstone; 1993:113–73.<br />

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controlled trial. Hypertension 2005; 45:391-8.<br />

2.8. Cuidados com as vias aéreas artificiais<br />

2.8.1. Fixação do Tubo traqueal:<br />

RECOMENDAÇÃO: A a<strong>de</strong>quada fixação do tubo endotraqueal e a avaliação da posição do tubo são aspectos muito<br />

importantes no cuidado da via aérea e <strong>de</strong>vem ser realizados sistematicamente pela equipe assistente.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: B<br />

COMENTÁRIO: Extubações não planejadas po<strong>de</strong>m ocorrer por falta <strong>de</strong> sedação do paciente ou por fixação do tubo<br />

<strong>de</strong> maneira ina<strong>de</strong>quada. A freqüência <strong>de</strong> extubações não planejadas (aci<strong>de</strong>ntais ou auto-extubações) varia <strong>de</strong> 2 % a 13<br />

% 1 . Apesar <strong>de</strong> nem sempre ser necessária a reintubação, complicações graves e óbitos já foram relatados 1 . O<br />

movimento do tubo é consi<strong>de</strong>rado a maior causa <strong>de</strong> trauma <strong>de</strong> via aérea.<br />

O i<strong>de</strong>al é que a fixação do tubo seja feita por duas pessoas, sendo que uma é responsável por segurar o tubo<br />

na posição correta, enquanto a outra realiza a fixação. O método tradicional usado para fixar o tubo endotraqueal é<br />

com uso fita a<strong>de</strong>siva 4 . Um dos problemas que po<strong>de</strong>mos encontrar com a utilização da fita é a dificulda<strong>de</strong> em realizar<br />

higiene oral. Cadarços também po<strong>de</strong>m ser usados, mas escaras po<strong>de</strong>m surgir nos lobos das orelhas, sendo necessário<br />

então protegê-las ou evitar o seu contato com o cadarço. As lesões causadas por pressão do tubo nos lábios po<strong>de</strong>m ser<br />

evitadas através do reposicionamento periódico do tubo. Devemos estar sempre atentos à cavida<strong>de</strong> oral, aos lábios e à<br />

pele ao redor da boca. O método i<strong>de</strong>al <strong>de</strong> fixação do tubo <strong>de</strong>ve permitir a menor movimentação possível do tubo,<br />

<strong>de</strong>ve ser confortável para o paciente, <strong>de</strong>ve permitir higiene oral, <strong>de</strong>ve preservar a pele íntegra e ser <strong>de</strong> fácil aplicação<br />

5 .<br />

1. May RA, Bortner PL. Airway Management. In: Hess DR, MacIntyre NR, Mishoe SC, Galvin WF, Adams<br />

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2.8.2. Cuidados com o balonete da via aérea artificial (Cuff):<br />

RECOMENDAÇÃO: A pressão do cuff (ou balonete) do tubo traqueal <strong>de</strong>ve ser a mais baixa necessária para impedir<br />

a aspiração e prevenir o vazamento <strong>de</strong> ar. O consenso recomenda que sejam usados valores entre 25 a 34 cmH 2 O (18<br />

a 25 mmHg) ou entre 20 e 30 cmH 2 O (15 a 22 mmHg) <strong>de</strong>vendo ser monitorada ao longo do tempo.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: B<br />

COMENTÁRIO Uma pressão contínua na pare<strong>de</strong> traqueal acima da pressão <strong>de</strong> perfusão capilar (25 a 35 mmHg)<br />

po<strong>de</strong> comprometer o fluxo sanguíneo capilar na mucosa. Como a pressão transmitida pelo cuff para a pare<strong>de</strong> traqueal<br />

usualmente é menor do que a pressão no interior do cuff, alguns autores concordam que 25 mmHg (34 cmH 2 O) é a<br />

máxima pressão aceitável .A magnitu<strong>de</strong> da lesão causada pelo cuff <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> da quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> pressão exercida pelo<br />

cuff na membrana da mucosa traqueal, duração da intubação e área <strong>de</strong> contato do mesmo com a traquéia 3 .<br />

Complicações que ocorrem da pressão exercida contra a mucosa pela insuflação do cuff incluem: perda da mucosa<br />

ciliada 4 , ulcerações 5 , hemorragia 6 , estenose <strong>de</strong> traquéia 5 e fístula traqueoesofágica 7 .<br />

A função do cuff do tubo endotraqueal é selar a via aérea 2 , ou seja, ocupar o espaço entre o tubo e a pare<strong>de</strong> da<br />

traquéia. Durante a ventilação mecânica, a pressão do cuff <strong>de</strong>ve ser baixa o suficiente para permitir a perfusão capilar<br />

pulmonar 8 e alta o suficiente para prevenir o vazamento <strong>de</strong> ar (perda <strong>de</strong> volume corrente) e impedir aspiração das<br />

secreções que ficam coletadas na traquéia acima do cuff reduzindo o risco <strong>de</strong> pneumonia associada ao ventilador<br />

mecânico. Monitorar a pressão do cuff três vezes por dia parece contribuir para prevenir lesões isquêmicas e estenose<br />

traqueal 9 .<br />

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137-140.<br />

2.9. Utilização <strong>de</strong> umidificadores durante a ventilação mecânica<br />

2.9.1. Condicionamento do ar inspirado na ventilação mecânica<br />

RECOMENDAÇÃO: Em pacientes em ventilação mecânica invasiva a umidificação e aquecimento a<strong>de</strong>quado dos<br />

gases é imprescindível para assegurar a integrida<strong>de</strong> das vias aéreas e uma a<strong>de</strong>quada função mucociliar.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: B<br />

COMENTÁRIO: Durante a respiração, o ar inspirado é fisiologicamente aquecido e umidificado ao passar pelas<br />

vias aéreas superiores. Ao atingir os alvéolos, o ar inspirado se encontra aquecido à temperatura do corpo (cerca <strong>de</strong><br />

37°C) e saturado <strong>de</strong> vapor d’água. Durante o suporte ventilatório invasivo, estes mecanismos naturais <strong>de</strong> aquecimento<br />

e umidificação são suprimidos, sendo que a umidificação e o aquecimento po<strong>de</strong>m ser realizadas tanto ativamente,<br />

através <strong>de</strong> umidificadores aquecidos (UAs), como passivamente por meio <strong>de</strong> trocadores <strong>de</strong> calor e umida<strong>de</strong> (HMEs -<br />

Heat and moisture exchangers), que também são conhecidos como narizes artificiais 1 .<br />

Os HMEs são divididos em três categorias: os higroscópicos, os hidrofóbicos e os mistos (higroscópicoshidrofóbicos)<br />

2 . Os HMEs com proprieda<strong>de</strong> higroscópicas têm melhor qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> umidificação quando comparado<br />

aos HMEs que possuem somente componente hidrofóbico. Este tipo <strong>de</strong> HME esteve associado a oclusão do tubo<br />

endotraqueal em alguns estudos 6 . Por outro lado, os HMEs com componentes hidrofóbicos funcionam também como<br />

filtros <strong>de</strong> bactérias.<br />

1. AARC clinical practice gui<strong>de</strong>line. Humidification during mechanical ventilation. American Association for<br />

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2.9.2. Eficácia dos dispositivos <strong>de</strong> umidificação<br />

RECOMENDAÇÃO: Para umidificação dos gases durante ventilação invasiva, tanto os umidificadores aquecidos<br />

(Uas) como os trocadores <strong>de</strong> calor e umida<strong>de</strong>s (HME) <strong>de</strong>terminam bons resultados clínicos, contanto que se observe<br />

as situações on<strong>de</strong> os HMEs estão contra-indicados.<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: B<br />

COMENTÁRIO: Os Uas, quando bem utilizados, garantem ótimo aquecimento e umidificação 1 , porém, apresentam<br />

algumas <strong>de</strong>svantagens como: maior custo 2 , con<strong>de</strong>nsação do vapor <strong>de</strong> água no circuito <strong>de</strong> ventilação e no reservatório,<br />

e um potencial <strong>de</strong> contaminação bacteriana. Necessitam, ainda, <strong>de</strong> fornecimento <strong>de</strong> energia e constante suprimento <strong>de</strong><br />

água 3 . Além disso, o uso incorreto po<strong>de</strong> causar aquecimento e umidificação excessivos ou insuficientes, po<strong>de</strong>ndo<br />

levar a hipertermia ou hipotermia, lesão térmica <strong>de</strong> via aérea ou fluidificação insuficiente da secreção. Existem<br />

sistemas <strong>de</strong> umidificação que usam circuito com fio aquecido (<strong>de</strong> maior custo), que promovem uma temperatura <strong>de</strong><br />

gás mais precisa para o paciente e previnem a con<strong>de</strong>nsação <strong>de</strong> água no circuito, reduzindo o consumo <strong>de</strong> água e<br />

po<strong>de</strong>ndo, potencialmente, reduzir o risco <strong>de</strong> infecção, quando comparado com circuito usualmente utilizado (sem fio<br />

aquecido). Apesar <strong>de</strong> ser controversa a associação do uso <strong>de</strong> UA com maior risco <strong>de</strong> pneumonia associada ao<br />

ventilador mecânico (PAV), um gran<strong>de</strong> estudo multicêntrico 9 que acompanhou 370 pacientes e seguiu critérios<br />

rigorosos para diagnóstico <strong>de</strong> PAV, não encontrou diferença significativa na incidência <strong>de</strong> PAV entre os pacientes<br />

que utilizaram umidificador aquecido com circuito com fio aquecido e HME misto.<br />

Os HMEs são contra-indicados <strong>de</strong> maneira relativa para os pacientes em algumas situações, tais como:<br />

• Presença <strong>de</strong> secreção espessa ou abundante ou sanguinolenta, pois po<strong>de</strong> haver oclusão do HME, resultando em<br />

excessiva resistência, hiperinsuflação pulmonar e necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> repetidas trocas do dispositivo 2 .<br />

• Fístula broncopleural volumosa ou problemas no funcionamento do cuff do tubo endotraqueal<br />

• Temperatura corporal menor do que 32ºC, pois o HME funciona passivamente e retorna somente uma porção do<br />

calor e umida<strong>de</strong> exalados. Portanto, se o paciente estiver hipotérmico, o HME po<strong>de</strong>rá não prover um<br />

aquecimento a<strong>de</strong>quado 2, 4 .<br />

• Gran<strong>de</strong> volume minuto espontâneo (>10 l/min) ou gran<strong>de</strong> volume corrente po<strong>de</strong>m diminuir a eficiência <strong>de</strong><br />

umidificação dos HMEs 5 .<br />

• Durante tratamento com aerossol. Nesta situação o HME <strong>de</strong>ve ser removido do circuito do paciente durante a<br />

nebulização, pois a retenção do vapor <strong>de</strong> água e das drogas aerossóis pelo HME po<strong>de</strong> aumentar a resistência do<br />

circuito 2 .<br />

Dentre as possíveis complicações <strong>de</strong>scritas na literatura <strong>de</strong>correntes do uso dos HMEs estão o aumento da<br />

resistência 6 , o aumento do trabalho da respiração 7 e a hipoventilação <strong>de</strong>vido ao aumento do espaço morto 8 .<br />

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2.10. Administração <strong>de</strong> aerossolterapia durante a ventilação mecânica:<br />

RECOMENDAÇÃO: Aerossóis po<strong>de</strong>m ser administrados em pacientes durante a ventilação mecânica tanto por<br />

meio <strong>de</strong> nebulizadores ou nebulímetros (aerossol dosimetrado ou Metered-dose inhaler - MDI).<br />

Grau <strong>de</strong> recomendação: B<br />

COMENTÁRIO: O <strong>de</strong>pósito pulmonar <strong>de</strong> aerossol administrado a pacientes durante a ventilação mecânica é menor<br />

comparado à respiração espontânea. Isto ocorre porque o <strong>de</strong>pósito <strong>de</strong> aerossol no tubo endotraqueal e no circuito do<br />

ventilador mecânico reduz significantemente a fração <strong>de</strong> aerossol que atinge o trato respiratório inferior. Além disso,<br />

esta redução po<strong>de</strong> ser causada também pela umida<strong>de</strong> no circuito e pelo reduzido calibre do tubo endotraqueal 1 . O<br />

fornecimento <strong>de</strong> aerossol por ser feito por nebulizadores ou por meio <strong>de</strong> nebulímetros 2,3 . Como o circuito do<br />

ventilador é um sistema fechado, que é pressurizado durante o seu funcionamento, o nebulizador <strong>de</strong>ve ser conectado<br />

<strong>de</strong> tal forma que mantenha a integrida<strong>de</strong> do circuito durante o funcionamento do ventilador. O dispositivo <strong>de</strong><br />

umidificação po<strong>de</strong> ser colocado no circuito entre o “Y” do circuito do ventilador e o tubo endotraqueal ou a uma<br />

distância <strong>de</strong> 30 cm do tubo endotraqueal. Colocar o dispositivo no ramo inspiratório do circuito, a uma distância <strong>de</strong><br />

30 cm do tubo endotraqueal é mais eficiente porque assim o circuito do ventilador mecânico atua como um espaçador<br />

para o acúmulo <strong>de</strong> aerossol entre as inspirações 4,5 .<br />

O nebulizador po<strong>de</strong> funcionar apenas durante a inspiração (intermitente) por meio <strong>de</strong> um fluxo <strong>de</strong> gás<br />

inspiratório do ventilador, ou continuamente, através <strong>de</strong> um fluxo <strong>de</strong> gás externo. Nebulizar somente durante a<br />

inspiração é mais eficiente no fornecimento do aerossol do que quando o aerossol é gerado <strong>de</strong> forma contínua 4, 6 .<br />

Vários problemas po<strong>de</strong>m ocorrer se uma fonte <strong>de</strong> gás externo for utilizada no funcionamento do nebulizador. O fluxo<br />

<strong>de</strong> gás externo usado para o nebulizador po<strong>de</strong> adicionar fluxo <strong>de</strong> ar no circuito do ventilador, po<strong>de</strong>ndo aumentar<br />

volumes, fluxos e picos <strong>de</strong> pressão na via aérea, alterando <strong>de</strong>sta forma a ventilação <strong>de</strong>sejada. Po<strong>de</strong> ser necessário<br />

ajustar o volume corrente e fluxo inspiratório quando o nebulizador está em uso 1 . O fluxo externo po<strong>de</strong> alterar o a<br />

sensibilida<strong>de</strong> do ventilador, sendo às vezes, necessários ajustes; quando os pacientes são incapazes <strong>de</strong> <strong>de</strong>senca<strong>de</strong>ar o<br />

disparo do ventilador durante modos assistidos <strong>de</strong> ventilação mecânica (por causa do adicional fluxo do nebulizador)<br />

po<strong>de</strong> ocorrer hipoventilação 7 .<br />

Devemos lembrar também, que o uso <strong>de</strong> fluxo constante no circuito do ventilador (ex: bias flow) durante<br />

todas as fases <strong>de</strong> ventilação po<strong>de</strong> aumentar a perda <strong>de</strong> aerossol 6 . Os ajustes feitos nos parâmetros do ventilador e nos<br />

alarmes, a fim <strong>de</strong> acomodar o adicional fluxo <strong>de</strong> gás durante a nebulização <strong>de</strong>vem ser refeitos ao final do uso do<br />

nebulizador, ou seja, quando todo o medicamento acabar ou quando mais nenhum aerossol estiver sendo produzido;<br />

<strong>de</strong>vemos <strong>de</strong>sconectar o nebulizador e reconectar o circuito do ventilador, reprogramando a ventilação original e os<br />

parâmetros <strong>de</strong> alarme. O fluxo através do nebulizador <strong>de</strong>ve ser <strong>de</strong> 6 a 8 L/min. Devemos tomar cuidado com os<br />

nebulizadores no circuito do ventilador, pois estes po<strong>de</strong>m se tornar contaminados com bactérias, que po<strong>de</strong>m ser<br />

carregadas para o trato respiratório inferior 8 .<br />

Em relação aos nebulìmetros (MDI), estudos mostram sua associação com um espaçador resulta em maior<br />

fornecimento <strong>de</strong> aerossol do que nebulímetro conectado diretamente no tubo endotraqueal 9,10 . O nebulímetro inserido<br />

em um espaçador <strong>de</strong>ve ser conectado no ramo inspiratório proximal do adaptador “Y”. Quanto ao modo ventilatório e<br />

aos parâmetros utilizados, sabemos que eles também influenciam o fornecimento <strong>de</strong> aerossol em pacientes ventilados<br />

mecanicamente. O aerossol po<strong>de</strong> ser fornecido durante modo assistido <strong>de</strong> ventilação se o paciente estiver respirando<br />

em sincronia com o ventilador. O volume corrente fornecido pelo ventilador <strong>de</strong>ve ser maior do que o volume do<br />

circuito do ventilador e do tubo endotraqueal 1 . Volume corrente acima <strong>de</strong> 500 mL em adultos está associado com<br />

a<strong>de</strong>quado fornecimento <strong>de</strong> aerossol 4,11 . O modo pressão controlada também po<strong>de</strong> ser usado, proporcionando volume<br />

corrente acima <strong>de</strong> 500 mL. O fornecimento <strong>de</strong> aerossol por nebulizadores está diretamente correlacionado com tempo<br />

inspiratório longo, porque permite inalação maior <strong>de</strong> aerossol a cada respiração 4,11 . Nebulímetro produz aerosol<br />

durante uma gran<strong>de</strong> parte <strong>de</strong> uma inspiração simples; o mecanismo pelo qual um tempo inspiratório longo aumenta o<br />

fornecimento <strong>de</strong> aerossol é incerto. Talvez as partículas <strong>de</strong> aerossol que se <strong>de</strong>positam no espaçador e no circuito do<br />

ventilador são arrastadas para fora das pare<strong>de</strong>s com o uso <strong>de</strong> longos períodos <strong>de</strong> fluxo inspiratório 1 .<br />

A umidificação e o aquecimento do gás inalado diminuem o <strong>de</strong>pósito <strong>de</strong> aerossol quando são usados o<br />

nebulizador ou o nebulímetro em aproximadamente 40% 4,9,12 , provavelmente <strong>de</strong>vido à gran<strong>de</strong> perda <strong>de</strong> partículas no<br />

circuito do ventilador. Isto é, a presença <strong>de</strong> umida<strong>de</strong> no circuito do ventilador reduz a eficiência no fornecimento <strong>de</strong><br />

aerossol ao redor <strong>de</strong> 40% a 50% quando comparada a circuitos secos 4,13 . O HME <strong>de</strong>ve ser removido do circuito do<br />

ventilador mecânico toda vez que um dispositivo <strong>de</strong> nebulização for utilizado. Quando comparado com os<br />

nebulizadores o uso <strong>de</strong> nebulímetros durante VM é mais fácil <strong>de</strong> realizar, envolve menor tempo do profissional que<br />

cuida do paciente, fornece dose mais confiável e po<strong>de</strong> reduzir o custo do tratamento 2 . Além disso, quando o<br />

nebulímetro é usado com um espaçador cilíndrico colabável não é necessário <strong>de</strong>sconectar o circuito do ventilador<br />

para toda inalação 14 .<br />

1. Fink JB, Tobin MJ, Dhand R. Bronchodilator therapy in mechanically ventilated patients. Respir Care<br />

1999; 44: 53-69.<br />

2. Dhand R, Tobin MJ. Inhaled bronchodilator therapy in mechanically ventilated patients. Am J Respir Crit<br />

Care Med 1997; 156:3-10.<br />

3. AARC clinical practice gui<strong>de</strong>line. Selection of Device, Administration of Bronchodilator, and Evaluation<br />

of Response to Therapy in Mechanically Ventilated Patients. Respir Care 1999; 44: 105-13.<br />

4. O'Riordan TG, Greco MJ, Perry RJ, Smaldone GC. Nebulizer function during mechanical ventilation. Am<br />

Rev Respir Dis 1992; 145:1117-22.<br />

5. Harvey CJ, O'Doherty MJ, Page CJ, Thomas SH, Nunan TO, Treacher DF. Effect of a spacer on pulmonary<br />

aerosol <strong>de</strong>position from a jet nebuliser during mechanical ventilation. Thorax 1995; 50:50-3.<br />

6. Miller DD, Amin MM, Palmer LB, Shah AR, Smaldone GC. Aerosol <strong>de</strong>livery and mo<strong>de</strong>rn mechanical<br />

ventilation: in vitro/in vivo evaluation. Am J Respir Crit Care Med 2003; 168:1205-9.


7. Beaty CD, Ritz RH, Benson MS. Continuous in-line nebulizers complicate pressure support ventilation.<br />

Chest 1989; 96:1360-3.<br />

8. Craven DE, Lichtenberg DA, Goularte TA, Make BJ, McCabe WR. Contaminated medication nebulizers in<br />

mechanical ventilator circuits. Source of bacterial aerosols. Am J Med 1984; 77:834-8.<br />

9. Diot P, Morra L, Smaldone GC. Albuterol <strong>de</strong>livery in a mo<strong>de</strong>l of mechanical ventilation. Comparison of<br />

metered-dose inhaler and nebulizer efficiency. Am J Respir Crit Care Med 1995; 152:1391-4.<br />

10. Dhand R, Tobin MJ. Bronchodilator <strong>de</strong>livery with metered-dose inhalers in mechanically-ventilated<br />

patients. Eur Respir J 1996; 9:585-95.<br />

11. Fink JB, Dhand R, Duarte AG, Jenne JW, Tobin MJ. Aerosol <strong>de</strong>livery from a metered-dose inhaler during<br />

mechanical ventilation. An in vitro mo<strong>de</strong>l. Am J Respir Crit Care Med 1996; 154:382-7.<br />

12. Garner SS, Wiest DB, Bradley JW. Albuterol <strong>de</strong>livery by metered-dose inhaler with a pediatric mechanical<br />

ventilatory circuit mo<strong>de</strong>l. Pharmacotherapy 1994; 14:210-4.<br />

13. Fink JB, Dhand R, Grychowski J, Fahey PJ, Tobin MJ. Reconciling in vitro and in vivo measurements of<br />

aerosol <strong>de</strong>livery from a metered-dose inhaler during mechanical ventilation and <strong>de</strong>fining efficiencyenhancing<br />

factors. Am J Respir Crit Care Med 1999; 159:63-8.<br />

14. Dhand R. Aerosol therapy during mechanical ventilation: getting ready for prime time. Am J Respir Crit<br />

Care Med 2003; 168:1148-9.

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