A hora da verdade

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A hora da verdade

MATÉRIA ESPECIAL

A hora da

verdade

A preparação para o vestibular e a escolha da profissão

são os grandes desafios para os jovens do Ensino Médio

O

jovem contemporâneo,

aluno do Ensino Médio,

é um sujeito em

plena transição. Pais e

professores descobrem, a cada dia,

um novo filho, um novo aluno. Em

comum, escola e família têm a responsabilidade

de dar subsídios para

que este jovem se desenvolva intelectual

e socialmente e tenha boas

perspectivas de futuro.

E, para o jovem, as dúvidas em

relação ao futuro são muitas. Tão

logo entram para o Ensino Médio,

os alunos têm o pensamento tomado

pelo vestibular e pela urgência

em definir uma futura profissão.

Pensamentos que concorrem com

outros desejos, como, por exemplo,

a emancipação, as festas e os relacionamentos.

Para os professores

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de Ensino Médio, desvendar o jovem

para entendê-lo melhor já faz

parte da atividade . docente.

O coordenador de Língua Inglesa

do Ensino Médio das Escolas Positivo

(instituição de Educação Básica

do Grupo Positivo em Curitiba),

Luiz Fernando Schibelbain, analisa

esse aluno sob dois aspectos: o pedagógico

e o pessoal. Para ele, na

questão pessoal, o jovem sabe que

precisa ser mais responsável e, ao

mesmo tempo, ainda não se desvinculou

de atitudes menos maduras,

típicas dessa fase. Para o coordenador,

no entanto, na sala de aula

o aluno de Ensino Médio se mostra

questionador e procura ir além do

que lhe é instigado durante as aulas.

“O aluno está mais focado e

mais participativo, principalmente

em debates sobre o cotidiano próximo,

interessando-se por temas que

apresentem curiosidades e uso no

dia-a-dia”, constata.

Atenção visual

Para o diretor educacional do

Curso Positivo (curso pré-vestibular

do Grupo Positivo, em Curitiba),

Ivo Carraro, uma das questões a

considerar, sobre o comportamento

do aluno do Ensino Médio, é que o

jovem contemporâneo faz parte de

uma sociedade recente, da era da

Internet, cujo foco está muito mais

no virtual do que no real. No entanto,

o diretor explica que isso ainda

traz algumas dificuldades tanto

para esses alunos como para seus

professores. “ O aluno é mais visual

do que auditivo e, sendo assim, há

que se considerar um período de

tempo para a acomodação desta

nova assimilação”, explica.

A interferência, de acordo com

Carraro, é preparar o aluno para utilizar

a tecnologia como ferramenta

de pesquisa científica. Assim, cabe

ao professor o aprimoramento permanente

das suas funções docentes,

para contextualizar o conteúdo

com a prática de vida do aluno, ou

mesmo estimulá-lo a vencer a aridez

de conteúdos, quando esta relação

não for possível. ‘É imperativo,

porém, que a educação do jovem

contemple também a formação do

seu espírito para interpretar a realidade,

atuar sobre ela com o seu saber

científico, sua ética profissional

e com sua visão sistêmica de mundo,

sendo um agente de transformações

sociais”, diz.

Novas tecnologias e novos comportamentos

resultam em um novo

perfil de aluno, que exige novos

processos de ensino e novas posturas

por parte dos professores. Na visão

de Schibelbain, as aulas do Ensino

Médio devem ser baseadas no

aprendizado cooperativo, no qual

os alunos constroem conhecimentos

aos pares, em grupos ou turmas,

fazem trabalhos de pesquisa,

debates e leituras e, neste formato,

o professor atua como mediador.

“As aulas, nas quais o professor é

o centro, não contribuem para esse

novo aluno cuja atuação é a de protagonista”,

conta o coordenador.

Escolha para o futuro

Durante a preparação para o

vestibular, alguns alunos ainda sequer

definiram a área de atuação

e o curso que irão fazer. Há algum

tempo, algumas carreiras eram financeiramente

mais promissoras

para um jovem, como advocacia,

medicina, engenharia e odontologia.

A escolha da profissão muitas

vezes seguia uma tradição familiar,

sem que o jovem tivesse alguma

identificação com a atividade que

iria exercer.

Atualmente, escolher uma profissão

é uma difícil tarefa que exige

que jovens de dezessete anos definam

o que querem para o futuro

entre inúmeras alternativas e em

meio a um mercado de trabalho dinâmico,

exigente e restrito. O que

é bom hoje, amanhã pode estar

superado, assim como uma boa faculdade

nem sempre corresponde à

garantia de emprego. Não bastasse

isso, o jovem é obrigado a lidar com

a pressão da sociedade e as expectativas

dos pais.

Para a professora do curso de

Psicologia do UnicenP – Centro

Universitário Positivo (instituição

de Ensino Superior do Grupo Positivo,

em Curitiba) e coordenadora

do centro psicológico da instituição,

Suzane Löhr, é comum o aluno ouvir

muitas perguntas sobre o curso que

escolheu, na fase de inscrição para

o vestibular. Se a situação fosse apenas

esta, tudo poderia ser resolvido

com uma simples resposta. Porém,

na visão da psicóloga, esse ponto é

bem mais complexo e começa com

a definição de quem, de fato, decide

essa questão: se a família, a sociedade,

os amigos ou próprio jovem.

Ela lembra que nessa hora, o apoio

da família é fundamental e dá a dica

aos pais. “Aqueles que realmente

querem ajudar os filhos nesse momento,

valorizam a tomada de decisão

por parte do vestibulando, ao

mesmo tempo que ajudam o jovem

a pensar nas alternativas de que dispõem

e nas exigências e implicações

de cada escolha”, explica Suzane.

Independentemente das influências,

Löhr afirma que a decisão

maior é a do próprio aluno e que

este deve escolher, entre as várias

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PROFESSOR CARRARO: educação

deve contemplar a formação do

espírito crítico

áreas do conhecimento, aquela com

que ele mais se identifica. “Todas

as pessoas têm condições de sairse

bem em inúmeras profissões,

inclusive em áreas diversas. Porém,

não existe nada melhor que desempenharmos

uma profissão que nos

dê prazer, transformando a necessidade

do trabalho em uma fonte de

gratificação pessoal”, diz.

Além da própria família, a escola

também pode colaborar com

o aluno para a escolha da profissão.

“A escola deve oferecer as oportunidades

de contato com diferentes

profissões, estimular os jovens a

participar de feiras de profissões

sempre que ofertadas, promover discussão

sobre o processo de tomada

de decisão. E isso não somente em

relação à profissão, mas também

relacionads a outros aspectos envolvidos

na vida”, complementa.

Aluno, família e escola têm um

interesse em comum, que é o sucesso

do jovem no vestibular. Sendo

assim, certamente a ansiedade

e as inquietações comuns na fase

que antecede a entrada desse jovem

na universidade podem ser amenizadas

se cada um exercer bem o

seu papel. É certo que o aluno bem

preparado, com uma sólida base e

incentivado pela família, consegue

ter melhor êxito no processo vestibular,

na profissão, na convivência

social e no âmbito pessoal. E essa é

a verdadeira vocação da educação,

seja construída em casa ou na escola:

ensinar para a vida toda.

ADOLESCÊNCIA: convivência, curiosidade e participação.

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