açúcar - Canal : O jornal da bioenergia

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açúcar - Canal : O jornal da bioenergia

Carta

do editor

Mirian Tomé

editor@canalbioenergia.com.br

14 AÇÚCAR

Apesar do pequeno crescimento do consumo de açúcar, em razão da crise mundial,

mercado é favorável para a commodity, garantem analistas de mercado.

fotos: divulgação

cnh latin america

04 ENTREVISTA

Detalhes sobre o zoneamento da cana e a

abertura de novos mercados para o etanol

são explicados pelo coordenador de Açúcar

e Álcool do Mapa, Cid Jorge Caldas.

08 SEGURANÇA NO TRABALHO

Além de fornecer Equipamentos de Proteção

Individual (EPIs), empresas devem observar se

trabalhadores os utilizam adequadamente e

estão conscientes da sua importância.

24 ADUBOS

Mercado de fertilizantes comemora aumento

nas vendas, impulsionadas pela redução do

preço do insumo, que só não foi mais

expressiva em razão da valorização do dólar.

18 BAGAÇO

De mero resíduo, bagaço da cana-de-açúcar

ganha novo estatus com avanço das

pesquisas que buscam a viabilidade

econômica do etanol celulósico.

Bons frutos da perseverança

Neste início de safra sucroalcooleira, o cenário

que se desenha é positivo. Mesmo sob os efeitos da

crise financeira mundial, a engrenagem que move o

estratégico setor de bioenergia revela ser mais forte

do que pensavam os mais alarmistas. Nem tudo são

flores, é claro. Crise é crise e provoca estragos, mas o

mercado para o açúcar segue firme e a liberação de

recursos para a estocagem do etanol também dá

fôlego para as empresas.

Do Ministério da Agricultura vem a notícia de que

o Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar

pode ser anunciado a qualquer momento, pois

restam apenas alguns detalhes para que mais essa

etapa seja vencida, facilitando a abertura do

mercado mundial para o nosso etanol, conforme

pode ser conferido na entrevista concedida ao

CANAL–Jornal da Bioenergia, pelo coordenador-geral

de Açúcar e Álcool do Mapa, Cid Jorge Caldas.

Em nossa reportagem de capa mostramos que as

usinas estão cada vez mais comprometidas com a

preservação dos recursos naturais, como a água, por

exemplo. A utilização de modernas tecnologias e a

formação de uma consciência de preservação e

gestão racional dos recursos hídricos estão se

arraigando na agroindústria cavanieira. As

dificuldades certamente passarão e os que acreditam

no trabalho não tardarão a colher os bons frutos da

perserverança.

Boa leitura e até a próxima edição!

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ENTREVISTA - Cid Jorge Caldas, coordenador-geral de Açúcar e Álcool do Mapa

Políticas para a agroenergia

CID CALDAS EXPLICA AS PROVIDÊNCIAS FINAIS EM RELAÇÃO AO ZONEAMENTO DA

CANA-DE-AÇÚCAR E O ESFORÇO PARA ABRIR NOVOS MERCADOS PARA O ETANOL

EVANDRO BITTENCOURT

Coordenador-geral de

Açúcar e Álcool da Secretaria

de Produção e

Agroenergia do Ministério

da Agricultura, Pecuária e

Abastecimento, o economista

Cid Jorge Caldas já atuou em diversos

cargos da administração

pública federal, nos ministérios

da Fazenda, Planejamento, Indústria

e Comércio e Agricultura,

a exemplo da coordenação-geral

de Planejamento do Instituto de

Pesquisas Econômicas e Sociais

(IPEA), vinculado ao Ministério

do Planejamento, Orçamento e

Gestão. Nesta edição, ele concede

entrevista exclusiva ao CA-

NAL, em que fala sobre os assuntos

mais relevantes e atuais

do setor sucroalcooleiro.

Qual é a situação atual do projeto

de Zoneamento Agroecológico

da Cana-de-Açúcar?

A parte técnica foi concluída em

30 de junho, dentro do prazo estabelecido

pelo ministro da Agricultura.

Ela vai embasar as políticas

públicas indutivas para a

expansão da cultura destinada à

produção de etanol e açúcar. Há

alguns pequenos problemas para

serem solucionados, nos Estados

de Mato Grosso e Mato Grosso

do Sul, e por esse motivo o corpo

técnico foi ouvido novamente.

Resolvida essa parte, vamos tratar

das políticas públicas que

irão induzir o zoneamento.

Recebemos, com frequência, delegações

de outros países querendo saber como

é o programa de etanol do Brasil

Os problemas que o senhor mencionou

estão relacionados a restrições

em determinadas áreas?

Foi solicitado ao ministro que

chamasse os técnicos dos dois

Estados e os ouvíssemos em relação

ao que se estava colocando

como impeditivo para a cana em

determinadas localidades. Os Estados

tiveram a oportunidade de

mostrar o que estava sendo feito

no zoneamento ecológico e econômico,

feito dentro de cada Estado,

sob a coordenação do Ministério

do Meio Ambiente. Tiveram

a abertura necessária para

colocar o ponto de vista técnico

deles. E é bom lembrar que o zoneamento

agroecológico foi feito

pelos ministérios da Agricultura e

do Meio Ambiente e uma série de

instituições que fizeram a parte

operacional. O trabalho teve a

participação da Embrapa, Unicamp,

Inemet, IBGE, CPRN, uma

série de instituições.

E qual é a estimativa de tempo

para que ele seja concluído?

O projeto saiu das nossas mãos e

está na Casa Civil para que esses

detalhes sejam resolvidos. A

gente acredita que até junho estarão

definidas não só as áreas

indicadas, como as políticas públicas

para essa expansão.

carlos silva acs/mapa

Qual é a opinião do senhor em

relação à importância do zoneamento

da cana-de-açúcar?

Não se pode apoiar a expansão

de nenhum produto destinado à

produção de açúcar e etanol,

principalmente no que se refere

ao álcool, onde ele não esteja

sustentado pelo tripé de sustentabilidade

econômica, social e

ambiental. Na parte ambiental,

por exemplo, foram excluídas as

áreas com bioma amazônico, as

áreas de reserva legal, as APPs,

as de comunidades quilombola

e comunidades indígenas. Também

foram apartadas as áreas

com declividade acima de

12%, pois não dá para se falar

em produção de combustível

ecologicamente correto se é

utilizada mão-de-obra em atividade

penosa.

As áreas indicadas são áreas que

possam ser mecanizadas, o que

contempla o critério social. O

critério econômico está contemplado

no fato de as áreas indicadas

proporcionarem, em razão

das características de solo e de

clima e com as cultivares atualmente

disponíveis, uma produtividade

de cana-de-açúcar maior

do que 65 toneladas por hectare.

Diversos setores da economia foram

fortemente impactados com

a crise financeira e o setor sucroalcooleiro

é um deles. O que o

governo pode fazer ou já está fazendo

para ajudar o setor a superar

esse momento?

A crise atingiu o setor como um

todo e uma série de investimentos

que estavam sendo programados,

principalmente com recursos

de fundos internacionais,

sofreram uma retração. O setor

já vem, há pelos menos duas safras,

com os preços do etanol e

do açúcar deprimidos. Isso vinha

sendo sustentado porque havia

novos investimentos e a perspectiva

de novos mercados.

O que temos feito é continuar

buscando a abertura de novos

mercados. Isso tem sido realizado

pelo presidente, quando viaja,

pela parte técnica do Itamaraty e

por nós, do Ministério da Agricultura.

Recebemos, com frequência,

delegações de outros

países, querendo saber como é o

programa de etanol do Brasil, o

que mostra o esforço pela abertura

de novos mercados.

Para o curto prazo, estamos implementando

o financiamento

dos estoques de etanol. Na verdade,

esse é um setor que produz

em seis, sete meses e ele tem que

comercializar esse produto em

doze meses. Então, ele carrega,

04 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


durante quatro, cinco meses, um

volume grande de produto, o que

gera um custo muito alto. Por isso,

estamos financiando a estocagem

de forma que a cada litro

de álcool financiado é preciso

dar em garantia pelo menos 1,5

litro de álcool como garantia. Este

produto, então, só retorna ao

mercado na entressafra, que começa

em janeiro e vai até março

do ano que vem. Ou seja, vamos

tentar fazer com que os preços

do etanol não decaiam muito no

início da safra.

Entendemos que esse é um dos

melhores mecanismos que podemos

aplicar para poder minimizar

essas perdas que o setor

têm tido.

E do que ainda depende a liberação

dos recursos?

Os recursos são da ordem de R$

2,3 bilhões de reais e a normatização

necessária para realização

está programada para a próxima

reunião do Conselho Monetário

Nacional, que sempre acontece

no final de cada mês.

Não é interessante para ninguém ter um

álcool que cai de preço em todo início de

safra e que sobe na entressafra

O preço do etanol no mercado interno

tem sofrido quedas frequentes.

Os recursos para a estocagem

podem dar mais firmeza às

cotações do biocombustível?

Com o anúncio da política de financiar

o estoque de etanol, o

preço do combustível já deu uma

reagida. Não é interessante para

ninguém ter um álcool que cai

de preço em todo início de safra

e que sobe na entressafra. Quando

cai, conforme já identificado

pela ANP, esse preço demora a

ter um efeito para o consumidor,

de aproximadamente oito semanas.

Entretanto, quando ele sobe,

três semanas depois já se nota

um impacto na bomba. Por isso é

importante que haja uma linearidade

no preço desses produtos.

A crise não arrefeceu o esforço

do governo de buscar novos mercados

para o etanol?

Todo mundo diz que é nas crises

que surgem as oportunidades e

quem as busca nesse momento

vai sair na frente. Continuamos

no mesmo ritmo, na tentativa de

abertura de mercados, o que tem

de ser feito nesse momento para,

quando a crise passar, o setor

estar preparado para atender a

esses mercados.

Em outubro do ano passado nós

fizemos um curso técnico para

mais de 30 representantes de 16

países de língua espanhola,

mostrando para eles como era a

produção de etanol e quais eram

as políticas públicas empregadas,

ou seja, tentando disseminar

a cultura da utilização do

etanol. Este ano, vamos fazer

também em língua inglesa.

E como estão os entendimentos

entre os governos brasileiro e de

outros países, principalmente os

EUA, no que se refere aos biocombustíveis?

Estamos trabalhando em conjunto

com os Estados Unidos e a

União Européia. A primeira coisa

a fazer foi a identificação de um

produto que fosse comum aos

três mercados e isso está sendo

trabalhado com o Inmetro, com a

ABNT e com os órgão técnicos

dos países para tentar manter

um tipo de padronização do etanol

que atendesse aos três mercados.

Em relação ao Brasil e aos

EUA, por exemplo, há uma diferença

técnica muito pequena,

superável. Ou seja, continuamos

trabalhando a todo ritmo. Os Estados

Unidos são um grande

mercado para o Brasil e podemos

exportar via países do Caribe,

sem o pagamento de taxas, até

7% da demanda americana que,

este ano, deve estar em torno de

2,1 bilhões de litros.

O Brasil tem atendido a toda essa

cota?

Isso depende das negociações

entre as destilarias e os parceiros

no Caribe. Acredito que seja

atendida entre 70% e 80%

dessa cota.

E em relação às barreiras ao etanol

brasileiro, o senhor acredita

que elas podem realmente cair?

Eu não sei se é o momento para

isso, pois poderia até ter um certo

desarranjo interno se abríssemos

um mercado de tal magnitude.

Eu acho que essas conversas

estão evoluindo e vão evoluir

para uma abertura de mercado,

mas acredito que um pouco

mais à frente.

Qual é a perspectiva de exportação

de etanol para os Estados

Unidos este ano?

Acreditamos que este ano vamos

atender a totalidade da cota e, se

houver espaço, poderemos até

exportar direto para os Estados

Unidos, como já ocorreu há dois

anos. Mesmo pagando a tarifa,

que é pesada, conseguimos colocar

o nosso etanol lá com viabilidade

econômica. Acredito que

será possível igualar os volumes

comercializados no ano passado

ou até crescer um pouco.

As usinas têm aumentado a produção

de açúcar, mais valorizado

no mercado, para fazer capital de

giro e enfrentar esse momento de

dificuldade. O senhor acredita

que isso pode causar impacto significativo

no mercado, a ponto de

haver queda no preço da commodity

?

O setor vai destinar mais cana

para fazer açúcar pela facilidade

de financiar externamente. Tivemos

novas unidades entrando no

mercado e há um quantitativo de

cana-de-açúcar maior, em torno

de 8%. A Conab está a campo

justamente fazendo esse levantamento

de safra. Mas entendemos

que parte do açúcar que não

foi produzido pela Índia vai ser

produzido pelo Brasil e, com certeza,

como o volume de cana é

suficiente, o mercado de etanol

será bem atendido. Não vemos

nenhum problema que possa levar

a uma queda dos preços do

açúcar ou do etanol no mercado

internacional.

CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 05


Intercâmbio de

pesquisas sobre etanol

Iniciativa apoiada pelo

Departamento de Estado do

Governo Americano prevê a criação

da Rede de Educação Superior e de

Pesquisa entre Brasil e EUA (The

Fulbright Commission for

Educational Exchange between

Brazil and the United States of

America). Docentes, cientistas e

estudantes farão um intercâmbio de

informações sobre oportunidades

de financiamento de projetos

ligados aos biocombustíveis e

planos conjuntos de pesquisa.

Usina Caeté inicia

reflorestamento

Pesquisadores da Universidade

Federal de Alagoas (Ufal) e técnicos

da Usina Caeté deram continuidade a

uma ação de reflorestamento da

mata ciliar do Riacho Retiro,que

deságua no Rio São Miguel.A

atividade foi realizada com

planejamento e orientação dos

pesquisadores e apoio técnico e

logístico da usina.Somando-se às

300 mudas já reintroduzidas na área,

foram plantadas cerca de 200

mudasde 32 espécies nativas da Mata

Atlântica,resultantes do projeto

desenvolvido há um ano e seis meses

pelos pesquisadores da Ufal.

Missa na Nardini

A Nardini Agroindustrial

Ltda realizou dia 13 de abril

uma missa para marcar o

começo de sua 37ª safra, com

previsão de moagem de 3,2

toneladas de cana. Dentro desta

estimativa, a produção da safra

2009/2010 pode chegar a 160

milhões de litros de etanol e 4

milhões de sacas de açúcar.

Realizada em um dos armazéns

de açúcar da usina, a

tradicional Missa de Início de

Safra reuniu cerca de 500

colaboradores.

Novo pacto climático

A cidade de Bonn, na

Alemanha, recebeu em março

cerca de 2500 delegados de

175 países, incluindo

representantes de governos,

indústrias, institutos de

pesquisa e organizações

ambientais, para a primeira

de três reuniões que têm

como objetivo traçar um

esboço do tratado que

substituirá o Protocolo de

Quioto em 2012. "Foi

fundamental para trazer o

mundo mais próximo de uma

solução política para as

mudanças climáticas. O

tempo está passando e os

países têm muito o que

fazer", afirmou o Secretário

Executivo da Convenção

ABERTURA DE SAFRA

Culto ecumênico na Usina Ouroeste

A Usina Ouroeste realizou

no dia 25 de março um culto

ecumênico para comemorar o

início da safra 2009/2010. A

celebração reuniu cerca de 300

pessoas entre colaboradores,

autoridades, convidados e

diretores dos grupos Arakaki e

Moema. “A Usina Ouroeste é

hoje uma realidade, referência

no Brasil e no exterior. Isso

graças ao esforço e dedicação de

nossa equipe, que tem

trabalhado incessantemente

para que as metas sejam

cumpridas. Deus tem nos

acompanhado em todos os

passos de nossas vidas, nos

dando saúde, ânimo e a certeza

de que Ele é a solução para

todos os problemas que possam

aparecer”, disse Kosuke

Quadro das Nações Unidas

sobre Mudanças Climáticas

(UNFCC), Yvo de Boer. As

discussões foram

centralizadas em medidas

para a redução das emissões

de gases do efeito estufa,

assim como melhorias nos

esquemas de comércio de

carbono e de preservação de

florestas. Especialistas

esperam que o novo acordo

estabeleça uma redução de

25% a 40% nas emissões no

ano 2020, comparado com os

dados de 1990. Já em 2050, o

alvo é uma queda de 50% a

80%. Estes cortes seriam o

necessário para manter o

aumento da temperatura

dentro do limite de 2°C.

Equipe da Usina Ouroeste e

convidados se uniram em

culto ecumênico para pedir

uma boa safra

Arakaki, diretor presidente do

Grupo Arakaki. A previsão de

moagem para esta safra é de

1,7 milhões de toneladas de

cana-de-açúcar.

fotos: divulgação

Campanha Etanol

Verde tem parceira

Para esclarecer a sociedade

sobre as vantagens do etanol

e a necessidade de se investir

no crescimento tecnológico

sustentável do Brasil, Unica

e Basf formaram parceria em

torno da campanha Etanol

Verde – uma atitude

inteligente. A campanha será

difundida por meio de uma

cartilha, que explica passo a

passo o etanol brasileiro, suas

funções e vantagens.

Usinas a todo vapor

A Brenco e a ETH estão

dando sequência aos seus

projetos de usinas. A Brenco

dará início no segundo

semestre deste ano às

operações de suas primeiras

duas unidades produtoras - a

de Morro Vermelho, em

Mineiros (GO) e a de Alto

Taquari, no Mato Grosso.

Cada planta processará 3,6

milhões de toneladas quando

todos os investimentos

estiverem concluídos.

O plano da Brenco é

montar um grande polo de

produção de etanol, com dez

unidades produtoras

concentradas no Centro-

Oeste (Mato Grosso do Sul,

Goiás e Mato Grosso). Já a

ETH, criada em julho de

2007, adquiriu duas usinas

em operação - Alcídia, em

São Paulo, e Eldorado, no

Mato Grosso do Sul - e deu

início à construção de

unidades. A partir de julho,

coloca em operação três

plantas novas: Conquista do

Pontal, em São Paulo, Santa

Luzia, em Mato Grosso do

Sul, e Rio Claro, em Goiás.

06 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


OPINIÃO

É hora de mais alívio tributário

Ao primeiro sinal de desaquecimento

na indústria

automobilística, o Governo

reagiu com um pacote significativo

de desoneração de IPI, um

dos principais tributos dessa cadeia

produtiva. O fez com a convicção

de que precisa salvar batalhões

de empregos e um bom naco

do prometido crescimento do PIB.

Mas é preciso que a agilidade nessas

iniciativas anticíclicas se dê

também em outras cadeias produtivas,

como a da bioenergia, um

dos setores com maior potencial

de geração e manutenção de empregos

nesses tempos difíceis.

E o grande espaço para aliviar

os custos do setor está na desoneração

do investimento, um tema

que deveria estar permanentemente

na agenda de qualquer governo,

não apenas em momento

de crise. Embora não haja uma

carga de IPI, como no caso dos

produtos finais da indústria automobilística,

o setor de bens de capital

comporta uma série de outras

medidas que talvez nos tragam

resultados ainda melhores. E

com reduzido custo fiscal.

Enquanto a reforma tributária

não avança no Congresso, seria de

muito bom tom que o Governo Federal

desse uma demonstração de

ser verdadeiro o propalado apreço

pelos biocombustíveis, reduzindo

drasticamente a carga de PIS/Cofins

sobre máquinas e equipamentos

adquiridos para implantação,

expansão ou renovação de parques

industriais. Isso pode vir em

duas frentes: rebaixando as alíquotas

nas aquisições desses equipamentos

ou liberando o creditamento

imediato e integral (por

parte das usinas) do tributo embutido

nessas operações.

Mas as iniciativas não devem ficar

restritas ao governo federal.

Os Estados também dispõem de

bons instrumentos de desoneração

de investimentos. O Estado de

Goiás, por exemplo, já aplica permanentemente

uma política de

isenção do diferencial de alíquotas

(a parcela do imposto que lhe

caberia) quando o empreendedor

industrial adquire máquinas e

equipamentos.

É uma boa política, que pode

ser ainda melhorada com a redução

da burocracia na aplicação da

norma. Atualmente, por causa de

interpretações divergentes sobre o

que se trata realmente de ativo

imobilizado, a fiscalização tem

exigido, notadamente das usinas

de álcool, que o contribuinte pague,

antes de qualquer discussão,

o diferencial de alíquotas de uma

lista enorme de itens e depois busque

uma restituição.

A justificativa para tal exigência

é que grande parte dos ativos,

principalmente aquelas máquinas

e equipamentos de maior porte,

chegam desmontados e em muitas

remessas, dificultando a identificação

do que é ativo e do que é

simples peça para manutenção ou

reposição. De qualquer maneira,

exigir que se antecipe o imposto,

para depois o contribuinte buscar

de volta, desvirtua todo o espírito

da lei, que tem como finalidade

desonerar os investimentos.

Outros Estados também podem

seguir essa trilha da isenção do diferencial

de alíquotas, de preferência

sem os obstáculos burocráticos.

É uma ideia que merece ser levada,

inclusive, ao Confaz, o fórum

que congrega as secretarias

estaduais de fazenda e homologa

as políticas de incentivos e benefícios

fiscais.

Não estamos falando de guerra

fiscal ou algo similar, mas de medidas

que buscam pavimentar o caminho

para o investimento, sem,

necessariamente, criar vantagem

adicional para este ou aquele Estado.

Se mesmo nos tempos de bonança,

a decisão de investir passa,

necessariamente, pela carga tributária,

em tempos de crise esse custo

ganha ainda mais relevância.

Além da desoneração do investimento,

há, nas demais etapas da

cadeia produtiva dos biocombustívei,

uma série de outros itens que

comportam medidas similares. O

receituário anticíclico que andava

fora de moda, mas que agora está

mais vivo do que nunca, inclui doses

consideráveis de redução de

carga tributária, visando a liberação

de mais recursos para que a sociedade

possa consumir e investir.

Num Brasil de descalabros históricos

nas contas públicas, e no momento

em que União, Estados e

municípios começam a reclamar de

perdas de arrecadação, a idéia da

desoneração pode até parecer exótica

demais. Mas não podemos esquecer

que nossa carga tributária

também foge ao senso comum e,

além disso, uma indesejável recessão

pode tragar o caixa de todos,

com muito mais virulência, levando

junto milhões de empregos.

SIDNEI C. PIMENTEL

Advogado Tributarista, sócio

do escritório Terra Pimentel e

Vecci, Advogados Associados . É

graduado em direito pela Universidade

Católica de Goiás, em Jornalismo pela

Universidade Federal de Goiás e pósgraduado

em Controladoria e Finanças

pela Fundação Getulio Vargas.

sidnei@capitalempresarial.com.br

divulgação

CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 07


SEGURANÇA NO TRABALHO

Questão

de vida

ALÉM DE FORNECER EQUIPAMENTOS DE

PROTEÇÃO AO TRABALHADOR, É PRECISO

INVESTIR NA CONSCIENTIZAÇÃO

Rhudy Crysthian

Com o início da nova safra de cana-de-açúcar as lavouras

e os parques industriais das usinas começam a ter

uma circulação mais intensa de funcionários e colaboradores,

aumentando assim o risco de acidentes de

trabalho. E apesar das empresas fornecerem gratuitamente os

Equipamentos de Proteção Individual (EPI), o que se vê muitas

vezes é a negligência por parte do trabalhador em relação ao

uso desses equipamentos.

Os EPI's são regulamentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego,

que os avalia e aprova antes de serem colocados no mercado.

Segundo o consultor em segurança e saúde no trabalho,

Fábio Pizza, um aspecto relevante se refere à falta de atenção do

próprio trabalhador. "A desatenção tem origem no hábito adquirido.

Algo que se obtém pela consciência, conforto e praticidade

que aquela atitude gera para a pessoa", diz.

Muitas vezes, não é a empresa que deixa de fornecer algum

EPI e sim o próprio trabalhador que deixa de usá-lo por se sentir

desconfortável. Por isso mesmo, existe a necessidade de fazer

uma trabalho constante junto ao quadro de funcionários e

colaboradores sobre a real importância desses equipamentos.

FALTA DE CONSCIÊNCIA

Consultor afirma que é necessário eliminar os excessos, ou seja,

a utilização de EPIs desnecessários. Fábio conta que muitas

empresas generalizam o uso desses equipamentos para toda a

empresa sem foco nas áreas que, de fato, têm o risco instalado,

o que, muitas vezes, gera desconforto e falta de credibilidade

quanto à sua real proteção. "É imperativo que se compreenda

que o EPI não evita acidentes. Ele diminui a possibilidade de uma

lesão (doença) no caso da ocorrência de um acidente. A prevenção

de acidentes só é possível pela atitude do homem", explica.

Mas, nesses casos, o consultor conta que a falta de conscientização

sobre prevenção não ocorre apenas entres os trabalhadores.

Segundo ele, se o empregador não dá importância à prevenção de

acidentes, o funcionário não se esforçará em executá-la. "O maior

inimigo da prevenção é a falta de conscientização. A consciência

sobre a prevenção leva ao hábito seguro e à melhora do comportamento

do indivíduo quanto a sua própria segurança", diz.

PRINCIPAIS CAUSAS DE ACIDENTES

Operar sem autorização

Utilizar equipamento de

maneira imprópria ou operar em

velocidades inseguras

Usar equipamento danificado

Lubrificar, limpar, regular ou

consertar máquinas em movimento

Utilizar ferramenta imprópria

Assumir posição ou postura insegura

Fazer brincadeiras inapropriadas

Não usar o Equipamento de

Proteção Individual (EPI) disponível

08 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


Análise de riscos é indispensável

PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS DE

PROTEÇÃO INDIVIDUAL NAS USINAS

Os equipamentos de proteção

são definidos pela análise dos riscos

do ambiente de trabalho. De

acordo com a técnica em segurança

do trabalho, Edilene Matias, um

dos EPI's mais comumente encontrados

nas usinas são botinas de

segurança com biqueiras de aço,

que protegem contra perfurações.

Ela afirma ainda que outros equipamentos

são indispensáveis na

área industrial da usina. "Luvas de

raspa com palma em vaqueta, para

manipulação de cana-de-açúcar,

protetor auricular e óculos de

segurança", exemplifica.

De acordo com o consultor Fábio

Pizza, nas atividades realizadas em

uma usina de cana-de-açúcar estão

presentes tanto os riscos físicos,

químicos e biológicos quanto os ergonômicos

e mecânicos. "O ruído

industrial é ainda um dos maiores

vilões. Destaque-se que as posturas

inadequadas, movimentação manual

de cargas e o levantamento de

peso (riscos ergonômicos) geram

sérios problemas lombares aos trabalhadores".

Segundo Fábio, a falta de proteção

em máquinas e equipamentos e

acessos livres a eles representam

riscos que podem gerar graves lesões.

Outro risco considerável existente

nas usinas é a possível presença

de animais peçonhentos que

possam ter sido involuntariamente

transportados da área do cultivo

para a área industrial.

Quanto aos riscos químicos, no

processo de refinamento do açúcar,

por exemplo, Fábio alerta que é indispensável

o controle de manipulação

e dos produtos utilizados no

processamento, como no caso do

enxofre. "Esses processos, hoje em

dia, são, na maior parte das usinas

sucroalcooleiras, enclausurados,

evitando-se, com isso, a exposição e

contaminação do homem", diz.

Capacete contra objetos

e choques elétricos

Capuz para proteger

do calor do sol

Máscara de solda, protetor

para os olhos e rosto contra pó,

luminosidade intensa e respingos

de produtos químicos

Protetor de ouvido

Respirador purificador

de ar contra pó

Vestimentas de segurança

como macacão, calça e blusão,

jaqueta ou paletó

Luva para proteger de agentes

abrasivos, cortantes, perfurantes,

choques elétricos, agentes

químicos e radiações

Creme protetor dos

membros superiores contra

agentes químicos

Manga para proteção do braço e

antebraço contra choques

elétricos, cortes e perfurações

Perneira para proteção contra

cortes e perfurações

CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 09


Levantamento do Sesi aponta

principais problemas de saúde

Dores na coluna, pressão alta, tendinite

e depressão estão entre os

principais problemas de saúde enfrentados

pelos trabalhadores da indústria,

de maneira geral. Problemas

nos rins e diabetes também incrementam

essa lista. Este quadro é o

retrato de um levantamento divulgado

recentemente pelo Serviço Social

da Indústria (Sesi), denominado "Diagnóstico

de saúde e estilo de vida".

Não existe um estudo específico

para o setor sucroalcooleiro, mas de

acordo com informações da União da

Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica),

a maioria das usinas já faz a lição de

casa. A Cosan, por exemplo, oferece

a todos os trabalhadores agrícolas

das unidades do grupo ginástica laboral

antes de iniciar suas atividades

diárias. Essa prática alcançou, no ano

passado, 100% dos trabalhadores no

corte de cana. As usinas do Grupo

USJ oferecem ambulância e ambulatório

médico, para o caso de alguma

emergência. São realizadas orientações

constantes aos trabalhadores de

como eles devem se comportar dentro

da empresa para evitar possíveis

acidentes. São promovidas ainda palestras

e cursos constantes nas usinas

para explicar a importância do trabalhador

ficar atento à necessidade

de cuidar de sua saúde e de sua integridade

física na empresa.

Na Usina Cerradinho, em São Paulo,

o colaborador participa constantemente

de palestras e avaliações médicas.

A Usina São Manoel, também em

São Paulo, mantém profissionais da

área de saúde acompanhando as condições

clínicas e realizando avaliações

físicas dos trabalhadores em campo.

Geralmente, as usinas que mantém

um acompanhamento da saúde de

seus colaboradores checam a pressão

arterial e fazem o controle de diabetes,

além dos exames médicos.

DOENÇAS

DO TRABALHO

Asma Ocupacional - Adquirida

por meio da inalação de poeira e

resíduos sólidos manuseado nas

indústrias

Dermatoses ocupacionais -

Causadas por contato com agentes

biológicos, físicos e químicos

LER/DORT - Decorrente de

problemas com o local de trabalho

e com os movimentos repetitivos

Perda auditiva induzida pelo

ruído (Pair) - Diminui

gradativamente a audição dos

trabalhadores por exposição

continuada a níveis muito elevados

de ruído

Pneumoconioses - Doenças

pulmonares ocasionadas pela

inalação de poeiras químicas, como

a da sílica e dos asbestos, que

causam silicose e asbestose

Distúrbios mentais - Mais difíceis

de detectar e principalmente

relacionar ao trabalho, podem ter

diversos graus de desenvolvimento

e ligação com diferentes

circunstâncias

Fonte:Portal Normas Regulamentadoras,segurança

e saúde no trabalho

10 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


SAFRA 2009/10

Centro-Sul deve moer

9% a mais de cana

PREVISÕES DE SAFRA REALIZADAS PELAS CONSULTORIAS

CANAPLAN E DATAGRO SÃO SEMELHANTES

De acordo com as primeiras

projeções para a

safra da cana-de-açúcar

2009/10, que começa

oficialmente em maio, o ciclo

da cana este ano deve moer

9,12% a mais do que a safra passada

na região Centro-Sul. As

usinas estimam a moagem de

558,83 milhões de toneladas de

cana, em média. A variação gira

entre um mínimo de 543,32 milhões

de toneladas e um máximo

de 561,08 milhões de toneladas.

Os dados são de uma projeção

realizada pela consultoria Canaplan.

A Datagro calcula números

semelhantes. Segundo a consultoria,

serão processados 535 milhões

de toneladas de cana nessa

safra. A moagem 2009/10 terá

32,4 milhões de toneladas extras,

ou 5,72% acima da safra anterior.

Esses dados representam uma

alta 6,08% sobre as 499,6 milhões

de toneladas da safra 2008/09. A

União da Indústria de Cana-de-

Açúcar (Unica) pretende anunciar

nos próximos dias sua projeção.

Mas de acordo com a entidade, no

ano passado foram moídas 500

milhões de toneladas do produto.

A safra deste ano também deverá

ser mais açucareira, segundo

a projeção da Canaplan. A estimativa

é que as usinas processem

43% de açúcar, o equivalente

a 31,9 milhões de toneladas. O

etanol responderá por 57% da

produção –25,9 milhões de litros.

Na safra passada, a proporção

estava mais alcooleira: 37% da

produção foi para açúcar e 61%

para etanol.

Segundo o diretor da Canaplan,

Luiz Carlos Carvalho, as usinas

produziram mais álcool do que a

demanda, na safra anterior, e agora

devem compensar as perdas de

preço do álcool produzindo mais

açúcar. Outro fator que empurra o

açúcar é o preço, mais atrativo no

mercado internacional.

Mas, de acordo com a Datagro,

a produção de açúcar este ano

deve chegar a 30,1 milhões de

toneladas, uma alta de 12,5% em

relação a safra passada. Já as exportações

do produto deverão

atingir 20,7 milhões de toneladas,

ante as 16,8 milhões de toneladas

do ano passado. A Datagro

ainda estima que o mix de

produção deva ser de 58,2 % para

o álcool contra 60,26% do ano

passado. A consultoria afirma

que a safra 2009/10 ainda será

alcooleira, mas a redução no mix

do álcool será destinada para o

aumento da produção de açúcar.

9,12%

é o crescimento

estimado para a

moagem nesta

safra

535

milhões de t e

561,08 milhões

de t é a faixa

entre o máximo

e o mínimo de

cana que deverá

ser moída

500

milhões de

toneladas de

cana foram

moídas na safra

passada

Fonte: consultorias

Corte antecipado

gera emprego

Segundo a Federação das Indústrias

do Estado de São Paulo

(Fiesp), no período fevereiromarço

houve um saldo positivo

de 7.500 postos de trabalho, variação

positiva de 0,31%. É a

primeira vez, em seis meses de

crise, que o nível de ocupação

industrial em São Paulo registrou

variação positiva. Nos meses

de dezembro de 2008 e janeiro

de 2009, o índice de emprego

foi de –1,3%.

A razão das contratações na

produção de álcool e açúcar foi

a antecipação da colheita da cana

em São Paulo, geralmente

feita nos meses de abril. Foi preciso

antecipar a colheita para

que o setor gerasse fluxo de caixa

para capital de giro, explicou

a Fiesp. "Em vez de pegar dinheiro

emprestado, os produtores

resolveram espremer cana"

completou o economista da entidade,

André Rebelo.

A curva do nível de emprego

na indústria desenhada pela Fiesp

repete padrão já verificado

pelo Instituto Brasileiro de Geografia

e Estatística (IBGE), com a

Pesquisa Mensal de Emprego, e

pelo Ministério do Trabalho e

Emprego, com o Cadastro Geral

de Empregados e Desempregados

(Caged).

As três pesquisas usam metodologias

e recortes diferentes. A

pesquisa da Fiesp se baseia em

amostra de 3 mil empresas informantes

(representando 50%

do produto industrial) e considera

ocupações formais divididas

por 22 subsetores do Estado

de São Paulo.

A pesquisa do IBGE baseia-se,

também, em dados amostrais e

é realizada para medir o número

de ocupações em seis regiões

metropolitanas; enquanto o Caged

tem caráter de registro censitário

e é elaborado para medir

a variação de postos com carteira

de trabalho assinada em 15

subsetores agrupados. Além da

variação setorial, a Fiesp verificou

diferenças regionais nos níveis

de ocupação e emprego.

CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 11


BIODIESEL

Matéria-prima ideal

PESQUISADORES DISCUTEM AVANÇOS DA PESQUISA SOBRE

MATÉRIAS-PRIMAS PARA PRODUÇÃO DO BIOCOMBUSTÍVEL

Chefe da Embrapa

Agroenergia fala da

importância da cooperação e

da competitividade no

negócio agroenergético.

gustavo porpino

Aequipe do projeto de pesquisa Fontes

Alternativas Potenciais de Matérias-

Primas para Produção de Agroenergia

se reuniu em março, na Embrapa Cerrados,

em Planaltina-DF, para avaliar as pesquisas

conduzidas com pequi, macaúba e tucumã,

entre outras espécies. O estudo é conduzido por

vinte e uma unidades da Empresa Brasileira de

Agropecuária (Embrapa) e parceiros.

A pesquisa avalia o teor e a qualidade do óleo,

a viabilidade para produção de biodiesel, resistência

a pragas e doenças das espécies, entre outros

aspectos. "A pesquisa começou como uma

corrida. Largaram várias plantas, hoje algumas lideram",

diz o pesquisador Nilton Vilela Junqueira,

da Embrapa Cerrados, líder do projeto.

Junqueira comenta que as pesquisas visam

domesticar espécies silvestres de plantas nativas

do Brasil para produção de óleo. O pesquisador

explica que o estudo, que prossegue até 2011, já

evoluiu e que a equipe irá selecionar duas ou

três espécies para aprimorar as pesquisas.

No encontro foram abordados temas como

proteção intelectual e registro comercial de

cultivares. José Robson Sereno, chefe geral da

Embrapa Cerrados, e Frederico Ozanam Durães,

chefe geral da Embrapa Agroenergia, destacaram

a importância do trabalho de parceria em

torno de um tema capaz de contribuir para a

diversificação da matriz energética brasileira.

"O Brasil tem uma agenda pública para o negócio

de agroenergia", afirma Durães. Ele salienta

que a agroenergia é um negócio de alta competitividade

e cooperação, com o incremento

do fator inovação para fazer diferença no mercado.

Para Durães, a substituição da matriz fóssil

por combustíveis renováveis é possível com

competitividade, inovação e cooperação. O pesquisador

defende os arranjos produtivos locais

e regionais de biocombustíveis para produção e

consumo no mesmo local. "É um princípio básico

da energia renovável", diz.

Alexandre Strapasson, diretor do Departamento

de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

(MAPA), destaca que "há grande expectativa

em torno das pesquisas da Embrapa", tanto

no âmbito nacional como também em outros

países. "A Embrapa tem condições de atender a

toda essa expectativa de desenvolvimento de

tecnologia para a agroenergia, trabalhando em

conjunto com o ministério", diz o diretor.

Strapasson salienta ainda que as novas espécies

para produção de biocombustível podem

ser uma alternativa de renda para os produtores.

"Para não derrubar floresta, é preciso convencer

o produtor sobre a viabilidade econômica".

O diretor do MAPA lembra que o "cenário

de muita demanda para a pesquisa e a crise

mundial" é um momento propício para reflexões

conjuntas sobre políticas públicas para a

agroenergia. Em 2008, segundo dados do Ministério

das Minas e Energia, o uso do biocombustível

evitou a importação de 1,1 bilhão de

litros de diesel de petróleo, o que rendeu aproximadamente

US$ 976 milhões para o Brasil. O

país bateu recorde na exportação de etanol,

com um total de 5,16 bilhões de litros vendidos

no ano passado. (CANAL, com informações da

assessoria de imprensa da Embrapa)

12 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


AÇÚCAR

Cenário apertado,

mas positivo

niels andreas/unica

AUMENTO DO CONSUMO

MUNDIAL E PREÇOS DO

ETANOL EM QUEDA SÃO

OS FATORES QUE,

ATUALMENTE, MAIS

INFLUENCIAM O

MERCADO

Rhudy Crysthian

Os preços do açúcar disparam constantemente

nas bolsas internacionais. A notícia

de que a Índia suspendeu a tarifa de

60% sobre a importação de açúcar refinado

para compensar a queda na produção local

também já faz muitos especialistas reverem seus

cálculos. Segundo o consultor do Centro de Estudos

Avançados em Economia Aplicada (Cepa/Esalq),

Edmundo Farias, a produção brasileira

de açúcar atinge seu limite, mas ainda não é suficiente

para suprir o déficit mundial. “A boa notícia

é que, em 2008, foi registrado elevado excedente

de produção de açúcar no Brasil, o que fortaleceu

nossos estoques.”, diz. Farias conta que, há

um mês, os preços do açúcar praticados pela trade

Ice Futures estavam 38,67% acima do álcool hidratado

do mercado doméstico brasileiro.

Segundo perspectivas da International Sugar

Organization (ISSO), nas regiões onde a crise econômica

teve os efeitos mais fortes, como na União

Européia, a população constitui um fator preponderante

e não houve redução no consumo de

açúcar. Mas o consultor afirma que o protecionismo

ainda é a principal barreira para o setor.

Segundo avaliação da União da Indústria de Canade-Açúcar

(Unica), em relação ao protecionismo, o

açúcar pode ser considerado o item mais protegido

no mercado global, em função de picos e cotas

tarifárias, que dificultam a entrada do produto em

novos mercados.

Segundo a Unica, as exportações brasileiras de

açúcar são dominantes em relação à exportação

de álcool. A entidade é um tanto conservadora

quanto ao aumento das exportações, tanto de

açúcar quanto de álcool, e acredita que um processo

de recuperação de vendas no mercado externo

só deve se iniciar em 2010, mas concorda

que o cenário ainda será mais favorável para o

açúcar do que para o álcool este ano.

PREÇOS

De acordo com dados da Copersucar, o açúcar

vem apresentando crescimento inferior a 1%, por

conta da crise econômica mundial, mas, segundo o

consultor da Safras e Mercado, Miguel Biegai, o resultado

não chega a ser negativo, já que o consumo

mundial é crescente. Em 2005, o consumo

mundial atingiu 200 milhões de toneladas. Hoje,

chega a 600 milhões de toneladas.

Miguel acredita que os preços atuais ainda estão

muito abaixo da média registrada em 2005 e 2006.

Já em valores reais, os preços estão apenas 9% acima

do registrado na última década. "Neste momento,

os fatores que mais influenciam os preços são o

aumento do consumo mundial e os preços do álcool

em queda", ressalta.

TENDÊNCIA DE SAFRA

Segundo dados da Consultoria Datagro, os preços

do açúcar no mercado interno, praticados no fim de

março, na Região Centro-Sul, estavam remunerando

83,86% mais que os do álcool hidratado. A

cotação mais vantajosa para o açúcar deve levar o

setor sucroalcooleiro a confirmar uma safra mais

açucareira em relação à registrada na safra 2008/09.

Biegai acredita que os próximos meses serão

extremamente dependentes da informação de qual

será o desempenho das vendas e dos preços obtidos

pelo etanol. “Preços fracos para o etanol significarão

maior produção de açúcar. Preços firmes para

o etanol tendem a reduzir o interesse das usinas em

produzir açúcar”, diz.

Com mais etanol sobrando no mercado interno e

uma demanda interna firme, mas não tão grande a

ponto de absorver todo o excesso de oferta, passou a

haver uma percepção de que as usinas passariam a

produzir mais açúcar, cujos preços estavam mais

compensadores. “Assim, os contratos futuros em Nova

Yorque e Londres passaram a hesitar em sua tendência

altista, mudando de um canal de alta, na sua linha

principal, para um canal lateral”, completa.

CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 13


RECURSOS HÍDRICOS

Para usar e preservar

CONSCIÊNCIA DA

NECESSIDADE DE

PRESERVAÇÃO

AMBIENTAL E USO

RACIONAL DA ÁGUA

JÁ SÃO REALIDADE

NA INDÚSTRIA

SUCROALCOOLEIRA

Evandro Bittencourt

Aágua é um insumo imprescindível para

a produção agropecuária, industrial e

para a sobrevivência de homens e animais.

A crescente pressão das atividades

humanas sobre os mananciais e os sistemas ecológicos

interligados a essas fontes, no entanto,

tem tornado a água um bem cada vez mais escasso

e caro. Isso se dá, entre outros fatores, pela

poluição decorrente do lançamento de efluentes

não tratados, a exemplo dos esgotos domésticos

e industriais, e de outros processos degradantes

dos mananciais, como o assoreamento do

leito de rios e córregos.

Visando tentar conciliar essa situação de demanda

sempre crescente e de redução da disponibilidade

do insumo, a utilização de programas

de utilização racional da água vem ganhando

corpo nas atividades agrícolas e industriais, inclusive

no setor sucroalcooleiro, que se destaca

como um grande consumidor de água.

Para Antônio Félix Domingues, coordenadorgeral

das assessorias da Agência Nacional de

Águas (Ana) e autor de várias obras sobre os recursos

hídricos no Brasil, nos últimos anos houve

significativo avanço na gestão da água. Isso se

deu, em sua opinião, em razão de parte da sociedade

ter tomado consciência da limitação desse

recurso no planeta e de que o seu uso por alguns

pode comprometer a disponibilidade para outros.

Antônio Félix Domingues ressalta que, em

muitas regiões, o acesso à água é motivo de

competição. Para ele, a regulação do acesso ao

recurso hídrico e a minimização de conflitos obteve

grande avanço por meio da Lei 9.433, de janeiro

de 1997, que criou o aparato institucional

e os conceitos fundamentais sobre o uso racional

da água no Brasil. "Na sequência, o governo

federal criou as instituições necessárias, o que

fez que essa institucionalização passasse, efetivamente,

a ter uma densidade. Digo isso em relação

à criação do Conselho Nacional de Recursos

Hídricos, da Secretaria de Recursos Hídricos

no Ministério do Meio Ambiente e, por último,

da Agência Nacional de Águas."

Apesar dos avanços, Antônio Félix diz ser necessário

que a consciência sobre o uso racional

da água seja estendida a camadas mais amplas

da sociedade. "O valor desse recurso deve se tornar

um fato inquestionável."

SETOR SUCROALCOOLEIRO

Em relação à atividade canavieira, o coordenador-geral

das assessorias da Ana acredita que

o setor sucroalcooleiro vem fazendo a sua parte.

"Provavelmente, por ser muito importante do

ponto de vista econômico e de organização empresarial,

o setor começou a fazer um esforço

muito grande, nos últimos anos, para racionalizar

o uso da água."

Em recente participação no Fórum Mundial da

Água, em Istambul, na Turquia, Antônio Félix

conta que fez, em sua palestra, uma defesa da

estratégia brasileira de produção de biocombustíveis.

"Demonstramos que, por volta de 1997,

havia a necessidade de 5, 97 metros cúbicos de

água por cada tonelada de cana processada. Esse

número hoje está por volta de 1,8 metro cúbico

e nós podemos projetar, para daqui a 11 ou

12 anos, cerca de 1 metro cúbico de água por tonelada

de cana processada. É um ganho significativo,

obtido por meio de práticas de reúso.

Além disso, avançamos em fronteiras tecnológicas,

como a lavagem da cana a seco."

Para se ter uma ideia do consumo de água na

atividade canavieira, Antônio Félix diz que em

São Paulo, onde não se irriga as lavouras de cana,

a atividade canavieira responde por quase

40% do uso industrial da água no Estado.

14 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


Reúso e novas tecnologias

O índice de reúso de água no setor sucroalcooleiro

é considerado um dos mais significativos

na atividade industrial brasileira. Segundo

André Elia Neto, técnico ambiental do Centro

de Tecnologia Canavieira (CTC), o setor utiliza,

em média, 22 metros cúbicos de água por tonelada

de cana processada, em sistema de reúso,

em que se recicla toda a água da própria usina.

A necessidade média de água captada varia de

1 a 2 metros cúbicos por tonelada de cana, um

índice de aproximadamente 95% no reaproveitamento

das águas.

Esse índice, explica André Elia Neto, é atribuído

às regiões Sul e Sudeste, em que se pode fechar

o circuito e não se tem a necessidade de

água para a irrigação. "Em regiões onde há necessidade

de irrigar a cana em algum período do

ano, as usinas praticam ainda o circuito aberto,

visando reaproveitar os efluentes na irrigação, o

que também é considerado um tipo de reúso,

mas, nesse caso, a captação é maior." A condição

do reúso é proporcionada pelas tecnologias de

fechamento de circuito, um estágio de engenharia

já dominado no setor.

LIMPEZA A SECO

Uma nova solução tecnológica capaz de reduzir

substancialmente o uso de recursos hídricos

na área industrial do setor sucroalcooleiro é o sistema

de limpeza da cana a seco. "Há ainda tecnologias

em desenvolvimento, como a possibilidade

de aproveitamento da água condensada da

cana, a partir do tratamento e do seu retorno ao

processo, o que se insere no conceito de usina de

água. Há também processos gerando menos vinhaça,

em que se aproveita melhor a água."

As tecnologias de recuperação de água da cana

representam um conceito já largamente utilizado

pelo setor, segundo André Elia Neto. "As

usinas têm os equipamentos necessários para isso,

como os evaporadores, concentração de vinhaça

e uma série de tecnologias em que se pode

ter a água da cana recuperada, mas que ainda

deve ser tratada para ser reutilizada."

A água residuária, explica André Elia, não é

lançada em corpos d'água. "Na maioria das usinas

se pratica o lançamento zero. Isso é interessante

porque qualquer que seja o grau de tratamento

dado ao resíduo, ainda há algum contaminante,

mesmo que os níveis estejam dentro da

lei, para que sejam descartadas nos rios. Reutilizando

essa água na lavoura como irrigação de

salvamento, por exemplo, o rio é poupado dessa

carga remanescente de poluentes.

O técnico ambiental do CTC explica que

existem várias possibilidades de reciclagem de

água tratada no processo industrial. A água da

lavagem de cana, por exemplo, é tratada a

partir da decantação e correção do pH, para

que então seja retornada para o processo de

produção. As águas quentes, por sua vez, são

resfriadas e retornam para o processo como

água de resfriamento.

unica

CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 15


fotos: usina jalles machado

Entre as tecnologias de ponta voltadas para a

racionalização do uso dos recursos hídricos, André

Elia destaca a limpeza da cana a seco e a concentração

de vinhaça. A tecnologia já está sendo adotada

por várias usinas, impulsionada pela adesão ao

protocolo ambiental, proibição da queima da cana

e colheita mecanizada. "A mecanização implica colher

cana picada, que não pode ser lavada, para que

não haja perda de açúcar nesse processo", explica o

técnico ambiental.

A limpeza a seco é feita em duas fases. Quando a

cana picada passa pela mesa, há um tipo de peneira

que permite a passagem e separação da sujeira,

como terra e areia. Já na segunda etapa, quando a

cana está caindo da mesa para a esteira, a palha é

soprada por um equipamento. Por se tratar de impurezas

vegetais, ela vai para uma câmara e é recolhida

por esteiras. "A grande vantagem é que ela

pode ser queimada na caldeira para a produção de

energia elétrica. Nesse caso, o uso de água na lavagem

da cana é zerado."

São quatro os maiores circuitos de água na usina

e que representam cerca de 90% do uso da água

(ou reúso, quando se trata de circuito fechado).

Além da lavagem da cana, destacam-se o resfriamento

da fábrica de açúcar, da dorna de fermentação

e o resfriamento dos condensadores de álcool

na destilaria. Outro circuito que demanda muita

água, embora em volume não tão expressivo quanto

os demais, é a lavagem de gases da chaminé da

caldeira. "Graças ao reúso em circuito fechado, não

demandam a captação de volumes expressivos. A

captação é necessária apenas para repor a água

evaporada no sistema."

Nas regiões em que as áreas de produção de cana

necessitam de irrigação suplementar no período

do estio das chuvas, as usinas podem lançar mão de

sistemas que permitam aproveitar ao máximo os

efluentes industriais. Esse recurso representa uma

forma de racionalizar a questão, sem exercer pressão

com novas captações em corpos d'água.

Existem, ainda, pequenos procedimentos que visam

o benefício econômico por meio da redução de

desperdícios. "São ações realizadas no processo, como

a mudança de equipamentos ou procedimentos

operacionais que, somados, possibilitam uma redução

significativa no uso da água. Esse também é um

objetivo importante a ser perseguido”.

Aproveitamento

do esgoto tratado

O aproveitamento da água de esgoto

tratatada na agricultura energética

é, na visão de Antônio Félix

Domingues, Coordenador-Geral das

Assessorias da Agência Nacional de

Águas (Ana), uma alternativa de reuso

que merece especial consideração.

"Se há uma lavoura de cana-de-açúcar

perto de uma cidade, não tem

sentido pegar a água que sai do tratamento

de esgoto e jogar no rio.”

Segundo Felix, já existem alguns

projetos em teste com essa concepção

em várias regiões do no Brasil. "É

uma prática já usada largamente em

outros países, como os Estados Unidos

e Israel. Estamos fazendo uma

série de contatos para desenvolver

alguns polos de pesquisa em relação

a esse tema", informa.

16 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


ÁGUA BEM CUIDADA

Programas e projetos de conservação

dos recursos hídricos da Jalles Machado

Usina goiana dá exemplo de uso racional

A usina sucroalcooleira Jalles Machado S/A

(foto), localizada no Vale de São Patrício, município

de Goianésia (GO), distinguiu-se entre os

produtores de bioenergia ao conquistar, em dezembro

de 2008, o Prêmio Nacional de Gestão

dos Recursos Hídricos, promovido pela Agência

Nacional de Águas (ANA). Apresentando o case

"Gestão de Recursos Hídricos na Jalles Machado",

a empresa foi a única da região Centro-Oeste

e a única do setor sucroalcooleiro a chegar à

final e ganhar o primeiro lugar do concurso.

Segundo Ivan Zanatta, gestor do Sistema de

Gestão Integrada da Jalles Machado, as práticas

agrícolas e industriais adotadas pela usina

têm sido norteadas por programas e projetos

que visam, entre outros objetivos, obter resultados

positivos na conservação dos recursos hídricos

(veja quadro). Antônio Félix Domingues,

Coordenador-Geral das Assessorias da Agência

Nacional de Águas (Ana), explica que o prêmio

foi criado para sinalizar ao conjunto de usuários

da sociedade que é possível realizar o aproveitamento

econômico da água, produzir e gerar

riqueza com economia e racionalidade. "O

prêmio tem essa função de mostrar que sempre

é possível fazer um pouco mais, mobilizando as

comunidades de funcionários e premiando

projetos que sejam replicáveis".

Programa de Recuperação de Nascentes e Matas Ciliares: tem

como principal objetivo a preservação e recomposição de áreas

naturais, outrora degradadas, por práticas agrícolas que não

estavam em consonância com o meio ambiente.

Programa de Educação Ambiental para Conservação dos

Recursos Hídricos: visa despertar a consciência ambiental para

que os colaboradores e fornecedores saibam da importância da

conservação do meio ambiente de forma geral e da necessidade

premente da conservação dos recursos hídricos.

Programa de Práticas de Uso Racional da Água: tem como

principal objetivo a construção de barragens de regularização de

vazão. Durante o período de estiagem, a irrigação é feita usando

a captação nestes barramentos, evitando o uso da captação

direta no manancial, preservando assim a vazão dos mesmos nos

períodos críticos de ausência de chuva.

Programa de Práticas de Uso Racional do Solo: desenvolvido

pelo Departamento Agrícola da empresa, visa colocar na prática

metodologias e técnicas de conservação de solo para que dessa

forma os recursos hídricos não sofram as consequências de seu

manejo inadequado como erosões e assoreamentos.

Programa de Controle Biológico de Pragas: práticas

voltadas para produção de um agente de combate natural

da broca da cana-de-açúcar. Visam evitar a contaminação

do ambiente com defensivos agrícolas que possam ser

carreados para os cursos d'água.

Programa de Uso Racional da Água no Ambiente Industrial:

desenvolvido e coordenado por profissionais especializados na

área, tem suas atividades baseadas na utilização racional da

água no ambiente industrial e máximo reaproveitamento da

água dentro do processo de produção do açúcar e do álcool por

meio de circuito fechado.

Programa de Uso Racional da Água no Ambiente Agrícola: Visa

organizar as ações que envolvam os corpos hídricos, como

barramentos e projetos de irrigação e também no

monitoramento da qualidade das águas desses corpos hídricos.

CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 17


PESQUISA

Quem disse que

bagaço é resto?

PESQUISA PARA PRODUÇÃO DE ETANOL DO BAGAÇO DA CANA

PROVA QUE ESSA MATÉRIA-PRIMA AINDA TEM MUITO CALDO

Maiara Dourado

Foi-se o tempo em que o bagaço da

cana-de-açúcar era considerado

mero resíduo de produção, sem

grandes utilidades e de pouco

aproveitamento. A gama de possibilidades

que essa matéria-prima, hoje, pode

oferecer não se restringe mais a alimentação

de gado ou adubação da terra.

Quem comprova isso são pesquisadores

brasileiros que desenvolveram uma tecnologia

que permite produzir etanol a

partir do bagaço da cana.

Se levarmos em conta a tecnologia alcooleira

para produção de biocombustível

através de cana-de-açúcar, o Brasil é,

sem dúvida, pioneiro. Na era do aquecimento

global e com a tendência de suprimir

cada dia mais a emissão de gases

poluentes, o estímulo para pesquisas

desse tipo tem aumentado.

Nesse cenário, a pesquisa para obtenção

de etanol do bagaço de cana apresenta-se

como alternativa adicional para

aproveitamento deste resíduo em benefício

da produção do biocombustível.

Além disso, pode vir a contribuir para reduzir

os danos causados pela queima do

bagaço ou seu descarte no meio ambiente.

Para todos que trabalham com esse

tipo de pesquisa a expectativa é uma só:

o aumento do volume do etanol produzido

nas destilarias.

De acordo com o professor da Escola

de Engenharia de Lorena da Universidade

de São Paulo (EEL-USP), Adilson Ro-

montagem sobre foto: são joão abr/stock.schng

18 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


erto Gonçalves, o objetivo é produzir

mais etanol por tonelada de

cana cultivada e fazer um aproveitamento

mais racional e eficiente

dos resíduos gerados, que, no caso,

são principalmente o bagaço e a

palha da cana-de-açúcar. Gonçalves

acredita que há uma enorme

demanda internacional por fornecimento

de etanol e que a produção

convencional não supriria nem

pequenas parcelas dessa demanda.

"O Brasil não pode almejar ser o

único fornecedor de etanol do

mundo, mas deve ser um dos mais

importantes. Aumentar a produção

por meio convencional significa o

aumento da área plantada, o que

gera maior custo e pode começar a

gerar problemas ambientais", crescenta

o professor.

Em resumo, a ideia é aumentar a

produtividade sem aumentar a área

plantada e sem, consequentemente,

aumentar os impactos ambientais.

No entanto, a pesquisa ainda

está em andamento, o que exige

paciência e maiores investimentos

do setor produtivo. Desse processo,

conseguiu-se obter somente 3% de

etanol, mas há a possibilidade de se

atingir até 60% de obtenção do

produto.

A professora doutora Cecília Laluce,

da Universidade Estadual Paulista

(Unesp), admite que a obtenção

dos dados em pesquisa seja

lenta, mas que a eficiência do projeto

depende de pessoal bem formado

e treinado para atuar no setor

produtivo, além do desenvolvimento

de sistemas de refrigeração

mais eficientes das dornas (tanques

de fermentação) e do controle dos

contaminantes no processo de obtenção

de etanol.

Mais dinheiro para pesquisas

Para o projeto deslanchar, é preciso

investimentos e financiamento

em bolsas para pesquisadores, além

de estabelecer parcerias com o setor

industrial e ainda escapar da

burocracia para utilização dos recursos

públicos. "Projetos na escala

que estamos fazendo estão na ordem

de R$100.000 ao ano o que é

muito pouco, perto dos grandes investimentos

na construção civil",

lembra o professor da USP. Segundo

ele, ao atingir seu pleno desenvolvimento,

o processo pode dobrar

a quantidade de etanol pela mesma

quantidade de cana colhida.

Em contrapartida, o projeto traz a

possibilidade de uma quebra na relação

de interdependência entre etanol

e açúcar. Isso porque o preço desse biocombustível

está atrelado ao preço

do açúcar. Segundo o professor Gonçalves

espera-se uma ruptura neste

paradigma e que o etanol passe a ter

maior competitividade que a gasolina.

Uma outra cadeia de produção seria

instalada a partir do conceito de biorrefinaria

e vários outros profissionais

estariam envolvidos, como ocorre na

cadeia produtiva do petróleo.

Professora Cecília acredita que o

impacto da pesquisa sobre o mercado

interno vai depender do consumidor

e da oferta do combustível. Se as

exportações não aumentarem, o preço

poderá se tornar menor com o aumento

da oferta do produto e sua

maior disponibilidade no mercado.

CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 19


ESTADOS UNIDOS APOSTAM

NO ETANOL CELULÓSICO.

Os EUA continuam

investindo em pesquisas

para o desenvolvimento do

etanol celulósico, que pode

ser feito com madeira e

resíduos vegetais. Metas

estabelecidas pelo

Congresso Americano

determinam que o consumo

de etanol celulósico atinja

61 bilhões de litros por ano

em 2022. As empresas que

atuam nessas pesquisas, no

entanto, enfrentam

dificuldades para tornar

essa nova tecnologia viável

economicamente. No total,

existem, hoje, 24 usinas de

etanol celulósico em

construção ou em

planejamento nos EUA.

Pesquisa de bioetanol ganha novos investimentos

A pesquisa de desenvolvimento

de etanol de segunda

geração, produzido a partir

do bagaço da cana-de-açúcar,

vai receber novos investimentos.

A Novozymes Latin

América, fabricante de enzimas

industriais, em parceria

com a Universidade Federal

do Paraná e o Centro de tecnologia

Canavieira (CTC), de

Piracicaba, vai receber €1,6

milhões para pesquisa do bietanol

de segunda geração. A

empresa, com sede em Araucária,

no Paraná, deve ganhar

ainda a construção de um novo

laboratório de pesquisa.

O projeto envolve mais três

entidades parceiras: a Novozymes

da Dinamarca, dos

Estados Unidos e a Universidade

de Lund, na Suécia. Com

um contrato de dois anos, o

objetivo é desenvolver uma

tecnologia de biocombustível

limpo e com boa relação custo-benefício.

Para isso, a pesquisa

conta com cerca de 150

funcionários, revelando a

maior ação em pesquisas empregada

pela Novozymes.

Segundo o vice-presidente

de pesquisa e desenvolvimento

da Novozymes na Dinamarca,

Steen Skjold-Jorgensen,

até 2010 a empresa vai

fornecer enzimas em grande

escala para a produção de

etanol por biomassa de bagaço

de cana.

Ele afirma ainda que, com o

atual bioetanol, obtido da cana-de-açúcar,

será possível reduzir

as emissões de gases de

efeito estufa em até 90%,

comparado com a gasolina.

Com a utilização do derivado

de bagaço, o aumento do rendimento

por acre deve atingir

50%, aproximadamente.

Outros programas de desenvovimento da bioenergia

A pesquisa com bagaço de

cana ganhou abrangência nacional

e obteve seu reconhecimento

como matéria-prima

de potencial. As pesquisas na

área de bioenergia estão no

mundo todo, o que as difere

são os laboratórios que as manipulam,

a profundidade de

seus conhecimentos e a criatividade

dos pesquisadores. Há

três anos, foi montada uma

rede brasileira chamada Projeto

Bioetanol, custeado pela

Financiadora de Estudos e

Projetos (Finep). Ela abastece

cerca de 50 grupos de pesquisa,

incluindo empresas e estudiosos

do exterior. A intenção

do projeto é agrupar as especialidades

e os conhecimentos

para se obter o etanol por biomassa

de bagaço de cana.

O Projeto Bioetanol possui

parcerias com outros projetos

de instituições como Universidade

Estadual de Campinas,

Universidade de São Paulo e

Universidade Federal de Pernambuco.

O programa da

Fundação de Amparo à Pesquisa

do Estado de São Paulo

(Fapesp) de Pesquisa em Bioenergia

- Bioen- é outro projeto

atuante na área de bioenergia.

Ele financia desde

grandes projetos pilotos até

pequenos projetos na área de

biocombustível.

O resultado de tudo isso é

a formação de profissionais

capacitados e com potencial

crítico para trabalhar com o

setor bioenergético. A ciência

brasileira tem apresentado

originalidade e boas soluções

para setor produtivo e

provado sua referência em

tecnologia alcooleira. "Uma

pesquisa depende mais de

criatividade e conhecimento

sobre os fenômenos envolvidos

do que do domínio de

técnicas muito sofisticadas.

O setor produtivo requer, sobretudo

neste momento, de

soluções rápidas e baratas

para o controle de seus processos",

confirma a pesquisadora

Cecília Laluce.

20 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


Tecnoshow

Comigo registra

saldo positivo

Mais de 56 mil visitantes conferiram as

atrações da Tecnoshow Comigo

EVENTO

Com foco na preservação ambiental e na integração

de culturas, a última edição da

Tecnoshow Comigo, realizada no mês de abril,

em Rio Verde (GO) driblou os desafios e aumentou

em 9% os negócios fechados, em relação a

2008. A transferência de tecnologias necessárias

para auxiliar o produtor rural foi outra vertente

de destaque seguida pela feira tecnológica

de Rio Verde deste ano que, segundo os organizadores,

superou as expectativas do mercado

com a comercialização de R$ 180 milhões

em produtos. No ano passado, o volume comercializado

foi de R$ 165 milhões.

Os mais de 56 mil participantes, número 10%

maior em relação ao ano passado, puderam conferir,

entre outras novidades, 25 pequenas mostras

de plantio, onde foram apresentadas novidades

em produtos, técnicas e formas de manejo,

como o combate da mosca-branca e lagartafalsa-medideira.

Os participantes contaram também

com 70 palestras que proporcionaram mais

informações e novidades referentes à agropecuária

e ao produtor rural.

Outra atração do evento foi a exposição de

um projeto de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

(ILPF) em uma área de oito hectares, onde

são geradas e difundidas tecnologias associadas

à integração das atividades lavoura, pecuária e

floresta, com a intenção de permitir a produção

sustentável de produtos agrícolas, preservar matas

ciliares, aumentar a produtividade e facilitar

a certificação da produção agrícola.

MÁQUINAS

As dinâmicas de máquinas da Tecnoshow Comigo

2009 receberam cerca de mil pessoas, nos

dias de realização das atividades. Produtores

agrícolas assistiram às apresentações das máquinas

em pleno uso. Demonstrações de desensiladeiras,

embutidoras de forragem, ensiladeiras de

cana-de-açúcar, ensiladeira de milho com espaçamento

de 80 e 50 centímetros, ensiladeira de

capim, plantadoras de grãos e pulverizadores fizeram

parte das dinâmicas que reuniram diversas

marcas do segmento.

Para a realização da Tecnoshow Comigo

2009 foram investidos mais de R$ 1 milhão. A

feira tecnológica contou com sete pavilhões

de vários tamanhos, com áreas separadas destinadas

para abrigar diversas empresas e animais

de pequeno porte e bovinos, prestação de

serviços e dinâmicas. O evento gerou cerca de

cinco mil empregos, sendo três mil diretos e

dois mil indiretos.

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

Reinhold Stephanes, o governador

do Estado de Goiás, Alcides Rodrigues, o prefeito

de Rio Verde, Juraci Martins, senadores,

deputados federais e estaduais e outras autoridades

conferiram de perto o evento.

CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 21


ETANOL

Maiores margens de

comercialização

Oano de 2008 foi o melhor para a atividade

de revenda de combustíveis desde a

abertura de mercado, em 1995. Na composição

dos preços dos combustíveis em 2008 as

maiores margens de comercialização integradas

(distribuidora + revenda) ficaram com o

etanol (23%) e as menores com o diesel (11%).

A maior carga tributária ficou com a gasolina

(41%) e a menor, com o diesel, (23%).

Os dados são do Relatório Anual de Revenda

de Combustíveis 2009, lançado pela Fecombustíveis,

no Rio de Janeiro. De acordo

com o presidente da entidade, Paulo Miranda,

a diferença é fruto do crescimento dos

pontos de abastecimento.

Mesmo com a crise internacional, a perspectiva

de crescimento do mercado para

2009 deve ficar em 1% acima do PIB. “Se não

houver crescimento, mas também não houver

queda, achamos que pode ser um ano razoável

para o setor de revenda de combustível.

Nossas contas são em função do ganho

que o mercado teve ano passado, os recordes

nas vendas de veículos em 2008 e a retomada

dessas vendas nos três primeiros meses,

em virtude da queda do IPI” conclui.

Miranda defende ainda que a melhor maneira

de reduzir o preço dos combustíveis para

aumentar o consumo é a reforma tributária.

PROTESTO

Estabilidade para todos os trabalhadores da

cadeia produtiva sucroenergética, determinação

para que as distribuidoras só retirem

o etanol das usinas a preços remuneradores,

imediato anúncio do zoneamento agrícola da

cana-de-açúcar e redução da carga tributária

federal e estadual sobre as indústrias de bens

de capital são algumas das reivindicações de

trabalhadores e empresários das indústrias de

base do setor sucroalcooleiro. Recentemente,

eles organizaram um ato de protesto público

em Sertãozinho (SP)

O "Grito Pelo Emprego e Pela Produção" -

mesmo nome dado ao evento promovido a

partir de abril de 1999 e que trouxe profundas

mudanças ao setor sucroenergético, busca

ainda obrigar as distribuidoras a baixar, na

mesma medida, os preços aos postos e estes

Na composição dos preços em 2008, as

maiores margens ficaram com o etanol

SONEGAÇÃO

A pesquisa da Fecombustível também revelou

um fato preocupante para o setor,

principalmente para quem está legalizado no

mercado; a adulteração de combustível. A

entidade acrescenta ainda que a sonegação

no mercado de distribuição de etanol ainda é

um grande motivo de alerta.

Os números mostram que 22% do etanol

comercializado no último ano têm procedência

duvidosa. “Existem mais de 400 usinas no

país e uma série de artifícios tributários e de

logística. É um mercado muito mais difícil de

ser controlado” acredita. O relatório mostra

também que o consumo do biocombustível

cresceu 41,9% em 2008.

Trabalhadores e empresários

fazem manifesto em Sertãozinho

aos seus clientes. Ou seja, quando o etanol

aumenta na usina, o mesmo aumento é repassado

imediatamente aos consumidores

nos postos. Já quando o preço baixa nas usinas,

ele não é repassado aos consumidores.

Os organizadores do Grito argumentam

que a crise econômica tem impactado negativamente

a grande maioria dos países. No

Brasil, os efeitos foram igualmente sentidos.

Indicadores econômicos e de emprego sinalizam

que quase todos os setores têm sentido

os efeitos desta crise. Alguns setores em especial,

como o sucroalcooleiro, sentiram mais

significativamente os efeitos da crise justamente

por estarem em pleno crescimento. Os

impactos da queda no setor chegaram a toda

a cadeia produtiva. Alcooleiro do país e do

mundo, sentiram.

niels andreas/unica

BIOELETRICIDADE

Medidas de

fomento à

cogeração

Odeputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) conseguiu

a inclusão de propostas de sua autoria

na MP 450. No total, são cinco medidas de fomento

à cogeração a partir da biomassa e as

fontes alternativas de energia elétrica. Entre as

medidas aprovadas, está uma mudança no texto

para garantir que as linhas de transmissão para

conexão e acesso à rede de empreendimentos de

geração distribuída (sem limite de potência) sejam

objeto de concessões.

Outra proposta estabeleceu a elevação do limite

de potência injetada de empreendimentos

de solar, eólica e biomassa para 50 MW, o que

permite que os mesmos possam comercializar

energia elétrica para o consumidor ou conjunto

de consumidores reunidos, cuja carga seja maior

ou igual a 500 kW. "Assim, cria-se cria um mercado

complementar para os excedentes de cogeração

de energia", afirma o deputado.

Também se conseguiu, com a nova redação,

alterar o conceito de novos empreendimentos de

geração, como aqueles que podem participar de

leilões de energia nova. De acordo com a redação

anterior, empreendimentos com outorga de

concessão ou autorização não se enquadravam

como energia nova. A medida é um importante

avanço, pois favorece as usinas de bioeletricidade

ao remover, pelo menos parcialmente, a restrição

que havia para empreendimentos que já

têm outorga", pontua Jardim.

Por fim, a proposta de Jardim estabelece que

compete à EPE - Empresa de Pesquisa Energética,

subordinada ao Ministério de Minas e Energia,

a elaboração de estudo de inventário de potencial

de energia elétrica proveniente de fontes

alternativas, "Isto permitirá previsibilidade e planejamento,

possibilitando ampliar a participação

da energia renovável em nossa matriz energética",

destacou Jardim.

divulgação

22 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


Debate sobre vantagens

do biocombustível

Autoridades de Energia da

América Latina e do Caribe se

reunirão no período de 28 a 30

deste mês, na cidade de Cali,

Colômbia, para analisar o uso de

biocombustíveis como

alternativa energética para a

região. O evento é uma

promoção da Organização

Latino-Americana de Energia

(Olade). O 4º Seminário

Regional sobre Biocombustíveis

tem como objetivo discutir as

novas tecnologias testadas para

a produção e os avanços em

projetos que utilizam biomassa

alternativa. O seminário

contará com a participação de

delegados dos ministérios de

Energia dos 26 países-membros

da organização, assim como

representantes de empresas

públicas e privadas.

Carros flex serão 50% da

frota nacional em 2012

A União da Indústria de

Cana-de-Açúcar (Unica) estima

que a frota de carros modelo

bicombustível (flex) no Brasil

deverá representar 50% da frota

nacional em 2012. E essa fatia

deve subir para 65% em 2015.

A participação atual gira em

torno de 28%, com cerca de 7

milhões de unidades flex. O

desenvolvimento do carro

bicombustível foi fundamental

para o renascimento do setor

desde 2003, quando o primeiro

modelo flex foi disponibilizado

no mercado.

Piso sobre os preços do carbono

A PricewaterhouseCoopers

lançou relatório defendendo a

adoção de um piso sobre os

preços do carbono. A empresa

defende uma proposta mista,

na qual mistura a segurança

das taxas com a flexibilidade

dos esquemas de comércio de

emissões, com a justificativa

de que é necessário oferecer

maiores certezas para as

empresas que investem

em tecnologias com

baixas emissões

de carbono. Colocar

um piso sobre os

preços do carbono

significa que os governos

estabeleceriam um

preço-reserva abaixo

do qual as permissões de

emissão não poderiam ser

Fontes alternativas de energia

No Brasil, espécies como

pequi, macaúba, dendê e

pinhão-manso estão chamando

a atenção de pesquisadores.Elas

poderiam ser cultivadas para

produção de biocombustíveis

em pastagens degradadas sem

haver a necessidade de deslocar

o boi criado para a produção de

alimentos. Os primeiros

resultados mostram que o

pinhão-manso, por exemplo,

chega a produzir 1,5 mil litros

de óleo por hectare, três vezes

mais do que a soja. Os

vendidas. A introdução de

medidas que limitem a

volatilidade dos preços

permitirá que as empresas

invistam em tecnologias com

baixas emissões e tenham

confiança de que o preço do

carbono justificará o projeto.

pesquisadores da Embrapa

também estão atentos à

possibilidade de o dendê se

adaptar a outras regiões, além da

Amazônia. O dendê poderia ser

cultivado no Cerrado e Semi-

Árido sob irrigação. Seria uma

forma de tirá-lo da região

amazônica, onde ele tem

problemas de doenças.

Encontrada em todos os biomas

do país, a macaúba é a espécie

que mais surpreendeu nas

pesquisas, pela resistência ao

fogo, seca, pragas e doenças.

ANP autoriza a utilização

do termo "etanol"

A Agência Nacional do

Petróleo, Gás Natural e

Biocombustíveis (ANP) publicou

no dia 2 de abril, no Diário Oficial

da União, a resolução que autoriza

os postos de combustíveis a

utilizar o termo "etanol" para

identificar o álcool etílico

combustível vendido no mercado

brasileiro. Agora, os postos de

gasolina já podem optar pela

utilização do termo "etanol" para

identificar o produto nas bombas.

A nomenclatura álcool etílico

combustível deverá ser mantida

em todos os documentos fiscais.

Punição por venda de

combustível adulterado

Distribuidores e postos que

comercializarem combustível

adulterado podem ter sua

inscrição no Cadastro Nacional da

Pessoa Jurídica (CNPJ) declarada

inapta pela Receita Federal, a

pedido da Agência Nacional do

Petróleo, Gás Natural e

Biocombustíveis (ANP). A sanção

está prevista em projeto do

senador Demóstenes Torres

(DEM-GO) aprovado pela

Comissão de Infraestrutura (CI),

sob a forma de substitutivo. O

relator da matéria (PLS 96/05) na

CI, senador Flexa Ribeiro (PSDB-

PA), sugeriu como substitutivo o

mesmo texto alternativo elaborado

pela Comissão de Constituição,

Justiça e Cidadania (CCJ).A

matéria tramita na CI em decisão

terminativa e será submetida a

turno suplementar de votação.

CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 23


ADUBOS

Mercado surpreende

QUEDA DE PREÇOS DOS FERTILIZANTES GERA COMPRA

ANTECIPADA POR PARTE DOS PRODUTORES DE CANA

Maiara Dourado

Quem esperava redução de vendas e contenção

de gastos para um momento de

crise, se surpreendeu com o mercado de

fertilizantes nesse começo de ano. De

acordo com a Associação Nacional para Difusão de

Adubos (Anda), o setor vinha apresentando quedas

nas vendas desde setembro do ano passado. No

entanto, em janeiro de 2009, o mercado revelou

vendas acima de 1,2 milhão de toneladas. A expectativa

era vender apenas um milhão, mas a redução

de 14% nos preços dos fertilizantes motivou o

inesperado crescimento do comércio no setor.

Em comparação aos altos preços nos meses de

julho e agosto, os fertilizantes tiveram queda de

40% em dólar. Com a alta da moeda americana, a

queda em reais foi de 14%. Em abril, segundo levatamento

da Scot Consultoria, os preços das fórmulas

pesquisadas cairam 5,5%, em média.

Na verdade, a surpresa maior não foi o fato de

o aumento nas vendas ter ocorrido em momento

de recessão, mas por ter ocorrido em um período

de entressafra. Algumas empresas do segmento

sucroalcooleiro aproveitaram a baixa dos preços e

anteciparam suas compras de fertilizantes. O vicepresidente

da Anda, George Wagner Bonifácio e

Sousa afirma que alguns agricultores, em fase de

colheita, sentiram que a relação de troca "commodities-adubo"

estava boa. "O agricultor fez as contas

e achou que compensava comprar. Vamos

acompanhar até quando haverá este mercado de

antecipação, pois teremos, em contrapartida, problemas

paralelos, como, por exemplo, o crédito",

24 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009


alerta o vice-presidente.

Entre os fertilizantes que apresentam maior

baixa nos preços se destacam os nitrogenados e

os fosfatados. Os insumos à base de potássio ainda

vem sustentando seus preços, já que apresentam

certa indefinição no mercado. O Brasil importa

90% deste insumo e há apenas 4 grandes

produtores mundiais. O cultivo de cana-de-açúcar

representa 14% do consumo de insumos à base

de fósforo. Segundo George Wagner, a fórmula

média de consumo de fertilizantes no Brasil é

de 11% para os nitrogenados, 14% para os fosfatados

e 17% para os potássicos.

SETOR SUCROALCOOLEIRO

Para usineiros e produtores de cana, a queda de

preço foi significativa, mas precisa de uma redução

ainda maior ou a manutenção dos preços atuais

para que tenha caráter expressivo. Segundo João

Martins, gerente comercial do Grupo de Usinas

São João, a sustentação de preços dos insumos poderá

manter os custos de produção dentro de uma

normalidade. No entanto, Eva Maria de Miranda,

responsável pelas compras de fertilizantes da Usina

Goiasa, acredita que a redução dos preços dos

fertilizantes não irá mudar de imediato o cenário

sucroalcooleiro. "O produtor vinha pagando muito

caro pelo adubo nos últimos anos, se continuar

caindo, irá melhorar sim, já que o custo de produção

irá reduzir. Mas, para esta safra, eu não acredito

que mude, pois os produtores de cana estavam

trabalhando no vermelho, por conta do preço

altíssimo dos insumos", declara Eva.

A possibilidade de manutenção de queda de

preços ainda é vaga, mesmo porque o processo

ainda é de acomodação no setor. George Wagner

duvida que a redução nos preços dos insumos e

fertilizantes se mantenha e acredita que o momento

dos custos mais baixos está ocorrendo

agora. Com crise ou sem crise, o objetivo do produtor

ainda não mudou, ele quer manter a qualidade

de produção. Para isso têm buscado produtos

alternativos, novas maneiras de negociações

e ações conjuntas de todos os setores para

manter a alta qualidade dos produtos. João Martins

relata que para adequar custos de produção

o grupo USJ precisou reduzir o uso de insumos e

a área de plantio em até 50%.

fotos: divulgação

CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009 25


Ihara desenvolve herbicida

flex para cana-de-açúcar

A Ihara, tradicional fabricante de

defensivos agrícolas, com mais de 40 anos

de atuação no mercado, desenvolveu seu

primeiro produto para a cultura da canade-açúcar.Trata-se

do herbicida Flumyzin,

que está sendo chamado de herbicida flex,

pois funciona tanto em épocas secas

quanto úmidas, em cana planta e em cana

soca, além de controlar folhas largas e

estreitas. "O Flumyzin é um novo

conceito de controle de plantas daninhas

na cultura da cana porque funciona no sol

e na chuva.Além disso, é o único

herbicida registrado para controle da

Digitaria Nuda.A entrada nesse mercado

sucroalcooleiro representa um marco para

a Ihara, pois a cana era a única grande

cultura para a qual não possuíamos um

produto específico. Com esse lançamento,

pretendemos aumentar ainda mais nossa

expressividade no mercado de defensivo

agrícola", afirma o coordenador de

marketing da Ihara, Eduardo Figueiredo.

Açúcar Caeté é líder

de vendas no varejo

Pelo segundo ano consecutivo, o

Açúcar Cristal Caeté alcançou o primeiro

lugar como líder de vendas no varejo do

Nordeste, de acordo com a Associação

Brasileira de Supermercados (Abras). O

produto é produzido pela Usina Caeté

S/A, empresa pertencente ao Grupo

Carlos Lyra. Para a empresa, o resultado

da pesquisa representa a consolidação da

marca Caeté no mercado do varejo

nordestino. Não há, em seu processo de

produção e envase, nenhum contato

humano, o que garante ao consumidor

final um produto seguro e capaz de

atender aos mercados mais exigentes.

Guerra registra faturamento recorde

A Guerra SA obteve em 2008 o maior desempenho

econômico de sua história, com uma Receita

Operacional Líquida de R$ 410.606 milhões,

apontando um crescimento recorde no mercado

interno de 41% em relação ao ano anterior. O índice

geral de crescimento no faturamento líquido ficou em

12,4%, já que as exportações do período tiveram um

desempenho abaixo de 2007. Para 2009 estão previstos

investimentos em pesquisa e tecnologia, por meio do

Centro Tecnológico Guerra, orientadas para processos

produtivos com otimização de custos. A qualidade de

produtos e processos também está sendo

incrementada pela empresa. A Guerra SA é destaque

entre os maiores fabricantes de implementos

rodoviários da América Latina.

Bitrem graneleiro Guerra, o equipamento

mais vendido em 2008.

Unica amplia quadro de associadas

Pedra Agroindustrial S/A, localizada no município de

Nova Independência

Usina Açucareira Furlan S/A, de Avaré

Açucareira Virgolino de Oliveira S/A, situada na

cidade de Monções

Aralco S/A Açúcar e Álcool, Unidade Buritama,

localizada em Buritama

Vale do Parana S/A - Álcool e Açúcar - Unidade da

Unialco localizada em Suzanópolis

Biopav S/A Açúcar e Álcool, de Brejo Alegre

e Biofuel Energy - Destilaria Paranapanema, de

Sandovalina.

Arysta LifeScience tem

novo diretor de Marketing

A Arysta LifeScience, maior

empresa privada do mundo no

mercado de proteção de plantas e

ciências da vida, promoveu Antonio

Carlos Costa a Diretor de Marketing -

América do Sul & Brasil com o

objetivo de reforçar seu time, visando o

crescimento de vendas de produtos em

mercados estratégicos e expandindo

negócios de forma sustentável. Costa

fica responsável pelos departamentos

de Marketing e Comunicação da

empresa, deixando a área de Recursos

Humanos sob o comando de Luís

Rossini. Segundo o novo Diretor de

Marketing, o objetivo da Arysta

LifeScience é crescer no mercado e

acompanhar as tendências do setor,

consolidando sua posição de

importante player do agronegócio,

conquistado ao longo dos seus 40 anos

de atuação. "Assumi agora a

importante tarefa de potencializar o

crescimento da empresa com

lucratividade, qualidade dos serviços e

produtos oferecidos, que se destacam

no mercado nacional e internacional",

conclui.Antonio Carlos Costa atua há

quase 20 anos no setor de defensivos

agrícolas, sendo 2 anos na Arysta

LifeScience.

fotos: divulgação

26 CANAL, Jornal da Bioenergia - ABRIL 2009

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