outubro de 2012 - Canal : O jornal da bioenergia

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outubro de 2012 - Canal : O jornal da bioenergia

Goiânia/GO outubro de 2012 Ano 7 N° 72

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28 reflorestamento

Setor sucroenergético é

exemplo de recuperação

de áreas de vegetação

nativa, antecipando-se ao

novo Código Florestal

Brasileiro.

2012 © Spectrum Art Company

04 entrevista

Erasmo Carlos

BattistellA, presidente

da aprobio e diretorpresidente

da BSbios,

fala sobre os impactos

do biodiesel no País.

12 aço inox

Higiene e elevada

resistência do aço inox à

corrosão e abrasão são

algumas das vantagens

do material aplicado nas

usinas.

Supre

o sistema solo-planta,

fornecendo fósforo e

cálcio em abundância.

Potencializa

a brotação e formação das

soqueiras, aumentando a

longevidade do canavial.

14 softwares

Em busca de

competitividade, usinas

fazem crescer a demanda

por soluções específicas

para o setor

sucroenergético.

21 Energia solar

Projeto desenvolvido

pela Aneel é o primeiro

passo para levar

energia solar

fotovoltaica ao sistema

interligado nacional.

Uniformiza

a fertilidade do solo,

com suprimento contínuo

de fósforo.

Promove

o crescimento das raízes,

aumentando o volume de

solo explorado.

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tanto para fosfatagem

corretiva e como para

adubação de manutenção.

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o volume de matéria verde,

o número de colmos e a

altura de plantas.

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Capa: Fernando Rafael Salazar

“Ainda que um exército me cercasse, o

meu coração não temeria; ainda que a

guerra se levantasse contra mim, nisto

confiaria.” (Salmos 27:3)

Carta do editor

Adversidades e capacidade de superação

Mi ri an To mé

edi tor@ca nal bi o e ner gia.com.br

A caminho do fim da safra

de cana-de-açúcar, superamos

mais um ano difícil para o setor

sucroenergético, o que se deve,

em grande parte, à morosidade do governo federal, que

insiste em protelar a adoção de medidas capazes de dar

novo impulso à atividade canavieira e promover a

expansão necessária para fazer frente à grande

demanda por etanol.

A política de preços adotada para a gasolina continua

a penalizar os produtores de etanol, mas até agora o

governo resiste em promover as adequações necessárias

no preço do combustível. A sobrevivência nesse cenário

mostra a impressionante capacidade da indústria

sucroenergética de enfrentar adversidades, mas é fato

que a postura do governo vem colocando em risco um

dos segmentos mais estratégicos da economia brasileira,

gerador de mais de 1 milhão de empregos.

Nesta edição destacamos que a cana-de-açúcar é

também a base para uma grande diversidade de

pequenos negócios, revelando que o universo e a

importância dessa cultura são bem maiores do que

muitos imaginam.

Na entrevista da edição, abordamos o cenário do

biodiesel no Brasil e as perspectivas para este

biocombustível que, em poucos anos, trouxe grande

contribuição para a economia e meio ambiente do País

e para a saúde dos brasileiros.

Estes são apenas alguns dos diversos temas que

tratamos nesta edição e que você, caro leitor, não pode

deixar de conferir.

Boa leitura!

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Outubro de 2012 • 3


Entrevista Erasmo Carlos Battistella, presidente da Aprobio

O impacto do

biodiesel no Brasil

Qual o objetivo da Aprobio ao solicitar à

Fundação de Estudos de Pesquisas Econômicas

(Fipe) um estudo sobre o impacto do Programa

Nacional de Produção e Uso do Biodiesel no

Brasil?

A idéia da Associação era atualizar os dados

do mercado e mensurar alguns impactos da

produção do biodiesel na economia do País,

sobretudo desmistificando o discurso de

que o produto contribui para o aumento da

inflação. Como a Fundação Getúlio Vargas

já o fizera em 2010, agora também a Fipe

contribui para mostrar que isso não é bem

assim, e que o peso do biodiesel no custo

de vida do brasileiro é irrisório.

-prima, buscando parcerias com as instituições

de pesquisa, as universidades.

Como tem sido o relacionamento dos

representantes da cadeia produtiva do

biodiesel com o governo Dilma?

Sempre muito bom, com boa interlocução.

O governo nunca deixa de ouvir o setor,

seja em seus pleitos e mesmo nos passos do

planejamento.

E o governo vem atendendo às reivindicações

dos representantes do setor?

Bem, isso já é outra questão, como acontece

em toda administração. O Programa de

Produção e Uso do Biodiesel (PNBB) começou

no primeiro mandato do ex- presidente

Lula. O atual governo tem dado claros

sinais de que nossa pauta de trabalho não

tem o mesmo ritmo de correspondência

por parte de poder público. Isso faz parte

do dia a dia da interlocução de uma entidade

representativa com as autoridades competentes.

A Aprobio seguirá trabalhando,

Evandro Bittencourt

Erasmo Carlos Battistella é técnico

agrícola pelo Colégio Agrícola

Angelo Emílio Grando e formado

em administração pela

Universidade Norte do Paraná.

Atuando no segmento de varejo de

combustível há mais de 15 anos é

diretor presidente da BSBIOS energia

Renovável, indústria de produção de

biodiesel localizada em Passo Fundo

(RS). É presidente da Associação dos

Produtores de Biodiesel do Brasil

(Aprobio), presidente da Abrascanola

– Associação Brasileira dos Produtores

de Canola; membro da Câmara Setorial

da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e

Biodiesel; membro do Conselho da

Competitividade – Energias Renováveis

e vice-presidente do Sindibio (RS).

“Com 10% de mistura, como esperado para

2014, a emissão de gás carbônico reduzirá

em 8%. Com 20%, expectativa de mistura em

2020, ela cairá em 12%.”

Os resultados desse estudo ajudam a

fundamentar o desejo dos produtores de ver

aumentado o porcentual de biodiesel ao

diesel?

O estudo não tem esse objetivo, muito

embora faça projeções muito positivas

sobre os impactos do aumento da mistura:

sociais, econômicos e ambientais, que acabam

também influenciando de maneira

positiva os gastos públicos com saúde, a

exemplo da priorização dos atendimentos

hospitalares pela redução de doenças respiratórias.

O que mais chamou a atenção da entidade nos

resultados dos estudo apontados pela Fipe?

Vários aspectos, mas eu destacaria o acréscimo

de R$ 12 bilhões ao Produto Interno

Bruto e a capacidade de geração de empregos

do setor, que supera a do diesel fóssil

em 113%.

A supervalorização da soja é um problema

contornável para os produtores de biodiesel?

Não existe problema incontornável, ainda

mais para um setor novo, de alta tecnologia,

com investimentos pesados e com

grande potencial de crescimento para todos

os lados; não só para frente. Ou seja, a

expansão do uso de biodiesel, no Brasil e no

mundo, gera efeitos positivos em toda a

economia. E no caso do Brasil, os maiores

benefícios têm sido para a agricultura

familiar. Além disso, a indústria está investindo

muito em diversificação de matéria-

não apenas na interlocução com o governo,

mas com a sociedade como um todo, com

a academia, com governos estaduais, municipais,

os poderes legislativos, com todo o

conjunto da sociedade civil organizada.

Vamos continuar investindo na produção,

na diversificação de matérias-primas, na

qualidade do produto. Enfim, vamos continuar

trabalhando.

Qual é o atual cenário do biodiesel no Brasil?

O cenário é promissor, pois o combustível é

objeto de uma política do Estado brasileiro,

criada pelo ex-presidente Luis Inácio Lula

da Silva, ainda em seu primeiro governo.

Além de um produto moderno, pioneiro e

comprometido com a sustentabilidade do

desenvolvimento, o biodiesel, por meio do

PNPB, é o que mais repassa recursos para a

agricultura familiar. Só no ano passado a

produção rendeu R$ 1,4 bilhão em faturamento

de famílias de pequenos agricultores

na venda de matéria-prima para as

usinas, valor superior a todo o orçamento

para a reforma agrária em 2011.

Hoje a população reconhece as vantagens que

4 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 5


Entrevista Erasmo Carlos Battistell, presidente da Aprobio

BSBIOS, planta industrial de

produção de biodiesel localizada

em Passo Fundo (RS)

o biodiesel pode oferecer econômica e

ambientalmente?

A população brasileira ainda não percebeu, em

sua totalidade, que o País tem este importante

ativo em sua matriz energética que contribui

com a sua diversificação, para poluir muito

menos. Mas isso é um processo, e pouco a

pouco o Brasil conquistará o protagonismo

que lhe cabe também neste setor. Já temos

uma indústria de primeira qualidade, com alto

nível de tecnologia e investimentos em pesquisa

e desenvolvimento. À medida que o

setor se consolidar e o PNPB avançar, as pessoas

conhecerão melhor este combustível, um

verdadeiro pré-sal verde, que emite 57%

menos gases poluentes, emprega 1,3 milhão

de pessoas e beneficia mais de 104 mil famílias

de agricultores.

Por que é importante estimular a produção e o

uso de biodiesel?

Em termos de benefícios ao meio ambiente, à

saúde humana e às políticas de saúde pública,

os benefícios da adoção do biodiesel são comprovados

cientificamente por estudo da

Fundação Getúlio Vargas. Hoje o biodiesel é

misturado na proporção de 5% do diesel

mineral comercializado em todo o País. Com

10% de mistura, como esperado para 2014, a

emissão de gás carbônico reduzirá em 8%.

Com 20%, expectativa de mistura em 2020,

ela cairá em 12%.

Hoje o combustível contribui para reduzir em

12.945 o número de internações hospitalares

por problemas respiratórios. Com 10% de mistura,

essa redução pode chegar a 34.520. E a

20%, 77.672 internações a menos.

Na mesma trajetória de aumento de mistura,

hoje, com 5% de biodiesel no diesel, 1838

vidas são poupadas. Com 10%, esse número

pode chegar a 4.902. E quando estivermos

com 20%, o Brasil poderá salvar 11.029 vidas.

Isso contribui para que os hospitais possam

priorizar atendimentos de emergência, racionalizando

seu funcionamento.

Qual a estimativa de redução das emissões de

gases do efeito estufa já proporcionadas pelo

PNPB?

O estudo recém concluído pela Fundação

Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da

Universidade de São Paulo aponta que de

2008 ao ano passado 11,8 milhões de toneladas

de gás carbônico equivalentes deixaram de

ser emitidas na atmosfera por conta da presença

de 5% de biodiesel no diesel comercializado

no País hoje.

Do ponto de vista econômico, temos plenas

condições de ser mais um item da pauta de

exportações, além de contribuir para reduzir o

impacto negativo das importações na balança

de pagamentos. Só em 2010, para dar um

exemplo, a produção de biodiesel reduziu em

US$ 1,4 milhão o desembolso do Brasil na

compra de diesel importado. Segundo a Fipe,

no período de 2008 a 2011, o País economizou

mais de R$ 11,5 bilhões em importações de

diesel, devido à produção de biodiesel que

agregou, no mesmo período, R$ 12 bilhões ao

Produto Interno Bruto (PIB).

A política do governo federal para o biodiesel é

adequada ou requer reformas?

A política do governo é adequada em vários

pontos. Criado em 2005, o PNPB contribuiu para

a formação de um parque industrial significativo,

hoje em torno de 60 usinas, que cada vez atrai

mais empresas de outros setores para investirem

em novas plantas de biodiesel. O governo criou o

Selo Combustível Social que, como já disse, tem

fomentado muito a agricultura familiar com

uma transferência de renda nunca vista antes no

segmento. O governo tem atuado de forma

apropriada nas negociações para a consolidação

do marco regulatório, harmonizando de maneira

ponderada todos os elos da cadeia produtiva. E a

ANP, no seu papel de agência de Estado, tem

trabalhado para assegurar o abastecimento com

segurança e qualidade.

Com o atual marco regulatório o Brasil terá

condições de ocupar o primeiro lugar na produção

e uso do biodiesel?

O Brasil hoje disputa com a Alemanha o terceiro

lugar na produção, com 2,7 bilhões de litros

em 2011, atrás da Argentina e dos EUA, e praticamente

lidera o ranking mundial no consumo.

A crise na Europa levou a Alemanha a

retrair sua produção em cerca de 200 milhões

de litros no ano passado. Para a Aprobio, o

novo marco regulatório não tem que considerar

a performance produtiva do País no cenário

mundial. O que importa é que a nova

legislação estabeleça condições de previsibilidade

para o setor operar, com segurança jurídica

para garantir novos investimentos e a

manutenção dos empregos e impostos gerados.

Com isso, claro, o Brasil terá todas as

condições para assumir a liderança mundial

também na produção de biodiesel.

E o que está sendo feito para que essa nova lei

seja criada e aprovada?

O setor tem conversado com o governo e a ANP,

alinhando metas e projeções, harmonizando

posições e interesses. A Anfavea tem testado o

biodiesel em motores de ônibus e caminhões, as

usinas têm investido no aprimoramento da qualidade

do produto, assim como os distribuidores

têm se adaptado às condições de transporte de

combustíveis cada vez mais sensíveis e sofisticados,

como é o caso do S50, o diesel importado

pela Petrobras com menos enxofre, e o S10, que

deverá ser introduzido em 2013, com menos

enxofre ainda. O biodiesel é misturado a todos

estes produtos, o que requer novos investimentos

em qualidade, sobretudo na preservação das

especificações determinadas pela ANP para o

produto, medida que se aplica a toda a cadeia

produtiva, desde o processamento do óleo na

usina até a venda ao consumidor final.

E como se dá essa interlocução com o governo?

Ainda no ano passado o governo constituiu

um grupo técnico interministerial para estudar

a questão. Em outubro de 2011 foi criada

no Congresso Nacional a Frente Parlamentar

em Defesa do Biodiesel, que muito tem contribuído

para o encaminhamento legal e mesmo

jurídico do marco regulatório, numa interlocução

muito produtiva com todos os elos da

cadeia produtiva e o governo, em suas diferentes

instâncias. Portanto, as coisas estão

andando, no ritmo ditado pelas autoridades, a

quem cabe elaborar as políticas para o setor.

A soja será, por muito tempo, a principal matériaprima

para a produção de biodiesel?

A soja é responsável hoje por cerca de 80%

da matéria-prima para o biodiesel, mas há

todo um debate sobre a diversificação destes

insumos, com investimentos em canola,

palma, algodão, girassol e outras oleaginosas,

sem falar no sebo animal. As quebras de safra

como as deste ano no Sul do País não deixam

de ter reflexos no fluxo da produção, mas

nada que comprometa a oferta do produto.

Até porque, pelos dados da Embrapa

Agroenergia, as projeções de área plantada e

safra do Ministério da Agricultura para o

próximo ano permitem assegurar até o

aumento da produção de biodiesel. Além

disso, o aumento da produtividade da pecuária

brasileira pode liberar 10% de área degradada,

para a criação de gado, para o plantio

de mais matéria-prima para biodiesel. Não

me refiro à soja, mas a qualquer oleaginosa.

Repare, embora 80% do biodiesel do país

venha do óleo de soja, isto significa somente

19% da produção brasileira do grão. E quando

produzimos biodiesel, aumentando a

Como em todo o

setor incipiente,

investimentos em

pesquisa e

desenvolvimento

são um pré-requisito

para sua expansão e

consolidação.”

demanda pelo óleo, produzimos também

mais farelo de soja, que aumenta a oferta de

alimento na cadeia animal, com ração para

aves, que é também exportada, com muito

mais valor agregado que o da soja em grão.

Mas existem pesquisas suficientes e avanços para

o aproveitamento de outras matérias-primas para

a produção de biodiesel?

Sem dúvida, a exemplo da canola, da palma e

do girassol. Há toda uma gama de oleaginosas

que pode nos abastecer de biodiesel, que hoje

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comunidade e governo.

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já é responsável por 20% da matéria-prima. E

não faltam iniciativas de pesquisas, seja nas

universidades, na Embrapa e nas empresas,

com investimentos pesados. A Cia. Vale, por

exemplo, tem um projeto importante de exploração

de palma no Nordeste para extração de

óleo e processamento de biodiesel. A Caramuru

trabalha com girassol em Goiás, a BSBIOS

investe na canola no Rio Grande do Sul.

Estão sendo feitos investimentos em novas

unidades produtoras nos últimos anos para

transformar a matéria-prima em biodiesel?

Sim. Como em todo o setor incipiente, investimentos

em pesquisa e desenvolvimento são um

pré-requisito para sua expansão e consolidação.

Não apenas a pesquisa sobre matérias-primas,

mas sobre novas tecnologias, que maximizem o

processo produtivo e reduzam custos, em benefício

do consumidor. De 2005 a 2010, a indústria

brasileira de biodiesel investiu R$ 4 bilhões. A

expansão do mercado nos permite projetar, até

2020, investimentos de até R$ 7 bilhões, com

geração de mais de 460 mil empregos.

Qual é a capacidade de produção de biodiesel

instalada no Brasil?

A capacidade autorizada pela ANP hoje está

em 6,9 bilhões de litros. (Colaborou Fernando

Dantas.)

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6 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 7


Controle de produção

Comunicação

a favor do crescimento

Uso de radiocomunicação em usinas converte-se em

agilidade de processos, economia e aumento de produtividade

Guilherme Barbosa

O

ambiente de uma usina sucroenergética

moderna é extremamente

dinâmico. Todos os setores

precisam estar interligados e

funcionando em conjunto para alcançar

um desenvolvimento ideal. Esta conexão

não diz respeito apenas ao seu maquinário,

toda a equipe de colaboradores

envolvida também necessita

deste dinamismo. Para este

fim, cada vez mais empresas

investem em parques de radiocomunicação,

que abrangem todo

o seu território, das instalações físicas

aos campos. A radiocomunicação

não garante apenas qualidade e agilidade

de comunicação. Quando bem aplicada,

ela também permite o acompanhamento

de várias etapas dos processos

produtivos, garantindo controle de produção

e eliminação de desperdícios.

O princípio de um projeto de radiocomunicação

bem sucedido baseia-se em

conhecer e entender qual a necessidade

de comunicação das pessoas que irão

utilizar o sistema. Para a utilização deste

serviço em áreas rurais, seja para a transmissão

de voz ou dados, há necessidade

de realização de, no mínimo, três estudos:

mapeamento da cobertura de voz e

dados, identificação do tipo de tecnologia

disponível na região (GPRS, 3G, entre

outros) e planejamento de aplicações a

serem utilizadas para o tráfego no canal

de dados. Apenas ao final deste processo

é possível determinar qual o percentual

de cobertura necessário para alcançar a

usina e suas áreas de cultivo. A segunda

fase diz respeito aos requisitos mínimos

que o sistema deverá suportar, conhecidos

como SLA (Service Level Agreement).

Estes requisitos garantem a qualidade de

sinal e área de cobertura. Apenas após

este planejamento é pensado qual o produto

ideal para o resultado esperado.

Existem várias marcas e modelos disponíveis

no mercado, tanto para o sistema

de transmissão de voz, quanto para

dados. O importante é dimensionar qual

a demanda para se adquirir os equipamentos.

Em se tratando do setor sucroenergético,

por exemplo, os aparelhos

devem suportar uma alta capacidade de

tráfego, já que algumas empresas contam

com centenas de rádios em uma

mesma planta industrial. Este crescimento

se deve, também, ao fato de que, hoje,

o serviço de rádio pode transmitir dados

de plantio, colheita, transbordo e monitorar

a frota logística, além da própria

comunicação. Alguns aparelhos de última

tecnologia chegam a coordenar em

tempo real os processos da usina.

Custos e manutenção

As despesas de instalação dependem

do tamanho da rede e área que se pretende

cobrir. “Um terminal de tecnologia

digital, por exemplo, custa em torno de

R$ 2,2 mil reais e os gastos com a estação

repetidora variam entre R$ 8 e R$ 20 mil”,

ilustra o diretor do Grupo

Avanzi Telecomunicações, Dane Avanzi.

Em casos onde torre e abrigo de equipamentos

são alugados ou construídos para

um resultado específico, os custos variam

entre R$ 30 e R$ 300 mil reais por torre.

Os fatores que são determinantes para o

orçamento final da antena incluem altura,

peso e localização. Após adquiridos os

equipamentos, deve-se conseguir uma licença

de frequência dada pela Anatel. Assim, a

usina conquista o direito de utilizar o sistema

de rádio 24 horas por dia, por apenas R$

13,42 por aparelho ao ano. Segundo o diretor

de marketing do Gemea e gerente industrial

da Usina São Francisco (grupo SJC),

Hélio Belai, “os custos de manutenção são

praticamente inexistentes se comparados ao

serviço oferecido.”

Um erro comum no momento de aquisição

de equipamentos é a preocupação exclusiva

com o seu custo. Caso isto aconteça, as

despesas com futuras manutenções do parque

de radiocomunicação serão elevadas e,

ao final de cada ano, comprometerão parte

da lucratividade da usina. Marcelo Barbosa,

superintendente de administração do grupo

Dedini S/A Indústrias de Base, garante que os

“gastos realizados para a manutenção de

antenas são mínimos e a economia que o

sistema oferece em relação a outros meios

de comunicação é extremamente interessante”.

Com um raio de alcance entre 40 e 50

km, o sinal da antena instalada em uma das

unidades do grupo Dedini permite a utilização

de rádios móveis e fixos, sendo este

segundo grupo acoplado à frota de veículos

da empresa.

Vantagens

“Os benefícios da radiocomunicação são

incontáveis, indo da agilidade para transmitir

informações entre colaboradores até a

redução de perdas nas colheitas e acidentes

de trabalho”, afirma Hélio Belai. A Usina São

Francisco, localizada em Quirinópolis, interior

do Estado de Goiás, possui uma torre

central, com alcance de 2 a 3 km, e uma de

repetição, que chega a 50 km de raio. Hélio

Belai explica que a empresa também se

mune de aparelhos celulares convencionais,

mas em uma escala muito reduzida se comparada

ao total de rádios existentes.

Utilizando esta tecnologia adequadamente,

se obtém, por exemplo, melhor coordenação

e organização nos processos de trabalho,

soluções rápidas para quaisquer imprevistos,

supervisão de todas as etapas sem necessidade

de locomoção e facilidade para locali

8 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 9


Panorama

Torre repetidora instalada em

área da usina ETH Bioenergia

zar um colaborador específico dentro

das extensões da unidade. No mercado são

encontradas outras tecnologias, como

rádios de operadoras, telefonia celular e

telefonia via satélite. Porém, como afirma-

Jefferson Bittencourt, gerente regional de

vendas da AGORA Telecom, empresa parceira

do Grupo Ferrante, essas tecnologias

possuem custos constantes, sendo que sua

comunicação não é totalmente segura.

Dentro de todas estas vantagens apresentadas,

cabe um parêntesis que diz respeito

a infra-estrutura da usina em si. Para

atingir um desempenho máximo do sistema,

é fundamental que o recebimento de

energia elétrica tenha uma qualidade elevada.

De acordo com Dane Avanzi, mais de

80% dos problemas de pane em sítios de

repetição são decorrentes da falta de estabilização

de voltagem ou corrente insuficiente.

Caso todas as operações estejam

funcionando corretamente, o sistema de

rádio terá abrangência em toda a área

estabelecida no projeto. Quando existem

problemas, geralmente algum ponto foi

negligenciado na concepção inicial do

projeto. Em meio às variáveis, as mais

recorrentes são compra de equipamentos

incompatíveis com a necessidade, maquinário

sem homologação e projetos técnicos

apresentados à Anatel que não correspondem

a realidade das instalações.

Quanto a desvantagens desta tecnologia,

Jefferson Bittencourt é enfático. “A

partir do momento que uma companhia

dispõe de recursos para

investir em comunicação, não

desvantagens na implantação.

Sendo assim, o trabalho

tende a ser melhorado com

o dinamismo e a segurança das

informações que o radiocomunicador proporciona”,

afiança.

Tecnologias de ponta em radiocomunicação

Rádio Digital

Comparado com os sistemas analógicos

convencionais, comporta o dobro da

comunicação em um mesmo canal.

Telemetria

Permite o acionamento de bombas,

acessos, controle de caldeiras, entre outros.

Interconexão Telefônica

ligada ao sistema rádio

Transforma o rádio portátil ou móvel da

frota em um ramal, possibilitando a

comunicação com o meio externo da rede

de rádio, desde que ele esteja dentro da

área de cobertura do sistema.

Rede Wlan ou Mesh

Realiza a interconexão

de coletores de dados

interligados a uma central de

gerenciamento, controlando, assim, a

entrada e saída de diversos materiais,

além de possibilitar a conexão de

notebooks, smartphones e tablets.

Sistema PMP Canopy

Monitora qualquer área estratégica,

operando juntamente com câmeras de

deo interligadas ao sistema.

Sistema PTP Cambium Networks

Interliga repetidoras de rádio digital que,

operando junto a um sistema de

monitoramento GP, pode evidenciar onde

estão os veículos com rádios móveis

embarcados e rádios portáteis que

compõem o sistema, realizando um

total gerenciamento de frota e

pessoas.

Programa de

estágio da Raízen

A Raízen abriu inscrições para

seu Programa de Estágios 2013. Os

interessados devem se cadastrar

pelo site da empresa (www.raizen.

com.br), até o dia 20 de novembro.

São mais de 130 vagas para os

escritórios da companhia no Rio de

Janeiro (RJ), São Paulo (SP),

Piracicaba (SP), além das unidades

produtoras no interior de São

Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Com duração de até dois anos, o

programa é aberto para estudantes

dos cursos de ensino superior dos

cursos de Agronomia, Administração,

Economia, Direito, Logística,

Engenharias, Ciências da

Computação, Análise de Sistemas,

Sistemas da Informação e Psicologia,

e Ensino Técnico em Mecânica,

Elétrica, Agrícola, Açúcar e Álcool,

Química, Alimentos, Eletrotécnica,

Eletrônica e Mecatrônica, com

formação prevista entre dezembro de

2013 e dezembro de 2014.

O processo seletivo inclui testes

on-line, dinâmica de grupo, painel

com gestores e entrevista final. A

bolsa-auxílio e os benefícios

oferecidos são compatíveis com o

mercado. A contratação dos

aprovados está prevista para

fevereiro de 2013.

Alternativas para

aumentar a oferta de

energia no Brasil

O Brasil terá um crescimento no

consumo de energia de 4,5% ao ano

nos próximos dez anos, conforme

estudo da Empresa de Pesquisa

Energética do Ministério de Minas e

Energia. Com isso, a demanda

nacional deve passar dos 472 mil

GWh atuais para 736 mil GWh em

2021. O comércio deverá ter o maior

aumento na demanda na próxima

década, seguido pelo setor

residencial.

Para atender a este crescimento

serão necessários grandes

investimentos na geração de

energia, inclusive projetos que não

gerem impactos ambientais ou que

não representem aumento nos

índices de poluição. As alternativas

para suprir o aumento no consumo

foi um dos temas debatidos durante

o 7º Congresso Internacional de

Bioenergia, realizado de 30 de

outubro a 1º de novembro em São

Paulo, com destaque para as fontes

renováveis, como biomassa, biogás,

pequenas centrais hidrelétricas e

biocombustíveis.

Usinas associadas ao Sifaeg recebem Prêmio Visão de Desenvolvimento

Com o objetivo de reconhecer a

contribuição de empresários e

empresas do setor industrial em Goiás,

nos anos de 2011 e 2012, foi entregue

durante a 8ª edição da Feira de

Fornecedores e Atualização

Tecnológica da Indústria de

Alimentação (Ffatia), o Prêmio Visão

de Desenvolvimento. Os premiados

foram selecionados pelos

representantes de sindicatos, que são

parceiros da Reed Multiplus, marca do

Grupo Reed Exhibitions Alcantara

Machado, na realização da Ffatia.

Em sua quinta edição, o Prêmio

Visão de Desenvolvimento foi

entregue a sete empresas de destaque

em Goiás. Receberam os troféus:

Antônio Benedito dos Santos (Creme

Mel Sorvetes); Alcides Augusto da

Fonseca (Lactosul Indústria e Comércio

Ltda.); Aroldo Amorim Filho (Bonasa

Alimentos) – representado por Walter

de Souza Lopes (Asa Alimentos);

Luciano Sanches (Usina Porto das

Águas/Grupo Cerradinho); Guilherme

Badauy Silva (Raízen) (fotos); Stênio

Calixto Simiema (Arroz Brejeiro); e

Antônio de Lima Filho (Café Imperial).

Segundo o diretor tesoureiro da

Federação das Indústrias do Estado de

Goiás (Fieg) e presidente executivo dos

Sindicatos de Fabricação de Etanol e

Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg/

Sifaçúcar), André Rocha, a premiação reconhece os

esforços e trabalho de empresários que ajudam a

desenvolver o Estado de Goiás, não só de forma

econômica, mas também social. “São exemplos de

geração de emprego e renda, de inserção de

trabalhadores no mercado de trabalho e que

contribuem para o crescimento dos índices

econômicos estaduais, como é o caso do PIB goiano,

que é maior do que o nacional”, enfatizou.

A escolha dos exemplos de gestão e

empreendedorismo na indústria alimentícia, premiados

na Ffatia, foi feita pelas seguintes federações e

sindicatos: Federação das Indústrias do Estado de Goiás

(Fieg), Sindicato das Indústrias de Laticínio no Estado

de Goiás (Sindileite), Sindicato das Indústrias de Carnes

e Derivados no Estado de Goiás (Sindicarne), Sindicato

das Indústrias de Fabricação de Álcool no Estado de

Goiás (Sifaeg), Sindicato das Indústrias de Fabricação

de Açúcar no Estado de Goiás (Sifaçúcar), Sindicato das

Indústrias de Alimentação de Anápolis (Siaa) e

Sindicato das Indústrias de Torrefação e Moagem de

Café do Estado de Goiás (Sincafé).

Bagaço de cana e capim para produzir etanol celulósico

A Embrapa Agroenergia está

desenvolvendo um estudo

visando um processo sustentável

integrado de produção do

biocombustível a partir de

bagaço de cana-de-açúcar e

capim-elefante. A pesquisadora

Cristina Machado conta que a

ideia é fazer desse projeto a base

para uma plataforma de

pesquisa sobre etanol celulósico

(2ª geração - 2G) na Embrapa.

“Embora já se saiba como produzir

etanol celulósico, ainda é preciso

reduzir os custos de produção para

que o produto chegue ao mercado,

aumentando a oferta de biocombustíveis no País. Além disso, o tempo gasto em todas as etapas do

processo de produção é bem maior do que o do etanol obtido do caldo da cana-de-açúcar” afirma a

pesquisadora. Além da USP, também são parceiros da Embrapa nesse trabalho a Universidade

Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

10 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 11


Qualidade

Resistência do aço

é aliada na produção

Com uma vantajosa relação de custo e benefício, o

aço inoxidável ganha espaço nas usinas açucareiras,

ampliando sua participação no mercado brasileiro

Vantagens do aço inox

Guilherme Barbosa

A

utilização do aço inox nas usinas de

açúcar não é uma novidade. Desde a

instituição do Programa Nacional do

Álcool (Proálcool), em 1973, o inox

apresenta associações em toda a cadeia produtiva

do setor açucareiro. Porém, apenas nos últimos

cinco anos o seu uso ganhou a devida

notabilidade no mercado, ampliando a sua participação

no segmento. Observando as experiências

e vantagens alcançadas nas usinas que já

utilizam o inox em seus equipamentos, é de se

esperar que o material seja, em breve, a primeira

opção quando se fala em processo, reforma ou

ampliação do parque industrial sucroenergético.

Durante a produção das usinas é comum o

desgaste do maquinário, por mais que o processo

seja supervisionado e seu equipamento vistoriado

regularmente. Os estágios de fabricação que

provocam maior desgaste nos equipamentos são

os da entrada da cana, por apresentar muita

areia, e da moagem.

A deterioração também é provocada por

características específicas do processo, predominando

problemas de corrosão por pites, em frestas,

corrosão generalizada e microbiológica.

Nesse cenário, o emprego do aço surge para

contribuir para um melhor desempenho. A grande

incidência de desgaste por abrasão e corrosão

está na fabricação do açúcar, mas essas ocorrências

podem ser minimizadas com o aço inox 410D

ou 444, por exemplo.

Entre os vários tipos de aço inoxidável, o 304,

316L, 410D, 439 e 444 são os mais utilizados. Na

primeira parte do processo de produção predominam

os problemas de abrasão e o tipo ideal é

o 410D, especialmente

em meios úmidos onde

se combinam os efeitos

de corrosão e abrasão.

Depois da moenda prevalece

a utilização do 316L,

na sulfitação. Na parte de

fabricação do açúcar, o

aço mais indicado é o

444, porém, o 304 também

é empregado. Na

industrialização do açúcar,

o inox está presente em chapas, na entrada e

terno das moendas, shut donele, cush-cush,

esteiras de bagaço, difusores, revestimento de

evaporadores e cozedores bem como nos cristalizadores

e secadores de açúcar. Na forma de

tubos, ele é utilizado nas linhas de evaporação,

aquecedores e cozimento.

Vantagens

As usinas possuem ambientes que frequentemente

ocasionam diferentes danos aos seus

equipamentos, seja pelo desgaste causado pelo

arraste no recebimento de cana-de-açúcar ou

pela atmosfera corrosiva durante o tratamento

de efluentes. Os inoxidáveis possuem uma

composição química enriquecida com diversos

elementos de liga, como cromo, níquel, molibdênio

e titânio. Esta natureza do aço garante

uma elevada resistência à corrosão, sem

necessidade de pré-tratamentos ou intervenções,

como paradas para repintura. Com um

aumento na vida útil dos equipamentos, o

reflexo dos gastos é apresentado diretamente

no aumento da produtividade da usina e redução

de gastos com manutenções.

José Roberto de Andrade, gerente de desenvolvimento

de mercado da Jatinox, empresa que

atua há mais de 40 anos no segmento, afirma

que, “se comparada ao aço carbono, alternativa

usualmente empregada, a vida útil do equipamento

pode ser de duas a dez vezes maior”. Em

uma esteira condutora de bagaço, por exemplo, a

vida útil pode ser de até quinze safras, enquanto

em aço carbono ela gira em torno de quatro

(considerando as mesmas espessuras). Além

disso, os tubos de inox trazem vantagens nos

processos de troca de calor, economizando energia.

Isso é possível graças

a sua menor espessura,

• Preservação das características

organolépticas dos alimentos

• Elevado grau de higiene

• Grande resistência à corrosão

• Excelentes propriedades mecânicas

• Facilidade de conformação

• Alto grau de soldabilidade

• Inércia química e biológica

• Baixa rugosidade.

que se encontra entre 1,0

e 1,5 mm.

Equipamentos de preparação

de cana também

apresentam ganhos

significativos quando

fabricados em inox,

assim como os lavadores

de gases, que têm redução

de espessura e gas-

tos com manutenção. Ambientes

com presença de cloro, enxofre

ou gases oxidantes em níveis

elevados demandam ligas com

resistência à corrosão ainda

mais elevada, como os aços inoxidáveis

austeníticos. Dentre as

principais aplicações que envolvem

estas ligas estão os concentradores

de vinhaça em AISI

316L, tubulações de gases em

AISI 304 e colunas de sulfitação

em AISI 317L.

Outra vantagem do inox diz

respeito à maior higiene que ele

possibilita a todo o processamento

de açúcar. O inox reúne

qualidades indispensáveis para

o contato com o açúcar, como a

inércia química (não altera

sabor, cor ou odor), além de

evitar a proliferação de bactérias

e possibilitar um alto grau de

limpeza. Muitas usinas utilizam

ácido clorídrico para a limpeza

de seus equipamentos, o que

interfere na qualidade do produto

final. Por mais que a higienização

seja feita da maneira

correta, resíduos deste ácido são

frequentes e equipamentos de

aço carbono têm maiores custos

de manutenção, com procedimentos

de limpeza habituais

devido a incrustações de difícil

remoção. Muitas vezes é necessário

o desvio de caldo para

fermentação, o que ocasiona

perda de parte da produção.

Em estudo apresentado pelo

engenheiro Lino José Cardoso

Santos, no Simpósio

Internacional e Mostra de

Tecnologia da Agroindústria

Sucroalcooleira (Simtec), foi

constatado que a substituição de

todos os tubos de aço carbono

dos evaporadores de açúcar

acontece dentro de, em média,

seis safras. No caso da Usina

Pumaty, de Joaquim Nabuco,

Pernambuco, que utiliza aço inox

desde 1974, ele verificou que as

tubulações não precisaram de

trocas por problemas de corrosão

desde a sua instalação, há 33

anos. Outro dado apontado pelo

engenheiro diz respeito à

Companhia Açucareira Vale do

Rosário, de Ribeirão Preto, São

Paulo, que apresentou vantagens

na manutenção do equipamento,

como redução de trocas

e consequentemente diminuição

da mão de obra na entressafra.

Também foi averiguada uma

menor quantidade de pontos

pretos magnetizáveis no produto

final, que são óxidos e partículas

ferromagnéticas desprendidos

do aço carbono por conta

de corrosão, influenciando na

qualidade e preço de venda final.

Mercado é amplo, mas há dificuldades

A cadeia sucroenergética pressiona a

demanda por aço inox, o que dá a continuidade

de negócios favoráveis para o mercado.

O maior fornecedor do produto no Brasil, a

Aperam South America, de Timóteo, Minas

Gerais, registrou no primeiro semestre um

crescimento de 5% nas vendas diretas para

as usinas de açúcar e etanol. Este número foi

trabalhado em relação ao mesmo período de

2011. Segundo Frederico Ayres Lima, diretor

comercial da Aperam, “esse aumento é reflexo

da maior utilização de aço inoxidável nas

diversas etapas produtivas, da preparação da

cana à cogeração de energia”.

Em janeiro, a Aperam concluiu a entrega

de mais 1.500 toneladas de planos e tubos

para a Raizen, dona de usinas de açúcar e

Você acreditou que poderia tirar seu

sustento da natureza. E, unindo forças,

acreditou que podia fazer mais pelo

seu negócio e pelo negócio de outros

empreendedores. O Sebrae também

acredita na importância dessa união.

Por isso, comemoramos cada conquista,

acreditamos na sua produção e

oferecemos todas as ferramentas para

você colher os melhores resultados.

Acredite: juntos, nós podemos muito mais.

no meu negócio,

na multiplicação,

que hoje tem feira,

que aqui é o celeiro do mundo.

Sebrae 40 anoS.

o negócio é acreditar.

Guilherme Coelho, proprietário da

Criação Artesanal de Peixes, Esperantina/PI.

Acesse o QR code e assista ao vídeo.

etanol, controlada pela Cosan e Shell. A siderúrgica

garante que no período de entressafra

da cana-de-açúcar, entre setembro do

último ano e janeiro de 2012, a comercialização

de inox para as usinas apresentou expansão

de 6% em relação ao período anterior.

Mas, no ano comercial, adverte Ayres Lima, a

comercialização de aço inox deverá repetir

2011, ano em que o setor não apresentou

expansão. “A guerra fiscal entre Estados, deficiência

na infraestrutura, custo de logística,

carga tributária e câmbio foram alguns dos

fatores comuns a vários setores da economia

que contribuíram para esta estagnação. Não

fosse isso, as vendas continuariam aquecidas

pela aplicação do inox nas usinas em substituição

ao aço carbono”, completou.

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Para José Roberto, uma das principais

dificuldades que o aço inox tem para a sua

maior penetração no mercado é a falta de

conhecimento de suas características e propriedades

pelas usinas. “Lembro que é muito

importante conversar com profissionais

capacitados antes de aplicar o inox nas usinas.

Só assim é possível especificar ao cliente

o tipo de aço ideal para suas finalidades”,

explicou. Pela falta de informação, a “agressividade

que o inox tem sofrido nas usinas é

grande, o que diminui sua vida útil e pode

frustrar o investidor, que esperava por benefícios

superiores. José Roberto ainda garante

que em mais de dez anos de uso do aço inox

a satisfação dos clientes foi total em todas as

suas aplicações.

12 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 13


Tecnologia da informação

Busca por soluções específicas

Conexão com a tecnologia

e a produtividade

O fator competitividade é outra característica que

tem feito as usinas recorrerem, no mercado, às empresas

especializadas em criação e desenvolvimento de softwares.

Com isso, houve uma demanda por programas e

tecnologias específicas e voltadas para todas as áreas

funcionais do setor sucroenergético. A Compu-Software

Sistemas Corporativos é uma das empresas especializadas

que atua no segmento sucroenergético. Com sede

no Estado de São Paulo, mas atuando em todo o Brasil,

a empresa desenvolveu o Compu-Software ERP, sistema

integrado on-line e avançado de gestão de negócios.

Segundo o diretor da Compu-Software, Edson de

Carvalho, por causa do volume de processos configuráveis,

o sistema garante sua adaptação e direcionamento

para cada tipo de negócio, assegurando suas características

e necessidades, eliminando o retrabalho e disponibilizando

com qualidade informações para tomada de

decisão. “Desenvolvido especificamente dentro do Banco

de Dados Oracle, garante agilidade e velocidade de processamento,

inclusive com acesso via web. Sua implantação

é rápida, de custos baixos e definidos e não há

limite de números de usuários.

Edson explica que o sistema contribui para a formação

do banco de dados físico e monetário bem organizado,

que representa a história e futuro da empresa, e

proporciona a mecanização dos processos, das informações

tributárias e societárias para órgãos governamentais.

A implantação tem o tempo médio de 6 a 12 meses,

dependendo da estrutura e a aceitação da direção e dos

colaboradores. De acordo com ele, é avaliada a aderência

do modelo de gestão utilizado pela empresa e as necessidades

do modelo a ser implantado; plano conta gerencial

e fiscal, procedimentos de suprimento, procedimento

comercial, procedimentos e processos de produção

industrial e agrícola, procedimentos e processo de custos

e definição de indicadores e informações.

Outra empresa inovadora de base tecnológica é a

Pentagro, sediada em São Carlos (SP) e responsável pelo

BdME, software de simulação de processos sucroenergéticos

– produção de açúcar, etanol e bioeletricidade. Por

meio do software, a usina consegue enxergar todo o

processo e suas intercorrelações em diferentes condições

de operação (moagem) e permite realizar análises preditivas

a fim de detectar ineficiências e gargalos, confrontar

periodicamente o previsto pelo simulador versus o

realizado pelo processo para detectar desvios operacionais.

Além disso, possibilita realizar estudos de viabilidade

técnica, de ampliação, de otimização etc. “É possível

comissionar um sistema como este numa unidade produtiva

em pouco mais de um mês”, revela o CEO da

Pentagro Soluções Tecnológicas, André Lins de

Albuquerque. Segundo ele, as usinas utilizam o BdME

para padronização e unificação dos balanços de massa e

energia e na gestão operacional das unidades. “Estão

utilizando o sistema coorporativo da Raízen o grupo São

Martinho, a usina Santa Cruz e, mais, recentemente, o

grupo Guarani e a Petrobras Bioenergia também iniciaaram

a operação”, destaca.

Indústrias investem

mais na área

de informática,

adquirindo programas

e softwares inovadores

que auxiliam na

funcionalidade de toda

a usina

Fernando Dantas

Quando se trata de produção de cana-deaçúcar

e de seus derivados, como etanol,

açúcar, biodiesel e bioeletricidade, o

Brasil ocupa papel de destaque no cenário

mundial. O País é responsável por 42% das

exportações mundiais de açúcar. Já a produção de

etanol deve atingir 24 bilhões de litros na safra

2012/2013, de acordo com estimativa da F.O.

Licht. Mas esse vigoroso desempenho não é resultado

de uma ou outra ação isolada, e sim de

esforços e trabalhos integrados desenvolvidos no

setor nas áreas agrícola, industrial e econômica.

Uma peça-chave dessa cadeia positiva, que

favorece a elevação do segmento sucroenergético

no mercado internacional, é o de Tecnologia da

Informação (TI). Até pouco tempo atrás, as usinas e

unidades industriais se preocupavam com o plantio

e colheita, máquinas e equipamentos e logística.

Hoje, as indústrias perceberam a necessidade de

investir na área de informática, com a aquisição de

programas e softwares inovadores, que auxiliam na

funcionalidade e produtividade de toda a usina.

Com isso surgiram Centros de Operações Integradas

(COIs) mais modernos, que respondem pela integração

das áreas de processo, industrial, operação e

manutenção. As vantagens estão na eficiência das

tomadas de decisões e diminuição do tempo de

manutenção e parada da planta.

Na área de gestão industrial e operação, por

exemplo, são adotados sistemas de ERP, que integram

todos os dados e processos de uma organização

em um único sistema. São programas

associados ao controle agrícola e industrial, fundamentais

para obter as informações físicas e

monetárias de produção e rendimentos. Já em

relação a resultados existem programas de planejamento

estruturado físico, econômico e financeiro,

associado ao sistema de Balanced Scarecard,

integrado ao ERP. Estes programas são construídos

dentro do conceito de gestão de negócio,

focados em controle e resultados. Os módulos são

inteiramente integrados on-line e oferecem as

informações para todos os usuários, eliminando

os retrabalhos e garantindo a qualidade da informação

para uma tomada de decisão.

As usinas têm implantado também sistemas de

supervisão e aquisição de dados, também conhecidos

popularmente por supervisório; historiadores e repositórios

de dados de processo industrial; e sistemas

de simulação, análise e controle de processos. Para

unidades produtivas que tenham um bom nível de

automação e instrumentação, os sistemas supervisórios

têm a função de monitorar e atuar nos processos

de forma remota, preferencialmente de forma centralizada,

no conceito também chamado de COI. Já

os historiadores são voltados para o armazenamento

dos dados do processo para que se possa, num

segundo momento, analisá-los ou simplesmente

consolidá-los. Os sistemas de simulação, análise e

controle são ferramentas que entregam valor propriamente

dito aos gestores, pois auxiliam as tomadas

de decisão e permitem enxergar além dos dados,

extraindo as informações necessárias para a correta

gestão operacional.

14 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 15


Serviços

OPINIÃO

CLIENTE

NEGÓCIOS

COMUNICAÇÃO

IDEIAS

FINANÇAS

OPINIÃO

CLIENTE

SALDO

IDEIAS

FINANÇAS

OPINIÃO

FINANÇAS

CONSULTORIA

IDEIAS

FINANÇAS

OPINIÃO

PROCESSO

CONSULTORIA

PROCESSO

COMUNICAÇÃO

CLIENTE

OPINIÃO

COMUNICAÇÃO

OPINIÃO

CLIENTE

NEGÓCIOS

COMUNICAÇÃO

IDEIAS

FINANÇAS

OPINIÃO

SALDO

IDEIAS

COMUNICAÇÃO

COMUNICAÇÃO

IDEIAS

IDEIAS

CONSULTORIA

PROCESSO

COMUNICAÇÃO

IDEIAS MARKETING

IDEIAS

CONSULTORIA

COMUNICAÇÃO

IDEIAS

PESQUISA MARKETING

SALDO NEGÓCIOS

PROCESSO

IDEIAS

FINANÇAS

SALDO

FINANÇAS

MARKETING

COMUNICAÇÃO

PROCESSO

FINANÇAS

OPINIÃO

OPINIÃO

CLIENTE

FINANÇAS

MARKETING

IDEIAS

CONSULTORIA

FINANÇAS

OPINIÃO

PESQUISA

SALDO

Igor Augusto Pereira

IDEIAS

CONSULTORIA

SALDO

PROCESSO

NEGÓCIOS

COMUNICAÇÃO

IDEIAS

IDEIAS

IDEIAS

FINANÇAS

OPINIÃO

FINANÇAS

IDEIAS

CONSULTORIA

PROCESSO

COMUNICAÇÃO

CLIENTE

NEGÓCIOS

FINANÇAS

COMUNICAÇÃO

MARKETING

OPINIÃO

PROCESSO

IDEIAS

CONSULTORIA

PROCESSO

COMUNICAÇÃO

O

dicionário define o ato de consultar como o

ato de “pedir conselho, instruções, opinião

ou parecer” – em outras palavras, solicitar

esclarecimentos de um expert em determinado

assunto. Embora seja milenar, essa prática só

ganhou o status de atividade profissional no início

do século 20, quando surgiram os primeiros escritórios

de consultoria. Os moldes foram se aprimorando

e hoje essas empresas se consolidam como aliadas

estratégicas de quem precisa ficar de olho na produtividade

sem deixar de lado questões como câmbio

internacional, novidades tributárias, certificações e

legislação trabalhista.

Para manter seus trabalhos em pleno funcionamento,

sem atropelos e surpresas desagradáveis,

muitas empresas recorrem ao trabalho de escritórios

com profissionais cada vez mais especializados em

suas áreas. Boa parte delas, inclusive, funcionam

como verdadeiras instituições de pesquisa, produzindo

e oferecendo informações muitas vezes mais

atualizadas que as associações do setor e os órgãos

governamentais. É o caso da Datagro, que oferece

serviços para os segmentos de etanol e açúcar, e tem

uma base de clientes espalhada em cinco continentes.

Seu fundador, o executivo Plínio Nastari, é considerado

uma das maiores autoridades do setor

sucroenergético e fonte recorrente para as publicações

especializadas.

Não por acaso, o apoio das empresas de consultoria

tem sido avaliado como estratégico por gestores

de usinas sucroenergéticas no Brasil. Para o advoga-

MARKETING

CONSULTORIA

FINANÇAS

COMUNICAÇÃO

IDEIAS

CONSULTORIA

PROCESSO

MARKETING

OPINIÃO

CLIENTE

NEGÓCIOS

COMUNICAÇÃO

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FINANÇAS

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FINANÇAS

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COMUNICAÇÃO

PROCESSO

IDEIAS

FINANÇAS

FINANÇAS

OPINIÃO

PROCESSO

PESQUISA

SALDO

COMUNICAÇÃO

OPINIÃO CONSULTORIA

PROCESSO

Mercado de consultorias

segue aquecido

Dinamismo do

agronegócio brasileiro

abre as portas

para escritórios

especializados.

Atividade oferece

ferramentas de gestão

para o produtor,

garantindo mais

segurança para

investimentos

Advogado Flávio Rodovalho destaca o grande

volume de negócios no setor sucroenergético

do especialista em Direito Tributário Flávio Rodovalho,

que atua em um escritório de consultoria jurídica, o

mercado do segmento está cada vez mais aquecido,

principalmente em virtude do expressivo volume de

negócios na cadeia sucroenergética. “Estamos atentos

a tudo o que se refere às informações fazendárias,

jurisprudências e regulamentações. Essas informações

são acompanhadas, avaliadas e apresentadas

ao cliente”, explica.

Segundo o advogado, as consultorias em sua área

têm priorizado discussões como a manutenção de

incentivos fiscais, a contabilização de subvenções

para investimento e o planejamento tributário.

“Nosso trabalho é antecipar cenários e planejar

estratégias. Os fóruns do setor sucroenergético são

palco de debates de altíssimo nível, algo que não se

vê em qualquer atividade produtiva”, define.

Marcar presença nesse mercado competitivo,

porém, não é tarefa fácil. Segundo o diretor do

Grupo IDEA, Dib Nunes Jr, para se posicionar de

forma qualificada é preciso investir na geração de

conteúdo e no intercâmbio de conhecimentos

entre os representantes da agroindústria canavieira.

“Temos desenvolvido, ano após ano, informações

relevantes para os profissionais da área”, argumenta.

Um dos exemplos dessa iniciativa é a produção

do anuário Indicadores Agrícolas do Setor

Sucroenergético, que traz uma análise de mais de

200 aspectos relacionados ao desempenho das

usinas de cana-de-açúcar.

Com ênfase na implantação de projetos para as

melhorias da produtividade em indústrias alimentícias,

a Alfa Qualidade presta serviços para algumas

das maiores empresas de Goiás, como Jalles Machado,

Usina Goianésia e CRV Industrial. Segundo o diretor

da empresa, Nilson Jaime, os serviços têm um caráter

bastante plural. “Ministramos capacitações em qualidade

alimentar, fazemos perícias agronômicas e

ambientais, elaboramos rótulos nutricionais obrigatórios

e assessoramos clientes para registro na Anvisa

e no Mapa”, exemplifica.

“A estrutura da Alfa Qualidade, como de quase

toda empresa de consultoria é bastante enxuta,

com poucos profissionais, já que a maior parte do

trabalho é realizada nas instalações da contratante.

No entanto, o paradoxal é que pequenas empresas

atendem a grandes clientes, como usinas de canade-açúcar,

frigoríficos, laticínios e outras indústrias”,

explica Nilson Jaime. Os trabalhos são coordenados

por uma equipe que inclui engenheiros,

administrator, uma nutricionista e até mesmo uma

pedagoga.

Outro exemplo é a FCStone, multinacional norteamericana

que é considerada uma das precursoras

da atividade de consultoria. Com 35 escritórios

pelo mundo, sendo cinco apenas no Brasil, a

empresa, fundada em 1924, fatura por volta de 400

milhões de dólares anuais. Segundo o gerente de

Negócios para os mercados de açúcar e etanol da

empresa, Marcos Escobar, o número de colaboradores

fica em torno de 90 pessoas, como engenheiros,

economistas, agrônomos, entre outros.

Como funciona um

trabalho de consultoria

Embora se estruturem de maneira personalizada, algumas etapas do trabalho

de consultoria são comuns quando o foco é na gestão agroindustrial.

“O trabalho depende da demanda apresentada pelo cliente, do porte da

empresa e da complexidade de cada etapa”, explica o engenheiro agrônomo

Nilson Jaime, da Alfa Qualidade. Assim, os custos para a contratação

também variam, explica o especialista, sem citar os valores praticados.

Confira abaixo o passo-a-passo para a realização de uma consultoria:

Diagnóstico

A empresa

contratada vai a campo

buscar as informações mais

estratégicas da contratante, de

acordo com o serviço solicitado. É

o momento em que são

identificados os principais

gargalos da gestão.

Implantação

de projeto

Com o projeto em mãos, é

hora de colocar as instruções

em prática. O trabalho é

acompanhado muitas vezes in

loco pelos consultores.

Análise

de resultados

Os indicadores são

visualizados em planilha e

discutidos com o cliente. Assim, é

possível reforçar algumas

estratégias, avaliando o que

funcionou melhor e o que

precisa ser redirecionado.

Identificação

A consultoria aponta

melhorias a curto prazo,

com técnicas que possam

ser incorporadas rapidamente

à rotina da empresa.

Elaboração

de projeto

Munidos de todos os

dados necessários, os

consultores produzem um

cronograma de metas e prazos

factíveis para mudanças nas

operações.

Aplicação

do método PDCA

Todas as áreas relacionadas

ao serviço se organizam para

entrar no ciclo de desenvolvimento

PDCA (plan, do, check and act –

planejar, executar, verificar e agir,

em tradução literal), focado na

melhoria da gestão

organizacional.

16 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 17


Cana-de-açúcar

Combustível para o

João Faria

sa goianiense de pequeno porte criada pelo

ex-motorista do governo de Goiás, Jorge

Milhomem Rodrigues, de 57 anos, que resolveu

deixar a estabilidade de um cargo público para

se dedicar ao próprio negócio. Há 15 anos,

Jorge aderiu ao programa de demissão voluntária,

já com a ideia de investir em um mercado

que tivesse a cana- de-açúcar como fonte propulsora

do negócio. “Não sei por quais motivos,

mas vislumbrava na cultura uma oportunidade

de crescimento. Por isso, deixei o emprego,

arrisquei e investi. Hoje, tenho certeza que fiz a

escolha certa”, confessa.

Conhecido carinhosamente pelos clientes como

Jorge da Garapa, o comerciante, que também é

empreendedor individual, possui 10 pontos de

venda itinerantes espalhados por Goiânia e trabalha

de terça a domingo, principalmente nas feiras

realizadas na capital. Ele revela que conseguiu,

com os anos de atividade, conquistar clientela

que sempre volta para comprar a garapa, vendida

em copos de 300 ou 350 ml, ou em garrafas de

litro. “Levei um tempo para ter a aceitação da

população. Só comecei a vender mesmo quando

fiz parceria com os pasteleiros. Fui pioneiro nesse

trabalho integrado, que resultou em lucro pra

mim e para eles. A cana-de-açúcar, que era minha

fonte de renda, tornou-se fonte para eles também.

Com isso, hoje atendo pedidos de clientes

leais que vêm até de outras cidades para degustar

a garapa geladinha”, confessa.

Desde o início da empresa até os dias atuais,

Jorge contabiliza 150 mil reais em investimentos,

em sua maioria para a melhoria da estrutura de

produção e atendimento. Ele revela que, além dos

pontos de venda, possui um depósito para a

manutenção de equipamentos, resfriamento da

cana e produção de gelo. “Nos primeiros anos da

empresa, tinha apenas uma máquina, caixa térmica

e sombrinha. Agora, tenho estrutura melhor,

com mais máquinas e conforto para os meus

clientes”, enfatiza. Já a matéria-prima – a cana

– é oriunda de produtores da região do entorno

de Goiânia, que por semana entregam duas toneladas

ao comerciante. O que sobra após o processamento,

como o bagaço, é repassado às cooperativas

da capital, que transformam os resíduos em

adubo e ração para animais.

O resultado de todo esse trabalho tem sido a

contribuição para o desenvolvimento comercial e

econômico de Goiânia e, especialmente para Jorge,

a aquisição de dois veículos, um particular e outro

para a empresa, uma casa e o sustento de toda

família, que inclui a esposa, duas filhas e três netas.

crescimento econômico

Segmentos industriais, comerciais e até de serviços

têm se beneficiado da cana-de-açúcar como

matéria-prima para o desenvolvimento de negócios

no Estado de Goiás

Fernando Dantas

Conhecida por ser um dos principais produtos

agrícolas do Brasil, sendo cultivada desde a

época da colonização, a cana-de-açúcar tem

sido um dos ‘combustíveis’ para o crescimento

econômico de Goiás e representado oportunidade

de negócios no Estado. Além de matéria-prima

para a produção de etanol, açúcar e

bioeletricidade, a cultura representa fonte de

renda, trabalho e mercado para diferentes segmentos

do comércio e serviços, movimentando

toda uma cadeia produtiva que, de forma direta

ou não, depende da cana para o desenvolvimento

de sua atividade.

Essa realidade vivida no Estado se deve aos

índices favoráveis registrados pelo setor sucroenergético.

Atualmente, Goiás ocupa a segunda

posição no ranking de produção de etanol no País,

atrás apenas de São Paulo, área plantada de mais

de 732 mil hectares, 34 usinas em operação e

aproximadamente 200 mil empregos diretos e

indiretos, segundo dados dos Sindicatos da

Indústria de Fabricação de Etanol e Açúcar do

Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar).

Por esse motivo, setores que há poucos anos

não se beneficiavam da cana, agora dependem

dela para o seu desenvolvimento. É o caso de

fornecedores e comerciantes de fertilizantes,

máquinas, pneus, implementos e até o comércio

de serviços como alimentação, assistência médica,

artesanato, uniformes, pequenas peças, manutenção

de máquinas e equipamentos.

De acordo com o presidente da Federação do

Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), José

Evaristo dos Santos, tanto os que estão próximos

à planta industrial e recebem maior parcela das

compras das usinas quanto os comércios que

estão distantes das unidades sofrem impacto

positivo da cana, em maiores ou menores proporções.

“As aquisições locais, aliadas à massa salarial

que a usina gera e, especialmente, a aquisição de

matéria-prima junto aos produtores locais, criam

recursos que movimentam indiretamente outros

segmentos na região como serviços pessoais,

entretenimento, educação, vestuário e acessórios,

alimentação, supermercados, serviços de transporte,

entre outros. Enfim, a cana contribui de

maneira significativa para o aparato urbano, sem

o que, também, o empreendimento teria mais

dificuldades em se estabelecer”, enfatiza.

Um exemplo de atividade que se beneficia

diretamente da cana é a Garapa Express, empre-

18 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 19


Edmar Wellington

Energia Solar

Doce sabor

Natural de Perolândia (GO), o agricultor Paulo

de Carvalho Lima, de 51 anos, desenvolve na

região Sudoeste de Goiás atividades como a criação

de gado de corte e leite, plantio de soja e

milho e agricultura de subsistência. Mas de todos

os trabalhos realizados em sua propriedade rural,

localizada a 18 quilômetros da cidade, a que mais dá

prazer ao produtor é o cultivo de cana-de-açúcar e a

produção de rapadura. Isso porque o trabalho

com a cultura é herança dos avós e pais, que

sempre atuaram no segmento.

Apesar de cultivar a matéria-prima e de não

comercializar diretamente seus derivados (rapadura)

ao consumidor final, Paulo faz parte da cadeia

que movimenta o comércio que depende da cana

em Goiás. Todo o material produzido em sua propriedade,

que leva a marca de Alto Barreiro, é

vendido para supermercados, mercearias e restaurantes

de municípios vizinhos a Perolândia, como

Rio Verde, Jataí, Mineiros e Santa Helena de Goiás.

Esses, por sua parte, comercializam aos consumidores

finais, alimentando e favorecendo o aquecimento

do comércio no Estado.

Para atender aos pedidos mensais dos comerciantes,

a propriedade de Paulo possui área de seis

hectares para plantio de cana, responsáveis pela

produção de 3 a 6 mil quilos de rapadura por mês.

São sete colaboradores diretos que trabalham em

todas as etapas produtivas da rapadura, inclusive

no transporte dos produtos aos pontos de venda.

Cada quilo de rapadura é vendido pelo valor de 10

reais. Para facilitar a comercialização, Paulo revela

que as rapaduras são separadas em pacotes com

12 tabletes de 25 gramas cada um. “Tudo o que

produzo é vendido aos comerciantes da região. A

meta agora é expandir a produção, ganhar novos

clientes e alcançar novos mercados”, acrescenta.

Quem também se beneficia da cadeia produtiva da

cana no Estado é o casal José Afonso Maiochi e

Isabela Lopes de Moraes (foto ao lado), que conseguiu

consolidar a cachaçaria como um dos atrativos

turísticos de Caldas Novas e incentivar o setor comercial

na região. Ele, técnico mecânico e engenheiro

ambiental, e ela, técnica em contabilidade, iniciaram

nessa atividade em 1995, com a abertura da

Cachaçaria Vale das Águas Quentes, oferecendo no

mercado quatro tipos diferentes de cachaça, 11 de

licores, sorvetes de creme com rapadura, melado,

entre outros. “Como recebemos mais de 500 mil

turistas por ano, procuramos ter produtos regionais,

valorizando a nossa cultura e estimulando a economia,

pois para abastecer esse público é necessário

também terceirizar parte da produção”, revela Isabela.

Quase todos os produtos da Vale das Águas

Quentes são produzidos em estrutura própria da

empresa, com área total construída de aproximadamente

1.000 metros quadrados. O local possui

alambique, onde é fabricada a cachaça, adega de

envelhecimento, enchedora, fábrica de licores,

doces e sorvete. São 200 tonéis de 200 litros e

mais dois de 10 mil litros cada para ‘curtir’ a

cachaça. Já os produtos são comercializados na

loja, localizada na cidade de Caldas Novas. O consumidor

tem a opção de escolher quatro tipos –

Barril 12, Sênior, Ouro e Prata. Cerca de 60 mil

litros de cachaça são produzidos por ano.

Edmar Wellington

Reação em cadeia

Há mais de 17 anos no mercado de distribuição

de equipamentos de segurança no

trabalho (foto abaixo), a Kapitão América

tem registrado, com o setor sucroenergético,

um dos maiores faturamentos da empresa.

Segundo o proprietário do estabelecimento,

Rafael Lousa, o segmento é hoje o

de maior representação para a Kapitão

América, respondendo por mais de 25% das

receitas. “Isso se deve à pujança e dinamismo

do setor. Temos acompanhado os investimentos

na área e aproveitado a expansão

no Centro-Oeste”, explica. Atualmente, a

empresa atende mais de 25 usinas diretamente

e outras de forma indireta, por meio

de comércios terceirizados que adquirem

produtos junto à empresa.

A Maktractor Comércio e Serviço é outro

exemplo de empresa que cresce no mercado

goiano por causa da cana-de-açúcar. Há 10

anos voltada para os segmentos de mineração,

construção civil e unidades industriais

de etanol e açúcar, a empresa oferece

materiais rodantes como tratores e

colheitadeiras de esteiras, que têm sido

utilizados pelas usinas. Segundo uma das

proprietárias da empresa, Nádia Gomides,

40% do faturamento da Maktractor é

oriundo das indústrias do setor sucroenergético.

“Dependemos da cana para o nosso

negócio, assim como outros setores

comerciais. Inclusive nossos fornecedores

também dependem e são beneficiados por

essa área agrícola. É uma reação em

cadeia, pois um segmento precisa do outro

e por assim vai, sendo que no fim todos

são impactados pelo setor sucroenergético”,

afirma.

O sol é para todos

Investimentos

em pesquisa e

desenvolvimento

devem levar

energia solar à

rede já em 2013

Fábio Stacke, da Aneel: projeto busca

viabilizar energia solar em rede

Igor Augusto Pereira

País conhecido pela alta insolação durante

todo o ano, o Brasil ainda utiliza pouco a

energia solar como fonte para geração de

eletricidade. Por outro lado, o otimismo internacional

e a instituição de novas políticas governamentais

devem mudar esse cenário em breve.

Segundo um estudo internacional do Institute of

Electrical and Eletronic Engineers, maior entidade de

pesquisa na área, os sistemas fotovoltaicos (que convertem

luz solar em energia elétrica) devem ser a

alternativa mais econômica para o abastecimento

doméstico e industrial, tomando a linha de frente na

matriz energética mundial nos próximos 10 anos.

No Brasil, o estudo “Análise da Inserção da

Energia Solar na Matriz Elétrica Brasileira”, da

Empresa de Pesquisa Energética, aponta a necessidade

de reduzir os custos da produção por

meio de ganhos de escala. De acordo com o

documento, a contratação da geração fotovoltaica

centralizada por leilões específicos seria

uma estratégia para viabilizar a competitividade

do setor no País.

“Os montantes contratados deveriam ser reduzidos

em relação à demanda total do Sistema Interligado

Nacional, tendo em conta os preços não competitivos

com outras fontes; porém, deveriam ser minimamente

suficientes para viabilizar o desenvolvimento inicial de

uma cadeia produtiva”, conclui o documento.

Para isso, o País conta com uma importante vantagem:

a disponibilidade de jazidas de quartzo –

material utilizado para produção de células e módulos

solares. O que faltava, até então, era reunir

conhecimentos para levar a energia solar à rede,

missão que começa a ser encabeçada pelo Projeto

Estratégico Arranjos Técnicos e Comerciais para

Inserção da Geração Solar Fotovoltaica na Matriz

Energética Brasileira, a Chamada 13 da Agência

Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Crescimento e competitividade

Nos últimos tempos vem sendo verificado,

em várias partes do mundo, um aumento de

instalações de energia solar térmica e fotovoltaica.

Uma alternativa ecológicamente correta

com tecnologia economicamente atraente e

competitiva. Países como Austrália, Israel, Japão,

Brasil, Chile e EUA estão na vanguarda desse

uso. Na Europa, a energia solar fotovoltaica

registra forte crescimento, de 16,6 GW instalados

em 2010 para 27,7 GW em 2011, um

aumento de 70%, de acordo com relatório

publicado pela Associação Europeia da Indústria

Fotovoltaica (EPIA). Da capacidade mundial instalada,

21 GW correspondem à Europa, o que

representa quase 76% do total. Este continente

se caracteriza fundamentalmente por ser o

único com 3 mercados que superam o GW instalado

(Itália, Alemanha e França).

A Itália se tornou o primeiro líder mundial

em capacidade instalada, tal como aconteceu

com a Espanha em 2008. Já a Alemanha

segue em forte crescimento de mercado, chegando

a 7,5 GW. O mercado francês registrou

aproximadamente 1,5 GW, principalmente

como resultado de projetos iniciados

em 2010. Por sua vez, a

A iniciativa busca direcionar recursos para o

desenvolvimento de ideias que viabilizem essa fonte.

Mais de 90 empresas apresentaram projetos à Aneel,

dos quais 18 foram aprovados. Segundo a agência, a

capacidade instalada de geração solar deve chegar a

25 megawatts-pico (atualmente, são menos de

dois), permitindo, pela primeira vez, que a energia

produzida seja distribuída para os consumidores.

O montante inicial dos projetos chega a R$ 410

milhões. A nova capacidade corresponderá a 25 mil

unidades consumidoras, distribuídas por todo o País.

“O payback (retorno) desse investimento está estimado

em menos de sete anos, enquanto os equipamentos

duram até 25”, explica o gerente de Pesquisa

e Desenvolvimento da Aneel, Fábio Stacke Silva.

De acordo com o pesquisador, a Chamada 13

mira desenvolver tecnologia nacional com boas

práticas já consolidadas no exterior. “A Alemanha

tem duas Itaipus instaladas em telhados de suas

casas. Temos condições de fazer com que isso ocorra

aqui também. Nosso pior ponto de insolação é

melhor do que o melhor deles”, argumenta.

Com prazo de execução de 36 meses, o projeto já

mira uma grande vitrine internacional. Quatro estádios

da Copa do Mundo FIFA, em 2014, já estão se

preparando para receber a energia gerada: Itaquerão

(SP), Castelão (CE), Arena Pernambuco (PE) e Arena

da Baixada (PR).

Outros projetos aprovados, como o da Tractebel

Energia, ainda não definiram a região onde serão

instalados. “A empresa vai colocar sete plantas- piloto

em funcionamento e decidir, a partir daí, onde

colocar a planta maior”, explica Stacke.

Com os resultados da Chamada 13 em mãos, a

Aneel espera formatar um futuro leilão para a energia

fotovoltaica brasileira, estabelecendo políticas

cada vez mais consistentes para sua inserção na

matriz energética. “Nosso desafio é encontrar um

equilíbrio entre a modicidade tarifária e o estabelecimento

de novas tecnologias”, argumenta Stacke.

Inglaterra alcançou 700 MW em 2011. Outros

mercados de menor importância na Europa

registram margens iniciais como Bélgica (550

MW), Espanha (400 MW), Eslováquia (350

MW) e Grécia (350 MW).

20 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 21


Logística

Para que o lucro não

se perca no caminho

Usinas têm investido

cada vez mais na

manutenção de

estradas vicinais,

utilizando tecnologias e

produtos que garantam

melhor conservação e

que evitam danos ao

meio ambiente

Fernando Dantas

O

transporte de cana-de-açúcar da

área agrícola para as unidades industriais

e o escoamento de seus derivados,

como etanol e açúcar, para os

centros de distribuição, não são realizados

apenas por rodovias e hidrovias. Por causa da

localização das usinas na zona rural, as estradas

vicinais, também conhecidas por estradas

de ‘chão’, representam importante meio para

o transporte dessa carga no Brasil. Em alguns

locais, essas vias são a única ligação para

escoar a produção e ligar usinas às cidades.

Mas, assim como nos outros meios, as estradas

vicinais requerem cuidados e manutenção

o ano todo, principalmente para garantir que

o produto chegue ao destino e evitar perdas

no caminho. Sem a devida conservação, os

impactos negativos podem ser econômicos e

ambientais, inclusive com a perda de solo pela

ação das águas, que leva à formação de processos

erosivos, tanto no leito como no entorno

das vias de circulação.

Um exemplo de empresa que adota a política

de realizar constantemente a conservação

de suas vias de transporte é a Raízen. Na unidade

localizada em Jataí (GO), que possui seis

acessos diretos feitos por estradas internas,

municipais e estaduais, são 430 quilômetros de

estradas de uso comum para todas as atividades

do agronegócio da região, inclusive escoamento

de produção e ligação de populações

rurais às cidades mais próximas. Para reduzir

custos e as manutenções de veículos, a unidade

tem utilizado equipe e máquinas próprias e

de terceiros, estudos de topografia e até parcerias

para conservar as vias e melhorar o tráfego

de veículos no entorno da usina.

Segundo o gerente agroindustrial regional

da Raízen, Walter Ventura Ferreira, essa política

é adotada porque entre 400 e 450 veículos

estão em operação diariamente na empresa. E

outros 300 a 400 veículos realizam atividades

diversas na usina. Walter explica que entre as

práticas de manutenção adotadas estão a

Estradas bem conservadas evitam perdas de produção e reduzem custos com a manutenção dos veículos

conservação com motoniveladoras e aplicação de

água para redução da poeira, em períodos de

seca. No período chuvoso a manutenção é focada

na remoção das águas para fora da estrada, com

motoniveladoras e pá carregadeira, além de cascalhamento.

Outra medida que integra a rotina

da unidade é a política de conscientização, com

treinamento de direção segura e defensiva, sinalização,

construção de trevos de acesso, manutenção

adequada de veículos, redutores de velocidade,

utilização de faróis acesos durante o trânsito,

fiscalização de tacógrafo e limitação de velocidade,

entre outros.

Tecnologias

Devido à importância de manter as estradas

vicinais em excelente qualidade de tráfego para

a agropecuária brasileira, empresas passaram a

estudar e investiram em tecnologias para evitar

problemas que afetam a logística de transporte

de carga nessas vias. Uma tecnologia que é destaque

em mais de 110 países é o Con-Aid CBR

Plus, que possui no Brasil clientes como Petrobras,

Vale, Raízen, Cenibra e Odebrecht. A tecnologia é

um produto líquido complexo reativo ao cátion,

fabricado especificamente para a estabilização

permanente de solos. O Con-Aid CBR Plus muda

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a natureza das propriedades de absorção da

água dos solos de hidrófila (afinidade por água)

para hidrófoba (repelente a água), especialmente

das partículas de mineral de argila. Segundo o

gerente de Negócios da Conaid Brasil, Ricardo

Cruz, é um produto que não necessita de reagentes

como cal, sulfato de alumínio, cimento

ou hidróxido de cálcio. O tratamento é somente

com água, produto e solo, tornando a camada

estabilizada, flexível e permeável.

Ricardo Cruz ressalta que entre os benefícios

do produto estão a substituição do cascalho, cada

vez mais caro pelo frete e dificuldade no licenciamento

de novas jazidas, e o travamento do cascalho

existente, já que a maioria das usinas já o

possui em suas principais estradas. “Porém, este

cascalho tem em sua composição solo argiloso

que, em contato com a água, perde resistência e o

travamento do material pétreo. Com isso, as

pedras afloram e o solo é deslocado para os bordos

das estradas, sendo carreado pelas águas

pluviais. O produto possibilita o travamento da

massa de solo, dando-lhe resistência diante das

chuvas e evitando este efeito prejudicial ao meioambiente”,

reforça.

Por meio das experiências já desenvolvidas em

unidades industriais, o gerente informa que é

possível perceber economia, como a redução em

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75% da utilização de caminhão-pipa e a redução

do desprendimento de pó em até 80%, mais

conforto na trafegabilidade evitando a perda de

parte da safra pelas estradas e melhoria da qualidade

de vida para os moradores circunvizinhos

das estradas.

Manuseio

O Con-Aid CBR Plus tem sido vendido em tambores

de 52,6 litros com rendimento de 10.520,00 m² e

espessura já compactada de 15 cm. Possibilita uma

redução na construção de até 50%. Ricardo explica

que a aplicação do produto é semelhante a dos

revestimentos primários (cascalho/saibro).

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22 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 23


Seminário

Canal Sucroeste

supera expectativas

Evento realizado

durante a 3ª Mostra

Sucroeste, em outubro,

discutiu futuro do setor

sucroenergético, além

de expor tecnologias

de ponta que tornam a

atividade mais lucrativa

Hélio Belai, coordenador

técnico do evento

José Luiz Olivério, vice-presidente

da Dedini

a recuperação da indústria

sucroenergética é necessário um

tripé, que consiste em políticas

“Para

públicas, esclarecimento da sociedade

e conscientização do setor em si”, declarou

José Luiz Olivério, vice-presidente do grupo Dedini

S/A, durante sua palestra no 2° Seminário Canal

Sucroeste, realizado no dia 19 de outubro. O

seminário, que integrou a programação da

Mostra Sucroenergética Centro-Oeste (Sucroeste),

evento paralelo à 8ª Ffatia (Feira de Fornecedores

e Atualização Tecnológica da Indústria de

Alimentação), teve como premissa a capacitação

de profissionais do setor. No total, foram ministradas

seis palestras com especialistas de renome,

além de outras duas voltadas para a exposição de

novidades tecnológicas e de serviços.

A mesa do seminário foi composta por João

Saccomano, gerente regional de Produção

Agrícola da Raízen e presidente do evento, Hélio

Belai, diretor de marketing do Gemea e coordenador

técnico do seminário, Paulo Montabone,

gerente comercial da Reed Multiplus, César

Rezende, diretor executivo do jornal Canal

Bioenergia, e Mirian Tomé, diretora do jornal

Canal Bioenergia. Para Mirian Tomé, as expectativas

para esta edição foram cumpridas. “O 2°

Canal Sucroeste confirmou as expectativas positivas

da direção da MAC Editora e Jornalismo,

porque reuniu representantes de vários elos da

cadeia produtiva do setor sucroenergético. É

importante ressaltar também o elevado nível dos

palestrantes que abrilhantaram o evento. Todos

eles são extremamente conceituados em suas

áreas e ministraram palestras com informações

estratégicas e atualizadas sobre os vários temas

abordados no seminário”, afirmou. A diretora do

Canal Bioenergia também destacou que a terceira

edição do seminário, prevista para 2013, já está

sendo preparada.

Seminário

A primeira palestra, ministrada pelo diretor- presidente

da empresa Fermentec, Henrique Vianna

Amorim, tratou sobre o tema “Reduzindo as Perdas

com Leveduras Personalizadas”. O palestrante

explanou que, “a partir de uma seleção destas leveduras,

de acordo com o perfil e a finalidade da

usina, é possível aumentar a produtividade e, consequentemente,

o aproveitamento de todas as

partes da cana-de-açúcar”. A descoberta das leveduras

selecionadas, que trouxe um alto rendimento

para a fermentação, pode ser considerada um

divisor de águas.

Entre os fatores que podem causar prejuízos à

fermentação os principais são a acidez (relacionada

com a maturação, variedade, época da colheita e

mecanização de plantio e colheita) e a contaminação

bacteriana. Com acompanhamento feito em

unidades industriais, Henrique Amorim mostrou que,

além da menor contaminação, o uso de leveduras

selecionadas praticamente dobra a velocidade da

fermentação, revelando-se muito mais eficiente que

leveduras de pão ou selvagens. “Nos últimos anos,

achávamos que as leveduras estavam perdendo

vigor, mas esta não era a realidade. Com a mecanização

dos processos, os meios em que elas atuavam

mudaram. Logo, elas também necessitaram de

desenvolvimento”, explicou.

Com o tema “A Expansão do Setor Sucroenergético

e Novos Projetos Greenfields no Brasil”, José Luiz

Olivério, vice-presidente da Dedini, finalizou a etapa

matutina do seminário. Segundo ele, até 2020

devem ser implantadas 120 novas usinas greenfield,

as chamadas “usinas do futuro”. Estes projetos propõem

o aproveitamento máximo da cana-de-açúcar

para todas as suas finalidades, seja etanol, açúcar,

bioenergia ou vinhaça, o que levaria o setor a um

novo boom, também em 2020. Para esta finalidade,

as usinas terão que -aumentar capacidade e produtividade

do maquinário, missão que só será possível

Fotos: João Faria

Seis palestras,

com especialistas

de renome, foram

apresentadas

durante o

seminário

caso elas trabalhem com eficiência, rendimento,

sustentabilidade, sinergia e integração – fatores que

são imprescindíveis para tal evolução.

“Nós sabemos produzir, porém, nestes últimos

anos, perdemos a mão. Não foram realizadas renovações

de culturas nos canaviais, os cuidados foram

relegados a segundo plano. É preciso retomar, reaprender

a linha de produção”, enfatizou José Luiz

Olivério. Ele ainda afirmou que políticas governamentais

são urgentes e que o setor deve pressionar

neste sentido. Além disso, a população brasileira deve

sentir-se estimulada a consumir etanol, colaborando

com a valorização do produto nacional. “Ou crescemos

ou abandonamos o mercado. Caso medidas não

sejam tomadas, ficaremos reduzidos eternamente a

uma mistura na gasolina”, finalizou.

Retomando as atividades no período vespertino,

André César Vitti, pesquisador da Agência

Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA),

apresentou o tema “Manejo e Uso de Fertilizantes

em Cana-de-Açúcar”. Como explicou o pesquisador,

“a função do manejo de fertilizantes é manter a água

no solo por mais tempo disponível, o que evita correção

e adubação de cana-planta e cana-socas,

controla pragas e impede que os níveis de compactação

no solo atinjam graus danosos”.

Segundo dados da União da Indústria de Canade-açúcar

(Unica), a utilização de fertilizantes na

cultura de cana-de-açúcar no Brasil é baixa (aproximadamente

0,425 tonelada por hectare). Isto se

deve, principalmente, à utilização de resíduos industriais

da produção do etanol e açúcar ( vinhaça e a

torta de filtro), como fertilizantes orgânicos.

Henrique Vianna Amorim, diretor-presidente da empresa Fermentec

Varlei Francisco, Gerente Coorporativo de CCT da

Raízen S/A, explanou questões sobre o “Plantio

Mecanizado com Sulcos Duplos e a Colheita em

Sulcos Duplos”. Com a ampliação do corte mecanizado,

as limitações e influências da adoção do espaçamento

alternado consistem na redução de produtividade

e de longevidade do canavial pelo tráfego

de equipamentos. Para atenuação destas consequências,

a práticas agrícola alternativa promove a

alteração do espaçamento de 1,40 m para 1,50 m,

planejamento da sulcação (rendimento da máquina),

uso de GPS e piloto automático no plantio e na

colheita, além da qualificação de operadores.

“Como resultado, temos melhor trafegabilidade

dos equipamentos mecanizados, maior possibilidade

de preservação das soqueiras, volume de exploração

radicular, eficiência de absorção do fertilizante,

longevidade do canavial e rendimento de

colhedora e menor consumo de diesel, quebra dos

equipamentos e velocidade de operação”, afirmou.

O palestrante também informou aos presentes as

melhores técnicas para plantio e colheita em sulcos

duplos, além dos cuidados a serem tomados

para o sucesso da operação.

Fechando a segunda edição do Seminário Canal

Sucroeste, André Rocha, presidente executivo do

Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol e

Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar),

apresentou os “Cenários do Setor Sucroenergético”.

Em um retrospecto da última década, ele ilustrou

que entre os anos de 2003 e 2008 o setor apresentou

um crescimento “chinês”, acima de 10% ao

24 24 • CANAL, • CANAL, Jornal Jornal da Bioenergia da Bioenergia

Outubro de 2012 • 25


Evento

Com volume de negócios acima do esperado,

8ª Ffatia se consolida e agrada expositores

Número de negócios

e contratos firmados

supera expectativas das

empresas expositoras,

que já planejam

participar da 9ª edição

da Ffatia, em 2014.

Objetivo para a próxima

feira é atrair novos

expositores estrangeiros

Mirian Tomé, diretora do jornal Canal Bioenergia, destacou o elevado nível dos palestrantes que abordaram temas estratégicos para o setor sucroenergético

ano, e entre os anos de 2008 e 2010 um crescimento

de 3,5%, sendo 2010 o ano recorde de safra para

o Estado de Goiás. “Acredito que ainda neste mês de

outubro superaremos a safra de 2010, com aproximadamente

500 milhões de toneladas de cana-de-

-açúcar em todo Brasil”, afirmou.

Para a próxima safra, ele acredita que o País alcançará

algo em torno de 570 milhões de toneladas,

sendo metade deste total direcionada para a produção

de açúcar e a outra metade para a produção de

etanol. “O setor apenas pede ao governo um tratamento

igualitário em relação aos demais, para que

possamos alcançar o potencial máximo possível”,

explicou. Além destas questões, André também destacou

a necessidade da volta da mistura de etanol na

gasolina, de 20% para 25%, a queda do Açúcar Total

Recuperável (ATR) e a safra de cana-de-açúcar da

Índia, acreditando que esta não corresponderá às

expectativas do mercado. Para André Rocha, esta

edição do seminário mostra que o setor possui diversos

desafios, mas todos eles vêm acompanhados de

inúmeras oportunidades. “Em um evento como este,

são apresentados contatos, informações e transferência

de conhecimentos, fatores imprescindíveis

para o crescimento de qualquer ramo”, asseverou.

UMA PUBLICAÇÃO DA

MAC EDITORA E JORNALISMO

João Saccomano, gerente regional de Produção Agrícola da Raízen e presidente do evento

Empresas

Parte do seminário consistiu em apresentação de

produtos e serviços por parte de empresas especializadas

no setor sucroenergético. O grupo Alusolda fez a

exposição das “Vantagens da Locação de Equipamentos”.

Segundo o diretor da empresa, Paulo César Bessa, com

o aluguel de equipamentos é possível “garantir um

maior capital para manutenção preventiva, permitindo

a continuidade de processamento da usina e evitando

quebra do maquinário”. Esta economia se deve

ao fato de que, com o aluguel, a usina polpa impostos,

como IRPJ, CSLL, PIS Cofins e, no caso de compras de

produtos de outros Estados, ICMS.

Além deste aspecto, a locação garante uma substituição

imediata de máquinas com defeito, enquanto

a compra de produtos novos implica em uma

espera de pelo menos 35 dias. Fundado em 1987, o

grupo tem sua matriz em Aparecida de Goiânia e

uma filial em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, sendo

especialista em locações de solda, corte e aparelhos

para construção civil.

dez anos no mercado, a Ionix atende o mercado

com produtos como chapas, tubos, barras e conexões

em aço inoxidável e carbono. Como foi apresentado

pela diretora da empresa, Hosana Loyola, as

vantagens da utilização de materiais em inox incluem:

menor poluição, pois não requer pintura ou revestimento

de epóxi na lateral; instalação simples; boa

flexibilidade, eliminando possíveis vazamentos e

tetos de estresse; e recolocação simplificada.

“Não oferecemos toneladas de produtos, por sermos

uma empresa pequena. Porém, em situações

emergenciais, sobressaímos em relação a grandes

distribuidoras, garantindo preço e atendimento qualificado”,

afirmou a diretora. Hosana Loyola também

expôs novidades de ponta da empresa, como aço

inox sanitário 304 e 316, linhas de aço 304 e 316

SCH, produtos galvanizados e ralos e grelhas em aço

inox, entre outros.

As inovações tecnológicas em produtos e

serviços oferecidas pelas 180 empresas

expositoras da 8ª edição da Feira de

Fornecedores e Atualização Tecnológica da

Indústria de Alimentação (Ffatia) chamaram a atenção

do público e resultaram em grande volume de

negociações durante o evento. Com empresas mais

qualificadas e a visitação de 23.800 profissionais de

20 Estados brasileiros, a Ffatia conseguiu reunir em

um único espaço as novidades para empresários,

industriais e profissionais de pequeno a grande

porte, principalmente da área de alimentação. A

Feira também agradou aos expositores, que tiveram

a oportunidade de fechar importantes negócios ou

mesmo sinalizar com propostas futuras. Com isso, a

estimativa dos organizadores é que a Ffatia tenha

superado os números da feira anterior, garantindo a

quantia de R$ 180 milhões em negócios para os

próximos seis meses.

A Atago Brasil, de Ribeirão Preto (SP), participou

pela primeira vez da Ffatia. Segundo o diretor da

empresa, Wagner Conceição, a estimativa é que nos

quatro dias de feira foram comercializados cerca de

US$ 100 mil em produtos na área de equipamentos

para laboratório. “A resposta de público, assim como

de transações e novos contatos durante a Rodada de

Negócios, foi tão positiva que planejamos abrir uma

filial no Estado de Goiás”, afirma. Ele ainda cita Goiás

como um estado aberto a múltiplas negociações,

com um amplo espaço de crescimento para diversos

setores relacionados a indústrias.

Para a Maktractor Comércio e Serviços, que levou

para a feira novidades em produtos e serviços como

material rodante e ferramentas para penetração do

solo, a Ffatia superou as expectativas. A proprietária

da empresa, Nádia Gomides, estima que a empresa

tenha fechado contratos no valor de R$ 500 mil e

com negociações para outros contratos. “O resultado

foi acima do esperado, por isso, com certeza estaremos

presente na próxima edição, esperando ultrapassar

os índices e contratos firmados na edição de

2012”, reforça.

A Kapitão América, empresa que atua no segmento

de segurança no trabalho, também esteve presente

no evento. Sem divulgar números de comercialização

ou possíveis contratos firmados, a empresa apenas

confirma que, com os resultados desse ano, a

Ffatia fará parte do calendário da Kapitão América.

Voltada para a fabricação e a venda de máquinas

Rodada de Negócios movimenta

R$ 7,5 milhões em dois dias

Um espaço multissetorial para negociações,

parcerias e outros arranjos produtivos se formou

nos dias 17 e 18 de outubro no Centro de

Convenções de Goiânia. Intitulada Grande

Rodada de Negócios, a atividade fez parte da

Ffatia e reuniu diversas empresas da cadeia produtiva

do setor.

Durante os dois dias, aproximadamente 30

expositores apresentaram seus produtos e serviços

a 20 representantes de grandes empresas

alimentícias. Segundo a coordenadora da Grande

Rodada de Negócios, Juliana Salles, foi contabilizada,

já no evento, uma movimentação de

quase R$ 7,5 milhões. As empresas Caramuru

Alimentos, Cosan, Energética Serranópolis e Velly

Alimentos registraram as negociações mais elevadas

entre os compradores.

Com estande na Ffatia, a Transmiservice, que

oferece serviços de manutenção, foi um dos

destaques entre os fornecedores. “Conseguimos

realizar uma boa prospecção de negócios, já

saindo das rodadas com visitas técnicas agendadas”,

explica o diretor executivo da empresa,

Mateus Marcelo Rodrigues. Com uma unidade

industrial em Sertãozinho (SP) e um escritório

em Santos (SP), a Transmiservice espera instalar,

em breve, um posto no Centro-Oeste. “A Ffatia

nos deu uma visão bem interessante dos pontos

positivos dessa Região”, afirma.

“No dia a dia, costumamos divulgar nossa

marca remotamente, com telefone e e-mail. O

evento serviu para proporcionar o contato direto

com nosso público-alvo”, afirma Max Rosa, analista

de Vendas da Maktractor, que contabilizou

com apenas um cliente, mais de R$ 500 mil em

e equipamentos para a separação de microsólidos

insolúveis, a Mecat, empresa com sede em Abadia de

Goiânia (GO), ofereceu na feira equipamentos, principalmente

para o setor sucroenergético. É o caso do

Rockfilter, máquina que faz a separação do sólido e

líquido e que tem valor de, aproximadamente, R$

negócios fechados.

Bom resultado, data marcada

Colhendo ainda resultados positivos, a Ffatia

já confirmou a data da próxima edição do evento.

Com expectativa de superar todos os números

deste ano, a Feira em 2014 será realizada

entre os dias 28 e 31 de outubro, no Centro de

Convenções de Goiânia. De acordo com Fernando

Barbosa, diretor da Reed Multiplus, marca associada

à Reed Exhibitions Alcantara Machado e

organizadora da Ffatia, um dos objetivos agora é

tornar a feira internacional, buscando, por meio

de parcerias, aumentar o número de expositores

estrangeiros.

Mostra Sucroenergética

Ocupando o segundo lugar na produção de

cana-de-açúcar no Brasil e com números que

impactam positivamente a economia nacional,

por meio da geração de mais de 200 mil empregos

diretos e indiretos apenas em Goiás, o setor

sucroenergético também foi destaque em uma

atividade paralela à Ffatia: a 3ª Mostra

Sucroenergética do Centro-Oeste (Sucroeste).

Empresas de todo o país fabricantes de produtos,

equipamentos e serviços para usinas de açúcar e

etanol apresentaram sua novidades durante a

Mostra, favorecendo ainda troca de conhecimento,

inovações e experiências. O 2° Seminário

Canal Sucroeste realizado no último dia da feira

reuniu mais de 200 profissionais do setor sucroenergético.

Na ocasião, temas relacionados a

cadeia produtiva da cana-de-açúcar foram

debatidos.

300 mil. De acordo com a empresa, a participação na

Ffatia foi relevante por apresentar ao público tecnologias

nacionais e ainda negociar futuras vendas.

Sem revelar valores fechados durante a Ffatia, ao

Mecat reforça que a meta agora é preparar inovações

tecnológicas para a próxima edição, em 2014.

26 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 27


Reflorestamento

Entrevista Daniela da Silva Pereira, Esalq/USP

Qualidade das mudas faz a diferença

A compensação

vem em forma

de floresta

Projetos de reflorestamento cada vez mais modernos

garantem maior equilíbrio entre a necessidade de

produção e a preservação do meio ambiente

Igor Augusto Pereira

País tropical, conhecido mundialmente pela

beleza de suas florestas, o Brasil deve ficar

mais verde em breve. Se colocado em prática,

o novo texto do Código Florestal irá proporcionar

a recuperação de cerca de 30 milhões de hectares,

segundo levantamento do Ministério do

Desenvolvimento Agrário. Controvérsias à parte, o

dispositivo altera lei de 1965 e prevê regras que conciliem

a preservação dos ecossistemas e os interesses

da produção agrícola. E mais: transforma a área não

desmatada em um ativo da propriedade, estabelecendo

formas de reconhecer quem preserva.

Para a advogada especialista em Direito Ambiental

Daniele Limiro, as atividades realizadas em zona rural

serão afetadas positivamente. “Antes, as reservas

legais extrapropriedade deveriam ser instaladas na

mesma microbacia. Com a reforma, essa cota pode

estar em qualquer lugar, desde que em um bioma

correspondente. Assim, quem tem áreas excedentes

pode disponibilizá-las para outros produtores”, explica.

Na prática, é possível manter uma reserva a quilômetros

de distância da região produtora, assegurando

a produção em solos agrícolas e a biodiversidade

em zonas florestais.

Além das divergências entre ambientalistas e agricultores,

o Código Florestal Brasileiro é, ainda, alvo de

discussões entre o governo federal e os órgãos estaduais.

Segundo a jurista, ainda existe uma polêmica a

respeito da eficácia da lei nos Estados em que há

normas próprias, baseadas no dispositivo antigo. Ela

esclarece, no entanto, que as questões aprovadas

nacionalmente são aplicadas automaticamente às

federações. “A Constituição é expressa: se houver

uma lei federal que seja superveniente a uma estadual,

prevalece a primeira. A partir do momento em que

uma nova norma entra em vigor, ela se estende a

todas as regiões”.

Em outubro, a presidenta Dilma Rousseff anunciou

Para a advogada Daniele Limiro os impactos

do novo Código Florestal Brasileiro serão positivos

um decreto que normatiza o Cadastro Ambiental Rural

(CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA)

– o último, com regras mais flexíveis. O documento

reúne regras para o planejamento ambiental e econômico

do uso do solo, englobando áreas que foram

desmatadas até julho de 2008. Quem tiver desmatado

após esta data não poderá aderir ao programa e deverá

cumprir ao pé da letra as exigências do Código

Florestal. Com o PRA, o produtor terá mais alternativas

para solucionar seus passivos ambientais e se adequar

às novas exigências. Os interessados poderão assinar

termos de compromisso com o governo para regularizar

suas áreas e, durante o período de vigência, não

estarão sujeitos a punição por crimes ambientais.

Na prática, haverá um banco de dados nacional

em que, auxiliados pelos órgãos ambientais de cada

Estado, os produtores poderão cadastrar informações

sobre as propriedades, como localização, perímetro e

vegetação nativa. Quem estiver dentro das normas

pode, inclusive, ter acesso a incentivos financeiros

para serviços ambientais. “É uma solução que deixa

menor desequilíbrio entre os anseios do produtor e as

necessidades ambientais”, explica a advogada especialista

em Direito Ambiental.

Antes mesmo do início das discussões sobre o novo

Código Florestal Brasileiro, proprietários de áreas agrícolas

de todo o Brasil já se movimentavam para recuperar

áreas degradadas. “Diferente do que muita gente

pensa, para quem trabalha tendo os recursos naturais

como base é estratégico assegurar a biodiversidade e

preservar recursos hídricos. Quanto mais preservamos,

mais garantias temos de que essa água vai estar disponível

no volume e na qualidade necessárias”, avalia a

bióloga Patrícia Thieme, que presta serviços às usinas

Goianésia e Energética São Simão, em Goiás.

Segundo Patrícia Thieme, que também coordena o

Comitê Temático de Meio Ambiente do Sindicato das

Fabricantes de Açúcar e Etanol (Sifaeg/Sifaçucar),

mais de um milhão de espécies nativas foram plantadas

no Estado nas três últimas safras. O levantamento

incluiu 18 das 34 usinas em operação no Estado, que

contabilizam uma capacidade de produção anual

superior a 400 mil mudas. Goiás ocupa, atualmente,

o segundo lugar no ranking dos Estados produtores

de cana-de-açúcar no País.

A Usina Batatais, localizada no município de

mesmo nome, no interior de São Paulo, também

investe em práticas para a recomposição vegetal. Até

o final de 2012, deve ser concluído o plantio de dois

milhões de mudas nativas em fazendas utilizadas

para plantio, incluindo áreas próprias e de parceiros.

Segundo o gerente de Fitotecnia da unidade, Marcelo

Ricardo Palu Junqueira, parte do trabalho foi realizado

com a consultoria da Escola Superior de Agricultura

Luiz de Queiroz (Esalq/USP). “Foram feitos levantamentos

de todas as APPs das propriedades em que há

manejo de cana-de-açúcar pela empresas ou por

fornecedores e estruturado um programa próprio de

reflorestamento”, explica.

Para que o processo se consolidasse, a empresa

investiu na construção de um viveiro próprio, que

pode produzir até 180 mil mudas por ano, e apostou

na biodiversidade. “As espécies são todas nativas e são

consideradas prioritárias para a formação de uma

‘boa floresta’. Para isso, são necessárias, no mínimo, 80

espécies de ocorrência regional”, avalia Junqueira.

Para Patrícia Thieme, os efeitos positivos do reflorestamento

não chegam apenas à fauna e a flora das

regiões, uma vez que essas iniciativas despertam a

consciência da importância de produzir sem esgotar

os recursos naturais. “As empresas do setor sucroenergético

têm colocado em prática inúmeros programas

ambientais, dentro e fora do âmbito produtivo. O

reflorestamento é apenas uma estratégia pelo desenvolvimento

sustentável, que também é pautado pelo

monitoramento de efluentes, pelo controle de qualidade

das emissões de ar, dentre outros”, argumenta a

bióloga.

A engenheira florestal da Esalq/USP, Daniela da

Silva Pereira (foto), explica que a qualidade das

mudas é um fator importante para a restauração dos

biomas. Segundo a cientista, para que as florestas de

espécies arbóreas nativas possam alcançar um acúmulo

satisfatório de biomassa, o processo deve ser

cuidadoso. “É necessário identificar as deficiências

nas atividades silviculturais que podem afetar o

desenvolvimento da floresta. Entre os fatores que

influenciam diretamente em seu arranque inicial

estão a qualidade das mudas implantadas e práticas

silviculturais intensivas nos dois primeiros anos ou

até o fechamento das copas”, avalia.

Segundo a engenheira florestal, em seus estudos

ela observou uma alta mortalidade nas mudas

implantadas em áreas degradadas. “Foi aí que surgiu

a ideia de buscar respostas para solucionar alguns

problemas neste tipo de plantio”, conta. O campo de

estudo foi o reservatório de Borborema, que armazena

água para uma usina hidrelétrica da região.

Confira abaixo a entrevista exclusiva concedida pela

pesquisadora ao Canal – Jornal da Bioenergia:

Qual foi a motivação da pesquisa sobre

qualidade de mudas na restauração florestal

de matas ciliares?

Em virtude da alta mortalidade em

reflorestamentos que têm como objetivo a

restauração de áreas degradadas, surgiu a ideia de

buscar respostas em um estudo. O objetivo era

solucionar alguns problemas nesse tipo de plantio

de árvores. As respostas do experimento foram

capazes de mostrar quais os pontos chaves para

diminuir a alta mortalidade e diminuir, também,

os estresses ambientais que atrapalham o

desenvolvimento das plantas em campo.

A pesquisa foi realizada no reservatório de

Borborema, em São Paulo. Por que esse lugar

foi escolhido?

Essa cidade possui um reservatório de água para a

usina hidroelétrica de Promissão. Tanto o

reservatório quanto a usina pertencem à empresa

AES-Tietê, que subsidiou a pesquisa e

difícil

Está encontrar

suporte de verdade?

conheça a

PARAFUSOS

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Av. Circular, 561 Setor Pedro Ludovico - Goiânia/Goiás.

disponibilizou a área na margem de seu

reservatório. Além disso, esse local tem áreas com

drenagens diferentes de solo.

Que etapas e cuidados são necessários para

manter um nível de excelência na

restauração de florestas?

A qualidade de mudas demonstrou ser um ponto

que deve receber maior atenção. Muitas espécies

que classificamos como secundárias tardias, climax

ou mesmo chamadas de final de sucessão

ecológica demonstraram maior necessidade em

uma muda com maior biomassa (maior

quantidade de folhas, maior altura, maior

diâmetro do colo e maior densidade de raízes).

Então é preciso plantar mudas mais

desenvolvidas?

As mudas nativas são produzidas em tubetes de

56 cm3. Quando a muda é produzida em um

tubete com maior volume de substrato, que é

dado em tubetes de 290 cm3, ou mesmo em

tubetes de 120 cm3 ou 150 cm3, isso já

proporciona um tamanho de muda maior,

garantindo que os fatores que interferem na

biomassa sejam alcançados.

Que outros aspectos também são

determinantes para que essas mudas

“peguem”?

O estresse ambiental é o responsável por altíssima

mortalidade nesse tipo de reflorestamento. Para

eliminá-lo, práticas silviculturais são

extremamente necessárias desde a atividade de

plantio até todas as manutenções florestais,

enquanto as plantas ainda apresentarem

dificuldade de se desenvolverem nesse ambiente.

O experimento demonstrou que o controle de

mato-competição é o fator que mais colabora

para o melhor desenvolvimento das mudas em

qualquer tipo de área. A fertilização vem em

segundo lugar, como fator limitante para o

desenvolvimento das mudas.

Na sua avaliação, existe contradição entre a

expansão da atividade agropecuária e a

prática de reflorestamento?

A expansão agropecuária pode ocorrer se ela não

desmatar florestas nativas e substituí-las por

culturas agrícolas. Existem muitas áreas de

pastagens abandonadas que podem ser

remanejadas para outras culturas agrícolas.

Aplicando o manejo correto no solo, é possível

cultivar inúmeras culturas agrícolas, mesmo que

esse solo tenha sofrido degradação com as

pastagens mal manejadas. Porém, quando a

expansão agrícola está relacionada com o

desmatamento de florestas nativas, com certeza é

uma contradição a questão da conservação.

Qual é a função do governo nesse processo?

Ele deveria colaborar com os produtores rurais,

auxiliando nos recursos para as atividades de

reflorestamento em suas fazendas. Além disso,

deveria fornecer mais informações sobre os

benefícios da floresta e mesmo sobre os produtos

florestais não madeireiros que poderiam auxiliar

na renda familiar desse produtores. Enquanto os

produtores rurais tiverem a visão de que a APP e a

reserva legal são áreas que não tem função

nenhuma e que só servem para dar prejuízo,

dificilmente essas áreas serão reflorestadas

devidamente.

Preocupada sempre em comercializar e distribuir produtos

de qualidade diferenciada e tecnologia de ponta, a Circular

Parafusos vem destacando-se no cenário nacional ao

especializar-se cada vez mais no atendimento a usinas e

indústrias do segmento sucroenergético.

Televendas

(62) 3241-1613

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28 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 29


Theatro da Paz:

construção feita durante

a era da borracha, o local

já recebeu apresentações

das mais importantes

companhias

Terra de todos os ritmos

Misturando ares

cosmopolitas

e tradições

indígenas, Belém

do Pará encanta

pela generosidade

de sua cultura

e pelas belezas

naturais

Igor Augusto Pereira

do Pará tem praia?” A pergunta

aparece como uma das buscas mais

sugeridas pelo Google quando se

“Belém

trata do termo “Belém do Pará”. Aos

curiosos, Belém tem praia, sim. Banhada pela Baía

de Guajará, a capital paraense possui praias de

águas doce em que é possível relaxar nas areias

brancas, banhar-se ou até mesmo surfar. Mas nem

de água vive a terra que é a porta de entrada

para a Amazônia.

Além das belezas naturais, o lugar é apontado

por especialistas como a nova fronteira da cultura

brasileira, berço de artistas de renome na música

lírica e nas manifestações populares, como o

carimbó e o tecnobrega. Não por acaso, o Mais

Brasil desta edição preparou uma viagem visual,

auditiva e gastronômica pela terra de Fafá.

O visitante que chega desavisado ao Pará logo

sente o impacto do clima quente e úmido que

persiste durante todas as épocas do ano. A incidência

de uma chuva rápida e refrescante praticamente

todos os dias (o índice pluviométrico pode

chegar a quase 3 mil milímetros por ano), porém,

ajuda a amenizar o calor, além de regar as mangueiras

que ficam espalhadas por toda a cidade.

As árvores, aliás, formam grandes túneis verdes

que deram a Belém a alcunha de Cidade das

Mangueiras.

Batizada inicialmente como Santa Maria de

Belém do Grão-Pará, a cidade foi descoberta pelo

navegador português Francisco Caldeira Castelo

Branco em 1616. Na época, a região era habitada

por tribos xucurus. O apogeu de urbanização veio

no fim do século XVII, com o início do ciclo da

borracha. Na época, a cidade foi considerada a

grande metrópole do País.

Tanta prosperidade ajudou a erguer boa parte

das mansões coloniais de Belém, além do próprio

Theatro da Paz, um dos maiores cartões postais

da cidade. Reconhecido pela acústica impecável,

o local foi construído em 1878, antes mesmo do

Theatro Municipal de Manaus (1891), do Rio de

Janeiro (1910) e de São Paulo (1911). Não por

acaso, virou rota obrigatória das companhias

internacionais de ópera. O Theatro da Paz abriga,

todos os anos, um festival de ópera em que é

possível assistir apresentações pagando valores

que vão de R$ 20,00 a R$ 60,00. Este ano, é

realizado de outubro até o início de dezembro,

com recitais e concertos.

Além da infraestrutura luxuosa, Belém tem,

ainda, alguns dos talentos mais promissores da

música clássica mundial, como a soprano

Adriane Queiroz e o tenor Atalla Ayan, que

integram elencos de companhias européias. Ela

é uma ex-pedagoga que decidiu usar a adaptar

a educação musical ao conteúdo formal e foi

fisgada pelo canto lírico. Ele, um jovem de carreira

meteórica, já comparado pelo jornal The

New York Times ao cantor Placido Domingo.

Mas, como todo brasileiro sabe, é nos ritmos

mais populares que Belém encontra uma de suas

grandes vocações musicais. O híbrido de boi-

-bumbá com cavalo manco da Banda Calypso

embala o País desde o início dos anos 2000,

abrindo as portas para a consolidação de ritmos

como o carimbó, a guitarrada e o tecnobrega da

neodiva pop Gaby Amarantos.

Essas canções agitam algumas das festas mais

típicas do Pará: as “aparelhagens”. Realizados em

espaços abertos, com iluminação digna de superprodução,

tais eventos celebram a verdadeira

democracia da cultura local, com espaço para

diferentes tribos.

Quem busca espiritualidade também tem

lugar em Belém. O Círio do Nazaré, que acontece

no segundo domingo de outubro, é uma das

principais celebrações de devoção religiosa no

País e atraiu, este ano, mais de dois milhões de

fieis da Nossa Senhora de Nazaré à Basílica

Santuário.

Para aqueles que vão a Belém atrás de novos

cheiros e cores, um passeio imperdível é o

Mercado Ver-o-Peso, que reúne atrações históricas

e o comércio de ervas, frutas e peixes nativos.

O açaí é servido com farinha e peixe frito, mas há

outras opções para o paladar, como o tucupi, o

tacacá e a maniçoba.

Para confirmar a vocação “tipo exportação”

do Pará, o Estado será tema, no carnaval 2013,

do hino da Escola de Samba Imperatriz

Leopoldinense, do Rio de Janeiro. O enredo

“Pará, o Muiraquitã do Brasil” fala sobre a profunda

identificação com a cultura indígena, em

versos como “Até hoje é assim/ Pra falar de

riqueza pelas bandas daqui/ Tem que voltar pra

floresta” e “Nesse dia, quando o homem aprender

com a gente daqui/ A natureza respeitar/

Todo povo vai sair na rua pra cantar/ Nas terras

do Marajó, Santarém ou em Belém/ Nossa

gente vai festejar”.

Cinco locais imperdíveis

Theatro da Paz

Aberto a visitação

durante o dia e

com programação

cultural à noite, é

um dos mais

antigos espaços

para música erudita

no Brasil.

Localizado na Rua

da Paz, Centro.

Mercado Ver-o-Peso

Maior feira livre da

América Latina, está

sediado em uma

construção histórica

em que é possível

adquirir os mais

variados produtos

amazônicos e

experimentar os

ingredientes que estão

chamando a atenção

da alta gastronomia.

Fica na Cidade Velha.

Forte do

Presépio

Durante o dia, é

possível fazer uma

visita guiada ao

museu da história

marajoara. À noite,

a parte externa do

local encanta pela

bela iluminação.

Está na Praça Frei

Caetano Brandão.

Estação das Docas

Reúne velhos

galpões do Cais do

Porto, que foram

transformados em

um grande

complexo turístico.

Conta com diversas

opções

gastronômicas.

Localizado na

Avenida Boulevard

Castilho França.

Casa das Onze

Janelas

Construção colonial

que abriga um

museu de arte

moderna, às

margens da Baía de

Guajará. Tem um

restaurante ao

fundo. Na Praça Frei

Caetano Brandão.

30 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 31


Empresas e Mercado

Aplicativo da Basf agiliza

acesso a informações

Clientes e parceiros da Basf passam a ter

acesso ao serviço de notícias do mercado

agrícola fornecidos por meio da newsletter

AgroNews também por meio de um aplicativo

para smartphones. Esta versão do AgroNews

traz notícias do setor e a previsão do tempo

em todo o País, tendo como fonte

importantes instituições de mercado como o

Centro de Previsão de Tempo e Estudos

Climáticos (Cptec/Inpe) e o Portal Agrolink. As

informações disponibilizadas são atualizadas

a cada quinze minutos e seu download já

está disponível gratuitamente aos usuários

das plataformas iOS (Apple) e BlackyBerry.

Para Brenda Shu, gerente de Marketing

Digital da Unidade de Proteção de Cultivos da

Basf, o acesso a esse tipo de informação

atualizada online auxilia os agricultores em

seus negócios. “A agilidade no acesso às

informações é fator crítico de sucesso hoje

em dia. E no mercado agrícola não poderia

ser diferente. Cada vez mais a

competitividade depende de decisões

assertivas e ágeis. Assim, o AgroNews

disponibiliza informações em qualquer lugar

e a qualquer momento. Queremos apoiar

nossos clientes e parceiros por meio dessa

mobilidade”, comenta Brenda.

Em uma pesquisa realizada em maio de

2012 pelo Instituto Ipsos Marplan sob

encomenda do Google, o Brasil tem se

consolidado como o país da América Latina

que mais faz uso de telefones celulares. De

mil pessoas entrevistadas no País, 40%

afirmaram utilizar o modelo smartphone. E

50% delas ainda afirmaram realizar

pesquisas diariamente, seja pelo navegador

do aparelho ou ainda por meio do uso de

aplicativos. “Dados como estes endossam a

importância de uma ferramenta que dê mais

conectividade e mobilidade aos usuários.

Seguindo esta tendência, o AgroNews vai

diretamente ao encontro das reais

necessidades do agricultor.”

WEG-CESTARI participa da FFATIA 2012

A WEG-CESTARI, joint venture

formada pela união das empresas

WEG, maior fabricante de motores

elétricos do Brasil e uma das

maiores do mundo, e Cestari,

tradicional fabricante de redutores e

motorredutores brasileira, não

poderia deixar de participar da

edição 2012 da FFATIA, Feira de

Fornecedores e Atualização

Tecnológica da Indústria de

Alimentação, uma das principais

vitrines do setor industrial do

Centro Oeste brasileiro, com

representantes de diversos setores

da indústria alimentícia, como

açúcar e álcool, leite e derivados,

carne e grãos.

A WEG-CESTARI apresentou suas tradicionais

linhas de redutores e motorredutores, como as

linhas Helimax, de eixos paralelos ou ortogonais e

engrenagens retificadas, as linhas Magma e

Alumag, de coroa e rosca sem fim, e a família de

motorredutores, com as linhas Coaxial, Vertimax,

Magmax e Conimax, com destaque para a

possibilidade de fornecimento com motores e

especificações especiais, como a linha Wash,

dedicado justamente para o setor alimentício,

com um conjunto que permite a lavagem, com

vedação especial, pintura Nobac com tinta

Termomecanica completa 70 anos

Uma das maiores indústrias privadas

brasileiras e líder no setor de transformação de

metais não ferrosos cobre e suas ligas, em

produtos semielaborados e produtos acabados, a

Termomecanica comemora, em outubro de 2012,

70 anos de sua fundação. Em constante evolução,

é reconhecida no mercado por manter-se desde o

início comprometida com a inovação e com a

manutenção dos valores e tradições delineados

pelo Engenheiro Salvador Arena, seu fundador.

Em 2012, o faturamento consolidado da

Termomecanica deverá atingir a casa de R$ 1.400

antibactericida, placas e eixos em aço inox (se

houver necessidade), e lubrificante sintético grau

alimentício. Além disso, apresenta soluções

completas para acionamentos com alto grau de

eficiência energética, segundo padrões superiores

aos definidos pela atual legislação do setor.

Mostrou ainda o SERVICE WEG-CESTARI, que

oferece serviços de manutenção, reforma e

repotenciamento de redutores e motorredutores

de qualquer marca e modelo, garantindo um

serviço de qualidade, com rapidez e eficiência,

para todos os setores da indústria.

milhões, impulsionado pelas operações no Brasil,

no Chile e na Argentina.

De acordo com a presidente da companhia,

Regina Celi Venâncio, o êxito deve ser

primeiramente atribuído ao espírito visionário do

fundador, Engenheiro Salvador Arena, que com

um capital de US$ 200 construiu uma empresa

baseada em valores. Com sua inteligência e

engenhosidade, Arena conseguiu vislumbrar anos

à frente e preparar a Termomecanica para

manter-se como uma das grandes potências da

indústria.

V &M do BRASIL investe

em soluções customizadas

A relação estreita entre a V & M do

Brasil (VMB) e os seus clientes vem

possibilitando a Empresa colocar no

mercado novos produtos e soluções. A

siderúrgica com sede em Belo

Horizonte, Minas Gerais, desenvolve,

desde 2010, um programa de

consultoria chamado Field Solution,

que proporciona o desenvolvimento de

soluções tubulares adequadas para

diversos clientes e setores, entre eles o

de açúcar e etanol.

A proposta do Field Solution é

inovadora. A VMB, maior produtora de

tubos de aço sem costura no País, envia

às empresas clientes um grupo de

especialistas, formado por profissionais

nas áreas de gestão de projetos, inspeção

da qualidade, logística e armazenagem,

metalurgia, rastreabilidade dimensional

e documental, soldagem e tratamento

térmico. Durante a visita, os especialistas

conhecem melhor as necessidades e as

possibilidades de aplicações das soluções

tubulares VMB visando melhores

relações custo-benefício nos processos

de produção. Dessa consultoria, que é

gratuita, surgem soluções customizadas

para o desenvolvimento de novos

produtos e serviços com o objetivo de

agregar valor na aplicação final do tubo

de aço sem costura.

Danfoss do Brasil

A Danfoss está entre os líderes mundiais em

desenvolvimento e fabricação de controles

eletromecânicos e eletrônicos, soluções de

sistemas para indústrias de refrigeração, ar

condicionado, aquecimento e acionamento de

motores elétricos. A Danfoss emprega mais de

23.000 funcionários em todo o mundo, possui

fábricas nos cinco continentes e escritórios de

vendas em 110 países.

Hoje, a Danfoss é especializada na produção

de vários itens direcionados às aplicações no

mercado industrial, como conversores de

frequência, soft starters, instrumentação e

controles industriais além de uma completa

linha de compressores e controles para o

mercado de refrigeração.

A John Deere subiu 12 posições no ranking das

100 marcas mais valiosas do mundo, chegando

ao número 85 da lista “Best Global Brands 2012

da consultoria internacional Interbrand. O

ranking é referência mundial no setor e classifica

as empresas segundo o desempenho financeiro, a

influência e a força das suas marcas. No caso da

John Deere, houve uma valorização de 16% em

relação ao ano anterior.

Nosso maior desafio é continuar expandindo a

compreensão das pessoas de que a John Deere é

muito mais que um fornecedor de equipamentos,

é um fornecedor de soluções”, diz Frances

Emerson, vice-presidente de Comunicações

Dedicação tem sido a palavra chave desde

1968, quando a Danfoss Drives lançou o

primeiro conversor de velocidade variável do

mundo produzido em série para motores CA - e

o batizou de VLT®.

A Drives tem responsabilidade por cada

elemento de seus produtos. O fato de desenvolver

e produzir seus próprios recursos, hardwares,

softwares, módulos de potência, placas de

circuito impressos e acessórios é a garantia de

seus clientes de produtos confiáveis.

John Deere sobe no ranking das marcas mais valiosas do mundo

Corporativas e Gestão de Marca Global da

empresa. “Queremos que nossos clientes nos

vejam cada vez mais como um importante

parceiro no sucesso do seu negócio, em qualquer

lugar do mundo”, assinala Emerson.

Segundo o relatório divulgado pela Interbrand,

o sucesso da John Deere está nos valores

fundamentais da empresa: integridade,

qualidade, comprometimento e inovação.

Essenciais para a estratégia de cidadania

corporativa da marca e vitais entre os 60 mil

empregados ao redor do mundo, esses valores

garantem a longevidade e o crescimento da

companhia no mercado.

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32 • CANAL, Jornal da Bioenergia

Outubro de 2012 • 33


Opinião

Roberto Hollanda Filho é

presidente da Associação de

Produtores de Bioenergia de

Mato Grosso do Sul - Biosul

34 • CANAL, Jornal da Bioenergia

A hora da retomada

O setor sucroenergético

não advoga pelo aumento

da gasolina, só pede que

tenha tratamento

semelhante. E não pede

de graça. Oferece em

troca investimento e

desenvolvimento.”

A

década de 2000 testemunhou um impressionante

avanço do setor sucroenergético

no Brasil. Embalado pelos bons fundamentos

de mercado, sobretudo para o etanol, o setor

cresceu a uma média de 10% ao ano até a safra

2008/2009.

O Mato Grosso do Sul soube aproveitar esse

momento. Nosso setor, que havia levado quase

trinta anos para atingir a marca de 10 milhões de

toneladas, viu sua produção triplicar a partir de

2005. É justo dizer que não foram as nossas boas

terras que levaram a isso. Tivemos e temos ambiente.

Um governo estadual que entendeu a industrialização

como vetor de desenvolvimento para o Estado,

uma classe de produtores rurais tecnificada e empreendedora

que viu na cana-de-açúcar uma oportunidade

de diversificação. E, claro, uma Fiems que

tem sido fundamental no

apoio à qualificação, evitando

um “apagão” de colaboradores,

uma necessidade

premente no nosso setor.

E aí veio um problema. A

crise econômica de 2008

afetou diretamente a oferta

de recursos e indiretamente

o preço das commodities,

sacrificando assim os tratos

culturais, renovação de canaviais

e sobretudo a implementação

de novos projetos.

Em seguida, três safras consecutivas

com problemas

climáticos, entre outros que

afetaram ainda mais a produção.

O resultado disso é que o crescimento não

só arrefeceu como, na safra passada houve involução

do canavial, o que não ocorria desde 1999.

Aqui no MS, ainda crescemos algo, fruto da inércia

desse movimento de crescimento que começou

cinco anos depois do resto do Brasil.

E hoje o País vive uma situação difícil de entender.

No caso do etanol, temos um mercado potencial

que cresce em um ritmo inédito. E ainda assim

a participação do nosso combustível renovável –

que já foi de 50% desse mercado – caiu a 36%

nesse universo ainda maior. Ainda no etanol, os

Estados Unidos abriram uma avenida de mercado

para o produto brasileiro, à medida que o reconheceram

como mais eficiente que o de milho no que

tange a questões ambientais e eliminaram as tarifas

de importação.

A bioeletricidade é outro produto que tem um

mercado ávido. Podemos dar a resposta que o

Brasil precisa de forma mais rápida, mais barata

e mais eficiente, já que as unidades produtoras

ficam mais próximas dos grandes centros de consumo,

reduzindo de forma significativa os custos

de transmissão. São três Belo Monte adormecidas

nos canaviais. E novamente o MS é um exemplo

disso, com um parque moderno, já exportamos

para o Sistema Interligado Nacional quase o

equivalente a todo o consumo residencial de todo

o Estado.

O açúcar, uma commodity consolidada que

permite às unidades planejamentos de longo prazo

é outro produto que tem uma grande importância

para o setor e para o Brasil, pelo importante

papel que desempenha na nossa balança comercial

(foi o segundo lugar na balança do MS no

ano passado). E frequentemente tem sido vilanizado,

por conta de uma visão distorcida de que é

por conta do aumento de sua produção que se fabrica

menos etanol. Na verdade, a possibilidade

de escolha das unidades com relação à mix de

produção não é tão grande assim, podendo variar

menos de 10%.

Ponto pacífico que os nossos mercados estão

em expansão e/ou não atendidos, existe área? Sim,

e muita. Só no Mato Grosso do Sul existem 8 milhões

de hectares em pastagens sub-aproveitadas.

Isso é pouco menos de toda a área de cana do

Brasil. E essa oferta de terras se repete em outros

Estados. O mais importante disso é que existe potencial

não só para a cana,

mas para que outras

culturas cresçam também.

Nada de monocultura ou

de prevalecência de uma

atividade sobre outras.

Finalmente, o impasse.

Nada tem ocorrido dentro

deste contexto tão favorável

para o crescimento

dessa atividade que traz

desenvolvimento descentralizado,

com municípios

do interior vicejando de

desenvolvimento, que melhora

o ambiente, no campo

e nas cidades, que coloca

o Brasil num posto de

destaque no que tange às ditas economias verdes.

Para converter em realidade todo esse potencial

seriam necessárias 120 novas unidades no Brasil

até 2020. Só duas serão inauguradas na safra

2012/2013, por sinal aqui no MS.

A resposta para essa questão passa pela competitividade

do nosso etanol. Como atrair investimentos

pesados como são os requeridos pela nossa

indústria num contexto em que o nosso principal

concorrente, a gasolina, tem preços artificialmente

mantidos abaixo do seu custo?

E faço uma ressalva, o setor sucroenergético

não advoga pelo aumento da gasolina, só pede

que tenha tratamento semelhante. E não pede de

graça. Oferece em troca investimento e desenvolvimento.

Claro que temos sempre que olhar para dentro.

E temos desafios importantes no que tange à incorporação

de novas tecnologias e aumento do investimento

em pesquisa para aumentar essa competitividade.

Já somos um exemplo disso e continuaremos

sendo, cada vez mais.

Ainda no que tange ao que não nos cabe decidir

ou resolver, é importante a implementação de políticas

públicas de longo prazo, que definam o papel

do etanol em nossa matriz energética.

Estamos em um bom caminho. O governo federal

mostrou sensibilidade ao problema e estabeleceu

um canal de discussão com o setor, que tem

levado suas propostas para o devido debate.

Vivemos, enfim, um momento fundamental na

história do setor sucroenergético brasileiro.

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