cana-de-açúcar - Canal : O jornal da bioenergia

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cana-de-açúcar - Canal : O jornal da bioenergia

Carta

do editor

Mirian Tomé

editor@canalbioenergia.com.br

22 PROGRESSO NO INTERIOR

Os bilhões de reais em investimentos em novas usinas no interior do País se traduzem

em oportunidades reais de emprego e renda para a população

divulgação/usp

divulgação

25 ZONEAMENTO

Secretário de Agroenergia do Ministério

da Agricultura, Manoel Bertone, prevê

para o mês de julho a publicação do

zoneamentro da cana-de-açúcar.

11 ENERGIA E MEIO AMBIENTE

Estudo do CGEE em andamento servirá para

elaboração de relatório prospectivo focado em

soluções tecnológicas para áreas estratégicas

como energia e recursos naturais.

stock.xchng

Expansão segue firme

Crise nos EUA, alta mundial no preço dos

alimentos, descoberta de novas reservas de

petróleo no Brasil e críticas da União

Européia aos biocombustíveis: pelo visto nada é

capaz de frear o crescimento da produção de

etanol no Brasil e o progresso impulsionado pela

instalação de novas indústrias em muitas regiões,

sobretudo no Centro-Oeste.

Em Paraúna, interior de Goiás e Caarapó, no

Mato Grosso do Sul, por exemplo, onde não

havia emprego até há algum tempo, toda a

mão-de-obra braçal ociosa foi absorvida por

usinas em instalação e as oportunidades de

trabalho e renda se multiplicam. Paralelamente,

as fusões e aquisições no setor sucroalcooleiro

se mantém em ebulição, como mostra pesquisa

divulgada recentemente .

Nossa reportagem de capa revela que a

definição de uma certificação mundial para o

etanol está cada dia mais próxima. A Alemanha,

que tende a ser uma das mais importantes

parceiras comerciais do Brasil na área de

bioenergia, mostra que a convergência em torno

de uma proposta baseada na sustentabilidade da

produção é o caminho a ser seguido. Enquanto

isso, no Brasil, os esforços para o zoneamento da

cana-de-açúcar chegam à fase final. Nas

próximas páginas você vai conferir essas e outras

informações sobre o setor de bioenergia.

Boa leitura e até o mês que vem!

cairo fagundes

08 FUSÕES E AQUISIÇÕES

Pesquisa da KPMG mostra

que grupos nacionais se

destacam com a realização da

maioria dos negócios.

18 SAFRA EM GOIÁS

Governador Alcides Rodrigues (ao centro) e

empresários durante a abertura oficial da safra

sucroalcooleira e inauguração da Usina Serra do

Caiapó, na Região Sudoeste do Estado.

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ENTREVISTA - Frederico Durães, chefe-geral da Embrapa Agroenergia

Missões da pesquisa

PESQUISAS E DESENVOLVIMENTO DE CULTIVARES MAIS PRODUTIVAS PARA A PRODUÇÃO DO

BIODIESEL E ETANOL CELULÓSICO SÃO ALGUNS DOS PRINCIPAIS DESAFIOS À EMBRAPA

Geórgya Laranjeira Corrêa

Mineiro de Curvelo, o

chefe-geral da Embrapa

Agroenergia, Frederico

Durães, é agrônomo

formado pela Universidade Federal

de Viçosa, onde também concluiu

mestrado em Extensão Rural.

Fez especialização em manejo de

seringueira, na Faculdade de Ciências

Agrárias do Pará. Tem doutorado

em Ecofisiologia de Culturas

na Escola Superior de Agronomia

"Luiz de Queiroz" (Esalq), da Universidade

de São Paulo (USP) e

pós-doutorado em Fisiologia da

Colheita/Relação Solo-Água-Planta

e Estresse Abiótico na Universidade

de Nebraska (USDA-ARS).

Quando a Embrapa começou a pesquisar

a cultura do pinhão manso?

A Embrapa trabalha com a espécie

há cerca de 5 anos, em parceria

com a iniciativa pública e privada.

Os resultados experimentais

e a observação em campos de

produção permitem considerar

que a cultura tem potencial de

rendimento de óleo para fins de

produção e uso de biodiesel.

Qual a origem e as principais características

desta matéria-prima

para a produção do biodiesel?

O pinhão-manso (Jatropha curcas

L.) é uma espécie perene, monóica

e pertence à família das Euforbiáceas,

a mesma da mamona

(Ricinus sp.), mandioca (Manhiot

sp.) e seringueira (Hevea spp.).

Acredita-se que a Jatropha seja

originária da América Central;

porém, vegeta espontaneamente

em diversas regiões do Brasil. É

um arbusto de crescimento rápido,

caducifólico, que pode atingir

mais de 5 m de altura. Os frutos

são do tipo cápsula ovóide, com

1,5 a 3,0 de diâmetro, trilocular,

contendo, via de regra, 3 sementes,

sendo uma semente por lóculo.

As sementes tem de 1,5 a 2,0

cm de comprimento e de 1 a 1,3

cm de largura. Apresentam teor

de óleo variando entre 33 e 38 %,

4 CANAL

e representam entre 53 a 79% do

peso do fruto.

E em relação ao potencial produtivo

e início da frutificação?

Quando plantado no princípio da

estação chuvosa, o pinhão manso

inicia a produção de frutos já no

primeiro ano de cultivo, embora

atinja o seu clímax produtivo a

partir do 4º ano, com capacidade

produtiva potencial para mais de

40 anos. De acordo com informações

mais atuais, a planta produz,

em média, 100, 500, 2.000 e 4.000

g/planta de sementes, do 1º ao 4º

ano de cultivo, respectivamente.

Dependendo do espaçamento, a

produtividade pode passar dos

6.000 kg/ha de sementes. Com esta

produtividade, é possível produzir

mais de 2.000 kg/ha de óleo. No

entanto, com o melhoramento genético

e aprimoramento do sistema

de produção, acredita-se que o

pinhão manso possa produzir acima

de 4.000 kg/ha de óleo.

Quais as perspectivas da pesquisa

em relação ao aumento de produtividade

das oleaginosas?

verônica soares

A decisão empresarial de cultivar pinhãomanso

coincide com a busca de novas opções

para a produção de óleo em patamares de

rendimentos mais competitivos

De acordo com o Plano Nacional

de Agroenergia 2006-2011, a pesquisa

deve buscar atingir novos patamares

de rendimento de óleo

com maior adensamento energético

das espécies oleaginosas, passando

o rendimento em óleo do

nível atual, de 600 kg/ha, (no caso

da soja e da mamona), em média,

para aproximadamente 5.000

kg/ha, proporcionando competitividade

crescente ao biodiesel,

uma vez que entre 40 e 60% do

seu custo de produção se deve ao

custo das matérias-primas.

Nesta busca por patamares mais

elevados de produtividade, em

termos de quantidade de óleo

produzida por hectare, com culturas

tradicionais, como soja e

mamona, têm-se buscado também

novas espécies potenciais

(palmáceas, dendê, macaúba, buritis

e pinhão manso, por exemplo),

de alto rendimento de óleo

(produtividades superiores a

2.000 e até 3.000 kg/ha de óleo),

e espécies com adaptação a condições

edafo-climáticas distintas

(incluindo biomas diversos, principalmente

Cerrado e semi-árido).

E como o pinhão-manso se insere

nesse contexto?

Há uma significativa onda de utilização

em direção ao pinhão

manso, no Brasil e no mundo, como

matéria-prima para biodiesel.

Ele se destaca como uma oleaginosa

promissora para as regiões

Nordeste, Centro-oeste e Sudeste

do Brasil, com perspectivas de

apresentar alta produção de sementes

e óleo por unidade de

área, sendo necessário acelerar

ao máximo a formação de um

consenso técnico-científico e

empresarial a respeito da cultura.

Comente sobre o centro da Embrapa

que será instalado no Tocantins.

Para o cumprimento de uma

Agenda Brasil de Desenvolvimento,

cumpre à Embrapa contribuir

com soluções para os vazios institucionais

em áreas estratégicas

do território brasileiro. Neste

particular, a Embrapa tem realizado

estudos técnicos para a instalação

de unidades de pesquisa,

desenvolvimento e inovação

também no Estado de Tocantins,

em parceria público-privada, com

instituições federais, estaduais e

municipais.

A Embrapa realiza parcerias para

acelerar a obtenção de resultados

com a pesquisa de oleaginosas

para a produção do biodiesel?

A Embrapa tem estimulado e participado

da formação de redes de

instituições e do desenvolvimento

de projetos de pesquisa, desenvolvimento

e inovação em parceria,

entendendo que nesta forma

de atuação se encontram interfaces

que permitem aprimorar e potencializar

a capacidade de geração

do conhecimento técnico e

científico de forma organizada.

E quais as oportunidades relacionadas

ao pinhão manso?

Neste caso, há oportunidades para

projetos de PD&I que visem o

estabelecimento de subsídios técnicos

para o registro de cultivares,


o desenvolvimento de um programa

de melhoramento genético

e cultivares elites, o aprimoramento

e validação de sistemas de

produção apropriados e a avaliação

sócio-econômico-ambiental

para definição do potencial de

cultivo comercial nas diversas regiões

do Brasil.

Qual a área plantada com a cultura

e como se insere a agricultura

familiar em seu cultivo ?

Atualmente, estima-se que o Brasil

conta com cerca de 20 mil

hectares plantados com pinhão

manso, embora em fase inicial de

cultivo, com 3 a 4 anos de plantio.

Nos projetos em desenvolvimento

busca-se adequar as práticas

agronômicas com a geração

de emprego e renda. Há uma

grande expectativa de maior utilização

dessa espécie pela agricultura

familiar, visando associar

o rendimento de óleo à agregação

de valor aos resíduos, para serem

utilizados na alimentação animal.

A Embrapa tem um trabalho forte no

desenvolvimento de tecnologias novas, de

segunda geração, que envolve vários

processos de produção do etanol-celulose

Quais são as últimas pesquisas

desenvolvidas pela Embrapa em

relação ao pinhão manso?

Como é uma espécie nova e perene,

uma das grandes oportunidades

para ofertarmos ao mercado

é a ampliação do conhecimento

sobre a base genética do

pinhão manso. Isso foi convertido

em vários acessos, em diversos

locais, dentro de um sistema

chamado de banco ativo (banco

de dados), para fazermos dois tipos

de caracterização. Primeiro,

a fenótipa, as variáveis que descreve

o comportamento vegetativo

de cada espécie. A outra, é

um melhoramento assistido por

biologia avançada.

Isso resulta no aumento da possibilidade

de novas cultivares competitivas.

Desta forma, o esforço

público possibilita uma contribuição

de conhecimentos novos para

pavimentar caminhos, de modo

que a iniciativa privada possa ter

seu sistema produtivo com maior

conhecimento de causa e maior

domínio tecnológico.

Para o biodiesel, qual é o resultado

de zoneamento?

Para várias oleaginosas de diversas

regiões brasileiras, existe zoneamento

realizado pela Embrapa.

Exemplos são a soja, algodão,

mamona e outras espécies.

É claro que precisamos ampliar o

trabalho para outras regiões onde

as espécies são tradicionais

como cultura, mas são novas como

matérias-primas para a produção

de biodiesel. É preciso zonear

e definir o que é área preferencial

de girassol no Centro

Oeste e no Tocantins, por exemplo.

Essa espécie vegetal é importante,

produz óleo, e a torta

agrega valor na cadeia produtiva

de proteína animal.

Qual atual situação do zoneamento

para a agroenergia no Brasil?

Existem dois tipos de zoneamento,

o agroclimático e o de risco

climático e há duas estratégias:

técnico-cientifica e política. Para

mapear a cana, por exemplo, deve-se

considerar diferentes tipos

de corte. São variações de clima,

solo e planta. Estes são fatores

que determinam que a região seja

preferencial para alto rendimento.

Quando a região tem algum

tipo de impedimento ou

marco regulatório limitante, é

considerada marginal. Desta forma,

os elementos técnicos científicos

servem para construir uma

agenda pública sinalizadora junto

à iniciativa privada, proporcionar

bons negócios e montar sistemas.

O que representa, para uma determinada

região, ter o zoneamento

realizado?

Se a área é prioritária, significa

que tem um conhecimento transparente

declarado, que é apta e

possui características preferenciais

para o estabelecimento de

determinados sistemas produtivos

no local. Se a área está fora

do zoneamento, deve ter algum

impedimento físico ou marco regulatório

legal que limita ou proíbe

a inserção da área dentro de

um esforço produtivo. Em relação

à cana, o trabalho vem sendo feito

pelo governo federal desde

2007. A publicação do resultado

do zoneamento da cana, que está

sendo feito pela Embrapa, está

prevista para o mês de julho

Qual a importância do zoneamento

da cultura da cana-de-açúcar?

O trabalho é resultado da encomenda

do Ministério da Agricultura

para quatro tipos de mapas, um deles

é definido como área preferencial

para cana no Brasil, que tenha

alta produtividade, acima da média

nacional. Vamos supor que uma

área com produtividade de 85 toneladas

de cana por hectare é a

área preferencial para produção. O

clima e o solo são adequados, a

temperatura mínima é superior a

18º C e chove no mínimo mil milímetros

de água. Estas são algumas

características para definir uma

área que possui potencial de rendimento.

O outro mapa tem o limite

da região com restrição (marginal),

ou seja, o clima, solo, podem ser favoráveis,

mas há algum impedimento

que a torna proibida, como

um marco regulatório.

Quais pesquisas da Embrapa o

senhor destacaria em relação à

cana-de-açúcar?

No caso da cana, estamos participando

de um esforço para melhorar

o índice tecnológico em

locais tradicionais e de expansão

no Brasil, em áreas novas. O

próprio zoneamento e o ordenamento

territorial definem se a

área tem maior potencial de

produzir ou não. No arranjo do

sistema produtivo, através de

boas práticas agrícolas e no melhoramento

genético avançado

das cultivares. Outra ação da

pesquisa refere-se aos processos

industriais, para tirar dos

nossos laboratórios processos

que possam se incorporar a sistemas

comerciais para produzir

etanol de primeira geração, com

eficiência na área agronômica e

industrial, e no desenvolvimento

de tecnologias novas, que chamamos

de tecnologias de segunda

geração, ou seja, aquela

com vários processos de produção

de etanol-celulose. A Embrapa

desenvolve um projeto

forte nessa direção.

CANAL 5


PANORAMA

Missão africana conhece experiência brasileira com biocombustíveis

Representantes de ministérios

de ciência e tecnologia, da

agricultura, de universidades e da

iniciativa privada da África do

Sul, Moçambique, Zaire,

Tanzânia, Camarões e Zâmbia

visitaram a Embrapa Cerrados,

em Planaltina (DF), no final do

mês de maio, para conhecer as

pesquisas com fontes alternativas

para produção de agroenergia

desenvolvidas pela Unidade da

Embrapa.A comitiva, composta

por 15 profissionais, veio ao

Brasil para conhecer áreas de

produção e instituições de ciência

e tecnologia em missão de

estudos planejada pela

Organização de

Desenvolvimento Industrial das

Usina Ruette inaugura

segunda unidade

Foi inaugurada no dia 26 de

junho a Unidade II da Antônio

Ruette Agroindustrial LTDA., em

Ubarana, São Paulo.A empresa

inicia a atividade com uma moagem

de 500.000 toneladas destinadas à

produção de álcool.A capacidade de

expansão é estimada em 1.000.000

de toneladas, projetada para o ano de

2010.A unidade gera 900 empregos

diretos e outros 2000 indiretos.

gustavo porpino

Nações Unidas (Unido).

Segundo o venezuelano Carlos

Chanduvi, gerente da Unido, o

grupo ficou impressionado com

"a magnitude e mecanização da

cana-de-açúcar" cultivada no

País. O pesquisador Roberto

Teixeira Alves, chefe-geral da

Embrapa Cerrados (de gravata),

destacou à comitiva o papel da

Embrapa na busca por soluções

Bahia incentiva produção de biocombustíveis

ambientalmente corretas para

incrementar tanto a produção de

alimentos como também a oferta

de biodiesel. "A Embrapa não

trabalha apenas com a produção

de grãos e carne.Também

trabalhamos com o meio

ambiente, com a busca do

desenvolvimento sustentável".

Citando a safra agrícola

recorde de 142 milhões de

toneladas, prevista para este ano,

Teixeira disse que o País tem uma

posição única no mundo por ter

condições de aumentar ao

mesmo tempo as produções de

alimento e etanol. "No Brasil,

não é correto dizer que a

agroenergia está competindo

com a produção de alimentos".

fotos: divulgação

O governador da Bahia, Jaques

Wagner, lançou no fim de maio o

Programa Acelera Bahia. O

objetivo é atrair novos

investimentos e consolidar as

empresas já instaladas no parque

industrial do Estado, através da

redução nas alíquotas de ICMS e

concessão de tratamento tributário

diferenciado a empreendimentos

na Bahia. O setor de produção de

etanol e biodiesel é um dos

beneficiados, ao lado do

petroquímico (Camaçari) e de

informática (Ilhéus). No caso do

biodiesel, haverá uma redução de

até 90% de ICMS, caso os

insumos e as plantas industriais

sejam ligadas à região do semiárido.

A produção de álcool

também terá diminuição da carga

tributária. As condições para

acessar o benefício são instalar as

indústrias no semi-árido, destinar

75% da produção para o mercado

interno e emitir nota fiscal

eletrônica. Além disso, serão

oferecidos créditos fiscais de 14%

para as operações externas e 7%

para as interestaduais.

Homenagem à

presidente do

Grupo Nardini

A Câmara Municipal de

Pirangi, São Paulo, outorgou

no mês de março o título de

Cidadã Pirangiense à

Guiomar Della Togna

Nardini, presidente do Grupo

Aurélio Nardini. Para o

prefeito de Pirangi, Luiz

Carlos de Moraes, o título de

Cidadã Pirangiense é mais do

que justo a uma pessoa que

faz tanto pela cidade: "Temos

muito que agradecer ao

Grupo Nardini pelo apoio e

colaboração que recebemos.

O crescimento da empresa

representa o crescimento do

município com a geração de

emprego e renda.

"Esta homenagem, por

merecimento, pertence a uma

equipe de quatrocentos

colaboradores de Pirangi, que

estão dando apoio à Nardini e

também aos outros 5 mil

colaboradores que, durante os

365 dias do ano respiram,

suam e engrossam a família

Nardini. Eu sou aqui, nada

mais que uma representante

deles",disse dona Guiomar.

Vereadora Rejane Gabriel

entrega titulo a dona Guiomar

6 CANAL


FUSÕES E AQUISIÇÕES

Ritmo forte nas transações

LEVANTAMENTO SOBRE

NEGÓCIOS NO SETOR

SUCROALCOOLEIRO REVELA

QUE RESULTADOS EM 2008

VÃO SER POSITIVOS

Evandro Bittencourt

As estatísticas mostram que as transações

envolvendo unidades de

produção sucroalcooleira mantém

o ritmo forte verificado em 2007.

Pesquisa recentemente divulgada pela

KPMG, empresa de consultoria empresarial,

revela seis transações de fusões e aquisições

no setor de açúcar e álcool no primeiro trimestre

desse ano. Cinco operações foram realizadas

por investidores locais e apenas uma

por estrangeiro.

Estaria então ocorrendo uma mudança

no fluxo de capitais, com redução da participação

estrangeira e incremento das transações

por parte de empresas de capital nacional?

Para André Castello Branco, sócio de

Corporate Finance da KPMG, esse não parece

ser o caso. Apesar de uma certa retração

de fundos americanos, grupos internacionais,

principalmente europeus e asiáticos,

ainda se mostram muito interessados em

investir no setor. "Por outro lado, os brasileiros

e as empresas que estão aqui estabelecidas

estão bastante ativas e, quando surgem

oportunidades, fazem aquisições, diz

André Castelo Branco."

As seis aquisições registradas no primeiro

trimestre de 2008 indicam que o saldo final

de fusões e aquisições em 2008 deverá ser similar

ao do ano anterior. Mantida essa média,

ao final do ano seriam 24 transações

contra 25 no ano passado, o que sugere,

mais uma vez, uma performance vigorosa

desse setor. Em 2007, o número de transações

cresceu 178% em relação a 2006, quando

foram realizadas nove transações no setor

sucroalcooleiro.

A pesquisa realizada pela KPMG, segundo

André Castello Branco, reforça a idéia de que

as transações continuam bastante fortes no

Brasil. "Existem algumas correntes que vêem

uma redução, mas não é o que tenho visto

na prática e nem o que a estatística demonstra.

O interesse continua grande e há muitos

investidores financeiros que estão fazendo

participações menores."

INJEÇÃO DE CAPITAL

No passado, quem vendia eram empresas

que queriam sair do negócio. Atualmente,

grande parte das negociações tem como

vendedores empresários que procuram expandir

a atividade. "Buscam um investidor

com participação minoritária ou igualitária e

que possa botar dinheiro no negócio para

fazê-lo crescer, pois como a expectativa é

que vai haver uma consolidação, eles precisam

de recursos para expandir e depois fazer

montagem sobre fotos de elson caldas e stock.xchng

8 CANAL


kpmg consultoria

André Castello Branco, da KPMG, acredita em

continuidade do ritmo de fusões e aquisições

novas aquisições. Embora existam casos de aquisições

integrais de unidades produtivas, estes representam

a minoria das negociações", diz o Sócio

de Corporate Finance da KPMG.

ALVO PREFERENCIAL

Os grandes operadores já estabelecido no

Brasil têm como alvo principal de suas investidas

as empresas de menor porte, pois querem

controlar o negócio. "A tendência é que as empresas

menores sejam aglutinadas em grupos

maiores, pois o mercado, atualmente, é de pequenos

produtores.”

As empresas de biodiesel, segundo André Castello

Branco, também despertam o interesse de

investidores, sobretudo dos estrangeiros, mas ele

é bem menor que o gerado pelas empresas de

produção de etanol. "Comparativamente, o Brasil

é disparado o melhor lugar para se produzir etanol

no mundo. Em relação ao biodiesel, há outros

lugares que são igualmente competitivos."

Possível bolha na Europa

Pesquisa da KPMG Internacional divulgada

no mês de maio indica que metade dos líderes

mundiais do setor de energia teme que uma

bolha possa estar se desenvolvendo no setor de

energia renovável, notadamente na Europa. A

evolução nos preços do setor está gerando

comparações com as empresas de Internet. O

trabalho, denominado "Turning Up the Heat",

foi realizado com executivos de 200 empresas

fornecedoras, distribuidoras e investidores globais

do setor de energia e serviços públicos.

Metade dos entrevistados (e aproximadamente

dois terços dos executivos europeus consultados)

concordam que há um risco real de uma

bolha no setor de energia renovável estar se

desenvolvendo, o que leva alguns analistas a

compará-la ao boom das empresas de Internet.

A pesquisa que identificou supervalorização

dos preços pagos em algumas fusões e aquisições

de empresas de energias renováveis não

abrangeu o Brasil, cobriu basicamente os Estados

Unidos, Europa e Ásia. "A energia renovável

lá fora, principalmente a solar, eólica, tem

como componente um grande subsídio", explica

André Castello Branco, sócio de Corporate

Finance da KPMG, pois esses dois tipos de energia

ainda não têm custos competitivos, por isso

recebem pesados subsídios dos governos.

"Na Europa isso atrai muitos investidores, na

medida em que há um governo estimulando,

incentivando as operações. De certa forma, o

movimento internacional, no sentido de ter

uma energia mais limpa, acaba gerando uma

demanda muito grande e, conseqüentemente,

inflando o preço."

REALIDADE BRASILEIRA

No Brasil, a realidade é bem diferente, destaca

Castello Branco, pois os investimentos são

focados em biocombustíveis. "São investimentos

totalmente privados e autosustentáveis,

sem nenhum tipo de subsídio. Apesar de existir

uma demanda crescente, no Brasil os investidores

estão pagando preços justos, não se pode

dizer que há uma bolha, como a que foi

identificada na Europa."

Segundo André Castello Branco, nos EUA,

Europa e Ásia os compradores estão pagando

preços altos pelos ativos em seus esforços para

ficarem à frente da concorrência, à medida em

que os governos em todo mundo buscam cortar

as emissões de gases. "Nossa preocupação é

que os investidores possam estar ignorando os

riscos de investir em um setor embrionário que

ainda deve passar por muitas mudanças até o

seu amadurecimento. Apesar do momento ser

muito positivo, os compradores devem realizar

uma análise adequada antes de se arriscarem

cegamente", recomenda.

Segundo informações da KPMG, a pesquisa

observou o aumento acentuado nos preços que

estão sendo pagos pelas empresas de energia renovável.

Entre os negócios recentes, incluem-se a

aquisição da Airtricity por US$ 2,2 bilhões, pela

Scottish and Southern Energy, empresa sediada

no Reino Unido, no início deste ano, e a aquisição

da Trinergy, por US$ 2,8 bilhões, pela International

Power. Também estima-se que o valor

de venda final pago pela Suzlon Energy, empresa

sediada na Índia, de US$ 1,6 bilhão pela aquisição

da REpower, em 2007, corresponda a

aproximadamente quatro vezes a sua receita

anual. E no caso do grupo franco-belga Suez,

que adquiriu participação majoritária (50,1 por

cento) na Compagnie du Vent, em novembro de

2007 - negócio de US$ 494 milhões -, estimase

que a avaliação do gerador eólico francês supera

em mais de 50 vezes a sua receita anual.

CANAL 9


Flex

Cosan terá

financiamento

para cogeração

O Banco Nacional de

Desenvolvimento Econômico e

Social (BNDES) aprovou um

financiamento de R$ 369

milhões para o grupo Cosan

investir na implantação de três

unidades de cogeração de

energia elétrica, a partir do

bagaço de cana-de-açúcar, com

capacidade instalada de 200

MW. Segundo nota divulgada

pelo banco, o BNDES

financiará 85% do projeto,

orçado num valor total de R$

428,5 milhões. O

empreendimento inclui a

construção de linhas de

transmissão e deve gerar 430

empregos durante as obras.

Consumo de etanol

continua crescendo

O consultor Plinio Nastari,

da Datagro Consultoria , diz

que o Brasil em 2008 vai

consumir 3,1 bilhões de litros

de álcool a mais do que foi

consumido em 2007. Um

aumento que segue o

crescimento das vendas de

automóveis flex, que devem

passar de 2,4 milhões de

unidades neste ano. Os carros

bicombustível - que rodam

com álcool, gasolina ou a

mistura de ambos -

impulsionam o consumo do

combustível. Os produtos

derivados da cana

respondem por 16% da matriz

energética, atrás apenas do

petróleo, com 36,7%.

Brasil aumentará produção de etanol em 135%

A Organização das Nações

Unidas para Agricultura e

Alimentação (FAO) e a

Organização para Cooperação e

Desenvolvimento Econômico

(OCDE) divulgaram

recentemente dados que

mostram: a produção de etanol

no Brasil aumentará em

135,3% entre 2007 e 2017,

passando dos 17 bilhões de

litros gerados no ano passado

para 40 bilhões. Com isso, o País

Governo regulamenta coleta de energia de biomassa

O governo federal

regulamentou as

centrais de captação

de energia que

vão fazer a

conexão com as

usinas de

biomassa,

pequenas centrais

hidrelétricas e

parques eólicos ao

sistema de linhas de

transmissão de energia do

País. Essas coletoras,

batizadas pela Aneel de

"Instalações de Interesse

Exclusivo de Centrais de

Geração para Conexão

Compartilhada", são

fundamentais para que as

usinas de álcool possam

entrar no mercado de

venda de energia, a partir

do processamento do

bagaço de cana. Apesar do

potencial de geração de

permanecerá como o segundo

maior produtor do mundo. Em

2008, o volume produzido no

País chegará a 22 bilhões de

litros. Estimativas apontam que

a produção mundial de etanol

atingirá 125 bilhões de litros em

2017, o dobro do volume em

2007. Os americanos

continuarão sendo os maiores

produtores, passando de 21

bilhões de litros em 2007 para

52 bilhões em 2017.

sifaeg

energia elétrica dessas

usinas, falta ainda acesso

adequado ao sistema de

transmissão,

principalmente em Goiás e

Mato Grosso do Sul. A

Agência Nacional de

Energia Elétrica, (Aneel),

irá fazer uma chamada

pública para catalogar as

usinas que têm interesse

em contratar o serviço das

estações coletoras.

Projeto de lei regula

créditos de carbono

Proposta do deputado federal

Mendes Thame, do PSDB

paulista, disciplina o comércio de

créditos de carbono resultantes

de programas contratados pelo

governo para incentivar o uso de

energia elétrica gerada por

fontes alternativas. Pelo projeto,

os empreendedores passam a se

apropriar exclusivamente dos

direitos ou benefícios financeiros

de comercialização desses

certificados de redução de

emissões - que hoje ficam em

poder da Eletrobrás. A proposta

tramita em caráter conclusivo e

recebeu aval da Comissão de

Meio Ambiente e

Desenvolvimento Sustentável.

O projeto revoga regra

adotada pela Eletrobrás, pela

qual a empresa reserva-se o

usufruto dos direitos e

benefícios financeiros

derivados dos Mecanismos de

desenvolvimento Limpo(MDL).

10 CANAL


PLANEJAMENTO

Rotas estratégicas

para a Energia

ESTUDO DO CGEE VAI INDICAR CAMINHOS PARA PESQUISA,

DESENVOLVIMENTO E APLICAÇÃO DE MATERIAIS AVANÇADOS

Materiais avançados em áreas estratégicas

- este é o foco de mais um

estudo prospectivo conduzido pelo

CGEE, Centro de Gestão e Estudos

Estratégicos. O estudo foi iniciado em 2007 e

aborda sete temas, muitos dos quais relacionados

com o Plano de Ação 2007-2010 do MCT,

Ministério da Ciência e Tecnologia. São eles: recursos

naturais, energia, meio ambiente, saúde

médico-odontológica, tecnologias sensíveis, tribologia

e aplicações eletrônicas, magnéticas e

fotônicas. A primeira, concluída em abril, consistiu

na elaboração de relatórios retratando a

situação atual de cada tema com vistas a aplicações

de materiais avançados. Atualmente, a

equipe realiza a segunda etapa, de levantamento

de perspectivas. A etapa final, que resultará

na elaboração do Relatório Prospectivo, deverá

ficar pronta em dezembro de 2008.

O objetivo final do estudo, cuja realização é

uma das tarefas definidas para o CGEE dentro

do contrato de gestão que mantém com o MCT,

é identificar as rotas estratégicas e tecnológicas

na pesquisa, desenvolvimento e aplicação

dos materiais avançados. "A prospecção é voltada

para a identificação de oportunidades de

negócios nos temas em pauta e também para

estratégias de redução da dependência de importação

de materiais", explica Elyas Medeiros,

engenheiro aeronáutico e coordenador do trabalho.

"O estudo terá também papel fundamental

para a mobilização e transferência do

conhecimento acadêmico à atividade empresarial,

ou seja, poderá ampliar as possibilidades de

desenvolvimento econômico com viés na engenharia

de materiais", continua Medeiros.

Relatório de perspectivas

Os relatórios da primeira fase foram elaborados

por grupos de especialistas em materiais da

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

- Recursos Naturais; Instituto de Pesquisa em

Energia Nuclear (Ipen) - Energia; Universidade

Federal de Minas Gerais (UFMG) - Meio Ambiente;

Universidade Federal do Rio de Janeiro

(UFRJ) - Saúde, Centro Técnico do Comando-

Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA) - Tecnologias

Sensíveis; Universidade Federal de Uberlândia

(UFU) - tribologia industrial (atrito, desgaste

e lubrificação); e Universidade Federal de

Pernambuco (UFPE) - aplicações eletrônicas,

magnéticas e fotônicas.

Construídos por meio de coleta de dados e organização

de informações, os relatórios mostram

oportunidades, desafios e tendências para

os materiais avançados nos campos econômico,

político-legal-regulatório, infra-estrutura, cultural-demográfico,

tecnológico, ecológico, industrial

e acadêmico. A etapa atualmente em

execução é a do levantamento de perspectivas, a

partir dos tópicos mais destacados dos relatórios,

baseados em suas implicações. A equipe do

estudo vai submeter esses relatos e tabelas à comunidade

brasileira de especialistas, a cerca de

500 membros, entre executivos, pesquisadores e

representantes do governo, com a finalidade de

obter opiniões sobre a relevância industrial. A

segunda fase prevê também a realização de

exercícios prospectivos, visando definir novas

estratégias e subsidiar políticas públicas. O principal

produto será um Relatório de Perspectivas,

que englobará todos os temas.

A última fase será a construção dos roteiros

estratégicos e tecnológicos, visando às tomadas

de decisão dos participantes. Nessa fase,

serão revelados, finalmente, os assuntos relevantes

em materiais avançados e que requeiram

formação de recursos humanos e ações

coordenadas entre os diversos atores. "Além

disso, identificaremos aspectos políticos, legais

e regulatórios que precisam ser ajustados

por mecanismos de políticas públicas, para

permitir uma maior vazão das ações tecnológicas

de desenvolvimento", diz Elyas.

(CANAL com Centro de Gestão e Estudos Estratégicos)

fotos: jalles machado e americo jose

CANAL 11


OPINIÃO

Cana versus alimentos

Com a expansão da agroindústria

da cana-de-açúcar

no Brasil, um importante

tema que tem sido debatido são

os possíveis aumentos de preços

de alimentos, atividades agrícolas

que vêm sendo substituídas

pela produção canavieira. É certo

que nos últimos anos a expansão

das lavouras de cana

vem se dando tanto sobre áreas

destinadas à pecuária como sobre

aquelas destinadas a atividades

agrícolas que têm apresentado

menor rentabilidade comparativamente

à da cana. Cumpre

lembrar que a produção orientada

por rentabilidades relativas

de atividades econômicas alternativas

é o cerne das economias

de mercado e aplica-se a todos

os setores. Dentro de certos limites,

ditados por segurança alimentar,

a economia de mercado

é vista como a forma organizacional

que garante o maior bemestar

da sociedade.

O debate cana versus alimento

não é recente. Ele já

ocorreu na época da implantação

do Proálcool, na metade da

década de 70, quando houve

expansão significativa da atividade

canavieira na região Centro-Sul

do País, especialmente

no Estado de São Paulo, com

vista a atender as necessidades

de matéria-prima para a produção

do biocombustível. É importante

mencionar, de início,

que desde a implantação do

Proálcool até meados da presente

década, período em que a

produção de cana quadruplicou,

os preços de alimentos

apresentaram tendência decrescente,

e não crescente como

muitos acreditavam.

A preocupação atual da sociedade

com a segurança alimentar

é plenamente justificável. Há, no

entanto, alguns fatores que permitem

concluir que, no Brasil, o

impacto da expansão de atividade

agrícola voltada à produção

de energia sobre os preços de alimentos

não irá ser de grande

magnitude. Em primeiro lugar,

Uma reorganização

espacial das

atividades voltadas

para a produção

de alimentos é

possível, tendo

em vista que

existem áreas

subaproveitadas no

território nacional

os ganhos em produtividade, devido

ao uso de novas tecnologias

e de técnicas de manejo adequadas,

têm sido expressivos em todos

os segmentos do agronegócio,

o que faz com que a substituição

de parte das atividades

voltadas à produção de alimentos

por aquelas destinadas à produção

de energia não resulte, necessariamente,

na diminuição da

oferta de alimentos. Além do

mais, uma reorganização espacial

das atividades voltadas para

a produção de alimentos é possível,

tendo em vista que existem

áreas subaproveitadas no território

nacional.

Outro ponto que merece ser

mencionado é a existência de

excedentes exportáveis de praticamente

todos os produtos

do agronegócio brasileiro, ou

seja, somos exportadores líquidos

nesse segmento e, em alguns

casos, ocupando o primeiro

lugar no ranking mundial.

Assim, se nossos parceiros

comerciais propiciarem

maior rentabilidade relativa

para o álcool, é o álcool que devemos

exportar e, racionalmente,

os agentes direcionarão

mais recursos para os setores

mais rentáveis - em médio

e longo prazos. Isso irá se refletir

de maneira positiva não

só no que diz respeito à renda

do setor, como também à balança

comercial.

A expansão da atividade canavieira

no Brasil tem permitido

aumentar o emprego em determinadas

atividades do processo

produtivo, de forma a

compensar a queda decorrente

da substituição da colheita manual

pela mecanizada, tecnologia

sendo implantada pelo setor

com vistas a cumprir e até

antecipar cronogramas que tratam

da eliminação da queima

da cana. Observe-se, inclusive,

que muitos cortadores estariam

sendo inseridos em outras atividades

das usinas.

Sabe-se que o problema alimentar

do Brasil não é decorrente

da falta de alimentos e,

sim, de falta de renda. A questão

que se coloca então é: os benefícios

gerados pelo aumento do

produto do setor sucroalcooleiro,

que se traduz em aumento

de renda - com efeito distributivo

a outros segmentos da economia,

como se sabe -, podem ser

maiores que os prejuízos causados

por eventuais aumentos de

preços de alimentos? Acreditamos

que sim.

Se, por um lado, pensamos

que a expansão da atividade

canavieira não irá acarretar

problemas significativos de segurança

alimentar no Brasil,

por outro, acreditamos que essa

expansão deva ocorrer de

forma a garantir a sustentabilidade

da atividade, o que requer

a adequação às normas sociais

e às que tratam da preservação

do ambiente.

Nesse contexto de expansão,

é importante que os agentes envolvidos

no processo produtivo,

especialmente os fornecedores

de cana, tenham em

mente que alguma diversificação

dentro da propriedade agrícola

se faz necessária de forma

a minimizar riscos. A expansão

da oferta e da demanda nem

sempre vai ocorrer de forma

plenamente harmonizada, de

modo a assegurar, em todos os

anos, preços compensadores.

Mirian Rumenos Piedade Bacchi,

Professora da Esalq/USP e pesquisadora

do Cepea/Esalq/USP

mrpbacch@esalq.usp.br

cepea

12 CANAL


ALCOOLDUTO

NABO FORRAGEIRO

Obras em 2009

PETROBRAS

ANUNCIA

EMPRESA QUE

VAI DAR O PONTA

PÉ INICIAL NAS

OBRAS DE

ALCOOLDUTO E

OUTROS

PROJETOS DE

BIOCOMBUSTIVEL

DA ESTATAL

Rhudy Crysthian

Apelidada de 'Biobras', a nova empresa subsidiária que irá

gerir os projetos de biocombustivel da Petrobras, anunciada

há alguns meses, promete dar um novo fôlego ao

setor. Com aportes iniciais para os próximos cinco anos

de US$ 1,5 bilhão a empresa será criada este mês e dará início às

obras de alcoolduto da estatal até hoje em estudos conceituais.

O primeiro duto ligará o porto de São Sebastião, no litoral norte

de São Paulo, até Senador Canedo (GO). Com 1.150 quilômetros,

a rede atravessará Minas em direção a São Paulo, passando

por Ribeirão Preto, maior região produtora de álcool, e pela Refinaria

de Paulínia, a maior do País, até chegar ao porto.

O tempo previsto de construção da obra é de dois anos com

capacidade de transporte de 12 bilhões de litros por ano. As obras

nem começaram e a Petrobras já anunciou um segundo projeto do

tipo. O duto será igualmente extenso, com cerca de 900 quilômetros,

e ligará Campo Grande ao porto de Paranaguá (PR). A estimativa

é de que os dois alcooldutos custem em torno de US$ 2 bilhões.

Outro projeto é construir um ramal do duto Senador Canedo

- São Sebastião ao longo da BR-070, alcançando as regiões produtoras

até ao Médio Norte de Mato Grosso, com ponto de destino

no município de Nova Olímpia.

O problema é que nenhum quilometro de duto ainda foi instalado.

O setor reclama da demora e cobra agilidade. Mas a Petrobras

informa, por meio de sua assessoria de imprensa, que tudo

está dentro do previsto. A empresa afirma que de todo o montante

que será aplicado no setor de biocombustiveis, 29% será

em alcooldutos, em parceria com a iniciativa privada.

SITUAÇÃO

A parceria operacional para a realização do empreendimento

está acertada entre a Petrobras e as empresas Mitsui e Camargo

Correa para a realização das fases do projeto conceitual e básico

do alcoolduto que será construído entre Senador Canedo e Paulínia

(SP). A Petrobras deve concluir estudos referentes à construção

do alcoolduto ligando o interior de Goiás ao porto de São Sebastião

neste semestre. A empresa informou que os estudos técnicos,

econômicos e financeiros serão finalizados nos próximos

doze meses. A obra começará após assinatura dos contratos de

fornecimento de álcool, ainda sem data prevista. Representantes

do setor privado em Goiás e da Secretaria de Comércio Exterior

daquele Estado reuniram-se recentemente com executivos da Petrobras

para discutir o início das obras, mas datas ainda não foram

definidas. Segundo o prefeito de Senador Canedo, Vanderlan

Vieira (PR), a obra vai representar maior geração de impostos e

renda para o município.

Opção para

biodiesel

Uma nova cultivar de nabo forrageiro,

o CATI AL 1000, tem

potencial para ser produzido em

todo o País,como cultura de inverno.

Seu grão, com 40% de óleo, é

considerado excelente matéria-prima

para a produção de biodiesel e

já vem sendo pesquisado pela Coordenadoria

de Assistência Técnica

Integral da Secretaria de Agricultura

e Abastecimento de São Paulo.

Seu óleo já foi testado in natura e,

pela sua eficiência, pode ser utilizado

como combustível alternativo

no lugar do óleo diesel.

A planta se caracteriza por ser

muito vigorosa: em 60 dias, cobre

cerca de 70% do solo; controla de

forma eficaz a erosão; preserva a

vida microbiana; inibe a entrada e

o desenvolvimento de plantas daninhas,

reduzindo, assim, o uso de

herbicidas. Seu florescimento ocorre

aos 80 dias após o plantio, atingindo

sua plenitude entre 100 e

120 dias.

PRODUTIVIDADE

Luiz Brasi, engenheiro agrônomo

do Departamento de Sementes,

Mudas e Matrizes da CATI, diz que

a produtividade de grãos média por

hectare é 1.000 quilos, podendo

chegar a 1.300 quilos por hectare.

O custo de produção equivale a

aproximadamente R$ 150,00 ou

300 quilos de grãos para a produção

de sementes, comercializados a

R$ 0,50 o quilo. A planta tem sistema

radicular pivotante profundo

(atinge mais de dois metros), podendo

ser utilizada com sucesso na

escarificação e descompactação de

solos. O nabo forrageiro também se

presta à rotação de cultura e à adubação

verde. Além disso, representa

uma alternativa para a alimentação

animal, nas formas de pastejo direto,

silagem e corte para fornecimento

no cocho. O CATI AL 1000

também é uma boa opção para a

produção de palhada para plantio

direto e sua intensa florada é uma

rica fonte de néctar e pólen para a

criação de abelhas.

fundação ms


BIOCOMBUSTÍVEIS

Certificação

internacional a caminho

ALEMANHA LIDERA ESFORÇOS

PARA CRIAÇÃO DE UMA

CERTIFICAÇÃO MUNDIAL

PARA OS BIOCOMBUSTÍVEIS.

CONVERGÊNCIA FACILITA

INTRODUÇÃO DE

MUDANÇAS

Glauco Menegheti

Da Itália - exclusivo para o CANAL

Embora a alta dos preços dos alimentos,

que gerou protestos em países pobres

nos últimos meses, seja resultado de

uma meia-dúzia de acontecimentos,

entre eles o programa norte-americano de etanol

e a ação especulativa de fundos sobre os títulos

de commodities, grosso modo foram os

biocombustíveis inteiramente responsabilizados

pela insegurança alimentar. Como num

passe de mágica, o etanol brasileiro, com histórico

de 33 anos e considerado referência no

mundo, por gerar quantidades cinco vezes menores

de gases de efeito-estufa do que o petróleo,

virou tão ineficiente quanto o "primo"

norte-americano, que utiliza como matériaprima

o milho.

Pois é sob esse clima de conflito entre produção

de comida e de biocombustíveis que ganha

luz um projeto de criação de certificação internacional

(International Sustainability and Carbon

Certification - ISCC), liderado pelo governo

alemão, por meio do Ministério de Agricultura,

Alimentação e Proteção ao Consumidor e da

Agência de Recursos Renováveis (FNR).

Para atingir alguns dos objetivos de redução

do efeito estufa, os países da UE terão que importar

biodiesel e etanol, pois não têm como reconverter

áreas destinadas à produção de grãos

sem impactar drasticamente o preço dos alimentos.

Ainda assim, são os maiores produtores

de biodiesel no momento, responsáveis por

62% dos 9,2 bilhões de litros de biodiesel produzidos

mundialmente em 2007. A Alemanha,

por sua vez, processou de 55% a 60% do total

da produção européia.

A meta européia é que até 2020 os biocombustíveis,

e principalmente o etanol e o biodiesel,

ocupem uma proporção de 10% na composição

dos combustíveis fósseis - contra os 2%

atuais. Isso representará um mercado anual de

cerca de 20 bilhões de litros, do qual o Brasil espera

conquistar uma boa parte.

MARCOS REGULATÓRIOS

Na Alemanha, o tema envolvendo energias

limpas ganhou relevância com a Lei de Biocombustíveis,

sendo que na União Européia aconteceu

por meio da Diretiva para a Promoção de

Energias Renováveis e da Diretiva para a Qualidade

dos Combustíveis. A legislação alemã estipula

"que produtos de energia serão apenas


considerados renováveis se a biomassa utilizada

em sua produção preencher determinados

critérios de cultivo sustentável, proteção

de habitats naturais ou se o produto

provar um determinado nível de redução de

emissões de carbono". A Comissão Européia

propõe uma abordagem similar e almeja a

introdução de um sistema que garanta a

sustentabilidade.

20 bilhões

de litros de biocombustíveis

é a meta européia de

substituição de combustíveis

fósseis até 2020

stock.xchng

Conceito alemão é baseado na sustentabilidade

Durante 2006 e 2007, os técnicos da Meó

Corporate Development GmbH e GlobalGap,

ambas instituições privadas alemãs, criaram o

conceito vigente de certificação para o governo

germânico. De acordo com Fernanda Goulart,

consultora da Meó, nada de novo foi inventado.

"Aproveitamos tudo o que foi desenvolvido a

respeito de certificações de biocombustíveis.

Além disso, foram feitos estudos junto aos principais

exportadores de biocombustíveis, como

o Brasil, para se levantar os critérios de sustentabilidade

e as questões enfrentadas nas diferentes

realidades."

No início de 2008, o programa foi aprovado

e imediatamente deu-se início à fase piloto,

que visa mostrar na prática a viabilidade da

certificação. "Esse é o ponto que difere o programa

alemão dos demais em andamento na

Europa. O piloto visa testar os diferentes tipos

de controles ao longo da cadeia produtiva e os

aspectos comerciais da certificação na prática",

assegura Fernanda. Quatro países, considerados

estratégicos ao mercado de biocombustíveis

europeu, foram selecionados: Brasil,

Argentina, Indonésia e Malásia.

FOCO NAS URGÊNCIAS

Segundo Fernanda, os criadores da certificação

não têm a ambição de que ela integre todas

unica

Produção de etanol baseada no respeito ao meio

ambiente é uma das condições para a certificação

as facetas possíveis da sustentabilidade, mas que

foque nos problemas mais urgentes. O sistema leva

em consideração aspectos específicos, como,

por exemplo, erosão do solo, impacto na disponibilidade

e contaminação de água. Além disso, os

critérios devem ser mensuráveis e verificáveis e

preencher todos os requerimentos do Regulamento

de Sustentabilidade da Alemanha e das

normas propostas pela União Européia.

Nessa fase inicial os organizadores pretendem

envolver os representantes da indústria, comércio,

agricultura e suas associações de classe, bem como

os representantes da política e organizações

não-governamentais para adequar as regras aos

respectivos países. Além disso, conforme Fernanda,

a certificação deverá acontecer por meio de

uma organização enxuta, de forma econômica.


divulgação/cnh latin america

Convergência de abordagens aumenta a credibilidade

fotos divulgação

Kristian Moeller, diretor

do GlobalGap, defende

a unificação de abordagens

Norbert Schmitz, do International

Sustainability

and Carbon Certification

Na visão do diretor do International

Sustainability and Carbon

Certification (ISCC), Norbert

Schmitz, nesse momento em que a

imagem dos biocombustíveis está

abalada, mais do que nunca existe

justificativa para uma certificação

internacional. "Uma certificação

reconhecida por todos os países dá

credibilidade aos exportadores e

reduz os custos."

Schmitz explica que atualmente

existem diversas abordagens de

certificação, bastante diferentes

entre si e que, em sua maioria, se

orientam apenas para uma matéria-prima

específica, não cobrindo

as exigências de sustentabilidade.

Tampouco há experiência prática

em relação à implementação de um

sistema adequado. O receio é que

essas diversas e diferentes abordagens

de certificação levem à utilização

de diversos certificados ao

mesmo tempo, ocasionando perda

de credibilidade e eficiência, além

do aumento considerável dos custos

envolvidos.

Atualmente, cada vez mais se

fala na Europa numa possível

proibição da importação dos biocombustíveis.

O intuito seria evitar

efeitos ecológicos indesejáveis que

a expansão da produção de biocombustíveis

na Indonésia, Brasil e

outros países poderá causar. "Só

que desta maneira serão excluídos

do mercado também os produtores

que manufaturam biocombustíveis

ecológicos e caracterizados por

uma alta redução de emissões de

carbono na atmosfera. Uma alternativa

melhor do que o isolamento

destes mercados é a certificação internacional

de biocombustíveis sustentáveis.

Assim se diferencia os biocombustíveis

ecológicos daqueles

que provocam danos ao meio ambiente",

justifica Schmitz.

INTRODUÇÃO DE MUDANÇAS

O diretor do GlobalGap, Kristian

Moeller, também observa outra

vantagem de uma certificação reconhecida

mundialmente. "Legislações

nacionais e regras de governo

a governo são difíceis de convencer

algumas das mais importantes

ONGs internacionais ambientalistas.

Como nós pudemos observar

no setor de alimentos, sistemas de

certificação possuem uma forma

bastante eficiente de introduzir

mudanças."

A União Européia impõe ainda

uma barreira tarifária ao etanol

brasileiro, com tarifa de 60%. Desde

outubro passado o governo federal

vem negociando com a UE

no sentido de reduzi-la. Até o momento,

sem qualquer resultado.

Nesse caso, os players que atingirem

todas as exigências dos compradores

poderiam conseguir uma

cota generosa de exportação? "Se

a tarifa de importação será reduzida

ainda está em aberto. Contudo,

eu acredito que uma co-existência

da produção européia e brasileira

seja a melhor solução", avalia

Schmitz. Na opinião do especialista,

uma taxa de importação menor

poderia resultar no colapso da produção

européia.

16 CANAL


EXPANSÃO

Celg investe nos sistemas de geração e transmissão

de energia elétrica e deve atingir o patamar de

200 MW de potência nos próximos anos.

ACelg irá investir em expansão

da capacidade geradora

de energia nos próximos

anos com o objetivo de ampliar

a atuação da empresa

no mercado nacional e regional.

Para atingir a meta do Governo de Goiás

de chegar ao patamar de produção de 200

mega watts de potência gerada, a companhia,

que antes era denominada Companhia Energética

de Goiás e se dividiu em duas empresas

em março do ano passado, irá adotar diversas

ações conjuntas no sentido de atender às expectativas

do mercado energético.

A companhia possui atualmente três usinas

hidrelétricas em operação, classificadas como

Pequena Central Hidroelétrica (PCH). A Usina

São Domingos gera 14,34 MW, a Usina Mosquito,

0,34 MW e a Usina Rochedo, 4 MW. Para

atender a meta do Governo de Goiás em expandir

a capacidade de geração de energia, a

Celg ampliará gradativamente sua participação

no mercado por meio de associações conjuntas

envolvendo a companhia e empreendedores do

segmento. A demanda energética de Goiás

atendida pela Celg é de 1.720 MW.

Hoje, a Celg participa como parceira acionista

nas obras de construção da Usina Hidroelétrica

(UHE) Corumbá III, cujo início das operações

está previsto para dezembro deste ano.

Esta nova unidade de geração atingirá o patamar

de 93,6 MW de potência. Uma das novas

unidades geradoras com maior potencial energético

e que têm a participação da Celg já está

80% construído. No mês passado, o UHE

Corumbá III já havia concluído a maior parte

de obras civis e estava executando a montagem

eletromecânica, sendo que a parte civil

engloba o aterro da barragem, vertedouro, túneis

de adução e de desvio, escavações de emboque

e subterrânea.

ROCHEDO - A companhia já iniciou o processo

licitatório para a expansão da capacidade

de geração da PCH Rochedo em mais 9 MW,

sem necessidade de ampliar o reservatório de

água da unidade produtora, criando as condições

necessárias para se chegar a 13 MW de

potência. A Celg também começou a realização

de ações junto à Agência Nacional de

Energia Elétrica (ANEEL) e registrou ativos para

garantir a elaboração de estudos de viabilidade

de sete novas usinas hidrelétricas a serem

implantadas nos rios Paranã e Palma, região

Norte de Goiás, todos eles afluentes da Bacia

do Tocantins.

OUTROS PROJETOS - Outro projeto promissor

da Celg ,que já está em fase de estudo é a

conclusão do inventario hidrelétrico dos rios

Meia Ponte e o alto do rio Palma perto da divisa

com estado do Tocantins. Na região Norte

de Goiás, os estudos de viabilidade já iniciados

devem resultar na instalação de novas

unidades geradoras de energia que irão contribuir

para que seja ultrapassada a meta de

200MW. A Celg deverá participar das licitações

das novas unidades geradoras a ser instaladas,

entre elas a Usina Nova Roma (51 MW),

Usina de São Domingos (70 MW), Usina Paranã

(95MW), Usina Atalaia (72 MW), Usina Pau-

D'árco (64 MW), Usina Barra do Palma (58

MW) e Usina Arraias (93 MW).

O sudoeste goiano também será contemplado

pela Celg com novas usinas hidroelétricas,

dentro das metas de expansão da companhia.

Já esta sendo concluído o estudo de reinventário

para levantar o potencial energético

no trecho médio do Rio Claro. Há estimativa é

de que somente nesta unidade a produção seja

superior a 100 MW. Em outra importante região

do Estado, na Bacia do Araguaia, deverão

ser iniciados os estudos em outro rio, que também

tem o nome de Rio Claro.

NOVA FORMATAÇÃO - Há pouco mais de

um ano a Celg, Companhia Energética de Goiás,

realizou uma Assembléia Geral Extraordinária

para definir as diretrizes para aumentar

o crescimento no setor de geração e distribuição

de energia elétrica e serviços. Com a necessidade

de dividir a empresa em duas, para

garantir o processo de desverticalização exigido

pelo novo modelo do setor elétrico pelo

qual todas as empresas do segmento tiveram

que realizar, a companhia passou a ser formada

pela Celg D (Distribuição) e Celg G&T (Geração

e Transmissão). Neste novo modelo, a

Celg foi adaptada para uma holding, recebendo

o nome de Companhia Goiás de Participações

(Goiáspar). Formada, inicialmente, por

duas subsidiárias, Celg Distribuição (Celg D) e

Celg Geração e Transmissão (Celg G&T), em

abril, a holding ganhou a terceira empresa,

com a criação da Celg Telecom, que atuará no

ramo de telecomunicações, e mudou a denominação,

de Goiáspar, para Celgpar.

A Celg atende a 237 municípios em sua área

de concessão, o que corresponde a 96,37% dos

municípios goianos. Os serviços estão distribuídos

em 297 subestações, 199 agências de

atendimento e seis postos nos Vapt-Vupts. Toda

essa infra-estrutura está equipada tecnicamente

para atender a 2.050.000 unidades consumidoras.

A Celg possui 2.821 funcionários

efetivos atuando direta e indiretamente para o

fornecimento ininterrupto de energia nos

5.734 quilômetros de linhas de transmissão,

9.656 quilômetros de linhas de distribuição,

41.998 quilômetros de rede de distribuição urbana,

além de 131.431 quilômetros de rede de

distribuição rural.

CANAL 17


ETANOL

Goiás anuncia

aumento de 78% na produção

ABERTURA DE MAIS UMA

SAFRA RECORDE REFLETE

PUJANÇA DO SETOR.

GOVERNO ESPERA

DOBRAR PIB ESTADUAL

COM EXPANSÃO DA

ATIVIDADE CANAVIEIRA.

Rhudy Crysthian

Com uma projeção de ultrapassar os 33

milhões de toneladas de cana moída

na safra 2008/09, ante os 20,8 milhões

de toneladas esmagadas ano passado,

Goiás se destaca também na colheita mecanizada,

que deve atingir 60% da área cultivada

no próximo ano, e como um dos Estados que

mais atraem investimentos no setor. Ao todo,

serão 30 usinas operando este ano. Só as que já

estão em funcionamento devem produzir 2,12

bilhões de litros de álcool nesta safra, um crescimento

de 78% sobre o que foi registrado na

passada, quando foram produzidos 1,19 bilhão

de litros de álcool. Diante da onda de investimentos

no setor em Goiás, o governo espera

dobrar o Produto Interno Bruto (PIB) goiano

em menos de quatro anos.

A produção de álcool crescerá bem mais

que a de cana, que aumentou 59%, devido a

um ganho de rendimento das indústrias. "Colheita

mecanizada, novas variedades no mercado

e indústrias mais bem equipadas são os

grandes responsáveis", afirma o presidente

executivo do Sindicato das Indústrias de Fabricação

de Álcool de Goiás (Sifaeg) e Sindicato

das Indústrias de Fabricação de Açúcar

(Sifaçúcar), André Rocha.

Já a produção de açúcar em Goiás deve saltar

de 942 mil toneladas para 1,47 milhão de

toneladas, um crescimento de 56,3%. Só de

álcool hidratado o Estado produzirá 1,31 bilhão

de litros, o equivalente a 10,5% da produção

da Região Centro Sul, bem longe dos 728

milhões de litros produzidos na safra anterior.

De acordo com as estimativas do Sifaeg/Sifaçúcar,

o Estado terá 55 usinas até 2012, número

que pode aumentar ainda mais com a conclusão

da Ferrovia Norte-Sul e do alcoolduto

entre Goiás e São Paulo.

Diante dos números divulgados para esta safra

e a expectativa para os próximos anos, o

governador do Estado, Alcides Rodrigues, afirma

que Goiás irá dobrar seu PIB até 2012. Mas

Rocha destaca que para alcançar tal façanha

Goiás precisa manter a política de incentivos

fiscais para assegurar os investimentos previstos

pelo setor. "Qualquer mudança nas regras

seria muito prejudicial", prevê.

Ele destaca ainda que Mato Grosso, Mato

Grosso do Sul, Bahia e Tocantins adotam políticas

agressivas de incentivo para atrair novos

investidores, o que, somado à alta no valor do

ICMS pago pelo setor em Goiás, de 15% para

26% – um dos mais altos do País –, poderia

atrapalhar os planos do governo.

Questionado pela reportagem do CANAL sobre

o tema, o governador Alcides Rodrigues

lembrou que a área técnica da Secretaria da

Fazenda estuda uma possível revisão em benefícios

concedidos pelo governo. "São alterações

para corrigir distorções em alguns setores, o

que não vai prejudicar os investimentos, já que

as mudanças estão sendo discutidas com representantes

desses próprios setores", garantiu.

divulgação

18 CANAL


Mais uma usina é

inaugurada em Goiás

cairo fagundes

Com a inauguração da Usina Serra do Caiapó,

em Montividiu, no Sudoeste de Goiás, já

sobe para 21 o número de usinas no Estado. E

se depender da vontade do Grupo Souza e Filhos,

esse número vai crescer mais uma cifra.

Segundo o presidente da empresa, Oswaldo

Antônio de Souza, já estão em andamento

estudos embrionários para a instalação de

mais uma usina em Ouruana, distrito de Rio

Verde, também no sudoeste goiano.

A Usina Serra do Caiapó já começa a operar

com 60% da colheita mecanizada. A empresa

vai gerar 700 empregos diretos e outros

700 indiretos até o fim do ano. De acordo

com Oswaldo, o momento de preços baixos

para o setor não assusta novos investimentos

do grupo, porque é um cenário passageiro.

Goiás teve aumentada sua área plantada de

cana de 211,7 mil hectares para 339,2 mil hectares

para este ano, segundo dados do Sifaeg/Sifaçúcar.

Mesmo assim, diante da expansão da

cultura, o que pode ser notado em um giro pelo

sudoeste goiano, uma das regiões mais ricas do

Estado, é a diversificação da produção agrícola.

Além da cana, é forte a presença de cultivos

de grãos, a exemplo do sorgo, girassol,

milho e soja.

CANAL 19


GIRASSOL

Área plantada cresce em Goiás

Evandro Bittencourt

stock.xchng

BOA OPÇÃO PARA A SAFRINHA

É uma cultura de ampla capacidade de

adaptação às diversas condições de

latitude, longitude e fotoperíodo

Nos últimos anos, vem se apresentando

como boa opção de rotação e sucessão de

culturas nas regiões produtoras de grãos

Melhor tolerância à seca do

que o milho ou o sorgo

Em áreas onde se faz rotação de culturas

com o girassol, observa-se um aumento de

produtividade de 10% nas lavouras de soja

Produtores da principal região

produtora de grãos do Centro-

Oeste brasileiro, o Sudoeste goiano,

apostaram no girassol no cultivo da

safrinha em sucessão à soja. Apenas

nos municípios de Rio Verde e Montividiu

foram plantados cerca de 8

mil hectares, contra aproximadamente

3 mil hectares no ano passado.

A procura do grão por indústrias

esmagadoras aumentou, motivada

pelo aumento do preço dos óleos

comestíveis e influenciada pelo

aumento de demanda provocada

pela produção do biodiesel, que, a

partir do mês de julho, terá aumentada

sua adição ao óleo diesel de

2% para 3%.

Muitos produtores que antes

plantavam o milho e o sorgo na safrinha

optaram pelo girassol e não

se arrependeram. O clima contribuiu

com a cultura, informa o gerente

do Departamento de Agronomia da

Cooperativa Mista dos Produtores

Rurais do Sudoeste Goiano, Maurício

Miguel. Segundo ele, mesmo

tendo faltado chuvas ao longo do

mês de maio, não haverá maior

e entre 15 e 20% nas de milho

Vem sendo utilizado, principalmente,

para extração de óleo e é considerado,

dentro os óleos vegetais, como um dos

óleos de melhor qualidade nutricional e

organoléptica (aroma e sabor)

A massa resultante da extração do óleo

rende uma torta altamente protéica, usada

na produção de ração

Seu cultivo também pode estar

associado à apicultura

Fonte: Embrapa Soja

comprometimento da produtividade

da cultura.

As chuvas foram suficientes na

fase de formação das lavouras e o

estio se deu num momento em

que o sistema radicular das plantas

já se encontrava bem desenvolvido.

"Além disso, o girassol é

muito resistente, até mais do que

o sorgo", compara Maurício Miguel.

O plantio da cultura se deu

no mês de fevereiro e a colheita,

em sua maior parte, se dará no final

do mês de junho.

As pragas também não devem

causar prejuízos significativos. As

mais comuns, como o mofo-branco

e a lagarta do girassol, foram

controladas antes que causassem

maiores perdas, na maioria dos

casos. A produtividade média da

cultura na região deve ser de 1,5

mil quilos por hectare, superior

aos resultados obtidos em anos

anteriores, entre 1,2 mil e 1,3 mil

quilos por hectare. Há produtores,

no entanto, com maiores investimentos

em tecnologia, que esperam

colher até 40 sacas por hectare,

o equivalente a 2,4 mil quilos

por hectare.

CANAL 21


SETOR SUCROALCOOLEIRO

Gerando Desenvolvimento

NOVOS INVESTIMENTOS

EM MINAS GERAIS,

GOIÁS E MATO GROSSO

DO SUL SOMAM MAIS

DE 30 BILHÕES

DE REAIS

Juliana Barros Costa

Um boom de investimentos em novas

usinas acontece em Goiás, Mato

Grosso do Sul e Minas Gerais, gerando

desenvolvimento e ampliação

de toda a cadeia produtiva. Em Goiás, Luiz

Maronezi, da Secretaria de Indústria e Comércio,

diz que o Programa Produzir projeta

investimentos até 2012. O total para o setor

sucroalcooleiro é de US$ 8 bilhões. Municípios

como Santa Helena, Luziânia, Paraúna, Morrinhos

e São Simão estão sendo beneficiados.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico

de Minas aprovou em março

quatro projetos. São R$ 1,3 bilhão,

gerando aproximadamente

8 mil novos postos

de trabalho. Das novas usinas de álcool, três

serão no Triângulo Mineiro e uma na Região

Noroeste do Estado. Municípios como Campo

Florido, Conceição das Alagoas, Iturama e Pirajuba

estão apresentando crescimento acima

de 120%. Calcula-se que até 2013 Minas

Gerais receberá investimentos superiores a

US$ 3 bilhões. O Grupo Santa Elisa irá investir

R$ 410 milhões para a implantação da Usina

Platina Bioenergia, em Ituiutaba, no Triângulo

Mineiro. A estimativa é que sejam criados

1,5 mil empregos diretos e indiretos.

A Secretaria de Produção do Mato Grosso

do Sul assinará 80 termos de acordo para a

instalação de empresas sucroalcooleiras no

Estado. Segundo o Sindalms, cerca de 150 mil

empregos serão gerados pelos projetos, que

devem estar em produção até 2015.

joão faria

22 CANAL


fotos: divulgação

Caarapó, no Mato Grosso do Sul, cresceu 15,9% em três anos

Cidades que receberam usinas, como Caarapó, foram beneficiadas com melhorias na urbanização

Nos últimos três anos, a população

do município de Caarapó passou

de 19.587 para 22.700 habitantes.

Um crescimento decorrente dos

investimentos em usinas de açúcar

e álcool na região. Dois projetos estão

sendo implantados: o Grupo

Nova América (SP), que construirá

nesse ano uma Usina de Álcool, e a

Companhia Brasileira de Energia

Renovável (Brenco), com um projeto

de biodiesel e cogeração com bagaço

de cana-de-açúcar. As obras

da Nova América começaram em

outubro de 2007.

Segundo o prefeito de Caarapó,

Mateus Palma de Farias, esses projetos

somam investimentos de R$1

bilhão, gerando cerca de 1.500 empregos

diretos e indiretos. O Sindicato

das Indústrias de Fabricação

do Álcool do Estado de Mato Grosso

do Sul (Sindalms), diz que não

tem casa para alugar, nem hotéis

para tanta gente que chega à cidade.

Por conta disso, mais de 200 residências

estão em construção.

Paulo Aurélio, gerente executivo

do Sindicato, afirma que, mesmo

ainda não estando em operação, a

Usina Nova América já demanda

contratação de mão-de-obra local

para qualificação profissional. Existe

ainda grande movimentação nos

setores de prestação de serviços,

restaurantes, empresas de insumos

agrícolas e combustíveis.

Foram feitos elevados investimentos

em habitação, saúde, educação

e lazer, além de redes de

energia, água e telefone. "O comércio

na cidade também está em crescimento.

A geração de emprego e

renda altera positivamente o consumo

de bens e serviços", afirma o

prefeito. Alguns setores se destacaram,

como o comércio e a prestação

de serviços. Foram criadas novas vagas

também na construção civil, engenharia

industrial e agronômica.

A Brenco Bioenergia, que irá esmagar

soja, produzir biodiesel puro

e gerar energia elétrica, deverá ter

cerca de 200 empregados fixos

(nessa fase de instalação, são mais

de 300 funcionários na obra).

EMPREGOS E EMPRESAS

Campo Florido, em Minas Gerais,

vem experimentando um crescimento

econômico inédito. A economia

local passou a atrair, inclusive,

gente que havia migrado em busca

de novas oportunidades. Hoje, existem

cerca de 2.000 empregos temporários

e 4.000 empregos diretos.

Magno Luiz, chefe de gabinete da

Prefeitura de Campo Florido, diz que

o aumento de empregos na região

trouxe progresso para o município.

Várias empresas estão se instalando

em virtude do funcionamento da

Usina Coruripe. Entre elas, Copercana,

Copercitrus e Eletrozema.

Cerca de 80% da força de trabalho

atua em atividades ligadas direta

ou indiretamente ao setor de

etanol. Tal crescimento refere-se às

mudanças no modelo de cultivo

adotado. Os produtores locais negociaram

com o Grupo Tércio Wanderley

para que a Coruripe terceirizasse

a produção de cana na região,

em que cerca de 60 agricultores se

organizam em condomínios de fornecedores,

modo de trabalho adotado

pela indústria.

Além disso, a empresa tem in-

vestido no planejamento e execução

de projetos educacionais, culturais

e ambientais em parceria

com autoridades, lideranças comunitárias

e instituições de ensino. O

Grupo Tércio Wanderley participa

do Programa Parceria-Público-Privada

(PPPs). Uma das principais

ações dessa parceria é a construção

de rodovias na região.

O objetivo é facilitar o escoamento

da produção e o recebimento

de matéria-prima. A empresa já

asfaltou 300 km de estrada no município

de Pirajuba e até o final deste

ano serão construídas 500 casas,

250 em parceria com a Usina. A arrecadação

do município, que antes

girava em torno de R$ 250 mil/mês,

chegou à marca de R$1milhão/mês.

"A instalação da Usina Coruripe foi

o maior avanço da história desta região",

enfatiza Magno Luiz.

CANAL 23


sílvio simões

Paraúna vive ritmo acelerado de crescimento


"Não tem na cidade

trabalhadores

braçais disponíveis,

toda mão-de-obra

ociosa foi absorvida

pelas indústrias. O

município precisa

de mais hotéis e

restaurantes.

Sebastião Ferro

Prefeito de Paraúna


Em 2005 a prefeitura de Paraúna (GO) criou o

Programa Municipal de Estímulo à Industrialização

(Lei 1.645/2005), que prevê a isenção de impostos

e taxas, concessão de imóveis, serviços de

terraplanagem, instalação de redes de energia

elétrica e vias de acesso, além da doação de terrenos.

Em troca, a empresa beneficiada tem o

compromisso de contratar mão-de-obra local.

Um dos resultados positivos é a Nova Gália,

que assinou em 2007 um contrato de financiamento

de incentivos fiscais e que agora está entrando

em operação. A indústria investirá um

total de R$ 10 milhões para a instalação da usina,

tendo incentivo de R$ 253 milhões do Produzir

nos próximos 15 anos. A Nova Gália processará

1.000.000 de ton./ano, gerando 393 empregos

diretos e 1.179 indiretos após o 3º ano de

implantação. Outro projeto de destaque é o da

Cosan e Energética Ponte da Pedra, originando

cerca de 6.000 empregos diretos e indiretos.

Com tanto crescimento Paraúna precisa de

melhor infra-estrutura. Na área de energia

vem pleiteado junto à CELG, rede trifásica. Na

área social foram criados quatro equipes do

Programa Saúde da Familia (PSF) e construída

mais uma unidade de atendimento médico.

Estão sendo construídas também 100 casas

populares no Setor Concórdia, parceria da Caixa

Econômica Federal (CEF), prefeitura, Organização

da Sociedade Civil de Interesse Público

(OSCIP) e Lagotur. Na região não tem casa

para alugar. O setor de comércio e prestação

de serviços foram os que mais cresceram. Lojas

de roupas, calçados e presentes foram abertas,

e a cidade carece de outros serviços como: floricultura,

livraria e revistaria.

QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

Diante de todo esse crescimento muitas são as

necessidades também na área de formação de

mão-de-obra. Já existe também necessidade de

aumentar o número de leitos nos hotéis e de

ampliar o número de restaurantes. Há ainda uma

demanda por lojas de suprimentos para manutenção

de máquinas e ferramentas, comércio de

peças, retífica e serviços mecânicos, além de revendas

de máquinas agrícolas, peças, serviços hidráulicos

e locação de máquinas e carros de passeio.

"Não há na cidade trabalhadores braçais

disponíveis, toda mão-de-obra ociosa foi absorvida

pelas indústrias. O município precisa de

mais hotéis e restaurantes e as estradas vicinais

estão em constante manutenção. Escolas municipais

passam por melhorias no ensino, lotes urbanos

foram valorizados em 200%, as fazendas

em 100%. Temos agora uma prioridade: a construção

de um aterro sanitário", afirma o prefeito

do município, o médico Sebastião Ferro.

24 CANAL


CANA-DE-AÇÚCAR

Zoneamento da cultura

será anunciado de modo integral

mapa

Diferente do que tem sido feito

pela Secretaria de Política

Agrícola (SPA) no zoneamento

agrícola de risco climático para

plantas oleaginosas, que é divulgado

em portarias gradativamente, o

zoneamento ecológico para canade-açúcar

será lançado todo de

uma vez, no mês de julho. Até

agora, o que já foi definido pela

Secretaria de Agroenergia do Ministério

da Agricultura sobre o assunto

é a não necessidade da proibição

do plantio de cana na Amazônia,

pela justificativa de que o

cultivo não seria viável economicamente

naquela região.

Na verdade, não existe mercado

consumidor e a produtividade da cana

é 15% inferior à das demais regiões

brasileiras, pois o nível de sacarose

é mais baixo devido ao clima. A

lucratividade da cana na Amazônia é

Queremos mostrar

para o mundo que

vamos fazer o

desenvolvimento da

cana sob critérios

sustentáveis

Manoel Bertone, Secretário de

Agroenergia do Ministério da Agricultura

baixa e a cultura exige período seco

e período frio, diferente do clima

quente úmido da região.

O trabalho, preparado pelo governo

federal, é uma parceria dos

ministérios da Agricultura e do

Meio Ambiente, da Conab e Embrapa,

consiste basicamente em identificar

as áreas onde o plantio da

cultura não afeta o meio ambiente.

Parte do zoneamento já foi feita

pelo Ministério do Meio Ambiente,

Conab e alguns Estados.

O zoneamento servirá para orientar

políticas públicas, como o financiamento

para aumentar a produção

em determinadas áreas.

"Queremos mostrar para o mundo

que vamos fazer o desenvolvimento

da cana sob critérios sustentáveis

por interesse próprio", disse o secretário

de Agroenergia do Ministério

da Agricultura, Manoel Bertone.

CANAL 25


EMPRESAS E MERCADOS

Cotril Máquinas lança dois

novos equipamentos

A Cotril Máquinas apresentou, no

mês de maio, na ExpoGoiás 2008, dois

novos equipamentos com alta

tecnologia e inovação da New Holland.

Estiveram presentes representantes da

Cotril, da New Holland e de mercados

ligados ao uso de equipamentos

pesados. As pás-carregadeiras W170B E

W190B integram uma linha completa

de máquinas para os mercados de

construção civil e rodoviária, locação,

indústria, extração mineral, usinas

sucroalcooleiras e agricultura. Segundo

o Diretor Comercial da New Holland na

América Latina, Gino Cucchiari, os

setores onde os equipamentos serão

utilizados estão em franco crescimento.

O sistema de refrigeração

diferenciado, a cabine extremamente

confortável, o projeto industrial

moderno e a alta tecnologia utilizada

são atributos que caracterizam as novas

pás-carregadeiras pela inovação. O

Diretor Comercial da Cotril, Domingos

Pereira de Ávila Júnior, afirma também

que as novas máquinas aliam tecnologia

e economia de combustível, o que

permite que as máquinas ganhem

destaque no mercado.

Programa Mata Viva da Basf realiza em Bebedouro mais uma etapa

No mês passado aconteceu mais uma fase do

Programa Mata Viva da Basf, com o plantio de

mudas na Fazenda Santa Júlia, em Bebedouro,

interior paulista. A iniciativa teve o apoio da

Coopercitrus - Cooperativa dos Cafeicultores e

Citricultores de São Paulo. A área de mata

nativa da fazenda que será recuperada por

meio do Programa Mata Viva de Adequação e

Educação Ambiental tem cerca de 10 hectares.

O Programa Mata Viva é uma iniciativa

pioneira em responsabilidade sócioambiental

do negócio de Proteção de Cultivos da Basf,

com o apoio de cooperativas agrícolas e

produtores rurais. Ele consiste no apoio técnico

e na orientação às cooperativas, aos

Comanche Energy ultrapassa

marca de mil funcionários

A Comanche Clean Energy, empresa

multinacional comprometida com a produção de

biocombustíveis, atinge a marca de 1.142

funcionários. Os primeiros investimentos da

empresa no País, no total de US$ 150 milhões,

foram realizados em 2007, na aquisição de duas

plantas de produção de álcool em São Paulo.

Serquímica desenvolve tecnologia

alternativa em fermentação

A Serquímica, especialista em produtos

químicos para processos, oferece um

tratamento alternativo de fermento para a

produção de etanol. O tratamento, à base de

Biocyd SQ 52, substitui parcialmente o ácido

sulfúrico, cujas propriedades oferecem ao meio

fermentativo uma estabilidade bacteriana

superior à provocada pela presença do H2SO4.

Grupo alemão DVA anuncia fábrica de defensivos agrícolas no Brasil

fotos: divulgação

profissionais do setor agrícola e produtores

rurais, no que diz respeito à recuperação de

áreas de preservação permanente degradadas

de propriedades rurais e educação ambiental

das comunidades envolvidas.

John Deere inaugura nova

fábrica no Rio Grande do Sul

A nova fábrica de tratores da John

Deere, localizada em Montenegro, no Rio

Grande do Sul, município a 50 quilômetros

de Porto Alegre, foi inaugurada no dia 15

de maio. Com capacidade de produção de

15 mil tratores por ano, a unidade conta

com 715 funcionários e criou cerca de

1.500 empregos indiretos. O investimento

na expansão da capacidade de produção

representada pela nova fábrica foi de 250

milhões de dólares. A escolha do Brasil,

entre os países de vários continentes, como

sede da nova fábrica de tratores pela

direção mundial da John Deere,

"comprovou a confiança da companhia no

crescimento do País e em sua vocação de

ocupar um papel de destaque cada vez

maior entre os fornecedores mundiais de

alimentos, fibras e bioenergia", afirma

Aaron Wetzel, vice-presidente de

Marketing, Vendas e Planejamento da John

Deere para a América do Sul .

O grupo alemão DVA chegou ao Brasil em

2003, com a criação da DVA Brasil. Cinco

anos depois, a organização anuncia

investimentos de US$ 100 milhões até 2014.

A primeira fase do aporte inicia-se com a

construção do Centro de Tecnologia, Produção

e Distribuição de defensivos agrícolas no

município paulista de Ituverava, com

investimentos de US$ 50 milhões. O centro

entra em funcionamento já em 2008. Ano que

vem termina a primeira fase da fábrica de

formulação de defensivos agrícolas; em 2010,

começará o processo de síntese de moléculas

para a produção de diferentes produtos, os

quais serão exportados para as unidades do

Grupo DVA espalhadas por 60 países em

quatro continentes, diz Carlos Pellicer,

diretor-presidente da DVA Brasil.

26 CANAL

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