As empresas - Canal : O jornal da bioenergia

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As empresas - Canal : O jornal da bioenergia

Carta

ao leitor

O futuro já

Ninguém mais tem dúvidas, o mundo precisa de fontes de

energia renováveis para deixar de ser refém dos combustíveis

fósseis. Recentemente, a Agência Internacional de Energia,

que só tratava de petróleo, começou a atuar na área de bioenergia,

um sinal claro da importância que vem sendo dada

ao tema em todo o mundo. Nesse cenário, o Brasil tem a rara

oportunidade de dar lições ao primeiro mundo, exibir sua

competência na produção de etanol e biodiesel e alcançar a

condição de líder global na produção de biocombustíveis.

A intensa movimentação de grupos empresariais na elaboração

de projetos e implantação de usinas de produção de

biocombustíveis, a exemplo da Caramuru, em São Simão, Goiás,

mostra que se trata de um processo irreversível. Mesmo

quem não é do ramo, mas reúne as condições financeiras para

bancar investimentos no setor da agroenergia, movimenta

suas peças para não ficar fora de um mercado de amplas

oportunidades de negócios.

Empresas de ramos diversos se unem para somar forças, a

exemplo do Grupo Maeda, um dos líderes na produção de algodão

que associou-se à Usina de Açúcar e Álcool MB Ltda.,

uma das maiores empresas do setor sucroalcooleiro nacional.

A produção de tecnologias relacionadas ao setor também

avança de forma acelerada, diversificando as possibilidades

de aproveitamento dos combustíveis renováveis.

A Embrapa também já prepara a implantação de uma unidade

específica em agroenergia para atuar, desde os sistemas

de produção, até as características necessárias que os produtos

e subprodutos utilizados na produção de biocombustíveis

deverão ter.

E esses são apenas alguns aspectos do intenso movimento

gerado pelo crescimento do setor de produção de biocombustíveis.

Nesta 2ª edição do CANAL Bioenergia, o leitor terá a oportunidade

de se informar sobre esse processo a partir de alguns

exemplos e temas selecionados com o intuito de jogar luz sobre

os contornos e dimensões que o setor de agroenergia assumirá

num futuro breve, que aliás, já começou.

07 TROPICAL BIOENERGIA

Formada por dois importantes grupos do

agronegócio brasileiro, a indústria é mais

uma gigante do setor sucroalcooleiro a ser

instalada em Goiás.

10 BIODIESEL

Vantagens competitivas deixam o Brasil em

situação privilegiada para produzir o biodiesel,

o que atrai investimentos de grupos

empresariais de todo o mundo

16 EMPRESAS DE SUPORTE

Novas usinas, como a São Francisco, em

Quirinópolis, devem atrair empresas

prestadoras de serviços, o que proporcionará

redução de custos operacionais e a geração de

mais empregos e impostos.

18 QUEIMA DA CANA

Restrições à queima da cana suscitam

discussão sobre impactos do manejo e as

conseqüências sociais e econômicas da

colheita mecanizada da cana crua.

CANAL, O JORNAL DA BIOENERGIA, é uma publicação da

MAC Editora e Jornalismo Ltda. - CNPJ: 05.751.593/0001-41

única

07

daiane souza/unb agência

Boa leitura!

Abrindo fronteiras

Do diretor

comercial

O Jornal CANAL Bioenergia chega ao mercado num

momento de grandes oportunidades de negócios para os

agentes da cadeia produtiva do açúcar, do álcool, da cogeração

de energia e do novíssimo biodiesel que, juntamente

com o etanol, representam os grandes trunfos do Brasil na

nova corrida mundial por alternativas realmente viáveis para

a substituição do petróleo.

É preciso divulgar as ações implementadas para tornar

realidade esse potencial, mostrar quem são os agentes dessa

vigorosa transformação já em curso, os investimentos, as

políticas de incentivo, as tecnologias, as relações com o

homem e o meio ambiente e as demandas que precisam ser

superadas para que o Brasil possa assumir um papel de relevância

sem precedente em todo o mundo, o de líder mundial

na produção de energia limpa e renovável.

O Jornal CANAL Bioenergia assume a responsabilidade de

ser o veículo pioneiro na cobertura da nova fronteira da produção

de energia, compreendida pelos estados de Goiás,

Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

O compromisso está firmado: vamos reportar aos nossos

leitores informação de qualidade e estimular a discussão de

assuntos relevantes para o amadurecimento do setor com

ética, transparência e agilidade.

Não fique fora dessa verdadeira revolução energética, posicione

sua marca nesse mercado, divulgue produtos e serviços e

assuma com o Jornal CANAL Bioenergia o desafio de crescer e

ajudar a transformar a nova fronteira no grande pólo energético

mundial da energia limpa e renovável.

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16

10

Grupo São João

Sifaeg

Sucesso!

18


ENTREVISTA - César Borges de Sousa

Otimismo com cautela

caramuru

• Evandro Bittencourt

CARAMURU, MAIOR

INDÚSTRIA BRASILEIRA

DE PROCESSAMENTO

DE GRÃOS, INVESTE

NA PRODUÇÃO DO

BIODIESEL. CÉSAR

BORGES, VICE-

PRESIDENTE DA

EMPRESA, FALA SOBRE

AS PERSPECTIVAS

PARA O SETOR

OPrograma Nacional de Produção e Uso

do Biodiesel depende em grande parte

da produção de grãos, especialmente a

soja, o que criará uma pressão de demanda

suficiente para reconfigurar esse mercado.

César Borges, 57 anos, vice-presidente da

Caramuru Alimentos e presidente da

Associação Brasileira das Indústrias de Milho,

concedeu entrevista exclusiva ao CANAL sobre

as condições atuais do setor, os possíveis

reflexos resultantes da produção em escala do

combustível e outros aspectos relacionados ao

biodiesel no Brasil e no mundo.

CANAL: Como o senhor avalia esse intenso

movimento no Brasil e no mundo de grupos

interessados em produzir biocombustíveis?

César Borges – Tenho observado empresas

investindo intensamente nessa área não só

no Brasil, mas também na Europa e nos

EUA. Tivemos um recente anúncio da ADM

sobre investimentos no Mato Grosso. A

empresa é considerada a maior do biodiesel

na Europa. A ADM investe fortemente

nessa área de combustíveis e também

fabrica álcool a partir do milho nos EUA,

onde processa cerca de 50 milhões de

toneladas do grão para fazer o combustível,

o que representa mais do que uma safra

anual brasileira.

E o Brasil, como se insere nesse contexto em

que se percebe uma certa avidez das empresas

do setor e mesmo de corporações de outras

áreas que já programam investimentos no

setor energético?

C B. – Temos o álcool da cana-de-açúcar,

que dizem ser o mais competitivo do

mundo, e o Japão está dando sinais claros

que será um grande comprador desse

combustível. Também temos o carro com a

tecnologia Flex-Fuel, uma inovação do

Brasil que causou impacto no mundo. Na

minha visão, esses fatos ajudaram a abrir o

caminho para o biodiesel, pois se de um

lado a gasolina é substituída pelo álcool,

por outro o biodiesel substitui o diesel. São

tecnologias que se complementam. O

Brasil, graças ao álcool produzido a partir

da cana e pela tecnologia que desenvolveu,

tem tudo para ser o grande líder mundial

nessa área.

E no caso do biodiesel, especificamente,

o Brasil também pode assumir um papel

de liderança?

“ O Brasil exportava

14% de sua produção

em grãos, hoje

esse porcentual já se

aproxima de 50%

C B. – No caso do biodiesel ainda há uma

fraqueza muito grande em relação à

industrialização da soja. Sabemos que, do

ponto de vista de incentivos à

industrialização, a Argentina está com

mecanismos bem mais eficientes que o

Brasil para produzir e exportar o biodiesel.

Eles têm um imposto muito elevado para

exportar o óleo e um diferencial grande

quando se trata de exportar o biodiesel.

Quais são as alíquotas?

C B. – Hoje eles taxam em 23,5% a

exportação do grão, o que já é vantagem

em relação ao imposto para exportar farelo

e óleo, que é de 20%, e um imposto de 6%


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CANAL – agosto/setembro de 2006


para exportação de biodiesel. Como se vê,

no que se refere à exportação de biodiesel,

a Argentina está disparada na frente pelo

diferencial tributário dos produtos mais

elaborados, uma escalada tarifária que

serve para proteger a industrialização e

que o Brasil não tem.

Mas o mercado interno brasileiro para o

biodiesel é bastante amplo. Como o

senhor o avalia?

C B. – Sim, é bastante amplo, a Petrobras e

a ANP já estão fazendo leilões e a

tendência é que haverá uma antecipação

da obrigatoriedade de adição do biodiesel.

Como se deu a tomada de decisão da

Caramuru para a produção de biodiesel?

C B. – A Caramuru, desde 1996, vem

sofrendo com essa política equivocada que

incentiva exclusivamente a exportação de

grãos. E desde então vem procurando

saídas, pois a empresa está no ramo e

conhece aquilo que faz. Havíamos acabado

de inaugurar uma fábrica em Goiás, no

município de São Simão, no ano de 1995.

Já no ano seguinte ficamos numa saiajusta

por conta dessa posição do governo.

Pegamos a oportunidade do nãotransgênico

para exportar com prêmio,

primeiro o farelo e depois investimos para

produzir a lecitina, sempre procurando

uma forma de fugir dessa situação

negativa que atinge a indústria brasileira.

E quais são as conseqüências dessa política?

C B. – Se você avaliar a participação que o

Brasil tinha no mercado em 1996 e calcular

quanto foi exportado desde então, somando

ano a ano, verá que o Brasil deixou de

exportar US$ 12 bilhões só em farelo de soja

e óleo. É uma quantia brutal para a balança

brasileira e isso aconteceu porque passou a

vigorar no Brasil uma legislação que

eliminou o diferencial tributário que aqui

também existia - como a escalada tarifária

que a Argentina usa - e não colocou nenhum

mecanismo adequado no seu lugar.

E durante esse tempo, o que aconteceu na

Argentina?

C B. – As indústrias na Argentina

receberam investimentos maciços. De lá

para cá eles investiram US$ 2 bilhões,

usando até financiamento do BNDS para

a aquisição de máquinas, enquanto o

Brasil ficou patinando. A infra-estrutura

não acompanhou e as indústrias perderam

tamanho, quando comparadas com as

empresas Argentinas. Para se ter uma

idéia, a capacidade média de uma

indústria aqui no Brasil é no mínimo três

vezes inferior à capacidade média de uma

fábrica na Argentina.

Qual foi a justificativa utilizada pelo Governo

na época?

C B. – Na época, o governo federal

argumentou que iria eliminar uma carga

parcial na exportação, mas isso ocorreu de

forma integral. E prometeu que depois faria

a correção, o que não foi feito até hoje.

Com isso o Brasil perdeu competitividade,

empregos, arrecadação em sua balança

comercial, entre vários outros prejuízos.


No caso do biodiesel, ainda

há uma fraqueza muito

grande em relação ao

processamento da soja.

Sabemos que, do ponto de

vista de incentivos à

industrialização,

a Argentina está com

mecanismos bem mais eficientes

que o Brasil.

E como se configurou a exportação de grãos

desde então?

C B. – Naquele ano o Brasil exportava 14%

de sua produção em grãos e hoje esse

percentual já se aproxima dos 50%.

A coisa está chegando num ponto que

a gente poderá até vir a importar

farelo para alimentar os animais e,

quem sabe, importar óleo comestível

para o abastecimento interno e talvez

até o biodiesel.

O Brasil foi na contramão do

desenvolvimento, deixando de exportar

produtos processados e com valor agregado

para incentivar a exportação do produto

in natura.

C B. – Exatamente, e essa exportação está

se concentrando no abastecimento da

China, país que nesse período manteve um

processo de industrialização às custas de

uma escalada tarifária gigantesca.

Como a China estabeleceu sua política

de importação?

C B. – A China taxou a importação de óleo

em 122%, para barrar o compra do

produto processado. Com isso o país se

tornou um mega importador de grãos do

Brasil, o que nos deixou numa situação de

altíssima dependência de exportar grãos

para a China.

Isso criou uma situação de vulnerabilidade

perigosa para o Brasil, evidenciada no

episódio da soja contaminada com herbicidas.


C B. – Claro, quando tem algum problema,

a China se dá ao luxo de devolver um

monte de navios do produto, pois por uma

razão ou outra não está interessada em

receber naquele momento.

Até que ponto essa situação atrapalha as

indústrias de processamento de soja no Brasil?

C B. – Todas ficaram em dificuldade, tanto

que ultimamente vemos notícias de

fechamento de fábricas de multinacionais,

anúncios de prejuízos ou redução de

lucratividade nos balanços e muitas

demissões de empregados.

E não há perspectivas de melhora?

Não conheço nada de concreto e quanto

mais o tempo passa, mais difícil fica

recuperar o que se perdeu.

Como os empresários brasileiros do setor de

esmagamento de grãos avaliam o Programa

Nacional de Produção e Uso do Biodiesel?

C B. – Eles vêem como um bálsamo, uma

perspectiva de melhora da situação,

mas penso que ainda é uma gota d'água

num oceano.

Com um mercado interno tão grande o

senhor acredita que o Brasil venha a exportar

o biodiesel?

C B. – Acho que o Brasil não será tão

competitivo para ter uma atuação de

destaque nessa área se, mais uma vez, o

compararmos com a Argentina. Acho que

atuará marginalmente, como vem

acontecendo com as exportações de farelo

e de óleo. Cada dia a Argentina rouba um

pedaço do Brasil.

Quais são os maiores desafios para os

empreendedores brasileiros que estão

investindo na produção do biodiesel?

C B. – Os desafios são muito grandes, pois

é um produto que temos uma opção de

vender exclusivamente para um programa

governamental, ou seja, não tem a liquidez

de uma exportação. É preciso prestar

bastante atenção sobre esse risco, pois se

hoje o governo é um comprador, amanhã

não saberemos se o será. É preciso uma

certa cautela, pois às vezes as pessoas vão

desesperadas sobre um tema. Há outros

sinais que o governo tem emitido e que

precisam ser considerados, pois estão

relacionados à produção de mamona e

outras oleaginosas.

E em relação aos leilões, é a maneira mais

adequada de negociar o biodiesel?

C B. – Isto é ainda tão novo que é difícil

dizer. É preciso avaliar por um período de

tempo mais longo e observar o

cumprimento dos compromissos por parte

do comprador e do vendedor.

CANAL – agosto/setembro de 2006

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AGROTÓXICOS

Genéricos aguardam aprovação

REGISTRO E

HOMOLOGAÇÃO

DOS PRODUTOS

DEMORAM ATÉ

5 ANOS

OMinistério da Agricultura confirmou que

até o final do ano devem ser aprovados

quatro registros técnicos para a fabricação

de agrotóxicos genéricos. Segundo o coordenador

de Agrotóxicos do Ministério da Agricultura,

Pecuária e Abastecimento (Mapa), Luis Eduardo Rangel,

as avaliações que competem ao Ministério já foram

feitas. Faltam os resultados dos testes analisados

pelos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente.

Rangel diz que seis produtos técnicos já foram registrados,

dos quais dois foram homologados para o

uso na agricultura. Um deles, o Paraquat, deve gerar

redução de 20% a 30% nos preços em relação aos

agrotóxicos comercializados. O outro é o fungicida genérico

à base do ingrediente ativo Carbendazim.

A homologação permite a importação e a fabricação

dos ingredientes ativos dos agrotóxicos genéricos,

mas para que sejam utilizados na agricultura ainda

necessitam de uma avaliação específica. O Ministério

encaminhou as análises agronômicas dos produtos e

aguarda apenas os pareceres conclusivos do IBAMA e

da ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

REGISTRO SIMPLIFICADO

De acordo com o coordenador, a maioria dos agrotóxicos

registrados no mercado brasileiro é considerada

genérica. "O que o governo está fazendo é a implementação

do registro simplificado. Existe um decreto na Casa

Civil que estabelece regras claras para esse procedimento

de equivalência. Na verdade, o decreto não traz

fatos novos, ele internaliza os que já aplicamos no governo

para registro desses produtos", informa.

Para avaliação dos princípios de equivalência, foi

criado um grupo interministerial, coordenado pelo Comitê

Técnico de Assessoramento para Agrotóxicos

(CTA), formado por representantes do Mapa e dos ministérios

da Saúde e do Meio Ambiente.

Luis Eduardo explica que os procedimentos são

caros, pois exigem testes toxicológicos, ambientais e

de eficiência agronômica. "A idéia é simplificar o

processo de registro para que o produto chegue ao

consumidor mais barato".

casa do algodão

João Matos: processo é lento

e burocrático

Demora compromete competitividade

Os produtores brasileiros tentam baixar custos de

produção para recuperar a competitividade perdida

com a desvalorização do dólar frente ao real. O esforço

inclui a luta por uma legislação que regulamente

um mercado de produtos genéricos, semelhante

ao da indústria farmacêutica. O Governo Federal,

embora mostre certa sensibilidade à reivindicação,

com o registro de alguns produtos genéricos,

não satisfaz o setor, que inveja países vizinhos como

a Argentina e o Uruguai, onde os preços dos agrotóxicos

genéricos são bem menores que no Brasil.

João Matos, presidente da Cooperativa dos Produtores

de Algodão do Estado de Goiás (All Cotton), cita

como exemplo a diferença de preços de um herbicida

usado na cultura da soja. "Na China, o quilo

desse produto custa US$ 3,00, no Paraguai US$

20,00, na Argentina US$ 30,00 e no Brasil US$

180,00." Para ele essa diferença é culpa da dificuldade

de legalizar produtos genéricos no Brasil. O presidente

da All Cotton diz que são impostas dificuldades

para aprovar o uso de determinados agrotóxicos

utilizados em países que exportam produtos agropecuários

para o Brasil e questiona. "Esses defensivos

são aplicados na produção de milho e arroz e consumidos

livremente no Brasil. Se não são bons e seguros,

qual é a razão para o governo adquirir esses produtos

de nossos vizinhos?"

O registro e homologação de uso dos produtos,

queixam-se os produtores, é lento e burocrático. Pode

demorar 5 anos. "Existem mais de 5000 produtos utilizados

na agricultura e o governo demora anos para

homologar dois agrotóxicos genéricos. Se esse processo

não for ágil não teremos condições de participar

com competitividade na economia globalizada."

Agronegócio ganha câmara setorial e bate recorde

A Câmara Temática de Competitividade e

Sustentabilidade do Agronegócio foi instalada

pelo governo federal depois de uma mobilização

ocorrida no ano passado, durante o movimento

Alerta do Campo, em Brasília. A câmara surge

com o desafio de apontar alternativas para questões

como a integração agricultura e pecuária, irrigação

e drenagem, plantio direto na palha e

geo-informações agrícolas.

O anúncio da instalação da câmara coincidiu

com a divulgação do balanço das exportações

pelo Ministério da Agricultura. No mês

de julho, os negócios totalizaram US$ 5,236

bilhões. Um crescimento de 28,6% em relação

ao mesmo período de 2005, que foi de US$

4,072 bilhões.

Com importações de US$ 578 milhões, a balança

comercial do setor registrou no mês um

superávit de US$ 4,658 bilhões. De acordo com

a Secretaria de Relações Internacionais do

Agronegócio (SRI) do Ministério da Agricultura,

Pecuária e Abastecimento, tanto as exportações

quanto o superávit são recordes para valores

mensais da série histórica.

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CANAL – agosto/setembro de 2006


SETOR SUCROALCOOLEIRO

Bioenergia

une forças

TROPICAL

BIOENERGIA REÚNE

EXPERIÊNCIAS DO

GRUPO MAEDA E

USINA DE AÇÚCAR E

ÁLCOOL MB LTDA.

divulgação/ grupo maeda

Jorge Maeda: um dos líderes na

produção de algodão do País, grupo

passa a investir também no setor

sucroacooleiro

ATropical BioEnergia, empresa formada pela

união do Grupo Maeda e Usina de Açúcar

e Álcool MB Ltda. - joint venture entre

a Vale do Rosário e a Santa Elisa -, é

a nova empresa formada por dois importantes grupos

do agronegócio brasileiro. A usina irá operar no

Sudoeste Goiano e terá sede em Edéia (GO). Produzirá

açúcar e álcool para os mercados internos e externos,

além de investir, num segundo momento, na

cogeração de energia elétrica.

Na primeira etapa do empreendimento, já no ano

de 2008, a moagem será de cerca de 1,3 milhão de toneladas

de cana. A capacidade plena será atingida em

2010, com 2,5 milhões de toneladas. Na segunda etapa,

além de atingir 5 milhões de toneladas na moagem,

terá início a cogeração de energia elétrica.

Segundo Cícero Junqueira, vice-presidente da Vale

do Rosário e diretor da Usina MB, o investimento na

primeira etapa será de R$ 200 milhões. Desse total,

80% são financiados e os 20% restantes são recursos

próprios. O Rabobank vai liderar as operações de financiamentos,

que irão incluir linhas do BNDES e

operações de pré-pagamento de exportações.

"Estamos aproveitando a oportunidade, essa pujança

que o Estado de Goiás vive", anima-se. Dos investimentos

programados, 150 milhões referem-se à

parte industrial e 50 milhões serão aplicados na produção

agrícola. Já na primeira fase, a Tropical irá gerar

1900 empregos diretos (80 na administração, 320

na indústria e 1500 na área agrícola).

A Tropical BioEnergia nasce com a estrutura de cultivo

para a produção da cana-de-açúcar já pronta.

Energia e transporte também não são problemas na

região onde a usina será construída.

Cerca de 1 mil hectares já estão plantados com as

mudas. "Antecipamos esse plantio, antes mesmo de

concluir a sociedade, para evitar a perda de 1 ano no

processo de implantação", explica Cícero Junqueira.

A cana-de-açúcar será cultivada em 15 mil hectares

pertencentes ao Grupo Maeda. Numa etapa seguinte,

a área será expandida para produtores parceiros,

informou Cícero Junqueira, em entrevista ao CA-

NAL. As terras do grupo, no Sudoeste Goiano, estão

localizadas em uma região de clima privilegiado e

águas em abundância, por estarem num delta formado

pelos rios Turvo e dos Bois.

Outro diferencial da Tropical será a sua política de

suprimento de cana-de-açúcar. Além do plantio da

própria usina, também será fomentado o fornecimento

de matéria-prima pelos próprios produtores da região,

fazendo que eles se integrem ao setor. "Assim,

evita-se o deslocamento dos fazendeiros de suas atividades

agrícolas. Esse enfoque é a chave da sustentabilidade

do empreendimento a longo prazo", explica

Jorge Maeda, presidente executivo do Grupo Maeda.

A Tropical terá minimizado o impacto ambiental em

sua implantação, uma vez que os canaviais serão formados

em terras que o Grupo Maeda já explora há

mais de 30 anos na produção de soja, não sendo necessário

o desmatamento de vegetação nativa.

A logística de escoamento da produção para o

mercado doméstico e exportação é um dos diferenciais

competitivos da nova empresa, em razão da

possibilidade de hidronavegação, através do Rio Paranaíba

e também pelo uso do alcoolduto que ligará

Senador Canedo (GO) a Paulínia (SP). Além disso, a

usina localiza-se a menos de 800 km do porto de

Santos (SP) por rodovias.

única

As empresas

O Grupo Maeda é tradicional no

agronegócio, com mais de 75 anos de

experiência na produção agrícola,

especialmente na cultura de algodão, e

dispõe de extensas áreas de cultivo. A Usina

MB, sociedade entre os grupos Vale do

Rosário, um dos maiores do País, e a Usina

Santa Elisa, considerada uma gigante do

setor sucroalcooleiro, também conta com

mais de 70 anos de experiência.

monsanto

CANAL – agosto/setembro de 2006

7


ARTIGO – Eduardo Pereira de Carvalho

Crescer é preciso

Osetor produtivo de açúcar se encontra

numa situação, no mínimo,

curiosa: crescer ou crescer.

Não há alternativa fora da expansão da

atividade por um motivo muito claro: a

questão energética ganhou a dimensão

que realmente merece aos olhos do

mundo. É estratégica - não dá para deixar

para mais tarde.

O petróleo, que moveu o mundo nos

últimos 100 anos, deixou de ser o combustível

barato para se tornar o calcanhar-de-aquiles

energético do novo milênio.

Sua condição de produto fóssil e finito

começa a ser sentida diante da escalada

dos preços internacionais. A atual disparada

de preços nada tem em comum

com as crises anteriores, ocorridas nos

anos 1970, quando a redução da oferta

dava o tom. Agora, o problema é a demanda,

cujo aumento está mais acelerado

que o da produção.

Esse descompasso entre oferta e demanda

não tem mistério. Já nos anos

1990 um quadro preocupante se delineava

no horizonte: não havia mais grandes

reservas de petróleo a serem descobertas,

ou seja, começou a pressão sobre

a oferta do produto, localizado em sua

maior parte em regiões conflituosas, como

o Oriente Médio.

Mas há outro gargalo na cadeia do petróleo

- o refino. Para mover carros, ônibus

e caminhões, o petróleo precisa ser

transformado em gasolina ou óleo diesel,

o que torna essencial sua passagem pelas

refinarias. No entanto, poucas foram

construídas nas últimas décadas, diante

do investimento pesado para sua operação.

As ampliações realizadas não dão

conta de atender a demanda crescente,

especialmente por parte de países em

desenvolvimento, como China e, em menor

escala, Índia.

Outra questão relacionada ao uso de

combustíveis fósseis - e nessa lista é preciso

incluir o gás e o carvão - é o efeito estufa

que, apesar das tentativas de alguns

de ignorá-lo, mostra-se cada vez mais presente,

por meio de problemas ambientais

resultantes do aquecimento global.

É nesse quadro perturbador e instigante

que o álcool combustível tem ganhado

os holofotes como a fonte de energia renovável

em melhor condição de substituir

parte do petróleo consumido no mundo,

pelo menos em termos de transporte.

Nessa hora, o Brasil conta com dois

ativos de primeira grandeza: a experiência

de 30 anos com o etanol combustível

e as condições para ampliar este potencial.

Nessas três décadas, aprendemos

muito sobre como aumentar a produtividade

da cana-de-açúcar, a melhor matéria-prima

para produzir álcool, com redução

de 80% dos custos de produção.

Também usamos o bagaço para produzir

a energia elétrica que move cada usina

brasileira. Tudo isso resultou em um balanço

energético para lá de positivo: para

cada unidade fóssil usada para produzir

álcool de cana no Brasil, recebemos

de volta 8,3 unidades - o retorno do álcool

de milho não chega a dois.

Temos espaço para crescer - vantagem

que poucos países dispõem. Pelos cálculos

da Embrapa, o Brasil tem 90 milhões

de hectares que podem ser utilizados para

a produção agrícola sem que para isso

se derrube uma árvore sequer. Essa área é

praticamente o dobro da utilizada atualmente

e da qual a cana ocupa 5,5 milhões

de hectares. Também dispomos de 300

milhões de hectares de pastagem para a

criação extensiva de gado, onde qualquer

ganho de produtividade representará milhões

de hectares extras para o cultivo.

Se esse quadro parece fantástico para

a agricultura energética, sabe-se que

não falta espaço para melhorar. A geração

de energia pelo uso do bagaço poderia

aumentar em cinco ou seis vezes, se

fossem utilizados equipamentos mais

modernos. A queima da palha da cana,

por sua vez, representa perda de um terço

da biomassa da planta, que poderia

ser utilizada para produzir mais álcool

com novas tecnologias, como a hidrólise,

e, futuramente, com a produção de álcool

de material celulósico.

O setor sucroalcooleiro tem investido

pesado em sua expansão, com a previsão

de 89 usinas em operação nos próximos

cinco anos, representando crescimento

de 50% na oferta de cana na região Centro-Sul.

É pouco pela demanda que se

apresenta. Existem pontos fracos a serem

enfrentados, como a logística deficiente.

São dores de crescimento, mas

que precisam ser encaradas como oportunidades

para que tenhamos não um

papel hegemônico, mas de vanguarda no

futuro da energia do século XXI.

Eduardo Pereira de Carvalho

é presidente da Unica - União da Agroindústria

Canavieira de São Paulo

única

8 CANAL – agosto/setembro de 2006


BIODIESEL

Energia

cultivada

• Evandro Bittencourt


O motor diesel pode ser

alimentado também com

óleos vegetais, isso

ajudará no desenvolvimento

da agricultura dos países.

Rudolf Diesel, criador

da tecnologia, em apresentação

em Paris, França, no início do

século 20


OLançamento do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel,

há dois anos, foi o sinal para que grupos empresariais da

agroindústria e de outros setores passassem a considerar a hipótese

de produção de biodiesel como um projeto economicamente

viável. O programa, que autoriza o uso comercial do biodiesel em

todo o território nacional e estabelece os percentuais de mistura ao diesel

de petróleo, a forma de utilização e o regime tributário, estimula a agricultura

familiar, mas os grandes grupos empresarias sabem que se trata

de um mercado extremamente amplo e que a demanda de biodiesel crescerá

a cada dia não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, com grandes

perspectivas de negócios.

O projeto, de caráter energético e ambiental, também é aclamado como investimento

social pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, por representar

oportunidade de desenvolvimento para as regiões mais pobres do Brasil e geração

de renda para a agricultura familiar, principalmente no Nordeste. Para

isso, foi criado como incentivo o selo Combustível Social, que isenta a cobrança

de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A possibilidade de antecipação das metas de adição do biodiesel ao óleo diesel,

anunciada pelo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, aumenta ainda

mais a avidez dos empresários engajados no processo de produção do biodiesel.

Atualmente, a lei prevê que todo o diesel vendido no País terá de conter

2% de biodiesel a partir de 2008 e 5% a partir de 2013.

Recentemente, também a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, confirmou

haver condições para a antecipação das metas e que isso vai acontecer, embora

ainda não tenha sido estabelecida nenhuma data. Nos quatro leilões de

biodiesel realizados pelo governo até agora foram arrematados 840 milhões

de litros, volume que atinge, ainda em 2006, a meta de 2007.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, sete usinas de biodiesel já estão

em operação e 14 à espera de autorização da Agência Nacional de Petróleo

(ANP) para entrar em funcionamento, enquanto outras 16 encontram-se em

construção. Outros 29 projetos de construção de usinas estão em estudo. Segundo

Silas Rondeau, cerca de 205 mil famílias já atuam na produção de mamona,

girassol e outros vegetais usados na fabricação do biodiesel.

H-Bio

Com investimentos totais US$ 100 milhões, a partir de dezembro, a Petrobras

começará a produzir em escala industrial o H-Bio, combustível que consiste

na mistura de diesel ao óleo de soja durante o processo de refino. A Refinaria

Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, deve ser a primeira unidade

a produzir o combustível. A previsão da Petrobras é que até meados de 2007

estará concluído todo o projeto para implementação do H-Bio em mais outras

três plantas de refino - Replan (SP), Repar (PR) e Refap (RS). Juntas, produzirão

aproximadamete 285 milhões de litros ao ano. A segunda fase de implementação

do H-Bio elevará a produção para 425 milhões de litros.

10

CANAL – agosto/setembro de 2006


Esmagadoras concentram boa parte

dos investimentos

A demanda criada pelo calendário do Programa Nacional de

Produção e Uso do Biodiesel e as perspectivas de exportação do produto

exigem dos empresários agilidade na implantação de suas usinas.

Nesse cenário, as indústrias esmagadoras de grãos levam vantagem sobre

as usinas de biodiesel que partem do ponto inicial. Acrescente-se a

isso a necessidade de menos investimentos, já que boa parte da estrutura

já está realizada.

Toda a estrutura usada na extração, que vai até a obtenção do óleo

bruto, é totalmente aproveitada, o que representa cerca de 50% a

60% do investimento necessário para a produção do biodiesel, estima

o vice-presidente da Caramuru, maior empresa brasileira do setor

de processamento de grãos e que também passará a produzir biodiesel

no Estado de Goiás, no município de São Simão.

Caso seja considerada a infra-estrutura de armazenagem, esse percentual

aumenta ainda mais. "Os contratos de venda são por um período

longo, o que também pressupõe a disponibilidade de capital de

giro e uma boa estrutura de red para se proteger na Bolsa, pois é uma

venda que se faz em reais."

César Borges acredita que, a partir do momento que aumentar a

demanda mundial, haverá um 'deslocamento' do preço das oleaginosas,

principalmente a soja que, pelo menos inicialmente, tende a ser a principal

matéria-prima para a produção do biodiesel.

Por outro lado, à medida que aumentar a produção dos óleos no

mundo, haverá um aumento da oferta dos farelos, o que também

poderá provocar um deslocamento, desta vez para baixo, no preço

desses produtos, acredita o

vice-presidente da Caramuru.

É preciso tentar antever como o mercado

se desenhará, adverte César

Borges. "São muitas as variáveis. Às

vezes se faz um investimento para

ganhar dinheiro e o tiro sai pela culatra."

MATÉRIA-PRIMA

A Caramuru processa a soja, principalmente, mas também o

girassol, a canola e o milho, mas em quantidades bastante menores.

Para César Borges, não há dúvida que o grande volume de matériaprima

disponível para a produção do biodiesel no Brasil é de soja, o que

a torna provavelmente a opção mais competitiva. Embora produza

menos óleo, já que quase 80% do grão é de farelo, este produto é bem

valorizado, por ter um teor de proteína alto.

A corrida para a produção do biodiesel atingiu escala mundial.

Importantes grupos empresariais investem na produção do óleo vegetal

em vários países, principalmente na Europa, que deu início ao

processo em escala industrial e faz o seu óleo a partir das matérias-primas

que têm em maior abundância.

Na Europa a soja sofre uma limitação na composição do biocombustível

para que seja aproveitada a colza, a oleaginosa produzida em abundância

no velho continente. “É natural que os países protejam a produção local.”

stock.xchng

Vantagens competitivas e entraves fiscais

O Brasil tem uma vantagem comparativa muito grande em relação a

outros países na produção do biodiesel. A constatação é do vice-presidente

da Dedini Indústrias de Base, José Luiz Olivério. O País tem grande capacitação

para produzir biomassa, a começar pelas condições naturais de

clima, tais como características de luminosidade e precipitação pluviométrica,

além de solos férteis, somados a outras condições como tecnologia,

recursos humanos e capacidade de gestão, explica.

Para Silvério, essa vantagem se torna competitiva quando se considera

que o País tem 90 milhões de hectares disponíveis, ou seja, 22%

da área de expansão agrícola do mundo está no Brasil. Para que essas

vantagens sejam aproveitadas, no entanto, é preciso corrigir distorções

com a implantação de uma política fiscal

de incentivo de produção e uso do

biodiesel adequada à sua condição

de combustível renovável.

O imposto federal do

biodiesel por litro é o

mesmo do diesel,

o que em sua

opinião não faz

sentido.

"Trata-se de um

programa prioritário

e incentivado, com várias conotações estratégicas. Então, por que pagar

o mesmo imposto do diesel?"

Em nível estadual, a alíquota do ICMS sobre o diesel no Estado de

São Paulo é de 12% e a do biodiesel 18%. Segundo o vice-presidente

da Dedini, Goiás e Rio Grande do Sul são os

únicos estados que fizeram

uma correção

desses percentuais,

equalizando-os

em12%.

monsanto

CANAL – agosto/setembro de 2006

11


stock.xchng

Mercado brasileiro atrai Indústrias de diversos países

A participação do capital estrangeiro no processo de implantação de

indústrias para a produção de biocombustíveis no Brasil é uma tendência

natural, avalia Igor Montenegro Celestino Otto, presidente executivo do

Sifaeg, Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás.

César Borges, da Caramuru, partilha do mesmo pensamento. "É difícil

imaginar que as empresas de fora não venham para o Brasil investir em

biocombustíveis. Sempre que tiverem boas perspectivas elas virão. Todas

elas já estão na Argentina e na China e onde tiver perspectiva de resultado

sempre terá investidores."

A concorrência entre grupos nacionais e estrangeiros para a produção do

biodiesel no Brasil é inevitável e salutar, avalia João Matos, presidente da

Cooperativa dos Produtores de Algodão de Goiás (All Cotton). A cooperativa,

em sociedade com quatro empresas européias, formará a indústria de

produção de biodiesel All Bio, Indústria de Combustíveis e Derivados LTDA.

A planta multióleo, com sede no município goiano de Acreúna, terá capacidade

para produzir 100 milhões de litros/ano a partir do caroço do algodão

e da soja. "Temos que produzir em grande quantidade e não pensar

só em produção para o mercado interno." Para João Matos, o mundo

inteiro está pronto para aceitar o biodiesel e outras fontes de energia renovável,

que se apresentam como uma oportunidade única de geração de

emprego e renda com reflexos sociais positivos de grande impacto. O presidente

da All Cotton insiste que o Brasil não pode ficar fora do mercado

globalizado, pois tem as condições necessárias para se consolidar como o

líder mundial na produção de biodiesel e etanol.

Grandes grupos anunciam investimentos em produção

daiane souza/unb agência

Grandes grupos nacionais e internacionais do setor de processamento

de grãos, como a Caramuru e a multinacional americana Archer Daniels

Midland Company (ADM) anunciaram pesados investimentos na produção

do biodiesel. A AleSat, distribuidora de combustíveis resultante da recente

união entre a ALE e a SAT, também confirmou investimentos na produção

do biocombustível.

A unidade multióleo da Caramuru está sendo montada no Estado de

Goiás, município de São Simão, com investimentos de R$ 26 milhões e financiamento

do BNDES. A unidade produzirá 110 milhões de litros por

ano de biodiesel, e 12 mil toneladas ano de glicerina bruta industrial. O

empreendimento, com implantação prevista em 12 meses, vai gerar 50

empregos diretos e 1 mil indiretos, incluindo um projeto de agricultura familiar.

A empresa visa diversificar sua produção e expandir suas atividades

industriais a partir do aproveitamento de óleos vegetais, principalmente

o óleo de soja, já produzido na planta de São Simão.

A ADM, líder na produção de biodiesel na Europa, programa investimentos

de US$ 30 milhões na construção de uma fábrica para produção

de biodiesel à base de soja em Rondonópolis (MT). A diretoria da empresa

na América do Sul anunciou que será a maior fábrica do mundo na produção

de biocombustível, superando a unidade da ADM localizada em

Hamburgo, na Alemanha. A capacidade anual de produção será de

180.000 toneladas.

A fábrica será integrada à unidade de esmagamento de soja da ADM

já existente. Segundo Matt Jansen, presidente de operações para a América

do Sul, a nova fábrica entrará em operação em 2007, antecipando-se

ao aumento da demanda que será gerada pela obrigatoriedade da adição

de 2% de biodiesel ao óleo diesel, a partir de 2008, e 5%, a partir de 2013.

O governo do Mato Grosso acredita que a fábrica contribuirá para a redução

dos custos de produção agrícola. O Estado consome 2,7 bilhões de litros

de diesel por ano. Desse total, 2 bilhões são gastos somente na atividade

agrícola. Com a produção de biodiesel, os produtores poderão comprar

combustível mais barato e menos poluente. A unidade em Mato

Grosso produzirá 500 toneladas de biodiesel por dia, ante 300 t da unidade

da multinacional em Hamburgo, na Alemanha. A produção no Brasil

será 66% maior que na unidade européia.

O Estado do Mato Grosso é líder em produção de soja. Esse foi um dos

pontos que levaram a ADM a escolher o Estado, que vai colher nesta safra

15,5 milhões de toneladas da oleaginosa.

ALESAT

Pioneira na distribuição do biodiesel no Brasil, a AleSat estima uma

produção inicial de 50 milhões de litros por ano. "Além de ser rentável,

faz todo o sentido porque somos distribuidores também, disse o presidente

do Conselho de Administração da AleSat, Sérgio Cavalieri, ao

anunciar o projeto.

12

CANAL – agosto/setembro de 2006


BIODIESEL NO BRASIL

Impactos do biocombustível como alternativa renovável para o petróleo

• Fortalecimento do agronegócio

• Desenvolvimento regional sustentado

• Geração de emprego e renda

• Melhoria nas condições ambientais

• Redução da dependência do petróleo importado

• Melhoria na Balança de Pagamentos

• Exportação de produtos manufaturados

• 1 t de biodiesel em substituição ao diesel evita a

emissão de 2,5 t de CO 2

• Possibilidade de conquista da

auto-suficiência energética

Aplicações

• Substituto parcial ou total do diesel

• Aditivo natural ao diesel

• Matéria-prima renovável

para oleoquímica

Oleaginosa

Produtividade

média (kg/ha)

Teor de óleo

(extração real)

Rendimento de

biodiesel (kg/ha)

Rendimento de

biodiesel (litros/ha)

Caroço de algodão

Soja

Girassol

Amendoim

1.900

2.600

1.300

1.750

16%

19%

36%

44%

304

494

468

770

349

567

538

885

stock.xchng

Informe Especial

fieg

SENAI CONTRIBUI COM O CRESCI-

MENTO DO SETOR SUCROALCOOLEIRO

EM GOIÁS

Considerado um dos principais produtores

de açúcar e álcool do País, Goiás

vem experimentando significativo crescimento

no segmento. Dados do Sindicato

da Indústria de Fabricação de Álcool e

do Sindicato da Indústria de Fabricação

de Açúcar (Sifaeg e Sifaçucar) revelam

que nos dois últimos anos o Estado ultrapassou

Pernambuco e Mato Grosso, passando

da sétima para a quinta colocação

no ranking de produção de álcool do País,

com quase 800 milhões de litros fabricados

na safra 2005/06, o que equivale a

4,5% do volume total brasileiro. Atualmente,

14 usinas operam em Goiás e outras

6 estão em processo de implantação.

Atento a essa expansão do mercado, o

Senai investe na formação de recursos

humanos para atender ao setor com cursos

e serviços desenvolvidos de acordo

com suas necessidades.

Técnico

Em 2004, a instituição implantou a

habilitação técnica em açúcar e álcool.

Pioneiro na Região Centro-Oeste, o curso

foi estruturado em parceria com o Sifaeg

e o Sifaçúcar, usinas Goianésia e

Jalles Machado. A programação tem duração

de 1.600 horas, incluindo estágio

supervisionado, e é desenvolvida em Goianésia

pela Faculdade de Tecnologia Senai

Roberto Mange, de Anápolis. Em novembro,

os 32 alunos que compõem a

primeira turma receberão certificados de

conclusão. O Senai também se mobiliza

para qualificar profissionais para as usinas

São Francisco e São Martinho, que

estão em fase de implantação em Quirinópolis.

A Escola Senai Fernando Bezerra,

de Rio Verde, é responsável pelas atividades

de educação profissional que serão

desenvolvidas no município para

atender à demanda das usinas. A instituição

ministra ainda, regularmente, cursos

para a Usina Vale do Verdão, Santa Helena,

Denusa, Energética Serranópolis, essa

última em fase de teste, entre outras.

Além dessas ações, o Senai Goiás disponibiliza

para o segmento uma gama variada

de cursos e serviços desenvolvidos,

conforme demanda, em toda sua rede de

ensino no Estado - estrategicamente distribuídas

em Goiânia (3), Aparecida de

Goiânia, Anápolis, Catalão, Itumbiara,

Rio Verde, Minaçu, Niquelândia e em vários

outros municípios atendidos por

meio de unidades e ações móveis.

PORQUE PENSAR NO SISTEMA DE

GESTÃO AMBIENTAL

Um instrumento gerencial que possibilita

às organizações a alocação eficiente

dos recursos, definição das responsabilidades,

bem como a avaliação dos padrões

e práticas com vistas na melhoria

contínua de práticas e procedimentos,

buscando a melhoria permanente do seu

desempenho ambiental, é o Sistema de

Gestão Ambiental - SGA. Salienta a consultora

do Instituto Euvaldo Lodi - IEL

Goiás, Leulair César Santana, que, a adoção

de um SGA é uma decisão estratégica

da empresa, "e uma vez adotado é de

responsabilidade da organização cumprir

o estabelecido sob pena de cair em descrédito

seus compromissos no que se refere

às questões ambientais." Com a implantação

do SGA a empresa demonstra

o seu comprometimento com o desenvolvimento

sustentável, pode reduzir a

sua dependência dos recursos naturais e

controlar o impacto das atividades empresariais,

produtos ou serviços sobre o

meio ambiente. Implementar a gestão

ambiental significa observar os procedimentos

adequados o que tornará os programas

ambientais mais fáceis de gerenciar;

avaliar e melhorar progressivamente;

e, adotar uma abordagem sistemática

para minimizar o impacto do empreendimento

no meio ambiente e nas comunidades

vizinhas. "Isso explica a necessidade

e importância do SGA para as empresas",

acrescenta a consultora, lembrando

que as diretrizes para a gestão ambiental

são dadas pela NBR ISO 14001 já na versão

2004. O IEL Goiás presta consultoria

às empresas e indústrias goianas para

implementação do SGA. O processo pode

durar até 18 meses e engloba desde o

planejamento inicial do sistema à certificação

da empresa. "A certificação auxilia

o desenvolvimento de políticas para melhoria

da performance ambiental", completa

a consultora do IEL, Leulair Santana,

ao enfatizar que "a certificação não

pode ser vista como uma ação isolada,

mas como um processo que se inicia com

a consciência da necessidade da qualidade

para manter a competitividade". Segundo

Leulair, a certificação também

não representa o fim do processo, pois

depois da conquista do certificado a empresa

deve manter o SGA passando por

auditorias internas e externas que vão

atestar o funcionamento do sistema para

garantir a certificação.

CANAL – agosto/setembro de 2006

13


ARTIGO – Sidnei Pimentel

Ilusões, senhas

e reformas

Em seus cursos de pós-graduação

a Fundação Getulio

Vargas costuma utilizar um

software que reproduz, em linhas

gerais, os dados da economia nacional,

como poder de compra das

famílias, taxas de juros e carga tributária.

A partir dessas e outras

informações, o professor atribui

aos alunos o desafio de abrir e

expandir um grande negócio.

Como os dados macroeconômicos

do programa não podem

ser manipulados pelos pós-graduandos,

logo nas primeiras rodadas

do jogo começa a choradeira:

"professor, assim não dá,

como vou crescer com um juro

desses? E essa carga tributária,

quem agüenta?"

Depois de muito choro, o professor

resolve anunciar uma "MP

do bem". Com a senha que só ele

tem, desbloqueia o programa e,

numa tacada, alivia os juros e a

carga tributária. A alegria é geral

e os indicadores do negócio começam

a melhorar como num

passe de mágica. A partir daí,

basta uma boa dose de competência

e conhecimento do ramo

para obter um resultado satisfatório

ao final do jogo.

O exercício pode até ser trivial,

afinal de contas, quem não está

cansado de saber do preço que

essa histórica combinação de juros

altos e carga tributária extorsiva

tem nos cobrado? Mas também

não deixa de ser representativo

do que acontece na economia

de verdade. Pena que, na vida real,

não haja uma senha para "desbloquear

o software" e não adianta

esperar que apareça alguém

com esse "código secreto".

Como a tal "senha" vai ter que

ser construída mesmo é num esforço

contínuo da sociedade,

também não convém aguardarmos

uma mega reforma em tudo que

está aí. Mesmo porque - a nossa

história tem demonstrado - todas

as grandes mudanças que se

anunciam drásticas acabam se revelando

pífias.

Em matéria tributária, temos

ouvido de todos os governos do

período da redemocratização promessas

de reformas profundas.

Até assistimos àquela cena do Presidente

da República atravessando

a Praça dos Três Poderes acompanhado

de todos os governadores

para entregar ao Congresso a proposta

da reforma consensual e definitiva.

E de prático mesmo, nessas

duas décadas contabilizamos

apenas uma elevação contínua

que acabou dobrando a carga tributária

nacional.

O próximo mandatário, seja ele

quem for, dirá logo na posse que

grandes reformas estão por vir.

Não nos deixemos iludir. Melhor

mesmo é cobrar mudanças pontuais,

mas que possam surtir efeitos

imediatos. Um dos motes de todas

as propostas de reforma tributária

que nos ofereceram é a desoneração

do investimento e da produção.

A idéia é fazer com que o peso

maior dos impostos fique para

as etapas do consumo.

Nada impede que essa boa

idéia, independente das promessas

de reformas futuras, possa ser

aplicada em alguns segmentos,

como por exemplo na bioenergia.

Se o Brasil está mesmo apostando

na importância estratégica da

energia da biomassa, seria extremamente

oportuno assegurar a

desoneração de todo o investimento

voltado para o setor.

O Estado de Goiás - ainda que

no âmbito da chamada guerra fiscal

- tem adotado iniciativas interessantes

de desoneração da produção.

Mas ainda é pouco. Um entendimento

entre a União e todos

os estados, beneficiando os projetos

bioenergéticos certamente nos

daria uma boa mostra de que

avanços pontuais são possíveis. Se

considerarmos que a expansão dos

negócios representa incrementos

de novas receitas, estão criadas

todas as condições para as inovações

tributárias, sem comprometer

o nível de arrecadação.

Nossos governantes não estão

errados quando alardeiam a posição

estratégica do Brasil no

campo dos bioenergéticos. Um

dos papéis do administrador público

é exatamente o de identificar

e ressaltar o potencial gerador

de riquezas da nação. O que

eles não podem esquecer é que

vantagem comparativa tem limites.

As melhores terras, o melhor

clima e a mão-de-obra abundante

podem muito bem ser anuladas

por uma carga tributária

desproporcional, isso sem falar

nos crônicos problemas de logística

e de custo do dinheiro.

Portanto, quando se defende

mudanças pontuais, mas efetivas,

não se está pregando o conformismo,

mas alertando para a urgência

dessas iniciativas. Estaremos reincidindo

no desperdício de oportunidades

históricas (daquelas que

só aparecem uma vez a cada século)

se deixarmos que entraves, como

a política tributária, venham

nos tirar pontos na corrida pelos

consumidores da nova energia.

E se um dia as drásticas reformas

prometidas saírem, nada teremos

perdido em ter nos antecipado

naquilo que realmente interessa

a uma nação: buscar as condições

adequadas para que seus cidadãos

possam gerar e partilhar

novas riquezas.

Sidnei C. Pimentel é Advogado

Tributarista, sócio do escritório Terra

Pimentel e Vecci, Advogados associados .

É graduado em direito pela Universidade

Católica de Goiás, em Jornalismo pela

Universidade Federal de Goiás e

pós-graduado em Controladoria e Finanças

pela Fundação Getulio Vargas.

sidnei@capitalempresarial.com.br

arquivo pessoal

14 CANAL – agosto/setembro de 2006


Sec. ciência e tecnologia

CLIMA

Previsão do tempo

e produtividade

ESTAÇÃO CLIMATOLÓGICA COM MONITORAMENTO VIA SATÉLITE

AJUDA A INCREMENTAR PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL

Goiás tem uma rede de

monitoramento meteorológica

com plataforma

de coleta de dados via

satélite e GSM. Com essa maior resolução

nas informações está sendo

possível fazer o planejamento de

irrigação, ajustando às condições

locais, com um maior índice de

confiabilidade. O monitoramento

propicia ainda um zoneamento

agroclimático, relacionando os balanços

hídricos com os cultivos praticados

em cada município goiano.

Essa previsão detalhada proporciona

também condições mais adequadas

para o plantio com a aplicação

de adubos e defensivos agrícolas,

evitando o desperdício de recursos

e a poluição das águas, pela

aplicação em períodos que antecedem

à ocorrência de chuvas. O trabalho

é executado pela Secretaria

Estadual de Ciência e Tecnologia

com o apoio do SIFAEG, Sindicato

da Indústria de Fabricação de Álcool

no Estado de Goiás. Segundo a

coordenadora do trabalho, Rosidalva

Paz, o Sindicato faz a manutenção

da rede e recebe em troca informações

sobre tempo e clima dos

municípios onde estão instaladas

as Usinas de Álcool e Açúcar. As informações

subsidiam os produtores

de açúcar e álcool desde o plantio

ate a colheita da cana.

De olho na tecnologia

ANTARES

No dia 19 de setembro, Sertãozinho,

em São Paulo, sediará o Fórum

de Abertura da Fenasucro &

Agrocana 2006. O evento, que

acontecerá no Centro de Eventos

Zanini, vai analisar os cenários e

propor ações para ampliar o mercado

nacional e internacional para

o etanol. O Fórum reunirá cooperativas

e associações de plantadores,

sindicatos e associações representativas

de usinas, representantes

dos governos estadual e federal.

O Encontro terá a participação

ainda de representantes e

dirigentes da Unica, Anfavea,

Embrapa, Copercana, Cocred,

CEISE,/CIESP, Sebrae, Faesp e

BNDES. Foram convidados também

os governadores dos Estados

de São Paulo, Goiás, Alagoas, Paraná,

Mato Grosso, Tocantins, Pernambuco

e Minas Gerais, além de

representantes da Petrobras, Eletrobras

e Transpetro. O Fórum é

uma realização do CEISE - Centro

das Indústrias de Sertãozinho e

Região e da Multiplus Eventos.

Na vitrine

Durante a Fenasucro a ANTA-

RES ACOPLAMENTOS vai apresentar

os acoplamentos

FE-

ATHER, para

absorver vibrações

excessivamente

elevadas, o que proporciona

maior vida

útil para o equipamento

ou máquina. A nova

linha é resultado da pesquisa e

desenvolvimento de centros elásticos

com formulação específica

para maior absorção. Os acoplamentos

Feather podem ser aplicados

em eixos de até 350 mm de

diâmetro, e em aplicações com

torque

entre 22

Nm e

34.526

Nm. São ideais

para geradores,

compressores, peneiras

rotativas e vibratórias,

ventiladores,

transportadores vibratórios, etc.

No stand, a Antares também vai

demonstrar sua linha convencional

de acoplamentos flexíveis,

além dos acoplamentos com espaçadores,

utilizados na indústria

sucroalcooleira.

Embrapa Agroenergia

A Embrapa, Empresa Brasileira

de Pesquisa Agropecuária,

está agilizando a implantação

da Embrapa Agroenergia. O valor

de R$ 10 milhões para viabilizar

a empresa foi negociado

com o Ministério da Ciência e

Tecnologia (MCT), que acertou

a liberação por meio da Financiadora

de Estudos e Projetos

(Finep). De acordo com a Assessoria

de Comunicação do Ministério

da Agricultura Pecuária

e Abastecimento, a Embrapa

Agroenergia vai coordenar trabalhos

de unidades descentralizadas,

além de centros regionais

que deverão ser instalados

nas cinco regiões do Brasil.

As pesquisas não vão se limitar

ao álcool e ao biodiesel.

A busca de alternativas

energéticas

vai abranger também

pesquisas com dejetos e

sebo de frigoríficos.

monsanto

CANAL – agosto/setembro de 2006

15


INDÚSTRIAS

Grupo São João

deve atrair empresas de suporte

CRESCIMENTO DO

SETOR CRIA

DEMANDA POR

EMPRESAS DE

MANUTENÇÃO DE

MÁQUINAS E

EQUIPAMENTOS

Enquanto projetos de novas

usinas para instalação em

Goiás são avaliados e muitos

aprovados, 12 das 15

unidades de produção de álcool e

açúcar já instaladas têm planos de

expansão e mais 15 indústrias encontram-se

em construção.

O rápido crescimento do setor

cria demanda para a atração de

empresas prestadoras de serviços,

necessárias para a manutenção de

máquinas e equipamentos, o que

proporcionará redução de custos

operacionais e a geração de mais

empregos e impostos.

A qualidade das terras e a topografia

adequada para a mecanização

agrícola são alguns dos fortes

atrativos de Goiás para as indústrias

do setor.

Carlos Alberto Orzari, gerente

administrativo financeiro da Usina

São João Açúcar e Álcool, diz que

estes fatores foram decisivos para

que a empresa escolhesse Quirinópolis,

no Sudoeste Goiano, para a

implantação de sua primeira filial.

Instalado em Araras, São Paulo,

o grupo São João ocupa o décimo

primeiro lugar no ranking nacional

de produtividade sucroalcooleira.

Durante dois anos o grupo fez

pesquisas e análises para definir o

local para implantar o projeto de

expansão. Um dos poucos problemas

que constataram foi a falta

de empresas de suporte à produção.

Orzari acredita que a usina de

Quirinópolis atrairá empresas

prestadoras de serviço, principalmente

as de manutenção automotiva

e de máquinas agrícolas.

A Usina São Francisco está entrando

em operação. "Nossos planos

são processar inicialmente, na

safra 2006/2007, 500 mil toneladas

de cana-de-açúcar, triplicar

esse volume na safra seguinte e,

na safra 2008/2009, atingir o patamar

de 2,2 milhões de toneladas

de cana-de-açúcar, o que corresponderia

a 55% da atual capacidade

de moagem da unidade São

João de Araras", afirma Orzari.

TECNOLOGIA AVANÇADA

Quando alcançar a capacidade

total de moagem, a Usina deve

responder por 15% da produção

goiana e a meta do grupo é crescer

ainda mais na região.

Consciente de que este é um

mercado cada vez mais competitivo,

a indústria investe em tecnologia,

como a automatização do

sistema de extração do caldo da

cana-de-açúcar e a cogeração de

energia elétrica.

Nesse aspecto, a unidade de

Quirinópolis será mais moderna

que a unidade paulista, que ainda

utiliza moendas na extração e não

produz energia elétrica. A usina vai

gerar 1.550 empregos indiretos, alguns

deles já criados nas lavouras.

A Usina São Francisco também

vai criar 1.000 empregos diretos,

250 na indústria e 750 na área

agrícola.

O treinamento de parte dos

trabalhadores goianos começou

há dois anos e durante a safra

2005/2006 alguns deles estiveram

em Araras para aprender na

prática as operações industriais

e agrícolas.

fotos: grupo são joão

16 CANAL – agosto/setembro de 2006


Quando alcançar a capacidade total de

moagem, a usina deverá responder por

15% da atual produção goiana


INDÚSTRIAS

Assistência técnica ainda é

problema para as usinas

As indústrias sucroalcooleiras

ainda enfrentam em Goiás uma

série de dificuldades devido à

inexistência no Estado de empresas

especializadas na manutenção

de máquinas e equipamentos

utilizados na moagem e processamento

da cana e derivados.

A grande maioria dessas empresas

está concentrada no interior

de São Paulo, nos municípios

de Ribeirão Preto, Sertãozinho e

Piracicaba. A manutenção de uma

corrente de moenda, por exemplo,

requer que a peça seja desmontada

e transportada de caminhão

até o Estado de São Paulo, para

que sejam feitos os reparos, implicando

em maiores gastos.

O número de usinas no Estado

de Goiás, um total de 15 em operação

e outras 15 em fases distintas

de instalação, já justifica, na

opinião de Ailton dos Reis Oliveira,

coordenador de vendas da Goiasa,

Goiatuba Álcool Ltda., o estabelecimento

desse tipo de empresa

prestadora de serviços.

Pela grande concentração de

usinas, um dos locais mais adequados

seria entre os municípios

de Bom Jesus e Rio Verde, região

em que estão instaladas e em

instalação cerca de 10 indústrias.

A vinda dessas empresas proporcionaria,

além do barateamento

de custos operacionais para as

indústrias, a geração de mais empregos

e impostos, favorecendo a

economia goiana. Representam,

portanto, um dos segmentos a serem

priorizados pelos responsáveis

pela política de incentivos à industrialização

de Goiás.

EXPANSÃO

A Goiasa teve sua primeira safra

de álcool hidratado, ainda em

fase de teste, em 1990. Seis anos

depois iniciou a produção de açúcar

e, em 2002, a produção de álcool

anidro.

Desde que começou suas atividades,

no município de Goiatuba,

a empresa amplia investimentos

no Estado, devendo dobrar até

2012 a quantidade atual de 1,5

milhão de toneladas de cana esmagada,

o que corresponde a uma

safra de 50 mil metros cúbicos de

álcool e 2,2 milhões de sacas de

açúcar (110 mil toneladas).

Derivada da empresa paulista

Construcap, do setor de construção

civil, o grupo decidiu investir

em Goiás por já vislumbrar o potencial

de desenvolvimento da

atividade sucroalcooleira, afirma

Ailton.

Ao optar pelo Estado de Goiás

para se estabelecer, a Goiasa considerou

a boa qualidade das terras

encontradas, a possibilidade de expansão

e arrendamento a preços

mais competitivos e custos operacionais

mais baixos, apesar da maior

distância em relação ao porto.

Também contaram a favor as

condições climáticas, com estação

seca e das águas bem definidas.

Esses fatores ajudam a entender as

projeções otimistas divulgadas frequentemente

sobre o crescimento

do setor de produção de açúcar e

álcool em Goiás.

"Nos próximos cinco anos haverá

grande expansão, pois só na

nossa região existem três projetos

em andamento." finaliza Ailton.

Cresce em Goiás demanda por empresas de manutenção de máquinas

CANAL – agosto/setembro de 2006

17


CANA-DE-AÇÚCAR

Queimar

ou não queimar?

QUEIMA DA CANA-

DE-AÇÚCAR É

ADOTADA PELA

MAIORIA

DAS USINAS,

MAS MANEJO

REQUER REFLEXÃO

As restrições à queima da palha

da cana-de-açúcar pelo Ministério

Público e órgãos ambientais,

devido aos baixos índices

de umidade do ar, tem causado preocupação

aos empresários do setor sucroalcooleiro,

pois as usinas localizadas na região

Centro-Sul estão no pico da colheita e

processamento da cana-de-açúcar. A suspensão

desse manejo, caso seja feito sem

flexibilidade e critérios técnicos, poderia

criar uma situação de desabastecimento

em plena safra.

Em São Paulo, a Secretaria Estadual do

Meio Ambiente proibiu a queima da cana

em algumas regiões. A suspensão da queima

da cana atingiu os municípios de São José

do Rio Preto, Ribeirão Preto, Araraquara e

Barretos. A suspensão foi decidida com base

no artigo 14, do decreto nº 47.700, de 11

de março de 2003, que possibilita a suspensão

parcial ou total da queima da palha da

cana após a comprovação e constatação de

risco para a saúde, ambiente ou condições

meteorológicas desfavoráveis.

Como não houve aviso prévio, o setor não

conseguiu se preparar, queixa-se Fernando

Perri, diretor da Usinas e Destilarias do

Oeste Paulista (Udop). O possível impacto

da suspensão sobre os preços do açúcar e

do álcool ainda não pode ser precisado,

pois depende da extensão da medida.

TRADIÇÃO

A resposta para a questão queimar

ou não queimar a cana-de-açúcar

exige uma discussão aprofundada do

tema e que envolva os vários agentes

que atuam na atividade sucroalcooleira.

A colheita da cana queimada

é uma prática tradicional,

utilizada pela maioria dos produtores.

A colheita manual da cana crua, por sua

vez, é uma prática cultural mais nova no

Brasil e há dificuldades de manejo nessa

condição que impõe importantes restrições

ergonômicas e econômicas que podem até

inviabilizar esse tipo de operação.

Cria-se com isso a necessidade da colheita

mecanizada, com significativa redução

local da oferta de postos de trabalho, pois

só com o uso da mecanização torna-se viável

a colheita da cana crua. Não bastasse o

enfrentamento dessa questão, há também

aspectos legais e ambientais que precisam

ser considerados, lembra Américo José dos

Santos Reis, professor da Escola de Agronomia

da Universidade Federal de Goiás.

Em relação aos aspectos legais, o Decreto

Federal número 2.661, de 9 de julho de

1998, por exemplo, estipula que até 2018

toda a cana-de-açúcar produzida no Brasil

deve ser colhida crua, com algumas exceções

relacionadas, principalmente, ao tamanho

e declividade da área. A legislação expressa

a crescente preocupação com as mudanças

climáticas, que no futuro convergirão

para políticas globais de redução de poluição,

com pressões para a diminuição das

queimadas nos canaviais brasileiros.

Além disso, acrescenta Américo Reis, o

setor sucroalcooleiro se depara com uma

diminuição da oferta de mão-de-obra e

com a necessidade de adequações legais

que tendem a inibir a colheita de cana

queimada, principalmente nas proximidades

dos centros urbanos. Nessa transição de

modelos de cultivo surgirão, por certo, novas

possibilidades de adaptação a um novo

contexto, ao mesmo tempo em que outros

problemas serão gerados ou potencializados,

como a questão da redução de empregos

no campo, com grandes desafios a serem

enfrentados.

18

CANAL – agosto/setembro de 2006


CANA-DE-AÇÚCAR

Alternativas

Como nova possibilidade de negócio, num cenário em que predomine a

colheita de cana mecanizada, vislumbra-se, acredita o professor da UFG, o

aproveitamento do palhiço, resultante da colheita mecanizada, na cogeração

de energia elétrica, utilização essa que ainda depende, para ser viável,

de aprimoramentos tecnológicos. "Estima-se que as variedades atualmente

cultivadas produzem de 10 a 20 t/ha de palhiço."

No entanto, Américo José dos Santos adverte que o palhiço cria habitat

mais propício para certas pragas, como a cigarrinha-das-pastagens. Além

disso, gera a concentração do sistema radicular da cana-de-açúcar nas camadas

mais superficiais do solo.

Diante do acelerado crescimento na produção de açúcar e de álcool, a

discussão aprofundada do tema apresenta-se com urgência, já que o

Brasil se depara com a chance concreta de tornar-se um grande produtor

e fornecedor de energia para o resto do mundo.

Nessa perspectiva, a expansão das áreas de plantio de cana-de-açúcar

- que já alcança grande velocidade - tende a se tornar cada vez maior

e o plantio e colheita mecanizada da cana-de-açúcar se evidenciam

como assuntos prioritários a serem debatidos pelo setor.

O cenário é favorável para a produção, mas há a necessidade do desenvolvimento

contínuo de tecnologias regionalmente adequadas ao setor,

tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental. "Temos o desafio

de criar soluções que sejam socialmente justas, levando-se em conta a

necessidade de ampliar as oportunidades de emprego e renda", alerta.

CANAL – agosto/setembro de 2006

19


PERSONAGEM

CARISMA

Líder

DE UM

• Texto: Mírian Tomé

OTÁVIO LAGE DE SIQUEIRA , UM DOS PIONEIROS DO SETOR

SUCROALCOOLEIRO EM GOIÁS, MORRE AOS 81 ANOS

Fotos: aquivos Jalles Machado

Otávio Lage de Siqueira teve

atuação destacada como político

e empresário

Manhã do dia 14 de julho. Um acidente

de carro tira a vida de Otávio Lage de

Siqueira, 81 anos, um dos pioneiros do

setor sucroalcooleiro em Goiás e uma

das maiores lideranças políticas do Estado. Ele dirige

seu carro a caminho do trabalho, na Usina Jalles Machado.

Perto da indústria bate contra o reboque de

um caminhão, que por ironia do destino transporta

cana-de-açúcar. Com algumas fraturas, ele está

consciente e parece bem. Recebe o primeiro atendimento

médico em Goianésia e segue em uma UTI móvel

para Goiânia, onde no Hospital Neurológico faz

exames mais completos. Uma hora após a internação

ele sofre várias paradas cardíacas e não resiste.

Otávio Lage de Siqueira nasceu em Buriti Alegre, no

Sul de Goiás. "Ele morreu sem realizar sonhos, como a

construção de uma outra Usina em Goianésia", afirma

Segundo Martinez, diretor de comercialização e administração

da Jalles Machado. Amigo pessoal de Otávio

Lage de Siqueira, Martinez acompanhou a trajetória

empreendedora, que começou com a criação de duas

empresas na década de 80, a Goianésia Álcool S/A e a

Cooperalcool, unificadas hoje

na Jalles Machado. Otávio Lage

de Siqueira foi também pioneiro no confinamento de

gado em Goiás e um dos primeiros a adotar o sistema

no Brasil. "Ele fazia palestras sobre o assunto em todo

o País. O Dr. Otávio deixou marcas que a gente vai seguir.

Foi um exemplo ao defender e valorizar as coisas

de Goiás", diz Martinez.

LIDERAÇA POLÍTICA

Otávio Lage de Siqueira foi prefeito de Goianésia e

governador de Goiás entre 1966 e 1971. Foi um dos nomes

mais influentes da política goiana. Em uma entrevista,

ele revelou: "eu queria mesmo era ser fazendeiro,

e minha mãe falou: você pode ser fazendeiro, mas primeiro

tem que estudar". Fez engenharia na USP.

O atual prefeito de Goianésia, Otávio Lage Filho,

lembra com carinho do idealismo do pai. "As idéias

colocadas em prática por ele ajudaram o município

de Goianésia e também todo Estado".

"Em sua atividade empresarial meu pai sempre

deu importância a participação de gestores e colaboradores

em seus projetos. Profissionais comprometidos

e motivados que o ajudaram na conquista

dos objetivos traçados", lembra Ricardo Fontoura,

presidente da Usina Jalles Machado.

Usina Jalles Machado,

Dr.Otávio ao lado de 2

dos 5 filhos - Otávio

Lage e Ricardo - e de

Henrique, um dos 20

netos

20 CANAL – agosto/setembro de 2006


PERSONAGEM

sifaeg

PIONEIRISMO

A Jalles Machado está instalada em uma área de 30.000 hectares e

também se destaca pelas ações sócio-ambientais. Fruto da determinação

de Otávio Lage de Siqueira em investir nessas áreas. A preocupação com

os funcionários foi constante na vida dele, tanto que em 1995 nasceu a

Fundação Jalles Machado. "Ele não abria mão de investir na qualidade de

vida dos funcionários. Eles têm participação nos lucros da empresa e os

filhos têm escola de qualidade e de graça", ressalta Otávio Lage Filho.

Um dos que podem comprovar a boa relação entre patrão e funcionário

é Antônio Gomes, conhecido como "Fofão". “O Dr. Otávio ensinava

pra gente lições importantes, como chegar na hora certa ao trabalho, ter

um bom relacionamento com os colegas. Era um homem humano e simples.

O empresário do setor sucroalcooleiro, Mounir Naoum diz: "a Usina

Jalles Machado, sob o comando de Otávio Lage de Siqueira, tornou-se

uma das maiores e melhores empresas do ramo não só de Goiás, mas

também do Brasil".

Mounir lembra que a Jalles foi pioneira em Goiás ao instalar um sistema

de cogeração de energia elétrica, através do bagaço da cana, vendendo

a energia para grandes distribuidoras.

sifaeg

canal bioenergia

"Ele foi muito além

do tempo que viveu,

em termos de

modernidade, gestão

e respeito com o

social, com o ser

humano."

Otávio Lage de

Siqueira Filho

"Era um ser humano

carinhoso com as

pessoas, amigos e

funcionários.

O que também fica

na memória é a

coragem de investir.”

Segundo Martinez

Segundo Martinez e Mounir Naoun, empresários do setor e o funcionário da Jalles, Antônio Gomes


Uma empresa que investe em tecnologia e contribui

para a economia de seu País é vista como

empreendedora. Mas se ela vai além e acredita em

cada um de seus colaboradores acima de tudo, faz a

diferença: torna-se uma referência

Otávio Lage de Siqueira

FUTURO

As ações de Otávio Lage de Siqueira marcaram época também na

administração pública. Na prefeitura de Goianésia ele implantou práticas

que ainda vigoram. Destaque para salário com remuneração pela

produtividade, plano de saúde para servidores, redução de gastos e programa

de eficiência administrativa. Como governador de Goiás, foi um

municipalista e mais uma vez inovou. Ele interiorizou a ação política e

administrativa do governo e teve a visão estratégica de priorizar investimentos

em infra-estrutura.

Os projetos dele, que ainda estavam no papel, vão ser implantados.

"Meu pai queria ampliar a Jalles Machado, para que se pudesse gerar

mais energia e aumentar a produção de álcool e açúcar", afirma Ricardo

Fontoura de Siqueira. Também está em fase de planejamento a nova

planta industrial, que será construída em Goianésia.

A história de vida de Otávio Lage de Siqueira é exemplo de que a preocupação

social, tecnologia e crescimento econômico podem caminhar juntos.

Ele foi, acima de tudo, um exemplo num País que precisa se orgulhar

de suas referências éticas e morais, aliás, cada vez mais raras.


"Era bom patrão e

companheiro.

Tratava todos

muito bem.”

Antônio Gomes,

Fofão

"Quando penso no

meu avô é com

orgulho, respeito e

admiração. Quando

bate a saudade,

quando dói a falta, a

lembrança mais

forte é do abraço

apertado, do ânimo

inesgotável para

ensinar, do carinho

imenso com a vovó

Marilda. Sinto não

ter estado mais

próxima nos últimos

anos da vida dele."

Ana Fontoura, neta

CANAL – agosto/setembro de 2006

21


ARTIGO – Fernando Bezerra

Capital humano,

o diferencial

AAdministração como

ciência, através de um

conjunto de princípios

estabelecidos há mais

de dois séculos, moldou a estrutura,

a gestão e o desempenho

das organizações.

Os empresários, os executivos

criaram e conduziram organizações

que, por mais de cem anos,

atenderam a demanda crescente

por produção e serviços do mercado

de massa. Isso num cenário de

dificuldades para adequação de

novas técnicas, distinguindo o que

é melhor implantar, em razão dos

padrões de gestão familiar ainda

presentes em boa parte das empresas

em nosso país.

Na década de 60, com a chegada

do homem na lua, a revolução

dos jovens universitários ensinou as

empresas que as minorias estavam

decididas a agir, organizar-se e lutar

pelas oportunidades de obter

empregos e competir pelas vantagens

desfrutadas pela classe média.

Hoje, a mão-de-obra está ciente

de seu real peso no processo

produtivo. Ela busca maior percepção

de suas necessidades, da satisfação

não só de suas carências de

ordem material, mas, principalmente,

da satisfação motivacional

no campo psicológico, na qual sua

auto-estima precisa ser valorizada

através de seu relacionamento como

ser produtivo e capaz.

A resistência de alguns empresários

do setor sucroalcooleiro sobre

a não aplicação de uma Política de

Recursos Humanos consistente,

atrelada ao planejamento estratégico

da organização e voltada para

resultados, vem contribuindo para

uma imagem negativa do setor.

Por mais que se tente mudar esta

situação, prevalece ainda a

imagem dos Senhores de Engenho;

do trabalho em condições degradantes;

do manda quem pode e

obedece quem tem juízo, isto é,

uma cultura que está presente no

dia-a-dia de algumas organizações

e que precisa ser mudada rapidamente.

Sabemos que existem

empresários sérios, cientes da sua

responsabilidade social. Porém, em

razão da ATITUDE de poucos, a

imagem do setor ainda é negativa.

Com a grande procura dos produtos

gerados a partir do processamento

da cana-de-açúcar, a

maioria das empresas desenvolveu

estratégias para otimizar recursos

como capital financeiro, tecnologia,

marcas e assim por diante,

mas poucas conseguiram entender

que as estratégias mais bem sucedidas

estão na prática eficaz de

gestão do capital humano que

exerce efeito poderoso sobre os

resultados do negócio. Todas produzem

açúcar, álcool e outros produtos,

mas a vantagem competitiva

resulta da diferenciação significativa

para os seus clientes. A tecnologia

é oferecida pelo mercado

e pode ser adquirida, basta ter capital

ou crédito para fazer uso,

mas são as pessoas que agregam

valor ao negócio através da mudança

de ATITUDE, desde seu maior

executivo até o empregado

mais simples.

Levantamentos realizados por

profissionais de Recursos Humanos

mostram que: "70% do que

ocorre nas empresas está ligado à

ATITUDE das pessoas e os outros

30% são associados a outros fatores".

Outros apontam que, "na

gestão de valores, 20% têm a ver

com dinheiro os outros 80% têm

a ver com a ATITUDE das pessoas."

Questiono: Se não mudarmos

de ATITUDE iremos conseguir mudar

a imagem que o setor carrega?

Maria Luiza Trajano - Presidente

do Magazine Luiza em entrevista

à revista Tam - em 2004 diz:

"Nos ritos, cantamos o Hino Nacional.

Sem o resgate da auto-estima

do Brasil, nada vai pra frente."

Pegando uma carona em seu

pensamento, podemos afirmar que

as organizações, sejam elas públicas

ou privadas, que não resgatarem

a auto-estima de seus empregados

através de investimentos em

um modelo de gestão de Recursos

Humanos estratégicos, estarão fadadas

a morrer na praia ou continuar

denegrindo a imagem do setor

através de uma política não ética.

As empresas de sucesso no

mundo e muitas do setor sucroalcooleiro

aplicam uma política de

Recursos Humanos adequada, na

maioria das vezes sem abrir mão

dos princípios e valores de seus

fundadores. Desta forma, criam

um DNA-CULTURAL da organização

através da Integridade, Honestidade,

Lealdade, Legalidade e Verdade.

Quando aprendem com os

erros, aprendem a perder, desenvolvem

a autoconfiança, distinguem

a confiança da arrogância,

valorizam o processo do raciocínio,

evitam a auto-ilusão, enxergam a

realidade, reagem às mudanças

com rapidez e têm grandes resultados,

sem se esquecer de seu principal

ativo "as pessoas".

Destaco que: "As mudanças só

ocorrem quando colocamos as

pessoas certas nos lugares certos.

Estratégia é tudo, o resto

vem depois. Mude a ATITUDE de

sua organização."

Treine o tempo todo. Treine comportamento,

gerência, liderança e

depois treinamento técnico. Alinhe

os interesses dos empregados com

os interesses dos acionistas de tal

forma que esta associação crie um

clima de comprometimento, de

transparência, de auto-estima, de

afetividade, onde todos sabem que:

"se eu ajudar a fazer o bolo crescer,

terei um pedaço justo".

Fernando D. Bezerra

Administrador, especializado em

Recursos Humanos e Gestão da

Qualidade e Gerente de Recursos Humanos

da GoiasCarne

goiás carnes

22 CANAL – agosto/setembro de 2006

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