Fernanda Quixabeira Machado - ANPUH-SP

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Fernanda Quixabeira Machado - ANPUH-SP

ASCENSÃO JOVEM NOS ANOS 1950

Fernanda Quixabeira Machado1

Ao discutir sobre a tematização social da juventude no Brasil, a socióloga

Helena W. Abramo destaca que tem crescido os estudos desenvolvidos sobre o tema

nas universidades, bem como a atenção conferida aos jovens nos últimos anos tanto

por parte dos meios de comunicação de massa, quanto pelas instituições

governamentais e não governamentais (Cf. Abramo, 1997, p. 25). No entanto, a

maioria desses estudos tem sido desenvolvidos nos campos da Sociologia, Psicologia,

Pedagogia e Antropologia. A História pouco tem trabalhado o tema.

Em “História dos Jovens: da antiguidade à era moderna” e “História dos

Jovens: a época contemporânea”, ambos publicados em 1996, os autores Giovanni

Levi e Jean-Claude Schmitt, reúnem pela primeira vez uma coletânea de ensaios que

versam sobre a juventude do ponto de vista histórico. A história da juventude para os

autores “se configura como um terreno privilegiado de experimentação historiográfica”

(1996, p. 10).

Trata-se de um objeto relativamente novo para os historiadores, por isso,

algumas considerações tecidas pelos autores são de fundamental importância para

aqueles que desejam pisar nesse “terreno” e se aventurar nessa “experimentação

historiográfica”. Os historiadores não devem perder de vista, que a juventude é uma

construção social e cultural, “em nenhum lugar, em nenhum momento da história, a

juventude poderia ser definida segundo critérios exclusivamente biológicos ou

jurídicos. Sempre e em todos os lugares, ela é investida também de outros valores”

(Levi & Schmitt, 1996, p.14). É importante ainda destacar outros aspectos, como a

questão da transitoriedade, não se é jovem, se está jovem, “pertencer à determinada

faixa etária — e à juventude de modo particular — representa para cada indivíduo uma

condição provisória. Mais apropriadamente, os indivíduos não pertencem a grupos

etários, eles os atravessam” (Levi & Schmitt, 1996, p.08-09). A desigualdade entre as

classes sociais e a diferença entre os sexos também não devem ser esquecidas.

As mudanças ocorridas na escrita da história nas últimas décadas, sobretudo a

partir nos anos de 1970 e 1980, permitiram o desenvolvimento de estudos sobre

temáticas e grupos sociais, até então, excluídos, como os prisioneiros, os imigrantes,

os soldados, os operários, os homossexuais, as mulheres, os escravos, as crianças e

1 Mestranda em História da Universidade Federal de Mato Grosso.

Texto integrante dos Anais do XVII Encontro Regional de História – O lugar da História. ANPUH/SP-

UNICAMP. Campinas, 6 a 10 de setembro de 2004. Cd-rom.


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também os jovens. A Nova História abriu um leque de possibilidades. Como observa

Peter Burke, “nos últimos trinta anos nos deparamos com várias histórias notáveis de

tópicos que anteriormente não se havia pensado possuírem uma história, como, por

exemplo, a infância, a morte, a loucura, o clima, os odores, a sujeira e a limpeza, os

gestos, o corpo” (Burke, 1992, p. 11).

Em 1974, Jacques Le Goff e Pierre Nora organizam na França uma série de

livros com três volumes2 para discutir os novos caminhos da história. No primeiro

volume é colocada a questão dos “novos problemas” da história; no segundo discutese

as novas abordagens e no terceiro abordam os “novos objetos da história”, os

jovens, juntamente com o clima, o inconsciente, o mito, as mentalidades, a língua, o

livro, o corpo, a cozinha, a opinião pública, o filme e a festa, aparecem como um

desses novos objetos de investigação histórica.

De modo geral, os estudos sobre a juventude no Brasil, privilegiam as

manifestações juvenis partindo da década de 1950, em diante. Em cada década, a

juventude aparece caracterizada de uma forma, por exemplo, na década de 1950 —

chamada de “anos dourados” — a juventude ficou conhecida como “rebeldes sem

causa” ou “juventude transviada”, na década de 1960 — “os anos rebeldes” — a

juventude é tida como revolucionária; na década de 1990, fala-se de uma “geração

shopping center”.

O presente estudo propõe uma investigação que vá além desses rótulos, uma

vez que tendem a encobrir muitos outros aspectos. Hegel diz que “se você chama de

criminoso alguém que cometeu um crime, você ignora todos aspectos de sua

personalidade ou de sua vida que não são criminosos” (Apud, Carrano, 2000, p. 17).

Essa proposição que se aplica em relação aos indivíduos também serve de lição para

a história. Quando chamamos a juventude dos anos 90 de “geração shopping center”

ignoramos as suas várias outras facetas.

A partir da década de 50 do século XX, vive-se um momento de expressiva

ascensão jovem que tem início nos Estados Unidos, principalmente, entre as classes

média e alta. “A cultura juvenil tornou-se dominante nas economias de mercado

desenvolvidas”, (Hobsbawm, 1995, p. 320). É tecida uma identidade própria em torno

dessa fase da vida humana, jamais vista na história. Começava a constituir-se uma

2 LE GOFF, Jacques & NORA, Pierre. História: novos problemas. 4 a ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves,

1995.

________________. LE GOFF, Jacques & NORA, Pierre. História: novas abordagens. 4 a ed. Rio de

Janeiro: Francisco Alves, 1995.

________________.LE GOFF, Jacques & NORA, Pierre. História: novos objetos. 4 a ed. Rio de Janeiro:

Francisco Alves, 1995.

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consciência etária que acentuaria a oposição entre os grupos jovens e os não jovens.

Um jovem nascido em Salvador em 1944, chamado Raul Santos Seixas sócio do fãclube

“Elvis Rock Club” aos 16 anos, define bem essa construção de identidade jovem,

“antes a garotada não era garotada, seguia o padrão do adulto, aquela imitação do

homenzinho, sem identidade”. Naquela época, diz Raul: “Eu senti que ia ser uma

revolução incrível. Na época eu pensava que os jovens iam conquistar o mundo”

(Apud, Carmo, 2001, p. 33).

Em 1997 um crime abalou o país. Na madrugada do dia 20 de abril, cinco

jovens derramam álcool sobre o corpo de um homem que dormia no banco de uma

parada de ônibus em Brasília, ateiam fogo e depois fogem. O homem era o índio

pataxó Galdino Jesus dos Santos que estava na cidade em função das comemorações

do dia do índio. E os jovens tratavam-se de Antônio Novely Vilanova de 19 anos, filho

de um juiz federal, Eron Chaves de Oliveira de 19 anos, Max Rogério Alves também

de 19 anos, Tomás Oliveira de Almeida de 18 anos e o menor G. A. de 17 anos, todos

pertencentes à classe média de Brasília (Cf. Folha de São Paulo, 10/11/2001, p.8-9). E

o que estes jovens faziam ali àquela hora? Segundo eles estavam apenas se

divertindo, argumentaram que só queriam dar um susto no homem que dormia na

parada de ônibus e que não sabiam que o homem era um índio, pensaram tratar-se de

um mendigo. Ao dizerem isto, esses jovens sem o saber estavam remetendo a uma

prática já antiga. Conforme contam Brandão e Duarte, na década de 1950, “houve, em

São Paulo e no Rio de Janeiro, casos de jovens que chegavam a derramar gasolina

em mendigos, ateando-lhes fogo” (Brandão & Duarte, 1999, p. 35).

O episódio envolvendo os jovens de Brasília reacendeu o debate sobre a

juventude. Pais, professores, psicólogos, sociólogos, enfim a sociedade em geral

queria uma explicação. Por que jovens que sempre tiveram de “tudo” cometeram tal

ato?

O antropólogo Gilberto Velho, estudioso da classe média no Brasil diz que é

um grande preconceito imaginar que a pessoa pobre é uma criminosa em potencial.

Ele considera que “a variável pobreza é muito importante na construção do campo

propício ao desenvolvimento da criminalidade, mas não a única” (Cf, Folha de São

Paulo em 24/02/2000, p.7).

As práticas transgressivas de jovens da classe média ganharam notoriedade

na década de 1950. É nesse momento que “os atos de delinqüência juvenil

extravasam os limites dos setores ‘socialmente anômalos’ (os marginalizados, os

imigrantes nas grandes metrópoles, as classes perigosas) e se tornam comuns entre

jovens de setores integrados e de classe média”. (Abramo, 1997, p. 30). A juventude

brasileira desse período ficou conhecida como “rebeldes sem causa” ou “juventude

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transviada”. A expressão “rebelde sem causa” é o título em português de um filme

norte-americano: Rebel Without a Cause, estrelado pelo ator James Dean. O filme

abordava temas novos para a época, como a sexualidade, a rebeldia e a carência

afetiva juvenil. Em meados da década de 1950, a indústria cinematográfica passou a

destinar grande atenção ao público jovem produzindo filmes tendo os jovens como

protagonistas e os seus problemas como temática. É por essa razão que o cinema,

segundo Luisa Passerini, “se confirma como fonte particularmente importante para a

história do discurso sobre a juventude, ou melhor, no caso dos Estados Unidos da

década de 1950, como fonte privilegiada” (Passerini, 1996, p. 368).

O comportamento social da chamada “juventude transviada” aqui no Brasil se

mostrou através de atos como o homicídio praticado por Cássio Murilo, de 17 anos,

Ronaldo, de 19 anos, e Antônio João de Souza de 25 anos contra a jovem Aída Curi

que comoveu a sociedade. Na noite de 14 de Julho de 1958, a estudante Aída Curi de

19 anos fora atirada com vida do 13o andar do edifício Rio Nobre em Copacabana na

cidade do Rio de Janeiro.

Teve repercussão ainda, o caso do jovem herdeiro de cinqüenta milhões de

cruzeiros, João Pessoa Neto — o Epitacinho — acusado de estelionato pela justiça e o

qual o promotor Corrêa Meyer requeria a condenação à pena mínima de dois anos,

alegando que “ Epitacinho é ainda menor de 21 anos e não tem antecedente penal,

sendo em parte vítima da educação anormal que recebeu, além de haver sofrido

impactos com o falecimento de seu pai e o suicídio de sua mãe” (O Estado de Mato

Grosso, 07/02/1958, p. 04).

É importante destacar que o mais impressionante nesses episódios, não é o

fato de jovens estarem praticando homicídio, estelionato, vandalismo ou estupro, e sim

o fato de serem jovens pertencentes às classes média e alta. Para Zuenir Ventura

esses jovens:

(...) inauguraram um modelo de agressividade cruel e gratuita, que não

encontrava equivalente na violência praticada pelos malandros de morro

de então. Essa geração do asfalto, que se divertia com brincadeiras

como atear fogo em mendigos antecipou uma vertente moderna da

violência urbana — a que é movida pelo prazer da crueldade (1994, p.

33).

Como se viu, foram muitos os atos da juventude na década de 50 do século XX

que reforçam o estigma de “rebeldes sem causa” ou “juventude transviada”.

Entretanto, essa não era a sua única faceta. Ao lado dos “rebeldes sem causa”, havia

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também, os rebeldes que tinham causa, personagens menos conhecidos da história

desse período, mas nem por isso menos importantes.

Os rebeldes que tinham causa promoveram em 1959 greves em vários pontos

do país como forma de protesto contra a elevação das taxas escolares: “(...) A classe

estudantil, principalmente a dos cursos médios, declarou-se em greve em vários

pontos do país, como protesto pela elevação de 30 a 35 por cento, nas taxas

escolares, para atender ao aumento dos professores (...)” (O Estado de Mato Grosso,

10/03/1959, p. 01).

Os estudantes decidiram manter a greve, enquanto as suas reivindicações não

fossem atendidas.

Comissões de estudantes solicitaram entrevista especial ao Presidente

Juscelino, tendo já conferenciado com o Chefe da Nação, que prometeu

voltar a recebê-los logo depois de conferenciar com o Ministro da

Educação, Sr. Clóvis Salgado. (...) ‘se os estudantes provarem que é

excessivo o aumento das anuidades voltaremos atrás’. Os estudantes

estão dispostos a não cessarem a greve enquanto não for revogada a

portaria ministerial (Jornal O Estado de Mato Grosso, 10/03/1959, p.01).

Em 1958, na cidade de São Paulo, o Conselho Nacional dos Estudantes

reuniu-se com as representações de nove estados que se mostravam indignados com

a atitude do governador Jânio Quadros em face da crise da Universidade, declarandoo

no final da reunião “persona non grata” dos estudantes.

Na visita do Secretário de Estado norte-americano John Foster Dules, em

1958, estudantes mobilizaram-se expressando descontentamento, mas negaram

manifestações de violência:

(...) o que faremos, é um direito do qual não abrimos mão, é expressar

ao dirigente americano nossa radical repulsa à política colonialista do

Governo Americano, que ele ‘representa’ afirmou, em nossa redação, o

Presidente da União Nacional dos Estudantes, Jorge Meduar, à frente

de numerosa comissão de dirigentes das entidades universitárias e

secundaristas (Jornal O Estado de Mato Grosso, 24/07/1958, p.01).

Em Cuiabá, no ano de 1954, um acontecimento importante marca a vida

cultural da cidade, trata-se da implantação da Faculdade de Direito. Esta Faculdade

vai ao encontro das necessidades e anseios da sociedade mato-grossense, pois

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preenche uma lacuna no sistema educacional, visto que o Estado ainda não possuía

uma escola de Ensino Superior.

Os estudantes mato-grossenses que almejavam cursar o Ensino Superior

destinavam-se a outros Estados do país, principalmente para a cidade do Rio de

Janeiro, onde se formou uma colônia e a Casa do Estudante Mato-Grossense

construída com a ajuda da Associação Mato-Grossense de Estudantes (AME), que

chegou a promover em novembro de 1950, um Concurso de Mis para angariar fundos.

Inclusive, a sede da AME localizava-se no Rio de Janeiro.

Durante o período de férias, esses estudantes retornavam a Cuiabá, mantendo

assim, forte ligação e influência em relação às questões políticas e sociais. Na

campanha que elegeu o Governador João Ponce de Arruda, em 1955, por exemplo,

uma parcela significativa desses jovens teve papel fundamental, “os moços de Mato

Grosso”, assim denominado, formou na Capital da República o CEPPA (Centro

Estudantil Pró Ponce de Arruda):

Os moços, de Mato Grosso, residentes no Rio de Janeiro, formaram na

Capital da República, o CEPPA (Centro Estudantil Pró Ponce de

Arruda). Congregou, em torno do movimento, a mocidade estudantil da

nossa terra, integrada por jovens idealistas, cuja formação moral e

cívica dá um “pano de amostras” de real valor nesse gesto de altivês,

que recebera, forçosamente, o agradecimento mais sincero da

posteridade de Mato Grosso. O CEPPA não se limitou a instalação próformula,

como organização de fachada. O CEPPA entrou logo em ação.

Eles oferecem um exemplo magnífico, nesse gesto de ativa participação

da luta, que conduzirá Mato Grosso para os rumos certos do seu

glorioso destino (Jornal O Estado de Mato Grosso, 24/07/1955. p.06).

A falta de Ensino Superior em Mato Grosso dispersava o Movimento Estudantil,

ainda que os estudantes mantivessem ligações com a terra natal. Com a criação da

Faculdade de Direito o movimento ganhou maior unidade e representatividade.

Os integrantes da primeira turma que contava com 76 alunos, de ambos os

sexos, eram em sua maioria pessoas residentes em Cuiabá. Entre eles figuravam: um

médico, um engenheiro civil, vários engenheiros agrônomos, jornalistas, professores,

oficiais do exército, farmacêuticos, dentistas, contadores, altos funcionários, enfim,

elementos da elite. Os primeiros alunos não tinham um perfil jovem, eram pessoas

mais experientes. Somente aos poucos este aspecto vai mudando (Cf. O Estado de

Mato Grosso, p. 13/01/1955, p. 01).

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Alguns estudantes que faziam faculdade em outros Estados retornaram à

cidade, transferindo o curso e outros tantos deixaram de ir embora. A Faculdade

imediatamente impulsionou novas atividades educacionais, como a abertura do curso

de admissão à Faculdade e o funcionamento do primeiro Centro Acadêmico, ao qual

deram o nome de VIII de Abril — data de aniversário de Cuiabá. Também é criada no

mesmo ano da fundação da faculdade a União Mato-Grossense dos Estudantes

Secundários (UMES).

O reconhecimento oficial da Faculdade veio em 1956, dois anos após a sua

implantação e foi anunciada por Silva Freire com muito entusiasmo:

Finalmente, deixou de ser uma escola de fato e sê-la de fato e de direito

a mais jovem Faculdade de Direito do Brasil, a de Mato Grosso!

Felizmente, após a tempestade surge a bonança e a certeza de dias

melhores para a cultura cívico universitária do nosso estado natal.

Conterrâneos e colegas, neste instante em que redijo esta Carta de

Alegria, venho de assistir à discussão e votação do parecer favorável de

autoria, do Dr. Celso Kelly, do colendo Conselho Nacional do Ensino,

relator do nosso processo, que dá autorização ao funcionamento legal à

nossa caçula. Mato Grosso e sua juventude que trabalha e que estuda,

naquele instante, afundado na poltrona do recinto augusto, se me

apresentava em festas (...). Avante juventude de Mato Grosso.

Vençamos a Bastilha da penumbra intelectual (Jornal O Estado de Mato

Grosso, 15/07/1956, p. 02).

O panorama educacional na cidade adquiriu nova dinâmica. Em 1958, observase

uma grande movimentação estudantil:

(...) Há um movimento estudantil em grande ascensão na terra

cuiabana. O interesse pelo ensino é um fato. Todos os colégios estão

superlotados, como uma demonstração de que a nossa mocidade

inclina-se para estudo. Quer seja o Colégio estadual, o Colégio

Salesiano, o Ginásio Brasil, todos sem exceção, atenderam a um

grande número de matrículas. No prédio do colégio estadual, além das

turmas do curso secundário, atendendo o curso ginasial e colegial,

aproximadamente com 1200 alunos, funcionam a Escola Normal e duas

turmas da Faculdade de Direito de Mato Grosso (Jornal O Estado de

Mato Grosso, 14/03/1958, p.04).

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No plano cultural destaca-se a criação do grupo teatral, “Teatro Revista

Estudantil”, em 1958, por iniciativa de um grupo de jovens:

Merece encômios os componentes do Teatro Revista Estudantil de

Cuiabá, fundado por um pungilo de jovens, tendo a frente à figura

entusiasta de Benedito Pinheiro de Campos. E um conjunto de gente

moça, que vem dando a Cuiabá noitadas alegres lítero-musicais. E é tão

meritória essa obra desses jovens que o Centro Artístico de Cuiabá, na

pessoa de seu presidente Dr. Vicente Vuolo, amparou essa novel

campanha artística, incentivando-a para que a mesma continue sempre

a nos proporcionar bons espetáculos e que irradie também a sua fama

por outras cidades do Estado, onde poderá com auxílio dos poderes

públicos excursionar levando lá fora o gênio e a inteligência dos jovens

cuiabanos (Jornal O Estado de Mato Grosso, 16/03/1958, p.01).

Quer seja por suas transgressões, quer seja por sua contestação e mobilização

política, os jovens, desde então, não saíram mais de cena, protagonizando assim, uma

revolução nos costumes e hábitos sem precedentes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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VENTURA, Zuenir. Cidade partida. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

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