20130405034418-caderno III Coloquio de ... - IGEO- Unicamp

ige.unicamp.br

20130405034418-caderno III Coloquio de ... - IGEO- Unicamp

3º Colóquio de Ensino

e História de Ciências

da Terra

PROGRAMA E

BOLETIM DE RESUMOS

Campinas

11 de abril de 2013


3º COLÓQUIO DE ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRA

APRESENTAÇÃO

Em 11 de abril de 2013, ocorrerá o 3° Colóquio de Ensino e História de Ciências da Terra.

Promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra

(PEHCT) será uma oportunidade de intercâmbio e aprofundamento de pesquisas conduzidas

pelos alunos de mestrado e doutorado do PEHCT.

Neste momento, aproveitamos para enfatizar os objetivos centrais do evento. Antes de mais

nada é uma apresentação do PEHCT aos alunos ingressantes de 2013. É objetivo do 3º.

Colóquio também ajudar a formar um quadro das atividades de pesquisa do Programa e

contribuir para identificar problemas, dificuldades e possibilidades de melhoria da pósgraduação.

Neste evento, haverá discussão de cerca de 30 trabalhos preparados pelos alunos do Programa

e avaliados pelos seus respectivos orientadores. Se, de um lado, a abrangência temática

alcança desde a História da Ciência e da Técnica à formação de professores, de outro, está

circunscrita aos assuntos que tradicionalmente são tratados pelo PEHCT.

Os trabalhos aprovados, seu debate e apreciação devem servir de ponto de partida de reflexão

de todos nós. Como ocorreu em 2012, esperamos que o intercâmbio e debate sejam

produtivos para alunos e professores.

COMO SERÃO AS DISCUSSÕES DOS TRABALHOS DURANTE O 3º COLÓQUIO?

Apoiados na avaliação do evento de 2012, vamos privilegiar o debate e, em virtude disso, não

haverá apresentação de trabalhos. Autores não devem preparar sequências de audiovisuais ou

painéis.

Autores e seus orientadores devem estar preparados para discutir os trabalhos. Não apenas os

próprios trabalhos, mas também os demais da mesma sessão temática. Pretendemos buscar

aproximações das pesquisas em desenvolvimento. Na medida do possível, trabalhos foram

agrupados em sessões temáticas e um professor do Programa problematizará e mediará o

debate.

Cabe a cada coordenador de sessão resumir os trabalhos, criar questões e perguntas que

possibilitem comparar, aprofundar e ajudar o desenvolvimento da pesquisa.

Comissão Organizadora

2


PROGRAMAÇÃO

Horário

Atividade

8h30-9h

9h

9h30

11h

12-13h30 Almoço

Café da manhã do 3º Colóquio PEHCT

Apresentação do PEHCT

Sessão de Discussão

Metodologia de Ensino de

Geociências (1ª parte)

Sessão de Discussão

Metodologia de Ensino de

Geociências (2ª parte)

Coordenador: Roberto Greco

Debatedores: Aline Trombini Ferreira Lima; Edson Munhoz; Glauco Rodrigo Ribeiro Trepador; Magali

Andrade Barbosa; Paulo Bussab Lemos de Castro; Vanessa Lessio Diniz; Viviane Lousada Cracel

Coordenador: Alfredo Campos

Debatedores: Ederson Costa Briguenti, Edson Roberto de Souza, Emerson Jhammes Francisco Alves;

José Roberto Serra Martins; Maria José dos Santos; Silvana Maria Corrêa Zanini; Thiara Vichiato Breda

13h30

14h15

15h00

Sessão de Discussão

Metodologia de Ensino de

Geociências para o nível

superior

Sessão de Discussão

Formação de professores

Sessão de Discussão

Educação Ambiental

Coordenador: Celso Dal Ré Carneiro

Debatedores: Elias Profeta Ramos de Araújo; Karina da Costa Sousa; Luiz Anselmo Costa Nascimento

Ifanger

Coordenador: Oscar Braz Mendonza Negrão

Debatedores: Lívia Andreosi Salles de Oliveira; Marlon Eij Marchetti; Narjara Zimmermann;

Terezinha Chagas Carneiro Pessoa

Coordenador: Pedro Wagner Gonçalves

Debatedores: Camila Moreno de Lima Silva; Cauê Nascimento de Oliveira; Cecília Maria Pinto do

Nascimento; Erica Akemi Goto; Geliane Toffolo

3


Horário

15h45

16h30

Atividade

Sessão de Discussão

História da Ciência e da

Técnica

Café da tarde

Coordenador: Pedro Wagner Gonçalves

Debatedores: Anfrísio Rodrigues Neto; Drielli Peyerl; Mário Roberto Ferraro; Paulo Eduardo Martins

Araújo

17h

Aula inaugural do PEHCT

Metodologia de Pesquisa Qualitativa: limites e possibilidades

Profa. Dra. Maria Cristina da Silveira Galan Fernandes

Departamento de Educação

Universidade Federal de São Carlos

18h10-18h30

Sessão de Encerramento

4


SUMÁRIO

A EQUIPE SUECA: O INÍCIO DA SIDERURGIA DO FERRO NO BRASIL (1810–

1814) ........................................................................................................................................... 8

Anfrísio Rodrigues Neto

Pedro Wagner Gonçalves

A INSERÇÃO DE CONTEÚDOS DE GEOCIÊNCIAS NAS AÇÕES PEDAGÓGICAS

DO MOVIMENTO ESCOTEIRO NO BRASIL ................................................................... 9

Camila Moreno de Lima Silva

Profa. Dra. Rosely Aparecida Liguori Imbernon

A MEDIAÇÃO DO PROFESSOR NAS ELABORAÇÕES DE CONHECIMENTOS

GEOMÉTRICOS RESULTANTES DOS ESTUDOS DO LUGAR/AMBIENTE NO

ENSINO FUNDAMENTAL II .............................................................................................. 10

Magali Andrade Barbosa

Maurício Compiani

A PARTICIPAÇÃO DE ESCOLAS MUNICIPAIS E INSTITUIÇÕES GESTORAS NO

PROCESSO DEEDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

............................................................................................................................................. .....11

Cauê Nascimento de Oliveira

Rosely Aparecida Liguori Imbernon

Pedro Wagner Gonçalves

ANÁLISE DO TEMA RECURSOS HÍDRICOS EM LIVROS DIDÁTICOS DE

GEOGRAFIA ......................................................................................................................... 12

Emerson Jhammes Francisco Alves

Celso Dal Ré Carneiro

ANÁLISE DOS CURSOS DE FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES NA

ÁREA DE EDUCAÇÃO E MEIO AMBIENTE: PROPOSTA DE INDICADORES DE

AVALIAÇÃO BASEADOS NO ENSINO DAS GEOCIÊNCIAS ..................................... 13

Livia Andreosi Salles de Oliveira

Profa. Dra. Denise de La Corte Bacci(a)

APROXIMAÇÕES DE ENSINO DE QUÍMICA E CIÊNCIAS DA TERRA ................. 14

Maria José dos Santos

Pedro Wagner Gonçalves

AS ILUSTRAÇÕES DE CONTEÚDOS GEOCIENTÍFICOS EM LIVROS

DIDÁTICOS DO ENSINO SECUNDÁRIO ........................................................................ 15

Edson Roberto de Souza

Denise De La Corte Bacci

David Brusi

Amélia Calonge

CICLO DA AREIA PARA ENSINAR FÍSICA E GEOCIÊNCIAS: O QUE OS

ALUNOS APRENDEM DE DINÂMICAS DE TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA ... 16

Glauco Rodrigo Ribeiro Trepador

Pedro Wagner Gonçalves

CIÊNCIA, CULTURA E MEIO AMBIENTE NA BELLE ÉPOQUE PAULISTA: O

“DAY AFTER” DA LAVOURA CAFEEIRA. ..................................................................... 17

Prof. Dr. Mário Roberto Ferraro

Profª. Drª. Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa

CIÊNCIAS DA TERRA NOS CURRÍCULOS DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

DE CIÊNCIAS NATURAIS NO BRASIL E EM PORTUGAL ........................................ 18

Elias Profeta Ramos de Araujo

5


Maria Cristina Motta de Toledo

CONHECIMENTOS ESCOLARES CONTEXTUALIZADOS E

INTERDISCIPLINARES NO ENSINO FUNDAMENTAL II- O PAPEL DO LUGAR E

DAS GEOCIÊNCIAS ............................................................................................................ 19

Vanessa Lessio Diniz

Maurício Compiani

CONTRIBUIÇÕES DAS PRÁTICAS DE CAMPO COMO METODOLOGIA DE

ENSINO EM GEOCIÊNCIAS E EDUCAÇÃO AMBIENTAL - UMA EXPERIÊNCIA

COM ESTUDANTES DO 6º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL. .............................. 20

Edson Munhoz

Profª Drª Rosely Aparecida Liguori Imbernon

CURRÍCULO E HISTÓRIA DE VIDA: TRAJETÓRIA DE PROFESSOR VOLTADA

PARA O ENSINO DE GEOCIÊNCIAS .............................................................................. 21

Marlon Eij Marchetti

Pedro Wagner Gonçalves

DESLOCAMENTOS DE DISCURSOS E PRÁTICAS DOCENTES DE

PROFESSORES DE EJA NUMA ESCOLA DE ENSINO INDIVIDUALIZADO E

PRESENÇA FLEXÍVEL ....................................................................................................... 22

Terezinha Chagas Carneiro Pessoa

Vânia Maria dos Santos Nunes

EDUCAÇÃO NÃO FORMAL COM CONTEÚDO GEOCIENTÍFICO COMO

INSTRUMENTO PARA PREVENÇÃO A ACIDENTES E AOS DESASTRES

NATURAIS: EXPERIÊNCIA NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO ................................. 23

Erica Akemi Goto

Jefferson de Lima Picanço

ENSINO DE QUÍMICA, GEOCIÊNCIAS E ENFOQUE CTS: PERSPECTIVAS,

APROXIMAÇÕES E ARTICULAÇÕES ............................................................................ 24

Silvana Maria Corrêa Zanini

Pedro Wagner Gonçalves

ESTUDANTES E PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO SOBRE O LUGAR: A

POSSIBILIDADE DE ESPAÇOS DE REPRESENTAÇÃO EMANCIPATÓRIOS ....... 25

Cecília Maria Pinto do Nascimento

Orientador: Maurício Compiani

Co-orientadora: Maria das Mercês Navarro Vasconcellos

INVESTIGAÇÃO DAS TÉCNICAS METALÚRGICAS DE EXTRAÇÃO E

TRANSFORMAÇÃO DO MINÉRIO DE FERRO DE ARAÇOIABA. ........................... 26

Paulo Eduardo Martins Araújo

Prof. Dr. Jefferson Picanço

INVESTIGANDO O PROPOSTO E O VIVIDO NA RELAÇÃO SOCIOAMBIENTAL

.................................................................................................................................................. 27

GelianeToffolo

Joseli Maria Piranha

MUDANÇAS CLIMÁTICAS NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA

AMBIENTAL EM UBERABA/MG ..................................................................................... 28

Karina da Costa Sousa

Prof.ª Dr.ª Denise de la Corte Bacci

NOVAS ABORDAGENS EM ENSINO DE SISTEMA TERRA A PARTIR DO

PENSAMENTO SISTÊMICO .............................................................................................. 29

Luiz Anselmo Costa Nascimento Ifanger

Roberto Greco

6


O CONHECIMENTO SÓCIO-AMBIENTAL LOCAL COMO ESTRATÉGIA DE

VALORIZAÇÃO DO LUGAR: PROJETO GEO-ESCOLA EM CAJAMAR, SP ......... 30

Aline Trombini Ferreira Lima

Celso Dal Ré Carneiro

O PAPEL DA PETROBRAS NA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA ÁREA DE

GEOCIÊNCIAS E MAPEAMENTO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO ....................... 31

Drielli Peyerl

Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa

O USO DA ATIVIDADE DIAGNÓSTICA NAS ESTRATÉGIAS DE MEDIAÇÃO NO

ENSINO ESCOLAR .............................................................................................................. 32

Ederson Costa Briguenti

Mauricio Compiani

O USO DE JOGOS NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM NA

GEOGRAFIA ESCOLAR ..................................................................................................... 33

Thiara Vichiato Breda

Jefferson de Lima Picanço

PLATAFORMA CONTINENTAL JURÍDICA, RECURSOS DO PRÉ-SAL E ENSINO

DE GEOCIÊNCIAS ............................................................................................................... 34

José Roberto Serra Martins

Celso Dal Ré Carneiro

PROPOSTA METODOLÓGICA DE TRABALHO COM MAPAS NO ENSINO

MÉDIO NA PERSPECTIVA HISTÓRICO-CULTURAL: DESAFIOS E

POSSIBILIDADES ................................................................................................................ 35

Viviane Lousada Cracel

Mauricio Compiani35

TRAJETÓRIA DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DA E.E. ANA RITA GODINHO

POUSA NA INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA, CAMPINAS –SP ..................... 36

Paulo Bussab Lemos de Castro

Fernanda Keila Marinho da Silva

UM CAMINHO, VÁRIAS HISTÓRIAS: APROPRIAÇÕES E RESSIGNIFICAÇÕES

SOBRE O LOCAL NAS PROPOSTAS CURRICULARES DE PROFESSORES

PARTICIPANTES DO PROJETO “RIBEIRÃO ANHUMAS NA ESCOLA” .................. 37

Narjara Zimmermann

Maurício Compiani

7


A EQUIPE SUECA: O INÍCIO DA SIDERURGIA DO FERRO NO BRASIL (1810–

1814)

Anfrísio Rodrigues Neto 1

Pedro Wagner Gonçalves 2

A presente pesquisa investiga o período sueco à frente da Real Fábrica de Ferro de São João

de Ipanema. Para isso propomos a análise de fontes documentais manuscritas e bibliográficas,

assim como o estudo das atividades técnico-científicas relacionadas à siderurgia do ferro no

Brasil no início do século XIX. A Equipe Sueca de 14 profissionais era chefiada por Carl

Gustaf Hedberg. Contratada pelo Reino Português em 1809 para construir um fábrica no

Morro de Araçoiaba, trabalhou de 1810 a 1814 quando Hedberg foi demitido. A investigação

objetiva responder a questões sobre os suecos e também da historiografia sobre eles, tais

como: o que levou Hedberg a construir fornos de redução direta e não altos-fornos? quais

contribuições deixaram para as técnicas de siderurgia e metalurgia no Brasil? o que motivou a

produção histórica negativa sobre a equipe? quais as razões e opções que nortearam as

escolhas dos historiadores que escreveram sobre o tema em diferentes momentos? A pesquisa

é elaborada a partir de fontes documentais: manuscritos, mapas, plantas, pinturas, cartas para

contextualizar histórica e socialmente os fatos ocorridos, permitindo perceber a mudança de

práticas e conhecimentos.

Palavras-chave: História do Brasil; História das Técnicas; História da Siderurgia.

Referências Bibliográficas

FELICÍSSIMO JR, Jesuíno. História da Siderurgia de São Paulo, Seus personagens, Seus

Feitos; Boletim nº 49. São Paulo: Ed.Instituto Geográfico e Geológico, 1969, p.153.

MORAES, F.A.P. Subsidios para a História do Ypanema; Lisboa: Imprensa Nacional,

1858; p.204. Edição Fac-similada.

VARNHAGEN, Francisco Adolfo de; História Geral do Brasil – Antes de sua separação e

independência de Portugal. Secção LIII: Minas de Ferro. Primeiras Fundições em

Ponto Grande: São Paulo: Melhoramentos, 8ª ed, 1975, p. 185-198.

VERGUEIRO, Nicolau de Campos. História da Fábrica de Ipanema e Defesa Perante o

Senado. Brasília: 1979. (Coleção Bernardo Pereira de Vasconcelos. Estudos históricos;

v.11) p. 139.

1 Doutorando Programa Ensino e História de Ciências da Terra. IG Unicamp. e.mail: anfrisio@ige.unicamp.br

2 Departamento de Geociências Aplicadas ao Ensino. IG Unicamp, e.mail: pedrog@ige.unicamp.br

8


A INSERÇÃO DE CONTEÚDOS DE GEOCIÊNCIAS NAS AÇÕES PEDAGÓGICAS

DO MOVIMENTO ESCOTEIRO NO BRASIL

Camila Moreno de Lima Silva 3

Profa. Dra. Rosely Aparecida Liguori Imbernon 4

O Movimento Escoteiro (ME), visto como movimento de ensino informal, não apresenta

estudos sobre a efetividade na formação dos indivíduos envolvidos com o movimento. As

atividades seguem um desenho pedagógico baseado no desenvolvimento de competências e

habilidades. As atividades que envolvem os processos da dinâmica terrestre, embasados em

conteúdos das Geociências, estão presentes no desenho pedagógico do ME. Assim, pretendese

estudar o ME por meio do acompanhamento da população Escoteira nos eventos nacionais,

regionais e globais realizados no período 2013-2014, da análise de manuais, documentos e

propostas pedagógicas do ME propostos pela União de Escoteiros do Brasil (UEB) e, das

atividades propostas a fim de identificar a inserção de conteúdos de Geociências nesse

cenário. Em estudos prévios, identificamos no ME um ambiente de ensino informal que atua

na formação de jovens, envolvendo conteúdos de Geociências em atividades de campo.

Assim, buscaremos identificar, também, a formação complementar dos jovens participantes

do movimento no tocante à cultura geocientífica.

Palavras-chave: Geociências; Movimento Escoteiro; Educação.

Referência Bibliográfica

SILVA, C. M. L. A Contribuição do Movimento Escoteiro na Educação do Brasil:

Aspectos do Projeto Político Pedagógico do Movimento e reflexos na educação

para a cidadania. Relatório Final do Programa Institucional de Iniciação Científica -

PIBIC Escola de Artes, Ciências e Humanidades - EACH, Universidade de São Paulo-

USP. 2012.

3 Mestranda pelo PPGEHCT do IG/UNICAMP.

4 Professora Titular da EACH/USP. Integrante do PPGEHCT do IG/UNICAMP.

9


A MEDIAÇÃO DO PROFESSOR NAS ELABORAÇÕES DE CONHECIMENTOS

GEOMÉTRICOS RESULTANTES DOS ESTUDOS DO LUGAR/AMBIENTE NO

ENSINO FUNDAMENTAL II

Magali Andrade Barbosa 5

Maurício Compiani 6

A presente pesquisa tem como objetivo investigar o papel mediador do professor no

planejamento de atividades contextualizadas sobre conhecimentos geométricos em microbacia

urbana. Pretende-se refletir a atuação como professora e pesquisadora na elaboração de

atividades, na aplicação e nas reflexões de conhecimentos produzidos a partir de estudos do

lugar/ambiente do entorno da escola. Para essa pesquisa, os dados foram obtidos por meio de

atividades de campo e pós-campo, atividades práticas e registros escritos e desenhos. As

atividades desenvolvidas fazem parte de um projeto maior intitulado “Projeto Ribeirão

Anhumas na Escola”, neste a professora participava de um subgrupo na Escola Estadual

Adalberto Nascimento. A pesquisa é de cunho qualitativo, fundamentada metodologicamente

como pesquisa-ação colaborativa, em especial no que tange ao planejamento dos problemas

de ensino-aprendizagem, à formulação, aplicação das atividades e ao acompanhamento dos

processos de aprendizagem dos alunos. Os trabalhos de Vygotsky e de Freitas (2002) são

adotados como abordagem histórico-cultural para a investigação qualitativa. Quanto ao

desenvolvimento cognitivo do aluno e ampliação das habilidades matemáticas utilizaram-se

como base a integração entre matematização horizontal e vertical, a contextualização e

descontextualização dos conhecimentos matemáticos descritos por Luccas e Batista (2011) e a

dialética da contextualização e descontextualização no aspecto orgânico do conhecimento

exposto por Compiani, (2007). Para a coleta dos registros onde se estabelecem a mediação

entre professor e aluno são quinze atividades e dois trabalhos de campo, no entanto, para a

análise mais detalhada utilizam-se três atividades do primeiro momento e três atividades do

segundo momento, para análise do terceiro momento utilizar-se uma das atividades e parte

das questões trabalhadas no 2º trabalho de campo. Como resultados destacam-se a mediação

da professora que formulou atividades novas não prontas, no trabalho interdisciplinar com o

subgrupo, ao se trabalhar com o lugar/ambiente na construção de conhecimentos escolares.

Palavras-chave: geometria; contextualização; lugar/ambiente; práticas pedagógicas.

Referências bibliográficas

COMPIANI, M. O lugar e as escalas e suas dimensões horizontal e vertical nos trabalhos

práticos: implicações para o ensino de ciências e educação ambiental. Ciência &

Educação, v.13 n.1, p. 29-45, 2007.

FREITAS, M. T. A. A abordagem sócio-histórica como orientadora da pesquisa qualitativa.

Cadernos de Pesquisa, n. 116, p. 20-39, 2002. Disponível em:

http://www.scielo.br/pdf/cp/n116/14397.pdf . Último acesso em: 30 de jun de 2010.

LUCCAS, S. & BATISTA, I. L. “O papel da matematização em um contexto interdisciplinar

no ensino superior”. Ciência & Educação, v.17 n.2, p.451- 468, 2011.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos

psicológicos superiores. Tradução José Cipolla Neto. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

5 Mestranda do Programa de Pós Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra – IG/UNICAMP. E-mail:

magaliandradebarbosa@gmail.com

6 Professor Titular – DGAE/IG/UNICAMP. E-mail: compiani@ige.unicamp.br

10


A PARTICIPAÇÃO DE ESCOLAS MUNICIPAIS E INSTITUIÇÕES GESTORAS NO

PROCESSO DEEDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

Cauê Nascimento de Oliveira 7

Rosely Aparecida Liguori Imbernon 8

Pedro Wagner Gonçalves 9

No Brasil as Unidades de Conservação (UC’s) têm como um dos principais objetivos a

preservação e a conservação de ambientes naturais, em consonância ao estabelecido pela Lei

9.985 de Julho de 2000 que defini o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

Para que os objetivos previstos pelo SNUC sejam alcançados, torna-se necessário a

implantação de um programa em Educação Ambiental (EA) que envolva tanto àqueles que

visitam as UC’s, quanto aos que ali residem. Para a realização desta pesquisa, foram

realizados levantamentos em 2 escolas municipais de Peruíbe inseridas em unidades de

conservação, uma na Estação Ecológica Juréia-Itatains (EEJI), e a segunda localizada na área

de zona tampão do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM). Partimos do pressuposto que a

escola, como promotora por excelência da educação, não esteja fora do processo de

implantação da EA nas UC’s, e que, portanto, as instituições responsáveis pela gestão dessas

unidades, promovessem formação para apoio dos professores nas escolas ali inseridas.

Entretanto, o que foi constatado, a partir deste estudo, é um cenário completamente contrário

às nossas premissas iniciais. Percebe-se uma maior preocupação com a preservação dos

recursos naturais locais, e não há um envolvimento com a comunidade, com a escola, que

promovesse, por exemplo, a formação dos professores em EA. Ressalta-se, ainda, que não

existem referenciais específicos para Educação Ambiental em escolas inseridas ou próximas à

UC. De fato, os professores que atuam nas escolas inseridas nas UC’s são orientados a partir

dos referenciais da educação para o campo, e desconhecem muitos aspectos que envolvem as

políticas fundiárias de uso e ocupação nestas áreas, a biodiversidade local e mesmo aspectos

relacionados à cultura caiçara, típica nesta região. Pretende-se identificar concepções de EA

em diferentes tipos de áreas protegidas (UC’s e Geoparques) e, a partir desse estudo, indicar

uma alternativa efetiva para o desenvolvimento da EA. Uma possibilidade seria adaptar o

desenvolvimento da EA nos moldes da desenvolvida nos Geoparques europeus.

Palavras-chave: Educação Ambiental; Ensino de Geociências; Unidade de Conservação.

Referências bibliográficas

S UL AN, L. S. Conocimiento ense anza: fundamentos de la nueva reforma.

Profesorado. R C P -

E , ano 9, n. 2, p. 1-30, 2005.

S UL AN, L. S. El saber entender de la profesi n docente. E P , Santiago-

Chile, n. 99, p. 195-224, 2005.

7 Doutorando em Ensino e História de Ciências da Terra. E-mail: caue.n.oliveira@gmail.com.

8 Programa de Ensino e História de Ciências da Terra – IGe-UNICAMP e Escola de Artes e Ciências Humanas-

EACH, USP. E-mail: imbernon@usp.br.

9 Departamento de Geociências Aplicadas ao Ensino. IGe-UNICAMP. E-mail: pedrog@ige.unicamp.br

11


ANÁLISE DO TEMA RECURSOS HÍDRICOS EM LIVROS DIDÁTICOS DE

GEOGRAFIA

Emerson Jhammes Francisco Alves 10

Celso Dal Ré Carneiro 11

Os livros didáticos são determinantes no processo de ensino-aprendizagem, exercendo

influência no conhecimento construído pelos alunos. O material didático, frente às atuais

condições de trabalho do professor de Geografia, que tem sido pressionado pelo tempo e pelo

alto número de aulas semanais para ministrar, torna-se cada vez mais um instrumento, senão

indispensável, pelo menos necessário como complemento às atividades didático-pedagógicas.

Partindo desse pressuposto, a pesquisa tem como objetivo investigar os livros didáticos de

Geografia que apresentam o conteúdo de recursos hídricos (ciclo hidrológico). A metodologia

compreende a discussão e sistematização do conteúdo dos livros didáticos seguido da análise

qualitativa. Deste modo, estão sendo analisadas nove coleções de livros didáticos de

Geografia, aprovados pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) dos anos de 2004 -

2010 do Ensino Fundamental. Contudo, é importante ressaltar que a temática vem sendo

trabalhada de forma estática, apresentando abordagens e definições superficiais, que

dificultam a compreensão de processos naturais, como: (a) precipitação, (b) escoamento

superficial, (c) infiltração, (d) evaporação, (e) transpiração e (f) águas subterrâneas. Os livros

didáticos analisados, em sua maior parte, apresentam conteúdos insuficientes, ou seja, pouco

colaboram para o conhecimento dinâmico dos processos hidrológicos que integram o sistema

Terra.

Palavras-Chave: Geografia, Ensino Fundamental, Recursos Hidrológicos, Livro Didático

Referências Bibliográficas

CASTELLAR, Sônia Maria; VANZELLA, Vilhena Júnia. Ensino de Geografia. São Paulo:

Ed. Cengage Learning. Coleção ideias em ação. p. 137-145. 2010.

MARTINS, José Roberto Serra; GONÇALVES, Pedro Wagner; CARNEIRO, Celso Dal Ré.

O ciclo hidrológico como chave analítica interpretativa de um material didático em

Geologia. Revista Ciência & Educação. (Bauru) vol.17. n°.2 Bauru. 2011.

SPOSITO, Maria Encanação Beltrão (Org.). Livros Didáticos e História e Geografia:

Avaliação e pesquisa. São Paulo: Ed. Cultura acadêmica. 2006.

TONINI, Ivaine Maria. Geografia Escolar: Uma história sobre seus discursos

pedagógicos. Rio Grande do Sul: Ed. Unijuí. 2°. ed. 2009.

10

Mestrando no Programa de Pós Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra. E-mail:

jhammesemerson@hotmail.com.

11 Docente, Departamento de Geociências Aplicadas ao Ensino, IGE/Unicamp. Campinas, SP, Brasil. E-mail:

cedrec@ige.unicamp.br.

12


ANÁLISE DOS CURSOS DE FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES NA

ÁREA DE EDUCAÇÃO E MEIO AMBIENTE: PROPOSTA DE INDICADORES DE

AVALIAÇÃO BASEADOS NO ENSINO DAS GEOCIÊNCIAS

Livia Andreosi Salles de Oliveira 12

Profa. Dra. Denise de La Corte Bacci(a) 13

O presente projeto de pesquisa está inserido no contexto de formação continuada de

professores em exercício da rede municipal da cidade de São Paulo, referindo-se à análise dos

cursos de formação continuada, de cunho ambiental, em especial, aqueles oferecidos na

diretoria regional de Pirituba/Jaraguá, zona noroeste, que abrange os distritos de Perus, Lapa e

Jaraguá. A proposta visa à análise dos materiais produzidos para os cursos de formação

continuada de professores em exercício e as diretrizes da DRE para o desenvolvimento dos

cursos na área de Educação e Meio Ambiente, por meio da elaboração de indicadores, que

possam ser usados para avaliar os cursos oferecidos e para elaborar uma proposta de curso em

Meio Ambiente, que tenha como eixo norteador os conhecimentos geocientíficos. No intuito

de colaborar com a formação mais ampla do professor em exercício, faz-se necessário

investigar a forma, os conteúdos e as relações desses cursos com o contexto político,

institucional organizacional usando metodologia qualitativa e quantitativa dos dados sobre o

número de professores atendidos, número de cursos oferecidos e seus tipos, currículo dos

cursos, contexto dos cursos em função da demanda dos professores, perfil dos formadores e

plano de carreira para os professores.

Palavras-chave: Formação continuada de professores; Meio Ambiente; Geociências.

Referências Bibliográficas

DEMAILLY, L. C. Modelos de formação contínua e estratégias de mudança. In: NOVOA,

A., Os professores e sua formação. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional p.139-

158, 1992.

GATTI, B. Formação de professores e carreira: problemas e movimentos de renovação.

Campinas, autores associados, 1997.

_________Formação continuada de professores: a questão psicossocial. Cadernos de

Pesquisa Fundação Carlos Chagas. n.119, Julho, 2003.

KRASILCHIK, M. Formação de professores e ensino de Ciências: tendências nos anos 90. In:

MENEZES, L. C. (org.) Formação Continuada de Professores de Ciências. p.135-

170 Nupes, 1996.

PAQUAY, L., ALTET, M., CHARLIER, E., PERRENOUD, P. Formando professores

profissionais. Quais estratégias? Quais competências? Ed. Artmed. Porto Alegre,

tradução. 2 ed. 2001.

12 Instituto de Geociências IG/UNICAMP - Programa de Pós Graduação em Ensino e História de Ciências da

Terra. E-mail: liviaandreosi@gmail.com

13 Instituto de Geociências IGc/USP. Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental. E-mail:

bacci@igc.usp.br

13


APROXIMAÇÕES DE ENSINO DE QUÍMICA E CIÊNCIAS DA TERRA

Maria José dos Santos 14

Pedro Wagner Gonçalves 15

Pesquisa qualitativa por meio de análise de conteúdo para identificar relações de Química e

Ciência do Sistema Terra. Foram levantados artigos de ensino de Química, publicados entre

2007 e 2012, nos periódicos Química Nova na Escola (QNE) e Revista Eletrónica de

Enseñanza de las Ciencias (REEC). Foram achados respectivamente 220 e 51 artigos de

Química nos dois periódicos. Para a seleção dos artigos na QNE (revista especifica de ensino

de química) a busca pelo termo chave (natureza) não trouxe resultados, a busca seguinte foi

ampliada para os termos: ambiente, meio ambiente, Química Ambiental e Química Verde.

Foram identificados 27 artigos da QNE e 11 da REEC. Nestes quatro categorias serviram para

análise: a) estudos locais, água e poluição (8 artigos QNE e 2 REEC), b) combustíveis e

poluição (6 artigos QNE e 2 REEC), c) ciclo de vida de materiais e descarte (10 artigos QNE

e 2 REEC), d) formação docente e educação ambiental (3 artigos QNE e 4 REEC).

Palavras-chave: Ensino de Química; Ensino de Geociências; Natureza e Ambiente; Produção

Acadêmica.

Referências Bibliográficas

CACHAPUZ et al. Do Estado da Arte da Pesquisa em Educação em Ciências: Linhas de

Pesquisa e o Caso “Ciência-Tecnologia-Sociedade”.ALEXANDRIA Revista de

Educação em Ciência e Tecnologia, v.1, n.1, p. 27-49, mar.2008.

CARNEIRO, Celso Dal Ré; TOLEDO, Maria Cristina Motta de; ALMEIDA, Fernando

Flávio Marques de. Dez motivos para a inclusão de temas de geologia na

educação básica.Revista Brasileira de Geociências, São Paulo, v.34, p.553-560,

2004.

CUELLO GIJÓN, Agustín. La Geología como area interdisciplinar. Henares Revista de

Geología, n.2, p.367-387, set. 1988.

ORION, Nir. Learning progression of system thinking skills from K-12 in context of earth

systems. In: ENSINOGEO 09, SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E

HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRA, 2; SIMPÓSIO NACIONAL O ENSINO

DE GEOLOGIA NO BRASIL, 4; São Paulo, 1-5 nov. 2009; Atas do... (on cd-rom),

21p.

14 Professora de Química do IFSP-Câmpus Sertãozinho e Doutoranda em Ensino e História de Ciências da Terra

– UNICAMP, e-mail: marpr@ig.com.br

15 Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas –UNICAMP, email: pedrog@ige.unicamp.br

14


AS ILUSTRAÇÕES DE CONTEÚDOS GEOCIENTÍFICOS EM LIVROS

DIDÁTICOS DO ENSINO SECUNDÁRIO

Edson Roberto de Souza 16

Denise De La Corte Bacci 17

David Brusi 18

Amélia Calonge 19

Apoiando-se em pesquisas que sugerem que apesar de sua natureza polissêmica,

representações imagéticas em textos científicos devem produzir leituras específicas,

investigamos ilustrações geocientíficas em livros didáticos de ensino secundário do Brasil,

Espanha, Itália e Portugal. Esperamos identificar quais técnicas de produção e inserções desta

forma de linguagem poderiam produzir interpretações condizentes com a epistemologia das

Ciências da Terra. Temos utilizado os aportes fornecidos pela linha francesa da Análise de

Discurso, as concepções epistemológicas das Geociências e os seguintes procedimentos

metodológicos: (1) solicitação livros didáticos para editoriais distintos; (2) levantamento de

temas 20 presentes nos livros analisados; (3) escolha de três temas para investigação proposta;

(4) análise estatística do percentual das imagens utilizadas em cada tema; (5) identificação de

ações que contribuem positiva ou negativamente para que as representações cumpram funções

específicas; (7) entrevistas com profissionais envolvidos nos processos investigados; (8)

entrevistas com professores. Espera-se que ao final, a tese de doutorado possa fornecer

subsídios para o trabalho de produção e inserção de imagens em materiais didáticos que

abordem temas de Ciências da Terra.

Palavras chaves: ilustrações; geociências; livros didáticos.

Referências Bibliográficas

AMADOR, F.; CARNEIRO, H. (1999). O papel das imagens nos manuais escolares de

ciências naturais no ensino básico: uma análise do conceito de evolução.

Revista de Educação, 8 (2), p. 119-129.

MUÑOS, O. H (2010). La dimensión comunicativa de la imagem científica:

representación gráfica de conceptos en las ciencias de la vida. Tese de

doutorado. Faculdad de Bellas Artes - Universidad Complutense de Madrid, p.

437, 2010.

ORLANDI, E. P.(1996). A linguagem e seu funcionamento – As formas do discurso. 4ª

ed. Campinas, SP: Pontes, p 118.

PEDRINACI, E (2012). Alfabetização em Ciências da Terra, uma proposta que seja

necessária. Ensino de Ciências da Terra: Jornal da Associação Espanhola para o

Ensino de Ciências da Terra. Vol. 20, n. 2, 2012.

16 Bolsista CAPES e doutorando do programa de pós-graduação de Ensino e História de Ciências da Terra do

IG/UNICAMP (Brasil) e do programa de pós-graduação em Ciências Ambientais da Universidade de Girona

(Espanha). fisedson@ig.com.br

17 Professora do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (Brasil). bacci@igc.usp.br

18 Professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Girona (Espanha). david.brusi@udg.edu

19 Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Alcalá (Espanha). a.calonge@uah.es

20 Documento base utilizado para análise de conteúdos: “Alfabetização em Ciências da Terra, uma proposta que

seja interessante”.

15


CICLO DA AREIA PARA ENSINAR FÍSICA E GEOCIÊNCIAS: O QUE OS

ALUNOS APRENDEM DE DINÂMICAS DE TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA

Glauco Rodrigo Ribeiro Trepador 21

Pedro Wagner Gonçalves 22

Pretende-se descrever como ocorre o ensino do conceito de energia a partir do ciclo da areia.

Trata-se de pesquisa participante na qual o professor de Física colaborou com o a professora

de Química em aulas expositivas, uso de modelos reduzidos de corrente fluvial e visita a porto

de areia, o que possibilitou reflexão sobre a própria prática. A pesquisa tenta identificar o que

os alunos aprenderam das dinâmicas que envolvem transformações de energia (fontes de

energia, fluxos de energia e matéria, conservação de energia). Atividades didáticas foram

promovidas entre 2010 e 12 e incluíram os seguintes tópicos: tempo geológico, conservação e

transformação de energia mecânica, intemperismo e ciclo das rochas. Dados coletados a

partir de aulas filmadas, vídeos tomados pelos alunos, diário de campo, etc. são descritos e

mostram o que os alunos aprenderam dos conceitos de transformações e variações de energia

envolvidas na dinâmica do curso d’água. Foi possível perceber que os termos fonte,

transformação, transferência e conservação de energia funcionam como indicadores da

construção de visão sistêmica dos alunos. Concluímos que aulas planejadas sob a perspectiva

sistêmica da Ciência do Sistema Terra melhoram o entendimento dos alunos sobre o

ambiente, permitem conhecer a origem de materiais como a areia e aproximam distintas

disciplinas (Física, Química e Geociências). Ao final, a inovação curricular contribuiu para

diminuir a fragmentação e desarticulação comum de componentes curriculares do ensino

médio da rede estadual.

Palavras-chave: Ensino de Física; Ciclo da areia; Dinâmicas de transformação de energia;

Ensino de Geociências

Referências Bibliográficas

BEANE, J.A. Integração curricular: a essência de uma escola democrática. Currículo sem

Fronteiras, v.3, n.2, p.91-110, jul./dez. 2003.

CARNEIRO, C. D. R.; TOLEDO, M. C. M.; ALMEIDA, F. F. M. Dez motivos para a

inclusão de temas de geologia na educação básica. Revista Brasileira de

Geociências, São Paulo, v.34, p.553-560, 2004.

LEE, Hee-Sun; LIU, Ou Lydia. Assessing learning progression of energy concepts across

middle school grades: the knowledge integration perspective. Science Education,

v.94, n.4, p.665-688, Jul. 2010.

ORION, N.; Learning progression of system thinking skills from K12 in context of earth

systems. I: ENSINOGEO 09, SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA

DE CIÊNCIAS DA TERRA, 2; SIMPÓSIO NACIONAL O ENSINO DE

GEOLOGIA NO BRASIL, 4; São Paulo, 1-5 nov. 2009; Atas do... (CD- ROM), 21p.

21

Mestrando do Programa de Pós Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra. Instituto de Geociências

da Unicamp, e.mail: glauco.rodrigo@yahoo.com

22 Professor do Departamento de Geociências Aplicadas ao Ensino. Instituto de Geociências da Unicamp, e.mail:

pedrog@ige.unicamp.br

16


CIÊNCIA, CULTURA E MEIO AMBIENTE NA BELLE ÉPOQUE PAULISTA: O

“DAY AFTER” DA LAVOURA CAFEEIRA.

Prof. Dr. Mário Roberto Ferraro 23

Profª. Drª. Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa 24

O tema desta pesquisa é a análise do impacto ambiental da lavoura cafeeira no Vale do

Paraíba paulista ao final do século XIX. Pretendeu-se mostrar a contribuição que a Comissão

Geográfica e Geológica de São Paulo (CGG) trouxe para a ocupação racional terras cansadas,

que eram os campos artificiais após o declínio da cafeicultura, qualificadas como estéreis.

Para CGG a ocupação econômica destas terras implicava no uso da agricultura racional.

Derby achava que em breve não haveria mais terras férteis com mata virgem para a expansão

da lavoura cafeeira, então, designou as áreas campestres como “reservas para o futuro”. Para a

ocupação econômica dessas áreas, a CGG começou seus trabalhos, o que incluía relevo,

hidrografia, vegetação, etc., que, em parte, foram publicadas na Revista Agrícola. A tese é

que os conhecimentos produzidos pela CGG sobre elas extrapolaram os limites da instituição

inspiraram a produção literária da época. Euclides da Cunha e Monteiro Lobato criaram

representações sobre a decadência da lavoura cafeeira inspirando-se na produção científica da

CGG. Foi demonstrada a presença da CGG nos textos literários sobre as áreas campestres. A

metodologia usada foi história da ciência produzida no Brasil a partir dos anos 80 do século

XX; de referenciais da hist ria ambiental e o “paradigma indiciário”, de Carlo Ginzburg.

Palavras-chave: Terras Cansadas; Vale do Paraíba; Comissão Geográfica e Geológica;

Euclides da Cunha; Monteiro Lobato.

Referências Bibliográficas

DANTES, Maria Amélia M. Introdução. DANTES, Maria Amélia M. (org.) Espaços da

Ciência no Brasil, 1800 - 1930. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2001, p. 13 - 20.

DERBY, Orville A. Considerações sobre o futuro da agricultura de S. Paulo. Revista

Agrícola. São Paulo, Ano I, n. 5, p. 67 - 68, out. 1895.

___. Contribuição para o estudo da geografia física do vale do Rio Grande. Revista da

Sociedade de Geografia do Rio Janeiro, 1895, p. 292 - 318.

FIGUEIRÔA, Silvia F. de M.. Modernos bandeirantes: a comissão geográfica e geológica

de São Paulo e a exploração científica do território paulista (1866-1931). 1987. 162f.

Dissertação (Mestrado) - Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e

Ciências Humanas, São Paulo, 1987.

___ (coord.). Um século de pesquisa em geociências. São Paulo: Instituto Geológico, 1985,

96 p.

GINZBURG, Carlo. Sinais: raízes de um paradigma indiciário. In: Mitos, emblemas, sinais:

morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p.143 -179.

23

Professor na Universidade Estadual de Goiás (UEG), na UnUCSEH, em Anápolis, GO. Email:

mariofr6@gmail.com

24

Professora Titular do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas. E-mail:

figueiroa@ige.unicamp.br

17


CIÊNCIAS DA TERRA NOS CURRÍCULOS DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

DE CIÊNCIAS NATURAIS NO BRASIL E EM PORTUGAL

Elias Profeta Ramos de Araujo 25

Maria Cristina Motta de Toledo 26

Este trabalho tem como objetivo o estudo comparativo da formação do professor de Ciências

Naturais da educação básica em universidades do Brasil e de Portugal, especificamente na

área de Ciências da Terra. Para esse fim, pretende-se identificar e analisar a normatização da

formação desses professores de Ciências Naturais definida pelos poderes públicos dos dois

países e os documentos internos de algumas universidades do Brasil e de Portugal que

possuem esses cursos, além de identificar tanto o suporte oferecido por essas universidades

como as expectativas das redes oficiais de ensino sobre o conhecimento em Ciências da Terra

que os professores devem possuir, a partir da análise das provas de admissão desses

profissionais. Essas investigações e comparações dos modelos de ambos os países têm por

finalidade a apresentação de alternativas que valorizem as Ciências da Terra no processo de

formação dos professores de Ciências Naturais no Brasil, considerando todas as variáveis

observadas, como as estruturas curriculares dos cursos, incluindo os planos de ensino das

disciplinas e as demais atividades teóricas e práticas envolvidas nessa formação acadêmica e

relacionadas às Ciências da Terra.

Palavras-chave: Currículos, formação de professores, Ciências Naturais.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiro e quarto ciclos do ensino

fundamental. Ciências Naturais (PCN/EF/CN). Brasília: MEC/SEB, 1998.

Disponível em: . Acessado em:

13 out. 2012.

PORTUGAL. Matrizes curriculares dos ensinos básico e secundário, aprovadas em 31 de

maio de 2012 pelo Conselho de Ministros. Lisboa: MEC, 2012. Disponível em:

. Acessado em: 10

out. 2012.

SÃO PAULO/Cidade. Secretaria Municipal da Educação da PMSP. Diretoria de Orientação

Técnica. Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem

para o Ensino Fundamental II – Ciências Naturais. São Paulo: SME/DOT, 2007.

Disponível em: . Acessado em: 16 out.

2012.

25 Doutorando pelo PPGEHCT do IG/UNICAMP. Mestre pelo mesmo programa. eliasarauj@gmail.com

26 Professora Titular da EACH/USP. Integrante do PPGEHCT do IG/UNICAMP. mcristoledo@gmail.com

18


CONHECIMENTOS ESCOLARES CONTEXTUALIZADOS E

INTERDISCIPLINARES NO ENSINO FUNDAMENTAL II- O PAPEL DO LUGAR E

DAS GEOCIÊNCIAS

Vanessa Lessio Diniz 27

Maurício Compiani 28

O presente projeto se insere com o objetivo central de compreender como as Geociências e o

estudo do Lugar a partir de um trabalho interdisciplinar e contextualizado no ensino

fundamental – II pode contribuir para a construção de um currículo escolar regionalizado,

levando o cotidiano do aluno para dentro da sala de aula, e trazendo novos modos de ensino

praticado pelas escolas. Realizado na E.E. Adalberto Nascimento, juntamente com as

disciplinas de Geografia, Matemática e Português, o trabalho articulou conhecimentos e

conteúdos dessas disciplinas com a realidade histórica do educando e com o local da escola na

elaboração de conhecimentos escolares em bacia hidrográfica urbana; o local de estudo foi a

sub bacia do Ribeirão Anhumas, a bacia do Ribeirão das Pedras. Para a elaboração da

pesquisa, utilizaremos diferentes registros tecidos ao longo do projeto, principalmente os

relatórios enviados às agências de fomento que apoiaram tal pesquisa (FAPESP e Petrobras),

e realizaremos entrevistas sobre a mudança da prática docente com as professoras envolvidas

no mesmo. Como referenciais teóricos para a construção das análises, utilizaremos leituras

que fundamentam o pensamento geocientífico, além de leituras sobre o conceito de

Interdisciplinaridade e Lugar, sendo esses os subsídios para a compreensão da construção de

conhecimentos regionalizados dentro da escola.

Palavras-chave: Conhecimentos escolares; conhecimentos contextualizados;

Interdisciplinaridade; Ensino de Geociências; Estudo do Lugar.

Referências Bibliográficas

CALLAI, H. M. O estudo do lugar como possibilidade de construção da identidade e

pertencimento. A questão social no novo milênio. VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro

de Ciências Sociais. Setembro, 2004.

COMPIANI, M. Geologia/Geociências no ensino fundamental e a formação de professores.

Geologia USP Publicação Especial, São Paulo, v. 3 p. 13-30, setembro 2005.

POMBO, O. A interdisciplinaridade. Conceito, problemas e perspectiva. A

interdisciplinaridade: Reflexões e Experiências.Ed: Texto. Lisboa, 1994, pp.08-14.

27 Mestrando do Programa de Pós Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra – Instituto de

Geociências – UNICAMP – SP – Brasil. E-mail: vanessalessiodiniz@gmail.com

28 Professor Titular do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP - SP –

Brasil. E-mail: compiani@ige.unicamp.br

19


CONTRIBUIÇÕES DAS PRÁTICAS DE CAMPO COMO METODOLOGIA DE

ENSINO EM GEOCIÊNCIAS E EDUCAÇÃO AMBIENTAL - UMA EXPERIÊNCIA

COM ESTUDANTES DO 6º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL.

Edson Munhoz 29

Profª Drª Rosely Aparecida Liguori Imbernon 30

Este trabalho objetiva apresentar os processos em andamento da pesquisa de mestrado,

desenvolvida no Departamento de Ensino e História de Ciências da Terra – IG/Unicamp,

durante os anos de 2011 e 2012. Essa pesquisa tem como principais objetivos a utilização das

práticas de campo na disciplina de Geografia, como recurso pedagógico nos processos de

ensino-aprendizagem de conteúdos na área de Geociências e Educação Ambiental, e que

possibilitem uma análise do desenvolvimento cognitivo dos alunos na disciplina de Geografia.

Algumas questões norteiam o desenvolvimento do projeto no sentido de avaliar o papel

mediador do professor e o seu significado para o desenvolvimento dos processos cognitivos

dos alunos: de que forma as práticas de campo permitem ao aluno uma melhor compreensão

dos processos da dinâmica terrestre?, e, identificar se o aluno distingue e diferencia os eventos

naturais dos impactos gerados a partir da ação antrópica que transformam dinamicamente as

paisagens? A metodologia empregada na coleta e análise dos dados envolve: vídeo gravações,

produção e análise de mapas conceituais para avaliação dos conhecimentos prévios dos

alunos, depoimentos (relato oral), produções textuais, desenhos (como forma de linguagem

para descrever o objeto/fenômeno observado), mapas temáticos, fotos de satélite, fotos aéreas,

entre outros.

Palavras-chave: trabalho de campo, metodologia de ensino em geociências, educação

ambiental.

Referências Bibliográficas

CALLAI, H. C. O estudo do lugar como possibilidade de construção da identidade e

pertencimento. In: VIII Congresso Luso-Brasileiro de Ciências Sociais, Coimbra, 16,

17 e 18 de setembro de 2004.

CALLAI, H. C. Aprendendo a ler o mundo: a geografia nos anos iniciais do ensino

fundamental. Cadernos Cedes, Campinas, Vol. 25, nº 66, p. 227 – 247, maio/ago. 2005.

COMPIANI, M; CARNEIRO, C. D. R. Os papéis didáticos das excursões geológicas.

Enseñanza de las Ciências de la Tierra, 1993 (1.2). P. 90 – 98.

COMPIANI, M. O lugar e as escalas e suas dimensões horizontal e vertical nos trabalhos

práticos – implicações para o ensino de ciências e educação ambiental. Ciência e

Educação, Bauru, vol. 13, 2005.

IMBERNON, R. A. L.; TOLEDO, M. C. M.; HONÓRIO, K. M.; TUFAILE, A. P. B.;

VARGAS, R. R. S.; CAMPANA, P. T.; FALCONI, S.; INFANTE-MALACHIAS, M. E.

(2009) – Experimentação e interatividade (hands-on) no ensino de ciências: a

prática na práxis pedagógica. V. 4 (1). p. 79-89.

SUERTEGARAY, D.M.M. Geografia e trabalho de campo. In: Colóquio O discurso

geográfico na aurora do século XXI, 1996, Florianópolis. Anais, Florianópolis,

Programa de Pós-Graduação em Geografia – UFSC, 1996.

29 Aluno de Mestrado no Programa de Ensino e História de Ciências da Terra – Instituto de Geociências –

Unicamp – Campinas, SP. Bolsista CAPES – edsonmunhoz@ige.unicamp.br

30 Professora Doutora – Escola de Artes, Ciências e Humanidades - EACH – Universidade de São Paulo – USP –

imbernon@usp.br

20


CURRÍCULO E HISTÓRIA DE VIDA: TRAJETÓRIA DE PROFESSOR VOLTADA

PARA O ENSINO DE GEOCIÊNCIAS

Marlon Eij Marchetti 31

Pedro Wagner Gonçalves 32

A pesquisa tem como proposta estudar o trabalho do professor no contexto de reformas

curriculares do Ensino Médio no Estado de São Paulo a partir da década de 1990. Trata-se de

uma pesquisa de cunho qualitativo, particularmente, um estudo de caso sobre os professores

que utilizam do Ensino em Geociências na prática docente. O direcionamento não é apenas

para as práticas de ensino ou competências técnicas, mas para a importância de se

compreender as representações e valores construídos pelo professor acerca da profissão

docente, na relação entre as dimensões pessoal e profissional. O objetivo consiste em

identificar os fundamentos teóricos e de concepções curriculares que sustentam a prática dos

professores, buscando estabelecer correlações entre a autonomia e as reformas curriculares

com que conviveram. Os instrumentos utilizados são: anotações em sala de aula,

questionários e entrevistas. A pesquisa sinaliza para a necessidade de ouvir os professores,

saber sobre suas prioridades e acompanhar esse movimento de formação continuada que se

propõe mesmo diante de tantos obstáculos impostos.

Palavras-chave: Ensino de Geociências; Currículo; Formação de professores; História de

vida.

Referências Bibliográficas

APPLE, Michael W. Ideologia e Currículo. São Paulo: Brasiliense, 1982.

GOODSON, Ivor F. Currículo: teoria e história. tradução de Attílio Brunetta – Petrópolis,

RJ: Vozes, 1995.

GOODSON, Ivor F. Currículo, narrativa e o futuro social. Revista Brasileira de Educação

v. 12 n. 35 maio/ago. 2007.

NÓVOA, António. Vidas de professores. Porto: Editora Porto, 1992.

31 Mestrando do Programa de Pós Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra – Instituto de

Geociências – UNICAMP – SP – Brasil. E-mail: eij.marlon@gmail.com

32

Professor Titular do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP - SP –

Brasil. E-mail: pedrog@ige.unicamp.br

21


DESLOCAMENTOS DE DISCURSOS E PRÁTICAS DOCENTES DE

PROFESSORES DE EJA NUMA ESCOLA DE ENSINO INDIVIDUALIZADO E

PRESENÇA FLEXÍVEL

Terezinha Chagas Carneiro Pessoa 33

Vânia Maria dos Santos Nunes 34

Teço como objetivo dessa pesquisa contribuir para o deslocamento de discursos e práticas

docentes relacionadas ao tema “ambiente” considerando a categoria geocientífica “lugar”,

junto aos professores de um Centro Estadual de EJA onde atuo como professora

coordenadora. A partir da análise de discurso pretendo identificar compreensões sobre o

“ambiente” e o “lugar” tendo como parte das condições de produção desses sentidos

entrevistas semiestruturadas e materiais didáticos utilizados na escola. Além disso, serão

vivenciadas atividades de campo com os docentes na região da escola, para a realização de

diagnósticos socioambientais locais, e estudos de textos sobre mapeamento socioambiental,

visando avaliar o alcance e as possibilidades do “local” e das relações local/global tratado em

geociências, como instrumentos enriquecedores de sentidos sobre o ambiente e o lugar. Serão

construídas análises visando perceber “se” e “como” ocorre a produção de atividades

didáticas que incorporam aspectos socioambientais do lugar da escola. Espera-se que esse

trabalho de formação continuada em exercício colabore para o aprimoramento das práticas

docentes e para o aumento da participação social de professores, alunos e gestores, em vários

dos “locais” em que suas vidas se inserem.

Palavras-chave: lugar, ambiente, formação de professores, atividades de campo, análise de

discurso francesa.

Referências Bibliográficas

COMPIANI, Maurício. O lugar e as escalas e suas dimensões horizontal e vertical nos trabalhos

práticos: implicações para o ensino de ciências e educação ambiental. Ciência

&Educação. v.13, n.1, p.29-45, 2007.

FRODEMAN, Robert. O raciocínio geológico: a Geologia como uma ciência interpretativa e

histórica. Terrae Didática, v. 6, n, 2, 2010.

GRUENEWALD, David. Foudations of Place: a multiplinary Framework for Place-Conscious

Education. American Educational Research Journal. v. 40, n. 3, p. 619-654, 2003.

ORLANDI, Eni. Análise de discurso. Campinas, SP: Pontes, 1999.

SANTOS, Vânia, M. N. Educar no ambiente: construção do olhar geocientífico e cidadania.

São Paulo, Annablume, 2011.

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e prática profissional. 10 a ed. Petrópolis: Vozes, 2010.

33 Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra IG/Unicamp.

Professora Coordenadora no Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos Jeanette A. G. A. Martins, E-

mail: terepessoa@gmail.com

34 Professora participante do Programa de Pós-Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra

IG/Unicamp. E-mail: vania.mns@uol.com.br

22


EDUCAÇÃO NÃO FORMAL COM CONTEÚDO GEOCIENTÍFICO COMO

INSTRUMENTO PARA PREVENÇÃO A ACIDENTES E AOS DESASTRES

NATURAIS: EXPERIÊNCIA NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

Erica Akemi Goto 35

Jefferson de Lima Picanço 36

Este projeto de mestrado tem como objetivo principal analisar o papel preventivo dos cursos

de educação não formal com conteúdo geocientífico para comunidades localizadas em áreas

de risco geológico no município de São Paulo. Sabe-se que as metrópoles brasileiras

passaram a receber um enorme contingente de novos moradores a partir dos anos 60,

resultando num crescimento urbano sem controle e sem planejamento. Esses novos habitantes

acabaram ocupando áreas periféricas, onde construíram moradias improvisadas em locais

inapropriados e/ou invadidos, como várzeas e morros. Além disso, nessas áreas as condições

básicas, como água tratatada e esgoto, inexistiam. Este projeto investigará, dentro do

município de São Paulo, nos anos de 2012 e 2013, os cursos de educação não formal

realizados abordando conteúdo sobre riscos geológicos. Será feito também um estudo sobre

os tipos de curso de educação informal presencial com a temática dos riscos geológicos que

vem sendo desenvolvidos no país. A metodologia será baseada em: pesquisa bibliográfica;

acompanhamento das capacitações sobre riscos geológicos ministradas pela Prefeitura do

Município de São Paulo nos anos de 2012 e 2013; entrevista com técnicos, educadores e

educandos dos cursos; avaliação dos cursos através de questionário.

Palavras-chave: educação informal; educação em geociências; desastres naturais; área de

risco; São Paulo.

Referências Bibliográficas

CASTRO, P. F. D. Avaliação de impacto de programas de pesquisa em biodiversidade.

Campinas, 2011.Tese de Doutorado, Instituto de Geociências, Universidade Estadual de

Campinas, 2011.

COMPIANI, M.; CARNEIRO, C. D. R. Os papéis didáticos das excursões geológicas. In:

Ensenanza de las Ciencias de la Terra, vol 1, 1993.

GLADE, T. et al. Landslide Hazard and Risk. Hoboken: Jonh Willey & Sons, 2004.

INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS. Relatório Técnico. São Paulo, 2010.

MARICATO, E. Brasil, cidades: alternativas para a crise urbana. Petrópolis, RJ: Vozes,

2008.

SOUZA, L. B.; ZANELLA, M. E. Percepção de Riscos Ambientais: Teoria e Aplicações.

Fortaleza: Edições UFC, 2009.

TOMINAGA, L. K. et al. Desastres naturais: conhecendo para prevenir. São Paulo: Instituto

Geológico, 2009.

VARNES, D. J. Landslide hazard zonation: a review of principles and practice. Paris:

United Nations Educational, 1984.

35 Aluna de mestrado do Programa de Ensino e História de Ciência da Terra no Instituto de Geociências da

Unicamp. E-mail: ericagoto@gmail.com

36 Professor Doutor do Instituto de Geociências da Unicamp. E-mail:jeffpicanco@gmail.com

23


ENSINO DE QUÍMICA, GEOCIÊNCIAS E ENFOQUE CTS: PERSPECTIVAS,

APROXIMAÇÕES E ARTICULAÇÕES

Silvana Maria Corrêa Zanini 37

Pedro Wagner Gonçalves 38

A pesquisa pretende contribuir para a construção de um campo didático que explora as

relações de aproximação de ensino de Geociências e de Química. O eixo curricular para

ensinar Química apoia-se na natureza e no enfoque CTS para promover o debate entre

ciência/sociedade/ambiente. Uma inovação curricular desenvolvida, aplicada e analisada em

minha pesquisa de mestrado mostra que esse elo curricular pode potencializar um ensino mais

significativo. A metodologia baseia-se no levantamento realizado em periódicos de Ensino de

Ciências e análise de conteúdo para identificar artigos, pesquisas, contribuições que revelem

ligações entre os dois campos de conhecimento. As publicações escolhidas, pelo alcance e

relevância foram: Enseñanza de las Ciencias de la Tierra (ECT), Enseñanza de las Ciencias

(EC), Revista Eletrónica de Enseñanza de las Ciencias (REEC) e Química Nova na Escola

(QNE). Apoiada em procedimento padrão, atualmente busco os artigos publicados entre 2008

a 2012 da Revista Eletrónica de Enseñanza de las Ciencias (REEC). A seleção dos artigos

passa pela avaliação do título, resumo e palavras-chave escolhidas tais como química/o, CTS,

CTSA, natureza, ambiente e meio ambiente. Na fase atual da pesquisa procedo a leitura dos

artigos para caracterização.

Palavras-chave: Ensino de Química; Ensino de Geociências; CTS; Revisão Bibliográfica.

Referências Bibliográficas

GONÇALVES, P. W.; SICCA, N. A. L.; SANTOS, M. J.; ZANINI, S. M. C. Las Ciencias de

la Tierra y la Química: aproximaciones entre asignaturas de la educación básica. In:

COMUNICACIONES del XVII SIMPOSIO SOBRE ENSEÑANZA de lA

GEOLOGÍA, 2012, Huelva, Espanha.

37 Professora de Química. Rede estadual de ensino. Aluna de Doutorado. Programa Ensino e História de Ciências

da Terra. Instituto de Geociências. Universidade Estadual de Campinas. E-mail: marsilzan@yahoo.com.br

38 Professor Doutor. Instituto de Geociências. Programa Ensino e História de Ciências da Terra. E-mail:

pedrog@ige.unicamp.br

24


ESTUDANTES E PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO SOBRE O LUGAR: A

POSSIBILIDADE DE ESPAÇOS DE REPRESENTAÇÃO EMANCIPATÓRIOS

Cecília Maria Pinto do Nascimento 39

Orientador: Maurício Compiani 40

Co-orientadora: Maria das Mercês Navarro Vasconcellos 41

O contexto socioambiental está fortemente influenciado por uma representação da Terra em

que relações sociedade e natureza são da ordem de uma humanidade genérica e a-histórica.

Trata-se de ideologia que sustenta e é sustentada por uma representação social em que as

relações são entendidas como resultantes das ações dos indivíduos em suas vidas privadas e

não como produtos de processos sociais, econômicos, políticos e culturais concretos. Estas

representações abstraem dos fenômenos sua concretude histórica e influenciam os trabalhos

de Educação Ambiental dificultando propostas emancipatórias. Assim, pretendemos

investigar, sob as bases do materialismo-histórico dialético, que conhecimentos e estratégias

devem compor um trabalho educativo que favoreça representações contra-hegemônicas da

realidade. Sob observação participante e abordagem qualitativa, analisamos um contexto em

que estudantes do ensino médio participam de projeto de produção de conhecimentos sobre a

realidade local e realizam nela intervenção participativa. Procuramos compreender o processo

de significação em que os discursos verbais e não verbais são fonte de enunciados, para os

quais a Filosofia do signo ideológico de Mikhail Bakhtin oferece meios para identificar a ação

de mecanismos ideológicos e a explicitação do processo enquanto um fato histórico e social.

Assim, esperamos oferecer reflexão sobre um dos processos de produção e reprodução da

realidade e discutir a possibilidade de ações que contribuam para que indivíduos possam

compreender e representar sua condição espaço-temporal em relação ao conjunto das

estruturas da sociedade.

Palavras-chave: Representação audiovisual; Problemas socioambientais; Discursos heroicos.

Referências bibliográficas

BAKHTIN, Mikhail M. (VOLOSCHINOV, V. N.) Marxismo e filosofia da linguagem: problemas

fundamentais do método sociológico da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2010, 14.ed.

BUCK-MORSS, Susan. Dialética do olhar: Walter Benjamin e o projeto das Passagens. Belo

Horizonte: Editora UFMG; Chapecó/SC: Editora Universitária Argos, 2002.

JAMESON, Fredric. Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. São Paulo: Editora

Ática, 1996.

LOUREIRO, Carlos F. B. Problematizando conceitos: contribuição à práxis em educação ambiental.

In: LOUREIRO, C. F. B, LAYRARGUES, P. P., CASTRO, R. S. de (orgs.). Pensamento

complexo, dialética e educação ambiental. São Paulo: Cortez, 2006.

SEVERINO, Antônio J. Fundamentos ético-políticos da educação no Brasil de hoje. In: LIMA, J. C.

F.; NEVES, L. M. W. (orgs). Fundamentos da educação escolar no Brasil contemporâneo.

Rio de Janeiro: Editora Fiocruz/EPSJV, 2006. Cap. 8, p. 289-320

ZIZEK, Slavoj. Um mapa da ideologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2010, 4ª reimpr.

____________. Lacriame rerum: ensaios sobre cinema moderno. São Paulo: Boitempo, 2009.

39

Física e doutoranda do Programa PGEHCT do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp.

cissa@ige.unicamp.br

40 Geólogo e Professor do DGAE do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp. compiani@ige.unicamp.br

41 Bióloga e Educadora do Museu da Vida/COC/Fiocruz e do Programa de Educação de Jovens e Adultos da

SME/RJ. merces@coc.fiocruz.br

25


INVESTIGAÇÃO DAS TÉCNICAS METALÚRGICAS DE EXTRAÇÃO E

TRANSFORMAÇÃO DO MINÉRIO DE FERRO DE ARAÇOIABA.

Paulo Eduardo Martins Araújo 42

Prof. Dr. Jefferson Picanço 43

Entre 1780 e 1810, a Coroa portuguesa elaborou um plano de implantação de altos-fornos

para fabricação de ferro gusa nos domínios peninsular e ultramarino. Tendo como alvo as

técnicas de extração e transformação do minério de ferro ativadas nesse empreendimento,

busca-se investigar a efetividade dos objetivos de aquisição, fixação e difusão da politecnia da

metalurgia do ferro, em recorte temporal delimitado pelas diretorias do empresário

metalurgista sueco Carl Gustav Hedberg e do engenheiro alemão Frederico Varnhagen. Com

base em pesquisa de fontes primárias manuscritas e análise mineral à luz dos conhecimentos

atuais, tem-se como objetivos: evidenciar as filiações técnicas dos processos de redução direta

e indireta transferidos para a Fábrica de Ferro de Ipanema; apresentar as distintas

configurações que Fábrica adquiriu no transcurso das diretorias de Hedberg e Varnhagen;

colocar em questão a relação entre a politecnia ativada em Ipanema e a preservação do seu

produto histórico como patrimônio industrial e geológico. O resultado esperado ao fim da

pesquisa é a construção de uma narrativa histórica em contraponto à produção de

esquecimento, isto é, em oposição à memorização de eventos relacionados a Ipanema como

história de um fracasso.

Palavras-chave: História das técnicas; metalurgias extrativa e de transformação nos séculos

XVIII e XIX; politecnia

Referências bibliográficas

GARÇON, Anne-Françoise et al. Vents et fours en paléométallurgie du fer. Du minerai à

l’objet. Programme collectif de Recherche - SRA Bretagne. Rapport final. Paris:

Centre d’ istoire des Techniques, 2009.

GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Cia. das

Letras, 1989.

GINZBURG, Carlo. Relações de Força. História, retórica, prova. São Paulo: Cia. das Letras,

2002.

LEROI-GOURHAN, André: Evolução e Técnicas. II. O meio e as técnicas, Lisboa: Edições

70, 1984.

HASSENFRATZ, Jean-Henri. La Sidérotechnie, ou l'art de traiter les minéraux de fer, pour en

obtenir de la fonte, du fer et de l'acier. Paris: Firmin Didot, tome premier, 1812.

MOKYR, Joel. The Gifts of Athena: Historical Origins of the Knowledge Economy,

Princeton: Princeton University Press, 2002.

PERCY, John. Traité complet de métallurgie. Paris: Librairie Polytechnique Noblet et Baudry,

tome II, 1865.

ROSSI, Paolo. Los filósofos y las máquinas. 1400-1700. Barcelona: Editorial Labor, 1966.

42 Pós-doutorando no PEHCT – IG/Unicamp. pauloaraujo@ige.unicamp.br

43 Departamento de Geociências Aplicadas ao Ensino – IG/Unicamp. jeffpicanco@ige.unicamp.br

26


INVESTIGANDO O PROPOSTO E O VIVIDO NA RELAÇÃO SOCIOAMBIENTAL

GelianeToffolo 44

Joseli Maria Piranha 45

Este trabalho apresenta o resultado de pesquisa realizada com o objetivo de verificar quais são

os problemas que regem as ações e as contradições existentes nas práticas organizacionais

socioambientais nos Postos Revendedores de Combustíveis (PRCs) urbanos de Francisco

Beltrão/PR. Por meio de investigação qualitativa, buscou-se entender como se desenvolve o

processo de Educação Ambiental (EA) nesses estabelecimentos. São várias as irregularidades

em relação à localização dos PRCs, principalmente em relação aos localizados no centro da

área urbana de Francisco Beltrão. Dos vinte PRCs somente oito estão em situação regular, de

acordo com o exposto na legislação vigente, em relação ao distanciamento de casas

comerciais, residências, escolas, hospitais e recursos hídricos. A legislação correspondente à

localização dos PRCs próximos aos rios não é cumprida, como também é incorreta a grande

circulação de veículos nas proximidades dos rios. No município de Francisco Beltrão, no que

tange a atuação dos PRCs na área urbana, o proposto está escrito. O vivido está exposto como

resultado do descaso com o que está no registro. Há um abismo entre o que é dito e o que é

feito sobre a EA. No doutorado objetiva-se verificar as ações que regem as práticas de

Educação Ambiental na bacia hidrográfica do rio Marrecas - área urbana de Francisco

Beltrão. Para isso buscaremos promover a participação de professores, alunos e poder público

no planejamento e gestão, visando compor soluções para a problemática socioambiental na

bacia. Espera-se também como resultado a elaboração de um material didático alternativo,

que contemple ações de Educação Ambiental na bacia, para ser utilizado nas escolas do

município.

Palavras-chave: Educação Ambiental; Postos Revendedores de Combustíveis; Escolas

Municipais; Legislação ambiental.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Lei n.° 9.795, de 27 de abril de 1999. Política Nacional de Educação Ambiental.

Disponível em: Acesso em:

17 mar. 2010.

DIAS, G. F. Educação Ambiental: princípios e práticas. 9 ed., São Paulo: Gaia, 2004.

FRANCISCO BELTRÃO (Município). Lei N o 3.187, de 13 de setembro de 2005. Estabelece

a Política Municipal de Educação Ambiental, cria o Grupo Interdisciplinar de

Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em:

Acesso em: 01 mar. 2010.

LEFF, Henrique. Saber Ambiental: Sustentabilidade, Racionalidade, Complexidade,

Poder. 7 ed., Rio de Janeiro: Vozes Ltda, 2009.

PARANÁ. Projeto de Lei Estadual. Institui a Política Estadual e o sistema de Educação

Ambiental e dá outras providências. Disponível em:

Acesso em: 10 jun. 2010.

44 Doutoranda do curso de pós-graduação Stricto Sensu – Doutorado em Ensino e História de Ciências da Terra –

UNICAMP/SP. E-mail: geliane_unioeste@hotmail.com

45 Professora Doutora do curso de pós-graduação Stricto Sensu – Doutorado em Ensino e História de Ciências da

Terra – UNICAMP/SP. E-mail: joselimp@terra.com.br

27


MUDANÇAS CLIMÁTICAS NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA

AMBIENTAL EM UBERABA/MG

Karina da Costa Sousa 46

Prof.ª Dr.ª Denise de la Corte Bacci 47

A evolução do pensamento humano e o aprimoramento de suas relações e técnicas se deram

de forma empírica e, inegavelmente, íntima com a natureza. No entanto, à medida que a

espécie humana alcançava estágios mais avançados de conhecimento, maior foi o impacto

causado ao ambiente, vislumbrando-se atualmente uma situação de expressiva degradação

ambiental. A preocupação com o meio ambiente se tornou intensa, especialmente no meio

científico, havendo grande desenvolvimento das chamadas Ciências Ambientais, e dos cursos

de formação profissional específicos da área ambiental. Neste cenário, uma das questões de

destaque nos dias atuais é a das mudanças climáticas e suas consequências para a

humanidade. Não obstante a relevância de sua discussão, a questão se mostra controversa no

que respeita à responsabilidade por sua ocorrência. Fica evidente a contribuição dos

conhecimentos geocientíficos na análise da questão, devido à abordagem interdisciplinar

utilizada para o entendimento de seu objeto de estudo: o planeta Terra. Propõe-se, portanto,

analisar como as mudanças climáticas são abordadas nos cursos de graduação em Engenharia

Ambiental da cidade de Uberaba-MG, refletindo-se ainda sobre a possível contribuição das

Geociências nestas abordagens.

Palavras-chave: mudanças climáticas; conhecimentos geocientíficos; engenharia ambiental.

Referências Bibliográficas

BACCI, D. C. A contribuição do conhecimento geológico para a Educação ambiental.

Revista Pesquisa em Debate, São Paulo, v. 6, n. 2, p. 1-23, 2009.

CLIMATE Change 2007: Synthesis Report. Intergovernmental Panel on Climate Change.

Disponível em:

MARUYAMA, S. Aquecimento Global? São Paulo: Oficina de Textos, 2008. 128 p.

REIS, F.A.G.V., Giordano, L.C., CERRI, L.E.S., MEDEIROS, G.A. Contextualização dos

cursos superiores de meio ambiente no brasil: engenharia ambiental, engenharia

sanitária, ecologia, tecnólogos e sequenciais. Engenharia Ambiental, v. 2, n. 1, p.

005-034, jan/dez 2005.

SUGUIO, K. Mudanças ambientais da Terra. São Paulo: Instituto Geológico, 2008. 336 p.

46 Engenheira ambiental e Mestranda em Ensino e História de Ciências da Terra. Instituto de Geociências.

UNICAMP. sousa.karinac@gmail.com

47 Geóloga e Doutora em Geociências e Meio Ambiente (UNESP). Docente do Instituto de Geociências da

Universidade de São Paulo. bacci@igc.usp.br

28


NOVAS ABORDAGENS EM ENSINO DE SISTEMA TERRA A PARTIR DO

PENSAMENTO SISTÊMICO

Luiz Anselmo Costa Nascimento Ifanger 48

Roberto Greco 49

No desdobramento da compreensão do funcionamento dos processos naturais terrestres, muitas

teorias emergiram. Em contrapartida, a grande especialização dos conhecimentos fragmentou o

saber, dificultando o entendimento maior do todo. O estudo do Sistema Terra proporciona uma

abordagem diferenciada do conhecimento científico. Nosso objetivo é desenvolver novas

abordagens no contexto de uma disciplina de Sistema Terra, para uma formação mais integrada ao

aluno que é apresentado às Geociências e com a perspectiva do pensamento sistêmico. Como

metodologia, utilizaremos a pesquisa qualitativa, em que estão envolvidas a análise de conteúdo, a

pesquisa bibliográfica e documental. A retomada de dados de pesquisas anteriores irá permitir a

construção de um panorama geral do ensino de Sistema Terra. Através da revisão do estado atual da

arte pretendemos fazer uma contextualização das Geociências, com as considerações sobre o

pensamento sistêmico, objetivando um desdobramento na maneira de abordar o conhecimento

geocientífico. Assim, esperamos propor mudanças na forma de interação com o conhecimento,

desenvolver abordagens que estimulem a capacidade de fazer relações, de pensar criticamente sobre

os processos do fazer e do divulgar a ciência do Sistema Terra.

Palavras-chave: Sistema Terra; Pensamento Sistêmico; Geociências.

Referências Bibliográficas

CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação. Tradução: Álvaro Cabral. São Paulo: Cultrix, V. 14, p. 445,

1995.

CAPRA, Fritjof. A Alma de Leonardo da Vinci. Pensamento, p. 424, 2012.

COCKELL, Cockell; CORFIELD, Richard; EDWARDS, Neil; HARRIS, Nigel. Sistema Terra –

Vida, uma introdução. Tradução: Silvia Helena Gonçalves. São Paulo: Oficina de textos,

2011.

FRODEMAN, Robert. Geo-Logic: Breaking Ground Between Philosophy and the Earth

Sciences. SUNY Press, p. 184, 2003.

IFANGER, Luiz; Anselmo; Costa; Nascimento. Análise da disciplina de Sistema Terra na

Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental. Vigência – 2009. 158 fls. Iniciação

científica. Ensino de Geociências e Educação Ambiental. Universidade de São Paulo.

Faculdade de Educação. São Paulo. 2009.

MORIN, Edgar. A cabeça bem feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 16 a edição. Rio

de Janeiro: Bertrand Brasil, 2009.

48 Mestrando em Ensino e História das Ciências da Terra – IG Unicamp. E-mail: kiko_ifanger@yahoo.com.br

49 Professor Doutor, Departamento de Geociências Aplicadas ao Ensino, Instituto de Geociências – Unicamp. E-

mail: greco@ige.unicamp.br

29


O CONHECIMENTO SÓCIO-AMBIENTAL LOCAL COMO ESTRATÉGIA DE

VALORIZAÇÃO DO LUGAR: PROJETO GEO-ESCOLA EM CAJAMAR, SP

Aline Trombini Ferreira Lima 50

Celso Dal Ré Carneiro 51

A pesquisa busca discutir a importância do (re)conhecimento do local como estratégia para

transformar a relação dos estudantes com o lugar em que vivem. Focaliza o município de

Cajamar, SP, que desperta sentimentos de não pertencimento e desvalorização por muitos

jovens estudantes. Ao se investigar a relação que eles mantêm com o município, produziu-se e

aplicou-se um projeto de educação socioambiental com ênfase em Geociências, e suporte em

computador, que compõem um módulo do Projeto Geo-Escola. Buscou-se produzir e avaliar a

aplicação de material didático virtual. A aplicação da unidade de ensino envolveu atividades

em salas de aula e uma visita de campo. Dois aspectos específicos foram amplamente

tratados: a importância da mineração de calcário para o município, e o problema da origem e

dos efeitos do chamado "Buraco de Cajamar". O material de apoio didático e os resultados da

pesquisa foram disponibilizados, via web, para a comunidade escolar. A principal conclusão é

a de que, ao se elaborar propostas de desenvolvimento de ações locais, as Geociências

exercem papel relevante, como meio de se construir estratégias de valorização do lugar

perante a comunidade escolar, na condição de um exercício de cidadania em busca da

transformação da realidade socioambiental

Palavras-chave: Estudo do lugar; Geociências; Pertencimento; Ensino.

Referências bibliográficas

CALLAI, H.C. Estudar o lugar para compreender o mundo. In: CASTROGIOVANNI, A.C.

Ensino de Geografia: práticas e textualizações no cotidiano. 5.ed. Porto Alegre: Ed.

Mediação. 2006.

CARNEIRO, C.D. R, BARBOSA R. Geo-Escola: disseminação de conteúdos de Geociências

por meio do computador para docentes de Ciências e Geografia no Nível Fundamental

em Jundiaí-Atibaia, SP. Geologia - USPm Série Didática, Publ. Espec., 3:71-82. 2005.

FRODEMAN, R. A Epistemologia das Geociências. In: In: MARQUES, Luis & PRAIA,

João. coords. Geociências nos Currículos dos Ensinos Básico e Secundário. Aveiro:

Universidade de Aveiro, p. 39-58. 2001

VIADANA, A. G. A dinâmica da paisagem em área do município de Cajamar (SP) face

aos episódios recentes (subsidência e colapso a superfície). Rio Claro: IGCE. 1990.

50 Mestre em Ensino e História de Ciências da Terra. aline.trombini@ige.unicamp.br

51 Prof. Associado, Depto. Geociências Aplicadas ao Ensino, Instituto de Geociências, Universidade Estadual de

Campinas, Campinas, SP. cedrec@ige.unicamp.br

30


O PAPEL DA PETROBRAS NA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA ÁREA DE

GEOCIÊNCIAS E MAPEAMENTO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

Drielli Peyerl 52

Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa 53

A partir da criação da Escola de Ouro Preto em 1875 é que o ensino de Geociências no país

começa a ser sistematicamente praticado. Todavia, apenas em 1950, com a industrialização

iniciada no Governo Vargas, principalmente com a criação da Petrobras, é que a formação dos

geólogos passou a ser uma questão de Estado. A Petrobras iniciou suas atividades a partir do

acervo recebido do antigo Conselho Nacional do Petróleo (CNP - 1938) em 1953, com o

objetivo de executar tarefas no setor de exploração de petróleo no território brasileiro.

Algumas características do CNP permaneceram na empresa, principalmente em relação à

pressão política e nacionalista que buscava consolidar o Brasil como um país rico em

petróleo. Um dos principais problemas era a falta de pessoal qualificado para as demandas

técnicas e de conhecimento geológico sobre o território brasileiro. Sendo assim, a Petrobras

investiu na elaboração de cursos técnicos e de especialização de profissionais para atuar na

área. Além dela, outras sociedades científicas desse mesmo período, além de convênios com

universidades, contribuíram para a formação e constituição das Geociências no Brasil num

outro patamar de institucionalização e profissionalização. Este projeto tem por objetivo

investigar e compreender o papel da Petrobras na construção e formação de cursos na área de

Geociências, como parte do processo de mapeamento do território, e o aprofundamento de

outras áreas ligadas às Geociências.

Palavras-chave: História das Geociências; Ensino; Território; Petrobras.

Referências Bibliográficas

COHN, Gabriel. Petróleo e nacionalismo. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1968. 213

p.

FIGUEIRÔA, Silvia Fernanda de Mendonça. As Ciências Geológicas no Brasil: Uma

História Social e Institucional, 1875-1934. São Paulo: Editora HUCITEC, 1997.

HOBSBAWM, Eric J. Nações e Nacionalismo – desde 1780. Tradução: Maria Celia Paoli,

Anna Maria Quirino. – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990. P. 230.

KUHN, Thomas S. O caminho desde A Estrutura: ensaios filosóficos, 1970 – 1993, com

uma entrevista autobiográfica. Editado por James Conant e John Haugeland; tradução

de Cesar Mortari, revisão técnica Jézio Hernani B. Gutierre. São Paulo: Editora

UNESP, 2006. P. 403.

PESTRE, Dominique. Thirty years of science studies: knowledge, society and the political.

History and Technology. Vol. 20, No. 4, December 2004, pp. 351-369.

52 Historiadora, Licenciada em Geografia e Doutoranda em Ensino e História de Ciências da Terra pela

Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Bolsista FAPESP (proc. Nº 2010/14857-2). E-mail:

driellipeyerl@gmail.com.

53 Geóloga e Historiadora das Ciências, Professora do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de

Campinas – UNICAMP. E-mail: figueiroa@ige.unicamp.br

31


O USO DA ATIVIDADE DIAGNÓSTICA NAS ESTRATÉGIAS DE MEDIAÇÃO NO

ENSINO ESCOLAR

Ederson Costa Briguenti 54

Mauricio Compiani 55

Diante de um projeto de ensino escolar que objetiva contribuir para o uso da linguagem

cartográfica como suporte linguístico e metodológico no processo de ensino-aprendizagem da

Geografia, aplicou-se uma atividade diagnóstica com 19 questões para alunos do 2º ano do

Ensino Médio. O objetivo principal da atividade foi demarcar e diagnosticar concepções

envolvendo aspectos conceituais geográfico-escolar do uso da Cartografia no cotidiano dos

alunos. A aplicação do questionário mostrou-se importante em colaborar num diagnostico

prévio para o professor dos conhecimentos que os alunos trouxeram, contribuindo em

delimitar caminhos e conhecimentos que posteriormente foram abordados ao longo do ano

letivo. A atividade também contribuiu para o próprio aluno, como uma ferramenta para que o

mesmo possa buscar, retomar e relembrar a aprendizagem anterior. A análise da atividade,

mais do que fazer um levantamento de respostas certas e erradas, ressaltou o processo de

formação de conceitos, via escolarização, permitindo uma caracterização especifica do

conhecimento e concepções dos alunos, contribuindo em demonstrar que conceituações

podem indicar caminhos para práticas de ensino. Cavalcante (1998) afirma que é preciso

considerar as especificidades e as relações existentes entre conceitos cotidianos e conceitos

científicos. Sobre está ideia, expõe um pensamento de Vygotsky, que ressalta os dois

processos – o desenvolvimento dos conceitos espontâneos e dos conceitos não espontâneos –

se relacionam e se influenciam constantemente. Vigotsky também destaca a importância da

formação de conceitos científicos na escola para o desenvolvimento da consciência reflexiva

no aluno. Além disso, afirma que é necessário que o desenvolvimento de um conceito

espontâneo tenha alcançado um certo nível para que o aluno possa absorver um conceito

científico.Tais ideias tem fortes implicações metodológicas nas estratégias de ensino escolar.

Neste contexto, os questionários diagnósticos, podem se constituir como um ponto de partida

para orientações metodológicas de um estudo da Cartografia, traçado diante conceitos

cotidianos. Afinal, este quadro instrumentaliza o professor para uma leitura e uma mediação

de práticas educativas que proporcione a relaboração e a construção de conhecimentos e que

reflitam a relação entre ambos os conceitos diante da significação da cartografia como

linguagem.

Palavras-chave: Diagnóstico; Linguagem Cartográfica; Mediação Pedagógica.

Referências Bibliográficas

CAVALCANTI, L. S. Geografia, escola e construção de conhecimentos. Campinas:

Papirus, 1998.

CAVALCANTI, L. de S. Cotidiano, mediação pedagógica e formação de conceitos: uma

contribuição de Vygotsky ao ensino de Geografia. Cadernos do CEDES, São Paulo, n.

66. 2005.

VYGOTSKY, L.S. Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

54 Geógrafo. Doutorando do Programa de Ensino e História de Ciências da Terra. IG/Unicamp. Bolsista CAPES.

Professor de Geografia da Rede Pública de Ensino. ebriguenti@ige.unicamp.br

55 Geólogo. Doutor em Educação. Professor Titular Departamento de Geociências Aplicadas ao Ensino.

IG/Unicamp. compiani@ige.unicamp.br.

32


O USO DE JOGOS NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM NA

GEOGRAFIA ESCOLAR

Thiara Vichiato Breda 56

Jefferson de Lima Picanço 57

Na área da Cartografia Escolar e Educação Ambiental, os jogos contribuem para o processo

de ensino-aprendizagem da criança – e deixam de ser objetos de entretenimento – caso sejam

formulados com intencionalidade e objetivos específicos bastantes claros e diretos. Na

educação formal e não formal, o jogo estimula o aprendizado porque pode despertar

curiosidade e um esforço natural de vencer desafios. Apoiadas nestas considerações, esta

pesquisa tem como objeto de estudo jogos no ensino de Geociências. Para isso, a partir do

referencial teórico com definições, contribuições e dificuldades de jogos no ensino, serão

analisados Jogos confeccionados especificamente para trabalhar conteúdos da Geografia

escolar como Educação Ambiental e Cartografia. Estes materiais têm como estratégia didática

a valorização do lugar. São elaborados com materiais e dinâmicas atrativas de fácil aplicação,

confeccionadas em programas computacionais de desenho tendo como base mapas e imagens

de sensoriamento remoto do espaço vivido do aluno. Estes jogos incluem: quebra-cabeças,

jogo da memória, jogo de tabuleiro e duas diferentes versões de dominós. Com o intuito

de aprofundar essas discussões, esta pesquisa busca através de questionários voltados para

alunos e profissionais da área de educação, avaliar e pontuar as possíveis contribuições destes

materiais. A partir dessas análises, pretende-se reestruturar os jogos pilotos e montar materiais

e cursos que tenham como tema central o uso de jogos na educação visto que o educador tem

papel fundamental de mediador durante a aplicação do jogo e cabe a ele direcionar a

atividade. Devido ao fato dessas dinâmicas romperem com as rotinas habituais do ensino,

muitas vezes o professor não está preparado para utilizar esse material. Dessa forma

pretendemos compartilhar com esses profissionais, sugestões de conteúdo e a descrição dos

procedimentos tanto para a confecção dos materiais como para a sua aplicação.

Palavras-chave: Ensino de Geografia; Cartografia escolar, Jogos Geográficos.

Referências Bibliográficas

ALMEIDA, P. N. de. Educação Lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. 10 ed. São Paulo.

BREDA, T. V; O olhar espacial e geográfico na leitura e percepção da paisagem

municipal: contribuições das representações cartográficas e do trabalho de campo no

estudo do lugar. Ourinhos. 2 v. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado –

Geografia) – Universidade Estadual Paulista, Ourinhos, 2010.

CHATEAU, J. O jogo e a criança. São Paulo: Summus Editorial, p. 139. 1987.

PIAGET, J. A formação do símbolo na criança - Imitação, jogo e Sonho Imagem e

Representação. Rio de Janeiro: Zahar Editores, p. 341, 1964.

SILVA, L. G. Jogos e situações-problema na construção das noções de lateridade,

referências e localização espacial. In: CASTELLAR, S. Educação geográfica: teorias

e práticas docentes. São Paulo: Editora Contexto, 2006.

56 Geógrafa e Doutoranda em Ensino e História de Ciências da Terra pela Universidade Estadual de Campinas –

UNICAMP, Departamento de Geociências Aplicadas ao Ensino/IG. E-mail: thiarav@gmail.com.br.

http://olharesgeograficos.blogspot.com/

57

Professor Doutor do Departamento de Geociências Aplicado ao Ensino- IG-UNICAMP. E-mail.

jeffpicanco@gmail.com

33


PLATAFORMA CONTINENTAL JURÍDICA, RECURSOS DO PRÉ-SAL E ENSINO

DE GEOCIÊNCIAS

José Roberto Serra Martins 58

Celso Dal Ré Carneiro 59

Este artigo é um preâmbulo a um livro que desejamos publicar em breve e que explora o

conceito de Plataforma Continental Jurídica (PCJ), caracterizando-a segundo a importância

econômica das promissoras descobertas de reservas energéticas nas rochas das camadas

conhecidas como pré-sal. Embora ambos os temas sejam oportunos e pertinentes para a

educação básica, reconhece-se a carência, em manuais e atividades de educação básica, de

abordagens desses temas. A Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar (CNUDM)

garante aos Estados costeiros a expansão da Plataforma Continental, para além do limite de

200 milhas náuticas – limite externo da Zona Econômica Exclusiva (ZEE). Para pleitear este

direito, cada Estado nacional deveria realizar levantamentos da margem continental (leito e

subsolo marinhos) que comprovassem a continuidade do bloco crustal para além dos limites

da ZEE. Após o levantamento (LEPLAC, no Brasil), o país poderia pleitear à Comissão de

Limites da Organização das Nações Unidas (ONU) a expansão de seus direitos sobre recursos

minerais da área. O Brasil cumpriu todas estas etapas e apresentou pleito que visava ampliar

seu território em 4.452.000 km 2 , equivalente a 52% da área das terras emersas

(8.514.876,6 km 2 ) que compõem nosso território. Uma vez acolhido o pedido pela Comissão

de Limites, o país poderia auferir melhores resultados sociais, culturais, econômicos e

estratégicos. Como se vê, este tema traz amplas possibilidades de debates do ponto de vista

educacional, tanto na educação básica, quanto no ensino superior; tanto assim que o material

didático produzido permitiu o aprofundamento teórico-prático junto a alunos de ambos os

níveis, além de estimular debates, reunir elementos de geologia histórica e de história das

civilizações e despertar a curiosidade e o interesse de leigos e especialistas em Geociências.

Palavras-chave: Plataforma Continental Jurídica, Ensino de Geociências, Pré-Sal.

Referências Bibliográficas

CARNEIRO C.D.R., TOLEDO, M.C.M.de, ALMEIDA, F.F.M.de. Dez motivos para a

inclusão de temas de Geologia na Educação Básica. Rev. Bras. Geoc., vol.4, n o . 34,

p.553-560, 2004.

HEEZEN, M.C., THARP, M., EWING, M. 1959. The floors of the oceans. The north

Atlantic. New York: The Geological Society of America. 2004, 122 p.

MARTINS, J.R.S. Plataforma Continental Jurídica: incorporação ao território nacional

e ao ensino de Geociências. 2010. 99 f. Campinas, Universidade Estadual de

Campinas. (Dissert. Mestrado. Progr. Pós-Grad. Ensino e História de Ciências da

Terra), 2010.

SOUZA, J.M. Mar territorial, zona econômica exclusiva ou plataforma continental? São

Paulo, Rev. Bras. Geof., vol.1, n o .17, p.79-82. mar. 1999. Disponível em:

Acesso em 01 mar 2013.

58

Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra, Instituto de Geociências,

Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP. E-mail: serra@gmail.com.

59

Departamento de Geociências Aplicadas ao Ensino, Instituto de Geociências, UniversidadeEstadual de

Campinas, Campinas, SP. E-mail: cedrec@ige.unicamp.br

34


PROPOSTA METODOLÓGICA DE TRABALHO COM MAPAS NO ENSINO

MÉDIO NA PERSPECTIVA HISTÓRICO-CULTURAL: DESAFIOS E

POSSIBILIDADES

Viviane Lousada Cracel 60

Mauricio Compiani 61

Nos últimos anos, o ensino de cartografia tem sido pensado e debatido por estudiosos com

novas propostas de abordagens e metodologias para a concepção, produção e leitura de

mapas, entretanto, ainda é um campo de pesquisa predominantemente piagetiano.

Concordantes com Harley (2005) ao considerar os mapas como construções sociais capazes

de contribuir com uma visão socioespacial, o objetivo principal deste estudo é propor uma

metodologia de trabalho com os mapas em sala de aula do ensino médio alicerçada na

perspectiva histórico-cultural, com base no local de vivência dos alunos e onde a escola está

inserida, visando a desconstrução deste recurso e de sua linguagem, buscando que os alunos

compreendam que o mapa é útil muito além da indicação de simples localizações. Autores

como Vygotsky e Bakhtin orientam a pesquisa qualitativa, implicando nas características

processuais do trabalho com registro em um diário de campo e gravações em áudio das

atividades realizadas em sala e trabalho de campo, com produção de mapas pelos alunos. A

pesquisadora é a professora da turma pesquisada, analisando também sua prática como

mediadora. Esperamos que as atividades ampliem a visão e uso dos mapas pelos alunos, bem

como modifiquem a sua relação com este recurso.

Palavras-chave: metodologia, ensino de cartografia, perspectiva histórico-cultural.

Referências Bibliográficas

BAKHTIN, M.M. Estética da criação verbal. Introdução e tradução do russo Paulo Bezerra.

5ª ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010. 476p.

CASTELLAR, S. V. A cartografia e a construção do conhecimento em contexto escolar. In:

ALMEIDA, R. D. de. (org.) Novos rumos da cartografia escolar: currículo,

linguagem e tecnologia. São Paulo: Contexto, 2011. p. 121-135.

HARLEY, J. B. La nueva naturaleza de los mapas: ensayos sobre la historia de La

cartografia. México: FCE, 2005. 398p.

MARTINELLI, M. Atlas geográficos para escolares: uma revisão metodológica. In:

ALMEIDA, R. D. de. (org.) Novos rumos da cartografia escolar: currículo,

linguagem e tecnologia. São Paulo: Contexto, 2011. p. 57-69.

MASSEY, D. B. Pelo espaço: uma nova política da espacialidade. Tradução Hilda Pareto

Maciel e Rogério Haesbaert. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2009.

VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos

psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 1998. 191p.

VIGOTSKI, L. S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes,

2009.

60 Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra. Instituto de

Geociências da Unicamp. viviane.lousada@gmail.com

61 Professor Titular do Departamento de Geociências Aplicadas ao Ensino do Instituto de Geociências da

Unicamp. compiani@ige.unicamp.br

35


TRAJETÓRIA DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DA E.E. ANA RITA GODINHO

POUSA NA INICIAÇÃO À PESQUISA CIENTÍFICA, CAMPINAS –SP

Paulo Bussab Lemos de Castro 62

Fernanda Keila Marinho da Silva 63

Dentro de um projeto de formação continuada que elaborou conhecimentos escolares

relacionados à Ciência, à Sociedade e ao Ambiente (Compiani et al., 2013), derivou-se a

pesquisa intitulada “Construção coletiva de um projeto de revitalização e primeira intervenção

em uma Área de Proteção Permanente urbana, Campinas-SP” (Castro et al., 2013). Essa

pesquisa contou com a participação de alunos do ensino médio bolsistas do “Programa de

iniciação Científica Júnior, CNPq/UNICAMP (PIC-Jr.)” (Castro et al., 2013). Dessa forma, o

objetivo desta dissertação é refletir sobre as apropriações feitas por estudantes de ensino

médio durante participação em pesquisa científica, bem como identificar o impacto da

parceria da Universidade e escola para estes alunos bolsistas. Para tanto, realizaram-se

entrevistas semiestruturas e análise dos relatórios de pesquisa dos alunos bolsistas PIC-Jr., e

entrevistas com as suas respectivas orientadoras (Instituto Agronômico de Campinas e IB da

UNICAMP). Todas as análises foram obtidas à luz da metodologia da pesquisa qualitativa de

Bogdam e Biklen (1994) e da análise de conteúdo de Bardin (2011). As análises do conteúdo

das entrevistas somadas aos relatórios PIC-Jr. indicam a construção de conhecimentos

científicos vinculados ao local da escola, já que se observou o local na forma de um problema

de ensino e, portanto, em uma concepção ambiental que conduziu os alunos a compreender

não só às ações de uma determinada área cientifica, mas também relacioná-las com outras

áreas do conhecimento (Sicca e Gonçalves, 2006). A natureza dos conhecimentos adquiridos

sugerem as vertentes de um educação científica voltada para a Ciência-Tecnologia-

Sociedade-Ambiente (CTSA), de acordo Cachapuz et al., (2005), e Rego et al., (2008). Nesse

contexto, a Universidade e a escola não só proporcionaram o conteúdo, mas também

desmistificou a própria instituição Universidade para estes alunos bolsistas. Bem como,

permitiu aos alunos desenvolverem e aplicarem atividades que envolveram setores locais em

um consenso coletivo, com um olhar que é caro aos princípios da CTSA.

Palavras-chave: Pesquisa discente, análise de conteúdo, local-regional, CTSA.

Referências Bibliográficas

BARDIN, L. Análise de Conteúdo. São Paulo. Editora 70, grupo Almedina Brasil. 2011. Reimpr. Da

1° ed. 2011. 280p.

CACHAPUZ, A.; GIL-PEREZ, D.; CARVALHO, A.M.P; PRAIA, J.; VILCHES (orgs.). A

necessária renovação do ensino das ciências. Editora Cortez. São Paulo. 2005. 263p.

CASTRO, P.B.L.; SILVA, F.K.M.; TORRES, R.B.; KINOSHITA, L.S. Construção coletiva de

um projeto de revitalização e primeira intervenção em uma Área de Proteção

Permanente urbana, Campinas-SP. In: Ribeirão Anhumas na Escola: projeto de formação

continuada elbaborando conhecimento escolares relacionados à ciência, à sociedade e ao

ambiente. COMPIANI, M. (Org.). Curitiba: Editora CRV, 2013. 248p.

COMPIANI, M. (Org.). Ribeirão Anhumas na Escola: projeto de formação continuada

elaborando conhecimento escolares relacionados à ciência, à sociedade e ao ambiente.

Curitiba: Editora CRV, 2013. 248p.

62 Mestrando do PEHCT, IG-UNICAMP. Bolsista CAPES. E-mail: paulo.bussab@gmail.com

63 Professora Dra. Visitante DGAE, IG-UNICAMP e Adjunta do Departamento de Educação UFSCAR, Campus

Sorocaba. E-mail: fernandakeila@ige.unicamp.br.

36


UM CAMINHO, VÁRIAS HISTÓRIAS: APROPRIAÇÕES E RESSIGNIFICAÇÕES

SOBRE O LOCAL NAS PROPOSTAS CURRICULARES DE PROFESSORES

PARTICIPANTES DO PROJETO “RIBEIRÃO ANHUMAS NA ESCOLA”

Narjara Zimmermann 64

Maurício Compiani 65

Minha pesquisa de doutorado tem como objetivo compreender os processos de apropriação do

local nas propostas curriculares de professores participantes do projeto “Ribeirão Anhumas na

Escola” (2007-2010). Com referência na pesquisa-ação colaborativa, este projeto teve como

foco a formação de professores-pesquisadores em exercício, tendo como contexto a bacia

hidrográfica do ribeirão Anhumas, em Campinas/SP. Como material de análise, utilizo os

relatórios finais e parciais que apresentam tanto o processo formativo quanto às práticas

pedagógicas desenvolvidas pelos professores ao longo do projeto. Como referenciais teóricos,

busco articular autores das geociências e da pedagogia crítica do lugar com autores que

discutem o currículo, de modo a discutir e apresentar o ‘currículo local’ como perspectiva

curricular. O referencial bakhtiniano subsidia a compreensão dos processos de significação

dos conhecimentos e práticas relacionados ao local nas propostas dos professores. Resultados

preliminares mostram a importância da etapa formativa do projeto. Há indícios de que as

apropriações que se relacionam às metodologias de ensino ganham mais força nesse diálogo

com as propostas dos professores, com destaque para trabalho de campo e caso simulado.

Verificam-se, ainda, as potencialidades das propostas, ao trazerem indicações significativas

sobre como produzir um currículo pensado o local que propõe explicitar situações-problemas,

conflitos, contradições, a partir da compreensão da realidade inserida.

Palavras-chave: formação de professores, currículo local, ensino de geociências, Bakhtin.

Referências Bibliográficas

ARROYO, Miguel G. Currículo, Território em Disputa. 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Introdução e tradução do russo Paulo

Bezerra. 5ª ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.

COMPIANI, Maurício. O lugar e as escalas e suas dimensões horizontal e vertical nos

trabalhos práticos: implicações para o ensino de ciências e educação ambiental.

Ciência & Educação, v. 13, n. 1, p. 29-45, 2007.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

GRUENEWALD, David. The Best of Both Worlds: a Critical Pedagogy of Place. Education

Researcher, v. 32, n. 4, p 3-12, 2003.

MASSEY, Doreen. Pelo espaço: uma nova política da espacialidade. Rio de Janeiro:

Bertrand Brasil, 2008.

MCKERNAN, James. Currículo e Imaginação: teoria do processo, pedagogia e pesquisaação.

Porto Alegre: Artmed, 2009.

64 Bióloga e Doutoranda do Programa de Ensino e História de Ciências da Terra. IG/Unicamp. Bolsista CAPES.

Email: narjara.zimmermann@gmail.com

65 Geólogo e Doutor em Educação. Professor Titular Departamento de Geociências Aplicadas ao Ensino.

IG/Unicamp. Email: compiani@ige.unicamp.br

37


COMISSÃO ORGANIZADORA

Cauê Nascimento de Oliveira

Drielli Peyerl

Emerson Jhammes Francisco Alves

Narjara Zimmermann

Pedro Wagner Gonçalves

Thiara Vichiato Breda

SECRETARIA

Regina Lamas

COMITÊ CIENTÍFICO

Alfredo Campos

Carlos Alberto Lobão da S. Cunha

Celso Dal Ré Carneiro

Denise Bacci

Fernanda Keila Marinho da Silva

Jefferson de Lima Picanço

Josely Piranha

Maria Cristina Motta de Toledo

Maria José Maluf Mesquita

Maurício Compiani

Oscar Braz M. Negrão

Roberto Greco

Rosely Aparecida Liguori Imbernon

Silvia Fernanda de Mendonça Figueirôa

Vânia Maria Nunes dos Santos

Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)

Organização: Programa de Pós-graduação em Ensino e História de Ciências da Terra / Instituto de

Geociências da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

38

More magazines by this user
Similar magazines