Perfil do Trabalhador Formal Brasileiro pode ajudar a ... - Sesi

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Perfil do Trabalhador Formal Brasileiro pode ajudar a ... - Sesi

Informativo do Serviço Social da Indústria - Departamento Nacional - Ano VIII - Outubro 2005 - Nº 79

Realidade

nacional

FOTO: SESI/BAHIA

Perfil do Trabalhador Formal Brasileiro

pode ajudar a melhorar a vida da população

8


EDITORIAL

FOTO: MIGUEL ÂNGELO

Perfil do

trabalhador

brasileiro

O SESI apresentou à imprensa, no último

dia 4 de outubro, uma pesquisa sobre

o trabalhador brasileiro com carteira

assinada. Comentemos alguns aspectos.

Essa pesquisa, com base nos dados

da RAIS, possui informações sobre o nível

de escolaridade do trabalhador, cruzadas

com outras, sobre rendimentos,

tipo de atividade por setor, por porte

da empresa, por localização geográfica,

até em nível municipal.

São informações que entregamos,

com exclusividade, ao universo empresarial

e à sociedade, que poderão

orientar decisões estratégicas, públicas

e privadas, inclusive em nossas instituições

ligadas à Confederação Nacional

da Indústria.

No SESI, que desenvolveu a pesquisa,

colhemos elementos importantes

na área de Educação, por exemplo, que

é uma das nossas principais linhas de

ação, confirmando o baixo nível de escolaridade

do trabalhador em comparação

com seus vizinhos de Mercosul, com

média de 10 anos de boa escola, ante

seis anos entre nós, de escola pública

apenas razoável. Já foi pior, quando iniciamos,

em 1998, a ampliação do programa

de Educação de Jovens e Adul-

tos, a escolaridade média nessa faixa

era de apenas 4,5 anos.

Hoje capacitamos, nesse nível, mais

de 800 mil trabalhadores/ano, e o programa

é responsável por essa melhoria,

em números reais e em qualidade.

No período 2001/2003 houve redução

de 30% de analfabetos nas empresas

industriais, valendo registrar que,

nos últimos dois anos, alfabetizamos

mais de 300 mil trabalhadores.

Outra revelação da pesquisa é quanto

ao percentual remanescente de analfabetos

na indústria, que era de 1% em

2003, o que nos levará a redirecionar os

nossos investimentos financeiros para

novos programas na Educação de Jovens

e Adultos, para o ensino de segundo

grau integrado com o SENAI, para

uma formação profissional mais compatível

com as demandas da indústria e os

anseios de crescimento do trabalhador.

O aumento que se verifica nos níveis

de emprego com carteira assinada só

beneficiará os trabalhadores com qualificação

escolar adequada, o que sugere

uma relação de melhoria dos níveis de

remuneração já no primeiro emprego.

Outro dado importante da pesquisa

SESI/CNI são as disparidades regionais.

Enquanto as regiões Sul, Sudeste

e Centro-Oeste apresentam os melhores

níveis salariais, nas regiões Norte e

Nordeste, onde os níveis escolares são

os mais baixos, também se verificam os

piores índices salariais.

Essa constatação também influirá em

nossas decisões, já para o ano de 2006,

no campo da Educação, quando o fator

regional será considerado nos investimentos

e nas metas a serem alcançadas.

Essa pesquisa, importante sob todos

os pontos de vista, como comprovou a

ampla repercussão na grande mídia, a

maior já verificada na instituição, nos

sinaliza para confirmar aquilo que não

poderá ser arrefecido um só momento, a

preocupação predominante com a Educação,

em todos os seus segmentos e,

entre nós, do SESI, com o trabalhador,

parceiro imprescindível na construção

da riqueza do Brasil.

Rui Lima do Nascimento

Diretor-superintendente do SESI Nacional

Publicação mensal editada pela

Unidade de Comunicação Social

do Sistema CNI (UNICOM)

Serviço Social da Indústria (SESI)

Diretor Nacional: Armando Monteiro Neto

Diretor-superintendente: Rui Lima do Nascimento

Informativo do SESI - Serviço Social da Indústria - Ano 8, Nº 79, outubro 2005

Coordenador da UNICOM: Edgar Lisboa

Editor: Edson Chaves Filho

Projeto e produção gráfica:

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Filiado à Aberje

SESI, a marca da responsabilidade social

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FINANÇAS

Equilíbrio financeiro

SESI paulista lança cartilha para ensinar trabalhador

a administrar orçamento familiar

José Ribeiro dos Santos,

analista de confiabilidade do

Departamento Industrial da

Caterpillar, percebeu que mais

da metade (60%) dos produtos

adquiridos por sua família nas

compras mensais do supermercado

era supérflua – e acabava

provocando um rombo no orçamento

familiar. Ao aprender a

fazer o planejamento financeiro

mensal, ele e sua família passaram

a comprar apenas o necessário,

a aproveitar as promoções

e a administrar melhor o salário.

Esse aprendizado veio em boa

hora para Santos e muitos dos

4,6 mil empregados da fábrica

de máquinas e equipamentos da

Caterpillar em Piracicaba, interior

de São Paulo.

Um levantamento realizado

pela fábrica em março de 2005

havia mostrado, entre outras coisas,

que era crescente o número

de trabalhadores com problemas

financeiros. Já nos três primeiros

meses do ano, a quantidade

de pedidos de adiantamento de

13º salário superava a do mesmo

período do ano anterior em 33%.

Além disso, o crédito facilitado

pelas financiadoras e a farta

distribuição de cartão de crédito

pelas administradoras, mostrou

também a pesquisa, levaram a

um consumo desenfreado de produtos

supérfluos. E, agravando a

situação, ao lado desses problemas,

a ausência de planejamento

do orçamento levava as famílias

ao descontrole financeiro.

Desde o ano passado, a empresa

mantinha, com a colaboração

do SESI paulista, um programa de

administração de renda familiar

para ajudar seus empregados a

organizar melhor as despesas.

CURSOS E PALESTRAS

O diagnóstico realizado em

março mostrou, no entanto, segundo

Celso Souza, consultor

de Recursos Humanos da Caterpillar,

que era preciso reforçar

o trabalho. A empresa decidiu

ampliá-lo e criou o programa

Mais Família, realizado em período

integral e que aborda diversos

assuntos.

Ao constatar que a realidade

financeira dos trabalhadores

da Caterpillar se aplicava a boa

parte dos empregados da indústria

paulista, o SESI São Paulo

também tomou uma iniciativa e

lançou em agosto a primeira edição

da cartilha Administre Melhor

o seu Dinheiro, com tiragem de

10 mil exemplares. “Mas devido

à demanda, já estamos prevendo

FOTO: DIVULGAÇÃO

Souza: pesquisa e

diagnóstico para

ajudar funcionários

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FINANÇAS

FOTOS: SESI/SÃO PAULO

A partir da esquerda: Denise Kawaguti, Maria

Inês Martini Pineda e Maria Luiza, da Diretoria de

Desenvolvimento Sociocultural do Regional

Cursos promovidos pelo DR: cresce

interesse pelo assunto

a impressão de novos exemplares”,

diz Maria Inês Martini Pineda,

assistente da Diretoria de

Desenvolvimento Sociocultural

do SESI São Paulo.

“Trabalhávamos com material

elaborado a partir de outras

cartilhas; agora, temos nossa

própria cartilha”, afirma Maria

Inês. O principal objetivo da

nova cartilha é ajudar as pessoas

a alcançar a paz financeira, manter

as contas sob controle e até

poupar para concretizar sonhos

e objetivos. O SESI-SP ministra

cursos de quatro horas e palestras

de uma hora e meia sobre

o assunto, durante os quais são

distribuídas as cartilhas.

O programa remodelado da

Caterpillar passou a dar ênfase

ao material e à palestra sobre

o tema Administração de

Renda Familiar, ministrado por

um especialista do SESI. “O

assunto é importantíssimo e

a cartilha, com texto bem explicado

e ilustrações, passou

a ter destaque na nova versão

do nosso programa”, diz o consultor

de Recursos Humanos da

Caterpillar. Em 28 páginas, a

cartilha apresenta 27 capítulos

sobre os mais variados temas,

entre os quais Aprenda a

Economizar, Como sair do Vermelho,

Equilíbrio Financeiro e

Planejamento Familiar.

“Procuramos passar a mensagem

de que a associação do

dinheiro e felicidade não depende

do quanto você ganha,

mas de como você gasta”, explica

Maria Inês.

POUPANÇA

Consultores financeiros também

dão suas dicas, como a de

que “poupar com sabedoria e

gastar com prudência deve ser a

meta do consumidor”. O ensinamento

arrebatou o controlador

de logística da Caterpillar, Marcos

Aurélio Rodrigues, que participou

em agosto da primeira versão do

programa Mais Família.

O que mais chamou sua atenção

foram dicas sobre poupança.

“Tenho um enteado que não

tem plano de saúde e aprendi

que preciso guardar dinheiro,

porque imprevistos ocorrem e

se ele adoecer temos de ter uma

reserva”, diz o trabalhador.

A cartilha ajuda a fazer uma

fotografia da situação financeira

do trabalhador, explica Maria

Inês, permitindo que ele perceba

onde estão seus gastos. É

isso o que também mostram os

depoimentos dos trabalhadores:

“As pessoas comentam que passaram

a administrar melhor o

que ganham depois de assistir à

palestra”, afirma Santos.

Os Correios de São Paulo

também vão utilizar a cartilha

Administre Melhor o seu Dinheiro

em duas iniciativas do Projeto

Gestão do Orçamento Familiar,

desenvolvido pela instituição

para sensibilizar seus empregados

sobre a necessidade de

gerenciar o orçamento para

garantir o equilíbrio financeiro

individual e familiar. “A parceria

com o SESI foi fundamental

devido à sua área de abrangência,

pois, assim como os

Correios, o SESI está presente

em todo o interior do Estado

de São Paulo”, diz Salete Aparecida

Doretto Ferreira, chefe

da Seção de Serviço Social e

Cidadania. “A parceria com uma

única instituição e sua credibilidade

também foram fatores

primordiais para a efetivação

desse trabalho”, completa.

O SESI participa de dois

subprojetos dos Correios no Estado.

Um deles é o Acertando

as Contas, que dá orientação

sobre como administrar o orçamento

familiar, no qual será

utilizada a cartilha Administre

Melhor o seu Dinheiro. Entre

outubro e novembro, profissionais

do SESI vão ministrar pelo

programa 88 palestras a 2,4 mil

trabalhadores de 583 municípios,

cerca de 20% do efetivo

do regional dos Correios no interior

de São Paulo, que é de 12

mil pessoas.

O outro programa dos Correios

que conta com a participação

do SESI é o Gerando Renda,

cujo objetivo é contribuir para

melhorar o orçamento doméstico

dos empregados oferecendo

cursos de produtos, como bolsas,

bijuterias, minijardim, fusing

(bijuteria em vidro reciclado),

pintura em seda, bordado

em pedraria, entre outros. Além

de ensinar a fazer, os cursos do

programa – que vão de julho a

setembro – orientam também

como vender, produzir embalagem

e divulgar as criações.

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REGIONAL

Democratização

da informática

Curso de inclusão digital dá novas perspectivas aos

trabalhadores de Mato Grosso do Sul

FOTO: SESI/MATO GROSSO DO SUL

O Departamento Regional investiu em instalações com laboratório moderno para substituir sala de aula tradicional

No ano passado, Carlos Roberto

Ferreira, 34 anos, operador de

empilhadeira, da Bunge Alimentos,

em Campo Grande (MS), nem

se aproximava do computador,

tanto medo tinha de cometer algum

erro e prejudicar a produção.

Menos de um ano depois, Ferreira

utiliza o computador e manuseia

com tranqüilidade o programa de

controle de produção.

“Ele domina completamente

o sistema e faz o trabalho sem

margem de erro”, comenta Noel

Antônio Hennes, encarregado do

setor. Há seis anos na empresa,

Ferreira nunca havia utilizado

um computador antes de ingressar

no curso Inclusão Digital –

Projeto Estratégico Educação do

Trabalhador – lançado neste ano

pelo SESI Mato Grosso do Sul.

METODOLOGIA

Desenvolvido para alunos

do ensino fundamental e médio,

o curso segue metodologia

compartilhada entre aulas de

informática e educação básica.

A idéia, explica Sueli Tavares da

Silva, coordenadora-geral das escolas

do Departamento Regional

e responsável pelo programa,

nasceu da necessidade de oferecer

aos alunos do curso de Educação

de Jovens e Adultos (EJA)

acesso às novidades tecnológicas

e também de ministrar aulas

mais atraentes, nas quais eles

fossem estimulados a participar

mais das atividades escolares.

“Além disso, estamos preparando

melhor o aluno para disputar o

mercado de trabalho”, diz.

Para atender 900 alunos neste

ano, o Regional investiu em

laboratórios de informática equipados

com máquinas de última

geração e com layout moderno.

“Substituímos a sala tradicional

por mesas com divisórias, cadei-

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FOTOS: SESI/MATO GROSSO DO SUL

REGIONAL

6

Sueli: todas as disciplinas estão integradas

às aulas de informática

RECICLAGEM

A professora de matemática

Elen Fedrigo compartilha a

mesma opinião: “Acho que essa

é uma tendência que veio para

ficar”. A professora relatou como

a inclusão da informática no enras

estofadas, CPUs prateadas e

equipamos com telões para datashow.

Dessa forma, o aluno fica

muito mais motivado”, conta

Sueli. Todas as disciplinas passaram

a ser ministradas uma vez

por semana de forma integrada

com a aula de informática.

As aulas integradas são planejadas

em conjunto pelos professores

das disciplinas tradicionais

da educação básica com os

dos cursos de informática. “Além

de aprender as funções básicas

do computador, o aluno buscará

na internet e nos programas de

informática os conteúdos das dis-

Método de ensino estimula interesse dos alunos

ciplinas”, explica a coordenadora.

As aulas são ministradas em datashow

e o desempenho dos alunos

é avaliado de forma sistemática.

“Essa metodologia de ensino

foi uma novidade muito positiva”,

diz o professor de informática

Gustavo Martins Pereira. Com

os outros professores, ele planeja

os sites e programas para serem

indicados aos alunos em sala de

aula. “Se a aula é de gramática,

por exemplo, acessamos juntos

os sites para fazer os exercícios”,

explica. A pedagogia e a metodologia,

diz, provocam estímulos

nos alunos. “Eles ficam muito

mais interessados e demonstram

muito mais sede de aprender”,

observa. Para o professor, esse

modelo de ensino inovador deverá

ser seguido pelas instituições

de ensino, tanto do setor privado

quanto do público. “A tendência

é que as escolas partam para

esse modelo”, afirma.

sino básico tornou mais interessante

um projeto de reciclagem

que vinha sendo desenvolvido

por todos os estudantes da escola

do SESI onde trabalha. “Era um

projeto amplo para ser apresentado

na Federação das Indústrias

e, como professora de matemática,

produzi com meus alunos,

durante as aulas de informática,

gráficos, taxas e tabelas referentes

à produção de lixo, tempo de

reciclagem dos produtos, entre

outros indicadores, que ficaram

muito mais interessantes com a

ajuda do computador e da internet”,

relata.

Para muitos alunos trabalhadores,

como Ferreira, o curso de

Inclusão Digital ofereceu a primeira

oportunidade de utilizar

um computador e pode representar

uma promoção de cargo.

“Esse é o meu plano para o futuro”,

diz.

Eliezer Nogueira de Souza,

38 anos, operador de caldeira,

empregado da Bunge Alimentos

de Campo Grande há 17 anos,

tem o mesmo sonho. “Quero fazer

novos cursos e conseguir um

cargo melhor”, afirma. Até 10

meses antes, quando ingressou

no EJA, ele nunca havia ligado

um computador. Souza pretende

aplicar o aprendizado não só no

trabalho, mas também em casa.

“Aprender com o computador

ajuda muito. Pretendo usar em

casa com a minha família, pois

acho muito útil na vida pessoal

e profissional.”

A expectativa de Sueli é levar,

até 2006, o curso de Inclusão Digital

ao Educação do Trabalhador,

que tem 3 mil alunos. Para isso,

ela pretende contar com a unidade

móvel, para ministrar as aulas

nos locais de trabalho. “Vamos

levar o curso às fábricas no próximo

ano”, afirma.

Os equipamentos e as salas

de aula estão sendo usados em

cursos de informática básica para

pessoas da comunidade e aos sábados

para professores do SESI.


ENTREVISTA

A escola ideal

“Devemos considerar os quatro pilares da educação: aprender a ser,

aprender a aprender, aprender a fazer e aprender a conviver”

Heber Xavier, superintendente do SESI Mato Grosso do Sul

Jornal SESI Nacional

- O que representa para o

Regional de Mato Grosso

do Sul o programa de Inclusão

Digital?

Heber Xavier - É de

suma importância para

dar continuidade à educação

do trabalhador, pois é

articulado com o ensino

básico e fundamental.

É a oportunidade para o

aluno de elevar a escolaridade

e dominar um conhecimento

que é imprescindível

para a inserção

no mercado de trabalho.

SN - Quais são as prioridades

do Regional?

Xavier – É atender bem

as empresas e os usuários

dos serviços, manter o padrão

de qualidade e melhorar

cada vez mais as ações

relacionadas com as atividades-fim em saúde, educação,

esporte, cultura e lazer.

SN - Quais os objetivos para a área da educação?

Xavier - Oferecer ao aluno trabalhador ensino de

qualidade, utilizando as mais modernas tecnologias

em busca de novos conhecimentos. Oferecer formação

continuada aos professores com cursos da UniSESI, preparando-os

para desempenhar melhor a função de educador.

Otimizar o uso dos laboratórios de informática

das escolas com cursos para a comunidade em geral,

buscando a auto-sustentabilidade e fortalecendo a visão

de negócios do SESI.

SN - Qual é o sistema ideal de educação?

Xavier - Aquele que forma pessoas ativas, flexíveis

e criativas, capazes de acompanhar a rápida evolução

do mundo. As concepções utilitaristas da educação foram

sendo substituídas aos poucos por visões mais humanistas.

Para pôr em prática esses valores devemos

considerar os quatro pilares da educação: aprender a

ser, aprender a aprender, aprender a fazer e aprender a

conviver. Aí teremos a escola ideal, aquela que almeja-

FOTO: SESI/MATO GROSSO DO SUL

mos para nossos alunos,

filhos e netos.

SN - Quais as principais

necessidades da

indústria e do industriário

no Estado?

Xavier – É a qualidade

de vida do trabalhador

que, além de

propiciar ao ser humano

as condições mínimas

para uma vida saudável

e digna, é fator primordial

para o aumento da

produtividade da indústria

e o desenvolvimento

social. Para alcançar

essa qualidade de vida

precisamos de ações integradas.

O ser humano

precisa do esporte para

ter saúde e de cultura

para educar-se.

SN - Como o SESI poderia

colaborar para atender a essas necessidades?

Xavier - Estamos capacitando uma equipe com

curso de especialização oferecido pela UniSESI, em

parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro,

para prestar consultoria em responsabilidade

social empresarial. Pretendemos, com os profissionais

capacitados, realizar ações nas empresas, analisar

e diagnosticar as necessidades específicas de

cada uma delas, para oferecer soluções integradas

que garantam a conquista de qualidade de vida para

o trabalhador e conseqüentemente aumento na produtividade

das empresas.

SN – Como o senhor vê o SESI no futuro, em sua

atuação em todo o País?

Xavier – Vejo o SESI em intensa atividade, exercendo

suas competências, em posição de destaque da

vanguarda social do Brasil. O SESI chegou antes e está

na frente, promovendo a qualidade de vida do trabalhador,

incentivando a gestão socialmente responsável da

indústria e contribuindo para o autêntico, o verdadeiro

desenvolvimento sustentável do País.

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PESQUISA

Retrato do Brasil

Levantamento realizado pelo SESI Nacional será base para

ações visando à melhoria das condições de trabalho

Castro, do grupo

de mais de três

salários mínimos:

curso do SENAI,

quatro promoções

e crescimento

profissional

O Perfil do Trabalhador Formal

Brasileiro, realizado pelo

Departamento Nacional do

SESI e divulgado no início de

outubro, contém informações

relevantes que poderão contribuir

para melhorar a qualidade

de vida do trabalhador. Essa

é a expectativa de técnicos e

especialistas que analisaram a

pesquisa. As informações serão

utilizadas na elaboração

do Plano Estratégico 2006 do

SESI Nacional e os responsáveis

pelo estudo esperam que

empresas e instituições brasileiras

também usem o levantamento

para planejar suas

ações e projetos sociais.

“O SESI deverá redirecionar

recursos utilizados na alfabetização

para o ensino médio integrado

com educação profissional

do SENAI”, diz Rui Lima do Nascimento,

diretor-superintendente

do SESI. Essa é uma das iniciativas

que, segundo o resultado da

pesquisa, se mostram necessárias

para avançar no nível de escolaridade

do trabalhador brasileiro.

INCLUSÃO

O número de trabalhadores

analfabetos na indústria brasileira

diminuiu 30% entre 2001 e

2003, essa é uma das conclusões

positivas apontadas pelo levantamento.

“Uma das hipóteses

para essa queda é a inclusão

de 1 milhão de trabalhadores

no programa SESI Educação do

Trabalhador”, avalia Alex Mansur,

coordenador da Unidade de

Pesquisa, Avaliação e Desenvolvimento

(PAD) e assessor da superintendência

do DN.

O estudo mostra que, em

2003, a indústria empregava

5% mais do que dois anos antes

e que o industriário brasileiro

tinha em média 34 anos,

ganhava até três salários mínimos

e era, na sua maioria, 76%,

do sexo masculino. Além disso,

78% estavam empregados na

indústria de transformação e

15% na construção civil.

FOTO: VICTOR LOFÊGO

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FOTOS: MIGUEL ÂNGELO

O Perfil do Trabalhador

traz dados regionalizados, que

abrangem não só os industriários,

mas todos os empregados

formais do País. Um dado

importante a considerar: do

total de 6,8 milhões de industriários

brasileiros, 37% ainda

demandam ensino fundamental

e 30%, o ensino médio. “Os números

mostram que é preciso

investir em ensino fundamental

e ensino médio”, explica Goretti

Pinho, gerente de Educação de

Jovens e Adultos do Departamento

Nacional.

Esse resultado indica que

o programa Educação Básica e

Educação Profissional Articulada

SESI/SENAI é uma iniciativa

acertada, e deve ser reforçada.

O programa permite que alunos

de diversas regiões do País concluam

de forma simultânea o

ensino médio e o curso técnico.

Goretti: é preciso investir

no ensino fundamental e

no médio

Souza: as informações poderão

ser usadas pelas empresas

MUNICIPALIZAÇÃO

Outras indicações da pesquisa,

enfatiza Goretti, podem

contribuir para o aperfeiçoamento

das estratégias de ação

do SESI nos próximos anos. “O

estudo mostra, por exemplo,

que no Nordeste há uma concentração

de trabalhadores nas

pequenas indústrias”, informa.

“Concluímos, então, que as atividades

têm de ser previstas

para ir até onde as empresas

estão”, avalia.

Para Mansur, a municipalização

dos dados da pesquisa

é a importante novidade do

levantamento. Foram pesquisados

5.500 municípios dos

5.560 existentes no País, segundo

dados do IBGE. “É possível

chegar até os municípios

e ter um norte do que acontece

na indústria em relação

a educação, faixa etária e gênero”,

diz. “A pesquisa fornece

muitos elementos para ser

analisados”, acrescenta.

Com a municipalização dos

dados é possível saber, por exemplo,

que o Estado de Tocantins

tinha 146,19 mil trabalhadores

com carteira assinada em 2003.

A cidade de Joinville, maior pólo

industrial de Santa Catarina,

empregava 118,24 mil pessoas,

das quais apenas 347 eram analfabetas.

É possível saber ainda

que em Carrapateira, município

da Paraíba, 11% dos trabalhadores

formais são analfabetos e

que 99% deles ganham entre um

e três salários mínimos.

Essas informações podem ser

utilizadas por empresas de diversos

segmentos. “Os empresários

têm nessa pesquisa tudo para

melhorar o perfil do trabalhador e

introduzir benefícios sociais”, salienta

Milton Mattos Souza, especialista

da PAD. “As informações

relativas ao nível de escolaridade

dos trabalhadores e ao tamanho

das empresas indicam que deve

ser feito um investimento crescente

no ensino médio”, avalia

a diretora de Operações do SESI,

Mariana Raposo.

Com base no cadastro da Relação

Anual de Informações Sociais

(RAIS) 2003, do Ministério

do Trabalho e Emprego, foram

pesquisados 29,5 milhões de

trabalhadores, empregados por

2,5 milhões de estabelecimentos

dos setores de extrativismo

mineral, indústria de transformação,

serviços industriais de

utilidade pública, construção

civil, comércio, serviços e outros,

formado pelos segmentos

de administração pública, agropecuária,

extrativa vegetal,

caça e pesca. As fábricas corresponderam

a 15% dos estabelecimentos,

totalizando 373,3

mil empresas.

Do universo pesquisado, 6,8

milhões trabalhavam na indústria,

o equivalente a 23% dos

empregados formais em todo o

território nacional. A maior parcela

tinha entre 30 e 39 anos de

idade, correspondendo a 29,7%

do total. Um porcentual de 21,7%

9


FOTO: SESI/BAHIA

PESQUISA

Maria Denise: volta ao ensino fundamental para

melhorar vida profissional

estava com idade entre 40 e 49

anos. A parcela mais jovem,

de 18 a 24 anos, representava

19% do total.

Em relação a 2001, o número

de trabalhadores formais cresceu

9% em 2003. Na indústria,

esse crescimento foi de 5%. O

setor de serviços, principal empregador,

concentrava 31,7%

dos trabalhadores formais. O

segundo maior empregador foi

o denominado “outros”, empregando

27,8%. A indústria

detinha 18% do total de trabalhadores

formais e o comércio,

17,3%. A maior parte dos empregos,

52,1%, estava na região

Sudeste, seguida da região Sul,

17,8%, e do Nordeste, 17,2%.

SALÁRIOS

Um dos indicadores preocupantes

da pesquisa é com relação

à renda do trabalhador. A

maioria, 59,5%, ganhava de um

a três salários mínimos. “Temos

um grande porcentual de trabalhadores

ganhando pouco”,

enfatiza Mattos. Apenas 12,3%

deles ganhavam entre cinco e

10 salários mínimos.

A maior concentração de empregados

com baixo rendimento

estava na região Nordeste, com

41,7% recebendo até um salário

mínimo. Na região Sudeste, o

porcentual era de 34% e no Sul,

de 11,9%. O Sudeste apresentava

maior concentração

de trabalhadores

com renda um pouco

maior, de um a três

mínimos. O porcentual era de

49%. No Nordeste, o porcentual

de trabalhadores formais com

essa renda era 19%, o mesmo

da região Sul.

A maior parcela de trabalhadores,

42,4%, havia concluído

ou cursava o ensino fundamental;

outros 38,1% completaram

ou estavam concluindo o ensino

médio e 18% cursavam a universidade

ou possuíam diploma

universitário. A região com

menor renda, o Nordeste, concentrava

o maior porcentual de

analfabetos: 46,7%. Mas numa

das regiões com trabalhadores

com renda mais elevada, o Sudeste,

32,7% deles eram analfabetos.

A região Sul tinha 9,1%

de trabalhadores formais sem

saber ler nem escrever. No Centro-Oeste,

o porcentual era de

6,9% e no Norte, de 4,5%.

A pesquisa traz também dados

importantes sobre a condição

feminina no mercado – quase

a metade da força de trabalho

formal brasileira. Em 2003, as

mulheres ocupavam 40% dos

FOTO: LUCIANA CARDOSO

Trabalho garantido

Embora ganhe pouco mais de um salário mínimo e só tenha conseguido freqüentar

uma sala de aula neste ano, graças ao curso oferecido pela empresa no canteiro de

obras, Luiz Alves Calixto (foto) se diz satisfeito como pedreiro na Construtora Padrão

Comércio e Incorporação de Imóveis, do Recife, que tem 49 empregados. “O que ganho

é o que as empresas da construção civil têm pago e é muito melhor do que estar desempregado”,

compara.

Aos 51 anos, Calixto está entre os 10,9% de trabalhadores que têm entre 50 e 64

anos e registro em carteira, segundo a pesquisa Perfil do Trabalhador Formal Brasileiro.

“É muito difícil arrumar emprego com mais idade, por isso para mim está bom”, diz ele,

acrescentando que “o salário é razoável. Dá para sobreviver”.

Fábio Fraga de Castro, gerenciador operacional da Metalúrgica União, em Vila Velha,

no Espírito Santo, também está satisfeito. Ele integra outro grupo, o dos 16% de trabalhadores

formais com renda superior a três salários mínimos. “Tive oportunidade de crescer

profissionalmente”, avalia Castro, recém-promovido ao cargo, com salário de R$ 943,00,

e na companhia desde 1996, quando ingressou depois de cinco meses de desemprego e de concluir no SENAI o curso de soldagem e de

interpretação de desenho.

“Já fui promovido quatro vezes”, comemora Castro, cujo próximo objetivo é cursar uma faculdade de desenho industrial. “Estudar é

o melhor caminho para se chegar a algum lugar na vida”, conclui.

10


postos de trabalho com

carteira assinada e tinham

mais escolaridade que os

homens. Entre os trabalhadores

analfabetos, elas

correspondiam a 19,3%,

enquanto os homens que

não sabiam ler nem escrever

somavam o equivalente

a 80,7% do total.

ESCOLARIDADE

Os homens eram a

maioria entre os que tinham

ensino médio completo:

51,2% ante 48,8%

das mulheres. Mas entre os

que cursavam uma universidade,

elas correspondiam

a 53,2% e os homens, a

46,8%. Entre os que tinham

um diploma universitário,

as mulheres eram

55,9% e os homens, 44%.

Apesar da baixa renda e do

nível de escolaridade aquém

do necessário para competir

no mercado, como mostra o

Perfil do Trabalhador Formal

Brasileiro, os operários vêm

se esforçando para mudar a situação

para melhor. É o caso

do carpinteiro baiano Manuel

Santos Oliveira (foto da capa),

FOTO: MIGUEL ÂNGELO

Mariana: dados apontam ensino

médio como prioridade

da Ramos Catarina, empresa de

construção de Salvador. Depois

de 20 anos longe da escola,

ele retomou os estudos neste

ano. “Tinha terminado a quarta

série, mas como fiquei parado

muitos anos tive de refazer a

quarta para poder recomeçar

e já fiz a quinta”, diz. Aos 36

anos, com o ensino fundamental

incompleto e renda entre

um e três salários mínimos,

Oliveira tem exatamente

o perfil do trabalhador

formal brasileiro.

Ele está consciente

das dificuldades e dos desafios

a serem vencidos.

“As condições de estudo

são péssimas no Brasil e

por isso só na construção

civil temos 80% de trabalhadores

semi-analfabetos,

ou seja, que cursaram

apenas da primeira à

quarta série”, diz. Oliveira

também sabe explicar por

que sua renda e dos companheiros

é tão baixa: “mais

tecnologia, menos emprego

e menos renda. Mas só

quem estuda entende isso

e a necessidade de estudar

é cada vez maior”.

A renda baixa, conforma-se

o trabalhador, é melhor do que o

desemprego. “Tenho muitos amigos

desempregados”, lamenta.

Esperança, ele diz, é o que não

falta: “mesmo com todas as dificuldades,

pouco estudo, baixa

renda, o trabalhador

tem sempre a esperança

de que um dia

vai melhorar”.

FOTO: MARCELO CAETANO

Perspectivas para as mulheres

Entre os trabalhadores analfabetos, as mulheres têm participação de 19,3%, segundo a pesquisa.

Entre os profissionais com maior grau de instrução, ensino superior, elas são maioria: 57,5%.

As carreiras de Maria Denise Santos Alves, operadora de corte na Indústria de Plástico de

Salvador (Implasa), na Bahia, e da advogada Maísa Fischer (foto), gestora do Departamento

Corporativo-Jurídico da Empresa Brasileira de Compressores (Embraco), de Joinville (SC), mostram

isso na prática.

Maísa acha que as exigências para cargos mais altos são grandes e que “a mulher tem muita

garra, porque faz dupla jornada de trabalho – em casa e fora”. Maria Denise é um dos 159 empregados

da Implasa e também o retrato do trabalhador formal brasileiro: ganha pouco mais de

um salário mínimo e está completando o ensino fundamental. “Havia cursado até a quinta série

e voltei neste ano, porque quem não estuda não consegue melhorar”, diz. Estar empregada, na

opinião dela, já é uma grande vantagem. “Arrumar trabalho, hoje, é muito difícil, principalmente

para jovens e para os mais velhos”, afirma.

Para a executiva Maísa Fischer, a concorrência masculina só pesa mais quando se trata de cargos de direção. Ela ingressou na organização

em 1983, quando ainda era estudante de Direito. Trilhou uma carreira de sucesso e chegou a ocupar cargos em outras empresas do grupo.

“Só há feudos masculinos em cargos de diretoria”, ressalva. “Até o nível gerencial, a mulher caminha bem, mas no topo da pirâmide são

necessários alguns avanços”, explica. A pesquisa do Perfil do Trabalhador, na opinião da executiva, é um sinalizador importante do mercado.

“Reflete o momento da sociedade e as empresas podem utilizá-la para orientação”, avalia.

11


BAWB

Empresas responsáveis

Ações empresariais beneficiam população e trazem lucros

Rocha Loures:

aprendizagem

com os casos

apresentados

Empresas de todo o País tiveram

mais uma oportunidade

de mostrar como as ações sociais

podem trazer benefícios para

a sociedade e ao mesmo tempo

aumentar o lucro delas. Numa

iniciativa pioneira, o SESI Paraná

trouxe o Movimento BAWB

– Business as an Agent of World

Benefit (Negócios como Agentes

para um Mundo Melhor), criado

nos Estados Unidos, e que chega

à sua terceira edição no Brasil.

Com o tema Empresas que

Desenvolvem Regiões, Nações e

o Globo, a 3ª Conferência Internacional

BAWB Brasil reuniu cerca

de 600 pessoas, nos dias 6 e

7 de outubro, no Centro de Eventos

da Federação das Indústrias

do Estado do Paraná (Fiep), em

Curitiba. Na conferência, foram

apresentados 50 cases de empresas

que promoveram o desenvolvimento

sustentável e beneficiaram

a sociedade.

“O objetivo do BAWB é permitir

aprendizagem por meio dos

casos apresentados. Acreditamos

que isso dará inspiração e fará com

que os profissionais possam replicar

e levar para as suas realidades

exemplos de sucesso de responsabilidade

social empresarial”, diz

Rodrigo Rocha Loures, presidente

da Fiep e responsável pela introdução

do movimento no País.

Entre as empresas participantes,

10 são parceiras do

SESI e algumas contaram com

a participação da instituição

nas iniciativas divulgadas. Uma

delas é o trabalho desenvolvido

por jovens de empresas juniores

integrantes da ONG Aliança

FOTOS: GILSON ABREU

12


Empreendedora, de Curitiba. O

SESI investiu R$ 190 mil no projeto

para ajudar a ONG a oferecer

assessoria básica a pessoas

carentes empreendedoras e treinamento

a menores aprendizes.

“O SESI nos deu gás para ter

acesso a estrutura, conhecimento,

pessoas especializadas. Só assim

podemos deixar de pagar para

trabalhar”, afirmou Rodrigo Brito,

presidente da ONG.

Para elevar o nível de escolaridade

dos empregados da Herbarium,

laboratório fitoterápico de

Colombo (PR), o SESI levou salas

de aula para a fábrica. Cerca de

30 empregados passaram a ter

aulas diariamente após o expediente.

A medida foi fundamental

para elevar a competitividade

da empresa no mercado. “O SESI

usou sua expertise para conciliar

o ensino com a realidade da Herbarium,

pois ensinar adultos é

mais complicado. Eles precisam

do aspecto prático”, avalia Cristina

Beerends, supervisora da

Fundação Herbarium.

A fábrica da Robert Bosch,

de Curitiba, também relatou um

caso bem-sucedido de ação social

em que o SESI entrou como parceiro,

em 1999, quando José Antônio

Fares, diretor do Regional,

desenvolveu dentro da fábrica

um projeto de responsabilidade

social. Esse trabalho contribuiu

para a inauguração de uma cooperativa

de costura numa área

de invasão na comunidade onde

está instalada a empresa.

Hoje, mais de 20 mulheres,

com idade entre 23 e 65 anos,

fazem uniformes, embalagens e

camisetas para as grandes companhias

da região. “Fiz um curso

de costura organizado pelo SESI

em parceria com o SENAI para

me aprimorar e foi muito bom”,

relatou a presidente da Coopercostura,

Julieta Cerri.

A Itambé, indústria de cimentos

do município de Balsa

Nova (PR), contou com a consultoria

do SESI para mapear e

definir as necessidades

da comunidade do seu

entorno. Depois, criou

o Programa Itambé de

Participação Social, que

prioriza ações de saúde

e educação em Balsa

Nova e no município

de Campo Largo. Foram

investidos R$ 400 mil

em mais segurança nas

escolas e no acesso aos

colégios, na ampliação

da prática esportiva

entre os alunos, na

construção de postos

de saúde, laboratórios

e salas de aula. “Queremos

ver o resultado daquilo que

fazemos, por isso construímos o

que as comunidades mais precisam”,

explicou a assessora de Comunicação

Rosemeri Ribeiro.

PARCERIAS

A Cal Hidra, fabricante de insumos

para construção civil do

município de Almirante Tamandaré

(PR), onde o SESI mantém

uma escola de alfabetização e

do ensino médio, desenvolve o

projeto A Construção da Prosperidade

Sustentável (Guemba),

destinado a valorizar e elevar a

auto-estima de profissionais da

construção civil. Uma das iniciativas

é o Clube de Incentivo

Hidra, com 12

mil associados no Paraná,

em Santa Catarina

e no Rio Grande do

Sul, Estados nos quais

a empresa atua. Entre

os benefícios oferecidos

ao sócio está o

cartão/chaveiro, que

dá direito a descontos

em produtos e serviços

para o trabalhador e

sua família.

Julieta: trabalho

depois de curso de

costura promovido

pelo SESI

Cristina: o SESI conciliou ensino

com a realidade da Herbarium

A Petrobras, uma das principais

parceiras do SESI no Paraná,

mantém diversos programas voltados

para o seu entorno. Um deles

é o Petrobras na Comunidade,

destinado a despertar a consciência

ambiental. O projeto atende

moradores das regiões ribeirinhas

das cidades de Araucária,

Balsa Nova, Contenda, Curitiba

e Porto Amazonas. A Companhia

Paranaense de Energia (Copel),

outra importante parceira da

instituição no Estado, apresentou

na conferência o Programa

Tributo do Iguaçu, que atende

500 crianças e jovens em situação

de risco.

13


CULTURA

Dança Pará

Festival do SESI transforma chão de fábrica em palco

Mais de mil bailarinos de

todo o Brasil participaram do

14º Festival do SESI Dança Pará,

promovido pelo Departamento

Regional, de 1º a 7 de outubro,

no Teatro Gabriel Hermes,

do SESI. No programa, ao lado

de performances competitivas e

não-competitivas, foram realizados

debates sobre dança, oficinas

e apresentações especiais

fora do teatro. O Dança Pará

2005 atraiu um público de mais

de 30 mil pessoas.

Grupos de balé clássico, de

dança moderna, contemporânea,

de rua, de salão, da terceira

idade, folclórica e popular,

além de sapateado e de

jazz, participaram das

apresentações competi-

tivas. “Uma das características

mais marcantes do Dança Pará é

reunir profissionais e amadores.

Por exemplo, não fazemos préseleção

para as mostras competitivas”,

explica Maurício Quintairos,

coordenador do festival.

“Nossos artistas precisam de

espaço para mostrar o trabalho

e o festival tem entre seus objetivos

promover esses artistas

e investir na formação de novos

bailarinos”, diz.

PÚBLICO

“Uma das missões do Dança

Pará é o investimento em cultura,

sem deixar de lado o público-alvo

do SESI, que são os

trabalhadores da indústria. Para

isso, contamos com o Circuito

FOTOS: HAMILTON PINTO

14


de Dança, que faz parte

do festival e leva alguns

grupos para apresentações

dentro de empresas

de Belém”, conta José

Olímpio, superintendente

do Regional.

Neste ano, a empresa

visitada foi a Albras - Alumínio

Brasileiro, instalada

em Barcarena, município

da Região Metropolitana

de Belém. As apresentações

para os funcionários

foram durante o horário

do almoço.

“As indústrias têm se

empenhado para aproximar

os trabalhadores das

manifestações artísticas.

Há empresas que já realizaram

concursos entre

os empregados para selecionar

dançarinos para o Dança Pará”,

conta Quintairos. Na edição

2005, algumas atrações foram

levadas para apresentações públicas

no Coliseu das Artes, no

Espaço São José Liberto, ponto

turístico de Belém.

Quintairos, à esquerda: nossos artistas precisam de espaço.

Olímpio, à direita: investimento em cultura incluindo os

trabalhadores da indústria

HOMENAGEM

A ‘Noite Waldemar Henrique’,

que lembrou o centenário de nascimento

do maestro paraense,

encerrou o festival, que também

homenageou Mestre Verequete,

um dos ícones do carimbó, ritmo

tradicional paraense.

Entre os participantes convidados

deste ano para ministrar

oficinas estavam os coreógrafos

e bailarinos: Fernando

Machado, Eloy Rodrigues e Ana

Botosso, de São Paulo, balé

clássico; Alessandra Fioravante,

de São Paulo, e Ana Andréa,

do Rio de Janeiro, dança

moderna; Caio Nunes, do Rio

de Janeiro, jazz; Rogério Mendonza

e Renata Peçanha, ambos

do Rio de Janeiro, salsa e

zouk. Além da oficina de balé

clássico, Ana Botosso conduziu

a de dança teatro e Fernando

Machado, a de improvisação.

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ESPAÇO INTEGRADO

IEL

A serviço da produção

SENAI

Geração de renda

FOTO: DIVULGAÇÃO

Pesquisa inédita que está sendo desenvolvida pela Fiat, em

Minas Gerais, estuda como reduzir a interferência das ondas

eletromagnéticas nos componentes dos veículos que produz.

Para isso, buscou parceria com mestres e doutores das universidades

de Brasília (UnB), Federal de Minas Gerais (UFMG),

Pontifícia Universidade Católica (PUC-MG) e do Centro Federal

de Educação Tecnológica (Cefet-MG), além do apoio do Centro

de Pesquisa da empresa em Turim, na Itália.

As pesquisas são realizadas na própria empresa e nos

laboratórios que estão sendo montados por ela nas universidades

parceiras, informa Gilmar Laigner de Souza (foto), responsável

pelo setor de Engenharia Experimental e Eletrônica

da Fiat. Os resultados serão conhecidos em dois anos.

Para a Fiat, a solução inovadora que sairá desse trabalho

será maior competitividade. Para as universidades,

será um avanço para o desenvolvimento de novas linhas

de investigação – prova disso é que, até agora, o projeto

já se desdobrou em seis teses de mestrado e doutorado.

A iniciativa da Fiat tem, ainda, uma vantagem adicional:

está sendo considerada um modelo para a associação entre

universidades e empresas tendo como objetivo o desenvolvimento

tecnológico.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e

Tecnológico (CNPq) apóia o projeto com o Programa de Capacitação

de Recursos Humanos para Atividades Estratégicas

(RHAE), que utiliza recursos do Fundo Verde–Amarelo

(interação universidade-empresa) para financiar pesquisadores

em áreas consideradas estratégicas para a Política

Industrial e de Comércio Exterior. Essa iniciativa estimulou

o CNPq a alterar as normas para concessão de bolsas para

mestrandos e doutorandos com verba do RHAE para custear

teses dentro das empresas.

Criado em 1977 para levar

educação profissional aos

municípios onde o SENAI não

tem unidades físicas, o Programa

de Ações Móveis Educação

Profissional (PAM-EP) alcança

os mais distantes pontos do

território nacional e transforma

o cenário socioeconômico

das comunidades, melhorando

a qualidade de vida da

população mais carente ao

contribuir para a geração de

emprego e renda, como o artesanato

da foto.

O PAM-EP vai além do ensino

de uma ocupação, pois

prepara as pessoas para atuar

em atividades produtivas com

autonomia, desenvolvendo

habilidades como raciocínio

lógico e aplicação de recursos

materiais e financeiros.

A formação dos alunos

atende necessidades e vocação

das comunidades. A

facilitação ao transporte do

conhecimento é fundamental

nesse programa. Normalmente,

o espaço físico para

FOTO: ROBESPIERRE GIULIANE

a montagem dos cursos é cedido

pela prefeitura ou pela

igreja local e outros espaços

são oferecidos por empresas,

ONGs e sindicatos.

Os resultados positivos

desse programa refletem a eficaz

atuação dos mais de 450

Agentes de Educação Profissional

do SENAI, em todo o Brasil.

Eles são docentes formados

pela instituição e qualificados

para desempenhar as funções

de educador, estimulador e

consultor na criação de microempreendimentos.

Esses agentes

devem ter contato com a

comunidade, empatia com o

ambiente, conhecer as necessidades

locais e participar efetivamente

da implantação e da

manutenção do programa.

O melhor do PAM-EP é ser um

programa que supera todos os

tipos de obstáculos e que pode

ser implantado em qualquer localidade

carente de educação

profissionalizante, sempre com

o objetivo de promover a prática

de responsabilidade social.

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