continuamente - Canal : O jornal da bioenergia

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continuamente - Canal : O jornal da bioenergia

LEI RESTRINGE PLANTIO

DE CANA-DE-AÇÚCAR

GRANOL COMEÇA A

PRODUZIR BIODIESEL

OS AVANÇOS DA

AGRICULTURA DE PRECISÃO

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Elo entre cidadania

e negócios


Carta

do editor

O ser humano é o foco.

08 RESTRIÇÃO À CANA

08

Prefeitura de Rio Verde, em Goiás,

limita em 50 mil hectares a área

destinada ao cultivo de cana.

Intervenção do município causa

reação do setor produtivo

06 AGRICULTURA DE PRECISÃO

Tecnologia corrige variações de

produtividade, mas requer

informações confiáveis e de

qualidade para que proporcione

os resultados esperados

As relações de trabalho nas empresas entraram

definitivamente em uma nova era. Afinal, já vai

longe o tempo em que valorizar o ser humano,

oferecer condições de trabalho dignas e investir

na qualidade de vida dos funcionários eram exceções

à regra.

Hoje, os exemplos de responsabilidade social

nas organizações se multiplicam de forma acelerada,

agregando valor aos produtos e serviços.

Isso tem feito toda a diferença na área comercial,

influenciando inclusive na conquista de

novos mercados.

Nessa edição do CANAL trazemos uma reportagem

especial sobre as inúmeras ações sócio-ambientais

que as empresas do setor sucroalcooleiro

vêm desenvolvendo nessa área. Um quadro que tem

ajudado a mudar a imagem, muitas vezes preconceituosa,

que a sociedade tem dos produtores de

açúcar e álcool.

Outro destaque é o início da produção de

biodiesel a partir da soja na esmagadora Granol,

sediada na cidade de Anápolis, em Goiás.

A edição também aborda a decisão polêmica da

prefeitura de Rio Verde, que decidiu restringir a atividade

canavieira no município. A lei, aprovada pela

Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito

Paulo Roberto Cunha, abre uma discussão sobre zoneamento

de culturas nas regiões agrícolas e está

deixando os empresários do setor apreensivos.

Uma boa leitura, um Natal de paz e que o ano de

2007 seja de muita energia para todos nós.

Energia limpa e renovável, é claro.

16 GRANOL INICIA PRODUÇÃO

A Granol, indústria de óleos vegetais

instalada no município de Anápolis (GO)

é a primeira a produzir biodiesel no

Estado em grande escala. Os

investimentos são da ordem de

R$ 40 milhões

12 RESPONSABILIDADE SOCIAL

Empresas investem em ações sociais

e ambientais como diferencial

competitivo, conquistam boa imagem

na sociedade e ganham na qualidade

das relações com públicos

interno e externo

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CANAL – novembro/dezembro de 2006

3


ENTREVISTA - André Luís Tomazela

Desafios da pesquisa

MELHORAMENTO DA CANA REQUER TECNOLOGIA E TEMPO PARA O LANÇAMENTO DE NOVAS

CULTIVARES, MAS RESULTADOS JUSTIFICAM ESFORÇOS E INVESTIMENTOS

• Evandro Bittencourt

Supervisor da Estação Experimental de

Conchal, da CanaVialis, André Tomazela

fala ao CANAL sobre o desafio de desenvolver

variedades de cana com as características

mais desejáveis para o mercado. O pesquisador é

o responsável pela coordenação das atividades

realizadas na unidade, referentes ao Programa

de Melhoramento Genético CanaVialis e ao processo

de produção de mudas. A empresa de pesquisa

é o fruto de uma parceria entre a Votorantim

Novos Negócios e um grupo de cientistas

responsáveis pelo desenvolvimento das variedades

RB, que hoje cobrem mais de 50 por cento do

Sudeste brasileiro.

CANAL - Quando começou o programa de

melhoramento e como foi sua estruturação?

André Luiz Tomazela - O programa de melhoramento

genético da CanaVialis foi iniciado

em 2003 e, desde então, foram montadas

macro-estações em diversas localidades

do Brasil, nos estados do Paraná, São

Paulo, Minas Gerais, Alagoas e Maranhão.

Quais são as principais atividades desenvolvidas

pela empresa?

Tomazela - A principal atividade da Cana-

Vialis é fazer o melhoramento genético da

cana-de-açúcar, o que envolve diversas

etapas de seleção. Trabalhamos inicialmente

com um volume grande de materiais e,

no decorrer dessas fases, esse número vai

diminuindo, ao passo que ao final de seis ou

sete anos, de 2,2 milhões de materiais trabalhados,

esperamos chegar a apenas alguns

materiais.

A empresa já lançou alguma variedade no

mercado?

Tomazela - A empresa ainda não tem nenhuma

variedade lançada, mas estão em fase experimental

aproximadamente 50 materiais,

que deverão ser lançados em 2009.

Quais os maiores desafios a superar para se

chegar a uma variedade comercial?

Tomazela - Em primeiro lugar, bater as variedades

atuais. O Brasil tem quatro bons

programas de melhoramento genético, eles

estão lançando suas variedades e, a cada

ano, nós temos que lançar variedades sempre

melhores que as atuais. Todos trabalham

nesse sentido, o que torna o desafio

muito grande.

Quais são as principais características que o

trabalho de melhoramento busca imprimir

nessas cultivares?

Tomazela - Hoje trabalhamos muito com critérios

de especificidade, ou seja, variedades

mais específicas para determinados ambientes

e para o início de safra, neste caso abordando

o critério precocidade e aumento do teor de

açúcar por hectare no início da safra.

Dentro desses critérios de especificidade,

quais são as maiores exigências do mercado?

Tomazela - Os materiais mais adaptados à colheita

e plantio mecanizados e variedades

mais resistentes à seca, em locais onde têm

esse problema. E como nesses lugares a cana

tem problemas de florescimento, trabalhamos

também o não florescimento dessas cultivares.

E qual a importância dada à precocidade

das cultivares no trabalho desenvolvido pela

CanaVialis?

Tomazela - É dada muita importância, pois

este é um anseio do setor, que quer a safra

começando cada vez mais cedo e se estendendo

até o mês de novembro.

Quais os avanços já proporcionados pela pesquisa

nesse sentido?

Tomazela - Inicialmente, começava-se em junho

e julho, depois maio, em seguida abril e

agora as usinas já querem começar a safra no

mês de fevereiro. O grande desafio nosso, no

que se refere à precocidade, é fazer materiais

para esse início de safra, o que é difícil, e os

programas de melhoramento têm muito poucas

variedades adaptadas com essas características.

Que vantagens as cultivares com essas características

oferecem?

Tomazela - A indústria tem uma safra mais diluída

ao longo do ano, o trabalho fica mais cadenciado

e não se tem picos de moagem muito

elevados, mas uma moagem média no decorrer

da safra. Além disso, trabalhando precocidade

tem-se um teor de açúcar mais estabilizado

no decorrer da safra, não se tem uma

curva tão pronunciada de produção de açúcar,

que começa mais baixa, tem um pico no meio

da safra e tende a decrescer. Com isso, aumenta-se

mais essa curva no início da safra


Omelhoramento

genético nunca chega ao final.

Isso porque os materiais são

dinâmicos, e também há

dinamismo em

relação às doenças que

atacam esses materiais

Qual a melhor estratégia para desenvolver um

programa de melhoramento no Brasil, um País

com características de solo e clima tão diversas?

Tomazela - Acho que o programa de melhoramento

genético da CanaVialis tem uma característica

muito boa. São seis macro-estações,

em locais bem diferenciados quanto ao

clima, solo e condições ambientais. Dessas

macro-regiões a gente espalha materiais a

partir da terceira fase de seleção para os nossos

clientes, ou seja, os nossos materiais são

desenvolvidos realmente naquelas áreas que

serão plantadas.


arquivo pessoal

4 CANAL – novembro/dezembro de 2006


Há pesquisadores que afirmam que o melhoramento

convencional de algumas espécies

vegetais, no que diz respeito a alguns

desafios específicos, como a resistência a

determinadas pragas, estaria no limite. Essa

afirmação também pode ser aplicada à cana-de-açúcar?

Tomazela - Em minha opinião, o melhoramento

genético nunca chega ao final, seja

da cana-de-açúcar ou outras culturas. Isso

porque os materiais são dinâmicos, e

também há dinamismo em relação às doenças

que atacam esses materiais. E o melhoramento

genético busca maior produtividade,

mas sempre mantendo resistência

a doenças e pragas.

E em relação às cultivares próprias para a

mecanização, há muita pressão sobre a pesquisa?

Tomazela - A pressão para o plantio e colheita

da cana-de-açúcar 100% mecanizada

é enorme. Ela ocorre na mesma proporção

que se abre uma nova fronteira, pois a grande

tendência é que elas sejam abertas com

plantio e colheita mecanizada. À medida que

se quer uma nova variedade, que se adapte

melhor à nova fronteira, àquela determinada

região, a expectativa é que ela carregue como

característica o manejo da mecanização

total, junto com a adaptação às condições

de clima da região.

Quais são as características mais importantes

para uma cultivar que possibilite essa

mecanização?

Tomazela - O que é mais elaborado e o que

exige a inteligência do programa de melhoramento

é como, em que fase e através de qual

processo você seleciona esses materiais. Para

plantios mecanizados, por exemplo, não se

pode ter o entrenó muito longo, é preciso ter

um número maior de gemas para cada cana,

uma rebrota boa de soqueira, variedades que

não sejam muito sensíveis ao pisoteio de máquinas,

que brotem bem na palha e de porte

ereto, sem decumbência. Tudo depende do rigor

que se coloca no trabalho.

Qual a disponibilidade no mercado de cultivares

com características específicas para a mecanização?

Tomazela - Todos os programas de melhoramento

estão correndo atrás disso, mas ainda

há uma carência, o que explica as demandas

das usinas. Os programas selecionaram materiais

excelentes, a curva da contribuição é extremamente

significativa, tais como a produtividade,

mais açúcar por hectare, resistência

a doenças e até algumas canas eretas, mas

esse não foi o principal critério dos programas

nos anos anteriores. Hoje é, tanto que, dificilmente,

variedades que estejam para ser lançadas

nos próximos anos não tenham sido

trabalhadas nesse sentido.

“ O Brasil tem quatro bons

programas de melhoramento

genético, e nós temos

que lançar variedades sempre

melhores que as atuais.

Todos trabalham nesse

sentido, o que torna o desafio

muito grande


arquivo pessoal

MEIO AMBIENTE

Brasil propõe receber

para não desmatar

Incentivos financeiros, como

compensações por não desmatar,

ajudariam a reduzir o

desflorestamento brasileiro e,

conseqüentemente, reduzir as

emissões dos gases do efeito

estufa. O emprego de reduções

compensadas para o

desmatamento é a proposta

brasileira que foi apresentada na

Conferência das Partes sobre o

Clima (COP 12) em Nairóbi, no

Quênia. A COP 12 reuniu no mês

passado representantes de 189

países que discutiram o que

acontecerá depois de encerrada a

primeira fase do Protocolo de

Kyoto, em 2012. A proposta é

criar um fundo mantido por

nações ricas que será usado por

países em desenvolvimento

depois de terem uma redução

demonstrada do desmatamento.

(Carbono Brasil)


AGRICULTURA DE PRECISÃO

Sucesso da tecnologia depende

da qualidade das informações

UTILIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS, POR SI SÓ, NÃO GARANTE INFORMAÇÕES SUFICIENTES E

CONFIÁVEIS PARA ALCANÇAR RESULTADOS POSITIVOS COM A AGRICULTURA DE PRECISÃO

A produtividade

depende não só das

características do terreno, mas

também de variações no

manejo da cultura

As formas de adoção da agricultura de

precisão e o potencial dessa nova tecnologia

no Brasil, em especial para a produção

de grãos na região do Cerrado, apresentam

como focos principais a busca por estratégias

mais eficientes de utilização de fertilizantes e

defensivos, insumos que correspondem à maior

parcela do custo de produção das lavouras. De modo

geral, a agricultura de precisão é vista pelos

agricultores como um conjunto de técnicas sofisticadas

que, com a utilização de equipamentos modernos

(GPS, sensores, computadores e maquinário

apropriado), permite um manejo diferenciado das

lavouras, resultando em maior rentabilidade

Para o pesquisador Álvaro Vilela de Resende,

da Embrapa Cerrados, um aspecto que muitas

vezes passa despercebido é que tudo isso se baseia

na obtenção de informações mais detalhadas

e referenciadas sobre os fatores que condicionam

a produtividade das culturas numa determinada

área. Álvaro Resende destaca que é

preciso compreender que o sucesso no emprego

dessa tecnologia depende totalmente da qualidade

das informações sobre o sistema de produção.

"É um grande erro achar que a utilização

desses equipamentos, por si só, garante informações

suficientes e confiáveis para se definir

estratégias de manejo que tragam resultados

positivos para o produtor. Diante disso, deve-se

questionar se nosso agricultor e a nossa assistência

técnica estão preparados para encarar

esse desafio da agricultura de precisão."

A ocorrência de variações de produtividade

em uma área de cultivo é o pressuposto básico

que justifica trabalhar com agricultura de precisão,

acrescenta o pesquisador Luciano Shozo

Shiratsuchi, da Embrapa Cerrados. "O ponto

chave é demarcar os locais dessas variações e

identificar as causas, para então definir a melhor

estratégia de manejo para cada local."

Álvaro Resende lembra que a produtividade

em diferentes partes de uma lavoura depende

das características do terreno (posição no relevo,

tipo de solo, textura, capacidade de retenção

de umidade, etc.), mas diferenças de

produtividade também podem ser devidas à

variações no próprio manejo da cultura, sejam

elas propositais ou involuntárias. "Portanto,

um diagnóstico das causas de variação da produtividade

será tanto mais confiável quanto

mais informações se dispuser sobre possíveis

fatores de interferência."

06 CANAL – novembro/dezembro de 2006


Planejamento dos tratos culturais

Conhecer, acompanhar e registrar se as operações relativas aos tratos

culturais - tais como o preparo de área, adubação, semeadura e

controle fitossanitário - são realizadas conforme planejado, são condições

fundamentais para esse diagnóstico. Pode haver variação de produtividade

toda vez que uma dessas operações foge do previsto, em razão

de problemas de germinação, erro de dosagem de insumos, calibragem

irregular de equipamentos, entupimento de aplicadores e época

inadequada, entre outros. Segundo Luciano Shozo Shiratsuchi, é preciso

registrar e descrever o fato e a localização da área afetada, mantendo-se

um histórico dos talhões, com maior detalhamento possível.

O agricultor, no entanto, nem sempre atenta para esse tipo de informação,

considerada tão importante quanto o próprio monitoramento

da produtividade das culturas ao longo do tempo e sem o qual o produtor

acaba por realizar o manejo às cegas, desconhecendo os reais

impactos (positivos ou negativos) das técnicas utilizadas. Os pesquisadores

da Embrapa advertem que não se pode apenas "desconfiar" que

uma maior produtividade foi decorrente, por exemplo, do plantio de semente

de melhor qualidade ou de uma adubação extra com determinado

nutriente, ou seja, é preciso ter mais certeza das relações de causa

e efeito acerca do que acontece nas lavouras.

A agricultura de precisão é uma forma de o agricultor conhecer mais

a fundo os diferentes talhões, como vêm sendo manejados e como respondem

ao manejo. Essas informações são valiosas do ponto de vista

gerencial, no dia a dia, e para compor o histórico de uso das áreas da

propriedade. Isso, por si só, já constitui um grande benefício dessa tecnologia,

porém difícil de ser mensurado em termos econômicos.

MANEJO DA FERTILIDADE DO SOLO

A agricultura de precisão tem grande potencial de desenvolvimento no

que se refere à fertilidade, mas os elevados custos com análises de solo

ainda constituem uma limitação. Esse tem sido um fator de desestímulo

para os agricultores e vem demandando pesquisas que possam indicar

alternativas de redução desses custos, sem prejuízo da eficiência.

Para o pesquisador Luciano Shozo Shiratsuchi, da Embrapa, é necessário

definir técnicas de amostragem otimizadas, que permitam reduzir

o número de amostras a serem analisadas, mas mantendo-se a confiabilidade

para a recomendação de fertilizantes de forma diferenciada

dentro do talhão. "A pesquisa em agricultura de precisão tem empenhado

grande esforço para caracterizar a variabilidade espacial dos

atributos do solo, visando estabelecer procedimentos amostrais que

garantam a representatividade das amostras coletadas numa área".

Desuniformidade na aplicação de insumos afeta produtividade

Dados sobre o manejo e histórico da lavoura são fundamentais

Registro georreferenciado das informações sobre a lavoura

fotos: álvaro resende/embrapa cerrado/stock.xching

CANAL – novembro/dezembro de 2006

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CANA-DE-AÇÚCAR

Prefeitura de Rio Verde

restringe plantio

MUNICÍPIO GOIANO CRIA LEI QUE LIMITA EM 50 MIL

HECTARES A ÁREA DISPONÍVEL PARA O CULTIVO

“ O Estado de Goiás tem mais

de 5 milhões de

hectares de áreas de

pastagens degradadas para

expansão, não há

possibilidade da cana

estabelecer concorrência

com outras culturas

Igor Montenegro, presidente executivo do Sifaeg


Um decreto que limita o cultivo da cana-deaçúcar

em 10% da área agricultável no

Município de Rio Verde, no Estado de Goiás,

ganhou projeção na mídia nacional e

causou forte reação entre os dirigentes ruralistas,

produtores de grãos, empresários e autoridades do

setor agropecuário. A decisão do prefeito Paulo Roberto

Cunha, apesar de ser considerada inconstitucional,

causou preocupação, sobretudo, aos agricultores

do município, que temem não poder contar com

uma opção de cultivo que proporcione lucros após

três safras consecutivas de crise na produção de

grãos e que gerou fortes impactos na economia regional,

com destaque para o desemprego e redução

nas vendas de máquinas e implementos agrícolas.

O prefeito afirma não temer ações judiciais contestatórias

e alega que o projeto de lei 5200/2006,

sancionado no mês de novembro, não tem o objetivo

de impedir a instalação de usinas e o plantio

de cana-de-açúcar no município, mas apenas limitar

a área ocupada pela cultura no Estado. Rio Verde

tem 500 mil hectares de área agricultável, dos

quais 50 mil serão destinados à plantação de cana,

de acordo com a nova lei.

Paulo Roberto Cunha alega que o modelo da economia

do município, baseado na produção de grãos,

principalmente a soja, está sendo formado há mais

de 50 anos e a chegada da cana pode desestruturar

o complexo produtivo com a perda de área para a

cana e a revisão de investimentos ou mesmo a retirada

de empresas como a Perdigão, que já manifestou

ao Governo do Estado a sua preocupação com

uma possível escassez de matéria-prima. "Não podemos

permitir que 6 mil toneladas de soja deixem

se ser esmagadas diariamente em Rio Verde", argumenta.

Para o prefeito, a chegada desordenada da

cana-de-açúcar também poderia prejudicar os armazenadores

de grãos e o comércio local.

clic digital

08 CANAL – novembro/dezembro de 2006


Cultura ainda ocupa área reduzida no Estado de Goiás

Para o presidente executivo do Sindicato das Indústrias

de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás,

Igor Montenegro Celestino Otto, não há argumentos

que justifiquem a restrição do plantio da

cana no Município de Rio Verde ou em qualquer outro

município. O dirigente destaca que as 18 culturas

principais exploradas no Estado de Goiás ocupam

4 milhões de hectares, dos quais a soja responde

por 61% desse total, seguida pelo milho, com

17%. A cana-de-açúcar aparece em terceiro, com

apenas 7% da área cultivada.

"Até o ano passado, a área plantada com canade-açúcar

estava atrás até do sorgo. É uma área

muito pequena e mesmo com toda a expansão, se

chegarmos a dobrar essa área, ainda assim ela será

menor do que a ocupada pelas outras culturas."

Igor Montenegro lembra que o Estado de Goiás

tem mais de 5 milhões de hectares de áreas de

pastagens degradadas para a expansão, e que não

há possibilidade da cana estabelecer concorrência

com outras culturas.

O presidente executivo ressalta os ganhos sociais

e econômicos nos municípios que recebem investimentos

do setor sucroalcooleiro. "A média de formalidade

na área agrícola no Brasil é de 45%, enquanto

no nosso segmento é de 82%, no País, e

quase 100% em Goiás, conforme constatou a Delegacia

Regional do Trabalho no Estado."

Igor destaca que os trabalhadores do setor sucroalcooleiro

são garantidos por uma convenção

coletiva de trabalho, benefício que a maioria dos

trabalhadores do interior do País não tem.

Ele cita levantamento do Governo Federal, em

que os rendimentos médios apurados na área

agrícola do setor sucroalcooleiro são 86% maiores

que o dos trabalhadores agrícolas em geral do

País e 46% acima do que recebem os trabalhadores

da indústria.

Na área industrial, compara o presidente-executivo

do Sifaeg, o setor paga 29% acima da média de

salários pagos pela indústria brasileira. "Com a área

plantada de 5,6 milhão de hectares no País, o nosso

faturamento supera R$ 30 bilhões e tem um superávit

comercial de US$ 6 bilhões. Ou seja, nenhum

outro segmento consegue, numa área pequena,

proporcionar um retorno tão grande, nem mesmo a

soja, que ocupa 21 milhões de hectares no País."

Igor Montenegro entende que a medida adotada

pela prefeitura de Rio Verde é injustificável. "É um

absurdo, pois a atividade sucroalcooleira gera mais

de 1 milhão de empregos diretos e mais de 3 milhões

de empregos indiretos. A cana é sempre processada

em nossa região, agregando valor ao produto, para a

comercialização interna e exportação.“

O presidente executivo do Sifaeg está indignado

com a intervenção do município de Rio Verde na

atividade agro-industrial. “O Brasil é um País democrático,

depois de muitos anos de ditadura conseguimos

a liberdade para empreender sem intervenções

estatais e a liberdade do produtor rural de utilizar

a propriedade privada certamente será respeitada

pelas instituições públicas constituídas."

Bom senso vai prevalecer, afirma presidente da UNICA

O presidente da União da Agroindústria

Canavieira do Estado de São Paulo, Eduardo

Carvalho, acredita que o bom senso sempre

prevalece nas discussões sobre o avanço da cultura

da cana-de-açúcar. "Quando assumi o cargo de

secretário da Agricultura de São Paulo, em 1979, os

técnicos da própria secretaria se mostravam preocupados

com a cultura da cana, que tomava

grande força na época por causa do Proalcool,

temendo que a agricultura acabasse em São Paulo.

E tanto tempo depois a gente vê que a cultura de

grãos só cresceu no estado, e a da cana também."

Quanto ao argumento de que a cultura da cana

concentra renda e empobrece o município, o presidente

considera um absurdo. "Os municípios mais

ricos de São Paulo são os grandes produtores

sucroalcooleiros. A atividade sucroalcooleira

emprega mais gente, paga melhor do que a cultura

de grãos e do que a pecuária de corte. "O

dirigente ressalta que a cultura da cana tem o

diferencial de ser grande empregadora de mãode-obra

e de ter mais de 95% de seus trabalhadores

com carteira assinada, porcentual bem

superior ao das demais culturas.

SETOR AGRÍCOLA

O presidente da Comissão de Grãos do

Sindicato Rural de Rio Verde, George Zaidem,

teme que a restrição ao plantio da cana afugente

investimentos do setor no município.

Como possível conseqüência, ele cita a instalação

de indústrias em municípios vizinhos, que

passariam a se beneficiar da arrecadação de

impostos e demais vantagens proporcionadas

pela atividade.

O Sindicato Rural de Rio Verde, segundo George

Zaidem, não se opõe ao desenvolvimento das

atividades agrícolas de maneira disciplinada, mas

defende que para isso é preciso fazer um estudo

sócio-econômico, que contemple a diversificação

das culturas. “E não com o alarde de que a atividade

sucroalcooleira suplantará todas as demais

culturas do município.”

Para o presidente da Comissão de Grãos, os

investimentos em agroenergia são bem-vindos

pelos produtores. "Defendemos um modelo

baseado na integração, em que os produtores do

município forneçam a matéria-prima para a

indústria".


Os municípios

mais ricos de

São Paulo são os

grandes produtores

sucroalcooleiros

Eduardo Carvalho, presidente da UNICA


stock.xching

CANAL – novembro/dezembro de 2006

09


INSTITUCIONAL

Biocana amplia atuação

Em 1994, no Noroeste

Paulista, tradicional região

produtora de cana-de-açúcar, um

grupo de empresários se uniu e

fundou uma associação para

fortalecer a luta dos interesses

do setor sucroalcooleiro. Em

2006, o trabalho ganhou novas

proporções. De atuação regional,

a Associação dos Produtores de

Açúcar, Aguardente e Álcool da

Região de Catanduva passou a

ser Biocana, Associação dos

Produtores de Açúcar, Álcool e

Energia, com atuação mais

ampla, dando suporte também

às empresas do Centro Sul.

As usinas filiadas à Biocana

respondem hoje por,

aproximadamente, 9% do

esforço produtor do Centro-Sul

do País. Para a safra 2006/2007

foram destinados 440 mil

hectares entre áreas de plantio e

colheita. A Biocana tem um

grupo formado por gestores de

Treinamento e Desenvolvimento

das próprias usinas, que detecta

Sede da Biocana fica em

Catanduva, São Paulo

biocana

as necessidades de formação de

mão-de-obra técnica em todos os

setores. Além disso, as usinas

associadas mantêm convênios

com escolas técnicas para

formação de técnicos em

Análise de Produção de Açúcar e

Álcool. Já são mais de 500

pessoas profissionalizadas.

Algumas usinas custeiam até

100% dos cursos.

BARRALCOOL

Usina integrada de biodiesel e álcool

A primeira usina integrada de

produção de biodiesel, álcool

combustível e açúcar foi

inaugurada em novembro, na

cidade de Barra do Bugres, no

interior do Mato Grosso. De acordo

com o Ministério de Minas e

Energia, a usina é a terceira maior

unidade de produção de biodiesel,

entre as 14 já existentes.

A usina, da empresa Barralcool, já

produz anualmente 150 milhões

de litros de álcool e 40 mil

toneladas de açúcar. Com a nova

extensão de biodiesel, planeja

produzir, ao ano, 57 milhões de

litros de combustível,

principalmente à base de soja e

girassol. A expansão da usina

Barralcool, que já existe há 20 anos,

custou R$ 27 milhões. Desse total,

R$ 15,9 milhões vieram do FCO e

R$ 11,1 milhões de recursos

próprios da empresa.

De acordo com a assessoria de

imprensa do Ministério de Minas e

Energia, a atuação da Barralcool vai

envolver 14 municípios vizinhos e

gerar cerca de 600 empregos na

zona rural e 80 na área urbana.

radiobrás

comunicação grupo naoum

MEIO AMBIENTE

Reflorestamento recupera nascente de rio

No município de Santa Helena, Sudoeste de Goiás, um projeto ajuda

a natureza a renascer. Uma nascente, que havia secado por causa do

desmatamento das matas ciliares, volta a brotar graças a um trabalho

desenvolvido pelo Projeto de Reflorestamento com Plantas Nativas,

implantado na região pela Usina Santa Helena. As mudas são do

viveiro da Usina, com capacidade de produção de 70 mil mudas por

ano. Os resultados são o ressurgimento de grande variedade da flora e

da fauna nativas. Em Mato Grosso, as unidades Pantanal e Jaciara, que

integram o Grupo Naoum, fazem trabalho semelhante, com destaque

para a recuperação das matas ciliares e encostas e florestas nativas.


CAPA

Diferencial competitivo

EMPRESAS QUE INVESTEM EM RESPONSABILIDADE SÓCIO-

AMBIENTAL MELHORAM RESULTADOS E SE BENEFICIAM

COM PROJEÇÃO NOS MERCADOS INTERNO E EXTERNO

• Evandro Bittencourt

Aadoção e o aprimoramento de práticas

de responsabilidade social são condições

básicas para que o setor sucroalcooleiro

consolide um modelo de produção

auto-sustentável, pautado na ética e focado

na preservação ambiental, na saúde, segurança

e formação dos trabalhadores. É essa a

imagem que as indústrias brasileiras precisam

refletir para o mundo, já que os mercados externos

tornam-se a cada dia mais exigentes,

principalmente aqueles formados por países da

comunidade Européia e o Japão, nações que

demonstram grande interesse na tecnologia de

produção de etanol desenvolvida pelo Brasil.

A qualidade do tratamento dispensado aos

empregados e a maneira como as empresas

se relacionam com o meio ambiente e com a

comunidade tendem a ganhar mais e mais

importância como diferenciais competitivos

no mercado internacional. Principalmente no

caso do etanol, que já incorpora a imagem de

combustível limpo, mas que também precisa

ser reconhecido como uma commodity produzida

de maneira socialmente justa, ambientalmente

responsável e caracterizada

pela adoção de boas práticas nas relações

entre patrões e empregados. Os investimentos

em responsabilidade social tendem a se tornar

uma condição para as empresas que pretendem

manter ou conquistar novos mercados no exterior.

Nesse contexto, as certificações e a criação

de selos que identifiquem nos produtos o respeito

às normas de saúde, higiene, segurança

dos trabalhadores e atestem a não existência

de trabalho escravo ou infantil, por exemplo,

são recursos que devem ser buscados o quanto

antes, pois não tardará o tempo em que se tornarão

imprescindíveis .

Os empresários que atuam no setor sucroalcooleiro

nacional, de modo geral, demonstram

consciência em relação à importância que investimentos

dessa natureza têm no mercado

global, acredita Maria Iza Barbosa, consultora

do Núcleo de Responsabilidade Social da União

da Agroindústria Canavieira de São Paulo. "As

empresas já estão fazendo seus próprios balanços

sociais, realizando diagnósticos de todas as

suas áreas e se remoldando".

Segundo a consultora, as ações de responsabilidade

social são realizadas há mais de 100

anos. No passado, os investimentos eram realizados

por obrigação, a partir de uma taxa que

incidia sobre o açúcar e o álcool. Agora, embora

seja uma iniciativa espontânea de cada empresa,

ignorar essa questão é sinônimo de perda

de competitividade.

12 CANAL – novembro/dezembro de 2006


Diagnóstico deve preceder o planejamento das ações sociais

As ações de responsabilidade social

são implantadas ou adequadas

de forma urgente nas novas fronteiras

de expansão do setor sucroalcooleiro.

A adequação começa a

partir de um balanço, um diagnóstico

de como essas indústrias estão

posicionadas no setor em relação a

esses temas.

Em regiões onde a atividade está

consolidada, a exemplo de São

Paulo, o procedimento é basicamente

o mesmo. Maria Iza informa

que, em parceria com um programa

do Instituto Banco Mundial, foi

feito recentemente um diagnóstico

com mais de 200 perguntas, com a

participação de todas as hierarquias

de cada uma das empresas.

“Com isso, traçamos as metas para

a próxima etapa."

Valores, transparência, relações

com o público interno, com a comunidade

local, com a sociedade, com

o governo, o código de ética, as missões,

valores, como as empresas lidam

com a expressiva expansão do

setor são elementos obrigatórios

nesse diagnóstico.

Para Maria Iza Barbosa, o cuidado

com a diversidade do quadro de empregados,

por exemplo, é um aspecto

importante, ou seja, se as empresas

empregam brancos, negros, pessoas

portadoras de necessidades especiais,

com mais de 45 anos e como

lidam com cada um dos tópicos, além

do que é feito obrigatoriamente em

respeito à legislação.

Cumprir as leis é um grande passo,

mas estar além delas, realizando

ações que favoreçam o setor, o empregado

e a comunidade são iniciativas

cada vez mais valorizadas pelo

mercado. No Estado de São Paulo,

segundo Maria Iza Barbosa, o balanço

social é uma prática bastante

disseminada, o que mostra a

conscientização e a mobilização

das indústrias em relação ao tema.

Maria Iza ressalta que a sustentabilidade

não se alcança numa data

pré-determinada. "Esse equilíbrio no

âmbito ambiental e social não significa

que uma empresa vai chegar a

ser sustentável daqui a cinco anos,

por exemplo, é um processo. Quando

a gente se adequar a algumas coisas,

vão surgir novas exigências e hoje o

mercado pede essa adequação."

As empresas que compram açúcar

ou álcool auditam as indústrias sucroalcooleiras,

afirma Maria Iza.

Querem saber, por exemplo, dos cuidados

com os fornecedores, se há

trabalho escravo, infantil ou análogo

à escravidão.

Os olhos do mundo inteiro estão

voltados para o Brasil e a responsabilidade

social como critério para

definir parceiros comerciais já é

uma realidade até mesmo no Brasil.

Algumas empresas brasileiras só

estão comprando álcool e açúcar

de quem segue esses padrões.”

PRIMEIRO PASSO

A responsabilidade social deve ser

vista como um processo e, assim

sendo, o primeiro passo para iniciálo,

na visão de Maria Iza, é ter um

código de ética em que se reconheça

a conduta de uma empresa em relação

a seus empregados. Uma empresa

que se preocupa em ampliar cada

vez mais o conhecimento dos seus

colaboradores, por exemplo, demonstra

estar sintonizada com as

exigências que a competitividade do

mercado global impõe aos que nele

atuam. “Penso que há diversos outros

aspectos que também podem ser

fortalecidos, nas área de educação,

de conscientização, de saúde, do

convívio familiar e da relação das indústrias

com a comunidade."

NA EMPRESA

As ações internas são igualmente

importantes. Saber como a

empresa cuida do colaborador

quando ele chega próximo à aposentadoria

e se interessar pelo que

está acontecendo com ele e com a

família é um exemplo. "Ou seja, o

posicionamento da empresa frente

ao seu público interno e o quão

participativos esses colaboradores

são na área de planejamento, de

decisões. A gente vê que, a cada

dia, quanto mais multidisciplinar

for a equipe e quanto mais heterogênea,

com pessoas de diversas

camadas e diversos setores tentando

fazer o olhar da responsabilidade

social numa empresa, mais

rico se torna o processo."

IMPACTOS POSITIVOS

Ansiedades, esperanças, mas também

preocupações precedem o início

das operações de uma usina sucroalcooleira

num determinando município.

Para Maria Iza, quando essa implantação

se dá de forma ordenada e

com a capacitação adequada, os impactos

são positivos.

No Estado de São Paulo, segundo

Maria Iza, o porcentual de formalização

do trabalho na área agrícola das

usinas é de mais de 90%. "A Unicamp

fez um trabalho de comparação entre

as culturas de café, milho, banana,

laranja e a cana-de-açúcar, baseado

em dados do IBGE e os resultados

apontaram que o melhor salário e o

maior número de benefícios estão no

setor sucroalcooleiro.”

VALOR AGREGADO

E qual é o retorno para as empresas

que investem em responsabilidade

social? Maria Iza diz que costuma

responder essa questão abordando

os aspectos tangíveis e intangíveis

relacionados ao valor de uma empresa.

"Hoje, o tangível, o lado econômico,

é muito pequeno perto de tudo

o que se considera para valorar

uma empresa. O valor agregado de

uma empresa está nesse intangível.”

Segundo Maria Iza, não é possível

afirmar que tratando bem o empregado,

pagando salários justos e

dando mais benefícios, a empresa

vai ter um valor maior no mercado.

“E é a reputação que um determinado

grupo faz da minha empresa que

agrega esse valor.”

fotos: jalles machado

CANAL – novembro/dezembro de 2006

13


Usina goiana é exemplo de responsabilidade social

A visão de que o maior patrimônio de uma empresa

é o funcionário levou a Jalles Machado S/A,

usina produtora de álcool e açúcar em Goianésia,

Goiás, a desenvolver projetos sociais envolvendo

ações nas áreas da educação, saúde, lazer, recreação,

seguridade social e meio ambiente, privilegiando

uma visão global da sociedade. Anualmente,

são aplicadas na área social verbas correspondentes

a 2% do faturamento bruto com a produção

do álcool e 1% do faturamento com açúcar.

O funcionário, segundo Luiz Carlos Braga, gerente

de Apoio Administrativo, é o retrato da

organização e o principal responsável pelo processo

de mudança rumo à excelência. "Desta

forma, temos a gestão presente e voltada às

pessoas, valorizando seu trabalho e individualidade."

A preocupação com a inclusão também

está presente na empresa, com o estabelecimento

de uma cota de vagas para contratação

de pessoas portadoras de deficiência.

Criada para suprir a mão-de-obra ociosa da

região de Goianésia, por iniciativa de um grupo

de empresários liderado pelo Sr. Otávio Lage de

Siqueira, há vários anos, a Jalles tem investido

na formação e reciclagem de seus empregados

com a realização de treinamentos, cursos e desenvolvido

programas que visam a melhoria da

qualidade de vida e a interação com seus colaboradores,

tais como o Ginástica Laboral, Bom

Dia, Ouvidoria e Quanto Vale uma Boa Idéia. A

cada ano, a empresa faz um levantamento de

necessidades de treinamento e cria um plano de

qualificação a ser seguido durante este tempo.

Ele envolve todas as áreas e todos os departamentos,

englobando a empresa como um todo.

O retorno desse tipo de investimento é visível.

"A empresa torna-se um exemplo, já que suas

ações são voltadas para o bem-estar do trabalhador,

o que, conseqüentemente, influencia em

sua produtividade e na qualidade dos serviços.

Este trabalho também estreita as relações dos

funcionários, favorecendo a comunicação direta

entre eles", destaca Leonora Costa Leite Pacheco,

assistente social da Jalles Machado.

BALANÇO SOCIAL

Anualmente, a empresa publica o seu balanço

social, demonstrativo que reúne um conjunto

de informações sobre os projetos, benefícios

e ações sociais dirigidas aos empregados, investidores,

analistas de mercado, acionistas e à comunidade.

Esse é um instrumento estratégico

para avaliar e multiplicar o exercício da responsabilidade

social corporativa.

No balanço social, a empresa mostra o que

faz por seus profissionais, dependentes, colaboradores

e comunidade, dando transparência às

atividades que buscam melhorar a qualidade de

vida para todos. Ou seja, sua função principal é

tornar pública a responsabilidade social empresarial,

construindo maiores vínculos.

Em busca de qualidade, tecnologia e normatização

de serviços, a Jalles Machado participa do

Programa de Qualificação de Fornecedores

(PQF), coordenado pelo Instituto Euvaldo Lodi

(IEL), do Sistema Federação das Indústrias do Estado

de Goiás (Fieg). Criado em Goiás em 1999,

o programa tem o objetivo de sistematizar as

práticas de gestão nas micro e pequenas empresas

e favorecer a inserção dessas empresas na

cadeia produtiva dos grandes compradores.

Desse modo, as empresas fornecedoras são

preparadas para atenderem às exigências de

grandes compradores, garantindo o desenvolvimento

e qualificação da cadeia de fornecimento.

A qualificação do fornecedor, explica Luiz

Carlos Braga, está baseada no atendimento a

princípios de gestão definidos pelos gestores. "A

implantação destes requisitos acontece de forma

evolutiva, sendo aplicada em módulos com

orientações em grupos e/ou individualizada."

* Mais exemplos de investimentos em

responsabilidade social na proxima edição

Selos, prêmios e certificações da Jalles Machado

• Certificado do sistema de gestão ambiental

• Certificado do sistema de gestão da qualidade

• Certificado orgânico para o mercado norte-americano

• Certificação sócio-ambiental do processo orgânico

• Selo da Fundação Abrinq - Empresa Amiga da Criança

• Selo Ibase

• Prêmio Goiás de Gestão Ambiental 2005 (1º lugar)

• Prêmio CREA Goiás de Meio Ambiente 2006, categoria

Produção Limpa

Algumas ações sociais e laborais desenvolvidas

APOIO À COMUNIDADE E PARCERIAS: Ações de redução da

pobreza e da miséria nas comunidades mais carentes

FUNDAÇÃO JALLES MACHADO: Programa de educação

voltado para aos filhos dos funcionários do grupo

PROJETO DENTISÃO: Medidas de tratamento e prevenção em

saúde bucal

PROJETO EDUCAÇÃO DO TRABALHADOR: Educação de 1ª a 4ª

série e fornecimento de todos os materiais didáticos

14 CANAL – novembro/dezembro de 2006


Qualidade das relações de trabalho precisa avançar

O setor sucroalcooleiro é, provavelmente, o

mais fiscalizado da agroindústria brasileira. As

ações desenvolvidas pelo Ministério do Trabalho

são realizadas pelo Grupo Especial de Fiscalização

Móvel, composto pelos auditores fiscais do

MT, engenheiro do trabalho, médico do trabalho

e auditor fiscal da área tributária ou das relações

de trabalho. Também integra como fiscal

da lei o Ministério Público do Trabalho e a Polícia

Federal para fazer a segurança e o papel de

polícia judiciária.

A equipe inspeciona as condições de trabalho,

a observância do respeito aos direitos humanos.

"Em 2007, além de visitar usinas, vamos abrir o

leque durante o ciclo do plantio e do corte da

cana e sempre que constatarmos a necessidade

de atuação vamos iniciar a operação", avisa.

A rápida expansão do setor sucroalcooleiro tem

exigido esforço extra dos organismos que fiscalizam

as relações de trabalho, principalmente no

que refere à mão-de-obra empregada na colheita

manual da cana-de-açúcar. Embora haja muitos

casos de excelência na relação entre patrões e trabalhadores,

usinas que mantém investimentos

constantes em responsabilidade social e ambiental,

em outras ainda há muito a avançar.

Para o procurador Januário Justino Ferreira, do

Ministério Público do Trabalho e coordenador regional

de Erradicação do Trabalho Escravo, o desafio

é especialmente grande na nova fronteira.

No Estado de Goiás, por exemplo, Januário lembra

que há 4 anos Goiás tinha apenas 7 usinas em

operação. "Hoje estamos chegando a quase 20 e

até o final do ano que vem devem estar em operação

cerca de 27 usinas."

O índice de formalização dos trabalhadores do

setor sucroalcooleiro é alto. "Dificilmente se encontra

trabalhadores sem registro, o que representa

um avanço importante", reconhece o procurador.

A preocupação maior, ressalta, está relacionada

à melhoria das condições de trabalho.

Para o procurador, os problemas se concentram

nas contratações temporárias, por ocasião

do plantio e da colheita da cana e quase

sempre estão relacionados à atuação de agenciadores

que buscam trabalhadores nos estados

da Região Nordeste, principalmente. Esses

‘gatos‘, como são chamados, constituem empresas

inidôneas, seja em relação a aspectos

legais ou econômicos e há casos em que não

se cumpre o básico das obrigações trabalhistas,

a exemplo do registro em carteira.

A inadequação da área de vivência desses trabalhadores,

no local de trabalho e onde repousam,

é outra irregularidade que tem sido alvo de

fiscalizações e punições. Em outros casos, há falta

de equipamentos de proteção individual

Fiscalização é rigorosa nas áreas agrícola e industrial

Na parte industrial das empresas, a atenção

da fiscalização é voltada para o respeito da jornada

legal e o ambiente do trabalho, além do

cumprimento das normas de segurança e das

ações relacionada à medicina do trabalho.

Para que o setor alcance um nível de maturidade

e independência no que diz respeito às relações

do trabalho, o procurador Januário Justino

Ferreira, acredita ser fundamental que os sindicatos

de trabalhadores das indústrias, a Federação

dos Trabalhadores na Agricultura e o sindicato

rural se relacionem e se entendam para

estabelecer normas sobre como devem atuar as

usinas e os trabalhadores. "De posse dessas normas,

estabelecidas em comum acordo, é preciso

fazer que elas sejam cumpridas. Assim, evita-se

a intervenção do Estado no setor privado."

“ Na parte industrial das

empresas, a atenção da

fiscalização é voltada para o

respeito à jornada

legal e ao ambiente de

trabalho, além do

cumprimento das normas

de segurança e das ações

relacionadas à medicina

do trabalho

Januário Justino Ferreira,

procurador do Trabalho


CURSO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL: Iniciativa dos funcionários

voltada para a qualificação da mão-de-obra

SERVIÇO FARMACÊUTICO: Medicamento a preço de custo e

subsídio da empresa na aquisição de remédios

SERVIÇO ODONTOLÓGICO: A empresa mantém 1 consultório

dentário e três dentistas que realizam tratamentos com preços

subsidiados

PLANO DE SAÚDE: Para funcionários e dependentes. A

empresa mantém ambulatório médico na cidade e convênios

SEGURO DE VIDA: Indenização por morte ou acidente de

trabalho e toda despesa funerária para funcionário e

dependentes

CARRO DE APOIO: Transporte de funcionários que não possam

se locomover para tratamento médico e outros de acordo com

a situação

TRANSPORTE: Transporte gratuito da cidade à empresa

RESTAURANTE: Refeições fornecidas aos funcionários

obedecem a um cardápio balanceado

CANAL – novembro/dezembro de 2006

15


BIODIESEL

Iniciada produção

em grande escala

GRANOL COMEÇA A

FABRICAR BIODIESEL

EM GOIÁS. PRODUÇÃO

INICIAL É DE 330 MIL

LITROS/DIA

• Rogério Guimarães

AGranol, indústria de óleos vegetais instalada no

município de Anápolis há vinte anos, passa a

ser a primeira produtora de biodiesel no Estado

de Goiás em grande escala. Para os primeiros

meses de funcionamento, a previsão é de que sejam produzidos

330 mil litros de biodiesel por dia. Os investimentos

são da ordem de R$ 40 milhões. Com as alterações no

restante da indústria por conta da nova empreitada, o

valor chega a R$ 100 milhões, provenientes de recursos

próprios da empresa, do crédito especial de investimento

do governo estadual (fundos destinados à ampliação de

empreendimentos), e também do BNDES.

Segundo o gerente da empresa, Paulo Donato, a

fábrica de biodiesel começou a ser montada em março

deste ano, porém o projeto data de 2000. As mudanças

físicas começaram em 2003 com a expansão do pólo

produtor de óleo de soja, com o objetivo de fornecer

matéria-prima para o biodiesel. Com isso, a produção

da Granol passou de 700 para 2700 toneladas de óleo

de soja por dia.

Na fase inicial, a soja responderá por 90% da

matéria-prima para a produção do biodiesel. Segundo

Donato, haverá uma diversificação de oleaginosas para

a produção a partir de 2007, com o aproveitamento de

algodão, amendoim, mamona, girassol e nabo forrageiro.

"A soja é uma cultura que suporta uma produção

anual em grande escala, na casa dos 100 milhões

de litros por ano, como ocorre na Granol".

Unidade de produção

da Granol, no

município de Anápolis,

onde está sendo

produzido o biodiesel

16 CANAL – novembro/dezembro de 2006


Produção inicial do biocombustível já foi

negociada em leilão promovido pela ANP

“ Estamos mandando

material para o

exterior para eles

industrializarem

e gerar renda fora do

nosso País

Paulo Donato,

Gerente da GRANOL“

fotos: divulgação/granol

O início oficial da operação ocorreu em 1º de

novembro, com a produção de biodiesel conforme

as especificações da Agência Nacional

de Petróleo (ANP). Donato informou que os primeiros

36 milhões de litros (produção prevista

para até fevereiro de 2007) já têm mercado garantido.

"A produção já foi vendida através de

leilão para a Petrobras via ANP e esperamos

participar de outros leilões até o final do ano

que vem, pois a partir de janeiro de 2008 teremos

a liberdade de trabalhar com a venda direta

para as distribuidoras."

De acordo com determinação do governo federal,

até dezembro de 2007 a adição de 2% de biodiesel

em cada litro de óleo diesel à base de petróleo

vendido no Brasil é facultada aos revendedores

de combustíveis. A mistura é o que se denominou

de B2 (biodiesel a 2%). A partir de janeiro

de 2008, a composição passa a ser obrigatória.

Um dos atributos que permitiram a Granol

ser uma das empresas autorizadas a vender o

biodiesel para a Petrobras via ANP foi o fato de

ter o Selo Social. Nesses casos, 10% da matéria-prima

das indústrias são provenientes da

agricultura familiar. De acordo com Paulo Donato,

hoje mais de mil pequenos produtores em

Goiás e no Mato Grosso do Sul são fornecedores

da indústria. Além da soja, eles estão produzindo

mamona, amendoim, girassol e outras

oleaginosas para a fábrica de biodiesel. Em média,

cada produtor cultiva uma área de oito

hectares. Ainda de acordo com o gerente da

Granol, o litro do biodiesel é vendido de R$

1,80 a R$ 2,00. "O preço ainda não está sendo

sentido pelo consumidor nas bombas porque as

principais compradoras do biodiesel atualmente,

Petrobras e Ale, estão na fase de investimentos.”

Apesar de ter alcançado a auto-suficiência

na produção do petróleo, o Brasil ainda importa

algo em torno de 6 bilhões de litros de óleo

diesel por ano. Segundo Paulo Donato, é importante

produzir o biodiesel no Brasil para

substituir essa importação. Além disso, produzir

biodiesel é ambientalmente correto, já que

a matéria-prima sempre será um produto vegetal,

renovável, cuja queima polui menos,

pois não libera gases tóxicos como o enxofre,

nem as partículas sólidas, contribuindo para a

redução do efeito estufa.

Há ainda o aspecto social, a começar pela

geração de empregos. Só para a Granol, além

dos mil pequenos produtores que já estão produzindo,

outros três mil devem começar a produzir

depois do início da operação da fábrica.

São pessoas que estão fora da cadeia produtiva,

estão apenas no cultivo de lavouras de subsistência",

informou Donato.

Ele acrescentou que existem outras fábricas

produzindo biodiesel no Brasil, como a Agropalma

e a Brasil Biodiesel. A Granol já produz

na fábrica localizada em Campinas, SP, desde o

início deste ano. Já vendeu mais de 10 milhões

de litros de biodiesel via ANP.

OPÇÕES DE MATÉRIA-PRIMA

O biodiesel pode ser produzido a partir de diversas

espécies vegetais: mamona, dendê, abacate,

babaçu, mandioca, girassol, soja e outras. É um

combustível biodegradável, derivado de fontes

renováveis, ou seja, contribui para a redução das

emissões de gases do efeito estufa na atmosfera.

Pode ser utilizado em adição ao diesel derivado do

petróleo e já está programada a introdução da

mistura a 2% no diesel comum brasileiro, chamada

B2. Na Alemanha já existem carros circulando com

B100, o biodiesel puro.

Processamento interno da matéria-prima gera

diversos impactos sociais e econômicos positivos

Em Goiás se produz biodiesel em Formosa,

em pequena escala (menos de um milhão de litros

por ano), e a Caramuru Alimentos deve começar

a produzir em São Simão no ano que

vem. "O Brasil exporta atualmente cerca de 22

milhões de toneladas de soja por ano. Essa produção

daria para alimentar 22 indústrias do

porte da Granol de Anápolis. O fator social do

biodiesel é muito importante, por isso acho que

o Brasil tem de parar de exportar

soja. Quem quiser manter a exportação

tem de pagar imposto

pra mandar a matéria-prima

para fora do

País. Estamos mandando

material para

o exterior. Eles industrializam

e

geram renda fora

do nosso País,

quer seja na Europa,

China ou Índia.

Levando nossa soja,

haverá uma indústria

em outro país com duzentos

caminhoneiros, trezentos

e trinta funcionários diretos,

como é o caso da Granol/Anápolis, além de outros

mil agricultores familiares trabalhando,

tudo lá fora", destacou Paulo Donato.

De acordo com a ANP, 40 bilhões de litros de

óleo diesel são consumidos por ano no Brasil.

Desse total, 6 bilhões são importados. Levando

em consideração os 2% que serão exigidos a

partir de 2008, haverá uma demanda de 800 milhões

de litros por ano de biodiesel.

PREVISÃO

O Dr. Rudolph Diesel, inventor do motor a diesel,

já vislumbrava a tecnologia há quase cem anos: “O

motor a Diesel pode ser alimentado com óleos vegetais

e poderá ajudar consideravelmente o desenvolvimento

da agricultura nos países onde ele

funcionar. Isto parece um sonho do futuro, mas eu

posso predizer com inteira convicção que esse

modo de emprego do motor Diesel pode, num dado

tempo, adquirir uma grande importância.”

O óleo diesel à base de petróleo tornou-se mais

barato que o vegetal, por isso dominou o mercado

mundial. “Agora, a situação se inverteu e o biodiesel

entra no mercado como uma importante

alternativa, já que as fontes de petróleo fatalmente

se extinguirão em no máximo 50 anos", finalizou

o gerente da Granol.

CANAL – novembro/dezembro de 2006

17


Biodiesel produzido a partir de óleo de frango

Uma empresa de geradores de energia em Goiânia

está lançando no mercado uma idéia inovadora

e que pode baixar os custos de produção

de seus clientes. A Atlas GMG, especializada em

projetos de uso racional de energia, tem como

principal ferramenta um grupo gerador desenvolvido

a partir de 2004. Evaristo Otaviano de

Andrade Neto, diretor técnico, diz que a empresa

fabrica geradores adaptados para usar motores

SCANIA, escolhidos por causa do baixo consumo

de combustível e pela robustez necessária

para suportar as diversas opções de operação dos

grupos geradores.

Diante da eminente crise de disponibilidade de

combustíveis fósseis, a empresa passou a buscar

meios alternativos de gerar energia através de outros

tipos de combustíveis. "Começamos então a

desenvolver tecnologias para o biodiesel e o biogás".

E a empresa já está instalando no interior de

São Paulo uma termoelétrica com capacidade de

geração de 6000 Kva que será composta de 6 grupos

geradores de 1000 Kva nacionais e desenvolvidos

usando tecnologia de ponta, em injeção de

combustível e automação, responsável por um

consumo 25% menor que geradores importados.

Essa termoelétrica funcionará com biodiesel fabricado

a partir de gordura de aves no município

de Itapetininga, interior de São Paulo, onde será

inaugurada ainda este ano a fábrica de biodiesel

de gordura de frango com capacidade de produção

de 15 mil l/dia. "Essas microusinas são para

consumo próprio, com produção em baixa escala".

Evaristo disse que várias empresas estão investindo

em tecnologia nessa área. "Sabemos que os

combustíveis fósseis estão ficando escassos e caros

e todos os interessados devem se preocupar

com tecnologias alternativas". O laboratório piloto

da produção de biodiesel a partir de gordura de

frango foi montado em Goiânia, na sede da empresa

(veja quadro ao lado).

"O nosso principal objetivo é o uso de uma

matéria-prima pouco utilizada para a produção

de biodiesel. Somos pioneiros no estudo de produção

de biodiesel a partir dessa fonte e no momento

estamos concentrando nossa atenção na

otimização do processo de transesterificação do

óleo de frango.

O estudo está sendo realizado em uma planta

piloto onde estão sendo feitos os testes finais

com a matéria-prima. No quadro de funcionários,

há os químicos que estudam a produção do biodiesel

a partir de diversas oleaginosas e gordura

animal. No laboratório piloto simula-se todas as

condições reacionais para a produção em grande

escala e também no processo de purificação do

biodiesel", finaliza Evaristo Neto.

thiago garcia

LABORATÓRIO PILOTO ATLAS GMG

CARACTERÍSTICAS GERAIS

• 2 grupos geradores em 2 células

• Sistema montado em contêiner de 20'

• Sistema montado em contêiner onde já

existe toda infra-estrutura de transporte e

armazenamento em bugs de 20' e 40'

OPÇÕES DE FUNCIONAMENTO

• 2 células em paralelo

• 1 célula sobressalente

• No-break (40% de carga) com as 2 células

em paralelo

TECNOLOGIA

Sistema cam-bus comunicação com motor

para aquisição dos dados

• Consumo de combustível

• Temperatura da água

• Temperatura do óleo

• Pressão da turbina

• Nível de combustível

• Monitoramento da autonomia de

funcionamento

• Supervisão remota por gsm, internet, acesso

discado e gps

• Sistema mestre-escravo onde os geradores

operam reduzindo o consumo de combustível e

aumentando a autonomia

• Uso de biodiesel puro ou misturado,

autorizado

• 25% mais econômico do que os

concorrentes do mercado

LOGÍSTICA

• Tanque de combustível com autonomia

de funcionamento superior a 20 horas

• Com apenas um cavalo mecânico é possível

transportar até 4 gmg1000e1, ou seja, 4000kva

pronto para funcionar na carreta e no solo

• Acessório gps opcional

Evaristo Andrade, diretor técnico da Atlas GMG, e um dos grupos geradores movidos à biodiesel

stock.xching


ARTIGO – Fernando Bezerra

Gestão por valores,

um caminho sem volta

Uma nova tendência surge

para a Administração de Recursos

Humanos. É a "Gestão

Por Valores". No Congresso Nacional

de Recursos Humanos da ABRH, realizado

em São Paulo, o tema foi escolhido

para promover a gestão estratégica,

repensar valores, aperfeiçoar

processos organizacionais e,

assim, fortalecer as competências

humanas, na perspectiva de resultados

sustentáveis.

Simultaneamente, as revistas

semanais Época e Exame trazem

em edição especial a relação das

melhores empresas para se trabalhar.

Coincidência ou não, se analisarmos

cada empresa relacionada,

veremos que o resultado financeiro

que cada uma atingiu nos últimos

anos, vale o investimento feito em

pessoas.

O Grat Place To Work Institute ,

responsável pela pesquisa da revista

Época em palestra no CONARH,

disse: "Só a cultura de um ambiente

de trabalho diferenciado pode

melhorar continuamente a produtividade

e a competitividade".

Houve uma falha muito grande no

processo de reengenharia, esqueceram

das pessoas. A pesquisa das

100 melhores empresas para se

trabalhar é realizada pelo Grat

Place To Work Institute feita com

mais de 500.000 funcionários e

3.000 empresas.

Existe a preocupação de enviar

os questionários diretamente aos

funcionários sem que a empresa

tenha qualquer conhecimento de

quem está respondendo, isto faz

com que os dados coletados tenham

maior credibilidade, não só

para o leitor, mas também como

ferramenta para os gestores de Rh.

As empresas classificadas têm

uma estratégia de negócio; as pessoas

são o centro da atenção; tem

políticas e práticas - incomuns e

únicas; são generosas; tem uma

cultura dinâmica - círculo de aceitação

do nível de confiança dos

funcionários, cultivam o hábito de

falar; ouvir; agradecer; cuidar; celebrar

e compartilhar. Não se espera

mais que uma organização só

pague seus impostos e gere empregos.

Ela tem que construir uma realidade

onde a valorização do ser

humano é ponto central, pois, as

pessoas vão trabalhar duro pelo salário,

mas vão dar a vida pelo significado

dos valores organizacionais,

porque elas acreditam neles.

A Gestão Por Valores, o GPV é

uma filosofia que sugere que as organizações

são entidades dinâmicas,

que devem praticar uma renovação

constante. Mas o processo

de renovação não se trata simplesmente

de mudança pela mudança.

Segundo a perspectiva baseada

em valores, a verdadeira mudança

significa gerenciar e manter,

de maneira eficaz, a cultura organizacional

de forma a alinhá-la

com seus valores essenciais e

com as exigências do ambiente.

Podemos concluir que é uma adesão

interna, ou seja, é uma estrutura

flexível para a renovação da

cultura corporativa, essencial para

motivar o compromisso coletivo

com a criatividade.

Em minha experiência profissional

tenho presenciado que boa parte

dos executivos e líderes na maioria

das organizações negligencia o

sistema de valores estabelecidos de

suas empresas, subestimando o valor

significativo e as potenciais

contribuições desse importante

ativo. Eles deixam de gerenciar

corretamente e enfraquecem o sistema

de valores de sua organização,

optando por concentrar-se em

metas mais tangíveis, como orçamentos,

impostos, tecnologias,

produtividade e se esquecem que,

instruções são as ferramentas de

gestão dos chefes, objetivos são

ferramentas dos administradores e

os líderes utilizam valores.

Diria que o GPV não se trata de

um modismo, como ocorreu com a

reengenharia há tempos atrás, é

uma ida sem volta. As pessoas recebem

cada vez mais informações,

aumentando o grau de exigência,

incentivando à pratica de uma atitude

preestabelecida, tendo como

base algo que reconhece como validado

para seu bem-estar.

É clara a preocupação das organizações

de sucesso com os valores

organizacionais e com a liderança

em difundi-los para toda a organização.

Mas como diz Simon Dolan,

professor da Escola de Negócios de

Barcelona, "para implantá-los precisamos

pensar muito bem o que

estamos propondo e cumprir aquilo

que estamos propondo, se não tudo

vai água abaixo. Precisamos ter

pessoas que acreditam no que acreditamos,

isto é fundamental na

GPV". "O líder de primeira linha não

pode ser o líder do passado, focado

no comando e controle. As pessoas

não estão interessadas em trabalhar

para alguém que apenas dá ordens

e conduz avaliações".

O que torna um ambiente bom

para se trabalhar é a identificação

dos valores do funcionário com os

valores da organização. Ele busca

uma maior percepção de suas necessidades,

a satisfação não só de

suas carências materiais, mas,

principalmente, a satisfação de suas

necessidades motivacionais.

Se sua empresa não está trabalhando

com base no GPV, está na

hora de você providenciar a incorporação

como política de recursos

humanos. Lembre-se, mudar é uma

questão de atitude.

Para finalizar, gostaria de deixar

um desafio para os empresários do

setor sucroalcooleiro de nossa região:

Qual será a primeira empresa do

setor a figurar entre as melhores para

se trabalhar.

Fernando Bezerra - Administrador,

especializado em Recursos Humanos e

Gestão da Qualidade. Gerente de Recursos

Humanos da GoiasCarne

arquivo pessoal

“ O que torna um

ambiente

bom para se trabalhar é a

identificação dos valores

do funcionário com os

valores da organização


20 CANAL – novembro/dezembro de 2006


EMPRESAS E MERCADOS

• Mírian Tomé

editor@canalbioenergia.com.br

Sistema da Próxima

monitora cadeia logística

A Próxima, empresa de gestão de negócios

da agroindústria, desenvolveu o sistema

PIMS-SIG Logística, que permite aos

grandes produtores de açúcar e álcool fazer

o monitoramento de toda a cadeia

logística, desde o momento em que o

caminhão se desloca para carregamento

nos talhões até o instante em que retorna

para a usina, passando depois pela balança

e descarregando a matéria-prima para

moagem. O PIMS-SIG Logística utiliza um

sofisticado recurso de transmissão de

dados, baseado na tecnologia GPRS

(General Packet Radio Service).

Tracbel se consolida na

Região Norte

A Tracbel S/A, um dos maiores

distribuidores de máquinas pesadas

e agrícolas do País, comemora um

ano de atuação na Região Norte do

Brasil. Em Manaus (AM),

Ananindeua (PA) e Parauapebas

(PA), e no posto de serviço em Serra

do Navio (AP), houve um aumento

de 5% para 16% de market share da

linha de máquinas industriais

Volvo Construction Equipment. A

Tracbel iniciou suas atividades em

1967, em Contagem (Minas Gerais)

como prestadora de serviços

mecânicos e recuperação de

máquinas rodantes.

divulgação/tracbel

fotos: divulgação

Casa do Pica-Pau recebe certificação Stihl de qualidade

A Casa do Pica-Pau acaba de receber a

Certificação Referência de Qualidade STIHL

(foto), por alcançar com êxito os requisitos

para a implantação do Programa de

Referência de Qualidade Stihl, garantindo o

padrão de qualidade exigido para serviços

técnicos. Fundada em 1969, a Casa do Pica-Pau

atende o setor agropecuário de Goiás com a

comercialização de máquinas, equipamentos e

implementos agrícolas.

Concessionários John Deere participaram no

mês passado de encontro com o presidente

mundial e CEO da Deere & Company, Robert

W. Lane e com um grupo de dirigentes

mundiais da John Deere. A diretoria da Casa

do Pica-Pau, que é concessionária exclusiva

John Deere, em Goiânia e região, participou do

evento. Os dirigentes mundiais e o grupo de

concessionários visitaram a nova fábrica de

tratores construída em Montenegro, no Rio

Grande do Sul. Para Alexander Hohl, diretor

MRS Logística bate

recordes de transporte

A MRS Logística, empresa que

transporta mais de 100 milhões

de toneladas anuais de carga e

lidera o transporte ferroviário

de contêineres no Brasil, lucrou

R$ 178 milhões no terceiro

trimestre de 2006, valor 55,5%

maior com relação ao trimestre

anterior. Nos 1.700 Km

operados pela empresa, de julho

a setembro, foram

transportados 30,9 milhões de

toneladas de carga, o que

equivale a um aumento de

10,5% sobre o segundo

semestre de 2006. O contrato de

carga de 150 mil toneladas

anuais de açúcar assinado com o

grupo Cosan fortalece ainda

mais a posição da MRS como

opção logística para as empresas

de agronegócios.

da Casa do Pica-Pau, os esforços da John Deere

no desenvolvimento de tecnologia tropical,

tem uma importância fundamental para o

Brasil, em especial para Goiás, onde o

agronegócio está em pleno desenvolvimento.

A tecnologia tropical permite a expansão da

agricultura na região dos cerrados de forma

econômica e sustentável, preservando e

protegendo o meio ambiente.

22 CANAL – novembro/dezembro de 2006

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