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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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100 regimes

100 regimes padronizantes instalados vem demonstrar por um lado que nenhum ritual é infalível e por outro que a ideologia pode, como descrito por Pêcheux, funcionar às avessas, isto é, ―sobre e contra si mesma, através do ‗desarranjo-rearranjo‘ do complexo das formações ideológicas (e das formações discursivas que se encontram intrincadas nesse complexo)‖ (p. 217-218) [grifos do autor]. Isso leva a entender que todo contradiscurso nasce e se mantém pelo embate com sua matéria-prima discursiva. O processo discursivo apresenta, portanto, uma espécie de reação a um panorama temporal que muito se aproxima daquele concebido por Bauman ao explicar os modos de viver na chamada sociedade moderna líquida, tão volátil e efêmera em suas formas. A produção do anúncio coincide com o aumento de reivindicações e procura por hábitos mais seguros e valores mais duradouros, amparadas pelo conhecimento da experiência de gerações anteriores já imersas na servidão ao tempo, explícita, por exemplo, na análise anterior, em que a vivência tende a acontecer em limites de tempo sempre muito reduzidos. Retorna-se aqui à ideia de densidade da vivência, reflexão de Marcondes Filho, que fala à possibilidade de se condensar períodos aparentemente longos em uma vivência mais curta, configurando a intensidade como o principal parâmetro para pensar a experiência com o tempo nos dias de hoje. Quando a temporalidade convocada é aquela correspondente à vida particular, a tendência é o aproveitamento máximo desses momentos de ―interrupção‖ do controle temporal. Tal possibilidade, em que se sustenta o argumento publicitário, transforma-se em estratégia para favorecer a empatia e a relevância do relógio divulgado. Se o mundo exterior se impõe perante a flexibilidade da vontade humana, deve-se ao menos procurar viver momentos duráveis, nem que para isso seja necessário a adoção e descarte de identidades, pois como lembrado por Bauman não há ―compromisso com experiências passadas, pois se está sempre mantendo as opções abertas‖ (2001, p. 112-113). Articulando ao pensamento de Melman (2008), que diz que o sujeito tem um pertencimento momentâneo ao lugar em que estabelece seu laço social, pode-se considerá-lo então nômade nas suas filiações, fixando-se a elas pelo período de tempo correspondente ao desempenho da função esperada (imaginada). Trata-se, conforme afirma Gregolim, da subjetividade que ―está criadas sob esse conceito. Desde sua fundação, ela se autodescreve como uma resposta aos efeitos padronizantes do fast food, o nome dado ao tipo de comida rápida servido e consumido sempre em reduzidos intervalos de tempo, em substituição a uma refeição convencional e que acabou se tornando um símbolo do ritmo frenético da vida atual que estaria contribuindo para o decrescente interesse das pessoas na sua alimentação e até para o surgimento de problemas de saúde. Essa iniciativa inspirou movimentos baseados na mesma premissa em outras áreas: no turismo, com slow travel, na ciência e pesquisa com o slow science, e no estilo de vida como um todo com o slow living. Entende-se que eles não consistem somente em uma crítica a modelos predominantes, mas representem contemporaneamente a desidentificação com esses mesmos sistemas, tentativa de uma ―tomada de posição não-subjetiva‖ (PÊCHEUX, 1995a, p. 217).

101 em circulação, é essencialmente social, assumida e vivida por indivíduos em suas existências particulares‖ (2007, p. 54). Com isso, entende-se haver uma produção ―subjetiva‖ em relação à discursividade do dizer da sdr que assinala outra forma de lidar com o movimento do tempo nos dias atuais. Pode-se inclusive considerar essas alterações operando em um nível macropolítico e macrossocial, conforme antevê Castells, por serem modificadas formas de sociabilidade e produzidos efeitos sobre dimensões da vida diária, seja a partir dos modos como se estrutura o tempo de trabalho ou a maneira como os indivíduos se divertem, ou seja, como aproveitam seu tempo ―livre‖. De fato, para Moreira (2008) a sociedade urbana contemporânea é claramente marcada pela valorização do tempo livre, sendo que o lazer é um dos temas que está mais fortemente enraizado no imaginário. O lazer pode ser entendido como um tempo de descanso, em que o sujeito se encontra liberto dos automatismos e rotinas que o aborrecem e constrangem. Segundo a autora, os tempos e os espaços 71 de trabalho deixaram de ser centrais em termos de motivação, ainda que permaneçam centrais na organização e na estruturação dos cotidianos. Assim, apesar de o objetivo continuar sendo a produtividade, deve-se obter um tempo livre destinado ao lazer (p. 179). As condições de produção do discurso do anúncio autorizam essa leitura, já que, como distinguido por Moreira, o progresso tecnológico proporcionou ganhos significativos de produtividade, diminuindo o tempo de trabalho e, consequentemente, aumentando o tempo livre (p. 181). Intensificou-se a importância de um tempo de descompressão, de libertação, de distração, de satisfação, de lazer e de consumo, um tempo tido como essencial para uma vida com qualidade 72 . Essa nova ênfase denota a criação de um novo paradigma: o tempo para o sujeito e não mais sobre o sujeito. A [er 3 ] retrata a importância adquirida pelo tempo de lazer de maneira exemplar. A cena seccionada em [er 3 ] contém a interpretação da prática de um esporte pela figura de [er 2 ]. Elementos como raquete, cerca de arame, mochila, quadra demarcada (parcialmente observável ao fundo), presentificam a opção da modalidade trabalhada na estratégia publicitária: o tênis. O interdiscurso que recobre essa modalidade esportiva permite considerála, ainda no Brasil pelo menos, muito elitizada, sendo acessível a classes com maior poder 71 Pensa-se no exemplo dado por muitas empresas ao aceitarem que seus funcionários trabalhem em casa, o que não significa necessariamente que sejam menos exigidos, mas que lhes oferece uma certa flexibilidade nos horários. 72 Entendida a partir de uma mudança de estilos de vida, a partir da rejeição à herança dos anos de dedicação excessiva ao trabalho, o tempo do chamado workaholic que dá lugar a era dos worklovers, aqueles que ―trabalham para viver‖ e não ―vivem para trabalhar‖.

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