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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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104 sentidos mobilizam

104 sentidos mobilizam os sujeitos pela submissão à inexorável marcha do tempo; já no segundo, compreende-se que seja um discurso transigente, que trabalha a possibilidade, ainda que momentânea, de descontinuação do regime determinativo, concedendo ao sujeito certa autonomia sobre seu próprio tempo. O relógio continua a sugerir controle, previsibilidade e estabilidade, mas também indica melhor aproveitamento do tempo. Este trabalho encontra, portanto, sinais de ruptura, mas também de manutenção, pois ainda se vive em uma formação social capitalista, em que o controle temporal é preponderante para o desenvolvimento das atividades produtivas. Contudo, pelo menos na representação do segundo anúncio, a observância por meio da repetição de gestos e da rememoração ininterrupta das atividades com que se está comprometido divide espaço com tentativas de (des)submissão à Lei e às leis como diz Mariani (2009), tal é a forma como certos discursos insistem em organizar para o sujeito seu ―estar-no-mundo‖ (p. 50). Por isso se verifica que temporalidades não podem ser simplesmente impostas sem que haja também processos contrários, capazes de originar novas discursividades. Tais deslocamentos, pela perspectiva assumida neste estudo, indicam modificações na forma dos sujeitos lidarem com o tempo e de procederem no mundo. A publicidade acompanha essas movimentações. Altera seu enfoque para melhor se adaptar às mudanças ao seu redor, mostrando a flexibilidade e fluidez de seus discursos, sua língua de vento, tal como no entender de Pêcheux. Por isso, acredita-se ter notado o seu duplo papel: de testemunha e de agente, que ao acompanhar transformações se torna também canal de difusão destas. Manifestando as novas relações do tempo no âmbito social, a publicidade confirma a percepção de Harvey, que a enxerga como um formidável ponto de contato entre o sujeito e as referidas alterações, pois consegue formar um ambiente de circulação de discursos rapidamente adaptados (p. 259). Apesar de se haver percebido como o tempo é intrinsecamente suscetível de modulações, de sofrer o manejo sintático-discursivo a fim de representar na formulação a devida discursividade que materializa a concretude das relações sociais, constata-se uma instabilidade, o que se arrisca a pensar como uma ―imprecisão‖ entre o cronológico e o discursivo, como se todo discurso sobre o tempo convivesse invariavelmente com a existência de um impossível específico a esta dimensão, algo como um real sobre o tempo, em sua incompletude necessária aos sentidos. Isso demonstra que o tempo realmente não pode ser tomado como natural, mas antes um construto, conclusão que permite afirmar a existência de uma gestão do tempo. Para apreender como ela se dá, é preciso um gesto de leitura como o que aqui foi praticado, que supere interpretações literais para se aproximar da deriva dos sentidos.

105 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Revelados (e desvelados) manejos e representações nos anúncios publicitários de relógios, restituiu-se a historicidade que condiciona o voo do tempo em seus discursos. Percebeu-se que as concepções sobre o tempo não podem ser tomadas como arbitrárias, senão para os próprios sujeitos, pois decorrem de experiências historicamente determinadas. São discursos-outros, já-ditos, recortes de memória que amparam os dizeres dos anúncios, sustentando efeitos de sentido sobre o tempo que materializam, organizam e legitimam práticas tendencialmente ligadas a lógicas econômicas e relações de poder. A Análise do Discurso foi decisiva para se conseguir acessar a constituição desses processos em cada anúncio, demonstrando como filiações ideológicas, com o acréscimo necessário do imaginário, fazem valer certos direcionamentos. Assim, naquilo que foi observável por meio do dispositivo construído, as representações do tempo intradiscursivamente superam a dimensão de cômputo e interdiscursivamente o elaboram de maneira diretiva, dissimulando definições a respeito do tempo que o sujeito vive pela figura do relógio. Desse modo, conforme diz Foucault ―o tempo penetra o corpo, e com ele todos os controles minuciosos do poder‖ (p. 151). Foram identificados mecanismos linguístico-históricos contribuintes para o publicitário elaborar sua peça, mas que deixam perceber intervenções de diversas ordens e fatores, sobre as quais vem a se assentar a estratégia publicitária. Por isso, parece haver ficado claro que na publicidade operam representações já em funcionamento no interior de conjuntura histórica, sendo inevitável, portanto, a transposição de certos saberes, valores, ainda que trabalhados de modo particular, conforme o fazer persuasivo. Nessa transferência, conecta-se ao mundo social, produzindo manifestações bem articuladas ao que acontece na concretude da existência dos sujeitos. Uma relação tão próxima que a torna um produtivo sítio de significância (Orlandi, 1993), por onde se pode compreender processos de identificação, sob o aporte ideológico e imaginário e das contingências de cada produção. Existindo transformações no discurso sobre o tempo, que alteram a própria experiência dos sujeitos, o anúncio não fica indiferente, mostrando que a publicidade como representação do social também merece que se lute por ela 74 . A propósito, destaca-se o esclarecedor diálogo com Pêcheux, nos eventuais textos em que refletiu diretamente sobre a propaganda e sua circunscrição às formas sócio-históricas. 74 Parafraseando capítulo do livro de Pêcheux e Gadet, A língua inatingível.

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