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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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12 2 PERSPECTIVAS

12 2 PERSPECTIVAS TEÓRICAS ACERCA DO TEMPO O tempo sempre esteve entre os temas que mais suscitaram a reflexão humana. Do gesto primitivo de acompanhar a evolução dos astros à contemplação de pensadores de diversos campos do conhecimento, a humanidade sempre se viu diante do desafio de tentar compreender e lidar com a força irrefreável da passagem temporal. No presente estudo, circunscreve-se essa milenar reflexão às formas de representação e produção de sentido na contemporaneidade. Busca-se por meio de uma abordagem teórica plural, apresentar, ainda que de forma breve, algumas designações e proposições. Logo após, dialoga-se com esses estudos conforme as possibilidades de articulação com as noções teóricas e metodológicas da Análise de Discurso de linha francesa (doravante AD). Inicialmente, visualiza-se uma perspectiva filosófica, em Castoriadis (1982); em seguida são consideradas reflexões da modernidade e pós-modernidade, em Harvey (2000), Bauman (1998; 2001) e Augé (1994; 2006); retomadas percepções com foco cultural e midiático, em Thompson (1995; 2008), Marcondes Filho (1996), e Castells (1999, 2003); e finalmente um olhar vinculado à Teoria da Enunciação, em Fiorin (1999). Mobilizando tais percepções espera-se compor uma base teórico-descritiva que subsidie a reflexão sobre o tempo na AD e enriqueça a investigação posterior quanto as suas representações e movimentações de sentidos no discurso publicitário. 2.1 O tempo em Castoriadis A partir da filosofia, Cornelius Castoriadis (1982) faz uma abordagem do tempo na sociedade e na história, em que elucida sua construção imaginária e a importância que adquire como elemento organizador e de manutenção das determinações que o instituem. Para o autor, as pessoas em geral têm um entendimento tácito sobre o tempo. Do mesmo modo que acreditam que a ciência já se ocupa de levantar questões sobre esse assunto, ignoram as respostas (p. 222-223). O autor lembra então que não há consenso nem entre especialistas, como no caso dos físicos, cujo saber não consegue explicar, por exemplo, se o tempo é interior ou exterior ao próprio observador, ―se corresponde a algo de separável do observador ou somente a uma maneira obrigatória para este de examinar uma multiplicidade‖ (p. 223). Castoriadis busca pensar o tempo não simplesmente e somente como indeterminação, mas antes aparecimento de determinações, ou em seu dizer, de ―formas-figuras-imagens-eidé

13 outras‖ (p. 223). O tempo, dimensão tanto da imaginação radical do sujeito enquanto sujeito, como do imaginário social-histórico, é emergência de figuras outras, que segundo Castoriadis seriam ―imagens‖ (para o sujeito) e eidé social-históricas, instituições e significações imaginárias sociais (para a sociedade) (p. 228). Castoriadis declara que o tempo se autoaltera, isto é, ele só ―é‖ na medida em que está ―por-ser‖. Sendo alteridade-alteração, separa-se da noção de temporalidade, segundo o autor, modalidade secundária e derivada (p. 226-228) [grifos do autor]. O sentido conferido ao tempo nessa perspectiva, além de exigir pensá-lo como fazendo ser modos de ser e de pensar outros, apresenta a sociedade e a história presas ao fluxo perpétuo da autoalteração, que se estabiliza e se torna visível pela instituição (p. 241). Segundo Castoriadis, a instituição do tempo é sempre componente essencial na concepção que a sociedade tem de si própria e para com o mundo (p. 222). Conforme o autor, cada sociedade apresenta modos particulares de instituí-lo, representando-o e, ao mesmo tempo, fazendo sua autoalteração incessante (p. 221). Pode-se apreender que cada sociedade tem sua própria maneira de ver e de fazer o tempo, um fazer ser social-histórico como quer Castoriadis, que ela desenvolve existindo. Do tempo explicitamente instituído pela sociedade, Castoriadis distingue duas dimensões, uma identitária e a outra imaginária, segundo ele diferentes e obrigatórias. O tempo instituído como identitário se relaciona à medida do tempo ou à imposição ao tempo de uma medida, que o segmenta e demarca. Um exemplo notório é o calendário, cujas divisas numéricas, referenciam fenômenos naturais. O tempo instituído como imaginário é o tempo da significação, ou tempo significativo, em que são concebidos limites e períodos, sem um referencial lógico natural. Nesse tempo socialmente imaginário está apoiada a ideia de uma origem e de um fim do mundo, de períodos como eras, idades (como as de ouro, prata, bronze etc.), e ciclos que podem ter representatividade na instituição imaginária do mundo para a sociedade considerada (p. 246). O tempo identitário e o imaginário se relacionam de forma inerente, um referenciando e conferindo significação ao outro. O primeiro só existe porque é referido ao segundo que lhe confere sua significação de tempo; e o segundo ―seria indefinível, irreferível, inapreensível – não seria nada fora do tempo identitário‖ (p. 246) [grifo do autor]. É assim, como explica o autor, que articulações do tempo imaginário dobram ou aumentam os marcos numéricos do tempo identitário. Outra relação descrita por Castoriadis é que, para cada sociedade, há um ―tempo de representar‖, identitário e imaginário, instituído para a representação social dessa dimensão, e um ―tempo do fazer‖, indissociável daquele, e que também deve ser instituído,

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