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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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14 apoiado 2 sobre os

14 apoiado 2 sobre os marcos calendários do tempo identitário, e que permite a instrumentalização do fazer na dimensão temporal, da ocasião e da oportunidade do agir (p. 249) [grifo do autor]. Essa relação faz atentar para a preocupação social com a forma de conceber o tempo e de agir nele, duas noções que segundo Castoriadis são necessárias para abranger a compatibilidade material das experiências de vida que estão à forma do tempo (p. 241). Em outras palavras, é preciso que haja instituição social de uma demarcação comum ou coletiva do tempo. Esse é um motivo importante para demonstrar como a descrição ou a análise das práticas de uma sociedade é inseparável da descrição de sua temporalidade, pois é das suas instituições mais próprias. Para melhor explicar tal vínculo, o autor cita o caso das sociedades capitalistas. Para ele, tudo que o capitalismo representa, significa, institui, não é e não teria sido possível fora de uma temporalidade efetiva instaurada e que se autoaltera de modo particular. Reproduzindo suas palavras (...) a instituição explícita do tempo no capitalismo, enquanto tempo identitário ou tempo de demarcação, é a de um fluxo mensurável homogêneo, uniforme, totalmente aritmetizado; e enquanto tempo imaginário ou tempo de significação, o tempo capitalista típico é um tempo ―infinito‖ representado como tempo de progresso, de crescimento ilimitado, de acumulação, de racionalização, de conquista da natureza, de aproximação cada vez maior de um saber exato total, de realização de uma fantasia de onipotência (CASTORIADIS, 1982, p. 244). Pode-se perceber que a sociedade capitalista existe nesta e por esta instituição explícita 3 , tanto de seu tempo identitário quanto de seu tempo imaginário, visivelmente indissociáveis. A representação desse tempo e a percepção de como agir nele compreendem o conjunto de significações e experiências do indivíduo que, antes de tudo, reproduzem e movimentam tal sistema. Outra característica identificada por Castoriadis quanto à instituição temporal é que, para cada sociedade, existe uma qualidade do tempo como tal, que está em suspenso, sendo preparada segundo as significações imaginárias instituídas e manifestada conforme a linguagem da sociedade considerada. Segundo o autor, essa qualidade mostra que o tempo instituído não pode jamais ser reduzido a seu aspecto puramente identitário, calendário e mensurável. Conforme seu dizer 2 Castoriadis lembra que ainda se vê o tempo como irredutível ao tempo simplesmente calendário. Mesmo apoiado naturalmente, o tempo do fazer ―apresenta-se e é como interiormente diferenciado, organizado, não homogêneo, inseparável do que nele se faz‖ (p. 249). 3 Castoriadis ressalva que ―em uma camada de sua efetividade, o tempo capitalista é o tempo da ruptura incessante‖ (p. 244).

15 Mesmo nas sociedades ocidentais de capitalismo moderno, onde a tentativa desta redução foi levada mais longe, não somente subsiste, e maciçamente, uma qualidade de fluxo temporal como tal (tempo do ―progresso‖, da ―acumulação‖ etc); mas esta própria redução do tempo em tempo puramente e somente mensurável, é apenas uma manifestação entre outras do imaginário desta sociedade e instrumento de sua ―materialização‖ (CASTORIADIS, 1982, p. 248). A partir desse raciocínio fica impossível acreditar na existência de um único parâmetro para o tempo, pelo qual tudo adquire um status mensurável e calculável. Ainda que a significação imaginária central da sociedade adquira uma aparência coerente segundo suas próprias normas, Castoriadis afirma não ser possível instituir um mundo como puramente identitário, pois ―a conjuntura do mundo social é inseparável das significações imaginárias sociais‖ (p. 248). Reconhece-se, portanto, o aspecto heterogêneo que pode estar presente na representação e orientar na ação sobre o tempo, conforme pressupostos oriundos de diferentes posições ideológicas. Ao ser instituído, o tempo do fazer, diz Castoriadis, contém também singularidades não determináveis de antemão. A ausência de neutralidade que as caracteriza vem possibilitar o aparecimento ―do irregular, do acontecimento, da ruptura da recorrência‖ (p. 249). Na instituição do tempo imaginário como tempo do representar, esse aspecto do tempo de fazer social tende a sofrer o que Castoriadis descreve como processos de encobrimento e ocultação, isto é, formas de denegação da temporalidade como alteridade-alteração. Negar a emergência da alteridade oferece, virtualmente, controle sobre as referidas instabilidades. Reproduzindo o autor Assim, tudo se passa como se o tempo do fazer social, essencialmente irregular, acidentado, alterante, devesse sempre ser imaginariamente reabsorvido por uma denegação do tempo mediante o eterno retorno do mesmo, sua reapresentação como puro desgaste e corrupção, seu aplainamento na indiferença da diferença simplesmente quantitativa, sua anulação perante a Eternidade (CASTORIADIS, 1982, p. 250). A denegação da alteridade sugere uma negativa que a própria instituição tem para com ela mesma, pois se trata de encobrir uma das suas propriedades mais específicas. A busca por um controle, ainda que ilusório, sinaliza que a instituição se recusa a ser alterada enquanto tal, razão à qual Castoriadis atribui ―o desconhecimento pela sociedade de seu próprio ser socialhistórico como enraizados na própria instituição da sociedade tal como a conhecemos, ou

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