Views
4 years ago

Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

22 mais estáveis ou

22 mais estáveis ou ―sólidas‖ (2001, p. 8-15). Segundo o autor, essa era uma época em que se vivia a obsessão pelo volume, pela conquista territorial, ou como descreve ―uma modernidade do tipo ‗quanto maior, melhor‘, ‗tamanho é poder, volume é sucesso‘‖ (1998, p. 132). Para vencer a resistência do espaço e tornar possível estender seus limites, o ser humano subordinou o tempo a sua inventividade e capacidade técnica, tornando-o uma ferramenta para encurtar distâncias e superar obstáculos. A nova dinâmica temporal originou a equivalência expressa na máxima ―tempo é dinheiro‖ e conformou os indivíduos a uma lógica homogênea rotinizada (p 130). Bauman explica que a mentalidade moderna adquiriu então um direcionamento, progressivo e linear, que incitava as pessoas a andarem ―para a frente com o tempo‖ (p. 111). Foi desse modo que os homens e as mulheres modernos viveram em um tempo-espaço estruturado, isto é, com características temporais e espaciais enrijecidas, sólidas, duráveis que se tornaram por um lado ―referência de nível para traçar e controlar o caráter caprichoso e volátil da vontade humana‖ e por outro ―um duro recipiente em que os atos humanos podiam achar-se sensíveis e seguros‖ (p. 111). Ele ressalta que o trânsito entre as épocas é marcado exatamente pela dissolução das estruturas que mantinham aquele tempo-espaço moderno aparentemente sólido e durável. O espaço começa a perder relevância, até passar a ser atravessado, literalmente, em ―tempo nenhum‖. É a chegada ao universo do software, em que Bauman afirma ocorrer uma destemporalização do espaço social (p. 110) [grifo do autor]. Conforme seu dizer Em seu estágio pesado, o capital estava tão fixado ao solo quanto os trabalhadores que empregava. Hoje o capital viaja leve – apenas com a bagagem de mão, que inclui nada mais que pasta, telefone celular e computador portátil. Pode saltar em qualquer ponto do caminho, e não precisa demorar-se em nenhum lugar além do tempo que durar sua satisfação. O trabalho, porém, permanece tão imobilizado quanto no passado –, mas o lugar em que ele imaginava estar fixado de uma vez por todas perdeu sua solidez de outrora; buscando rochas, as âncoras encontram areias movediças. Alguns dos habitantes do mundo estão em movimento; para os demais, é o mundo que se recusa a ficar parado (BAUMAN, 2001, p. 70). No tocante ao tempo, talvez a única certeza seja a prevalência da instantaneidade, característica que parece assumir a tônica dos processos. Referindo-se a um movimento muito rápido e a um tempo muito curto, o instantâneo, explica Bauman, denota a ausência do tempo como fator do evento e, por isso mesmo, como elemento no cálculo do valor. Assim, o tempo não mais confere valor ao espaço, ao contrário, o desvaloriza (p. 136). A instantaneidade diminui a distância em tempo que separa o começo do fim, fazendo com que tal passagem

23 seja marcada apenas por momentos, que Bauman explica serem ―pontos sem dimensões‖ (p. 137-138). Ele afirma que sua reflexão não considera a inexistência, na modernidade, de certos condicionamentos como os descritos, sendo que apenas não eram tidos como evidentes pelos seus contemporâneos. As observações de Bauman se dão em cima não da tranquilidade vivenciada no passado, mas sim acerca do choque experenciado no presente. Para o autor, o que falta aos indivíduos de hoje é uma facilidade de manejar, administrar, superar a estrutura do mundo segundo suas ações. O mundo exterior se impõe perante a flexibilidade da vontade humana. Esse mundo, em que o ser humano tenta se inscrever e pelo qual procura se orientar, parece ter-se tornado frágil e errático. Os objetos duráveis de outrora dão lugar aos produtos projetados para imediata obsolescência. Também as identidades podem ser adotadas e descartadas, sem que haja compromisso com experiências passadas, pois se está sempre ―mantendo as opções abertas‖ (p. 112-113). A sociedade vive em um processo de transição, que tende a acelerar os próprios processos de ruptura com os vínculos de outros tempos, acabando inevitavelmente por conferir um imperativo de constante ultrapassagem das próprias formas que promove. O pensamento de Bauman é importante por convidar a uma reflexão sobre como nesse cenário líquido se relativizam tanto hábitos e valores quanto as formas de sua reprodução social. Bauman afirma que mesmo as ideias tornam-se objetos de consumo imediato. O que tem valor hoje é ―o ilimitado das sensações possíveis‖, isto é, o modo como se vive cada momento, a capacidade infinita contida em cada experiência (p. 145). O tempo em Bauman é elemento de transição entre estruturas sistêmicas e dinâmicas. Assim como os líquidos, mantém uma capacidade e facilidade de não se fixar em nada a não ser, como percebido, em um ideal de mobilidade. Indiferente à duração, hoje sua forma mais típica é a instantaneidade, o que gera, por um lado, a impressão de momentos ilimitados e, por outro, impede qualquer traço de autonomia do sujeito sobre a velocidade com que eles acontecem e a intensidade com que afetam sua vida. 2.4 O tempo em Augé Em suas observações sobre a contemporaneidade, o antropólogo Marc Augé (1994; 2006) dedica atenção para os impactos nas relações entre as pessoas ao viverem em uma sociedade midiatizada, isto é, em plena era de evoluções tecnológicas e telecomunicações e

da análise do discurso à apreciação das práticas discursivas
UMA ANÁLISE DISCURSIVA DA TERMINOLOGIA DO ... - GELNE
Em que sentido está(ria) a verdade? Uma análise discursiva ... - Latu
A CONSTITUIÇÃO DA MEMÓRIA DISCURSIVA DO ... - fflch
experiências discursivas na universidade - Psicanálise & Barroco
vanessa regina vieira gonçalves - Universidade Estadual de Londrina
Práticas Discursivas em Blogs Políticos - cchla - Universidade ...
ANÁLISE DISCURSIVA DA LITERATURA COMO DISPOSITIVO ...
ÇÃO: UM OLHAR DISCURSIVO SOBRE O TRABALHO DE ... - Unifra
uma análise discursiva do sujeito e seus movimentos - Celsul.org.br
a formação discursiva do jogador de futebol em entrevistas ... - ufrgs
uma análise lingüístico-discursiva de o despertar de kate chopin
INCONFIDÊNCIA MINEIRA: MEDIAÇÕES DISCURSIVAS
Funcionamento discursivo da divulgação de obras literárias - Unisul
Blogs íntimos: percursos no contexto discursivo do meio - ECA-USP
análise discursiva do telecurso 2000 - Unisul
universidade federal da paraíba centro de ciências humanas, letras ...
a ferramenta sócio-cultural de análise discursiva em sala de aula ...
O Sujeito Discursivo Contemporâneo: um exemplo - ufrgs
contribuições para a filosofia da linguagem e estudos discursivos
repercussões da neurolingüística discursiva na ... - Celsul.org.br
da formação discursiva ao simulacro do interdiscurso: o ... - Ufrgs
Tradições discursivas nas culturas populares - Universidade ...
Discurso Siza Vieira - Universidade Técnica de Lisboa
universidade do sul de santa catarina diego moreau - Unisul
O mascaramento discursivo na mídia impressa: deslizes e derivas ...
As funções discursivas das cláusulas de finalidade - Universidade ...
Tradições Discursivas: uma análise comparativa dos ... - EPED USP