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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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26 Sobre o terceiro

26 Sobre o terceiro excesso do mundo sobremoderno, de individualismo, Augé define um processo de individualização passiva, que afirma ser ―uma individualização de consumidores cujo aparecimento tem a ver, sem nenhuma dúvida, com o desenvolvimento dos meios de comunicação‖ (p. 106). Ele comenta que a mídia assume o papel de principal mediadora institucional, no lugar de tradicionais instituições 7 mediadoras como a escola, os sindicatos e a família, estabelecendo modificações nas relações sociais. Entre as novas relações estabelecidas pelos meios de comunicação pode ser distinguida uma forma de passividade, na medida em que os indivíduos se encontram expostos cotidianamente ao que o autor descreve como ―espetáculo de uma atualidade efêmera‖ (p. 106). Também estão propensos a uma forma de solidão, a partir do fato de que os meios convidam a navegação solitária e na qual ―toda telecomunicação abstrai a relação com o outro, substituindo com o som ou a imagem o corpo a corpo e o cara a cara‖ (p. 106). E, por fim, desenvolvem uma forma de ilusão, em que é deixado a critério de cada um a elaboração de pontos de vista, opiniões em geral bastante induzidas, mas percebidas como pessoais (p. 106). O tempo em Augé é um tempo veloz, que se torna um paradigma para a sociedade atual, devido à dificuldade humana de acompanhar a rapidez com que se estabelecem novos ritmos, processos e relações. Na situação sobremoderna, caracterizada pelo excesso, o domínio sobre o tempo é reduzido, mais notadamente ainda na comunicação, em que tanto a produção quanto a interpretação do que é transmitido é impelida a se dar no imediato e no instantâneo. Assim, a prioridade do tempo hoje fica marcada, seja na fugacidade dos acontecimentos, na profusão simbólica ou no pensamento individualista. 2.5 O tempo em Thompson O sociólogo John B. Thompson (1995) desenvolve um estudo sobre ideologia e cultura nas sociedades, tendo como uma das áreas de interesse os usos sociais das formas simbólicas 8 na vida moderna. Ele enfatiza a importância do tempo, junto com o espaço, para a formação de uma teoria que se aplique às atuais formas de sociabilidade. A partir de uma abordagem que retoma os pressupostos ideológicos, Thompson procura refletir de que modo e em que medida as formas simbólicas servem para estabelecer e 7 Augé faz referência ao que o estudioso Émile Durkheim designava como ―corpos intermediários‖, instituições cujas mediações oferecidas estabelecem o chamado nexo social. 8 Thompson emprega a expressão ―formas simbólicas‖ para se referir a uma ampla variedade de fenômenos significativos, desde ações gestos e rituais até manifestações verbais, textos, programas de televisão e obras de arte (1995, p. 183).

27 manter relações de dominação nos seus respectivos contextos sociais. Para ele, o caráter ideológico que os fenômenos simbólicos sustentam, deve ser investigado, procurando-se compreender como essas formas são empregadas, transmitidas e compreendidas pelos receptores (p. 76). Nesse raciocínio, procura lembrar que A vida social não é, simplesmente, uma questão de objetos e fatos que ocorrem como fenômenos de um mundo natural: ela é, também, uma questão de ações e expressões significativas, de manifestações verbais, símbolos, textos e artefatos de vários tipos, e de sujeitos que se expressam através desses artefatos e que procuram entender a si mesmos e aos outros pela interpretação das expressões que produzem e recebem (THOMPSON, 1995, p. 165). Em sentido mais amplo, o estudo dos fenômenos culturais pode ser pensado como o estudo do mundo sócio-histórico constituído como um campo de significados. Em outras palavras, Thompson busca compreender as maneiras como expressões significativas de vários tipos são produzidas, construídas e recebidas por indivíduos situados em um mundo sóciohistórico (p. 165). Thompson acrescenta que às formas simbólicas são conferidos determinados valores, por meio do que denomina processos de valorização. Segundo relata existem dois tipos de valores que declara serem importantes a esse respeito: o primeiro, a que chama de ―valor simbólico‖, refere-se ao valor que as formas simbólicas possuem em virtude das maneiras como elas são apreciadas, queridas ou desprezadas pelas pessoas que as produzem e as recebem; o segundo tipo é o ―valor econômico‖, que pode ser entendido como o valor que as formas simbólicas adquirem em virtude de serem trocadas em um mercado. Cabe pontuar a ressalva feita pelo autor, quando diz que nem todas as formas simbólicas possuem valor em um sentido econômico. Não obstante, tal valoração, quando presente, tem raízes em um processo importante que ―se desenvolveu historicamente e assumiu um papel sempre mais importante nas sociedades modernas‖ (p. 23). Nos dias de hoje, o espaço de trânsito e valoração por excelência de toda essa massa simbólica é a mídia, área que segundo Thompson, promove experiências particulares de recepção das formas simbólicas. Para o autor, as variações na compreensão e internalização dos discursos midiáticos se dão pelo fato de que as mensagens são recebidas com graus diferenciados de concentração, em que as pessoas interpretam e atribuem um sentido subjetivo, relacionando-as a outros aspectos de suas vidas (p. 287). Também contribuem as transformações técnicas dos meios pelos quais são produzidas e transmitidas as mensagens.

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