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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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28 Assim, adquirem um

28 Assim, adquirem um papel diferenciado na organização da vida cotidiana da maioria das pessoas nas sociedades modernas. Thompson (2008) dá continuidade ao pensamento desenvolvido, mantendo o enfoque crítico das relações dos meios de comunicação de massa, mas abrindo mais espaço para a reflexão sobre o impacto da mídia na vida social. O autor sustenta que o desenvolvimento da mídia transformou a constituição espacial e temporal da vida social. As consequências de tal transformação têm grande alcance e atingem muitos aspectos da vida, desde os mais íntimos, vinculados à experiência pessoal e à autoformação, até aqueles de domínio público, como os que se relacionam à mutável natureza do poder e da visibilidade (p. 35). Thompson afirma que o que houve foi uma ―reorganização do espaço e do tempo‖ (p. 36), definição que evidencia sua percepção da temporalidade relacionada à mudança e transformação experimentada a partir dos meios de comunicação. Conforme argumenta, o uso dos meios técnicos de comunicação pode alterar as dimensões espaço-temporal da vida social. Na percepção do autor, espaço e tempo se dilatam cada vez mais, o que permite que a comunicação se realize além dos limites característicos de uma interação face a face. Essa dilatação é entendida por ele como a ampliação das possibilidades, o que, de forma prática, incorre na diminuição de distâncias (espaço) e instantaneidade (tempo). Segundo o autor, isso se dá porque a distância no espaço não significa mais necessariamente uma distância também no tempo. O alargamento do espaço de comunicação se associou à redução do tempo necessário para que essa comunicação se efetivasse. Em outras palavras, a emissão e a recepção das mensagens adquiriram graus de simultaneidade em um novo tipo de experiência que ―separou-se de seu condicionamento espacial‖ (p. 37). É por isso que uma das consequências identificadas pelo autor para a percepção humana do tempo está no surgimento de um outro ―sentido de ‗agora‘ não mais ligado a um determinado lugar‖ (p. 37). Essas transformações geraram uma necessidade de se coordenarem melhor as dimensões espaçotemporais, o que resultou, conforme o autor, na adoção de convenções destinadas a padronizar o tempo no mundo. Um exemplo notório foi a introdução do horário de Greenwich, a divisão em fusos horários, coordenando-se um sistema de tempos locais. Também a evolução nos modos de produção teve sua parcela de responsabilidade nas transformações das relações temporais. Tal como em seu dizer À medida que os indivíduos foram gradualmente sendo atraídos por um sistema de trabalho fabril e urbano, a experiência do fluxo do tempo foi se associando cada vez mais aos mecanismos de observância do tempo em sincronização com as horas de trabalho e com as organização dos dias da

29 semana. Logo que o tempo começou a ser disciplinado pelos objetivos de aumentar a produção de mercadorias, houve uma certa troca: os sacrifícios feitos no presente eram trocados pela promessa de um futuro melhor (THOMPSON, 2008, p. 40). Conforme o autor, a partir de padronizações como essas aumentou o interesse na experiência pessoal de tempo e espaço, ou seja, o que nasceu como decisão com vistas à vida social, teve repercussão na vida individual. Thompson lembra que a compreensão do tempo e espaço anterior era constituída e transmitida primordialmente pelas tradições orais. Segundo Thompson, essa função foi incrementada com o desenvolvimento dos meios de comunicação que passaram a mediar a historicidade dos acontecimentos, substituindo gradativamente a experiência, a compreensão empírica (p. 38). Conforme o autor, tal processo de compreensão se serve cada vez mais do conteúdo simbólico presente nos produtos das indústrias da mídia. Trata-se de uma compreensão que se dá tanto fora do alcance da experiência pessoal como do lugar que o indivíduo ocupa na sociedade. A difusão dos produtos da mídia permite em certo sentido a experiência de eventos, a investigação de outros e, em geral, o conhecimento de um mundo que se amplia para muito além do que as pessoas podem encontrar diariamente (p. 38). Em contrapartida, além de alterar a compreensão do lugar e do passado, o desenvolvimento dos meios de comunicação modificou o sentido de pertencimento dos indivíduos, segundo Thompson, em certa medida proveniente de um sentimento de partilha de uma história e de um lugar comuns, de uma trajetória comum no tempo e no espaço, que dá a sensação de pertencimento a determinado local. São consequências que mostram como as maneiras pelas quais os indivíduos experimentam as características de espaço e de tempo da vida social podem ser afetadas. O tempo em Thompson está envolvido com a compreensão das formas simbólicas e os efeitos sociais do uso destas, incluindo reprodução de relações de dominação. Passível de ser usado para legitimar determinadas formas de poder, o tempo, já padronizado, agora passa a ser modelado cada vez mais pela mediação de formas simbólicas nos contextos sociais da vida cotidiana. 2.6 O tempo em Marcondes Filho Marcondes Filho e alguns colaboradores, no final do século XX, empenharam-se em refletir sobre a formação de uma teoria da comunicação, tendo como um dos pilares a

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