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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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30 observação das

30 observação das transformações nas relações sociais através das tecnologias comunicacionais, entre elas aquelas que provocam mudanças na percepção do tempo. Para melhor explicar sua argumentação, os autores começam por distinguir concepções básicas de tempo. A primeira, de base aristotélica, considera o tempo como a parte mensurável do movimento. Nessa perspectiva ele é medida do movimento, visto nos ciclos da natureza, nos períodos da vida humana, eras históricas e geológicas, sendo adotado como conceito científico. A principal característica desta concepção é a sucessividade na percepção do tempo (p. 281). O tempo físico, grandeza fixa e demarcável utilizada para descrever de forma unívoca a relação passado-presente-futuro, está vinculado diretamente a essa concepção. Conforme a lógica assumida por Isaac Newton, é o tempo que determina objetivamente e coordena as atividades humanas (p. 286). A segunda concepção alude ao pensamento de Hegel, em que o tempo se apresenta como um ―devir intuído‖ (p. 281). A principal característica dessa perspectiva é a percepção de que o tempo se divide em outros três, que compartilham do mesmo eixo, o tempo presente. Um é o presente do presente, que se refere ao momento atual e sedimenta as outras duas divisões pensadas, o presente do futuro e o presente do passado. O futuro, os autores esclarecem, está articulado ao presente porque não é visto como parte do tempo que não chegou e que virá, mas antes tem a própria existência como possibilidade mais própria. Desse modo, só haveria futuro ―para um ser que é essencialmente porvir, ou seja, que conhece, que faz uso dessa sua possibilidade‖ (p. 282). Buscando Heidegger, os autores demonstram a orientação do passado pelo presente. Segundo o autor retomado, a existência não começa o seu ser a partir de si mesma. Dito de outro modo, a existência aparece como sempre-havendojá-sido. Conforme esclarecem Assim como o futuro não é parte do tempo que ainda não chegou e que virá, também este haver-já-sido não é o conjunto de acontecimentos que me ocorreram e que já passaram e que agora já não são. Não; é um momento constantemente vigente no meu ser atual. (MARCONDES FILHO, 1998, p. 282). Em resumo, nessa concepção básica de tempo, passado, presente e futuro não se diferenciam como momentos estanques e realidades distintas. São dimensões que se aglutinam e se acoplam no presente. Portanto, diferentemente da primeira concepção trazida, e que foi adotada pela ciência, o tempo não se constituiria em uma sucessão, tese que os autores relatam ser defendida também por Bergson. Na posição desse autor o tempo não é

31 linear exatamente por ―força de sua própria mobilidade e originalidade a cada instante‖ (p. 281). Conforme lhe recobram Há uma continuidade absoluta, uma corrente fluida em que cada momento muda ininterruptamente de estado. Do futuro para o presente e para o passado. Este último aglutina como bola de neve o todo já vivido em um infinito presente (BERGSON apud Marcondes Filho, 1996, p. 281). Ainda em contraposição à concepção aristotélica, é lembrado que o próprio saber científico, por meio da teoria da relatividade, considerou a obsolescência daquela fórmula ao postular que espaço e tempo não existem salvo em relação a um observador. Tal princípio levantou a questão de ser a experiência humana com o tempo basicamente um fluir, sendo a característica da sucessão temporal uma ideia ilusória. Segundo Marcondes Filho, a sensação de realmente vivenciar um agora atual é ―uma projeção puramente subjetiva, sem significação real‖ (p. 256). Considerando também a relação entre tempo e inconsciente 9 , em que não há compromisso deste com aquele, o autor conclui um levantamento de concepções que enxerga como exemplos que demonstram que a inscrição do tempo em uma regularidade demarcável se trata de um processo cultural. A necessidade de demarcação ganha importância não pela natureza do tempo, mas devido a impossibilidade humana de lidar com a mobilidade e velocidade das transformações decorrentes dos processos temporais. ―Fixar‖ o tempo, explicam os autores, seria a saída para poder dominar esse fluxo, aplacando como possível a angústia e as incertezas dele derivadas (p. 287). Assim, as medidas do tempo se dão por conversões que colocam o tempo como percurso, limitado espacialmente ou demarcado de forma que signifique fases ou marcas quanto à ocupação de um espaço (p. 288). O trajeto solar, as fases da lua são marcações que servem de exemplos de espacialização do tempo. A instrumentalização dessa espacialização, relata Marcondes Filho, acontece primeiro com os relógios de sol e a ampulheta e em seguida com o relógio mecânico que torna a conversão dessas demarcações ainda mais explícita. Conforme explica 9 Marcondes Filho et al também refletem sobre a relação entre tempo e inconsciente. Seria nessa instância psíquica que o tempo mais se apresentaria relativo, impedindo ser pensado de forma linear. Conforme afirma Freud (apud Marcondes Filho, p. 285), a ideia de tempo não pode ser aplicada ao se pensar o inconsciente, pois é incompatível com suas características. O fundador da psicanálise descreve o inconsciente como um espaço de caos e instintos, caracterizado pela intemporalidade em seus processos e manifestações. Também Lacan, ao reinterpretar os processos apontados por Freud e associá-los diretamente à linguagem, evidencia essa ausência de temporalidade (1998, p. 256).

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