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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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34 vivendo-se o passado,

34 vivendo-se o passado, o presente e o futuro como se fosse o presente perpétuo, que nada mais é que a diluição do passado num presente e a ausência de um futuro que possa vir a ser possível (p. 296-297) [grifo do autor]. O tempo em Marcondes Filho, pensado em sua natureza atual, é subjacente à intensidade. Esta é a principal forma de vivenciá-lo hoje, representada na contínua condensação de eventos múltiplos em períodos de experiência cada vez mais curtos. Tal condição favorece a circulação de várias temporalidades que podem estar relacionadas a uma assimilação diferenciada de discursos. 2.7 O tempo em Castells Em sua obra, Castells visa a formular uma teoria da Era da Informação de cunho sociológico, e o tempo é uma de suas áreas de interesse para chegar a esse construto. Especificamente, não se trata de um estudo do tempo pelo que ele é, pois admite que seria de compreensão difícil e um intento que já confundiu diversos outros estudiosos. O que interessa ao autor é pensar como o tempo está sendo transformado na sociedade de hoje. Castells (1999) lembra que mudanças percebidas, por exemplo, nos modos como as sociedades pensam, produzem, consomem, negociam, gerem, comunicam e vivem foram alvo de tentativas de conceitualizações pela maioria das ciências tais como a física, biologia, história e sociologia. Entretanto, declara que não raro essas reflexões incorreram em incoerências e imprecisões, em que os conhecimentos produzidos acabavam por minimizar e até anular os papéis das modificações citadas no cotidiano. Por isso o autor procura apoiar sua reflexão no compartilhamento do espaço e do tempo, entendendo que estes, sob condições determinadas pelas relações de produção, poder e experiência, geram e modificam formas de sociabilidade. Tal observação sugere que uma análise das configurações espaçotemporais pode ajudar a compreender as evoluções no âmago de cada cultura. Seguindo esse raciocínio, Castells (2003) direciona sua atenção para o significado social do espaço e do tempo, que considera as bases materiais da experiência humana. Segundo o autor, as relações espaciais e temporais estão no foco da revolução tecnológica deflagrada nos últimos vinte e cinco anos do século XX e que apresenta a informação como matéria base de análise. Com a passagem para o paradigma informacional, explica Castells, máquinas comunicacionais, estabelecem-se com o mais distante passam a se fazer, em termos de temporalidade, em condições semelhantes àquelas em que se realizam os contatos in loco” (p. 298) [grifo do autor].

35 surge uma nova cultura, onde lugares são superados e o tempo, anulado. No panorama das redes de computadores e da mídia eletrônica, todas as expressões ou são instantâneas ou não apresentam uma sequência previsível, e os valores e interesses predominantes são construídos sem referência ao passado ou ao futuro. Vive-se, assim, em um ―espaço de fluxos 11 ‖ e em um ―tempo intemporal‖ que constituem, para o autor, a cultura da virtualidade real (p. 474). Trata-se de uma cultura onde o virtual assume o lugar do real, e as novas tecnologias de comunicação, de forma integrada, fornecem o substrato, compondo um sistema novo, tal como esclarece A tecnologia reduz o tempo a alguns instantes aleatórios e, com isso, desarticula a sequência da sociedade e o desenvolvimento da história. Ao encerrar o poder no espaço de fluxos, ao permitir que o capital escape do tempo, e ao dissolver a história na cultura do efêmero, a sociedade em rede desincorpora as relações sociais e introduz a cultura da virtualidade real (CASTELLS, 2003, p. 474-475). É em um espaço de fluxos, que domina o espaço de lugares, e em um tempo intemporal, que substitui o tempo cronológico da Era industrial, que Castells acredita acontecerem os processos de mudança estrutural que, segundo ele, contribuem para operar a transformação fundamental dos contextos macropolíticos e macrossociais ―que moldam e condicionam a acção social e a experiência humana em todo o mundo‖ (p. 474). Conforme essa proposição, compreende-se que as mudanças que se dão nas mais diversas esferas da atividade humana, algumas mencionadas inicialmente, tem raízes na nova configuração espacial e temporal. É interessante notar como essas mudanças no social atingem o nível individual, de tal modo que Castells chega a caracterizar o surgimento do que chama de personalidades flexíveis. Trata-se de um estado em que há dedicação integral à reconstrução do ser, em vez de definições a partir da adaptação a comportamentos, característica convencional outrora. Castells explica que esse tipo de caracterização, meramente adaptada e nitidamente passiva, não faz mais sentido nos dias de hoje, porque já não é mais viável. Para o autor ―a mudança mais fundamental das relações de experiência na Era da Informação é a sua passagem para um padrão de interacção social construído sobretudo pela experiência real da relação‖ (p. 474). Isso significa que, nos dias atuais, a estrutura social está baseada mais na produção de formas de sociabilidade do que na imitação de modelos de comportamento. 11 É importante ressaltar que para Castells este é um conceito que representa uma forma predominante, não única, porque, conforme menciona ―o espaço de fluxos não anula a existência de lugares‖ (2003, p. 474).

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