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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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36 Conforme os

36 Conforme os interesses do presente trabalho, é pertinente atentar mais de perto para um aspecto enfocado por Castells em sua reflexão sobre a estrutura social na atualidade, que é a constituição de um ―sistema temporal‖, relacionado com o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e caracterizado pela negação do tempo (p. 459). Daí, o conceito de temporalidade que propõe, denominado tempo intemporal, que define como ―a forma dominante emergente do tempo social na sociedade em rede‖ (p. 461). O autor explica que o paradigma antes predominante, que descreve o tempo como linear, irreversível, mensurável e previsível é substituído por uma realidade caracterizada pela fragmentação, patente na sociedade em rede. Nesse movimento entre paradigmas, alerta o autor, não se trata apenas de observar o tempo tornar-se relativo mediante os contextos sociais ou testemunhar um retorno à reversibilidade temporal, como se a realidade pudesse ser inteiramente captada em mitos cíclicos. Para ele, a transformação temporal é mais profunda, pois tempos são misturados para criar um universo eterno ―que não se expande sozinho, mas que se mantém por si só, não cíclico, mas aleatório, não recursivo, mas incursor‖ (p. 460). Chega-se a um estado em que o indivíduo busca se desvencilhar dos contextos de sua existência usando a tecnologia, ao mesmo tempo em que, também por meio dela, passa a se apropriar de diversos outros valores, selecionados de outros contextos, e que oferecem um presente eterno (p. 460). Castells observa ainda que na estrutura da sociedade em rede estão embutidas a libertação do capital em relação ao tempo e a fuga da cultura ao relógio, características facilitadas pelas novas tecnologias da informação (p. 460). Castells afirma que a exclusão de funções e pessoas em diferentes estruturas temporais e espaciais, e a posterior inclusão seletiva, mostra que o capital não só comprime o tempo como também o absorve e gera renda ―a partir de seus segundos e anos‖ (p. 461). Conforme explica O tempo é gerenciado como um recurso, não da maneira cronológica linear da produção em massa, mas como um fator diferencial em relação à temporalidade de outras empresas, redes, processos ou produtos. (...) o tempo não é apenas comprimido: é processado (CASTELLS, 2003, p. 466). O tempo adquire uma personalidade flexível, propícia e conveniente à gestão da produção em rede, com a velocidade, a manipulação e o controle dos ciclos dos produtos, lucros, equipamentos e recursos humanos como diferencial competitivo nos mercados. A manipulação e o controle do tempo, a busca por sua flexibilização e organização com base no curto prazo, fazem com que o ser humano seja confrontado e muitas vezes dominado por múltiplas e contraditórias temporalidades, que o autor declara se desenvolverem

37 invariavelmente dentro da mesma estrutura (p. 469). Além disso, a distribuição como se estrutura o tempo de trabalho na vida cotidiana e as tentativas de administrá-lo geram efeitos em outras dimensões, relacionadas às maneiras como os indivíduos se sentem, divertem-se e sofrem (p. 466). Portanto, são novas relações que interferem não apenas na economia, mas na organização social e na vida diária das pessoas. Castells acrescenta que a noção de relógios biológicos, ritmos individuais ou mesmo cósmicos que ordenam um ciclo de vida regular, também está sofrendo alterações devido aos avanços organizacionais, tecnológicos e culturais característicos da nova sociedade (p. 472). Todas essas constatações fazem com que o autor levante a hipótese de que a sociedade em rede se caracteriza ―pela ruptura do ritmo, ou biológico ou social, associado ao conceito de um ciclo de vida‖ (p. 472). O ritmo cronológico interno dos eventos significativos dá lugar a uma nova forma de ordenação, organizada em sequências temporais condicionadas ao contexto social de sua utilização. Por um lado, essa ordenação é eterna, porque alcança toda uma sequência passada e futura, e por outro, efêmera, porque é dependente dos objetivos para que é utilizada. Conforme o autor resume, vive-se ―em um universo de temporalidade nãodiferenciada‖ (p. 487). O tempo eterno e efêmero se encaixa neste modo cultural, à medida que transcende qualquer sequência específica. Conforme declara ―o tempo é comprimido e, em última análise, negado na cultura como uma réplica primitiva da rápida movimentação de produção, consumo, ideologia e políticas em que nossa sociedade é baseada‖ (p.487). Esse tempo, eterno e efêmero da nova cultura, adapta-se à lógica do capitalismo flexível e à dinâmica da sociedade em rede, mas acrescenta, na visão de Castells, sua camada poderosa, que instala sonhos individuais e representações coletivas. Forma-se um panorama mental que combina com uma lógica intemporal como o autor sugere, baseada em fluxos (p. 488-490). Essa confusão pode tomar a forma de compressão da ocorrência dos fenômenos, visando à instantaneidade, ou então de introdução da descontinuidade aleatória na sequência. A eliminação da sequência cria tempo não-diferenciado, o que para Castells equivale à eternidade. Ao que declara que a maioria das pessoas e lugares vivencia temporalidades diferentes, individualizadas (p. 489). Segundos suas palavras O tempo intemporal pertence ao espaço de fluxos, ao passo que a disciplina tempo, o tempo biológico e a sequência socialmente determinada caracterizam os lugares em todo o mundo, estruturando e desestruturando materialmente nossas sociedades segmentadas. O espaço de fluxos (...) dissolve o tempo desordenando a sequência dos eventos e tornando-os simultâneos, dessa forma instalando a sociedade na efemeridade eterna (CASTELLS, 2003, p. 490).

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