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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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38 Essas proposições

38 Essas proposições ajudam Castells a teorizar, e, mais especificamente, contemporizar a Era da Informação, identificando a diferenciação conflituosa de tempo nela existente e que compreende como resultante do impacto de interesses sociais opostos sobre a sequência dos fenômenos. Cada vez mais comprimido e indiferenciado, o tempo em Castells converge para a intemporalidade, conceito pelo qual distingue a temporalidade dominante na atualidade, e que se dá sob o paradigma da tecnologia da informação e da sociedade em rede. Esta (in)definição causa confusão sistêmica na ordem sequencial dos fenômenos, com reflexos nas dimensões social e individual da vida humana. 2.8 O tempo em Fiorin Sob a ótica enunciativa, Fiorin (1999) abre um diálogo sobre como o tempo, o espaço e a pessoa são expressos na linguagem humana. Considerando-os categorias essenciais, aborda sua apresentação, organização e interferência no processo de discursivização. Para construir seu raciocínio, Fiorin lembra que as línguas e a linguagem inscrevem-se em um espaço real e em um tempo histórico, sendo faladas por seres situados nesse mesmo espaço e tempo (p. 10). Retomando o mito da expulsão do homem do paraíso — marco em que este teria sido colocado na História —, além de revisitar uma das primeiras versões para a origem da linguagem, o autor deseja afirmar que, nesse âmbito, o que pertence à ordem da História é o discurso e não o sistema. Por meio desse esclarecimento, introduz duas teses que considera centrais a qualquer teoria do discurso: a primeira, de que o discurso é da ordem do acontecimento (História) mesmo obedecendo coerções da estrutura; e a segunda, de que não há acontecimento fora dos quadros do tempo, do espaço e da pessoa (p. 15). Como consequências de tais considerações estão a distinção do discurso como o lugar da instabilidade das estruturas, onde se criam os efeitos de sentido com a infringência ordenada às leis do sistema, e o reconhecimento da importância de compreender os mecanismos de tempo, de espaço e de pessoa para entender o processo de discursivização. Fiorin declara que o homem se vê inapelavelmente diante da diferença do que é da ordem da linguagem e do que é da ordem do mundo. Tal paradigma marca a constituição heterogênea do discurso, construído em uma relação polêmica sobre outros discursos (p. 15). As contradições decorrentes reforçam a afirmação de que a linguagem se configura como ―uma relação de equilíbrio precário derivado de forças estabilizadoras e desestabilizadoras‖ (p. 17).

39 Fiorin recobra de Benveniste a definição de que a enunciação é o mecanismo com que se opera a passagem da língua ao discurso. Tal posição, lembra o autor, levou Benveniste a demonstrar que as categorias da enunciação pertencem não à língua, mas à linguagem, o que significa que todas as línguas devem, de uma forma ou de outra, manifestar temporalidade, espacialidade e actorialidade. Percebendo a influência dessas categorias no processo de discursivização, Fiorin volta suas atenções para a forma como elas se organizam, interesse que o leva a formular a hipótese de que todas as categorias enunciativas são regidas pelos mesmos princípios (p. 22). A argumentação de Fiorin consiste em demonstrar que as instabilidades linguísticas, aparentes ao se tratar do discurso, não se realizam aleatoriamente, porém antes obedecem a certas coerções, que são elas mesmas garantias da existência do sentido. Com base nesse pensamento percebe as categorias de pessoa, tempo e espaço sendo regidas pelos mesmos princípios, funcionando de modo instável no discurso, ainda que este seja regido coercitivamente (p. 22). O autor se detém sobre o funcionamento de cada uma das três categorias mencionadas, sendo que, pelo aproveitamento do estudo, acompanham-se especificamente suas considerações a respeito do sistema temporal. Fiorin afirma que o homem sempre se preocupou com o tempo. Segundo ele, nos primórdios das sociedades, a percepção estava ligada a uma incompatibilidade com a experiência temporal, em que gerações se sucediam ―por meio de uma circulação incessante entre mortos e vivos‖ (p. 136). Como consequência, ele explica, o tempo da existência humana integrava-se no tempo cíclico do cosmo. Mas esse paradigma mudou. Celebrando novos valores, a sociedade de hoje vê o tempo como uma força de destruição, ―que arruína tudo o que é tido como eufórico‖ (p. 136). Paralelamente, ocorreu um redirecionamento na reflexão do tempo, ganhando destaque o ponto de vista linguístico, que Fiorin retoma a partir dos indícios trazidos por Santo Agostinho. Nas especulações do religioso, percebe-se o abandono de uma visão meramente física do tempo, que dá lugar a um enfoque na experiência deste no espírito e sua articulação pela linguagem, que possibilita apreendê-lo e medi-lo. Com essa perspectiva, o tempo passa a ser pensado por meio de signos, denominados por Santo Agostinho como imagens-vestígio, representantes da memória, e imagens-antecipantes, que simbolizam a espera. O exame de tais proposições contribui para Fiorin afirmar que, ao passar, o tempo se reduz a um ponto, expressão da ausência da extensão desse tempo; e enquanto passa, é atenção, e tem duração contínua (p. 137). Encaminhando-se ―para o não ser o que aí vai passar‖, o tempo nessa visão não admite pensar em passado e futuro longos, pois eles não

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