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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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40 existem. O que tem

40 existem. O que tem extensão, entende o autor, são a memória e a espera, cujas impressões ficam na alma (p. 138). Desse modo, percebe-se que o tempo é fundado em um momento específico, que marca a referência para o que já foi e o que ainda vai passar. E esse momento, explica Fiorin, dentro dos quadros da linguística, acontece por meio da enunciação. A partir desse ato é que é produzido o enunciado, que traz consigo elementos referentes ao momento de sua produção, dentre os quais diversos são regentes de aspectos temporais (p. 36). Neste ponto, recorre a Benveniste, que descreve a enunciação como o momento em que se instaura um agora, e, a partir dele, um então. Esse agora baseia as oposições temporais da língua, em que o presente, por exemplo, indica a contemporaneidade entre o evento narrado e o momento da narração (p. 142) [grifo do autor]. Gerado pelo ato de linguagem, o agora permanece o mesmo ao longo do fio do discurso e torna-se um eixo que ordena a categoria topológica da concomitância versus não-concomitância, isto é, daquilo que se manifesta ao mesmo ou em outro tempo que aquele do ato gerador. Essa categoria, por sua vez, divide-se na anterioridade ou posterioridade em relação ao dado momento de referência. O momento de referência, por instituir o anterior e o posterior do discurso, coordena e conforma sob si todos os tempos verbais. Fiorin explica que o presente existe como um tempo verbal por excelência, pelo qual as demais formas temporais se organizam e que ―concerne às relações de sucessividade entre estados e transformações representados no texto‖ (p. 144). Através das considerações de Fiorin percebe-se que a temporalização está intrinsecamente relacionada à enunciação. Funcionando a partir do momento da enunciação e organizado conforme o momento de referência do enunciado, o tempo passa a responder pelo que o autor declara serem dois sistemas. O primeiro, que está vinculado ao momento da enunciação, é denominado por ele como sistema enunciativo; e o segundo, que está relacionado às ordenações do texto, e é nomeado sistema enuncivo (p. 145). Esses sistemas demonstram não somente como acontece a temporalização 12 a partir da operação de passagem da língua para o discurso, mas também demonstram sua manifestação nele. Conforme Fiorin, é no discurso que o homem simula sua performance no mundo, cujas ações podem ser anteriores, atuais ou posteriores, mas sempre presentificadas na linguagem. Desse modo, acrescenta o autor, o tempo é sentido ―na medida em que é uma incidência na 12 Fiorin se preocupa em diferenciar temporalização de aspectualização do tempo. Esta última diz respeito à transformação de ações em processos, isto é, ―à atividade de um actante observador que vê a ação como uma ‗marcha‘, um ‗desenrolar‘‖ (p. 139). O autor alega que, embora sejam gramaticalmente diferentes, temporalização e aspectualização relacionam-se de forma intrínseca: ―o aspectual é sobredeterminado pelo temporal, e o tempo dos processos só é apreendido em sua aspectualidade‖ (p. 140).

41 permanência, em que é a descontinuidade que se introduz na continuidade da eternidade‖ (p. 140). O tempo é inserido no processo de discursivização, ajudando a moldar a relação entre os discursos, que muitas vezes é de oposição, pois todos estão submetidos à temporalidade. Expresso de modo particular em cada língua, o tempo, em Fiorin, é visto como intrínseco à enunciação e estabelecendo relação com o discurso por meio de categorias e modalidades que manifestam na linguagem estados e transformações do agir humano.

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