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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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42 2.9 Considerações

42 2.9 Considerações sobre as perspectivas à luz da Análise do Discurso Por reconhecer a natureza complexa do tempo, o levantamento realizado buscou contribuições de diferentes teóricos, fazendo conhecer enfoques que, assinaladas as especificidades, guardavam entre si a preocupação com o tempo e as maneiras de percebê-lo e representá-lo. Desse modo, a revisão bibliográfica se mostrou útil e necessária, de um lado por indicar formas de apreensão e compreensão do tempo, ajudando a delinear como se dá a experiência temporal; de outro, por familiarizar as transformações por que passa esta experiência na contemporaneidade com os objetivos da pesquisa. Contudo, como os pensamentos recobrados advêm de diferentes origens teóricas, é preciso revisitar essas reflexões onde elas se aproximam e se distanciam de pressupostos da principal filiação teórica deste trabalho, a Análise do Discurso de linha francesa (AD). Na reflexão filosófica de Castoriadis, compreende-se o tempo como construção e como instituição. Enquanto construção, relaciona-se ao sujeito; enquanto instituição, ao sóciohistórico. No entanto, esta distinção não impõe separação: o tempo pertence tanto a uma dimensão imaginária do sujeito quanto a uma dimensão social-histórica. O que as coloca em correspondência são as determinações, as figuras outras de que fala o autor. Estas intervêm para definir não só o que seja o tempo, mas como ele seja, como ele deva funcionar. Em outras palavras, o tempo é, para sujeito e sociedade, um efeito. Essa constatação faz com que se entenda que o tempo é algo nunca visto em si mesmo, mas antes uma projeção, resultado de determinações que o instituem socialmente e o constroem imaginariamente. Isso reforça o princípio discursivo formulado por Pêcheux (1995a) de que o sujeito interage com efeitos de sentido que lhe são provocados e vão constituir seu imaginário (p. 183). Com a AD, pode-se questionar de que posições ideológicas falam essas determinações e analisar como se configuram esses processos. Sabe-se que se trata de forças materiais que detêm a capacidade de determinar e submeter o tempo a um funcionamento conveniente a sua regência. Como explica Castoriadis, essa é uma relação interconstitutiva, em que o tempo, uma vez instituído, torna-se elemento de organização e manutenção das mesmas forças que o estabelecem. A emergência da alteridade, percebida pelo autor como característica essencial do tempo, sofre um primeiro movimento determinativo. Sob a alegação de uma estabilização necessária para o desenvolvimento da atividade social, busca-se um controle sobre a autoalteração incessante do tempo, fixando formas de ordenação. Para estabilizar uma

43 dimensão em permanente reconstrução, institui-se o tempo identitário, que impõe uma quantificação temporal a partir de referências naturais, e o tempo imaginário, que fornece possibilidades de significação mais qualitativas. Considera-se ingênuo pensar essa institucionalização somente como uma determinação histórica do tempo necessária à organização e sustentação de práticas sociais. A necessidade de apreender o tempo e registrálo sugere também uma oportunidade de engendrar representações que visem mais do que somente o controle das instabilidades inerentes a essa dimensão e que poriam em risco o fazer social. A ideologia embutida no processo de demarcação coletiva do tempo interfere em como as pessoas o percebem e agem segundo ele, noções que para Castoriadis são necessárias para abranger a compatibilidade material das experiências de vida e que, como o próprio autor explica, são tratadas tacitamente, como se todas as concepções e modos de agir fossem naturais, evidentes. Ao pensar a ideologia e seus construtos, Pêcheux (2011b) afirma que observamos uma constante dependência de administrações e burocracias, respeito a ordens, hierarquias e barreiras, que funcionam visivelmente como instâncias de opressão. Observamos também o costume à obediência e ao adestramento (...) (PÊCHEUX, 2011b, p. 109). O tempo que chega até as pessoas é mais uma dessas construções disciplinares, que pela imposição de marcos e limites conformam as experiências vividas. Por isso, há base para pensar as determinações enquanto movimentos sobre o tempo, que fazem a apreensão se realizar como representação e manejo, análise que este estudo objetiva. Indissociáveis das forças e interesses ideológicos, as tentativas de controle buscam efetivar e sustentar maneiras particulares de ver e de fazer o tempo. Isso faz supor que, no que concerne à linguagem, haja a procura por referenciar de forma inequívoca o tempo instaurado, respaldada na aparente relação literal com o mundo. Mas é aí que se pode dizer que o controle é duplamente ilusório, pois filosoficamente não se escapa à autoalteração do tempo e discursivamente o sentido sempre pode ser outro. Castoriadis inclusive diz que exatamente por as determinações não serem neutras, torna-se possível o aparecimento ―do irregular, do acontecimento, da ruptura da recorrência‖ (p. 249). Acrescenta-se que a possibilidade do equívoco 13 parece assinalar o desajuste entre o tempo de fazer e o de representar, mostrando 13 Observando a especificação de Orlandi (2004), frisa-se que o equívoco é referido aqui mais propriamente ao que afeta a relação palavra/coisa, devido à reflexão desenvolvida sobre o trabalho sócio-histórico na apreensão do tempo. Contudo, não se desconsidera o foco dado pela autora que, em estudo sobre a interpretação, toma equívoco menos ―ao nível do formulado‖ do que ―constitutivo da relação do sujeito com o simbólico‖, detendose no equívoco resultante da relação ideologia/inconsciente (p. 146).

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