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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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44 que há ainda o

44 que há ainda o instável, histórico-discursivo, de que as forças controladoras não podem se isentar. As considerações de Harvey dialogam de perto com alguns fundamentos da AD e a proposta deste trabalho. Concorda-se com a compreensão do autor de que não é possível refletir sobre o tempo, e logo dos processos que envolvem sua representação, independentemente da ação social. É necessário evocar as formas materiais (ideologias) e as condições de produção sócio-históricas para entender como ocorrem os movimentos e transformações dos sentidos sobre o tempo. Em sua relação com o materialismo histórico a AD endossa essa percepção, pois faz questionar um sentido idealista de tempo fornecido linguisticamente. Como diz Pêcheux (1995a), sem considerar o materialismo ―fica-se, em um sentido estrito, insuficiente para caracterizar os processos discursivos inerentes a uma formação discursiva‖ (p.182-183). O que se vê, no entanto, é um processo de atribuição de sentidos que se dá cotidianamente e que sedimenta conhecimentos sobre o tempo, tornando-os absolutos a partir da quantificação objetiva fornecida por instrumentos criados pelo homem e sua reprodução pela linguagem. Ainda assim, há diversidade de percepções e interpretações as quais não cabe designar como variantes, mas sim possibilidades outras de sentido. Na esteira do que diz Harvey, concorda-se que a reflexão sobre o tempo deve ser relativizada tendo em vista os inevitáveis conflitos de ordem ideológica em cada formação social 14 , que incidem sobre o trabalho simbólico. Desse modo, a significação sobre o tempo não pode ser tomada como neutra, unívoca e definitiva, mas antes parcial, múltipla e mutável. A construção de sentidos sobre o tempo ganha ainda maior relevância pelo papel que este desempenha enquanto componente de relações de poder, especialmente no que concerne à materialidade econômica. A determinação de aspectos temporais tem efeitos diretos em como os sujeitos orientam sua ação no mundo, o que discursivamente traz à discussão a questão interpretativa. Como explica Orlandi (2004) ―o gesto de interpretação é o que — perceptível ou não para o sujeito e/ou para seus interlocutores — decide a direção dos sentidos, decidindo, assim, sobre sua (do sujeito) direção‖ (p. 22). Reconhece-se novamente a ingerência que cerca e atravessa a relação do sujeito com os sentidos, por estes inevitavelmente se reportarem à história, que, ainda segundo Orlandi, é o que materializa a interpretação, que por sua vez é ―o lugar próprio da ideologia‖ (p. 18). Sempre é válido 14 Em AD, conforme Leandro-Ferreira (2001), trata-se do ―espaço a partir do qual se podem prever os efeitos de sentido a serem produzidos‖ (p. 16). O lugar que o sujeito ocupa no discurso bem como a leitura que faz dele se definem por condições de produção discursivas relacionadas à posição que o sujeito ocupa em uma dada formação social.

45 lembrar que, conforme Pêcheux (1995ª), é a ideologia que fornece as evidências, que dão a falsa certeza de que ―todo mundo sabe‖ o que uma palavra ou um enunciado dizem e querem dizer. Essa falsa ―transparência da linguagem‖ mascara o caráter material dos sentidos (p. 160). Compreende-se, por um lado, que a reflexão sobre a significação do tempo não deve se conformar com a objetividade e a interpretação ―evidentes‖, e por outro, não pode prescindir dos conteúdos sociais, de forma a desfazer precisamente esse efeito de evidência. A dinâmica das formações sociais, com a ideologia em funcionamento, deve ser considerada para entender que significações adquire o tempo, como se efetivam e, sendo também objetivo da presente pesquisa, verificar transições entre esses sentidos, conforme a mudança de práticas. Convém alertar que prática já é trazida na ótica da AD, precisamente no que Pêcheux (1995a) distingue deste termo 15 , e que, pelo raciocínio até aqui desenvolvido, faz supor haverem modificações na própria configuração sócio-histórica em que o indivíduo está situado. Portanto, acredita-se que paralelamente às transformações nas condições sociais, transformam-se as significações sobre o tempo, implicando alterações em como é representado e manejado, com vistas à ação social. Na contemporaneidade, as vicissitudes que cercam as relações econômicas e culturais refletem a condição pós-moderna de Harvey e indiciam a instalação de novas discursividades temporais. As considerações de Bauman (1998; 2001) ajudam a explicitar vínculos entre os aspectos temporais e as mudanças que ocorrem nas relações sociais. Em sua perspectiva sociológica, Bauman percebe que, atualmente, vive-se a passagem para uma outra forma de modernidade, marcada pela transição de ideais e comportamentos, que ainda segundo o autor, não podem ser analisados sem considerar suas manifestações anteriores. Sob a ótica da AD, pensa-se que essa (re)flexão pode ir além de uma necessidade comparativa. Mais do que mapear variações históricas nos espaços físicos e simbólicos, como sugere o autor, pode-se 15 Segundo Pêcheux (1995a) ―não se trata de dizer, porém, que uma prática (discursiva ou não) seja a prática de sujeitos (no sentido dos atos, ações, atividades de um sujeito – isso seria cair no golpe do que chamamos o ‗efeito Munchhausen‘!), mas sim de constatar que todo sujeito é constitutivamente colocado como autor de e responsável por seus atos (por suas ‗condutas‘ e por suas ‗palavras‘) em cada prática em que se inscreve; e isso pela determinação do complexo das formações ideológicas (e, em particular, das formações discursivas) no qual é interpelado em ‗sujeito-responsável‘ (p. 214). Desse modo, um indivíduo só é agente de uma prática quando a ele é atribuída a forma de sujeito. A expressão ―forma-sujeito‖ é introduzida por Louis Althusser. Pêcheux por ela designa ―a forma de existência histórica de qualquer indivíduo, agente das práticas sociais‖ (p. 183).

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