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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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50 correspondentes‖

50 correspondentes‖ (p. 161). E não é estanque visto que, pela mesma teoria, embora regulados historicamente, reunidos sob uma mesma FI e distribuídos em uma dada FD, os sentidos não escapam a tensões, primeiro entre as FI, pela relação antagônica destas, e depois, entre as FD, cujas fronteiras são agitadas mutuamente toda vez que se confere um e não outro significado a uma formulação. A esse respeito, Courtine (2009) esclarece que ―se uma FD é o que, em uma dada FI e em uma conjuntura, determina ‗o que pode e deve ser dito‘ (...) convém acrescentar que essa característica não é isolada das relações contraditórias que uma FD estabelece com outra FD‖ [grifo do autor] (p. 73). Desse modo, compreende-se, retornando ao aspecto territorial dos significados, que os sujeitos adentram e se posicionam em certas regiões para enunciarem, buscando significação e trabalhando maneiras de significar, constituindo efeitos de sentido distintos, na complexidade das FI e diversidade das FD. No esteio dessas considerações, e trazendo agora a questão da interpretação, nota-se pela perspectiva de Thompson que a dependência — na vida em sociedade — de padrões e mecanismos temporais relacionados aos modos de produção e sistemas de trabalho passou a acompanhar também orientações fornecidas pelos meios de comunicação. Os discursos da mídia podem disciplinar, reorganizar questões e conceder legitimidade a interpretações específicas de tempo, de maneira mais flexível e menos explícita. Hoje, as pessoas compartilham em grande parte da significação temporal contida no discurso midiático, que aparece como um poderoso e onipresente mediador de sentidos, já prefigurados nas intrincadas relações discursivas descritas anteriormente, estando, portanto, formatados ideologicamente. São pontos de reflexão levantados a partir do que observa Thompson e que fazem perceber a importância que podem adquirir certas representações inscritas nas múltiplas formas simbólicas a que o sujeito tem contato nas suas experiências diárias. Tendo como foco a representação do tempo, espera-se contribuir com uma análise de transformações desta, vistas a partir do que é reproduzido em uma materialidade simbólica particular, o anúncio publicitário. Tendo como marco de observação o contexto das novas tecnologias de informação e comunicação, Marcondes Filho e seus colaboradores investigaram teoricamente as mudanças nas formas de compreender e se relacionar com os aspectos temporais. Compatibilizam-se agora suas percepções com alguns postulados da AD. Segundo Marcondes Filho, a inscrição do tempo em uma regularidade demarcável se trata de um processo cultural, influenciado primariamente pela necessidade social de fazê-lo

51 convergir como algo mensurável. Para melhor partilhar dessa asserção, recobra-se a compreensão de Mariani (2009) sobre a cultura vista em uma perspectiva discursiva. Partindo de colocações de Pêcheux sobre esse tema, a autora define cultura como ―resultante de práticas dos sujeitos e entre sujeitos que remetem para um estado de coisas num determinado momento e em determinado lugar em uma formação histórica‖ (p. 45). Para ela, tais práticas não só se vinculam às relações em sociedade, como também se associam aos modos sóciohistóricos que produzem, reproduzem, resistem e transformam os sentidos, estando elas, portanto, ―expostas também à errância e à não-totalidade dos processos de significação‖ (p. 45). Desse modo, pensar o tempo convergindo por meio de um processo cultural é já antever uma materialização no âmbito social de sentidos constituídos e determinados historicamente. Pelas colocações de Marcondes Filho, percebe-se a intangibilidade do tempo, do qual só se vê a ação transformadora, que intriga e angustia, forçando tentativas de registro que são entendidas aqui como a delimitação não apenas espacializada, mas discursivizada, de percepções e de possibilidades de significação. Assim, pensa-se poder articular esse entendimento com a reflexão de Orlandi (2007b) sobre o silêncio. Por um lado, porque apreender o tempo, estipulá-lo, tal como traduzir o silêncio em palavras, parece decorrer do que a autora trata como uma ―necessidade do dizer‖, pois ―espera-se que se esteja produzindo signos visíveis (audíveis) o tempo todo. Ilusão de controle pelo que ‗aparece‘‖ (p. 38). O silêncio, tal como se entende aqui o tempo, é impossível de tocar, observável apenas por seus efeitos e ―pelos muitos modos de construção da significação‖ (p. 48). A aparente visibilidade se relaciona ao efeito de transparência, evidências de sentido que, como visto, a AD desfaz com sua episteme. No batimento contemporâneo de processos econômicos e comunicacionais, Marcondes Filho vê a relação com o tempo ser conjugada em não um, mas vários presentes possíveis, definidos pela velocidade e a intensidade, produzindo infinitos instantes virgens, expressão que ele agrega ao seu trabalho e a qual cabe uma objeção. É que ao compartilhar dessa colocação, Marcondes Filho admite conceber o tempo sem vínculo com uma memória anterior. Pensados discursivamente, tais instantes tem sim relação com uma memória, ainda que aparentemente não registrada. Não se trata de reminiscência cognitiva, psicológica, mas discursiva, pela qual um já-dito reaparece sempre que o sujeito se filia a determinada FD para significar uma prática ou um dizer. Conforme Courtine (2009) essa memória corresponde à ―existência histórica do enunciado no interior de práticas discursivas regradas por aparelhos ideológicos‖ (p. 105-106). Acredita-se poder explicar o efeito de ineditismo que acompanha a expressão ―instantes virgens‖ pela própria definição de discurso como estrutura e

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