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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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52 acontecimento,

52 acontecimento, elaborada por Pêcheux (1990). Para o autor, o acontecimento se encontra na intersecção entre uma atualidade e uma memória (p. 10). A partir dele podem ser deflagrados novos processos de significação sem que se deixe de responder a toda uma rede de relações associativas implícitas preexistentes. O que há é uma reorganização do espaço de memória que é convocado simultaneamente a sua realização (p. 19). Desse modo, pode-se formular que os instantes nunca estão abstraídos de uma memória, porque esta é constitutiva. O balanço de Marcondes Filho e seus colaboradores indica que contemporaneamente prevalece o tempo enquanto presente, que tem na intensidade o principal parâmetro de medição, e pensa-se poder acrescentar, de interpretação das experiências. Sabendo que são características valorizadas pelos meios de comunicação, cabe investigar como se cumprem discursivamente e também que contradições e desvios podem intervir em seu funcionamento. A reflexão de Castells dedica atenção não propriamente ao que o tempo é, mas como ele é, como é percebido em uma sociedade cujas relações se dão cada vez mais em/por redes e que tem a informação como poderosa moeda de troca. Compartilha-se com o autor o interesse de tentar refletir a questão do tempo por meio desse viés modal, que privilegia mais processos do que produtos, proposta consonante ao que a AD defende. Sob o contexto informacional e tecnológico, Castells distingue o que para ele é a característica temporal predominante, a intemporalidade, atentando para o fato de que os discursos contemporâneos são construídos sem referências passadas ou futuras. Aqui, acredita-se haver relação com a noção de uma nova economia psíquica, evocada pelo psicanalista Charles Melman (2008). Para esse autor, a sociedade de hoje é movida pelo imperativo permanente do gozo, isto é, da satisfação de desejos a qualquer preço. Isso contribui para que o sentimento de pertença do sujeito seja momentâneo, mudando de acordo com o lugar em que fala e com a informação com que estabelece laço social para a realização de suas aspirações. Conforme as palavras do autor ―não temos mais ideal assumido. O zapping não é só das imagens, mas também subjetivo‖ (p. 94) [grifo do autor]. Para Melman não é possível lidar permanentemente como o mesmo sujeito. Acredita-se que essa mobilidade subjetiva seja um demonstrativo de por que os discursos contemporâneos prescindem de referenciais temporais outros em favor dos que reforçam aspectos do presente. Convém ressalvar que, na AD, o sujeito tem um estatuto particular, que não é psíquico, empírico ou pragmático, mas linguístico-histórico. Para Pêcheux (1995a), discursivamente não há senão um ―efeito ideológico ‗sujeito‘, pelo qual a subjetividade aparece como fonte, origem, ponto de partida ou ponto de aplicação‖ (p. 131). Por isso vê a necessidade de uma

53 teoria não-subjetivista da subjetividade, também constituinte dos processos discursivos, e pela qual se entende que a ideologia já está no sujeito, impondo e dissimulando como ele (se) significa. Ainda para o autor, é por meio dessa relação que fica fornecido ―‗a cada sujeito‘ sua ‗realidade‘, enquanto sistema de evidências e de significações percebidas – aceitas – experimentadas‖ (p. 162). Contudo, nessa relação também está presente ―a marca do inconsciente como ‗discurso do Outro‘‖ que é, para Pêcheux, o que ―faz com que todo sujeito ‗funcione‘, isto é, tome posição, ‗em total consciência e em total liberdade‘, tome iniciativas pelas quais se torna ‗responsável‘ como autor de seus atos‖ (p. 171). Os traços inconscientes, conforme a retificação posterior do filósofo, ―não são jamais ‗apagados‘ ou ‗esquecidos‘, mas trabalham, sem se deslocar, na pulsação sentido/non sens do sujeito dividido‖ (1995b, p. 300). Na perspectiva da AD, a identidade do sujeito se relaciona à formação discursiva (FD) em que este é interpelado em sujeito de seu discurso. Essa identificação, como explica Pêcheux (1995a) é ―fundadora da unidade (imaginária) do sujeito‖ e se apoia em traços interdiscursivos da FD que determina seu dizer e que são sempre ―re-inscritos no discurso do próprio sujeito‖ (p. 163). Como referido anteriormente, ao mesmo tempo que se identifica, ele se ―esquece‖, assumindo a forma-sujeito do discurso. Entretanto, considerando o aspecto volúvel da identidade do sujeito contemporâneo, e já pensando discursivamente o que Castells designa como personalidades flexíveis, prefere-se trabalhar uma ideia de contingência na filiação dos sentidos. Vargas (2008), em estudo que trata exatamente dessa questão, vê a filiação dos sentidos na contemporaneidade ―ser relativizada e abrirem-se múltiplas possibilidades de significação‖ (p. 14). Acredita-se que, formulados nas mais diversas situações, os discursos estão dispersos não apenas em uma FD, mas em tantas quantas o sujeito buscar identificação para suas práticas contemporâneas. Orlandi (2011) traz à discussão a hipótese de que, dada a confluência de fatores, já estaria funcionando hoje o apagamento da história e a dessignificação das filiações (p. 15). O conceito de intemporalidade de Castells parece favorável para verificar e procurar entender uma das faces desse panorama em que qualquer manifestação parece estar constituindo princípio e fim em si mesma. Seja na ausência do tempo, característica no mundo virtual, na instantaneidade e a imprevisibilidade dos discursos da mídia, nota-se que a condição temporal divisada por Castells se apoia na própria negação do tempo, o que, em certa medida, sinaliza uma tentativa de libertação de um tempo convenientemente administrado e interposto. Essa ponderação encontra ressonância nas conhecidas reflexões de Foucault (2009) a respeito das formas encontradas pelo poder para se institucionalizar e ser aplicado em sociedade. Pensando a

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