Views
3 years ago

Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

54 partir das

54 partir das transformações no sistema jurídico-prisional, o autor explora novos meios de controle e vigilância a que o indivíduo está submetido, em que há a disciplina, por exemplo, de sua relação com o tempo. Finalmente, na perspectiva 22 de Fiorin, o tempo é visto enquanto categoria enunciativa, que, junto com as de pessoa e espaço, interfere no processo de produção dos enunciados, com efeitos no funcionamento discursivo. Para o autor, o discurso, dada sua relação ao acontecimento, é lugar de instabilidade das estruturas, e são, pois, os mecanismos de tempo, de espaço e de pessoa capazes de desestabilizar o sistema da língua, ainda que de forma não aleatória 23 , criando efeitos de sentido. Pelo foco da presente pesquisa, suas considerações sobre a temporalização merecem destaque, mas também algumas ressalvas. Nota-se que o autor distingue um tempo fundado pela enunciação, invariante ao longo do fio do discurso, e outro que é próprio do enunciado, que traz marcas referentes àquele de origem. No quadro teórico da AD, tal distinção deve ser observada com prudência, primeiro porque os conceitos de enunciação e enunciado são tratados diferentemente. Pêcheux e Fuchs (1993b) indicam que os processos de enunciação ―consistem em uma série de determinações sucessivas pelas quais o enunciado se constitui pouco a pouco e que têm como característica colocar o ‗dito‘ e em consequência rejeitar o ‗não dito‘‖ (p. 175-176). Os enunciados, resultados desses processos, só o são mobilizando um dizível, o interdiscurso 24 , que faz com se constituam antes do sujeito tomar a palavra. Como Fiorin se baseia em Benveniste para afirmar que o tempo linguístico é instaurado no momento da enunciação, o referencial sóciohistórico, que para a AD é anterior e constitutivo, parece ficar deslocado. Para a continuidade da reflexão que o presente trabalho empreende, antes de ser pensada a existência de um tempo próprio da enunciação e outro do enunciado, deve-se considerar a presença da história, no caso, como esta se apresenta nos processos de significação que envolvem tempo e discurso. Da Silva (2010), em estudo sobre a constituição do imaginário do trabalhador no discurso da CUT, deparou-se com questão semelhante ao também retomar Fiorin sob a ótica 22 A abordagem de Fiorin, sendo realizada a partir do que postula a Teoria da Enunciação, com noções auxiliares advindas da semiótica greimasiana, requer atenção nas aproximações com a AD, visto que são outras suas bases epistemológicas. 23 O autor refuta a ideia de aleatoriedade vista por gramáticos quanto às alternâncias nas formas linguísticas de pessoa, espaço e tempo. 24 Ainda que estruturados pela língua, os discursos se efetivam de fato pela existência de uma memória sóciohistórica, que compõe o chamado interdiscurso ―corpo de traços como materialidade discursiva, exterior e anterior à existência de uma sequência dada, na medida em que esta materialidade intervém para constituir tal sequência‖ (PÊCHEUX, 2011, p. 145-146).

55 da AD. Em sua reflexão, a autora prefere a expressão ―tempo discursivo‖ às expressões ―tempo da enunciação‖ e ―tempo do enunciado‖, de modo a significar o imaginário do tempo, por meio do qual ―não só revelamos formas distintas de apreensão e de vivência do tempo, mas também criamos novas relações temporais, estabelecidas, não a partir do ‗eu‘, mas a partir de filiações sócio-históricas‖ (p. 81-82). Cada enunciação se dá sob específico arranjo de condições de produção e circunstâncias imediatas, fazendo do enunciado ―unidade constitutiva do discurso que nunca se repete da mesma maneira‖, conforme lembra Leandro Ferreira (2001, p. 14). Ocupando-se dos elementos circunstanciais e da materialidade linguística, Fiorin contribui para a compreensão de importantes aspectos do processo de discursivização. Sua perspectiva oferece uma descrição sistematizada da operação discursiva do tempo, contudo, pensado o plano da constituição discursiva, percebe-se a necessidade de se considerar mais detidamente a história inscrita no discurso. Desse modo, entendem-se os princípios que para o autor garantem a existência do sentido no discurso procedendo dessa inscrição. É a historicidade que fundamenta a produção e que consequentemente provê atribuição de sentido por parte do interlocutor na respectiva circunstância. Pêcheux (1993a), ao fundamentar a teoria do discurso, explica esse processo do seguinte modo (...) o processo discursivo não tem, de direito, início: o discurso se conjuga sempre sobre um discurso prévio, ao qual ele atribui o papel de matériaprima, e o orador sabe que quando evoca tal acontecimento, que já foi objeto de discurso, ressuscita no espírito dos ouvintes o discurso no qual este acontecimento era alegado, com as ‗deformações‘ que a situação presente introduz e da qual pode tirar partido (PÊCHEUX, 1993a, p. 77). [grifo do autor] Enuncia-se a partir de condições de produção dadas, portanto o tempo se realiza no momento da fala, mas é constituído antes. As ordenações formuladas, embora necessárias, não são o interesse principal do gesto analítico. O que é relevante na AD, conforme postula Orlandi (2004) ―é o que essa organização sintática pode nos fazer compreender dos mecanismos de produção de sentidos (linguístico-históricos) que aí estão funcionando em termos da ordem significante‖ (p. 46). Portanto, o entendimento do tempo discursivizado passa antes pela compreensão de que os mecanismos que permitem ao indivíduo expressar sua experiência temporal, articular (na linguagem) apreensão e medição, são resquícios de um processo constitutivo, que indica a interferência do que é histórico, e ideológico, sobre o discurso efetivamente realizado.

da análise do discurso à apreciação das práticas discursivas
UMA ANÁLISE DISCURSIVA DA TERMINOLOGIA DO ... - GELNE
Em que sentido está(ria) a verdade? Uma análise discursiva ... - Latu
experiências discursivas na universidade - Psicanálise & Barroco
vanessa regina vieira gonçalves - Universidade Estadual de Londrina
A CONSTITUIÇÃO DA MEMÓRIA DISCURSIVA DO ... - fflch
Práticas Discursivas em Blogs Políticos - cchla - Universidade ...
ANÁLISE DISCURSIVA DA LITERATURA COMO DISPOSITIVO ...
ÇÃO: UM OLHAR DISCURSIVO SOBRE O TRABALHO DE ... - Unifra
a formação discursiva do jogador de futebol em entrevistas ... - ufrgs
uma análise lingüístico-discursiva de o despertar de kate chopin
uma análise discursiva do sujeito e seus movimentos - Celsul.org.br
análise discursiva do telecurso 2000 - Unisul
INCONFIDÊNCIA MINEIRA: MEDIAÇÕES DISCURSIVAS
Blogs íntimos: percursos no contexto discursivo do meio - ECA-USP
a ferramenta sócio-cultural de análise discursiva em sala de aula ...
Funcionamento discursivo da divulgação de obras literárias - Unisul
O Sujeito Discursivo Contemporâneo: um exemplo - ufrgs
repercussões da neurolingüística discursiva na ... - Celsul.org.br
contribuições para a filosofia da linguagem e estudos discursivos
universidade federal da paraíba centro de ciências humanas, letras ...
Discurso Siza Vieira - Universidade Técnica de Lisboa
Tradições discursivas nas culturas populares - Universidade ...
da formação discursiva ao simulacro do interdiscurso: o ... - Ufrgs
CONSTRUÇÃO DISCURSIVA DO SUJEITO - Associação de Leitura ...
Origens e desdobramentos da semiótica discursiva - Universidade ...
3- a crítica ao cientificismo expressada pela análise discursiva da ...
universidade do sul de santa catarina diego moreau - Unisul