Views
3 years ago

Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

58 lhe falo assim?‖ e

58 lhe falo assim?‖ e ―De que ele me fala assim?‖ (p. 84), atestando a abrangência das formações imaginárias, por também serem próprias à representação que se confere ao objeto tratado no discurso. Como complementa, a representação resulta de pontos de vista dos interlocutores sobre dado tema. Isso é relevante ao presente estudo, pois se vê aí colocado o elemento de que trata o discurso e de que enunciam os interlocutores conforme suas posições. Esse objeto também é imaginário, como ressalta Pêcheux, e o efeito de sentido produzido sobre ele é correspondente ao lugar discursivo que os interlocutores assumem, designado na formação imaginária. De modo preliminar — como é a própria AAD69 — pensa-se, dentro do escopo da presente pesquisa, o tempo como esse referente imaginário sobre o qual se detém o discurso dos anúncios de relógios de pulso, estando a representação e o manejo temporais, portanto, condicionados ao jogo de posições que se estabelece entre o publicitário (e o anunciante que ele representa) e o sujeito (público-alvo) a quem se dirige. Tal funcionamento é previsto por Pêcheux ao explicar que, por parte do emissor, todo processo discursivo supõe um trabalho prévio de ―antecipação das representações do receptor‖, que aparece como um mecanismo fundante das estratégias discursivas (p. 84). Por se tratar de um movimento em que o locutor se coloca no lugar daquele a quem seu discurso visa, representa-se para si as representações possíveis para esse interlocutor e assim são estimados sentidos que o dizer possa vir a produzir. Desse modo, conforme os efeitos que visa provocar, o sujeito decidirá formular seu discurso de uma maneira e não de outra. Esse mecanismo antecipatório supõe não somente uma capacidade empática, mas também a possibilidade — muito cara no caso da publicidade — de regulação argumentativa e, consequentemente, de manejo discursivo. Apesar das reformulações que virão sobre a AAD69, mostra-se a importância de retomá-la já em seu texto original, ainda mais pela correlação com o alinhamento feito sobre a revisão teórica inicial, em que se demonstrou que o tempo deve ser visto mais como efeito de determinações e menos como ilação dada a priori. Acredita-se que Pêcheux corrobore esse entendimento ao deixar claro sua oposição a uma ideia de apreensão perceptiva do referente, do outro e de si mesmo como condição pré-discursiva do discurso, típica dos estudos fenomenológicos. Ele rebate essa tese afirmando que ―a percepção é sempre atravessada pelo ‗já ouvido‘ e o ‗já-dito‘, através dos quais se constitui a substância das formações imaginárias‖ (p. 85). Nessa visão, pode-se entender que as representações do tempo, da maneira como são trabalhadas e apresentadas no discurso publicitário, derivam de processos que funcionam (ou funcionaram) a partir de outras condições de produção. Aqui já há o índice da presença de uma historicidade no dizer, ainda que de maneira rudimentar.

59 3.2 Representação e ideologia No texto ―Língua, linguagens, discurso‖, publicado 26 originalmente em 1971, Pêcheux já referencia a existência de representações ideológicas, de natureza teórica e política, e que seriam dependentes das relações de classe características de uma formação social dada. A diferença para a ideia de lugar institucional descrita na AAD69 é que agora se assinala a presença do materialismo histórico, o que redimensiona o entendimento das relações sociais, pois estas passam a ser vistas como sua concretude. Esse reconhecimento do papel material expande o estudo do discurso, que não mais fica restrito a aspectos meramente interpessoais como na primeira incursão do autor. A língua passa a ser concebida como a base em que o discurso é construído e os processos discursivos são vistos funcionando ―em relação a representações (...) postas em jogo nas relações sociais‖ (PÊCHEUX, 2011b, p. 128). Esse funcionamento é confirmado na reavaliação do texto da AAD69, ―A propósito da análise automática do discurso: atualização e perspectivas‖ (1993b), em que Pêcheux, junto da linguista Catherine Fuchs, sinaliza que o manuscrito original incorre na possibilidade de críticas pela falta de uma consideração à instância ideológica — compreendida na teoria materialista — a partir das determinações históricas que intervêm no discurso dos sujeitos. As representações imaginárias passam a ser concebidas mediante interposição ideológica e não mais se encontrariam relacionadas a uma posição individual ou universal, mas sim a ―‗posições de classes’ em conflitos umas com as outras‖ (p. 166) [grifos do autor]. Para os autores, as representações são constituídas e caracterizadas nas formações ideológicas (FI), manifestando-se por meio das relações de força e de sentido entre formações discursivas (FD). Pêcheux e Fuchs explicam que O ponto da exterioridade relativa de uma formação ideológica em relação a uma formação discursiva se traduz no próprio interior dessa formação discursiva: ela designa o efeito necessário de elementos ideológicos nãodiscursivos (representações, imagens ligadas à práticas, etc) numa determinada formação discursiva. Ou melhor, no próprio interior do processo discursivo ela provoca uma defasagem que reflete essa exterioridade. Trata-se da defasagem entre uma e outra formação discursiva, a primeira servindo de matéria-prima representacional para a segunda, como se a discursividade desta ‗matéria-prima‘ se esvanecesse aos olhos do sujeito falante‘ (PÊCHEUX, 1993b, p. 168) [grifos nossos]. Entende-se que, embora pese a mediação ideológica, esta não anula a ação do que é próprio da ordem do imaginário, pelo contrário, os efeitos de representações na 26 Langue, ‘langage‘, discours. Spéciale Idées. L‘Humanité, 15 octobre, p. 8.

da análise do discurso à apreciação das práticas discursivas
UMA ANÁLISE DISCURSIVA DA TERMINOLOGIA DO ... - GELNE
Em que sentido está(ria) a verdade? Uma análise discursiva ... - Latu
experiências discursivas na universidade - Psicanálise & Barroco
A CONSTITUIÇÃO DA MEMÓRIA DISCURSIVA DO ... - fflch
vanessa regina vieira gonçalves - Universidade Estadual de Londrina
Práticas Discursivas em Blogs Políticos - cchla - Universidade ...
ANÁLISE DISCURSIVA DA LITERATURA COMO DISPOSITIVO ...
ÇÃO: UM OLHAR DISCURSIVO SOBRE O TRABALHO DE ... - Unifra
uma análise discursiva do sujeito e seus movimentos - Celsul.org.br
a formação discursiva do jogador de futebol em entrevistas ... - ufrgs
análise discursiva do telecurso 2000 - Unisul
uma análise lingüístico-discursiva de o despertar de kate chopin
INCONFIDÊNCIA MINEIRA: MEDIAÇÕES DISCURSIVAS
Funcionamento discursivo da divulgação de obras literárias - Unisul
Blogs íntimos: percursos no contexto discursivo do meio - ECA-USP
a ferramenta sócio-cultural de análise discursiva em sala de aula ...
universidade federal da paraíba centro de ciências humanas, letras ...
contribuições para a filosofia da linguagem e estudos discursivos
O Sujeito Discursivo Contemporâneo: um exemplo - ufrgs
repercussões da neurolingüística discursiva na ... - Celsul.org.br
da formação discursiva ao simulacro do interdiscurso: o ... - Ufrgs
Tradições discursivas nas culturas populares - Universidade ...
Discurso Siza Vieira - Universidade Técnica de Lisboa
CONSTRUÇÃO DISCURSIVA DO SUJEITO - Associação de Leitura ...
Origens e desdobramentos da semiótica discursiva - Universidade ...
universidade do sul de santa catarina diego moreau - Unisul
As funções discursivas das cláusulas de finalidade - Universidade ...