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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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60 movimentação dos

60 movimentação dos sentidos são inerentes às relações entre as FD. Nota-se que as interferências e discrepâncias de uma FD para as outras dotam cada discurso de reflexos de processos anteriores, ao mesmo tempo, definindo-os entre o já-dito e o possível de dizer (imaginável) e mascarando a fonte dos sentidos neles presentes. Pensa-se que um discurso sobre o tempo exponha ainda mais essa tensão intrínseca à constituição e formulação discursiva, pois nele se está simbolizando — e tentando apreender/controlar — uma dimensão que, como visto no capítulo anterior, é naturalmente instável e ponto de incidência de determinações, embora tratada tacitamente no cotidiano, o que sinaliza uma dissimulação e até mesmo apagamento de certas discursividades 27 a seu respeito. Esse novo modo de pensar o funcionamento das representações nos processos discursivos, partindo da abordagem materialista, também é enfocado em Semântica e Discurso 28 (1995a), livro referência da chamada segunda fase da AD. Conforme pode ser entendido a partir desse texto, a representação tem a ver com uma das teses fundamentais do materialismo, qual seja, a de que o conhecimento objetivo do mundo exterior — concretoreal como diz Pêcheux — é independente do sujeito. O iniciador da AD se opõe à concepção idealista de que o subjetivo simula o objetivo; para ele, ocorre que tal representação funciona determinada necessariamente pelos efeitos ideológicos que afetam o sujeito e que, como formula posteriormente, também o constituem. O exame da relação do sujeito com aquilo que o representa conduz a questões de identidade e de eficácia material do imaginário (p. 125). Pensando a proposta do presente trabalho, justifica-se a relevância de uma análise das representações do tempo, pois ao se investigar como este é concebido e tratado discursivamente, acessa-se o próprio processo de identificação dos sujeitos com o mundo exterior através de uma das categorias mais básicas dessa relação. À propósito das questões identitárias no interior do processo discursivo, Pêcheux esclarece que é a identificação do sujeito com a FD, ao mesmo tempo dominante e constituinte, que funda a unidade (imaginária) do sujeito, apoiando-se no fato de que os elementos do interdiscurso ―são re-inscritos no discurso do próprio sujeito‖ (p. 163). O interdiscurso é tomado como real exterior, mas do mesmo modo, ―absorvido‖ e ―esquecido‖, sendo apenas simulado no intradiscurso pela forma-sujeito 29 , o que torna a produção dos sentidos como evidência ―parte integrante da interpelação do indivíduo em sujeito‖ (p. 261). É o sujeito assumindo um dizer como sendo seu, sem perceber que este o precede e já se 27 Compreende-se discursividade tal como Orlandi (2004) maneira como os que elementos históricos se inscrevem no texto que não igual aos de outros apesar de estarem em uma mesma filiação (p. 18). 28 Les vérités de la Palice. Paris, Maspero, 1975. 29 A forma pela qual o sujeito do discurso se identifica com a formação discursiva que o constitui (p. 163).

61 encontra prefixado nas intrincadas relações descritas anteriormente. Sabe-se, desse modo, que os traços interdiscursivos apontam para determinados saberes que podem não estar representados explicitamente no discurso do sujeito, mas deles (do discurso e do próprio sujeito) são constitutivos. Pelo que foi até aqui exposto, percebe-se que lançar um olhar sobre um discurso a respeito do tempo a partir da AD é lidar com já-ditos sobre o tempo. No presente caso, restituindo no fio do discurso dos anúncios essa historicidade e as condições de sua reformulação nas respectivas épocas, espera-se compreender a representação e o manejo temporal, com suas prováveis transformações, na publicidade de relógios de pulso. Ainda sobre o papel das representações em ―Semântica e Discurso‖, é importante assinalar que, para Pêcheux, é no não-dito das representações que se configura o lugar do sujeito que toma posição em relação a elas, que as aceita, rejeita ou coloca em dúvida, por exemplo. Conforme explica o autor, o sujeito se produz exatamente ―nesse ‗não-sujeito‘ constituído por um amontoado de representações ‗desprovidas de sentido‘, e essa produção é acompanhada precisamente por uma imposição de sentidos às representações‖ (p. 262) [grifo do autor]. Compreende-se que ―atribuir‖ sentido é parte do processo constitutivo do sujeito, não somente em relação ao seu discurso, mas a sua identidade, também ela, portanto, efeito do que diz e não diz. 3.3 Representação e real Em ―Discurso: estrutura ou acontecimento‖ (1990), publicação 30 referência da terceira fase da AD, Pêcheux enfatiza sua preocupação com o que acontece no nível intradiscursivo, tratando do real, da língua e da história, e do funcionamento histórico dos enunciados. Do enfoque interdiscursivo, da constituição de sujeito e sentido dado na segunda fase da AD, Pêcheux passa a se deter em questões que circundam o fio do discurso. Para acompanhar as reflexões dessa posição de trabalho, passa-se a pensar representação enquanto formulação, ou seja, o que se materializa na língua a partir das relações discursivas supracitadas, pertencentes a um nível constitutivo no qual o termo representação foi empregado mediante a intervenção do imaginário e do ideológico. Segundo o autor, a independência do objeto em relação ao discurso produzido dele denota a existência de um ―real‖ que indica ser ―pontos de impossível, determinando aquilo que não pode ser ‗assim‘‖ (p. 29). Entende-se que seja exatamente o que sempre escapa ou 30 Discours: structure ou événémént? Illinois University Press, 1988.

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