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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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68 a temporalidade (na

68 a temporalidade (na relação sujeito/sentido) é a temporalidade do texto. Não se trata, assim, de trabalhar a historicidade (refletida) no texto, mas a historicidade do texto, isto é, trata-se de compreender como a matéria textual produz sentidos (ORLANDI, 2012, p. 55). Entende-se que nesta perspectiva a importância esteja não tanto nas referências que uma representação discursiva do tempo faça a outros discursos, mas sim no que esses outros referenciam para os sentidos do texto. A própria autora reitera que, apesar de o aspecto principal seja o da ligação da materialidade do texto e sua exterioridade (memória), este não nega nem contrapõe a ligação que há entre a história ―lá fora‖ e a historicidade do texto, desde que se tenha claro que esse vínculo não se dá de forma direta, literal. O percurso teórico feito até aqui mostra que, no caso do tempo, esse ―lá fora‖ já está preenchido por mediações que o instituem, constroem, padronizam, enfim, determinações que inevitavelmente atravessam os discursos sobre esse tema. Tratando-se da representação temporal, a compreensão de Nunes (2005) diz que um discurso remete a outros discursos dispersos no tempo, podendo ele simular um passado, reinterpretá-lo, projetá-lo para um futuro, e com isso faz aparecer os efeitos temporais em diversos aspectos. Portanto, compreender a temporalidade significa que é necessário observar as diferentes temporalidades inscritas no discurso, apontando as relações entre elas e os efeitos de sentidos que são produzidos (NUNES, 2005, p.4). Sendo de interesse da AD a temporalidade dos processos discursivos, justifica-se a relevância de perpassar noções da constituição temporal no discurso, para poder pensar de forma abrangente essa exterioridade que lhe é intrínseca. Entendendo-se como a(s) temporalidade(s) se inscreve(m) no discurso se pode atingir essa exterioridade e o modo como se relaciona à situação, ao ―lá fora‖ do discurso. Novamente em Orlandi (2012) se busca validar esse entender, pois ―se a situação é constitutiva, ela está atestada no próprio texto, em sua materialidade (que é de natureza histórico-social)‖ (p. 12-13) [grifo da autora]. Enquanto referente, sabe-se que o tempo está para o discurso como qualquer outro objeto pode estar: de um lado fixado à sistematicidade da língua, de outro atrelado à história, com sua exterioridade não sendo simplesmente ―acolhida‖ ao processo discursivo, mas constitutiva deste. A AD não vê correlação do social com o discurso, vê constituição, uma ―construção conjunta do social e do linguístico‖ (p. 27). Por isso a concretude do tempo não está em sua instrumentalização e figurativização em sequências numéricas, mas acumulada e retrabalhada ao longo do seu percurso como

69 dizível, e como já antecipado na revisão de literatura, na sua relativização em função dos usos sociais, pois a partir dele há tanto documentação e coordenação quanto organização e legitimação, seja de práticas sócio-históricas, de modelos econômicos, de condutas e comportamentos coletivos que acabam cristalizados em um imaginário necessário a manutenção desses sentidos. Logo não se pode ignorar o papel material que adquire a representação do tempo, sob risco de redução idealista que se mostra incompatível com o espectro de significados que pululam no meio social. Uma relação que não é direta, mas como explica Orlandi funciona como se fosse, e o motivo é o imaginário (p. 32). Pensa-se que é ao nível das ideologias práticas, isto é, do cotidiano que são desencadeados sentidos sobre o tempo, representados na relação imaginária dos indivíduos com o que condiciona sua existência, relação essa ―capaz de determinar transformações nas relações sociais e de constituir práticas‖ (p. 32). Instaurando significações sobre o tempo, designando valores e impressões ―subjetivas‖ como sendo percepções sensórias a respeito de ritmos e durações. Essa relação, como já apontado anteriormente, é reflexo das exigências cotidianas, que podem ser absorvidas pela publicidade na construção de seu discurso. Por isso, pode-se dizer que o tempo no discurso é um engajamento histórico, que convive elementarmente com representações que falam ao(do) imaginário e ao(do) ideológico, e que é concebível na ―situação — sociologicamente descritível — e a posição dos sujeitos, discursivamente significativa‖ (ORLANDI, 2004). Acredita-se que, recuperando-se esse trabalho com os sentidos, pode-se recuperar também seus fatores condicionantes e as formas que a experiência humana com o tempo assume no discurso. Realizada a abordagem temporal-discursiva, o capítulo seguinte é dedicado à publicidade.

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