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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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78 5 DISPOSITIVO

78 5 DISPOSITIVO ANALÍTICO 5.1 Posicionamentos metodológicos para as análises Pensa-se que um procedimento de análise adequado aos objetivos desta pesquisa deve satisfazer uma leitura da representação do tempo em anúncios publicitários pela compreensão de seu funcionamento nos níveis intra e interdiscursivo das sequências de referência. No primeiro movimento para a construção desse dispositivo, retoma-se de Pêcheux e León (2011d) três condições teórico-metodológicas apontadas como cruciais para proceder em Análise de Discurso. A primeira diz respeito exatamente à noção de leitura. Ler não resulta em mera transmissão de informação seja a partir de enunciados verbais ou não-verbais. Textos, frases, palavras, imagens devem ser referenciados a outros discursos, de modo a se aproximar da produção de sentido das sequências analisadas ―por meio de suas possibilidades de substituição, comutação e paráfrase‖ (p. 165). Desse modo, nas análises, procura-se fazer remissão a possíveis discursos correlatos e subjacentes 42 , que além de contribuírem para contextualizar sócio-historicamente a produção das sequências, podem indicar aspectos do manejo que leva a certas ―escolhas‖ performativas para designar ou ilustrar o tempo. Sem desconsiderar a advertência de Orlandi no capítulo sobre a constituição temporal no discurso, de que o foco está na historicidade do texto, concorda-se com as palavras de Courtine (2009) ao afirmar que a produção das condições em que uma sequência é produzida é indissociável da difusão e da circulação de todo um conjunto de textos, de natureza e proveniência diversas, que a precedem e a preparam, e da qual ela constitui o ponto culminante, que lhe sucedem imediatamente e lhe respondem, formando o domínio de atualidade desse discurso (COURTINE, 2009, p. 131). A segunda posição teórico-metodológica observada por Pêcheux e León (2011d) corresponde ao campo de arquivos submetidos à análise. Trata-se do corpus que para os autores não pode ser tomado como ―um reservatório homogêneo de informações ou uma justaposição de homogeneidades contrastadas‖ (p. 165). Na presente pesquisa é trabalhado um corpus de arquivo formado por discursos provindos do campo publicitário. Como referido no capítulo anterior, a publicidade se atina a práticas discursivas do cotidiano, a formações 42 Discursos que podem ser de origens diversas (políticos, jurídicos, midiáticos etc) ou serem próprios a um lugar institucional ou a um sujeito, agente social, ocupando determinada posição.

79 imaginárias e discursividades que podem se encontrar tão dispersas quanto forem julgadas relevantes ao seu fazer persuasivo. Ao integrá-las ao seu discurso, o publicitário estabelece pontos de reconhecimento entre o que divulga e os modos de existência do sujeito, ou dito de outro modo, institui gestos de interpretação que fazem circular significados determinados sócio-historicamente. Esse quadro discursivo leva à formação de ―um espaço polêmico das maneiras de ler‖, que no presente estudo consiste exatamente em problematizar modos de representação do tempo pela publicidade e de interpretação social a partir de seu discurso, tomando o funcionamento dos sentidos em cada exemplar do corpus ―enquanto relação do arquivo com ele-mesmo, em uma série de conjunturas, trabalhando da memória histórica em perpétuo confronto consigo mesma‖ (PÊCHEUX, 2011d, p. 165). Os objetos coletados para a análise são dois anúncios de relógios de pulso, veiculados na revista Veja 43 . Cada um foi publicado em uma década diferente, a saber: 1970 e a primeira década do século XXI. Ressalta-se que, embora o corpus apresente exemplares de discurso de um mesmo campo (o publicitário), estes argumentem em favor de uma mesma espécie de produto (relógios de pulso), e a análise se paute nas formas de representação de um mesmo referente (o tempo), sempre esteve claro que não se poderia esperar uma totalidade de significações a respeito desse referente em apenas um único discurso nem serem tomados — os exemplares analisados — como definitivos a respeito de um panorama temporal. Acreditase que se consiga sim compreender como se dão as representações sobre o tempo nesses anúncios em função de pressupostos histórico-ideológicos, e até mesmo detectar rupturas ou regularidades entre os efeitos que provocam, pois a escolha do corpus contempla duas épocas distintas. A terceira condição teórico-metodológica apontada por Pêcheux e León — em que não deixam de estar implicadas as duas condições anteriores — se refere ao estatuto de enunciado. Para os autores, o analista deve compreender que entra em contato com enunciados ―parcialmente opacos ou ambíguos‖ que comportam ―uma série de mudanças de níveis, sintaticamente recuperáveis (ao menos em parte)‖ (p. 166). Por se tratar da noção de 43 A escolha de Veja como meio de obtenção dos materiais para a análise levou em consideração ser este um periódico que, por ser mais abrangente em termos de segmentação de público, apresenta, teoricamente, menos influência sobre a construção dos anúncios veiculados do que outros que se dedicam a uma audiência ou temas específicos, como por exemplo, revistas femininas, esportivas etc. Também foi considerada sua grande circulação no país, ter como anunciantes marcas do produto relacionado ao tema da pesquisa e também a facilidade de acesso ao acervo integral da revista, pois todas as edições são digitalizadas e se encontram disponíveis para consulta na Internet. O período de existência da publicação também se mostrou favorável à pesquisa, pois contempla as últimas cinco décadas, sendo, portanto, contemporânea ao período em que, conforme sugerido na revisão teórica preliminar, notam-se mais acentuadamente transformações envolvendo a experiência temporal dos sujeitos, que interessa de perto a ao presente estudo.

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