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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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82 estão determinando a

82 estão determinando a necessidade dos gestos de interpretação convocados? Que posições/formações discursivas estão aí em jogo? Mesmo sem o saber, por que o sujeito imprime esta e não aquela direção à argumentação? De que natureza são seus argumentos? A propósito dos interlocutores, publicitário e público, nas análises, recobra-se o que postula Courtine (2009) que concebe uma posição de sujeito como relação determinada que se estabelece em uma formulação entre um sujeito enunciador e o sujeito do saber de uma dada FD. Essa relação é uma relação de identificação cujas modalidades variam, produzindo diferentes efeitossujeito no discurso. A descrição das diferentes posições de sujeito no interior de uma FD e dos efeitos que estão ligados a ela é o domínio de descrição da forma-sujeito (COURTINE, 2009, p. 88). Distingue-se preliminarmente o sujeito-autor do anúncio como sendo o publicitário 52 que enuncia em nome do produto e seu fabricante, posicionando-se em relação ao interlocutor (o sujeito-leitor da revista) pelas formações imaginárias, produzindo um discurso constituído por determinados saberes, impregnados ideologicamente, e realizado sob dadas condições sócio-históricas. É por isso que, mesmo se tratando da representação do tempo para (segundo o) sujeito-autor que é o publicitário, compreende-se que não se deixa de trabalhar com as representações que circunscrevem o imaginário do sujeito-leitor, pois como visto há sempre a projeção do interlocutor – e do referente – em relação a seu modo constitutivo de existência. Esse procedimento visa a explorar o processo discursivo do objeto já dessuperficializado, ―por uma abertura aos fragmentos do cotidiano‖, pois se considera o arquivo ―um lugar de configurações, na complexidade do horizonte social‖ (MAZIÈRE, 2007, p. 15-96). Às posições sustentadas e projetadas sobre a materialidade discursiva do anúncio se relacionam movimentos de interpretação particulares, por onde incursionam as determinações históricas que fundamentam representações do tempo, ancorando-se no imaginário do sujeitoleitor. E agregada à tarefa de compreender o gesto de interpretação do sujeito está a de exposição de seu(s) efeito(s) de sentido(s) que, na presente pesquisa, baseia-se primordialmente em uma categoria pensada a partir de considerações de Courtine (2003), que ao tratar dos modos de espetacularização do discurso político e seus deslizamentos no campo midiático, faz as seguintes indicações É preciso compreender a influência do efêmero sobre o indivíduo, as delicadas tiranias da mobilidade, os discretos poderes da abundância; 52 Essa distinção recobre também a agência de publicidade, mesmo quando se utilizar apenas a referência ao profissional.

83 analisar preferencialmente os efeitos de incitação do que operações de interdição; as lógicas da superinformação do que os mecanismos de censura (COURTINE, 2003, p. 33) [grifos nossos]. A noção de incitação, na acepção assumida pelo termo de despertar estímulos, instigar, toca a esse estudo de forma produtiva haja vista as estratégias persuasivas que caracterizam o discurso publicitário. Guardadas as especificidades e objetivos próprios ao trabalho de Courtine, concorda-se com o que sugere como efeitos de incitação, tomando estes como uma noção possível de ser trabalhada de forma producente em outros tipos de discursos, como o publicitário. Nos casos aqui apresentados, pensa-se que o manejo temporal ligado a aspectos de aceleração e volatilidade e os efeitos discursivos de incitação estão imbricados substancialmente, sejam discursos que se identifiquem ou se desidentifiquem com esse tipo de representação. Pensa-se poder conhecer os percursos discursivos da argumentação (historicamente fundamentada) pelos quais avançam e afluem determinados efeitos de sentido. Ressalta-se que não se pretere — ao contrário do que indica Courtine — a análise de possíveis operações de interdição haja visto a importância que a noção de silêncio 53 tem para o discurso, como preconizado por Orlandi (2007a; 2007b). Relacionam-se também às análises os princípios interpretativos da falta, do excesso e do estranhamento, conforme Ernst-Pereira (2009), producentes contribuições de acesso à configuração discursiva das sequências/secções. E finalmente, tomado o texto em sua organização 54 , vale-se pontualmente de contribuições de autores mesmo advindos de outras áreas para complementar a análise. Feitas as considerações metodológicas, seguem-se as análises. 53 Concorda-se com a autora de que a compreensão de um discurso passa por se interrogar ―o que ele não está querendo dizer ao dizer isto? Ou: o que ele não está falando, quando está falando disso?‖ (2007a, p. 275). 54 Conforme a distinção entre organização e ordem e feita por Orlandi (2012), que toma a descrição da primeira como lugar de passagem possível para explicitar mecanismos de funcionamentos discursivos que levam a compreender fatos do discurso, correspondentes ao domínio da segunda.

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