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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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86 operados pela forma

86 operados pela forma negativa contribuem para entender que se o produto pode ser considerado adequado para sujeitos que devem continuar em movimento, é porque historicamente não lhes é permitido parar. A partir de agora já se veem implicadas diversas posições-sujeito possíveis de identificação por meio de [er 1 ] com o [E] da FD que comanda toda a sdr, que se entende ser um saber comprometido com a observância e a obediência à premissa da passagem temporal e cuja existência histórica pode ser descrita como a de uma forma-sujeito subserviente ao tempo. Admitindo uma possibilidade parafrástica como ―O relógio para quem deve continuar em movimento.‖, percebe-se que, apesar de compartilhar da mesma filiação que [er 1 ], essa nova formulação produz um efeito de sentido menos enfático, que pode ser interpretado como orientação (é melhor que continue), e em certa medida, permitir que seja questionada. Na estratégia discursiva do anúncio, a discursividade de [er 1 ] remete à imposição do tempo e constata a obrigação do sujeito com esse referente, tornando possível estabelecer no intradiscurso uma conexão válida entre as funções do objeto empírico relógio e a necessidade de sistematização que acompanha o indivíduo em sua vivência, e que, como explicado por Pêcheux, tem origem material e histórica. A [er 2 ] marca o início de uma série de projeções de relações entre o interlocutor e o referente tempo, que como estratégia persuasiva visa a demonstrar a importância do produto no dia a dia. Nessa formulação, há marcas intradiscursivas relacionadas ao tempo (dia inteiro, a hora) e o emprego do termo gestos, qualificado como repetitivo, podendo ser interpretado como ação que se dá de forma quase mecânica, automática. Discursivamente, gesto é compreendido como ―ato no nível do simbólico‖ (Pêcheux, 1993a), o que permite ver que a proposição fala ao hábito e a rotina de forma a articular um significado temporal às práticas cotidianas, percebidas como muitas já que ocorre repetidamente, durante um mesmo período: o dia inteiro. As relações de sentido prefiguram a coordenação, a sincronização, mas também a submissão do sujeito ao saber da FD. A presença do sintagma a hora no singular não parece fortuita se pensada como representando no fio do discurso esse Outro que organiza e legitima a realização das atividades concretas da vida, instituído e naturalizado por meio de discursosoutros mobilizados a cada tomada de posição que envolve o gesto de perpetuação simbólica. O automatismo fica enfatizado em [er 3 ], sendo que a hora, enquanto marca discursiva referente à temporalidade, é o determinante comum aos mais diferentes compromissos sociais (sair, chegar, almoço, encontro), pois todos reparam a necessidade de se estar em conformidade com convenções horárias sempre pré-estabelecidas, daí a repetição gestual (simbólica) de [er 2 ]. Aliás, a repetibilidade pode ser considerada sintoma de um tempo

87 conduzido, que, como explicado por Castoriadis (1982), retorna sempre às mesmas formas, ―trazendo o que já foi e prefigurando o que vai ser‖, em razão de determinações (p. 250). Nesse tipo de representação, vinculam-se atividades e experiências com o ordinário do sentido de modo a salientar a regularidade e previsibilidade que deve ser obtida pelo sujeito, sendo que o que se efetiva é a gestão cotidiana de sua existência e das decisões da vida social e afetiva (Pêcheux, 1990). Daí a possibilidade de retornar à Gondar (2006) e a sua compreensão da existência, em um mesmo sujeito, de múltiplas temporalidades, devido a serem muitos os regimes temporais que o trespassam. E também apreciar pela perspectiva discursiva como expresso por Orlandi (1988), quando diz que o sujeito é múltiplo, pois ―atravessa e é atravessado por vários discursos, porque não se relaciona mecanicamente com a ordem social da qual faz parte, porque representa vários papéis‖ (p. 11). Compreende-se que os modos temporais no sujeito podem ser tantos quantos suas obrigações requisitarem. A [er 3 ] mostra como é possível instrumentalizar o fazer na dimensão temporal, conforme recobrado de Castoriadis, de modo que a imposição ao tempo de uma medida, o tempo identitário, está contida no tempo imaginário que lhe segmenta conforme o uso. Em [er 4 ], atenta-se para uma dicotomização do cotidiano em hora do trabalho e hora do prazer, sendo que a primeira é qualificada como uma hora presa e a segunda como uma hora solta. Aqui, percebe-se como a representação do tempo no discurso do anúncio está engajada historicamente pelas determinações do modo de produção predominante e das relações de classe no interior da formação social em que é produzido. Como explicado por Harvey (2000), cada modo de produção ou formação social comporta concepções temporais específicas. A memória que se atualiza nos adjetivos presa e solta é a mesma que vem constituir, além de sustentar interpretações, em processos discursivos que relacionam pares como trabalho e lazer, vida profissional e vida pessoal, patrão e empregado etc. Com hora presa do trabalho são produzidos tanto efeitos de sentido mais negativos pelos modos como as relações sociais dispõem o tempo dos sujeitos, pois o interdiscurso evoca saberes como controle externo e até mesmo castigo, quanto sentidos menos negativos, dado que em um período de tempo em que esta dimensão se encontra comprometida com um regime de atividades, o sujeito consente em empenhá-la na execução dessas e não de outra forma, recebendo algum tipo de remuneração. De qualquer maneira, estão retornando por meio de [er 4 ] discursos jurídicos (termos de contratos), legislativos (leis trabalhistas) e mesmo

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