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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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88 conteúdos de classe

88 conteúdos de classe (reivindicações 56 sindicais). A hora presa é a constatação de um tempo fixo, administrado, sob custódia de outrem. Resgatando o artigo 4 da Consolidação das Leis do Trabalho, na forma vigente à época, percebem-se tais implicações: ―Considera-se como de serviço efetivo o período em que o empregado esteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial expressamente consignada‖ (Art. 4, Seção I) [grifo nosso]. Outra remissão possível, pelo artigo 58, em se que decreta que ―A duração normal do trabalho, para os empregados em qualquer atividade privada, não excederá de 8 (oito) horas diárias, desde que não seja fixado expressamente outro limite‖ (Art. 58, Seção II) [grifos nossos]. A representação do tempo como uma categoria suscetível de controle remete às reflexões anteriores de Foucault (2009) a respeito de seu uso disciplinar. Para este autor O tempo medido e pago deve ser também um tempo sem impureza nem defeito, um tempo de boa qualidade, e durante todo o seu transcurso o corpo deve ficar aplicado a seu exercício. A exatidão e a aplicação são, com regularidade, as virtudes fundamentais do tempo disciplinar (FOUCAULT, 2009, p. 147). A questão da disciplina toca profundamente a temporalidade, como já notado na revisão teórica, já que as determinações decorrentes das relações de poder se impõem, regrando condutas e cristalizando automatizações nos modos de existir e agir, como sugerido em [er 2 ]. O funcionamento imaginário de [er 4 ] mascara a fonte material do sentido do processo pela admissão consensual de que o trabalho corresponde a uma temporalidade prefixada enquanto o prazer — quer se entenda diversas situações outras que não atividades laborais — sugere uma relação mais flexível. Porém, mesmo a hora solta do prazer é afetada pela historicidade reguladora do trecho precedente e de toda a sdr, pois sobre ela incidem os mesmos saberes determinativos que fazem com que, por exemplo, seja condenável o atraso para ―o encontro‖ descrito em [er 3 ] ou que a hora solta esteja limitada entre o fim e o início de um novo ciclo de hora presa. A exterioridade inscrita nas formulações analisadas até aqui já verificam que a pressão do tempo é na verdade uma pressão sobre o tempo, sendo esta repassada aos sujeitos, vindo a constituir seus discursos. A representação do anúncio demonstra o quão restritos podem ser os sentidos objetivos resultantes da interpretação das ciências naturais para com o tempo quando este é relativizado conforme o papel que assume em uma conjuntura histórica. 56 Uma das grandes causas da luta sindical sempre envolveu a questão da temporalidade: a redução da jornada de trabalho.

89 Em [er 5 ] 57 o manejo intradiscursivo, mantendo o compromisso com o [E] que governa a sdr, acentua a representação de uma temporalidade veloz, com efeitos de sentido que demonstram o nível de dependência e de exigência para com a hora. O que culmina em um efeito-sujeito engolfado pela noção de urgência, que não para nem mesmo para saber que hora é. O filósofo e psicanalista Luiz Felipe Pondé (2008), retomando a metáfora 58 de um poeta americano do século XIX, oferece uma interessante reflexão para ajudar a explicar como o sujeito se vê implicado nesse panorama. Para ele, o sujeito tem de correr muito para desempenhar todas as suas atividades e a velocidade é cada vez maior. Há um momento em que chega a se perguntar para onde está correndo. Conforme explica o filósofo, a conclusão é a de que ―Você não está correndo para lugar nenhum. Você está correndo simplesmente porque você tem que correr, porque se você não correr a casca de gelo racha então aí você vai ser afogado‖ (PONDÉ, 8‘05‖-8‘57‖). Outro efeito de sentido em [er 5 ] está submetido à relação com processos econômicos. Trata-se de compreender que até mesmo durante o gesto de ver a hora pode estar ocorrendo perda de uma parcela de tempo (irrisória, mas simbolicamente substancial) que deveria estar sendo empenhada para a realização das múltiplas atividades pendentes. A dinâmica de aproveitamento do tempo já se prefigurava na revisão teórica, quando Bauman retoma a máxima ―tempo é dinheiro‖ para afirmar que essa equivalência conforma a existência dos indivíduos. É pertinente, portanto, resgatar um pouco mais da clássica formulação 59 Benjamin Franklin que está subjacente no discurso analisado: ―Lembra-te que o tempo é dinheiro... (...) nada é mais útil a um moço que pretende progredir no mundo que a pontualidade e a retidão em todos os negócios‖ (FRANKLIN apud WEBER, p.42-44, 2004) [grifos nossos]. Essa citação leva o sociólogo Max Weber a apontar Franklin como um dos precursores do ―espírito‖ capitalista. Tal é a importância para a filosofia desse sistema econômico que não se pode deixar de relacionar ao que foi explicado por Castoriadis quando este diz que tudo que o capitalismo representa, significa, institui, não é e não teria sido possível fora de uma temporalidade efetiva instaurada e que se autoaltera de modo particular. Ser pontual significa ser tão veloz quanto o próprio tempo, sendo que este já se encontra administrado e otimizado em função da intensificação da produtividade (Marcondes Filho, p. 289). De modo que todo ganho quantitativo (minutos, horas, dias) deve significar 57 A formulação é realizada antes das mudanças feitas pelo acordo ortográfico da língua portuguesa, logo há a presença do acento diferencial no verbo, ausente na preposição. 58 Ralph Waldo Emerson (1803-1882) escritor, filósofo e poeta americano cunhou a ideia de que o homem moderno vive sobre uma fina casca de gelo onde a estabilidade está em permanecer sempre em movimento, preferencialmente veloz. 59 Proferida como conselho a um grupo de jovens homens de negócios. de

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