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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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90 aumento de

90 aumento de produtividade e, consequentemente, de rentabilidade. É por isso que, conforme a classificação sugerida por Gurvitch e reproduzida por Harvey, pode-se dizer que o anúncio reporta um tempo à frente de si mesmo, acelerado, cujo predomínio é do capitalismo competitivo. Em [er 6 ] a explicação introdutória, ―por isso existe‖, vincula toda a produção de sentidos vista até então com o objeto tomado como defesa pelos sujeitos contra o ―terror do tempo‖ (Harvey, p. 288). O relógio, objeto empírico destinado à medição, torna-se símbolo de uma possível segurança na dinâmica temporal. Neste ponto, recobra-se de Castoriadis a noção de que a busca por um controle (ainda que ilusório) do tempo sinaliza a incapacidade da sociedade de se reconhecer naquilo que ela própria institui. Em [er 6 ] há também uma nomeação, já esperada para a peça publicitária, em que se confere visibilidade à marca, designando-a como solução para as necessidades ou problemas antes mencionados. Porém, chama a atenção que se requisite a indicação de procedência, por meio da qual o fazer persuasivo converte a origem geográfica do produto em atributo para a construção da percepção de qualidade do mesmo. O relógio de Tóquio traz a memória de uma nação avançada tecnologicamente, de uma potência na área científica e de pesquisas, que prima pela inovação e pelo rigor técnico do que fabrica. Ao mesmo tempo, as condições em que se produz o discurso do anúncio (entre elas a época e os níveis de desenvolvimento) torna impossível não serem reverberados em [er 6 ] discursos sobre atraso tecnológico e de desconfiança quanto a capacidade técnica de um país como Brasil. Conforme diz o histórico disponível no site da marca A Orient Relógios como representante da secular tradição japonesa, se notabilizou pela concepção e construção de artefatos de indiscutível inventividade, qualidade e beleza. Ao longo das décadas, aperfeiçoando a arte de medir o tempo, não tardou a alcançar a admiração e o respeito de todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecer suas criações em mais de 200 países, justificando, assim, sua destacada posição no mercado mundial de relógios. O alto padrão construtivo exigido para manter a imagem mundialmente conhecida da marca, fez com que, apenas em 1978, fosse autorizada a montagem de seus produtos fora de seu país de origem. Coube ao Brasil esta primazia graças à dedicação de inúmeros profissionais treinados diretamente no Japão, cujos esforços foram recompensados com a implantação, em uma área de mais de 38.000m2, em Manaus, da ORIENT RELÓGIOS DO BRASIL (SITE DE ORIENT) [grifos nossos]. À parte de outros motivos (econômicos, por exemplo) que de fato teriam levado a marca a instalar uma filial no Brasil, atenta-se para a condição, a exigência para que esse acontecimento se efetivasse. ―O alto padrão construtivo‖ só poderia ser reproduzido por meio

91 de treinamento in loco. Como o anúncio analisado foi produzido antes desse evento, o efeito de sentido de know how, de referência a um modelo de qualidade de reputação mundial, apregoa o pressuposto ideológico de que os japoneses deteriam mais conhecimento ou capacidade para ―dominar‖ o tempo, para precisar sua medida, do que outros povos. Em [er 7 ] o trecho mãos cuidadosas e máquinas precisas — novamente a pretensa exatidão científicomatemática — confirma esse teor. Esta formulação ainda indica a probabilidade de que um contingente da população mundial se encontraria vivendo os efeitos da forma como o tempo é instituído então, pois há essa representação presentificada em para o pulso de milhões de pessoas em todo o mundo. Ainda sobre [er 6 ] resta fazer duas ponderações a respeito do verbo ―querer‖ no trecho nem quer parar no tempo. A primeira, pelo entendimento de que parar no tempo perpassa o sentido de não se atualizar, o que imaginariamente é visto como um defeito, porque ideologicamente é uma desvantagem e um risco: no interior de um capitalismo competitivo, o sujeito não quer ficar parado, pois se isso acontecer significará que é ultrapassado (antiquado) e que será ultrapassado (por outro sujeito). Essa relação leva ao segundo ponto a ponderar, o de que o sujeito não quer estar parado, porque persiste socialmente a imagem do desemprego relacionada à desocupação e malandragem. Dito de outro modo: julga-se o sujeito e não a conjuntura. Uma rotina ―preenchida‖ sinaliza um maior prestígio e importância econômica, ainda mais dentro de uma formação social que valoriza o desempenho produtivo. E para se atingir a capacidade produtiva esperada, faz-se necessária a disciplina, justificando as palavras de Foucault ao entender que o corpo, nesse sistema, deve ser ―tanto mais obediente quanto é mais útil‖ (p. 127). Quanto à materialidade imagética, foi seccionada [er 8 ] por apresentar as figuras humanas que parecem ―ilustrar‖ um modo de agir dos sujeitos perante o tempo representado no anúncio. Pelos aspectos físicos, interpretam-se os gêneros: o feminino, com os cabelos longos, pele mais exposta, vestido (ou minissaia), botas; o masculino, a mesma roupa escura em todo o corpo, provavelmente um terno, o cabelo curto, a altura, visivelmente maior que a do corpo feminino, possivelmente uma gestão da imagem como explica Quevedo (2012) pelo atravessamento de uma formação ideológica sexista. A posição dos braços e as mãos unidas conduz a interpretação de que existe entre eles algum tipo de nível afetivo. Poderiam ser irmãos 60 , mas a escolha em [er 3 ] pelo termo encontro e o próprio imaginário social corroboram a produção de uma leitura em que sejam 60 Se vistos de frente, poderia se tentar distinguir alguma semelhança facial que autorizasse uma leitura de parentesco (pai e filha, irmão e irmã).

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