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Uma Análise Discursiva - Diego Vieira Braga.pdf - Universidade ...

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96 [er 1 ] Technos. O

96 [er 1 ] Technos. O relógio que o Murilo Benício usa quando é só o Murilo. No Dia dos Pais dê um Technos de presente. Technos. Qualidade em tudo. www.technos.com.br Quanto à imagem, seccionam-se discursivamente os elementos, sendo extraídas: [er 2 ] a figura humana; [er 3 ] a cena em que se encontra [er 2 ] e a respectiva ação sugerida; [er 4 ] a materialidade em que se reproduz o que é visto em [er 2 ] e [er 3 ]; A leitura da representação e do manejo do tempo no discurso do anúncio será iniciada com um movimento para dessuperficializá-lo por meio da remissão a um tipo de discurso a que parece estar aludindo. Trata-se do discurso jornalístico, especificamente o que se vê na imprensa especializada na cobertura de fatos do cotidiano e de hábitos de comportamento de pessoas famosas. Publicações como a revista ―Caras‖, um típico exemplo dos veículos que abordam a carreira e principalmente a vida íntima de personalidades, em especial de artistas de televisão. Em [er 1 ], designa-se a marca, relacionando o produto ao uso específico descrito na asserção seguinte. Justifica-se, com base nesse discurso-outro, a escolha pelo verbo ―usar‖ nesta primeira sequência, que vincula [er 2 ] ao produto como se fosse uma confissão ou uma revelação sobre a vida particular de uma celebridade. Esse gesto de interpretação é autorizado pressupondo o conhecimento prévio de que em [er 2 ] a figura retratada é de Murilo Benício, famoso ator brasileiro, portanto um potencial destaque nos discursos da publicação que serve de referência para a sdr. Para confirmar essa associação com o discurso de imprensa, pode-se ver [er 1 ] funcionando como uma legenda ou mesmo como um lead, no jargão jornalístico, uma informação básica inicial de uma reportagem. Na estratégia publicitária, esse reconhecimento funciona como um testemunhal, que, conforme Carrascoza (2007) se trata de um recurso que se apoia no depoimento de outrem, em geral uma personalidade, para aconselhar a experimentação de um produto ou serviço (p. 77). Em [er 2 ] e [er 3 ] é organizada uma leitura como se fosse um flagrante da vida particular, um registro que valida a associação com o discurso jornalístico e com a publicação de referência. Esta última, inclusive, é reafirmada na metalinguagem presente através de [er 4 ], já que se observa a imagem-representação de um exemplar de revista semelhante à revista

97 ―Caras‖, vista aqui nas páginas de outra, pelo ângulo oblíquo que permite divisar um fundo em madeira, talvez um banco ou mesa em que está o objeto. Entre os gestos de interpretação que poderiam estar sendo convocados nesse anúncio não estão somente aqueles que derivam dos sentidos atravessados pelas formações imaginárias típicas sobre celebridades 66 , mas os que, aproveitada a apropriação e transferência desse imaginário para o objeto divulgado — conforme o fazer persuasivo — tornam o relógio símbolo de um estilo de vida, de uma relação aspiracional, idealizada e aparentemente mais harmoniosa com o tempo. É sobre esses gestos que se procura compreender como se dá a representação da temporalidade neste anúncio, já vislumbrada diferente do anterior. Em [er 1 ] a conjunção ―quando‖ funciona indicando o momento em que o relógio é usado, neste caso em uma determinada situação particular, e por que não dizer, em um tempo particular. Por em [er 2 ] ser evocada uma memória histórica ligada ao ofício do ator, aquele que interpreta personagens, que sabe (dis)simular, representar, pôr-se na ―pele‖ de um outro alguém, discursivamente se entende que ele usa o modelo da marca Technos em ocasiões em que essa posição, que é pública, não precisa ser sustentada ou, dito de outro modo, quando não está sendo outra pessoa, neste caso, por conta de sua profissão. Isso é reforçado pela presença de um ―só‖ na sequência da formulação. Funcionando como advérbio, essa partícula caracteriza o momento de uso do produto e também como o sujeito se mostra em tal circunstância. Equivalendo a ―somente‖ ou ―apenas‖, incide sobre o verbo ―ser‖, flexionado, e também sobre o sintagma ―o Murilo‖, demarcando-o de forma excludente. Este aspecto semântico se justifica ao se considerar que a presença do artigo definido ―o‖ também serve para a afirmação de uma pretensa verdadeira identidade do sujeito, que estaria materializada em [er 2 ]. A partícula ―só‖ também se mostra relevante para o entendimento dos efeitos de sentido da própria representação do tempo se avaliada sob uma das figuras centrais à tese de Augé: o excesso. Considerando a validade de suas proposições, de que são múltiplos e céleres os fatores que sobredeterminam o sujeito nos dias de hoje, fica incutida no fio do discurso uma ideia de contraponto a esse regime, ao mesmo tempo em que se pode materializar uma outra vertente dessa mesma figura, a do excesso de individualismo. 66 Na época da veiculação deste anúncio, Murilo Benício era o protagonista do programa de televisão com maior audiência no País: a novela das nove. Essa visibilidade projeta uma ideia de sucesso na carreira, promovendo efeitos de sentido de credibilidade favorável ao produto associado. Além disso, por se tratar de um anúncio direcionado pela proximidade de uma data comemorativa, o Dia dos Pais, o imaginário em torno da boa relação do ator com o filho mais velho e a felicidade pela chegada do segundo herdeiro dali a alguns meses, além do distanciamento de uma imagem paternal convencional (homem de meia idade, austero, cabelos grisalhos, por exemplo) também colaboram para legitimar sua escolha. O encaixe da imagem-representação profissional com a paternal dá uma mostra da administração de sentidos nesse discurso.

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