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Taquicardia supraventricular revertida por manobra vagal: relato de ...

Taquicardia supraventricular revertida por manobra vagal: relato de ...

Pediatria (São Paulo)

Pediatria (São Paulo) 2005;27(2):133-7 Taquicardia supraventricular Paulo RLP, et al. complexo QRS é estreito (≤ 0,08 segundos). A freqüência cardíaca é geralmente maior que 220 bpm em menores de um ano de idade, e nas crianças maiores é superior a 180 bpm. Há dois tipos principais de TSVP, a taquicardia por reentrada nodal (TRN) e a taquicardia por reentrada atrioventricular (TAV), essa mediada por via anômala acessória que conecta o átrio ao ventrículo. Nesses dois tipos de TSVP há um circuito de reentrada elétrica que envolve o nó atrioventricular (NAV). O tratamento da TSVP é determinado pela repercussão clínica 1-3 . Inicialmente os episódios tendem a ser limitados na duração, cessando brusca e espontaneamente. Porém, tornam-se mais duradouros nas recorrências, quando a repercussão hemodinâmica pode ser intensa. Nesta situação é denominada TSVP instável, como ocorreu no caso em foco, em que havia sinais de má perfusão. A TSVP instável deve ser tratada prioritariamente com cardioversão sincronizada, com 0,5 a 1 J por Kg de peso. Quando houver acesso venoso ou intra-ósseo, pode também ser utilizada a adenosina, droga que tem uma vida média muito curta (menos de 10 segundos). Esta é administrada o mais rápido possível, e deve ser seguida de um bolus de solução fisiológica. A dose de adenosina é de 0,1 mg/Kg (máximo de 6 mg), na primeira dose. Quando não há reversão da arritmia a adenosina pode ser repetida, na dose de 0,2 mg/Kg (máximo de 12 mg). Assim como a adenosina, também as manobras vagais podem ser tentadas por curto período, enquanto a cardioversão é preparada. Considerada a gravidade da situação clínica, deve-se sempre priorizar e agilizar a cardioversão, no paciente com TSVP instável; esta não pode ser atrasada por tentativas de estabelecer acesso venoso ou por longos períodos de realização das manobras vagais. No presente caso, de urgência, foram realizadas as manobras vagais pelos pediatras de plantão. Estas fizeram cessar a TSVP por diminuição da condução através do nó átrio-ventricular. A manobra vagal mais efetiva é a aplicação de gelo na face, que pode ser realizada com gelo triturado misturado a um pouco de água, em uma luva ou saco plástico 2,4 . A aplicação deve ser realizada na face durante 10 a 15 segundos, sem obstruir as vias aéreas (Figura 3). Outra manobra vagal que pode ser utilizada em crianças maiores é a de Valsalva, em que é solicitado que se aspire através de um canudinho obstruído. Tanto a manobra vagal quanto o uso de adenosina revertem a TSVP por bloqueio ou retardo do estímulo elétrico através do nó atrioventricular (NAV). O circuito de reentrada sofre bloqueio neste ponto, e interrompe, na maioria dos casos, a taquiarritmia, retornando o ritmo sinusal. Diferentemente, as TSVP estáveis, mais freqüentes, são habitualmente tratadas com manobras vagais ou adenosina endovenosa 1,3 . Esta tem efeitos adversos a serem considerados. A administração da adenosina necessita de acesso venoso, pode desencadear broncoespasmo em asmáticos e fibrilação atrial em portadores da síndrome de Wolff-Parkinson-White. Adicionalmente, pode originar sensação de morte iminente, pressão no peito, rubor facial, dispnéia, tontura, cefaléia, palpitação, hipotensão e borramento visual. Transitoriamente, a adenosina também pode desencadear o aparecimento de extrassístoles atriais e ventriculares, bradicardia sinusal, e graus variáveis de bloqueio atrioventricular. Frente a estes efeitos, em pacientes estáveis geralmente opta-se pela manobra vagal, que pode ser executada rapidamente, sem risco significativo ou a necessidade de obter acesso venoso. Somente em casos refratários às manobras vagais e adenosina pode ser necessária a realização de cardioversão elétrica sincronizada. Nestas circunstâncias, o recurso a um cardiologista pediátrico é recomendável, tanto para confirmação do diagnóstico como para orientação do tratamento. Conclusões O objetivo do relato deste caso é o de ressaltar a ocorrência de TSVP em crianças, e das manobras vagais que o pediatra pode realizar para a resolução do episódio arrítmico. 138

Taquicardia supraventricular Paulo RLP, et al. Pediatria (São Paulo) 2005;27(2):133-7 Referências 1. Blomstrom-Lundqvist C, Scheinman MM, Aliot EM, Alpert JS, Calkins H, Camm AJ, et al. American Heart Association Task Force on Practice Guidelines; European Society of Cardiology Committee for Practice Guidelines. Writing Committee to Develop Guidelines for the Management of Patients With Supraventricular Arrhythmias. ACC/AHA/ESC guidelines for the management of patients with supraventricular arrhythmias - executive summary: a report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines and the European Society of Cardiology Committee for Practice Guidelines (Writing Committee to Develop Guidelines for the Management of Patients With Supraventricular Arrhythmias). Circulation 2003;108:1871-909. 2. Pediatric Advanced Life Support. Ciculation 2000;102: 291-342. 3. Ganz LI, Friedman PL. Supraventricular tachycardia. N Engl J Med 1995;332:162-73. 4. Hazinski MF. Pals provider manual. Dallas: American Heart Association; 2002. Endereço para correspondência: Dr. João Paulo Becker Lotufo Divisão de Pediatria do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo Av. Lineu Prestes, 2565 – Cidade Universitária Cep: 05508-900 Recebido para publicação: 11/01/2005 E-mail: jlotufo@hu.usp.br Aceito para publicação: 11/03/2005 139

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