Desempenho de aves caipira de corte alimentadas com ... - Emepa

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Desempenho de aves caipira de corte alimentadas com ... - Emepa

Desempenho de aves caipira de corte alimentadas com mandioca e palma

1

forrageira enriquecidas com levedura

2 2

João Felinto dos Santos e José Ivan Tavares Grangeiro

1

Trabalho realizado com apoio financeiro do Banco do Nordeste

2

Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S.A. joao_felinto_santos@hotmail_com

2

Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S.A. ivangrangeiro@hotmail.com

Resumo - O objetivo deste trabalho foi avaliar o desempenho de frangos e de galinhas caipira de corte submetidos a

diferentes dietas com farelo de mandioca e palma forrageira enriquecidos com levedura. Um experimento com aves caipiras

machos e outro com fêmeas da raça Misto Pesadão Label Rougel foram conduzidos na Estação Experimental de Lagoa

Seca-PB, em 2011. Os tratamentos testados foram: T1 - Alimentação convencional (70% de milho + 30% de concentrado);

T2 - 50% de farelo de mandioca enriquecido com levedura a 2% + 20% de milho + 30% de concentrado; T3 - 50% de farelo

de mandioca in natura + 20% de milho + 30% de concentrado; T4 - 40% de farelo de palma forrageira enriquecido com

levedura a 2% + 30% de milho + 30% de concentrado. Avaliaram-se peso corporal, ganho de peso e conversão alimentar.

Não houve diferença significativa entre tratamentos sobre o desempenho das aves. O farelo da mandioca e o farelo de palma

forrageira enriquecido com levedura a 2% adicionados de 1% de óleo de soja podem ser utilizados em dietas para aves

caipiras em níveis de 71% e 57%, respectivamente, em substituição ao milho. As aves alimentadas com farelo de mandioca e

com farelo de palma forrageira enriquecido com levedura proporcionaram maior taxa de retorno em relação às alimentadas

de forma convencional.

Palavras-chave: frango, galinha caipira, farelo de mandioca, farelo de palma forrageira, alimentação

Performance of free range birds fed with cassava and cactus pear enriched

with yeast

Abstract – The objective of the present study was to evaluate the performance of free range birds fed with diets of cassava

bran and cactus pear enriched with yeast. An experiment with males, and another with females of the breed Misto Pesadão

Label Rougel were performed at the Experimental Center of Lagoa Seca, Paraíba, Brazil, in 2011. The treatments supplied

were: T1- Conventional feed (70% corn + 30% concentrate), T2 - 50% of cassava bran enriched with yeast at 2%+ 20% corn

+ 30% concentrate, T3 - 50% cassava bran without yeast, 20% corn + 30% concentrate and T4 - 40% of cactus pear bran

enriched with yeast at 2% + 30% corn + 30% concentrate. Body weight, weight gain and feed conversion were evaluated.

There was no significant difference between treatments for the performance of the birds. The cassava bran and cactus pear

bran enriched with 2% yeast plus 1% soybean oil can be used in diets for male and female free range birds to levels of up to

71% and 57% respectively, in place of corn. The birds fed with cassava bran and cactus pear bran enriched with yeast

provided a higher return rate than birds fed with conventional feed.

Keywords: chickens, free range chickens, cassava bran, cactus pear bran, food

Introdução

A exploração de aves caipira de corte em sistema semiintensivo

se constitui uma alternativa muito importante para

o pequeno agricultor, uma vez que ele pode utilizar grande

parte da alimentação das aves com os produtos e resíduos

produzidos no seu próprio imóvel rural, bem como a mão de

obra familiar.

O frango tipo caipira permite algumas adaptações no

sistema de criação, tendo em vista a grande rusticidade e

resistência dessas aves em relação ao frango de escala

industrial. O aspecto marcante associado a esse sistema é o

fato das aves poderem se alimentar de outros produtos

alternativos produzidos na própria propriedade assim como

terem acesso a piquetes com área verde para o exercício

diário, o que não prejudica o desempenho dos frangos

(Takahashi et al., 2006).

Do ponto de vista econômico, a alimentação é um fator de

grande importância, não somente porque dela depende um

bom desempenho produtivo das aves, mas, sobretudo,

porque representa a maior parte dos custos da atividade (65 a

75%).

Os principais materiais usados na formulação das rações

são: o milho moído, o sorgo, o farelo de soja e o farelo de

trigo. Vários produtos alternativos, no entanto, poderão

substituir parcialmente os ingredientes tradicionais das

rações balanceadas com vantagens econômicas. Destacamse

dentre esses o farelo de mandioca e o farelo de palma

forrageira. O importante é que os níveis energéticos e

proteicos dos alimentos alternativos estejam próximos dos

recomendados para a criação de aves de forma que não haja

diminuição significativa da produção.

Com efeito, o ponto mais forte de uma criação de frango

caipira é justamente a fonte de alimentação alternativa. Sem

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dispensar a ração comercial, os piquetes e os complementos

(verduras, frutas, legumes e capim picado) que têm um

importante papel no desenvolvimento desta ave,

fornecendo-lhe a fibra e xantofilas (corante natural) tão

necessárias.

Alguns trabalhos foram desenvolvidos com a cultura de

mandioca na alimentação de frangos e galinhas caipira.

Rostagno et al. (2005) sugerem utilizar entre 10 a 20% de

raspa integral de mandioca nas rações de frangos de corte

para a fase de crescimento e final sem afetar o desempenho

das aves. Almeida (2005) e Cotta (2003) recomendam que

rações de frango de corte não devem ter mais de 15% de

raspa de mandioca. Nascimento et al. (2005) recomendaram

o valor de 10,24% de inclusão da raspa nas dietas, para a fase

de engorda. Para a fase final, não recomendaram a utilização

desse produto. Arruda et al. (2008) também recomendaram

mandioca integral em substituição ao milho na alimentação

de aves caipira. Carrijo et al. (2010) recomendaram usar até

45% de farinha integral de mandioca na produção de

galinhas caipira de corte. Souza et al. (2011) sugeriram

formular rações com até 60% de farelo da raiz integral de

mandioca na engorda de aves caipira de corte.

Os frequentes aumentos dos preços da suplementação

proteica têm estimulado o interesse pelo aproveitamento de

alimentos não convencionais na alimentação de aves caipira.

A avicultura objetiva equilibrar o desempenho no ganho

de peso com a nutrição, e substituir os antibióticos,

considerados promotores do crescimento, pelas leveduras

com resultados positivos na melhoria do crescimento e

conversão alimentar. Atualmente o uso de drogas passa por

restrições, existindo uma grande expectativa de sua retirada

total da formulação de rações e ao mesmo tempo em que se

pesquisam alternativas (Butolo, 1991; Macari & Maiorka,

2000).

Dentre os produtos naturais que podem substituir os

suplementos proteicos, destacam-se as leveduras,

considerados fonte unicelular de elevado teor proteico, além

de apresentarem rápido crescimento e possibilidade de

cultivo em vários tipos de substratos (Araújo et al., 2009).

A utilização da levedura no enriquecimento proteico de

alimentos alternativos na alimentação de aves é muito

importante no aproveitamento de materiais pobres em

proteínas na substituição parcial e total do milho. Além

disso, o uso de levedura nas dietas dos animais resulta em

interações benéficas entre a microflora, o intestino e o

sistema imunológico, promovendo melhoria da digestão dos

alimentos, aumento do crescimento e da resistência às

doenças, redução da incidência de diarreias, diminuição da

produção de gases e inibição de toxinas (Araújo et al., 2009).

Alguns autores desenvolveram pesquisas com levedura

na alimentação de aves de corte. Latrille et al. (1976) não

verificaram prejuízos no desempenho quando da

substituição do farelo de soja em até 10% por levedura.

Subrata et al. (1997) pesquisaram os efeitos das leveduras e

antibióticos (aureomicina, clortetraciclina) isolados ou em

combinação na alimentação sobre o desempenho de frangos

de corte. Constataram que o ganho de peso, o consumo de

ração, a conversão alimentar e os valores hemáticos não

diferiram entre os tratamentos. Grigoletti et al. (2002)

avaliaram o uso da levedura em substituição aos antibióticos

na dieta de frangos de corte empregados como controladores

da flora microbiana e como promotores de crescimento. Os

resultados demonstraram que as leveduras podem substituir

com eficiência os antibióticos na ração de frango de corte,

em relação ao ganho de peso, consumo de ração, conversão

alimentar e índice de eficiência produtiva.

O presente trabalho objetivou avaliar o desempenho de

frangos e de galinhas caipira de corte, submetidos a

diferentes dietas com farelo de mandioca e de palma

forrageira enriquecidos com levedura.

Material e Métodos

Foram desenvolvidos dois experimentos na Estação

Experimental de Lagoa Seca, em 2011, sendo um com aves

machos e outro com fêmeas.

O delineamento usado foi inteiramente casualizado com

quatro tratamentos e cinco repetições, totalizando 20

unidades experimentais, sendo 20 aves por unidade

experimental, totalizando 400 aves para cada experimento.

Os tratamentos testados foram os seguintes:

T1 - Alimentação convencional (70% de milho moído + 30%

de concentrado);

T2 - 50% de farelo de mandioca (folhas, ramas e raízes)

enriquecido com levedura a 2% + 20% de milho moído +

30% de concentrado;

T3 - 50% de farelo de mandioca (folhas, ramas e raízes) in

natura + 20% de milho moído + 30% de concentrado;

T4 - 40% de farelo de palma forrageira enriquecido com

levedura a 2% + 30% de milho moído + 30% de concentrado.

Em cada experimento foram utilizadas 400 aves machos e

400 fêmeas com um dia de idade, da linhagem Frango

Caipira Pesadão Misto Label Rouge, vacinados contra

Marek e Bouba Aviária. As aves foram alojadas em boxes

2

com densidade de 10 aves/m , com lâmpadas de 150 w para

aquecimento, um bebedouro pendular e um comedouro

tubular com capacidade para 25 kg. Foi utilizada cama de

palha de arroz com 10 cm de espessura. O programa de luz

utilizado foi o de 24 horas de iluminação nas primeiras duas

semanas de idade e de luz natural até o final do período

experimental.

A partir do 30º dia de idade, as aves tiveram livre acesso a

piquete para pastejo e movimentação. Cada ave teve uma

área aproximada de 3 m², de acordo com as normas para

criação de frango caipira do Ministério da Agricultura,

Pecuária e Abastecimento (MAPA, 1999).

O farelo de mandioca, utilizado no preparo das dietas

experimentais, foi obtido a partir de plantas inteiras (folhas,

ramas e raízes), as quais foram trituradas produzindo uma

massa úmida que foi espalhada em uma lona, onde foi

realizado o enriquecimento com levedura a 2%. O material

foi deixado a sombra por 24 horas para que ocorresse a

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Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v.6, n.2, p.49-54, jun. 2012


liberação do ácido cianogênico. Após esse período, colocouse

o material ao sol, para desidratação. Depois se triturou,

outra vez, esse material em peneira de menor diâmetro para

diminuir a granulometria, para formar o farelo e,

posteriormente, durante a formulação das rações, misturouse

esse material com o concentrado e o milho. O mesmo

procedimento foi feito para o farelo de palma forrageira.

As rações foram formuladas de acordo com os níveis

recomendados para aves de reposição das Tabelas

Brasileiras para Aves e Suínos (Rostagno et al., 2005). As

quantidades de rações fornecidas às aves foram restritivas,

seguindo as recomendações preconizadas nessas Tabelas,

colocando-se nos comedouros 60% pela manhã e 40% no

final da tarde. Com efeito, o consumo foi o mesmo para todos

os tratamentos. Na Tabela 1, encontram-se os resultados

laboratoriais de proteína bruta, energia bruta e

digestibilidade de amostras das rações, cujas análises foram

realizadas no Laboratório do CCA/UFPB, Areia-PB, 2011.

Tabela 1. Resultados laboratoriais de proteína bruta (PB),

energia bruta (EB) e digestibilidade (Digest.)

Amostras

Mandioca in natura

2

Mandioca

Palma in natura

2

Palma forrageira

Milho moído

(folhas, ramas e raízes)

enriquecida com 2% de levedura

1

2

1

PB

(%)

2,15

3,67

3,22

3,97

6,68

EB

(Kcal/g)

4.186

4.267

3.652

3.647

4.503

Digest.

(%)

83,86

64,54

54,06

51,49

68,31

Não houve reposição adicional de aminoácidos, a não ser

dos contidos na levedura. Foi adicionado 1% de óleo de soja

na ração dos tratamentos com mandioca para reduzir o

menor conteúdo proteico e lipídico desse material e melhorar

a eficiência na digestão do amido contido nesse alimento,

quando comparado ao do milho, conforme sugerido por

Yutste et al. (2001). A ração com palma forrageira também

recebeu 1% de óleo de soja.

Os valores zootécnicos de desempenho das aves foram

medidos no início do experimento, aos 30 dias e ao final do

período de criação, aos 80 dias. Os parâmetros avaliados

foram: peso corporal, ganho de peso e conversão alimentar.

O desempenho do peso corporal foi avaliado a partir da

média de peso das aves aos 80 dias de vida. O ganho de peso

foi avaliado pela diferença de peso final (aos 80 dias de vida)

menos o inicial. A conversão alimentar foi calculada a partir

da relação do consumo de ração e do ganho de peso para cada

tratamento, aos 80 dias de vida, em kg/kg.

Além disso, foi realizada a análise econômica (Receita

bruta, custos e Taxa de retorno). A receita bruta foi calculada,

considerando R$ 5,00 um quilo de carne. O preço da

mandioca foi R$ 0,20, da palma R$ 0,30 e do milho R$ 0,70.

Os custos foram calculados considerando o preço do pinto,

da ração pré-inicial, inicial que foram para todos os

tratamentos e, a partir daí, do concentrado, milho, mandioca

e palma forrageira, levedura, óleo e mão de obra para preparo

das rações, de conformidade com os tratamentos

preconizados. A taxa de retorno foi determinada pelo valor

da receita bruta dividida pelos custos.

Os dados coletados foram submetidos à análise de

variância e as médias de tratamentos foram comparadas pelo

teste Tukey a 5% de probabilidade. Utilizou-se, nas análises,

o Software ASSIST 7,5 Beta versão 2010.

Resultados e Discussão

De acordo com os resultados obtidos, verifica-se que os

parâmetros: peso corporal, ganho de peso e conversão

alimentar para os machos e fêmeas aos 80 dias não houve

diferença entre as rações (Tabela 2). O desempenho das aves

machos e fêmeas tipo caipira alimentadas com ração

contendo mandioca e palma forrageira foi similar ao da ração

convencional (milho) devido, possivelmente, a semelhança

da energia bruta e da disgetibilidade do farelo de mandioca e

da palma com o do milho moído, assim como, o

fornecimento de 1% de óleo de soja adicionado ao farelo de

mandioca e de palma forrageira, uma vez que a baixa

presença de fontes lipídicas nessas rações proporciona um

menor incremento calórico (IC), o qual representa toda perda

de energia durante os processos de digestão, absorção e

metabolismo dos nutrientes (Sakomura & Rostagno, 2007).

Consequentemente, por essa razão, aumentam-se os níveis

de energia líquida (EL) metabolizados, uma vez que essa é

resultado da energia metabolizável menos a energia perdida

como IC, podendo promover melhores resultados de

desempenho das aves, visto que influencia diretamente na

energia retida como produção animal (Penz Júnior et al.,

1999).

Os valores médios de peso corporal foram 2.654 g e 2.353

g e de ganho de peso 2.624 g e 2.323 g para as aves machos e

fêmeas, respectivamente. Comparados aos deste trabalho

(2.022 g a 2.050 g), Carrijo et al. (2010) obtiveram valores

inferiores de peso corporal de galinhas aos 84 dias, ao

usarem 0%, 15%, 30% e 45% do farelo da raiz integral de

mandioca, não alcançando, também, diferenças estatísticas

entre tratamentos. Souza et al. (2011) encontraram valores

superiores do ganho de peso de frangos ao desta pesquisa

(2.801 a 2.875 g) quando utilizaram de 0% a 60% do farelo

da raiz integral de mandioca, em que os tratamentos tiveram

comportamento similar. Por outro lado, Bezerra et al. (2007)

relataram que a substituição do milho pela mandioca não

afetou o Ganho de Peso até a idade de 60 dias, porém após

esse período observaram uma redução linear nos valores

para essa variável.

Embora não tenha havido diferenças estatísticas entre a

ração de mandioca enriquecida com levedura para a não

enriquecida, a primeira promoveu 4,18% no ganho de peso

em relação à segunda para os machos e com relação às

fêmeas a diferença foi de 0,25% (Tabela 2). Esse incremento

Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v.6, n.2, p.49-54, jun. 2012

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deve-se, provavelmente, ao aumento na proteína assim

como, as interações benéficas entre a microflora, o intestino

e o sistema imunológico, promovendo melhoria da digestão

dos alimentos, aumento do crescimento e da resistência às

doenças, redução da incidência de diarreias, diminuição da

produção de gases e inibição de toxinas promovidas pela

levedura (Araújo et al., 2009). Nesse contexto, Gadelha et al.

(2006) verificaram que a farinha integral de mandioca pode

ser incluída nas dietas de frangos caipiras na fase de 35 a 84

dias em até 53% sem prejudicar o desempenho, desde que

ocorra um equilíbrio do teor aminoácido da ração. Latrille et

al. (1976) não verificaram prejuízos no desempenho de aves

quando da substituição do farelo de soja em até 10% por

levedura. Subrata et al. (1997) e Grigoletti et al. (2002)

também não constataram diferenças no desempenho de

frangos de corte, quando utilizaram levedura e antibióticos e

somente levedura, respectivamente.

Não se verificou efeitos das rações formuladas com

alimentos alternativos sobre conversão alimentar, cujos

valores médios foram 2,28 e 2,51, respectivamente, para os

machos e as fêmeas. Esses resultados corroboram com os

obtidos por Bezerra et al. (2007), também, não encontraram

diferenças significativas para a conversão alimentar quando

utilizaram 0, 15, 30 e 45% de raspa de mandioca em

substituição ao milho até os 90 dias, com valores médios

piores aos deste trabalho (3,6 a 3,9), por Gadelha et al. (2006)

que, também, não observaram efeito da inclusão de 0, 18, 36

e 53% de farinha integral de mandioca de 35 a 84 dias de

idade sobre a conversão alimentar de frangos caipiras, por

Carrijo et al. (2010) que não encontraram diferença entre a

ração com milho e 0, 15, 30 e 45% de farinha de raízes de

mandioca na conversão alimentar de galinha tipo caipira de

Tabela 2. Médias de peso, ganho de peso e conversão alimentar de

machos e fêmeas caipira aos 80 dias.

Tratamentos

Média

DMS

QM (Tratamentos)

CV(%)

Média

DMS

QM (Tratamentos)

CV(%)

Peso

(g)

Machos caipira

T1 (convencional)

2.728 a

T2 (50% mandioca + levedura) 2.684 a

T3 (50% mandioca in natura) 2.573 a

T4 (40% palma + levedura) 2.632 a

2.654

190,68

67.045,80 ns

3,97

Fêmeas caipira

T1 (convencional)

2.414 a

T2 (50% mandioca + levedura) 2.408 a

T3 (50% mandioca in natura) 2.269 a

T4 (40% palma + levedura) 2.323 a

2.353

197,05

73.348,55 ns

4,62

Ganho de peso

(g)

2.698 a

2.654 a

2.543 a

2.602 a

2.624

189,57

67.035,82 ns

4,61

2.384 a

2.384 a

2.378 a

2.240 a

2.323

196,09

73.339,56 ns

4,68

Conversão

alimentar

2,23 a

2,27 a

2,36 a

2,32 a

2,28

0,18

0,028 ns

4,55

2,46 a

2,45 a

2,61 a

2,55 a

2,51

0,29

0,785 ns

4,59

Médias seguidas da mesma letra não, nas colunas, não diferem

significativamente entre si, pelo Teste Tukey a 5% de probabilidade.

corte aos 84 dias de idade, com valores médios superiores ao

desta pesquisa, assim como e por Souza et al. (2011) que

constataram valores mais altos de conversão alimentar (3,46

a 3,12) no intervalo de 57 a 84 dias para frangos caipira de

corte quando utilizaram 0% a 60% do farelo da raiz integral

de mandioca na alimentação dessas aves.

De acordo com a análise econômica para aves machos

(Tabela 3), verificou-se que a taxa de retorno foi de 1,78 para

a ração convencional (Tratamento 1) sendo inferior aos

tratamentos T2, T3 e T4 com valores, respectivamente de

2,08, 2,05 e 2,03. Os incrementos nas taxas de retorno para

esses tratamentos em comparação ao convencional

(concentrado + milho) foram: 14,23%, 13,17% e 12,31%,

respectivamente.

Com relação à análise econômica para as fêmeas (Tabela

3), observa-se que a taxa de retorno foi de 1,56 para a ração

convencional (Tratamento 1) que foi inferior aos tratamentos

T2, T3 e T4 com valores, respectivamente de 1,84, 1,79 e

1,77, ou seja, o retorno para o capital investido foi de 84%,

79% e 77%, respectivamente. Esses valores são

considerados altos, entretanto, deve-se enfatizar que essas

taxas de retorno são referentes aos custos e receitas aos 80

dias de vida das aves e, que à medida que aumentam os dias,

haverá, a partir daí, redução na taxa de retorno, visto que

haverá maior consumo de ração e menor produção de carne,

onerando os custos de produção e reduzindo a margem de

lucro. Com efeito, a partir dos 80 dias, o produtor deverá

procurar vender a sua produção visando maximizar seu

retorno econômico.

Os incrementos nas taxas de retorno para esses

tratamentos em comparação ao convencional (concentrado +

milho) foram: 15,21%, 12,85% e 11,86%, respectivamente.

Esses resultados deveram-se, provavelmente, aos menores

preços da mandioca e da palma forrageira em relação ao

milho moído, que refletiram na diminuição dos custos de

produção das aves, levando-se em conta que o preço médio

de um kg de raiz de mandioca foi de R$ 0,20, sendo as folhas

e as ramas cedidas pelo agricultor. O preço do kg da palma foi

de R$ 0,30, enquanto o do milho foi de R$ 0,70.

Um fator que deve ser ponderado é que a mandioca e a

palma forrageira são culturas tradicionalmente cultivadas

pelo pequeno produtor rural, que poderá diminuir

significativamente a dependência do produtor na aquisição

do milho, reduzindo o capital investido no seu

empreendimento. Este fato reflete a importância de estudos

de alimentos não convencionais capazes de promover a

redução de custos das rações sem perdas substanciais para o

desempenho dos animais (Franzol et al., 1998; Cruz et al.,

2006), principalmente, para o pequeno produtor rural.

Com efeito, o pequeno produtor que não disponibiliza de

recursos financeiros para aquisição de milho e do

concentrado, poderá utilizar 71% do farelo de mandioca ou

57% da palma forrageira produzidos na propriedade na

alimentação das aves caipiras e complementar com o milho

adquirido fora ou proveniente do seu imóvel rural, visando

diminuir o capital a ser desembolsado e os custos de

produção no seu empreendimento.

52

Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v.6, n.2, p.49-54, jun. 2012


Tabela 3. Médias de peso corporal de machos, custos de produção, receita bruta e taxa de retorno aos 80 dias por ave.

Tratamentos

T1 (convencional)

T2 (50% mandioca + levedura)

T3 (50% mandioca in natura)

T4 (40% palma + levedura)

T1 (convencional)

T2 (50% mandioca + levedura)

T3 (50% mandioca in natura)

T4 (40% palma + levedura)

Peso

(g)

2.758

2.714

2.603

2.662

2.414

2.408

2.269

2.323

Custo de produção

R$

Machos

7,76

6,53

6,34

6,56

Fêmeas

7,76

6,53

6,34

6,56

Receita bruta

(R$)

13,79

13,57

13,01

13,31

12,07

12,04

11,34

11,61

Taxa de retorno

(R$)

1,78

2,08

2,05

2,03

1,56

1,84

1,79

1,77

% em relação à

ração convencional

-

14,23

13,17

12,31

-

15,21

12,85

11,86

Conclusões

1 - O farelo da mandioca enriquecido com levedura a 2%

e com adição de 1% de óleo de soja pode ser utilizado em

dietas para aves machos e fêmeas tipo caipira até o nível de

71% em substituição ao milho, sem prejuízo do desempenho

das aves.

2 - O farelo de palma forrageira enriquecido com

levedura a 2% e com adição de 1% de óleo de soja pode ser

utilizado em dietas para aves machos e fêmeas tipo caipira

com até 57% em substituição ao milho, sem prejuízo do

desempenho das aves.

3 - As aves alimentadas com rações formuladas com

alimentos alternativos propiciaram maior taxa de retorno até

80 dias em relação à ração convencional.

Referências

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boa alternativa para Alimentação Animal. Bahia Agrícola,

v. 7, n. 1, p.50-56, 2005.

ARAÚJO, L. de F.; DIAS, V.C.; BRITO, A. de.; OLIVEIRA

JÚNIOR, S. Enriquecimento proteico de alimentos por

levedura em fermentação semissólida: alternativa na

alimentação animal. Tecnologia & Ciência Agropecuária,

João Pessoa, v.3, n.3, p.47-53, set. 2009.

ARRUDA, C.G.; ALCANTARA, J.S.; CEREDA, M.P.;

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