Revista Portfolium | 01

Portfolium

Revista Portfolium | 01


|RETRANCA| JORNALISTA

Vida longa à

tecnologia

(por Ewerton Machado)

Em uma era dominada amplamente

pela tecnologia, a informação que

transborda dos aparelhos eletrônicos

produz uma série de discursos virtuais.

A virtualização dos seres terrestres é um caminho sem volta. A regra da

vez é a tecnoinformação, a dependência - de nós humanos - de plataformas

virtuais, corresponde a uma díade pendular, satisfatória em um momento, mas,

em outro, provoca uma inquietação, no mínimo, instigante.

Se por um lado as maravilhas da rede se apresentam faraônicas, na

contramão, as denúncias de vigilância da rede e a manutenção de dados

pessoais por uma infinidade de organizações deixam no ar algumas perguntas:

para quê? para onde? por quê?

Questionamentos à parte, a realidade do cotidiano mais WWmedíocre,

hoje, é ao lado de um smartphone. Amparado pelas redes, conscientemente

ou não, a banalidade dos temas mais corriqueiros não passam despercebidos

sem alguma hashtag.O que isso significa e para onde nos levará?

O tempo, senhor da razão, costuma não se pronunciar antes da hora. É de

se entender, entretanto, as novidades que a ciência anuncia são em primeiro grau

as cenas de um novo filme. Quando se fala, por exemplo, em ‘chip vestível’, automaticamente

somos transportados a uma realidade paralela ou futura. Não consigo

imaginar ter um terno ou uma bermuda na palma da minha mão, quiçá, do tamanho

de um grão de arroz.

O fato é que a tecnologia utilizada pela massa é atrasada anos luz em

relação ao que virá dos laboratórios do mundo, nos próximos anos.

Fica evidente que os dados virtuais postados diariamente tem um propósito

muito maior e, possivelmente, inimaginável por nós, pobres mortais.

Todavia, o avanço da técnica, as redes sociais e a web são a tríade base

para a configuração de um novo amanhã, vasto em possibilidades, denso em

sua concepção e um mistério enquanto sociedade.

Não sei se vivemos o ‘eterno retorno do mesmo’, como Nietzsche nos

propôs, mas fico em dúvida quando penso na invenção de Gutemberg, que

não significou apenas a produção em larga escala da informação, mas

uma revolução na cognição humana e na sua capacidade de se reinventar.

A diferença é que nem Gutemberg ou Nietzsche poderiam supor que

chegaríamos a uma época tão rica em informação, mas ao mesmo tempo, tão

dependente do que a tecnologia impõe como a próxima redenção.

O resto é história.

Nesse cenário, caros leitores, a Revista Portfolium, publicação da

A^necia Experimental da Universidade Braz Cubas, convida-os a se

“perderem” nno universo digital do Jornalismo, da Publicidade e Propaganda

e do Marketing, universos distintos, que se completam.

Boa Leitura!

SUMÁRIO

04 CULTURA

06 JORNALISMO

09 MARKETING

Ano 1 - Número 0 - novembro/2014

|RETRANCA| | JORNALISTA

EDITORIAL |

10 MATÉRIA DE CAPA | PUBLICIDADE E PROPAGANDA

12 PERFIL

14 CRÔNICAS

Expediente:

Redação: Ana Guedes, Eduardo Faria e Ewerton Machado

Revisão: professora Lucimar Gonçalves

Planejamento Gráfico: Ana Lima, Eliézer Prado, Robson Mendes, Ana Guedes

e Cauê Maldonado (sob orientação do professor André Dal’Bello)

A Revista Portfolium é uma produção jornalística digital da Portfolium -

Agência de Comunicação integrada da ECAP - UBC - Escola de Comunicação

Aplicada da Universidade Braz Cubas.

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|RETRANCA| | CULTURA | JORNALISTA

O festival busca trazer grandes

nomes da região para apresentar-se

durante o evento

Fotos Wanderley Costa

Além de espetáculos próprios, a

Cia. busca trazer produções de

outras cidades

Foto: Lucas Ventura

Texto Ana Guedes)

Andando pelas cidades que fazem parte da região do Alto Tietê, percebemos que existem

lugares em que a arte pode ser mostrada, porém não destacam ou incentivam a mesma.

Teatros, centros de cultura, galpões para apresentações artísticas e casarões que, até há

alguns anos, viviam lotados de bailarinos e artistas, hoje foram fechados ou reduzidos a algumas

mostras por mês. Mesmo com tantas escolas que incentivam a arte – pelo menos cinco principais

entre Suzano e Mogi das Cruzes -, há poucas pessoas que se envolvem com cultura e acabam

deixando que lugares que possuem um espaço dedicado à área sejam facilmente alugados.

Para a bailarina Thaís Mello, há uma burocracia excessiva envolvendo os interpretes. Em um

festival de dança – que possua ou não uma competição -, taxas altas são pedidas para que possam

apenas alugar o espaço. Segundo Thaís, poucas pessoas entendem que cultura é educação. “Ainda

tem muita gente que nos vê como desocupados, acham que o que fazemos é um hobby”, acrescenta.

O Alto Tietê sempre foi referência em cultura. Há alguns anos, ao mencionar o nome de alguma

intervenção cultural que acontecesse na região, diversos artistas se interessariam. Atores, bailarinos

e dançarinos que saíram de pequenos espaços que pertencem à região para companhias de dança

brasileiras e estrangeiras são inúmeros. Porém, o problema é a oscilação no incentivo à cultura.

04 | Revista Portfolium

FALTA DE INCENTIVO E

BUROCRACIA DEIXAM ALTO TIETÊ

FORA DO CICLO CULTURAL

Região procura novas saídas e palcos para mostrar seu trabalho.

Ao mesmo tempo em que

a cidade de Poá possui um

programa cultural que busca a

melhoria - com a construção de

um Teatro Municipal, exposições

e peças teatrais sempre em

cartaz -, a cidade de Suzano,

que até pouco tempo tinha uma

identificação com a cultura,

fechou a maioria de seus centros.

“É uma cidade inóspita”, afirma

a atriz Danielle Santana, da

Companhia Contadores de

Mentira, ao mencionar que,

atualmente, a cidade está quase

sem nenhum programa cultural,

apenas com o próprio teatro da

Companhia da qual faz parte.

Com a participação em

movimentos, como o Fórum do

Interior, Grande São Paulo e

Litoral (que discute a política

pública para a arte), a Cia.

Foto Lucas Ventura

de Teatro Contadores de Mentira procura sempre um diálogo

com o Secretário de Cultura para que haja um incentivo fiscal

maior na pasta, especialmente nas cidades menores. “Para ter

uma descentralização, tem que ter uma distribuição de recursos

uma pouco mais igualitária”, salienta a atriz. Segundo Danielle,

um marco histórico este ano foi conseguirem, para o Estado de

São Paulo, mais de R$ 14 milhões para o incentivo à cultura.

As idealizações de novos programas para a arte são muitas.

A bailarina Thaís Mello, junto com a irmã e bailarina Ana Carolina

Prado, montaram o Talento Festival de Dança, na cidade de Mogi das

Cruzes, para poder mostrar a todos os novos interpretes da região.

Antes conhecido como “Mostra”, o festival tem com principal intuito

celebrar a dança. “Queremos um dia de celebração da arte, queremos

que o artista tenha espaço para expor a sua arte.”, explica Thaís.

No entanto, por mais que ainda ocorram diversas intervenções

na região, as cidades ficam órfãs com a falta de incentivo de

governantes. Os próprios artistas precisam dedicar um tempo para

procurar novos lugares para mostrar sua arte e criar novos espaços

para apresentar trabalhos de qualidade para que a apreciação da

cultura seja sempre especial. ”Nós temos que convencer prefeituras

que a arte é importante para uma cidade e convencer o público

que isso é importante para ele.”, afirma a atriz Danielle Santana.

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|RETRANCA| | JORNALISMO JORNALISTA |

#Alcançamos um

mundo melhor

(por Ewerton Machado)

Se você busca receituário de obviedades e simplificações, retire-

-se. Enigma é para ser indecifrável.

Descobriram a política ontem, aliás, antes de ontem. Melhor

embalada com um “ar juvenil”. Descobriram também a palavra ‘mudança’,

cujo significado é uma salada de raiva, insegurança, desorientação.

Os novos integrantes da política sabem tudo e um pouco mais.

Hasteiam a bandeira do contra isso, contra aquilo... É um verdadeiro

mercado de multidões solitárias que encontram na #somostodosblábláblá

uma filosofia de vida.

Coisa sem importância: “Há que apenas saber errar bem o seu

idioma”, declama Manoel de Barros, mestre da “agramática”.

Enquanto no mundo multifacetado dos saberes inúteis, eis que

me importo menos com regras ‘explicativas’ e mais com “ignorãças”.

Se houver esperança, haverá provocação.

Indulto do momento: o texto tem natureza livre, ideias vagas e

se afasta da objetividade, bicho estranho e modelado.

Querem regralizar a virgulação. Exijo que no meu texto as pausas

sejam respiradas e os pontos assumidos. Visão hermética.

De volta ao padrão.

Sísifo foi condenado a passar a eternidade empurrando uma

grande pedra morro acima e ao alcançar o topo, a pedra retornava

ao ponto inicial. Desafiar os “deuses” foi seu maior erro.

Da mesma forma, a sociedade da imagem alça voos em direção

ao Olimpo, produzindo fenômenos “apolíticos”, como se isso

fosse possível.

Aqueles do “sem partido” são os mais militantes de todos. Que

através de pautas genéricas encontram uma brecha para impor suas

idiossincrasias travestidas de um fascismo moderno e utilitário: a

política só serve quando me serve.

É um duelo entre seres inferiores e consagrados seres superiores,

quanto mais distante e periférico é um estado em relação a

maior capital financeira da América Latina, mais desconhecedores

da verdade são os modestos indivíduos.

O meio é a mensagem, proferiu Mcluhan. Eu apenas acrescentaria

que “o meio é a mensagem política”, considerando o fato

de que posicionamento político

é completamente diferente de

política partidária.

Mas o que isso importa nesse

mundo de meu deus?

O que importa na terra dos

trolls, dos especuladores, das

animadoras de torcida?

Massificações à parte, a desigualdade

é uma assunto chato,

sem um nível de elegância ou

modernité. Que conversa fiada,

que saco cheio de desumanidades.

Que lista pérfida, mal cheirosa,

sem glamour.

O mundo é muito mais fácil,

altamente decifrável, via redes

sociais.

Imagem “O Grito”, Edvard Munch -

1893 (www.edvard-munch.com/gallery/

anxiety/scream.htm)

É um mundo lotado de eu, eu e ninguém mais ou, talvez, minha

prole. Saudade das ideias utópicas que ofereciam sonhos, hoje com

as respostas prontas e a humanidade servida selfinianamente, a lógica

é simples e trivial: nada vale muita coisa.

Ponto para os adoradores de um mundo contado, milhas e

milhas de nada sem coisa alguma. Verdade universal, vida boa e

feliz é exclusivista, bancária e ostentatória. Ponto a menos para os

“eudaimônicos”.

Todavia, verdade seja dita, em um mundo onde a verdade

triunfa em tamanho e velocidade, perguntas: como será? ou, tem

certeza? Estão em um lugar incompreendido e inalcançável: a dúvida.

Certamente, errado e fora de moda é duvidar de um mundo

cuja força é a representação do “divino”. Enquanto seres superiores

basearem-se apenas no pensamento binário fraco x forte, direita x

esquerda, certo x errado, vencerá sempre aquele com barriga cheia,

sorriso farto e ideias frouxas.

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|RETRANCA| | JORNALISMO JORNALISTA |

|RETRANCA| | MARKETING|

JORNALISTA

Em meio a posts e tweets:

redes sociais como

‘sobrevida’ do texto

A nova era do

marketing político

(por Ana Guedes)

(por Eduardo Faria)

Jornalistas veteranos encontram nas redes sociais “um meio

de dar uma sobrevida ao texto”. A declaração foi concedida

por Maurício Stycer, crítico de TV no portal UOL, durante

a apresentação do painel Redes Sociais: a reinvenção da

primeira página, no último dia do 9º Congresso Internacional

de Jornalismo Investigativo (Abraji).

O experiente jornalista mostrou-se confiante em relação

aos benefícios das redes sociais para o desempenho da profissão.

Para ele, além da acessibilidade, a velocidade da rede

contribui para um feedback mais rápido entre jornalista e leitor.

Stycer confessou que, durante muito tempo, resistiu ao uso

do facebook, por se tratar de uma rede muito pessoal, optando

apenas pelo uso do twitter para promover seu trabalho. No

entanto, com o passar do tempo e após iniciar seu trabalho

no site da UOL, reconheceu a importância do meio e passou a

utilizá-lo como uma opção a mais.

“Estou começando a transformar minha página pessoal

do facebook, num micro canal da UOL, para divulgar meus

textos sobre TV”, comentou.

Bem humorado, Stycer brincou durante sua apresentação

dizendo que “o twitter é um revisor dos meus textos”, ao contar

alguns casos em que os leitores que o seguem, apontavam

alguns erros de digitação, opinavam, ou até mesmo questionavam

algumas informações contidas em seus posts.

Limitações nas redações

Luis Fernando Bovo, editor de Conteúdos Digitais do jornal

O Estado de S. Paulo, acompanhou Stycer na apresentação

do painel. Bovo dividiu sua apresentação em dois tempos:

antes e depois do facebook. Para ele, a rede social exerce

uma importância significativa na repercussão das notícias. “As

pessoas não querem apenas os conteúdos disponíveis na home

do site. Elas querem a notícia no facebook”, comentou, ao informar

que durante a Copa do Mundo o site do Estadão bateu

recorde, com mais de 2,4 milhões de curtidas nos posts sobre

o evento.

Além do tema proposto pelo painel, outro ponto abordado

pelos conferencistas

foi a dificuldade em gerenciar

todo conteúdo produzido

pelo público que acompanha

os posts, tweets e comentários

nas plataformas on-line.

Segundo Bovo, apesar das

redes sociais favorecerem a

participação massiva nos conteúdos,

através de comentários

e opiniões, as redações

não aproveitam tudo o que a

rede oferece em termos de sugestões

de pautas. Para ele,

isso se deve ao excesso de informações

e a falta de profissionais

para realizar o monitoramento

dessa interatividade.

Na época das eleições sabemos que, no

dia em que decidiremos nossos governantes,

iremos encontrar os chamados

“santinhos” espalhados pelas ruas em torno

das seções eleitorais. Durante toda a campanha,

teremos que ver cavaletes com o número

do candidato, suas promessas e suas realizações,

em muros e nas ruas. Mas, será que ainda

funciona? A mudança do comportamento

do eleitorado é o que os profissionais de marketing

estão analisando, bem como a importância

da transferência dos papéis para as

mídias digitais, em especial as redes sociais.

Nesse sentido, um dos destaques da eleição

passada foi o vereador de Mogi das Cruzes, Caio

Cunha (Partido Verde - PV), que preferiu fazer sua

campanha somente através das redes sociais.

O projeto, que começou em 2006, foi proposto

para fugir do que era comum. “Nossa

proposta era sair do convencional e, por não

termos recursos financeiros, apostamos em divulgar

nossos projetos nas redes sociais”, salienta.

Já para Anderson Grego, assessor parlamentar

do vereador, utilizar as redes sociais também

contribuiu para aproximar o candidato de seu

público-alvo. “Gerar comunicação digital trouxe

o eleitor para mais perto”, acrescenta Grego.

Com cerca de dois mil seguidores no facebook,

o vereador consegue falar com os cidadãos sobre

o que está ocorrendo de importante na Câmara

da cidade. Segundo Cunha, isso também

gerou uma mudança no comportamento dos outros

parlamentares. “Eles perceberam que o uso

das mídias sociais está em ascensão”, destaca.

Para muitos especialistas da área de

Marketing Político, a demanda de campanhas em

redes sociais só tende a aumentar. E, para que isso

aconteça de uma maneira que todo o eleitorado

entenda o que está ocorrendo, os políticos

deverão focar na interação com os eleitores e

no engajamento de quem está coordenando

para conseguir o impacto necessário.

.

Foto por Cauê

Maldonado

Caio Cunha (foto) procura sempre

informar seus eleitores através da

rede social para mostrar o que

está ocorrendo na Câmara dos

Deputados

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|RETRANCA| | MATÉRIA DE JORNALISTA CAPA |

| PUBLICIDADE

|RETRANCA|

E PROPAGANDA

JORNALISTA

|

(por Ewerton Machado)

“Criança não trabalha, criança dá trabalho,

Imagem: Morguefile.com

http://rmg.bz/dHpU1l

criança não trabalha...”

“Criança é uma construção social,

não apenas uma classificação

universal e biológica. Não existe uma

infância, mas diversas, marcadas

por condições desiguais entre classe

social, gênero, faixa etária, raça,

cultura, contexto histórico e cultural e

experiências de vida. O ideal, então,

é falar em infâncias. “

A

música, composta por Arnaldo Antunes e Paulo Tatit (Palavra

Cantada), é uma metáfora para os desafios que

envolvem o planeta infantil.

O mundo dos pequenos, invariavelmente, acaba se tornando

tema de debates acalorados, e por vezes, insolúveis.

Quando o assunto é educação, lutar por um ambiente

adequado para o crescimento das crianças torna-se uma autoexigência

para pais e mães preocupados com o bem estar

da prole.

Nesse sentido, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança

e do Adolescente (Conanda) divulgou uma normativa que

trata da publicidade infantil.

Publicada em abril de 2014, a resolução 163 trata da

proibição a “qualquer publicidade – abusiva – dirigida às crianças

com a intenção de protegê-las da persuasão consumista”.

Para Bruno Miragem, professor da Faculdade de Direito

da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a

resolução 163 não impede a publicidade de produtos ou serviços

destinados à criança e ao adolescente, mas observa a

suscetibilidade e a vulnerabilidade do infanto. Daí a importância

de serem mais protegidas.

“Ao oferecer valores, a publicidade infantil insere suas

orientações individualistas e consumistas na população, justamente

na idade em que os cidadãos começam a formar suas

opiniões sobre o mundo”, afirma o professor da Universidade

de São Paulo, Clóvis de Barros Filho, que ainda questiona:

“Será que deveria se dar às agências de propaganda infantil

a possibilidade de se autorregulamentarem?”.

Em um estudo denominado Publicidade e Propaganda:

Comparativo Global da Legislação e da Autorregulamentação,

divulgado pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação

Publicitária (Conar), a entidade pondera: “O Brasil conta com

um harmonioso sistema misto

de controle da publicidade,

que combina legislação, autorregulamentação

e códigos

setoriais de conduta”.

Outro estudo feito em 11

países pela Nicklelodeon, do

Grupo Viacom, demonstra que

97% dos pais conversam com

seus filhos antes de sair às compras.

Segundo a pesquisa, a opinião

das crianças é seriamente

considerada pelos pais mesmo

quando o produto não é para

seus filhos, como, por exemplo,

na compra de automóveis.

O embate a respeito do

tema também atinge outras

esferas e setores. Segundo o

ministro do supremo, Luís Roberto

Barroso, proibir anúncio

é uma forma autoritária

e equivocada de proteger e

educar. Já para o presidente

do Conar, Gilberto Leifert,

a lógica simplista do “não

pode anunciar” ameaça devastar

importantes segmentos

da economia, privando-os de

promover produtos lícitos na

mídia. “Sob a alegação de

estarem protegendo a saúde,

a família, a segurança ou o bolso do cidadão,

muitas dessas iniciativas escondem intolerância,

desrespeito ao outro, dificuldade de

conviver com os contrários e frustração diante

da autonomia conferida pela liberdade de escolha”,

afirma ele.

Em nota pública, a Associação Brasileira

de Anunciantes (ABA), a Associação Brasileira

de Agências de Publicidade (Abap), a Associação

Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão

(Abert); a Associação Nacional de Jornais

(ANJ), a Associação Brasileira de Radiodifusores

(Abra), a Associação Brasileira de Rádio e

Televisão (Abratel), a Associação Brasileira de

TV por Assinatura (ABTA), a Associação Nacional

de Editores de Revistas (Aner) e a Central

Outdoor informaram que reconhecem apenas

o Poder Legislativo, exercido pelo Congresso

Nacional “como o único foro com legitimidade

constitucional para legislar sobre publicidade

comercial” e que o papel desempenhado pelo

Conar “é o melhor – e mais eficiente – caminho

para o controle de práticas abusivas em matéria

de publicidade comercial”.

Entretanto, para o Instituto Alana – organização

da sociedade civil que reúne projetos voltados

para crianças - os que querem a manutenção

da prática da comunicação mercadológica

infantil enxergam na Resolução uma ameaça

aos seus interesses e, por isso, tentam deslegitimar

sua força e abrangência, alegando que a

Resolução não teria poder vinculante.

Maria Isabel Rodrigues Orofino, doutora em

Ciências da Comunicação

“Em geral, o debate vem assumindo características

dicotômicas: de um lado do pêndulo,

a criança é vista como um ser indefeso,

uma vítima que precisa ser protegida da lógica

capitalista demoníaca; do outro, sobretudo

a partir da ótica do mercado, ela é percebida

como um consumidor que sabe o que quer, um

ator social que pode assumir um comportamento

violento ou sexualmente precoce, o que se

torna uma ameaça à autoridade dos adultos à

sua volta” explica Maria Isabel Rodrigues Orofino,

doutora em Ciências da Comunicação.

Na opinião de Yves de La Taille, professor

do curso de Psicologia da Universidade de

São Paulo, só a regulamentação não é suficiente.

“De pouco adiantarão leis que coíbam

a publicidade dirigida ao público infantil se os

próprios adultos, entregues ao consumismo e à

cultura da vaidade, forem às compras, motivados

e seduzidos pela imagem que seus filhos

terão diante de outras crianças”, destaca.

O fato é que o universo infantil é complexo

e precisa de acompanhamento. Vale lembrar

o que afirma o filósofo e professor da

PUC-SP, Mário Sergio Cortella: “O mundo que

nós vamos deixar para os nossos filhos depende

muito dos filhos que nós deixarmos para

este mundo”.

10 | Revista Portfolium

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| |RETRANCA| PERFIL | JORNALISTA

Avesso aos padrões,

12 | Revista Portfolium

artesão de rua busca

“sair do sistema”

“Sonho que um dia meus filhos também peguem um arame pra entortar, façam

uma pulseira e chamem uma pessoa pra ver, tratando todos de igual para igual”

(por Eduardo Faria)

Fotos: Cauê Maldonado

A

vida das pessoas compõem a história de uma cidade

em movimento. Jovem, 30 anos, natural de Jacarepaguá

- nome que, em tupi, significa enseada onde ficam os

jacarés -, bairro situado na zona oeste do Rio de Janeiro. É

de lá um dos muitos rostos anônimos que, depois de conhecer

quase todo o país, com exceção da região norte, circula em

Mogi das Cruzes.

Seu trabalho é incomum – ou comum, dependendo

do ponto de vista. Quatro

filhos. Dois, algumas vezes, o

acompanham no trabalho. E

os outros dois ainda esperam

para o primeiro respiro de

vida, na cidade em que ele

escolheu, há doze anos, para

viver e educá-los.

Greg Daniel dos Santos

não tem um biotipo costumeiro

da maioria dos jovens. Não

sonha em ter um carro, nem

vê a necessidades de ter um

Iphone. Não se importa com

marcas de grifes que, para

muitos, proporcionam uma

aceitação influenciada pelo

consumo. Mas tem memórias

e histórias de uma vida sem

rotina, com valores que ele

mesmo construiu. Uma vida

que não é fácil, mas que leva

sempre com sorriso no rosto.

Ao contrário do

que muitos pensam, ao

vê-lo diariamente, não se

considera um representante

influenciado pelo movimento

de Woodstock. Opinião que

ele defende e justifica: “Eu não

sou hippie. Os hippies foram

um movimento que surgiu nos

anos 70. Eles não viviam da

arte”. E o que você é? “Eu sou

um maluco de estrada mesmo,

um micróbio”, define com bom

humor.

Após a separação dos

pais, aos 14 anos, o garoto

de infância rebelde – como

comenta -, ficou “perdido”.

Nada de muito estranho para

os filhos que passam por esse

momento no qual a ruptura

do conceito e núcleo familiar

idealizado esfacela-se.

Restando apenas insegurança,

incertezas e dúvidas. Mesmo

muito jovem, só tinha uma

certeza: queria fugir, mas não

de si mesmo; queria fugir do

sistema no qual ele não se

encaixava. Queria liberdade.

Rodou o Brasil até

chegar no Pantanal. Foi

buscar matéria-prima para a

confecção de seus trabalhos.

As penas, pedras, sementes e

cipós são contorcidos, furados

e trançados até ganharem

forma na mão calejada do

artesão. “Eu só não conheço

o norte do Brasil, mas o nortão

mesmo eu conheço todo.”,

conta, enquanto aponta para

a tatuagem com traços dos

estados brasileiros desenhada

no antebraço esquerdo.

Todos os dias é possível

encontra-lo trabalhando.

Sempre que pode, Greg está

no mesmo endereço: Praça

Oswaldo Cruz, região central

de Mogi das Cruzes. Pano

estendido ao chão, brincos,

colares e pulseiras expostos

ao tempo. Sol quente, pessoas

passando, pombos invadindo

a praça, aterrissando e

decolando num bater de asas

desajeitas. Ele está ali. É da

arte que retira o seu sustento.

Mas a repressão

policial é algo que, sempre

que ocorre, prejudica o dia de trabalho de artesões que, assim

como o Greg, se assentam no piso de ladrilho e estendem

ao chão a esperança de voltar pra casa com o mínimo de

dinheiro no bolso. Quando às adversidades causadas pela

ausência de planos municipais que garantam à seguridade

de artesãos prevalecem, é no trem – partindo para as cidades

vizinhas que muitos tentam a sorte de trocar sua arte por

retorno financeiro. “Tem que ser igual leão pra levar pra casa

o seu, ou pelo menos para os filhotes. Porque amanhã proverá

Deus mesmo. Mas hoje, hoje nós temos que correr atrás”.

Ao falar de sonhos, Greg evidencia, com olhos

marejados, a concretização do que ele considera o maior de

todos: ser pai. E só pra constar: ele não têm um diploma de

formação universitária, mas têm valores. Valores que, todos

sabemos, não cabem dentro de um canudo.

“Sonho que um dia meus filhos também peguem uma

estrada, assim como eu fiz, e tentem sair dos sistema, trabalhando

pra eles mesmos.” É “saindo do sistema”, como quem

não precisa de muito para viver, que ele vive. E pode ser visto

agora, sentado, na Praça Oswaldo Cruz, trançando linhas

por entre os dedos, como se estivesse traçando o futuro nas

mãos.

Revista Portfolium | 13


|RETRANCA| | CRÔNICAS JORNALISTA

|

Capítulo I:

14 | Revista Portfolium

(Por Marcos de Almeida Tourinho Filho)

O Garoto da

A luz do casebre era tudo que havia pela

ferrovia. A sede era aquilo que lhe contava sobre

casa, ou uma ideia dela. Havia vindo de um

lugar de um Brasil árido, do qual ele próprio não

se lembrava.

No peito, além de vazio, a corda de crina

deixava-o marcado feito uma lâmina na pele

queimada sem piedade por sua caminhada

sem sentido. O motivo era uma velha viola em

um saco de estopa, com a qual já conquistou

uma ou duas mulheres baratas e comprou seu

cigarro e uns tragos para dormir.

Naquele seu chapéu quase não restava

palha alguma para lhe proteger os olhos,

tampouco o rosto maltratado e vago.

A cantoria dos peões, lá, o atraía, ainda

que menos que o cheiro do ensopado que

preparavam contra a noite que caminhava ao

amanhecer atarefado na fazenda.

Ele se aproximou feito o fantasma que

parecia ser naquela escuridão além do

barracão que os homens usavam para jantar,

jogar e cantar suas lendas. Quando sua

silhueta alcançou o lampião sobre as cabeças

daqueles vaqueiros, não revelou, porém, seus

olhos sob a aba esfarrapada do chapéu.

Eram a única coisa que poderiam entregá-lo.

Trocou uma noite de cantoria por um prato de

comida. Por fim, acabou dormindo de barriga

cheia e com um nome pela manhã.

Além de tudo, pegou-se tendo onde dormir

e o que comer todos os dias, inseguramente

em troca de um trabalho que o fazia procurar

motivos para valer a pena, conforme sua

liberdade fazia cada vez mais falta. Talvez

um amor. Um amor psicótico que consumira os

dois; ela por ele, e ele por sua própria ideia

de liberdade. Simplesmente se descobriria

Ferrovia

por sua conta quando a sombra caísse sobre

ele e o sol fosse embora.

Ainda que por um mero vislumbre daquela

moça por entre o abrir e fechar da porta, na

primeira vez que visitou o patrão. Aqueles

cabelos tão negros sobre a pele branca e

pura lhe dava alguma ideia de casa. Alguma

ternura envolvia o coração de alguém que se

autoconsiderava morto. O mesmo era para

ela, mas toda a sua ideia era de um sentimento

selvagem, que pudesse proporcionar uma

aventura romantizada em suas próprias ilusões.

Tudo só piorou conforme se supriram as

caridades um do outro. Um passeio secreto

no bosque inóspito sob a luz da lua e os dias

pareciam passar anestesiados. A música dele

sumiu, e ela trançava seus cabelos todos os

dias em frente à janela, para vê-lo passar a

cavalo, embora um dia ele fosse longe demais.

Capítulo II

Ela subiu para fazer sua cama, e nenhuma

palavra disse à sua mãe. Já a mãe, por sua

vez, subiu também e perguntou-lhe. – Filha? Ô

filha… - ela se sentou ao seu lado. – Qual é o

problema com você?

- Ó, mãe. Não posso dizer. Aquele Garoto

da Ferrovia que eu tanto amei. Ele me cortejou

e arrebatou minha vida. Mas, agora que meu

coração é dele, não ficará mais aqui por muito

tempo. – ela deu as costas. – Há um lugar na

próxima cidade onde o Garoto da Ferrovia vai e

se senta. Coloca uma garota desconhecida sobre

seu joelho e diz coisas a ela que não dirá para

mim.

A mãe deitou sua doce cabeça sobre

aquele colo que tanto a consolou. Aquietou-a

com todo o amor somente a ela, até que sua

doce garotinha adormecesse.

Isso deu tempo ao dia para fugir pela

noite estrelada de simplicidade genuína e ao

seu pai para voltar dos afazeres da fazenda

para jantar.

- Onde está minha filha? – perguntou ele,

subindo os primeiros degraus da escada. – Ela

parecia tão triste quando saí. Peguei algumas

flores para ela lá no pomar.

As flores caíram ao chão, o mundo todo se

partiu em cacos monumentais de desespero e

dor, vertendo sobre um piso velho de madeira

e pó, enquanto girava de volta à imagem

de sua filha pendurada pelo pescoço numa

corda.

Ele puxou sua faca e a desceu. Um corpo

frio e pesado, apenas. Em seu busto, essas

palavras foram encontradas: “Vá e cave minha

sepultura larga e profunda. Coloque uma

pedra de mármore aos meus pés e em minha

cabeça, e, sobre meu peito, uma pomba tão

branca quanto a neve, para alertar o mundo

que morri por amor”.

Começar a cavar a cova se mostrava tão

difícil quanto continuar abrindo as entranhas

da terra mais e mais. Enquanto isso, o caixão

de madeira selvagem e a tristeza nos olhos do

cão sentado sob a cruz que marcaria o local

de seu túmulo lembravam o pai da grande

mentira chamada vida.

Quando, finalmente terminou, lavou a

terra negra, embebida nas suas próprias

lágrimas, onde o rio corria ali perto. Naquela

mesma margem avaliou seus conceitos de

justiça no mesmo passo que carregava a arma

com vestígios de um ódio vingativo.

Enfim, caçou seu destino até um velho bar

no centro da próxima cidade, onde o Garoto

da Ferrovia ia para jogar carteado e flertar

com mulheres fáceis.

Entrou com precipitação, não tirou o dedo

do gatilho por nenhum instante. Encarou aquele

que procurava mais cedo do que previu, e

ergueu a ele sua arma, dando dois tiros em

quem magoou sua única filha, derrubando-o

numa nuvem de fumaça, sangue e cartas

de baralho. Depois morreu com um tiro de

espingarda à queima roupa pelas costas.

Capítulo III

|RETRANCA| JORNALISTA

Brad Faegre “Train Station”, 2011. http://www.blog.

faegrefineart.com/archives/733

Duas cicatrizes e um baço perfurado.

Aquelas marcas resumiam o amor para ele.

Mas, seu único amor era a própria

jornada, e a própria estrada de ferro remetia

de volta a vida dele para si e seu coração

enferrujado, e mostrou a ele sua sorte.

O destino o encontrou antes da saída da

cidade, e todos puderam dizer que o diabo

veio especialmente para assistir aquela manhã

seca e própria de sua pessoa. Um homem de

revolver em punho se interpôs lenta, porém,

indiscretamente em seu caminho. Tudo em

volta pareceu correr bem mais lentamente, os

pássaros se calaram, e o mundo, enfim, se

mergulhou em silêncio.

Para se defender, teria de largar o saco de

roupas que carregava. A poeira avermelhada

cobriu seus pés. – Você é o tal Garoto da

Ferrovia? – uma voz o surpreendeu pelas costas.

Tudo o que restou para ele foi tentar

puxar o revólver e morrer sem implorar. Suas

costas se estraçalharam e o sangue espirrou

por todos os lados através de seu peito. Ainda

assim, não sentiu dor alguma. Partiria da única

forma que conhecia e compreendia: sobre sua

velha ferrovia. Com wo rosto contra o ferro da

estrada, o gosto da própria morte na boca e

wos olhos ofuscados no último sol.

Revista Portfolium | 15


| |RETRANCA| CRÔNICAS JORNALISTA

|

Carta

(por Rodrigo Franco)

Leva o Violão

(por Jocemi Oliveira)

Andava sozinha pela rua movimentada. Atravessava a multidão de pessoas

que seguiam ocupadas para seus afazeres cotidianos. Calçadas

tão lotadas quanto os transportes públicos da cidade. Seguia sozinha

em meio ao caos. Para ela, aquela rua parecia vazia. Não via ninguém a sua

frente, também não sentia o chão em que pisava. Sentia como se estivesse flutuando.

Sentia-se anestesiada com as pontadas de felicidade que lhe percorriam

o corpo. Seu sorriso iluminava a cidade cinza e inundava cada uma das largas

avenidas da metrópole.

Andava abraçada com a carta que escrevera. Apertava-a forte contra o

peito ainda sem acreditar na coragem que tivera ao produzir seu teor. Pedidos

de desculpas e declarações que afirmavam que ela sentia todas as emoções

que o coração permitia carregar.

Mal conseguia acreditar, finalmente tudo daria certo dessa vez. Aquela

carta seria sua salvação. Seria a cura para todos os males. Sentiu a esperança

materializar-se em uma lágrima. Achou melhor enxugá-la antes que escorresse

pelo rosto. Com as mãos nos olhos não percebeu que a calçada chegara

ao fim, também não se deu conta do ônibus que vinha. Sentiu apenas o forte

impacto. Ouviu seu gemido que acompanhou seu arremesso ao chão, de

encontro à faixa de pedestres enquanto seu envelope voava lentamente aos

caprichos do vento. Aquela carta que poderia mudar tudo, nunca foi entregue

para seu destinatário.

Tem sempre aquela canção que lhe faz relembrar um amor. Eu diria até que

são canções no plural, que marcam detalhes de um musical escrito à dois,

cheio de tons e sobretons.

A musicalidade de um romance depende da compatibilidade das partes

interessadas. Não se pode amar Rock se o sentimento é MPB. As notas não

batem, assim como as opiniões.

Existem aqueles camaleões que lhe mostram um capa maravilhosa, tem boa

conversa como as primeiras faixas de um disco, caem na rotina nas canções

tediosas do meio, e ao invés de lhe apresentar faixa extra quando tudo vai mau,

lhe apresenta arranhões irreparáveis.

O amor não é bossa nova, calmo e encantador. Trata-se de um ópera das

mais alucinantes. Alguns o veem como clássico do rock, outros como a mais

pura gafieira. Não sei ao certo qual o ritmo que me escolheu, da última vez era

solo de violão, agora já não sei mais.

Às vezes, tudo da em samba, outras horas torna-se o melhor folk rock que

podemos ouvir na vida; mas uma coisa é certa; o amor é como a música, nunca

conhecemos todas e sempre achamos conhecer o suficiente. Às vezes nos faz

chorar, outras nos tira para dançar, e mesmo que seja quase impossível de ouvila,

ela nunca para de tocar.

Enquanto a letra e a melodia não se encaixam, tenha certeza que você

ainda não encontrou seu ritmo perfeito; mas ele chega, e se não chegar você

samba, até que o amor te ensine que nem corvo voa solo, pois enquanto você

canta alguma melodia se encanta.

16 | Revista Portfolium

Revista Portfolium | 17

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